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Resistência, Resignação e Resiliência. Qual a relação entre elas?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Um lutador de box recebe socos do adversário. Ele está nas cordas, mas aguenta firme. Seu corpo se comprime e a dor das pancadas só será sentida mais tarde. O gongo bate e ele ganhou fôlego para mais um assalto. A cantora sobe ao palco e é vaiada pelo público durante toda a música, em função das suas posições políticas,
contrárias a maioria do público presente. Ela se mantém firme, engasga-se um pouco, lágrimas correm, mas ela segue até o final, cumprindo o que se propusera a fazer.

Roberto e Eneida sentem forte atração física um pelo outro, mas concluíram que é uma relação que não deve ocorrer. Ele é chefe dela e ela vive com outra pessoa. Mário não aceita as mudanças que a nova gestão vem implementando no departamento. Ele tinha a sua própria maneira de fazer as coisas e que sempre funcionou. Por que agora, depois de tantos anos, precisaria mudar? Todos são exemplos de resistência, que pode ser positiva ou negativa.

Há situações que cabe à resistência. Carla e João foram casados por mais de trinta anos. Conheceram-se jovens e amadureceram juntos, constituindo uma bonita família, com filhos e netos. Uma doença inesperada levou Carla. João sofreu com a perda, mas aceitou o que a vida lhe trouxe e seguiu a vida com tranquilidade. Pablo está fechando um negócio onde investira todos os recursos que dispunha e que se mostra agora inviável, em função de uma nova tecnologia que mudou completamente o mercado. Não é bem a situação de Silvia, que apenas começou um novo negócio e pensa em desistir diante das primeiras dificuldades que encontrou. Todos são exemplos de resignação, que pode ser positiva ou negativa.

Há situações que cabe à resignação. Thomas Edison foi um dos homens que mudou a história da tecnologia e, com ela, a nossa história. Quando criança, foi expulso da escola. Era inquieto demais e, segundo seu professor, demonstrava que nunca iria aprender. Foi alfabetizado pela mãe em casa. Vendeu doces e jornais e aos 11 anos iniciou suas pesquisas, impulsionado pela curiosidade. Tornou-se um inventor independente e chegou a ter 2.332 patentes registradas em seu nome. Criou a Edison General Eletric, que mais tarde se transformaria em uma das empresas mais poderosas do mundo, a GE. Sua invenção mais famosa é a lâmpada elétrica. Consta que para chegar nela ele precisou realizar 1.000 experiências. Questionado pela sua persistência após tantos fracassos respondeu: “Eu não fracassei nenhuma vez. Apenas descobri 999 maneiras que não funcionam”.

Thomas Edison é um exemplo de resiliência. A resiliência cabe na maioria das situações. Na resiliência os obstáculos vêm acompanhados de busca de novos caminhos.

As perguntas que a mente nos faz nestas situações são do tipo: “E agora, por onde ir? Qual o caminho? Quais as alternativas? O que está ao meu alcance fazer? O cérebro não poupa energia e provocado a trabalhar mais. Os obstáculos se transformam então em abertura de oportunidades, abrindo espaço para novos caminhos. Um pensamento estratégico é um pensamento resiliente pois, de cima, é possível enxergar diferentes direções e olhar mais adiante.

Sem resiliência não existe inovação. Também não há felicidade pois, como sabemos, ela não cai do céu. Ela precisa ser construída e haverá obstáculos. Não é por acaso, que inúmeras pesquisas da psicologia positiva, apontam a resiliência como um importante elemento da felicidade.

O exercício da resiliência pode apontar o momento de adotarmos a resistência ou a resignação, mas não antes de explorarmos as alternativas e as oportunidades que as dificuldades nos trazem. E você? Como está a sua resiliência? Como ela se relaciona com a resistência e com a resignação dentro de você?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Petrobras recebe licença para operação de unidade de fauna em Oiapoque, no Amapá

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Bacia da margem equatorial. Foto: divulgação

A Petrobras recebeu na sexta-feira (4) licença da Secretaria de Meio Ambiente do Amapá (Sema) para operação da Unidade de Atendimento e Reabilitação de Fauna, no município de Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa.

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De acordo com a petrolífera, a instalação funciona como um “hospital” para fauna e conta com ambulatório, salas de estabilização, atendimento, centro cirúrgico e outros espaços dedicados a atender aves, mamíferos marinhos, tartarugas, golfinhos e peixes-boi.

A construção da unidade em Oiapoque é parte do processo de licenciamento ambiental do projeto de perfuração que a Petrobras pretende iniciar em águas profundas do Amapá, na Margem Equatorial brasileira.

Com a perfuração, a Petrobras pretende investigar a existência de petróleo na costa do estado.

Leia também: A dualidade da exploração de petróleo na Margem Equatorial: o que é e como afeta a Amazônia?

A Margem Equatorial é dividida em cinco bacias sedimentares O foco da busca por petróleo atual é na Foz do Amazonas. Imagem: Reprodução/Petrobras

“A unidade do Amapá funcionará em sinergia com o Centro de Despetrolização e Reabilitação da fauna já instalado em Belém, no Pará. Para início da operação no Oiapoque ainda é necessária a realização de inspeção pelo Ibama”, informou a estatal.

A visita de técnicos do Ibama está prevista para acontecer a partir desta segunda-feira (7). De acordo com projeções do governo, a Margem Equatorial pode atrair investimentos de até R$ 280 bilhões, gerar cerca de 350 mil empregos e proporcionar arrecadação em royalties superior a R$ 1 trilhão.

Leia também: Amapá apresenta propostas sobre exploração de petróleo na Margem Equatorial em Conferência Nacional

O primeiro poço de petróleo na Margem Equatorial está previsto para o bloco FZ-M-59, que fica na bacia da Foz do Amazonas, em águas do Amapá.

As atividades de petróleo se dividem em três fases: exploração, desenvolvimento e produção. No Amapá, a estatal ainda está verificando se a área tem potencial para produzir petróleo e se esse potencial é comercialmente viável.

*Por Rafael Aleixo, g1 AP — Macapá

Safra de grãos em Mato Grosso será a maior da história e com maior produtividade média da soja

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A produtividade da grãos desta temporada é 22,6% maior do que no ano agrícola anterior – Foto por: Mayke Toscano/Secom-MT

Mato Grosso deve atingir 101,5 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/2025, batendo um novo recorde de produção, superando os 100 milhões de toneladas obtidas na temporada de 2023. As informações são do 7º Levantamento da Safra de Grãos 2024/24 divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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O aumento de 9% na produção de grãos em Mato Grosso vai ajudar o Brasil atingir uma safra recorde de grãos na temporada 2024/25, agora estimada em 330,3 milhões de toneladas. Um terço disso virá das lavouras mato-grossenses.  

Carro-chefe da produção de grãos no Estado, a colheita da soja em Mato Grosso já chegou a 99,5% da área semeada, com a produtividade média chegando a 3.897 quilos por hectares, a maior já registrada no estado mato-grossense.

A produtividade desta temporada é 22,6% maior do que no ano agrícola anterior que foi de 3.179 quilos de soja por hectare. Com isso a produção deve alcançar 49,6 milhões de toneladas, 26,1% a mais do que o colhido na safra passada. O aumento da área plantada foi de apenas 2,9% saindo de 12,3 milhões de hectares para 12,7 milhões de hectares.  

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, destaca que o desempenho nas lavouras de soja, algodão, arroz, feijão e demais grãos é fruto direto dos investimentos em tecnologia feitos pelos produtores rurais, demostrando que é possível produzir e manter 60% do território estadual preservado.

Leia também: Projeto criado em Mato Grosso vai monitorar emissões de dióxido de carbono no cultivo de soja

Grãos de soja. Foto: Wesley Pontes

“A produção de grãos saltou de 93,1 milhões para 101,5 milhões de toneladas, a produtividade cresceu 6,7% e a área plantada teve acréscimo de 470 mil hectares em um universo de 22,1 milhões de área agricultável. Temos 10 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas que podem se converter para a agricultura. Isso é mais uma demonstração da força do campo e da potência de Mato Grosso em produzir alimentos e respeitando o meio ambiente”.

Ele aponta que o Governo de Mato Grosso tem sido parceiro do setor produtivo e investido em corredores logísticos como a duplicação da BR-163, ao assumir o controle da Nova Rota Oeste, e na MT-170, na região Noroeste, que era um problema na época que ainda era a BR-170. Além disso, a execução da primeira ferrovia estadual do Brasil é um marco para o escoamento da produção estadual.

Leia também: Mais de 51 milhões de toneladas de grãos foram exportados pelos portos amazônicos em 2023

Outras culturas

Conforme o Centro de Dados Econômicos Data Hub da Sedec, outras culturas também apresentam bons resultados. A produção de algodão (caroço + pluma) deve atingir 6,5 milhões de toneladas, alta de 1,7% em relação à safra anterior, garantindo a Mato Grosso 69,3% de participação nacional.

No arroz sequeiro, a estimativa é de 408,4 mil toneladas, crescimento de 21%, mantendo o estado na liderança da produção dessa modalidade com 40,7% do total nacional, apesar de ocupar apenas a quarta posição geral. Já a produção de feijão deve atingir 329,9 mil toneladas, o que pode colocar Mato Grosso na terceira colocação no ranking nacional, ultrapassando a Bahia.

O Estado também lidera a produção de gergelim, com 219,3 mil toneladas e 65,9% de participação, mesmo com uma queda prevista de 10,9%.

A única retração mais expressiva é no milho, cuja produção está estimada em 46,8 milhões de toneladas, uma redução de 4% em comparação com o ciclo anterior. A queda está relacionada ao atraso no calendário de plantio da soja, que impactou diretamente a janela ideal do milho. Ainda assim, Mato Grosso deve responder por 37,5% da produção nacional do cereal.

“Com esses resultados, o Estado reafirma sua posição como maior produtor de grãos do país, combinando volume, produtividade e avanços em infraestrutura para manter a competitividade do agronegócio mato-grossense no cenário nacional e internacional”, comentou o coordenador do Data Hub, Vinicius Hideki.

Projeto ‘Afluentes’ mapeia a identidade sonora da Amazônia

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Projeto mapeia sons da Amazônia — Foto: Divulgação

“De quantos ritmos é feita a floresta? Pra mais de 40” garante o DJ, produtor e pesquisador musical Zek Picoteiro, criador do projeto Afluentes, que mergulha na diversidade musical da Amazônia a partir dos rios e dos povos que os habitam. O projeto foi lançado no dia 31 de março com o primeiro episódio do podcast, dedicado ao Beiradão — um dos sons mais populares do Amazonas.

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Além do podcast, Afluentes reúne vídeos, artigos e um site interativo que apresenta um mapa da bacia hidrográfica amazônica com informações sobre ritmos, artistas e movimentos musicais da região. A iniciativa é do Instituto Regatão Amazônia, com apoio da Fundação Nacional das Artes (Funarte), Ministério da Cultura e Governo Federal, por meio do Programa Funarte Retomada.

Ao longo de seis episódios, Zek navega pelos rios Amazonas, Tapajós, Guamá e outros afluentes, visitando comunidades ribeirinhas para entender como a música é criada, vivida e espalhada na região. A proposta é revelar como os gêneros amazônicos se relacionam diretamente com o movimento das águas.

“Cada gênero musical é como se fosse um braço, um furo, uma fonte, um olho d’água, uma ilha… um afluente dessa enorme ‘bacia hidromusical’ que existe aqui na Amazônia. Para entender melhor essa relação, eu decidi navegar pelos nossos rios e encontrar pessoas que fazem a nossa música acontecer”, explica Zek.

Projeto mapeia sons da Amazônia — Foto: Divulgação

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O projeto é fruto de uma pesquisa que ele desenvolve desde 2015, reunindo arquivos digitais, vinis, mídias piratas e trocas com DJs da região.

“Desde que eu comecei a catalogar esses arquivos, fui percebendo a variedade de gêneros musicais originais da Amazônia. A indústria fonográfica brasileira nunca conseguiu absorver a nossa diversidade — quase sempre o que é produzido aqui entra na prateleira do ‘regional’. Agora, eu reuni tudo o que ouvi, li e vivenciei ao longo dessa jornada para compartilhar com vocês”, afirma.

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Beiradão: música e vida ribeirinha

O primeiro episódio da série destaca o Beiradão, gênero que mistura lambada, forró, teclado, guitarra e saxofone. Mais do que um estilo musical, ele é uma expressão cultural que envolve festas ribeirinhas, culinária, religiosidade e tradição.

“É inegável que o Beiradão é um fenômeno cultural. Não é uma cultura sazonal — é o ano inteiro tocando essa música, que é uma mescla cultural muito grande. Não são só as bandas, os saxes, é também a culinária, a caldeirada de bodó, o jaraqui, o linguajar, o lado religioso, que são os festejos… tudo isso culmina na música. Uma cultura muito rica”, destaca Hadail Mesquita, um dos principais nomes do gênero e criador do canal Portal Beiradão, que reúne mais de 10 milhões de visualizações no YouTube.

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O DJ, produtor e pesquisador musical Zek Picoteiro — Foto: Bárbara Vale

Onde escutar?

O episódio de estreia do podcast Afluentes, com o tema Beiradão, já está disponível em todas as plataformas digitais e no site do projeto: www.regatao.org/afluentes.

*Com informações do g1 Amazonas

No Amapá, projeto quer evitar o desaparecimento de tracajás em terras indígenas do Oiapoque

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Projeto ‘Amigos dos Tracajás’ realiza soltura de filhotes de tracajás em Oiapoque, no Amapá — Foto: Maria Silveira/Iepé

Entre os dias 1 e 7 de abril indígenas da região do Oiapoque, município a 590 quilômetros de Macapá, realizaram a soltura de 3.291 filhotes de tracajás. A ação faz parte do projeto Kamahad Tauahu – Nukagmada Mewka, que significa “amigos dos tracajás” nas línguas indígenas dos povos indígenas do Norte do Amapá.

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As atividades acontecem desde 2005 nas aldeias da região. A iniciativa conta com o apoio do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (IEPÉ), com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Universidade Federal do Amapá (Unifap) e a Embaixada da Austrália.

Um dos objetivos do projeto é ajudar na conservação da espécie, que é muito importante para as comunidades indígenas como parte de sua alimentação e tradições. Todo o processo é acompanhado pelos Agentes Ambientais Indígenas (Agamin).

“A gente está preservando, porque chegou o ponto que estava desaparecendo a espécie do tracajá nas terras indígenas de Oiapoque. Agora estamos fazendo esse manejo de tracajá. A gente chegou a ficar 5 anos sem pescar a espécie, para ajudar na conservação”, disse Lázaro dos Santos, agente ambiental indígena.

Neste ano já foi realizado o manejo em 23 aldeias. Em 2025, também foi realizada uma parceria com o campus Binacional da Unifap, com alunos do curso de biologia.

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Processo de soltura

Nos meses de setembro e outubro os Agamins realizam o trabalho de monitoramento dos ninhos nos locais de desova, além da coleta dos ovos dos tracajás. Os ovos são transplantados para incubadoras nas aldeias, até que eclodem.

Todo o processo de soltura é realizado em conjunto com as comunidades indígenas. Crianças, adolescentes e professores da escola aprendem com dinâmicas e brincadeiras de sensibilização sobre o manejo.

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*Por Luan Coutinho, g1 AP — Macapá

Análise confirma presença de metais na água após rompimento de barreira em garimpo ilegal, no Rio Cupixi

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Coloração do Rio Cupixi voltando ao normal. Foto: GTA/GEA

Em resposta ao rompimento de barramento ocorrido em garimpo ilegal que despejou lama e rejeitos no Rio Cupixi, no município de Pedra Branca do Amapari, o Governo do Amapá edivulgou o resultado da análise de qualidade da água realizada pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), em Belém, no Pará. O laudo, com base em 9 amostras coletadas nos dias 13 e 17 de fevereiro, confirma pequena variação na presença de metais pesados.

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Conforme o laudo, o resultado observado para alumínio, ferro, manganês e mercúrio apresentaram valores referenciais um pouco acima do limite estabelecido pela Resolução nº 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Com relação ao mercúrio, especificamente, o valor referencial é 0,0002 miligramas por litro de água. De acordo com o documento, foi encontrado nas amostras 0,0003 por litro. 

Segundo o Instituto, muitos estudos já observaram que a presença desses elementos é comum na região amazônica devido às características do solo rico nestes componentes, como é o caso do manganês com jazidas no município de Serra do Navio.

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Coloração do Rio Cupixi voltando ao normal. Foto: GTA/GEA

“Com base nas amostras de água coletadas em vários pontos do Rio Cupixi, a análise da qualidade da água feita pelo Instituto Evandro Chagas confirmou a presença de metais, inclusive o mercúrio, com uma variação pequena acima do permitido pelo Conama. Até o momento, ainda não identificamos impactos significativos. Contudo, as equipes de Governo do Amapá continuam atuando com ações de campo e preventivas no local, além de prestar apoio às famílias da comunidade local”, explicou Cássio Peterka, superintendente da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS).

Para esta análise, os técnicos da SVS coletaram 9 amostras de água em pontos e horários diferentes ao longo do Rio Cupixi. Novas coletas serão realizadas para fazer novos valores de comparação da qualidade do recurso hídrico.

As análises possuem protocolo diferente para cada amostra. Os sedimentos possuem um processo mais demorado, devido ao tratamento necessário do material coletado para a identificação de metais pesados, a previsão é de que o resultado seja concluído na próxima semana. Já a análise do pescado está sendo feita por técnicos especializados do Instituto de Pesquisa do Amapá (Iepa).

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Rio Cupixi. Foto: GTA/GEA

O Comitê de Crise e Respostas Rápidas do Governo do Estado, criado para gerenciar a situação, segue atuando a partir do Plano de Ação que faz o monitoramento contínuo da bacia hidrográfica e de toda a área, que abrange os municípios de Pedra Branca do Amapari, Porto Grande e Ferreira Gomes.

Entre as ações preventivas, no início desta semana, a SVS capacitou profissionais de saúde da rede estadual e municipal de Porto Grande para identificação de sinais e sintomas de possíveis casos que possam surgir em caso de contaminação. 

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“Estamos trabalhando para identificar a extensão dos danos ambientais, toda equipe de Governo segue mobilizada trabalhando para evitar novos incidentes e, principalmente, prestar apoio”, enfatizou a secretária de Estado do Meio Ambiente, Taisa Mendonça.

A Defesa Civil Estadual enviou um efetivo para o local que está atuando em campo fazendo o monitoramento e vistorias nas áreas de barramentos. O trabalho preventivo busca evitar risco de novos rompimentos.

A Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas) já atendeu 1 mil famílias da região com kits de alimentos e água mineral. Além disso, se mantém de sobreaviso, caso necessite de auxílio humanitário às famílias afetadas, especialmente nas comunidades Cupixi e São Domingos. 

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Plano de Ação e Monitoramento Contínuo. Foto: GTA/GEA

Força tarefa

A força-tarefa do Governo do Amapá segue mobilizada para minimizar os impactos ambientais e garantir a segurança das comunidades afetadas, reforçando o compromisso com a proteção ambiental e o bem-estar da população.

Participam das ações, representantes das secretarias de Meio Ambiente (Sema), Saúde (Sesa), Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Assistência Social (Seas), Defesa Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Civil, Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS), além das Secretarias de Estado de Mineração (Semin), Mobilização e Participação Popular e Comunicação (Secom). As secretarias e órgãos estaduais atuam de forma integrada com a Prefeitura Municipal de Porto Grande e recebem apoio da bancada federal do Amapá, em Brasília.

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Orientação às famílias da região

A colaboração entre essas instituições visa garantir uma resposta eficaz ao incidente e a implementação de todas as medidas preventivas necessárias para evitar futuros incidentes. A força-tarefa representa um esforço coordenado para enfrentar os desafios ambientais e sociais decorrentes do rompimento do barramento, demonstrando a importância da integração entre governos e órgãos especializados em situações de crise.

O Governo do Amapá, mantém a orientação aos moradores da região para não consumirem a água do rio e o pescado até que os resultados dos demais laudos sejam concluídos. A Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas) se mantém de sobreaviso, caso necessite de auxílio humanitário às famílias afetadas, especialmente nas comunidades Cupixi e São Domingos. 

*Com informações da SEMA Amapá

Portal Amazônia responde: O que é Acampamento Terra Livre?

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Foto: Reprodução/Articulação dos Povos Indígenas do Brasil

O Acampamento Terra Livre (ATL) é a maior assembleia dos povos e organizações indígenas do Brasil. Realizado desde 2004, acontece tradicionalmente em abril, em Brasília (DF), embora, excepcionalmente, possa ocorrer em outras datas e locais, conforme a conjuntura nacional, a situação dos direitos indígenas e as deliberações das lideranças e organizações de base do movimento indígena. Exemplos disso são as edições realizadas em maio de 2009, em Campo Grande (MS) em 2010 e no Rio de Janeiro em 2012, durante a Cúpula dos Povos na Rio+20.

O primeiro Acampamento Terra Livre surgiu a partir de uma ocupação realizada por povos indígenas do sul do país, em frente ao Ministério da Justiça, na Esplanada dos Ministérios. A mobilização rapidamente ganhou a adesão de lideranças e organizações de outras regiões, especialmente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME).

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Indígenas do Brasil. Foto: Reprodução/Articulação dos Povos Indígenas do Brasil

A ocupação foi uma resposta à ausência de avanços na chamada ‘Nova Política Indigenista’, prometida pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha eleitoral e registrada no documento Povos Indígenas do Programa Lula Presidente. Entre as principais reivindicações estavam:

  • A demarcação do passivo de terras indígenas;
  • A criação do Conselho Superior de Política Indigenista;
  • O combate às invasões territoriais e à violência contra os povos indígenas;
  • A garantia da participação indígena na formulação de políticas públicas.

Durante essa primeira mobilização, os acampados chegaram a ocupar o Salão Verde do Congresso Nacional, exigindo a retomada do diálogo com o governo Lula. Esse momento representou um marco histórico para o movimento indígena, consolidando as bases para a mobilização nacional dos povos originários.

Como fruto direto dessa articulação, foi criada, em novembro de 2005, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) — uma deliberação política do Acampamento Terra Livre daquele ano.

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Foto: José Cruz/Agência Brasil

Desde então, o Acampamento Terra Livre tem sido espaço central de articulação e reivindicação, com conquistas importantes como:

  • A criação do Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI);
  • A fundação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI);
  • A implementação da Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial das Terras Indígenas (PNGATI);
  • A participação indígena em colegiados e instâncias decisórias relacionadas aos seus direitos fundamentais.

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Foto: José Cruz/Agência Brasil

Essas vitórias, contudo, foram duramente atacadas, restringidas ou suprimidas durante o governo Jair Bolsonaro, conforme denunciam os documentos finais de cada Acampamento Terra Livre realizados nesse período.

Os documentos que registram cada edição do Acampamento Terra Livre são fruto das discussões realizadas nas plenárias e expressam o posicionamento político e as reivindicações do movimento indígena. Eles analisam criticamente a situação da política indigenista, o papel dos órgãos públicos e as ações dos governos Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Ao longo dos anos, reiteram demandas históricas como:

  • O direito originário às terras tradicionalmente ocupadas;
  • O direito à diferença — que pressupõe políticas públicas específicas e diferenciadas;
  • O direito à autodeterminação e à autonomia, assegurados pela Constituição Federal;
  • O fim do indigenismo tutelar, autoritário e integracionista.

    *Com informações da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil

Pesquisadores desenvolvem novo detector de anticorpos contra vírus da encefalite de Saint Louis na Amazônia

Clonagem e expressão da proteína NS1 – Foto por: Arquivo/Pesquisadora

Pesquisadores de Mato Grosso estão desenvolvendo um ensaio imunoenzimático (ELISA), para a detecção de anticorpos contra o vírus da encefalite de “Saint Louis” (SLEV), uma doença ainda pouco diagnosticada no Brasil, mas que apresenta potencial de impacto significativo na saúde pública. O arbovirus é transmitido por mosquitos do gênero Culex e pode atingir o sistema nervoso central, causando inflamação no cérebro. Os principais sintomas são a febre, dor de cabeça, rigidez no pescoço, estupor, desorientação, coma, tremores, convulsões ocasionais e paralisia espástica.

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Estudos estimam que aproximadamente 500 espécies de arbovírus identificados no mundo, cerca de 200 já tenham sido encontrados no bioma Amazônia e desses, pelo menos 40 podem causar doenças em humanos.

Nesse cenário, uma pesquisa desenvolvida no Laboratório de Imunologia e Biologia Molecular (LIBM) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Sinop/MT, está desenvolvendo um método inovador para melhorar a detecção de SLEV no Sistema Ùnico de Saúde (SUS). 

A metodologia envolve a clonagem e expressão da proteína NS1 recombinante do vírus, utilizado como antígeno em testes de ELISA para detecção de anticorpos IgG e IgM. O processo segue rigorosos protocolos. O RNA viral é extraído, amplificado por RT-PCR, e a proteína NS1 é clonada e expressa em células de Escherichia coli. Após a purificação, a proteína recombinante é empregada em testes laboratoriais para determinar sua eficácia na detecção de infecções por SLEV.

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“Esses processos serão posteriormente validados com amostras humanas previamente processadas, garantindo alta sensibilidade e especifidade. Os resultados esperados desse estudo vão além do laboratório. Um teste diagnóstico eficaz e acessível, como o proposto, pode transformar a forma como as arboviroses são monitoradas e tratadas no Brasil”, afirmou a pesquisadora.

Clonagem e expressão da proteína NS1 – Foto por: Arquivo/Pesquisadora

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A equipe de pesquisadores do Laboratório de Imunologia realizam há mais de dez anos a vigilância humana e ambiental no município de Sinop e região. “Realizamos testes com amostras coletadas da população nos laboratórios municipais e parceiros, onde conseguimos monitorar o tipo de arbovirose em circulação,  aumentando o controle e um melhor atendimento clínico a população, porque os sintomas das arboviroses  são semelhantes”, afirmou Ana Scarpim

O teste de ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay), é uma técnica de imunoensaio que detecta e quantifica antígenos ou anticorpos usando uma enzima ligada a um anticorpo. Quando essa enzima entra em contato com um substrato específico, ocorre uma reação colorida que pode ser medida, geralmente usa-se um leitor de microplacas.

De acordo com a pesquisadora, “ao final da pesquisa, o novo teste será incorporado à rotina de laboratórios públicos se tornando uma ferramenta valiosa. A detecção precoce, o diagnóstico mais rápido e preciso pode evitar subnotificações e minimizar confusões com outras arboviroses, como dengue, zika e chikungunya. Com um diagnóstico confiável, os profissionais de saúde poderão tomar decisões mais assertivas no manejo dos pacientes, reduzindo complicações e melhorando os desfechos clínicos, contribuindo para o mapeamento da prevalência e incidência do SLEV, além de fornecer dados valiosos para a formulação de políticas públicas e estratégias de controle”.

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O projeto

O projeto é  coordenado  pela doutoranda em Biotecnologia e Biodiversidade Ana Lucia Scarpin Ramos, e fomentada pela Governo do Estado, através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), dentro do Edital nº 004/2023-Doutorado com Produto Tecnológico.

A força dos protetores da floresta: projeto impulsiona sustentabilidade e autonomia dos povos Kayapó e Metuktire

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O projeto ‘Proteção e utilização sustentável da floresta, através do fortalecimento de cadeias produtivas do povo Kayapó/Metuktire’, tem como objetivo o fortalecimento e a soberania dos povos indígenas sobre seus territórios, promovendo o uso sustentável dos recursos naturais e garantindo a proteção das florestas.

O Programa abrangeu 23 aldeias e beneficiou diretamente 187 indígenas e, indiretamente, cerca de 3.300 pessoas nas Terras Indígenas Capoto/Jarina e Menkragnoti. As ações desenvolvidas no projeto focaram no fortalecimento sociocultural, na sustentabilidade, geração de renda, infraestrutura das aldeias e inclusão de mulheres, promovendo a equidade de gênero.

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Foram realizadas melhorias na conectividade e infraestrutura com a instalação de antenas de internet e sistemas de energia solar nas aldeias Poreby e Kadjatnhõrõ e a construção de seis casas tradicionais na aldeia Kadjatnhõrõ e quatro na aldeia Poreby. Para garantir uma gestão dos resíduos e o saneamento, foi feito um sistema de saneamento ecológico nas aldeias Kadjatnhõrõ e Poreby e uma oficina de gestão de lixo na aldeia Piaraçu, que capacitou Agentes de Saneamento Ambiental (AISAN) de diversas aldeias.

Além disso, foi construído um depósito para armazenamento de resíduos recicláveis na aldeia Piaraçu, distribuição de lixeiras de coleta seletiva e EPIs para a gestão de lixo em todas as aldeias associadas ao Instituto Raoni e a organização de mutirões de limpeza em aldeias como Totonhore, Metuktire, Kapoto e Sonkarasan.

O projeto também desenvolveu ações para geração de renda, como a capacitação em apicultura na aldeia Paquiçamba, com 15 participantes do povo Yudja, sendo 10 homens e cinco mulheres, que receberam materiais e ferramentas (caixas de enxame apícola e EPIs) para iniciar a produção de mel.

Foram entregues também materiais e equipamentos para o fortalecimento da produção de polvilho na aldeia Wani Wani, melhorando a qualidade da farinha e dos derivados da mandioca, além do apoio à produção de peças artesanais tradicionais do povo Trumai, incentivando o aproveitamento sustentável de madeira.

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Momento de prática durante a oficina de apicultura. Foto: Yakarewa Juruna

Empoderamento das mulheres indígenas

Como forma de reforçar a importância da participação das mulheres nas iniciativas apoiadas pelo Programa REM MT, o projeto realizou a primeira Assembleia de Mulheres Indígenas do Instituto Raoni, em Colíder, um marco significativo na participação feminina nas decisões políticas e comunitárias. 

O evento resultou na criação do Ropni: Departamento de Mulheres do Instituto Raoni, fortalecendo a presença das mulheres nos espaços de liderança. A iniciativa também promoveu oficinas sobre participação política e organização das mulheres indígenas.

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Sobre o projeto

O Instituto Raoni, com apoio do Programa REM MT, executou o projeto e destinou destinou R$1.131.444,00 para sua realização, beneficiando indiretamente, cerca de 3.300 pessoas nas Terras Indígenas Capoto/Jarina e Menkragnoti.

Programa REM MT é uma premiação dos governos da Alemanha e do Reino Unido, por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), ao Estado de Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento. O REM MT beneficia aqueles que contribuem para manter a floresta em pé, como os agricultores familiares, pequenos e médios produtores que praticam a agropecuária sustentável, povos e comunidades tradicionais e os povos indígenas. O REM MT realiza o fomento de iniciativas que estimulam a economia de baixo carbono e a redução do desmatamento, a fim de reduzir as emissões de CO2 no planeta. 

Maior mobilização indígena do Brasil começa com declaração de povos da Amazônia; leia o discurso

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Acampamento Terra Livre. Foto: Kathleen Limayo/350.org

O Acampamento Terra Livre (ATL) 2025 iniciou com pronunciamento histórico na tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). A declaração uniu Povos Indígenas da Amazônia, Ilhas do Pacífico e Austrália. Entre estes estão os Pacific Climate Warriors (Guerreiros Climáticos do Pacífico, em inglês), historicamente vozes marcantes em conferências climáticas da ONU, bem como alianças que se formaram no ano passado, como o G9, formado por organizações indígenas dos nove países da Bacia Amazônica, e a Troika Indígena, articulação com lideranças do Brasil, Ilhas do Pacífico e Austrália que busca garantir continuidade e protagonismo indígena nas COPs 29, 30 e 31.

Nesta 21ª edição do ATL, o tema da tenda da Coiab, “Pelo Clima e Pela Amazônia: A Resposta Somos Nós”, traz a forte dimensão internacional do evento este ano em que a maior conferência do clima mundial, a COP30, será sediada em Belém. No texto, os grupos indígenas dos ecossistemas que mais regulam as terras e os mares do planeta, a floresta Amazônia e o Oceano Pacífico, declaram que “a partir de agora, estaremos unidos, declarando ao mundo que, se depender de nós, a COP na Amazônia será o símbolo de uma virada decisiva nas negociações e mobilizações climáticas”:

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Unidos pela Força da Terra: A Resposta Somos Nós
Declaração da Aliança entre os Povos Indígenas da Amazônia, do Pacífico e Austrália

Nós, os Povos Indígenas da Amazônia, com o apoio da Representação Indígena do Pacífico e dos Povos originários da Austrália, unidos pela força ancestral da Terra, pela sabedoria que sustenta a vida, e pela luta incansável em defesa de um futuro possível, lançamos esta declaração como um chamado ético urgente: a crise climática não espera, e os governos falham em agir diante da maior ameaça à humanidade.

Nós, com nossas culturas e saberes milenares, somos os guardiões das terras e mares que regulam o equilíbrio do planeta. A floresta Amazônica e o Oceano Pacífico se conectam pela urgência de salvar o que há de mais precioso: a vida. No entanto, a ganância e a exploração desenfreada ameaçam destruir o que mantivemos vivo por milênios. A indiferença dos governos, longe de proteger, expõe nossas ilhas e florestas ao risco da extinção, mas não nos silenciarão.

Sempre estivemos aqui.

Enquanto os governos seguem a lógica egoísta de “cada um por si”, nós, em uma união de povos, tecemos uma rede de resistência e esperança entre as terras da Amazônia e os mares do Pacífico. Nossos saberes ancestrais e nossos corações batem juntos, protegendo a terra, o ar e as águas, garantindo que o canto das florestas e oceanos nunca se apague.

Nós, do Pacífico, temos levantado nossas vozes nas COPs, mas a inação e a indiferença dos governantes são incompreensíveis. Nossas ilhas estão à beira do desaparecimento, e nossos anciãos têm levado nossas soluções para a comunidade internacional. E, ainda assim, a gravidade do nosso destino não parece tocar os corações dos que sentam à mesa para decidir a nossa existência. Mas não vamos desistir.

Lutamos, não afundamos.

Nós, da Amazônia, temos feito a nossa parte na defesa da floresta e seguimos de perto a luta de nossos irmãos e irmãs do Pacífico, no clamor por uma vida digna nas conferências climáticas. Este ano, a conferência acontecerá em nossa casa, na Amazônia. Uma coisa é certa: o eco do seu chamado ético ressoa em nós como aliados firmes, comprometidos com a defesa da vida.

A partir de agora, estaremos unidos, declarando ao mundo que, se depender de nós, a COP na Amazônia será o símbolo de uma virada decisiva nas negociações e mobilizações climáticas. Nossa mensagem é simples e direta: não podemos mais tolerar a falta de ambição diante da maior crise de todos os tempos. Sentimos uma responsabilidade ética de levar nossa voz aos centro da decisão política.

A presidência brasileira da COP30 atendeu ao clamor dos Povos Indígenas da Amazônia e do Brasil e propôs a criação do Círculo de Liderança Indígena. Agora, aguardamos que essa instância se torne real e eficaz, e que tenha peso nos mais altos níveis. Não queremos uma instituição meramente simbólica e performática, sem impacto político concreto. Ninguém mais tem o privilégio de esperar que promessas se tornem ação no futuro: nossas vidas estão em risco agora.

Nós, Povos Indígenas da Amazônia, do Pacífico e da Austrália exigimos:

– Que as lideranças indígenas e das comunidades locais tenham voz e poder iguais aos Chefes de Estado na COP30, com a mesma legitimidade, poder de decisão e respeito que as representações dos países.

– A redução urgente das emissões de gases de efeito estufa com a transição para fontes de energia limpa e a eliminação dos combustíveis fósseis, garantindo que as comunidades mais vulneráveis participem ativamente de um futuro mais justo e sustentável.

– Que os povos que vivem em harmonia com a natureza devem receber financiamento direto, pois seus conhecimentos milenares são essenciais para a preservação da biodiversidade e a justiça climática. E a compensação pelos danos que sofrem deve ser justa, transparente e imediata.

– A proteção integral das florestas, oceanos e solos, os maiores sumidouros naturais de carbono do planeta, assim como o reconhecimento fundamental dos povos indígenas e comunidades locais como preservadores de seus territórios. Isto deve estar refletido na revisão das metas climáticas dos países (NDCs).

Este é o ponto de partida para qualquer discussão sobre o Balanço Ético Global. A floresta Amazônica e o Oceano Pacífico são essenciais para a preservação da biodiversidade global e atuam como barreiras naturais contra as mudanças climáticas.

A COP30, na Amazônia, não pode ser marcada pela falta de soluções. Este é o momento de fazer história, de agir com coragem e justiça. As mobilizações globais de 2019, impulsionadas pela juventude, clamaram por um futuro onde a vida fosse reverenciada. Agora, cinco anos depois, chegou a nossa vez de liderar essa luta e de exigir limites!

Precisamos traçar uma linha clara para um mundo em crise – não podemos mais ignorar as questões urgentes que ameaçam o nosso futuro. Damos este passo juntos e chamamos a todas as pessoas para se aliarem conosco.

A resposta somos nós. Todos nós!

– O G9 da Amazônia indígena, a Troika indígena e os Pacific Climate Warriors (Guerreiros Climáticos do Pacífico, em inglês)

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Cerimônia de abertura da Tenda da Coiab no ATL. Foto: Isaka Huni Kuin

Toya Manchineri, coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), membro do G9, disse:

“As maiores autoridades climáticas somos nós, os guardiões da Terra, as lideranças indígenas. Hoje é um dia histórico, em que os povos da maior floresta do mundo se unem com os povos do maior oceano do mundo para enfrentar o maior desafio planetário hoje, as mudanças climáticas. A COP30 é um espaço crucial para fazermos essa virada de chave na discussão climática global, mas nossa aliança com os povos originários das Ilhas do Pacífico e da Austrália vai além disso. Queremos continuar fortalecendo a solidariedade com os parentes indígenas e aliados do mundo inteiro, pois o que nos une é mais forte que qualquer fronteira. Avançaremos juntos, pelo futuro do planeta. A resposta somos nós, todos nós.”

George Nacewa, Pacific Climate Warriors e organizador comunitário da 350.org em Fiji, disse:

“Os Pacific Climate Warriors sabem o que significa lutar por uma parte do planeta que sustenta a vida de milhões de pessoas. Grande parte da sobrevivência global está ligada ao Oceano Pacífico, assim como está ligada à Amazônia, e ainda assim os guardiões de ambas as entidades estão sendo negligenciados. Hoje viemos dar as mãos à nossa família indígena no Brasil enquanto eles se preparam para sediar as negociações climáticas da ONU. Sabemos que a verdadeira liderança climática existe dentro dessas paredes, por que os líderes do mundo não podem se espelhar nisso? Se eles não têm a vontade política de colocar nosso clima de volta nos trilhos para garantir a sobrevivência de todos, então nos levem para a mesa de discussão e nós os ajudaremos a chegar lá.”

Patricia Suarez, da Organização Nacional dos Povos Indígenas da Amazônia Colombiana (OPIAC), membro do G9, disse:

“Nós, os povos indígenas, viemos a este mundo com um mandato sagrado: cuidar da vida e viver em equilíbrio com ela, guiados por nossos princípios e fundamentos culturais. Mas hoje, a vida de todos nós está em risco. A Amazônia está sangrando até a morte. Na Colômbia, nossos territórios estão sendo invadidos pelo garimpo, plantações ilícitas, violência armada e economias criminosas que ameaçam nossos povos e nossas autoridades legítimas. Não podemos nos calar. As decisões globais sobre clima e biodiversidade, tomadas sem a participação plena e obrigatória dos povos indígenas, estão acelerando nosso desaparecimento físico, cultural e territorial. Estamos aqui hoje, como Povos Indígenas de toda a Amazônia, para dizer ao mundo e aos governos: chega de discursos vazios! Está na hora de nossos direitos serem plenamente reconhecidos. Irmãs e irmãos dos Povos Indígenas do Brasil, da Amazônia, de toda a Abya Yala e do Pacífico: contem conosco, os 64 Povos Indígenas da Amazônia Colombiana, organizados na OPIAC. Nossa luta é a mesma: pelas florestas, por nossos direitos, por nossas filhas e filhos, pelo equilíbrio da vida. Porque os sonhos deles também são nossos. E ninguém jamais vai tirar esse sonho coletivo de nós”.

*Conteúdo publicado originalmente pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira