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Museu Goeldi tem a terceira maior coleção de mamíferos da América do Sul, mostra artigo

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Coleção de Mamíferos do Museu Goeldi é referência sobre espécies amazônicas e destaque internacional. Foto: Woltaire Masaki/MPEG

O Museu Paraense Emílio Goeldi tem a terceira maior coleção de mamíferos dentre os 141 acervos identificados na América do Sul. São 46.903 espécimes catalogadas de um total de 746.548 em todo o continente, ficando atrás apenas do Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com 89.726, e do Museu de História Natural da Universidade Nacional de San Marcos, no Peru, com 52.905.

A íntegra do estudo realizado por equipe internacional pode ser conferida no artigo ‘A comprehensive survey of mammal collections and genetic resources in South America: challenges and directions‘, publicado pelo Biological Journal of the Linnean Society, em setembro de 2025, tendo como autor principal Marcelo Weksler (Museu Nacional/UFRJ).

A equipe realizou a caracterização destes bancos biológicos tão essenciais em pesquisas básicas e pesquisas aplicadas e avaliou também os desafios e rumos destes recursos valiosos para diversas áreas do conhecimento.

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O artigo aponta o Brasil com o maior número de espécimes catalogadas na América do Sul, com 334.950 exemplares. Em seguida, vêm Argentina (104.801), Peru (76.185) e Colômbia (75.484). E o Museu Goeldi ganha destaque em outras duas escalas: detém a segunda maior coleção do Brasil e a quarta da América Latina.

Bióloga, pesquisadora bolsista no Museu Goeldi por meio do programa Conhecimento Brasil, do Governo Federal, e coautora do artigo, Alexandra Bezerra ressalta que um dos motivos para a posição de destaque da instituição é sua antiguidade e esforços de coleta. O Museu Nacional, por exemplo, começou a alimentar sua coleção zoológica em 1842, seguido pelo Museu Goeldi, em 1866, quando foi fundado.

Museu Goeldi tem a terceira maior coleção de mamíferos da América do Sul
Coleção de mamíferos do Museu Goeldi é a 2ª maior do Brasil, a 3ª da América do Sul e a 4ª da América Latina. Arte: Adrya Marinho/MPEG

A preciosa coleção amazônica do Museu Goeldi

O Museu Goeldi “começou a reunir, esporádica e principalmente, material do parque [Parque Zoobotânico, no bairro de São Brás, em Belém]: morria um animal, vinha para cá”, diz Alexandra, mencionando o espaço da coleção, no Campus de Pesquisa, que é também uma das bases físicas da instituição, na capital paraense, mas localizado no bairro da Terra Firme. Ela acrescenta: “Eu vi que tem muito material do século XX e da Taperinha”, fazenda localizada na cidade de Santarém, no Oeste do Pará, e região de ricas pesquisas de história natural realizadas por geólogos, zoólogos, botânicos e arqueólogos, sobretudo, nos séculos XIX e XX.

O material a que a bióloga se refere é constituído, em sua maioria, por mamíferos de médio porte, carnívoros e primatas. Os mamíferos de pequeno porte passaram a integrar a coleção um pouco depois. Geograficamente, Alexandra aponta que “a maior representatividade é a Amazônia Oriental e áreas de transição, porque tem material de Rondônia, Tocantins, Maranhão…”.

A pesquisadora complementa informações sistematizadas no artigo, destacando que as coletas, na Amazônia, não são homogêneas ao longo do tempo e se dão no transcurso de grandes rios. “Então tem muito ´buraco´ de amostragem – não só na Amazônia, mas, no Brasil todo”, argumenta. Ainda assim, uma virtude da coleção goeldiana é inegável: “É uma das maiores coleções com tipos, com cerca de 70 tipos”, reafirma Alexandra sobre os exemplares que são testemunhos de uma nova espécie, sendo um dos grandes trunfos de qualquer coleção.

Para se ter ideia, a coleção do Museu Goeldi reúne muitos espécimes antigos de espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada (Panthera onca) e o peixe-boi (Trichechus inunguis).

Leia também: Parque Zoobotânico do Museu Goeldi: conheça o primeiro parque do gênero no país

Desafios em comum e peculiaridades

O artigo descreve quatro desafios mais pungentes entre as coleções estudadas na América do Sul, sendo elas a escassez de pessoal; a falta de infraestrutura mínima de manutenção a baixas temperaturas; a digitalização incompleta; e as questões garantidoras de sustentabilidade.

A coleção de mamíferos do Museu Goeldi, por exemplo, está sem curador desde 2025, com a aposentadoria de José de Sousa e Silva Jr., mas, por outro lado, “é a única coleção, dentre as maiores, que tem todos os dados digitalizados e, em sua maior parte, disponível no SiBBr”, compara Alexandra.

O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) é uma plataforma nacional de dados e informações em biodiversidade, responsável pela organização, indexação, armazenamento e disponibilização de dados e informações sobre a biodiversidade e os ecossistemas brasileiros, fornecendo subsídios para a gestão governamental relacionada à conservação e ao uso sustentável.

A pesquisadora comenta ainda sobre o esforço curatorial para que o acervo de mamíferos da instituição se mantenha aberto à consulta de pesquisadores do Brasil e do exterior que estejam em dia com a coleção. Alexandra Bezerra ressalta, no entanto, que, diferente das coleções didáticas, a coleção científica é composta por elementos raros e delicados e, por isso, “têm de ser manipulados o mínimo possível e, quando manipulados, manipulados por quem sabe manipular e com objetivos claros”.

Educação que valoriza

Os autores do artigo enfatizam que “a iniciativa [da pesquisa] visa aumentar a conscientização sobre as coleções na América do Sul, planejar o crescimento estratégico e fortalecer a capacidade de pesquisa para abordar questões globais urgentes, como mudanças climáticas, transmissão de doenças zoonóticas e estratégias de conservação a longo prazo”.

Museu Goeldi tem a terceira maior coleção de mamíferos da América do Sul
Bióloga e pesquisadora bolsista do Museu Goeldi, Alexandra Bezerra é uma das autoras do artigo. Foto: Woltaire Masaki/MPEG

Sensibilizar diferentes grupos sociais é uma tarefa crucial, defende Alexandra. “Por isso é importante o ‘Museu de Portas Abertas‘, porque você ensina o valor de se preservar e conhecer a biodiversidade, mostrar os exemplos, para que serve”, ilustra a pesquisadora, citando a iniciativa anual de educação do Museu Goeldi, que oferece ao público oportunidades de explorar espaços científicos de forma interativa, acessível e gratuita nas suas duas bases físicas da capital paraense – o Parque Zoobotânico e o Campus de Pesquisa.

Estimular os próprios especialistas de distintas áreas a preservar o espécime-testemunho é outro viés que merece atenção. Alexandra Bezerra faz referência às zoonoses: “o colega Marcelo Weksler faz parte de um grupo montado justamente para discutir a importância das coleções científicas, os espécimes-testemunho, em todos os estudos de patógenos [organismos capazes de provocar doenças] já realizados. No primeiro trabalho, eles viram que vários estudos de patógenos de origem zoonótica – ou seja, que ocorre entre os animais e podem se voltar para o homem – não preservam o ‘voucher’ [espécime-testemunho] do qual fora registrado o patógeno. Então a gente não sabe qual a espécie”.

Outra iniciativa recente do Museu Goeldi segue nesta direção, publicando uma série de cartilhas sobre esses bancos biológicos da instituição. O número sobre a coleção mastozoológica é assinada por Antônio Elielson Sousa da Rocha e Alexandra Bezerra, podendo ser acessada livremente.

*Com informações do Museu Goeldi

Análise revela extensão do desmatamento não autorizado no Brasil

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Foto: Victor Moriyama/Rainforest Foundation

As regras do mercado global estão intensificando o foco em cadeias de suprimentos livres de desmatamento e com conformidade legal. Apesar dos atrasos na sua implementação, a EUDR (regulação da União Europeia para produtos livres de desmatamento) levou muitas empresas a investirem em sistemas de devida diligência para cumprir com a proibição de comercializar no mercado europeu commodities cultivadas em terras desmatadas ou produzidas em desacordo com a legislação vigente no país de origem.

Enquanto isso, a China, a maior compradora de soja e carne bovina brasileira, começou a realizar pilotos de importação de cargas livres de desmatamento e conversão de vegetação nativa, o que aponta para uma procura crescente por cadeias de abastecimento com garantia de legalidade.

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No Brasil, os biomas Amazônia e Cerrado são os mais ameaçados pela expansão agropecuária. Embora o Código Florestal brasileiro forneça o quadro legal para o uso da terra, verificar a conformidade em escala continua a ser um desafio. Uma das principais informações necessárias para verificar a conformidade legal é a Autorização de Supressão de Vegetação (ASV), emitida por órgãos ambientais para permitir a conversão de vegetação nativa dentro dos limites permitidos.

No entanto, apesar dos esforços recentes visando aumentar a transparência e integração de dados, as informações destas autorizações são frequentemente descentralizadas e de difícil acesso, criando uma lacuna de dados significativa. Sem dados transparentes e consolidados sobre ASVs, é difícil para atores da cadeia e reguladores saberem se uma área específica de desmatamento foi autorizada ou não.

Para abordar esta lacuna de dados, o Instituto Centro de Vida (ICV) sistematizou e publicou uma base de dados de autorizações para supressão de vegetação nativa para todo Brasil. Esta iniciativa consolida dados de ASVs publicamente disponíveis, tornando a informação mais acessível para avaliar a conformidade legal em regiões impactadas pelo desmatamento no país.

Nova análise mostra evidências de não conformidade

A Trase está desenvolvendo um novo projeto em parceria com o ICV e o Centro de Inteligência Territorial da Universidade Federal de Minas Gerais (CIT-UFMG) usando esta nova base de dados para trazer maior clareza sobre como os mercados consumidores internacionais estão expostos ao desmatamento não autorizado por meio das importações de carne bovina e de soja do Brasil.

Na primeira fase deste projeto, comparamos dados oficiais de desmatamento do PRODES para o período 2009–2024 com ASVs válidas, a fim de estimar quanto desmatamento e conversão de vegetação natural recentes ocorreram com e sem autorização na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.

Os resultados mostram uma falta significativa de autorizações, tanto na Amazônia quanto no Cerrado. O desmatamento totalizou 26,4 milhões de hectares (Mha) entre agosto de 2008 e julho de 2024 e, deste total, 22,8 Mha (86%) não possuíam autorização para a supressão da vegetação nativa, enquanto apenas 3,6 Mha (14%) se sobrepunham a áreas com ASV. Isto sugere que a maior parte do desmatamento nesses biomas ocorreu sem autorização registrada e divulgada publicamente.

O desmatamento foi calculado com base em dados oficiais do PRODES. Foto: ICV, Trase
O impacto foi calculado com base em dados oficiais do PRODES. Foto: ICV, Trase

Leia também: Sistemas atmosféricos controlam chuvas e transporte de nutrientes da África até a Amazônia

Na Amazônia, a evidência de desmatamento não autorizado é significativa. O desmatamento totalizou 11,7 Mha entre 2009 e 2024, dos quais 11,2 Mha (96%) sem ASV sobrepostas. Além disso, o desmatamento não autorizado é altamente concentrado geograficamente. Apenas cinco municípios foram responsáveis por 20% de todo o desmatamento sem ASV. Três municípios — Altamira, São Félix do Xingu e Porto Velho — foram responsáveis por 13% do total de desmatamento não autorizado.

No Cerrado, o desmatamento total atingiu 14,7 Mha no período analisado. Embora a proporção seja menor do que na Amazônia, a área absoluta é elevada. Foram detectados 11,7 Mha (78%) de desmatamento sem ASV, enquanto apenas 3,2 Mha (22%) de áreas desmatadas estavam sobrepostas a uma autorização. A nossa análise mostra que 29 municípios foram responsáveis por 20% da área total desmatada sem ASV.

Fiscalização menos extensiva no Cerrado

A base de dados do ICV também sistematizou informações sobre áreas embargadas, que são sanções emitidas por agências ambientais federais e estaduais que servem como um indicador adicional de infrações ambientais. Para oferecer uma camada adicional de evidência de não conformidade, comparamos os dados oficiais de desmatamento do PRODES do mesmo período com os embargos ambientais.

O desmatamento foi calculado com base em dados oficiais do PRODES. Foto: ICV, Trase

Leia também: Mais de 90% do desmatamento da Amazônia é para abertura de pastagem, informa MapBiomas

A análise mostra que 46% de todo o desmatamento na Amazônia ocorreu em áreas sob embargos, o que significa que quase metade do desmatamento não autorizado foi fiscalizado.

Em contraste, apenas 8% do impacto no Cerrado se sobrepõe a embargos. Esta discrepância sugere que, embora a não conformidade seja generalizada em ambos os biomas, a fiscalização é mais ativa na Amazônia do que no Cerrado.

O desmatamento foi calculado com base em dados oficiais do PRODES. Foto: ICV, Trase

Gestão do risco nas cadeias de soja e carne bovina

Na próxima fase deste projeto, liderada pelo CIT-UFMG, adicionaremos à análise dados de produção de soja e de carne bovina nos biomas Cerrado, Amazônia e Pantanal, avaliando a conformidade com o Código Florestal e identificando a extensão do desmatamento não autorizado e de autuações, usando dados sobre ASVs e áreas embargadas.

Estes dados permitirão às empresas ao longo da cadeia de fornecimento que utilizam soja e carne bovina nos seus produtos priorizarem a devida diligência e a gestão de risco, identificando regiões com taxas mais elevadas de desmatamento não autorizado. Para governos, produtores e consumidores, esses dados permitirão orientar o direcionamento de recursos de fiscalização e monitoramento onde são mais necessários. Dados transparentes sobre legalidade são essenciais para fortalecer a responsabilização e apoiar a transição para cadeias de suprimentos legais e livres.

Apesar do robusto quadro legal brasileiro que rege a transparência das informações, existem limitações quanto à integridade, ao formato e à acessibilidade dos dados sobre ASVs e áreas embargadas. Consequentemente, deve-se ter cautela no uso e na interpretação dos resultados desta análise. Informações detalhadas sobre a metodologia desta análise podem ser encontradas aqui.

*Com informações do Instituto Centro de Vida (ICV)

Conferência sobre combustíveis fósseis em Santa Marta pode marcar um ponto de virada na agenda climática

Foto: Reprodução

“Vocês são a luz em um túnel de escuridão”, afirmou o cientista climático Johan Rockström aos delegados da 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, realizada esta semana em Santa Marta, na Colômbia. Após anos de cúpulas climáticas das Organizações das Nações Unidas (ONU) que raramente sequer mencionavam “combustíveis fósseis”, 57 países — responsáveis por um terço da economia mundial — se reuniram na cidade para discutir não mais se, mas como abandonar o principal motor das mudanças climáticas.

Esse desenvolvimento potencialmente histórico despertou forte interesse da mídia: 146 jornalistas, de 61 veículos e 28 países, participaram presencialmente, enquanto muitos outros acompanharam a transmissão ao vivo. A conferência também gerou ampla cobertura ao redor do mundo, segundo os governos da Colômbia e dos Países Baixos, coorganizadores do evento.

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O encontro ganhou impulso inesperado quando o diretor da Agência Internacional de Energia afirmou, em entrevista ao The Guardian, que a guerra no Irã rompeu de forma irreparável os mercados de combustíveis fósseis. As interrupções no fornecimento de petróleo e gás, somadas aos picos de preços, devem levar os países a se afastarem definitivamente dessas fontes e a migrar para energias renováveis mais seguras, disse Fatih Birol. “O dano está feito”, acrescentou o diretor, cuja agência foi descrita pelo The New York Times como “enormemente influente” nos planos de longo prazo de empresas de energia e investidores ao redor do mundo.

Irene Vélez Torres, ministra do Meio Ambiente da Colômbia, elogiou os comentários de Birol. “Parece que muitos de nós estamos percebendo, ao mesmo tempo, que os combustíveis fósseis não podem garantir segurança energética, porque estão sujeitos à escassez — e a escassez pode ser manipulada”, afirmou, em entrevista ao Covering Climate Now.

Plataforma de petróleo
Plataforma de petróleo. Foto: Petrobras

Leia também: MMA e Anater estruturam projeto para recuperar áreas degradadas na Amazônia

Combustíveis fósseis

A conferência ocorreu à margem do processo da ONU e, por isso, não teve como objetivo negociar um acordo legal, mas sim aprender com diferentes atores — incluindo empresas, povos indígenas e outros setores da sociedade civil — sobre as melhores formas de desvincular economias e sociedades dos combustíveis fósseis. Os roteiros de cada país serão voluntários e adaptados às suas circunstâncias.

“Esta conferência não é sobre documentos”, disse Rachel Kyte, representante especial do Reino Unido para o clima. “Trata-se de encontrar parceiros e aprender com eles — o que está funcionando e o que não está”.

Por exemplo, a França apresentou o que chamou de primeiro roteiro nacional de um país desenvolvido para eliminar os combustíveis fósseis. O plano prevê retirar o carvão da matriz elétrica até 2027, encerrar o consumo de petróleo até 2045 e o de gás até 2050. A gigante chinesa de veículos elétricos BYD e a mineradora australiana Fortescue organizaram uma mesa-redonda do setor privado a bordo do que a empresa descreveu como o primeiro navio de carga do mundo movido integralmente sem combustíveis fósseis. A Fortescue instou empresas e governos a perseguirem emissões de “zero real”, em vez da meta de “zero líquido”, que recorre a compensações de carbono e permite a continuidade das emissões.

Questionada sobre os 80% a 89% das pessoas no mundo que desejam ações climáticas mais ambiciosas, Ana Toni, diplomata brasileira que atuou como diretora executiva da COP30, incentivou os cidadãos a agir “em nível nacional” e lembrou que “há eleições chegando, e as escolhas de consumo das pessoas também importam”.

As conclusões da conferência de Santa Marta têm como objetivo acelerar o progresso rumo à COP31, que ocorre em novembro. O impacto mais amplo, porém, pode vir do peso econômico da chamada “coalizão dos dispostos”. Reforçada pela adesão da Califórnia — estado americano que, sozinho, está entre as dez maiores economias do mundo —, essa coalizão passa a responder por cerca de 30% do consumo global de combustíveis fósseis. A retirada desse poder de compra de petróleo, gás e carvão nos próximos anos pode acelerar o abandono dessas fontes, como prevê Birol.

Santa Marta pode marcar um ponto de inflexão na agenda climática — e não faltam pautas para os jornalistas explorarem nos próximos meses. A retórica contundente adotada pelos governos no encontro será acompanhada por políticas concretas em seus países? Outros países e governos subnacionais se somarão a esse movimento? E como reagirão os grandes emissores que ficaram de fora — como Estados Unidos, China e outros países e empresas produtoras de combustíveis fósseis?

Uma conferência de acompanhamento está prevista para fevereiro de 2027, sob a liderança da nação insular de Tuvalu, no Pacífico, com copatrocínio da Irlanda. “Este não é o fim”, afirmou Vélez nos momentos finais do encontro. “É o começo de uma nova democracia climática global.”

*O conteúdo foi originalmente publicado pela InfoAmazonia, em artigo de opinião escrito por Mark Hertsgaard

Caça de paca na Amazônia ameaça saúde de comunidades tradicionais

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De quase 80 famílias acrianas entrevistadas, a maioria leva cães para caça e alimenta animais com carne crua das presas. Foto: Reprodução/Agência de Notícias do Acre

A saúde de moradores de comunidades tradicionais da Amazônia está ameaçada pela contaminação decorrente do consumo da carne da paca, animal comumente caçado na região do Acre e Pará. Segundo estudo da Universidade Federal do Acre, e publicado nesta sexta (8), na revista científica Acta Amazônica, hábitos de moradores locais, como oferecer vísceras cruas do animal aos cães de caça, têm potencializado um ciclo de transmissão doméstico de doença zoonótica causada pela equinococose policística ou hidatidose.

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Esta infecção causada pela tênia de Echinococcus vogeli pode afetar os cães que comem o fígado contaminado da paca abatida, e passam, então, a eliminar os ovos do parasita no local. Com água e alimentos expostos ao ambiente, aumentam as chances de contaminação humana e da evolução para doença grave, com sintomas que vão de dores abdominais ao aumento do fígado.

A equipe que realizou o estudo já atua na região há 10 anos, mas analisou as amostras biológicas coletadas nos municípios acrianos de Sena Madureira e Rio Branco nos anos de 2022 e 2023, além da aplicação de questionários sobre as práticas de caça a 78 famílias de ribeirinhos, indígenas e coletores de borracha.

Leia também: Cutia, capivara e paca: saiba a diferença entre os roedores da Amazônia

Caça de paca na Amazônia ameaça saúde de comunidades tradicionais
Foto: Reprodução/Grupo Agroflorestal da Fundação Universidade Federal de Sergipe

Cães usados na caça são afetados

Os resultados mostram que todos os núcleos familiares possuíam cães utilizados na caça, pesca e atividades extrativistas. Do total de 194 cães registrados, a maioria dos animais (161) acompanhava os donos em caças e 80% destes (155), comiam carne crua de animais caçados, especialmente a paca. Já em relação às análises biológicas, das 30 amostras coletadas, 37% tinham cistos e em todas elas ficou confirmada a contaminação pelo parasita E.vogelli.

Para o autor do artigo, Leandro de Souza, este levantamento reforça a evidência de circulação ativa do parasita na Amazônia Ocidental, especialmente na cidade de Sena Madureira e serve de alerta para a saúde pública e veterinária em relação à hidatidose.

Souza alerta ainda para a urgência de atividades educativas junto à comunidade e de políticas públicas em saúde. “Os dados indicam que esse risco é ampliado principalmente pela falta de conhecimento da população, já que muitos moradores alimentam seus cães com vísceras contaminadas de paca, permitindo que o parasito circule no ambiente doméstico e aumente a exposição das famílias”, diz Souza.

Perguntado sobre protocolos em saúde para as famílias contaminadas, o autor explicou que até o momento ainda não existem protocolos para diagnóstico da infecção.

“Na Região Norte, até o momento, ainda não existem protocolos implantados para diagnóstico, o que é preocupante por se tratar de uma área endêmica. No entanto, os protocolos utilizados em nosso estudo — incluindo métodos parasitológicos e moleculares para detecção do parasito a partir de cistos hidáticos — podem ser aplicados em amostras humanas por instituições como LACENs, universidades e centros de pesquisa”, diz.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Sistemas atmosféricos controlam chuvas e transporte de nutrientes da África até a Amazônia

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Sistemas atmosféricos controlam chuvas e transporte de nutrientes. Foto: NASA

O que o avanço de massas de ar frio nos Estados Unidos tem a ver com adubos que seguem nos “rios voadores” vindos da África e ajudam a nutrir os solos da Amazônia brasileira? Artigo publicado na Geophysical Research Letters revela uma interconexão atmosférica entre essas regiões distantes.

Os cientistas descobriram que sistemas sinóticos – fenômenos meteorológicos de grande escala abrangendo áreas de milhares de quilômetros –, como ondas de frio nos EUA e anomalias de alta pressão no Atlântico Sul, modificam as chuvas intensas ao longo da faixa tropical do oceano Atlântico.

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Sistemas atmosféricos controlam chuvas e transporte de nutrientes da África até a Amazônia
Sistemas atmosféricos controlam chuvas e transporte de nutrientes da África até a Amazônia. Foto: Paulo Brando

Essas alterações regulam, durante as estações úmidas, se a Amazônia receberá ar carregado de partículas vindas da África ou sem esses aerossóis. Os dias “limpos” (com menos partículas) foram precedidos de máximas de precipitação no oceano. Até então, não havia um claro entendimento da razão das flutuações e supunha-se que a influência vinha da mudança da direção dos ventos.

O “transporte” de poeira e aerossóis de fumaça com minerais entre a África e a América do Sul é um processo contínuo que afeta a atmosfera e os ciclos de nutrientes na Amazônia. Apesar da vegetação densa e da biodiversidade da floresta, com grande quantidade de matéria orgânica, a maior parte do solo da região é pobre em nutrientes por causa, principalmente, da intensa lixiviação – processo de “lavagem” e remoção desses elementos das camadas superficiais pela ação da água da chuva ou irrigação.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: O que são os rios voadores?

Fósforo é o elemento mais limitado, seguido por cálcio, potássio e magnésio. No entanto, a escassez desses minerais é, em parte, compensada pelo transporte transatlântico de aerossóis vindos da queima de biomassa no continente africano e até mesmo de poeira mineral do deserto do Saara.

“O resultado demonstra que temos uma interconexão, uma simbiose da vida no planeta. Alterações climáticas afetam esse padrão e causam uma ruptura que ainda não sabemos aonde vai dar nem as consequências para os ecossistemas no futuro”, explica o professor Luiz Augusto Toledo Machado, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e colaborador do Departamento de Química do Instituto Max Planck (Alemanha).

Autor correspondente da research letter (um formato de artigo científico mais conciso, focado e revisado por pares, destinado a comunicar descobertas originais de forma mais rápida), Machado destaca a relevância dessa “troca” de nutrientes, especialmente vindos do deserto do Saara.

Sistemas atmosféricos controlam chuvas e transporte de nutrientes da África até a Amazônia. Foto: NASA

“Ao contrário do que se possa imaginar, essa região é muito importante para a saúde do planeta. Sua poeira contém minerais cruciais não só para a fertilização da Amazônia como para a manutenção da vida aquática. Entre eles estão o ferro e o fósforo, fundamentais para a produtividade da floresta e para a vida nos oceanos”, explicou à Agência FAPESP.

Machado lembra uma pesquisa, publicada em 2022 na revista Nature e liderada por brasileiros, demonstrando que o crescimento da floresta amazônica pode ser limitado por baixos níveis de fósforo nos solos mesmo que a atmosfera seja rica em gás carbônico. Concentrações mais elevadas de CO2 fazem com que as plantas acelerem seu crescimento, sequestrando o carbono e mitigando impactos das mudanças climáticas.

Dois anos depois, mapas desenvolvidos com a ajuda de inteligência artificial confirmaram os baixos níveis de fósforo na região

Medições diárias dos sistemas

Para investigar os fatores que influenciam a variabilidade da “limpeza” atmosférica na Amazônia, os pesquisadores usaram medições diárias de carbono negro registradas pelo Observatório de Torre Alta da Amazônia (Atto, na sigla em inglês) combinadas com dados meteorológicos globais.

O Atto está instalado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã (AM) e sua torre tem 325 metros. Gerido em conjunto por cientistas do Brasil e da Alemanha, tem o objetivo de registrar continuamente dados meteorológicos, químicos e biológicos, como a concentração de gases de efeito estufa.

Saiba mais: Rios voadores, o fenômeno que fornece chuva para o Brasil e regula o clima do mundo

O carbono negro, usado como indicador do transporte de partículas a longa distância na estação chuvosa, é a fuligem formada na queima de combustíveis e de biomassa. São partículas microscópicas que absorvem luz solar, aquecem a atmosfera e podem ser transportadas por longas distâncias. Segundo Machado, cerca de 60% do carbono negro que chega à Amazônia na estação chuvosa é de origem africana.

Sistemas atmosféricos controlam chuvas e transporte de nutrientes da África até a Amazônia. Foto: Jeferson Vilhena

No estudo, os pesquisadores avaliaram concentrações médias diárias de carbono negro nos meses de janeiro e fevereiro – que correspondem ao início da estação chuvosa na região – entre 2015 e 2022. Detectaram que as concentrações apresentaram variação significativa, tendo alguns dias com níveis elevados por causa da influência africana e outros com condições excepcionalmente limpas.

Para caracterizar a variabilidade das chuvas, o grupo identificou os dias correspondentes às máximas e mínimas da precipitação média diária, classificados como “picos” e “vales”, respectivamente. Foram, então, gerados mapas correspondentes a condições úmidas (“limpas”) e secas (“poluídas”).

Os resultados revelaram que dias chuvosos na região tropical, que geralmente coincidem com condições de ar limpo sobre a Amazônia, estão associados a incursões de ar frio nos Estados Unidos. Esses eventos são caracterizados por sistemas de alta pressão que dominam o leste americano, enquanto no hemisfério Sul observou-se um aumento da pressão atmosférica sobre o Atlântico Centro-Sul.

Essa configuração sinótica promove uma convergência de ventos em baixos níveis mais forte sobre o Atlântico equatorial, o que intensifica o transporte de umidade para a Amazônia, levando a um aumento da precipitação e a uma limpeza atmosférica.

Já as partículas e os gases são transportados da África para a América do Sul principalmente acima da camada limite marinha (parte inferior da atmosfera em contato direto com o oceano) e, posteriormente, para a bacia Amazônica, auxiliados pela corrente de jato de baixos níveis da Amazônia.

Machado explica que mudanças nos jatos de baixo nível do Atlântico e da Amazônia podem alterar o transporte de partículas com impacto na resiliência do ecossistema. Por isso, uma nova fase do estudo envolve agora analisar esses jatos e compreender como eles podem se comportar nas próximas décadas.

O trabalho tem o apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático vinculado ao Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.

O artigo Hemispheric synoptic patterns control rainfall and long-range aerosol transport in the Amazon pode ser lido AQUI.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por Luciana Constantino

Amazônia Innovation Summit integra inovação, indústria e sustentabilidade

O Amazônia Innovation Summit foi concebido para reunir os principais atores do ecossistema de inovação da Amazônia. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a Fundação Desembargador Paulo Feitoza (FPFtech), o Programa Prioritário de Formação de Recursos Humanos (PPFRH), a ExpoAmazônia Bio & TIC, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) lançaram nesta sexta-feira (8) o Amazônia Innovation Summit.

O programa nasce com o propósito de integrar iniciativas estratégicas de inovação na região, conectando indústria, tecnologia, educação, bioeconomia e desenvolvimento sustentável. O lançamento ocorreu na sede da Suframa, em Manaus (AM).

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De acordo com o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, o evento representa um passo estratégico na consolidação da região como um polo de inovação comprometido com a sustentabilidade.

“Ao integrar indústria, tecnologia e conhecimento, criamos as bases para atrair investimentos, fortalecer o ecossistema regional e posicionar a Amazônia como protagonista global em soluções inovadoras. A participação da Suframa reafirma o compromisso da Autarquia em promover essa integração, articulando diferentes atores e iniciativas para impulsionar o desenvolvimento tecnológico e econômico da região, com geração de oportunidades e ampliação de investimentos”, destaca Montenegro.

Inovação na Amazônia

O Summit foi concebido para reunir os principais atores do ecossistema de inovação da região. A proposta é ampliar a visibilidade da região e criar um ambiente qualificado para troca de conhecimento, conexões estratégicas e desenvolvimento de soluções com impacto local e alcance global.

“Existe uma certa fragmentação e muitos eventos acabam sendo parecidos entre si. A ideia do Amazônia Innovation Summit é reunir, no mesmo período, vários eventos de inovação, inclusive no mesmo local, para ganhar atratividade nacional e internacional”, afirma Alexandre Amorim, Head de Inovação da FPFtech.

“A longo prazo, queremos consolidar essa marca como um guarda-chuva que agrega diferentes iniciativas e atrai visitantes de todo o país e também do exterior para conhecer as tecnologias desenvolvidas na Amazônia”, acrescenta.

Amazônia Innovation Summit integra inovação, indústria e sustentabilidade
Foto: Divulgação

Leia também: Bioeconomy Amazon Summit debate inovação e bioeconomia em Belém

Como iniciativa contínua, o evento deverá incorporar, ao longo dos anos, eventos e agendas temáticas alinhadas à inovação, à indústria sustentável, à formação de talentos e à bioeconomia. Em 2026, o programa integrará dois eventos de grande relevância: a ExpoAmazônia Bio & TIC e a Conferência Anprotec, fortalecendo a conexão entre tecnologia, negócios, pesquisa, empreendedorismo e sustentabilidade.

“A ExpoAmazônia Bio & TIC que nasceu com o propósito de fomentar os vetores econômicos da Bioeconomia e Tecnologia da informação e Comunicação, resolveu se juntar ao summit com o objetivo de colaborar com a integração dos ecossistemas, acreditando que a força do conjunto é sempre maior e melhor”, diz Vania Thaumaturgo, coordenadora da ExpoAmazônia Bio & TIC que possui como realizadores SEDECTI, SEMTEPI, IDESAM e FRAM além do Polo Digital de Manaus.

Para o diretor-executivo do PPFRH, Samy Assi, a integração entre instituições, empresas, startups, governo e academia é essencial para acelerar respostas aos desafios regionais e ampliar a capacidade da região de gerar inovação relevante para o mundo.

“O Amazônia Innovation Summit visa criar um ambiente onde empresas, governos, startups e instituições de ensino possam colaborar para o desenvolvimento de soluções que atendam aos desafios regionais, ao mesmo tempo em que contribuam para inovações tecnológicas de alcance global”, afirma Samy Assi, diretor-executivo do PPFRH.

Com essa articulação, o evento se apresenta como um encontro do ecossistema que irá transformar conhecimento em oportunidades, fortalecer o ecossistema regional e projetar a Amazônia como território de inovação, sustentabilidade e futuro.

*Com informações da Suframa

Amazônia se recupera de queimadas, mas estudo aponta que efeitos perduram

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Foto: Nathielly Martins

O ano de 2024 entrou para a história como um dos mais devastadores para a Amazônia em períodos recentes. Dados do Observatório Regional Amazônico (ORA), da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), mostram que cerca de 15,5 milhões de hectares de floresta foram atingidos por queimadas — área superior à dos estados do Amapá ou do Ceará.

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Por trás dos números, uma combinação de fatores explica a dimensão do impacto. O fenômeno El Niño intensificou os períodos de estiagem no Norte do país, deixando a vegetação ressecada e altamente suscetível ao fogo. Ao mesmo tempo, o desmatamento acumulado por vários anos fragmentou a cobertura florestal, criando bordas expostas que amplificaram a propagação das chamas.

Com a normalização do regime de chuvas na região, o número caiu de forma expressiva em 2025, quando a área afetada por queimadas foi de pouco mais de 3 milhões de hectares. No entanto, as projeções meteorológicas apontam para um retorno do fenômeno em 2026, tornando a floresta novamente vulnerável a longos períodos de seca, o que favorece os incêndios florestais.

Um estudo inovador desenvolvido ao longo de 20 anos por pesquisadores do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, em parceria com a Universidade Yale, nos Estados Unidos, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e outras instituições do Brasil e do exterior, lançou mão de um procedimento pouco usual para analisar os efeitos das queimadas e de outras intempéries, como secas intensas e tempestades de ventos, sobre a floresta amazônica.

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De forma experimental e cumprindo todas as exigências ambientais dos bombeiros e da Defesa Civil, porções de floresta localizadas no leste de Mato Grosso foram submetidas a sucessivas queimadas controladas, com o objetivo de verificar quais seriam os impactos e como se daria a recuperação florestal.

A principal hipótese, bastante conhecida mesmo fora do universo científico, era a de que as mudanças climáticas e os efeitos do fogo sobre a Amazônia fariam com que a floresta se tornasse, progressivamente, uma savana, com características mais próximas de biomas como o Cerrado. Porém, estudos recentes têm encontrado indícios de que a ideia não se sustenta.

Após um ciclo de seis anos de queimadas experimentais e outros 14 anos de observações sobre como as áreas se regeneram, os biólogos chegaram a conclusões que corroboram o que já era observado: o processo de regeneração leva o bioma a apresentar características ainda de floresta tropical, bem diferentes de uma savana, embora com aspectos distintos dos encontrados nas espécies amazônicas.

Na sequência de imagens: 1) registro fotográfico feito em 2004 de uma das áreas da Amazônia onde o experimento seria realizado; 2) imagem da mesma área capturada no ano de 2010, quando o ciclo de fogo foi encerrado; e 3) fotografia de 2026 mostra o mesmo local ao final do período de recuperação observado.
Na sequência de imagens: 1) registro fotográfico feito em 2004 de uma das áreas da Amazônia onde o experimento seria realizado; 2) imagem da mesma área capturada no ano de 2010, quando o ciclo de fogo foi encerrado; e 3) fotografia de 2026 mostra o mesmo local ao final do período de recuperação observado. Foto: Divulgação

Apesar de se recuperarem, as áreas passaram a ficar mais vulneráveis a novos episódios de queimadas e outras situações de estresse biológico, principalmente nas bordas florestais, onde há maior contato com o entorno desmatado. Isso é uma evidência dos riscos de fragmentação das áreas de cobertura florestal, fenômeno que decorre do avanço das fronteiras agrícolas, principalmente nas porções sul e sudeste da Amazônia.

Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), dos Estados Unidos. O Jornal da Unicamp conversou com dois dos autores do trabalho, o pesquisador da Universidade Yale Leandro Maracahipes, que desenvolveu a pesquisa durante seu pós-doutorado na Unicamp, e o professor do IB Rafael Oliveira.

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Fogo contra fogo

Queimadas Amazônia
Acima, registro de queimada controlada feita pelos pesquisadores em área da Amazônia. Foto: Divulgação

O estudo foi conduzido em três áreas de 50 hectares cada uma, localizadas na Estação de Pesquisa Tanguro, no município de Querência (MT), cerca de 700 km a nordeste de Cuiabá, em uma zona de transição entre a Amazônia e o Cerrado. Uma das áreas sofreu queimadas anuais entre 2004 e 2010, exceto no ano de 2008. Na segunda área, o fogo foi trienal, com queimadas em 2004, 2007 e 2010. Já a terceira área, de controle, não foi submetida a queimadas.

“O planejamento começava com mais de seis meses de antecedência. Como o fogo tinha que ser colocado no auge do período seco, no meio do ano, todo o processo era iniciado em janeiro”, lembra Maracahipes.

Os levantamentos prévios incluíram um inventário florestal das áreas, com a identificação das espécies encontradas e o registro da altura, diâmetro e posição das árvores — se mais próximas das bordas ou do interior — e se eram espécies pioneiras, que apresentavam reprodução e crescimento mais rápido, mas uma vida mais curta, ou tardias, de crescimento mais lento e vida mais longa.

Depois dos episódios de queimadas, os estudos focaram em avaliar a capacidade de resistência das espécies contra o fogo — e também diante dos períodos de seca e tempestades de vento ocasionais —, bem como sua resiliência para recuperação.

Os biólogos verificaram a composição de espécies e sua distribuição entre bordas e interior, seus atributos funcionais, como a densidade da madeira, espessura da casca e altura, e características hidráulicas, para analisar sua vulnerabilidade a períodos de seca. Também repetiram as mesmas análises de inventário feitas antes do fogo.

Segundo os pesquisadores, o trabalho com um grande número de espécies foi um diferencial da pesquisa, que possibilitou estabelecer generalizações de forma mais precisa.

“Geralmente, as pessoas trabalham com poucas espécies, até dez. Nossa amostragem chegou a 53 espécies nas medidas hidráulicas e entre 80 e 90 nas características gerais”, comenta Maracahipes.

Ao final dos períodos de fogo, a equipe fez registros das espécies encontradas, comparando a situação entre 2011 e 2024. De uma forma geral, no interior das áreas, a riqueza de espécies permaneceu constante.

Já na região das bordas, embora a vegetação tenha se recuperado em 2024, a riqueza de espécies ainda permanecia 31,3% menor onde ocorreram queimadas anuais, e 50,8% menor onde foram realizadas queimadas trienais, quando comparada com o período antes do fogo.

“As queimadas com maior intervalo tiveram um impacto muito maior, porque houve tempo de a biomassa dos espécimes que morreram se acumular no local. Em um segundo evento de fogo, há mais biomassa acumulada para ser queimada”, explica o biólogo.

O projeto foi conduzido por Rafael Oliveira (à esq.), professor do IB, o pesquisador Leandro Maracahipes (ao centro), e Paulo Brando (à dir.), professor da universidade norte-americana de Yale. Foto: Divulgação

No que diz respeito à composição das áreas, no espaço de queimadas anuais, a proporção de espécies pioneiras em relação às tardias aumentou de 17,1% para 59%; na área de queimadas trienais, de 21,6% para 72,6%. Nas regiões de bordas, a proporção de espécies pioneiras é bem maior, chegando a 80,3% nas áreas de queimada anual e 93,3% nas de fogo trienal.

Isso se explica pelo contexto de recuperação das duas áreas, mas tem como consequência uma capacidade menor de estoque de carbono, por conta das próprias características dessas novas espécies, identificadas após o período de recuperação: árvores mais baixas, com madeira de menor densidade, folhas mais estreitas e casca mais fina.

Outro aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores foi uma redução de espécies chamadas especialistas, com características próprias do ambiente da floresta tropical, e um aumento de espécies generalistas, aspecto também associado à proximidade da zona de transição com o Cerrado.

“A floresta conseguiu se recuperar, mas em uma nova configuração. Devemos ter essa visão de que a Amazônia é formada por muitas florestas, cada uma com seu conjunto de características de estrutura, funcionamento e composição”, avalia Maracahipes.

A presença de gramíneas nas áreas também foi avaliada. Nos primeiros períodos de recuperação, quando as espécies ainda estavam crescendo, houve domínio de gramíneas, principalmente a Aristida longifolia, nativa do Cerrado, e depois a Andropogon gayanus, utilizada em pastagens. Conforme as árvores foram se recuperando e suas copas se recompuseram, a cobertura de gramíneas diminuiu, o que é positivo.

Segundo os biólogos, uma maior cobertura de gramíneas representa mais vulnerabilidade a novos episódios de queimadas. Ainda assim, a média dessa cobertura nas duas áreas foi calculada em 12% ao final do período, enquanto na área de controle, que não sofreu com as queimadas, permaneceu abaixo de 1%.

Contrariando hipóteses

Os pesquisadores contam que a hipótese inicial do projeto era de que, com os episódios de fogo, a recuperação das áreas se converteria em um processo de savanização, inclusive pela proximidade com o Cerrado. Porém, os resultados indicaram um terceiro caminho, apontando para uma nova configuração florestal, diferente do Cerrado, mas também distinta do que se conhece da Amazônia.

“A floresta mudou ao longo desse tempo e agora ela tem uma nova cara. Nesse estudo, analisamos suas características funcionais, que não são facilmente reveladas por análises convencionais”, pontua Oliveira.

O docente afirma que a hipótese de savanização ganhou força devido ao predomínio de estudos sobre a Amazônia baseados em modelos conduzidos por climatologistas. “Esses modelos partem do princípio de que o clima é o fator dominante e assumem que existem limiares a partir dos quais a floresta colapsa. Só que a biologia não funciona de forma tão simples”, afirma o pesquisador. Segundo ele, o bioma é mais resiliente do que esses cenários sugerem.

“A dinâmica ecológica envolve uma rede complexa de interações, que os modelos não conseguem capturar plenamente. Quando testamos isso experimentalmente, vemos que a realidade pode ser diferente.” Ainda assim, ele alerta que isso não diminui a gravidade da degradação. “Os impactos são profundos, e o fato de haver alguma capacidade de recuperação não significa que podemos continuar degradando a floresta.”

Maracahipes alerta que é necessário prestar atenção às condições das bordas das áreas submetidas ao estudo, pois os efeitos negativos foram muito mais intensos nelas em comparação com seu interior, o que dificulta sua recomposição.

De acordo com o biólogo, fenômenos como a fragmentação da cobertura florestal por conta de atividades agroextrativistas ampliam essas zonas de borda, tornando a floresta mais vulnerável. “Não é apenas essa floresta que queimamos que está mudando, mas a região como um todo está sendo alterada e queimando cada vez mais.”

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unicamp, escrito por Felipe Mateus

‘Entrevistas’: novo programa do Amazon Sat mostra como o universo político reflete na Amazônia

Foto: Divulgação

O novo programa no canal Amazon Sat, ‘Entrevistas‘, é uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica com foco nas discussões que ocorrem em Brasília, centro da tomada de decisões do país, sobre os rumos da Amazônia. O objetivo é levar um novo olhar sobre muitas das decisões que são tomadas fora da região, mas que impactam diretamente a Amazônia.

“O Entrevistas é feito lá [em Brasília], para a gente poder ouvir os representantes do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Poder Executivo, não só referente ao Amazonas, mas todos os Estados, os nossos seis Estados em que estamos presentes, e também podermos ouvir formadores de opinião que ficam até fora de Brasília”, explica o diretor de jornalismo da Rede Amazônica, Paulo Fernandes.

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Há mais de 30 anos presente em Brasília, a sucursal da Rede Amazônica tem se posicionado como um símbolo da força regional. “É por isso que a gente decidiu fazer o programa em Brasília e trazer esses assuntos para reflexão, aproximando os formadores de opinião de quem vive aqui”, completou.

‘Entrevistas’ direto de Brasília

No Grupo Rede Amazônica desde 2012, Welliton Lopes é jornalista com mais de 20 anos de experiência. Iniciou a carreira em Brasília, onde realiza a cobertura de pautas da Amazônia que tramitam nos tribunais superiores, no governo e no Congresso Nacional. Transforma decisões políticas e judiciais em informação que importa para milhões de amazônidas e será o apresentador do novo programa.

“É difícil refletir sobre a Amazônia sem pensar em política, economia, justiça, meio ambiente e tantos outros temas. Também é importante reconhecer o peso de Brasília nas decisões que definem os rumos da região em todos esses aspectos. São decisões que impactam diretamente a vida de 30 milhões amazônidas. Pra ser mais enfático, são decisões que repercutem numa área correspondente a 59% do território nacional”, comenta Lopes.

Leia também: Politica não é só para político: especialista responde cinco perguntas sobre o tema

Entrevistas novo programa do Amazon Sat mostra como o universo político reflete na Amazônia
‘Entrevistas’ será apresentado pelo jornalista Welliton Lopes. Foto: Divulgação

O correspondente do Grupo Rede Amazônica acompanha de perto o que ministros, autoridades do Executivo, integrantes do Judiciário e parlamentares decidem sobre a Amazônia.

“Aqui enfrento o grande desafio de transformar temas complexos, muitas vezes técnicos, em reportagens de apenas três minutos, que precisam ser capazes de informar e dar ao público a dimensão dessas decisões em suas vidas”, destaca.

Para ele, nesse sentido, o programa ‘Entrevistas’ pode ampliar esse espaço de debate e aprofundamento: “A proposta é destrinchar pautas relevantes, revelar os bastidores das decisões e ouvir, diretamente da fonte, quem influencia o presente e o futuro da Amazônia na Capital Federal”.

A estreia de ‘Entrevistas’ está marcada para o dia 19 de maio. “A expectativa é positiva porque acredito que temos no Amazon Sat um público já acostumado com atrações construtivas que o canal oferece em sua grade. Esse público saberá que esse é mais um programa que traz esse DNA de fortalecer a identidade amazônica e contribuir com o crescimento e conhecimento da região e de suas potencialidades”, conclui Lopes.

Consumo de ultraprocessados avança entre povos e comunidades tradicionais no Brasil

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De 2015 a 2022, consumo de ultraprocessados aumentou, enquanto alimentos como frutas e feijão perderam espaço, indica estudo com dados do SISVAN. Foto: Reprodução/Pixabay

O consumo de alimentos ultraprocessados aumentou de forma consistente entre povos e comunidades tradicionais no Brasil nos últimos anos. Ao mesmo tempo, alimentos historicamente presentes na dieta dessas populações, como frutas e feijão, perderam espaço.

O maior consumo de alimentos associados a padrões não saudáveis, como hambúrgueres, embutidos, bebidas adoçadas, macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote e biscoitos recheados, indica tendência de piora na qualidade da dieta. É o que mostra um estudo nacional publicado na Revista Ciência & Saúde Coletiva.

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O trabalho foi coordenado pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR), em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Universidade de São Paulo (USP), Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ – Ceará) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A equipe analisou dados de 2015 a 2022 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) sobre consumo alimentar dos povos e comunidades tradicionais. O conceito engloba grupos como quilombolas, ribeirinhos, agroextrativistas, pescadores artesanais e caiçaras, dentre outros, que se estabeleceram no território brasileiro após a colonização. Povos indígenas, originários do Brasil, não são vinculados ao conceito no estudo.

“Esses grupos, em sua maioria, estão inseridos em territórios rurais e cultivam os seus alimentos por meio da agricultura familiar. Quando observamos esse aumento no consumo de ultraprocessados, isso indica que o acesso a esses produtos está cada vez mais facilitado”, explica a professora e nutricionista Greyceanne Dutra Brito, doutoranda em Saúde Pública na Universidade Federal do Ceará (UFC) e principal autora do estudo.

Para a pesquisadora, o baixo custo dos alimentos ultraprocessados, o apelo publicitário e questões estruturais, como a baixa renda das famílias, são fatores que podem explicar a nova tendência.

A queda no consumo de alimentos in natura ou minimamente processados também chama atenção dos especialistas. Embora o estudo não tenha investigado causas específicas, a pesquisadora aponta algumas hipóteses.

“Essa mudança pode estar relacionada à redução do acesso ao território para cultivo, às mudanças climáticas e ao aumento dos preços de alimentos in natura, além da maior acessibilidade econômica dos ultraprocessados”, destaca Brito.

Leia também: Fiocruz Amazônia alerta para problemática do consumo de alimentos ultraprocessados por indígenas

Consumo de ultraprocessados avança entre povos e comunidades tradicionais no Brasil
Foto: tugay aydın/Pexels

Consumo de ultraprocessados é maior entre jovens

Os resultados variam entre os grupos analisados, mas os pesquisadores consideram o cenário geral desfavorável. O consumo de hambúrgueres e embutidos, por exemplo, cresceu 3,87% entre crianças de 2 a 4 anos e 5,59% entre aquelas de 5 a 9 anos. Já entre adultos e idosos, além do crescimento desses produtos na dieta, foi observado aumento no consumo de verduras e legumes — um dos poucos pontos positivos identificados.

Segundo a nutricionista, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados pode levar a deficiências nutricionais (como falta de ferro, fibras, vitaminas e minerais), além de estar associado a um maior risco para desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares.

Apesar das limitações, como a cobertura de dados do SISVAN e a ausência de informações detalhadas sobre essas populações, o estudo é considerado pioneiro ao avaliar a tendência temporal de marcadores de consumo alimentar de povos e comunidades tradicionais em todo o país.

“Os achados contribuem para o avanço da literatura científica e podem subsidiar o fortalecimento de políticas públicas voltadas à promoção da alimentação saudável e sustentável”, afirma Brito.

Entre as possíveis medidas, a nutricionista ressalta a regulação da comercialização de alimentos ultraprocessados e o desenvolvimento de estratégias de educação alimentar e nutricional direcionadas a essas populações.

Os pesquisadores contaram com financiamento de instituições públicas, incluindo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Ministério da Saúde e a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), além de apoio acadêmico de universidades envolvidas no estudo.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Marciele Albuquerque recebe Título de Cidadã Amazonense na Aleam

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Foto: Nathalie Brasil

Em uma sessão marcada por emoção, reconhecimento e celebração da cultura regional, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) concedeu, nesta quinta-feira (7), o Título de Cidadã Amazonense à artista e ativista indígena Marciele Albuquerque. A homenagem ocorreu durante reunião especial no plenário Ruy Araújo, reunindo autoridades, representantes culturais e torcedores dos bois-bumbás de Parintins.

A honraria, proposta pelo deputado estadual Wilker Barreto (PSD), coassinada pela deputada filiada ao mesmo partido, Mayra Dias, reconhece os relevantes serviços prestados por Marciele ao Amazonas, especialmente na valorização da cultura local, no fortalecimento da identidade regional e na projeção do estado em cenários nacionais e internacionais

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Além do título, a cunhã-poranga do Boi Caprichoso também recebeu a Medalha do Mérito Legislativo Ruy Araújo, considerada a maior comenda do Parlamento estadual, em reconhecimento à sua atuação em defesa dos povos originários e na difusão da cultura amazônica.

História de Marciele Albuquerque Munduruku

Natural de Juruti, no Pará, e integrante do povo indígena Munduruku, Marciele construiu sua trajetória entre Manaus e Parintins, onde se consolidou como um dos principais nomes do Festival Folclórico. Em 2026, ganhou projeção nacional ao participar do Big Brother Brasil, levando para todo o país pautas relacionadas à representatividade indígena e à cultura amazônica.

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Durante discurso na tribuna, Marciele se emocionou ao relembrar sua trajetória e as dificuldades enfrentadas até alcançar reconhecimento nacional.

“Esse momento, sem dúvida, é o mais especial da minha vida. Eu cheguei aqui no Amazonas com uma rede e um sonho. Eu só sonhava e tinha muita fé, muita força e determinação”, declarou em plenário.

Marciele Albuquerque recebeu a medalha Ruy Araújo da deputada Mayra Dias. Foto: Nathalie Brasil

A artista também destacou o orgulho de representar o povo amazônida e reafirmou seu compromisso com a valorização cultural da região.

“Levo comigo a essência da nossa cultura, da nossa arte, porque é de onde eu vim”, afirmou.

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Autor da proposta, o deputado estadual Wilker Barreto ressaltou a importância da homenagem como forma de reconhecer a contribuição da artista para o estado. Segundo ele, o título simboliza o vínculo construído por Marciele com o Amazonas ao longo dos anos.

“Hoje ela é uma celebridade de alcance nacional mas anteriormente era também uma ativista que tinha uma luta muitas das vezes silenciosa. Porque ser uma voz e se fazer uma voz não é fácil. Mas tenho a certeza que .agora, com as maiores honrarias da Assembleia Legislativa, irá aumentar a vossa responsabilidade”, disse o deputado, dirigindo as palavras a Marciele Albuquerque

A deputada estadual Mayra Dias também destacou que as honrarias à Marciele vão muito além de sua participação em um reality show nacional, vão das lutas pelas causa dos povos originários.

“Quando o prejeto de lei chegou a essa casa, apresentado pelo deputado Wilker Barreto, a gente nem imaginava que ela iria para o programa Big Brother Brasil. Então esse projeto foi debatido aqui e aprovado, não pela participação dela lá, mas pela sua trajetória, pelo seu currículo. Então a gente fica muito feliz de entregar a ela não só esse título mas a medalha Ruy Araújo”.