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Maior mobilização indígena do Brasil começa com declaração de povos da Amazônia; leia o discurso

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Acampamento Terra Livre. Foto: Kathleen Limayo/350.org

O Acampamento Terra Livre (ATL) 2025 iniciou com pronunciamento histórico na tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). A declaração uniu Povos Indígenas da Amazônia, Ilhas do Pacífico e Austrália. Entre estes estão os Pacific Climate Warriors (Guerreiros Climáticos do Pacífico, em inglês), historicamente vozes marcantes em conferências climáticas da ONU, bem como alianças que se formaram no ano passado, como o G9, formado por organizações indígenas dos nove países da Bacia Amazônica, e a Troika Indígena, articulação com lideranças do Brasil, Ilhas do Pacífico e Austrália que busca garantir continuidade e protagonismo indígena nas COPs 29, 30 e 31.

Nesta 21ª edição do ATL, o tema da tenda da Coiab, “Pelo Clima e Pela Amazônia: A Resposta Somos Nós”, traz a forte dimensão internacional do evento este ano em que a maior conferência do clima mundial, a COP30, será sediada em Belém. No texto, os grupos indígenas dos ecossistemas que mais regulam as terras e os mares do planeta, a floresta Amazônia e o Oceano Pacífico, declaram que “a partir de agora, estaremos unidos, declarando ao mundo que, se depender de nós, a COP na Amazônia será o símbolo de uma virada decisiva nas negociações e mobilizações climáticas”:

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Unidos pela Força da Terra: A Resposta Somos Nós
Declaração da Aliança entre os Povos Indígenas da Amazônia, do Pacífico e Austrália

Nós, os Povos Indígenas da Amazônia, com o apoio da Representação Indígena do Pacífico e dos Povos originários da Austrália, unidos pela força ancestral da Terra, pela sabedoria que sustenta a vida, e pela luta incansável em defesa de um futuro possível, lançamos esta declaração como um chamado ético urgente: a crise climática não espera, e os governos falham em agir diante da maior ameaça à humanidade.

Nós, com nossas culturas e saberes milenares, somos os guardiões das terras e mares que regulam o equilíbrio do planeta. A floresta Amazônica e o Oceano Pacífico se conectam pela urgência de salvar o que há de mais precioso: a vida. No entanto, a ganância e a exploração desenfreada ameaçam destruir o que mantivemos vivo por milênios. A indiferença dos governos, longe de proteger, expõe nossas ilhas e florestas ao risco da extinção, mas não nos silenciarão.

Sempre estivemos aqui.

Enquanto os governos seguem a lógica egoísta de “cada um por si”, nós, em uma união de povos, tecemos uma rede de resistência e esperança entre as terras da Amazônia e os mares do Pacífico. Nossos saberes ancestrais e nossos corações batem juntos, protegendo a terra, o ar e as águas, garantindo que o canto das florestas e oceanos nunca se apague.

Nós, do Pacífico, temos levantado nossas vozes nas COPs, mas a inação e a indiferença dos governantes são incompreensíveis. Nossas ilhas estão à beira do desaparecimento, e nossos anciãos têm levado nossas soluções para a comunidade internacional. E, ainda assim, a gravidade do nosso destino não parece tocar os corações dos que sentam à mesa para decidir a nossa existência. Mas não vamos desistir.

Lutamos, não afundamos.

Nós, da Amazônia, temos feito a nossa parte na defesa da floresta e seguimos de perto a luta de nossos irmãos e irmãs do Pacífico, no clamor por uma vida digna nas conferências climáticas. Este ano, a conferência acontecerá em nossa casa, na Amazônia. Uma coisa é certa: o eco do seu chamado ético ressoa em nós como aliados firmes, comprometidos com a defesa da vida.

A partir de agora, estaremos unidos, declarando ao mundo que, se depender de nós, a COP na Amazônia será o símbolo de uma virada decisiva nas negociações e mobilizações climáticas. Nossa mensagem é simples e direta: não podemos mais tolerar a falta de ambição diante da maior crise de todos os tempos. Sentimos uma responsabilidade ética de levar nossa voz aos centro da decisão política.

A presidência brasileira da COP30 atendeu ao clamor dos Povos Indígenas da Amazônia e do Brasil e propôs a criação do Círculo de Liderança Indígena. Agora, aguardamos que essa instância se torne real e eficaz, e que tenha peso nos mais altos níveis. Não queremos uma instituição meramente simbólica e performática, sem impacto político concreto. Ninguém mais tem o privilégio de esperar que promessas se tornem ação no futuro: nossas vidas estão em risco agora.

Nós, Povos Indígenas da Amazônia, do Pacífico e da Austrália exigimos:

– Que as lideranças indígenas e das comunidades locais tenham voz e poder iguais aos Chefes de Estado na COP30, com a mesma legitimidade, poder de decisão e respeito que as representações dos países.

– A redução urgente das emissões de gases de efeito estufa com a transição para fontes de energia limpa e a eliminação dos combustíveis fósseis, garantindo que as comunidades mais vulneráveis participem ativamente de um futuro mais justo e sustentável.

– Que os povos que vivem em harmonia com a natureza devem receber financiamento direto, pois seus conhecimentos milenares são essenciais para a preservação da biodiversidade e a justiça climática. E a compensação pelos danos que sofrem deve ser justa, transparente e imediata.

– A proteção integral das florestas, oceanos e solos, os maiores sumidouros naturais de carbono do planeta, assim como o reconhecimento fundamental dos povos indígenas e comunidades locais como preservadores de seus territórios. Isto deve estar refletido na revisão das metas climáticas dos países (NDCs).

Este é o ponto de partida para qualquer discussão sobre o Balanço Ético Global. A floresta Amazônica e o Oceano Pacífico são essenciais para a preservação da biodiversidade global e atuam como barreiras naturais contra as mudanças climáticas.

A COP30, na Amazônia, não pode ser marcada pela falta de soluções. Este é o momento de fazer história, de agir com coragem e justiça. As mobilizações globais de 2019, impulsionadas pela juventude, clamaram por um futuro onde a vida fosse reverenciada. Agora, cinco anos depois, chegou a nossa vez de liderar essa luta e de exigir limites!

Precisamos traçar uma linha clara para um mundo em crise – não podemos mais ignorar as questões urgentes que ameaçam o nosso futuro. Damos este passo juntos e chamamos a todas as pessoas para se aliarem conosco.

A resposta somos nós. Todos nós!

– O G9 da Amazônia indígena, a Troika indígena e os Pacific Climate Warriors (Guerreiros Climáticos do Pacífico, em inglês)

Leia também: Maior encontro de etnias indígenas planeja decretar emergência climática e exigir demarcação de terras

Cerimônia de abertura da Tenda da Coiab no ATL. Foto: Isaka Huni Kuin

Toya Manchineri, coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), membro do G9, disse:

“As maiores autoridades climáticas somos nós, os guardiões da Terra, as lideranças indígenas. Hoje é um dia histórico, em que os povos da maior floresta do mundo se unem com os povos do maior oceano do mundo para enfrentar o maior desafio planetário hoje, as mudanças climáticas. A COP30 é um espaço crucial para fazermos essa virada de chave na discussão climática global, mas nossa aliança com os povos originários das Ilhas do Pacífico e da Austrália vai além disso. Queremos continuar fortalecendo a solidariedade com os parentes indígenas e aliados do mundo inteiro, pois o que nos une é mais forte que qualquer fronteira. Avançaremos juntos, pelo futuro do planeta. A resposta somos nós, todos nós.”

George Nacewa, Pacific Climate Warriors e organizador comunitário da 350.org em Fiji, disse:

“Os Pacific Climate Warriors sabem o que significa lutar por uma parte do planeta que sustenta a vida de milhões de pessoas. Grande parte da sobrevivência global está ligada ao Oceano Pacífico, assim como está ligada à Amazônia, e ainda assim os guardiões de ambas as entidades estão sendo negligenciados. Hoje viemos dar as mãos à nossa família indígena no Brasil enquanto eles se preparam para sediar as negociações climáticas da ONU. Sabemos que a verdadeira liderança climática existe dentro dessas paredes, por que os líderes do mundo não podem se espelhar nisso? Se eles não têm a vontade política de colocar nosso clima de volta nos trilhos para garantir a sobrevivência de todos, então nos levem para a mesa de discussão e nós os ajudaremos a chegar lá.”

Patricia Suarez, da Organização Nacional dos Povos Indígenas da Amazônia Colombiana (OPIAC), membro do G9, disse:

“Nós, os povos indígenas, viemos a este mundo com um mandato sagrado: cuidar da vida e viver em equilíbrio com ela, guiados por nossos princípios e fundamentos culturais. Mas hoje, a vida de todos nós está em risco. A Amazônia está sangrando até a morte. Na Colômbia, nossos territórios estão sendo invadidos pelo garimpo, plantações ilícitas, violência armada e economias criminosas que ameaçam nossos povos e nossas autoridades legítimas. Não podemos nos calar. As decisões globais sobre clima e biodiversidade, tomadas sem a participação plena e obrigatória dos povos indígenas, estão acelerando nosso desaparecimento físico, cultural e territorial. Estamos aqui hoje, como Povos Indígenas de toda a Amazônia, para dizer ao mundo e aos governos: chega de discursos vazios! Está na hora de nossos direitos serem plenamente reconhecidos. Irmãs e irmãos dos Povos Indígenas do Brasil, da Amazônia, de toda a Abya Yala e do Pacífico: contem conosco, os 64 Povos Indígenas da Amazônia Colombiana, organizados na OPIAC. Nossa luta é a mesma: pelas florestas, por nossos direitos, por nossas filhas e filhos, pelo equilíbrio da vida. Porque os sonhos deles também são nossos. E ninguém jamais vai tirar esse sonho coletivo de nós”.

*Conteúdo publicado originalmente pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira

Cartilha inédita no Amazonas ensina como produzir tintas naturais com plantas da floresta

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Uma cartilha pioneira no Amazonas acaba de ser lançada com o objetivo de resgatar saberes tradicionais da floresta e ensinar, de forma simples e acessível, como produzir tintas naturais a partir de plantas amazônicas. Intitulada “Biotintas da Amazônia – Introdução ao Universo das Tintas Naturais”, a publicação é gratuita e já está disponível para download.

Criada pela comunicóloga, artista multimídia e produtora cultural Michelle Moraes, a cartilha é voltada para arte-educadores, artesãos, artistas, educadores ambientais, comunidades tradicionais e qualquer pessoa interessada em alternativas ecológicas para a criação artística e pedagógica.

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Com passo a passo e linguagem didática, o material apresenta o uso de dez plantas amazônicas, como urucum, jenipapo, crajiru e açafrão-da-terra, na produção de biotintas artesanais. Também oferece informações sobre as propriedades dessas plantas e sugestões de ingredientes alternativos que tornam o processo mais acessível e adaptável a diferentes realidades.

Tintas naturais com plantas da floresta. Foto: divulgação

Leia também: Alunos produzem tinta artesanal biodegradável a partir do açafrão, pó de café e urucum

“Esse é um convite à reconexão com a natureza e ao uso consciente dos recursos da floresta. A cartilha busca inspirar mais pessoas a explorarem a criatividade de forma sustentável e a valorizar os saberes tradicionais que resistem no tempo”, afirma Michelle.

O material pode ser utilizado em oficinas de arte, ações de educação ambiental, projetos socioculturais e atividades escolares. A iniciativa integra o projeto Biotintas da Amazônia, contemplado com bolsa cultural via Lei Paulo Gustavo (LPG), com incentivo do Conselho Municipal de Cultura (Concultura) e Prefeitura de Manaus.

Você pode baixar a cartilha AQUI.

Associação Brasileira de Preservação Ferroviária realiza estudos para a restauração e reativação da Locomotiva 18

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Representantes da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF): Foto: Hellon Luiz

Representantes da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), estiveram em Porto Velho no domingo (6), com o objetivo de realizar estudos de viabilidade técnica visando a restauração e reativação da Locomotiva 18.

Durante o encontro o prefeito destacou que é um sonho de todo porto-velhense ouvir novamente o apito da locomotiva. “A visita da associação aqui em Porto Velho é um marco para a preservação da nossa história. Desde o início da nossa gestão, estamos trabalhando para a recuperação e resgate da nossa identidade através da Estrada De Ferro Madeira-Mamoré. Acredito que em breve esse sonho se tornará realidade”, disse Léo Moraes.

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A reunião contou com a participação do diretor da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária/Campinas-SP, Márlon Ilg, e também do membro diretor, James Ilg. Os representantes puderam ver de perto a Locomotiva 18, que atualmente está no Complexo Madeira-Mamoré.

“Nós fomos convidados pela Prefeitura de Porto Velho para realizar essa vistoria técnica na locomotiva com o objetivo de fazê-la andar novamente. Ainda não é o laudo final, mas o que a gente viu aqui é que a máquina tem todas as condições para voltar a funcionar, claro que ainda vamos seguir com os estudos para a análise final”, disse o diretor da associação.

Leia também: Estrada de Ferro Madeira-Mamoré: patrimônio histórico deu origem ao município de Porto Velho

Representantes da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF): Foto: Hellon Luiz

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Os representantes da associação voltarão a Porto Velho em maio, com outros representantes da instituição, para um estudo mais aprofundado. Vale destacar que a missão ABPF é promover o resgate e a conservação do patrimônio histórico ferroviário brasileiro, disponibilizando os bens à visitação pública, desde que a conservação do bem não seja colocada em risco.

Inaugurada em 1º de agosto de 1912, a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi fundamental, principalmente pela necessidade de escoar a borracha, principal produto de exportação brasileiro. Em 1º de julho de 1972, por decreto do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, a EFMM foi definitivamente desativada.

De acordo com o secretário da Secretaria Municipal de Indústria, Comércio, Turismo e Trabalho (Semdestur), Paulo Moraes Júnior, a Prefeitura já iniciou esse trabalho de resgate da história através da reativação da Litorina. “A nossa Litorina está 100% funcionando aqui no complexo e agora o nosso sonho é ouvir de novo o apito do trem. Tenho certeza que o prefeito Léo Moraes vai seguir firme nesse propósito e se Deus quiser, em outubro, no aniversário de criação de Porto Velho, a gente vai ter muitas surpresas em relação à preservação do nosso patrimônio histórico”, finaliza o secretário.

Ainda segundo o prefeito Léo Moraes, a reativação da Locomotiva 18 e também a preservação de todo o patrimônio centenário deve fortalecer o turismo regional e ampliar as possibilidades para quem visita Porto Velho, consolidando a capital como um dos principais polos de turismo ferroviário da região Norte.

Crise climática pode provocar nova extinção em massa, diz pesquisador

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Se a humanidade não conseguir reverter os efeitos das mudanças climáticas, a Terra pode sofrer uma extinção em massa, semelhante à do Período Permiano (entre 299 e 251 milhões de anos atrás), quando cerca de 90% das espécies não conseguiram sobreviver às condições drásticas. O alerta é do pesquisador Hugh Montgomery, diretor do Centro de Saúde e Desempenho Humano da University College London, na Inglaterra, e um dos autores do relatório de 2024 sobre saúde e mudanças climáticas da publicação científica The Lancet.

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O estudioso abriu a programação do Forecasting Healthy Futures Global Summit, evento internacional sobre saúde e clima, que aconteceu no dia 8 de abril no Rio de Janeiro. Esta conferência está alinhada com Brasil que irá sediar a COP 30, para garantir que as propostas dos participantes possam influenciar diretamente a agenda de ação e os elementos de negociação da COP.

Montgomery ressaltou que essa extinção já vem ocorrendo ─ “a maior e mais rápida que o planeta já viu, e somos nós que estamos causando isso”, frisou. Entretanto, a morte de espécies pode chegar a níveis catastróficos se o aumento da temperatura média global chegar a 3 graus Celsius (ºC) acima dos níveis pré-industriais. Em 2024, alcançamos um aumento recorde de 1,5º C, e cientistas estimam que se as ações atuais foram mantidas, especialmente no que se refere a emissão de gases do efeito estufa, esse aumento deve chegar a 2,7 °C até 2100.

Leia também: Como as mudanças climáticas afetam os peixes da Amazônia?

“Se continuarmos golpeando a base dessa coluna instável sobre a qual estamos apoiados, a própria espécie humana estará ameaçada. No ano passado, emitimos 54,6 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente na atmosfera — um aumento de quase 1% em relação ao ano anterior. A concentração atmosférica de CO₂ não só está aumentando, como está aumentando de forma cada vez mais acentuada”, explicou o especialista.

Brasileia atingiu a maior cota história no dia 28 de fevereiro de 2024. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

E, de acordo com Montgomery, outras consequências drásticas poderão afetar a Terra bem antes disso. “Se alcançarmos, mesmo que temporariamente, um aumento entre 1,7 °C e 2,3 °C, teremos um colapso abrupto das camadas de gelo do Ártico. Sabemos que isso também vai causar uma desaceleração significativa da Circulação Meridional do Atlântico, da qual depende o nosso clima, nos próximos 20 ou 30 anos, provocando uma elevação do nível do mar em vários metros, com consequências catastróficas”.

Ele chama atenção para outras causas do aquecimento global, como a emissão de metano, gás com potencial danoso 83 vezes maior do que o dióxido de carbono, liberado principalmente durante a exploração de gás natural. O cientista inglês também argumentou que ações imediatas de despoluição são essenciais para a própria economia mundial, que, prevê ele, deve reduzir em 20% ao ano, ou 38 trilhões de dólares, a partir de 2049, por causa dos efeitos das mudanças climáticas.

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Hugh Montegomery avalia que é importante pensar em medidas de adaptação a mudanças no clima, porque elas já estão afetando a saúde da população hoje, “mas isso não pode ser feito em detrimento de uma redução drástica e imediata nas emissões, porque não faz sentido focar apenas no alívio dos sintomas quando deveríamos estar buscando a cura”.

*Com informações da Agência Brasil

Jogo da Onça: estudantes recriam jogo de tabuleiro indígena

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Jogo da Onça. Foto: IFAC

Dois jogadores, um tabuleiro com marcações em linhas, uma onça, 14 cachorros e muita estratégia. De origem indígena e também muito presente nos seringais, o Jogo da Onça faz parte do contexto cultural do Acre e foi recriado por estudantes do Instituto Federal do Acre (Ifac), em conjunto com o Laboratório IF Maker Juruá.

O jogo, que foi fabricado em madeira MDF com revestimento melamínico e desenhado em máquina cortadora a laser, tem sido replicado e a partir passará a fazer parte das atividades propostas para os intervalos entre aulas na unidade Instituto Federal.

“Com a proibição dos celulares no ambiente escolar, tivemos a ideia de produzir novas unidades e disponibiliza-las no ambiente da própria instituição. Nosso objetivo é que também possamos ofertar oficinas de Xadrez, Dama e sobre próprio Jogo da Onça para, futuramente, realizarmos um campeonato entre os nossos estudantes. Dessa maneira, vamos estimulando diversas habilidades entre os alunos, por meio dos jogos de tabuleiro”, destacou o coordenador do IF Maker Juruá, professor Cristiano Ferreira.

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Jogo da Onça. Foto: IFAC

Dados do projeto Jogos Indígenas do Brasil apontam que o Jogo da Onça é presente entre as etnias Guarani (litoral sul de São Paulo), Camaiurá, Bororo e Pareci (Mato Grosso), Canela (Maranhão), Ticuna e Maioruna (Amazonas), e Manchaneri (Acre). No contexto acreano, a brincadeira também acontece nos seringais, como explica o discente do campus Cruzeiro do Sul, Eduardo Farias, que ainda é bolsista em um dos projetos de extensão do Laboratório IF Maker Juruá.

Numa dinâmica similar à Dama, no Jogo da Onça os participantes devem movimentar as peças ao longo do tabuleiro, e a brincadeira conta com dois objetivos centrais: o jogador que é a onça deve capturar cinco cachorros para se tornar vencedor, enquanto isso, o jogador responsável pelos cachorros deve tentar encurralar a onça deixando-a sem possibilidade de se mexer no tabuleiro.

De acordo com Cristiano Ferreira, a recriação do Jogo da Onça surgiu de uma ideia inicial dos próprios bolsistas do IF Maker Juruá, Eduardo Farias e Lilian Morais, que são estudantes do curso superior de Licenciatura em Matemática, do campus Cruzeiro do Sul.

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Jogo da Onça. Foto: IFAC

“Ao lembrarem desse jogo regional, surgiu a ideia de recriarmos em nosso laboratório, já que não o tínhamos disponível para jogar. Fizemos um protótipo, com foco em trazer um pouco da regionalidade para o nosso campus. É um jogo bem específico da nossa região e que remete à caça. Por ser estratégico, se torna uma brincadeira que traz inúmeros benefícios”, explica o professor.

Cristiano Ferreira ainda destaca a importância do Laboratório IF Maker Juruá como um ambiente de fomento de ideias e novos projetos. “Esse é um dos nossos objetivos, como espaço maker: ser um ambiente aberto para que nossos estudantes e a comunidade o explore e desenvolva ideias. Ao recriar o Jogo da Onça, os estudantes foram além da construção de uma tabuleiro e peças. O material produzido por eles garante aos futuros jogadores um desenvolvimento do raciocínio lógico e habilidade de resolução de problemas, sendo atividades aplicáveis em qualquer área do conhecimento. Não é só o ato de jogar, é um processo de exercitar possibilidades”.

Além do coordenador, professor Cristiano Ferreira, o Laboratório IF Maker Juruá conta ainda com seis estudantes bolsistas: Eduardo Farias, Lilian Morais, Ana Clara Sampaio, Samuel Rufino, Ana Cristina Silva e Alik Rodrigues, que atuam em projetos distintos, porém vinculados ao espaço maker do campus Cruzeiro do Sul.

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“Por mais que os bolsistas sejam de projetos distintos, a equipe é bastante integrada e se ajuda constantemente. Dessa forma, os nossos estudantes vinculados ao IF Maker Juruá participam de todas as atividades em que o laboratório está envolvido”

De banho de cheiro à feitiçaria: as estratégias mágico-religiosas de mulheres negras e indígenas na Santa Inquisição

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Aldeia de índios Tapuios cristãos, 1820. Imagem: Johann Moritz Rugendas

“Tem pataqueira, tem patchouli, o famoso bogarim, baunilha, cheirosa, a famosa priprioca, banzeiro de pororoca…”.

Assim como na cultura e tradição paraenses, a letra de Banzeiro, de Dona Onete, fala sobre o costume que passa de geração em geração, do famoso “banho de cheiro”. No entanto imagina só se todas as erveiras do Ver-o-Peso fossem presas e condenadas por estarem exercendo seu trabalho, com alegações de se tratar de “bruxaria” e “feitiço”. Em artigo intitulado “Joana Maria: A feiticeira negra denunciada ao Santo Ofício da Inquisição no Grão Pará (1763-1769)”, a pesquisadora Juliane Souza conta a história de Joana Maria, uma escravizada negra que foi denunciada à Santa Inquisição pelo seu “senhor”, que a acusou de práticas de “feitiçaria”.

Joana foi levada a confessar para a Santa Inquisição o uso de “feitiços”, ervas e raízes, com o principal propósito de “amansar” seus senhores, a fim de “suavizar o coração” e amenizar os castigos sofridos. O artigo conta, ainda, a tentativa de um “feitiço” de Joana sobre uma mulher indígena que trabalhava com seu “senhor”: Filipa, para a qual Joana lhe fazia os “feitiços” com o intuito de conseguir uma aproximação com a indígena, fazendo com que, assim, o seu “senhor”, Gonçalo José, fosse mais brando nos castigos utilizados com a escravizada.

“Dentro do meu relatório, eu trabalhei muito em cima da trajetória da Joana Maria. Ela faz uma magia contra uma indígena do mesmo engenho em que ela era escravizada. Ela fez isso porque queria a afetividade dos senhores, para que pudesse fugir dos castigos que ela sofria cotidianamente no tronco”, conta a pesquisadora sobre o recorte de sua pesquisa.

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Redes de sociabilidades com um único propósito: sobrevivência

A pesquisa de Juliane consistiu no destrinchamento de documentos sobre o processo que foi movido contra Joana Maria, buscando entender parte de sua vida e da sociedade e a cultura material em que estava envolvida. Para o estudo, foi utilizada a metodologia da micro-história, com enfoque na historiografia da Inquisição no Estado do Grão Pará, para compreender as experiências das mulheres racializadas que habitavam o espaço colonial e eram rotuladas pela sociedade como feiticeiras. A pesquisadora analisou os documentos registrados nas denúncias inquisitoriais do Livro da Visitação do Santo Ofício da Inquisição ao Estado do Grão Pará (1763 – 1769).

O trabalho, que se insere na temática de história inquisitorial, tratou de visibilizar mulheres negras que estavam localizadas em um mundo permeado de perigos, fazendo com que se sucedesse à procura de magias de proteção e cura. No início, Juliane fez um recorte somente das mulheres negras que faziam sua própria rede de apoio com relação aos castigos promovidos por “seus senhores”. “Eu queria entender como era a relação de sociabilidade dentro dos grupos sociais, femininos e negros, como elas construíam essas práticas mágico-religiosas dentro de uma teia de relacionamentos que elas criavam para poder se proteger”.

Como resultado, a pesquisadora constatou que mulheres negras e indígenas faziam feitiços na tentativa de amenizar seus castigos e, assim, acabavam também construindo relações de sociabilidade multiétnicas com um propósito comum. ”Percebi que as mulheres negras estavam intimamente ligadas a mulheres indígenas, ora em relação de conflito, ora em relações de afetividade e solidariedade, e eu queria entender como essas relações eram construídas. O resultado da pesquisa é que essas mulheres construíram essa relação de sociabilidade multiétnica e criaram teias de relacionamento multissociais para poderem sobreviver às condições adversas do dia a dia”.

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Sobre a pesquisadora

Pesquisadora Juliane Souza – Foto Alexandre de Moraes 

Neta de avó curandeira, benzedeira e puxadeira, Juliane de Miranda Souza tem 20 anos e cursa Licenciatura em História. Participa do Grupo de Estudos e Pesquisa Amazônia Colonial (Gepac) e do Grupo de Pesquisa de História Indígena e do Indigenismo na Amazônia (Hindia), além de participar do Grupo de Pesquisa Impérios Ibéricos no Antigo Regime: política, sociedade e cultura, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Juliane pretende seguir na carreira acadêmica, dando continuidade aos seus estudos nos cursos de mestrado e doutorado para, consequentemente, chegar à docência. Em seu tempo livre, gosta de fazer ciclismo, aventurar-se na cozinha e tomar banho de rio. Sua dica para mulheres que desejam ingressar na pesquisa é: “Encontre um assunto de que goste e que acha que tenha algum impacto positivo para sua comunidade. Isso é essencial para não desistir no meio do caminho, mesmo que encontre dificuldades”.

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Sobre a pesquisa

O artigo surgiu de um trabalho anterior de que Juliane participou, em que foram pesquisados trabalhos de amor dentro de um terreiro de mina do bairro Guamá, em Belém. A ideia da pesquisa veio com a prática de uma disciplina na faculdade.

*Conteúdo publicado originalmente pelo jornal Beira do Rio Ed.173 – Dez/Jan/Fev 2024-2025

Com R$ 39 mi, Fundo Amazônia apoia pequenos produtores rurais e extrativistas de óleos vegetais, açaí e pescado

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Foto: Robson Cunha

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram o apoio do Fundo Amazônia, com cerca de R$ 39 milhões, a pequenos produtores rurais e extrativistas das cadeias de óleos vegetais, açaí e pescado, no Amazonas. O projeto será executado pela Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc) em articulação com outras quatro associações do médio Juruá (AM), beneficiando 2,4 mil famílias (mais de 10 mil pessoas) em cerca de 76 comunidades da região.

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Com a iniciativa, o governo federal atua para fortalecer e consolidar cadeias socioprodutivas sustentáveis e o comércio ribeirinho na região do rio Juruá, onde comunidades isoladas levam até 52 horas de viagem para chegar aos centros urbanos. O projeto vai promover o fortalecimento das organizações comunitárias, a diversificação da produção extrativista e a expansão de oportunidades de comercialização e geração de renda.

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Foto: Robson Cunha

O apoio do Fundo Amazônia, com recursos não reembolsáveis, contribui para elevar a qualidade dos produtos da região, com investimentos em beneficiamento e armazenagem, em equipamentos de transporte e na capacitação de cerca de 1.190 pessoas para a prática e gestão de atividades econômicas sustentáveis. Está prevista ainda a implantação de sistemas agroflorestais (SAFs), prioritariamente em áreas degradadas, e o manejo florestal de 1,8 milhão de hectares.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destaca o impacto do projeto na economia local, com o fortalecimento de populações e sua manutenção no território, a partir da implantação dos sistemas agroflorestais e do fortalecimento de manejo pesqueiro na região. “Esse projeto vai aprimorar os processos produtivos agroextrativistas e contribuir para preservar uma área da Amazônia geograficamente bastante isolada e que apresenta grande biodiversidade”, afirmou Mercadante.

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Tecnologias sociais

Um dos beneficiados é Comércio Ribeirinho da Cidadania e Solidário. Criada pela Asproc há cerca de 15 anos, o Comércio Ribeirinho é uma tecnologia social que consiste no transporte de produtos ribeirinhos e outros entre comunidades, via balsa, e possibilita o atendimento a mais de 600 famílias em 55 comunidades do município de Carauari, criando oportunidades de produção e renda aos associados. Nesses mesmos polos de comercialização, os produtores podem adquirir mercadorias para consumo familiar, sem a necessidade de longos deslocamentos até as cidades.

Foto: Robson Cunha

Com o novo apoio do Fundo Amazônia, o Comércio Ribeirinho da Cidadania e Solidária será fortalecido com a construção de entreposto fluvial, limpeza e recuperação de estradas vicinais, limpeza e desobstrução de igarapés, ampliação reforma de entrepostos para dar melhores condições para as comunidades e fortalecer as atividades econômicas na região.

Segundo o presidente da Asproc, Ecivaldo Dias, as cadeias de valor coordenadas pela associação geram resultados de impacto direto na renda familiar do extrativista, na conservação dos recursos naturais e na garantia do território.

“O desafio histórico das organizações de base é receber apoio público para investir nos processos produtivos sustentáveis de resultado direto na região de atuação. Essa parceria com o BNDES, por meio do Fundo Amazônia, é uma oportunidade excepcional para fortalecer o protagonismo das populações tradicionais na proteção da biodiversidade por meio da consolidação das cadeias produtivas locais e do desenvolvimento territorial, com foco na inclusão social, política e econômica de quem, de fato, pode mudar o destino da Floresta Amazônica”, pontuou.

Foto: Robson Cunha

Fundo Amazônia

Sob gestão do BNDES e coordenação do MMA, o Fundo tem uma carteira de 125 projetos apoiados, no valor total de cerca de R$ 3 bilhões. Mais de 650 instituições ano país, beneficiando 239 mil pessoas com atividades produtivas sustentáveis e garantindo o manejo sustentável de 75 milhões de hectares de área de floresta.

As informações completas sobre os projetos apoiados estão disponíveis no site do Fundo Amazônia.

Extrativismo sustentável

A Asproc é uma associação sem fins lucrativos com sede em Carauari (AM), criada em 1994. Atualmente, com 943 famílias associadas e 4,1 mil pessoas de 46 comunidades, ela é exemplo de organização extrativista sustentável da região amazônica.

Para os fins da implementação do projeto apoiado com recursos do Fundo Amazônia, a Asproc se articulou com outras quatro organizações de produtores do médio Juruá: a Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (Amaru), a Cooperativa Mista de Desenvolvimento Sustentável e Economia Solidária da Reserva Extrativista do Médio Juruá (Codaemj), a Associação dos Trabalhadores Rurais de Juruá (Astruj) e a Associação do Povo Deni do Rio Xeruã (Aspodex).

*Com informações da agência BNDES de notícias

Projeto Agrinho: cidadania e educação ambiental para crianças da zona rural de Rondônia

Foto: Reprodução/Youtube – Amazon Sat

O Agrinho é um programa de responsabilidade social do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em parceria com a Federação da Agricultura, secretarias municipais de educação e os Sindicatos Rurais Patronais, realizado em Rondônia.

O projeto tem como objetivo contribuir com a formação das novas gerações, desenvolvendo ações educativas para despertar a consciência de cidadania.

Desenvolvido de forma contínua durante o ano letivo das escolas, o projeto segue o calendário escolar de cada instituição, priorizando a criança e o adolescente. No projeto são abordados assuntos relativos ao meio ambiente, ética, cidadania, saúde, empreendedorismo, trabalho e consumo.

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Foto: Reprodução/Youtube – Amazon Sat

O produtor rural e pai de um dos alunos beneficiados pelo projeto agrinho, Anderson Jesse, relata que ter o filho vivenciando esses momentos, o enche de orgulho e felicidade. 

“O projeto oferta às crianças um estímulo, para desenvolver algo que tenha referência no nosso meio, o rural. E me sinto orgulhoso por que eu venho do meio rural, tenho pais produtores e fico muito feliz por ver meu filho ter esse interesse pelo meio rural”, disse.

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De acordo com a equipe técnica do Senar Rondônia, as atividades desenvolvidas são para todos os alunos 1º ao 5º ano, com material didático próprio e adequado para cada faixa etária. O material foi criado de acordo com o nível de desenvolvimento de cada ano escolar.

No ano de 2024, segundo o Senar Rondônia, a cidade de Cerejeiras foi o local de implantação do programa em Rondônia e a escola atendida foi a Irmã Dulce, com 171 alunos do 2º ao 5º ano. Foram premiadas 12 crianças e oito professoras.

Em 2025, o Senar irá atender seis escolas em três municípios: Cerejeiras, Candeias do Jamari e Porto Velho.

Pesquisa sobre impacto das transferências de pacientes de Covid-19 revela necessidade de adoção de medidas para vencer desafios geográficos na Amazônia

Paciente de Covid-19 chegando ao hospital de campanha em Manaus. Foto: Michell Mello

Estudo coordenado pela Fiocruz Amazônia, que analisou a disponibilidade de equipamentos e recursos humanos e os deslocamento nos casos de internações por Covid-19 em municípios remotos do Amazonas, no auge da pandemia, é tema de um dos artigos de destaque da edição de 2025 da Hygeia – Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde.

A pesquisa, intitulada “Deslocamento dos casos graves e recursos de saúde disponíveis em municípios rurais remotos do Amazonas durante a pandemia de Covid-19”, permitiu um mapeamento geográfico das condições de atendimento a vítimas de síndromes respiratórias graves no Estado, num período em que o Mundo vivenciava as trágicas consequências da pandemia, tendo como recorte localidades remotas da Amazônia. A pesquisa apontou que 384 pacientes internados por Covid-19 foram transferidos para outros municípios, com 65% destes tendo como destino a capital Manaus, mesmo oriundo de outras regiões de saúde.

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De acordo com a pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Amandia Braga Lima Sousa, além de relembrar a realidade que vivemos no auge da epidemia de Covid-19, o trabalho reforça a importância do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), que tem como princípio a universalidade e a integralidade como resposta a esses desafios.

“Ao demonstrar a concentração de pacientes em Manaus e a falta de infraestrutura nos municípios de referência para as regiões de saúde, a pesquisa reforça a necessidade de descentralizar o atendimento e criar inovações na forma de ofertar serviços na Amazônia”, afirma a pesquisadora.

Saúde indígena. Foto: Ascom/ SVS

Segundo Amandia, os achados podem subsidiar gestores e formuladores de políticas na criação de estratégias mais eficazes, como o fortalecimento da atenção primária, que é o nível de cuidado essencial para a realidade de municípios rurais e remotos.

“Esse estudo faz uma retrospectiva dos deslocamentos que aconteceram em emergências por Covid-19 nos municípios rurais e remotos do Amazonas e aponta para a necessidade de implantarmos redes de serviços que consigam responder para as realidades desses municípios, muitas vezes, ainda invisíveis em todas as esferas de poder”, assegura.

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A pesquisa mostra que, mesmo depois de alguns meses, vivenciando uma grave epidemia, as condições de assistência continuavam iguais. “Constatamos que medidas previstas no planejamento de saúde não tinham sido colocadas em prática e algumas delas necessitam até mesmo ser repensadas e que não são as mais adequadas diante das singularidades de municípios amazônicos”, explica Amandia, que é chefe substituta do Laboratório de Situação da Saúde e Gestão do Cuidado de Populações Indígenas e outros Grupos Vulneráveis (Sagespi) da Fiocruz Amazônia. Para ela, a ampliação do uso da telemedicina e a estruturação de rotas de transferência mais eficientes para os casos de emergência são medidas eficazes e de adoção urgente.

A pesquisadora observa ainda que garantir assistência à saúde em áreas rurais e remotas é um desafio para países com extensões territoriais vastas e populações dispersas. “Este estudo evidencia como a realidade dos municípios da Amazônia exige estratégias específicas, distintas das adotadas em outras regiões do Brasil. Os resultados mostram vulnerabilidades críticas no atendimento a emergências durante a pandemia de Covid-19 em 2021, incluindo a distribuição desigual de médicos, a falta de equipamentos e a concentração de transferências de pacientes para um único município que já estava sobrecarregado no auge da pandemia. Ao diagnosticar esses desafios, a pesquisa quer ajudar os gestores a encontrarem caminhos para a prestação de cuidados de saúde mais adequados a realidades desses municípios e possibilitar que possamos vivenciar de forma mais preparada futuras crises sanitárias”, alerta.

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O estudo, exploratório e retrospectivo, envolveu a investigação na literatura e dados secundários sobre a estrutura de atendimento para Covid-19, internações por casos graves e transferências para outros municípios durante 2021. No resumo, os pesquisadores explicam que os dados foram espacializados em mapas e foi realizada a identificação da estrutura e recursos humanos dos municípios rurais e remotos para o enfrentamento da Covid-19. “Os achados revelam limitações na equidade da distribuição dos recursos de saúde no Amazonas e nas estratégias adotadas, apontando para a necessidade de melhorias nas respostas dos serviços de saúde em emergências”, conclui.

Reprodução: Twitter oficial do Ministério da Defesa

Equipe de pesqusa

Pertencente ao Programa de Pós-Graduação Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador da Universidade Federal de Uberlância (UFU). Além da pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Amandia Braga Lima Sousa, o artigo é assinado pelos pesquisadores em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias Sousa Lima, do Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia, e Fernanda Rodrigues Fonseca, do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (Legepi); Paulo Henrique dos Santos Morta, professor do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP); Larissa Cristina Cardoso dos Anjos, doutoranda em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Mayra Costa Rosa Farias de Lima, mestre em Saúde Coletiva pelo Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) da Fiocruz Amazônia, e  Luiz Silvino Correia, mestrando pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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*Com informações da FioCruz Amazônia.

Pesquisa utiliza capim-elefante na produção de biomassa para a geração de energia térmica

A nova cultivar tem boa produção e alto valor nutritivo. Foto: uenf ciência

Sustentabilidade e geração de energia é a compreensão construída a partir da tese “O Capim-Elefante como biomassa para a geração de energia térmica no Estado de Mato Grosso”, construída pelo professor Roberto Carlos Beber, da Universidade do Estado do Mato Grosso. O trabalho do professor já tem reconhecimento internacional com publicações internacionais.

A pesquisa aborda como biomassas sustentáveis são vitais para garantir a preservação do Bioma Amazônia no estado de Mato Grosso e, ao mesmo tempo, possibilitar a geração de energia para a região e sua população.

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“Neste trabalho, foi investigado o potencial da cultivar de capim-elefante BRS Capiaçu como alternativa para minimizar o uso da madeira de floresta nativa como biomassa para a geração de energia”, explica o professor Roberto Carlos Beber.

A tese aponta que o consumo energético necessário para atender a crescente demanda agroindustrial no estado do Mato Grosso, tem gerado uma pressão progressiva sobre o bioma local, uma vez que as biomassas provenientes de madeiras nativas não são capazes de atender a toda demanda, quando se busca valorizar o contexto ambiental/conservacionista não predatório.

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Foto: Antônio Vander Pereira / Embrapa

“O potencial energético verificado para o BRS Capiaçu qualifica esse produto para o uso como biomassa alternativa, uma vez que seu potencial energético é similar ao do eucalipto e com potencial equivalente ao da madeira nativa da Amazônia, porém com a vantagem de não levar ao desmatamento, de ser renovável, e de possuir baixa complexidade em termos de maquinário (semeadura e a colheita)”, relata do docente sobre a investigação do capim elefante como biomassa alternativa para a geração de energia térmica, incluindo os aspectos energéticos, químicos e operacionais, além dos agronômicos. 

Na prática o capim-elefante BRS Capiaçu é uma biomassa com elevado potencial para geração de energia por meio da combustão. “Contribuindo ainda com a elaboração de uma ferramenta importante por meio de modelos matemáticos que podem ser usados para prever o potencial energético e a densidade em função do teor de umidade, que são úteis em aplicações logísticas e operacionais”, destaca o professor Roberto Carlos Beber.

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Reconhecimento aponta caminhos para tecnologia e desenvolvimento

A pesquisa caminha para render mais frutos, de acordo com o professor Roberto Carlos Beber. “Já estão estão andamento pesquisas sobre a novos usos do capim- elefante BRS Capiaçu na síntese de novas propostas para seu uso no setor de energias  renováveis. Além dos atuais esforços relacionados ao BRS Capiaçu, existem inúmeras outras culturas anuais como sorgo biomassa e tantos outros, resíduos de culturas anuais e industriais que carecem de pesquisas aprofundadas para a produção de energia térmica nas industrias da região”, ressata.

O professor Roberto Carlos Beber destaca que a tese rendeu dois artigos publicados em revistas internacionais; “Cultivar de capim-elefante BRS Capiaçu como biomassa  sustentável para geração de energia no bioma amazônico do Estado do Mato Grosso” e “Efeito da parte da planta e da idade nas características de  química imediata, estrutural e elementar do capim-elefante cultivar BRS Capiaçu para bioenergia baseada em combustão”. As revistas Energies e Sustentability foram os periódicos que publicaram os artigos relacionados com a tese.

“A revista Energies se concentra em pesquisa, tecnologia, engenharia e gestão da energia, e  contato com a revista a mesma demonstrou interesse na publicação do artigo, pois tratava-se de um tema relacionado a produção de energia, mas, também, com enfoque voltado a sustentabilidade e a preservação ambiental. A Sustentability, periódico acadêmico sobre sustentabilidade técnica, ambiental, cultural, econômica e social, fornece um fórum avançado para estudos relacionados à sustentabilidade e ao desenvolvimento sustentável. É importante ressaltar que este tema de pesquisa esta diretamente relacionado a necessidade das empresas as quais nosso laboratório tem parceria, uma empresa produtora de etanol de milho e outra fornecedora de biomassa”.

Pesquisadores

A tese foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia e Biodiversidade da Rede Pró Centro-Oeste em 14 de fevereiro de 2025. A pesquisa foi construída pelo professor Roberto Carlos Beber, do Câmpus Universitário de Sinop, sob a orientação dos professores Evaldo Martins Pires e Roberta Martins Nogueira.