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Prejuízos a pescadores levam MPF a pedir parada de exploração de petróleo na costa do Amapá

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Foto: Divulgação/Petrobras

O Ministério Público Federal (MPF) acionou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para pedir a suspensão imediata da licença de perfuração de petróleo concedida à Petrobras na costa do Amapá. O órgão alega que a movimentação de embarcações da empresa causa prejuízos diários a pescadores artesanais e famílias extrativistas do Pará.

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De acordo com o recurso, as comunidades relatam a destruição constante de redes de pesca provocada por grandes navios de apoio, além do afastamento dos peixes devido ao barulho dos motores e do risco permanente de acidentes no mar.

Medidas exigidas pelo MPF

Para que os trabalhos no bloco exploratório sejam retomados, o MPF exige o cumprimento de três medidas principais:

  • Estudo pesqueiro: mapeamento detalhado da produção e da renda real das famílias locais;
  • Compensação: criação de um plano de indenização financeira para os pescadores artesanais;
  • Consulta pública: realização de consulta prévia, livre e informada às comunidades tradicionais da costa paraense, conforme prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Prejuízos a pescadores levam MPF a pedir parada de exploração de petróleo na costa do Amapá
Foto: Reprodução/Agência Brasil

Leia também: MPF pede que Ibama explique divergências em licenciamento de petróleo na Foz do Amazonas

O MPF também solicitou que a Justiça amplie formalmente a chamada “área de influência” do projeto. O objetivo é incluir todos os municípios do Pará afetados pelo trânsito da frota de apoio logístico da Petrobras.

O que diz a Petrobras?

Em nota, a Petrobras informou que “cumpre rigorosamente a legislação e as exigências dos órgãos competentes no processo de licenciamento ambiental”.

A estatal afirmou que a atividade no bloco FZA-M-59 está em fase de pesquisa exploratória e que estudos prévios não apontaram impactos socioambientais diretos sobre comunidades locais ou terras indígenas.

Foto: Divulgação/Petrobrás

A empresa argumentou ainda que, embora entenda que a consulta prévia não se aplique a este tipo de licenciamento, realizou mais de 80 reuniões e audiências públicas em 22 municípios do Amapá e Pará.

Sobre as reclamações de ruídos trazidas por comunidades indígenas de Oiapoque devido ao sobrevoo de helicópteros e aviões, a Petrobras afirmou ter ajustado as rotas e aumentado a altitude das aeronaves em parceria com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA), o que teria reduzido significativamente o barulho relatado.

*Por Isadora Pereira e Welliton Lopes, da Rede Amazônica

Manaus bate novo recorde de temperatura e fumaça encobre a cidade pela 6ª vez em 15 dias

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Segundo o Inmet, o calor ocorre pela estiagem, clima equatorial, redução de áreas verdes urbanas e menor umidade do solo, que converte radiação solar em calor. Foto: Aguilar Abecassis/Cedida

Manaus (AM) passou dos 38°C pela primeira vez em 2026, na terça-feira (22). Os termômetros marcaram 38,6°C às 15h, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A temperatura também representa um novo recorde de calor do ano na capital amazonense. A marca supera em 1°C os 37,6°C registrados em 1º de setembro, até então a maior temperatura de 2026.

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Antes disso, Manaus havia registrado 37,3°C no dia 31 de agosto e 37,1°C em 25 de agosto.

Dias mais quentes de 2026 em Manaus (AM)
22 de setembro38,6°C
1º de setembro37,6°C
31 de agosto37,3°C
25 de agosto37,1°C
26 de agosto 36,9°C
11 de agosto36,3°C
10 de agosto36,2°C

Por que está tão quente em Manaus?

O calor intenso ocorre durante o período de estiagem no Amazonas, quando há menor frequência de chuvas e maior incidência de radiação solar.

Leia também: Especialistas explicam porque ilhas de calor deixam bairros de Manaus mais quentes no verão amazônico

Segundo a explicação apresentada pelo Inmet para os períodos de calor intenso em Manaus, a localização da cidade, sob clima equatorial, já favorece temperaturas elevadas e alta incidência de radiação solar.

A transformação do espaço urbano também contribui para a retenção de calor. A redução de áreas verdes, a impermeabilização do solo e a concentração de superfícies como asfalto e concreto dificultam o resfriamento natural da cidade.

Durante o período de estiagem, a menor umidade do solo e da vegetação também altera a forma como a energia solar é utilizada. Com menos água disponível para a evaporação, uma parcela maior dessa energia é convertida em calor, elevando a temperatura próxima à superfície.

Manaus encoberta por fumaça

Além do calor, já nesta quarta-feira (23), por volta das 5h15, o bairro Distrito Industrial I, na Zona Sul, registrou 587,9 µg/m³ de concentração de partículas no ar. Esse valor é mais de três vezes superior aos 160 µg/m³, referência máxima da escala utilizada pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) para a classificação da qualidade do ar.

Saiba mais: Saiba como monitorar a qualidade do ar na Amazônia em plataformas online

fumaça manaus 2026 foto aguilar abecassis
Foto: Aguilar Abecassis/Cedida

Os dados são do Selva, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Este é o sexto episódio de fumaça e altos índices de poluição registrado na capital amazonense em 15 dias.

Segundo a Prefeitura de Manaus, a fumaça é proveniente de áreas de queimadas em diversas regiões da Amazônia, principalmente nos municípios da Região Metropolitana de Manaus e do leste do Amazonas.

A qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³. A classificação chega a péssima acima de 125 µg/m³, com referência máxima de 160 µg/m³ na escala do Selva.

Qualidade do ar na Região Metropolitana

Manaus bate novo recorde de temperatura e fumaça encobre a cidade pela 6ª vez em 15 dias
Imagem: Reprodução/Selva

Além da capital, cidades da Região Metropolitana de Manaus também registravam níveis elevados de poluição na manhã desta quarta-feira (23). Em sete dos 13 municípios monitorados, os índices estavam acima de 125 µg/m³, faixa considerada péssima pelo Selva. Em Autazes, a concentração chegou a 576,6 µg/m³.

Os municípios com índices acima de 125 µg/m³ eram Manacapuru, Manaquiri, Careiro, Rio Preto da Eva, Iranduba, Autazes e Itacoatiara. Já em Borba, Silves e Careiro da Várzea, os índices variavam entre 77,4 e 109,8 µg/m³, considerados muito ruins.

Orientação de saúde

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) orientou a população a reduzir a exposição à fumaça, especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.

Nos períodos de pior qualidade do ar, devem ser evitados exercícios ao ar livre, principalmente caminhada, corrida e ciclismo. A população deve manter-se hidratada e proteger olhos e nariz. Quando a exposição for inevitável, máscaras adequadas, como a N95, podem ajudar a reduzir a inalação de partículas.

Leia também: Fumaça sobre Manaus acende alerta para cuidados que vão além da saúde respiratória

Tosse, irritação ou dor de garganta, ardência e lacrimejamento dos olhos, coriza, dor de cabeça, chiado no peito, falta de ar e piora de crises de asma são sinais de alerta.

Em casos leves, a orientação é procurar uma unidade básica de saúde. Para sintomas mais graves, deve-se buscar um serviço de pronto atendimento e, em emergências, acionar o Samu pelo 192.

*Com informações de Patrick Marques, Marcela Orquiz e Sabrina Rocha, da Rede Amazônica AM

Brigadas Ecológicas mobilizam indígenas Warao refugiados em Manaus

Moradores, lideranças, voluntários e equipes do Hermanitos e ACNUR participam das ações de cuidado ambiental, educação e melhoria dos espaços comunitários. Foto: Divulgação/Instituto Hermanitos

Mais de 80 indígenas do povo Warao, refugiados da Venezuela, já foram mobilizados pelas Brigadas Ecológicas do Centro de Sustentabilidade do Amazonas, realizadas em diferentes comunidades de Manaus. As atividades reúnem moradores, lideranças e voluntários em ações de cuidado ambiental, educação e melhoria dos espaços comunitários, fortalecendo a participação da população refugiada e migrante na construção de soluções para desafios presentes no cotidiano urbano.

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A primeira ação foi promovida no bairro Tarumã-Açu, onde vivem 14 famílias indígenas Warao, um total de 51 pessoas. Com o apoio de voluntários, os moradores participaram de um mutirão que envolveu limpeza da área externa, coleta de resíduos sólidos, capinação, instalação de uma lixeira comunitária, atividades de educação ambiental com crianças e jovens e um sopão comunitário.

Simplicio Antonio Nunes, liderança Warao que vive em Manaus há 11 anos, destacou a importância das brigadas ecológicas para a saúde e o bem-estar das famílias. “Estamos aqui arrumando agora a nossa casa para que não fiquemos doentes com carapanã e todo caso de enfermidade, como a diarreia e a febre. Agradeço primeiro a Deus e agradeço à instituição Hermanitos, que está ajudando todos nós”, disse.

Brigadas Ecológicas mobilizam indígenas Warao refugiados em Manaus
Brigadas Ecológicas estimulam o protagonismo das comunidades indígenas Warao na identificação de problemas e na construção coletiva de alternativas. Foto: Divulgação/Instituto Hermanitos

“Todo o trabalho parte da escuta comunitária, da construção conjunta de soluções e do empoderamento das pessoas para que sejam protagonistas das transformações em seus territórios. A gestão de resíduos sólidos, tema desta atividade, contribui diretamente para a saúde e o bem-estar das comunidades, além de ajudar a reduzir riscos e aumentar a resiliência face a eventos climáticos extremos”, explicou Juliana Serra, chefe do escritório do ACNUR em Manaus

De acordo com Anderson Mattos, coordenador de projetos e cofundador do Instituto Hermanitos, a atuação do Centro de Sustentabilidade Amazonas parte das demandas apresentadas pelos próprios moradores.

Leia também: Conservação do meio ambiente por meio de saberes ancestrais é comprovado em estudo

Brigadas Ecológicas mobilizam indígenas Warao refugiados em Manaus. Foto: Divulgação/Instituto Hermanitos

“A gente sabe que o lixo pode ocasionar doenças e, por meio do Centro de Sustentabilidade, estamos construindo soluções para a comunidade. Então, realizamos um mutirão de limpeza na entrada do Casarão. Também promovemos uma atividade de educação ambiental e um sopão com as mulheres, nessa proposta de resgatar e valorizar a cultura e a tradição por meio da gastronomia e da alimentação. Acreditamos que esse é o caminho para construirmos soluções, colocando a sociedade civil e essa população refugiada, migrante e indígena no centro, valorizando os saberes deles e para que todos possam ter uma vida com dignidade”, afirmou.

A segunda mobilização ocorreu no bairro Cidade de Deus, também em Manaus, reunindo mais de 30 indígenas Warao. No local, também foram realizadas as mesmas atividades de limpeza e educação ambiental. O encontro ainda promoveu troca de saberes, mobilização e fortalecimento dos vínculos comunitários.

A realização das atividades em diferentes territórios amplia a proposta das Brigadas Ecológicas de estimular o protagonismo das comunidades indígenas Warao na identificação de problemas e na construção coletiva de alternativas. Entre os temas trabalhados estão a gestão adequada dos resíduos, o acesso à água, a prevenção de doenças e o fortalecimento da resiliência diante dos impactos das mudanças climáticas.

Próxima ação

A programação das Brigadas Ecológicas terá continuidade ainda neste mês de setembro, com uma nova atividade prevista para acontecer em Manaus. As ações são promovidas pelo Centro de Sustentabilidade Amazonas, iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e coordenada pelo Instituto Hermanitos.

Contam com apoio do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, das Nações Unidas, Governo do Brasil e Consórcio Amazônia Legal, com financiamento do Governo do Canadá. A chinesa LONGi Green Energy Technology também é apoiadora.

Brigadas Ecológicas mobilizam indígenas Warao refugiados em Manaus. Foto: Divulgação

Sobre o Centro de Sustentabilidade Amazonas

O Centro de Sustentabilidade Amazonas desenvolve ações voltadas à sustentabilidade, adaptação cultural, fortalecimento comunitário e inclusão socioeconômica de refugiados e migrantes em Manaus, com atenção especial às populações indígenas urbanas.

*Com informações da ACNUR Brasil

‘Entrevistas’ debate preservação ambiental no entorno do trecho do meio da BR-319

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Foto: Reprodução/Amazon Sat

A proteção de áreas ambientais no entorno do chamado ‘trecho do meio‘ da BR-319 foi o tema do programa Entrevistas, exibido pelo canal Amazon Sat, uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica voltada aos temas discutidos em Brasília que impactam diretamente a Amazônia.

O episódio recebe o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, que aborda sobre o tema, considerado um dos principais desafios impostos pela pavimentação no trecho da rodovia que liga o Amazonas à Rondônia e o restante do Brasil.

Apresentado pelo jornalista Wellinton Lopes, o programa discute quais as medidas ambientais adotadas no entorno da BR-319, especialmente no trecho que compreende 405 quilômetros de extensão, para possibilitar a pavimentação da via, a única terrestre que liga o Amazonas à Rondônia o restante do Brasil.

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Entorno do trecho do meio da BR-319 tem sido alvo de desmatamento por conta dos trabalhos de pavimentação na área. Foto: Reprodução/DNIT

Na ocasião, João Paulo citou as ações desenvolvidas na área de influência da rodovia para fortalecer a segurança ambiental na região. Uma das medidas foi a criação de quatro Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) na área da BR-319, no Sul do Amazonas, totalizando cerca de 669 mil hectares. As RDS criadas são: Tupana Igapó-Açu I (Borba-AM), Tupana Igapó II (Beruri e Tapauá, no AM), Canaã (Careiro e Autazes, no AM) e Mirari (Humaitá-AM).

As reservas protegem a biodiversidade e os modos de vida agroextrativistas das populações locais, em categoria de unidade de conservação que admite o uso sustentável dos recursos pelos moradores.

Leia também: Decretos criam quatro reservas de desenvolvimento sustentável no Amazonas

“O objetivo é garantir que o entorno da rodovia mantenha as condições naturais que se encontra, recuperar algumas áreas degradadas no sentido de garantir integridade ambiental, de forma também a permitir o uso sustentável. As RDS preveem o uso de recursos, mas garante uma gestão que condiciona esse uso à proteção da floresta. Com essas quatro novas unidades, somando terras indígenas e unidades de conservação do estado, chegamos a 68% do entorno da BR-319 com algum status de proteção”, afirmou o ministro.

João Paulo Capobianco falou sobre as medidas ambientais para proteção ambiental no entorno da BR-319
Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, abordou sobre a preservação ambiental no entorno do trecho do meio da BR-319. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Combate ao desmatamento em torno da BR-319

Ao longo da entrevista, João Paulo Capobianco também afirmou que as ações que vêm sendo feitas no entorno do trecho do meio da BR-319 visam diminuir o desmatamento na região, que tem sido alvo de invasões ilegais após o anúncio de pavimentação na rodovia.

“Quando nós assumimos em 2023, aquela região era uma com maior aumento de desmatamento, um crescimento exponencial desde quando foi anunciado o asfaltamento em 2019. Houve uma corrida para a região e isso sempre acontece quando você anuncia uma obra de infraestrutura na BR-319 sem tomar as medidas adequadas. Isso levou o Governo Federal a elaborar uma ação coordenada envolvendo o Ibama, o ICMBio, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional e o governo estadual no sentido de regularizar esse aumento exponencial do desmatamento”, explicou o ministro.

Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Já em relação aos municípios, o secretário nacional frisou o programa União com Municípios pela Redução de Desmatamento e Incêndios Florestais, coordenado pelo Fundo Amazônia, que Apoiar a implementação do Programa União com Municípios pela Redução de Desmatamento e Incêndios Florestais, que promove a regularização fundiária, ambiental e assistência técnica e extensão rural em municípios prioritários para ações de prevenção, controle e redução do desmatamento e da degradação florestal no Bioma Amazônia.

“Com isso, nós criamos um ambiente muito positivo porque o município participa deste processo, recebe recursos, equipamentos, treinamentos e com isso ele também organiza melhor a atividade produtiva, que na realidade interessa a todos. O município quer ter economia, gerar emprego e renda, mas ele também quer que seja feita de forma legal, impedindo que haja desmatamento ilegal e as consequências disso. É um programa muito bem sucedido e que está ajustando as operações em campo de forma positiva”, frisou.

Além da BR-319 e do combate ao desmatamento, o ministro do Meio Ambiente e de Mudança do Clima também abordou sobre o cenário do El Niño para 2026, a regularização fundiária e outros temas que envolvem a Amazônia. A entrevista completa você confere aqui:

Entrevistas

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT-4).

Boto Cor de Rosa vence Festival dos Botos 2026 e conquista bicampeonato

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Resultado consagra o Boto Cor de Rosa após apresentação no sábado (19), no Lago dos Botos, com o tema ‘Tapajônica – A História Não Contada’. Fotos: Ronaldo Ferreira e Caio Lobato/CCOM

O Boto Cor de Rosa conquistou o título de campeão do Festival dos Botos 2026, com 477,5 pontos, chegando ao 13º título, contra 477 pontos do Boto Tucuxi. O resultado foi anunciado nesta segunda-feira (21), após a apuração das notas da disputa, realizada no Lago dos Botos, em Alter do Chão, no Pará.

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Abrindo a noite de apresentações no sábado (19), o Boto Cor de Rosa levou para a arena o tema ‘Tapajônica – A História Não Contada’, mergulhando na oralidade dos povos do Tapajós para apresentar histórias que atravessam gerações e que, muitas vezes, não estão registradas nos livros, mas permanecem vivas na memória e na voz daqueles que habitam o território.

Boto Cor de Rosa vence Festival dos Botos 2026 e conquista bicampeonato

O espetáculo destacou a relação profunda entre os povos, as águas e as matas, reconhecendo a natureza como parte fundamental da criação, da existência e da identidade amazônica. A apresentação também exaltou os ritmos, os saberes e a rotina daqueles que têm nas águas seu caminho e seu modo de vida. 

“É um grande momento para a gente, que se dedica muito durante todo o ano. Viemos de uma sequência de derrotas antes das duas vitórias consecutivas. Estamos muito felizes com esse resultado e com todo o trabalho realizado”, destacou Tiago Vasconcelos, presidente do Boto Cor de Rosa.

Leia também: 13 festivais imperdíveis para conhecer a cultura amazônica

Para a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, a apuração também representa um momento de celebração da força da cultura amazônica e do trabalho desenvolvido pelos dois competidores ao longo do ano. Ela destacou ainda o equilíbrio da disputa e a importância das duas agremiações para a valorização das tradições de Santarém.

“A apuração é um momento muito importante, e vimos que a diferença entre as pontuações foi muito pequena. Mais do que o resultado, os dois botos são fundamentais para fortalecer a nossa cultura, e ambos fizeram grandes espetáculos, valorizando as nossas tradições e a identidade amazônica”, destacou a secretária.

Boto Tucuxi

O Boto Tucuxi entrou na arena com o tema ‘Iburari, Ocara Sagrada’, apresentando ao público uma narrativa sobre a história e a identidade do povo Borari. A proposta partiu de Iburari, denominação histórica associada ao território onde se consolidou o aldeamento que deu origem à atual Vila de Alter do Chão.

Como elemento central, o espetáculo trouxe a Ocara Sagrada, compreendida como espaço de convivência, celebração e transmissão de conhecimentos. A apresentação estabeleceu um diálogo entre diferentes momentos da história Borari, valorizando a continuidade dos saberes e das tradições entre as gerações.

A vitória do Boto Cor de Rosa encerra a disputa de 2026 com uma diferença de apenas 0,5 ponto, resultado que evidencia o equilíbrio da competição e o trabalho desenvolvido pelos dois grupos para levar espetáculos marcados pela memória, ancestralidade e valorização da cultura amazônica.

*Com informações da Prefeitura de Santarém

Rondônia é escolhido como sede do Inova Amazônia Summit 2027

Foto: Emerson Rodrigo/Sebrae

Após reunir milhares de participantes em Rio Branco (AC), a próxima edição do Inova Amazônia Summit já tem destino definido: Porto Velho (RO). O anúncio consolida Rondônia como um dos protagonistas da bioeconomia na Amazônia.

Considerado o principal evento de bioeconomia, inovação e empreendedorismo da Amazônia Legal, o Inova Amazônia Summit é promovido pelo Sebrae e percorre os estados da região, valorizando soluções inovadoras, negócios sustentáveis e iniciativas capazes de transformar a biodiversidade em oportunidades econômicas.

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Em Rondônia, as atenções deverão se voltar especialmente para as Indicações Geográficas, que representam o fortalecimento territorial, a agregação de valor e o avanço de pequenos negócios.

As indicações geográficas do estado são Matas de Rondônia, Cacau de Rondônia e o Tambaqui do Vale do Jamari. Além das IGs já consolidadas, Rondônia também acompanha o avanço de novos processos de reconhecimento territorial.

Entre eles está a articulação em torno da valorização da carne de jacaré manejada na Reserva Extrativista do Lago do Cuniã, iniciativa que reforça a diversidade de ativos da bioeconomia rondoniense e o protagonismo das comunidades amazônicas.

Leia também: Inova Amazônia Summit 2026 discute novos caminhos para a economia sustentável

Para o presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae em Rondônia, Darci Cerutti — que recebeu das mãos do gerente da Unidade de Inovação do Sebrae Nacional, Paulo Renato Cabral, a missão de realizar a próxima edição —, o evento será uma honra para o estado:

“Estamos muito motivados e honrados com a realização do Inova Amazônia Summit em 2027. A edição deste ano foi um sucesso, o que aumenta nossa responsabilidade, mas certamente será um sucesso também. Nos vemos em Rondônia em 2027!”, concluiu Cerutti.

Inova Amazônia Summit acre 2026 Foto Emerson Rodrigo sebrae
Edição de 2026 foi realizada em Rio Branco, no Acre. Foto: Emerson Rodrigo/Sebrae

Inova Amazônia Summit

Em sua trajetória, o evento já passou pelo Pará, em 2022; Amazonas, em 2024; Amapá, em 2025; e pelo Acre, em 2026.

A edição realizada em Rio Branco, entre os dias 17 e 19 de setembro de 2026, reforçou o papel do Summit como espaço de conexão entre empreendedores, pesquisadores, investidores, lideranças empresariais e representantes do setor público, consolidando-se como referência para a discussão de soluções sustentáveis para a região.

Com a realização do evento em Porto Velho, Rondônia apresentará ao Brasil e ao mundo suas experiências em bioeconomia, produção sustentável e valorização dos recursos amazônicos. A combinação entre inovação, empreendedorismo e ativos territoriais únicos promete fazer da edição de 2027 mais um marco na história do evento.

*Com informações do Sebrae

Antes que a seca chegue

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Rio Negro, em Manaus (AM), na seca de 2023. Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM

Por Olímpio Guarany

A seca ainda não chegou ao seu momento mais crítico. E talvez seja exatamente por isso que este seja o momento mais importante para falar sobre ela.

O terceiro boletim do Painel El Niño 2026–2027 elevou o sinal de alerta. Os modelos indicam alta probabilidade de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027, com possibilidade de um episódio muito forte. Para o trimestre setembro-outubro-novembro, a previsão aponta chuvas abaixo da média em parte do centro-norte do país, associadas a temperaturas elevadas e maior déficit hídrico.

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Para a Amazônia, a preocupação é objetiva.

Um El Niño intenso e prolongado pode significar menos chuva, temperaturas mais altas, menor disponibilidade de água e aumento da vulnerabilidade da floresta ao fogo.

Mas previsão não é sentença. Os impactos não acontecem da mesma forma em todos os territórios.

A ciência está nos avisando. A pergunta agora é: o que faremos com essa informação?

Quando a previsão chega à porteira

Para o pequeno produtor amazônico, El Niño não é apenas uma linha em um gráfico.

É menos chuva ou chuva fora de hora.

É menos água disponível.

É solo mais seco.

É incerteza sobre quando plantar.

É menos pastagem para os animais.

É risco para a produção e para a renda.

O desafio é transformar informação climática em prevenção.

Assistência técnica antes da perda.

Segurança hídrica antes da falta d’água.

Crédito para adaptação antes do prejuízo.

Informação antes da decisão de plantar.

Porque prevenir custa.

Mas reconstruir quase sempre custa mais.

O produtor não pode fazer tudo sozinho

Há providências que começam dentro da propriedade.

Conservar o solo, proteger fontes de água, armazenar água, diversificar a produção e ajustar o calendário agrícola podem reduzir riscos.

Mas existe um limite.

Não podemos colocar sobre o pequeno agricultor toda a responsabilidade pela adaptação climática.

Informação meteorológica precisa virar orientação técnica.

Tecnologia precisa ser acessível.

Crédito precisa chegar no momento adequado.

Segurança hídrica exige infraestrutura.

Antes que a seca chegue
Seca provoca desafios na área rural. Com a previsão de um El Niño muito forte, a preocupação vai além da seca: falta de chuvas, desmatamento e outros fatores também geram alerta. Foto: Reprodução/Agência Amazonas

Talvez esteja aí um dos maiores desafios da Amazônia rural: fazer uma previsão produzida por satélites e centros de pesquisa chegar à pequena propriedade na forma de uma decisão simples:

quando plantar, o que plantar, como proteger a água e como reduzir o risco de perder a produção?

A distância entre a ciência e a porteira precisa diminuir.

A preparação começou; agora precisa chegar à ponta

Neste mês, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico apresentou um plano específico de preparação para os impactos do El Niño 2026–2027 sobre os recursos hídricos brasileiros.

Entre as medidas estão salas de crise regionalizadas, acompanhamento das condições de seca, instrumentos regulatórios e articulação com ações voltadas à estiagem na Amazônia e no Pantanal.

É um passo importante porque muda a lógica.

Em vez de esperar o problema se transformar em emergência, busca-se acompanhar os sinais antes da fase mais crítica.

O Governo Federal também anunciou um planejamento de R$ 1,335 bilhão para preparação e resposta a possíveis impactos do El Niño, envolvendo abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde, monitoramento hidrológico, fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios.

As ações são coordenadas por uma sala de situação que reúne 24 ministérios e instituições.

São números expressivos.

Mas existe uma pergunta que os números, sozinhos, não respondem:

quanto disso chegará à Amazônia antes que o problema se transforme em emergência?

Esse será o verdadeiro teste da prevenção.

Preparar a agricultura para um novo clima

Também existem instrumentos permanentes que podem fazer parte dessa resposta.

O Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027 prevê R$ 85,2 bilhões em operações do Pronaf, além de ações envolvendo assistência técnica, compras públicas, irrigação, bioeconomia e adaptação climática.

Leia também: Seca e estiagem: entenda as diferenças entre os fenômenos que ocorrem na Amazônia

Seca lembra que é necessário preparação. Foto: Reprodução/Agência Amazonas

O desafio não é apenas criar políticas.

É fazê-las conversar entre si.

Monitoramento climático precisa conversar com assistência técnica.

Assistência técnica precisa conversar com crédito.

Crédito precisa conversar com adaptação.

E tudo isso precisa conversar com o produtor.

A bioeconomia também precisa ser resiliente

Nos últimos anos, a bioeconomia ganhou espaço como alternativa para conciliar floresta em pé, produção e geração de renda.

Esse caminho precisa continuar.

Mas devemos acrescentar uma palavra: resiliência.

Açaí, castanha, cacau, mel, frutos, óleos, pesca, extrativismo e sistemas agroflorestais dependem diretamente dos ciclos da natureza.

Não basta construir uma economia capaz de manter a floresta em pé.

Precisamos construir uma economia capaz de continuar gerando renda quando o clima colocar essa floresta — e quem vive dela — sob pressão.

Uma bioeconomia sustentável também precisa estar preparada para os extremos climáticos.

Ainda temos tempo

Talvez esta seja a informação mais importante.

Ainda temos tempo.

Não podemos controlar a temperatura do Pacífico.

Não podemos determinar quanto vai chover.

Mas podemos decidir o que fazer com o conhecimento que já temos.

Podemos identificar os territórios mais vulneráveis.

Levar informação ao produtor.

Fortalecer a assistência técnica.

Proteger fontes de água.

Financiar adaptação.

Preparar estoques e sistemas de abastecimento.

E colocar as próprias comunidades dentro das decisões.

A preparação começou em algumas frentes.

O desafio agora é fazer com que ela saia dos planos, atravesse as instituições e chegue aos territórios antes da emergência.

No meu artigo anterior fiz uma pergunta:

Quem vai pagar a conta da grande seca?

Agora acrescento outra:

quanto dessa conta ainda podemos evitar?

A resposta começa hoje.

Porque prevenção não começa quando o rio seca.

Não começa quando a lavoura morre.

Não começa quando a comunidade fica isolada.

Começa antes que a seca chegue.

Sobre o autor

Olímpio Guarany é jornalista, documentarista, economista e professor universitário. Durante dois anos navegou o rio Amazonas e diversos afluentes, desde sua foz até o rio Napo, no Equador. De barco, seguiu pelo rio Napo até o sopé da Cordilheira dos Andes. A partir dali, subiu a cordilheira até chegar a Quito, refazendo os caminhos de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia.

*O conteúdo é responsabilidade do colunista

El Niño: pesquisadores identificam calor intenso e redução de chuva em área preservada na Amazônia

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Foto: Reprodução/Fundação Amazônia Sustentável

Os pesquisadores do Observatório da Torre Alta da Amazônia, o ATTO, estão monitorando os impactos do fenômeno El Niño sobre uma área de floresta primária preservada na Amazônia. Os cientistas acompanham indicadores como volume de chuva, temperatura e umidade do ar, além da temperatura e da umidade do solo.

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Os dados são captados por instrumentos instalados em uma torre de 325 metros de altura, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, a cerca de 150 quilômetros de Manaus (AM).

Os resultados coletados apontam uma intensificação das condições de calor e seca na região. Em setembro, a temperatura da floresta chegou a ficar 2,4 graus Celsius acima da média registrada nos últimos 14 anos para o mesmo período.

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A redução das chuvas também chama a atenção. Em julho, foram registrados apenas 21 milímetros de precipitação, volume 73% menor que a média histórica. Em agosto, o índice permaneceu no mesmo patamar. Já em setembro, até o momento, foram registrados apenas 2 milímetros de chuva, uma queda de quase 66%.

A umidade relativa do ar também apresentou redução significativa e ficou abaixo dos níveis normalmente observados para esta época do ano. No solo, o cenário é semelhante. A temperatura permanece acima da média desde janeiro, enquanto a umidade nas camadas superficiais segue em níveis baixos.

Projeto torre ATTO monitora clima e fenômenos como o el niño na floresta amazônica Foto Acervo Inpa
Foto: Divulgação/Inpa

Efeitos do El Niño

Segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Cléo Quaresma, os efeitos mais evidentes do El Niño começaram a ser percebidos a partir de julho, com o início da estação seca.

O monitoramento busca entender como a combinação de menos chuva e temperaturas mais elevadas pode afetar o funcionamento da floresta. A principal preocupação dos pesquisadores é a possibilidade de mudanças profundas, alterando processos como as trocas de carbono e água com a atmosfera.

O observatório já registrou efeitos semelhantes durante episódios anteriores do El Niño, especialmente nos períodos de 2015 a 2016 e de 2023 a 2024. O acompanhamento atual deverá ajudar a compreender como a floresta responde a eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

*O conteúdo foi ofiginalmente publicado pela RadioAgência Nacional, escrito por Tatiana Alves

Mormaço Cultural 2026 reuniu mais de 200 mil pessoas

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A segunda etapa do Mormaço Cultural movimentou o Parque do Rio Branco entre os dias 18 e 20 de setembro, reunindo música, cultura e muita diversão. Foto: Divulgação/PMBV

Depois de três dias de apresentações locais, nacionais e intervenções artísticas em um dos maiores cartões-postais de Boa Vista, o Mormaço Cultural 2026 se despediu deixando aquele gostinho de “quero mais”. A 5ª edição do maior festival de artes integradas do estado reuniu mais de 200 mil pessoas no Teatro Municipal de Boa Vista e no Parque do Rio Branco.

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Com uma programação eclética, voltada para todas as idades, o Mormaço teve sua primeira etapa no Teatro Municipal, de 9 a 13 de setembro, com apresentações de artistas locais e da Focus Cia de Dança, do Rio de Janeiro, que apresentou os espetáculos “As canções que você dançou pra mim” e “Bichos Dançantes”, além de promover um workshop de dança contemporânea.

A primeira etapa do festival aconteceu no Teatro Municipal, de 9 a 13 de setembro, com artistas locais e a Focus Cia de Dança, do Rio de Janeiro. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

Já a segunda etapa, no Parque do Rio Branco, ocorreu de 18 a 20 de setembro. Além dos artistas da terra, o público prestigiou o show de Amado Batista, Kevin o Chris, Cidade Negra, Seu Jorge, Ferrugem, Fresno, Melody, Cat Dealers, Filipe Ret e Dennis. Nesse domingo, 20, o “Mormacinho” agitou a criançada com a apresentação dos Bolofofos.

Vander Frank Araújo curtiu a primeira noite da programação no Parque com a família. “Eu adoro o Mormaço. Vim na primeira edição e depois fui embora de Boa Vista. Voltei recentemente e fui ao evento com meu irmão e meu primo, além de levar minha mãe para prestigiar o Amado Batista. E também aproveitamos para curtir Seu Jorge”, contou.

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Mormaço Cultural 2026 reuniu mais de 200 mil pessoas
Seu Jorge foi uma das atrações nacionais da edição deste ano. Foto: Leonardo Matheus/PMBV

Gastronomia

Já que a cultura de uma cidade também se faz da gastronomia, o Mormaço Cultural promoveu, no sábado, 19, uma aula-show especial com o chef Olivier Anquier, na cozinha do restaurante do Sesc, localizada no Centro. O encontro reuniu amantes da gastronomia, profissionais e estudantes da área, além de pessoas interessadas em conhecer de perto as técnicas e experiências compartilhadas pelo chef.

Segurança

A programação no Parque do Rio Branco também foi um sucesso no quesito segurança, com a presença de agentes da Guarda Civil Municipal (GCM), da Superintendência Municipal de Trânsito (SMTRAN) e do Corpo de Bombeiros, garantindo a proteção e o bem-estar do público durante todo o evento.

Negócio do Acre aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate artesanal

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Além do Cacau trabalha com identidade amazônica e expõe produtos no Inova Amazônia Summit, em Rio Branco. Foto: Renato Menezes/Rede Amazônica AC

Transformar um ingrediente tradicional do Acre em um produto capaz de chegar a diferentes mercados é a proposta de um empreendimento acreano que desenvolveu um chocolate artesanal com farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul, do interior do estado.

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A iniciativa une gastronomia, identidade regional e inovação e se conecta à proposta do Inova Amazônia Summit, realizado entre os dias 17 e 19 de setembro, em Rio Branco, para discutir negócios baseados na biodiversidade e no potencial econômico da Amazônia.

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A farinha de Cruzeiro do Sul, que possui Indicação Geográfica (IG) desde 2017, foi escolhida para ser um dos elementos centrais da primeira barra de marca própria da empresa. O ingrediente é incorporado ao chocolate para garantir crocância e, ao mesmo tempo, levar para o produto uma referência direta à cultura acreana.

A sócia-proprietária da Além do Cacau, Halianne Peres, explica que a escolha do ingrediente une gastronomia, identidade regional e inovação e transformou uma matéria-prima tradicional em parte de um produto com circulação nacional e internacional.

Chocolates com farinha regional são feitos com 40% e 56% de cacau, acima do mínimo que é preciso para ser considerado chocolate. Foto: Renato Menezes/Rede Amazônica AC

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“Nós queríamos traduzir os sabores do Acre através do chocolate e era necessário selecionar um ingrediente para isso. Nós escolhemos a farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul, que tem essa identidade geográfica e, para além disso, é um ingrediente que representa a nossa cultura. Nós quisemos aproveitar, unir essa parte da nossa cultura com uma inovação para o chocolate”, explicou.

A escolha também interfere diretamente na experiência de quem prova o produto. Segundo Halianne, a farinha não é utilizada para alterar a estrutura da massa, mas para criar uma textura diferente.

A barra, batizada de ‘O Acre Existe’, tornou-se o carro-chefe da marca. A produção é feita por um parceiro da empresa, que recebe a farinha enviada para manter a receita e a produção exclusivas do negócio acreano. “Ela é uma farinha bem crocante. Quem não conhece, quando come o chocolate, pensa que é um amendoim ou uma castanha. […] Ela traz a crocância”, contou.

Negócio do AC aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate artesanal
Halianne Peres é socia-proprietaria do negócio ‘Além do Cacau’, que usa farinha de Cruzeiro do Sul na confecção de chocolates artesanais do Acre. Foto: Renato Menezes/Rede Amazônica AC

A estratégia é transformar a identidade regional em parte do próprio produto. O nome da barra brinca com uma pergunta que, segundo Halianne, ainda aparece quando ela apresenta o Acre fora do estado.

“Quando as pessoas perguntam: ‘o Acre existe?’ quando a gente está viajando, eu falo: ‘existe e você pode provar através do chocolate'”, reforçou.

Negócio que vai além do chocolate

A barra com farinha é apenas um dos produtos dentro da estratégia da Além do Cacau. A empresa funciona como uma curadoria de chocolates artesanais brasileiros e reúne cerca de 50 sabores, além de café cultivado no Acre, nibs de cacau, pastas e um chá com sabor e aroma de chocolate.

A loja física foi inaugurada em dezembro de 2021, mas a atuação da empresa não ficou restrita ao espaço. A marca participa de feiras e eventos no Acre e em outros estados e mantém vendas para diferentes regiões do Brasil e também para o exterior.

Empresa também trabalha com outros produtos e expõe no Inova Amazônia Summit, em Rio Branco. Foto: Renato Menezes/Rede Amazônica AC

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A trajetória começou a partir de uma mudança profissional de Halianne, que é administradora e passou quase duas décadas no setor financeiro. A relação com o empreendedorismo, porém, começou ainda na infância, acompanhando a mãe, com quem hoje divide a sociedade na empresa.

A transição para o setor de chocolates veio acompanhada da intenção de criar um negócio que tivesse, além do retorno financeiro, uma relação com pequenos produtores, sustentabilidade e valorização cultural.

Negócio do AC aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate artesanal. Foto: Renato Menezes/Rede Amazônica AC

A empresária também buscou trabalhar com chocolates com uma composição mais simples, sem aromatizantes e gordura hidrogenada, em uma proposta diferente da adotada pela indústria convencional.

“Nunca foi sobre vender chocolate, não foi só sobre vender produto. É sobre trazer e criar conexões, respeitando as nossas culturas, valores e a sustentabilidade”, afirmou.

Ingrediente que representa a região

É justamente a transformação de matérias-primas e conhecimentos amazônicos em produtos com maior valor agregado que aproxima a história da Além do Cacau da proposta do Inova Amazônia Summit.

Para o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a realização do encontro no Acre é uma oportunidade de apresentar produtos e negócios amazônicos a compradores e investidores do Brasil e de outros países.

“O Acre foi selecionado pelo destaque no programa Inova Amazonia, realmente demonstrando seu potencial da diversidade biológica que nós temos aqui, e isso foi o grande diferencial para o evento ser sediado aqui este ano. O melhor ainda é que estamos fazendo um evento internacional, então este ano realmente vai demonstrar a grandeza que é esse evento”, frisou Rosa Nakamura, gestora de Inovação do Sebrae no Acre.

Inova Amazônia Summit reúne bioeconomia e negócios no Acre. Foto: Renato Menezes/Rede Amazônica AC

Nesta edição, 90 pequenos negócios ligados à bioeconomia dos nove estados da Amazônia Legal participam do Summit. O evento também tem 20 representantes de Indicações Geográficas (IGs), além de rodadas de negócios nacionais e internacionais e rodadas de investimentos para startups e outros negócios inovadores.

Do Acre, são 30 startups, segundo o Sebrae, além de representantes de duas Indicações Geográficas: o açaí de Feijó e a farinha de Cruzeiro do Sul, justamente o ingrediente usado pela Além do Cacau na barra que se tornou o principal produto da marca.

Negócio do AC aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate artesanal. Foto: Walace Gomes/Rede Amazônica AC

“Tudo é possível se transformar. Através da inovação, eles conseguem transformar aquele simples produto em um produto inovador para que possa, acelerado, se expandir até entrar no mercado, até internacional”, falou.

Da farinha ao mercado internacional

A história da Além do Cacau mostra, na prática, esse processo. Um ingrediente tradicional, associado à alimentação e à cultura de uma região específica do Acre, passou a fazer parte de um produto que é apresentado em feiras, eventos e mercados fora do estado.

A empresa também já participou de iniciativas apoiadas pelo Sebrae, incluindo uma loja colaborativa durante a COP30 e a ExpoAlimentaria, feira internacional realizada na América Latina. Durante a COP30, segundo Halianne, os produtos enviados para a loja colaborativa foram vendidos integralmente.

A participação em eventos também se tornou uma estratégia para ampliar o alcance da marca e criar contato direto com consumidores.

“A gente está sempre em eventos externos, fora da loja, para justamente criar essas conexões. Quando a pessoa já vem aberta para conhecer novos negócios, novos empreendimentos, a gente consegue fazer essas conexões”, explicou.

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Além do Cacau também trabalha com chá de cacau. Foto: Renato Menezes/g1

A proposta, no fim, é fazer com que a origem do produto seja parte de seu valor, e não apenas uma informação na embalagem. No caso da barra ‘O Acre Existe’, a farinha de Cruzeiro do Sul não aparece somente como ingrediente: ela é a conexão entre o chocolate, o território e a identidade que a empresa pretende levar para outros mercados.

“Tem quatro anos seguidos que a gente participa da Expoacre, então muita gente chega na loja através desses eventos externos, das feiras do Sebrae, outras feiras que a gente participa também. Aonde nos chamam, nós vamos e temos esse corpo a corpo com cliente, e aí a gente chega onde os nossos braços não estão conseguindo alcançar mais”, frisou.

*Por Renato Menezes, Rede Amazônica AC