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Saiba quais são os diferentes tipos de relevos que compõem a Amazônia

Pico da Neblina. Foto: Reprodução/Força Aérea Brasileira

Na escola é comum estudar na Geografia sobre os relevos. Eles são um conjunto de formas da superfície terrestre: montanhas, planaltos, planícies e depressões. Sua existência é possível em função da ação de vulcões, placas tectônicas, além da erosão e outros fatores externos. Os relevos é que moldam a paisagem e podem influenciar no clima e na vegetação.

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A Amazônia está inserida dentro da plataforma Sul-Americana que é formada por quatro grandes estruturas afetadas pelos desgastes do processo de transformação do tempo: 

  • Cordilheira dos Andes e o Sistema Montanhoso do Caribe;
  • Plataforma Patagônica;
  • Escudos Cristalinos;
  • Bacias sedimentares.

O Amazonas, por exemplo, reúne as duas grandes estruturas chamadas de bacias sedimentares e escudos cristalinos, compostos por rochas de idades e resistências distintas. 

O doutor em geografia Fábio Sabbá explica que os escudos cristalinos, onde prevalecem rochas metamórficas e magmáticas, tiveram a sua formação iniciada por volta de 2 a 4,5 bilhões de anos.

No entanto, podem ser encontradas também rochas intrusivas de 1 a 2 bilhões de anos ou até mesmo rochas sedimentares oriundas do período pré-cambriano, com mais de 545 milhões de anos. 

monte roraima é um dos relevos na amazônia
Foto: Jorge Macedo

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Segundo o geógrafo, as bacias sedimentares, constituídas em sua maioria por rochas sedimentares, iniciaram sua formação por volta de 545 milhões de anos atrás, se estendendo até os dias de hoje. 

“A existência de rochas de diferentes idades e constituições, resulta em diferenças no processo de desgaste e esculturação destas, propiciando assim, diferentes formas de relevo”, explicou Sabbá ao Portal Amazônia.

A mudança dos rios na formação do relevo  

Há cerca de 70 milhões de anos, quando a Cordilheira dos Andes ainda não existia, a drenagem dos rios amazônicos corria em direção ao Pacífico. No entanto, com o surgimento e o crescimento da cadeia montanhosa, o sistema de drenagem se transformou lentamente e os rios passaram a correr para o Atlântico, como acontece hoje. 

Essa mudança causou um impacto na paisagem amazônica, de modo que ao norte e ao sul do Amazonas são encontradas as formações cristalinas que remontam à bilhões de anos, constituídas das rochas mais resistentes.

Localizada na borda da bacia, a cidade de Presidente Figueiredo se encontra sobre essas estruturas mais antigas que formam a bacia sedimentar amazônica, onde Manaus também está assentada. 

“Em linhas gerais, uma boa parte do Estado do Amazonas está numa grande depressão e apenas ao norte e ao sul do rio Amazonas é que vamos encontrar as maiores altitudes, como o pico da Neblina com 2.995,32 mm e o 31 de Março com 2.974,3 m, os pontos mais altos do Brasil”, afirmou o geógrafo. 

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relevo
Bacia sedimentar na Amazônia. Foto: André Dib/Aquazônia

De acordo com Sabbá, nas margens da grande depressão amazônica encontram-se as várzeas, estreitas faixas de terra planas que inundam periodicamente. 

Terras firmes e o planalto dissecado 

As várzeas, formadas por sedimentos recentes com idades que variam de 11.700 anos e os dias atuais, se diferenciam das porções mais elevadas pouco atingidas pelas cheias dos grandes rios, chamadas de ‘Terras Firmes’. 

“As terras firmes são na verdade porções de planaltos rebaixados/desgastados por intensos processos erosivos ao longo da sua formação e que ainda estão sendo esculpidos no presente dia”, explicou Sabbá. 

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Área de Terra firma na Amazônia. Foto: Marizilda Cruppe

Análise de Manaus

Manaus está inserida no ‘Planalto Dissecado Rio Negro-Uatumã’, um relevo caracterizado por altitudes médias de 150 metros e por interflúvios tabulares (platôs), áreas elevadas entre dois rios, cortados por inúmeros igarapés, que variam entre 250 e 1.750 metros de extensão.

“Especificamente sobre a área urbana de Manaus, nota-se colinas que não alcançam as altitudes das áreas elevadas entre os rios, ficando em torno de 120 metros, porção mais elevada na área urbana de Manaus”, afirmou o geógrafo. 

Os rios entorno da cidade  

A cidade é atravessada por inúmeros igarapés que drenam água e sedimentos em direção ao rio Negro. Entre eles, destacam-se:

  • O Igarapé do Mindu, com cerca de 13,5 km, que deságua no Igarapé do São Raimundo;
  • O Igarapé do Quarenta, com cerca de 9,5 km, que deságua no Igarapé de Educandos.
Igarapé do Mindu. Foto: Reprodução/Instituto Durango Duarte

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De acordo com Sabbá, “ambos funcionam como receptores de esgoto ao longo de seus cursos, apresentando elevada contaminação por resíduos domésticos e industriais”. Além disso, durante a estiagem, influenciados pela oscilação anual do nível do rio Negro, esses igarapés se transformam em pequenos canais rasos e arenosos, seguindo de forma sinuosa até o rio.

Falésias fluviais e praias de areia branca

Ao longo das margens do rio Negro, o relevo inclui praias de areia branca formadas pelo material proveniente das falésias fluviais, que possuem entre 20 e 50 metros de altitude. Essas falésias, denominadas localmente como barrancos, apresentam um relevo que vai diminuindo de forma suave em direção à área urbanizada.

‘Barranco’ Fluvial em Barueri. Foto: Reprodução/Prefeitura de Barueri

Em Manaus, destacam-se as falésias dos bairros de São Raimundo, com cerca de 50 metros, e a do Educandos, com cerca de 30 metros. 

Assim, de acordo com Sabbá, as formas de relevo que compõem a paisagem de Manaus são essencialmente fluviais, esculpidas nas litologias da formação de rochas sedimentares, predominantes no município.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Tabuleiro do Embaubal: um dos maiores sítios de desova de tartarugas da América do Sul

Tartaruga no Tabuleiro do Embaubal. Foto: Reprodução/ Ideflor-Bio

Você sabia que no meio da Amazônia existe um território que representa um dos maiores fenômenos naturais de reprodução de quelônios de água doce?

Esse território é o Refúgio da Vida Silvestre (REVIS) Tabuleiro do Embaubal, localizado no município de Senador José Porfírio, no estado do Pará, considerado um dos mais importantes sítios de desova de tartarugas da América do Sul. 

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A área, situada na calha do Rio Xingu e inserida na Bacia do Xingu, desempenha um papel essencial na conservação da biodiversidade amazônica.

De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (IDEFLOR-Bio), a unidade de conservação foi criada oficialmente pelo Decreto nº 1.566, de 17 de junho de 2016, e possui uma área aproximada de 4.033,94 hectares. 

Criada com o objetivo de preservar os ecossistemas naturais da região, garantir a proteção da fauna e da flora nativas, e manter a integridade dos processos ecológicos que sustentam a biodiversidade da unidade, a unidade reúne condições ambientais únicas que favorecem a reprodução de diversas espécies de quelônios. Além disso, o refúgio permite que durante o período reprodutivo, milhares de fêmeas depositem seus ovos nas praias de areia formadas durante a estação seca. 

Proteção da biodiversidade

O Tabuleiro do Embaubal faz parte do grupo de unidades de conservação classificadas como proteção integral, categoria que prioriza a preservação da natureza e limita a interferência humana nos ambientes naturais.

De acordo com o doutor em geografia Deivison Molinari, a classificação como Refúgio de Vida Silvestre dentro da categoria de proteção integral garante que o local seja preservado principalmente para a conservação da fauna e para a reprodução e a desova de tartarugas na Amazônia. 

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“O Sistema Nacional de Unidades de Conservação divide dois tipos de categorias. Aquelas de proteção integral, que não pode ter gente morando no seu interior, comunidades, e as de uso sustentável, que permitem presença humana e atividades exploratórias”, afirma.

Segundo ele, essa característica é essencial para garantir a preservação das espécies que dependem diretamente desse ambiente.

Quelônios na REVIS Tabuleiro do Embaubal
Quelônios na REVIS Tabuleiro do Embaubal. Foto: Reprodução/ Ideflor-Bio

Berçário de tartarugas

A principal característica da unidade é a enorme concentração de tartarugas que utilizam a região para reprodução. Entre as espécies presentes está a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), considerada uma das maiores tartarugas de água doce do mundo e uma espécie emblemática da fauna amazônica.

Além dela, outras espécies também utilizam as praias da região para desova, como o tracajá (Podocnemis unifilis) e o pitiú ou iaçá (Podocnemis sextuberculata). De acordo com a bióloga e doutora em ecologia Daniely Félix-Silva, a região do Tabuleiro do Embaubal possui grande relevância para a conservação dessas espécies no estado do Pará, ficando atrás apenas do tabuleiro de Monte Cristo, no rio Tapajós.

Quelônios do Tabuleiro do Embaubal. Foto: Reprodução/ Ideflor-Bio

Leia também: Recorde de nascimentos de tartarugas-da-Amazônia é registrado no Pará

“Essa região já teve a maior produção de toda a bacia amazônica, mas por diversas razões perdeu esse status ao longo dos últimos anos. O título de maior tabuleiro de desova está ligado à produção total de filhotes ao final dos ciclos reprodutivos, que são anuais”, afirma.

Segundo Daniely, atualmente, considerando toda a Amazônia, a maior produção de filhotes ocorre no rio Guaporé, no estado de Rondônia. Mesmo assim, o Embaubal continua sendo uma das áreas mais importantes para a reprodução de quelônios amazônicos.

Maior população de pitiú da Amazônia

Além da importância para a tartaruga-da-amazônia e para o tracajá, o Tabuleiro do Embaubal também abriga uma das maiores populações de pitiú de toda a bacia amazônica. A espécie Podocnemis sextuberculata já foi extremamente abundante em diversos tabuleiros espalhados pela Amazônia, mas suas populações diminuíram significativamente ao longo do tempo.

Podocnemis sextuberculata. Foto: William W Lamar

De acordo com a doutora em ecologia, isso torna o baixo rio Xingu ainda mais importante para a conservação da espécie. Além disso, a pesquisadora destaca que esse cenário reforça a importância da região para a conservação dos quelônios amazônicos.

Ciclo de reprodução das tartarugas

A reprodução das tartarugas amazônicas está diretamente ligada ao chamado pulso de inundação, fenômeno natural que caracteriza o ciclo de cheia e seca dos rios da Amazônia. Durante o período de seca, o nível da água diminui e surgem praias e bancos de areia que servem como locais ideais para a desova.

Segundo Daniely, cada espécie apresenta um período reprodutivo específico. “De forma geral podemos dizer que a maior parte das desovas ocorre entre agosto e setembro, mas cada espécie tem sua dinâmica”, explica.

Leia também: Tartarugas-da-Amazônia desovam em um dos maiores berçários naturais da América do Sul

Desova de tartarugas. Foto: Reprodução/ Ideflor-Bio

A desova do tracajá ocorre principalmente entre agosto e outubro, enquanto a tartaruga-da-amazônia pode desovar entre agosto e dezembro. O pitiú, no entanto, apresenta uma dinâmica ainda mais complexa.

“Essa espécie pode desovar ainda no inverno amazônico, aproveitando as marés de sizígia. As desovas podem começar entre maio e junho e se estender até outubro, sendo a espécie com o período de desova mais longo”, afirma a pesquisadora.

Segundo ela, mesmo com essas diferenças, é comum que as três espécies utilizem as mesmas praias, resultando em sobreposição de períodos e locais de desova.

Grande biodiversidade

Embora seja conhecido principalmente pelas tartarugas, o Tabuleiro do Embaubal abriga uma enorme diversidade de espécies. De acordo com o IDEFLOR-Bio, entre os animais encontrados na região está o boto-vermelho (Inia geoffrensis), um dos mamíferos aquáticos mais conhecidos da Amazônia.

Outro animal importante é o peixe-boi-amazônico (Trichechus inunguis), espécie ameaçada de extinção que depende de ambientes aquáticos preservados. A região também abriga diversas espécies de jacarés, incluindo o jacaré-tinga (Caiman crocodilus). 

Além da fauna aquática, o Tabuleiro do Embaubal também é um importante local para aves migratórias, que percorrem grandes distâncias utilizando a região como ponto de descanso e alimentação durante suas rotas. 

Entre essas aves está a águia-pescadora (Pandion haliaetus), conhecida por suas habilidades de caça. Também são comuns na região o biguá (Phalacrocorax brasilianus) e diversas espécies de maçaricos pertencentes às famílias Scolopacidae e Charadriidae.

Pressões sobre os quelônios

Ao longo da história, as tartarugas amazônicas sofreram intensa exploração. Segundo Daniely, a pressão sobre essas espécies começou ainda no período colonial. “Historicamente essas espécies tiveram como principal pressão a exploração direta, quando seus ovos e carne eram usados para a exploração da gordura e utilizados para diversos fins, incluindo iluminação pública”, explica.

Esse modelo de exploração comercial provocou uma redução significativa nas populações de tartarugas, especialmente da tartaruga-da-amazônia.

“Hoje a exploração direta para consumo de ovos e adultos permanece, mas associada a isso as mudanças na paisagem também têm contribuído para aumentar a pressão sobre essas populações”, afirma a bióloga.

Foto: Reprodução/ Ideflor-Bio

Ela destaca, que a exploração direta de quelônios amazônicos, refere-se ao uso insustentável, sem controle, com comercialização ilegal em diversas escalas dos animais e seus ovos. 

“O uso histórico de quelônios amazônicos pelos povos tradicionais não se enquadra nesta análise, por considerarmos que este tipo de uso pode ser um aliado para a conservação dos quelônios e para a manutenção de traços culturais importantes destes povos, além de contribuir para a sua segurança alimentar”, explicou a pesquisadora. 

Além da exploração direta, mudanças ambientais também representam ameaças para os quelônios amazônicos, como a expansão da agropecuária, a mineração, a construção de rodovias e os grandes projetos de infraestrutura, como hidrelétricas.

Segundo a doutora em ecologia, grandes empreendimentos hidrelétricos podem provocar alterações profundas na dinâmica dos rios.

“Projetos hidrelétricos podem provocar mudanças na dinâmica dos corpos d’água, alterar o sistema de vazão dos rios e modificar a dinâmica social das regiões, o que afeta diretamente o uso dos quelônios”, explica.

Leia também: 4,9 mil filhotes de quelônios são devolvidos à natureza em reserva no Amazonas

Hidrelétrica Belo Monte. Foto: Reprodução/ Advocacia-Geral da união

Segundo a pesquisadora, os barramentos podem interferir no transporte natural de sedimentos pelos rios, reduzindo a formação de bancos de areia, utilizados para a desova.

A região possui a área do reservatório principal, o reservatório intermediário, da Volta Grande e a região Jusante, onde ocorre o Tabuleiro do Embaubal e as duas unidades de conservação, o Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Tabuleiro do Embaubal e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Vitória de Souzel. 

De acordo com Daniely, na região do reservatório principal, existe uma perda de ambientes historicamente utilizados pelos quelônios, tanto para a reprodução, quanto para abrigo e alimentação. 

“Com o enchimento do reservatório, áreas que ficavam disponíveis durante a estação seca ficaram definitivamente submersas, afetando os ambientes que são utilizados por estes animais”, afirmou. 

Além disso, as características físicas dos ambientes de desova são importantes para a determinação sexual e para a sobrevivência dos embriões, comprometendo os parâmetros reprodutivos em ambientes alterados. 

Segundo a bióloga, na região da Volta Grande do Xingu, os impactos ambientais apresentam características particulares, já que devido ao funcionamento da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, por exemplo, parte significativa do fluxo natural do rio é desviada para a geração de energia, o que altera o regime hídrico local e cria uma espécie de ‘verão permanente’.

“Seria excelente se a única necessidade dos quelônios fosse a disponibilidade de áreas de desova. No entanto, estes animais utilizam a floresta alagada, no inverno amazônico, para se alimentar de frutos, talos, folhas e outros produtos de origem vegetal”, explicou.

De acordo com a pesquisadora, a alimentação inadequada afeta todo o ciclo de vida desses animais, impactando no crescimento, na reprodução e na sobrevivência. Além disso, esse desequilíbrio também atinge as populações humanas que dependem dos quelônios e de seus ovos como fonte de alimento.

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Foto: Reprodução/WWF

Na área jusante (vazante da maré) da usina, os impactos seguem uma lógica diferente, mas igualmente preocupante. O barramento do rio Xingu interfere no transporte natural de sedimentos, reduzindo a formação de bancos de areia, ambientes fundamentais para a desova dos quelônios e para a sobrevivência de diversas espécies, como aves aquáticas.

“Além disso, a conformação da granulometria também pode ser alterada, com aumento na deposição de silte nos bancos de areia, o que potencialmente interfere na temperatura dos microambientes de desova, podendo afetar a taxa de sobrevivência e a proporção entre machos e fêmeas produzidos”, explicou a pesquisadora.

O papel das unidades de conservação

Diante desses desafios, a existência de áreas protegidas torna-se fundamental para garantir a sobrevivência das espécies. O Tabuleiro do Embaubal foi criado justamente para preservar ambientes essenciais para a reprodução dos quelônios amazônicos.

De acordo com o doutor em geografia Deivison Molinari, a criação da unidade de conservação está relacionada também ao contexto econômico do estado do Pará.

“O Pará tem muitas atividades extrativistas, mineração, exploração madeireira e cidades com grande população. Por isso, a presença de uma unidade de conservação como o Tabuleiro do Embaubal é fundamental para proteger a reprodução das tartarugas”, afirma.

A existência do refúgio garante que parte do território permaneça protegida das pressões econômicas que ocorrem em outras regiões do estado.

Segundo Daniely Félix, o envolvimento das comunidades é essencial para o sucesso das iniciativas de conservação.

“A criação de unidades de conservação, por si só, não garante a conservação das espécies. O envolvimento da população local em todas as etapas do monitoramento e manejo é fundamental”, explica.

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Educação ambiental com soltura de quelônios no Tabuleiro do Embaubal. Foto: Reprodução/ Ideflor-Bio

Ela ressalta que muitos projetos envolvem as comunidades apenas em momentos específicos, como na soltura de filhotes. Segundo ela, essas ações são importantes, mas o envolvimento real precisa acontecer ao longo de todo o processo de gestão e conservação.

Proteger o Tabuleiro do Embaubal significa preservar um dos maiores berçários naturais de tartarugas da América do Sul e garantir que os ciclos naturais da Amazônia continuem ocorrendo de forma equilibrada, conclui a bióloga.

O canal Amazon Sat já acompanhou uma soltura no local. Confira:

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Vinhos de açaí e cupuaçu: inovação transforma sabores da Amazônia na famosa bebida fermentada

Foto: Imagem gerada por IA

Vinhos com frutas tradicionais da Amazônia podem parecer um tanto quanto inusitados, no entanto, essa ideia tem ganhado espaço entre produtores que buscam inovar e valorizar ingredientes regionais. É o caso da Florisa Vinhos da Amazônia, de Rio Branco, no Acre, que a partir de experimentos com fermentação, surgiu com a proposta de criar bebidas inspiradas no vinho tradicional, mas feitas com frutas como o açaí e o cupuaçu, dois símbolos da biodiversidade amazônica. 

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A iniciativa começou em 2020, quando a empresa passou a realizar diferentes testes com bebidas fermentadas. Além disso, a experiência anterior com produção de cerveja artesanal ajudou no desenvolvimento das primeiras receitas.

“Em 2020 fizemos vários testes de bebidas fermentadas: hidromel, kombucha, fruit beers, entre outras. Usamos nossa experiência prévia com a fermentação de cerveja artesanal. No teste com o açaí, vislumbramos o potencial para desenvolver uma bebida semelhante ao vinho tradicional da uva, porém com identidade própria”, explica Marcos Vieira, proprietário e produtor da Florisa Vinhos da Amazônia.

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Vinho de cupuaçu da Florisa Vinhos
Vinho de cupuaçu. Foto: Reprodução/Instagram-florisavinhos

Uma bebida com identidade amazônica

Embora muitas pessoas associem o vinho exclusivamente à uva, tecnicamente a bebida é apenas o resultado da fermentação de uma fruta. Por isso, ao redor do mundo existem vinhos produzidos com diferentes ingredientes.

Marcos destaca que a produção de fermentados com frutas já é comum em vários países.

“Sempre se produziu vinho com frutas diversas ao redor do mundo, como a pêra, a maçã, o morango e o mirtilo. A jabuticaba, por exemplo, é muito utilizada na produção de vinhos no sudeste do Brasil”, afirma.

De acordo com Marcos, a proposta do vinho amazônico é justamente aproveitar ingredientes locais, que contribuam para expor o potencial das frutas da região e produzir bebidas com identidade amazônica. 

Como funciona a produção? 

Apesar de se inspirar no vinho de uva, o processo de produção apresenta algumas diferenças importantes. No caso das frutas amazônicas, é necessário criar o chamado ‘mosto’, líquido que será fermentado.

“A principal diferença em relação ao processo da uva é que nós ‘criamos’ o nosso mosto (suco) com a adição da polpa, água e uma fonte de açúcar para a fermentação, enquanto com a uva o mosto/suco é extraído simplesmente ao prensá-la”, explica Marcos ao Portal Amazônia.  

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Vinho de açaí. Foto: Reprodução/Instagram-florisavinhos

De acordo com ele, o vinho de açaí, por exemplo, nasce a partir de três elementos principais: açaí, água e uma fonte de açúcar. Diferente da uva, que já possui água e açúcares naturais em quantidade suficiente para a fermentação, o açaí, o cupuaçu e outras frutas amazônicas funcionam quase como um concentrado de sabor.

“A praticamente ausência de água e açúcares nas frutas amazônicas poderia ser considerada uma desvantagem em relação à uva, mas na verdade contribui para o desenvolvimento de bebidas”, explicou o produtor.  

Segundo Vieira, um dos principais desafios do processo está justamente na preparação do mosto. Já que enquanto no vinho de uva o líquido é extraído simplesmente ao prensar a fruta, no caso do vinho amazônico é preciso desenvolver a mistura ideal.

Depois que a mistura está pronta, inicia-se o processo de fermentação, que dura em média cerca de 15 dias até que a bebida esteja pronta para as próximas etapas de produção. Na emrpesa acreana, a produção ainda acontece em pequena escala, de forma artesanal, com quantidade limitada de garrafas por mês.

Harmonização dos vinhos 

De acordo com Marcos, para quem experimenta pela primeira vez, a reação costuma ser de surpresa, já que muitas pessoas não imaginam que seja possível produzir vinho sem utilizar uvas.

“O público sempre se surpreende quando descobre que é possível fazer vinho sem uvas. Na degustação, também chama atenção a semelhança com o vinho tradicional”, conta.

Foto: Reprodução/Instagram-florisavinhos

De acordo com a sommelière Christianne Rosas, de Belém (PA), o vinho de açaí pode harmonizar muito bem com pratos típicos da culinária brasileira, especialmente aqueles com sabores marcantes.

Entre as sugestões estão peixe frito, carne de sol e carnes mais gordurosas, combinações que ajudam a equilibrar o perfil da bebida.

Valorização regional

Mais do que uma inovação gastronômica, o vinho feito com frutas amazônicas também representa uma forma de valorizar a produção regional. Para Marcos, trabalhar com ingredientes como o açaí e o cupuaçu significa contribuir para toda a cadeia produtiva da região.

“As frutas amazônicas são, antes de tudo, fonte de alimento e sustento para muitos ribeirinhos e para nós da cidade também. Poder contribuir de alguma forma com a cadeia econômica desses recursos nos dá muito orgulho”, afirma.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Amazonas passa a integrar Rede Sem Fronteiras e fortalece intercâmbio cultural internacional

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Foto: Kátia Colares/Arquivo pessoal

O Amazonas ganha um novo espaço de projeção internacional da cultura, com a homologação do Núcleo Cultural Regional da Rede Sem Fronteiras no estado. A cerimônia marca a entrada oficial do estado na organização cultural internacional e acontece nesta quinta-feira, 19 de março, às 18h, no auditório da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). 

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Segundo Kátia Colares, presidente da Rede Sem Fronteiras Núcleo Amazonas, a cerimônia representa um momento simbólico e estratégico para a cultura regional.

“A cerimônia marca a entrada oficial do Amazonas na Rede Sem Fronteiras, uma organização cultural internacional presente em mais de 30 países. Também abre um novo ciclo de cooperação cultural, permitindo que talentos amazônicos se conectem a uma rede global dedicada à promoção da cultura e da língua portuguesa”, destacou.

De acordo com Kátia, a criação do núcleo no estado surge da necessidade de ampliar a presença da produção cultural amazônica no cenário nacional e internacional.

Além disso, o núcleo também possui o propósito de aproximar artistas, escritores e produtores culturais locais de uma plataforma internacional de intercâmbio e visibilidade cultural, para que possam ter acesso a novas oportunidades de circulação e divulgação de suas obras.

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Nominata diretora do rede sem fronteiras núcleo Amazonas
Imagem: Kátia Colares/Arquivo pessoal

“Por meio da Rede Sem Fronteiras, artistas e escritores passam a ter acesso a projetos editoriais, eventos culturais internacionais, coletâneas literárias e intercâmbios culturais. Isso amplia oportunidades de publicação, circulação de obras e participação em eventos culturais da lusofonia”, afirmou.

Visibilidade para o Amazonas

Assim, segundo a presidente, a chegada da organização ao Amazonas tem o intuito de fortalecer o intercâmbio cultural com outros países lusófonos, criando uma ponte direta entre a produção cultural da região e outros países que compartilham a língua portuguesa.

Além disso, a organização permite a realização de projetos colaborativos, participação em coletâneas internacionais, intercâmbio entre autores e eventos culturais conjuntos. 

“A fundação do núcleo regional no Amazonas é um convite para que escritores, artistas e agentes culturais participem dessa construção coletiva e levem a cultura amazônica para além das fronteiras geográficas”, concluiu Kátia.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Portal Amazônia responde: qual foi a primeira lei ambiental do Brasil?

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Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Você sabe qual foi a primeira lei ambiental instituída no Brasil? No país, a legislação voltada à proteção dos recursos naturais remonta desde o período colonial. Além disso, ao longo de mais de quatro séculos, diferentes normas foram criadas para regular o uso da terra, das florestas, da água e da fauna, focadas no desenvolvimento e na preservação ambiental.

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De acordo com o pesquisador Deivison Molinari, a primeira norma ambiental do Brasil surgiu ainda no início do século XVII, quando o território brasileiro era colônia de Portugal.

Primeiras normas ambientais do Brasil

Em 1605 foi criado o ‘Regimento do Pau-Brasil‘, considerado a primeira lei de caráter ambiental do país, que buscava regulamentar a exploração do pau-brasil e controlar a derrubada descontrolada da madeira, evitando o esgotamento da árvore que havia se tornado um dos principais produtos de exportação da colônia.

“O Regimento foi instituído pelo rei Dom Filipe III, e posteriormente, foi elaborada uma legislação ligada também a madeiras, como a peroba, por exemplo”, explicou Molinari. 

Regimento do Pau-brasil, primeira lei do Brasil
Regimento do Pau-brasil. Foto: Reprodução/Facebook-@Serviçoflorestalbrasileiro

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De acordo com o Jusbrasil, no final do século XVIII, novas normas surgiram ampliando a preocupação com o uso do ambiente. Em 1797, uma carta régia destacou a necessidade de proteção de rios, nascentes e encostas, que passaram a ser considerados propriedades da Coroa Portuguesa.

Pouco tempo depois, em 1799, foi criado o Regimento de Cortes de Madeiras, que estabelecia regras rigorosas para o corte de árvores, medida que buscava controlar a exploração de madeiras consideradas nobres, como a peroba e outras espécies de grande valor econômico.

Outro marco importante aconteceu no século XIX com a promulgação da Lei nº 601 de 1850, conhecida como Lei de Terras. A legislação disciplinou a ocupação do solo brasileiro e estabeleceu regras para a aquisição de terras. 

“Ela basicamente disciplina a ocupação do solo, estabelece o que é a terra da união. Então, a terra inicialmente é do Estado, depois que ela vai se tornando privada, a lei de terras é a primeira norma, de fato, efetiva”, explicou Molinari.

Já no século XX, a legislação ambiental brasileira passou a se desenvolver de maneira mais estruturada. Em 1911, foi criado o Decreto nº 8.843, responsável por instituir a primeira reserva florestal do país, localizada no antigo Território do Acre. No entanto, a reserva não foi implantada.

Primeira Reserva Florestal do Brasil. Foto: Reprodução/X- @serviçoflorestalbrasileiro

Poucos anos depois, em 1916, o Código Civil brasileiro passou a incluir algumas disposições relacionadas ao meio ambiente, composto por normas que refletiam a natureza como um bem econômico vinculado ao direito de propriedade.

A década de 1930 marcou um avanço significativo na legislação ambiental, já que em 1934, foram instituídos o primeiro Código Florestal e o Código de Águas, que estabelecem limites ao uso da propriedade privada, quando esta pudesse causar impactos ambientais. De acordo com o Jusbrasil, essas normas são consideradas o embrião da atual legislação ambiental do país.

Proteção ambiental no Brasil

O Código Florestal sofreu alterações ao longo das décadas, e uma nova versão foi promulgada em 1965, ampliando políticas de proteção e conservação da flora, e estabelecendo o conceito de Áreas de Preservação Permanente (APPs), como regiões que devem ser protegidas por sua importância ambiental.

Em 1967, foram criados os Códigos de Caça, Pesca e Mineração, além da Lei de Proteção à Fauna, medidas que ampliaram a regulamentação sobre o uso dos recursos naturais. Além disso, de acordo com o Jusbrasil, uma nova Constituição atribui à União, competência para legislar sobre jazidas, florestas, caça, pesca e águas, cabendo aos Estados tratar de matéria florestal.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a função de uma ‘área de preservação permanente’?

Durante a década de 1970, a legislação passou a incluir também a preocupação com a poluição industrial e em 1975, o Decreto-Lei nº 1.413 determinou que empresas poluidoras deveriam prevenir e corrigir danos ambientais causados por suas atividades.

Um dos marcos mais importantes aconteceu em 1981, com a criação da Política Nacional de Meio Ambiente por meio da Lei nº 6.938, estabelecendo o meio ambiente como objeto específico de proteção jurídica ao criar instrumentos para controle e fiscalização ambiental.

A Constituição de 1988 e os avanços recentes

Em 1988, a nova Constituição brasileira passou a dedicar um capítulo inteiro ao meio ambiente. O artigo 225 determina que tanto o poder público quanto a sociedade têm o dever de defender e preservar o meio ambiente para as gerações presentes e futuras.

Foto: Diego Monsores

Nas décadas seguintes, novas leis ampliaram os mecanismos de proteção ambiental, como a Lei de Crimes Ambientais de 1998, que prevê sanções penais e administrativas para atividades que causem danos à natureza, e a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação de 2000, responsável por organizar as áreas protegidas no país.

Além disso, o Estatuto da Cidade, sancionado em 2001, trouxe instrumentos para que o desenvolvimento urbano ocorra sem comprometer o equilíbrio ambiental.

O conjunto de normas da legislação ambiental brasileira é considerado uma das mais completas, visto que é resultado de um processo que começou ainda no período colonial e evoluiu ao longo dos séculos.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Portal Amazônia responde: existem pedras preciosas no Monte Roraima?

Monte Roraima. Foto: Reprodução/Feel Brasil

O Monte Roraima, um dos cenários mais fascinantes da Amazônia, está localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. Seus tepuis, como são conhecidas suas montanhas e montes, ultrapassam os 2,7 mil metros de altitude se tornando um dos pontos mais elevados do território brasileiro. 

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O monte integra o conjunto de formações geológicas mais antigas da América do Sul, com rochas que remontam a bilhões de anos. O local é marcado por paredões verticais e formações rochosas esculpidas pelo vento que atraem aventureiros de diversas partes do mundo. 

A região abriga também espécies endêmicas (que só existem naquela região) como resultado do isolamento natural do topo da montanha ao longo de milhares de anos, o que torna o ambiente um verdadeiro “laboratório natural” para estudos científicos. 

Além disso, de acordo com tradições indígenas, o local é considerado o berço de Makunaima, figura ancestral descrita como um guerreiro corajoso. 

Leia também: Monte Roraima: o que você precisa saber antes de visitar o gigante da tríplice fronteira

Mas afinal, existem pedras preciosas no Monte? 

Monte Roraima
Personagem José Alfredo (Alexandre Nero) com um diamante encontrado no Monte Roraima. Foto: Reprodução/ Tv Globo

Além da sua grandiosidade geográfica, o Monte Roraima desperta curiosidade por histórias que mesclam aventura, espiritualidade e supostas riquezas minerais.

Um dos questionamentos é sobre a existência de pedras preciosas no local, especialmente diamantes, uma ideia popularizada após a aparição da região na novela ‘Império’, exibida entre 2014 e 2015, na TV Globo. Mas o que dizem os especialistas? 

Segundo o geólogo Fábio Luiz Wankler, do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Roraima (UFRR), não existem pedras preciosas no topo do Monte Roraima.

“Geologicamente, o topo do Monte Roraima é composto de arenito. Não existem pedras preciosas no topo. A ideia de que há minas de diamantes no alto do monte, popularizada por novelas e por alguns guias locais, é um mito”, afirma o pesquisador.

O geólogo Jackson Douglas Silva da Paz, doutor em Geologia e também professor da UFRR, complementa a explicação com base em registros oficiais:

“Há fontes e registros oficiais que tratam da ocorrência de minerais e do potencial gemológico, mas não exatamente do Monte Roraima e, sim, do estado de Roraima em geral, dentro de levantamentos geológicos regionais mais amplos”.

A principal referência institucional é o Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), responsável pelos levantamentos geológicos e inventários minerais do país. O órgão disponibiliza relatórios técnicos, mapas geológicos e metalogenéticos com dados de campo, análises laboratoriais e registros históricos de ocorrências minerais.

“O documento mais recente é ‘Geologia e recursos minerais do estado de Roraima’, publicado em 2025. É um bom ponto de partida porque traz a recorrência histórica das ocorrências minerais no estado”, destaca Jackson.

Minerais valiosos

Embora o topo do Monte Roraima não possua pedras preciosas, a região ao redor apresenta registros históricos de minerais valiosos.

“O diamante e o ouro da região ocorrem apenas em rochas conglomeráticas do embasamento do Monte Roraima (na base) e nos rios que as drenam, como nas localidades de Santa Elena de Uairén, Uiramutã e Tepequém”, explica Fábio Luiz Wankler.

Jackson Douglas Silva da Paz completa e detalha que essas ocorrências são, em grande parte, depósitos aluviais (referente a depósitos de sedimentos, como cascalho e areia, transportados e depositados por água corrente) associados ao Supergrupo Roraima (entenda AQUI).

“Na mesma publicação da SBG/CPRM, Geologia e recursos minerais do estado de Roraima, Mendes e colaboradores apontam que ouro e diamantes são encontrados em depósitos aluviais e sedimentos associados ao Supergrupo Roraima. Além disso, metais como estanho, nióbio, tântalo, titânio, vanádio e elementos de terras-raras ocorrem também, mas associados a corpos intrusivos regionais”, explicou.

No entanto, ele ressalta que isso não significa a existência de jazidas no topo do tepui, já que a morfologia do tepui indica que ele é muito mais um remanescente erosivo do que um centro mineralizador ativo. Além disso, maior parte das ocorrências registradas oficialmente em Roraima refere-se a áreas fluviais recentes ou a outras unidades geológicas do estado, não especificamente ao maciço do Monte Roraima.

De acordo com Wankler, os diamantes encontrados nessas áreas costumam ser pequenos, raramente ultrapassando dois quilates, e apresentam coloração translúcida ou levemente amarelada, e não há registros do “diamantes rosa”, popularizado na novela. 

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O Vale dos Cristais

Foto: Alexsandro Seidler

A composição predominante de arenito explica porque o Monte Roraima não apresenta condições favoráveis para a formação de pedras preciosas. Segundo Fábio Luiz Wankler, o arenito da área não é mineralizado, e o único cristal presente é o quartzo, formado pela recristalização do arenito devido a eventos tectônicos que afetaram as rochas do monte. 

Esse tipo de fenômeno geológico, segundo ele, não é exclusivo do local e pode ser encontrado em outras áreas da região amazônica.

Assim, um dos pontos mais conhecidos do topo do Monte Roraima é o chamado ‘Vale dos Cristais’, uma área que reúne milhares de cristais de quartzo translúcidos, espalhados sobre as rochas.

“No topo existe um fenômeno chamado Vale dos Cristais, onde se caminha por trilhas rodeadas por rochas com milhares de cristais de quartzo. Trata-se de um sítio de interesse geológico, mas sem valor monetário significativo”, esclarece Wankler.

Vale dos Cristais. Foto: Alexsandro Seidler

Jackson Douglas Silva da Paz complementa sobre a formação do quartzo presente na área:

“O Supergrupo Roraima é formado por rochas sedimentares ricas em quartzo, com pouca influência de processos magmáticos ou metamórficos intensos, que são fundamentais para a gênese (origem) de muitos depósitos minerais”, explica.

Mineração proibida

De acordo com Fábio Luiz Wankler, embora os cristais não tenham um valor monetário significativo, o local é frequentemente depredado por visitantes que tentam levar exemplares. 

Porém, além da ausência de pedras valiosas no topo, a exploração mineral é legalmente proibida. No Brasil, o Monte Roraima integra o Parque Nacional do Monte Roraima, uma Unidade de Conservação Federal que busca preservar um dos ecossistemas mais frágeis e únicos do planeta.

No lado venezuelano, o Monte está inserido no Parque Nacional Canaima, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO, onde a mineração industrial também não é permitida.

Na Guiana, a atividade mineral é regulamentada pela Guyana Geology and Mines Commission, que exige licenças e estudos de impacto ambiental, respeitando áreas protegidas.

Sobre os riscos ambientais, Wankler alerta, que mesmo fora dos limites do parque, a mineração representa sérios riscos ambientais na região amazônica. Entre os principais impactos estão a contaminação da água pelo mercúrio, o desmatamento e a erosão do solo.

“A mineração pode contaminar rios e afetar diretamente o modo de vida dos povos originários. Além disso, atividades ilegais costumam atrair redes criminosas ligadas à lavagem de dinheiro, prostituição e tráfico humano”, alerta o pesquisador.

tepui - monte roraima
Foto: Reprodução/Embratur

De acordo com Wankler, existem diversos impactos já documentados, que destacam a contaminação por mercúrio em peixes, identificada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e o desmatamento monitorado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que afeta o balanço hídrico local, causando a erosão dos solos e o assoreamento dos rios.

Além disso, estudos feitos em centros de pesquisa como a Universidade Estadual de Roraima (UERR), a Universidade Federal de Roraima (UFRR), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o INPA têm identificado esses impactos no estado.

Jackson Douglas Silva da Paz concorda que a mineração pode gerar danos e alerta que seus efeitos variam conforme método, escala, localização e controle ambiental. 

“Agricultura, hidrelétricas, rodovias, turismo ou mineração, todos têm impactos que variam conforme método empregado, escala da atividade, localização ecológica e nível de controle/regulação. Esses fatores determinam a magnitude, a reversibilidade e a extensão dos efeitos ambientais”, afirmou.

De acordo com ele, a diferença entre atividades está menos na existência de impacto e mais na origem, intensidade e capacidade de mitigação de cada uma.

Os geólogos lembram que os impactos ambientais vão além da paisagem, já que a biodiversidade do Monte Roraima é extremamente sensível, e qualquer alteração pode provocar perdas irreversíveis.

Patrimônio natural ou potencial mineral?

Geologicamente, a região integra o Escudo das Guianas, que possui ocorrências minerais em escala regional. Porém, juridicamente e ambientalmente, o Monte Roraima está inserido em áreas protegidas e territórios indígenas.

“Nesse caso específico, a prioridade atual é a preservação, o que independe de qualquer potencial mineral. A resposta não é geológica nem moral: é normativa. Depende do marco regulatório vigente e das escolhas institucionais da sociedade”, comenta Jackson Douglas Silva da Paz.

Além disso, o especialista faz uma crítica à forma como a mineração costuma ser tratada no debate público. Para ele, o problema central não é a atividade em si, mas as desigualdades econômicas e a forma como ela é regulada e inserida no desenvolvimento do país.

“Por fim, fica uma crítica branda minha sobre a “demonização” da mineração o que contribui com subdesenvolvimento e subvalorização da educação técnica como meio para o desenvolvimento racional. Espero que vc abrace a ideia de uma pausa que mostre a mineração não como o grande problema e, sim, a desigualdade econômica. Na desigualdade dentro de um país, possibilita-se um negócio mais lucrativo de criar obstáculos para vender facilidades. Sugiro ver os casos da regulação da mineração com vistas ao desenvolvimento humano e nacional na Austrália, Canadá, África do Sul, Guyana e próprio Brasil. Vc verá que o problema não é a mineração”, conclui.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

#Série – 4 festas religiosas para conhecer no Tocantins 

As festas religiosas no Tocantins não são apenas momentos de devoção, mas sim encontros entre a tradição, a memória, a música, a dança e a identidade coletiva.

Além disso, muitas dessas celebrações atravessam séculos de história, como em toda a Amazônia Legal, e misturam elementos do catolicismo com heranças africanas e influências europeias. 

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O Portal Amazônia encerra a série especial sobre festas religiosas na Amazônia Legal com 5 festejos populares e tradicionais de Tocantins. Confira: 

Romarias do Senhor do Bonfim em Natividade e Tabocão

A Romaria do Senhor do Bonfim, no município de Natividade, reúne milhares de romeiros que percorrem a pé um trajeto de cerca de 23 quilômetros entre a cidade de Natividade e o povoado de Bonfim. A caminhada é marcada por orações, promessas, agradecimentos e pedidos, refletindo a espiritualidade e o sacrifício dos fiéis. 

A programação da romaria inclui missa, novenas, caminhadas penitenciais e procissões. De acordo com o Governo de Tocantins, a tradição teve início em 1750, quando um vaqueiro encontrou uma imagem de Cristo crucificado presa a um tronco na zona rural da região, e que ao levá-lo para casa, a imagem teria desaparecido e reaparecido misteriosamente no local original. 

Festa religiosa
Romaria religiosa do Senhor do Bonfim. Foto: Tharson Lopes/Governo do Tocantins

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O fato foi interpretado como um milagre e a partir daí, foi construída uma capela e, posteriormente, um santuário que deu origem ao povoado que hoje leva o nome de Bonfim. 

Em Tabocão, às margens da BR-153, a Romaria do Senhor do Bonfim também mobiliza fiéis e visitantes. Além das celebrações religiosas, o evento conta também com cavalgadas, programação cultural e a tradicional Expo Tabocão, unindo a fé e a cultura local. 

Festa do Divino Espírito Santo em Natividade

A Festa do Divino Espírito Santo em Natividade, com mais de um século de história, é uma das celebrações mais tradicionais do estado.

De acordo com o Governo do Estado, a celebração, que possui origem portuguesa e remonta ao século XIV, quando foi instituída oficialmente pela Rainha Isabel, em Portugal, como forma de agradecimento pela paz alcançada no reino, acontece na cidade desde 1904. 

Procissão religiosa segue até a Igreja do Espírito Santo, onde é celebrada missa solene do Imperador. Foto: Suzana Barros/Adtur

Ao longo dos anos, mais de uma centena de imperadores do Divino assumiram a responsabilidade de manter viva a tradição, com apoio da Igreja e da comunidade. 

Festa do Capitão do Mastro

A festa do Capitão do Mastro, um dos momentos de destaque da festa do Divino, começa com a celebração da Esmola Geral, em que bandeiras do Divino percorrem as casas dos fiéis arrecadando donativos. Após a missa solene acontece uma procissão em que o Capitão do Mastro e a Rainha são conduzidos pelas ruas sobre um mastro em forma de pirâmide, sacudido de forma festiva pelos participantes.

Leia também: Tradição religiosa: conheça o Festejo do Divino Espírito Santo de São Geraldo do Araguaia, no Pará

Procissão religiosa do Capitão do Mastro e da Rainha. Foto: Emerson Silva

A procissão é iluminada por velas de cera de abelha, luminárias de buriti e chamas alimentadas por azeite de mamona. Além disso, a música que embala os fiéis é tocada por sanfonas, zabumba e triângulo, enquanto grupos de sússia, uma dança de origem africana, embalam o cortejo.  

No final da procissão, o Capitão oferece uma grande festa comunitária, com comidas típicas, licores e doces tradicionais.

Festa do Imperador

A festa religiosa do imperador, ponto alto institucional da Festa do Divino, começa com a coroação do Imperador, seguida por um cortejo que reúne símbolos religiosos, crianças vestidas de anjos e diversos fiéis.

Após a coroação, acontece a missa solene e o sorteio dos festeiros do ano seguinte, o que garante a continuidade da tradição, e a celebração se encerra com um grande almoço comunitário, preparado com donativos arrecadados ao longo do festejo. 

Festejos de Nossa Senhora do Rosário em Monte do Carmo

Os festejos de Nossa Senhora do Rosário, em Monte do Carmo, são celebrados em outubro e se iniciam após a Missa do Divino Espírito Santo. De acordo com o Governo do Estado, a celebração é uma das expressões mais ricas da cultura popular do Tocantins, e tem como marco principal a tradicional caçada da rainha.

A celebração reúne milhares de fiéis que acompanham o cortejo animado por tambores e pela dança da sússia. A origem da caçada mistura referências africanas, europeias e lendas locais, incluindo o mito do desaparecimento e reaparecimento da imagem de Nossa Senhora do Rosário. 

Leia também: Festa de Nossa Senhora do Rosário é documentada por meio de projeto da UFT

Festa religiosa de Nossa Senhora do Rosário. Foto: Rafael Trapp

A festa é composta por personagens como os Caretas, que possuem máscaras grotescas e comportamento irreverente, que acrescentam humor e crítica social à celebração. A coroação do novo rei e da nova rainha acontece à noite, em frente à Igreja Nossa Senhora do Carmo, seguida de missa solene e confraternização com café e bolos. 

Folia de Reis

A folia de Reis, celebrada há mais de quatro décadas na região, recria a visita dos três Reis Magos ao Menino Jesus. Durante a celebração, grupos percorrem casas urbanas e rurais, entoando cânticos e músicas tradicionais que fortalecem os laços comunitários e mantém viva a expressão da religiosidade no estado. 

Folia de Reis percorreno as casas dos fiéis. Foto: Fred Borges/Governo do Tocantins

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Leia mais da série:

#Série – 6 festas religiosas para conhecer em Roraima

Em Roraima, as festas religiosas típicas são as mais ligadas ao catolicismo e possuem um papel fundamental na vida das comunidades da região, misturando espiritualidade, cultura e história.

Essas celebrações representam séculos de devoção que reúnem multidões em romarias e festejos que integram religiosidade aos costumes roraimenses.

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A série sobre festas religiosas na Amazônia Legal chega em sua penúltima matéria com 6 festas religiosas para conhecer em Roraima:

Festa de Nossa Senhora do Carmo

Celebrada no dia 16 de julho, a Festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Boa Vista, é uma das mais tradicionais da cidade. As celebrações incluem missas especiais na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, localizada no centro da capital, reunindo devotos e lideranças religiosas que sustentam essa tradição. 

No dia dedicado à padroeira, duas missas mobilizam os devotos, uma às 8h e outra às 18h, encerrando o dia de celebrações em honra à Nossa Senhora do Carmo. 

festa
Nossa Senhora do Carmo. Foto: Beatriz Sarmento

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A devoção à Virgem surgiu no século XVII, quando um grupo de eremitas, inspirados pelo profeta Elias e buscando uma vida próxima de Deus, se retirou para o Monte Carmelo, em Israel, onde criaram a ordem dos carmelitas e construíram uma capela dedicada à santa. Dessa tradição nasceu o escapulário, um símbolo de entrega e proteção. 

Em 1725, os primeiros padres missionários carmelitas chegaram em Boa Vista e construíram a primeira capela, que se tornou a primeira igreja católica na região. Em 1856, uma capela maior foi construída, sendo elevada dois anos depois à condição de Matriz Nossa Senhora do Carmo.

Ao longo dos séculos, a comunidade cresceu com o trabalho de diversas congregações, incluindo os missionários da Consolata, que deram continuidade à missão e restauraram a estrutura original da Matriz.

Festa de Cristo Rei

A Festa de Cristo Rei, que encerra o Ano Litúrgico católico e antecipa o início do advento, é celebrada em Boa Vista e marca o aniversário da construção da igreja de Cristo Rei, e reúne diversos fiéis durante toda semana festiva. As celebrações incluem novenas, terços, orações e apresentações de corais e bandas, realizadas pelo Instituto Boa Vista. 

Foto: Reprodução/Facebook-@comunidadecristorei

O ponto alto da festividade acontece no último domingo de novembro, com missas campais que reúnem centenas de católicos que agradecem pela caminhada anual. A data da celebração era originalmente celebrada em outubro, no entanto, foi transferida para o último domingo do Ano Litúrgico após a reforma de 1969. 

Romaria de Nossa Senhora Aparecida 

A romaria de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é realizada todos os anos no dia 12 de outubro e reúne milhares de fiéis em caminhadas pelas ruas da cidade. Organizada pelo Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Roraima, a festa inclui novenas, missas durante todo o dia, quermesse, café comunitário e a tradicional troca do manto da santa, realizada na véspera da grande celebração.

Foto: Reprodução/Diocese de Roraima

Leia também: Maria de Nazaré: saiba onde encontrar igrejas de Nossa Senhora Aparecida nos estados da Amazônia Legal

As celebrações em homenagem à Nossa Senhora Aparecida começam com a novena, realizada de 1° a 10 de outubro, conduzidas por diferentes áreas missionárias. O manto da cerimônia de troca é confeccionado por irmãs carmelitas, responsáveis pelo manto da imagem original no Santuário Nacional. 

A romaria sai da Igreja Consolata em direção ao Santuário e, durante o caminho, velas acesas iluminam o trajeto enquanto os fiéis cantam os hinos e rezam pelas graças alcançadas e pela renovação da esperança. 

Festejo de São Sebastião

No município de Uiramutã, em Roraima, acontece o tradicional Festejo de São Sebastião, uma das celebrações mais importantes da região, que em 2025 chegou à sua 65ª edição. O evento reúne fé, cultura e até esporte, atraindo diversos moradores e devotos, inclusive de comunidades indígenas.

Foto: Reprodução/Diocese de Roraima

A festa começa com uma grande procissão pelas ruas do município, seguida de uma missa solene celebrada por missionários das comunidades indígenas. Além disso, no campo Mojo-Ui é realizado um torneio de futebol que mobiliza atletas de várias categorias. 

Bandas de forró animam a população, que se reúne para dançar, comer e celebrar a festa de São Sebastião, protetor da cidade e símbolo de devoção entre os povos indígenas. 

Festa de São Francisco

Procissão em honra a São Francisco. Foto: Reprodução/Diocese de Roraima

A comunidade de São Francisco, uma das mais tradicionais de Boa Vista, celebra nos primeiros dias de fevereiro, a festa de São Sebastião, padroeiro de Boa Vista.

A celebração reúne uma procissão, missa solene e o tradicional Jubileu do Vinho, que simboliza a gratidão e a renovação da fé dos devotos. 

Leia também: Festa do Divino é reconhecida como Patrimônio Cultural de Rondônia

A procissão mobiliza jovens, adultos e idosos que mantêm promessas feitas ao santo. Após a missa, os fiéis continuam a festa no arraial que conta com comidas típicas, brincadeiras, música e bingo.

Festa de Nossa Senhora do Livramento

No município de Caracaraí, o Festejo de Nossa Senhora do Livramento é realizado anualmente entre os dias 15 e 24 de setembro, atraindo moradores locais. O ponto alto da celebração é a cerimônia de iluminação e bênção do Rio Branco, transformando a beira do rio. 

Foto: Reprodução/Diocese de Roraima

Durante a celebração, luminárias são acesas e refletidas nas águas do rio, simbolizando a esperança, proteção e devoção à Nossa Senhora do Livramento. A missa de abertura fortalece a união da comunidade e o acolhimento de migrantes. 

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

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#Série – 5 festas religiosas para conhecer em Rondônia

As manifestações religiosas atravessam gerações e permanecem como parte essencial da identidade. Em Rondônia a religiosidade das comunidades ribeirinhas, urbanas e rurais transforma festas tradicionais centenárias em homenagens a santos católicos.

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Algumas dessas celebrações de fé estão no calendário, como as festas dos santos padroeiros das cidades ou algum outro santo ou santa popularmente conhecidos na região.

A série sobre festas religiosas na Amazônia Legal chega em sua sétima matéria. Conheça cinco festividades rondonienses: 

Romaria fluvial do Divino Espírito Santo

A romaria fluvial do Divino Espírito Santo, celebrada no Vale do Guaporé há mais de 130 anos, percorre o rio Guaporé e seus afluentes passando por comunidades no Brasil e na Bolívia. A romaria, que envolve 40 dias de intensa devoção, é a única do Brasil que é realizada totalmente nos rios. 

Os devotos percorrem aldeias indígenas, povoados ribeirinhos e vilas do Brasil e da Bolívia, chegando até Porto Murtinho, em São Francisco do Guaporé, marcando o ponto alto da celebração.

Os símbolos que compõem o festejo, como a coroa de prata, a bandeira e os adereços remontam à antiga Vila Bela da Santíssima Trindade, no Mato Grosso, de onde vem a herança do festejo. 

Festas religiosas
Romaria fluvial do Divino Espírito Santo. Foto: Ésio Mendes

Leia também: Tradição e fé com a chegada do Divino em Pimenteiras

A tradição originou-se em Portugal, por volta do século XIV, em que as celebrações eram feitas através da oferta de banquetes às pessoas carentes e entrega de esmolas. A manifestação foi levada ao Vale do Guaporé por Manoel Fernandes, em 1888, e foi passada de pai para filho.

Organizada principalmente pelos devotos afro-brasileiros e bolivianos, a tradição religiosa foi reconhecida como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial de Rondônia por meio da Lei Estadual n° 5.252, de 11 de janeiro de 2022

Festa de Nossa Senhora Auxiliadora 

A festa religiosa de Nossa Senhora Auxiliadora, padroeira de Porto Velho, Vilhena e Alto Paraíso, começou com a chegada de padres salesianos ao norte do país, que traziam consigo a influência de Dom Bosco e, difundiram a imagem de Maria Auxiliadora como protetora dos mais necessitados. 

Festas Religiosas
Procissão em honra à Nossa Senhora Auxiliadora. Foto: Arquidiocese de Porto Velho

Celebrado no dia 24 de maio, o feriado municipal em homenagem a padroeira foi instituído em 1967 graças a devoção à santa na região. Em Porto Velho, a programação da festa em homenagem à Nossa Senhora Auxiliadora inclui um novenário, procissão, missa campal e um show com artistas, realizado na catedral.  

Festa da capela de Santo Antônio

A festa da capela de Santo Antônio, comemorada no dia 13 de junho, em Porto Velho, possui uma forte devoção religiosa na região, já que uma das capelas mais tradicionais da cidade leva o seu nome. 

Capela de Santo Antônio. Foto: Leandro Morais

Leia também: Capela de Santo Antônio é reconhecida como Patrimônio Cultural, Histórico, Material e Religioso de Porto Velho

A programação da celebração reúne uma procissão em direção à Capela de Santo Antônio de Pádua, onde acontece a missa campal em homenagem ao padroeiro. Além disso, a festa também conta com apresentações juninas, quadrilhas, apresentação de grupos de boi-bumbá, forró, comidas típicas, bingos, rifas e brincadeiras. 

Procissão em homenagem a São Pedro

A procissão de São Pedro, realizada desde 1954, é uma das mais tradicionais celebrações religiosas em homenagem ao padroeiro dos pescadores.

A procissão inicia com a saída do cortejo fluvial do porto do Porto do Cai n’Água até a margem esquerda do Rio Madeira, na comunidade de São Sebastião. Após a procissão fluvial, os devotos seguem por terra até a Igreja de São Pedro. 

Procissão fluvial de São Pedro. Foto: Pedro Bnetes/G1 Rondônia

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Os barcos são decorados, somente pelos pescadores, como forma de agradecimento pela proteção, com fitas azuis e brancas que representam  a glória de Deus e o céu onde o apóstolo está depois de cumprir sua missão de pai e pastor da Igreja na Terra.

Festejo de São Sebastião

O festejo dedicado a São Sebastião, é uma tradição religiosa mantida há mais de 40 anos em Porto Velho. Durante o primeiro dia de festa, os fiéis colocam alimentos e objetos no mastro, que vai ser erguido, como forma de agradecimento pelas conquistas do ano.  

Procissão de São Sebastião. Foto: reprodução/G1 Rondônia

O levantamento do mastro, ponto mais esperado da celebração, carrega no topo uma bandeira com a imagem de São Sebastião e os alimentos e objetos colocados anteriormente.

No último dia do festa religiosa, acontece a derrubada do mastro e os itens são distribuídos entre os devotos, em que o fiel que pega a bandeira assume a missão de confeccionar a nova para o ano seguinte. 

*Com informações do Governo de Rondônia, G1 Rondônia e Arquidiocese de Porto Velho

**Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

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#Série – 9 festas religiosas para conhecer no Pará

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As festas dedicadas à religiosidade fazem parte do cotidiano de diversos devotos paraenses. Boa parte dessas celebrações homenageia a Virgem Maria, sob os títulos pelos quais é conhecida, mas também outros santos e entidades da igreja

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Essas manifestações religiosas ultrapassam os muros das igrejas, e ocupam ruas, praças e até avenidas, reunindo famílias e mobilizando comunidades.

Algumas dessas celebrações de fé estão no calendário, como as festas dos santos padroeiros das cidades ou algum outro santo ou santa popularmente conhecidos na região.

Na sexta matéria da série sobre festas religiosas na Amazônia Legal, conheça nove festividades no Pará: 

Círio de Nossa Senhora de Nazaré 

O Círio é uma manifestação religiosa e de devoção à Nossa Senhora de Nazaré, realizada há mais de 200 anos em Belém. A celebração é a mais conhecida do estado, e acontece sempre no segundo domingo de outubro, além de outras doze procissões, como a trasladação, a romaria infantil e a romaria fluvial. 

Festa religiosa do Círio de Belém
Procissão do Círio em honra à Nossa Senhora de Nazaré. Foto: Reprodução/Arquidiocese de Belém

Milhões de fiéis vão às ruas de Belém para participarem das missas, vigílias de oração, do Arraial de Nazaré, do Círio Musical e da descida da imagem do achado para o Altar da Basílica Santuário, onde fica durante os quinze dias da festividade.  

A história de devoção religiosa à Nossa Senhora de Nazaré começa em 1700 com o achado da imagem pelo caboclo Plácido, às margens de um riacho, onde hoje está localizada a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.  

O relato do bispo Dom Frei João Evangelista, registrado em manuscrito atribuído ao Convento de Santo Antônio dos Capuchos, em Portugal, descreve o episódio de 1700 como um verdadeiro milagre. Plácido levou a pequena escultura para casa, mas, segundo o relato, a imagem desaparecia durante a noite e reaparecia no local original. O fenômeno, interpretado como sinal divino, ficou conhecido como o ‘milagre do retorno’.

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Festa religiosa do Círio de Belém
Procissão do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Foto: Roberto Castro/MTur

O Círio de Nazaré nasceu oficialmente em 1793, quando o capitão-general do Grão-Pará, Francisco de Souza Coutinho, devoto da santa, adoeceu e prometeu organizar uma grande celebração em agradecimento caso fosse curado. Após alcançar a graça, no dia 8 de setembro daquele ano mandou buscar a imagem no Palácio do Governo e organizou uma procissão solene até o local onde hoje está localizada a Basílica.

Foto: Reprodução/Facebook- @MaisBrasil

A procissão que foi acompanhada por tropas militares, autoridades civis e religiosas, e uma multidão estimada entre cinco e dez mil pessoas é considerada o primeiro Círio de Nazaré. A celebração incluiu missas, ladainhas e uma feira com produtos regionais que durou toda a semana. 

A imagem original, que está guardada na Basílica, passou a ser substituída por réplicas nas procissões, e a primeira substituta pertenceu ao Colégio Gentil Bittencourt e foi usada até 1969, quando surgiu a atual Imagem Peregrina. Essa imagem, confeccionada especialmente para o Círio, tornou-se símbolo da romaria e participa das 12 procissões oficiais da festividade. 

Em 2013, o Círio de Nazaré e a Basílica Santuário de Nazaré foram reconhecidos pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Com o passar dos anos, o Círio passou a ocorrer sempre no segundo domingo de outubro, e desde então, a celebração reúne milhões de fiéis que percorrem cerca de 3,6 quilômetros expressando sua fé, gratidão e realizando pedidos à Virgem de Nazaré.

Círio de Nossa Senhora das Graças

O Círio de Nossa Senhora das Graças acontece tradicionalmente no quarto domingo de novembro, reunindo milhares de fiéis nas cidades de Ananindeua e Icoaraci, ambas pertencentes à Arquidiocese de Belém.

Em Ananindeua, Nossa Senhora das Graças é a padroeira da cidade, e a devoção religiosa à santa foi iniciada antes mesmo da fundação do município. Em 1943, uma paróquia dedicada à Nossa Senhora das Graças foi fundada, e o Círio já dura mais de 80 edições. 

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Festa religiosa do Círio de Nossa Senhora das graças
Nossa Senhora da Conceição. Foto: Reprodução/Pascom Santuario das Gracas da Medalha milagrosa

Já em Icoaraci, a tradição surgiu em 1949, após o relato de um quadro que teria derramado lágrimas na casa de uma devota, onde hoje se encontra a Capela dedicada à santa, fato que deu início à procissão local, em 1952.

O Círio das Graças possui diversas celebrações religiosas, como as romarias, trasladações e missas campais, reafirmando o papel da fé na vida das comunidades

Círio de Vigia de Nazaré

Realizado há mais de 300 anos, sempre no segundo domingo de setembro, o Círio de vigia de Nazaré é considerado o mais antigo do Pará. A festividade religiosa reúne milhares de fiéis e mantém símbolos semelhantes ao tradicional Círio de Belém, como a berlinda, a corda, os fogos de artifício e os carros ornamentados.

A devoção à Nossa Senhora de Nazaré chegou a Vigia ainda no século XVII, trazida de Portugal por Dom Jorge Gomes d’Alamo, natural do Algarve, região onde já se venerava a Virgem. O registro mais antigo dessa fé data de 1697, quando o padre jesuíta José Ferreira visitou a vila e relatou a presença de uma milagrosa imagem da santa, cultuada por romeiros vindos de várias partes.

Festa religiosa do Círio de Vigia de Nazaré
Foto: Bruno Cruz-Agência Pará

A Igreja de Nossa Senhora da Madre de Deus, dedicada a Nossa Senhora de Nazaré, foi construída em 1733 pelos jesuítas. O templo é o principal marco histórico da devoção e foi tombada em 1954 como Patrimônio da Cultura Nacional. 

O Círio movimenta a cidade por 15 dias, e possui uma intensa programação que inclui romarias rodoviárias, fluviais e de motociclistas, e a trasladação da imagem da Igreja Matriz até o bairro do Arapiranga.

Círio da Conceição  

A devoção religiosa à Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Santarém, no oeste do Pará, remonta a 1661, quando os jesuítas fundaram uma missão junto à aldeia dos indígenas Tapajós, e o padre João Felipe Bettendorff, fundador da cidade, ergueu uma igreja dedicada à Santa, de quem era devoto.

Nossa Senhora da Conceição. Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

A Catedral de Nossa Senhora da Conceição foi construída em 1754 e concluída em 1881, e erguida na Praça Monsenhor José Gregório, era conhecida como a Praça da Matriz. Inicialmente, as homenagens à padroeira eram conhecidas como ‘Círio da Bandeira’, quando um estandarte com a imagem da Virgem percorria as ruas de Santarém, tradição que evoluiu para a grande procissão atual.

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Festa religiosa
Nossa Senhora da Conceição. Foto: Reprodução/ Arquidiocese de Belém

O primeiro Círio oficial foi realizado no dia 28 de novembro de 1919, após a criação da Confraria de Nossa Senhora da Conceição, em 1844. Desde então, a festa se consolidou como um dos maiores eventos religiosos da região, movimentando a economia local por meio do turismo religioso. 

A programação da festa religiosa inicia com a trasladação da imagem da Catedral para a Igreja de São Sebastião, onde fiéis passam a noite em vigília. Na manhã seguinte, acontece a grande romaria, acompanhada por milhares de devotos, muitos deles descalços pagando promessas e agradecendo milagres.

A imagem que percorre o Círio data da primeira metade do século XIX e foi esculpida em madeira oca no estilo espanhol. Sem articulações ou cabelos, ela é adornada com manto, coroa e peruca confeccionada com cabelos doados por devotas e a cada ano, um novo manto é ofertado por famílias em agradecimento às graças alcançadas.

Outro símbolo importante é a corda, introduzida em 1971 sob influência do Círio de Nazaré. Com cerca de 200 metros de comprimento, ela representa a ligação espiritual dos fiéis com Nossa Senhora da Conceição. Muitos devotos madrugam para garantir um lugar na corda, gesto considerado um ato de profunda fé e gratidão.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

Outros elementos da celebração religiosa em honra à Nossa Senhora da Conceição incluem a ‘Barraca da Santa’, criada em 1932, onde são servidas comidas típicas como o pato no tucupi, e o tradicional ‘Círio das Crianças’, criado em 2007. Além disso, as homenagens à santa terminam com a queima de fogos sobre o rio Tapajós, encerrando os dias de profunda fé e comunhão.  

A celebração, que originou o atual Círio da Conceição, é considerada a segunda maior manifestação religiosa do estado, reunindo fiéis de mais de 12 municípios da região.

Festa de São Sebastião Na ilha do Marajó 

Realizada anualmente entre os dias 10 e 20 de janeiro, a Festa religiosa do Glorioso São Sebastião é uma das mais importantes celebrações religiosas da região do Marajó, no Pará. Com origens no período colonial e nas missões religiosas do século XVI, a celebração combina devoção, música, rituais e forte participação comunitária.

Marajoaras festejando São Sebastião. Foto: Reprodução/Facebook-@Diáriopedrosa

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São Sebastião é reverenciado pelos marajoaras como protetor, intercessor e símbolo de resistência. Sua imagem é ornada com fitas e flores nas cores verde, vermelho e branco, ocupa altares nas igrejas e nas casas dos fiéis. 

Os festejos começam com o tradicional ciclo de esmolação, quando grupos de foliões percorrem vilas e fazendas pedindo doações e entoando cantos e rezas que marcam o caminho da devoção. 

Festividades São Sebastião na Região do Marajó. Foto: Edu Lyra

Durante os dias principais da festa religiosa, os fieis participam de novenas, procissões, levantamento e derrubada do mastro, além de grandes celebrações nos arraiais. Cada comunidade organiza as celebrações à sua maneira, em Cachoeira do Arari, por exemplo, é tradicional o consumo do leite de onça (bebida feita com álcool etílico e leite de búfala) durante o cortejo dos mastros e no arraial. 

A celebração das festividades do Glorioso São Sebastião foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil, em 2013.

Festa de São Benedito – Marujada de Bragança 

Realizada todos os anos no mês de dezembro, a Festa religiosa de São Benedito, em Bragança, nordeste do Pará, reúne uma multidão de fiéis, que durante oito dias participam de diversos ritos de fé. O ponto alto da festividade é a Marujada, considerada o símbolo maior da devoção bragantina e um dos principais patrimônios culturais do estado.

Saída do Andor da Igreja. Foto: Reprodução/IPHAN

A festa religiosa reúne missas, procissões, novenas e o tradicional arraial,  com momentos de oração, música, dança e confraternização. A alvorada, marcada pela queima de fogos e o hasteamento do mastro, anuncia o início das comemorações. 

Festa religiosa de São Benedito
São Benedito. Foto: Marco Santos / Ag. Pará

Outro destaque é a chegada das comitivas de esmoladores, que percorrem comunidades pedindo doações em nome do santo. Na Marujada, as mulheres, chamadas de marujas, desempenham um papel central, e vestidas com saias rodadas e fitas coloridas, elas dançam sob o comando da capitoa, representando a união, a fé e a força feminina. 

O cortejo, acompanhado por tambores e cânticos, expressa a alegria do povo bragantino e a gratidão a São Benedito, considerado o santo protetor dos pobres e dos negros.

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Círio de Santo Antônio

Realizado anualmente em agosto, o Círio de Santo Antônio é uma das principais manifestações religiosas e culturais de Oriximiná, no oeste do Pará. A festividade homenageia o padroeiro do município e reflete a forte relação da população com o rio Trombetas e com a tradição católica amazônica.

A devoção religiosa teve início em 1877, quando o padre José Nicolino de Souza celebrou a primeira missa na região e consagrou o local a Santo Antônio, dando origem ao nome Santo Antônio de Uruá-Tapera. Desde então, o santo é reconhecido como protetor da cidade.

Círio fluvial em Oriximiná. Foto: Vitor Bemerguy SECOM PMO
Foto: Vitor Bemerguy SECOM PMO

As primeiras edições do Círio ocorreram por volta de 1936, em formato terrestre, e a imagem percorria as ruas da comunidade entre o dia 1º e 15 de agosto, com trezenas, ladainhas e visitas às residências dos fiéis. Em 1946, o Círio foi adaptado ao contexto ribeirinho e passou a ser realizado de forma fluvial, com autorização da Cúria de Santarém.

A procissão pelas águas do Trombetas tornou-se o principal símbolo da celebração, e a imagem é conduzida em uma balsa motorizada, acompanhada por dezenas de embarcações ornamentadas, orações e cânticos.

Ao chegar ao porto da cidade, a imagem é recebida com fogos e segue em procissão até a Igreja Matriz, onde ocorre a missa campal. Além da cerimônia principal, a programação inclui o ‘Pré-Círio’, com apresentações culturais, danças e manifestações populares que reforçam o valor religioso e social da festividade.

Festa do Divino Espirito Santo

O Festejo do Divino Espírito Santo é uma das principais manifestações religiosas do município de São Geraldo do Araguaia, na região sudeste paraense. Os romeiros ficam nove dias no Parque Estadual Serra das Andorinhas reunidos em devoção ao Divino Espírito Santo.

A festividade religiosa começa com uma caminhada de 8 km saindo da propriedade do morador conhecido como Zeca do Jorge, em direção ao local da celebração religiosa, a qual ocorre na Casa de Pedra, no interior do Parque.

Festejo do Divino Espírito Santo. Foto: Divulgação

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A origem da Festividade tem várias versões. Uma delas é que a Casa de Pedra foi encontrada por exploradores conhecidos como galegos na década de 60. Um agricultor da região de São Geraldo do Araguaia, Teodomiro Pereira, que participou da expedição junto com os galegos, fez, em 1974, um voto em nome de uma amiga chamada Conceição, que à época sofria de um mal com sintomas de depressão.

A romaria reúne fiéis de todas as idades, moradores de comunidades do entorno, de municípios vizinhos e até mesmo do Tocantins. Durante a programação acontece o levantamento do mastro, o encontro de grupos das divindades e a missa dedicada à Santíssima Trindade.

O festejo também inclui atrações culturais, como festa junina, danças de carimbó, lindo e salambisco, cinema e apresentações teatrais. 

Festa de São Pedro

No Distrito de Mosqueiro, no Pará, os devotos de São Pedro realizam uma das maiores homenagens religiosas ao santo na Amazônia. A festividade, considerada uma das mais populares e tradicionais do distrito, é diretamente ligada à atividade pesqueira da ilha e reúne milhares de pessoas.

Os mastros em homenagem ao santo são levantados antecipadamente na região da praia do Areião, ponto de encontro de pescadores da ilha, e de onde são retirados e levados em um cortejo. E no dia dedicado ao santo, 29 de junho, a festa continua com uma romaria fluvial e missa em homenagem à festividade.

Foto: Reprodução/Ascom Agência Distrital de Mosqueiro

A história da centenária festividade religiosa começou em 1918 com dona Isabel Palheta, sendo seguida por sua família com Diva Palheta e agora Luciana Palheta, neta da idealizadora. O objetivo é celebrar o padroeiro dos pescadores em agradecimento a fartura do pescado produzido em Mosqueiro.

A prefeitura de Belém sancionou a Lei Ordinária 9093, de 23 de abril de 2015, reconhecendo a Festividade de São Pedro do Areião como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Município de Belém.

*Com informações da Arquidiocese de Belém e de Santarém, Círio de Nazaré, Prefeitura de Santarém e IPHAN.

**Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

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