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Sábado, 31 Outubro 2020

"Falta política industrial no Amazonas", afirma Rebecca Garcia



MANAUS
- Disposta a mudar uma contida desconfiança do setor industrial do Amazonas, a superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, fechou os dois meses no comando da autarquia comemorando vitórias em pontos nefrálgicos para a economia local. Além de assegurar uma negociação adequada para o pleito dos servidores da instituição, Rebecca assistiu a novela dos entraves dos PPBs serem tratados de uma outra forma pelo Governo Federal, com a abertura de diálogo com o ministro Armando Monteiro que culminou com sua aguardada participação na última reunião do ano do Conselho de Administração da Suframa. Determinada a deixar mais do que uma foto simpática no pavilhão de ex-superintendentes da autarquia, Rebecca desembainha um discurso ousado, com pretensões claras: deixar um legado político na condução do principal projeto de desenvolvimento regional do país. A seguir, a entrevista realizada na parceria entre o Jornal do Commercio e a CBN Amazônia.
JC/CBN Amazônia – Quando a senhora assumiu o comando da Suframa identificou três prioridades, a questão dos servidores da autarquia, o entrave dos PPBs e a infraestrutura das vias do distrito. Depois deste período inicial, as prioridades permanecem as mesmas ou cresceram?
Rebecca Garcia – A demanda é muito maior. Uma dificuldade do gestor é definir prioridades em meio a tantas demandas. No primeiro momento, enxerguei essas demandas, como alguém que conhece a realidade da Suframa. A questão dos PPBs sempre será uma demanda permanente do Polo Industrial de Manaus. Neste quesito avançamos a partir da primeira reunião com o ministro Armando Monteiro. Na segunda reunião acompanhando toda bancada do Estado o ministro mais uma vez tomou conhecimento das necessidades, dos projetos que estavam parados e o corpo técnico da Suframa elencou 11 prioridades que mais poderia trazer investimentos e empregos para Manaus. Na reunião no dia 17 (de dezembro) o ministro trouxe resumo do que está sendo feito para sanar o problema e vemos isso como um grande avanço.
A meta agora é trazer para o Amazonas essa discussão e percebemos no ministro boa vontade para atender esse pleito. Estamos construindo a maneira correta de fazer isso. A questão salarial também avançou de acordo com o sindicato e os servidores atendendo 60% das reivindicações até agosto, para alcançar 100% até o fim do próximo ano. Sobre a infraestrutura das ruas do distrito, existe um posicionamento da Justiça que indica que cabe à Prefeitura de Manaus a manutenção das ruas do distrito pelo fato de ser considerado um bairro da capital.
Neste sentido estamos buscando ser o elo para viabilizar uma solução a fim de que a prefeitura possa ter condição de atender essa reivindicação urgente da indústria. Pois as ruas do jeito que estão deixam de ser atrativas para novos investimentos, além de perdas produtivas na logística de transporte entre empresas no próprio distrito. Até duas mortes por conta dos buracos nós tivemos registro.
Agora importante destacar que além dessas demandas, gostaria de poder avançar nestas questões administrativas e ajudar a construir um política industrial de longo prazo para o Amazonas . Pois não existe política industrial para o Amazonas. Você pensa em política industrial para o Amazonas matando um leão por dia na Suframa.
Mas a Suframa é muito mais que isso. Ela existe para criar uma política industrial para o Amazonas. Política não de dois ou três anos, mas de 20 anos pois a indústria precisa ser pensada para daqui a vinte anos. Precisamos de tempo para pensar em uma política industrial para o Amazonas. Para que daqui a 20 anos a Suframa tenha caminhado como não andou nos últimos 50 anos.
JC/CBN – Os números da balança comercial mostram que o PIM precisa avançar muito para alcançar resultados expressivos nas exportações, apesar de um cenário favorável por questões cambiais. De que forma a criação de um grupo de trabalho permanente no Mdic pode ajudar a mudar esses números do comércio exterior do Amazonas?
Rebecca – É importante trazer para Manaus um novo caminho para exportações. É um fato hoje que a indústria do amazonas foi a que mais sofreu com a crise econômica no país, pois o mercado consumidor é unicamente o mercado interno. A ZFM nasceu com uma vocação de abastecer o mercado interno.
Mas quando cai o padrão de consumo das famílias brasileiras cai a venda dos produtos oriundos da ZFM. Precisamos preparar a indústria para outros momentos de crise. Estamos vivendo um momento de crise.
Não é o primeiro e não será o último independentemente do governo que venha suceder o atual. Precisamos entender o momento de preparar para o futuro. Isso passa por preparar a ZFM para continuar abastecendo o mercado interno, mas abrindo possibilidades no mercado consumidor externo em especial a América Andina que tem se fortalecido, como o Peru, a Colômbia e a Bolívia. São economias que têm demonstrado potencial para serem compradores do Estado. Precisamos ver o que o Peru possa querer comprar do Amazonas e o que podemos comprar do Peru também.
Porque acordo só é bom quando é bom para os dois lados. Assim passamos a comprar deles o que compramos de outros países com os quais não podemos ter um maior intercâmbio comercial. Po isso queremos preparar o nosso Estado para alavancar essas vendas. Estamos fazendo esse levantamento de mudanças na legislação para que o Amazonas possa ser mais competitivo.
Antes não era, os competitivos por conta da questão cambial. Hoje a questão cambial está nos favorecendo. O segundo passo nós sabemos que é a questão da logística. Como nós podemos oferecer o nossos produtos mais baratos, isso levando em consideração o transporte e a questão tributária? Tudo isso está sendo levantado logo na nossa primeira reunião, no início do ano a Suframa já terá dados de entraves na mão. É importante levar a Brasília não apenas dificuldades, mas poder levar proposta de soluções, como representante da Suframa. Chegar com o ministro com propostas para mudar nossa economia já a partir de 2016 e não daqui a 20 anos.
JC/CBN – Sobre a questão da competitividade e o viés da logística, a gente sabe que o custo Amazonas é um entrave para um melhor desempenho do PIM. Ao mesmo tempo é difícil pensar em soluções logísticas sem investimentos em infraestrutura que não poderão ser atendidos a curto ou médio prazo até mesmo por conta da atual conjuntura política do país. Como minimizar esse conflito?
Rebecca – Neste primeiro momento não tenho dúvida que será por meio de incentivo. É bom sempre pontuar que temos dificuldades logísticas e, por conta disso, temos os benefícios da ZFM. Se nós tivéssemos estrada para todo o Brasil, se tivéssemos rodovia para todo o Brasil e voos regulares para todo o país nós não teríammos os incentivos fiscais da ZFM. Eles existem pelas dificuldades.
Por isso, temos que criar condições para balancear as nossas dificuldades. Não podemos construir uma estrada para o Peru agora. Então precisamos ter diferenciação nas alíquotas para exportação, para termos resultados já no próximo ano. Hoje é difícil competir com a China. Precisamos ver como podemos fazer para ter condição de colocar a moto fabricada no PIM mais barata no Peru do que a China está colocando.
Precisamos saber o que está sendo praticado pelos concorrentes para ter condições de competir, colocando alíquotas zeradas para ser atrativo. A gente só cresce apostando na indústria. É preciso investir, é preciso fazer o dinheiro movimentar. Se não houver ousadia por parte do governo dificilmente sairemos do lugar.
Por isso penso que o governo federal precisa sinalizar para indústria uma disposição para crescer. Neste momento penso que precisamos reduzir custos tributários para colocar mercadoria lá fora. Passar a ser competitivo no curto prazo, mas no longo prazo precisamos investir em portos, em rodovias, em hidrovias e ferrovias para estimular a produção.

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