Home Blog

Mapeamento aponta avanço da bioeconomia na Amazônia e destaca desafios para ampliar impacto

0

Foto: Divulgação

Comunidades amazônicas já sustentam uma economia baseada na floresta em pé e em produtos da sociobiodiversidade, contribuindo para o desenvolvimento sustentável a partir das realidades locais. Apesar desse avanço, gargalos estruturais seguem limitando a expansão dessas iniciativas. É o que aponta o relatório “Bioeconomia e Territórios da Amazônia”, iniciativa desenvolvida pelo Programa EcoAm e disponível gratuitamente AQUI.

O levantamento é resultado das ações do programa EcoAm – Fomentando Ecossistemas de Impacto na Amazônia, criado em 2024 em parceria com o Impact Hub Manaus e o BID Lab, laboratório de inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento, por meio do Programa Amazônia Sempre, do Instituto Meraki, do Fundo Vale e do SEBRAE Amazonas na região de Tefé-AM.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O EcoAm tem o objetivo de fomentar a bioeconomia em territórios do interior da Amazônia em parceria com o poder público, iniciativa privada e terceiro setor, gerando renda, emprego verde e estratégias de desenvolvimento dos territórios. Junto da produção de conhecimento sobre os territórios, já apoiou 17 negócios da bioeconomia amazônica e destinou R$ 1 milhão em investimentos por meio de duas edições do Lab de Impacto, programa de aceleração voltado ao fortalecimento de empreendimentos que atuam com produtos e serviços ligados à sociobiodiversidade da Amazônia.

O processo de construção do mapeamento envolveu mais de 100 entrevistas com lideranças indígenas, empreendedores, representantes de cooperativas, universidades, instituições de pesquisa, órgãos públicos e organizações da sociedade civil. Além disso, foram realizados três encontros presenciais conhecidos como “Vozes que EcoAm”, com momentos de escuta e devolutiva comunitária que reuniram representantes de diferentes organizações e iniciativas locais, fortalecendo conexões entre os territórios e ampliando o diálogo sobre desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre economia verde e bioeconomia?

Bioeconomia com potencial na Amazônia

Para Washington Silva, coordenador do programa, a publicação reflete a proposta da iniciativa de compreender as dinâmicas dos territórios amazônicos para fortalecer ecossistemas locais de bioeconomia e ampliar oportunidades de desenvolvimento sustentável.

“O EcoAm nasceu da convicção de que a bioeconomia precisa ser fortalecida a partir dos territórios do interior da Amazônia, para além dos grandes centros urbanos. Antes de investir recursos ou propor soluções, é preciso compreender quem são os atores locais, quais cadeias produtivas movimentam a economia e quais obstáculos ainda limitam seu crescimento. Este estudo contribui para tornar essas realidades mais visíveis e oferece subsídios para que investimentos, políticas públicas e oportunidades estejam cada vez mais conectados às necessidades de cada região”, afirma.

De acordo com ele, o Instituto Ñambi foi responsável por desenvolver e conduzir a metodologia da pesquisa, desde o planejamento do trabalho de campo até a realização das entrevistas, análise dos dados e elaboração dos Mapas Estruturantes Integrativos. O objetivo foi compreender como a bioeconomia acontece nos territórios, ouvindo diferentes atores locais e construindo um diagnóstico que possa apoiar políticas públicas e fortalecer a bioeconomia amazônica.

Já a cofundadora do Impact Hub Manaus, Juliana Teles, também destaca o propósito de ampliar a compreensão sobre a bioeconomia a partir das experiências construídas nos próprios territórios.

“A bioeconomia não é um conceito distante para quem vive na Amazônia. Ela já está presente no cotidiano das comunidades, nas feiras, nos rios, nos quintais, nas cooperativas e nas cadeias produtivas construídas a partir da floresta em pé. O que encontramos foi uma Amazônia múltipla, criativa e profundamente conectada aos seus modos de vida, onde cultura, conhecimento tradicional, empreendedorismo, inovação e conservação ambiental caminham juntos e revelam a dimensão e a complexidade desse território”, destaca.

Os territórios

A escolha dos territórios visa representar diferentes expressões da Amazônia. Os três territórios reúnem contextos sociais, econômicos e ambientais distintos, além de contarem com universidades, centros de pesquisa, cooperativas, organizações locais e redes que atuam no fortalecimento da bioeconomia.

Em Ji-Paraná (RO), a bioeconomia está fortemente associada à agricultura familiar e a cadeias produtivas como café, cacau, castanha, mel e pescado. O estudo identificou pelo menos 25 empreendimentos ligados à bioeconomia em atividade no território, evidenciando um movimento de reconexão com a floresta e de construção de alternativas econômicas sustentáveis. Entre os principais desafios estão a ampliação dos canais de comercialização, a criação de novos negócios e a incorporação de tecnologias às cadeias da bioeconomia.

O documento apontou que Rio Branco (AC) possui um ambiente favorável à inovação. Segundo dados do SEBRAE, o território abriga cerca de 81 startups de bioeconomia atuando em segmentos como alimentos, cosméticos, biotecnologia e nanotecnologia. A presença de universidades, centros de pesquisa e empreendedores cria condições para que a capital acreana se consolide como um polo de geração de negócios de alto valor agregado na Amazônia. O desafio, de acordom com a pesquisa, é fortalecer a conexão entre pesquisa, mercado, investimentos e comunidades para que iniciativas promissoras avancem para estágios mais robustos de crescimento.

Mapeamento aponta avanço da bioeconomia na Amazônia e destaca desafios para ampliar impacto
Foto: Divulgação

Já em Tefé (AM), a bioeconomia está diretamente ligada ao cotidiano das populações ribeirinhas e ao ritmo das cheias e vazantes dos rios. O relatório destaca cadeias estruturantes como a farinha de Uarini e o manejo sustentável do pirarucu, reconhecidos nacionalmente por sua relevância econômica e cultural. O território também evidencia o protagonismo de associações comunitárias, mulheres empreendedoras e jovens que articulam conhecimentos tradicionais e novas tecnologias. Entre os desafios identificados estão o fortalecimento da gestão comunitária, a melhoria dos processos produtivos e a ampliação do acesso a mercados.

O que o estudo revela

Ao longo de mais de 50 páginas, o relatório evidencia a diversidade social, econômica, cultural e geográfica presente nos três territórios analisados. Ao mesmo tempo, revela desafios compartilhados relacionados ao acesso a crédito, infraestrutura, assistência técnica, logística, comercialização e integração de políticas públicas.

O mapeamento também apresenta um panorama das cadeias produtivas ligadas à bioeconomia nos três municípios observados. Entre elas estão atividades relacionadas ao cacau, castanha-do-Brasil, café amazônico, mel e apicultura, horticultura orgânica, polpa de frutas, manejo do pirarucu, agricultura familiar, turismo de base comunitária, cosméticos naturais, biojoias, óleos vegetais e artesanato tradicional.

Em Ji-Paraná (RO), o estudo mostra um território marcado pelo avanço urbano e pelos impactos históricos do desmatamento. Ao mesmo tempo, iniciativas ligadas ao café amazônico, ao cacau e à agricultura familiar revelam esforços de reorganização econômica e social.

Na região, um dos principais desafios identificados é a permanência da juventude nos territórios. Embora muitos demonstrem interesse em permanecer nas comunidades, a falta de oportunidades locais ainda impulsiona o deslocamento para os centros urbanos, colocando em risco a continuidade cultural dessas populações.

“Se a gente perder a nossa cultura, por mais que tenha Gavião formado em Direito, em Medicina (…) Se não tiver a base cultural forte, os ‘Gavião’ perde a sua identidade”, afirma Josias Sebirope Gavião, fundador da Associação Indígena Zavidjaj Djiguhr – ASSIZA, que representa o povo indígena Gavião (Ikolóéhj).

Em Rio Branco (AC), a bioeconomia aparece como uma alternativa de desenvolvimento ligada à castanha, ao cacau, aos óleos vegetais, aos bioativos amazônicos e às cooperativas extrativistas. Apesar do potencial econômico e de 85% da região seguir sob a lógica da floresta, o território ainda enfrenta desafios relacionados à fragmentação institucional e à distribuição desigual de valor. Enquanto parte da economia está concentrada em atividades agropecuárias, outra parcela permanece ligada às cadeias sustentáveis e à floresta em pé, exigindo maior coordenação, planejamento e compromisso político.

“As políticas precisam ser construídas junto com quem de fato vive e conhece a floresta, não apenas no papel”, afirma Elenira Mendes, advogada e filha do sindicalista Chico Mendes.

Já em Tefé (AM), cadeias ligadas à farinha e ao manejo do pirarucu se destacam como atividades tradicionais da região. O documento também evidencia o protagonismo crescente das mulheres em associações e negócios locais, enquanto os jovens conciliam conhecimentos ancestrais com novas ferramentas tecnológicas.

“Os estudos mostram que existe uma Amazônia em movimento, conectando conhecimento tradicional, empreendedorismo, conservação ambiental e inovação a partir dos próprios territórios. Ao percorrer essas experiências, percebemos que a bioeconomia não se limita a uma agenda econômica ou ambiental, mas representa diferentes formas de pensar o futuro da região. É um convite para compreender a dimensão e a diversidade dessas iniciativas que já transformam a floresta em espaço de geração de renda, cultura e desenvolvimento”, finaliza Silva.

O relatório reúne análises, entrevistas, dados territoriais e mapeamentos desenvolvidos ao longo da fase piloto do programa EcoAm. O Instituto Ñambi foi responsável pela concepção e execução da metodologia de pesquisa do mapeamento, conduzindo todas as etapas, desde o planejamento do trabalho de campo até a realização de entrevistas, análise dos dados e elaboração dos Mapas Estruturantes Integrativos. O estudo ouviu representantes do poder público, empreendedores, cooperativas, universidades, organizações da sociedade civil, povos indígenas e comunidades tradicionais para compreender como a bioeconomia acontece, na prática, nos territórios amazônicos, produzindo um diagnóstico capaz de subsidiar políticas públicas, investimentos e ações de fortalecimento do setor.

*Com informações da assessoria

Ônibus-cafeteria: atração rondoniense serve grão cultivado no local com vista para a plantação

0

Ônibus funciona como cafeteria e clientes consomem grão cultivado no local. Foto: Joás Chagas

Tomar um café especial dentro de um ônibus de passageiros desativado já é uma experiência incomum. Mas, na zona rural de Rolim de Moura (RO), a novidade vai além: os clientes degustam a bebida com vista para a plantação exata de onde saíram os grãos que estão na xícara.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Batizado de Bus Café Nelinho, o veículo funciona como cafeteria desde 2024. Estacionado de forma fixa às margens de uma rodovia, o espaço se tornou ponto de encontro para moradores e ponto de parada para viajantes.

O estabelecimento serve e comercializa o café produzido na propriedade, das variedades Robusta Amazônico e Apuatã. Os visitantes podem, inclusive, escolher mesas instaladas ao ar livre, bem ao lado dos pés de café.

Leia também: Café de Rondônia é destaque nacional com aumento de produção e valorização do mercado

Ônibus-cafeteria: atração rondoniense serve grão cultivado no local com vista para a plantação
Bus Café Nelinho. Foto: Joás Chagas

O empresário Joás Chagas é o responsável pelo empreendimento. Antes de apostar na cafeteria, ele trabalhava como promotor de eventos e vendia temperos caseiros. A ideia de transformar o veículo surgiu de forma repentina.

“Numa viagem à cidade de Ji-Paraná, passei próximo à garagem de uma empresa de ônibus e uma luz acendeu”, conta.

Ele explica que o objetivo principal era criar um diferencial no mercado local e reforçar o orçamento da família. No início, a proposta dividiu opiniões, e Joás ouviu comentários de pessoas que não acreditavam no sucesso do negócio.

“Várias vezes disseram que era loucura, que não daria certo, que eu não teria condições. Mas também tive vários incentivos”, afirma.

Bus café Nelinho. Foto: Joás Chagas

Ônibus se tornou atração em conjunto com a gastronomia local

A frequência de clientes superou as expectativas iniciais. O estabelecimento recebe visitantes de municípios vizinhos quase todos os dias, além de turistas de outros estados e até de pessoas que moram no exterior.

Embora o cardápio atual siga um modelo tradicional, Joás planeja implementar novidades temáticas em breve. O projeto prevê a inclusão de trocadilhos relacionados ao trânsito, homenagens a empresas de ônibus que marcaram o país e referências a pontos turísticos de Rondônia.

Para quem busca abrir o próprio negócio com propostas fora do padrão convencional, o dono da cafeteria deixa um conselho baseado em sua trajetória:

“Acredite em seus sonhos e não desista. Muitos podem até achar loucura, mas tenha foco e supere os desafios com fé. Seja seu principal incentivador, feche os ouvidos para as vozes contrárias e só vai”, conclui.

O funcionamento ocorre de terça a sábado, das 6h às 19h. Aos domingos, o local oferece um café colonial, das 6h às 12h.

Interior do Bus Café Nelinho. Foto: Joás Chagas

*Por Vallery Sena, estagiária sob supervisão de Raíssa Fontes, da Rede Amazônica RO

Gente do Norte Empresas: saiba quem é Remídio Monai

O empresário Remídio Monai. Foto: Reprodução/Amazon Sat

O empresário Remídio Monai, fundador e presidente da empresa de transporte Amatur, é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, exibido pelo canal Amazon Sat. Sua jornada é marcada pela busca por oportunidades na região Norte, pelo empreendedorismo e por uma empresa que começou com apenas um ônibus e hoje possui rotas em diferentes estados da Amazônia.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Nascido em Iporã, no Paraná, Remídio Monai encontrou na região Norte uma oportunidade para empreender que resultou na criação da empresa de transporte Amatur. Com mais de 30 anos de atuação, o negócio, que começou com apenas um ônibus, hoje possui operações em diferentes estados da Amazônia.

“Eu vejo a Amazônia como a solução do planeta e eu faço parte e eu gosto de estar inserido aqui. E se a gente souber explorar com consciência, podemos desenvolver e sem desmatar”, afirmou Remídio. 

Do Paraná à Amazônia

Remídio deixou o Paraná em 1981 e seguiu com a família para Rondônia. Oito anos depois, decidiu se mudar para Roraima em busca de melhores condições de vida. Segundo o empresário, a mudança também permitiu conhecer diferentes realidades da região amazônica, incluindo comunidades tradicionais e povos indígenas.

Remídio Monai
Foto: Reprodução/Amazon Sat

Leia também: Gente do Norte Empresas: saiba quem é Valmir Machado Portela

“A Amazônia pode ser desfrutada de uma maneira sustentável. Eu acho que o principal da Amazônia é o seu povo, é o ser humano. A gente não pode pensar numa Amazônia sem antes pensar nos ribeirinhos, no caboclo e em quem vive nela”, disse.

Para o empresário, a Amazônia representa uma oportunidade para o desenvolvimento sustentável. Segundo ele, é preciso valorizar e criar condições para que as populações que vivem na floresta possam permanecer em seus territórios.

Um ônibus e muita vontade de trabalhar

A história da Amatur começou com um único ônibus e, para comprar o primeiro veículo, Remídio conseguiu um empréstimo de 40 mil reais por meio do banco estadual. No entanto, o ônibus que havia encontrado em Curitiba, no Paraná, custava 42 mil reais.

Sem conseguir completar o pagamento com recursos próprios, recorreu à ajuda de um amigo para conseguir os dois mil reais restantes. Depois da compra, surgiu um novo desafio: não havia dinheiro para levar o veículo até Roraima.

“Eu mesmo vim dirigindo e fui conseguindo abastecer o ônibus no cheque pré-datado. Quando cheguei em Porto Velho, precisei embarcar na balsa, porque a BR-319 naquela época não era trafegável”, relembrou.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Ao chegar a Roraima, o empresário precisava fazer o ônibus começar a trabalhar rapidamente, já que os cheques utilizados na compra e no abastecimento começariam a vencer em 30 dias.

No começo, o próprio empresário lavava e abastecia o ônibus durante a madrugada, enquanto o irmão, sócio do negócio e dono de 10% da empresa, trabalhava como motorista.

“Eu levantava quatro horas da manhã para lavar o ônibus, abastecia e deixava pronto para o meu irmão seguir viagem às seis horas. Ele chegava à noite e a gente tinha que revisar o ônibus para, no outro dia, começar tudo novamente”, contou.

A estratégia para conquistar os primeiros passageiros também foi simples: oferecer viagens gratuitas para que as pessoas conhecessem o serviço. “Começamos a convidar os amigos para ir de graça. No primeiro dia, o ônibus foi com uns 20 passageiros, todo mundo de graça. Mas a gente começou mostrando um serviço diferenciado, e aquelas pessoas começaram a nos ajudar”, contou.

Presença na região Norte

Atualmente, a Amatur possui atuação em diferentes áreas da Amazônia, com rotas que conectam municípios de Roraima, Amazonas, Rondônia e Acre.

A expansão continua nos planos do empresário, que pretende consolidar ainda mais a marca na região Norte e avaliar novos destinos. Remídio destaca que a empresa busca levar um padrão de conforto também para municípios atendidos por estradas de terra ou trechos considerados mais difíceis.

“A gente consegue levar para as estradas de chão o padrão que temos nas estradas de asfalto”, afirmou.

Segundo ele, rotas como Porto Velho-Manaus, Apuí e Lábrea podem contar com veículos equipados com ar-condicionado, frigobar, toalete e internet via satélite, mesmo em regiões marcadas por dificuldades de infraestrutura, como é o caso dessas regiões da 319 e da BR-230 transamazônica.

Leia também: Gente do Norte Empresas: saiba quem é Irani Bertolini

Estrutura própria

Além da operação de transporte, a empresa mantém uma estrutura própria para a manutenção dos veículos. O espaço reúne setores administrativos, equipes responsáveis pelas escalas dos motoristas e ônibus, almoxarifado, oficinas e serviços de lavagem e abastecimento.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

A manutenção é feita dentro da própria empresa e inclui serviços de elétrica, borracharia, mecânica, ar-condicionado e até montagem de motores. A estrutura própria permite que os ônibus sejam reparados durante a noite, nos fins de semana e feriados, sem depender do funcionamento de concessionárias ou lojas de autopeças.

“Temos tudo aqui. Desde mão de obra, peças, serviços de ar-condicionado, abastecimento e lavagem dos veículos. Não dependemos diretamente de concessionárias”, explicou Remídio.

Atuação no desenvolvimento de Roraima

Além da Amatur, Remídio também possui uma trajetória ligada a entidades empresariais. Atualmente, é presidente do Sindicato das Empresas de Ônibus, instituição que ajudou a fundar há cerca de 20 anos.

Também presidiu a Câmara de Comércio Brasil-Guiana entre 2019 e 2023, período marcado pelas restrições da pandemia de Covid-19 e pelo fechamento das fronteiras. “A gente teve a oportunidade de fazer um trabalho juntamente com a Guiana, levando empresários e trazendo empresários guianeses para cá”, afirmou.

Segundo ele, a pandemia prejudicou parte das atividades da Câmara de Comércio devido ao fechamento das fronteiras, mas ainda foi possível realizar missões empresariais.

Atualmente, Remídio também preside o Conselho do Distrito Industrial de Roraima. A entidade foi criada a partir da mobilização de empresários para discutir demandas da região.

Entre as conquistas apontadas pelo empresário estão a retirada de uma carvoaria que afetava trabalhadores com a fumaça, o asfaltamento de grande parte do Distrito Industrial, a regularização fundiária de empresas e melhorias na infraestrutura.

Com uma trajetória construída a partir de um único ônibus e de uma oportunidade encontrada na região Norte, Remídio Monai destaca que a história da Amatur está diretamente ligada à Amazônia.

O empresário é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista:

Justiça Federal determina envio da Força Nacional para conter invasão em terra indígena no Pará

0

Servidores da Funai tentam conciliar retirada de invasores do interior da Terra Indígena Ituna-Itatá, no Pará. Foto: Reprodução/O Globo

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal determinou que a União e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) enviem equipes da Força Nacional de Segurança Pública para conter uma invasão em massa na Terra Indígena Ituna-Itatá, no Pará. A área, localizada entre os municípios de Altamira e Senador José Porfírio, é reservada para a proteção de povos indígenas isolados e está sob regime rígido de restrição de entrada.

A decisão também estabeleceu multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento e determinou a intimação pessoal e imediata do ministro da Justiça e Segurança Pública e da presidência da Funai. O pedido de urgência feito pelo MPF teve como base relatórios de fiscalização da própria Funai produzidos este mês.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Os documentos apontaram uma escalada rápida de invasões ilegais: porteiras foram arrombadas, placas oficiais de demarcação foram arrancadas e acessos clandestinos foram abertos com uso de motosserras, foices e tratores para a divisão de lotes ilegais.

Em uma das vistorias, os fiscais localizaram um acampamento com cerca de 100 pessoas, dezenas de veículos e fogos de artifício usados para comemorar a invasão da terra. Havia ainda relatos de que outros 100 invasores avançavam para o interior da floresta.

Barraca de um dos invasores da Terra Indígena Ituna-Itatá. Foto: Reprodução/O Globo

Sem o apoio policial da Força Nacional — cujo termo de atuação havia vencido em julho sem renovação —, a equipe de servidores da Funai ficou vulnerável e sem condições de impedir a ocupação. Segundo o MPF, a falta de segurança colocava em risco a vida dos servidores e a própria sobrevivência dos povos indígenas em isolamento voluntário.

“A ausência de resposta rápida aniquilaria os direitos desses grupos, que dependem do isolamento total para não serem exterminados por conflitos ou doenças”, registrou a ação.

O avanço dos invasores se intensificou após a publicação de uma lei estadual (Lei nº 11.665/2026) que criou a Área de Proteção Ambiental (APA) Bacajaí. O mapa da APA coincidia exatamente (100% de sobreposição) com os 142 mil hectares da Terra Indígena Ituna-Itatá.

Ao analisar o caso, a Justiça Federal acolheu a tese do MPF e declarou que a lei estadual não pode ser aplicada à área. A Justiça destacou que a criação de uma APA estadual — modelo que admite a presença e ocupação de particulares — é incompatível com a proteção de terras públicas federais destinadas a povos isolados, cuja competência de proteção e demarcação é exclusiva da União (conforme os artigos 20 e 231 da Constituição).

Leia também: Aumento de conflitos territoriais refletiu cenário de ataques aos direitos indígenas em 2025

O que pede a decisão

Pela decisão urgente (liminar), União e Funai devem adotar conjuntamente:

  • Em até 48 horas: mobilizar efetivo suficiente da Força Nacional para bloquear acessos clandestinos, garantir a segurança dos servidores da Funai e iniciar a retirada de todos os ocupantes ilegais.
  • Em até cinco dias: apresentar em juízo o plano detalhado da operação, incluindo efetivo enviado, pontos bloqueados e o cronograma de expulsão dos invasores.
  • Proteção absoluta aos isolados: adotar protocolos rigorosos para evitar qualquer aproximação ou contato indevido com os indígenas isolados durante as ações de fiscalização.
Terra indígena Ituna-Itatá
Terra Indígena Ituna-Itatá. Foto: Reprodução/Greenpeace

Terra indígena Ituna-Itatá

A TI Ituna-Itatá abriga registros de indígenas isolados do grupo Igarapé Ipiaçava que vivem sem contato com a sociedade. Por lei, essas áreas recebem portarias de restrição de uso, que proíbem o ingresso, a exploração econômica e a permanência de pessoas não autorizadas.

O pedido do MPF foi apresentado pelo procurador regional da República Felício Pontes Jr, que alertou para o perigo iminente de genocídio dos indígenas isolados e de destruição de mais de 142 mil hectares de floresta amazônica.

O MPF demonstrou que condicionar a proteção do território a um prazo de 180 dias premiava invasores armados, que vinham pressionando os limites da reserva e dificultando o trabalho de campo dos servidores da Funai.

O órgão destacou ainda a atuação de organizações como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi) e a Defensoria Pública da União (DPU), que denunciaram tentativas recentes de reocupação irregular da área.

*Com informações do MPF

Plataforma amplia acesso ao programa Floresta+ Amazônia para povos e comunidades tradicionais

Foto: Leonardo Milano / ICMBio

Pela primeira vez, territórios tradicionais autodeclarados por povos e comunidades tradicionais poderão concorrer ao edital de apoio a projetos locais do programa Floresta+ Amazônia. A iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), executada em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e financiada pelo Fundo Verde para o Clima (GCF), recompensa financeiramente quem protege e recupera a vegetação nativa na Amazônia Legal.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Com recursos que chegam a 96 milhões de dólares em 2026, o projeto apoia a conservação da vegetação nativa e a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APP) em pequenas propriedades rurais de até quatro módulos fiscais.

Agora, além de territórios demarcados, titulados, unidades de conservação e assentamentos agroextrativistas reconhecidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o edital passa a aceitar territórios cadastrados na Plataforma de Territórios Tradicionais.

Reconhecimento

Os editais dessa natureza estabelecem como requisito o reconhecimento ou a titulação formal dos territórios, deixando de fora comunidades que, embora mantenham uma relação histórica, cultural e tradicional com seus territórios, ainda não tiveram seus direitos territoriais formalmente reconhecidos.

Com essa mudança, comunidades autodeclaradas passam a ter a oportunidade de participar do edital, fortalecendo o reconhecimento do direito à autodeclaração territorial e à posse tradicional.

Leia também: Plataforma criada em Rondônia transforma palavras indígenas em dicionários digitais

Foto: Erika Berenguer

Para o procurador da República Wilson Rocha Assis, diretor do Projeto Territórios Vivos, de fomento ao uso da plataforma, “a iniciativa representa um marco para o reconhecimento dos direitos dos povos e comunidades tradicionais, ao considerar suas formas próprias de ocupação e sua relação histórica e cultural com o território no acesso a políticas públicas e mecanismos de financiamento”.

Plataforma propõe integração

A Plataforma de Territórios Tradicionais é uma ferramenta do Ministério Público Federal (MPF) e do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) que tem o apoio da Cooperação Brasil-Alemanha para Desenvolvimento Sustentável.

Desde junho de 2026, o MPF tem um acordo de cooperação técnica (ACT) com os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e da Igualdade Racial (MIR) para ampliar o uso da plataforma na implementação de políticas públicas.

Plataforma de Territórios Tradicionais amplia acesso ao programa Floresta+ Amazônia
Arte: Comunicação/MPF

A inclusão dos territórios cadastrados na ferramenta no edital do Floresta+ Amazônia é um exemplo concreto de como a integração de dados e instrumentos públicos pode contribuir para ampliar a participação de povos e comunidades tradicionais nas políticas de desenvolvimento sustentável e acesso a financiamento.

*Com informações do Ministério Público Federal.

Cervejas criadas na Amazônia mostram criatividade e regionalidade; conheça algumas opções

0

Foto: uirá uirá via Pixabay

As cervejas desenvolvidas nos estados da Amazônia têm fortalecido o mercado regional, impulsionadas pelo surgimento de microcervejarias e pela valorização dos ingredientes regionais, pois a biodiversidade amazônica se tornou uma das principais fontes de inspiração.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Assim, as capitais amazônicas registram aumento na criação de fábricas especializadas, ampliando a circulação de rótulos regionais. Esse crescimento também estimula o turismo gastronômico e chama atenção de consumidores interessados em produtos que representem a cultura local.

A influência cultural e ambiental da Amazônia favorece o surgimento de novas receitas, cada uma marcada por características próprias de cada estado. Os rótulos e sabores refletem tradições locais, técnicas modernas e a relação histórica com a floresta.

Leia também: Turismo paraense ganhará Rota Turística da Cerveja em Belém

Nos últimos anos, marcas regionais tem se consolidado e passaram a ocupar espaço em um mercado antes dominado apenas por grandes cervejarias industriais. Esse movimento acompanha tendências nacionais e destaca a força dos insumos amazônicos.

Desenvolvimento das cervejarias e história dos rótulos

Cervejas criadas na Amazônia mostram criatividade e regionalidade; conheça algumas opções
Foto: Reprodução/Cervejaria Rio Negro

No Amazonas, por exemplo, uma das marcas regionais que tem destaque é a Cervejaria Rio Negro, criada com o objetivo de representar a ligação histórica entre a capital e os rios da região. Fundada por empreendedores locais, a marca buscou incorporar ingredientes amazônicos como cupuaçu e castanha em receitas artesanais. O nome faz referência ao principal rio que banha Manaus.

A Tucan Brew é outra cerveja manauara que tem ganhado notoriedade entre os apreciadores por sua linha diversificada que inclui a White IPA Caciquinho e a Witbier Manaós, esta última elaborada com raspas de casca de laranja, sementes de coentro e o fruto amazônico araçá-boi, conferindo aromas e sabores que remetem diretamente à biodiversidade regional

Foto: Reprodução/Cervejaria Cerpa

No Pará, uma das mais cervejas tradicionais é a Cerveja Cerpa, fundada em 1963 em Belém. A marca surgiu durante o período de crescimento industrial da região Norte e se consolidou como uma das principais cervejas amazônicas. Sua história está ligada ao consumo popular e à distribuição nacional, tornando-se referência entre os rótulos paraenses. A Cerpa Export e a Cerpa Prime se tornaram conhecidas por representar o estado em diferentes mercados.

Entre as cervejas artesanais paraenses, destaca-se também a Amazon Beer, que tem chamado atenção no cenário cervejeiro regional por incorporar ingredientes típicos da Amazônia em seus rótulos, como açaí, bacuri, cumaru e priprioca, criando estilos distintos como a Stout de açaí, a IPA Cumaru e a Red Ale Priprioca, que expressam a diversidade de sabores e aromas da floresta na forma de cerveja artesanal. Essa proposta já rendeu à cervejaria reconhecimento em concursos nacionais e mostra como o mercado local vai além das marcas tradicionais, valorizando a identidade paraense e contribuindo para o crescimento da cultura cervejeira no estado.

Leia também: Refrescante: refrigerantes feitos na Amazônia que você talvez não conheça

No cenário cervejeiro de Rondônia, além das grandes marcas nacionais, destacam-se iniciativas locais como o lançamento da cerveja engarrafada pelo Chopp Coronel Church, que introduziu no mercado rondoniense a versão long neck do seu tradicional triplo malte, agora disponível em bares, restaurantes e supermercados de Porto Velho e região — um movimento que reforça a presença de produtos genuinamente produzidos no estado e aproxima o público da cultura local da produção de cerveja artesanal.

Cerveja engarrafada pelo Chopp Coronel Church carrega identidade rondoniense. Foto: Reprodução/ Facebook – Coroonel Church

No Acre, o crescimento do mercado cervejeiro começa a ganhar corpo com marcas genuinamente locais como a Altaneira, cervejas produzida em Rio Branco que tem se destacado ao lado de eventos culturais e festividades regionais, reforçando sua identidade acreana e conquistando espaço no paladar dos consumidores do estado com um produto 100% feito no território local.

Foto: Reprodução/ Facebook – Cervejaria Altaneira

Outra cervejaria com destaque no Acre é a Seringueira Beer, produzida em Rio Branco. A cerveja busca resgatar a identidade acreana ao incorporar ingredientes e elementos típicos da região, como o uso do látex da seringueira, que faz alusão à principal atividade econômica do estado.

A proposta da marca é inovar ao oferecer um produto artesanal com sabores autênticos e que conectam a história e cultura do Acre. A Seringueira Beer tem se destacado especialmente nos eventos locais e nas feiras regionais, conquistando espaço entre os apreciadores de cerveja artesanal.

Com isso, o crescimento das cervejas amazônicas fortalece eventos regionais e valoriza a produção local. Festivais de gastronomia e encontros de cervejeiros estimulam a troca de experiências entre produtores e aumentam a circulação de produtos criados na região. O impacto cultural pode ser observado na forma como as marcas dialogam com a história e os símbolos de cada estado.

Casal do Amapá encara frio nos Andes durante viagem de moto pela América do Sul

0

Gilberto e a esposa durante expedição nos andes. Foto: Gilberto Araújo/Arquivo Pessoal

O técnico em edificações Gilberto Araújo, de 59 anos, e a esposa dele, a historiadora Regiane Araújo, de 55 anos, encararam um desafio sobre duas rodas: cruzaram a América do Sul de moto, saindo da Praia do Goiabal, em Macapá (AP), até alcançar a costa do Oceano Pacífico, no Peru.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A ideia de atravessar o continente pelo ponto mais difícil — a Cordilheira dos Andes — surgiu após o incentivo de um colega de trabalho de Goiás.

“Quando cheguei do Peru em 2025, já comecei a organizar a próxima viagem. Foi um ano inteiro de programação. A intenção era ir pelo trecho mais desafiador”, relata Gilberto.

Mutações na rota e desafio de 22 dias

Inicialmente, a expedição seria realizada de forma solo. No entanto, seis meses antes da partida, Regiane decidiu acompanhar o marido na aventura. A mudança exigiu uma revisão completa no planejamento para ajustar o itinerário ao período de 30 dias de férias de Gilberto.

“A dona Regiane não estava nos planos no começo. Quando ela decidiu ir, tive que revisar toda a rota porque não dava tempo. No fim, foram 22 dias de estrada. Ela foi muito guerreira, nenhuma mulher da idade dela teria conseguido superar o que ela superou”, destaca o motociclista.

O trajeto exigiu milhares de quilômetros de navegação por estradas de terra no Pará, travessias de balsa e rodovias no Amazonas, Rondônia e Acre, até a entrada no Peru pela alfândega de Assis Brasil (AC).

Leia também: Origem do Rio Amazonas têm ligação com a formação dos Andes

Casal do AP cruza América do Sul de moto e encara frio nos Andes: 'água congelou nos recipientes'
Gilberto e a esposa durante expedição. Foto: Gilberto Araújo/Arquivo Pessoal

Montanhas, altitude e frio extremo

No território peruano, o casal seguiu por cidades como Porto Maldonado e Arequipa, onde enfrentou o relevo acentuado e as baixas temperaturas da Cordilheira dos Andes.

Durante a travessia a quase 5 mil metros de altitude, os dois sentiram os efeitos do “mal da montanha”, caracterizado por fortes dores de cabeça e enjoo, além de temperaturas congelantes.

“Passamos dificuldade a aproximadamente 5 mil metros de altitude e a água congelou nos recipientes. Foi muito frio, precisamos de cinco cobertores para nos aquecer. Mas conseguimos vencer essa etapa”, relembra Gilberto.

Casal encarou o frio dos Andes durante a viagem. Foto: Gilberto Araújo/Arquivo Pessoal

Acidente na Transamazônica e o sentido da estrada

Apesar das complicações com a altitude nos Andes, o casal ressalta que o momento de maior sufoco ocorreu no retorno ao Brasil, na Rodovia Transamazônica (BR-230). Entre Itaituba (PA) e Humaitá (AM), o excesso de poeira e os buracos resultaram em um acidente de moto, exigindo uma mudança rápida de estratégia para concluir o percurso.

“É mais difícil passar pela Transamazônica do que pelas Cordilheiras. É tudo chão, terra e muito buraco. Tivemos um acidente na volta, caímos de moto e precisamos mudar a estratégia, mas conseguimos chegar. Não gosto de romantizar, o sacrifício faz parte da travessia”, afirma.

Excesso de poeira e os buracos resultaram em um acidente de moto durante a viagem. Foto: Gilberto Araújo/Arquivo Pessoal

Mesmo após o susto e com a promessa inicial de que aquela seria a última grande expedição, o técnico em edificações já não descarta novos destinos sobre duas rodas.

“Eu disse que não faria mais viagens longas, porém não sei se vou parar. Na viagem, conheci homens com mais idade do que eu rodando por aí e isso me motivou. No fim, o aprendizado e a conversa com as pessoas que a gente encontra pelo caminho fazem tudo valer a pena”, concluiu Gilberto.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica Amapá

Estudo aponta desequilíbrio bilionário no investimento público na Amazônia

0

As linhas de crédito socioambientais (Agroecologia, Bioeconomia e Florestas) representaram 4,3% do volume total de crédito do PRONAF e apenas 0,4% do crédito agrícola total. Foto: Reprodução/Greenpeace

A Amazônia não sofre por falta de alternativas sustentáveis, mas pela falta de investimento e apoio institucional para colocá-las em prática. Essa é a conclusão de um artigo de opinião publicado na revista científica PLOS Climate, assinado por pesquisadores da FGV EAESP e de instituições parceiras baseado em análise de dados públicos sobre financiamento agrícola e florestal.

O estudo mostra que o Brasil investe dezenas de vezes mais em agronegócio do que em economias baseadas na sociobiodiversidade, mesmo estas sendo apontadas como estratégicas para conter o desmatamento na região e promover o desenvolvimento socioeconômico.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O estudo, que é desdobramento de um projeto da Iniciativa Amazônia+10 financiado pela FAPESP e pela FAPEAM, liderado pelo FGV EARTH e Instituto Juruá e assinado por Michel Xocaira Paes, João Campos-Silva, Luciana Marques Vieira e José Antonio Puppim de Oliveira, argumenta que o modelo de desenvolvimento adotado para a Amazônia nas últimas décadas — baseado em crédito subsidiado, grandes obras de infraestrutura e pesquisa voltada ao agronegócio de exportação — consolidou o Brasil como potência agrícola, mas também aprofundou desmatamento, emissões e desigualdades locais.

Segundo os autores, esse padrão se repete nos investimentos mais recentes: o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinou US$ 13,29 bilhões a infraestrutura de transporte voltada ao escoamento de commodities, sem nenhuma previsão de recursos para territórios tradicionais ou cadeias de valor da sociobiodiversidade.

Do outro lado dessa equação estariam as economias da sociobiodiversidade: sistemas agroflorestais, pesca manejada e outras iniciativas de base comunitária que combinam geração de renda com conservação ambiental. 

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é turismo de base comunitária?

Sustentabilidade comprometida

Os autores citam evidências científicas de que esses modelos já funcionam na prática — áreas protegidas de uso sustentável têm melhorado os meios de vida na Amazônia rural, e o manejo pesqueiro comunitário tem gerado um efeito de proteção ambiental de grande valor agregado nas florestas amazônicas.

Ainda assim, essas iniciativas seguem marginalizadas por dificuldade de acesso ao crédito, infraestrutura adequada, acesso a mercados e políticas de pagamento por serviços ambientais — dependendo, na prática, de cooperação internacional, filantropia e trabalho muitas vezes mal remunerado, o que compromete sua sustentabilidade a longo prazo e desestimula o engajamento de jovens no setor.

O texto também avalia os desdobramentos da COP30, realizada em Belém em novembro de 2025. Para os pesquisadores, embora o encontro tenha dado destaque a florestas, adaptação e financiamento climático — com a aprovação da Tropical Forest Forever Facility (TFFF) —, os compromissos assumidos permanecem majoritariamente simbólicos e não alteraram os padrões de investimento que impulsionam o desmatamento. Com retorno projetado de US$ 3 bilhões a 4 bilhões por ano, a TFFF teria escala muito menor que os subsídios domésticos que continuam expandindo a fronteira agrícola no país, funcionando como um mecanismo complementar, e não estruturalmente transformador. 

“Se não mudarmos o modelo de financiamento, para dar mais apoio às cadeias sustentáveis, não conseguiremos resolver os problemas de desenvolvimento social e econômico da Amazônia e zerar o desmatamento”, afirma Puppim, professor titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Leia também: Senado autoriza crédito externo de US$ 15 milhões à projeto de restauração ecológica no Pará

Imagem aérea de sobrevoo de monitoramento de desmatamento na Amazônia no município de Lábrea, Amazonas, realizado em 26 de março de 2022.
Foto: Reprodução/Greenpeace

Para Michel Xocaira Paes, pesquisador da FGV EAESP, a baixa representatividade das populações tradicionais no Congresso representa um dos grandes desafios para transformar esse cenário. “Enquanto o Congresso Nacional, responsável por aprovar o orçamento federal e por criar e alterar as leis e as instituições do país, continuar direcionando grande parte dos recursos públicos para setores já consolidados, dificilmente o Brasil conseguirá avançar de políticas públicas pontuais para políticas estruturantes. É necessário transformar a sociobioeconomia em prioridade e em um importante motor de desenvolvimento sustentável para a Amazônia e para o Brasil”.

Os autores defendem que reverter esse quadro exige redirecionar crédito público, investir em infraestrutura adaptada aos territórios florestais e fortalecer a assistência técnica para a sociobioeconomia, além de ampliar a representação política de povos indígenas, comunidades locais e pequenos produtores nas decisões orçamentárias. Atualmente, 63% dos deputados federais (324 de 513) integram a Frente Parlamentar da Agropecuária, enquanto apenas quatro parlamentares são indígenas. O desequilíbrio de representação, segundo os pesquisadores, ajuda a explicar por que o modelo atual se mantém apesar das evidências acumuladas sobre seus custos ambientais e sociais.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Amazon Poranga Fashion une moda, cultura, criatividade e economia da Amazônia em Manaus; confira a programação

0

Evento reúne moda autoral, criatividade e empreendedorismo da Amazônia. Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Poranga

O mercado da moda autoral da Amazônia será destaque neste fim de semana em Manaus (AM) com a realização da 4ª edição do Amazon Poranga Fashion. De 28 a 30 de agosto, o evento que une moda, criatividade e empreendedorismo regional acontece na Casa da Economia Criativa, o Ideal Clube, no Centro Histórico, e terá na programação desfiles, lançamentos de coleções, talks e atividades ligadas à moda local.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Para este ano, mais de 20 marcas autorais amazônicas estabelecidas no mercado estão presente no evento que visa aproximar artistas, modelos, produtores e toda uma cadeia produtiva local, além do público adepto das diferentes perspectivas da moda amazônica. A principal novidade anunciada é o novo formato dos desfiles, que agora serão realizados em sessões individuais, em que cada marca terá um horário próprio dentro da programação, o que possibilitará apresentações a partir do conceito de sua coleção.

“Essa edição foi pensada para que cada marca tenha mais espaço para apresentar o seu trabalho e construir o desfile a partir da própria identidade. Ao mesmo tempo, queremos que o público acompanhe várias formas de fazer e pensar moda na Amazônia ao longo dos três dias”, afirmou Jessilda Furtado, idealizadora do Amazon Poranga Fashion, no canal do Youtube da organização.

Além dos desfiles, a programação terá talks sobre empreendedorismo, moda, tecnologia e economia criativa. Entre os convidados está Ada Pereira, empreendedora com mais de 15 anos de atuação, que vai falar sobre empreendedorismo no setor têxtil. Ricardo Michaelsen, diretor da Feira Tecnomoda, de São Paulo, também participa da programação com um talk sobre tecnologia aplicada à moda.

Leia também: Moda com insumos da floresta é transformada em estratégia de geração de renda no Amazonas

Em sua quarta edição, Amazon Poranga Fashion já mobilizou mais de quatro mil artistas, produtores e adeptos da moda amazônica. Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Poranga

Edição 2026 consolida mercado da moda autoral amazônica

Amazon Poranga Fashion
Evento terá três dias de programação que contará com desfiles, lançamentos de coleções, talks e atividades ligadas à moda amazônica. Foto: Reprodução/Instagram-Amazonporanga

Criada em 2023, o Amazon Poranga Fashion chega na sua quarta edição consolidado como a principal plataforma da moda autoral e economia criativa do Amazonas.

De acordo com o coordenador de projetos do evento, Felipe Taveira, o APF surgiu com o propósito de transformar o espaço numa vitrine nacional e internacional da moda produzida na Amazônia.

“O Amazon Poranga Fashion nasceu num contexto de entender efetivamente o mercado da moda autoral da Amazônia, que até então não tinha uma estrutura de apoio destinada para esse segmento. Os próximos dois anos foram de validação e exponencialidade no interesse das pessoas, do público, da sociedade e das entidades públicas, e esse quarto ano é a consolidação desse trabalho desenvolvido ao longo desses três anos. É uma ano de virada de chave muito importante para o Poranga”, afirmou Taveira.

Desde a primeira edição, o evento já mobilizou mais de quatro mil pessoas entre estilistas, modelos, artistas, produtores e empreendedores culturais, com o objetivo de fortalecer a moda autoral amazônica e gerar emprego e renda para centenas de profissionais locais.

Para Jessilda Furtado, o Amazon Poranga Fashion representa o resgate da valorização dos artistas amazônidas ligados à moda local e novas oportunidades de mercado.

“O projeto resgatou um segmento da economia criativa que, à princípio, estava morno, digamos assim. Nós temos estilistas, designers e criativos muito bons e o evento traz uma diversidade na moda cultural amazônica, que inclui os indígenas, grafismos, moda contemporânea, com vários acessórios que combinam o que temos de mais belo na Amazônia, unindo talento, insumos, materiais a partir da floresta, do conhecimento ancestral. Então, é uma moda de expressão que traz o patrimônio cultural vivo da nossa Amazônia, os saberes tradicionais que se encontram com a criação contemporânea, fortalecendo identidade e criando novas possibilidades de futuro”, frisou.

Programação

A programação conta com três dias na 4ª Amazon Poranga Fashion e reúne marcas com propostas variadas que passam pelas modas urbana, streetwear, praia, biojoias, produções indígenas, além de trabalhos artesanais e criações inspiradas na Amazônia. Confira:

28 de agosto

  • 17h — Wɨra Tini
  • 17h30 — Ateliê Yra Tikuna
  • 18h10 — Semsimpa7ia
  • 18h40 — Rita Prossi — lançamento do curta Surí
  • 19h30 — Atelier Eglisson Gomez
  • 20h — Anauê Cunhã
  • 20h40 — Atelier Maria Lima

29 de agosto

  • 11h — Sioduhi Studio
  • 15h — Kelly Maia
  • 15h35 — Ybyadara
  • 16h10 — Atnia
  • 16h40 — Jambú
  • 17h20 — Ales Design
  • 18h — Sapopema
  • 18h30 — Gigantio — projeto de rastreabilidade da cadeia do pirarucu
  • 19h30 — Cepeco
  • 20h — Souedo
  • 21h — Arévola Gallery

30 de agosto

  • 15h — Pérolas Model
  • 15h30 — Sonja Andrade
  • 16h — Criadores da Amazônia
  • 17h — Renata Sampaio
  • 18h — Retalhos da Cultura
  • 18h30 — Izolena Garrido
  • 19h — Danudili
  • 19h30 — Veneno
  • 20h10 — Assis Brand
  • 20h40 — Dezenove Setenta

TCU anuncia produção de levantamento para verificar principais desafios dos povos indígenas da Amazônia

0

Levantamento foca no desenvolvimento de um diagnóstico sobre a realidade regional. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

O Tribunal de Contas da União (TCU) anunciou nesta sexta-feira (28) que vai realizar um “levantamento para conhecer e compreender os principais desafios que os povos indígenas da Amazônia brasileira enfrentam e como o estado tem respondido a esses problemas”. Segundo o órgão, a iniciativa busca traçar um diagnóstico sobre as dificuldades das comunidades e as ações que devem ser realizadas pelo poder público.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O levantamento está previsto para ser executado na Amazônia brasileira e vai considerar a atuação de órgãos como o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e instituições responsáveis por políticas públicas destinadas aos povos indígenas.

Levantamento terá foco na escuta

Os envolvidos no levantamento vão ouvir diretamente pessoas e instituições que conhecem a realidade das comunidades indígenas. “O TCU vai promover reuniões, entrevistas, oficinas e diálogos com organizações representativas, lideranças e comunidades indígenas, além de consultar servidores e gestores públicos, especialistas e representantes de instituições envolvidas com o tema”, informou o órgão.

Documentos e dados públicos devem ser analisados para contribuir com a construção do levantamento. Além disso: estudar políticas públicas e arranjos institucionais e avaliar processos de trabalho, funcionamento da coordenação entre os órgãos e mecanismos utilizados para atender às necessidades das comunidades.

Entre os temas que serão considerados estão:

  • demarcação e a proteção dos territórios,
  • saúde,
  • educação,
  • segurança,
  • acesso a políticas públicas,
  • participação social
  • e preservação cultural e ambiental.
levantamento para verificar principais desafios dos povos indígenas da Amazônia
Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

Leia também: Com 391 etnias e 295 línguas indígenas, saiba quais possuem maior abrangência na Amazônia Legal

Possíveis desdobramentos

A iniciativa partiu do entendimento de que a experiência e a percepção dos próprios povos indígenas são fundamentais para compreender os problemas e identificar oportunidades de melhorar a atuação do estado. O objetivo é reunir diferentes perspectivas e realidades para construir diagnóstico baseado na escuta e no diálogo.

O resultado do levantamento ajudará o Tribunal a identificar os problemas considerados mais relevantes pelos povos indígenas da Amazônia e a definir prioridades em futuras ações de controle. As informações também poderão contribuir com novas fiscalizações e aperfeiçoar políticas públicas.

Outro resultado esperado é a produção de conhecimento sobre os desafios enfrentados pelos povos indígenas e sobre o funcionamento das políticas públicas para essas comunidades.

*Com informações do TCU