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Livro explora potencial da bioindústria amazônica de forma sustentável

Foto: Divulgação/IPAM Amazônia

A busca por caminhos que conciliam desenvolvimento econômico e conservação da floresta ganha destaque no livro ‘Bioindústrias na Amazônia: contribuições para o desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal’, entregue pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM Amazônia) a representantes da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) no dia 2 de abril, em Brasília.

A publicação, que tem lançamento oficial previsto para maio, é uma parceria entre as duas instituições e reúne um diagnóstico aprofundado com dados, análises e reflexões sobre o uso sustentável da biodiversidade, apontando possibilidades para fortalecer cadeias produtivas e valorizar os saberes das comunidades locais.

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As bioindústrias se inserem em um modelo produtivo que tem como base o uso de recursos da biodiversidade, como plantas, sementes e outros insumos naturais, para a produção de alimentos, cosméticos, fármacos e outros produtos de valor agregado.

O livro é resultado de pesquisa que mapeou empreendimentos, cadeias produtivas e diversas áreas de território da bioindústria na Amazônia Legal, combinando dados, visitas de campo e diálogos com comunidades, pesquisadores e gestores.

Leia também: Pesquisa revela potência da bioindústria nos territórios da Amazônia

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Foto: Reprodução/ABDI

Livro enfatiza desafios

Para Gabriela Savian, diretora de Políticas Públicas do IPAM, a bioindústria na Amazônia não parte do zero — ela já existe, está distribuída nos territórios e envolve milhares de empreendimentos e quase um milhão de pessoas, como levantado pelo estudo.

“O livro evidencia que o principal desafio não é criar novas iniciativas, mas dar condições para que essas experiências ganhem escala, agreguem mais valor local e se conectem a uma estratégia de desenvolvimento mais estruturada”, aponta.

A publicação traz uma definição de bioindústria adaptada à Amazônia, destacando a sustentabilidade, a valorização dos conhecimentos tradicionais e apontando desafios, como a falta de infraestrutura, além de sugerir ações para fortalecer o setor.

“Os dados e análises apresentados reforçam que a bioindustrialização precisa ser tratada como uma agenda integrada de política pública, articulando inovação, financiamento, infraestrutura e conservação. Quando bem coordenada, ela tem potencial não apenas de gerar renda e emprego, mas de reposicionar a Amazônia como parte central da economia do futuro, alinhada à transição ecológica”, afirmou Savian sobre o livro.

A bioindústria na Amazônia está diretamente ligada ao reconhecimento do papel das populações amazônicas na gestão desses recursos. Ao valorizar conhecimentos tradicionais e práticas locais, esse modelo contribui para ampliar a participação de comunidades na economia, ao mesmo tempo em que fortalece estratégias de conservação e uso responsável da biodiversidade.

“É uma grande honra ver a ABDI nessa parceria com o IPAM, entregando à sociedade e às instituições, representadas pelo vice-presidente da República, pelos bancos financiadores e por demais organizações, um produto com um nível de profundidade inédito sobre a bioindústria da Amazônia. Recursos para a bioindústria existem. O que estamos apresentando é onde ela está, quais são os gargalos e quais são suas potencialidades, para que possamos promover cada vez mais desenvolvimento para a Amazônia, sempre com olhar atento e respeito à floresta”, afirmou Perpétua Almeida, diretora de sustentabilidade da ABDI.

Estudos e iniciativas recentes, como o mapeamento de empreendimentos ligados à sociobiodiversidade realizados pela ABDI e o IPAM, apontam a necessidade de criar ambientes favoráveis para que essas cadeias produtivas gerem renda, inclusão social e respeito aos territórios, mostrando que a bioeconomia pode ser um vetor de crescimento alinhado à conservação ambiental no bioma amazônico.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia, escrito por Suellen Nunes

Estudo defende avaliação ambiental estratégica para planejamento de transportes na Amazônia

Foto: Danyel Paranayba/ ISA

A Nota Técnica ‘Contribuições da Avaliação Ambiental Estratégica para o planejamento de transportes na Amazônia’, publicada no dia 2 abril, defende a incorporação da Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) ao planejamento federal de transportes como forma de enfrentar a ausência de análise sistemática dos impactos socioambientais associados ao avanço de corredores logísticos na Amazônia

O documento foi elaborado como parte do projeto de pesquisa “Avaliação de impactos cumulativos no Xingu”, desenvolvido pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA).

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O texto é destinado à sociedade civil e atores do poder público, especialmente aqueles envolvidos nas decisões sobre o planejamento de transportes no país, e no contexto de elaboração do Plano Nacional de Logística 2050. O objetivo é apresentar recomendações para que o setor federal de transportes passe a considerar riscos e impactos socioambientais de forma mais ampla e preventiva.

O problema destacado no documento “Avaliação de impactos cumulativos no Xingu” está concentrado nos corredores logísticos amazônicos do chamado Arco Norte, com destaque para as rotas que utilizam os rios Tapajós, Madeira e Tocantins como hidrovias para o escoamento de commodities agrícolas. A nota aponta que, ao longo de pouco mais de uma década, essas rotas deixaram de ser secundárias e passaram a ocupar posição central na logística de exportação brasileira. 

“Dados de desempenho aquaviário da ANTAQ (2026), os portos do Arco Norte já respondem mais do que as rotas tradicionais pela movimentação de soja e milho no país, chegando a um volume de exportações de 56,5 milhões de toneladas no ano de 2025, um crescimento de quase 10 vezes em apenas 15 anos”, aponta o documento.

Estudo defende avaliação ambiental estratégica para planejamento de transportes na Amazônia - rio madeira faz parte do arco norte
Rio Madeira. Foto: Leandro Morais/Defesa Civil de Porto Velho

“Em 2025, ainda de acordo com a ANTAQ, as principais cargas transportadas por hidrovias no país foram soja (31,8 mton) e milho (20,2 mton), sendo que a região Norte respondeu por 74,1% da navegação interior do país neste ano”, completa.

De acordo com a publicação, essa expansão ocorre porque os corredores oferecem ganhos logísticos, com redução de distâncias e custos, mas seus efeitos cumulativos, territoriais e regionais, vêm sendo tratados de forma insuficiente no planejamento de transportes. Essa falha de avaliação, segundo o documento, ajuda a explicar a persistência de conflitos sociais e territoriais na Amazônia.

Leia também: USP e ISA firmam parceria para medir impactos cumulativos na Bacia do Xingu

Mariel Nakane, economista do ISA defende a importância dessas mudanças na política de transportes. “Os impactos cumulativos dos corredores logísticos no interflúvio Tapajós-Xingu, na bacia do Madeira e na bacia do Tocantins, nunca foram considerados pelo governo. Essa lacuna precisa ser suprida na política de transportes, porque se trata de avaliar se fomentar os corredores logísticos na Amazônia é a melhor opção de política pública do ponto de vista socioambiental. Essa é uma pergunta fundamental e estratégica que precisa ser respondida de forma dialógica considerando as realidades dos territórios”, afirma.

Etapas para implementar a Avaliação

Como encaminhamento, a nota elenca um conjunto de etapas para implementar a AAE no planejamento de transportes, entre eles, definição dos objetivos estratégicos, consulta pública, identificação de questões relevantes, articulação com outras políticas territoriais, análise de alternativas, mapeamento de riscos e oportunidades, elaboração de relatório e monitoramento contínuo por meio de indicadores sociais e ambientais. 

“Atualmente, os impactos ambientais e sociais decorrentes dos corredores logísticos na Amazônia não são devidamente considerados. Os impactos são avaliados de forma fragmentada no âmbito do licenciamento, sendo negligenciados os seus efeitos cumulativos. Argumentamos então que precisamos de uma avaliação estratégica desses impactos, para melhor integração de planos de desenvolvimento, planos de uso do solo e os planos de diferentes setores que são de interesse no desenvolvimento de corredores logísticos que englobam diferentes modais de transporte”, diz Juliana Siqueira-Gay, da Poli/USP.

Leia a Nota Técnica na íntegra.

Na avaliação das autoras, esse caminho permitiria ao Brasil deixar uma postura reativa para ter atuação mais sistemática, proativa e estratégica, orientando o planejamento da infraestrutura com base em limites ecológicos, valores socioculturais e realidades territoriais.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Socioambiental

Documentário reúne relatos sobre a tragédia do naufrágio Anna Karoline 3

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Documentário ‘Anna Karoline III: A história que o rio nunca esqueceu’ tem cerca de 50 minutos. Foto: Divulgação/GEA

Após seis anos do naufrágio do navio Anna Karoline 3, uma produção audiovisual conta a história de uma das maiores tragédias da região amazônica. O telefilme ‘Anna Karoline III: A história que o rio nunca esqueceu’ tem cerca de 50 minutos e reúne relatos inéditos de sobreviventes, familiares de vítimas e profissionais que atuaram no resgate, reconstruindo, pela memória, os momentos que marcaram o naufrágio da embarcação.

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De acordo com um dos diretores da produção, Thomé Azevedo, o documentário busca se aproximar do chamado “cinema verdade”.

“Podemos dizer que este filme retrata sofrimento, perdas e momentos de grande dor. Mas é uma peça importante para a memória dessas tragédias que acontecem na Amazônia”, afirma Thomé Azevedo, produtor e responsável pelas entrevistas.

A narrativa é construída principalmente a partir de entrevistas com pessoas diretamente afetadas, que relembram detalhes do dia da tragédia — desde os motivos da viagem até os momentos que antecederam o desastre.

Leia também: “Nossa dor não naufragou”: tragédia da embarcação Anna Karoline 3 completa dois anos

Além dos relatos de vítimas e familiares, o telefilme também traz contribuições de profissionais que atuaram na ocorrência, como equipes da Polícia Técnico-Científica, Corpo de Bombeiros e forças de segurança, além de jornalistas que acompanharam a cobertura.

“Mais do que revisitar o passado, a obra também busca provocar reflexão e conscientização. O filme aponta para a importância de medidas preventivas em viagens fluviais, como a verificação das condições das embarcações e cuidados básicos de segurança, contribuindo para evitar novos acidentes”, destaca o diretor Marcelo Nobre.

Navio Anna Karoline 3 após ser içado — Foto: GTA/Divulgação
Navio Anna Karoline 3 após ser içado. Foto: Divulgação/GTA

Lançamento e exibição

O telefilme teve uma exibição especial em formato avant-première no Cine Movieland nesta sexta-feira (17), em sessão reservada para familiares das vítimas, autoridades e participantes da produção. A produção foi disponibilizada gratuitamente ao público no canal oficial da Duas Telas Produtora Cultural no YouTube.

A produção foi realizada por duas produtoras privadas em um projeto que foi aprovado no edital nº 003/2023 da Secretaria de Estado da Cultura do Amapá (Secult-AP), por meio da Lei Paulo Gustavo, voltado à produção de telefilmes no estado.

Relembre o naufrágio do navio Anna Karoline 3

No dia 29 de fevereiro de 2020, o navio Anna Karoline 3 naufragava, entre o Amapá e o Pará, deixando 40 mortos, 51 sobreviventes e ainda 2 desaparecidos.

A viagem partiu de Santana, a 17 quilômetros de Macapá, em direção a Santarém, no Sudoeste do Pará), mas a tragédia aconteceu no meio do caminho, entre os rios Amazonas e Jari.

A investigação da Polícia Civil do Amapá apontou que o navio estava com 70% de sobrecarga. A embarcação deveria carregar, no máximo, 100 toneladas, mas no dia do naufrágio, transportava cerca de 175 toneladas.

Leia também: MPF pede indenização por danos materiais e morais às vítimas do naufrágio da Anna Karoline III no Amapá

A investigação apontou que não somente o excesso de peso influenciaram para o acidente, mas uma série de fatores:

  • A rota feita pela embarcação não era autorizada pela Capitania do Portos;
  • O despachante do porto emitiu documento com informações falsas sobre a carga;
  • Militares da Marinha não passaram mais de 5 minutos fiscalizando o navio;
  • A embarcação fez um abastecimento irregular no meio da rota;
  • As condições climáticas não eram favoráveis para tal manobra;
  • Quem conduzia o barco no momento do abastecimento era o tripulante indiciado e não o comandante.

*Por Francisco Pinheiro, da Rede Amazônica AP

Mais de 2 mil km de bicicleta: cinquentenário da viagem em duas rodas pela BR-319

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José Américo na divisa do Estado do Amazonas com o Território Federal de Rondônia. Foto: José Américo/Acervo pessoal

Por Dudu Monteiro de Paula

Há 50 anos, dois manauaras decidiram desafiar a selva e também o senso comum: José Américo e Rubens Carneiro. A dupla pegou bicicletas simples e mochilas leves com o objetivo de chegar à Porto Velho (RO) em uma viagem pela BR‑319. No total, 885 quilômetros de viagem.

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Acompanhe as informações históricas de José Américo Reis Vieira no texto de Maristela Dorigo, cedido para divulgação:

Cinquentenário Manaus – Porto Velho – Manaus: de bicicleta na BR-319

No último mês de fevereiro, completou 50 anos da aventura pela Amazônia. Às vésperas da inauguração da BR 319, em 1976, dois desbravadores manauaras, José Américo Reis Vieira e Rubens Carneiro, se lançaram numa aventura para percorrer de bicicleta os 885 km que separam Manaus de Porto Velho. Atravessaram a Amazônia pela BR 319, fazendo ida e volta em 8 dias, num total de aproximadamente 2000 km, pois além do citado percurso Manaus – Porto Velho – Manaus, ainda desviaram uns 200 km indo para Lábrea.

A ideia de fazer esta viagem de bike surgiu a princípio em fazer uma experiência para sentir o quanto poderiam pedalar sem apoio e sem carregar alforges. A intenção era uma pedalada de Manaus à São Paulo até a fábrica da Monark que calcularam poder fazer em menos de um mês.

Saíram de Manaus no dia 3 de fevereiro, levando uma pequena mochila com alguns provimentos, tipo rapadura e carne desidratada (importada), ovos cozidos, algumas frutas, rede de nylon que cabia num copo, uma faca, uma garrafa de água que abasteciam no rio, pílulas contra a malária, máquina fotográfica Olympus tríplice 35, lanterna fixada no guidão e muita loucura.

Muitos fatos ocorreram durante a viagem. Certo dia cruzaram com a Polícia Rodoviária Federal (detalhe na foto — carro Brasília do ano e calças pantalonas), que os interpelou para saber o que estavam fazendo naquela estrada. Ao tomarem conhecimento de que vinham de Manaus em direção à Porto Velho, os chamaram de loucos, dizendo que se os índios os pegassem, iriam matá-los e das bicicletas fazer ponta de flecha. Sabiam que estavam com fome e lhes deram “bolacha de motor” e guaraná e assim seguiram viagem.

Numa madrugada em que dormiam com a cabeça recostada na mochila feito travesseiro, num recuo próximo à estrada, por ser mais quente devido ao calor acumulado pelo asfalto durante o dia, ouviram esturros de onças. Era por volta de três horas e num salto apanharam suas coisas e saíram pedalando desabalados. Após uma hora de pedalada ainda ouviam as onças, o que os levou a pensar que estavam os seguindo ou estavam indo justamente ao encontro destas.

José Américo atravessando uma ponte sobre igarapé. Foto: José Américo/Acervo pessoal

Foi assustador ouvir os esturros de onças ecoando pela selva.

Não menos assustador era passar sobre cobras à noite. Eram muitas que vinham para o asfalto. Durante o dia era fácil desviá-las, mas na calada da noite sentiam apenas o solavanco ou quando estas se enroscavam na bicicleta, tinham de ser rápidos em levantar as pernas e pular da bike. Restava a tarefa de, munidos de lanterna, retirar a peçonhenta. O medo era encontrar uma sucuri ou um jacaré “passeando” pelo asfalto. Era comum vê-los durante o dia, parados feito pedras na estrada.

Os perigos eram muitos. Causava muita tensão o fato de os alertarem sobre a existência de uma tribo nômade. Graças a Deus não tiveram a infelicidade de encontrá-los.

José Américo durante a pedalada. Foto: José Américo/Acervo pessoal

Também é curioso o fato de certo dia em que dormiam num paiol cedido por administradores de uma fazenda (produtora de arroz), Américo alertou o amigo para deixarem as bicicletas de ponta cabeça, com o selim e guidão no chão, e assim evitarem que ratos roessem os pneus. Foi a decisão certeira. Ao acordarem pela manhã, constataram que os punhos estavam roídos. Se fossem os pneus, teriam arranjado uma grande encrenca.

Certa noite, na parada para espera da balsa que fazia a travessia do rio, pediram a um caminhoneiro se poderiam dormir debaixo do caminhão e assim que amanhecesse, os acordasse antes de entrar na balsa. Ainda bem que o motorista não esqueceu de acordá-los.

Algumas travessias de rios foram feitas de canoas para não perderem tempo à espera das balsas.

Travessia de canoa. Aí vai a bicicleta bem amarrada. Foto: José Américo/Acervo pessoal

Outro fato que não caiu no esquecimento foi o dia em que pediram pouso na casa de um colono e os administradores ofereceram um guisado de carne. Comeram que se lamberam até saberem no dia seguinte que haviam degustado carne de macaco — viram até o couro do animal pendurado ao sol. O estômago se revirou de imediato.

Procuravam pedalar longos trechos à noite, pois durante o dia o calor era intenso e por diversas vezes aproveitavam para banharem-se nos igarapés e, na ocasião, molhavam uma camiseta extra para então enrolarem na cabeça, que além de proteger do sol ainda podiam pedalar mais um longo trecho com cabeça e corpo refrescados.

José Américo num banho de igarapé para refrescar. A tubulação passava sob a rodovia. Foto: José Américo/Acervo pessoal

As histórias são muitas e a cada episódio relatado, um novo vem à tona como um fio de meada.

Há algumas fotos icônicas da viagem que acabaram por se tornarem o símbolo da mesma. A foto da parada na divisa dos territórios, na placa em madeira onde se lia: BR 319 DIVISA — EST. AMAZONAS — T. F. RONDÔNIA (naquela época ainda era Território Federal).

José Américo na divisa do Estado do Amazonas com o Território Federal de Rondônia. Foto: José Américo/Acervo pessoal

A outra foto é um registro onde Américo aparece com sua bicicleta, segurando um mutum que foi abatido por um caboclo da região. Na oportunidade foram convidados a degustarem a ave então cozida com mandioca e urucum.

Durante o trajeto, desviaram por vários quilômetros em direção à Lábrea, mas não foram até a cidade, retornando para a BR 319 e ao anoitecer chegaram em Humaitá, onde pernoitaram. Por volta das seis horas da manhã partiram em direção à Porto Velho. Atravessaram o Rio Madeira de balsa e logo chegaram ao destino no centro da cidade. Foram recepcionados pela imprensa — Jornal Alto Madeira, por vários moradores e curiosos, além do Governador de Rondônia, que ofereceu estadia no Hotel Floresta e alimentação. Após dois dias de descanso, retornaram a Manaus.

No trecho em direção à Lábrea. Foto: José Américo/Acervo pessoal

A chegada na capital amazonense foi na Rua Carvalho Leal, defronte ao DER na Cachoeirinha, ao lado do antigo Cine Ipiranga, em frente ao Sanatório Adriano Jorge, especializado em tratamento de tuberculose.

Foram muitas as dificuldades encontradas, mas prevaleceu a vitória da conquista.

Os casos de malária eram tantos à época que surgiu a piada de que até os macacos contraíam a doença e, se oferecessem uma banana ou uma pílula contra malária para os primatas, estes escolheriam na certa a pílula.

José Américo na balsa da travessia do Rio Madeira. Chegando em Porto Velho. Foto: José Américo/Acervo pessoal

Ainda neste ano de 2026, em comemoração aos 50 anos da aventura, José Américo pretende voltar ao Amazonas para realizar parte desta façanha, fazendo um trecho de ida.

  • AMÉRICO — (41) 99246‑1123
  • AMÉRICO BIKES Rua João Guariza 638 — Curitiba (41) 3352‑2566 / 99106‑1123

Leia também: O primeiro Natal

Sobre o autor

Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

“Comer peixe significa ter uma vida melhor”, afirma o ministro da Pesca e Aquicultura

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Titular da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo informou que o consumo de pescados está praticamente concentrado em lugares que têm a cultura de pescar, como a Região Amazônica. Foto: Diego Campos/Secom-PR

Edipo Araujo, ministro da Pesca e Aquicultura, foi categórico nesta quinta-feira (16/4), durante participação no programa ‘Bom Dia, Ministro’, ao afirmar que é preciso que o Brasil mude seus hábitos alimentares e passe a adotar mais o consumo de pescado.

“A gente precisa mudar uma cultura no nosso país de consumir pescado. Comer peixe significa ter uma vida melhor. E o consumo de pescado no Brasil ainda é muito baixo quando comparado ao resto do mundo”, declarou.

Formado em Engenharia de Pesca pela Universidade Federal Rural da Amazônia, mestre em Aquicultura e Recursos Aquáticos Tropicais, e doutor em Ecologia Aquática e Pesca pela Universidade Federal do Pará, Edipo Araujo atuou como professor e pesquisador em diversas instituições de ensino e também na gestão de órgãos públicos.

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Ele apresentou dados que mostram como o consumo de pescados no Brasil ainda é limitado. “A taxa mundial é de 20 quilos por ano, por pessoa. No Brasil, nós estamos em 12 quilos. Esse dado é muito mais preocupante quando a gente traz para um recorte regional”, explica.

A gente precisa mudar uma cultura no nosso país de consumir pescado. Comer peixe significa ter uma vida melhor. E o consumo de pescado no Brasil ainda é muito baixo quando comparado ao resto do mundo”.

Leia também: Pesquisa aponta presença de metais tóxicos em peixes de região do Pará

Segundo o ministro, o consumo está praticamente concentrado em lugares que têm a cultura de pescar, como a Região Amazônica, por exemplo, onde a taxa chega a 30, 40 quilos por ano, por pessoa.

“Quando a gente vai para comunidades totalmente pesqueiras tradicionais, a gente pode chegar a 120 quilos. Mas um dado preocupante é o consumo nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, por exemplo, onde esses dados podem chegar a cinco quilos por ano. É muito pouco quando a gente está falando de uma proteína nutritiva, de qualidade, que tem menor impacto no meio ambiente”, frisou Edipo Araujo.

Venda direta

O ministro também deixou claro que sua pasta está atenta e trabalha para que a exigência da nota fiscal como o documento oficial de comprovação de origem do pescado proveniente da pesca e da aquicultura não prejudique os pescadores de pequeno porte, que praticam a pesca artesanal, e que vendem diretamente para a população, principalmente nas praias.

“Quanto à questão da venda direta, esse é um tema que a gente precisa encarar. Hoje, está posto na lei que precisa passar no sistema de inspeção. Mas nós também sabemos que hoje nós já nos alimentamos de grande parte de pescado, quando nós estamos numa praia, de compra direta com o pescador. Será que esse pescado não tem qualidade? Por que ele precisa parar no sistema de inspeção? A gente precisa encarar esse diálogo”, afirmou Edipo Araujo.

“Todo pescado, toda matéria-prima de origem animal, precisa passar por sistemas de inspeção. A abrangência desse sistema de inspeção pode ter um sistema de inspeção federal, estadual ou municipal. Isso já está posto em lei. Nós, recentemente, publicamos a Portaria Interministerial 54, junto com o Ministério da Agricultura e Pecuária, que trouxe uma desburocratização para o setor que não estava conseguindo desembarcar e colocar o seu pescado dentro da indústria pesqueira. A gente sabe que tem um gargalo da venda direta do nosso pescado. E isso não é só na atividade pesqueira, está dentro de toda a agricultura familiar”, prosseguiu o ministro.

pescado - feira no amazonas
Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

Documento Fiscal

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) definiram a nota fiscal como o documento oficial de comprovação de origem do pescado proveniente da pesca e da aquicultura. O objetivo é fortalecer a rastreabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva.

A medida amplia a transparência nas operações comerciais, melhora os mecanismos de fiscalização e valoriza o pescado brasileiro, trazendo segurança jurídica ao alinhar a comprovação às práticas atuais do setor.

Além disso, a norma institui uma autodeclaração para proteger os produtores que solicitaram a atualização de dados no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) e aguardam análise administrativa, evitando prejuízos às suas atividades econômicas.

Bacia do Rio Doce

Outro ponto destacado pelo ministro foi como o Ministério da Pesca e Aquicultura atua em relação aos impactos aos pescadores na recuperação da Bacia do Rio Doce. Em 5 de novembro de 2015 ocorreu o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana (MG), considerado o maior desastre socioambiental do país no setor de mineração, com o lançamento de cerca de 45 milhões de metros cúbicos de rejeitos no meio ambiente.

Os poluentes ultrapassaram a barragem de Santarém, percorrendo 55 km no rio Gualaxo do Norte até o rio do Carmo, e outros 22 km até o rio Doce. A onda de rejeitos, composta principalmente por óxido de ferro e sílica, soterrou o subdistrito de Bento Rodrigues e deixou um rastro de destruição até o litoral do Espírito Santo, percorrendo 663,2 km de cursos d’água.

“A gente precisa falar do Acordo do Rio Doce. A gente não pode deixar essa história morrer do desastre que aconteceu com o rompimento da barragem de Fundão e que prejudicou não só o estado do Espírito Santo, mas boa parte do Estado de Minas Gerais”, ressaltou o ministro.

R$ 500 milhões

Edipo Araujo lembrou a importância do Programa de Transferência de Renda (PTR), firmado no âmbito do acordo judicial para reparação integral e definitiva relativa ao rompimento da Barragem de Fundão. O programa busca atender indivíduos que tiveram suas atividades impedidas devido ao desastre, destinando auxílio mensal por até quatro anos, no valor inicial de 1,5 salário-mínimo, nos três primeiros anos e de um salário nos últimos 12 meses.

A gestão do PTR Pesca cabe ao Ministério da Pesca e Aquicultura e está sendo articulada juntamente ao Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, responsável pelo PTR Rural.

“Dentro da discussão do Acordo do Rio Doce, o anexo 4, que trata do PTR Pesca, contempla 48 municípios, sendo 38 municípios de Minas Gerais e 10 do Espírito Santo. Quando a gente fala do impacto dos pescadores, o Espírito Santo tem o maior número de pescadores impactados, em torno de 20 mil pescadores. O Programa de Transferência de Renda já está na décima parcela. São mais de R$ 500 milhões de investimento dentro desse anexo 4, chegando na mão do pescador do Espírito Santo e de Minas Gerais, entendendo que esses pescadores precisavam ser reparados pelo dano dessa tragédia”, detalhou o ministro.

Quem participou

O “Bom Dia, Ministro” é uma coprodução da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR) e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Participaram do programa desta quinta-feira o Portal A Crítica, de Manaus (AM); a Rádio Guarany, de Santarém (PA); o Portal A Tarde, de Salvador (BA); o Portal ES 365, de Vitória (ES); o Diário de Pernambuco, de Recife (PE); e o Portal Imperatriz Online, de Imperatriz (MA).

*O texto foi publicado originalmente na página da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República do Governo Federal

Programa Ancestralidades abre inscrições para indígenas e negros

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Programa Ancestralidades de Valorização à Pesquisa lançou edital para apoiar trabalhos produzidos por pessoas pretas, pardas e indígenas. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O Programa Ancestralidades de Valorização à Pesquisa, das fundações Itaú e Tide Setubal, lançou edital para apoiar trabalhos produzidos por pessoas pretas, pardas e indígenas. A partir da temática Arte e Cultura na Educação Integral em Perspectivas com Saberes Afrodiaspóricos e Indígenas, serão selecionadas até 12 pesquisas.

Os trabalhos devem contemplar um dos quatro eixos temáticos: Expressões Artísticas e Linguagens; Identidade, Memória e Patrimônio; Diversidade e Direitos Humanos; e Sustentabilidade e Território.

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Além de se adequar aos eixos, todas as inscrições precisam estar inseridas no contexto educacional, no sentido de promover o desenvolvimento pleno dos indivíduos em suas dimensões cognitiva, física, emocional, social e cultural.

Serão aceitas inscrições de monografias e produções em formatos digitais e audiovisuais, como registros fotográficos, sonoros, documentários, sites e aplicativos. As inscrições podem ser feitas nas categorias Pesquisa e Estudos em Andamento ou Pesquisa e Estudos Concluídos.

Leia também: Conheça 20 livros de escritores indígenas de diferentes povos originários no Brasil

Quem pode participar do Programa

Estão aptos a participar do programa pesquisadores vinculados a universidades, centros de pesquisa, organizações da sociedade civil, coletivos e observatórios.

Todos os inscritos devem ser maiores de 18 anos, nascidos ou naturalizados no Brasil, e se autodeclararem pretos, pardos ou indígenas. Pessoas estrangeiras também podem participar da seleção, desde que residam no país há mais de dois anos e de forma fixa.

As inscrições podem ser feitas até dia 19 de maio, no site Ancestralidades. O processo seletivo ocorre entre junho e outubro deste ano. Os inscritos serão avaliados por duas comissões, que analisarão os projetos em relação aos critérios do programa e às temáticas propostas e definirão os trabalhos contemplados.

*Com informações da Agência Brasil

Praça das Três Caixas d’Água guarda história, memória e identidade de Porto Velho

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Símbolo da capital, a Praça das Três Caixas d’Água reúne patrimônio, turismo e convivência no coração da cidade. Foto: Hellon Luiz/ Prefeitura de Porto Velho

Quem passa pelo centro de Porto Velho (RO) logo avista, de longe, as estruturas de ferro que atravessam gerações. As Três Caixas d’Água, conhecidas como “Três Marias”, fazem parte da rotina da cidade e também da história de quem vive na cidade.

Vindas dos Estados Unidos entre 1910 e 1912, as estruturas foram instaladas para atender tanto a população quanto às obras da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. 

Saiba mais: Você sabia que as três marias de Porto Velho “nasceram” nos EUA?

Durante décadas, garantiram o abastecimento de água em um período de crescimento e transformação da região, permanecendo em funcionamento até meados dos anos 50. Projetadas pela empresa Chicago Bridge & Iron Works, as caixas marcam um tempo em que Porto Velho se formava a partir da ferrovia e das pessoas que chegaram para construir essa história.

Símbolo de Porto Velho

Com o passar dos anos, as Três Caixas d’Água deixaram de ser apenas estruturas de abastecimento e passaram a representar a memória da cidade. Em 1988, foram reconhecidas como patrimônio histórico e hoje ocupam lugar de destaque na identidade cultural de Porto Velho.

Estão na bandeira do município e inspiram artesãos, sendo reproduzidas em peças que circulam pelas feiras e espaços turísticos. O local também desperta o interesse de visitantes e estudantes que buscam conhecer mais sobre as raízes da região.

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Convivência na Praça das Três Caixas d’Água

Ao redor do monumento, a praça se tornou ponto de encontro para moradores e visitantes. O espaço é utilizado para passeios, atividades culturais, aulas ao ar livre e momentos de lazer. A Prefeitura de Porto Velho realiza ações contínuas de manutenção, limpeza e organização, garantindo que o ambiente permaneça acessível e agradável para a população.

O prefeito Léo Moraes ressalta o valor do local para a cidade: “As Três Caixas d’Água fazem parte da nossa história e da nossa identidade. Cuidar desse espaço é respeitar o passado e manter viva a memória de Porto Velho. A gente quer que as pessoas ocupem a praça, que convivam e se reconheçam nesse lugar”.

Leia também: Três Caixas d’Água e a praça no entorno são símbolos culturais e patrimônio do Estado de Rondônia

Três Caixas D'Água - as três marias - em Porto Velho
Foto: Reprodução

O secretário executivo de Turismo, Aleks Palitot, também comentou sobre a importância do espaço: “É um ponto que chama a atenção de quem chega e também de quem vive aqui. As Três Marias ajudam a contar a história da cidade e aproximam as pessoas da cultura local, além de fortalecer o turismo”.

No final da tarde, a praça se transforma em um convite à contemplação: basta sentar em um dos bancos e apreciar o pôr do sol. A Praça das Três Caixas d’Água fica localizada na Avenida Carlos Gomes, esquina com a Avenida Rogério Weber. 

*Com informações da Prefeitura de Porto Velho

Lago Caracaranã (RR): guia completo com dicas, preços, regras e onde dormir

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Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Por Gildo Júnior

Se você está procurando um dos lugares mais bonitos de Roraima para relaxar, acampar e curtir a natureza, o Lago Caracaranã pode ser exatamente o destino perfeito.

Com águas tranquilas, clima agradável e uma paisagem que mistura praia de água doce com cultura indígena viva, o lago é um dos roteiros mais procurados por quem quer descansar longe da correria e viver uma experiência autêntica na Amazônia.

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Neste guia atualizado você vai descobrir:

  • onde fica o Lago Caracaranã
  • quanto custa entrar
  • onde dormir (rede, barraca ou chalé)
  • regras importantes do local
  • o que pode e o que não pode levar
  • dicas práticas antes de ir
  • contatos

Onde fica o Lago Caracaranã 

O Lago Caracaranã fica no município de Normandia, dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, a cerca de 190 km de Boa Vista.

A viagem dura de três a quatro horas de carro. O acesso é feito por estrada terrestre e, apesar de simples, vale cada minuto da jornada.

lago caracarana gildo junior
BR-401. Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Por que visitar o Lago Caracaranã?

O Caracaranã é diferente de outros balneários porque reúne:

  • água limpa e tranquila
  • pôr do sol inesquecível
  • clima perfeito para camping
  • contato real com a natureza
  • experiência cultural indígena
Cavalos lavradeiros (selvagens), podem ser vistos na estrada para o lago. Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

É um destino ideal para:

  • famílias
  • grupos de amigos
  • casais
  • aventureiros
  • criadores de conteúdo
  • quem quer descansar de verdade

Quanto custa entrar no Lago Caracaranã 

Segundo as informações atuais do local, a entrada diurna (7h às 19h) custa R$ 15 por pessoa e crianças acima de 10 anos pagam.

Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Valores para dormir no Lago Caracaranã

Se a ideia é viver a experiência completa (e vale muito a pena), existem várias opções:

Dormir em rede: R$ 25 por rede (por noite). Ideal para quem quer algo simples e tradicional.

Dormir em barraca: R$ 50 por barraca (por noite). Perfeito para quem já gosta de camping.

Chalés: R$ 100 por noite (chalés 1, 2 e 3). Limite de 5 pessoas; R$ 150 por noite (chalé 4). Limite de 5 pessoas.

Importante saber: os chalés não possuem cama, ar-condicionado ou ventilador. Eles são usados principalmente para armar redes, ter banheiro privativo e maior conforto para grupos e famílias.

Apartamento: R$ 100 por noite. Limite de 5 pessoas.

Barracão coletivo: R$ 500 por noite. Limite de até 30 pessoas. Possui banheiro e é ideal para excursões e grupos grandes.

Vários cupinzeiros são vistos pela BR-401. Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Onde dormir no Lago Caracaranã: qual opção escolher?

Aqui vão algumas dicas práticas baseadas na experiência de quem visita:

  1. Quer economizar? Rede!
  2. Quer conforto simples? Barraca! 
  3. Vai em grupo ou família? Chalé!
  4. Excursão grande? Barracão!

A maioria dos visitantes prefere chalé + rede, que vira a combinação perfeita.

Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Regras do Lago Caracaranã (importante ler antes de ir) 

Para preservar o lago e garantir uma boa convivência, existem regras claras:

O que é permitido: levar churrasqueira, levar saco de lixo e recolher seus resíduos, usar caixas térmicas e levar garrafas plásticas.

O que é proibido: som em alto volume, bebidas em garrafas de vidro, copos e pratos de vidro, fazer fogo na praia ou perto da vegetação, jogar lixo nas áreas comuns, prejudicar a natureza.

Seguir essas regras ajuda a manter o lago bonito para todos.

Para preservar o lago e garantir uma boa convivência, existem regras claras.. Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Melhor época para visitar o Lago Caracaranã 

Você pode visitar o ano inteiro, mas o melhor período costuma ser de setembro a março. Nessa época o nível da água fica ideal, o clima fica mais agradável e o pôr do sol é mais bonito. Mesmo assim, o lago é visitável o ano inteiro.

Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Dicas importantes antes de ir ao Lago Caracaranã 

Anota essas dicas:

  • leve dinheiro em espécie
  • leve repelente
  • leve protetor solar
  • leve saco de lixo
  • leve lanterna se for pernoitar 
  • leve rede (mesmo se alugar chalé)

Esses detalhes fazem muita diferença na experiência.

Vale a pena dormir no Lago Caracaranã?

Sim, e muito. Quem visita só durante o dia gosta. Quem dorme, se apaixona pelo lugar. A experiência da noite no lago tem: céu estrelado, clima de camping, som da água e silêncio da natureza. É uma vivência difícil de esquecer!

Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Lago Caracaranã é seguro para visitar?

Sim. O local é organizado pela comunidade indígena e segue regras próprias de convivência.

Mas como todo destino natural:

  • respeite as orientações locais
  • preserve o ambiente
  • evite levar vidro recolha seu lixo

Turismo consciente mantém o lago vivo.

Contatos para obter mais informações

Julieth: 95 98409-7533
Rebeca: 95 98430-9202

Lago Caracaranã: um dos lugares mais bonitos de Roraima

Se você quer conhecer um destino diferente, acessível e cheio de natureza, o Lago Caracaranã precisa entrar no seu roteiro.

  • É o tipo de lugar que não é só passeio.
  • É experiência.
  • É conexão.
  • É memória para a vida inteira.

Leia também: 10 dicas para tirar boas fotos pelo celular durante viagens

Sobre o autor

Gildo Júnior é fotógrafo, videomaker, aventureiro e colecionador de roteiros no Bora de Trip e colunista no Portal Amazônia. Para o servidor público federal, “o mundo é imenso, repleto de lugares para conhecer, de coisas para fazer, de culturas para admirar, comidas para provar e pessoas para conhecer”.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Banho quente: cientista do MT explica a física por trás do funcionamento do chuveiro elétrico

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Foto: Arquivo do pesquisador Mário Andrade com composição da assessoria de comunicação da UFMT

O funcionamento do banho quente, presente na rotina de milhões de brasileiros, é resultado direto de princípios da física aplicados à engenharia elétrica. A explicação foi detalhada em um artigo publicado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), por meio da Pró-reitoria de Pesquisa (PROPESQ), dentro da seção de divulgação científica “Leia 1 Cientista”.

O conteúdo, intitulado “A física por trás do seu banho quente”, foi produzido pelo professor Márcio de Andrade Batista, docente do curso de Engenharia de Alimentos do Câmpus do Araguaia. O texto completo pode ser acessado AQUI.

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A publicação integra uma iniciativa que reúne textos de pesquisadores, técnicos e estudantes da universidade, com o objetivo de tornar o conhecimento científico mais acessível ao público.

Origem do chuveiro elétrico

O artigo explica que o banho quente só se tornou comum no Brasil graças ao desenvolvimento do chuveiro elétrico, criado na década de 1930 pelo engenheiro Francisco Canhos Navarro. O sistema foi desenvolvido a partir da adaptação de uma resistência elétrica, semelhante à utilizada em ferros de passar roupa.

Leia também: Pesquisador de Mato Grosso publica estudo de física quântica na Scientific Reports

Além do aquecimento da água, o engenheiro também projetou um mecanismo capaz de acionar automaticamente o funcionamento do equipamento de acordo com a pressão da água, recurso que permanece presente nos modelos atuais.

Efeito Joule e aquecimento da água

O princípio físico que permite o funcionamento do banho quente é conhecido como Efeito Joule. Esse fenômeno ocorre quando a corrente elétrica atravessa um material condutor, transformando parte da energia elétrica em calor.

De acordo com o artigo, esse processo acontece porque os elétrons em movimento colidem com partículas do material condutor, liberando energia térmica. No caso do chuveiro elétrico, essa transformação ocorre na resistência metálica, geralmente feita de ligas condutoras.

O aquecimento é rápido e ocorre em poucos segundos, permitindo que a água seja aquecida quase instantaneamente ao passar pela resistência, garantindo o banho quente.

Aplicações do fenômeno na prática

O texto também apresenta exemplos práticos do efeito Joule em outras situações, como no funcionamento de lâmpadas incandescentes e em processos industriais, como a soldagem de metais.

Nesse tipo de aplicação, a passagem de corrente elétrica pode gerar temperaturas superiores a 1.000 °C, muito acima da temperatura de um banho quente. O calor intenso permite a fusão de materiais metálicos, sendo utilizado na fabricação de estruturas, equipamentos e reparos diversos.

Segurança durante o banho quente

Apesar da combinação entre água e eletricidade, o artigo explica por que o banho quente com chuveiro elétrico é considerado seguro quando o equipamento está em boas condições de uso.

Um dos fatores é a diferença de resistência elétrica entre os materiais. A corrente elétrica tende a circular pela resistência metálica do chuveiro, que conduz eletricidade com maior eficiência do que o corpo humano.

Outro ponto destacado é a condutividade da água, que, embora permita a passagem de corrente elétrica devido a partículas dissolvidas, possui menor capacidade de condução em comparação aos metais.

Além disso, quando a água sai pelos orifícios do chuveiro, ela se divide em pequenas gotas separadas por ar, que atua como isolante elétrico. Essa interrupção dificulta a passagem da corrente elétrica até o usuário.

Consumo de energia e uso cotidiano

O artigo também aponta que o banho quente exige grande consumo de energia elétrica, uma vez que o aquecimento ocorre de forma instantânea e contínua durante o uso do chuveiro.

Por esse motivo, o equipamento é frequentemente um dos principais responsáveis pelo aumento no consumo de eletricidade nas residências brasileiras.

Divulgação científica e acesso ao conhecimento

A seção “Leia 1 Cientista”, da PROPESQ da Universidade Federal de Mato Grosso, reúne conteúdos produzidos por pesquisadores de diferentes áreas, com linguagem acessível ao público em geral. A iniciativa conta com apoio da Rede Sucuri e integra ações de comunicação pública da ciência.

Segundo a universidade, os textos publicados são de responsabilidade dos autores e têm como objetivo ampliar o acesso ao conhecimento científico, aproximando a população de temas presentes no cotidiano, como o funcionamento do banho quente.

A explicação do fenômeno demonstra como conceitos da física estão diretamente ligados a atividades diárias, evidenciando a aplicação prática da ciência em soluções tecnológicas amplamente utilizadas no país.

*O texto foi produzido com base em informações da UFMT

Preço da castanha-da-Amazônia cai na região do Baixo Amazonas, no Pará, em abril

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Estudo aponta redução de até 16,67% no valor da saca da castanha-do-pará com avanço da safra. Foto: Reprodução/Acervo pesquisadores/Ufopa

Levantamento realizado nos dias 6 e 7 de abril deste ano mostra queda generalizada nos preços da saca de 60 kg da castanha-do-pará na região do Baixo Amazonas, no Pará, com reduções de até 16,67% em Santarém e 16,59% em Óbidos, na comparação com março. A principal explicação para a queda é o aumento da oferta, típico do período de safra.

“Esse movimento é percebido de forma ampla na região. Com a intensificação da coleta, há maior quantidade de castanha disponível no mercado, o que aumenta a concorrência entre os vendedores e pressiona os preços para baixo”, explica o professor Luiz Gonzaga Feijão da Silva, do curso de Ciências Econômicas da Ufopa.

Ele é coordenador do projeto ‘Bioeconomia do Baixo Amazonas: revelando a economia da castanha-do-pará e produtos extrativos com princípios fármacos e cosméticos’.

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

Preço da castanha-da-Amazônia cai na região do Baixo Amazonas, no Pará, em abril
Imagem: Divulgação/Acervo pesquisadores/Ufopa

Segundo o professor, os dados coletados também indicam tendência de convergência dos preços entre os municípios em direção à média regional, que foi de R$ 300,97 por saca.

Municípios em que anteriormente se registravam valores mais altos, como Almeirim (R$ 337,50; -3,57%) e Oriximiná (R$ 330,00; -5,71%), passaram a se aproximar dessa média, ainda que com quedas menos intensas.

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Já cidades com preços mais baixos, como Santarém (R$ 275,00; -16,67%) e Monte Alegre (R$ 270,00; -10,00%), também acompanham esse movimento de ajuste.

“Essa dinâmica indica um processo de alinhamento regional dos preços, impulsionado principalmente pelo aumento da oferta no período de safra. Contudo, algumas diferenças entre os municípios devem permanecer em razão de fatores como o custo de transporte”, explica o pesquisador.

“Assim, o mercado da castanha-do-pará se mostra sensível à quantidade ofertada e apresenta comportamento típico de ajuste sazonal, em que o aumento da produção leva não apenas à queda dos preços, mas também a uma maior convergência dos valores praticados entre os municípios”.

Leia também: Entenda como a castanha-do-pará ganhou o mundo

Cotação de valores da castanha

O acompanhamento mensal da cotação da castanha-do-pará é realizado pelo projeto de pesquisa SBDiversidade Contas Regionais, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

A iniciativa conta com apoio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), por meio da Rede Pará de Contas Regionais e Bioeconomia.

*Com informações da Ufopa