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Quinta, 22 Fevereiro 2024

Amazônia – O látex e o Banco do Brasil

A história da ocupação do espaço amazônico, tem como momento marcante o período do ciclo do látex com profundas consequências para a realidade demográfica regional. A verdade é que a Amazônia não foi mais a mesma depois do fausto do látex. A ocupação que se intensificou as cidades que sofreram profundas mutações, especialmente as principais capitais Belém e Manaus experimentaram um processo de modernização sem precedentes.

Fruto desta realidade, a região amazônica foi inserida compulsoriamente na engrenagem do capitalismo internacional, como principal fornecedora de matéria-prima indispensável na produção de diversos produtos, ajudando a alavancar a indústria automobilística.

Do ponto de vista histórico, foi um tempo efêmero, mas, definitivo na história da Amazônia, a produção do látex supriu as necessidades do mercado internacional e financiada especialmente pelos bancos ingleses e americanos, conectando-se com os principais centros de produção industrial. Em meio a esse contexto ajudou a financiar o processo de desenvolvimento nacional, em seus momentos iniciais, ao tempo em que contribuiu para projetar o Brasil no exterior, estimulando interesses de investidores e ações econômicas que implementaram o desenvolvimento internacional.

Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

O Banco do Brasil no Amazonas faz parte dessa história, desde quando se implantou na cidade de Manaus, no dia 14 de agosto de 1908 com o decreto n.º0002-7, na realidade foi a segunda agência do Brasil. Era Governador do Amazonas naquele período, o Coronel Raymundo Affonso de Carvalho, respondendo interinamente na ausência do Governador Antônio Constantino Nery. A agência foi instalada no Largo da Imperatriz, ao lado da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, hoje Praça 15 de Novembro. Foi seu primeiro gerente o senhor José Joaquim Monteiro de Andrade, mais tarde, tendo chegado a presidência da instituição. Muitas foram as empresas instaladas aqui que mantinham conta naquele período, dentre elas destaco: Gunzburger, Armazens Andressen de Antunes & Cia., J. G. Araújo, Belevy & Cia., Tancredo Porto, Gomes e Mesquita & Cia., e tantos outros que a época eram fornecedores de látex.

Em 1908, um ano de crise, ano em que o Banco do Brasil se instalou em Manaus, continuou uma tendência que vinha do ano anterior, a cotação do látex, em Liverpool, caiu para 2sh e 9d e, embora o mercado já estivesse recuperado em outubro com os preços subindo para 4sh, o fenômeno causou grande impacto na praça de Manaus, que passara situações idênticas a dez anos atrás, quando a expansão da indústria de bicicletas determinara uma baixa decorrente da falta de mercado, para a colocação de seus produtos fabricados. Era o resultado determinante da entrada do látex asiático no comércio internacional, complementado pelo aumento do uso do látex recuperada, a Reclaimed Rubber dos americanos, pela venda de três mil toneladas Guayle produzidos no México e no sul dos Estados Unidos e pela superprodução de pneus para automóveis nos quais era utilizado com exclusividade do látex natural do Amazonas. O excesso de pneus a venda fizera com que as indústrias diminuíssem suas compras, embora a goma elástica continuassem a ser extraída, determinando o acúmulo de estoque sem compradores.

Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

No ano de 1853 foi determinado pela Lei de 05 de julho a criação do novo Banco do Brasil, através da fusão do Banco do Brasil de Mauá com o Banco Comercial do Rio de Janeiro, fundado em 1838, com exclusividade na emissão de papel-moeda. O Visconde de Itaboraí é considerado o principal fundador do Banco do Brasil de hoje. No ano de 1866, devido a uma crise inflacionaria, foi cassada a exclusividade na emissão do papel-moeda, permanecendo em operações com depósitos, descontos e empréstimos hipotecários.

Transcorria o ano de 1893, quando ocorreu a fusão do Banco Nacional do Brasil com o Banco dos Estados Unidos do Brasil, passando a chamar-se Banco da República do Brasil. Por força do decreto 1455, de 30 de dezembro de 1905, volta a ter o seu nome tradicional, como é conhecido até hoje com sua reabertura no dia 03 de julho de 1906.

Alvará assinado pelo Príncipe Regente Dom João que cria o Banco do Brasil em 12 de outubro de 1808:

[…] Eu o Príncipe, atendendo a não permitirem as atuais circunstâncias do Estado que o meu Real Erário possa realizar os fundos, de que depende a manutenção da monarquia e o bem comum dos meus vassalos, etc; a que os bilhetes dos direitos das alfândegas tendo certos prazos nos seus pagamentos, ainda que sejam de um crédito estabelecido, não são próprios para o pagamento de soldos, ordenados, juros e pensões que constituem os alimentos do corpo político do Estado, os quais devem ser pagos nos seus vencimentos em moeda corrente; a que os obstáculos que a falta de giro dos signos representativos dos valores põem ao comércio, etc. animando e promovendo as transações mercantis dos negociantes desta e das mais praças dos meus domínios e senhorios com as estrangeiras; sou servido ordenar que nesta capital se estabeleça um Banco Público que na forma dos estatutos que baixo, assinados por D. Fernando José de Portugal, do meu Conselho de Estado, ministro assistente ao despacho do gabinete, presidente do Real Erário e secretário de Estado dos negócios do Brasil, etc. Determino que os saques dos fundos do meu Real Erário e as vendas dos gêneros privativos dos contratos e administração da minha Real Fazenda, como são os diamantes, pau-brasil, o marfim e a urzela, se façam pela intervenção do referido Banco Nacional, vencendo sobre o seu líquido produto a comissão de 2% além do prêmio do rebate dos escritos da Alfândega que fui mandado praticar pelo Erário Real. Ordeno que se haja por extinto o cofre de depósito que havia nesta cidade a cargo da Câmara dela; e determino que no referido Banco se faça todo e qualquer depósito judicial ou extrajudicial de prata, ouro, joias e dinheiro".

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_do_Brasil

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista 

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Comentários: 1

Ambrosio Cohen Assayag em Segunda, 11 Dezembro 2023 15:36

A outra fase foi da borracha no tempo da guerra, em que se instalou em Manaus ☝️ uma instituição americana Hubber Resever Corporexon,para financiar e comprar borracha

A outra fase foi da borracha no tempo da guerra, em que se instalou em Manaus ☝️ uma instituição americana Hubber Resever Corporexon,para financiar e comprar borracha
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