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Índios tomam as ruas de cidades da Amazônia em protestos contra extinção da Sesai

Índios tomam as ruas de cidades da Amazônia em protestos contra extinção da Sesai
Diversos povos indígenas tomaram as ruas de cidades da Amazônia em protestos contra a extinção da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), anunciada pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta no último dia 20. Atos foram registrados nas capitais do Amazonas, Roraima e Amapá, nesta quarta-feira (27).

Antes da criação da secretaria, em 2010, a saúde indígena era de responsabilidade das prefeituras. Com a extinção do órgão, os manifestantes afirmam que isso acarretaria na volta da municipalização dos serviços de saúde à comunidades.

Em Manaus, capital do Amazonas, uma marcha com cerca de 800 indígenas teve início por volta das 8h, da Avenida Djalma Batista até a avenida Mário Ypiranga, no bairro Parque Dez de Novembro, onde lotaram a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam). Outro grupo permaneceu no prédio do Ministério da Saúde, ocupado desde a manhã da terça-feira (27).
Foto:
Leandro Guedes/Rede Amazônica
“Pedimos apoio da Assembleia. Queremos a não revogação da Sesai. O Ministro da Saúde falou que iria extinguir a Secretaria e criar um departamento dentro de outra secretaria para atender os povos indígenas", disse um dos representantes do movimento, Warlen Mura. "Não nos deram uma justificativa. Não consultaram os povos indígenas. A Sesai funciona, existe um atendimento funcional, de fato. As equipes de saúde estão chegando nas bases”.

Em Boa Vista, capital de Roraima, dezenas de indígenas voltaram a protestar, também na manhã desta quarta-feira, em frente à Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR). Principais líderes indígenas de Roraima discursaram na Tribuna Popular em frente à ALE se mostrando contrários à municipalização da saúde indígenas, entre eles, Davi Kopenawa, líder indígena ianomâmi.

Por conta do protesto, parte do trânsito no Centro Cívico precisou ser reorganizado e a via então foi bloqueada pela Guarda Civil Municipal (GCM).
Foto:
Pedro Barbosa/G1 RR/Arquivo
Em Macapá, capital do Amapá, o manifesto aconteceu em frente à sede do Distrito Sanitário Especial Indígena do Amapá (Dsei), também durante a manhã. Segundo Simone Karipuna, liderança da Articulação e Organização dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp), a reivindicação é para que o governo ouça também o lado indígena antes de tomar a decisão da municipalização.

"É necessário entender que a saúde indígena é específica e precisa de cuidados adequados. Outra coisa é que o governo têm que conhecer a realidade dos municípios. Pensando na realidade amapaense, é impossível dois municípios conseguirem cuidar do nosso povo", disse.

Participam do ato, indígenas, suas lideranças, servidores e conveniados à Sesai. Os manifestantes dizem que vão permanecer em frente a sede do Dsei por tempo indeterminado.

No Pará, cerca de 250 índios etnia Kayapó dos municípios de Tucumã e Ourilândia do norte estão fazendo protesto no centro da cidade de Tucumã. O protesto também aconteceu em Altamira, no sudoeste do Pará.

Em Rondônia, mais de 200 indígenas e servidores da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) se reuniram sob a ponte do Riozinho, para protestarem contra a municipalização da saúde indígena, em Cacoal. Indígenas de 14 etnias usaram cartazes e barricadas colocadas sobre a ponte, impedindo a passagem de veículos, que foi liberada após duas horas de protesto.
Foto:
Rede Amazônica/Reprodução
Nota do Ministério da Saúde

"O Ministério da Saúde esclarece que a realização de ações na Atenção à Saúde Indígena desenvolvidas pela Secretaria Especial de Saúde indígena (SESAI) é uma das atribuições da pasta e que as eventuais mudanças no desenvolvimento dessas ações de vigilância e assistência à saúde aos povos indígenas ainda estão sendo objeto de análise e discussão.

É importante deixar claro que não existe, no momento, medida provisória do governo federal que modifica a política indigenista do país e municipaliza os serviços de saúde de indígenas.

Cabe ressaltar que não haverá descontinuidade das ações. Para isso, o Ministério tem se pautado pela garantia da continuidade das ações básicas de saúde, a melhoria dos processos de trabalho para aprimorar o atendimento diferenciado à população indígena, sempre considerando as complexidades culturais e epidemiológicas, a organização territorial e social, bem como as práticas tradicionais e medicinais alternativas a medicina ocidental."

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