Home Blog Page 386

Rainha da terra: conheça a complexa sociedade da formiga saúva-limão

0

No subsolo das florestas tropicais e campos brasileiros, vive uma das sociedades mais organizadas e eficientes da natureza: o formigueiro da Saúva-limão (Atta sexdens). Conhecida como uma das maiores e mais complexas espécies de formigas do mundo, a saúva-limão chama atenção não apenas por sua estrutura hierárquica, mas pelo papel central e quase monárquico da sua rainha — um verdadeiro pilar da colônia.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

E a origem do nome? A saúva-limão ganhou esse nome, pois quando é esmagada exala um forte cheiro de limão ou erva-cidreira. Foi através deste aroma que ela ganhou seu nome popular.

A rainha da Saúva-limão é, literalmente, a mãe de toda a colônia. Considerada a maior de todas as formigas, ela é a única responsável por colocar ovos, garantindo a continuidade da população do sauveiro. Em condições laboratoriais, essa rainha pode viver até impressionantes 20 anos. Na natureza, sua expectativa de vida gira em torno de 6 anos, ainda assim um feito notável para um inseto.

Tudo começa com o chamado ‘voo nupcial’, realizado em dias claros do início da estação chuvosa, entre setembro e dezembro. Durante esse ritual, fêmeas aladas — chamadas içás — revoam ao lado dos machos alados, conhecidos como bitus. Após a fecundação, a agora futura rainha pousa, arranca as próprias asas com as pernas medianas e escava um buraco no solo, com profundidade entre 8 e 25 cm. É ali que nascerá um novo império subterrâneo.

Leia também: Conheça 7 espécies de formigas raras encontradas na Amazônia

Foto: Reprodução/Planeta dos Insetos

Para iniciar o novo formigueiro, a rainha carrega em sua cavidade infra-bucal uma pequena porção de fungo do ninho original. Ao chegar ao fundo da câmara escavada, a formiga regurgita esse material e o irriga com suas próprias fezes — um gesto vital para o cultivo do fungo que servirá de alimento para as futuras gerações.

Enquanto a rainha reina, o bitu tem um papel breve, porém fundamental. Seu único objetivo é fecundar as içás durante o voo nupcial. Após cumprir sua função, ele morre — incapaz de se alimentar sozinho na natureza. Durante toda a sua vida, é alimentado por suas irmãs por meio da trofalaxia, um processo em que o alimento líquido é transferido boca a boca.

Leia também: Formigas Tapiba podem ser usadas como repelente natural

Funções

Se a rainha é o cérebro do formigueiro, as operárias são seu corpo. Todas estéreis, elas vivem de 4 a 5 meses e se dividem em três castas com funções específicas:

  • Soldadas: as maiores entre as operárias, responsáveis pela defesa da colônia.
  • Cortadeiras: de tamanho médio, cortam e transportam folhas, matéria-prima essencial para o cultivo do fungo.
  • Jardineiras: as menores, dedicam-se ao cuidado com os ovos, larvas e com o próprio fungo que sustenta a colônia.

Cada casta atua com precisão quase militar, garantindo o funcionamento de uma sociedade onde cada indivíduo tem um propósito claro e essencial.

Povos e comunidades tradicionais reivindicam criação de cota na Universidade Federal do Pará

0

Foto: Divulgação – CNS

Buscando reivindicar a criação de uma cota exclusiva para povos e comunidades de territórios tradicionais na Universidade Federal do Pará (UFPA), o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), por meio da Comissão Estadual de Juventude Extrativista, lançou um abaixo-assinado.

Amparado pelo Decreto Federal n.º 6.040/2007, responsável por instituir a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, o documento visa embasar uma petição que será apresentada ao reitor da UFPA, professor Gilmar Pereira da Silva.

“Muitas de nossas comunidades tradicionais ainda enfrentam severas dificuldades no acesso à educação superior, devido a uma série de fatores históricos e estruturais que marginalizam nossas condições de vida e dificultam nosso ingresso no ensino superior”, diz trecho do documento.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

“A ausência de uma política de cotas específica para nosso grupo impede que muitas pessoas, com grande potencial acadêmico e de transformação social, tenham a oportunidade de desenvolver suas capacidades em uma instituição de ensino superior como a UFPA”, reforça Letícia Moraes, vice-presidente do CNS.

Além da criação das cotas, os povos e comunidades de territórios tradicionais solicitam que a UFPA se comprometa a estabelecer programas de apoio acadêmico, psicológico e financeiro para os cotistas, de modo a garantir a sua permanência e sucesso na universidade.

Fazem parte do público-alvo do abaixo-assinado: extrativistas, pescadores artesanais, lavradores, marisqueiros, benzedeiros, ribeirinhos, quebradeiras de coco babaçu, peconheiros, beiradeiros e agricultores familiares de territórios tradicionais, como Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE), Reserva Extrativista (RESEX) e Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS).

Leia também: Educação em língua indígena: fortalecimento da cultura dos povos originários da Amazônia

Matheus Silva, membro da Comissão Estadual de Juventudes Extrativistas do CNS Pará. Divulgação – CNS

Universidade mais inclusiva

Matheus Silva, membro da Comissão Estadual de Juventudes Extrativistas do CNS Pará, destaca que a criação de cotas para povos e comunidades tradicionais é uma forma de contribuir para uma universidade mais plural e inclusiva.

“Nossas comunidades e povos tradicionais vêm há muito tempo numa situação de marginalização e invisibilização imposta pelo próprio poder público, ao nos negar políticas públicas básicas, como a Educação. Sabemos que um dos grandes desafios que temos hoje é que nossas crianças, adolescentes e jovens tenham uma Educação continuada. Do ensino fundamental ao superior”, afirma Matheus.

Leia também: Reparação pela educação: jovem indígena conquista aprovação em Programa de Mobilidade Internacional

“A nossa educação básica é sucateada, mas quando se fala em comunidades tradicionais e periferias você percebe que esse sucateamento é ainda pior. Quando não se tem uma escola na própria comunidade, se busca deslocamento para outras cidades para ter acesso ao ensino básico, que quase nunca é de qualidade, a não ser em escolas particulares”, lembra o ativista socioambiental.

Estudante de Arquitetura e Urbanismo no campus de Belém da UFPA, Matheus conhece bem essa realidade. Eleito recentemente como delegado do CNS para a 5ª Conferência Nacional de Meio Ambiente, evento de ocorre de 6 a 9 de maio, em Brasília (DF), ele mora na ilha do rio Campompema, em um Projeto de Assentamento Agroextrativista localizado no município de Abaetetuba (a 102 quilômetros da capital paraense).

Divulgação – CNS

“Entendo que foi um privilégio ter acessado a universidade, mas isso mostra que nossa luta continua. O que me faz estar na universidade parte de uma luta cotidiana das pessoas que continuam morando nos territórios”, observa o estudante.

Momento oportuno

Matheus acredita que esse é um momento oportuno para se reapresentar a petição à reitoria da UFPA. Ele lembra que uma petição nesse sentido já foi protocolizada na Universidade, em 2014, mas que o projeto não prosperou.

“Vivemos um momento importante, ano de COP 30 em Belém, retomamos a pauta. Além disso, com a eleição e posse do novo reitor vemos uma oportunidade de continuar esse processo. Queremos levar esse levantamento prévio à reitoria e, posteriormente, ao conselho superior da universidade com números concretos e os nomes dessas pessoas”, destaca.

Belém vai sediar, no mês de novembro, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30). O evento internacional é visto como uma oportunidade para trazer à tona as demandas da população local, incluindo o acesso à educação gratuita e de qualidade para somar na luta pelo desenvolvimento sustentável na região.

“Falar de política de clima é falar de uma política essencial para que a gente continue tendo relação com o território, praticando nossas atividades dentro das nossas comunidades. Isso passa pela criação de políticas específicas para povos e comunidades tradicionais, incluindo a juventude. Estamos vivendo uma crise climática onde quem vai ter que lidar com isso daqui a alguns anos é a juventude”, destaca Matheus Silva.

Leia também: Estudante indígena paraense pesquisa importância da língua materna em conclusão de curso

Em março, Pará registra redução de 36% em área recoberta por alerta de desmatamento

0

Pará registra redução de 36% em área recoberta por alerta de desmatamento. Foto: Fernando Sette/divulgação

O Pará segue se consolidando como um dos entes federativos mais importantes na preservação da floresta amazônica. Em março de 2025, foi registrada uma área de 22 km² sob alertas de desmatamento, uma redução de 36% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Essa diminuição representa o menor valor já registrado para o mês de março na série histórica do Estado, desde 2019.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

No acumulado entre agosto de 2024 e março de 2025, correspondente ao Ano Prodes 2025, o Pará alcançou uma queda de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior, com menos 199 km² afetados, segundo os dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O governador Helder Barbalho destacou que os resultados positivos são fruto de uma ação coordenada do governo. “Seguimos comprometidos em proteger a floresta e garantir um futuro sustentável para o nosso Estado”.

Leia também: Registro de desmatamento e focos de calor cai no Amazonas em março, aponta Ipaam

Pará registra redução de 36% em área recoberta por alerta de desmatamento. Foto: Fernando Sette/divulgação

“A redução alcançada em março é mais uma prova de que estamos comprometidos com o meio ambiente e seguimos no caminho certo”, afirmou.

Leia também: Desmatamento na Amazônia atinge menor índice da série histórica para fevereiro

A atuação do Pará também se reflete no contexto da Amazônia Legal. Em março de 2025, a participação do Pará no desmatamento da região passou de 21% em 2024 para 16% em 2025. 

Neste contexto, Belém se prepara para receber a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que será sediada na capital, em novembro. O evento internacional reforça a importância da discussão global e fortalece o papel do Estado na mitigação do desmatamento e conservação da floresta amazônica. 

Pará registra redução de 36% em área recoberta por alerta de desmatamento. Foto: Alexandre Costa/Agência Pará

As iniciativas de comando e controle no âmbito do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), o Plano de Recuperação da Vegetação Nativa (PRVN) e o Plano de Bioeconomia são estratégias que têm contribuído para a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável das comunidades locais.

O secretário de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Raul Protazio, ressaltou o papel da Semas no impacto das políticas públicas. “Estamos colhendo os frutos de um trabalho sério, focado na sustentabilidade e na valorização da floresta em pé. Esses resultados demonstram que é possível aliar conservação ambiental com desenvolvimento”, afirmou.

Os dados alcançados mensalmente reforçam que, com o avanço das políticas públicas bem estruturadas, o Pará segue sendo um exemplo em resultados positivos de preservação ambiental e proteção à Amazônia.

*Com informações da Agência Pará

Agricultores familiares de seis municípios rondonienses poderão receber pagamento por conservar floresta nativa

0

Produção de farinha de mandioca. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Os agricultores familiares de pequenos imóveis rurais dos municípios rondonienses de Porto Velho, Nova Mamoré, Candeias do Jamari, Machadinho do Oeste, Cujubim e Buritis, poderão receber pagamentos pela conservação de floresta nativa em seus lotes. A equipe do Projeto Floresta+ Amazônia em Rondônia apresentou ao Incra/RO a Chamada Pública nº 02/2024 que estabelece as regras de participação, na superintendência em Porto Velho (RO).

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

A iniciativa se destina a agricultores familiares de pequenos imóveis rurais, que receberão pagamento por conservarem áreas com mata nativa, por fases.  A Fase 1 é dividida em duas parcelas de R$ 1.500,00, exclusiva para quem exerce suas atividades nos municípios prioritários.  A primeira parcela é recebida no primeiro ano de adesão e a segunda após o agricultor conseguir a validação do CAR e apresentar o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF).

A Fase 2 poderá beneficiar agricultores familiares de pequenos imóveis rurais de toda a Amazônia Legal. Para aderir a essa fase, os imóveis rurais devem estar com o CAR já validado pela Sedam-RO.  Os pagamentos variam de acordo com a quantidade de vegetação nativa que cobre o imóvel, começando em R$ 200 por hectare para quem tem até 80% de vegetação nativa e passando para R$ 800 por hectare para quem tem mais de 80%. “Não é necessário passar pela Fase 1 para acessar a fase 2, ambas são independentes”, explicou a coordenadora em Rondônia, engenheira florestal Naelha Sarmento

Leia também: Estudo aponta principais desafios da agricultura familiar em Mato Grosso

Equipe do Floresta+ apresenta a chamada ao Incra. Foto: INCRA

O agricultor familiar poderá se inscrever gratuitamente, até 30/06/2025, no site do Projeto Floresta+ Amazônia ou na página do MMA. Os interessados ainda poderão contar com apoio para fazer sua inscrição durante os mutirões realizados em Rondônia com o apoio do Incra.

O superintendente do Incra em Rondônia, Luís Flávio Carvalho Ribeiro, afirmou que a autarquia é parceira no projeto para difundir essas informações ao público da reforma agrária, o qual se soma a um conjunto de ações implementadas pelo Incra para o desenvolvimento das famílias agricultoras.  

Leia também: Agricultura familiar pode melhorar merenda escolar indígena, aponta Pnae

Projeto Floresta+ Amazônia

O Projeto Floresta+ Amazônia é uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com o apoio do Fundo Verde para o Clima (GCF). 

*Com informações do INCRA

Resistência, Resignação e Resiliência. Qual a relação entre elas?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Um lutador de box recebe socos do adversário. Ele está nas cordas, mas aguenta firme. Seu corpo se comprime e a dor das pancadas só será sentida mais tarde. O gongo bate e ele ganhou fôlego para mais um assalto. A cantora sobe ao palco e é vaiada pelo público durante toda a música, em função das suas posições políticas,
contrárias a maioria do público presente. Ela se mantém firme, engasga-se um pouco, lágrimas correm, mas ela segue até o final, cumprindo o que se propusera a fazer.

Roberto e Eneida sentem forte atração física um pelo outro, mas concluíram que é uma relação que não deve ocorrer. Ele é chefe dela e ela vive com outra pessoa. Mário não aceita as mudanças que a nova gestão vem implementando no departamento. Ele tinha a sua própria maneira de fazer as coisas e que sempre funcionou. Por que agora, depois de tantos anos, precisaria mudar? Todos são exemplos de resistência, que pode ser positiva ou negativa.

Há situações que cabe à resistência. Carla e João foram casados por mais de trinta anos. Conheceram-se jovens e amadureceram juntos, constituindo uma bonita família, com filhos e netos. Uma doença inesperada levou Carla. João sofreu com a perda, mas aceitou o que a vida lhe trouxe e seguiu a vida com tranquilidade. Pablo está fechando um negócio onde investira todos os recursos que dispunha e que se mostra agora inviável, em função de uma nova tecnologia que mudou completamente o mercado. Não é bem a situação de Silvia, que apenas começou um novo negócio e pensa em desistir diante das primeiras dificuldades que encontrou. Todos são exemplos de resignação, que pode ser positiva ou negativa.

Há situações que cabe à resignação. Thomas Edison foi um dos homens que mudou a história da tecnologia e, com ela, a nossa história. Quando criança, foi expulso da escola. Era inquieto demais e, segundo seu professor, demonstrava que nunca iria aprender. Foi alfabetizado pela mãe em casa. Vendeu doces e jornais e aos 11 anos iniciou suas pesquisas, impulsionado pela curiosidade. Tornou-se um inventor independente e chegou a ter 2.332 patentes registradas em seu nome. Criou a Edison General Eletric, que mais tarde se transformaria em uma das empresas mais poderosas do mundo, a GE. Sua invenção mais famosa é a lâmpada elétrica. Consta que para chegar nela ele precisou realizar 1.000 experiências. Questionado pela sua persistência após tantos fracassos respondeu: “Eu não fracassei nenhuma vez. Apenas descobri 999 maneiras que não funcionam”.

Thomas Edison é um exemplo de resiliência. A resiliência cabe na maioria das situações. Na resiliência os obstáculos vêm acompanhados de busca de novos caminhos.

As perguntas que a mente nos faz nestas situações são do tipo: “E agora, por onde ir? Qual o caminho? Quais as alternativas? O que está ao meu alcance fazer? O cérebro não poupa energia e provocado a trabalhar mais. Os obstáculos se transformam então em abertura de oportunidades, abrindo espaço para novos caminhos. Um pensamento estratégico é um pensamento resiliente pois, de cima, é possível enxergar diferentes direções e olhar mais adiante.

Sem resiliência não existe inovação. Também não há felicidade pois, como sabemos, ela não cai do céu. Ela precisa ser construída e haverá obstáculos. Não é por acaso, que inúmeras pesquisas da psicologia positiva, apontam a resiliência como um importante elemento da felicidade.

O exercício da resiliência pode apontar o momento de adotarmos a resistência ou a resignação, mas não antes de explorarmos as alternativas e as oportunidades que as dificuldades nos trazem. E você? Como está a sua resiliência? Como ela se relaciona com a resistência e com a resignação dentro de você?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Petrobras recebe licença para operação de unidade de fauna em Oiapoque, no Amapá

0

Bacia da margem equatorial. Foto: divulgação

A Petrobras recebeu na sexta-feira (4) licença da Secretaria de Meio Ambiente do Amapá (Sema) para operação da Unidade de Atendimento e Reabilitação de Fauna, no município de Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

De acordo com a petrolífera, a instalação funciona como um “hospital” para fauna e conta com ambulatório, salas de estabilização, atendimento, centro cirúrgico e outros espaços dedicados a atender aves, mamíferos marinhos, tartarugas, golfinhos e peixes-boi.

A construção da unidade em Oiapoque é parte do processo de licenciamento ambiental do projeto de perfuração que a Petrobras pretende iniciar em águas profundas do Amapá, na Margem Equatorial brasileira.

Com a perfuração, a Petrobras pretende investigar a existência de petróleo na costa do estado.

Leia também: A dualidade da exploração de petróleo na Margem Equatorial: o que é e como afeta a Amazônia?

A Margem Equatorial é dividida em cinco bacias sedimentares O foco da busca por petróleo atual é na Foz do Amazonas. Imagem: Reprodução/Petrobras

“A unidade do Amapá funcionará em sinergia com o Centro de Despetrolização e Reabilitação da fauna já instalado em Belém, no Pará. Para início da operação no Oiapoque ainda é necessária a realização de inspeção pelo Ibama”, informou a estatal.

A visita de técnicos do Ibama está prevista para acontecer a partir desta segunda-feira (7). De acordo com projeções do governo, a Margem Equatorial pode atrair investimentos de até R$ 280 bilhões, gerar cerca de 350 mil empregos e proporcionar arrecadação em royalties superior a R$ 1 trilhão.

Leia também: Amapá apresenta propostas sobre exploração de petróleo na Margem Equatorial em Conferência Nacional

O primeiro poço de petróleo na Margem Equatorial está previsto para o bloco FZ-M-59, que fica na bacia da Foz do Amazonas, em águas do Amapá.

As atividades de petróleo se dividem em três fases: exploração, desenvolvimento e produção. No Amapá, a estatal ainda está verificando se a área tem potencial para produzir petróleo e se esse potencial é comercialmente viável.

*Por Rafael Aleixo, g1 AP — Macapá

Safra de grãos em Mato Grosso será a maior da história e com maior produtividade média da soja

0

A produtividade da grãos desta temporada é 22,6% maior do que no ano agrícola anterior – Foto por: Mayke Toscano/Secom-MT

Mato Grosso deve atingir 101,5 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/2025, batendo um novo recorde de produção, superando os 100 milhões de toneladas obtidas na temporada de 2023. As informações são do 7º Levantamento da Safra de Grãos 2024/24 divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

O aumento de 9% na produção de grãos em Mato Grosso vai ajudar o Brasil atingir uma safra recorde de grãos na temporada 2024/25, agora estimada em 330,3 milhões de toneladas. Um terço disso virá das lavouras mato-grossenses.  

Carro-chefe da produção de grãos no Estado, a colheita da soja em Mato Grosso já chegou a 99,5% da área semeada, com a produtividade média chegando a 3.897 quilos por hectares, a maior já registrada no estado mato-grossense.

A produtividade desta temporada é 22,6% maior do que no ano agrícola anterior que foi de 3.179 quilos de soja por hectare. Com isso a produção deve alcançar 49,6 milhões de toneladas, 26,1% a mais do que o colhido na safra passada. O aumento da área plantada foi de apenas 2,9% saindo de 12,3 milhões de hectares para 12,7 milhões de hectares.  

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, destaca que o desempenho nas lavouras de soja, algodão, arroz, feijão e demais grãos é fruto direto dos investimentos em tecnologia feitos pelos produtores rurais, demostrando que é possível produzir e manter 60% do território estadual preservado.

Leia também: Projeto criado em Mato Grosso vai monitorar emissões de dióxido de carbono no cultivo de soja

Grãos de soja. Foto: Wesley Pontes

“A produção de grãos saltou de 93,1 milhões para 101,5 milhões de toneladas, a produtividade cresceu 6,7% e a área plantada teve acréscimo de 470 mil hectares em um universo de 22,1 milhões de área agricultável. Temos 10 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas que podem se converter para a agricultura. Isso é mais uma demonstração da força do campo e da potência de Mato Grosso em produzir alimentos e respeitando o meio ambiente”.

Ele aponta que o Governo de Mato Grosso tem sido parceiro do setor produtivo e investido em corredores logísticos como a duplicação da BR-163, ao assumir o controle da Nova Rota Oeste, e na MT-170, na região Noroeste, que era um problema na época que ainda era a BR-170. Além disso, a execução da primeira ferrovia estadual do Brasil é um marco para o escoamento da produção estadual.

Leia também: Mais de 51 milhões de toneladas de grãos foram exportados pelos portos amazônicos em 2023

Outras culturas

Conforme o Centro de Dados Econômicos Data Hub da Sedec, outras culturas também apresentam bons resultados. A produção de algodão (caroço + pluma) deve atingir 6,5 milhões de toneladas, alta de 1,7% em relação à safra anterior, garantindo a Mato Grosso 69,3% de participação nacional.

No arroz sequeiro, a estimativa é de 408,4 mil toneladas, crescimento de 21%, mantendo o estado na liderança da produção dessa modalidade com 40,7% do total nacional, apesar de ocupar apenas a quarta posição geral. Já a produção de feijão deve atingir 329,9 mil toneladas, o que pode colocar Mato Grosso na terceira colocação no ranking nacional, ultrapassando a Bahia.

O Estado também lidera a produção de gergelim, com 219,3 mil toneladas e 65,9% de participação, mesmo com uma queda prevista de 10,9%.

A única retração mais expressiva é no milho, cuja produção está estimada em 46,8 milhões de toneladas, uma redução de 4% em comparação com o ciclo anterior. A queda está relacionada ao atraso no calendário de plantio da soja, que impactou diretamente a janela ideal do milho. Ainda assim, Mato Grosso deve responder por 37,5% da produção nacional do cereal.

“Com esses resultados, o Estado reafirma sua posição como maior produtor de grãos do país, combinando volume, produtividade e avanços em infraestrutura para manter a competitividade do agronegócio mato-grossense no cenário nacional e internacional”, comentou o coordenador do Data Hub, Vinicius Hideki.

Projeto ‘Afluentes’ mapeia a identidade sonora da Amazônia

0

Projeto mapeia sons da Amazônia — Foto: Divulgação

“De quantos ritmos é feita a floresta? Pra mais de 40” garante o DJ, produtor e pesquisador musical Zek Picoteiro, criador do projeto Afluentes, que mergulha na diversidade musical da Amazônia a partir dos rios e dos povos que os habitam. O projeto foi lançado no dia 31 de março com o primeiro episódio do podcast, dedicado ao Beiradão — um dos sons mais populares do Amazonas.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

Além do podcast, Afluentes reúne vídeos, artigos e um site interativo que apresenta um mapa da bacia hidrográfica amazônica com informações sobre ritmos, artistas e movimentos musicais da região. A iniciativa é do Instituto Regatão Amazônia, com apoio da Fundação Nacional das Artes (Funarte), Ministério da Cultura e Governo Federal, por meio do Programa Funarte Retomada.

Ao longo de seis episódios, Zek navega pelos rios Amazonas, Tapajós, Guamá e outros afluentes, visitando comunidades ribeirinhas para entender como a música é criada, vivida e espalhada na região. A proposta é revelar como os gêneros amazônicos se relacionam diretamente com o movimento das águas.

“Cada gênero musical é como se fosse um braço, um furo, uma fonte, um olho d’água, uma ilha… um afluente dessa enorme ‘bacia hidromusical’ que existe aqui na Amazônia. Para entender melhor essa relação, eu decidi navegar pelos nossos rios e encontrar pessoas que fazem a nossa música acontecer”, explica Zek.

Projeto mapeia sons da Amazônia — Foto: Divulgação

Leia também: Conheça o Tambor de Gambá, símbolo da identidade musical de Maués

O projeto é fruto de uma pesquisa que ele desenvolve desde 2015, reunindo arquivos digitais, vinis, mídias piratas e trocas com DJs da região.

“Desde que eu comecei a catalogar esses arquivos, fui percebendo a variedade de gêneros musicais originais da Amazônia. A indústria fonográfica brasileira nunca conseguiu absorver a nossa diversidade — quase sempre o que é produzido aqui entra na prateleira do ‘regional’. Agora, eu reuni tudo o que ouvi, li e vivenciei ao longo dessa jornada para compartilhar com vocês”, afirma.

Leia também: Manaus em canções: 7 músicas que retratam a capital do Amazonas

Beiradão: música e vida ribeirinha

O primeiro episódio da série destaca o Beiradão, gênero que mistura lambada, forró, teclado, guitarra e saxofone. Mais do que um estilo musical, ele é uma expressão cultural que envolve festas ribeirinhas, culinária, religiosidade e tradição.

“É inegável que o Beiradão é um fenômeno cultural. Não é uma cultura sazonal — é o ano inteiro tocando essa música, que é uma mescla cultural muito grande. Não são só as bandas, os saxes, é também a culinária, a caldeirada de bodó, o jaraqui, o linguajar, o lado religioso, que são os festejos… tudo isso culmina na música. Uma cultura muito rica”, destaca Hadail Mesquita, um dos principais nomes do gênero e criador do canal Portal Beiradão, que reúne mais de 10 milhões de visualizações no YouTube.

Leia também: ‘Artesãs Indígenas’: Boi Garantido é primeiro bumbá a ter liderança indígena dando voz a uma toada

O DJ, produtor e pesquisador musical Zek Picoteiro — Foto: Bárbara Vale

Onde escutar?

O episódio de estreia do podcast Afluentes, com o tema Beiradão, já está disponível em todas as plataformas digitais e no site do projeto: www.regatao.org/afluentes.

*Com informações do g1 Amazonas

No Amapá, projeto quer evitar o desaparecimento de tracajás em terras indígenas do Oiapoque

0

Projeto ‘Amigos dos Tracajás’ realiza soltura de filhotes de tracajás em Oiapoque, no Amapá — Foto: Maria Silveira/Iepé

Entre os dias 1 e 7 de abril indígenas da região do Oiapoque, município a 590 quilômetros de Macapá, realizaram a soltura de 3.291 filhotes de tracajás. A ação faz parte do projeto Kamahad Tauahu – Nukagmada Mewka, que significa “amigos dos tracajás” nas línguas indígenas dos povos indígenas do Norte do Amapá.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

As atividades acontecem desde 2005 nas aldeias da região. A iniciativa conta com o apoio do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (IEPÉ), com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Universidade Federal do Amapá (Unifap) e a Embaixada da Austrália.

Um dos objetivos do projeto é ajudar na conservação da espécie, que é muito importante para as comunidades indígenas como parte de sua alimentação e tradições. Todo o processo é acompanhado pelos Agentes Ambientais Indígenas (Agamin).

“A gente está preservando, porque chegou o ponto que estava desaparecendo a espécie do tracajá nas terras indígenas de Oiapoque. Agora estamos fazendo esse manejo de tracajá. A gente chegou a ficar 5 anos sem pescar a espécie, para ajudar na conservação”, disse Lázaro dos Santos, agente ambiental indígena.

Neste ano já foi realizado o manejo em 23 aldeias. Em 2025, também foi realizada uma parceria com o campus Binacional da Unifap, com alunos do curso de biologia.

Leia também: 5 projetos de soltura de quelônios que preservam a espécie na Região Norte 

Processo de soltura

Nos meses de setembro e outubro os Agamins realizam o trabalho de monitoramento dos ninhos nos locais de desova, além da coleta dos ovos dos tracajás. Os ovos são transplantados para incubadoras nas aldeias, até que eclodem.

Todo o processo de soltura é realizado em conjunto com as comunidades indígenas. Crianças, adolescentes e professores da escola aprendem com dinâmicas e brincadeiras de sensibilização sobre o manejo.

Leia também: Soltura de quelônios aquáticos mostra importância da espécie para a fauna amazônica

*Por Luan Coutinho, g1 AP — Macapá

Análise confirma presença de metais na água após rompimento de barreira em garimpo ilegal, no Rio Cupixi

0

Coloração do Rio Cupixi voltando ao normal. Foto: GTA/GEA

Em resposta ao rompimento de barramento ocorrido em garimpo ilegal que despejou lama e rejeitos no Rio Cupixi, no município de Pedra Branca do Amapari, o Governo do Amapá edivulgou o resultado da análise de qualidade da água realizada pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), em Belém, no Pará. O laudo, com base em 9 amostras coletadas nos dias 13 e 17 de fevereiro, confirma pequena variação na presença de metais pesados.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

Conforme o laudo, o resultado observado para alumínio, ferro, manganês e mercúrio apresentaram valores referenciais um pouco acima do limite estabelecido pela Resolução nº 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Com relação ao mercúrio, especificamente, o valor referencial é 0,0002 miligramas por litro de água. De acordo com o documento, foi encontrado nas amostras 0,0003 por litro. 

Segundo o Instituto, muitos estudos já observaram que a presença desses elementos é comum na região amazônica devido às características do solo rico nestes componentes, como é o caso do manganês com jazidas no município de Serra do Navio.

Leia também: Ameaça: garimpo ilegal está a 1 km da segunda árvore mais alta da Amazônia

Coloração do Rio Cupixi voltando ao normal. Foto: GTA/GEA

“Com base nas amostras de água coletadas em vários pontos do Rio Cupixi, a análise da qualidade da água feita pelo Instituto Evandro Chagas confirmou a presença de metais, inclusive o mercúrio, com uma variação pequena acima do permitido pelo Conama. Até o momento, ainda não identificamos impactos significativos. Contudo, as equipes de Governo do Amapá continuam atuando com ações de campo e preventivas no local, além de prestar apoio às famílias da comunidade local”, explicou Cássio Peterka, superintendente da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS).

Para esta análise, os técnicos da SVS coletaram 9 amostras de água em pontos e horários diferentes ao longo do Rio Cupixi. Novas coletas serão realizadas para fazer novos valores de comparação da qualidade do recurso hídrico.

As análises possuem protocolo diferente para cada amostra. Os sedimentos possuem um processo mais demorado, devido ao tratamento necessário do material coletado para a identificação de metais pesados, a previsão é de que o resultado seja concluído na próxima semana. Já a análise do pescado está sendo feita por técnicos especializados do Instituto de Pesquisa do Amapá (Iepa).

Leia também: Em dois meses, garimpo destruiu área de 462 campos de futebol em áreas protegidas da Amazônia

Rio Cupixi. Foto: GTA/GEA

O Comitê de Crise e Respostas Rápidas do Governo do Estado, criado para gerenciar a situação, segue atuando a partir do Plano de Ação que faz o monitoramento contínuo da bacia hidrográfica e de toda a área, que abrange os municípios de Pedra Branca do Amapari, Porto Grande e Ferreira Gomes.

Entre as ações preventivas, no início desta semana, a SVS capacitou profissionais de saúde da rede estadual e municipal de Porto Grande para identificação de sinais e sintomas de possíveis casos que possam surgir em caso de contaminação. 

Leia também: Garimpos ilegais de ouro podem emitir 3,5 toneladas de carbono por hectare e concentrar mercúrio no solo

“Estamos trabalhando para identificar a extensão dos danos ambientais, toda equipe de Governo segue mobilizada trabalhando para evitar novos incidentes e, principalmente, prestar apoio”, enfatizou a secretária de Estado do Meio Ambiente, Taisa Mendonça.

A Defesa Civil Estadual enviou um efetivo para o local que está atuando em campo fazendo o monitoramento e vistorias nas áreas de barramentos. O trabalho preventivo busca evitar risco de novos rompimentos.

A Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas) já atendeu 1 mil famílias da região com kits de alimentos e água mineral. Além disso, se mantém de sobreaviso, caso necessite de auxílio humanitário às famílias afetadas, especialmente nas comunidades Cupixi e São Domingos. 

Leia também: Imagens registradas pelo Greenpeace mostram novas áreas de garimpo em TIs na Amazônia

Plano de Ação e Monitoramento Contínuo. Foto: GTA/GEA

Força tarefa

A força-tarefa do Governo do Amapá segue mobilizada para minimizar os impactos ambientais e garantir a segurança das comunidades afetadas, reforçando o compromisso com a proteção ambiental e o bem-estar da população.

Participam das ações, representantes das secretarias de Meio Ambiente (Sema), Saúde (Sesa), Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Assistência Social (Seas), Defesa Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Civil, Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS), além das Secretarias de Estado de Mineração (Semin), Mobilização e Participação Popular e Comunicação (Secom). As secretarias e órgãos estaduais atuam de forma integrada com a Prefeitura Municipal de Porto Grande e recebem apoio da bancada federal do Amapá, em Brasília.

Leia também: Amazônia: a geografia do garimpo

Orientação às famílias da região

A colaboração entre essas instituições visa garantir uma resposta eficaz ao incidente e a implementação de todas as medidas preventivas necessárias para evitar futuros incidentes. A força-tarefa representa um esforço coordenado para enfrentar os desafios ambientais e sociais decorrentes do rompimento do barramento, demonstrando a importância da integração entre governos e órgãos especializados em situações de crise.

O Governo do Amapá, mantém a orientação aos moradores da região para não consumirem a água do rio e o pescado até que os resultados dos demais laudos sejam concluídos. A Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas) se mantém de sobreaviso, caso necessite de auxílio humanitário às famílias afetadas, especialmente nas comunidades Cupixi e São Domingos. 

*Com informações da SEMA Amapá