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Revolução Acreana 124 anos: Relembre fatos que levaram à anexação do Acre ao Brasil

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Mapa mostra locais onde os revolucionários enfrentaram o exército boliviano. Foto: Acervo Digital: Dept° de Patrimônio Histórico e Cultural – FEM

O Acre celebro na quinta-feira (6) os 124 anos do início da Revolução Acreana, conflito que mudou os rumos da história da região e abriu caminho para a incorporação do território ao Brasil.

A data faz referência ao ataque comandado por Plácido de Castro contra a Intendência Boliviana, em Xapuri, considerado o marco da fase decisiva da guerra que terminou com a assinatura do Tratado de Petrópolis.

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Embora o confronto tenha começado oficialmente em 6 de agosto de 1902, a disputa pelo território vinha se desenhando havia décadas. Até o fim do século XIX, a área pertencia à Bolívia, mas passou a ser ocupada por milhares de migrantes nordestinos que fugiam da seca e encontraram na extração do látex uma oportunidade de trabalho durante o auge do ciclo da borracha.

A intensa presença de brasileiros em uma área oficialmente boliviana aumentou as tensões entre os dois países. Em 1899, ocorreu a primeira grande insurreição, liderada pelo jornalista e diplomata espanhol Luís Gálvez Rodríguez de Arias, que proclamou a República Independente do Acre.

O governo, porém, durou pouco mais de três meses, já que o Exército Brasileiro interveio para cumprir o Tratado de Ayacucho, firmado em 1867, que reconhecia a soberania boliviana sobre a região.

Nos anos seguintes, outras tentativas de resistência foram organizadas até que, em 1902, os seringalistas decidiram convocar o ex-militar gaúcho Plácido de Castro para liderar uma nova ofensiva.

O objetivo era impedir o fortalecimento da administração boliviana e barrar a instalação do Bolivian Syndicate, empresa anglo-americana que havia recebido do governo da Bolívia o direito de explorar economicamente a região.

Leia também: Festa da Revolução Acreana do bairro 6 de Agosto é patrimônio imaterial de Rio Branco

Plácido de Castro, líder da Revolução Acreana. Foto: Acervo Digital: Deptº de Patrimônio Histórico e Cultural - FEM
Plácido de Castro, líder da Revolução Acreana. Foto: Acervo Digital: Deptº de Patrimônio Histórico e Cultural – FEM

‘Não é guerra, é revolução!’

Na madrugada de 6 de agosto de 1902, Plácido de Castro e um pequeno grupo de revolucionários invadiram a Intendência Boliviana em Xapuri, prenderam militares e deram início à quarta e última fase da Guerra do Acre.

A escolha da data não foi por acaso. Segundo historiadores, o ataque estava inicialmente previsto para julho, mas precisou ser adiado devido ao atraso na chegada das armas. A nova data coincidiu com as comemorações da Independência da Bolívia, estratégia que ajudou a surpreender as tropas bolivianas durante a ofensiva.

Os combates se estenderam por cerca de seis meses e terminaram, militarmente, em janeiro de 1903, após a vitória das forças acreanas. A incorporação definitiva do território ao Brasil, no entanto, só foi oficializada meses depois, em 17 de novembro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis.

O acordo foi negociado pelo Barão do Rio Branco e garantiu ao Brasil a posse do Acre mediante compensações financeiras e territoriais à Bolívia. Até hoje, não há consenso sobre o número de mortos no conflito, mas estimativas apontam que ao menos 500 pessoas perderam a vida durante a guerra.

Revolução acreana completa 124 anos. Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Legado e debates

Passados 124 anos, a Revolução Acreana continua sendo um dos principais marcos da identidade do estado. A data é celebrada anualmente com programação no bairro Seis de Agosto, em Rio Branco, um dos mais antigos da capital e que recebeu esse nome justamente em homenagem ao início do conflito.

Em 2025, a festa passou a ser reconhecida como patrimônio cultural imaterial do município, garantindo proteção às manifestações culturais, desfiles cívicos, jogos tradicionais e demais expressões que preservam a memória da revolução e da formação da comunidade local.

Além das comemorações, a história da Revolução Acreana segue despertando debates entre pesquisadores.

Casa Memória preserva história da Revolução Acreana. Foto: Alex Machado/FEM

Novos estudos propõem revisões da narrativa tradicional e questionam, por exemplo, o uso da própria expressão “Revolução Acreana”, defendendo que o processo de nacionalização do território foi mais complexo do que a versão heroica difundida ao longo do século XX.

Ainda assim, o movimento liderado por Plácido de Castro permanece como um dos episódios mais emblemáticos da história do Acre e um símbolo da formação do estado brasileiro.

*Por Rede Amazônica Acre.

Portal Amazônia responde: o que é transição verde?

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Transição verde é o processo de transformação da economia e da sociedade para reduzir os impactos ambientais, substituindo práticas poluentes por alternativas mais sustentáveis. Foto: Reprodução/Blog Assine Bem

Já pensou em trocar o seu carro antigo, aquele que gasta muita gasolina e polui bastante com o ar (isso sem falar das peças caras) por um modelo mais eficiente e menos poluente? Essa é a comparação mais prática para exemplificar a transição verde, que é o processo de transformação da economia e da sociedade para reduzir os impactos ambientais e enfrentar as mudanças climáticas, substituindo práticas poluentes por alternativas mais sustentáveis.

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O objetivo da transição verde é promover um futuro urbano sustentável conciliando o crescimento econômico e o desenvolvimento das cidades com a preservação ambiental e inclusão social. De forma prática, esse modelo envolve mudanças na produção de energia, fabricação de alimentos, cultivo de alimentos, transporte de pessoas e mercadorias e até no uso consciente dos recursos naturais.

No entanto, a transição verde só funciona de uma forma: por meio de uma estratégia integradora e colaborativa entre todas as partes que compõem a sociedade. Ou seja, cidadãos, empresas e o poder público precisam estar interligados para que a mudança transformadora se consolide para a criação e um futuro mais sustentável.

Transição verde
Objetivo da transição verde é promover um futuro urbano sustentável aliando preservação ambiental e inclusão social. Foto: Reprodução/CNBB

Principais pilares da transição verde

A transição verde necessita de uma série de medidas para que ela atinja o seu principal objetivo. As principais são:

  • Energia limpa: substituição de combustíveis fósseis (como petróleo, carvão e gás natural) por fontes renováveis, como energia solar, eólica, hidrelétrica e biomassa.
  • Descarbonização: redução das emissões de gases de efeito estufa por empresas, governos e cidadãos.
  • Economia circular: reaproveitamento, reciclagem e reutilização de materiais para diminuir o desperdício e a extração de recursos naturais.
  • Uso sustentável dos recursos naturais: manejo responsável de florestas, água, solo e biodiversidade.
  • Agricultura de baixo carbono: adoção de técnicas que aumentem a produtividade reduzindo as emissões e preservando os ecossistemas.
  • Mobilidade sustentável: incentivo ao transporte coletivo, veículos elétricos, bicicletas e combustíveis menos poluentes.
  • Inovação e tecnologia: desenvolvimento de soluções para tornar processos produtivos mais eficientes e sustentáveis.

Leia também: Brasil pode liderar transição verde e gerar empregos e crescimento econômico no país, aponta estudo

Qual a posição do Brasil no tema

Amazônia. Foto: Fabio Nascimento/Greenpeace

O Brasil possui vantagens estratégicas para liderar o processo de transição verde. Além de ter uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, o país possui grande potencial para produção de energia solar e eólica e a capacidade de produzir biocombustíveis como etanol e biodiesel.

A abundância dos recursos hídricos e a Amazônia, que desempenha papel fundamental na regulação do clima global, colocam o território brasileiro em destaque para a estratégia sustentável. Porém, o país ainda enfrenta desafios ambientais como o desmatamento ilegal, precariedade do saneamento básico e alta emissão de carbono na industrialização e agropecuária.

Transição verde “justa”

Um conceito cada vez mais utilizado é o de transição justa, que se refere ao enfrentamento das mudanças climáticas de maneira equitativa, justa e inclusiva. Isso significa criar oportunidades de trabalho decentes para todos, evitar riscos como o desemprego e o deslocamento de pessoas, e sim adotar uma abordagem inclusiva para lidar com os desafios associados à transição para uma economia de baixo carbono.

A transição justa não se limita à criação de novos empregos para aqueles que têm seus meios de vida ligados aos combustíveis fósseis, embora esse seja um aspecto importante. Ela também pode envolver a reparação de desigualdades históricas, como a exposição desigual à poluição.

Pode envolver a garantia de que benefícios sociais – como transporte limpo ou novas oportunidades no mercado de trabalho – estejam disponíveis para todos. E pode incluir a priorização do bem-estar social como um indicador-chave do progresso nacional.

*Com informações do Santander Open Academy

APA Triunfo do Xingu lidera pressão por desmatamento pelo quinto ano consecutivo na Amazônia

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Estradas e maquinário ilegais em terras indígenas Yanomami na Amazônia. Foto: Valentina Ricardo/Greenpeace

A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, foi a unidade de conservação mais pressionada pelo desmatamento na Amazônia no segundo trimestre do ano, entre abril e junho de 2026. A unidade de conservação estadual, localizada nos municípios de São Félix do Xingu e Altamira, ocupa a primeira posição no período há cinco anos consecutivos.

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O Pará também se destacou por concentrar o maior número de áreas protegidas entre as mais afetadas pelo desmatamento no segundo trimestre de 2026. Além da APA Triunfo do Xingu, outras três unidades localizadas no estado estão entre as mais pressionadas. Na sequência aparecem o Acre, com três áreas protegidas, e Mato Grosso, com duas.

Áreas Protegidas com mais pressão (abril a junho de 2026)

RankingNomeCategoriaEstado
1APA Triunfo do Xingu UCE PA 
2Resex Chico Mendes UCF AC 
3APA do Tapajós UCF PA
4APA do Lago de Tucuruí UCE PA 
5TI Yanomami TI AM/RR 
6Resex Guariba-Roosevelt UCE MT 
7FES do Antimary UCE AC 
8FES do Mogno UCE AC 
9PI Xingu TI MT 
10APA Arquipélago do Marajó UCE PA 

Os dados fazem parte do relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas, elaborado pelo Imazon. O estudo monitora o avanço do desmatamento sobre unidades de conservação e terras indígenas da Amazônia Legal, distinguindo os territórios sob ameaça, quando a perda de floresta ocorre no entorno, dos territórios sob pressão, quando o desmatamento ocorre dentro de seus limites. Os resultados de 2026 já indicavam a APA Triunfo do Xingu entre as áreas protegidas mais pressionadas desde o início do ano.

“A permanência de uma área protegida sob pressão constante do desmatamento impacta diretamente a integridade da floresta, causa a degradação e a fragmentação florestal contínuas, comprometendo a resiliência do ecossistema, os serviços ecossistêmicos de conservação da biodiversidade e a sustentabilidade socioambiental das populações tradicionais. Esse histórico reforça a urgência de fortalecer o monitoramento, intensificar a fiscalização e punir os responsáveis para conter o avanço do desmatamento”, avalia o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr.

Leia também: APA Triunfo do Xingu é a área protegida mais pressionada pelo desmatamento na Amazônia no primeiro trimestre de 2026

APA Triunfo do Xingu
Foto: Reprodução/IDEFLOR-Bio

O Pará também lidera o ranking dos estados com mais territórios ameaçados pelo desmatamento. Ao todo, cinco áreas protegidas paraenses estão entre as mais ameaçadas no segundo trimestre de 2026.

Apesar desse cenário no Pará, foi no Acre que o levantamento identificou a área protegida mais ameaçada: a Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, que enfrenta um histórico de problemas ambientais e, no segundo trimestre de 2026, também ocupou a segunda posição entre as áreas protegidas mais pressionadas pelo desmatamento.

Áreas Protegidas com mais ameaça (abril a junho de 2026)

RankingNomeCategoriaEstado
1Resex Chico Mendes UCF AC 
2Flona do Iquiri UCF AM 
3APA do Tapajós UCF PA 
4APA do Lago de Tucuruí UCE PA 
5Parna Mapinguari UCF AM/RO 
6TI Baú TI PA 
7TI Araribóia TI MA 
8Flona do Trairão UCF PA 
9TI Trincheira/Bacajá TI PA 
10FES do Antimary UCE AC 

“A situação da Resex Chico Mendes exige atenção porque reúne dois sinais de alerta. Ao mesmo tempo em que o desmatamento já ocorre dentro da unidade, novas áreas de derrubada avançam em seu entorno. Isso indica que, se as ações de proteção não forem reforçadas, a pressão sobre o território tende a aumentar, ampliando os riscos para a floresta e para as populações locais”, observa a pesquisadora do Imazon Bianca Santos.

Terras Indígenas seguem sob risco de avanço do desmatamento

Entre as terras indígenas, a Yanomami, localizada entre o Amazonas e Roraima, e o Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, tiveram mais alertas de desmatamento registrados. Entre as dez terras indígenas mais pressionadas, quatro também apareciam no levantamento anterior, indicando a continuidade das perdas florestais.

Além de abrigar parte da TI Yanomami, que lidera o ranking das mais pressionadas pelo desmatamento desde o primeiro trimestre de 2026, o Amazonas reúne outras três áreas entre as dez mais pressionadas no segundo trimestre, se consolidando como o estado com o maior número de TI’s com pressão.

“Quando uma terra indígena aparece repetidamente entre as mais ameaçadas ou pressionadas, não é apenas a floresta que está em risco. O avanço do desmatamento compromete territórios fundamentais para a manutenção dos modos de vida de populações que vivem neles há séculos, além de afetar sua segurança alimentar, práticas culturais e a proteção da biodiversidade”, alerta Bianca.

Terras indígenas com mais Pressão (abril a junho de 2026)

RankingNomeEstado
1TI Yanomami AM/RR 
2PI Xingu MT 
3TI Cachoeira Seca do Iriri PA 
4TI Aripuanã MT 
5TI Mundurucu PA 
6TI Pirahã AM 
7TI Rio Biá AM 
8TI Araribóia MA 
9TI Coatá-Laranjal AM 
10TI Krikati MA 

Já entre as terras indígenas mais ameaçadas, ou seja, com mais ocorrências de desmatamento em seu entorno, estão a Baú, no Pará, e a Araribóia, no Maranhão. Em seguida, aparece a TI Trincheira/Bacajá, também no Pará, que foi a mais ameaçada em 2025. O levantamento destaca a persistência desse cenário: metade das dez terras indígenas mais ameaçadas no período já havia aparecido no mesmo trimestre do ano passado.

Terras indígenas com mais Ameaça (abril a junho de 2026)

RankingNomeEstado
1TI Baú PA 
2TI Araribóia MA 
3TI Trincheira/Bacajá PA 
4TI Parakanã PA 
5TI Caititu AM 
6TI Cana Brava MA 
7TI Jacareúba/Katawixi AM 
8TI Peneri/Tacaquiri AM 
9TI Água Preta/Inari AM 
10TI Igarapé do Caucho AC 

Metodologia do estudo permite antecipar avanço do desmatamento

Diferentemente do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que contabiliza o total de desmatamento nos territórios amazônicos, o relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas utiliza uma metodologia específica. A Amazônia Legal é dividida em quadrados de 10 por 10 km, chamados de células, e os pesquisadores identificam quantas dessas células registraram ocorrência de desmatamento.

Imagem de 2020 já mostrava área de garimpo ilegal na APA Triunfo do Xingu em 2020. Foto: Semas/PA

A partir desse mapeamento, é possível apontar quais territórios estão mais pressionados, aqueles que concentram o maior número de células de desmatamento dentro de seus limites, e quais estão mais ameaçados, caracterizados pela maior concentração de desmatamento em seu entorno, em um raio de até 10 km. Essa abordagem permite antecipar o avanço da devastação em áreas protegidas.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon.

Zoológico de Manaus distribui picolés feitos de carne e frutas para ajudar animais a enfrentar o calor amazônico

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Fachada do Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), localizado em Manaus, no Amazonas. Foto: Reprodução/CIGS

Para amenizar os efeitos do calor intenso em Manaus durante o verão amazônico, o Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) adotou uma estratégia diferente para cuidar dos cerca de 400 animais que vivem no local: a distribuição de picolés feitos de carne e frutas. A medida faz parte de um conjunto de ações voltadas ao bem-estar dos animais durante o período mais quente do ano.

O verão amazônico é o período de estiagem na Amazônia, caracterizado pela redução das chuvas, temperaturas elevadas e baixa umidade, que ocorre entre os meses de julho e outubro. Administrado pelo Exército Brasileiro, o zoológico abriga apenas espécies da fauna amazônica e atua no acolhimento, tratamento e reabilitação de animais resgatados ou apreendidos por órgãos ambientais.

Segundo a médica veterinária do zoológico, tenente Lauren Bazzi, cada espécie reage de forma diferente às altas temperaturas, o que exige cuidados específicos.

“Tem algumas espécies de animais que não suam, outras que precisam regular a temperatura do corpo e precisam estar no sol para ter essa regulação. Varia muito de espécie para espécie se tratando de animais silvestres. Aqui a gente tem um cuidado extremo, principalmente no período mais crítico do nosso verão amazônico”, explica a tenente.

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Atualmente, o zoológico conta com uma equipe formada por 16 militares, quatro médicos-veterinários, um biólogo e estagiários das áreas de medicina veterinária, zootecnia e biologia.

Como são feitos os picolés?

Tenente Lauren Bazzi, médica veterinária do zoológico. Foto: Reprodução/G1 Amazonas

Para enfrentar o calor, a alimentação dos animais ganha versões congeladas dos alimentos já previstos na dieta. O valor nutricional não é alterado, mas a apresentação dos alimentos muda para ajudar no conforto térmico e estimular comportamentos naturais.

Os chamados “picolés” são produzidos com carne para os animais carnívoros e com frutas para herbívoros e onívoros. A técnica é conhecida como enriquecimento ambiental alimentar e ajuda a refrescar e entreter os animais nos horários mais quentes do dia.

Além disso, blocos de gelo são colocados nos bebedouros para manter a água mais fresca. A receita varia conforme a espécie. Os picolés podem conter: carnes de aves, bovinos, suínos, peixes e figado, ou outros ingredientes como, por exemplo, sangue da própria proteína servida, ervas, gelatina e água filtrada.

Leia também: Veterinária explica se as onças que vivem no CIGS podem voltar para a floresta

O preparo é feito em formas adaptadas ao porte de cada animal e o material permanece no congelador por pelo menos 12 horas antes da distribuição. A cada remessa, são produzidos 21 picolés de carne: felinos como as onças parda e pintadas, jaguatiricas e gatos selvagens recebem 18 exemplares. Mamíferos carnívoros como quatis e furões recebem três unidades, enquanto que as aves de rapina não recebem o alimento congelado. Para os primatas e espécies herbívoras, também são produzidos picolés à base de frutas.

A distribuição ocorre, em média, três vezes por semana e principalmente entre 14h e 16h30, período em que o calor costuma ser mais intenso. De acordo com a equipe do zoológico, os sinais de desconforto térmico são observados por meio do comportamento dos animais.

Para acompanhar a situação, os profissionais realizam rondas frequentes nos recintos, verificando o nível da água dos bebedouros e das piscinas e fazendo o reabastecimento sempre que necessário. Além dos picolés, o zoológico reforçou outras medidas para reduzir o impacto das altas temperaturas.

“A gente reconhece pela agitação daquele animal. Conseguimos perceber que ele está um pouco mais inquieto e estressado, o que muito provavelmente é ocasionado pelo excesso de calor”, afirma a tenente Bazzi.

No recinto dos primatas, foram instalados aeradores que lançam uma névoa de água e vento. Segundo a equipe, a solução foi adotada porque as ilhas dos macacos não podem ter árvores muito altas ou galhos que facilitem fugas ou a comunicação entre os recintos. Já os grandes felinos e as antas recebem banhos de ducha ao longo do dia, principalmente nos horários mais quentes.

macacos do cigs recebem picolés durante verão amazônico
Macacos do Cigs no Amazonas — Foto: Reprodução- G1 Amazonas/Lucas Macedo

*Com informações de Lucas Macêdo, do G1 Amazonas.

Instituto Bicho D’Água fortalece atuação na costa amazônica com foco em crescimento sustentável

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Foto: Reprodução/ Agência Pará

O Instituto Bicho D’Água, organização paraense que se tornou referência na conservação da biodiversidade da costa amazônica, inicia uma nova etapa de desenvolvimento para ampliar sua atuação na região Norte. No mês de julho, os cientistas Renata Emin e Reginaldo Medeiros participaram, no Rio de Janeiro, do encontro intermediário do Impulso PRIO, programa de aceleração voltado ao desenvolvimento de 11 organizações socioambientais. Ao longo de 11 meses, a iniciativa apoia organizações parceiras no fortalecimento da gestão, da sustentabilidade financeira e da capacidade de execução de seus projetos.

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Há mais de uma década atuando na conservação dos ecossistemas costeiros da Ilha de Marajó, o Instituto ajudou a ampliar de cinco para 23 o número de espécies marinhas registradas no litoral paraense. Entre as espécies registradas estão o peixe-boi-marinho, boto-cinza, baleia-de-Bryde, baleia-fin e outras espécies de baleias e golfinhos oceânicos. A organização desenvolve ainda pesquisas com mamíferos aquáticos, aves e tartarugas marinhas, atua em praticamente todo o litoral do Pará e produz conhecimento científico que contribui para a conservação da costa amazônica e da Margem Equatorial brasileira.

Instituto Bicho D'Água fortalece atuação na costa amazônica com foco em crescimento sustentável
Foto: Divulgação/Instituto Bicho D´água

Leia também: IA e sons subaquáticos revelam habitat crítico do peixe-boi amazônico

Na comunidade pesqueira em Soure, na Ilha de Marajó, o Instituto desenvolve um monitoramento participativo onde moradores ribeirinhos informam os avistamentos de peixes-boi próximos às suas residências. Além disso, mantém uma rede de informantes formada por pescadores, comunidades tradicionais e órgãos ambientais, que comunica ocorrências de encalhes e animais debilitados, ajudando no monitoramento e a conservação das espécies. Além disso, também contribui para o Plano Nacional de Conservação dos Mamíferos Aquáticos Amazônicos, o Plano Nacional de Conservação do Peixe-boi-marinho e o Plano Nacional de Conservação dos Pequenos Cetáceos.

“Nosso propósito é mudar o status de conservação das espécies da fauna aquática da região costeira amazônica. Para isso, precisamos fortalecer a instituição para ampliar nosso impacto e engajar cada vez mais pessoas nessa missão”, afirma a presidente do Instituto Bicho D’Água, Renata Emin.

O Instituto integra a segunda edição do Impulso PRIO, programa promovido pela PRIO, maior empresa brasileira independente de petróleo e gás do país. Nesta edição, a iniciativa passou a incluir organizações do Pará e do Delta do Parnaíba. Os participantes recebem mentorias de colaboradores voluntários da companhia e formação técnica da Ago Social em gestão, governança, comunicação, captação de recursos e sustentabilidade financeira.

Foto: Reprodução/Facebook-@Bicho D’água

“Não se trata apenas de apoiar projetos, mas de contribuir para que eles se tornem mais estruturados, sustentáveis e capazes de crescer com autonomia. Queremos que esse impacto deixe de ser pontual e passe a ser contínuo”, afirma Olivia Stewart Richardson, Head de Comunicação e Marketing da PRIO.

Para o Instituto Bicho D’Água, a participação no programa é estratégica diante dos desafios da operação na Amazônia. A organização monitora cerca de 120 quilômetros de praias e busca transformar sua excelência científica em uma estrutura de gestão capaz de ampliar sua capacidade de execução, fortalecer a captação de recursos e garantir a continuidade das ações de conservação.

“Estamos confiantes de que, em breve, vamos sair dessa posição de incerteza e alcançar a sustentabilidade das nossas atividades. Isso nos permitirá impactar e engajar cada vez mais pessoas na conservação da biodiversidade amazônica”, finaliza Renata.

Sobre o Instituto Bicho D’Água

O Instituto Bicho D’Água é uma organização socioambiental do Pará que atua na conservação da biodiversidade da costa amazônica. Por meio da pesquisa científica, do monitoramento da fauna marinha, da reabilitação de animais silvestres e do trabalho junto a pescadores e comunidades tradicionais, desenvolve projetos que integram conservação ambiental, produção de conhecimento e desenvolvimento sustentável na região costeira amazônica.

Foto: Reprodução/Facebook-@Bicho D’água

Prazer, PRIO

A PRIO é a maior empresa independente de óleo e gás do Brasil, pioneira na recuperação e aumento da vida útil de campos em produção. Criada em 2015 e com seis ativos na Bacia de Campos, tem foco na excelência e na busca por eficiência operacional, priorizando a segurança das operações e o zelo com as pessoas e com a preservação do meio ambiente.

*Por Mariana Moura – InPress Porter Novelli.

Amazon On 2026 encerra terceira edição consolidando agenda para conectividade, energia e desenvolvimento sustentável da Amazônia

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Amazon On 2026 encerra terceira edição consolidando agenda para conectividade. Foto: Divulgação

Após dois dias de debates, o Amazon On 2026 encerrou sua terceira edição consolidando-se como um dos principais fóruns dedicados à discussão de soluções para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Realizado em Manaus, o encontro reuniu mais de 1.700 inscritos e 1.400 visitantes únicos, além de representantes do governo federal, agências reguladoras, organismos internacionais, universidades, empresas e especialistas do Brasil e do exterior para discutir temas como conectividade, transição energética, inteligência artificial, bioeconomia e infraestrutura digital.

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Ao longo da programação, um dos consensos foi o de que a expansão da infraestrutura de telecomunicações e energia é condição essencial para ampliar o acesso a serviços públicos, impulsionar a inovação e reduzir desigualdades na Amazônia. Os debates também reforçaram que a conectividade deve ser tratada como infraestrutura estratégica para o desenvolvimento econômico, a soberania nacional e a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas.

Após dois dias de debates, o Amazon On 2026 encerrou sua terceira edição consolidando-se como um dos principais fóruns dedicados à discussão de soluções para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Foto: Divulgação

“O Amazon On nasceu com o propósito de aproximar diferentes setores para discutir soluções concretas para a Amazônia. A cada edição, reunimos mais especialistas, instituições e empresas comprometidos com o desenvolvimento sustentável da região. Acreditamos que conectividade, energia, inovação e conhecimento precisam caminhar juntos para ampliar oportunidades, melhorar a qualidade de vida das populações amazônicas e fortalecer a conservação da floresta”, afirmou o coordenador do evento, Moisés Moreira.

Entre os destaques do segundo dia esteve o painel “Soberania e Sustentabilidade na Amazônia a partir da Infraestrutura de Telecomunicações e Energia”, que reuniu representantes do Governo Federal, empresas e provedores de internet para discutir os desafios da transformação digital na região. A diretora do Departamento de Segurança da Informação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Danielle Ayres, defendeu que políticas de telecomunicações e energia sejam planejadas de forma integrada e com coordenação do Estado. “Tecnologia, segurança e digitalização não são mais assuntos transversais. Eles fazem parte de todas as atividades. Cabe ao Estado criar as condições para o desenvolvimento dessa infraestrutura, por meio de incentivos regulatórios, financiamento e uma governança coordenada”, afirmou.

Representando os provedores regionais, o CEO da ClickIP e vice-presidente da Associação de Provedores de Internet do Amazonas (Apriam), Maykon Souza, destacou que a infraestrutura digital precisa ser tratada como um ativo estratégico para o desenvolvimento da região. “A infraestrutura digital é tão importante quanto a energia elétrica para uma indústria. Muitos municípios ainda não compreendem o potencial econômico que uma conexão de qualidade pode gerar, especialmente diante do avanço da inteligência artificial e da economia digital”, disse.

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O Amazon On nasceu com o propósito de aproximar diferentes setores para discutir soluções concretas para a Amazônia. Foto: Hector Muniz/Portal Amazônia

No painel de encerramento “Da Amazônia para o Mundo”, especialistas defenderam que tecnologia, conectividade e inovação são ferramentas essenciais para fortalecer a bioeconomia, ampliar o acesso a políticas públicas e gerar oportunidades para as populações dos territórios tradicionais. A professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Maria Angélica Corrêa, destacou que o conhecimento científico deve estar a serviço da conservação da floresta e do desenvolvimento regional.

“A tecnologia é uma ferramenta fundamental para mostrar ao mundo a realidade da Amazônia e contribuir para sua preservação. Vivemos uma emergência climática e precisamos transformar conhecimento em ações concretas. A riqueza deste bioma exige mais pesquisa, investimentos e responsabilidade para que seu desenvolvimento ocorra de forma sustentável”, afirmou.

Outro tema de destaque foi a transição energética na Amazônia. Especialistas discutiram alternativas para ampliar a infraestrutura energética e garantir um fornecimento mais eficiente e seguro para comunidades remotas. Para o CEO da Âmbar Energia Amazonas, João Pilla, o fortalecimento do setor passa pela solução de desafios estruturais.

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O Amazon On nasceu com o propósito de aproximar diferentes setores para discutir soluções concretas para a Amazônia. Foto: Hector Muniz/Portal Amazônia

“A qualidade do serviço passa por três grandes desafios: reduzir os custos operacionais, combater as perdas não técnicas, que hoje representam nosso maior problema, e enfrentar a inadimplência. Quando a empresa se torna eficiente, ela consegue reinvestir na expansão e na melhoria da geração e da distribuição de energia”, destacou.

Durante os dois dias de programação, o Amazon On promoveu oito painéis com representantes da Anatel, ANEEL, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Mundial, CAF, Huawei, Qualcomm, HMN Technologies, UNESCO, União Internacional de Telecomunicações (UIT), além de autoridades de Portugal, Suriname, República Dominicana, Colômbia, Cabo Verde e Peru. As discussões abrangeram temas como transição energética, inteligência artificial, infraestrutura digital, conectividade significativa, bioeconomia e experiências de inovação desenvolvidas na própria Amazônia.

Outro tema recorrente ao longo do evento foi a necessidade de fortalecer a soberania digital da Amazônia por meio da expansão da infraestrutura de telecomunicações e da proteção de dados. No painel “Soberania e Sustentabilidade na Amazônia a partir da Infraestrutura de Telecomunicações e Energia”, a diretora do Departamento de Segurança da Informação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Danielle Ayres, defendeu que políticas de telecomunicações e energia sejam planejadas de forma integrada e com coordenação do Estado.

O Amazon On nasceu com o propósito de aproximar diferentes setores para discutir soluções concretas para a Amazônia. Foto: Hector Muniz/Portal Amazônia

“Tecnologia, segurança e digitalização não são mais assuntos transversais. Eles fazem parte de todas as atividades. Cabe ao Estado criar as condições para o desenvolvimento dessa infraestrutura, por meio de incentivos regulatórios, financiamento e uma governança coordenada”, afirmou.

Como um dos principais resultados da terceira edição, o Amazon On anunciou a criação do Instituto Amazon On, organização sem fins lucrativos que dará continuidade às iniciativas promovidas pelo fórum ao longo do ano. Segundo Moisés Moreira, o objetivo é transformar o encontro em uma plataforma permanente de articulação entre especialistas, instituições e organizações comprometidas com o futuro da Amazônia.

“O Amazon On deixa de ser apenas um evento e passa a ser uma plataforma permanente para conectar pessoas, instituições e iniciativas comprometidas com o futuro da Amazônia. Queremos fortalecer esse ambiente de diálogo e cooperação para transformar boas ideias em projetos capazes de gerar desenvolvimento sustentável para a região”, concluiu.

Ferrovia da floresta pode virar patrimônio mundial da Unesco

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Ferrovia da floresta pode virar patrimônio mundial da Unesco. Foto: Secom Porto Velho

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré representa a origem de Porto Velho e um dos maiores capítulos da história da Amazônia e do Brasil. Agora, esse patrimônio pode ganhar reconhecimento mundial.

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A Prefeitura de Porto Velho deu o primeiro passo para transformar a histórica ferrovia da floresta em Patrimônio Mundial da Unesco. A administração municipal encaminhou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) uma carta de intenção solicitando apoio para estruturar a candidatura da ferrovia da floresta Madeira-Mamoré ao seleto grupo de bens reconhecidos por seu valor universal para a humanidade.

A iniciativa acontece em um momento de valorização do complexo ferroviário. Nos últimos meses, a Prefeitura tem investido em ações de preservação e promoção do patrimônio histórico, entre elas o retorno da Locomotiva 18, que voltou a funcionar após anos sem operar, devolvendo à população um dos maiores símbolos da história de Rondônia.

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Ferrovia da floresta pode virar patrimônio mundial da Unesco
Ferrovia da floresta pode virar patrimônio mundial da Unesco. Foto: Secom Porto Velho

Caso a candidatura seja aprovada, Porto Velho passará a integrar o mapa mundial do patrimônio cultural, fortalecendo o turismo, incentivando a preservação da memória e ampliando a visibilidade internacional da capital rondoniense.

O secretário executivo de Turismo da Semtel, Aleks Palitot, ressaltou a importância da iniciativa. “A Madeira-Mamoré é muito mais do que um patrimônio de Porto Velho. Ela representa um legado histórico da Amazônia e do Brasil. Iniciar esse processo é reconhecer a importância da nossa história e trabalhar para que ela seja valorizada e conhecida no mundo inteiro”.

O prefeito Léo Moraes afirmou que o reconhecimento internacional fortalecerá a preservação e o desenvolvimento do turismo na capital. “Estamos construindo um novo momento para a nossa ferrovia. Já realizamos importantes ações de valorização, como o retorno da Locomotiva 18, e agora damos mais um passo histórico ao buscar o reconhecimento da Unesco. Preservar a Madeira-Mamoré é preservar a identidade de Porto Velho e abrir novas oportunidades para o turismo e para a economia da nossa cidade”.

Investimentos 

A Prefeitura de Porto Velho e a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) assinaram, no último sábado (01), uma carta de intenção para recuperar parte da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) e retomar o tradicional passeio turístico de trem.

Ferrovia da floresta pode virar patrimônio mundial da Unesco. Foto: Divulgação

A parceria prevê a recuperação do trecho entre a Estação Ferroviária e o Mercado Municipal do Pescado, além da manutenção corretiva e preventiva da Locomotiva nº 18 e dos carros de passageiros do acervo histórico da EFMM. 

O objetivo é preservar o patrimônio cultural e reintegrá-lo ao roteiro turístico do complexo ferroviário.

Primeiro passo para reconhecimento internacional de um dos maiores patrimônios históricos da Amazônia

A Prefeitura de Porto Velho deu o passo para o reconhecimento internacional da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). No dia 1º de agosto, data em que a histórica ferrovia completa 114 anos de inauguração oficial, foi entregue ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) uma carta de intenção manifestando o interesse do município em estruturar a candidatura da EFMM à Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O documento foi encaminhado à Superintendência do Iphan em Rondônia e solicita apoio institucional para a criação de um Comitê Técnico Interinstitucional que conduzirá os estudos e levantamentos necessários para a futura candidatura.

A proposta reconhece a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré como um patrimônio de valor universal excepcional, destacando sua importância histórica, cultural, tecnológica e humana. Construída entre 1907 e 1912 em cumprimento ao Tratado de Petrópolis (1903), a ferrovia foi fundamental para a integração da Amazônia, o fortalecimento das relações entre Brasil e Bolívia e, principalmente, para o surgimento e desenvolvimento de Porto Velho.

Na solenidade foi entregue ao Iphan, uma carta de intenção manifestando o interesse do município em estruturar a candidatura da Ferrovia da floresta à Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Unesco. Foto: Secom Porto Velho

Além de sua relevância econômica e estratégica, o documento ressalta que a Madeira-Mamoré representa um dos maiores símbolos da memória da imigração internacional, da engenharia ferroviária e da história social do trabalho, preservando remanescentes ferroviários, locomotivas, oficinas, edifícios históricos e um conjunto arquitetônico de grande importância para o Brasil e para o mundo.

A carta também prevê a realização de estudos técnicos e científicos, levantamento histórico, arquitetônico, arqueológico e documental, elaboração do dossiê de candidatura e o desenvolvimento de ações permanentes de preservação, pesquisa, educação patrimonial e promoção turística do conjunto ferroviário.

Reconhecimento Mundial

Para o prefeito de Porto Velho, iniciar esse processo representa um compromisso com a preservação da história da capital. “A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é o maior símbolo da nossa origem. Trabalhar para que esse patrimônio alcance reconhecimento mundial é valorizar nossa história, fortalecer nossa identidade e projetar Porto Velho para o mundo. Esse é um legado que queremos preservar para as futuras gerações”.

Proposta reconhece a Ferrovia da floresta Madeira-Mamoré como um patrimônio de valor universal excepcional. Foto: Secom Porto Velho

O secretário Aleks Palitot, destacou que a iniciativa reforça o compromisso do município com a valorização do patrimônio histórico. 

“Estamos iniciando uma construção que exige união entre instituições, pesquisa e compromisso com a preservação da nossa memória. A Ferrovia da floresta Madeira-Mamoré possui atributos históricos, culturais e humanos que justificam plenamente a busca pelo reconhecimento como Patrimônio Mundial. Esse é um passo histórico para Porto Velho e para toda a Amazônia”.

Próximo passo

O superintendente do Iphan em Rondônia, Crisvaldo Cássio Silva de Souza, recebeu a manifestação com entusiasmo e ressaltou que o processo seguirá os trâmites institucionais.

“Recebi a carta com muita satisfação. Ela será protocolada no âmbito do Iphan e encaminhada à Presidência do Instituto, em Brasília, para conhecimento e para que sejam adotados os encaminhamentos institucionais cabíveis. A candidatura de um bem à Lista do Patrimônio Mundial da Unesco segue um processo técnico bastante rigoroso e envolve diversas etapas, mas consideramos muito importante que o Município manifeste esse interesse e se disponha a construir esse diálogo com o Iphan”.

A iniciativa representa o início de um trabalho conjunto entre Prefeitura de Porto Velho, Iphan, Governo do Estado, universidades, instituições culturais e centros de pesquisa, com o objetivo de consolidar a candidatura da Ferrovia da floresta Madeira-Mamoré ao reconhecimento internacional.

Caso seja reconhecida pela Unesco, a Ferrovia da floresta Madeira-Mamoré fortalecerá o turismo e a preservação do patrimônio histórico de Porto Velho. Foto: Secom Porto Velho

Caso obtenha o título, a Ferrovia da floresta Madeira-Mamoré passará a integrar o seleto grupo de patrimônios reconhecidos pela Unesco por seu valor universal excepcional, ampliando a visibilidade internacional de Porto Velho, fortalecendo o turismo cultural e contribuindo para a preservação de um dos maiores legados históricos da Amazônia brasileira.

*Por Jhon Silva e André Oliveira, Secom Porto Velho.

Equipe de pesquisadores da UFMA participa de ação de recuperação de nascentes do Rio Santa Bárbara

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Ação do projeto Reviva Rio conta com voluntários e entidades na recuperação de nascentes do Rio Santa Bárbara. Foto: Agaminon Sales (DCOM)

Após cerca de três décadas sendo considerado um rio morto, o Rio Santa Bárbara, localizado na zona rural de São Luís, começa a dar sinais de recuperação graças a um esforço coletivo que une ciência, mobilização social e educação ambiental. Na última sexta-feira, 31, uma equipe de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) participou de mais uma ação do projeto Reviva Rio, iniciativa voltada à recuperação das nascentes degradadas da capital maranhense.

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Durante a ação, os pesquisadores realizaram o mapeamento das nascentes e o levantamento topográfico da área com tecnologia GPS RTK, equipamento de alta precisão utilizado para identificar as características do terreno. O trabalho permitirá detalhar toda a rede de drenagem da bacia hidrográfica, fornecendo informações que auxiliarão na elaboração de estratégias para a recuperação das nascentes.

O vice-reitor da UFMA e pesquisador do PRODEMA, Leonardo Soares, destacou a contribuição da Universidade para o desenvolvimento do projeto. “Atuamos na análise de qualidade de água e também em uma série de práticas de educação ambiental, além do plantio de mudas em algumas regiões do rio. Tudo isso é uma grande ação de extensão, de inovação tecnológica e que também está articulada com uma agenda internacional com a Universidade de Alicante, denominada SAVE, que permite ao mundo todo assistir a esse estudo de caso piloto da restauração de uma bacia hidrográfica da cidade de São Luís”. 

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Rio Santa Bárbara. Foto: Agaminon Sales (DCOM)

Além da produção científica, a iniciativa também representa uma importante oportunidade de formação para os estudantes. Para o finalista do curso de Geografia Bacharelado da UFMA, Ítalo Gabriel, a experiência aproxima os futuros profissionais da realidade do território estudado e amplia a compreensão sobre a relação entre sociedade e natureza.

“Como geógrafo, essa ação contribui de uma maneira muito efetiva para o meu currículo, porque a geografia é o estudo do espaço geográfico, que é o espaço desenvolvido pelo homem, produzido pelo homem, e envolve tanto aspectos físicos como aspectos humanos. É uma mescla de aspectos físicos com os humanos. Estamos reunindo tudo o que a geografia estuda, a natureza e a sociedade”. 

Projeto Reviva Rio

A atividade integra a programação do projeto Reviva Rio, iniciativa que reúne voluntários, organizações da sociedade civil, instituições de ensino e pesquisa, órgãos públicos e moradores das comunidades para promover a recuperação de rios degradados de São Luís. 

As ações na região do Rio Santa Bárbara incluem, além do mapeamento das nascentes, a retirada de lixos e sedimentos orgânicos na região das nascentes. Em pouco mais de 30 ações realizadas desde o mês de março, já foi possível observar o aumento no fluxo das nascentes, trazendo esperança de recuperação total do rio. Os próximos passos incluem a escavação do local soterrado, devolvendo as condições necessárias para o fluxo adequado do rio. 

Equipe de pesquisadores da UFMA participa de ação de recuperação de nascentes do Rio Santa Bárbara
Ação rio Santa Bárbara. Foto: Agaminon Sales (DCOM)

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O líder do projeto, Márcio Cruz, ressaltou que o envolvimento da comunidade científica é essencial para garantir que as ações sejam planejadas com base em evidências técnicas.

“Não dá para fazer um trabalho de revitalizar um rio sem a comunidade científica. Porque é ela que vai nos trazer os dados precisos que vão nos ajudar a entender o que está passando pelo rio, o que é que é preciso fazer. Com ajuda das entidades, sejam elas estaduais, municipais ou ONGs, fica apenas um trabalho de paixão. Com o dado científico, ajuda muito. Por exemplo, antes esse rio era rio Santa Bárbara e não era conhecido. Agora ele é, cientificamente, microbacia do rio Tibiri. E isso faz toda a diferença”. 

Memórias que inspiram o futuro

Muito antes da expansão urbana de São Luís, o Rio Santa Bárbara fazia parte do cotidiano das comunidades que se formaram em seu entorno. Entre os moradores mais antigos está Francisco das Chagas, de 64 anos, que acompanhou de perto tanto o período em que o rio era fonte de lazer e sustento quanto o processo de degradação ambiental.

“Eu moro desde criança aqui no rio da Santa Bárbara, eu vi ele saudável, todo mundo tomava banho tranquilo. Não tinha poluição, a nascente estava limpa”, conta. “Eu vi ao longo do tempo esse rio perdendo a vida. Agora foi que nós começamos o trabalho de recuperação. Participo da limpeza e estou tendo o maior prazer de ajudar a limpar esse lugar. O meu sonho é ver ele perfeito para todo mundo tomar banho”, reflete.

Para Ítalo Gabriel, a recuperação do Rio Santa Bárbara também representa a possibilidade de transformar a realidade das comunidades locais, promovendo benefícios ambientais, sociais e econômicos.

Morador Francisco das Chagas participa das ações de recuperação do rio Santa Bárbara. Foto: Agaminon Sales (DCOM)

“As novas gerações vão poder banhar no Rio Santa Bárbara, vão poder ter a sua convivência com o meio ambiente. Isso abre espaço para diversas ações e melhorias na qualidade de vida, como, por exemplo, uma economia sustentável e também um desenvolvimento social para a região”, aponta. 

Ao fornecer apoio técnico-científico ao projeto Reviva Rio, a Universidade Federal do Maranhão reafirma seu papel como agente de transformação social do estado, contribuindo com a proteção do meio ambiente e com a elevação dos indicadores de qualidade de vida no estado. 

Por Agaminon Sales, Universidade Federal do Maranhão.

Tempo seco aumenta risco de doenças respiratórias; saiba como se proteger

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Tempo seco aumenta risco de doenças respiratórias. Orientação é evitar a automedicação e buscar atendimento sempre que os sintomas persistirem. Foto: William Duarte/Rede Amazônica

Basta olhar pela janela para perceber que a estiagem chegou. Com o ar mais seco e a poeira levantando, aumentam os casos de problemas respiratórios, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Por isso, a Prefeitura de Porto Velho reforça o atendimento nas unidades de saúde e orienta a população sobre os cuidados necessários nesta época do ano.

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“Durante a estiagem, reforçamos o atendimento nas nossas unidades de saúde para garantir que a população receba orientação e cuidado no momento em que mais precisa”, destaca o prefeito Léo Moraes.

Tempo seco aumenta risco de doenças respiratórias. Foto: Divulgação

Na UBS Caladinho, a médica clínica geral Evelynne Ferreira Borba explica que medidas simples ajudam a reduzir os impactos da baixa umidade.

“Evite a exposição ao sol entre 10h e 15h. Principalmente não praticar exercícios físicos ao ar livre nesses horários. Se precisar sair, use protetor solar e beba bastante água. E é água mesmo, não refrigerante ou bebida alcoólica”.

Quem não possui umidificador pode recorrer a uma alternativa simples: colocar uma bacia com água ou toalhas úmidas no quarto para melhorar a umidade do ambiente durante a noite.

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Tempo seco aumenta risco de doenças respiratórias
Tempo seco aumenta risco de doenças respiratórias. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

A médica também faz um alerta para os sinais que exigem atenção, principalmente nas crianças. “Se a criança apresentar muito esforço para respirar, com o nariz abrindo mais que o normal (batimento de asa do nariz) ou as costelas marcadas durante a respiração (retração intercostal), a orientação é procurar imediatamente uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Já os casos leves, como tosse, espirros e irritação nas vias respiratórias, devem ser avaliados na Unidade Básica de Saúde (UBS)”.

A orientação é evitar a automedicação e buscar atendimento sempre que os sintomas persistirem. As Unidades Básicas de Saúde estão preparadas para acolher a população e oferecer orientação durante todo o período de estiagem. Com hidratação, proteção contra o sol e atenção aos sinais do corpo, é possível enfrentar os meses mais secos do ano com mais segurança.

*Por Helen Paiva, Secretária Municipal de Comunicação (Secom).

Por que o Forte de Samaipata não é exatamente um forte? Entenda a origem do nome e sua verdadeira função 

Foto: Reprodução/Facebook-@Archaeology & Civilizations

Apesar de ser conhecido mundialmente como Forte de Samaipata (El Fuerte de Samaipata), o sítio arqueológico boliviano não foi construído originalmente como uma fortaleza militar. Pelo contrário, de acordo com pesquisas arqueológicas sua principal função era cerimonial, religiosa, administrativa e política.

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Localizado na Província da Flórida, Departamento de Santa Cruz, na Bolívia, país da Amazônia Internacional, o forte foi construído a 2 mil metros de altitude, em um local de antigos rituais indígenas. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o sítio arqueológico de Samaipata é composto por duas áreas distintas: uma colina com inúmeras esculturas em pedra, considerada o centro cerimonial da antiga cidade, e um setor ao sul que funcionava como distrito administrativo e residencial. 

Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1998, o forte reúne evidências da ocupação de diferentes povos ao longo de mais de mil anos.

Por que o local recebeu o nome de ‘Forte’?

O viajante Ruy viaja, em seu canal do youtube, explica, durante um passeio pelo lugar, que o Forte de Samaipata ganhou o nome ‘El Fuerte’, que significa ‘o Forte’ em espanhol, durante o período colonial. De acordo com ele, os conquistadores espanhóis batizaram o local como ‘el fuerte’ devido à sua posição elevada no alto de uma colina, embora sua principal função não fosse militar. 

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Forte de Samaipata
Foto: Reprodução/Facebook-@Archaeology & Civilizations

Apesar disso, as fortificações militares realmente existiram, mas representam apenas uma das últimas fases de ocupação do sítio arqueológico. Com o passar do tempo, o nome acabou sendo utilizado para designar toda a área, embora a maior parte do complexo tenha sido construída muito antes de sua utilização militar.

Um centro religioso muito antes de ser uma fortaleza

De acordo com a Unesco, o local começou a ser ocupado por volta do ano 300 d.C., inicialmente por grupos ligados à cultura Mojocoya. Foi nessa época que teve início a escultura da enorme rocha de arenito vermelho que se tornou o principal símbolo de Samaipata.

Séculos depois, o sítio foi ocupado pelos incas, que transformaram a região em uma capital provincial e ampliaram suas funções administrativas. Mesmo assim, o elemento principal do conjunto continuou sendo sua gigantesca rocha esculpida, considerada um espaço destinado a rituais religiosos.

Foto: Reprodução/Facebook-@Archaeology & Civilizations

A Unesco descreve essa rocha como um dos maiores monumentos cerimoniais pré-colombianos das regiões andina e amazônica. Com aproximadamente 220 metros de comprimento por cerca de 60 metros de largura, a formação rochosa foi cuidadosamente trabalhada por artesãos especializados, e nela é possível observar:

  • canais esculpidos na pedra;
  • nichos e cavidades;
  • figuras geométricas;
  • representações de animais;
  • espaços associados a cerimônias religiosas e rituais ligados à água, à fertilidade e às divindades da natureza.

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O complexo urbano de Samaipata

Embora a grande rocha seja a parte mais conhecida do sítio, Samaipata é formado por dois conjuntos arqueológicos principais.

O primeiro corresponde ao centro cerimonial, localizado sobre a colina esculpida, e o segundo reúne o antigo setor administrativo e residencial, onde arqueólogos encontraram praças, terraços agrícolas, edifícios públicos, áreas de armazenamento e construções típicas da arquitetura inca.

Segundo a Unesco, entre essas estruturas está a Kallanka, um grande edifício utilizado para atividades militares e administrativas, além de espaços conhecidos como Ajllahuasi, onde viviam mulheres ligadas às atividades do Estado Inca.

A importância estratégica da região

Embora sua principal função fosse religiosa e política, Samaipata ocupava uma posição geográfica estratégica. Localizado na transição entre os Andes e as terras baixas da Amazônia, o sítio controlava importantes rotas comerciais e servia como ponto de contato entre diferentes culturas.

Foto: Reprodução/Facebook-@Archaeology & Civilizations

De acordo com a Unesco, o sítio serviu como um baluarte contra os ataques dos guerreiros Chiriguanos da região do Chaco na década de 1520. Além disso, as minas de prata do Cerro Rico, em Potosí, começaram a ser exploradas em 1545, e o assentamento colonial de Samaipata tornou-se um importante ponto de parada na estrada que ligava Assunção e Santa Cruz aos centros coloniais dos Andes, como La Plata (atual Sucre), Cochabamba e Potosí. 

Com a fundação da nova cidade de Samaipata no Vale da Purificação, o antigo assentamento perdeu sua importância militar e foi abandonado.

Um patrimônio que preserva a história de diferentes povos

Ao longo de sua história, o local foi ocupado por diferentes povos, incluindo grupos da cultura Mojocoya, incas e, posteriormente, espanhóis. Segundo a Unesco, o conjunto representa um raro exemplo da integração entre tradições religiosas, arquitetura monumental, organização urbana e administração política em uma região de contato entre os Andes e a Amazônia.

Por isso, apesar do nome que atravessou os séculos, o ‘Forte de Samaipata’ é lembrado muito mais como um centro cerimonial e cultural do que como uma fortaleza militar.