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Matamatás: saiba as diferenças entre as duas espécies reconhecidas pela ciência

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Matamatá. Foto: Luis F. C. Lima

A Amazônia, lar de uma grande diversidade de quelônios, abriga uma espécie que chama a atenção pela aparência, comportamento e importância científica: o matamatá. Porém, o que antes era considerado uma espécie única, surpreendeu os pesquisadores. 

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Descrita em 1783, pelo naturalista alemão Johann Schneider, a Chelus fimbriata era considerada a única espécie dessa tartaruga de água doce, que ocupa as bacias dos rios amazônicos no Brasil no Brasil, Peru, Equador, Colômbia e Bolívia.

No entanto, em 2020, uma nova espécie foi descoberta nas bacias do Orinoco, que corta a Colômbia e a Venezuela, e do alto rio Negro, no Brasil.

De acordo com a Revista Fapesp, a nova espécie, Chelus orinocensis, foi descrita com base em análises morfológicas e genéticas realizadas por pesquisadores do Brasil, da Colômbia, da Alemanha e do Reino Unido e pode ajudar no combate ao tráfico internacional desses animais. 

Leia também: Infográfico – Saiba quantas e quais espécies de quelônios existem na Amazônia

Ao Portal Amazônia, o doutor em ecologia aquática e pesca e membro do grupo de especialistas em quelônios de água doce da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), Fábio Cunha, explicou as principais diferenças entre as espécies.

Duas espécies e territórios diferentes

Os matamatás pertencem à ordem Testudines, reunindo todos os quelônios marinhos, terrestres e de água doce que, dentro desse desse grupo diverso, destacam-se por sua morfologia incomum. As diferenças físicas entre as duas espécies são sutis, o que caracteriza o grupo como espécies crípticas.

“Nós usamos um termo na ciência que a gente chama de espécies crípticas, ou seja, espécies que são quase impossíveis de distinguir só a olho nu, do ponto de vista morfológico, com as características e estruturas anatômicas”, explica Cunha.

De acordo com o especialista, para a descrição da nova espécie, foram usadas além das características morfológicas, como formato e tamanho, as proporções da carapaça, e informações e resultados moleculares.

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Segundo a Fapesp, o C. orinocensis apresenta carapaça mais clara e ovalada, enquanto o C. fimbriata tende a ter casco mais escuro e com formato mais retangular.

Matamatá. Foto: Fábio Cunha/Cedida

Além disso, a parte inferior do casco também varia, já que na espécie do Orinoco ele é mais amarelado e com menos pigmentação escura.

As análises genéticas das espécies indicam que as linhagens se separaram há cerca de 13 milhões de anos, quando as bacias dos rios Amazonas e Orinoco passaram a evoluir de forma independente.

Comportamento do matamatá

Além da aparência peculiar, os matamatás impressionam pela estratégia de alimentação. Predominantemente carnívoro, o animal se alimenta exclusivamente de peixes. 

“Eles não mastigam, dão um bote e engolem a presa inteira por sucção. Esse movimento pode durar cerca de 44 milissegundos, quase como um piscar de olhos”, revela Cunha.

Adaptados a ambientes de águas calmas como lagos, igarapés e rios de corrente lenta, os matamatás não são bons nadadores. Em vez disso, caminham pelo leito do rio, camuflados entre folhas e galhos, já que a coloração do casco e as projeções na carapaça ajudam a imitar troncos submersos.

Ele fica ali parado, ele não nada muito bem, mas se desloca por entre os galhos e troncos, e quando o peixe está passando perto, imaginando que é um tronco, ele dá o bote e se alimenta. Ele não consegue tirar em pedaços, ele não mastiga, ele ingere com muita quantidade de água e depois a presa cai diretamente no trato digestivo, que faz o processo de digestão e absorção de nutrientes”, detalha.

Leia também: “Que a força esteja com você”: 5 espécies de animais amazônicos que parecem ter vindo de uma galáxia muito, muito distante

Matamatás
Matamatás. Foto: Fábio Cunha/Cedida

Quando jovens, os matamatás podem ser predados por peixes grandes ou jacarés, enquanto na fase adulta, praticamente não possuem predadores naturais conhecidos.

“É um animal grande, robusto e com casco muito rígido. O fato de ele existir até hoje mostra que essa linhagem teve sucesso evolutivo”, afirma o pesquisador.

Importância da descoberta para a conservação

A descrição de uma nova espécie vai além da curiosidade científica, segundo o especialista. Ela tem impacto direto nas estratégias de conservação.

“Toda vez que se descreve um novo táxon, a gente avança no conhecimento da biodiversidade. Estamos dizendo que aquela região abriga mais linhagens evolutivas do que se imaginava. Isso exige um olhar mais cuidadoso para a conservação”, reforça.

A Amazônia é considerada um ‘hotspot de biodiversidade’ (termo aplicado para designar áreas geográficas de alta biodiversidade e risco de destruição), com altas taxas de diversidade e endemismo. Isso significa que muitas espécies só existem ali e, caso sejam extintas localmente, podem desaparecer do planeta.

Ameaças atuais aos matamatás

Apesar de não estarem, até o momento, classificados como ameaçados de extinção, os matamatás enfrentam diversos riscos. Um dos principais é a retirada ilegal de filhotes da natureza para o comércio de animais de estimação.

“Por serem exuberantes, muitos criadores e colecionadores têm interesse nesses animais. O problema é que, na maioria das vezes, essa retirada é feita de forma criminosa e sem controle”, alerta o especialista.

De acordo com Fábio Cunha, a caça do animal acaba sendo um risco, visto que eles são retirados da natureza sem um controle, quase sempre de forma criminosa.

Além disso, há ameaças mais amplas que afetam todos os quelônios amazônicos: desmatamento, poluição, construção de hidrelétricas, dragagem de rios, mineração e aquecimento global.

Leia também: Conheça 5 animais estranhos da Amazônia

Matamatá. Foto: Fábio Cunha/Cedida

“O aquecimento global, por exemplo, pode estar afetando e alterando a determinação sexual, então, de repente, uma população que tem poucas fêmeas pode estar comprometendo o recrutamento populacional dessa espécie”, explica.

De acordo com Cunha, são muitas as pressões ambientais e “não é algo exclusivo do matamatá, mas de todos os quelônios da amazônia”.

Bioindicadores da saúde ambiental

Assim, por conta dessas características do ambiente, de acordo com o especialista, os matamatás são mais abundantes em ambientes preservados. Regiões como o Alto Rio Negro, uma das áreas mais conservadas da Amazônia, apresentam boas populações da espécie.

“Isso nos permite dizer que o matamatá pode funcionar como um bioindicador da qualidade ambiental. Onde tem matamatá, o ambiente ainda está equilibrado, com poucas pressões antrópicas”, conclui Fábio.

Por isso, os matamatás são animais vistos como peças-chave para entender a saúde dos ecossistemas amazônicos. Conhecer suas diferenças, hábitos e ameaças é um passo fundamental para garantir que essas espécies singulares continuem fazendo parte da maior floresta tropical do mundo.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Mulheres que lutam contra a violência no Amazonas: compromisso social e proteção com dignidade

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Ronda Maria da Penha. Foto: Antônio Lima/Secom AM

O combate à violência contra a mulher tem duas datas para conscientização: o Dia Internacional, celebrado em 25 de novembro (instituído pela ONU em memória das irmãs Mirabal) e o Dia Nacional, celebrado em 10 de outubro, em alusão aos protestos históricos contra crimes de gênero.

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As duas datas nasceram com o propósito de combater agressões físicas, sexuais e psicológicas contra mulheres. Mas o combate requer ações, uma boa rede de apoio e, claro, atenção. E algumas mulheres tem exercido todas essas funções no Amazonas, liderando profissionais para fortalecer o acolhimento e também salvar vidas.

Conheça duas mulheres que tem lutado contra a violência no Amazonas

Foto: Carol Vaz/Arquivo pessoal

Carol Vaz

  • Defensora pública
  • Coordenadora do Projeto Órfãos do feminicídio
  • Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem)

A defensora pública do Amazonas, Carol Vaz, coordena um projeto voltado para os órfãos do feminicídio, uma iniciativa que nasceu da compreensão de que a violência não termina com a morte da mulher e se estende às crianças e às famílias que ficam desamparadas após o crime.

O projeto oferece acompanhamento jurídico e psicossocial contínuo, garantindo que essas crianças tenham seus direitos preservados e não sejam invisibilizadas pelo sistema de justiça.

“Esse projeto ganhou o prêmio Inovari, que é um prêmio nacional, em 2021. Nós fazemos o acompanhamento jurídico e psicossocial dessas famílias que ficam depois de um feminicídio, principalmente das crianças menores”, explicou. 

Atuação no tribunal do júri 

Carol atua na definição da guarda das crianças, nos pedidos de pensão e em todas as medidas necessárias para garantir a estabilidade e a proteção das vítimas indiretas do feminicídio.

Atendimento integrado 

No Núcleo de Defesa da Mulher (NUDEM), Carol Vaz coordena uma equipe formada por defensoras públicas, assessores jurídicos, assistentes sociais e psicólogos. 

“A gente prioriza fazer esse atendimento conjunto para que as crianças e as mulheres não sejam revitimizadas, e para que elas contêm a história apenas uma vez para todas as profissionais”, explicou. 

Além das ações criminais e das medidas protetivas, o NUDEM, junto com a assistência social encaminha para vagas em creches e escolas, fornece auxílio-aluguel e, quando necessário, casas-abrigo. 

Histórias que inspiram outras mulheres

Além do atendimento jurídico, Carol Vaz também coordena uma exposição que reúne histórias e fotografias de dez mulheres atendidas pela Defensoria Pública. O projeto mostra que a violência deixa marcas, mas que é possível seguir vivendo.

Leia também: Conheça mulheres que atuam na linha de frente contra o feminicídio em Roraima

Foto: Débora Mafra/Arquivo pessoal

Débora Mafra

Delegada especializada em crimes contra a mulher no Amazonas

Durante o período em que esteve à frente da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher, a delegada aposentada Débora Mafra construiu um modelo de atendimento baseado no acolhimento humanizado. Para ela, a mulher vítima de violência não deve ser questionada ou julgada, mas acolhida com respeito, empatia e segurança desde o primeiro atendimento.

 “Nós temos que acolher a mulher porque ela foi vítima de violência doméstica e não questionar o porquê. Se foi vítima, já merece todo carinho e todo acolhimento”, explicou. 

Rede de apoio

Enquanto exercia a função, Débora conta que as vítimas eram encaminhadas para serviços psicológicos e assistenciais, casas-abrigo, programas de proteção e iniciativas que garantiam a segurança imediata e a autonomia das vitimas.

Denúncia salva vidas 

Para Débora Mafra, a denúncia é um instrumento de sobrevivência e proteção, não apenas para a mulher, mas para toda a família:

“A maioria das vítimas de feminicídio nunca denunciou. Quanto mais denúncia, menos mulheres morrem”.

Ferramentas de combate à violência contra a mulher

Alguns recursos foram criados e implementados para garantir a fiscalização das medidas protetivas e segurança às mulheres que decidem denunciar:

  • Sistema De Apoio Emergencial A Mulher (SAPEM)
  • Aplicativo Alerta Mulher 
  • Ronda Maria da Penha 
  • Delegacias especializadas 

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Paxiúba, a palmeira que parece caminhar pela floresta

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Paxiúba, também conhecida como palmeira-andante (Socratea exorrhiza). Foto: João Marcos Rosa/Nitro

Uma árvore capaz de andar pela floresta? A ideia pode parecer uma lenda ou até mesmo um exagero contado por guias de turismo, mas na Amazônia, esse fenômeno realmente existe, ainda que de uma forma muito diferente do que se possa imaginar. A árvore em questão é paxiúba, também conhecida como palmeira-andante (Socratea exorrhiza). 

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No Museu da Amazônia (MUSA), em Manaus (AM), os visitantes têm a oportunidade de conhecer de perto essa espécie de árvore que chama a atenção por possuir raízes aéreas que dão a impressão de movimento, e uma altura que pode ultrapassar os 20 metros.

paxiúba, a árvore andante
Paxiúba. Foto: Ty Sharrow/iNaturalist

Leia também: Conheça cinco espécies de árvores que são encontradas somente na Amazônia

Apesar do nome popular, a árvore não caminha como um ser animado. O que acontece, na verdade, é um processo lento de migração das raízes, motivado principalmente pela busca por luminosidade e estabilidade do solo

De acordo com o professo Deivison Molinari, doutor em geografia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o fenômeno das árvores andantes já é algo conhecido pelo meio acadêmico e científico. Inclusive, na Amazônia, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), já utilizaram a árvore como objeto de estudo. 

“Na verdade é um mecanismo de deslocamento das raízes. Ela não é algo tão grande, é algo centimétrico por ano, por uma busca de maior luminosidade. Então, o mecanismo que a própria árvore tenta se ajustar, porque ela não está recebendo luz e ela busca a luminosidade, então ela acaba se deslocando do sistema de raízes”, explicou Molinari. 

Paxiúba. Foto: João Marcos Rosa/Nitro

Leia também: Estudo aponta que um sexto da diversidade de árvores da Amazônia depende de áreas de várzea

Segundo o professor, a paxiúba possui longas raízes que se assemelham a “pernas”, e quando uma parte do solo se torna instável ou deixa de receber luz suficiente, novas raízes crescem em direção a um local mais favorável.

Além disso, de forma gradual, o tronco passa a se apoiar nas raízes mais recentes, enquanto as antigas perdem a função, gerando um deslocamento real, porém extremamente lento, geralmente em poucos centímetros por ano. 

Características da paxiúba

Frutos da paxiúba. Foto: João Marcos Rosa/Nitro

A árvore costuma nascer em locais alagados e pode ser encontrada por toda a América Central. No Brasil, a espécie pode ser localizada na bacia do Amazonas, em Mato Grosso, no Acre, no Amapá, no Maranhão e no Pará, sendo identificada por conta de suas raízes que permitem a sustentação e a locomoção.

Além disso, os frutos da paxiúba adquirem uma coloração vermelho-acastanhada quando maduros e servem de alimento para diversas espécies de aves. Para os povos indígenas da região, a árvore é uma espécie importante que serve como alimento, além de ser utilizada para fins de construção.

A semente do fruto é grande, parecida com a de uma noz-moscada, com veios bem marcados. A árvore tem um tronco único, reto e fino, que mede cerca de 10 a 20 centímetros de diâmetro, mas que pode crescer muito, chegando a até 20 metros de altura, o que muitas vezes faz com que o tronco nem chegue a encostar no chão, ficando levemente suspenso.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Sete curiosidades sobre a Cúpula do Teatro Amazonas 

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Cúpula do Teatro Amazonas. Foto: Aguilar Abecassis/Cedida

O Teatro Amazonas, inaugurado no dia 31 de dezembro de 1896, é um monumento dedicado à arte e à ambição da elite da época, que sonhava em colocar a capital amazonense no centro do mundo. Reconhecido como um dos principais cartões-postais da Amazônia, a construção em Manaus foi tombada como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1966. 

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A cúpula do Teatro, entre todos os elementos luxuosos da construção, tornou-se um emblema da cidade incorporando-se à floresta. A cúpula chama a atenção pela exuberância, composta por 36 mil peças nas cores da bandeira brasileira, importadas da Alsácia, na França.

O perfil no Instagram manaus_memoria_e_patrimonio, do turismólogo Julio Sales, reuniu curiosidades sobre a construção. Confira algumas:

A construção foi rejeitada por alguns moradores

A cúpula do Teatro Amazonas nem sempre despertou a admiração dos moradores de Manaus. De acordo com o Patrimônio Belga do Brasil, quando ela foi inaugurada, no final do século XIX, sua instalação foi combatida por monarquistas que consideraram uma homenagem à República, estampado nos jornais palavras como “feia”, “uma aberração”, “de mau gosto”, e outras depreciações para criticar a construção.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a origem da cúpula do Teatro Amazonas?

Cúpula do Teatro Amazonas vista de cima
Foto: Reprodução/Instagram-@Vivamanaus.am

Além disso, de acordo com a Associação Nacional de História e os memorialistas da cidade, em abril de 1896, Lourenço Machado, cidadão da região, foi contratado para executar a pintura da construção. No entanto, em 1898, o governador Fileto Pires encaminhou um ofício autorizando a colocação de calhas e retirando a cúpula do Teatro Amazonas, o chamado ficou aberto algumas semanas, mas não foi para frente. 

O projeto original não previa a cúpula 

O teatro foi inaugurado durante o auge do ciclo da borracha, período em que Manaus vivia a intensa transformação econômica e urbana, inspirado nos modelos europeus da Belle Époque.

Estrutura interna da cúpula do Teatro Amazonas
(Foto: Frank Cunha/Acervo Rede Amazônica AM)

De acordo com Lena Brito, guia de turismo do teatro, o projeto original não previa a construção da cúpula, sendo inserida posteriormente como símbolo de modernidade e prosperidade, além de representar a bandeira do Brasil.

É oca e apenas decorativa

A cúpula é uma estrutura de ferro fundido, sem qualquer finalidade acústica para o funcionamento do teatro, diferente do que acontece em cúpulas de igrejas ou salas de concerto, sua função é exclusivamente estética. Além disso, ela é totalmente oca por dentro, sem pintura e decoração.

Origem belga 

A estrutura metálica foi adquirida na Bélgica, transportada em partes até Manaus e montada diretamente sobre o telhado do teatro. Tendo as obras concluídas em 1895, a cúpula foi fabricada pela empresa Compagnie Centrale de Construction de Haine-Saint-Pierre.

Leia também: As cores do Teatro Amazonas: conheça a curiosa história por trás das cores que o teatro já teve

Construção da cúpula do Teatro Amazonas. Foto: Reprodução/Patrimônio Belga no Brasil

Além disso, de acordo com o arquiteto Bernard Pirson, em sua dissertação de mestrado ‘Architecture métallique démontable au XIXe siècle exportée d’Europe vers les pays d’Outre-mer: une contribution belge : Les Forges d’Aisea, muitas estruturas de cobertura e elementos decorativos foram realizadas na América Latina por empresas belgas, sendo a cúpula do teatro um dos destaques no Norte.

Telhas importadas da França

Um dos elementos mais marcantes da construção são suas 36 mil telhas esmaltadas e vitrificadas, importadas da região francesa da Alsácia, segundo dados da secretaria de economia e cultura criativa.

A cúpula foi adquirida na Casa Koch Frères, em Paris, sendo o colorido original em verde, azul e amarelo uma analogia à bandeira brasileira.

Além disso, a presença da cor vermelha indica a forte influência francesa em Manaus naquele período, marcada pela importação de costumes, materiais e referências culturais da Europa.

Foto: Reprodução/Instagram-@Vivamanaus.am

Iluminada em noite de espetáculo

Durante muito tempo o Teatro Amazonas foi a maior construção da cidade, e por conta disso, a cúpula era vista de todos os cantos de Manaus. Em noite de espetáculos os vitrais eram iluminados como forma de atrair e avisar o público que a casa de óperas receberia apresentações naquela noite. A tradição é mantida até hoje. 

É possível conhecer a cúpula? 

Por razões de segurança, a cúpula não é aberta à visitação pública. Segundo Lena Brito, o acesso é restrito.

“Por ser de difícil acesso, perigoso e muito quente, só é possível entrar com autorização especial e acompanhado de bombeiros, com todos os equipamentos de segurança”, explica.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Parque Nacional dos Campos Amazônicos: onde Amazonas, Rondônia e Mato Grosso se encontram

Parque Nacional dos Campos Amazônicos. Foto: Reprodução/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

Criado em 2006, o Parque Nacional dos Campos Amazônicos (PNCA), localizado no sul do Amazonas, entre os biomas Amazônia e Cerrado, é uma unidade de conservação que representa um elo entre as áreas protegidas do Amazonas, de Rondônia e de Mato Grosso, funcionando como uma barreira contra o avanço do desmatamento e da degradação ambiental na região. 

Criado pelo Decreto Federal de 21 de junho de 2006 e reforçado pela Lei nº 12.678/2012, o parque possui 961.317,77 hectares e é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) como uma Unidade de Conservação de Proteção Integral.

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De acordo com o plano de manejo do parque, o PNCA integra o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e cumpre um papel estratégico no cumprimento de compromissos ambientais assumidos pelo Brasil em acordos e tratados internacionais voltados à conservação da biodiversidade, à mitigação das mudanças climáticas e à proteção de ecossistemas sensíveis.

“As unidades de conservação são reguladas e normatizadas pela lei do SNUC, que é o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, que divide as unidades de conservação em proteção integral, aquelas que não podem ter moradores na parte interna, e as de uso sustentável, onde tem moradias, moradores, comunidades. O Parque Nacional dos Campos Amazônicos é um exemplo de proteção integral, que não pode ter pessoas morando dentro”, explicou o doutor em geografia pela Universidade Federal do Amazonas, Deivison Molinari, ao Portal Amazônia.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que são Parnas?

Parque Nacional dos Campos Amazônicos
Parque Nacional dos Campos Amazônicos. Foto: Reprodução/Entreparquesbr

A área em que o parque está inserido é reconhecida pela grande diversidade biológica, e pelo seu elevado grau de endemismo de animais vertebrados. Além disso, sua localização é considerada estratégica na conexão ambiental do sul da Amazônia, especialmente dentro do Mosaico da Amazônia Meridional, que reúne diversas unidades de conservação e terras indígenas. 

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Embora o parque esteja inserido no bioma Amazônia, ele abriga extensas áreas de vegetação aberta, típicas do Cerrado e da Campinarana. Além disso, na região do PARNA, a floresta ombrófila acontece principalmente sobre solos bem desenvolvidos, enquanto a floresta ombrófila aberta aparece em áreas de depressão, geralmente associadas a relevos mais dissecados.  

“Essa região tem uma vegetação que é de baixo porte, vegetação herbácea, são aquelas que, no máximo, vai dar uns 2, 3 metros de altura, aquelas árvores retorcidas com galhos meio grossos. Essa é a característica fisiológica desses campos”, explica Molinari.  

Fauna e flora protegidas 

Entre as espécies de mamíferos protegidas no parque estão grandes predadores e espécies sensíveis à perda do habitat, como a onça-pintada, o gato-do-mato, o maracajá-peludo e a ariranha, espécie classificada como ameaçada.

Além disso, o parque também abriga espécies típicas do Cerrado, como o lobo-guará, considerado ameaçado, e o tamanduá-bandeira, classificado como vulnerável. 

Leia também: 6 parques nacionais na Amazônia que são fontes de pesquisa e ecoturismo

Fauna presente no Parque Nacional dos Campos Amazônicos. Foto: Reprodução/ ICMBio

Na flora, destacam-se espécies que possuem alto valor ecológico e econômico, como a castanheira-do-brasil e o mogno, ambas fortemente pressionadas pela exploração ilegal em outras regiões da Amazônia. 

Pressões ambientais

O Parque Nacional dos Campos Amazônicos enfrenta pressões constantes, como a grilagem de terras, o garimpo ilegal de ouro e cassiteria, extração seletiva de madeira nobre e o avanço da fronteira agropecuária, impulsionado pela pecuária extensiva. 

Além disso, na região, práticas como o sistema de corte-e-queima ainda são comuns, exigindo grandes áreas para uma produção agrícola de baixa escala, o que intensifica o desmatamento no entorno das áreas protegidas. 

Como surgiram esses campos?

Na Amazônia, a regra geral é a presença da floresta, mas existem exceções: pequenas manchas de campos naturais, conhecidas como refúgios florestais, explicadas pela teoria do professor Aziz Ab’Sáber. Esses campos aparecem, por exemplo, em Roraima, onde são chamados de lavrados, e também em áreas de Humaitá, no Amazonas, e de Rondônia.

Leia também: Conheça 5 Parques Nacionais encontrados na região Norte

Parque Nacional dos Campos Amazônicos. Foto: Reprodução/Entreparquesbr

De acordo com Molinari, justamente por serem exceções dentro do bioma amazônico e possuírem grande valor ecológico, o Poder Público Federal decidiu criar unidades de conservação para protegê-las, e é nesse contexto que surge o Parque Nacional dos Campos Amazônicos.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar. Com informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Amazônia News estreia no Amazon Sat com foco em notícias que constroem a região

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Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

O telejornal ‘Amazônia News’ estreia na programação do canal Amazon Sat, a partir do dia 12 de janeiro. O noticiário passa a ser exibido de segunda a sexta-feira, às 13h (horário de Manaus), sob o comando da jornalista Juliana Fontes.

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Produzido na Amazônia e para a Amazônia, o telejornal nasce com a proposta de dar visibilidade a quem pesquisa, produz e transforma a região diariamente. E promete levar pautas voltadas à ciência, educação, tecnologia e indústria, a partir do olhar de quem vive e conhece a realidade amazônica.

Para o supervisor multimídia do Amazon Sat, Victor Costa, a estreia do telejornal representa um passo importante na ampliação do conteúdo oferecido pelo canal.

“Com o passar do tempo, percebemos que apenas nossos programas especiais não são o suficiente para abranger toda a complexidade de temas da Amazônia, daí surge a necessidade de um programa que trate de pautas mais factuais, diárias, e que principalmente aproxime ainda mais a nossa audiência do material que apresentamos. Essa é apenas a primeira de uma série de mudanças que preparamos para o Amazon Sat neste ano com esse objetivo de diversificar a nossa grade de programação”, explicou. 

Amazônia News
Da esquerda pra direita: a correspondente de Manaus, Jackeline Lima, e Juliana Fontes, apresentadora do Amazônia News. Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A apresentadora Juliana Fontes destacou a responsabilidade e o significado de assumir o comando de um telejornal voltado exclusivamente para a região.

“Assumir a apresentação de um programa voltado para a Amazônia significa, para mim, assumir uma grande responsabilidade e também um privilégio. É saber da importância de dar voz às pessoas que vivem a região, valorizar a cultura, a diversidade, os desafios e as riquezas desse bioma”, afirmou.

O Amazônia News será transmitido para os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia e Roraima.

“Com a estreia do programa eu espero que continuemos fazendo o conteúdo de qualidade pelo qual o Amazon Sat já é conhecido e seguir na nossa missão de integrar e desenvolver a Amazônia”, comentou Victor Costa. 

Foto: Reproduçãoi/Youtube Amazon Sat

Canais do Amazon Sat

Acompanhe o Amazônia News nos seguintes canais:

  • Manaus/AM: 44.1
  • Porto Velho/RO: 22.1
  • Rio Branco/AC: 31.1
  • Macapá/AP: 29.1
  • Boa Vista/RR: 23.1
  • Parintins/AM: 46.1

Calendários da natureza: como os povos indígenas organizam o tempo a partir dos ciclos naturais

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Natalicio Karai apresentando calendários Guarani. Foto: Reprodução/Museu das Culturas Indígenas

Tradições como roupas novas, ceias fartas, simpatias, fogos de artifício e a famosa festa de virada de ano, à meia-noite no dia 31 de dezembro, compõem o imaginário popular de grande parte da população quando se fala em Réveillon, em ano novo.

No entanto, para a maioria dos povos indígenas, essa data não carrega significado simbólico, visto que essas etnias não seguem o calendário gregoriano, adotado mundialmente, mas que se organizam a partir dos ciclos da natureza. 

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Na Amazônia brasileira, por exemplo, o número de etnias é de 391 (Censo de 2022 do IBGE) e esses povos desenvolvem seus próprios calendários com base em fenômenos naturais como o regime das chuvas, as cheias e as vazantes dos rios, os períodos de plantio, pesca, caça e, sobretudo, o movimento das constelações. Esses calendários são transmitidos de geração em geração e orientam a vida social, econômica e espiritual dessas comunidades. 

Leia também: ‘Constelações e as estações do ano’: Como os indígenas usam a cosmologia a seu favor?

Embora muitos indígenas já estejam habituados ao calendário gregoriano, utilizado em atividades institucionais, escolares e administrativas, por sua proximidade com os centros urbanos, esses povos mantêm suas próprias formas de medir o tempo.

Divisão do tempo indígena

A divisão do tempo é uma prática ancestral que acontece a partir das mudanças das constelações. Entre os povos indígenas os calendários são representados graficamente por círculos, que organizam os ciclos naturais ao longo do ano, em que são considerados elementos como a agricultura, atividades de subsistência e a mudança das constelações. 

Calendários Indígena
Calendário indígena. Foto: Reprodução/Instituto socioambiental

Nas comunidades localizadas próximas à linha do Equador, o ano costuma iniciar com a constelação da Jararaca, período que coincide com a época de enchentes, aproximadamente nos meses de novembro e dezembro no calendário gregoriano. Diferente do calendário ocidental, essas datas não são fixas, já que se a cheia do rio atrasa ou adianta, o início do ano também muda. 

Enquanto isso, de acordo com a Cooperação e Aliança no Noroeste Amazônico (Canoa), os povos Tukano orientais, Aruaki e Macu, que habitam a região do Alto Rio Negro, no Noroeste Amazônico, utilizam um calendário desenvolvido pelo organização. Dividido em três círculos principais, os calendários reúnem os ritos de passagem, como benzimentos, os períodos agrícolas e os períodos de pesca, como a caça e a coleta de insetos.

O padre Justino Sarmento Rezende explica que, para muitos povos indígenas, a organização do tempo está profundamente ligada aos ciclos da vida e da natureza. Segundo ele, o ritmo do cotidiano não é marcado por datas fixas, mas por acontecimentos fundamentais da existência humana, como a gestação, o nascimento e a morte, que em diversas culturas são acompanhados por rituais e celebrações.

Calendário Indígena. Foto: Reprodução/Instituto Socioambiental

“Geralmente as pessoas seguem o ritmo, o ciclo da vida, a gestação da mulher, o nascimento de uma criança. Quando alguém morre, algumas culturas realizam festas”, afirma o padre.

Além disso, a chegada das frutas comestíveis, por exemplo, também dá origem a festas e momentos de partilha entre as comunidades e parentes, assim como os períodos de caça e pesca. De acordo com Justino, as cerimônias antecedem atividades importantes do cotidiano, como a abertura de roças, a construção de casas e a recepção de visitantes. 

Ele explica que não existe um único modelo de organização do tempo entre os povos indígenas, e que as comunidades que passaram por processos de evangelização ou escolarização acabam incorporando outras referências ao seu calendário tradicional. 

Leia também: Rochas milenares eram usadas como calendário solar por povos indígenas: conheça o Stonehenge da Amazônia, no Amapá

“Quem já é evangelizado, cristianizado, faz também festas religiosas. Quem tem escola inclui o calendário escolar, as festas cívicas, e assim vai seguindo, depende de como cada povo vai vivendo a sua própria história”, explica.

Diversidade de calendários

A diversidade dos calendários indígenas está diretamente ligada à diversidade cultural desses povos. Não existe apenas ‘um povo indígena’ ou ‘uma única cultura indígena’, são muitos povos diferentes, com histórias, crenças e formas de viver próprias. 

Essa diversidade também aparece na relação dos povos indígenas com o calendário ocidental e com as festas de fim de ano. Quanto maior o contato com a população não indígena, maior costuma ser a influência do calendário gregoriano e de datas como o Natal e o Ano Novo.

Calendários indígenas. Foto: Thiayu Suyá

As manifestações socioculturais indígenas são construídas tanto a partir das tradições quanto do contato com a sociedade envolvente. Povos que mantêm uma relação mais próxima com cidades, escolas e instituições acabam incluindo no dia a dia festas cívicas, religiosas e até o calendário escolar.

Apesar disso, o sentido simbólico da passagem do tempo está presente em todas as culturas, já que a ideia de renovação, tão associada ao Ano Novo no calendário, também aparece em diferentes etnias, ainda que em outras datas e contextos. Assim, enquanto o calendário gregoriano marca o tempo de forma fixa e padronizada, os calendários indígenas permanecem flexíveis e profundamente conectados à natureza. 

*Com informações do Instituto Socioambiental

Saiba quais cidades do Amazonas registraram mais casos de acidentes com animais peçonhentos em 2025

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Serpente cascavel, uma das mais venenosas da Amazônia pode ser vista no Musa. Foto: Divulgação

Manaus lidera o número de registros de acidentes com animais peçonhentos no Amazonas em 2025. Dados divulgados pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) mostram que a capital contabilizou 491 ocorrências, o maior volume entre os municípios do estado. Veja abaixo quais são as cidades do estado com mais registros.

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Na sequência aparecem:

  • Itacoatiara (227 casos),
  • Tefé (154),
  • Parintins (129),
  • Maués (126),
  • Rio Preto da Eva (119),
  • São Gabriel da Cachoeira (79)
  • e Apuí (76).

Os números reforçam um cenário de alerta que já vinha sendo observado ao longo do ano em diferentes regiões do Amazonas.

Serpentes lideram acidentes com animais peçonhentos

Outro levantamento divulgado anteriormente pela FVS-RCP apontou que, até dezembro de 2025, o Amazonas registrou 3.500 acidentes com animais peçonhentos, sendo que 1.846 envolveram serpentes, que continuam liderando esse tipo de ocorrência no estado.

Segundo a fundação, o período de cheia dos rios contribui para o aumento dos casos, já que as chuvas favorecem o deslocamento dos animais em busca de abrigo, elevando o risco de contato com a população.

Leia também: Serpentes lideram acidentes com animais peçonhentos no Amazonas em 2025; saiba como prevenir

cobra venenosa que causa acidentes
Coral-verdadeira (Micrurus frontalis) é considerada a cobra mais letal do Brasil, pela toxicidade de seu veneno. Foto: Josh Vandermeulen / iNaturalist

Além das serpentes, também foram registrados acidentes com escorpiões (577 casos) e aranhas (412 casos) ao longo do ano, de acordo com a fundação.

A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destacou que o monitoramento contínuo é essencial para orientar as ações de saúde pública.

“Monitorar os acidentes permite direcionar insumos, fortalecer equipes e promover condutas seguras para a população”, afirmou.

O diretor de Vigilância Ambiental da fundação, Elder Figueira, ressaltou o papel das secretarias municipais na prevenção.

“Cada notificação ajuda a mapear riscos e planejar ações educativas. O envolvimento das equipes locais é decisivo para proteger a população”, disse.

Como prevenir acidentes

Entre as recomendações da FVS-RCP estão:

  • Evitar acúmulo de lixo ou entulho próximo às casas;
  • Manter quintais e jardins limpos;
  • Usar calçados fechados e luvas em atividades rurais ou de jardinagem;
  • Sacudir roupas e sapatos antes de usar;
  • Vedar frestas e ralos que possam servir de entrada para animais;
  • Procurar atendimento médico imediato em caso de acidente.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Morreu? Conheça 7 animais amazônicos que praticam a tanatose

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Perereca-macaco (Pithecopus nordestinus) em processo de tanatose. Foto: Willianilson Pessoa

Você já viu algum bichinho “fingindo de morto” para fugir de uma situação de perigo? Esse comportamento tem nome: tanatose. Trata-se de uma reação utilizada por diversos animais como estratégia de defesa, que quando ameaçados, assumem a postura de um corpo sem vida para enganar predadores.

A estratégia permite com que esses animais, ao serem vistos, encurralados ou tocados, fiquem completamente imóveis, relaxem os músculos e a respiração, “fingindo” que estão mortos.

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Pesquisas publicadas nas revistas Behavioral Ecology e Animal Behaviour mostram que essa imobilidade extrema funciona como uma última tentativa de escapar, já que muitos predadores preferem presas vivas e rejeitam o que parece doente ou morto. E muitos animais da Amazônia usam esse recurso de sobrevivência.

“A tanatose é uma resposta comportamental na qual o animal entra em imobilidade extrema, muitas vezes com o corpo relaxado ou membros dobrados, simulando rigorosamente um animal morto. No entanto, permanecer imóvel pode salvar a vida, mas torna a presa vulnerável se o predador insistir”, explicou o biólogo João Pedro Costa Gomes ao Portal Amazônia

Segundo o pesquisador, essa reação não é aleatória e geralmente ocorre de forma automática quando estratégias como a fuga ou a camuflagem falham. Estudos publicados na Biological Reviews indicam que a tanatose possui uma base evolutiva, em que alguns indivíduos e espécies são mais propensos a usá-la,  conforme o equilíbrio entre riscos e benefícios.

A tanatose, também chamada de imobilidade tônica ou mimetismo de morte, é mais comum do que se imagina, sendo realizada por besouros, gafanhotos, aranhas, rãs, lagartos, aves e até mamíferos como o gambá.

“Na Amazônia, há registros em aranhas-caranguejeiras, gorgulhos, pequenos hílideos (família de animais da classe dos anfíbios), cobras terrestres e filhotes de tinamídeos (aves), cada grupo usando a tática à sua maneira. Ainda assim, todos se beneficiam da mesma lógica: enganar o predador para ganhar tempo e escapar”, afirmou Gomes. 

Leia também: Animais e morte: entenda como cinco espécies amazônicas se relacionam em diferentes perspectivas com a morte

De acordo com o biólogo, a estratégia é parte de um jogo evolutivo constante entre os predadores e as presas. 

“A corrida de adaptações e contra-adaptações da tanatose parece estranha aos nossos olhos, mas essa estratégia simples continua garantindo a sobrevivência de inúmeras espécies nas florestas, campos e rios do mundo, inclusive no coração da Amazônia”, explicou o pesquisador.

Confira sete animais encontrados na Amazônia que praticam a tanatose: 

Aranha-caranguejeira

animal que pratica a tanatose
Foto: João Pedro Gomes

A aranha-caranguejeira (Paratropis sp.) pode praticar a tanatose quando ameaçada por predadores como pássaros, lagartixas, sapos, rãs e até mesmo outras aranhas.

Gambá-comum

Didelphis marsupialis. Foto: Raúl Álvarez Mora

O gambá-comum (Didelphis marsupialis), também conhecido como mucura, quando ameaçada, realiza a prática diante de predadores como aves de rapina e carnívoros de médio porte, felinos como o gato-do-mato e a onça-pintada e também o ser humano.

Inhambu-pixuna

Crypturellus cinereus. Foto: Antonino Gonçalves Medina

O inhambu-pixuna (Crypturellus cinereus) pode realizar a tanatose diante de predadores como corujas, gaviões, onças, jaguatiricas, jiboias e pequenos mamíferos como quatis e iraras.

Leia também: Nem todo herói usa capa: conheça animais que nos ajudam com diferentes serviços dos ecossistemas

Lagarto de olhos elegantes

Cercosaura argulus. Foto: Felipe Campos

O lagarto de olhos elegantes (Cercosaura argulus) realiza a tanatose diante de predadores como aves, serpentes e pequenos mamíferos insetívoros.

Cobra-de-terra-de-colar

Atractus torquatus. Foto: Marco Aurelio de Sena

A cobra-de-terra-de-colar (Atractus torquatus) pode realizar a prática diante de predadores como aves de rapina, outras serpentes e mamíferos carnívoros.

Perereca Mapinguari

Dendropsophus mapinguari. Foto: Pedro Peloso/Museu Paraense Emílio Goeldi

A perereca mapinguari (Dendropsophus mapinguari) realiza a prática quando se sente ameaçada diante de diversos animais da floresta amazônica, incluindo aves, répteis e mamíferos.

Gorgulho-de-bico-curto

Platyomus marmoratus. Foto: Elendil Cocchi

O gorgulho-de-bico-curto(Platyomus marmoratus) pratica a tanatose, quando ameaçado por animais como aves, pequenos mamíferos, répteis e aranhas.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

#Série – Nomes reais de artistas amazônidas: conheça 4 famosos de Tocantins que mudaram os nomes

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De duplas sertanejas consagradas à nomes da música regional, muitos artistas amazônidas adotam nomes artísticos para expressar melhor sua identidade e se conectar com o público. Dessa forma nem sempre o nome que faz sucesso é o mesmo que está na certidão de nascimento. 

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Nesta série, o Portal Amazônia procurou artistas dos estados na Amazônia Legal que adotaram esses nomes diferentes dos próprios para seguir carreira. Conheça alguns dos mais populares em Tocantins:

Henrique e Juliano 

A dupla sertaneja Henrique e Juliano acumula dezenas de sucessos e repertórios de milhões de streams nas plataformas digitais, com faixas como ‘Arranhão’, ‘A maior Saudade’, ‘Acordo’, ‘Rasteira’ e ‘Liberdade Provisória’. Os artistas ganharam popularidade nacional com o sucesso da música ‘Vem Novinha’ e do lançamento do primeiro DVD, ‘Ao Vivo em Palmas’, em 2013

Os irmãos nasceram em Palmeirópolis, uma cidade no interior do Tocantins. Apesar do sucesso alcançado em nível nacional, eles mantiveram suas raízes e vivem atualmente em Palmas sem abrir mão da vida na fazenda.  

Henrique, batizado como Ricelly Henrique Tavares Reis, nasceu no dia 23 de maio de 1989, e começou a cantar com o irmão aos 17 anos, influenciados pelo pai.  

Henrique da dupla sertaneja Henrique e Juliano. nomes artísticos de Ricelly Henrique e Edson Alves
Ricelly Henrique Tavares Reis, conhecido como Henrique. Foto: Reprodução/ site oficial Henrique e Juliano

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Antes da fama, o cantor cursava direito e trabalhava em Palmas, onde teve a oportunidade de cantar na ‘Balada Sertaneja’ ao lado de nomes renomados. Depois disso, ele se dedicou à carreira musical ao lado do irmão, e atualmente administra a carreira, os negócios da família e vive uma vida reservada na fazenda com a esposa e os filhos.  

Juliano, batizado como Edson Alves dos Reis Júnior, é o irmão caçula e nasceu no dia 27 de novembro de 1990. O cantor teve as mesmas influências que o irmão e sempre foi muito inspirado pelo pai. 

Juliano da dupla sertaneja Henrique e Juliano
Edson Alves dos Reis Júnior, conhecido como Juliano. Foto: Reprodução/ site oficial Henrique e Juliano

Longe dos palcos o artista costuma gostar de adrenalina, e tem como hobbies o drift e a pilotagem de avião, tendo permissão para pilotar desde os 18 anos. Atualmente o cantor se dedica além dos palcos, a sua esposa e filhas.  

Mariá

A cantora e compositora Maria Luiza Nomellini iniciou a carreira sob o nome artístico Malu Nomellini, mas adotou o nome de Mariá como forma de representar a sua identidade artística. 

“Minha jornada na música e nas artes começou com o nome Malu Nomellini, uma combinação natural do meu próprio nome. Com o tempo, senti que precisava de algo que traduzisse com mais profundidade a minha essência, minha poesia e o propósito do que eu crio.
Foi então que surgiu Mariá, uma versão mais íntima e fluida de mim mesma, que significa unir, misturar e harmonizar de forma bela e natural”, afirmou a cantora ao Portal Amazônia

Mariá, nome artístico de Maria Luiza, artista Tocantinense
Maria Luiza Nomellini, conhecida como Mariá. Foto: Reprodução/Instagram-@amariacantora

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De acordo com Mariá, o nome artístico não é apenas uma escolha estética, mas sim um espaço simbólico de criação e liberdade que possibilitou à artista explorar a sua arte com mais autenticidade e coerência. Além disso, Mariá acredita que adotar o nome artístico proporcionou a criação de uma conexão mais forte com o público.   

“É como se, ao adotar esse nome, eu também tivesse assumido meu lugar no mundo artístico e o propósito que quero transmitir por meio do meu trabalho”, concluiu a cantora. 

Dorivã Passarim do Jalapão 

O cantor e compositor Dorivã Passarim do Jalapão, batizado como Dorivan Borges da Silva, nasceu na cidade Cristalândia, mas passou a infância e adolescência na cidade de Gurupi, no Tocantins. O artista iniciou sua carreira musical em 1979, aos 18 anos, quando se tornou músico profissional.  

Apesar de ter iniciado a carreira em em 1979, o cantor só teve o seu primeiro disco lançado no ano de 2000. Sua música mescla elementos da cultura popular tocantinense e da música popular brasileira, refletindo identidade e o pertencimento regional, daí seu nome artístico.

Dorivã Passarim do Jalapão, nome artístico de Dorivan Borges da Silva,
Dorivan Borges da Silva, conhecido como Dorivã Passarim do Jalapão. Foto: Elton Abreu

Suas composições, como ‘Forró Traquino’ e ‘Romeiro do Bonfim’, se tornaram sucessos regionais. Reconhecido nacionalmente, representou o Tocantins na França em 2002, no projeto ‘Ano do Brasil na França’, promovido pelo Ministério da Cultura. 

Entre seus principais trabalhos estão os álbuns ‘Passarim do Jalapão’, ‘Passarim num pé de serra’, ‘Taquarulu’ (2007) e ‘Folia Dourada’ (2015). Dorivã também é gestor cultural, e coordena o projeto Meninos do São João Luzis, que incentiva o ensino musical em escolas rurais. 

Braguinha Barroso 

Sebastião Barroso Sampaio, conhecido como Braguinha Barroso, é um cantor e compositor nascido na cidade de Tocantinópolis, no Bico do Papagaio, no dia 22 de janeiro de 1954. O artista começou na carreira musical ainda na infância quando foi escolhido para participar do coral da escola. 

Braguinha Barroso, nome artístico de  Sebastião Barroso Sampaio
Sebastião Barroso Sampaio, conhecido como Braguinha Barroso. Foto: Reprodução/Facebook-@Braguinhabarroso

Com uma carreira marcada por festivais e composições autorais, Braguinha é autor da ‘Canção de Amor e Palmas’, hino oficial da capital do Tocantins. Braguinha é reconhecido em festivais como o Musicanto Latino-Americano e o Festival da Rede Globo, onde foi premiado em 1995 com a canção ‘Catirandê’. 

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar