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Sábado, 28 Novembro 2020

Manaus da Minha Infância

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Recordar é viver e constato que lá se vão 40 anos, na Av. 7 de Setembro, esquina com Joaquim Nabuco, local em que morei toda a infância. Eu vi nascer as Casas do Óleo, do Sr. Mário Assayag, hoje, grande rede de Supermercados. Naquela época, não tínhamos a figura do supermercado, somente pequenas tabernas ou grandes mercearias, como é o caso da "A Renascença", de um grupo de portugueses.

Vista aérea de Manaus, 1950. (Foto:Acervo Abrahim Baze)


Bem na outra esquina, ficava o velho Sombra que vendia somente picolé e sorvetes, cuja produção consistia em um cilindro girando na salmoura. Na outra esquina, nós tínhamos o velho Nasser, libanês pai da Charuffe, do Osman e outros, também o velho Porfírio, que consertava bicicletas, o Marcelinho, único turco em Manaus – confundir turco com libanês é algo imperdoável – e como meu pai tinha uma loja de confecção na esquina seguinte. Havia, ainda, a estância do Cangalha, hoje, Casas do Óleo, a padaria Frankfurt de outro português – Sr. Antônio que morreu solteiro.


A família Simões – do Grupo Simões – residia na 7 de Setembro, hoje, edificado o prédio Antônio Simões. Nossa juventude mostrava sua alegria na "Escola São Francisco de Assis", hoje, demolido e que já abrigou, há 10 anos, o colégio Objetivo Einstein.

Rua Municipal, hoje, avenida Sete de Setembro. (Foto:Acervo Abrahim Baze)


Cine Polytheama, Cine Guarany, boas lembranças. Em dezembro, na sua passagem de aniversário, o Guarany exibia filmes todas as noites em uma imensa tela na rua, aos domingos, era elegante o Coreto na Praça da Polícia. A banda se apresentava às 16 h e passava em círculo na praça até as 19 h. Para a ocasião, vestia-se a melhor roupa e ainda posso sentir o cheiro do algodão-doce e da pipoca que acompanhavam a apresentação.


Igarapé de Manaus, ponto tradicional do banho diário, com brincadeiras, reboque de motor, Ponte Cabral, que liga Av. 7 de Setembro a Rua Dr. Almínio.


Quando o rio secava, fazíamos um pequeno campo de futebol (o tradicional papagaio) que sempre acabava em perseguições da manduquinha, pois era proibido. Era motivo de orgulho para os meninos enrolarem a maçaroca de linha e ficar de olho na Polícia que marcava o Russo e o Loló, dois primos famosos pela arte de confeccionar papagaios e que até pouco tempo ainda eram bem procurados pelos apreciadores.


Como complemento de nosso hobby, aproveitávamos os bondes para colocar vidro nos trilhos e moer, a fim de fazer o melhor cerol. Para variar mocegar os bondes, o que sempre acabava em acidentes que eram tratados no SSU (Serviço Socorro de Urgência), cujo prédio, hoje, abriga a Secretaria de Segurança. Ainda na Rua Joaquim Nabuco, dona Marieta, com seus bordados belíssimos era a mulher mais procurada pelas moças para dar cursos e preparar os mais requintados enxovais.


A Banda de Música da Polícia Militar, "O Bumbalá" na frente como maestro. A "Nega Charuto", uma mulher que fornecia refeição e corria atrás da molecada quando ouvia o apelido. Como não tínhamos as bandas de revistas que existem hoje, vendia-se ou trocava-se revistas em quadrinhos, na porta do Cine Guarany e Polytheama, espalhadas no chão e carregadas aos montes embaixo dos braços.


Novamente, o Igarapé de Manaus, com as lavadeiras e suas cacimbas, as carroças do velho Severino, cujos cavalos pastavam no Monte Cristo, Guaraná Baré, Colégio Santa Dorotéia (palco de formação de grandes gerações); Grupos Escolar Barão do Rio Branco, que, no passado, foi o Consulado de Portugal em Manaus; Beneficente Portuguesa, tradicional Hospital Português, cujas mangas nós éramos fregueses; o prédio da L. B. A. comprado no governo do Dr. Álvaro Maia, hoje reformado, abriga o Tribunal de Contas do Governo Federal, com suas mangueiras frondosas.

Tinha, ainda, o Manoel Queijeiro, vendia queijo e manteiga regional, pai do meu amigo Dedé, mais tarde, Diretor da Escola do SESI.

O Quartel do Bombeiros na Av. 7 de Setembro, hoje, a Fundação Joaquim Nabuco era um barulho só e as ruas com o tradicional paralelepípedo, cobertos criminosamente com asfalto.

Estes momentos marcaram a minha infância e juventude, na esquina da 7 de Setembro, com Joaquim Nabuco, onde nós tínhamos até mesmo um sinaleiro. Esta é a minha Manaus de ontem, que, em nome do progresso, muitas coisas foram demolidas. Vale lembrar a família Pérez, do senador, berço de políticos e homens inteligentes!

Praça da Matriz. (Foto:Acervo Abrahim Baze)


Vale a pena recordar os banhos com os meninos da época, no Igarapé de Manaus. Corríamos na Ponte Cabral para assistir o futebol em um campinho no final da Estância do Cangalha, em frente ao Pombal, a Ponte Cabral era toda de Madeira com a proteção de ferro.

As tardes de domingo era comum empinarmos papagaio com o Russo e Loló, eles eram primos, filhos de portugueses que residiam na Joaquim Nabuco, em frente a Arquidiocese de Manaus. Colocávamos vidro no trilho do bonde para moer, o que era proibido.

Quando o rio secava juntava-se a turma do Igarapé de Manaus com a turma da Rua Major Gabriel, para fazermos o campo de futebol na sua margem, onde tinha uma família ilustre, os descendentes do Governador Pedro de Alcântara Bacelar, ainda posso recordar o Trindade, Isaac Benarrós, Rafael Bacelar, Pedro Bacelar, Antônio Travesso, Ruth Nascimento, Brandão, Jussara Jacob, Clarita, Itaúna, Sandra Lúcia, Álvaro Garcia, Iana, Suely Pinheiro, Fausto, Antônio, Sandra Raposo, Carlos Raposo e Naldir Soares.

A referência das primeiras letras foi no Grupo Escolar Barão do Rio Branco. No mês de junho, era comum passarem pela Avenida 7 de setembro os bois Corre Campo e Tira Prosa. As noites eram uma festa em frente ao Cine Guarany e Politheama. No aniversário do Cine Guarany era tradição a tela enorme em frente ao cinema para sessão noturna comemorativa ao aniversário.


Memória – Manaus da Minha Infância. Amazonas Em Tempo. Manaus, 23 de outubro de 1998.

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