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10 livros infantis que ensinam a importância de cuidar do Meio Ambiente

Fotos: Reprodução/Amazon

Celebrado no dia 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, como forma de influenciar a reflexão sobre a importância da conscientização e da preservação dos recursos naturais do planeta.

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Por conta disso, a literatura infantil atua como uma importante aliada na formação de crianças, ajudando a torná-las mais conscientes por meio de histórias de aventuras, personagens que cativam e cenários inspirados na biodiversidade.

Os livros podem abordar temas como a conservação das florestas, a proteção dos animais, a sustentabilidade e o respeito aos povos originários.

Em comemoração a essa data importante, o Portal Amazônia buscou por novos livros que ensinam as crianças a compreender a importância de cuidar da Amazônia, do meio ambiente e do planeta. Confira: 

Tapajós, livro infantil
Foto: Reprodução/ Livrinhos do Brasil

1. ‘Tapajós’, de Fernando Vilela

Inspirado em uma viagem de Fernando à Amazônia, o livro acompanha os irmãos Cauã e Inaê, que vivem às margens do rio Tapajós, mas que com a chegada do período das cheias, precisam deixar a casa de palafitas e se mudar para a floresta. Durante a mudança, Inaê percebe que seu jabuti de estimação, Titi, ficou para trás, e, acompanhada do irmão, embarcam em uma jornada repleta de desafios para encontrá-lo. 

O livro é narrado por Cauã e se passa na região amazônica, caracterizada pelo inverno, quando chove muito, e pelo verão, período de seca, mudanças que interferem no nível da água, obrigando a população às margens do rio Tapajós  se mudar de acordo com a estação. 

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Foto: Reprodução/Amazon

2. ‘Diário de Pilar na Amazônia’, de  Flávia Lins e Silva e Joana Penna

Pilar, Breno e o gato Samba chegam ao rio Amazonas por meio de um giro em uma rede mágica.  Juntos eles montaram a Sociedade dos Espiões Invisíveis (SEI) e estão dispostos a desvendar os mistérios do passado, enquanto procuram pistas sobre o paradeiro do pai da menina. 

Durante a aventura, eles conhecem lendas amazônicas, como a lenda da Iara e a da Cobra-Grande, além de se dar conta de que as árvores da floresta encantada estão sendo destruídas e que é preciso fazer alguma coisa para preservá-las.

Ao longo da viagem, Pilar aprende sobre os costumes da região, como comer pupunha cozida, navegar em canoas e viver em palafitas, além de compreender a importância da preservação ambiental.

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Foto: Reprodução/Amazon

3. ‘A Última Árvore da Amazônia’, de  Maristela Lima de Araujo Silva

A obra retrata uma Floresta Amazônica devastada por queimadas e desmatamento. Na história, todas as árvores foram derrubadas, exceto uma árvore que foi escolhida para a preservação: o Angelim-Pedra, de madeira nobre. 

Solitário, ele sonha com o retorno dos animais amigos que antes ajudavam a espalhar suas sementes. O livro ensina as crianças a refletirem sobre as consequências da destruição ambiental e da importância da recuperação das florestas.

Foto: Reprodução/Amazon

4. ‘A Árvore Generosa’, de Shel Silverstein 

Considerado um clássico da literatura infantil, o livro narra a relação especial entre um menino e uma árvore que, ao longo da vida, oferece tudo que possui para ajudá-lo.

No entanto, à medida que vai crescendo, o menino vai ficando cada vez mais exigente nos pedidos, fazendo com que a árvore, mesmo com poucos recursos, continue a fazer tudo o que quer. 

O livro estimula reflexões sobre a generosidade, o consumo e a forma como os seres humanos se relacionam com os recursos naturais, já que, disposta a qualquer coisa para vê-lo feliz, a árvore vai se desfazendo aos poucos, mostrando que, pelo amor do menino, pode abrir mão de sua própria vida. 

Foto: Reprodução/Amazon

5. ‘Azul e Lindo – Planeta Terra, Nossa Casa’, de Otávio Roth e Ruth Rocha 

A obra apresenta, de forma acessível às crianças, questões relacionadas à preservação ambiental, como o que fazer para impedir que os solos se tornem desertos, que as águas fiquem envenenadas e que as florestas sejam devastadas. 

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Foto: Reprodução/Amazon

6. ‘Vivene e Florine e suas aventuras na Amazônia’, de Isa Colli

Depois de alcançar sucesso com a fábrica da aldeia Moinho, as abelhas Vivene e Florine, durante um passeio pela floresta, descobrem uma área devastada pela ação humana, com animais doentes e em situação de sofrimento.

Determinadas a ajudar, elas partem para a Amazônia em busca de especialistas em reflorestamento.

Durante a jornada, as personagens descobrem que a própria espécie está ameaçada de extinção e aprendem a importância desses polinizadores para a manutenção da vida.

Foto: Reprodução/Amazon

7. ‘Um Passeio na Floresta Amazônica’, de Laurie Krebs 

O livro acompanha três crianças curiosas que exploram a maior floresta tropical do mundo. Durante o passeio, elas se deparam com animais como botos-cor-de-rosa, bichos-preguiça, onças-pintadas, jacarés e diversas espécies de aves.

Além de apresentar a riqueza da fauna e da flora amazônicas, a obra destaca a a importância de conservar a fauna e a flora, bem como respeitar e preservar a cultura dos povos da floresta.

Foto: Reprodução/Amazon

8. ‘Abaré’, de Graça Lima

Abaré, que significa ‘amigo’ em tupi-guarani, é um menino indígena curioso que percorre diferentes caminhos da floresta em busca de conhecimento sobre os animais e a diversidade da natureza.

Todas essas aventuras ajudam o menino a amadurecer, mas de todas as descobertas, a maior delas será a amizade. 

A obra também apresenta elementos da cultura indígena e reforça a conexão dos povos originários com o meio ambiente.

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Foto: Reprodução/Amazon

9. ‘Antes que a Terra Fuja: Uma história pela limpeza do Meio Ambiente’, de Julieta de Godoy Ladeira 

A história, cheia de fantasia e poesia, narra uma terra poluída e queimada que decide fugir por não suportar mais. Ao lado da lua, elas embarcam em uma aventura que leva os leitores a refletirem sobre a importância de preservar o planeta.

De forma lúdica, o livro aborda temas ambientais e desperta a consciência ecológica nas crianças.

Foto: Divulgação

10. ‘As oncinhas guardiãs da Amazônia’, de Wellington Modesto De Souza

A obra apresenta seis oncinhas escolhidas pelos espíritos ancestrais para proteger a natureza de uma força sombria.

Na história, cada personagem possui um dom especial ligado à coragem, à cura, à sabedoria, à esperança e também proteção da floresta.

Inspirada no folclore brasileiro, a narrativa valoriza a biodiversidade amazônica e transmite mensagens sobre conservação ambiental e responsabilidade coletiva.

Literatura como ferramenta de conscientização

Mais do que entretenimento, os livros infantis podem ajudar a despertar desde cedo o interesse pela preservação da natureza. Ao apresentar temas ambientais por meio de histórias criativas, essas obras ensinam as crianças a compreenderem a importância das florestas, dos rios, dos animais e dos povos que vivem em harmonia com o meio ambiente.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, a leitura pode ser uma excelente oportunidade para incentivar novas gerações a conhecer, valorizar e proteger o planeta.

Dia do Meio Ambiente: quem protege a Amazônia?

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Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Por Olímpio Guarany

No Dia Mundial do Meio Ambiente, discursos sobre preservação, mudanças climáticas e sustentabilidade ocupam espaço nos meios de comunicação, nas redes sociais e nos fóruns internacionais. Todos importantes. Mas talvez exista uma pergunta que mereça mais atenção:

Quem protege a Amazônia?

Ao longo dos últimos anos, a floresta passou a ser vista como peça estratégica para o equilíbrio climático do planeta. Governos, empresas, universidades e organizações ambientais voltaram seus olhos para a maior floresta tropical do mundo. No entanto, muitas vezes esquecemos de olhar para aqueles que vivem dentro dela.

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Como amazônida, jornalista, economista e alguém que navegou por dois anos os rios da Amazônia, desde a foz do Amazonas até o rio Napo, na Amazônia equatoriana, aprendi uma lição simples: a floresta não se preserva sozinha.

Ela é protegida por pessoas.

São indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores e agricultores familiares que convivem diariamente com os rios, as matas e a biodiversidade. São eles que conhecem os ciclos da natureza, os períodos da pesca, os tempos da floresta e os limites que precisam ser respeitados para garantir que os recursos continuem existindo para as próximas gerações.

Isso não significa idealizar ou romantizar a vida na floresta. Essas populações enfrentam desafios enormes relacionados ao acesso à saúde, educação, transporte, comunicação e oportunidades econômicas. Ainda assim, continuam desempenhando um papel fundamental na conservação de um patrimônio que pertence ao Brasil e interessa ao mundo inteiro.

ribeirinho na amazônia
Foto: Cintia Matos

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Durante minha travessia pela Amazônia, encontrei inúmeras comunidades onde o conhecimento sobre o ambiente não estava nos livros, mas na prática cotidiana. Homens e mulheres capazes de identificar mudanças nos rios, prever comportamentos da natureza e manejar recursos florestais de forma sustentável muito antes de o termo sustentabilidade se tornar conhecido globalmente.

Por isso, quando falamos em meio ambiente, não podemos limitar o debate apenas às árvores, aos rios ou à biodiversidade. Precisamos falar também de pessoas.

A Amazônia precisa de conservação, mas precisa igualmente de inclusão. Precisa de proteção ambiental, mas também de desenvolvimento. Precisa manter a floresta em pé, mas garantir dignidade para quem vive nela.

Essa talvez seja uma das maiores lições amazônicas para o século XXI: não existe contradição entre preservar e gerar oportunidades quando os povos da floresta são reconhecidos como protagonistas.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, vale lembrar que proteger a Amazônia não é apenas uma questão ecológica. É também uma questão humana.

Porque não haverá floresta em pé sem povos da floresta de pé.

Sobre o autor

Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). A expedição deu origem ao livro ‘A Nova Conquista da Amazônia’. Atualmente é apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.

*O conteúdo é responsabilidade do colunista

Dicionários de línguas indígenas do Museu Goeldi são premiados em Brasília

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Vilacy (ao centro) recebe o troféu na companhia do bolsista Arthur Ribeiro, do professor Mário Purubora e Diana Rodrigues (à esq.). Foto: Reprodução/Fundação BB

O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) é um dos sete vencedores do 13º Prêmio da Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social com o projeto Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas, coordenado pela pesquisadora Ana Vilacy Galúcio e com a participação de povos da Amazônia Legal e da University of New Mexico. Ao lado de Mário Purubora, ela recebeu o prêmio durante a cerimônia realizada no dia 29 de maio em Brasília.

“Estou muito emocionada. Agradeço a todos os povos indígenas do Brasil, que confiaram no nosso trabalho. Agradeço ao Museu Paraense Emílio Goeldi; ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, que apoia e dá suporte ao trabalho com os povos indígenas; e à Fundação Banco do Brasil, por essa iniciativa maravilhosa. Nesta década, na Década Internacional das Línguas Indígenas [2022-2032], esse trabalho é fundamental para a gente continuar apoiando a revitalização das línguas dos povos originários nesse país que hoje se chama Brasil. Nós queremos todas as línguas vivas”, declarou Vilacy.

Leia também: Tecnologia social: conheça a plataforma com sete Dicionários para Línguas Indígenas

Mário Purubora, da Aldeia Aperoi, localizada no município de Seringueiras (RO), atuou como pesquisador e sabedor indígena durante a elaboração do Dicionário Multimídia da Língua Purubora. Ele já utiliza os dicionários na escola Iwara Purubora, onde estão reunidos cerca de 20 estudantes, entre crianças, adolescentes e adultos.

Cacique José Augusto Kanoe, professor Mario Puruborá e Ana Vilacy Galucio durante o II Encontro de Tecnologia Social da Amazonia (Manaus, 2025), apresentando os Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas. Foto: Divulgação/MPEG
Foto: Divulgação/MPEG

Mário participou, junto com a pesquisadora Ana Vilacy, da última etapa de escolha de projetos a serem premiados, dias antes do anúncio dos vencedores, e alertou, na ocasião de entrega da premiação, para a responsabilidade do Estado brasileiro em garantir os direitos dos povos indígenas pela demarcação de seus territórios.

Fizeram parte da comitiva à capital do país, Artur Ribeiro, bolsista do Museu Goeldi, e Diana Rodrigues, pesquisadora do Museu Goeldi e representante da Associação Brasileira de Ensino, Pesquisa e Extensão em Tecnologia Social (Abepets).

Em nome do Banco do Brasil, o vice-presidente de Governo e Sustentabilidade da instituição, José Ricardo Sasseron, assegurou que os inscritos “trouxeram os saberes da população brasileira, trouxeram a diversidade do Brasil para o prêmio, trouxeram tecnologias que transformam a vida das pessoas. Vocês são o retrato do Brasil”.

Reaplicação e participação comunitária para criação dos dicionários

Os dicionários são aplicativos bilíngues que combinam áudio, vídeo, imagens e textos para apoiar a documentação, o ensino e a revitalização de línguas indígenas. Funcionam sem internet e já são utilizados por comunidades de oito povos indígenas da Amazônia.

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A elaboração da tecnologia é feita a partir da demanda dos povos aos pesquisadores, no intuito de garantir a sobrevivência de sua língua materna, e com a participação estreita das comunidades e de quem ainda domina o conhecimento em alguma medida.

Sobretudo, a tecnologia tem a capacidade de se adaptar às necessidades particulares de cada língua. Estas são também as qualidades que garantiram que o projeto se tornasse um dos 40 finalistas entre os 1.107 inscritos no edital da premiação.

Além do júri técnico, os projetos ainda passaram por votação popular e contaram com a produção de vídeos-documentários.

*Com informações do Museu Goeldi

Apesar dos impactos, florestas primárias ainda são principal fonte de biodiversidade na Amazônia

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Floresta intacta no Amazonas. Foto: Cássio Alencar Nunes/Lancaster University

Florestas primárias, que nunca foram desmatadas, são as principais guardiãs da biodiversidade amazônica, mesmo que já tenham sido afetadas por queimadas ou corte seletivo de árvores, segundo um estudo conduzido por pesquisadores do Brasil e do Reino Unido. Os cientistas compararam o impacto de atividades humanas sobre a diversidade de plantas de diferentes composições florestais ao longo do tempo na Amazônia e concluíram que as florestas primárias sempre abrigam uma quantidade maior de espécies do que aquelas que se regeneraram depois de terem sido derrubadas no passado.

O estudo reforça a importância de se frear o avanço do desmatamento na Amazônia – ao mesmo tempo em que se incentiva a regeneração de áreas anteriormente desmatadas –, já que as florestas secundárias não chegam a repor por completo a biodiversidade das matas originais que foram perdidas, segundo os pesquisadores. Os resultados foram divulgados na revista Global Change Biology.

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Os pesquisadores catalogaram cerca de 55 mil árvores em duas regiões do Pará, situadas nos municípios de Paragominas e Santarém, representando quatro tipos de florestas:

  1. primárias que não sofreram distúrbios;
  2. primárias que tiveram corte seletivo de árvores (quando são retiradas apenas espécies de maior valor comercial);  
  3. primárias que sofreram corte seletivo e queimadas;
  4. florestas secundárias, resultantes da regeneração natural de uma área que sofreu corte raso – ou seja, que foi totalmente desmatada anteriormente.

Os cientistas mediram a diversidade das árvores de três formas diferentes: focando nas espécies, nos grupos funcionais – mensurando características como espessura da casca, densidade da madeira e tamanho da folha – e nas linhagens evolutivas. Além disso, avaliaram a diversidade separando as árvores em grandes e pequenas.

Quando comparados os dados entre as áreas, conclui-se que as modificações humanas explicam 55% da variação na diversidade de espécies e 42% da diferença na composição das comunidades de árvores. A forma como se mede a diversidade (espécies, grupos funcionais ou linhagens evolutivas) e o tamanho das árvores explicam apenas cerca de 5% das diferenças entre florestas.

“Por mais que as florestas primárias degradadas sejam menos diversas e tenham um apanhado de espécies diferentes daquelas que não sofreram impactos, elas são muito mais diversas do que as florestas secundárias. Estas vão demorar séculos para ter árvores de grande porte e os serviços ecossistêmicos fornecidos por essas espécies”, explica Cássio Alencar Nunes, pesquisador da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e da Universidade Federal de Lavras (UFLA).

FLORESTA AMAZÔNICA NO AMAPÁ
Foto: Divulgação/Rede Amazônica AP

A Amazônia abriga até 16 mil espécies de árvores. Um único hectare frequentemente contém mais de 300. Em comparação, toda a Europa tem cerca de 450 espécies nativas de árvores.

Nunes coordenou o trabalho com outra cientista brasileira no Reino Unido, Erika Berenguer, pesquisadora das universidades de Lancaster e de Oxford. Berenguer monitora as áreas analisadas no estudo desde 2010.

“Nossos resultados mostram que, quando se trata de compreender as influências humanas sobre as florestas tropicais, não importa se a abordagem é para medir perda de espécies, de funções ecológicas ou linhagens evolutivas. As influências humanas são tão profundas que todas essas medidas estão mudando”, explica Berenguer em um comunicado da Universidade de Lancaster.

O trabalho teve apoio da FAPESP por meio do projeto “ECOFOR: Biodiversidade e funcionamento de ecossistemas em áreas alteradas pelo homem nas Florestas Amazônica e Atlântica”, no âmbito do Programa BIOTA.

“O estudo demonstra que é preciso continuar investindo em restauração e na proteção das florestas secundárias, uma vez que qualquer área com remanescentes florestais contribui muito mais com os serviços ecossistêmicos do que áreas sem floresta. No entanto, os resultados mostram com bastante clareza que as florestas primárias são imprescindíveis e precisam ser conservadas, mesmo que já tenham sofrido distúrbios”, avalia Carlos Joly, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador do projeto e coautor do estudo.

Florestas para sempre

Durante a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP30) ocorrida em Belém, em novembro de 2025, estabeleceu-se o TFFF, um fundo global para o financiamento da conservação das florestas tropicais. Para os autores do estudo, mecanismos do tipo são essenciais para oferecer condições para que as florestas sejam conservadas em vez de derrubadas para a exploração de atividades econômicas que contribuem para o agravamento das crises climática e da biodiversidade.

Saiba mais: MMA explica como funcionará o Fundo Florestas Tropicais para Sempre

A comparação entre florestas intocadas e que sofreram distúrbios realizada no estudo aponta que mesmo a exploração seletiva de madeira, tida como uma forma de manejo sustentável, tem impactos profundos na diversidade das árvores.

Assim, mecanismos como o TFFF são importantes para garantir a conservação, independentemente de ganhos econômicos possíveis nessas áreas, ainda que ditos sustentáveis, segundo Berenguer.

“Embora o foco da COP30 tenha sido principalmente o carbono, é essencial vincular as discussões climáticas à biodiversidade se quisermos superar as crises climática e de biodiversidade. Em última instância, é a biodiversidade que garante a provisão de serviços ecossistêmicos, inclusive o sequestro e o armazenamento de carbono”, afirma a pesquisadora.

O artigo Multifaceted assessment of amazonian tree diversity reveals pervasive impacts of human modification pode ser lido AQUI.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por André Julião

Uso da casca da andiroba é indicado para produção de corantes naturais, mostra pesquisa

A substituição de corantes sintéticos é alternativa para menor impacto ambiental. Foto: Divulgação

Pesquisadoras da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em colaboração com o Instituto Superior de Engenharia do Instituto Politécnico de Coimbra, em Portugal, publicaram um estudo que apresenta uma alternativa ecológica, utilizando as cascas de andiroba (Carapa guianensis) como fonte sustentável de corantes naturais para o tingimento de tecidos.

A motivação principal do estudo foi a busca de alternativas sustentáveis para a indústria têxtil, substituindo corantes sintéticos, de alto impacto ambiental, por corantes naturais obtidos a partir de resíduos vegetais, como as cascas de andiroba, normalmente descartadas após a extração do óleo.

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O objetivo da pesquisa foi transformar um resíduo abundante em um produto de maior valor, contribuindo para a bioeconomia amazônica e para o uso sustentável dos recursos da região. Para isso, foram feitas coleta de cascas de andiroba, produção de extratos, análises químicas, testes de aplicação em tecidos e avaliação da durabilidade das cores obtidas.

A extração do óleo gera uma grande quantidade de cascas, antes descartadas como resíduo. O estudo identificou que esse material, rico em taninos (compostos naturais com forte capacidade de pigmentação), tem potencial para ser utilizado como alternativa aos corantes sintéticos.

Sustentabilidade e bioeconomia

A indicação de que as cascas do fruto da andiroba têm potencial como fonte sustentável de corantes naturais significa que um resíduo abundante e sem valor comercial pode ser transformado em um corante eficiente para tingir fibras naturais e potencializar a economia local.

Com isso, parte dos corantes sintéticos, conhecidos pelo elevado impacto ambiental e toxicidade devido à dependência de derivados do petróleo, podem ser substituídos por uma alternativa de menor impacto ambiental, em um processo que também pode criar oportunidades econômicas para comunidades extrativistas, valorizar saberes tradicionais sobre pigmentos vegetais e fortalecer a bioeconomia amazônica.

Para a indústria têxtil, isso representa a possibilidade de desenvolver produtos com identidade regional e maior apelo sustentável.

Leia também: Popular entre os remédios caseiros: conheça o óleo da andiroba e seus benefícios

Da comunidade para os laboratórios

A pesquisa tem relação direta com o conhecimento popular, pois a andiroba é uma planta tradicionalmente utilizada por populações amazônicas há gerações, tanto na medicina tradicional quanto na produção artesanal de pigmentos naturais.

O estudo reconhece e valoriza esse saber ancestral, buscando compreender cientificamente os compostos responsáveis pela coloração e validar, em laboratório, práticas já presentes na cultura local.

As cascas de andiroba utilizadas na pesquisa foram coletadas na comunidade de Samaúma (PA), onde o agroflorestor Adamor Santos, ex-garimpeiro, desenvolveu, com apoio de professores e estudantes da Ufopa, uma agroindústria comunitária dedicada à extração de óleos florestais, incluindo o óleo de andiroba.

A comunidade Samaúma está localizada no Assentamento Tapera Velha, na região do planalto de Santarém, município no Oeste do estado do Pará, próximo da Floresta Nacional do Tapajós, onde o conhecimento sobre espécies amazônicas, como a andiroba, faz parte do cotidiano das famílias.

Assim, a pesquisa atua como uma ponte entre saberes tradicionais e tecnologia moderna, fortalecendo a valorização da biodiversidade e do conhecimento amazônico.

Colaboração científica internacional

O estudo foi desenvolvido durante o doutorado sanduíche de Kellyane Cesar, acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal – Bionorte/Ufopa, no Instituto Superior de Engenharia, em Coimbra (Portugal).

Participaram da pesquisa as professoras Rosa Mourão e Sandra Sarrazin, da Ufopa, e as pesquisadoras Nazaré Pinheiro e Filipa Fonseca, da instituição portuguesa, tendo havido ainda colaboração de alunos do curso de Farmácia do Instituto de Saúde Coletiva (Isco) da Ufopa.

A Ufopa coordena a pesquisa, sendo responsável pela coleta de cascas de andiroba, pelo desenvolvimento dos métodos de extração, pelas análises químicas iniciais e pelos testes de tingimento em fibras naturais, onde ocorrem a parte central do trabalho científico e a interação com as comunidades locais. O Instituto de Coimbra atua como parceiro internacional, contribuindo com expertise em tecnologia têxtil para a avaliação da solidez e da fixação das cores, além de fortalecer as discussões sobre escalonamento e padrões industriais.

Pesquisa na Ufopa indica uso da casca da andiroba para produção de corantes naturais
Foto: Divulgação

O trabalho também está associado ao projeto institucional voltado ao fortalecimento da infraestrutura científica e tecnológica da Amazônia Legal, financiado pelo edital MCTI/FINEP/FNDCT – Pró-Amazônia, envolvendo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Financiadora de Estudos e Projetos e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, bem como a bolsa de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) da pesquisadora Rosa Mourão.

Essa articulação entre o grupo de pesquisa, o curso e o projeto institucional permite que o estudo tenha impacto científico, formativo e social, ampliando a capacidade da universidade de gerar conhecimento aplicado sobre a biodiversidade amazônica.

Inovação limpa e de qualidade

Buscando uma abordagem totalmente ecológica, a equipe de pesquisa extraiu o corante do pó de cascas, utilizando solventes verdes, como a água, sem recorrer a solventes químicos agressivos.

O extrato natural foi aplicado no tingimento de fibras como algodão, linho, lã e seda, resultando em uma paleta elegante de tons bege e cinza acastanhados. Os testes demonstraram boa fixação e resistência ao desbotamento, tanto sob exposição prolongada à luz solar quanto após lavagens com água fria e quente.

Os resultados da pesquisa evidenciam o potencial da ciência para desenvolver soluções concretas diante dos desafios ambientais contemporâneos. Ao transformar um resíduo florestal em um produto de valor agregado, o estudo contribui para reduzir os impactos ambientais da indústria têxtil, ampliar o uso de alternativas sustentáveis aos corantes sintéticos e fortalecer as cadeias produtivas de base comunitária. Além disso, cria oportunidades de geração de renda para populações amazônicas que atuam na conservação da floresta.

Mais do que propor uma nova aplicação para resíduos vegetais, a pesquisa demonstra que ciência, biodiversidade e saberes tradicionais podem atuar de forma integrada na construção de uma economia mais sustentável, inclusiva e alinhada às potencialidades da Amazônia.

A pesquisa foi publicada na edição de 2026 dos anais científicos da 7.ª Conferência Internacional WASTES: Solutions, Treatments and Opportunities pela editora Springer. Título do trabalho: “Valorization of Carapa guianensis Fruit Waste as a Sustainable Source of Natural Textile Dyes” (disponível AQUI).

*Com informações da Ufopa

Tecnologia desenvolvida na Amazônia brasileira para tratar água durante secas extremas chega ao Equador 

Tecnologia é usada no tratamento de água. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

Apresentado no Equador entre os dias 27 e 28 de maio, durante a Oficina de Capacitação de Multiplicadores em Água e Saneamento na Amazônia Rural, o projeto “Água de Beber” despertou o interesse de instituições locais e deverá subsidiar ações voltadas à ampliação do acesso à água potável em comunidades ribeirinhas da Amazônia equatoriana. A metodologia de tratamento emergencial de água foi desenvolvida pelo Instituto Mamirauá em resposta à seca extrema que atingiu a Amazônia entre 2023 e 2024. 

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Durante as oficinas realizadas na cidade de Coca e na comunidade Guiyero, os pesquisadores do Instituto Mamirauá e da Universidade San Francisco de Quito utilizaram o kit “Tratamento Emergencial de Água” para demonstrar métodos de tratamento e purificação da água em situações emergenciais.

Ao final das atividades, foram entregues 80 kits de tratamento aos participantes. Além dos kits, também foram apresentados o tratamento domiciliar da água por meio do Guia Prático para o Tratamento Emergencial de Água Barrenta para Comunidades Ribeirinhas da Amazônia, disponibilizado em versão traduzida para o espanhol. A oficina também demonstrou métodos sobre a desinfecção solar da água, e os métodos seguros para captação e tratamento de água de chuva. 

No Equador, a ação integra uma das iniciativas da Aliança Águas Amazônicas que, assim como a Universidade San Francisco de Quito, reúne instituições e pesquisadores voltados à conservação ambiental e ao fortalecimento de soluções comunitárias para água e saneamento na Amazônia. Nesse contexto, o Instituto Mamirauá participa de diversas articulações por meio de diferentes frentes relacionadas à gestão da água, às tecnologias sociais e ao monitoramento socioambiental.  

A implementação da iniciativa no Equador surgiu a partir do interesse de instituições locais em fortalecer o acesso à água potável para comunidades ribeirinhas. A região apresenta características semelhantes às do Médio Solimões, no Amazonas, como a ocorrência de águas barrentas, desafios socioambientais, e a vulnerabilidade aos impactos das mudanças climáticas.

Tecnologia é usada no tratamento de água. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá
Foto: Cleimison Fernandes/Instituto Mamirauá

Para o líder do Grupo de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento de Tecnologias Sustentáveis da Amazônia (GPIDTS), João Paulo Borges, apresentar e realizar as oficinas vai além do compartilhamento de conhecimento. “Essa experiência de trabalhar em diferentes regiões da Amazônia e junto a comunidades tradicionais representa um intercâmbio que fortalece as parcerias institucionais e, ao mesmo tempo, contribui para outros territórios. Isso é muito importante diante dos desafios ambientais enfrentados pela região amazônica”, afirma o pesquisador. 

O evento também contou com diálogos entre lideranças locais e profissionais ligados à gestão da água na Amazônia equatoriana. Entre os participantes estiveram representantes de comunidades indígenas e ribeirinhas, universidades, rede jovens, juntas de gestão de água, associações locais e órgãos ambientais. 

Leia também: Instituto amazonense cria rede internacional de colaboração na Amazônia

Com o objetivo de disseminar as técnicas de tratamento de água entre os participantes das oficinas e torná-los multiplicadores desse conhecimento, a expectativa é que o intercâmbio alcance outras comunidades, contribuindo para ampliar soluções de baixo custo voltadas ao acesso à água segura em diferentes territórios. 

A parceria entre o Instituto Mamirauá, a Aliança Águas Amazônicas e a Universidade San Francisco de Quito envolveu nove pesquisadores das instituições participantes. Entre eles estão: Paulina Rosero, Daniela Rosero-Lopez, Daniel Escobar-Camacho, Melani Valencia, Pamela Moreno, Andrea Encalada, João Paulo Borges Pedro, Cleimison Fernandes Carioca e Ayan Fleischmann.

Além do Instituto Mamirauá e da Universidade San Francisco de Quito, que compõem a rede Aliança Águas Amazônicas, o evento contou com o apoio da Escuela Superior Politécnica de Chimborazo (ESPOCH), da Pontificia Universidad Católica del Ecuador (PUCE), da Alianza Ceibo, da Amazon Frontlines, da Dirección de Salud de Orellana (DSO) e do Ministerio del Ambiente, Agua y Transición Ecológica (MAATE), por meio do Parque Nacional Yasuní.

A iniciativa também fortaleceu a articulação entre organizações da sociedade civil, universidades, instituições de pesquisa e órgãos governamentais da Amazônia equatoriana. 

Tecnologia é usada no tratamento de água. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá
Foto: João Paulo Borges/Instituto Mamirauá

Projeto Água de Beber: tecnologia à favor das comunidades  

O projeto “Água de Beber” conta com a criação de um guia prático e um kit de tratamento de água em situações de emergência, desenvolvidos pelo Instituto Mamirauá em resposta à seca extrema que atingiu a região do Médio Solimões (AM) nos anos de 2023 e 2024. Nesse contexto, o Grupo de Pesquisa em Inovação, Desenvolvimento e Adaptação de Tecnologias Sustentáveis e o Programa de Qualidade de Vida do Instituto criaram a solução de baixo custo para o tratamento emergencial de água para alcançar as comunidades ribeirinhas. 

Desde então, a iniciativa vem sendo aplicada em ações de preparação e resposta às estiagens, por meio de oficinas com profissionais da saúde e agentes locais. As atividades atendem milhares de famílias ribeirinhas, incluindo as Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, além da Floresta Nacional de Tefé. 

Além de ampliar o acesso à água potável durante eventos climáticos extremos, a tecnologia pode ser adotada por instituições parceiras e órgãos públicos, que podem adquirir os kits e promover sua distribuição às comunidades, acompanhada das capacitações e do suporte oferecidos pelo Instituto Mamirauá.  

O kit foi desenvolvido para que o tratamento da água possa ser realizado de forma simples e segura pelas próprias famílias, utilizando materiais de fácil manuseio e orientações práticas. A solução adapta, à realidade das comunidades ribeirinhas, usa processos amplamente utilizados em sistemas convencionais de abastecimento, tornando possível a produção de água própria para consumo mesmo em situações de emergências. 

Com formato compacto e de fácil transporte, o kit reúne os insumos necessários para o tratamento da água e pode atender uma família por vários meses, dependendo da demanda de consumo. Além de ampliar a capacidade de resposta das comunidades diante de eventos climáticos extremos.  

Com uma equipe consolidada e reconhecimento nacional e internacional, o projeto “Água de Beber” tornou-se possível com o apoio da Cáritas Suíça, do Servizio Protezione Internazionale (SPI), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da União Europeia, por meio de sua iniciativa de Ajuda Humanitária. A iniciativa também contou com a parceria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Prefeitura de Tefé e da Prefeitura de Uarini. O desenvolvimento da tecnologia foi realizado pelo Instituto Mamirauá, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá, escrito por Tácio Melo

História de Cametá ganha destaque com caminhada pelo centro histórico

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Foto: Reprodução/Prefeitura de Cametá

Conhecer a história de Cametá (PA) a pé e de graça é a proposta do projeto de extensão ‘Roteiros Geo-turísticos na cidade’, da Faculdade de Geografia do Campus Tocantins da Universidade Federal do Pará (UFPA). O projeto percorre o centro histórico da cidade.

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O roteiro a pé passa pela Feira Livre e o Ponto dos Botos, Praça Joaquim Siqueira, Praça Padre Prudêncio, Orla da Cidade, Praça dos Notáveis, Praça da Cultura, Grupo Escolar Dom Romualdo de Seixas, Antiga Casa de Câmara e Cadeia e Museu Histórico da Cidade.

“Como Cametá surge no contexto de ocupação da região amazônica no século XVII, procuramos dar ênfase ao seu processo de formação como espaço geográfico ribeirinho, onde o elemento singular é a dinâmica de relações mediada pelo rio, além da importância histórica, patrimonial e turística”, comenta o professor Carlos Cordovil.

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Projeto da UFPA revela a história de Cametá em caminhada pelo centro histórico
Foto: Divulgação/UFPA

Projeto busca valorizar história de Cametá

Desenvolvido desde 2014, o projeto articula teoria e prática nas atividades curriculares do curso de Licenciatura em Geografia, com foco no conhecimento e na valorização da memória socioespacial da cidade. É uma expansão dos Roteiros Geo-Turísticos realizados em Belém pela professora Maria Goretti, por meio do Grupo de Pesquisa em Geografia do Turismo (GGEOTUR).

A caminhada integra a programação do XVIII Encontro Paraense de Geografia (EPG), realizado no Campus Cametá da UFPA, mas é gratuita e aberta a qualquer pessoa, independentemente de participação no evento. Acompanhe o projeto para mais informações no perfil @roteirosgeoturisticos.

*Com informações da UFPA

Quadrinho inspirado em baleia que encalhou no Amapá vence prêmio nacional

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Foto: Crystofher Andrade/Rede Amazônica AP

A História em Quadrinhos (HQ) amapaense ‘O menino e a baleia’, do quadrinista Saruzilla, venceu a categoria quadrinho infantil do Troféu Angelo Agostini, a mais antiga premiação dedicada ao setor no Brasil. A obra foi lançada em 2025 e é a primeira publicação do autor.

A narrativa acompanha um menino curioso e encantado ao encontrar uma baleia nas águas do Rio Amazonas.

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Para o autor, o prêmio reconhece seu esforço e dá visibilidade à produção de quadrinhos feita no Amapá.

“Nosso pagamento é saber que quem leu se emocionou. Ver que a história alcançou o Brasil inteiro e conectou pessoas de diferentes lugares é muito gratificante”, disse.

Leia também: 1° do Norte: autor amapaense Gian Danton recebe principal título dos quadrinhos no país

Quadrinho foi inspirado em esqueleto exposto no Museu Sacaca

A HQ foi inspirada no esqueleto de uma baleia jubarte exposto no Museu Sacaca, em Macapá. A história não tem falas e é conduzida apenas pelas imagens.

O esqueleto da baleia, que encalhou na foz do Rio Amazonas em 2018, tem cerca de 250 ossos e está exposto em uma maloca no museu, onde o público pode observar seu tamanho de perto.

A partir dessa experiência, Saruzilla deixou a imaginação fluir e transformou em cores a narrativa nas páginas do quadrinho.

“Quando a vi, me senti uma criança diante de um animal daquele tamanho. E ainda era um filhote. Isso me remeteu às obras que despertaram minha paixão pela fauna. É mágico ver um bicho do mar aparecer no rio”, disse.

Quadrinho do Amapá inspirado em baleia que encalhou no Rio Amazonas vence prêmio nacional
Foto: Crystofher Andrade/Rede Amazônica AP

O prêmio também incentiva os próximos projetos do quadrinista, que pretende seguir criando novas histórias. Ele destaca a importância da persistência para quem sonha em começar na arte ou na literatura.

“Não é fácil. É cansativo. Mas, quando fazemos com paixão e dedicação, a arte encontra seu caminho e recebe reconhecimento. É preciso confiar em si mesmo e trabalhar muito para fazer acontecer”, afirmou.

*Por Crystofher Andrade, da Rede Amazônica AP

Joelma embala apresentação histórica e Brasil conquista ouro no Pan-Americano de Ginástica Rítmica

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Isabella Correia Tenorio, Leona Thaise Oliveira Torres, Letícia Rosa, Maria Luísa de Albuquerque e Melissa Varejão fazem performance ao som de ‘Voando pro Pará’, da artista amazônida Joelma. Foto: Reprodução/Instagram-CBGinastica

Uma música da cantora paraense Joelma foi destaque em uma das apresentações mais celebradas do Campeonato Pan-Americano de Ginástica Rítmica, realizado no Rio de Janeiro (RJ). Ao som de ‘Voando pro Pará‘, a seleção brasileira conquistou a medalha de ouro na disputa das cinco fitas, levando o público ao entusiasmo na Arena Carioca 1, localizada no Parque Olímpico da Barra da Tijuca.

A conquista ocorreu durante a competição continental que reuniu atletas de diversos países das Américas. Com uma série marcada pela combinação entre precisão técnica, sincronismo e elementos da cultura brasileira, o conjunto nacional alcançou a melhor pontuação da final e garantiu o lugar mais alto do pódio.

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A trilha sonora escolhida para a apresentação teve papel de destaque na execução da série, acompanhou os movimentos das ginastas e contribuiu para criar uma atmosfera de grande interação com a torcida presente no ginásio. A apresentação também incorporou referências culturais populares, incluindo passos de dança conhecidos nas redes sociais e elementos ligados à identidade da região Norte do país:

Leia também: “Isso é Calypso!”: assista homenagem de escola de dança para Joelma

Performance ao som de Joelma repercutiu

Além da medalha conquistada na prova das cinco fitas, o Brasil encerrou sua participação no campeonato com uma campanha de destaque. A delegação somou outras conquistas importantes ao longo da competição, ampliando o número de medalhas de ouro obtidas no evento.

A performance brasileira recebeu aplausos do público e ganhou repercussão nas plataformas digitais logo após a apresentação. Vídeos compartilhados por torcedores e perfis ligados à ginástica mostraram a reação dos espectadores durante a execução da série, que uniu esporte, música e expressão artística.

O resultado reforça o bom momento vivido pela ginástica rítmica brasileira em competições internacionais. Nos últimos anos, a modalidade tem acumulado resultados expressivos em torneios continentais e mundiais, consolidando a presença do país entre as principais potências da América.

A escolha de uma música de Joelma para embalar a apresentação também evidenciou a força da cultura amazônica em eventos esportivos de alcance internacional. Natural do Pará, a cantora tem uma trajetória marcada pela valorização dos ritmos da região Norte, e seu repertório frequentemente ultrapassa fronteiras, alcançando diferentes públicos no Brasil e no exterior.

Estudo revela altos níveis de contaminação por mercúrio em indígenas de Oiapoque, no Amapá

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Levantamento aponta níveis de contaminação por mercúrio em indígenas do Amapá. Foto: Divulgação/Iepé

Um estudo inédito realizado no final de 2024 pelo Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena do Amapá e Norte do Pará (Dsei), apontou altos níveis de contaminação por mercúrio entre povos indígenas do município de Oiapoque, no extremo norte do estado.

Foram analisadas 192 amostras de cabelo de indígenas das etnias Karipuna, Palikur, Galibi Marworno e Galibi Kali’na, residentes na região.

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Os resultados mostraram que metade dos indivíduos apresentou níveis iguais ou superiores a 6,0 mg/kg, índice considerado elevado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse número está associado a riscos sérios de saúde, como danos neurológicos, complicações na gestação e sintomas de intoxicação — tremores, insônia, perda de memória e alterações motoras.

Como ocorre a contaminação

Segundo especialistas, o mercúrio utilizado em garimpos ilegais contamina os rios da região e, consequentemente, os peixes que fazem parte da base alimentar das comunidades indígenas. Esse consumo frequente aumenta a exposição ao longo da vida, o que explica os índices mais altos entre pessoas acima de 50 anos.

Resultado por exposição ao mercúrio:

Faixa etáriaColetas realizadasResultados ≥ 6,0 mg/kg%
10 – 20 anos1417%
21 – 30 anos462554%
31 – 40 anos552342%
41 – 50 anos432660%
51 – 60 anos241875%
≥ 61 anos10440%
Total1929750,5%

Fonte: Iepé

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O levantamento aponta ainda que homens apresentam níveis elevados de mercúrio em mais de 60% dos casos, quando se compara com mulheres, onde o número chega a 38,37%. No entanto, as mulheres em idade fértil preocupa, pois 31,37% apresentam níveis de mercúrio superiores ao limite seguro, o que pode representar sérios riscos ao desenvolvimento do feto, em caso de gravidez.

Nível de mercúrio por gênero:

SexoColetas realizadasResultados ≥ 6,0 mg/kg%
Feminino863338%
Masculino1066460%

Fonte: Iepé

Preocupação

Os resultados do levantamento no Oiapoque foram apresentados às comunidades durante a Assembleia da Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM). A presidente da organização indígena, Janina Karipuna, falou sobre os dados considerados preocupantes:

“As consequências da contaminação pelo mercúrio atingem a todos, não só aqueles que estão no garimpo. Todos saímos prejudicados. Por isso é importante ainda fazer novos testes e ampliar a discussão sobre isso nas nossas terras”, destacou.

Levantamento aponta níveis de contaminação por mercúrio em indígenas do Amapá.
Levantamento aponta níveis de contaminação por mercúrio em indígenas do Amapá. Foto: Divulgação/Iepé

Sobre o levantamento

O estudo reforça a necessidade urgente de políticas de saúde e fiscalização ambiental para conter os impactos da contaminação. Além dos povos indígenas, toda a população que consome peixes da bacia amazônica pode estar exposta. Ainda segundo o Iepé, levantamentos anteriores já haviam identificado mercúrio no pescado vendido em feiras e mercados da região Norte.

Por Josi Paixão, da Rede Amazônica AP