Reunião no Mapa debateu programas para incremento da produção indígena. Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária
Após participar do encontro do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com o cacique RaoniMepuktire e lideranças do Xingu, na Aldeia Piarauçu, em Mato Grosso, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, recebeu a presidente da Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Eliane Xunakalo e representantes de diversas terras indígenas para tratar das demandas de aprimoramento da agricultura indígena.
Como forma de dar mais agilidade, após um estudo realizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Fávaro autorizou, durante a reunião (7), a criação da Câmara Setorial de Agropecuária Indígena.
As Câmaras Setoriais e Temáticas do Mapa são importantes fóruns de discussão entre os diversos elos das cadeias produtivas, reunindo entidades representativas de produtores, empresários, instituições bancárias e de outros parceiros no setor, além de representantes de órgãos públicos e de técnicos governamentais para discutir questões de interesse da cadeia produtiva, tais como manejo, processo produtivo, comercialização, entre outros.
“É o jeito mais rápido de atender”, ressaltou o ministro. Isso porque, com a representação direta de agricultores indígenas em debates regulares envolvendo todo o setor, as demandas da agricultura indígena chegam diretamente para atender aquilo que realmente é necessário para o desenvolvimento da produção.
A Fepoimt representa cerca de 60 mil indígenas de 46 povos que vivem em Mato Grosso. Participaram da reunião 20 representantes de diferentes regiões e segmentos.
No encontro, foram discutidas medidas para auxiliar a produção agrícola dos povos indígenas e o incremento de programas do Mapa.
Reunião no Mapa debateu programas para incremento da produção indígena. Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária
Segurança Alimentar
O Mapa realiza o Programa de Segurança Alimentar para Etnias Indígenas que, em Mato Grosso, é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Estado de Mato Grosso (UFMT) para os Xavantes, que representam aproximadamente metade dos indígenas que vivem no estado, com investimento de R$ 12 milhões; e com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) para os Tapirapé, no qual são aplicados R$ 2 milhões.
Além de promover a geração de renda com capacitação de agricultores indígenas, desenvolvimento de áreas produtivas, agregação de valor à cadeia produtiva e manutenção de banco de germoplasma de alimentos tradicionais, o programa prevê a aquisição de tratores e maquinário para que as ações sejam efetivadas.
Ainda, o Mapa vai investir mais R$ 1,5 milhão para o incremento da produção e ampliação da comercialização de alimentos indígenas, a exemplo do mel produzido pelos índios do Xingu, comercializado em todo o país em uma rede de supermercados nacional, que foi o primeiro produto indígena do Brasil a receber o Selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF).
Outros alimentos reconhecidos que são produzidos pelos indígenas de Mato Grosso são o óleo de pequi e a pimenta em pó. O Mapa vem trabalhando em ações para a ampliação do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA) e irá atuar junto aos povos indígenas para agregação de valor também por meio do Selo Arte.
*Com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária
HQ “A Voz da Foz – O lucro é deles, o prejuízo é nosso” — Foto: Reprodução/Instituto Mapinguari
Durante a Semana do Quadrinho Nacional, realizada de 4 a 6 deste mês em Manaus (AM), foi lançada a HQ “A Voz da Foz – O lucro é deles, o prejuízo é nosso”. A obra é uma iniciativa do Coletivo Iukytáias, Instituto Mapinguari e o Grupo Norte em Quadrinhos.
A ideia surgiu em meio ao debate da exploração do petróleo na Margem Equatorial. Inicialmente o projeto era de fazer uma versão mais caseira, como um fanzine, um quadrinho um pouco menor, mas durante o processo de criação o coletivo se animou com a ideia e iniciou as tratativas para a produção da HQ.
“Inicialmente, a ideia era produzir um fanzine, que é um material produzido de maneira mais caseira, então é possível xerocar, desenhar a mão, grampear em casa. Quando eu percebi que as pessoas estavam empolgadas, e aí eu falei que conhecia um instituto aqui no Amapá, que poderia nos ajudar com mais informações, e procurei o Yuri do Mapinguari.”, disse Thai Rodrigues, ilustradora do Amapá, e participante do coletivo Iukytaias.
O livro possui 9 histórias todas produzidas por artistas da região Norte, além da questão da exploração do petróleo são abordadas questões climáticas. O Instituto Mapinguari, uma ONG amapaense que atua apoiando e executando ações de defesa, preservação e conservação do meio ambiente, forneceu pesquisas e ideias de possíveis personagens para o quadrinho.
“ O processo de criação foi muito ágil. A gente disponibilizou pesquisas, que envolvem esse tema do petróleo, também mostramos dados de escutas que fizemos nas comunidades, discutindo esse assunto. E os artistas tiveram total liberdade para produzir o material. E a gente também orientou que as discussões também fossem sobre esse contexto do debate climático”, disse Yuri Silva, diretor técnico do Instituto Mapinguari.
No Amapá, o quadrinho estará disponível na Semana Nacional do Quadrinho, que acontece nos dias 19 e 20 de abril, no shopping Amapá Garden.
Áreas prioritárias para restauração florestal. Foto: Symbiosis/divulgação
Uma ferramenta desenvolvida pela organização não governamental (ONG) Conservação Internacional (CI) faz uso de inteligência artificial para identificar áreas prioritárias para restauração de vegetação nativa em todo o país.A plataforma recebeu o nome de Ciera (sigla em inglês para Assistente de Restauração de Ecossistemas da Conservação Internacional) e será disponibilizada de forma gratuita no segundo semestre deste ano.
Segundo a diretora de Restauração de Paisagens e Florestas da CI Brasil, Luciana Pugliese, a plataforma surge para atender a demanda por uma ferramenta capaz de integrar informações sobre o tema, como custo por bioma, incentivos e exigências legais.
“A Ciera tem como objetivo tornar a restauração mais pública, mais compartilhada, para que todo mundo possa se apropriar dessa tomada de decisão do melhor local para restaurar”, diz.
A iniciativa é resultado da colaboração internacional entre brasileiros e norte-americanos da CI, em parceria com universidades e empresas de tecnologia. A plataforma inova na interpretação automática de dados e informações disponíveis em múltiplas fontes e formatos.
Durante o desenvolvimento do Ciera, a equipe de cientistas integrou dados geoespaciais e informações contidas em políticas públicas e legislações brasileiras como, por exemplo, o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), lançado em outubro do ano passado, durante a 16ª Conferência das Partes das Nações Unidas para a Biodiversidade (COP16), em Cali, na Colômbia.
A política reforça o objetivo pactuado pelo Brasil em acordos multilaterais de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030.
Floresta amazônica. Foto: Fernando Sette
Dados do Observatório da Restauração e Reflorestamento revelam que o Brasil tem atualmente 153,14 mil hectares da cobertura vegetal original recuperada e 8,76 milhões de hectares reflorestados. Conforme estimativa do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), apenas para cumprir o Código Florestal (Lei 12.651/2012), o Brasil tem um passivo ambiental de 25 milhões de hectares de vegetação nativa que precisa ser recuperada.
De acordo com Luciana, o Ciera é capaz de buscar entre documentos oficiais e informações qualificadas disponíveis na internet tudo que é necessário para criar uma base de conhecimentos para orientar o usuário, seja um proprietário de área rural ou um gestor público.
“Por exemplo, se um governo estadual tem interesse em fazer restauração de áreas onde há maior número de proprietários com déficit de APP [área de preservação permanente], reserva legal e descumprimento do Código Florestal, o Ciera permite que a gente faça essa análise e indique, então, onde estão as bacias ou os territórios mais viáveis para que se tenha o máximo de resultado em restauração”, explica.
Além de identificar a área, a ferramenta aponta metodologia, as melhores espécies a serem plantadas, informações sobre custos e ajuda a esclarecer dúvidas que possam surgir ao longo da execução de um projeto.
Foto: Reprodução/Governo do Brasil
“É aquele processo de machine learning, no qual a máquina vai aprendendo conforme se trazem mais possibilidades, mais informações e modelos que alimentem a ferramenta. Então, a ideia é continuar apoiando esse processo de aprendizado da máquina e que, conforme formos usando nos nossos próprios projetos e outras pessoas acessem, ela vai ficando cada vez mais precisa”, detalha Luciana.
Recentemente, essa etapa de aperfeiçoamento ganhou um reforço após a plataforma ter vencido o desafio global Hack4Good 3.0, anunciado em março, na cidade de Seattle, nos Estados Unidos. O Ciera se destacou entre outras inovações de impacto positivo para o mundo.
“Em pelo menos mais de três meses, a gente estará com isso tudo consolidado e disponível para ser aplicado por proprietários de terra ou tomadores de decisão, de uma forma geral”, reforça Luciana Pugliese.
Um grupo de crianças de diferentes etnias e regiões do país entregou a representantes do governo federal uma carta cobrando medidas efetivas de proteção ao meio ambiente e de enfrentamento às mudanças climáticas. O documento foi entregue durante o último dia da 21ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), maior mobilização dos povos originários do Brasil.
“Nossas florestas estão sendo desmatadas e feridas e nossos rios estão ficando secos e poluídos. Estão acabando com tudo o que a gente conhece, ama e respeita”, lamentam as crianças no manifesto entregue às ministras dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
O texto do documento foi escrito com a colaboração de crianças não-indígenas e o auxílio de alguns adultos que acompanhavam as crianças no Cafi Parentinho, um espaço especialmente dedicado ao público infantil presente no Acampamento Terra Livre, que, este ano, reuniu entre 6 mil e 8 mil indígenas de 135 etnias de todo o país.
“Estamos aqui para cuidar do nosso mundo, da nossa floresta e, principalmente, do nosso direito de existir”, afirmam as crianças, na carta. “Sempre falam que somos o futuro, mas somos o presente e o agora! Os ancestrais nos ensinaram a ouvir a natureza e agora pedimos que os outros adultos nos ouçam. Estamos ouvindo o som do mundo de vocês desmoronando. E vocês? Conseguem ouvir? Escutem nosso chamado: somos parte da solução. Sabemos que existe um jeito de salvar o nosso mundo e estamos prontos para caminhar juntos, unidos para proteger nossas terras, nossos rios e nossas culturas”, acrescentaram as crianças, cobrando “de quem governa e toma decisões” a devida proteção às florestas e ao planeta.
“Defendemos todos os seres vivos”, diz a carta – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
“Queremos água limpa, sem poluição e sem minério. Não queremos que nossos rios e igarapés sejam sujos com petróleo. Defendemos todos os seres vivos. Se não cuidarem do nosso mundo, não vai haver futuro para nós, crianças. E a luta não é só nossa, é de todo mundo”, concluíram os autores do manifesto.
Yará Santos da Costa, de 9 anos de idade, e Luana Katariru, 8, leram para os presentes a íntegra da carta que entregaram às ministras.
Moradora de Manaus, Yará é parte do povo sateré-mawé e viajou para a capital junto com os responsáveis e uma delegação da Região Norte. Já Luana é da etnia manchineri, que também se concentra na Região Norte, mas a menina, atualmente, mora em Brasília, com a família.
“Entregaram [o esboço da] carta e a gente fez as correções, colocando [a palavra] mundo em vários pontos porque não são só as crianças da Amazônia que estão sofrendo com o desmatamento, com a fumaça. São as crianças do mundo inteiro”, comentou Luana.
“Os animais estão morrendo e está tendo muita fumaça. Não estamos mais respirando o ar puro que respirávamos antes. O ar está poluído pela fumaça. As árvores estão sendo cortadas. E se não há árvores, como vamos respirar?”, acrescentou Yará.
Visivelmente emocionada, a ministra Marina Silva desabafou.“Em todos os períodos da história, são os adultos que se colocam na frente das suas crianças para protegê-las. Por não olharmos para os povos indígenas, para aqueles que têm conhecimentos ancestrais, nós fizemos algo tão terrível com o planeta que, pela primeira vez, são as crianças que estão se colocando na nossa frente para nos defender. Algo está errado. Não são as crianças que tem que fazer o que os adultos deveriam ter feito”, disse a ministra.
Marina destaca que mundo já dispõe de respostas técnicas para conter o aquecimento global. Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Para Marina, o mundo já dispõe de “respostas técnicas” para conter o aquecimento global. “Para resolver o problema do clima, falta o compromisso ético de fazermos a transição [energética] para termos um novo ciclo de prosperidade que não deixe ninguém para trás.”
A ministra Sonia Guajajara afirmou que ir ao ATL e ouvir as crianças é parte dos esforços para ampliar a participação indígena em todas as esferas do governo federal.
“Recebo este manifesto não como um ato simbólico, mas como um compromisso que deve ser firmado por todos os tomadores de decisão. Pensar o futuro é agir agora. E estar com as crianças, escutá-las, é firmar este compromisso com o futuro das próximas gerações.”
Manaus inaugura primeira estação meteorológica municipal. — Foto: Divulgação
Manaus inaugurou no dia 11 de abril, sua primeira estação meteorológica municipal. O equipamento foi instalado na sede da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), no bairro Compensa, Zona Oeste da capital.
A estação é a primeira de uma rede planejada pela Prefeitura, que contará com nove unidades distribuídas em pontos estratégicos da cidade. O objetivo é implantar um sistema próprio de monitoramento climático, com mais autonomia e precisão, como parte das ações de enfrentamento às mudanças climáticas.
“Com essas estações, Manaus passará a ter autonomia e precisão na coleta de dados climáticos. Isso representa uma virada de chave na forma como vamos lidar com o clima, proteger a população e planejar as ações da prefeitura em diversas áreas”, destacou o prefeito David Almeida.
O equipamento instalado é capaz de coletar, a cada cinco minutos, nove variáveis meteorológicas essenciais: temperatura, umidade do ar, pressão atmosférica, radiação solar, velocidade e direção do vento, temperatura e umidade do solo, além da pluviometria.
As informações são transmitidas via satélite para o Centro de Cooperação da Cidade (CCC), onde são armazenadas, analisadas e utilizadas para subsidiar decisões estratégicas em tempo real.
Essa primeira estação cobre toda a Zona Oeste, beneficiando diretamente os bairros Compensa, Glória, Santo Antônio, São Jorge, Nova Esperança e os conjuntos Belvedere, Campos Elíseos, da Ilha, Flamanaus, Jardim Versalhes, entre outros.
Os dados gerados irão subsidiar o trabalho de órgãos como a Defesa Civil e as secretarias municipais de Saúde (Semsa), Infraestrutura (Seminf), Limpeza Urbana (Semulsp), além de outros setores envolvidos em ações de prevenção a alagamentos, controle de vetores, manutenção viária, coleta de resíduos e serviços ambientais.
Resultados da pesquisa evidenciam o potencial biotecnológico da diversidade microbiana amazônica. Foto: Siglia Souza
Estudo conduzido por cientistas brasileiros mostrou que microrganismos oriundos de rios amazônicos podem ser a chave para o controle biológico da bactéria do solo Ralstonia solanacearum, responsável pela murcha bacteriana em tomateiros. Os resultados são promissores para o desenvolvimento de soluções biológicas – a exemplo de inoculantes microbianos – eficazes para reduzir a ocorrência da doença, uma das maiores ameaças à produção de tomate na Amazônia e capaz de afetar também outras espécies vegetais.
O estudo, coordenado pelo pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental Gilvan Ferreira da Silva, avaliou o potencial de bactérias isoladas dos sedimentos dos rios Solimões e Negro para combater a murcha bacteriana. Do total de 36 bactérias selecionadas, foram identificados três isolados bacterianos, o Priestia aryabhattai RN 11, o Streptomyces sp. RN 24 e o Kitasatospora sp. SOL 195, que demostraram uma notável capacidade de inibir o crescimento da Ralstonia solanacearum em 100%, 87,62% e 100%, respectivamente.
Quanto à ocorrência da doença, em ensaios durante as estações seca e chuvosa, P. aryabhattai RN 11 reduziu a incidência da murcha bacteriana em 40% e 90%, respectivamente, ao mesmo tempo em que promoveu o crescimento das plantas infectadas. Streptomyces sp. RN 24 e Kitasatospora sp. SOL 195 exibiram altas taxas de sobrevivência (85 a 90%) e supressão do patógeno no solo (maior que 90%), demonstrando seu potencial como agentes de biocontrole.O isolado P. aryabhattai RN 11, em particular, destacou-se por sua eficácia na supressão do fitopatógeno no solo, reduzindo a incidência de murcha bacteriana e promovendo o crescimento das plantas de tomate sob diversas condições climáticas. Além de sua ação de controle da doença no tomateiro, essas bactérias também demonstraram a habilidade de produzir enzimas extracelulares e compostos que promovem o crescimento das plantas
Foto: Jennifer Salgado
A descoberta de possíveis novas espécies de Streptomyces (RN 24) e Kitasatospora (SOL 195) reforça a importância da biodiversidade microbiana da Amazônia como fonte de compostos bioativos e agentes de biocontrole. Esses achados evidenciam, ainda, a necessidade de estudos futuros para explorar o potencial dessas novas espécies, avaliar a eficácia dos isolados em condições de campo e entender os mecanismos moleculares envolvidos na interação planta-microrganismo.
A pesquisa foi direcionada no sentido de contribuir para o manejo sustentável da murcha bacteriana em tomates, mas esse potencial de biocontrole da doença pode se estender a outras plantas. “A Ralstonia solanacearum é uma bactéria de solo que ataca dezenas de outras espécies vegetais como a batata, o pimentão, a pimenta, a berinjela, a banana, o amendoim, o feijão e a soja”, lembra Ferreira.
O estudo faz parte de pesquisas coordenadas pelo microbiologista Gilvan Ferreira da Silva, que tem estudado a microbiota da Amazônia com foco no desenvolvimento de soluções para a agricultura. Os trabalhos realizados por sua equipe de pesquisa têm como característica o aspecto multidisciplinar envolvendo diferentes abordagens, além da agrícola e microbiológica, incluindo a química de produtos naturais, a genômica e a bioinformática.
A identificação de microrganismos retirados de sedimentos de rios amazônicos vem sendo feita pela Embrapa Amazônia Ocidental a partir de coletas nos rios Madeira, Purus, Solimões, Juruá e Negro, realizadas entre 2018 e 2019. Na ocasião, as coletas de sedimentos foram feitas a cada 50 km, no percurso desses rios.
Foto: Jennifer Salgado
Após análises no Laboratório de Biologia Molecular do centro de pesquisa, foi identificada uma grande diversidade de microrganismos com potencial para o desenvolvimento biotecnológico voltado à produção de bioinsumos, ao controle de patógenos de interesse agrícola, à promoção do crescimento de plantas, a aplicações em atividades industriais, entre outras aplicações.
Os resultados dessa pesquisa também representam um avanço científico na pesquisa com microrganismos, destacando o potencial biotecnológico da diversidade microbiana amazônica.
Ferreira destaca que o resultado obtido com o biocontrole de Ralstonia solanacearum é um dos primeiros trabalhos reportando a aplicação agrícola dos microrganismos oriundos dos rios amazônicos. “Há outros em andamento, mostrando que microbiota do Bioma Amazônia, principalmente a dos rios, pode ter uma aplicação importante na agricultura, tanto na parte de controle de patógenos quanto na prospecção de novas moléculas. Então é um material muito rico que está sendo desdobrado em diversos trabalhos”.
O pesquisador costuma usar o termo “mineração genômica”, se referindo aos microrganismos como “minérios” ou “tesouros”. E afirma que sua prospecção pode ser mais rentável economicamente do que a de minérios tradicionais. Diante da diversidade existente na região amazônica, o pesquisador explica que é necessário selecionar, por meio de técnicas científicas, os microrganismos de acordo com a aplicação almejada, fazer o sequenciamento de genomas completos, para então fazer a mineração genômica daqueles de interesse, visando à prospecção de moléculas de substâncias que tenham alto valor agregado biotecnológico.
*Conteúdo publicado originalmente pela Agência Embrapa. Veja o conteúdo completo AQUI.
Efeitos da baixa nebulosidade, da radiação solar intensa e de queimadas prolongadas comprometeram a floração e a formação dos frutos da castanheira. Foto:Ronaldo Rosa
A produção de castanha-da-amazônia, também conhecida como castanha-do-brasil e castanha-do-pará, enfrenta uma forte redução na safra 2024/2025, afetando a economia regional. O evento extremo está relacionado à seca severa e ao aumento das temperaturas, agravados pelo fenômeno El Niño. Especialistas, no entanto, preveem uma recuperação na safra seguinte, mas alertam para a implementação de medidas de adaptação.
A Amazônia enfrentou um dos períodos de seca mais intensos dos últimos 40 anos, com destaque para o prolongado fenômeno El Niño que ocorreu entre agosto de 2023 e maio de 2024. A combinação de baixa nebulosidade, radiação solar intensa e queimadas prolongadas elevou as temperaturas e reduziu significativamente a umidade do solo. Como consequência, a floração e a formação dos frutos da castanheira foram comprometidas, resultando na quebra da safra atual.
“O ciclo reprodutivo da castanheira-da-amazônia é longo e sensível às variações climáticas. A floração ocorre anualmente, durando de quatro a seis meses, geralmente no fim da estação seca e início da chuvosa. Já a maturação dos frutos leva de nove a treze meses,” afirma Carolina Volkmer de Castilho, pesquisadora da Embrapa Roraima.
Conforme Lucieta Guerreiro Martorano, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental (PA), esse cenário lembra a crise de 2017, quando o El Niño de 2015/2016 elevou a temperaturas 2°C acima da média e gerou um verão amazônico excepcionalmente seco. “A falta de chuvas naquele período prejudicou a floração e formação dos frutos, além de reduzir a atividade de polinizadores como as abelhas, resultando em uma queda expressiva na produção de castanhas no ano seguinte”, lembra a cientista. “Foi a primeira vez na história em que se registrou redução significativa da produção de castanha em toda a bacia Amazônica”, frisa o pesquisador da Embrapa Raimundo Cosme de Oliveira Junior, que atua na mesma unidade de pesquisa de Martorano, em Belém do Pará.
Apesar do atual declínio, pesquisadores da Embrapa preveem uma possível superprodução na safra 2025/2026, um fenômeno já observado após a crise de 2017. “Esse aumento na produção ocorre porque as castanheiras tendem a compensar os períodos de baixa produtividade com maior frutificação nos anos seguintes, aliado aos efeitos climáticos do fenômeno La Niña”, esclarece Patrícia da Costa, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.
No entanto, ela alerta que essa oscilação pode causar forte instabilidade nos preços do mercado. Costa conta que, em 2017, a lata de castanha (20 litros) atingiu R$ 180,00 devido à alta demanda e à escassez do produto. No ano seguinte, a combinação da superprodução com a diminuição demanda industrial, devido aos altos preços, resultou em um grande excedente, provocou uma queda acentuada nos preços, com a lata chegando a valer apenas R$ 25,00 ou menos.
Esse fenômeno, conhecido como “efeito ressaca”, gera perdas financeiras significativas, impactando negativamente os extrativistas e toda a cadeia produtiva. À época, a recuperação dos preços para um patamar mais estável, cerca de R$ 60,00 a lata, levou cinco anos.
Para evitar ciclos de prejuízos como esse, é essencial a implementação de medidas de regulação e suporte ao setor. Atualmente, em março de 2025, a castanha está escassa novamente, e os preços já atingem aproximadamente R$ 220,00 a lata.
Castanha-da-amazônia. Foto: Vítor Alberto de Matos Pereira
Soluções e medidas necessárias
O manejo e a renovação dos castanhais apresentam-se como medidas urgentes, uma vez que as castanheiras mais velhas estão morrendo, enquanto as mais jovens apresentam maior resiliência frente aos eventos climáticos extremos.
Pesquisas têm demonstrado que algumas medidas adotadas pelas comunidades extrativistas podem ajudar no aumento da produção de castanha. O corte de cipós, por exemplo, pode aumentar em até 30% a produção de castanheiras que estejam infestadas. Além disso, essa prática melhora as condições fisiológicas das árvores, contribuindo para garantir sua resiliência diante de eventos climáticos extremos. “Os extrativistas mais experientes já adotavam essa técnica, e conseguimos comprovar a partir de um estudo realizado ao longo de dez anos os seus benefícios tanto para a estrutura das árvores quanto para o aumento da produção”, afirma Lúcia Wadt, pesquisadora da Embrapa Rondônia.
O manejo dos castanhais, aliado às atividades agroextrativistas praticadas pelos castanheiros, pode favorecer a regeneração natural da espécie, que tem dificuldade de se estabelecer em áreas excessivamente sombreadas dentro da floresta. Uma das práticas positivas é a técnica de produção de mudas em miniestufas. O método, tema de um curso de educação à distância, é de baixo custo e pode ser aplicado em pequena escala. “A técnica permite que os produtores aproveitem melhor o potencial de suas áreas de plantio, enriquecendo florestas degradadas ou em Sistemas Agroflorestais”, frisa Wadt.
Outras pesquisas realizadas na Resex Cajari (AP) confirmam o sucesso do modelo de manejo chamado de “Castanha na Roça”, que concilia a agricultura com produção florestal. Os experimentos mostraram maior densidade de regenerantes de castanheiras nas áreas de capoeiras e roças da agricultura itinerante do que na floresta madura.
“O Castanha na Roça é um tipo de consórcio agroflorestal que faz parte da realidade local e é desenvolvida em duas vertentes: na capoeira abandonada e na roça. Esse sistema aproveita a regeneração natural das castanheiras em áreas de agricultura itinerante fora da floresta, promovendo a formação de novos castanhais. Essa estratégia, combinada ao plantio de árvores jovens mais resilientes às mudanças climáticas, pode garantir tanto a perpetuação da espécie quanto a produção sustentável de castanhas a longo prazo”, informa o pesquisador Marcelino Carneiro-Guedes, da Embrapa Amapá.
Com a previsão de aumento da produção na próxima safra (2025/2026), a adoção de medidas que garantam a qualidade do produto é importante, especialmente quando os extrativistas precisam armazenar a amêndoa, que assim como a etapa de secagem são essenciais para atender aos padrões exigidos pelo mercado. Um dos maiores desafios é evitar a contaminação por aflatoxinas, toxinas produzidas por fungos que se desenvolvem em condições inadequadas de armazenamento e são potencialmente cancerígenas quando ingeridas.
Medidas como secagem rápida e uniforme das amêndoas após a retirada do ouriço, o armazenamento em local seco e arejado, protegido da chuva e o transporte adequado ajudam a evitar a umidade no produto. “As boas práticas de coleta não apenas preservam a qualidade do produto, mas também fortalecem a comercialização da castanha, garantindo segurança alimentar e valor agregado para os produtores”, afirma Cleisa Brasil, pesquisadora da Embrapa Acre.
Outra ação importante é feita pela Embrapa que, por meio de seu Programa de Melhoramento Genético da Castanheira, tem selecionado matrizes com maior resistência às variações climáticas e maior potencial produtivo.
Castanha-da-amazônia. Foto: Vítor Alberto de Matos Pereira
Seguro extrativismo
A criação de um seguro-extrativismo também tem sido discutida pelos pesquisadores e membros da cadeia produtiva. Esse mecanismo garantiria compensação financeira aos extrativistas em anos de baixa produção devido a eventos climáticos extremos. Integrantes do Observatório da Castanha da Amazônia (OCA), rede de extrativistas e organizações comunitárias que realiza o monitoramento participativo de preços e troca informações sobre a cadeia de valor, pretendem apresentar a proposta aos parlamentares.
Napoleão Ferreira de Oliveira, diretor-presidente da Associação Apavio, na Resex Médio Purus, no Amazonas, enfatiza que a crise climática tem impactos sociais profundos. “Nossa economia depende do extrativismo, mas a falta de chuvas vem reduzindo drasticamente a produção de castanha e açaí. Precisamos construir mecanismos de segurança financeira para garantir a estabilidade das comunidades”, defende. Oliveira sugere a criação de um abono para os extrativistas, semelhante aos auxílios concedidos a outras atividades do setor primário. “Sem essa segurança, muitos serão forçados a abandonar a floresta e migrar para centros urbanos, impactando ainda mais a conservação da Amazônia”, conclui.
A castanha-da-amazônia é o produto florestal não-madeireiro mais estável em termos de geração de renda. O seguro-extrativismo ajudaria a evitar a migração dos extrativistas para atividades produtivas que, frequentemente, estão associadas ao desmatamento e à degradação da floresta. Além disso, essa medida contribuiria para a conservação da biodiversidade amazônica, incentivaria práticas sustentáveis e protegeria os ecossistemas naturais onde a castanheira é encontrada, ao mesmo tempo em que promoveria a segurança alimentar de povos e comunidades tradicionais, assegurando sua subsistência e preservação cultural.
*Conteúdo publicado originalmente pela Agência Embrapa. Leia a matéria completa AQUI.
Centro de Atendimento ao Turista. Foto – Thelson Souza/ManausCult
Um dos principais equipamentos voltados ao turismo da capital amazonense, o Centro de Atendimento ao Turista (CAT) é voltado para recepcionar, orientar e facilitar a experiência de turistas brasileiros e estrangeiros, promovendo os atrativos locais e reforçando a imagem de Manaus como uma cidade hospitaleira, rica em história, cultura e belezas naturais.
O principal posto do CAT funciona no Pavilhão Universal, localizado na praça Adalberto Vale, no centro histórico, um dos pontos turísticos mais emblemáticos da cidade. Construído em ferro e vidro, o prédio é um ícone da arquitetura da Belle Époque em Manaus e fica próximo a locais de grande visitação, como o mercado municipal Adolpho Lisboa, o museu da Cidade e a catedral metropolitana.
Além desse, a cidade conta com mais dois pontos estratégicos de atendimento: um no porto de Manaus, dedicado especialmente aos turistas que chegam por cruzeiros, e outro dentro do mirante Lúcia Almeida, voltado ao receptivo fluvial de turistas.
Entre os serviços oferecidos estão informações sobre roteiros turísticos, mapas, dicas de transporte, gastronomia e cultura local, com atendimento e material bilíngue. Os atendentes são capacitados para garantir uma recepção cordial e eficiente, contribuindo para uma estadia mais segura e agradável.
Centro de Atendimento ao Turista. Foto – Thelson Souza/ManausCult
Para o diretor-presidente da Manauscult, Jender Lobato, o CAT cumpre um papel essencial na política de valorização do turismo.
“Mais do que fornecer informações, o CAT representa a porta de entrada da experiência turística em Manaus. É onde o visitante tem seu primeiro contato com a cidade e com a riqueza da nossa cultura. É um espaço de acolhimento, de cuidado e de promoção do que temos de melhor”, destacou.
O CAT também funciona como suporte a operadores de turismo, agências e guias, fortalecendo a conexão entre o setor público e a cadeia produtiva do turismo. O local promove ações culturais, como exposições, apresentações e distribuição de materiais informativos sobre eventos tradicionais como o Festival Folclórico de Parintins, o Boi Manaus e o Sou Manaus Passo a Paço.
Serviço
O centro funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Com essa iniciativa, a Prefeitura de Manaus, por meio da ManausCult, reafirma seu compromisso com o desenvolvimento do turismo como uma importante ferramenta de geração de emprego, renda e valorização do patrimônio histórico-cultural da cidade.
Biblioteca João Bosco Pantoja Evangelista. Foto: Thelson Souza / Manauscult
Com mais de seis décadas de história e aproximadamente 36 mil exemplares em seu acervo, a Biblioteca João Bosco Pantoja Evangelista é considerada um dos mais importantes espaços de promoção da leitura, da pesquisa e da produção literária regional.
“A Biblioteca João Bosco Pantoja Evangelista é um dos pilares da cultura de Manaus. No Dia Nacional da Biblioteca, destacamos esse espaço que representa o nosso compromisso com a educação, a valorização da literatura e o acesso democrático ao conhecimento”, afirmou o diretor-presidente da ManausCult, Jender Lobato.
Fundada oficialmente pela Lei nº 971, de 2 de janeiro de 1964, a biblioteca ganhou sede definitiva em 1997. Seu nome é uma homenagem a João Bosco Pantoja Evangelista, professor, poeta, jornalista e um dos maiores intelectuais do Amazonas, que se destacou como fundador do movimento Clube da Madrugada e da União Brasileira de Escritores – Seção Amazonas (UBE/AM). Sua trajetória foi marcada pela defesa da literatura como instrumento de transformação social.
Biblioteca João Bosco Pantoja Evangelista. Foto: Thelson Souza / Manauscult
Prédio histórico
A atual sede da biblioteca também guarda importância histórica. Inaugurado em 1908 como sede da Liverpool School of Tropical Medicine – primeira instituição do mundo dedicada ao estudo da medicina tropical –, o imóvel foi transformado, nas décadas de 1970 e 1980, em um dos bares mais frequentados da cidade: a sorveteria e bar Pinguim.
Local de encontros de jovens e estudantes da época, a sorveteria marcou uma geração e permaneceu ativa até a desapropriação do prédio, em 1995. Após reformas, o espaço foi reaberto como biblioteca em 1997. Entre 2019 e 2020, o edifício passou por nova restauração e foi reinaugurado no dia 22 de dezembro de 2020, com reabertura definitiva ao público em julho de 2021.
Estrutura e serviços
Atualmente, a biblioteca oferece serviços como empréstimo de livros, consulta local, espaço infantil, salas para estudo individual e em grupo, acesso gratuito à internet, via Wi-Fi, sala de projeção e cabines com computadores. Também promove eventos como lançamentos de livros, saraus, palestras e oficinas culturais.
Com estrutura moderna, acessibilidade (elevador e piso tátil) e acervo diversificado com obras gerais, literatura infantojuvenil, multimeios e temáticas amazônicas. O espaço é voltado para atender leitores, estudantes, escritores e pesquisadores.
Localizada na rua Monsenhor Coutinho, nº 529, no centro de Manaus, em frente à tradicional praça do Congresso, a Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja Evangelista funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. O acesso ao espaço é gratuito, mediante cadastro na recepção.
Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo telefone (92) 3215-4615 ou pelo e-mail: bibliotecajoaobosco@gmail.com
Defesa civil durante remoção de vegetal após vendaval no bairro do Bengui, em Belém. Foto: agência Belém
AComissão de Defesa Civil (Comdec) exerce essa missão diariamente, monitorando áreas vulneráveis, orientando moradores e prestando assistência a famílias afetadas por eventos naturais.
Entre suas principais funções está a realização de vistorias técnicas em áreas públicas e privadas que apresentam riscos à população.
A Defesa Civil é acionada principalmente em casos de sinistros causados por fenômenos naturais, como vendavais, chuvas intensas e outros eventos que possam comprometer a segurança dos moradores.
Nesses momentos, a equipe atua de forma imediata, garantindo a avaliação dos danos e orientando os afetados. Esse suporte é essencial para que as vítimas se sintam amparadas pelo poder público na reconstrução de suas casas e na retomada de suas vidas.
A vistoria realizada pela equipe da Defesa Civil é fundamental para a emissão do laudo técnico, documento indispensável para a inscrição das famílias nos programas de assistência social e o acesso a recursos emergenciais. Além disso, a equipe realiza um trabalho humanizado, orientando os moradores sobre os procedimentos necessários para obter os benefícios sociais disponibilizados pela Prefeitura de Belém e pelo Governo do Pará.
Defesa civil durante remoção de vegetal após vendaval no bairro do Bengui, em Belém. Foto: agência Belém
Saiba como acionar a Defesa Civil em uma situação de emergência
A Defesa Civil orienta a população a entrar em contato imediatamente com o CIOP (Centro Integrado de Operações), pelo número190, ou com o Corpo de Bombeiros, pelo 193, em situações de desastres como quedas de árvores, incêndios, vendavais e risco de desabamento. Em casos de vítimas, o Samu deve ser acionado pelo número 192.