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Gente do Norte Empresas: saiba quem é Adélio Barofaldi

Foto: Reprodução/Amazon Sat

O empresário Adélio Barofaldi, CEO do Grupo Rovema, é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, exibido pelo Amazon Sat. A história de Adélio Barofaldi com Rondônia começou há quatro décadas, quando o empresário deixou o Rio Grande do Sul para construir uma trajetória profissional na Amazônia

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Ao longo de 40 anos, ele acompanhou diferentes ciclos econômicos de Rondônia e viu o estado passar por mudanças na infraestrutura, na produção e na forma de fazer negócios.

“Vim do Rio Grande do Sul pra cá, pra desbravar a Amazônia na época do garimpo. Então, foi uma época muito difícil na chegada aqui, em função das dificuldades que tinha o estado naquela época”, conta.

Do garimpo ao Grupo Rovema

A história do grupo começou em 1985, em Porto Velho, com a fundação da empresa Jato Eletro Diesel. Antes da expansão para diferentes setores, o negócio tinha uma estrutura pequena e estava diretamente relacionado às atividades do garimpo.

Segundo Adélio, quando chegou a Rondônia, familiares e sócios já atuavam na região havia cerca de dois anos. O objetivo era prestar serviços para as atividades de extração de ouro ao longo do Rio Madeira.

Naquele período, as condições de infraestrutura eram diferentes das atuais. O empresário lembra que trechos importantes ainda não eram asfaltados e que o deslocamento pela região era marcado por estradas de chão.

“Na época, eu lembro muito bem que do Trevo do Roque para Guajará Mirim não tinha asfalto, não tinha nada, então era chão. E aí o garimpo era ao longo do Rio Madeira. Então todo o nosso trabalho era voltado pra atender as vagas pro garimpo do Rio Madeira. E assim foi o sucesso”, relembra. 

Formado em contabilidade, Adélio percebeu que poderia ampliar a atuação da empresa para outros setores. Foi quando começaram os investimentos em concessionárias e no agronegócio.

 Adélio Barofaldi, CEO do grupo ROVEMA
Foto: Reprodução/Amazon Sat

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“O grupo começou com um pequeno laboratório de bomba de retorno, onde a família trabalhava fazendo a mão de obra. E aí, quando eu vim pra Rondônia, eu já era formado em contabilidade. Cheguei em Porto Velho e eu via que aquilo não era um trabalho que tava na minha formação, mexer com garimpo só. E aí começamos, compramos a Fiat, depois compramos a Scania, entramos no agronegócio, onde começou a surgir outras oportunidades aqui”, explica.

A diversificação também ajudou a empresa a enfrentar mudanças econômicas.

As transformações de Rondônia

Ao longo de quatro décadas, Adélio acompanhou diferentes momentos da economia de Rondônia. “Nesses 40 anos, a gente aproveitou o ciclo do ouro, o ciclo da madeira, foi o último ciclo das usinas e a gente sempre aproveitando. Agora, o último ciclo, que não é ciclo, é mais perene, é o agronegócio”, afirma Adélio. 

Para o empresário, a expansão do agronegócio representa uma mudança na economia do estado e abre espaço para novas atividades ligadas à industrialização da produção. Segundo ele, a produção agrícola e pecuária de Rondônia pode ser acompanhada pelo desenvolvimento de pequenas indústrias, agregando valor aos produtos produzidos no estado.

“Antigamente não tínhamos milho, hoje tem milho. Não tinha soja, hoje tem soja. Não tinha estrada, hoje tem. Não tinha energia elétrica, hoje nós temos o suficiente. Nós estamos num momento muito importante da Amazônia, principalmente de Rondônia”, destaca. 

Os desafios de empreender na Amazônia

Para Adélio, o empreendedor que atua na região precisa acompanhar as transformações não apenas do mercado local, mas também da economia internacional.

“O nosso maior concorrente hoje é o mundo. Antigamente era o vizinho. Agora estamos falando de concorrentes como os Estados Unidos, Argentina, a própria China, com a parte de embargos, a parte da isolação, taxas. Isso a gente tem que conviver”, afirma.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

De acordo com o empresário, existe a necessidade de modernização e de atualização diante das mudanças tecnológicas e econômicas, e o desafio de se atualizar nas políticas globais. Adélio também vê mudanças na conectividade como um fator que pode aproximar comunidades amazônicas de serviços e oportunidades.

“Hoje, com a entrada da internet através da Starlink, teve uma inclusão muito grande. A população não tem nem ideia o quanto é importante essa comunicação do homem do campo, do ribeirinho, de quem vive na Amazônia, com o mundo”, afirma.

Uma empresa construída com os colaboradores

Além da expansão dos negócios, a trajetória do Grupo Rovema também é marcada pela permanência de funcionários que acompanharam diferentes fases da empresa.

Atualmente, segundo Adélio, o grupo reúne cerca de 900 colaboradores. Para o empresário, a relação construída com os trabalhadores ao longo dos anos é parte importante da história da organização.

“E a gente tem aqui uma tradição de preservação do funcionário. Nós retemos muitos funcionários. Tem um funcionário que trabalha com a gente há uns 40 anos. Muita gente se aposentou aqui dentro. Isso é muito bom, porque a gente vai formando uma família”, conta.

Arivonil Pereira da Silva, conhecido como Ari, está há 25 anos no Grupo Rovema, e para ele, a relação profissional construída ao longo dos anos ultrapassou os limites do ambiente de trabalho. “Eu considero o Adélio um irmão meu. Porque estou 25 anos junto com ele, nas horas boas, nas horas difíceis, então a gente está junto. Adélio, pra mim, não é só Adélio”, afirma.

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Arivonil Pereira. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Outro funcionário que acompanhou parte dessa trajetória é Fábio Barbosa, que trabalha no grupo há 21 anos. Ele conta que a estabilidade proporcionada pelo emprego também marcou a história de sua família.

“Eu lembro como se fosse hoje que eu estava querendo fazer a festa de aniversário de um ano da minha filha. Aí, em seguida, eu consegui um emprego, aí minha esposa falou: ‘Opa, então agora a gente vai fazer o aniversário da minha filha’. Então, isso é uma coisa que marca muito a minha entrada no Grupo Rovema”, conta.

Fábio Barbosa. Foto: Reprodução/Amazon Sat

A família de Adélio também foi uma parte importante na construção da empresa.  

“E é assim que nos formamos. Hoje a gente tem uma família bem imensa, trabalhando não no grupo, mas na cidade, nos Estados de Rondônia. E isso faz com que a gente vá se consolidando”, destaca.

Uma história ligada à Amazônia

De um estado ainda marcado pela falta de infraestrutura e pela força do garimpo, o empresário descreve uma região que, na visão dele, passou a ocupar um novo espaço na economia brasileira. Para Adélio, esse processo precisa considerar as pessoas que vivem na Amazônia e as características do território.

“A Amazônia são nove estados brasileiros que têm aí 30 milhões de habitantes. São pessoas que vieram para cá, tem pessoas que nasceram aqui, são pessoas originárias daqui que precisam ser respeitadas”, afirma.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Ele também defende que o desenvolvimento econômico da região esteja associado à preservação ambiental e à utilização de novas tecnologias. “A preservação do meio ambiente é um objetivo de estar participando da sociedade em todos os momentos”, destaca.

Ao olhar para o futuro de Rondônia, Adélio aposta na diversificação da economia e na industrialização ligada ao agronegócio. Depois de quatro décadas à frente dos negócios, o empresário mantém a ideia de que empreender na Amazônia significa acompanhar as mudanças e encontrar novas possibilidades em cada momento.

“Eu vejo a Rondônia, assim, como sempre uma terra de oportunidades”, resume.

Adélio Barofaldi é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista:

Dia Nacional da Árvore: conheça três espécies da Amazônia que são surpreendentes

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Foto: Cássio Alencar Nunes/Lancaster University

O Dia da Árvore é comemorado no Brasil em 21 de setembro. A data tem como objetivo chamar a atenção e conscientizar para a importância das árvores para o equilíbrio ambiental, a manutenção da biodiversidade e a qualidade de vida da população.

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De acordo com o site Brasil Escola, a escolha da data está relacionada à proximidade com o início da primavera no Hemisfério Sul, que acontece no dia 23 de setembro. O dia deve ser visto como um dia de reflexão e mais do que o ato simbólico de plantar uma árvore. 

Na Amazônia, onde a floresta reúne uma das maiores diversidades de espécies do planeta, as árvores possuem características que vão muito além do tamanho ou da beleza. Para marcar a data, o Portal Amazônia reuniu três árvores amazônicas que se destacam por características curiosas e surpreendentes. Confira:

Paxiúba: a palmeira que caminha

Uma palmeira com raízes que parecem estar se movimentando pelo chão da floresta. Essa é uma das características que fazem da paxiúba, também conhecida como palmeira-andante, uma das espécies mais curiosas da Amazônia.

A planta pode ultrapassar os 20 metros de altura e chama atenção principalmente pelas chamadas raízes aéreas. Elas partem da base do tronco e se espalham pelo solo, criando uma aparência diferente das árvores mais tradicionais.

Paxiúba. Foto: Ty Sharrow/iNaturalist

Leia também: Bosque dos Papagaios abriga centenas de espécies de árvores da região amazônica

A espécie pode ser encontrada em diferentes regiões da América Central. No Brasil, sua ocorrência está registrada em áreas da Bacia Amazônica e em estados como Mato Grosso, Acre, Amapá, Maranhão e Pará.

A aparência das raízes fez surgir a ideia de que a árvore seria capaz de ‘andar’ em busca de melhores condições de luz ou de solo. A característica, porém, está relacionada principalmente à forma como a planta se desenvolve e utiliza suas raízes para sustentação.

Quer entender melhor por que a paxiúba é chamada de palmeira andante? Leia mais sobre a espécie aqui.

Sumaúma, a gigante da floresta

Na Amazônia, a sumaúma é facilmente reconhecida pelo porte e pelas grandes estruturas que se desenvolvem na base do tronco, conhecidas como sapopemas. Em condições favoráveis, a árvore pode atingir entre 60 e 70 metros de altura, enquanto alguns exemplares chegam a aproximadamente 90 metros.

Embora seja fortemente associada à Amazônia, a espécie também ocorre em outras regiões das Américas do Sul e Central, além de áreas da África Ocidental e do Sudeste Asiático.

Foto: Reprodução/Instagram-@roseeeloisee

Além disso, as grandes raízes da sumaúma possuem capacidade de absorver volumes significativos de água presente no solo. Por isso, a espécie é frequentemente associada ao armazenamento e à movimentação de água no ambiente.

Em determinadas condições de umidade, a árvore pode liberar o excesso de água acumulado, contribuindo para a irrigação da área ao redor. Quer entender melhor a relação da sumaúma com a água e conhecer outras características da espécie? Leia mais aqui.

Tanimbuca, a árvore com mais de seis séculos de história

Enquanto a paxiúba impressiona pelas raízes e a sumaúma pelo tamanho, a tanimbuca chama atenção principalmente pela idade.

A espécie, identificada pelo nome científico Buchenavia huberi Ducke, é considerada a árvore mais antiga do Bosque da Ciência, espaço do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus. A idade estimada ultrapassa os 600 anos, e por carregar tantos anos de história, a tanimbuca se tornou um dos símbolos do local. 

Em homenagem à espécie, o Inpa criou a chamada Ilha da Tanimbuca, uma área cercada por água e que reúne diferentes espécies de plantas. O espaço também abriga animais, incluindo peixes e tartarugas-da-Amazônia.

Foto: Mário Bentes/Inpa

Além disso, a árvore também exerce uma função ecológica dentro do ambiente onde está inserida. O tronco oco serve como abrigo para diferentes animais, entre eles aves e cotias. 

Quer saber mais sobre a tanimbuca e a história da árvore que vive há mais de 600 anos? Leia aqui.

No Dia da Árvore, conhecer essas espécies também é uma forma de compreender melhor a floresta e reforçar a importância da conservação da biodiversidade amazônica.

Serra da Cangalha: a cratera de meteoro que é uma das estruturas mais preservadas do Brasil

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Foto: Carlos Machado/Arquivo pessoal

No meio do Tocantins, estado da Amazônia Legal, uma formação conhecida como Serra da Cangalha esconde uma história de 200 milhões de anos. O que parece ser uma serra comum é, na verdade, uma gigantesca estrutura formada pelo impacto de um meteoro contra a superfície da Terra.

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Localizada no município de Campos Lindos, no norte do estado, a estrutura possui cerca de 13,5 quilômetros de diâmetro e é considerada um dos registros mais bem preservados desse tipo de impacto na região. Para pesquisadores, o local funciona como uma espécie de ‘arquivo’ geológico, capaz de revelar marcas de um acontecimento ocorrido entre 220 milhões e 250 milhões de anos atrás.

O professor e mestre em Geografia Carlos Augusto Machado, da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), explica que o próprio nome popular da formação pode causar uma interpretação equivocada.

“A Serra da Cangalha, na verdade, não é uma serra do ponto de vista geológico. Ela é uma formação criada por um meteoro. Porque uma serra é formada por ação das placas tectônicas das regiões que têm áreas de terremotos, como, por exemplo, a Cordilheira dos Andes. Então, não configura uma serra. Ela é, na verdade, um astroblema”, afirma.

Um astroblema é o termo utilizado para identificar marcas deixadas pelo impacto de meteoritos e asteroides. Popularmente, essas formações são conhecidas como crateras de impacto ou crateras de meteoros.

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Serra da Cangalha
Serra da Cangalha. Foto: Reprodução/Prefeitura de Campos Lindos

A estrutura está inserida em uma área de Cerrado e apresenta características que a diferenciam da paisagem em volta. Segundo Machado, durante o período de seca, por exemplo, a área interna da cratera tende a concentrar água, enquanto as regiões próximas ficam mais secas, interferindo diretamente na dinâmica da vegetação e na presença de animais.

Marca de um impacto gigantesco                     

A formação teria surgido quando um corpo celeste, estimado em aproximadamente 20 mil toneladas, atingiu a região. De acordo com Carlos Augusto, o calor e a pressão produzidos pela colisão modificaram as rochas existentes na região, e entre as evidências estão formações como quartzitos e outras estruturas que apresentam características associadas a eventos de impacto.

“São rochas formadas por restos de outras rochas que foram transformadas pelo calor e pelo impacto, pela pressão da queda do asteroide”, explica.

A dimensão da estrutura é difícil de ser percebida por quem está no chão. É nas imagens aéreas e de satélite que o desenho da cratera ganha força.

Serra da Cangalha. Foto: Reprodução

Não é mais considerada apenas uma hipótese

Segundo o professor, a origem da Serra da Cangalha como estrutura de impacto já está comprovada cientificamente. Estudos realizados na área identificaram elementos suficientes para caracterizar a formação como uma cratera de meteoro.

A pesquisa científica sobre a região inclui levantamentos relacionados à idade das estruturas, aos tipos de materiais presentes e às transformações provocadas pelo impacto. Machado explica que, também foram realizados estudos acadêmicos sobre a influência da formação na paisagem, nos solos e na vegetação.

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De acordo com ele, pesquisadores de diferentes países já estiveram na região para estudar a formação, além de cientistas ligados à NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço, a agência do governo dos Estados Unidos responsável por pesquisar o espaço) e pesquisadores franceses que já realizaram trabalhos no local.

A descoberta tem relevância científica principalmente porque a estrutura permanece relativamente bem preservada. Para Machado, o interesse está menos em comprovar novamente a origem da formação e mais em aprofundar o conhecimento sobre os efeitos que o impacto provocou na paisagem ao longo do tempo.

Estrutura pode ser observada por satélites e drones

A dimensão da Serra da Cangalha faz com que as imagens de satélite sejam uma das principais ferramentas para a análise da formação. A estrutura também pode ser estudada com drones e tecnologias de maior precisão, como o LiDAR, equipamento que utiliza pulsos de laser para produzir informações detalhadas sobre o relevo.

Serra da Cangalha. Foto: Reprodução/Prefeitura de Campos Lindos

Machado explica que esses recursos permitem analisar características que nem sempre são facilmente identificadas durante uma visita ao local, já que o formato geral da cratera, por exemplo, pode ser compreendido com maior precisão a partir de imagens aéreas.

“Hoje o acesso é facilitado, porque a estrada é pavimentada, passa mais ou menos 5 quilômetros dela. Só que é uma área que precisa de licença do NaturaTins para ser visitada. E também é porque a vegetação ali ainda é bem fechada. Se você não tiver um guia ou um representante do NaturaTins, é muito fácil se perder, sofrer um acidente devido à inclinação do relevo. E também ali a região tem animais selvagens, como onças”, explicou Machado. 

Uma paisagem diferente durante a seca

De acordo com o professor, na parte interna da estrutura, a maior disponibilidade de água contribui para condições diferentes das encontradas no entorno. Algumas espécies de palmeiras podem ser observadas nessas áreas, enquanto a vegetação continua sendo predominantemente formada por espécies características do Cerrado.

A concentração de água também influencia a fauna. Machado explica que durante a estação seca, quando o entorno apresenta condições mais secas, a área interna da cratera pode funcionar como ponto de concentração de animais.

Essa diferença ambiental faz da estrutura não apenas um objeto de interesse geológico, mas também uma área relevante para estudos de geodiversidade, fauna, flora e mudanças na paisagem.                              

Principais atividades no entorno

A Serra da Cangalha está localizada em uma região marcada pela expansão de atividades agrícolas, especialmente pelo cultivo de soja e milho. Para o pesquisador, os principais riscos ambientais relacionados à área estão associados ao desmatamento e às queimadas. A retirada da cobertura vegetal pode favorecer processos erosivos e provocar impactos sobre os ambientes naturais existentes na região.

Serra da Cangalha. Foto: Divulgação/Benilson Pereira de Sousa

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A ausência de atividades de mineração na área também reduz um tipo de pressão direta sobre a estrutura. Ainda assim, a ocupação do entorno exige monitoramento para evitar alterações ambientais que possam comprometer a biodiversidade e os estudos científicos realizados no local.

“Na área não existe nenhum tipo de mineração, basicamente o mais ameaçado seria a fauna e a flora. A estrutura em si é bem rígida e não teria grandes alterações”, destacou Machado. 

Monitoramento e proteção ambiental

A área é acompanhada pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins). A visitação, segundo Machado, precisa ser realizada de maneira controlada e planejada.

A dificuldade de acesso e as características do ambiente são alguns dos fatores que limitam a presença de visitantes. Além da vegetação fechada e do relevo irregular, existem riscos relacionados à presença dos animais silvestres.

“É muito fácil a ocorrência de cobras na região. Inclusive a gente não leva alunos lá, porque é uma área de difícil acesso. Ela tem que ser preparada para visitação”, explicou o professor.

Geoturismo depende de planejamento

Assim, a Serra da Cangalha apresenta potencial para se tornar uma área de interesse turístico, principalmente pela sua importância geológica e pelo formato singular da estrutura. Entretanto, a exploração turística depende de estudos e medidas de segurança.

“A área tem proteção para o geoturismo desde que seja feito um diagnóstico ambiental, ou seja, estudo de impacto ambiental e desenvolvido um plano de manejo, com as diretrizes para ocupação local. Então, isso é um processo ainda longo, depois que a área foi transformada em área de proteção ambiental, um mapa, aí pode dar início à questão do geoturismo”, explicou o professor.

Entre as estruturas necessárias estariam caminhos adequados, passarelas, sinalização, pontos de orientação e preparação de guias para acompanhar os visitantes. O desenvolvimento do geoturismo também precisaria considerar a conservação da fauna e da flora, além das características do relevo.

Origem do nome está relacionada ao formato

Apesar de o nome ‘Serra da Cangalha’ não representar a classificação geológica da formação, ele permaneceu associado ao local.

Imagem de satélite da Serra da Cangalha. Foto: Google Earth

Segundo o pesquisador, o termo ‘cangalha’ faz referência a um equipamento utilizado tradicionalmente em jumentos e mulas para transportar cargas. “Provavelmente devido ao formato oval da cratera a população associou ao cesto de mercadorias”, destacou.

Não há, porém, uma informação precisa sobre quando o nome começou a ser utilizado ou quem foi responsável por adotá-lo.

O que ainda pode ser descoberto?

A origem da Serra da Cangalha já está estabelecida, mas isso não significa que as pesquisas tenham terminado. O foco atual, segundo Carlos Augusto Machado, está cada vez mais relacionado à geodiversidade e à maneira como a estrutura influencia o ambiente.

“A pesquisa da Serra da Cangalha não está indo no sentido de aprofundar a parte geológica de pesquisa das rochas, isso já foi feito, datação, o que mais está sendo realizado nesse momento é isso sobre geodiversidade”, destaca. 

Pesquisadores podem investigar, por exemplo, como o impacto contribuiu para modificar o relevo, os solos e a distribuição da vegetação, além de compreender melhor sua relação com a fauna.

A Serra da Cangalha é mais do que uma formação curiosa do relevo tocantinense. Ela reúne ciência, biodiversidade, história geológica e potencial turístico em uma mesma paisagem.

Um corpo de aproximadamente 20 mil toneladas atravessou a atmosfera e atingiu a Terra há mais de 200 milhões de anos. O impacto durou apenas alguns instantes, a marca, porém, permanece.

Portal Amazônia responde: por que o El Niño provoca seca na região Norte e chuvas na região Sul?

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Foto: Reprodução/Mundo Educação

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial central e leste. Essa mudança na temperatura do oceano interfere na circulação da atmosfera e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do país.

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Para os próximos meses, o cenário exige atenção. De acordo com o Boletim nº 3 do Painel El Niño 2026–2027, divulgado em 1º de setembro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em conjunto com outros órgãos de monitoramento climático e ambiental, há maior probabilidade de chuva acima da média em parte da Região Sul, enquanto as regiões Norte e Nordeste apresentam maior probabilidade de volumes de chuva abaixo da média.

Mas por que o mesmo fenômeno pode estar associado à seca em uma parte do país e ao aumento das chuvas em outra?

O que acontece na atmosfera?

Segundo o meteorologista Leonardo Vergasta, o aquecimento do Pacífico altera a chamada “circulação de Walker”, um sistema de circulação atmosférica que conecta o Pacífico à América do Sul.

“O El Niño é o aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico equatorial central e leste. Esse aquecimento desloca para leste a região onde o ar ascende e se formam as chuvas, reorganizando a circulação de Walker, a circulação atmosférica que conecta o Pacífico à América do Sul”, explica.

De acordo com ele, essa reorganização faz com que o ar descendente da circulação atmosférica se posicione sobre a Amazônia e outras áreas do Norte do país.

Por que o El Niño provoca seca na região Norte e chuvas na região Sul?
Foto: Divulgação

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O meteorologista explica que o movimento de descida do ar, chamado de subsidência, dificulta a formação de nuvens.  “O ar em subsidência (de cima para baixo) aquece e perde umidade relativa, inibindo a formação de nuvens. O resultado é menos chuva, mais radiação solar incidente chegando à superfície e temperaturas mais elevadas”. 

O solo mais seco também interfere no ciclo da água

Vergasta explica também que, com o solo seco a floresta reduz a evapotranspiração, perda de água da superfície da Terra para a atmosfera por meio da evaporação do solo e da transpiração das plantas, e devolve menos vapor d’água à atmosfera. Sem essa reciclagem de umidade, a precipitação reduz ainda mais. 

Esse processo pode criar um ciclo de retroalimentação: menos chuva deixa o solo mais seco, a vegetação libera menos umidade para a atmosfera e, consequentemente, há menos vapor disponível para a formação de novas chuvas.

Segundo o meteorologista, esse encadeamento esteve associado ao agravamento das secas de 2015 e 2023 na bacia amazônica.

E por que chove mais no Sul?

Enquanto a região Norte pode experimentar essa redução das chuvas, o Sul do Brasil tende a apresentar um comportamento diferente durante episódios de El Niño. De acordo com Vergasta, o fenômeno pode intensificar e deslocar o jato subtropical, uma corrente de ventos fortes localizada a cerca de 10 quilômetros de altitude.

“O jato favorece sistemas frontais (frentes frias) mais organizados e retarda seu deslocamento, prolongando a permanência das frentes frias sobre a região Sul”, explica.

Foto: Reprodução/TV Globo

A combinação desses fatores com o transporte de calor e umidade proveniente da Amazônia e as mudanças na intensidade e direção dos ventos com a altitude pode favorecer condições para tempestades severas, granizo e, eventualmente, tornados.

A maior frequência de frentes frias também pode contribuir para a ocorrência de avanços de ar polar e de períodos mais encobertos.

“Trata-se, portanto, de um único fenômeno: dois ramos opostos da mesma circulação”, resume o meteorologista.

O que o El Niño pode provocar no Brasil?

É por esses fatores que Boletim nº 3 do Painel El Niño 2026–2027 aponta que, para o trimestre de setembro, outubro e novembro, os efeitos não devem ser iguais em todo o território brasileiro.

Na Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, além de áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul, existe maior probabilidade de volumes de chuva acima da média histórica. Esse cenário exige atenção para a possibilidade de episódios de chuva intensa, cheias e inundações, principalmente no Rio Grande do Sul.

No sentido oposto, Norte e Nordeste apresentam maior probabilidade de chuva abaixo da média. Também há áreas do Brasil Central e do Sudeste, como partes de Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo, com maior probabilidade de chuvas abaixo da média.

As temperaturas, por sua vez, tendem a permanecer acima da média em grande parte do território nacional.

Isso não significa, porém, que o frio deixará de ocorrer. A passagem de massas de ar frio ainda pode provocar episódios pontuais de queda de temperatura, especialmente durante a transição entre o inverno e a primavera (no segundo semestre do ano).

Estiagem pode aumentar risco de incêndios

Nas regiões Norte e Central do Brasil, a combinação entre temperaturas elevadas e períodos prolongados de estiagem pode aumentar as condições favoráveis à propagação de incêndios.

Imagem colorida mostra homeme equipado para combate a incêndio e chamas ao fundo que provocam fumaças
Foto: Henrique Santian/ Arquivo Eliane Ignotti – Unemat

De acordo com o INMET, na Amazônia Legal e no Pantanal, o período entre setembro e novembro normalmente marca a transição entre a estação seca e a chuvosa, mas com a possibilidade de prolongamento das condições de estiagem, algumas áreas podem ter redução da disponibilidade de água e maior vulnerabilidade aos incêndios florestais.

El Niño forte significa eventos extremos mais severos?

Não necessariamente.

De acordo com o INMET, a intensidade do El Niño, por si só, não determina a intensidade dos impactos em todas as regiões do Brasil. Um episódio mais intenso pode aumentar a probabilidade de determinados padrões de chuva e temperatura, mas os eventos específicos dependem da interação entre diferentes fatores atmosféricos e oceânicos.

Isso significa que nem toda chuva intensa, seca, tempestade ou outro evento extremo registrado durante um El Niño é necessariamente causado diretamente pelo fenômeno. Frentes frias, ciclones, sistemas convectivos, massas de ar e outros mecanismos atmosféricos também influenciam as condições observadas em cada região.

Acre se torna vitrine para transformar biodiversidade amazônica em negócios: “Mudança de cultura”

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Inova Amazônia Summit reúne bioeconomia e negócios no Acre. Foto: Lucas Thadeu/Rede Amazônica AC

O potencial da biodiversidade do Acre foi um dos motivos que levaram o estado a sediar, pela primeira vez, o Inova Amazônia Summit, evento que reúne empreendedorismo, inovação e bioeconomia a partir desta quinta-feira (17), no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco.

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Para o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a realização do encontro no estado é uma oportunidade de apresentar produtos e negócios amazônicos a compradores e investidores do Brasil e de outros países.

Segundo Rosa Nakamura, gestora de Inovação do Sebrae no Acre, o destaque alcançado pelo estado no programa Inova Amazônia foi determinante para a escolha de Rio Branco como sede desta edição.

“O Acre foi selecionado pelo destaque no programa Inova Amazonia, realmente demonstrando seu potencial da diversidade biológica que nós temos aqui, e isso foi o grande diferencial para o evento ser sediado aqui este ano. O melhor ainda é que estamos fazendo um evento internacional, então este ano realmente vai demonstrar a grandeza que é esse evento”, frisou.

O Summit ocorre até sábado (19), com entrada gratuita. A programação reúne palestras, painéis, exposições, apresentações culturais e atividades voltadas à geração de negócios. São 141 palestrantes confirmados, quase o dobro da edição realizada em 2025, em Macapá (AP).

Acre vira vitrine para transformar biodiversidade amazônica em negócios: 'Mudança de cultura'
Foto: Antonny Nascimento/Sebrae AP

Leia também: Inova Amazônia Summit 2026 discute novos caminhos para a economia sustentável

Entre os participantes anunciados estão a cantora Fafá de Belém, o escritor e ambientalista Kaká Werá, a jornalista e produtora rural Paula Varejão e o especialista em inovação e desenvolvimento econômico Wilson Poit. Já as atividades foram divididas em cinco trilhas:

  • Juventude Amazônica;
  • Sustentabilidade;
  • Bioeconomia e Negócios;
  • Territórios e Saberes; e
  • Inovação e Conexões.

Para Rosa, porém, a importância do evento vai além das palestras. A expectativa é que os três dias sirvam para aproximar quem produz na Amazônia de compradores e investidores interessados nesses produtos.

“É um grande movimento para que a gente possa demonstrar nossos produtos para o Brasil e para o mundo. O que já está ocorrendo, antecedendo o evento, é que já estamos com os compradores de fora, demonstrando nosso potencial da nossa indústria através da bioeconomia”, frisou.

Além dos negócios, o público que for ao Centro de Convenções da Ufac poderá acompanhar uma programação cultural e gastronômica. O Festival Inova Amazônia terá apresentações de artistas do Acre e de outros territórios amazônicos, além do Cozinha Show, com preparos que valorizam ingredientes e sabores amazônicos.

Inovação e economia local

Nesta edição, 90 pequenos negócios ligados à bioeconomia dos nove estados da Amazônia Legal participam do Summit. O evento também terá 20 representantes de Indicações Geográficas (IGs), além de rodadas de negócios nacionais e internacionais e rodadas de investimentos para startups e outros negócios inovadores.

Do Acre, serão 30 startups, segundo o Sebrae, além de representantes de duas Indicações Geográficas: o açaí de Feijó e a farinha de Cruzeiro do Sul.

Foto: Lucas Thadeu/Rede Amazônica AC

É justamente essa possibilidade de transformar produtos da região em negócios com maior alcance que está no centro da proposta do evento, segundo a gestora.

“Eles vão encontrar aqui tudo é possível se transformar. Através da inovação eles conseguem transformar aquele simples produto em um produto inovador para que possa, acelerado, se expandir até entrar no mercado, até internacional”, falou.

A programação inclui ainda espaços para exposição de produtos de segmentos como alimentos, cosméticos, tecnologia, agrofloresta, óleos, chocolates, biotecnologia e soluções ambientais. A proposta é apresentar iniciativas que utilizam recursos e conhecimentos da região para desenvolver produtos e serviços.

Expectativas

A expectativa do Sebrae também é de que as conexões feitas durante o evento possam resultar em negócios. Na edição de 2025, realizada em Macapá, o evento movimentou valores em vendas, rodadas de negócios e investimentos.

Foto: Antonny Nascimento/Sebrae AP

Segundo dados divulgados pelo Sebrae, foram mais de R$ 2,1 milhões em vendas durante o Summit, além de R$ 5 milhões nas rodadas de investimentos e R$ 825 mil nas rodadas de negócios. No Acre, Rosa espera que os resultados sejam ainda maiores.

“Estamos com uma grande expectativa de que nossos produtos vão ser destaque nesse evento. Nos eventos anteriores, foram gerados mais de R$ 800 mil, agora nesse acho que vamos superar os anos anteriores”, projetou.

Legado

A abertura oficial do Summit ocorre às 19h desta quinta-feira (17), no Teatro Povos da Floresta. Na ocasião, será lançado o edital do Inova Amazônia Global Edition, parceria do Sebrae com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) que busca conectar negócios amazônicos a mercados internacionais.

Para o Sebrae, no entanto, o principal resultado esperado não se resume aos negócios fechados durante os três dias de programação. Rosa acredita que o contato com empreendedores, investidores e novas formas de pensar possa provocar uma mudança na própria cultura empresarial do estado.

“O que vai ficar para o Acre é a mudança cultural, nós vamos ter um outro olhar. Nosso mindset vai conseguir perceber que nós precisamos mudar nossa forma de pensar, de como precisamos trabalhar a questão empresarial no estado do Acre”, finalizou.

*Por Renato Menezes, da Rede Amazônica Acre

Festival do Caju: festa resgata tradição e transforma fruto em renda para comunidade de Iranduba

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Foto: Edley Oliveira/ Amazon Sat

Na comunidade São Sebastião, em Iranduba, no Amazonas, o caju ganha novos sabores, formas e possibilidades de renda. Conhecida pela produção do fruto, a comunidade se prepara para retomar uma tradição que ficou mais de dez anos sem acontecer, a antiga Festa do Caju, que agora volta repaginada e com o nome de Festival do Caju. 

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O evento será realizado no dia 19 de setembro e pretende reunir aproximadamente 4 mil pessoas, segundo a organização. A programação terá música regional, gastronomia, apresentações culturais, concurso da Rainha do Caju, comercialização de produtos e atividades voltadas à valorização dos produtores e empreendedores da própria comunidade.

De acordo com o Presidente da associação responsável pela comunidade, Emerson Vasconcelos, a proposta do Festival do Caju é transformar o fruto em oportunidade de geração de renda e fortalecer a identidade de São Sebastião, que começou a ser formada em 1989, quando a área, que antes funcionava como uma fazenda, foi adquirida pela prefeitura. A partir daí, moradores passaram a ocupar o território e desenvolver atividades agrícolas, entre elas o cultivo do cajueiro.

“Há dez anos, a gente produzia para exportação dez toneladas de caju. E ano que vem, como a gente está com o retorno do Festival do Caju, a gente quer ter, em média, 12 toneladas para exportação”, contou Emerson, conhecido como “Cabeludo do Fusca”.

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Emerson Cabeludo do fusca, presidente da associação de Iranduba que está organizando o Festival do caju
Emerson “Cabeludo do Fusca”. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

Da antiga festa ao novo festival

Segundo o vice-presidente da associação, Alessandro Arruda, a mudança de nome não aconteceu por acaso. A antiga Festa do Caju tinha como principal característica a reunião dos moradores em torno de um palco, e com o novo formato, a ideia é ampliar a programação e, principalmente, transformar o fruto em protagonista da gastronomia e do empreendedorismo local.

A programação do Festival do Caju também foi ampliada. De acordo com Alessandro, o evento, que antes tinha aproximadamente oito horas de apresentações, agora terá mais de 22 horas de shows distribuídos ao longo da programação.

Alessandro Arruda. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

A expectativa da organização é que o Festival do Caju cresça a cada edição. “Nós queremos fazer um grande festival e, no outro ano, ampliar ainda mais”, afirmou.

Caju vira doce, licor e prato principal

Um dos principais atrativos do festival do caju é a gastronomia, já que, ao todo, serão 20 barracas ocupadas por empreendedores da comunidade e também por participantes de fora. A prioridade, segundo a associação, é dada aos associados que estão em dia com suas obrigações.

A ideia é que boa parte das barracas ofereça produtos derivados do caju. Entre as opções estão doces, geleias, compotas, sucos, licores e pratos salgados que utilizam o fruto como ingrediente.

De acordo com Emerson, o visitante poderá encontrar desde receitas tradicionais até preparações criadas especialmente para o festival, como pudim de caju, torta de caju, farofa de caju com camarão, moqueca de camarão ao molho de caju e caldeirada de peixe com caldo de caju.

Uma das novidades é o licor de caju. Segundo Alessandro, mais de 300 garrafas serão produzidas para o Festival do Caju.

“Novidade que nunca teve na Festa do Caju são os licores de caju. Licor de caju tradicional, licor de caju com cravinho, erva-doce. A gente quer que o pessoal venha e faça parte, traga seus produtos, traga suas inovações e traga novidades. Outra novidade nossa vai ser o licor de caju dentro da bombona, com LED, o pessoal distribuindo no meio da festa”, explicou.

Licores produzidos para o Festival do caju. Foto: Edley Oliveira/Amazon Sat

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A produção também representa uma tentativa de transformar os alimentos desenvolvidos pela comunidade em produtos comercializáveis durante todo o ano. A intenção dos moradores é criar uma marca própria para os derivados do caju e levar os produtos para o mercado.

“Hoje nós estamos fazendo novos pratos com os derivados do caju. Isso não existia. Ninguém tinha feito ainda a caldeirada ao molho de caju. Hoje já chegou”, disse o vice-presidente.

Entre as experiências que ainda estão em desenvolvimento está o chamado caju crocante. Para o futuro, a associação também pretende produzir barras de cereais utilizando castanhas de caju.

Cajueiros espalhados pelas propriedades

Apesar da tradição, a comunidade não possui uma única grande fazenda destinada exclusivamente ao cultivo do caju. A produção está espalhada por pequenas propriedades e sítios pertencentes aos próprios moradores.

Segundo Alessandro Arruda, há cerca de 30 anos, a região era considerada uma única comunidade e os cajueiros foram sendo cultivados pelos moradores em diferentes propriedades.

“Não existe só uma fazenda de caju. São várias propriedades que têm plantação de caju. O pessoal da comunidade vai em cada sítio, vai colhendo os cajus e vai trazendo aqui para a associação”, explicou.

Cajus levados pela comunidade para a associação em preparação para o Festival do Caju. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

A associação também está passando por uma reforma para ampliar a capacidade de produção. Entre as melhorias previstas está a criação de uma cozinha comunitária, que deverá ser utilizada por moradores que não possuem estrutura própria para preparar os derivados do fruto.

Entre as pessoas responsáveis por transformar o caju em produto está Dona Nazaré, que trabalha na fabricação dos doces. O processo, segundo ela, começa com o corte do fruto e depois, o açúcar é levado ao fogo até atingir o ponto necessário para receber a polpa do caju. A receita simples representa uma tradição que agora ganha espaço dentro do Festival do Caju.

Foto: Edley Oliveira/ Amazon Sat

A lenda do Cajueiro de Ouro

Além da produção e da gastronomia, o festival do caju também pretende apresentar ao público a história que envolve o caju na cultura local. Uma das narrativas que será apresentada durante o evento é a lenda do Cajueiro de Ouro, protagonizada por uma jovem indígena chamada Caíu.

Segundo Alessandro, em um período de fome, Caíu teria entrado na mata e passado uma noite inteira chorando, e das lágrimas da jovem teria nascido uma pequena planta, que posteriormente deu origem aos cajueiros.

“Através da lágrima dela começou a nascer uma planta, uma arvorezinha, que dessa arvorezinha surgiu os cajus. E com esse cajueiro ela tirou uns cajuzinhos e levou para a tribo. Lá eles descobriram a castanha do caju, começaram a processar e dali começaram a tirar os alimentos da castanha do caju, onde sobreviveu o povo”, explicou. 

A história será utilizada para aproximar o público da tradição e mostrar que o caju, para a comunidade, não representa apenas uma atividade agrícola, mas também parte da memória e da identidade dos moradores.

Melhorias para a comunidade

A realização do Festival do Caju também está relacionada a uma série de melhorias estruturais em São Sebastião. Segundo os organizadores, a mobilização em torno do festival ajudou a comunidade a buscar investimentos.

“A comunidade começou a se enxergar mais. Antes ela estava bem dispersa. Quando surgiu a conversa do festival, vieram mais benefícios para a comunidade, como obras, pavimentação e a iluminação do campo, que não tinha”, relatou Alessandro.

A própria associação está sendo reestruturada para atender à produção dos alimentos e receber os moradores durante as atividades. Para a organização, o objetivo é fazer com que o dinheiro movimentado pelo evento retorne para a comunidade e contribua para melhorias coletivas.

Música regional e valorização dos artistas

A programação musical do Festival do Caju também será marcada pela presença de artistas e bandas locais, com a proposta de valorizar a música regional.

Entre as atrações estão Leandro Costa, Ari Góes, Tome Xote e outras bandas de Iranduba. Uma das atrações é o cantor Bira Imperador, nome artístico de Edenes de Souza, que destacou a importância de participar de um evento realizado dentro do próprio município.

“Eu recebi com muita alegria o convite para fazer parte do show, ser uma das atrações do Festival do Caju aqui na comunidade de São Sebastião. Eu estou muito feliz pelo fato de ser dentro do meu município”, afirmou.

Bira Imperador, uma das atrações locais do Festival do Caju. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

Segundo o artista, a apresentação terá um repertório diversificado, com destaque para a música regional. “A gente valoriza muito a nossa música regional, que é o beiradão, e a mistura de ritmos. O público é acostumado com o forró, o forró de beiradão, a mistura de arrocha e sofrência”, disse.

Outro momento aguardado será a escolha da Rainha do Caju. Seis candidatas foram pré-selecionadas e vão se apresentar no dia 19 de setembro. O concurso integra a programação cultural do festival e pretende reforçar a identidade do evento, que tem o caju como símbolo da comunidade.

Uma tradição que busca um novo futuro

A retomada do Festival do Caju representa, para os moradores de São Sebastião, uma tentativa de transformar uma tradição antiga em uma nova oportunidade de desenvolvimento.

Do fruto saem doces, geleias, sucos, licores e receitas salgadas. Da castanha, surgem novas possibilidades de produtos. E da própria festa nasce a expectativa de fortalecer o comércio, o turismo, a cultura e o empreendedorismo.

“O objetivo do Festival do Caju é fazer com que os comunitários consigam se autossustentar”, resume Emerson. 

Conhecimentos tradicionais da Amazônia podem ser “motor” da agricultura regenerativa

Foto: Divulgação

Enquanto a agricultura regenerativa ganha espaço nas discussões sobre o futuro da produção de alimentos, cresce também o interesse por sistemas produtivos desenvolvidos há gerações por povos indígenas e comunidades tradicionais.

Na Amazônia, experiências que combinam espécies agrícolas e florestais oferecem referências para pensar modelos mais adaptados às características dos territórios — sem que isso signifique substituir conhecimento científico ou transformar práticas tradicionais em soluções universais.

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A própria Embrapa registra que diferentes sistemas agroflorestais desenvolvidos por comunidades indígenas, caboclas e ribeirinhas na Amazônia serviram de base para que pesquisadores sistematizassem conhecimentos agronômicos, ecológicos e econômicos e desenvolvessem novos arranjos adaptados às necessidades das comunidades rurais.

Conhecimentos tradicionais da Amazônia podem ser motor da agricultura regenerativa
Foto: Rosana Panama

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O conceito também encontra respaldo em iniciativas internacionais. A FAO define a agrofloresta como a integração deliberada de árvores, cultivos agrícolas e/ou animais e aponta benefícios como diversificação da produção e da renda, melhoria da saúde do solo e da gestão da água e maior resiliência às mudanças climáticas.

Para a Verthic, que atua há mais de uma década na Amazônia e já implantou mais de 110 Sistemas Agroflorestais (SAFs), o ponto central está em entender as características de cada território e construir projetos a partir da combinação entre conhecimento local, capacidade técnica e planejamento.

“O conhecimento das comunidades não deve ser tratado como uma receita pronta, mas como uma fonte importante de informação sobre o território. Temos o desafio de criar projetos que consigam integrar esse conhecimento à ciência e às necessidades econômicas e ambientais de cada região, sempre com participação efetiva das comunidades”, afirma Fernando Vincenti, fundador da Verthic.

Foto: Reprodução/ Instituto BioSistêmico

Recuperação da Amazônia

Essa abordagem já aparece em iniciativas recentes. Em 2024, a Embrapa iniciou, em parceria com o Fundo Vale e outras instituições, um projeto em território indígena no Maranhão para conhecer experiências locais de sistemas agropecuários e conservação florestal e identificar desafios de produção a partir também do conhecimento tradicional.

Em 2025, outra iniciativa envolvendo FAO, MCTI e Instituto Mamirauá passou a desenvolver, junto às comunidades locais, metodologias para a recuperação de cerca de 26 mil hectares de florestas alagáveis da Amazônia. O projeto prevê ainda capacitação das comunidades e desenvolvimento de iniciativas relacionadas à cadeia produtiva da restauração.

Para Vincenti, experiências como essas reforçam que o desenvolvimento sustentável na Amazônia precisa dispor da capacidade de conectar conhecimento territorial, ciência, políticas públicas, financiamento e execução em campo.

“Quando um projeto é construído com participação de quem vive no território, aumentam as possibilidades de que ele seja adequado à realidade local e tenha continuidade. O objetivo não é romantizar o conhecimento tradicional, mas reconhecê-lo como um dos elementos que podem contribuir para projetos tecnicamente consistentes e economicamente viáveis”, completa.

*Com informações da assessoria

Puxuri, a árvore aromática da Amazônia com potencial científico e econômico

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Foto: Flávia Camila Schimpl/Acervo pessoal

Com aroma marcante, o puxuri é uma árvore nativa da região amazônica que chama atenção tanto pelos usos tradicionais quanto pelo potencial científico e econômico. A espécie, conhecida cientificamente como Licaria puchury-major (Mart.) Kosterm., pertence à família Lauraceae, a mesma de árvores conhecidas como o pau-rosa e a canela, além do abacateiro.

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De grande porte, o puxuri pode alcançar entre 25 e 30 metros de altura e possui uma característica que ajuda a diferenciá-lo de outras espécies da floresta: o aroma intenso, presente em praticamente toda a planta.

Segundo doutora em biologia vegetal e pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Flávia Camila Schimpl, a fragrância pode ser percebida na casca, madeira, folhas, frutos e, principalmente, na semente, que concentra uma grande quantidade de óleo essencial rico em safrol, com aproximadamente 40% e, em algumas amostras, mais de 70% da composição, acompanhado pelo eucaliptol.

“O nome científico é Licaria puchury-major (Mart.) Kosterm., mas ao longo da história ela já foi classificada em outros gêneros, como Ocotea e Nectandra, o que pode gerar alguma confusão na literatura antiga”, explicou a pesquisadora. 

Onde o puxuri é encontrado?

O puxuri é uma espécie nativa e endêmica da Amazônia brasileira, ou seja, em condições naturais, ela não ocorre em nenhuma outra parte do mundo. No Brasil, a árvore é encontrada nos estados do Amazonas e do Pará.

No Amazonas, os registros estão principalmente em áreas do baixo rio Madeira, em afluentes do baixo rio Negro e do baixo Japurá. A espécie já foi identificada em municípios como Borba, Silves, Santa Isabel do Rio Negro e Maraã.

“Está presente tanto em florestas de igapó, que são áreas sazonalmente alagadas, quanto em floresta de terra firme”, destacou Schimpl. 

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Árvores de puxuri no Igarapé da Piaba, Borba. Foto: Flávia Camila Schimpl/Acervo pessoal

Essa distribuição também faz parte das pesquisas realizadas sobre a espécie. De acordo com Flávia Camila Schimpl, compreender como o ambiente influencia o desenvolvimento da árvore é importante para conhecer melhor sua produção de óleo essencial e pensar em formas de cultivo que reduzam a pressão sobre as populações naturais.

Identificação da árvore

A identificação do puxuri não depende apenas da aparência. Segundo Schimpl, a espécie apresenta folhas alternas ou subopostas, de formato elíptico a oblongo, com textura firme e superfície lisa e brilhante, e em média, com 10 centímetros de comprimento.

Porém, uma das características mais marcantes é o cheiro. De acordo com a pesquisadora, o aroma característico pode ser percebido quando diferentes partes da planta são maceradas.

“Como várias Lauraceae amazônicas se parecem entre si, a identificação segura depende de um botânico especialista, idealmente apoiada por análise química”, afirmou. 

O fruto também apresenta características próprias, como o formato oval que faz com que ele fique preso aos galhos por uma pequena estrutura semelhante a uma cúpula. Schimpl explica que quando amadurece, o fruto cai naturalmente e abriga uma única semente de coloração marrom-escura, lisa, brilhante e bastante aromática.

A semente que virou especiaria

Entre as diferentes partes do puxuri, a semente, também chamada de amêndoa, é a mais utilizada. É nela que está concentrada a grande quantidade do óleo essencial responsável pelo aroma intenso.

O uso da semente ultrapassa as fronteiras da Amazônia e tem uma história que remonta a séculos. Segundo Flávia Camila Schimpl, o puxuri foi uma das primeiras especiarias amazônicas a atravessar o Atlântico. 

“Suas sementes, conhecidas na Europa como “fava-pichurim” (pichurim beans), eram exportadas já entre os séculos XVII e XVIII e usadas como substituto da noz-moscada, além de aplicações na medicina e na perfumaria da época”, explicou.

Sementes de puxuri secando ao sol. Foto: Flávia Camila Schimpl/Acervo pessoal

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Atualmente, a semente continua presente na culinária amazônica e também ganhou espaço na gastronomia. Seu sabor e aroma fazem com que seja utilizada como condimento, como ralar sobre a língua do pirarucu.

Segundo a pesquisadora, o processo tradicional de beneficiamento também envolve etapas específicas, como a secagem ao sol durante vários dias e, posteriormente, uma rápida torra em tacho. Além disso, o ingrediente também já foi incorporado à alta gastronomia por chefs em pratos e bebidas.

Conhecimento tradicional

O puxuri também está ligado aos conhecimentos tradicionais das populações amazônicas. Além da culinária, a planta é utilizada na medicina popular.

“Na medicina popular, infusões e chás feitos da semente, da casca e das folhas são usados como tônicos e no tratamento de problemas gastrointestinais, como diarreia, má digestão e dores de estômago, além de dores de cabeça e insônia”, explicou Marcela. 

Esses conhecimentos fazem parte da relação entre as comunidades e a floresta e ajudam a explicar por que o puxuri é considerado pela pesquisadora um exemplo da sociobiodiversidade amazônica.

Para Schimpl, a importância da espécie está justamente na combinação entre biodiversidade, cultura e potencial econômico. O puxuri “é, ao mesmo tempo, patrimônio genético, químico e cultural”.

O potencial das folhas

Embora a semente seja a parte mais conhecida e utilizada, as pesquisas realizadas atualmente procuram ampliar o aproveitamento do puxuri. De acordo com Flávia, as folhas ainda são pouco utilizadas, mas apresentam potencial para gerar novas possibilidades de renda aos produtores, principalmente nos períodos em que não há produção de frutos.

Coleta de folhas de puxuri no Igarapé Puxurizal. Foto: Flávia Camila Schimpl/Acervo pessoal

Segundo a pesquisadora, as folhas apresentam elevado rendimento de óleo essencial e uma composição semelhante à encontrada na semente. Uma das linhas de investigação de pesquisas avalia o potencial fungicida desse óleo, com resultados considerados promissores para o controle de agentes infecciosos  que causam doenças em plantas.

Conservação da floresta

Apesar de não constar oficialmente nas listas nacionais de espécies ameaçadas de extinção, o puxuri enfrenta desafios relacionados à conservação.

Flávia Camila Schimpl explica que existem registros, desde a década de 1990, apontando uma redução da presença da espécie em algumas áreas onde antes era abundante, com um dos fatores relacionado à exploração intensa ocorrida no passado. A produção ainda depende, em grande parte, do extrativismo, enquanto os plantios comerciais de puxuri ainda são pouco estabelecidos. 

Outro problema está relacionado à forma de coleta em algumas regiões. De acordo com a pesquisadora, há relatos de árvores em áreas de igapó que são cortadas inteiras durante o período de frutificação para facilitar a retirada dos frutos. 

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fruto do puxuri
Frutos de puxuri. Foto: Gustavo Buzaglo

Além disso, a situação é agravada pelo crescimento relativamente lento da espécie. Além da pressão provocada pela atividade humana, as mudanças ambientais também despertam preocupação. 

“E há um fator que temos acompanhado de perto: as mudanças climáticas, com eventos extremos como o El Niño já em curso este ano, somadas às ações antrópicas de desmatamento e alteração no uso do solo, vêm afetando o regime de chuvas e impactando a ecofisiologia das plantas amazônicas. Isso pode reduzir a abundância e a diversidade genética das populações e alterar até a produção e a composição dos produtos florestais não madeireiros, como os óleos essenciais”, explicou Schimpl. 

No caso do puxuri, a frutificação nem sempre ocorre de maneira regular, e uma das hipóteses estudadas é justamente a influência das alterações climáticas nesse processo.

Ciência em busca de uma cadeia produtiva sustentável

Para enfrentar esses desafios e, ao mesmo tempo, ampliar o potencial econômico do puxuri, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) desenvolvem estudos em parceria com o Instituto Federal do Amazonas (IFAM), com financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A pesquisa é realizada junto a produtores de Borba, município que abriga um dos poucos plantios de puxuri do Amazonas.

A proposta é estruturar a cadeia produtiva da espécie desde o início. Isso inclui:

  • a seleção das melhores árvores-matrizes, capazes de produzir maior quantidade de óleo essencial e apresentar a qualidade desejada;
  • produção de mudas com qualidade e rastreabilidade;
  • desenvolvimento de sistemas de cultivo;
  • processamento da matéria-prima;
  • e criação de novos produtos.

Os pesquisadores também comparam plantas encontradas naturalmente em áreas de igapó com aquelas cultivadas em terra firme. De acordo com Flávia Camila Schimpl, a intenção é entender de que maneira o ambiente interfere no rendimento e na composição do óleo essencial.

Diante do El Niño, saneamento deve ser prioridade para mitigar o peso das mudanças climáticas

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Foto: Annie Spratt

De volta com força em 2026, o El Niño vem intensificando os efeitos nas regiões brasileiras nesse segundo semestre do ano. O fenômeno é um retrato, em tempo real, do que as mudanças climáticas devem tornar rotina: segundo o Instituto Trata Brasil, o Brasil pode enfrentar em média 12 dias de racionamento de água por ano até 2050, podendo passar de 30 dias em regiões do Nordeste e do Centro-Oeste.

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As mudanças climáticas representam uma crescente ameaça para o setor de saneamento no Brasil, intensificando desafios já existentes e criando riscos para a operação de sistemas de água e esgoto. 

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Diante do El Niño, saneamento deve ser prioridade para mitigar o peso das mudanças climáticas. Foto: Reprodução/ estudo 'Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas'
Diante do El Niño, saneamento deve ser prioridade para mitigar o peso das mudanças climáticas. Foto: Reprodução/ estudo ‘Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas’

O estudo “Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas“, do Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria EX Ante, projeta um aumento de aproximadamente 1°C na temperatura máxima e de 0,47°C na mínima até 2050, na comparação com os níveis de 2023. A tendência é de menos dias de chuva, calor intenso, secas e tempestades, um padrão que já se manifesta durante o El Niño atual.

O aumento de temperatura, por si só, deve elevar o consumo de água em 12,4% além do crescimento já esperado por fatores econômicos e populacionais, uma demanda extra de 2,113 bilhões de m³ por ano, que exigiria produzir mais 3,515 bilhões de m³ anuais mantendo o mesmo nível de perdas registrado em 2023.

Diante do El Niño, saneamento deve ser prioridade para mitigar o peso das mudanças climáticas. Foto: Reprodução/ estudo ‘Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas’

Para a população, os riscos climáticos intensificam a desigualdade no acesso a serviços de saneamento básico de qualidade, especialmente em áreas urbanas periféricas e rurais, já que enfrentam dificuldades de infraestrutura. A escassez hídrica pode limitar o acesso à água para higiene pessoal, preparo de alimentos e outras necessidades básicas, além de elevar o risco de doenças de veiculação hídrica pelo uso de fontes alternativas inseguras.

Universalizar o saneamento básico é parte da mitigação das mudanças climáticas, já que reduzir perdas, tratar o esgoto e planejar o abastecimento com mais eficiência diminuem a pressão sobre os recursos hídricos e a vulnerabilidade das cidades a eventos climáticos extremos. 

Diante do El Niño, saneamento deve ser prioridade para mitigar o peso das mudanças climáticas. Foto: Reprodução/ estudo ‘Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas’

O contexto reforça a necessidade de políticas de adaptação que assegurem o acesso à água e saneamento em cenários climáticos extremos, promovendo a resiliência das comunidades mais afetadas. É esse compromisso que o Voto no Saneamento busca colocar nos planos de governo dos candidatos aos governos estaduais em 2026, para que a resposta ao clima não fique só no discurso.

*Com informações do Instituto Trata Brasil.

Amazônia Mato-Grossense: 5 atrativos turísticos de Paranaíta

Foto: Lenine Martins/Secom-MT

No extremo norte de Mato Grosso, o município de Paranaíta reúne paisagens de floresta amazônica, grandes rios, formações rochosas e vestígios de antigas ocupações humanas. Conhecida como um dos destinos de turismo de aventura da Amazônia mato-grossense, a cidade oferece experiências que vão do contato com a natureza à descoberta de sítios arqueológicos milenares. 

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Entre os principais atrativos de Paranaíta estão o Sítio Arqueológico Pedra Preta, o Rio Teles Pires, o Canyon do Indiscreto, a Lagoa Azul e as áreas de floresta associadas ao Rio Cristalino.

A região também ganha destaque por atividades como pesca esportiva, canoagem, rafting, observação de aves, caminhadas e passeios de barco.

Conheça os atrativos de Paranaíta:

Sitío Arqueológico Pedra Preta

Um dos maiores símbolos de Paranaíta é o Sítio Arqueológico Pedra Preta, localizado em uma propriedade rural a aproximadamente 40 quilômetros da sede do município. O local se destaca pela formação geológica, composta por uma enorme exposição de granito cinza, com cerca de 37 metros de altura, cuja superfície é coberta por algas, musgos e líquens.

No entanto, é a presença da arte rupestre que transforma a Pedra Preta em um patrimônio de importância histórica e cultural. A exposição possui cerca de 9,6 hectares e abriga nove painéis com gravuras e grafismos produzidos por povos indígenas que ocuparam a região há milhares de anos.

O painel principal, com cerca de 12 metros de altura, reúne diferentes representações, entre elas figuras humanas e elementos associados à fauna e à flora.

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Conheça os atrativos turísticos de Paranaíta, na Amazônia Mato-Grossense
Sítio Arqueológico de Pedra Preta em Paranaíta (MT). Foto: Reprodução/Acervo Iphan

Para a professora Liliam Patricia Pinto, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), a importância da Pedra Preta começa pela própria geologia. “É um afloramento rochoso de granito, de origem magmática, que por si só já é interessante. O que deixa mais especial são os desenhos em baixo relevo feitos por uma cultura indígena há cerca de 2.500 a 5.000 anos atrás”, explicou.

A professora destaca ainda que Paranaíta está inserida em uma área de Floresta Amazônica com alta biodiversidade, mas ressalta um desafio para o desenvolvimento do turismo: a falta de um plano municipal de ecoturismo e de áreas públicas de floresta destinadas à visitação. Como muitas áreas naturais estão em propriedades privadas, o visitante que chega sem apoio especializado pode encontrar dificuldades para acessar e conhecer determinados pontos.

Por isso, a visita à Pedra Preta deve ser planejada, respeitando a propriedade, as regras de preservação e o patrimônio arqueológico. O acesso por estradas de terra e trilhas também torna recomendável o acompanhamento de pessoas que conheçam a região.

Rio Teles Pires

Outro destino de Paranaíta é o Rio Teles Pires, um dos mais importantes cursos d’água do norte de Mato Grosso.

O rio é procurado principalmente por pescadores esportivos, mas suas paisagens também favorecem atividades de contemplação e aventura. Entre os cenários de destaque estão as Corredeiras Sete Quedas, a Corredeira dos Andradas, o Canyon do Indiscreto e o arquipélago formado por ilhas fluviais.

De acordo com Liliam, o Canyon do Indiscreto está integrado ao ambiente do Teles Pires, e reforça o potencial de Paranaíta para o ecoturismo e para atividades de aventura. Além disso, nas áreas de corredeiras, dependendo das condições e da segurança, podem ser realizadas atividades como rafting e canoagem, passeios de barco e safáris fotográficos que permitem observar a paisagem e a fauna amazônica.

Foto: Pedro Ribas/Bombeiros de Sinop (MT)

Apesar de sua importância ambiental e turística, o Teles Pires também passou por mudanças provocadas pela ocupação humana. Segundo a professora, ações humanas alteraram significativamente o ambiente.

“A construção da usina, o garimpo e o excesso de casas flutuantes alteraram demais a paisagem e a biodiversidade do rio, mas continua belo muito procurado para o lazer e pesca esportiva”, declarou.

A observação da fauna pode revelar espécies características da região amazônica, como araras, antas, capivaras e diferentes animais silvestres. Avistamentos de grandes mamíferos, entretanto, são imprevisíveis e dependem das condições do ambiente e da sorte do visitante.

Lagoa Azul

A chamada Lagoa Azul é outro ponto de interesse em Paranaíta para quem busca experiências ligadas à natureza. O ambiente funciona como área de abrigo e reprodução para espécies da região, tornando-se interessante para quem gosta de observar fauna, flora e paisagens naturais.

Foto: Reprodução/ Facebook Lagoa Azul

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O local também representa um tipo de turismo que pode ser desenvolvido de maneira integrada à conservação ambiental, desde que a visitação seja organizada e respeite os limites do ecossistema.

Rio Cristalino e a floresta vista de cima

A experiência amazônica da região de Paranaíta pode ser ampliada com os atrativos associados ao Rio Cristalino, conhecido pela riqueza de sua floresta de terra firme e pela diversidade de espécies. Um dos destaques são as Torres de Observação do Cristalino, estruturas que chegam a cerca de 50 metros de altura e permitem ao visitante observar acima da copa das árvores.

Do alto, é possível observar aves e primatas e perceber a extensão da mata amazônica. Entre os animais que podem ser encontrados na região está o raro macaco-aranha-de-cara-branca. O roteiro também pode incluir navegação pelo Rio Cristalino, caminhadas por trilhas na floresta, como a Trilha da Castanheira, e passeios de caiaque, inclusive em horários próximos ao pôr do sol.

Fest Praia

Além dos atrativos naturais e históricos, Paranaíta também possui eventos que movimentam o turismo regional. Um dos mais conhecidos é o Fest Praia, realizado tradicionalmente às margens do Rio Teles Pires durante o período de formação das praias fluviais.

O evento costuma reunir shows, atividades esportivas, alimentação, camping e programação cultural, atraindo moradores e visitantes de diferentes municípios do norte de Mato Grosso.

A realização, porém, depende das condições do rio, já que a dinâmica das águas pode alterar a formação das praias e, consequentemente, interferir na estrutura e no calendário do festival.