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Quais lendas, mitos e rituais os bois levaram ao Bumbódromo na 1ª noite do 59º Festival Folclórico de Parintins?

Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Muito além da disputa entre os bois Caprichoso e Garantido, o Festival Folclórico de Parintins é um grande palco de valorização da cultura amazônica.

A cada apresentação, lendas, mitos, rituais indígenas e figuras típicas ganham vida em espetáculos que unem pesquisa, arte e ancestralidade, levando ao Bumbódromo narrativas que atravessam gerações dos povos da Amazônia.

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Na 59ª edição do festival, realizada nos dias 26, 27 e 28 de junho, os bois levam para a arena histórias ancestrais em grandes alegorias, coreografias e encenações. As apresentações exaltam povos originários, seres encantados, ritos de passagem e personagens que fazem parte da identidade amazônica.

Leia também: Quem é quem? Conheça os 21 itens que defendem Caprichoso e Garantido no Festival Folclórico de Parintins 2026

Caprichoso

1ª noite – 26 de junho

Lenda Amazônica: Cobra Grande – A Deusa da Encantaria

O Boi-Bumbá Caprichoso aposta na força da encantaria amazônica com a lenda ‘Cobra Grande- A Deusa da Encantaria’. A narrativa apresenta a Cobra Grande como uma poderosa entidade feminina que existia antes mesmo da ocupação humana da ilha de Parintins.

Segundo a tradição, seu corpo sustenta toda a ilha, em que a cabeça repousa sob a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, enquanto seu dorso acompanha a orla da cidade. Ela representa a guardiã dos rios, dos encantados e da memória ancestral, simbolizando a relação entre natureza, espiritualidade e território.

Lenda da Cobra Grande – A Deusa da Encantaria. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Ritual Indígena: Ritual de iniciação WAT-AMÃ

O ritual indígena apresentado pelo boi Caprichoso foi o Wat-amã, conhecido como Ritual da Tucandeira, uma das manifestações culturais mais importantes do povo Sateré-Mawé. 

O ritual marca a passagem dos jovens para a vida adulta, em que, durante a cerimônia, os iniciados utilizam luvas confeccionadas com palha de arumã contendo tucandeiras, formigas conhecidas pela ferroada extremamente dolorosa. Enquanto suportam a dor, os participantes executam danças e cantos sagrados, demonstrando coragem, disciplina, resistência e compromisso.

Mais do que um teste físico, o ritual simboliza o fortalecimento dos vínculos com a ancestralidade e a preparação para assumir responsabilidades dentro da comunidade.

Ritual da Tucandeira. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Figura típica regional: O Brincador de Boi-Bumbá de Parintins

A figura típica regional do Caprichoso homenageia o Brincador de Boi, personagem que representa os moradores dos bairros tradicionais de Parintins, como Francesa, Santa Clara e Palmares. São homens e mulheres que mantêm viva a tradição do boi-bumbá confeccionando fantasias, preparando os festejos, decorando os currais e transmitindo, de geração em geração, o sentimento de pertencimento ao boi negro.

Brincador de boi. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Leia também: Boi de Rua do Caprichoso: o tradicional cortejo que desfila a paixão azul pelas ruas de Parintins

Garantido

1ª noite- 26 de junho

Lenda Amazônica: Parintintin – O Povo que Veio do Céu

Na primeira noite, o Boi Garantido destaca a ancestralidade do poovo Parintintin, com a lenda ‘Parintintin – O Povo que Veio do Céu’, inspirada na narrativa de origem do povo Parintintin, pertencente ao tronco Tupi-Guarani. Segundo a tradição, o herói criador e pajé ancestral Pindova’Umi’ga percorreu os céus, as águas e o mundo subterrâneo até encontrar o lugar ideal para seu povo viver.

A narrativa explica a autodenominação dos Parintintin como ‘o povo que veio do céu’ e reforça a importância desse povo indígena na história da ilha de Parintins, cuja própria cidade herdou seu nome e parte de sua herança cultural.

Lenda Parintintin – O Povo que Veio do Céu
Lenda Parintintin – O Povo que Veio do Céu. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Ritual Indígena: Sonho de Ipají

O ritual indígena ‘Sonho de Ipají’ retrata o processo espiritual de formação de um novo pajé entre os Parintintin. Na tradição, o escolhido permanece isolado na Tocaia Sagrada enquanto, por meio dos sonhos, recebe os ensinamentos do espírito Rupigwara, entidade responsável por conceder os dons da cura, da sabedoria e da condução espiritual do povo.

Na sabedoria ancestral do povo Parintintin, os sonhos são os caminhos do espírito que permitem o pajé atravessar o mundo ancestral invisível pra encontrar respostas sobre o destino do seu povo.

Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026

Leia também: De ‘cunhã-poranga’ a ‘brincante’: conheça as expressões mais usadas no Festival de Parintins

Figura típica regional: Mães da Floresta

A figura típica regional escolhida pelo Garantido é ‘Mães da Floresta’, uma homenagem às mulheres indígenas, caboclas e quilombolas que preservam os conhecimentos tradicionais da Amazônia. Parteiras, benzedeiras, pescadoras, agricultoras, artesãs e curandeiras representam a força feminina responsável por transmitir saberes ancestrais e proteger os recursos naturais.

Projeto:

Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

‘Passaporte’ proporciona passeio na história de Parintins: conheça atrativos que fazem parte da rota em 2026

Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Quem visita Parintins durante o Festival Folclórico tem um incentivo a mais para conhecer alguns dos principais cartões-postais da cidade, com a iniciativa Passaporte Parintins, promovida pela Amazonastur na Estação do Turismo, o popular turistódromo. O projeto convida moradores e turistas a percorrerem os atrativos históricos e culturais do município amazonense, em que a cada visita, o participante recebe um carimbo no passaporte e, ao completar o circuito, ganha um brinde exclusivo.

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A ação começa na Praça da Catedral Nossa Senhora do Carmo, um espaço que também reúne atendimento ao turista em português, inglês e espanhol, intérprete de Libras e informações sobre o destino.

O roteiro do passaporte em 2026, conta com seis locais históricos distribuídos pela cidade. Confira:

Casa da Cultura Mestre Jair Mendes

Um dos atrativos mais recentes do roteiro é a Casa da Cultura Mestre Jair Mendes. O prédio permaneceu durante décadas inacabado, após funcionar como a antiga biblioteca municipal Vera Lúcia Simplício, e foi revitalizado e entregue à população em outubro de 2025.

O espaço reúne salas de exposições, pinacoteca, auditório, setor audiovisual, áreas para manifestações culturais e diversas atividades voltadas à valorização da arte e da identidade parintinense. Localizada próxima ao Bumbódromo, a Casa da Cultura tornou-se um dos novos cartões-postais da cidade.

Leia também: Ruas de Parintins unem cores de Caprichoso, Garantido e Seleção Brasileira em decoração especial

Casa da Cultura, atrativo do passaporte do turismo.
Casa da Cultura, atrativo do passaporte do turismo. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Mercado Municipal Luiz Gonzaga

O Mercado Municipal Luiz Gonzaga funcionou durante décadas como uma fábrica de juta, atividade que impulsionou a economia de Parintins a partir da década de 1940.

Após anos desativado, o espaço foi revitalizado e transformado em mercado municipal, preservando parte da arquitetura original e até máquinas utilizadas no antigo processo industrial. Atualmente, o atrativo abriga feira de produtos regionais, artesanato, gastronomia e áreas de convivência, além de homenagear Luiz Gonzaga, um dos fundadores do Boi Caprichoso.

Mercado Municipal Luiz Gonzaga, atrativo do passaporte do turismo. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Catedral de Nossa Senhora do Carmo

Símbolo religioso e histórico de Parintins, a Catedral de Nossa Senhora do Carmo também ocupa lugar de destaque na história do Festival Folclórico.

A atual construção começou em 1961, com projeto do engenheiro italiano Giovanni Butori, e foi concluída em 1981 com a finalização da torre de 42 metros de altura e 162 degraus. O interior reúne altar de mármore e vitrais trazidos da Itália, além de pinturas realizadas pelo religioso Miguel Pascale em parceria com artistas locais.

Foi na quadra da paróquia que aconteceu, em 1965, o primeiro Festival Folclórico de Parintins, cuja renda foi destinada à construção da igreja. Tombada como Patrimônio Cultural do Amazonas desde 2004, a Catedral também oferece visitação à torre durante o Festival e a Festa da Padroeira, proporcionando uma das vistas mais conhecidas da cidade.

Catedral do Carmo, atrativo do passaporte do turismo. Foto: Uriel Vasconcelos/ Amazon Sat

Mercado Municipal Leopoldo Neves

Inaugurado em 1937, o Mercado Municipal Leopoldo Neves faz parte do conjunto das construções históricas de Parintins. O atrativo foi reformado e modernizado em 2019, tendo preservado parte da arquitetura original enquanto ganhou novos espaços comerciais.

Atualmente, o mercado reúne restaurantes, cafés, peixarias, açougues, artesanato, ervas medicinais e produtos regionais, em uma área de aproximadamente 1.218,96m². Além disso, o espaço também conta com uma proposta que inclui movimentar a vida noturna da cidade com apresentações musicais e atividades culturais.

Leia também: Ponto Alto em Parintins: veja como é a popular ilha da magia

Mercado Municipal Leopoldo Neves, atrativo do passaporte do turismo. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Porto de Parintins

Principal porta de entrada para milhares de visitantes durante o Festival, o Porto de Parintins é o segundo maior porto do Amazonas em movimentação de passageiros e o maior do interior do estado.

Além da intensa ligação entre Manaus e Parintins, o terminal recebe embarcações com destino ao Pará e outros municípios da região, desempenhando papel fundamental tanto para o turismo quanto para o transporte de cargas e passageiros.

Porto de Parintins, atrativo do passaporte do turismo. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Bumbódromo

Fechando o roteiro do passaporte está o maior símbolo da cultura parintinense: o Bumbódromo.

Inaugurado em 1988, o Centro Cultural de Parintins foi construído especialmente para receber o Festival Folclórico, que até então era realizado em diferentes espaços da cidade, como a quadra da Catedral e o Estádio Tupy Cantanhede.

Projetado pelo engenheiro Simão Assayag, o atrativo possui formato que remete à cabeça de um boi e divide suas arquibancadas entre as torcidas dos bois Caprichoso e Garantido. O local consolidou o crescimento do festival, reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), tornando-se um dos principais palcos da cultura popular amazônica.

Bumbódromo, atrativo do roteiro do turismno. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Roteiro atrai moradores e turistas que aprovam a iniciativa

Moradora de Parintins, Maria Paula conta que sempre quis participar da experiência.

“É a primeira vez fazendo o Passaporte do Turismo. Inclusive, fiquei na fila porque esse ano eu falei que queria esse passaporte. Além de estimular o turismo para quem vem de fora conhecer os pontos turísticos da cidade, também faz com que a gente, que mora aqui, conheça melhor esses lugares”, declarou.

Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Quem visita Parintins pela primeira vez também vê na ação uma oportunidade de explorar a cidade, como foi o caso do turista Vitor dos Santos Queiroz:

“Essa iniciativa do Passaporte eu achei bem interessante. Serve até como um guia turístico. Além de ficar como uma lembrança da viagem, ajuda a conhecer os pontos turísticos da cidade”.

Foto: Uriel Vasconcelos/ Amazon Sat

Segundo a vice-presidente da Amazonastur, Laena Porto, os atrativos são escolhidos após estudos realizados pela equipe técnica do órgão e podem mudar a cada edição.

“Nós temos uma equipe técnica que faz todo esse estudo, todos os anos a gente tenta mudar os atrativos para incentivar as pessoas a conhecerem a cidade. E esse ano nós temos seis pontos, e em cada um desses pontos tem uma pessoa carimbando, você faz o circuito e retorna aqui para a estação do turismo que a gente dá um brinde, os nossos famosos bonés”, explicou.

Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

“Vamos Brincar de Boi”

O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.

A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.

Estudo mostra realidade de mulheres trans no sistema prisional paraense

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Foto: Acervo/ Agência Brasil

O estudo “Saúde mental de mulheres trans em situação carcerária no estado do Pará“, denuncia a necessidade de acolhimento e promoção de bem-estar para essa população no sistema prisional paraense. Desenvolvido pelos psicólogos Alessandro Carneiro da Silva e Eric Campos Alvarenga, o trabalho destaca a precariedade no tratamento de pessoas trans dentro desse contexto social.

A pesquisa, de natureza qualitativa e descritiva, utilizou entrevistas semiestruturadas com duas mulheres trans ex-apenadas no estado do Pará. A técnica de amostragem utilizada lida com temas sensíveis e foi crucial para alcançar o público pesquisado.

Segundo o autor Alessandro Carneiro, o processo de coleta de informações foi difícil devido ao medo e ao trauma vivenciados pelas entrevistadas. Os resultados do estudo são alarmantes, demonstrando que as mulheres trans não são tratadas com a atenção e o cuidado devidos pelos agentes institucionais.

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Um dos achados mais contundentes da pesquisa é a constante violação de direitos básicos garantidos por lei, como o uso do nome social e a continuidade de tratamentos hormonais.

“Verificamos que é negado a essas mulheres a utilização do nome social, pelo próprio Estado, quando os representantes do Estado, no caso, os próprios carcereiros, os próprios delegados, não as chamam pelos seus nomes sociais, mesmo que tenham documentação”, pontua o pesquisador.

A pesquisa também aborda a imposição do binarismo sexual dentro do cárcere. Uma das entrevistadas relata, por exemplo, situação em que precisou se descaracterizar para que visitantes de outros presos não estranhassem sua presença no local, considerando que as outras pessoas que estavam no processo de cárcere não eram mulheres trans.

“Elas tiveram que ‘respeitar’ essas visitas e, nesse contexto, ‘respeitar’ significava se caracterizar como homem, porque não faz sentido uma mulher estar presa ali no meio daqueles homens”, explica Alessandro.

Leia também: Mulheres trans relatam desafios profissionais e luta por direitos em Belém

A pauta sobre a existência de ala carcerária específica para a população LGBTQIAPN+ no Pará apresenta nuances complexas. “A questão da ala específica também não é necessariamente uma garantia de direito”, afirma Alessandro.

Estudo mostra realidade de mulheres trans no sistema prisional paraense
Foto: Divulgação

Situação das mulheres trans

Ele destaca a dualidade dessa prerrogativa, no próprio discurso das entrevistadas. Se para uma delas, “a área específica serve como um lugar de exclusão muito maior, o que acarreta em muito mais sofrimento”, para a outra, “a área específica a salvou de muitas situações que seriam muito mais complicadas em outros lugares”.

Um outro aspecto preocupante revelado pelo estudo diz respeito à naturalização da violência contra a comunidade LGBTQIAPN+. Conforme o pesquisador, uma das entrevistadas, mesmo fora da ala específica, trazia relatos de violência por parte de outros detentos como se fossem naturais.

“Ela fala de forma a compreender que fosse realmente necessário que ela precisasse se descaracterizar quando as esposas desses homens fossem visitá-los, como se isso fosse realmente uma forma de respeito. Querendo ou não, houve essa naturalização da violência por parte dela, como uma forma de se proteger”, pontua Alessandro. Acontece que essa naturalização e os traumas psicológicos sofridos perduram mesmo após a saída do cárcere.

Comportamentos que têm consequências

Apesar do cenário desolador, Alessandro destaca a importância da formação de redes de apoio e da humanização do tratamento de pessoas trans nesses ambientes. As entrevistadas se emocionaram ao falar das experiências afetivas que construíram quando estiveram encarceradas. Por isso, o trabalho de profissionais comprometidos dentro da Central de Triagem Metropolitana é fundamental, daí a urgência de capacitar os agentes do sistema carcerário sobre identidade de gênero e sexualidade, “para que compreendam a gravidade de comportamentos repressivos e violentos”.

Alessandro Carneiro, que se identifica como um homem preto e gay, explica que sua motivação para a pesquisa surgiu de sua própria vivência de vulnerabilidade social e de seu contato com estudos da psicologia social e sanitária.

“Eu sou forjado por esse processo de vulnerabilidade social a partir da minha condição financeira, a partir de onde eu venho”, afirma. Ele sentiu o desejo de aprofundar a escuta dessas pessoas e entender as questões das políticas institucionais envolvendo o cenário LGBTQIAPN+ no cárcere paraense e conclui: “o Estado pode e deve produzir saúde mental nesses ambientes a partir de um tratamento humanizado, respeitando o nome social e garantindo direitos básicos. São coisas que são muito simples, mas que produzem uma violência absurda se não forem levadas em consideração”.

Sobre a pesquisa

Publicado em 2024 na revista Saúde em Redes, o artigo intitulado Saúde mental de mulheres trans em situação carcerária no estado do Pará conta com a autoria de Alessandro Carneiro da Silva. O pesquisador é psicólogo pela Universidade Federal do Pará e mestrando vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGP/UFPA).

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, escrito por Kauã Ramalho

Monitoramento de pré-seca na Amazônia em 2026 ganha reforço e alerta do SGB

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Pesquisadores fazem medidas em rio madeiro, no município de Porto Velho (Rondônia). Foto: Reprodução/Arquivo SGB

A antecipação de cenários hidroclimatológicos severos desempenha uma função estratégica na mitigação de impactos socioeconômicos e na manutenção da segurança logística e ambiental na Região Amazônica. Com o objetivo de aprimorar o planejamento e a preparação para o período de estiagem, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) consolidou o diagnóstico técnico do comportamento das águas em 2026 e traçou as projeções para a vazante deste ano.
 
Dados do acompanhamento contínuo da Bacia do Amazonas mostram que as cheias operam na normalidade na maior parte da região. No entanto, o comportamento recente de sub-bacias específicas e as semelhanças estatísticas com períodos históricos críticos acendem o sinal de alerta para as autoridades e a sociedade civil.

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As análises do SGB são operacionalizadas por meio do Sistema de Alerta Hidrológico (SAH) e disponibilizadas em tempo real na plataforma SACE. O sistema categoriza as condições dos rios em níveis que variam desde a normalidade até a seca extrema e a inundação severa, servindo como base científica para tomada de decisões governamentais em estados como Amazonas, Rondônia e Acre.

Para o ciclo operacional de 2026, novas tecnologias foram incorporadas. A partir de julho, passam a ser realizados os testes operacionais dos boletins semanais SARDIM (em parceria com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – IPH/UFRGS), além da implementação de modelos preditivos baseados em Inteligência Artificial, desenvolvidos em cooperação com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A unificação dessas ferramentas provê maior celeridade ao fluxo de informações e otimiza o planejamento.

Leia também: SGB e o Inpa firmam acordo para fortalecer monitoramento dos rios na Amazônia

Os registros da SGB apontam que a Bacia do Amazonas encontra-se em um período de transição, com o encerramento do pico da cheia nas calhas centrais e o início do processo de recessão nas cabeceiras:

  • Rio Solimões/Amazonas: A estação de Tabatinga já deu início ao processo de descida de suas cotas. No entanto, o reflexo do pico ainda mantém duas estações acima do nível de inundação e quatro em cota de alerta ao longo do curso d’água.
  • Rios Negro e Branco: Em Manaus, o Rio Negro atingiu a estabilização em torno de 28,50 m, alcançando a cota de inundação. Paralelamente, a bacia do Rio Branco registrou acumulados significativos de chuva (88 mm entre segunda e terça-feira da última semana), o que amenizou o ritmo de queda em Caracaraí.
  • Rios Madeira e Acre: Permanecem como os cenários de maior vulnerabilidade. O volume elevado do primeiro trimestre resultou em decretos de situação de emergência em municípios como Porto Velho em abril de 2026.

Prognósticos e Cenários Comparativos de Vazante

A partir do histórico de dados coletados pelo SGB entre os anos de 1903 e 2025, foram elaboradas projeções estatísticas para estimar os níveis mínimos que o Rio Negro poderá atingir em Manaus a partir da cota máxima atual de 28,50 m, considerando a descida mediana histórica de 11,08 m:

Cenário de Recessão ProjetadoAmplitude da Descida (m)Cota Mínima Estimada (m)
Descida Mediana Histórica11,0817,42
Tendência Linear de Vazante12,0116,49
Análogo Crítico de Recessão (Ano 2015)13,74
 
14,76
Percentil de 85% (Estiagem Severa)14,5413,96
Descida Máxima Histórica Registrada15,6012,90


O ponto de maior atenção técnica reside no fato de que o comportamento inicial da curva de recessão de 2026 apresenta forte paralelismo com a do ano de 2023, período em que ocorreu a segunda pior seca registrada na história de Manaus (atingindo a cota mínima de 12,70 m). Embora os modelos climáticos sazonais para os trimestres JJA (Junho-Julho-Agosto) e JAS (Julho-Agosto-Setembro) ainda não apontem para a severidade extrema de 2023, o SGB mantém o estado de monitoramento contínuo.

el niño pode ocasionar secas mais severas na amazônia
Foto: Cimone Barros/Ascom Inpa

Diretrizes e impactos esperados pela SGB

A consolidação dos dados reforça a necessidade de preparação ativa das defesas civis e setores regulados. Caso o início da próxima estação chuvosa atrase no Hemisfério Sul, o período de vazante poderá ser prolongado, agravando as seguintes vulnerabilidades operacionais:

  • Navegação Comercial: Restrições severas de calado para o escoamento logístico e transporte de insumos, com atenção especial à calha do Rio Madeira.
  • Abastecimento Público: Risco potencial de isolamento de comunidades ribeirinhas e escassez de captação de água potável.
  • Gestão Ambiental: Aumento substancial do risco de incêndios florestais em áreas severamente desidratadas ao longo da bacia.

Com a estruturação dessas notas informativas e boletins, o Serviço Geológico do Brasil reafirma seu compromisso em subsidiar órgãos gestores e instituições de pesquisa com informações científicas robustas, fortalecendo a autoridade técnica da rede de monitoramento nacional.

*Com informações do SGB

Estudantes participam de oficinas de bioeconomia e inovação na Glocal Macapá 2026

Foto: Divulgação

As oficinas e os workshops práticos voltados à sustentabilidade e à inovação ganharam destaque nesta sexta-feira (26) na programação da Glocal Macapá 2026. Realizadas na sede da OAB Amapá e em sua área externa, as atividades promoveram uma imersão direta em soluções para a região, conectando o conhecimento científico e tecnológico à valorização das riquezas locais.

O evento recebeu uma visita especial de alunos da Escola Estadual Deusolina Salles Farias, que puderam acompanhar de perto a aplicação real dos temas debatidos. Mais do que teoria, o público encontrou um espaço de exposição com mostras de bioeconomia que destacaram o potencial de mercado da floresta em pé, apresentando desde o tradicional açaí até vinhos diversificados e derivados produzidos na região.

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Para o coordenador de projetos da Fundação Rede Amazônica, Matheus Aquino, o envolvimento prático do público reforça a importância de aproximar tecnologia e a realidade da região:

“A inteligência artificial aplicada à realidade amazônica representa uma oportunidade concreta de transformação. Quando conectamos tecnologia, conhecimento e território, conseguimos acelerar soluções inovadoras que dialogam diretamente com os desafios da nossa região”, destacou Matheus Aquino.

Foto: Divulgação

Leia também: “O Amapá pode se tornar referência nacional em inovação amazônica”, afirma Lindomar Ferreira, convidado da Glocal Macapá 2026

Para os estudantes, o contato direto com os produtos, as novas formas de processamento e a tecnologia abriu perspectivas sobre o futuro da produção local. Paola, aluna do segundo ano do ensino médio da Escola Deusolina Salles Farias, destacou o impacto de vivenciar o evento:

“Achei a temática muito interessante. Foi muito legal ver a ideia de trazer essas amostras de produtos regionais, como o açaí e os vinhos diversificados. Ver na prática como a nossa realidade e o meio ambiente podem se aliar com a inovação faz a gente perceber o valor do que é nosso”, afirmou a estudante.

Além da exposição de produtos da sociobiodiversidade, a programação do dia contou com dinâmicas voltadas ao empreendedorismo, robótica e à economia criativa. Os organizadores ressaltaram que a presença ativa das escolas cumpre o propósito central da Glocal: aproximar as novas gerações das demandas reais do ecossistema de inovação e desenvolvimento sustentável no estado.

A programação da Glocal Macapá segue até este sábado (27), com atividades gratuitas que incluem rodadas de negócios (B2B), apresentações culturais no Palco Fest e painéis de debate sobre o futuro da tecnologia e da sustentabilidade no território amazônico.

A programação completa está disponível nas redes sociais da Glocal e da Fundação Rede Amazônica: www.instagram.com/glocalexp e www.instagram.com/fundacaoredeamazonica

Glocal Amazônia – Macapá

A Glocal Macapá é realizada pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com idealização e operação da Dream Factory e apoio da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá (Setec/AP), do Governo do Amapá e da Tratalyx.

Um pedaço de Parintins na bagagem: artesão que produz ‘boizinhos’ abre loja própria após 34 anos de trabalho

Parte da matéria-prima dos ‘boizinhos’ vem do interior do Amazonas, como o cipó e o molongó, usados principalmente na confecção dos chifres. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, inspira turistas a levar lembranças para casa. Entre os itens mais procurados estão as miniaturas dos bois Caprichoso e Garantido, conhecidas carinhosamente de “boizinhos”. Elas são feitas em barracões improvisados, quintais e oficinas por artesãos locais, como Júlio César Costa da Silva, que há 34 anos transforma o amor pelo boi-bumbá em fonte de renda.

Neste ano, Júlio abriu pela primeira vez uma loja própria para vender diretamente ao público as peças que produz. Durante décadas, o artesão confeccionou os tradicionais boizinhos para revendedores que os vendiam a preços mais altos.

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Segundo Júlio, muitos visitantes se surpreendem ao descobrir que as miniaturas são feitas manualmente por moradores da ilha.

“Esse ano a gente resolveu abrir a lojinha para mostrar mesmo o artesanato aqui da cidade para o povo que vem de fora. São próprios parintinenses que confeccionam. É artesão de fundo de quintal. A gente trabalha em barracãozinho, cada um fazendo a sua parte”, disse.

Um pedaço de Parintins na bagagem: artesão que produz ‘boizinhos’ abre loja própria após 34 anos de trabalho
A trajetória de Júlio no Festival começou nos anos 1980. Em 1987, ele entrou para a equipe do Boi Caprichoso como escultor e ficou por oito anos, período marcado por conquistas do boi azul e branco. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

Dos galpões dos bois ao negócio próprio

A trajetória de Júlio no Festival começou nos anos 1980. Em 1987, ele entrou para a equipe do Boi Caprichoso como escultor e ficou por oito anos, período marcado por conquistas do boi azul e branco.

Leia também: Ruas de Parintins unem cores de Caprichoso, Garantido e Seleção Brasileira em decoração especial

Depois, trabalhou por 19 anos no Boi Garantido, na produção artística do boi vermelho e branco. Em 2017, após sofrer um infarto, deixou a rotina intensa dos galpões e passou a produzir peças para terceiros. A mudança trouxe desânimo.

“Eu só estava trabalhando para os outros e vendo os outros terem condições de vida melhores, enquanto eu ia ficando para trás”, relembrou.

O incentivo para recomeçar veio do filho, Rodrigo Amazonas, que o encorajou a investir novamente no próprio trabalho.

“Ele me deu força. Perguntou se eu não queria trabalhar com os boizinhos, porque é um material mais leve, que não exige tanto esforço. Aí a gente começou”, contou.

Neste festival, após alguns anos de produção independente, a família conseguiu um ponto comercial para vender diretamente ao público. “Já demos o primeiro passo. Agora vamos lutar para manter”, afirmou.

Como nascem os boizinhos

Miniaturas de Caprichoso e Garantido que turistas levam na mala após o Festival de Parintins têm origem em barracões improvisados, quintais e oficinas espalhadas pela ilha. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

Cada boizinho é feito de forma artesanal, em várias etapas que não podem ser interrompidas. Parte da matéria-prima vem do interior do Amazonas, como o cipó e o molongó, usados nos chifres.

Molongó é uma árvore amazônica com madeira leve utilizada em artesanato. A planta tem tronco fino, alto e leve e é encontrada em florestas alagadas da região amazônica.

A produção começa pela armação, que funciona como o esqueleto do boizinho. Depois, são feitas a cabeça e os chifres. As peças são encaixadas, recebem espuma, revestimento em tecido, passam pela costura, pintura e acabamento final.

“É uma linha de produção. Se você começa, tem que ir até o fim. Se interromper, aquelas peças que ficaram no caminho já não seguem mais”, explicou.

Leia também: Portal Amazônia responde: é possível usar a marca dos bois-bumbás de Parintins?

Um pedaço de Parintins na bagagem

Durante o Festival de Parintins, ver turistas do Brasil e do exterior encantados com os boizinhos é uma das maiores recompensas para Júlio.

“Para mim, é gratificante ver a pessoa feliz, elogiando o trabalho. Não adianta ter muita coisa e ser mal feita. Tem que ser uma coisa bem feita, para a pessoa olhar e se impactar”, disse.

Mais que lembranças, as miniaturas representam a dedicação de artesãos que mantêm viva a cultura do boi-bumbá fora da arena. “É um orgulho só. Uma gratificação muito grande. Primeiro a Deus, e tocar a bola para frente”, concluiu.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM

Açaí, ciência e inovação: especialistas apontam caminhos para o desenvolvimento sustentável do Amapá

Foto: Divulgação

A construção de soluções sustentáveis a partir da biodiversidade amazônica esteve no centro das discussões da programação da Glocal Macapá 2026, realizada nesta sexta-feira (26), na sede da OAB Amapá, em Macapá. O painel “Inovação Tucuju – Ciência, Tecnologia e o Boom do Açaí” reuniu representantes do setor produtivo e do ecossistema de inovação para debater o potencial da cadeia produtiva do açaí como vetor de desenvolvimento econômico e sustentável para o estado.

O encontro promoveu reflexões sobre as oportunidades e os desafios relacionados à bioeconomia amazônica, destacando o papel da ciência, da tecnologia e do empreendedorismo na agregação de valor aos produtos da sociobiodiversidade regional.

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Participaram do debate o presidente da AmazonBai, Amiraldo Picanço; a CEO do Engenho de Açaí, Valda Gonçalves; o presidente da Amazon BioFert, Wesley Resplande; e o presidente da Associação Brasileira de Startups (Abstartups) e do Tucuju Valley, Lindomar Ferreira, que também mediou o painel.

Durante o debate, os convidados discutiram estratégias para ampliar a industrialização do açaí, fortalecer a pesquisa aplicada e estimular o desenvolvimento de novos produtos e negócios sustentáveis a partir da biodiversidade amazônica.

Leia também: Glocal Macapá 2026: painel “Amapá 2050” reúne lideranças para discutir o futuro sustentável do estado

Para a CEO do Engenho de Açaí, Valda Gonçalves, o açaí representa uma das principais oportunidades para impulsionar o desenvolvimento sustentável do estado.

“O açaí representa uma oportunidade concreta de desenvolvimento sustentável para o Amapá. Ao agregar valor por meio da inovação e da industrialização, ampliamos os benefícios econômicos, fortalecemos comunidades e mantemos a floresta em pé”, destacou.

Em outra fala, Valda ressaltou o potencial de diversificação da cadeia produtiva.

“O futuro do açaí não está apenas na polpa, mas também no desenvolvimento de novos produtos, na economia circular e no aproveitamento integral dos resíduos da cadeia produtiva”, afirmou.

Para Lindomar Ferreira, eventos como a Glocal Macapá desempenham papel estratégico no fortalecimento do ecossistema de inovação da Amazônia.

“A Glocal Macapá fortalece conexões entre empreendedores, pesquisadores e instituições, impulsionando novos negócios e colocando o Amapá no mapa nacional da inovação”, ressaltou.

O presidente da Abstartups também destacou o potencial do estado para se consolidar como referência em inovação amazônica.

“O Amapá possui enorme potencial para se tornar referência nacional em inovação amazônica, unindo biodiversidade, tecnologia e empreendedorismo para gerar desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Lindomar ainda reforçou o avanço do ecossistema de startups na região.

“Hoje, um empreendedor da Amazônia pode criar uma startup global sem sair da região, desde que tenha acesso a conhecimento, conexões e oportunidades”, completou.

Realizada na sede da OAB Amapá, a Glocal Macapá busca consolidar um ambiente de encontro entre inovação, conhecimento, cultura e desenvolvimento sustentável, reforçando o potencial da Amazônia como território de soluções para os desafios do presente e do futuro.

A Glocal Macapá segue até este sábado (27), com uma programação gratuita voltada à inovação, empreendedorismo, sustentabilidade, cultura e desenvolvimento regional. O evento reúne painéis, mentorias, oficinas, experiências tecnológicas, apresentações culturais e atividades comunitárias, promovendo conexões entre diferentes setores e fortalecendo o ecossistema de inovação amazônico.

A programação completa está disponível nas redes sociais da Glocal e da Fundação Rede Amazônica: www.instagram.com/glocalexp e www.instagram.com/fundacaoredeamazonica

Glocal Amazônia – Macapá

A Glocal Macapá é realizada pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com idealização e operação da Dream Factory e apoio da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá (Setec/AP), do Governo do Amapá e da Tratalyx.

Quem é quem? Conheça os 21 itens que defendem Caprichoso e Garantido no Festival Folclórico de Parintins 2026

Caprichoso e Garantido em apresentação em Parintins. Fotos: Reprodução/Secom AM

O 59º Festival Folclórico de Parintins, que começa nesta sexta-feira (26), marca um novo duelo entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido no Bumbódromo. No total, 21 itens oficiais de cada agremiação — personagens e representantes responsáveis por defender os bois na arena durante as três noites de apresentação – competem pelo título de campeõs. 

Os itens são divididos em blocos, de acordo com suas características. O ‘Bloco A’ compreende quesitos comuns e musicais; o ‘Bloco B’, itens relativos à cenografia e coreografia; e o ‘Bloco C’ reúne a parte artística do evento.

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Cada bloco é julgado por um grupo de três jurados com especializações voltadas para as necessidades do bloco. Sendo pré-requisito a todos, referencial teórico em folclore e trabalhos realizados que contemplem as manifestações folclóricas e culturais brasileiras.

Confira quem são os 21 itens dos bois no Festival Folclórico de Parintins em 2026

Item 1 – Apresentador

Anfitrião, Mestre de Cerimônia, Porta-voz. Os bois introduziram a figura do apresentador que, na prática, é quem conduz a apresentação chamando a atenção para cada etapa/item. É o elo entre os brincantes e o público em Parintins. 

Representados por: 

  • Caprichoso: Edmundo Oran
  • Garantido: Israel Paulain
Apresentadores do Caprichoso e Garantido – Edmundo Oran e Israel Paulain. Fotos: Reprodução

Item 2 – Levantador de Toadas

É quem interpreta as toadas do festival. É o responsável por cantar, interpretando-as da melhor forma para garantir as pontuações e agitar a torcida na arquibancada. 

Representados por: 

  • Caprichoso: Patrick Araújo
  • Garantido: David Assayag
Levantadores de toadas do Caprichoso e Garantido – Patrick Araújo e David Assayag. Fotos: Secom AM e Boi Garantido

Item 3 – Batucada/Marujada

Sustentação rítmica, tradição, base para o espetáculo, agrupamento de percussão que forneça um referencial rítmico indispensável às toadas. O nome “Marujada” é usado pelo boi Caprichoso e “Batucada” para o boi Garantido. 

Marujada (Caprichoso) e Batucada (Garantido). Fotos: Reprodução

Item 4 – Ritual Indígena

Recriação de ritmo xamanístico, fundamentado através de pesquisa dentro do contexto folclórico. A encenação ou recriação de rituais indígenas no Boi-Bumbá reúne elementos alegóricos, coreográficos e teatrais, revelando cenicamente o universo indígena.

Leia também: Quais lendas inspiraram as toadas dos bois no Festival de Parintins 2026? 

Ritual indígena do Boi Caprichoso e Boi Garantido. Fotos: Divulgação/Secom AM

Item 5 – Porta-Estandarte

A porta-estandarte leva o pavilhão que representa a associação folclórica. Precisa conduzir com garra e força o estandarte. Os jurados avaliam o bailado, garra, desenvoltura, simpatia, elegância e alegria. 

Representados por: 

  • Caprichoso: Marcela Marialva
  • Garantido: Jeveny Mendonça
Fotos: Reprodução

Item 6 – Amo do Boi

O dono da fazenda, menestrel que tira versos dentro dos fundamentos da noite. No auto do boi, história que embasa o festival, representa o pai da sinhazinha da fazenda. 

Representados por: 

  • Caprichoso: Caetano Medeiros
  • Garantido: João Paulo Faria
Amo do boi Caprichoso e Garantido – Caetano Medeiros e João Paulo Faria. Fotos: Reprodução

Item 7 – Sinhazinha da Fazenda

Filha do dono da fazenda, representa a história branca dentro do auto do boi no Festival de Parintins. Os jurados avaliam beleza, leveza, graça, desenvoltura, simplicidade e alegria. 

Representados por: 

  • Caprichoso: Valentina Cid
  • Garantido: Raíra Lins
Valentina Cid, sinhazinha do Caprichoso, e Raíra Lins, sinhazinha do Garantido. Fotos: Reprodução

Item 8 – Rainha do Folclore

É representante da manifestação popular, as lendas, histórias e costumes. Quem interpreta a rainha deve apresentar-se com desenvoltura e indumentária. 

Na dança há elementos de diversas manifestações que formam a cultura brasileira. Os jurados avaliam: beleza, simpatia, desenvoltura e incorporação. 

Representados por: 

  • Caprichoso: Cleise Simas
  • Garantido: Lívia Christina
Rainhas do Folclore Caprichoso e Garantido – Cleise Simas e Lívia Christina. Fotos: Reprodução

Item 9 – Cunhã-poranga

Moça bonita, sacerdotisa, guerreira e guardiã. Cunhã-Poranga é a moça mais bela da aldeia. São méritos para pontuação: beleza, simpatia, garra, desenvoltura e incorporação. 

Representados por: 

  • Caprichoso: Marciele Albuquerque
  • Garantido: Isabelle Nogueira
Cunhãs-poranga Caprichoso e Garantido – Marciele Albuquerque e Isabelle Nogueira. Fotos: Reprodução

Item 10 – Boi Bumbá evolução (Tripa do Boi)

Símbolo da manifestação popular, motivo e razão de ser do festival. Quem dá os movimentos é o tripa do boi. 

Representados por: 

  • Caprichoso: Alexandre Simas Azevedo
  • Garantido: Denildo Piçanã
Tripas dos bois Alexandre Simas Azevedo (Caprichoso) e Denilson Piçanã (Garantido). Foto: Reprodução

Item 11 – Toada (Letra e música)

É a música do boi-bumbá. Para cada festival, há um novo álbum com cerca de 15 toadas para cada boi. São composições produzidas especialmente para a apresentação anual.

Item 12 – Pajé

Curandeiro, xamã, sacerdote, ponto de equilíbrio das tribos. No auto do boi, é quem ressuscita o boi favorito da sinhazinha da fazenda. 

Representados por: 

  • Caprichoso: Erick Beltrão
  • Garantido: Adriano Paketá
Pajés Erick Beltrão (Caprichoso) e Adriano Paketá (Garantido) — Foto: Raphão Produções / Divulgação
Pajés Erick Beltrão (Caprichoso) e Adriano Paketá (Garantido). Foto: Raphão Produções/Divulgação 

Item 13 – Povos Indígenas

Agrupamento nativo da Amazônia. Faz parte da disputa o melhor desempenho do corpo de dança representando indígenas, enriquecido pela musicalidade tribal e as incríveis coreografias executadas por mais de 160 jovens, cujas indumentárias e desenhos coreográficos recriam as tradições étnicas dessa região. 

Povos Indígenas de Caprichoso e Garantido — Foto: Secom
Povos Indígenas de Caprichoso e Garantid. Fotos: Reprodução/Secom AM

Item 14 – Tuxauas

Chefe da tribo, representação alegórica do imaginário indígena e caboclo da Amazônia. A liderança de uma aldeia está representada neste item que, por força da disputa, precisa conduzir uma indumentária com proporções agigantadas, onde os principais elementos étnicos da aldeia devem estar nela acoplados. 

A grandiosidade e a forma como a indumentária é conduzida, mostra força e obstinação por parte do dançarino que a veste, provando que pode conduzir o seu povo. 

Tuxauas de Caprichoso e Garantido — Foto: Secom
Tuxauas de Caprichoso e Garantido. Fotos: Reprodução/Secom AM

Item 15 – Figura Típica Regional

Símbolo da cultura amazônica na sua soma de valores a partir dos elementos que compuseram sua miscigenação. Traduz-se como o imaginário caboclo que cria e recria lendas e mitos fantásticos. 

Surgem no palco do Festival em representações alegóricas e poéticas, encenadas num ambiente que recria o cotidiano de tacacazeiras, artesãos, farinheiros, juteiros, pescadores, de figuras que em sua pluralidade, são tipicamente da região amazônica. 

Figuras Típicas Regionais de Caprichoso e Garantido — Foto: Secom
Figuras Típicas Regionais de Caprichoso e Garantido. Fotos: Reprodução/Secom AM

Item 16 – Alegorias

Estruturas artísticas que funcionam como suporte e cenário para apresentação. Denominou-se ‘Alegorias’ porque se trata de grandiosos cenários onde esculturas gigantes ganham animação com movimentos que amparam os principais quadros do espetáculo de arena. Beleza, criatividade e originalidade. 

Alegorias de Caprichoso e Garantido — Foto: Divulgação
Alegorias de Caprichoso e Garantido. Fotos: Divulgação 

Item 17 – Lenda Amazônica

Ficção que retrata e ilustra a cultura e o folclore de um povo. Recriação cênica das lendas extraídas do imaginário caboclo e indígena como: seres fantásticos em estórias encantadas de cobra que vira homem, da tribo inteira só de mulheres, do jovem com os pés virados para trás, do ser híbrido com a boca na barriga. 

Esse universo passa pela criação dramatúrgica cercada de mistérios e magias para, depois, transportar o espectador pelo imaginário amazônico. 

Lendas amazônicas de Caprichoso e Garantido — Foto: Raphão Produções / Divulgação
Lendas amazônicas de Caprichoso e Garantido. Fotos: Raphão Produções/Divulgação 

Item 18 – Vaqueirada

A vaqueirada é formada por vaqueiros que devem cercar o boi para evitar qualquer ameaça ou perigo ao touro mais querido do amo. 

Trazem suas lanças para marcar a propriedade do dono da fazenda e para criar um momento que cerca todas as personagens do auto do boi, numa evolução colorida em festejo à chegada do mais bonito boi da fazenda. 

Os brincantes da vaqueirada são rapazes voluntários das comunidades de Parintins que, ao toque do tambor, se reúnem para vestir seus cavalinhos e apanhar suas lanças com muito orgulho de ser parte da tradição dessa festa folclórica. 

Vaqueiradas de Caprichoso e Garantido — Foto: Secom
Vaqueiradas de Caprichoso e Garantido. Fotos: Reprodução/Secom AM 

Item 19 – Galera

Elemento de apoio do espetáculo, estímulo de apresentação, massa humana que forma uma das maiores coreografias uníssonas do mundo. São mais de dez mil torcedores que ocupam as arquibancadas do Bumbódromo desde as primeiras horas do dia. 

Ao cantar as toadas do espetáculo, os torcedores executam coreografias usando os braços ou adereços distribuídos pelos bois. Participam ativamente, interagindo com o apresentador e itens, sendo avaliados por isso. 

Galeras de Caprichoso e Garantido — Foto: Secom
Galeras de Caprichoso e Garantido. Fotos: Reprodução/Secom AM 

Item 20 – Coreografia

Todos os movimentos de dança apresentados durante o espetáculo. As coreografias reproduzem, ainda que de forma livre ou poética, as etnias que compõem essa vertente de Boi na Amazônia. 

Item 21 – Organização do Conjunto Folclórico

Reunião de itens individuais, artísticos e coletivos embasados no conteúdo da noite dispostos organizadamente na arena de apresentação. A agremiação que mantiver, mais claramente, os brincantes livres de comandos de última hora ou improvisos visíveis, consegue a nota máxima. A agremiação que menos planejou a execução de seu espetáculo poderá ser punida com perda de décimos.

*Com informações da Rede Amazônica AM





Glocal Macapá 2026: painel “Amapá 2050” reúne lideranças para discutir o futuro sustentável do estado

Foto: Divulgação

A construção de um futuro sustentável para a Amazônia esteve no centro das discussões que marcaram a programação da Glocal Macapá 2026, realizada nesta sexta-feira (26), no Parque Residência, em Macapá. O painel “Amapá 2050 – Amazofuturismo e a construção de novos caminhos” reuniu lideranças do poder público, representantes da academia e instituições ligadas à inovação para debater estratégias de desenvolvimento para o estado nas próximas décadas.

O encontro promoveu reflexões sobre o conceito de amazofuturismo e sua relação com temas estratégicos para o desenvolvimento regional, como bioeconomia, inovação, educação, empreendedorismo e fortalecimento de políticas públicas voltadas à Amazônia.

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Participaram do debate o governador do Amapá, Clécio Luís; o secretário de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá, Edivan Barros de Andrade; o reitor da Universidade Federal do Amapá (Unifap), Julio Cezar Sá; a vice-reitora eleita da Unifap, Amanda Fecury; a diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante; e o diretor de Produto da Dream Factory, Bruno Guerra. A mediação foi conduzida pela comunicadora Sheyzi Brazão.

Durante sua participação no painel, o governador Clécio Luís ressaltou a importância de pensar o desenvolvimento da Amazônia a partir da realidade local, sem perder de vista os desafios globais.

“Todos nós estamos muito felizes que a Glocal está sendo realizada aqui em Macapá. O global e o local, ao mesmo tempo, é justamente a essência da Glocal: pensar de forma universal, pensar de forma global, mas agir localmente. Precisamos pensar localmente e agir para transformar a vida onde a gente mora”, afirmou o governador.

Leia também: De vencedora do BBB à referência na comunicação digital, Gleici Damasceno é uma das atrações da Glocal Macapá 2026

Na abertura do evento, o secretário de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá, Edivan Barros de Andrade, ressaltou a importância da Glocal para estimular conexões e fortalecer o ecossistema de inovação local.

“Hoje foi a abertura da Glocal Amazônia aqui no Amapá, um evento com muita conexão e inovação. Venha participar porque este evento vai ajudar você a ter uma brilhante ideia e a consolidar um negócio seu que já está em desenvolvimento. Venha para cá com a gente”, convidou o secretário.

Para a diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, a realização do evento em Macapá reforça o potencial do estado como referência em inovação e desenvolvimento sustentável.

“Estamos muito felizes em estar aqui em Macapá e trazer a Glocal Amazônia para um estado tão rico culturalmente, humanamente e ambientalmente. A Fundação Rede Amazônica acredita que o desenvolvimento passa pela conexão entre pessoas, ideias e oportunidades, e é isso que estamos promovendo durante esses dois dias de evento. O Amapá vem construindo um caminho importante, com um ecossistema de inovação fortalecido, e a Glocal reúne essas pessoas para discutir inovação, cultura e sustentabilidade”, afirmou.

Para Matheus Aquino, coordenador de projetos da Fundação Rede Amazônica, o painel representou uma oportunidade de reunir diferentes setores para pensar o futuro do estado de forma colaborativa.

Glocal Macapá 2026: painel "Amapá 2050" reúne lideranças para discutir o futuro sustentável do estado
Foto: Reprodução/Amazon Sat

“A Glocal nasce justamente para criar pontes entre conhecimento, inovação e desenvolvimento sustentável. Reunir representantes do poder público, da academia e do setor produtivo em um mesmo espaço fortalece a construção coletiva de soluções para o futuro do Amapá e da Amazônia”, destacou Matheus Aquino.

Realizada no Parque Residência, a Glocal Macapá busca consolidar um ambiente de encontro entre inovação, conhecimento, cultura e desenvolvimento sustentável, reforçando o potencial da Amazônia como território de soluções para os desafios do presente e do futuro.

A Glocal Macapá segue até este sábado (27), no Parque Residência, com uma programação gratuita voltada à inovação, empreendedorismo, sustentabilidade, cultura e desenvolvimento regional. O evento reúne painéis, mentorias, oficinas, experiências tecnológicas, apresentações culturais e atividades comunitárias, promovendo conexões entre diferentes setores e fortalecendo o ecossistema de inovação amazônico.

A programação completa está disponível nas redes sociais da Glocal e da Fundação Rede Amazônica: www.instagram.com/glocalexp e www.instagram.com/fundacaoredeamazonica

Glocal Amazônia – Macapá

A Glocal Macapá é realizada pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com idealização e operação da Dream Factory e apoio da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá (Setec/AP), do Governo do Amapá e da Tratalyx.

Objetos proibidos: veja o que não pode ser levado ao Bumbódromo no Festival Folclórico de Parintins 2026

Garantido e Caprichoso na 1ª noite do Festival de Parintins 2025 no Bumbódromo. Foto: Reprodução/Secom AM

Quem pretende acompanhar as apresentações do Festival Folclórico de Parintins 2026 no Bumbódromo deve ficar atento às regras de acesso ao local. O Governo do Amazonas divulgou a lista de objetos proibidos dentro da arena, medida adotada para reforçar a segurança do público durante as três noites de disputa entre os bois Caprichoso e Garantido.

O 59º Festival Folclórico de Parintins ocorre nos dias 26, 27 e 28 de junho, quando Caprichoso e Garantido voltam a se enfrentar na arena em busca do título de campeão do maior espetáculo a céu aberto da Amazônia.

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Entre os itens vetados estão armas de fogo, armas brancas e objetos perfurantes ou perfurocortantes. Também não será permitida a entrada com materiais contundentes, armas de arremesso e objetos destinados a projetar substâncias tóxicas.

A restrição inclui ainda itens que costumam ser utilizados no dia a dia dos torcedores, como guarda-chuvas com haste metálica, tubos de aerossol, seringas, capacetes e bandeiras com mastros ou tubos confeccionados em material contundente.

Leia também: Entre o azul e o vermelho: a história de dois ‘Mateus’ que inverteram a tradição das famílias em Parintins

Bebidas alcoólicas também estão proibidas no interior do Bumbódromo. O público não poderá entrar com garrafas, copos e pratos de vidro ou alumínio.

Fundação Rede Amazônica lança "Vamos Brincar de Boi" para valorizar a cultura e a memória de Parintins - FACHADA DO BUMBÓDROMO
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Veja a lista completa de objetos proibidos no Bumbódromo em 2026:

  • Armas de fogo;
  • Armas de arremesso;
  • Armas brancas;
  • Armas destinadas a projetar substâncias tóxicas;
  • Materiais contundentes ou perfurocortantes;
  • Guarda-chuvas com haste metálica;
  • Substâncias ou engenhos explosivos ou pirotécnicos;
  • Tubos de aerossol;
  • Tubos de bandeiras em material contundente;
  • Seringas;
  • Asfixiantes e corrosivos;
  • Garrafas, copos e pratos de vidro e alumínio;
  • Objetos perfurantes;
  • Capacetes;
  • Bebidas alcoólicas.

A recomendação é que os torcedores levem apenas itens essenciais para evitar transtornos nas entradas do Bumbódromo. A fiscalização será realizada nos acessos ao local, e os objetos considerados proibidos poderão ser retidos, impedindo o ingresso do portador até que a situação seja regularizada.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM