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Fim dos orelhões? Veja quantos aparelhos ainda funcionam na Amazônia Legal

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Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal

Se você nasceu nos anos 70, com certeza conheceu e se lembra dos tradicionais orelhões brasileiros que eram indispensáveis no cotidiano da população. Atualmente, apesar desse tipo de telefone público ter sido essencial, são equipamentos que caminham para a extinção no país, principalmente com o acesso aos smartphones

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A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a retirada gradual dos telefones públicos até o fim de 2028, colocando fim a uma parte importante da história da comunicação no Brasil. A decisão reflete a queda no uso desses aparelhos com a popularização dos celulares e da internet, fazendo com que muitos orelhões passassem a ser vistos apenas como peças históricas espalhadas pelas cidades. 

Além disso, o fim das concessões de telefonia fixa das empresas responsáveis, encerradas em 2025, também contribuíram para a retirada definitiva do serviço.

Número de orelhões em funcionamento na Amazônia

Porém, um levantamento divulgado em 2026, com base em dados da Anatel, mostra que nos nove estados da Amazônia Legal, 13.518 orelhões ainda estão ativos e outros cerca de 10 mil aparelhos se encontram inativos ou em manutenção.

Outro dado mostra que municípios dos interiores dos estados concentram mais aparelhos em funcionamento do que as próprias capitais, evidenciando as dificuldades de acesso à comunicação em áreas isoladas da região.

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Chu Ming Silveira com o orelhão instalado na FAU USP, anos 70 Chu Ming Silveira com o orelhão instalado na FAU USP, anos 70. Foto: Reprodução/Orelhão
Fonte: Acervo de Chu Ming Silveira no site orelhao.arq.br

Os municípios amazonenses com maior número de telefones públicos em funcionamento, por exemplo, são:

  • Lábrea, com 71 aparelhos;
  • São Gabriel da Cachoeira, com 63;
  • Manicoré, com 43;
  • e Jutaí, com 31, operados pelas empresas Claro e Oi.

No Acre, os municípios que se destacam são:

  • Feijó, com 27 orelhões;
  • Sena Madureira, com 24;
  • e Tarauacá, com 22 aparelhos ainda em funcionamento, e também operados pelas empresas Claro e Oi.

Em Roraima, os números são menores, já que o municipio com maior número de aparelhos em funcionamento é Amajari, que possui apenas 10 orelhões ativos, enquanto Caracaraí conta apenas com sete.

Já no Pará, a presença desses equipamentos ainda é significativa:

  • Santarém lidera com 93 orelhões em funcionamento,
  • seguida por Altamira, com 38,
  • e Monte Alegre, com 33, também operados pelas empresas Claro e Oi.

Nos estados de Rondônia, Amapá e Tocantins, nenhum município ultrapassa dez aparelhos ativos.

Em Mato Grosso, Vila Bela da Santíssima Trindade possui 14 orelhões, enquanto Nossa Senhora do Livramento registra 11. No Maranhão, os municípios com maior quantidade de telefones públicos são Santa Luzia, com 38 aparelhos; Amarante do Maranhão, com 26; e Barra do Corda, com 22.

Contraste tecnológico na Amazônia

Orelhões duplos
Foto: Reprodução/Site orelhão

De acordo com as informações, os orelhões só devem ser mantidos nas cidades onde não há rede de celular disponível, e a sua forte concentração no interior da Amazônia evidencia um forte contraste brasileiro.

Já que enquanto as grandes capitais avançam com tecnologia 5G e serviços digitais cada vez mais integrados, o interior desses estados ainda enfrenta dificuldades básicas de cobertura telefônica e acesso à internet.

Dados do IBGE, mostram que a Amazônia Legal ocupa 58,9% do território brasileiro e reúne áreas de difícil acesso, como comunidades ribeirinhas e regiões isoladas que ainda dependem de meios de comunicação tradicionais. Em muitos lugares onde o sinal de celular desaparece durante viagens pelos rios ou a internet chega de forma limitada, o orelhão continua sendo uma ponte de contato com hospitais, familiares e serviços essenciais.

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A história do Orelhão

De acordo com o site Orelhão, o aparelho foi criado em 1971, e rapidamente se transformou em um dos maiores símbolos da comunicação pública brasileira. O projeto foi desenvolvido pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, que criou tanto o modelo maior, conhecido popularmente como ‘Orelhão’, quanto a versão menor, chamada ‘Orelhinha’, feita para ambientes internos.

A inauguração oficial para o público aconteceu no dia 20 de janeiro de 1972, no Rio de Janeiro e, cinco dias depois, em São Paulo. Os primeiros aparelhos foram instalados na sede da antiga Companhia Telefônica Brasileira (CTB), no centro de São Paulo.

Projeto original do orelhão. Foto: Reprodução/Site orelhão

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De acordo com o site, em 1975, surgiram os modelos azuis, destinados às chamadas interurbanas, e em 1992, as tradicionais fichas telefônicas deram lugar aos cartões telefônicos. Em 1998, os aparelhos ganharam a cor verde-limão após a privatização da Telebrás e a aquisição da Telesp pela espanhola Telefónica. 

Além disso, o aparelho participou de exposições de design no Brasil, homenagens em museus e até de uma intervenção urbana em 2012, quando cem orelhões customizados por artistas foram espalhados pelas ruas de São Paulo na ‘Call Parade’.

Mesmo próximos da despedida definitiva, os orelhões seguem vivos na memória afetiva dos brasileiros  e, em algumas regiões da Amazônia, ainda cumprem um papel essencial no dia a dia da população.

“O boi me escolheu”: influenciador carioca se apaixona pelo Festival de Parintins sem nunca ter visitado à ilha

Pedro Bonvivant, influenciador carioca apaixonado pelo boi Garantido. Foto: Pedro Bonvivant/Arquivo pessoal

O alcance das redes sociais facilita e amplia o contato de pessoas de diferentes lugares, inclusive com diferentes manifestações culturais. Um exemplo disso, é a relação do influenciador digital Pedro Oliveira Bonvivant, nascido e criado no Rio de Janeiro com a paixão pelo Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. Sem nunca ao menos ter visitado a Ilha Tupinambarana

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O amor pelo festival, que começou a distância, através da tela do celular, mostra que não é preciso nascer no Amazonas para sentir o coração bater mais forte ao som de uma toada.

Ao Portal Amazônia, Bonvivant conta que o primeiro contato com o Festival de Parintins aconteceu entre 2018 e 2019, quando acompanhou conteúdos publicados pela ex-BBB e influenciadora Ana Clara Lima, durante sua passagem por Parintins.

“Eu não faço ideia do que me fez apaixonar pelo festival. Acho que não tem uma coisa específica, mas eu lembro de que quando eu assisti a apresentação do Boi Garantido, eu fiquei todo arrepiado. E desde então, eu sou doido pelo festival”, relembrou Bonvivant. 

Segundo ele, o sentimento nunca foi racional e não existe uma explicação exata para a paixão que sente ser tão intensa. “Só de começar a falar sobre, só de ouvir as toadas, eu já fico todo arrepiado. É muito doido, porque só pela tela eu fico assim”.

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E a admiração vai além da disputa entre os bois Caprichoso e Garantido, já que as toadas, a rivalidade saudável, as alegorias gigantescas e, principalmente, a forma como a cidade inteira vive a cultura bovina durante o ano inteiro também fascinam o influenciador, que assegura sentir admiração pelo espetáculo como um todo.

influenciador carioca se apaixona pelo Festival de Parintins sem nunca ter visitado à ilha
Foto: Reprodução/Redes sociais

“Eu percebi que era paixão quando eu vejo que toda vez eu me arrepio. Quando eu começo a falar, eu me arrepio, quando eu começo a ouvir as toadas, eu me arrepio. E aí eu entendi que era amor mesmo”, relatou Bonvivant. 

De acordo com o influenciador, a maior certeza em seu coração é que ele atende pelas cores vermelho e branco. Além disso, assegura que não escolheu o boi, mas sim foi escolhido por ele:

“Quando assisto ao contrário, acho bonito, claro. Mas não me emociona. O Garantido faz meu olho encher de lágrimas. Faz eu querer cantar, pular, viver aquilo”.

Assumidamente ‘perreché‘, Pedro Bonvivant revela que seu item favorito é justamente o Item 19, a galera, por representar a energia coletiva que transforma o Bumbódromo em um espetáculo único. Entre as toadas favoritas, a recente ‘Perrecheiro‘ tem ocupado um lugar especial.

“Quando começa [o trecho] ‘Gara, gara, gara, Garantido amor’, eu fico completamente maluco”. 

Apesar disso, a paixão declarada pelo Garantido não impede que ele reconheça a potência do rival azul e branco, sobrando espaço até para curtir as toadas do ‘boi contrário’. “’Málúù Dúdú’ é impossível não dançar”, brinca.

Em Parintins, muitos dizem que “não escolhemos o boi, ele nos escolhe”, mas é uma escolha que geralmente acontece ao vivenciar a experiência. Apesar de ainda não ter vivido isso, Pedro acredita ser difícil ser escolhido pelo boi contrário.

“Se por uma tela o boi Garantido me escolheu e faz eu chorar igual criança, eu acho muito difícil isso não acontecer pessoalmente. Eu acho que eu posso, sim, achar o boi contrário muito bonito. Tenho certeza de que eu vou achar tudo muito lindo, mas não tem jeito. Eu acho que meu coração já é vermelho e branco, eu sou perreché, não tem como!”, assegurou.

Carioca e apaixonado pelo carnaval, Bonvivant acredita que a conexão com Parintins talvez venha justamente da vivência cultural que sempre teve no Rio de Janeiro. Salgueirense (GRES Acadêmicos do Salgueiro), cresceu em meio ao universo das escolas de samba, acompanhando familiares que produziam fantasias carnavalescas.

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Realização de um sonho

Em 2026, depois de seis anos sonhando com esse momento, ele finalmente vai realizar o desejo de viver o festival pessoalmente.

Depois de fazer uma campanha em suas redes sociais pedindo ajuda para conseguir ir ao festival, uma empresa notou a paixão do carioca pela cultura nortista e se propôs à levá-lo até Parintins.

Agora, a expectativa é enorme e Pedro planeja visitas aos currais, sentir a vibração da arena bovina e conhecer de perto tudo aquilo que o emocionou durante anos através das telas.

“Vai ser a realização de um sonho. Estou ansioso para conhecer Parintins, viver essa energia e sentir tudo isso de perto”. 

Bumbódromo de Parintins. Foto: Yuri Pinheiro/Secom Parintins
Bumbódromo de Parintins. Foto: Yuri Pinheiro/Secom Parintins

E, é claro, além de realizar um sonho dessa paixão pessoal, ele também vê sua presença no festival como uma oportunidade de apresentar a cultura amazônica para mais brasileiros.

Segundo ele, muitas pessoas ainda desconhecem a riqueza da manifestação cultural amazonense e muitos de seus seguidores passaram a descobrir o Festival de Parintins através dos conteúdos que ele tem publicado nas redes sociais.

“Muita gente acaba me perguntando: ‘mas como é que é? Como funciona? Não conhecia’. Então é muito bacana ver que outras pessoas também estão tendo interesse em saber como é o festival”, comentou. 

E se alguém imagina que ele já sofreu preconceito por “ser de fora”, a resposta é não. O influenciador conta que sempre foi acolhido com carinho por amazonenses e parintinenses, que torcem para vê-lo realizando esse sonho.

Suça, Desfeiteira, Jacundá… conheça 9 danças diferentes da Amazônia Legal 

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Foto: Itur Transporte e Turismo

A Amazônia Legal é um território composto por diversas identidades culturais, em que tradições indígenas, africanas e europeias se entrelaçam e dão origem a manifestações culturais. Entre essas manifestações, as danças populares transmitem, de geração em geração, histórias, crenças, modos de vida e sentimentos.

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O Portal Amazônia procurou por algumas dessas danças que fazem parte das celebrações espalhadas nos nove estados da Amazônia Legal. Confira:

Suça (Tocantins)

A Suça, também conhecida como Súcia ou Sússia, é uma das manifestações culturais mais antigas do Tocantins. De acordo com informações do Governo do Estado, sua origem remonta ao século XVIII, quando africanos escravizados foram levados para trabalhar na mineração de ouro na região sudeste do estado.

Dançada nas festividades folclóricas de cidades como Paranã, Santa Rosa do Tocantins, Monte do Carmo, Natividade, Conceição do Tocantins, Peixe e Tocantinópolis, a dança combina canto, ritmo e movimentos embalados por tambores e cuícas. 

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Conheça 9 danças diferentes da Amazônia Legal 
Foto: Divulgação/Secult

Além disso, versos curtos, inspirados no cotidiano, são entoados ao som de instrumentos como viola, tambor, pandeiro e caixa. A dança varia conforme a comunidade, já que cada grupo imprime seu próprio ritmo, passos e significados. 

A Suça também está profundamente ligada às manifestações religiosas do catolicismo popular, como a Folia do Divino, e um dos passos mais característicos é a ‘Jiquitaia’, que integra a coreografia tradicional. De acordo com o Governo do Tocantins, apesar de ainda não ser oficialmente registrada como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a instituição reconhece sua relevância cultural.

A transmissão entre gerações, como ocorre em famílias de mestres suceiros, garante a continuidade dessa tradição, aprendida desde a infância e mantida ao longo da vida.

Cacuriá (Maranhão)

O Cacuriá é uma dança típica do Maranhão, presente especialmente no encerramento das festividades do Divino Espírito Santo. De acordo com o livro ‘Vem cá curiar o cacuriá!’, da jornalista Inara Rodrigues, a dança foi criada em 1973 pelo folclorista Alauriano Campos de Almeida, conhecido como Seu Lauro.

Inspirado no Carimbó das Caixeiras, o Cacuriá reúne influências de diversos ritmos, como próprio Carimbó, o Bumba meu boi e os ritmos das caixas da Festa do Divino Espírito Santo. A manifestação é marcada por coreografias sensuais, músicas com duplo sentido e forte interação entre os dançarinos e o público.

Foto: Reprodução / Geografia Nordeste

A dança é realizada em roda, com pares que executam movimentos rápidos e cheios de improviso, embalada por músicas que abordam temas como natureza, crenças e cotidiano, conduzidas por um coro que responde aos versos improvisados.

Popularmente, o Cacuriá também é associado à figura de Dona Teté, que, em 1986, criou sua própria versão da dança. Segundo a jornalista Inara Rodrigues, a manifestação acontece após a fase religiosa das festividades, configurando-se como momento de descontração.

Os instrumentos incluem a ‘Caixa do Divino’, o banjo, o violão e a flauta, e os trajes são de cores vibrantes e combinados: mulheres usam saias rodadas e blusas curtas, enquanto os homens vestem peças com estampas semelhantes.

Siriri (Mato Grosso)

O Siriri é uma dança tradicional do Centro-Oeste, especialmente de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. De acordo com o artigo O Siriri: Uma Manifestação Cultural‘, publicado na Revista de Comunicação Científica, escrito por Sônia Pereira e Carlos Rinaldi, trata-se de uma dança alegre, com coreografias simples em roda ou fileiras.

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Foto: Reprodução/Danças típicas

A origem da dança é resultado da mistura de culturas indígenas, africanas e europeias, e que inicialmente era ligada a rituais religiosos, mas passou a integrar festas populares e celebrações comunitárias. Os movimentos são marcados por palmas, gestos sincronizados e expressões de alegria, embalados por instrumentos como a viola de cocho, o ganzá e o mocho, todos de fabricação artesanal.

De acordo com os escritores, os trajes típicos dos dançarinos também são marcados por cores vibrantes, em que as mulheres vestem saias rodadas, enquanto os homens utilizam calças compridas e camisas de manga longa.

Atualmente, a cidade de Cuiabá se destaca como casa da cultura local, abrigando diversos grupos de Siriri que se dedicam à preservação e a divulgação da dança.

Marujada (Acre)

A Marujada é uma dança típica do Acre que narra histórias de navegação em alto-mar. De acordo com o artigo ‘O Folguedo Marujada Brincado/Dançado no Acre: Tradição carnavalizada que integra a cultura corporal do Estado Amazônico, a tradição foi consolidada por mestres como Aldenor da Costa Souza, Zuleide Cordeiro e Chico do Bruno.

Foto: Quésia Melo/Rede Amazônica Acre

De acordo com os escritores, a manifestação surgiu por volta da década de 1950, implementada por um mestre de Manaus (AM), e que desde então, tem sido preservada por famílias e grupos culturais locais, como o Marujos da Alegria. A dança, realizada especialmente durante o carnaval, em espaços públicos e residências, envolve personagens que representam funções dentro de uma embarcação, como maquinistas e marinheiros.

Segundo o artigo, os grupos percorriam diversas casas, recebendo como retribuição alimentos ou pequenas recompensas, reforçando o caráter comunitário da manifestação. “Mas a maioria das vezes era uma ceia que eles comiam nessas casas, festejavam e bebiam, então era uma tradição deles”, relata o corpo brincante.

Jacundá (região amazônica)

O Jacundá é uma dança de origem indígena bastante popular na Amazônia como um todo. Segundo a Enciclopédia da Música Brasileira, trata-se de uma dança de roda em que homens e mulheres formam um círculo de mãos dadas.

Durante a execução, um participante vai ao centro e tenta escapar do círculo, enquanto os demais impedem sua saída, e quando consegue, outro assume seu lugar, continuando a dança repetidamente ao som de uma cantiga única.

Lundu Marajoara (Pará)

O Lundu Marajoara é uma das manifestações culturais mais antigas do Brasil, com origem africana. De acordo com o artigo ‘No bater da palma, o ‘lundu’ se torna ‘dança’ – a ‘dança’ que me torna professor(a)‘, de Antônio Benedito Lima Pantoja, a dança foi trazida por pessoas escravizadas da Angola e introduzido no Brasil ainda no período colonial, sendo inicialmente praticado nas senzalas.

Ao chegar à Ilha do Marajó, especialmente na região de Soure, o Lundu passou por um processo de ressignificação. De acordo com o autor, a dança foi adaptada ao modo de vida local, incorporando elementos da cultura dos vaqueiros e das comunidades marajoaras, se tornando uma manifestação popular.

Marcada pela sensualidade, a coreografia simula um jogo de sedução entre um homem e uma mulher, incluindo movimentos de quadril, olhares e gestos que representam um ritual de conquista, embalados por um ritmo lento e cadenciado, em que predominam os instrumentos de sopro e os atabaques.

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Foto: Reprodução/Danças Típicas

Historicamente, o Lundu chegou a ser censurado pela Igreja Católica por ser considerado imoral, no entanto, também conquistou espaço nas cortes europeias. Segundo o artigo, há um momento em que a mulher tenta cobrir a cabeça do homem com a saia, gesto que remete tanto à conquista amorosa quanto à metáfora da pesca com tarrafa, elemento presente no cotidiano da região.

Os trajes femininos incluem saias rodadas e blusas curtas, que deixam os ombros e o abdômen à mostra, enquanto os homens dançam sem camisa e com calça curta, vestimentas que remetem às roupas usadas pelos escravizados. A coreografia envolve formações em filas e rodas, conduzidas por um marcador que orienta os movimentos por meio de palmas, e passos que incluem batidas de pés, estalos de dedos e giros.

Além disso, a dança é acompanhada por instrumentos como curimbó, flautas e cavaquinho. Atualmente, o Lundu Marajoara é mantido por grupos folclóricos e parafolclóricos, como Aruans, Eco Marajoara e Cruzeirinho, que atuam na preservação dessa tradição.

Gambá de Pinhel (Pará)

O Gambá de Pinhel é uma dança ligada à Festa de São Benedito, realizada na comunidade de Pinhel, no Pará. De acordo com Lima e Amorim, no artigo Narrativas Orais sobre a Festa do Gambá: fé e cidadania‘, o nome refere-se a um tambor de madeira oca que marca o ritmo da celebração.

A festividade acontece anualmente em junho e reúne moradores de diversas comunidades da região, como Camarão e Escrivão, além de cidades próximas como Santarém e Itaituba. Na dança, as figuras centrais são o Rei e a Rainha, que se apresentam com roupas brilhantes nas cores verde, vermelho, branco e amarelo, e coroas adornadas com fitas coloridas que se estendem até a cintura.

A coreografia é simples, baseada no arrastar dos pés de um lado para o outro, acompanhando o ritmo do tambor. Segundo os autores, à medida que a apresentação avança, outras pessoas, que inicialmente eram espectadores, passam a integrar a dança, transformando o momento em uma grande celebração comunitária.

Desfeiteira (Amazonas)

A Desfeiteira é uma dança de origem portuguesa presente no Amazonas e em Alter do Chão (PA), onde é praticada durante o Sairé. Trata-se de uma das variações do fandango, caracterizada pelo seu caráter lúdico e humorístico.

De acordo com a Associação Brasileira dos Organizadores de Festivais de Folclore e Artes Populares​, a dinâmica da dança envolve pares que se movimentam pelo salão ao som de uma orquestra composta por instrumentos como violão, flauta, cavaquinho e, em alguns casos, trombone.

O momento mais marcante acontece quando a música para e o casal que estiver posicionado em frente à orquestra precisa improvisar um verso, geralmente declamado pelo cavalheiro. Caso não consiga ou cometa erros, o par é vaiado e precisa pagar uma ‘prenda’, o que reforça o tom descontraído da brincadeira.

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Maçarico (Amazonas)

A dança do Maçarico é uma das mais populares manifestações folclóricas do Amazonas. Segundo a Associação Brasileira dos Organizadores de Festivais de Folclore e Artes Populares, seu nome faz referência ao pássaro maçarico, comum na fauna regional.

A principal característica da dança está na imitação dos movimentos da ave. Os dançarinos realizam passos rápidos, com pequenas corridas, pulos e deslocamentos ágeis, lembrando o caminhar leve e acelerado do pássaro.

Além disso, a coreografia é executada por vários casais, que percorrem o espaço com movimentos variados, embalados por um ritmo acelerado e contagiante, o que torna a dança bastante envolvente para o público. Diferentemente de outras manifestações, o Maçarico não está associado a celebrações religiosas, já que trata-se de uma dança voltada ao entretenimento, com foco na performance e na expressão corporal.

O figurino masculino é composto por camisa e calça, geralmente em cores diferentes, enquanto o das mulheres é comporto por blusas e saias elaboradas e coloridas.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Debate sobre protagonismo indígena nas telas e novas lideranças reúne especialistas em Manaus

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Foto: Jackeline Lima/Amazon Sat

A valorização das vozes indígenas e o fortalecimento de novas lideranças foram o centro da roda de conversa ‘O protagonismo indígena nas telas e em novas lideranças’, debate realizado na sede da Rede Amazônica em Manaus (AM). O encontro aconteceu no dia 24 de abril, em alusão ao mês dos povos indígenas, e reuniu a ativista e liderança indígena Eliza Sateré Mawé, o professor da Ufam Raimundo Nonato Pereira da Silva, e outras representantes indígenas. O evento contou com a mediação da jornalista Ruthiene Bindá.

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O debate destacou como a presença indígena nos meios de comunicação, especialmente nas redes sociais, tem ampliado a visibilidade de histórias, culturas e lutas que, por muito tempo, foram invisibilizadas. Para Eliza Sateré Mawé, as telas se tornaram uma ferramenta essencial de conexão entre povos e territórios.

Por meio das telas eu posso conhecer e me identificar com a luta de outras mulheres, lutas parecidas com a nossa, que fortalecem com o protagonismo“, declarou.

Ela ressaltou ainda que acompanhar outras mulheres indígenas, mesmo à distância, cria uma rede de apoio e fortalecimento coletivo, permitindo que diferentes realidades se encontrem, promovendo identificação e pertencimento.

Eliza também citou exemplos concretos dessa conexão, como o acompanhamento do trabalho de artistas indígenas nas redes sociais, reforçando que a visibilidade digital contribui para valorizar a cultura e ampliar o alcance dessas produções.

Identidade e protagonismo indígena

Um dos pontos mais marcantes do encontro foi protagonizado por Elizete Tikuna, que cantou o Hino Nacional Brasileiro na língua Tikuna.

Outro ponto de destaque na discussão, foi o papel das mulheres indígenas como protagonistas dentro e fora das comunidades. Segundo os participantes, embora exista uma visão histórica que associa a figura do ‘guerreiro’ ao homem, na prática, são as mulheres que sustentam a organização social, cultural e familiar.

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Rede Amazônica promove debate sobre protagonismo indígena nas telas e novas lideranças
Rede Amazônica promove debate sobre protagonismo indígena nas telas e novas lideranças. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

O encontro também debateu o protagonismo da juventude indígena nas redes sociais, um espaço que, ao mesmo tempo em que oferece visibilidade, também expõe esses jovens a críticas e distorções.

Eliza destacou que ainda existe um olhar preconceituoso sobre jovens indígenas que utilizam essas plataformas. “Quando a juventude começa a ganhar esse protagonismo, já vem aquele olhar de que é um desocupado. Não enxergam que é uma forma de mostrar sua luta e como ele vê o mundo”, destacou.

Para o professor Raimundo Nonato, essa questão está diretamente ligada a uma luta histórica por autonomia e reconhecimento:

“A luta é pra dizer quem eu sou e não quem você quer que eu seja”, afirmou Nonato.

Foto: Rebeca Almeida

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De acordo com ele, os povos indígenas vêm batendo de frente com ideias antigas e cheias de estereótipos, que tentam dizer o que é ou não ser indígena a partir do olhar de quem está de fora, e não de quem vive essa realidade no dia a dia.

A presença indígena na universidade também foi destacada como um espaço de resistência e reconstrução de narrativas. Elizete Tikuna evidencia que a educação, ao ocupar espaços historicamente negados, os indígenas passam a produzir conhecimento, disputar narrativas e reivindicar protagonismo.

Ela também destaca sobre o processo de apropriação, que reforça a importância da auto-representação. “Muitas vezes outras pessoas vão falar sobre o que o indígena vive, vão pegar a história dele, se apropriar e colocar como sendo delas, na visão delas”, comentou.

Tecnologia como aliada

A visão dos participantes é que a tecnologia surge como uma ferramenta fundamental para garantir visibilidade e autonomia na construção de narrativas.

“O celular é uma ferramenta onde nós podemos nos expressar, mostrar a nossa cultura e contar a nossa prória história”, destacou Eliza.

Ruthiene Bindá destacou que o preconceito contra os povos indígenas é histórico e está enraizado na forma como a sociedade foi educada: “Esse preconceito é tão forte ainda, que vem desde o que a gente aprendeu lá atrás. O próprio indígena hoje ainda tem medo de dizer que ele é indígena”.

“Hoje a gente percebe o protagonismo e uma valorização de dizer ‘eu sou indígena’. Nós mesmos, enquanto amazônidas, estamos aprendendo a valorizar o que é nosso”, afirmou.

Representatividade

A presença indígena em programas de televisão e nas redes sociais também foi apontada como um fator importante de identificação e orgulho. A representatividade contribui para quebrar estereótipos e reforçar a diversidade cultural da Amazônia.

Elizete Tikuna. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

Ao falar sobre a importância da visibilidade, Eliza fez um apelo direto à sociedade:

“Nós não somos um bicho de sete cabeças, nós somos que nem vocês, mas do nosso jeito. A gente não se fantasia, a gente não se caracteriza, a gente é natural. Dizer quem é, mostrar e dizer, viver o que sou e saber quem sou”, afirmou Eliza.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

A primeira igreja do Norte e o maior órgão da América Latina: a história da Catedral de Belém

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Foto: Reprodução/ Catedral Metropolitana de Belém

A história da Catedral Metropolitana de Belém, também conhecida como igreja da Sé, dedicada a Nossa Senhora das Graças, está diretamente ligada à fundação e ao desenvolvimento da cidade de Belém. Considerada a primeira igreja da região Norte do Brasil, a catedral reúne fé, reconstruções e um dos mais importantes instrumentos musicais: o órgão Cavaillé-Coll, o maior da América Latina.

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De acordo com o site da Catedral de Belém, a cidade de Santa Maria foi fundada em 1616, a partir da construção do Forte do Presépio. Durante a construção, um nicho para abrigar a imagem de Nossa Senhora das Graças foi criado. 

Com o objetivo de expandir o povoamento, os colonizadores avançaram pela mata ao redor do forte e escolheram o lugar onde hoje está a Catedral para erguer a primeira igreja Matriz da cidade. Em homenagem a Nossa Senhora das Graças, a construção inicial era simples, feita de taipa de pilão e coberta de palha. 

Segundo a Catedral de Belém, a Paróquia de Nossa Senhora das Graças foi oficialmente criada em 28 de julho de 1617, tendo como primeiro vigário o padre Manuel Figueira de Mendonça. Naquele período, a paróquia estava subordinada à Prelazia de Pernambuco, permanecendo assim até 1622.

Reformas e desafios ao longo do tempo

Ao longo do tempo, a igreja passou por diversas transformações, como a restauração de 1653, feita por padres jesuítas sob a liderança do padre Souto Maior. No entanto, em 1714, a estrutura acabou desabando, o que levou à transferência das atividades religiosas para a Igreja de São João Batista.

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Foto: Reprodução/ Catedral Metropolitana de Belém

O site afirma ainda que a criação do Bispado do Pará, em 1719, por meio da bula ‘Copiosus in Misericordia’, marcou um novo momento para a Igreja na região, com a nomeação de Dom Frei Bartolomeu do Pilar como primeiro bispo. Dom Frei Bartolomeu do Pilar tomou posse de sua diocese por procuração em 1721, no entanto, só chegou a Belém em 1724. 

A igreja de São João, onde funcionava a Paróquia de Nossa das Graças, serviu como a Catedral do Dom Bartolomeu, até 1723, quando Dom João V ordenou a construção da Catedral de Belém doando a quantia de 60 mil cruzados. 

A construção da Catedral

A construção da atual Catedral começou no século XVIII e passou por diferentes fases. Em 1748, Dom Frei Guilherme de São José e Queiroz, segundo bispo do Pará, benzeu a pedra fundamental da nova igreja, na mesma data em que sua renúncia como bispo foi aceita.

Segundo a Catedral, o terceiro bispo do Pará, Dom Frei Miguel de Bulhões e Souza, foi responsável por dar continuidade significativa às obras, e em 1753, chegou a Belém o arquiteto italiano Antônio Landi, que assumiu a condução do projeto.

Ainda naquele ano, no dia 23 de fevereiro, a Catedral foi benzida, mesmo sem estar totalmente concluída, e no dia seguinte, o traslado do Santíssimo Sacramento da Igreja de São João para o novo templo aconteceu. As obras sofreram interrupções entre 1761 e 1766, sendo retomadas posteriormente, e a conclusão ocorreu em 1774, com a bênção da Capela-Mor, marcando o fim de um longo processo de construção.

O órgão Cavaillé-Coll

Um dos maiores símbolos da Catedral é o seu imponente órgão de tubos, construído pelo francês Aristide Cavaillé-Coll, considerado um dos maiores organeiros da história.

Inaugurado em 9 de setembro de 1882, o órgão foi adquirido por Dom Antônio de Macedo Costa, e de acordo com a Catedral de Belém, sua estreia foi marcada por uma cerimônia solene, com a presença das mais graduadas autoridades do Império do Brasil.

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órgão Cavaillé-Coll
Órgão Cavaillé-Coll. Foto: Reprodução/ Facebook-@Catedraldebelém

O órgão possui cerca de 8 metros de altura, 5,5m de largura, aproximadamente 25 mil peças, além de dois teclados manuais e uma pedaleira. Segundo a Catedral, o instrumento era considerado, o maior e mais sofisticado do Brasil, destacando-se pela capacidade de reproduzir desde sons suaves até efeitos grandiosos, como o de trovões.

Após décadas de uso, o órgão ficou inativo por cerca de 45 anos, chegando a apresentar riscos estruturais. Diante disso, em 1995, iniciou-se uma forte campanha de restauração em toda a cidade de Belém, que perdurou o ano inteiro.

Órgão Cavaillé-Coll. Foto: Reprodução/ Facebook-@Associaçãobrasileiradeorganistas

De acordo com a Catedral, o processo foi realizado na França, com a participação da empresa especializada Theo Haerpfer, escolhida por recomendação de especialistas internacionais. A reinauguração aconteceu em 14 de junho de 1996, durante a celebração do Sagrado Coração de Jesus, sob a presidência de D. Vicente Joaquim Zico, arcebispo metropolitano.

De acordo com a Catedral, órgão da Sé de Belém é o maior CAVAILLÉ-COLL da América Latina. Atualmente, ele é executado nas liturgias semanais e nas solenidades da Catedral de Belém, e também em concertos durante o ano, com a participação de organistas nacionais e internacionais.

*A matéria possui informações do site da Catedral Metropolitana de Belém




Pesquisa desenvolve teste rápido para identificar nematóides em lavouras de soja

Pesquisadores da Unemat em Nova Xavantina desenvolvem uma ferramenta de teste rápido para identificar os nematóides fitoparasitários na soja. Foto: Rodrigo Spyer

Nematóides são vermes microscópicos que vivem no solo e se alimentam exclusivamente de plantas; embora existam milhares de espécies de nematóides benéficos ao ecossistema, os nematóides fitoparasitários são especializados em atacar raízes, caules e folhas, sendo uma das principais causas de perdas agrícolas no mundo. Por esse motivo, pesquisadores da Unemat em Nova Xavantina desenvolvem uma ferramenta de teste rápido para identificar os nematóides fitoparasitários na soja.

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O projeto está criando um teste rápido que lê o DNA da terra e consegue identificar, de forma rápida e precisa, várias espécies de vermes inimigos da soja em um único exame de laboratório.

Unemat desenvolve teste rápido para identificar nematóides em lavouras de soja
Projeto está criando teste que lê DNA da terra e consegue identificar, de forma rápida e precisa, várias espécies de vermes inimigos da soja em um único exame de laboratório. Foto: Rodrigo Spyer

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O teste utiliza duas técnicas: metagenômica e qPCR. A metagenômica é como tirar uma ‘foto panorâmica’ do DNA de todos os organismos que vivem em uma amostra de solo. Em vez de procurar um nematoide por vez, os cientistas analisam a comunidade inteira para entender quem está lá. Já o qPCR (sigla em inglês para teste quantitativo de reação em cadeia da polimerase em tempo real) é uma técnica de alta precisão que ‘fotocopia’ o DNA de um organismo até que ele se torne visível para o computador. O ‘tempo real’ significa que o cientista consegue ver a praga aparecendo na tela enquanto o teste acontece, permitindo saber não só quem é o nematoide, mas quantos deles existem na amostra.

Teste é multiplex, ou seja, possui a capacidade de rodar vários testes ao mesmo tempo em um único tubo de ensaio: ao invés de fazer um exame para o nematoide A, outro para o B e outro para o C, o multiplex detecta todos de uma vez só. Foto: Rodrigo Spyer

O teste é multiplex, ou seja, possui a capacidade de rodar vários testes ao mesmo tempo em um único tubo de ensaio: ao invés de fazer um exame para o nematoide A, outro para o B e outro para o C, o multiplex detecta todos de uma vez só. A inovação substitui métodos morfológicos tradicionais, que são lentos e suscetíveis a erros humanos, por um sistema de alta precisão genética.

A pesquisa foca em espécies agressivas como Heterodera glycines (conhecido como nematóide de cisto da soja), Meloidogyne javanica (nematóide das galhas) e Pratylenchus brachyurus (nematóide das lesões), que ameaçam a sustentabilidade da cultura da soja em Mato Grosso.

Ao decifrar a ‘identidade genética’ específica dos vermes que vivem nas fazendas de Mato Grosso, a universidade constrói um banco de dados molecular inédito. O mapeamento permite a detecção precoce das pragas, facilitando o manejo integrado e reduzindo as perdas econômicas, estimadas em bilhões de reais por safra.

Pesquisadores

O avanço é resultado das pesquisas desenvolvidas por pesquisadores do AraguaiaBiotech, laboratório de Inovação Biotecnológica especializado em genômica e biotecnologia em Nova Xavantina.

A pesquisa é fruto do trabalho elaborado pelo pesquisador Wigis Pereira Peres, biólogo formado pela Unemat, mestre em Imunologia e Parasitologia Básicas e Aplicadas pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e cursando doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia pela Rede Pró-Centro-Oeste, da qual a Unemat faz parte. Wigis é orientado por Joaquim Manoel da Silva, professor da Unemat, doutor em Genética e Biologia Molecular e coordenador do AraguaiaBiotech, que atua tanto na Rede Pró-Centro-Oeste quanto no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação (PPGEC), programa institucional da Unemat. Wigis também é orientado com Paulo Afonso Ferreira, professor da UFMT, doutor em Agronomia e Fitopatologia e colaborador da Rede Pró-Centro-Oeste.

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Avanço é resultado das pesquisas desenvolvidas por pesquisadores do AraguaiaBiotech, laboratório de Inovação Biotecnológica especializado em genômica e biotecnologia em Nova Xavantina. Foto: Rodrigo Spyer

A Rede Pró-Centro-Oeste é formada por instituições de ensino e pesquisa dos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal, suas respectivas secretarias de estado de ciência e tecnologia e fundações de amparo à pesquisa. A Rede desenvolve o Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia em Mato Grosso (PPGBBMT), que oferta doutorado acadêmico em rede em diversas cidades do Estado, conquistando Conceito 4 na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O doutorado abrange três linhas de pesquisa: ciência, tecnologia e inovação para sustentabilidade da região Centro-Oeste; bioeconomia e conservação dos recursos naturais; e desenvolvimento de produtos, processos e serviços biotecnológicos.

Já o Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação (PPGEC) possui conceito 5 na Capes e oferece mestrado e doutorado acadêmicos no Câmpus Universitário de Nova Xavantina, com quatro linhas de pesquisa: Ecologia de sistemas e comunidades terrestres; Conservação da biodiversidade; Ecologia e padrões biogeográficos; e Ecologia de sistemas e comunidades de áreas úmidas.

Investimentos em Inovação e Biotecnologia

A Unemat avança na pesquisa de alta complexidade com a expansão do AraguaiaBiotech, que recebeu recentemente um aporte de R$ 4.639.837,31 dos governos Estadual e Federal. Com a nova infraestrutura, a Unemat consolida um polo de biotecnologia no interior de Mato Grosso, conectando o sequenciamento de DNA diretamente às demandas de produtores rurais e empresas de sementes.

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AraguaiaBiotech garante descentralização do conhecimento científico, formando especialistas em biologia molecular e bioinformática fora dos grandes centros. Foto: Rodrigo Spyer

A unidade agora integra dados genéticos às características observáveis, permitindo identificar respostas de plantas e microrganismos ao ambiente. O objetivo é fornecer mais soluções para o setor produtivo, como a prospecção de bioinsumos e o diagnóstico preciso da saúde do solo.

Diferente do sequenciamento convencional, a nova estrutura foca no pós-sequenciamento, etapa que valida e interpreta o DNA para aplicações práticas. A tecnologia permite que a Universidade atue como prestadora de serviços tecnológicos para produtores rurais, unindo o monitoramento dos biomas Amazônia e Cerrado à produtividade sustentável de Mato Grosso.

A iniciativa garante a descentralização do conhecimento científico, formando especialistas em biologia molecular e bioinformática fora dos grandes centros. Com o novo suporte tecnológico, a Instituição aumenta a capacidade de resposta a problemas reais do campo, como a adaptação de culturas às variações climáticas e a busca por alternativas biológicas aos insumos químicos.

“Quando você cria infraestrutura, cria também um ambiente: atrai projetos, amplia redes, forma pessoas e aumenta a capacidade de responder rápido a problemas reais. É isso que estamos construindo”, afirma o coordenador do AraguaiaBiotech, Joaquim Manoel da Silva.

O salto tecnológico é viabilizado pelo aporte de R$ 4,6 milhões, fruto de parceria entre a Universidade, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A iniciativa faz parte da estratégia de modernização da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG) da Unemat: o objetivo é converter o conhecimento acadêmico em prestação de serviços tecnológicos, garantindo que a ciência produzida na Unemat auxilie na manutenção de Mato Grosso como líder nacional na produção de grãos com sustentabilidade e soberania tecnológica, consolidando Mato Grosso como referência em tecnologias verdes e inovação biotecnológica.

*Com informações da Universidade do Estado do Mato Grosso.

Campanha vai aplicar 89 mil doses de vacinas em territórios indígenas

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Ministério da Saúde espera aplicar mais de 89 mil doses de vacinas em 650 aldeias indígenas entre 25 de abril e 25 de maio de 2026. Neste período, será realizado o Mês de Vacinação dos Povos Indígenas (MVPI), com o objetivo de ampliar o acesso à imunização em territórios indígenas, especialmente em áreas de difícil acesso. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pela pasta. 

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No ano passado, foram aplicadas mais de 70 mil doses de vacinas, alcançando 57 mil indígenas. A campanha de 2026 foi anunciada pela secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, na aldeia Barão do Rio Branco, localizada em Mâncio Lima (AC). O município conta com três etnias (Puyanawa, Nukini e Nawa), somando cerca de 2 mil indígenas.

De acordo com a secretária, iniciar a mobilização em um território com desafios históricos de acesso é uma decisão estratégica e necessária.

“Nosso objetivo é ampliar a cobertura vacinal justamente em locais de baixa cobertura, garantindo que a informação chegue de forma clara e respeitosa, e que a população compreenda a importância da imunização para a proteção individual e coletiva”, disse.

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Campanha vai aplicar 89 mil doses de vacinas em territórios indígenas
Campanha vai aplicar 89 mil doses de vacinas em territórios indígenas. Foto: Fábio Maciel/MS

Durante o MVPI, serão ofertados vacinas de todos os imunobiológicos previstos no Calendário Nacional de Vacinação: Hepatite A; Hepatite B; BCG; Penta (DTP/Hib/Hep B); Pneumocócica 10-valente; Pneumocócica 23-valente (Pneumo 23); VIP (Vacina Inativada Poliomielite); VRH (Vacina Rotavírus Humano); Meningocócica C (conjugada); Meningocócica ACWY (conjugada); Febre amarela; Tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba); Tetraviral (sarampo, rubéola, caxumba e varicela); Varicela (monovalente); DTP (tríplice bacteriana); dTpa; HPV quadrivalente (papilomavírus humano); Influenza; e Covid-19.

A iniciativa é realizada desde 2010 e está integrada à 24ª Semana de Vacinação nas Américas e à 15ª Semana Mundial de Imunização, que iniciam no dia 25 e seguem até 2 de maio. Coordenada pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), a campanha reforça a proteção contra doenças imunopreveníveis e contribui para o fortalecimento da atenção primária, por meio da busca ativa de indígenas ainda não imunizados.

*Por Flávia Albuquerque, Agência Brasil.

Cafeicultura no Amazonas cresce mais de 340% com a introdução da variedade Robustas Amazônico

Fotos: Divulgação/Idam

Difundida entre agricultores familiares e produtores rurais do Amazonas pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), a variedade híbrida de café Robustas Amazônicos revolucionou a produção cafeeira no estado. Entre os anos de 2021 e 2025, a área plantada no estado passou de 517,81 hectares a 2.312,2 hectares e, no último ano, a produção alcançou a marca de 2,8 mil toneladas.

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A variedade do produto foi desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Rondônia e Amazônia Ocidental, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e, no Amazonas, foi cultivada de forma experimental nos municípios de Silves, Itacoatiara, Manaus e Humaitá, em 2017.

Os primeiros resultados foram observados, em 2021, com as primeiras colheitas. Desde então, a variedade híbrida, desenvolvida para atender às especificidades do clima e ambiente amazônico, se difundiu por meio da distribuição de mudas e metodologias de capacitação.

“O café está inserido como parte dos Projetos Prioritários (PP) do Idam, por ser uma cultura com grande potencial para alavancar o desenvolvimento rural sustentável no estado. São sete municípios contemplados, nos quais os agricultores recebem um acompanhamento intensivo dos nossos técnicos”, destacou a diretora-presidente do Idam, Eliane Ferreira.

Leia também: Cafeicultura familiar em Apuí poderá produzir mais de 300 mil unidades de mudas em novo viveiro

Cafeicultura no Amazonas cresce mais de 340% com a introdução da variedade Robustas Amazônico
Fotos: Divulgação/Idam

Conforme a coordenadora do PP, Ana Cecília Lobato, a programação do instituto para este ano inclui a implantação de uma nova Unidade Demonstrativa (UD) de Café no município de Rio Preto da Eva, acompanhado de cursos de capacitação, Dias de Campo e outras metodologias de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater).

“Temos UDs implementadas em Presidente Figueiredo, São Sebastião do Uatumã, além de um viveiro em Vila Extrema, distrito de Lábrea, e Lindoia, distrito de Itacoatiara. Além disso, realizamos cursos nos municípios contemplados pelo PP e Dias de Campo nos municípios de Presidente Figueiredo, São Sebastião do Uatumã e Rio Preto da Eva”, informou Ana Cecília Lobato.

Números 

Em 2021, o Amazonas apresentava uma produção de 555,95 toneladas, com 517,81 hectares e 600 cafeicultores. Quatro anos depois de os primeiros resultados serem observados com o cultivo da nova variedade, em 2025, a produção chegava a 2.815,01 toneladas, 2.312,2 hectares de área plantada, e 1.411 cafeicultores.

Foto: Enrique Alves/Embrapa

Apuí se destacou, em 2025, com a maior produção no estado, chegando a 1.011,2 toneladas, 1.006 hectares de área plantada e 700 cafeicultores. Em segundo lugar está o município de Humaitá, com uma safra de 720 toneladas, seguido de Rio Preto da Eva, 228 toneladas.

Destacam-se também Vila Extrema, distrito de Lábrea, e os municípios de Envira, Guajará, Presidente Figueiredo, Silves e São Sebastião do Uatumã que, acompanhados de Apuí, Humaitá e Rio Preto da Eva, compõem os sete municípios inseridos no PP do Café.

*Com informações do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM).

Câmara derruba mudanças do Senado na MP do Seguro-Defeso

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Câmara dos Deputados rejeitou nesta quinta-feira (9) as mudanças feitas pelos senadores na Medida Provisória 1323/25, que trata das regras para o pagamento do seguro-defeso. Com isso, fica mantida a versão aprovada pelos deputados no dia 7 de abril de 2026. O texto vai agora para sanção presidencial. 

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O seguro-defeso é um benefício pago aos pescadores artesanais durante o período em que a pesca é proibida para a reprodução dos peixes. A novas regras visam evitar fraudes. 

Câmara derruba mudanças do Senado na MP do Seguro-Defeso
Foto: Reprodução/INSS

Leia também: Entenda o que é e para quê serve o período de defeso

A medida provisória prevê as seguintes regras: 

  • Autoriza a quitação das parcelas pendentes em 2026 desde que o beneficiário atenda aos requisitos;
  • Pescador artesanal terá direito ao benefício de anos anteriores se tiver feito a solicitação dentro dos prazos legais;
  • Pagamento do benefício ocorrerá dentro de 60 dias após a regularização do pescador no programa; 
  • Novas exigências para cadastro e identificação.

Para 2026, o volume previsto do seguro-defeso, exceto os atrasados, é R$ 7,9 bilhões.

Senado

Na sessão da quarta-feira (7), os senadores aprovaram uma série de mudanças, entre elas a obrigação de o pescador comprovar contribuição ao INSS por pelo menos 6 meses, no período de um ano. 

Foto: Reprodução/ Ministério da Pesca e Aquicultura

Outras alterações foram sobre limite de renda para acesso ao seguro e retirada do pagamento de benefícios retroativos ao ano de 2025. 

Todas as mudanças foram rejeitadas pelos deputados federais nesta quinta-feira.

* Com informações das agências Câmara e Senado

Indígenas levam a Itamaraty proposta de áreas livres de petróleo e gás

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Lideranças indígenas presentes no Acampamento Terra Livre, em Brasília, entregaram, nesta quinta (9), a representantes do Ministério das Relações Exteriores um documento que propõe a criação de zonas livres de exploração de petróleo e gás. Os líderes também defendem que os territórios indígenas devem estar no centro da estratégia climática global.

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Essas ‘Zonas Livres de Combustíveis Fósseis (FFZs)’, segundo os indígenas, seriam áreas proibidas para exploração em regiões de alta relevância ecológica e cultural.

Indígenas levam a Itamaraty proposta de áreas livres de petróleo e gás
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Leia também: Povos indígenas conquistam protagonismo nas negociações globais para a mitigação da crise climática

A iniciativa reúne recomendações para um ‘mapa do caminho global’, que foi proposta pelo governo brasileiro na última COP 30, mas sem consenso. “Não há transição energética justa sem a garantia dos nossos territórios”, afirmou o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasi (Apib), Dinamam Tuxá. 

Segundo Tuxá argumentou, a demarcação e a proteção das terras indígenas são medidas concretas de enfrentamento à crise climática.

“Quando o mundo ignora isso,  escolhe manter um modelo que destrói a vida. Reconhecer o protagonismo indígena abre caminho para um futuro mais equilibrado, diverso e verdadeiramente sustentável”.

Mudanças

Desde o último domingo, o Acampamento Terra Livre reúne, em Brasília, segundo os organizadores, cerca de 8 mil pessoas. De acordo com a Apib, o documento quer influenciar negociações internacionais e contribuir para a construção de um novo paradigma de desenvolvimento.

“Enfrentar a crise climática exige não apenas mudanças tecnológicas, mas também uma redefinição profunda das relações entre economia, território e direitos”, afirmou a entidade em nota.

Leia também: Especialistas, parlamentares e indígenas pedem ação contra expansão de combustíveis fósseis na Amazônia

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O documento pede fim imediato da abertura de novos campos de petróleo, gás e carvão, além da criação de um acordo global vinculante para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis. 

“A crise climática já afeta a produção de alimentos, a saúde, a economia e a segurança das nações. O custo da inação cresce a cada dia”, ressalta a entidade. Para os indígenas, é fundamental o reconhecimento dos territórios como áreas prioritárias para a proteção climática e da biodiversidade.

Experiências

A Apib argumenta que a iniciativa tem consonância com experiências internacionais, como a decisão do Equador de encerrar a exploração no Parque Nacional Yasuní e restrições adotadas em outros países da América Latina. 

A proposta também enfatiza que uma transição energética justa depende do reconhecimento pleno dos direitos dos povos indígenas, incluindo o direito à consulta livre, prévia e informada (CLPI).

Dados apresentados no documento mostram que territórios indígenas têm taxas significativamente menores de desmatamento e desempenham papel central na proteção de ecossistemas e na estabilidade climática global.

*Por Luiz Cláudio Ferreira, Agência Brasil.