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Casa de Chico Mendes ganha réplica inédita e é exposta na Expoacre pela 1ª vez: ‘Valorizar a história’

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Além da fachada da casa de Chico Mendes, em Xapuri, no interior do Acre, o ambiente também reúne uma reprodução de uma casa de seringueiro. Foto: Pâmela Celina/g1 Acre

Pela primeira vez em 51 edições, os visitantes da Expoacre podem conhecer a réplica da casa do ambientalista acreano Chico Mendes sem precisar se deslocar da capital para Xapuri, no interior do estado, onde fica a residência dele.

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O espaço está instalado no estande da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), recria elementos do cotidiano do líder seringueiro e busca aproximar o público da história do seringueiro que é símbolo da luta socioambiental brasileira.

Além da fachada da casa onde Chico Mendes viveu, o ambiente também reúne uma reprodução de uma casa de seringueiro, bem como utensílios utilizados na floresta, um cenário com geoglifos, uma embarcação para fotos, o mirante da Serra do Divisor e uma experiência em realidade virtual, que simula uma trilha pelo parque estadual.

Leia também: Veraneio em Xapuri: detalhes da cidade de Chico Mendes que atraem turistas

Espaço da casa de Chico Mendes também conta com um réplica de uma árvore Samaúma. Foto: Pâmela Celina/g1

Segundo a turismóloga da Sete, Raquel Oliveira, o objetivo é proporcionar uma experiência que desperte o interesse pela história e pelos atrativos turísticos do Acre.

Além disso, ela destacou que a montagem da réplica da casa de Chico Mendes contou com a autorização da família do líder seringueiro.

“É a primeira vez que nós estamos trazendo a casa de Chico Mendes para a Expoacre. Queremos que a população possa conhecer um pouco da história desse grande ativista e ambientalista, que teve uma repercussão tão importante. Nosso objetivo é que as pessoas possam conhecer e vivenciar essa história”, explicou.

De acordo com a turismóloga, embora muitos visitantes procurem inicialmente o espaço para registrar fotografias, uma equipe técnica permanece no local para apresentar informações sobre a história do ambientalista. “Sempre que as pessoas querem conhecer um pouco mais da história, nós temos uma equipe preparada para recebê-las”, ressalta.

Reconhecimento

Uma das visitantes foi a gestora de projetos do Comitê Chico Mendes, Thalita Vasconcelos. Para ela, a presença da réplica em um dos eventos mais movimentos do Acre reforça a importância de manter vivo o legado do líder seringueiro.

“É importante demarcar esse espaço e mostrar que Chico, sendo patrono do meio ambiente e esse ícone ambientalista que nasceu no Acre, esteja em um local por onde passam milhares de pessoas”, afirmou.

Segundo Thalita, a iniciativa também convida o público a refletir sobre os desafios atuais enfrentados pela Amazônia.

“É uma forma de valorizar a história dele e também de chamar as pessoas para protegerem a natureza e os modos de vida na Amazônia, tanto de quem mora na zona rural quanto de quem vive na cidade”, destacou.

Leia também: 9 museus diferentes do que se espera na Amazônia

Casa de Chico Mendes ganha réplica inédita e é exposta na Expoacre pela 1ª vez: ‘Valorizar a história’
Utensílios também estão expostos no espaço onde está réplica da casa de Chico Mendes. Foto: Pâmela Celina/g1

A professora de Artes Alessandra Apurinã, de 38 anos, também visitou o espaço na feira. Acompanhada da família, ela afirmou que a exposição desperta o interesse pela história acreana.

“Na atual situação é importantíssimo conhecer quem foi Chico Mendes, a luta dele e a história do Acre. Fiquei encantada com esse estande mostrando a casa de Paxiúba, os utensílios dos seringueiros e cada detalhe desse espaço”, comentou.

Alessandra também acredita que a iniciativa ajuda a preservar a memória do ambientalista entre as novas gerações.“Nem todos os acreanos conhecem quem foi Chico Mendes, qual foi a luta dele e as bandeiras que levantou. Ter esse espaço aqui é muito importante”, afirmou.

Para a dona de casa Fernanda Barros, de 41 anos, a réplica da casa é uma oportunidade para aproximar o público da história do líder seringueiro. “É muito importante porque ele faz parte da história do Acre. Nem todo mundo tem a oportunidade de ir até Xapuri para conhecer esse lugar, então trazer esse espaço para a Expoacre é um privilégio”, disse.

Embarcação para tirar fotos também integra o espaço. Foto: Pâmela Celina/g1

O marido de Fernanda nasceu em Xapuri. Ela relata que passou a conhecer melhor a trajetória de Chico Mendes por meio da família do cônjuge.

“Hoje a gente já conhece bem essa história e achei muito bonito esse espaço. Quando chegamos aqui nem sabíamos que tinha a casa, mas logo paramos para conhecer e tirar fotos com a família”, relata.

*Por Pâmela Celina, Rede Amazônica Acre.

Exploração de petróleo e gás natural na Bacia do Tacutu em Roraima é incluída em edital da ANP

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Bacia do Tacutu em Roraima. Foto: Arquivo pessoal

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) comunicou nesta quinta-feira (6) que incluiu a Bacia do Tacutu, localizada ao Norte de Roraima, no edital de licitação para que empresas possam explorar petróleo e gás natural na região.

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Com o comunicado, as empresas devem manifestar interesse em explorar os recursos energéticos. O prazo para encerrar as declarações, acompanhadas de garantias de oferta, deve ocorrer até o dia 31 de agosto. A Sessão Pública de Ofertas, onde as empresas apresentam as ofertas, está marcada para o dia 7 de outubro deste ano.

Bacia do Tacutu, em Roraima – Foto: Reprodução/InfoAmazônia

A área está incluída no 6º ciclo de oferta, ou seja, um modelo em que áreas ficam disponíveis para disputa a partir do interesse do mercado.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é a Bacia Amazônica?

A agência validou as manifestações de interesse enviadas por empresas até o dia 21 de julho, desde que acompanhadas de garantias financeiras. As propostas que não apresentaram essas garantias ou que chegaram fora do prazo foram descartadas.

Bacia do Tacutu
Bacia do Tacutu. Foto: Jurandir Lima

Além de Roraima, o edital contempla outras oito bacias sedimentares espalhadas pelo país, incluindo a Bacia de Campos, localizada no Norte do Rio de Janeiro e Sul do Espírito Santo, e a Bacia de Santos, que vai desde o Sul do Rio de Janeiro até o Norte de Santa Catarina.

*Por Rede Amazônica Roraima.

Mosquitos que ajudam a combater a dengue? Tecnologia inédita chega a Porto Velho

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Foto: Erisson Soares

Você já imaginou usar o próprio mosquito para combater a dengue? Parece contraditório, mas é exatamente essa tecnologia que começa a fazer parte da realidade de Porto Velho.

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A capital passa a contar com o Método Wolbachia, uma estratégia do Ministério da Saúde, desenvolvida em parceria com a Fiocruz, que utiliza mosquitos Aedes aegypti com uma bactéria natural chamada Wolbachia. Ela impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam dentro do mosquito, reduzindo a transmissão dessas doenças.

A tecnologia já é utilizada no Brasil há mais de dez anos e agora chega a Porto Velho. No novo insetário instalado na capital, ovos enviados de Curitiba passam por todo o ciclo de desenvolvimento até a fase adulta. Depois, os mosquitos são liberados pelas equipes da Prefeitura nos bairros contemplados.

Depois de liberados, esses mosquitos cruzam com os Aedes aegypti que já vivem na cidade e transmitem a bactéria, que é uma bactéria boa e natural, para as próximas gerações. Aos poucos, aumenta a quantidade de mosquitos que não conseguem transmitir os vírus.

Leia também: Dengue, Zika e Chikungunya: como identificar e se prevenir das doenças que aumentam no período chuvoso na Amazônia

“Nosso primeiro trabalho é informar a população. Durante muito tempo aprendemos que era preciso eliminar o mosquito e isso continua sendo importante. A diferença é que agora existe um mosquito aliado, que carrega a bactéria Wolbachia e não transmite dengue. O método já está presente em 15 países e tem resultados muito positivos. Em Niterói (RJ), por exemplo, houve redução de 89% dos casos de dengue. Em Campo Grande, a redução foi de aproximadamente 64%. Nossa expectativa é alcançar resultados semelhantes em Porto Velho ao longo dos próximos anos.”, explicou o biólogo e pesquisador da Fiocruz, Diogo Challegre.

“Essa tecnologia chega para reforçar o trabalho que já realizamos no combate às arboviroses. Ela soma às ações de vigilância e prevenção, precisamos da participação da população, mesmo com a nova tecnologia, porque os cuidados continuam sendo indispensáveis.”, ressalta a secretária municipal de saúde, Sandra Maria.

Mosquitos que ajudam a combater a dengue? Tecnologia inédita chega a Porto Velho
Método já está presente em 15 países e tem resultados muito positivos, explicou Diogo Challegre. Foto: Erisson Soares
  • Eliminar água parada em vasos, pneus, garrafas e baldes.
  • Manter caixas d’água, tonéis e reservatórios sempre bem tampados.
  • Limpar calhas e ralos para evitar o acúmulo de água.
  • Colocar areia nos pratinhos das plantas.
  • Descartar corretamente recipientes que possam acumular água da chuva.
  • Manter piscinas tratadas ou devidamente cobertas.

A expectativa é beneficiar mais de 276 mil moradores em 27 bairros da capital. Em cidades onde o método já foi implantado, os resultados apontaram redução significativa dos casos de dengue.

Acões de Combat ao Aedes Aegypti. fOTO: Arquivo/Ascom Sesaiu

“O combate à dengue exige inovação e responsabilidade. A Capital passa a contar com uma tecnologia que já vem sendo utilizada em outras cidades e que fortalece o trabalho que já realizamos diariamente. É mais uma ferramenta para proteger a nossa população, sempre com o apoio da ciência e sem substituir a participação da comunidade, que continua sendo fundamental no combate aos focos do mosquito.”, disse o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes.

*Por Helen Paiva, Secretaria Municipal de Comunicação Porto Velho.

#Série – Isso é Patrimônio Mundial: Colômbia

Foto: Jorel Carter/Portal Amazônia

No último episódio da Série Isso é Patrimônio Mundial, que mostra os bens culturais e naturais localizado nos países da Amazônia Internacional, a Colômbia fecha a lista com nove patrimônios mundiais reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). São seis bens culturais, dois naturais e um misto, mas apenas um faz parte da Amazônia: o Parque Nacional Chiribiquete – A Maloca da Onça.

Reconhecido em 2018, o local foi escolhido pela Unesco por ser considerado de Valor Universal Excepcional, cuja importância ultrapassa as fronteiras de um país e pertence à humanidade como um todo. Além disso, tal reconhecimento reforça o papel da Amazônia como um território de valor inestimável, cuja conservação é fundamental não apenas para o Brasil, mas para todo o planeta.

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Adotada pela Unesco em 1972, a convenção do Patrimônio Mundial e Natural classifica os patrimônios culturais e naturais através de monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico, de conservação ou estético excepcional e universal.

Patrimônios Mundiais na Amazônia

Parque Nacional Chiribiquete

é o único patrimonio mundial da Colômbia localiziado na amazonia
Parque NAcional Chiribiquete tem mais de 2,7 mil hectares de cobertura vegetal. Foto: Reprodução/Unesco
Foto: Reprodução/Unesco

Localizado na Amazônia Colombiana, no centro-sul do país, o Parque Nacional Chiribiquete é a maior área protegida com mais de 2.7 mil hectares e possui como principal característica a presença de muitos tepuis, que são as montanhas de topo que reúne cerca de 75 mil pictogramas rochosos listados nas paredes dos pés dos tepuis.

Tais representações retratam cenas de caça, batalhas, danças e cerimônias, todas ligadas a um sistema de crenças sagradas milenárias, organizando e explicando as relações entre o cosmos, a natureza e o homem. Acredita-se que os sítios arqueológicos ainda sejam acessados hoje por grupos indígenas não contatados, inclusive, as comunidades indígenas que não estão diretamente presentes no local, consideram Chiribiquete um lugar sagrado que não pode ser visitado e que deve ser preservado.

Leia também: Série – Isso é Patrimônio Mundial: Suriname

O parque também é considerado o ponto de confluência de quatro províncias biogeográficas: Amazônia, Andes, Orinoco e Guiana, se tornanado um local de conectividade e preservação da biodiversidade dessas províncias e constituindo-se como um cenário de interação no qual a diversidade e o endemismo da flora e fauna floresceram.

Outros patrimônios mundiais da Colômbia

Porto, Fortalezas e Conjunto Monumental de Cartagena

É um dos mais importantes conjuntos de arquitetura colonial das Américas. Suas muralhas, fortalezas e edifícios históricos foram construídos pelos espanhóis para proteger a cidade dos ataques de piratas e invasores durante os séculos XVI a XVIII. Hoje, o centro histórico preserva ruas, igrejas, praças e casarões coloniais muito bem conservados. 

Reconhecida em 1984, é uma cidade colonial que preserva a arquitetura histórica erguida desde o período colonial.

Parque Nacional Natural Los Katíos

Reconhecida em 1994, o parque localizado na fronteira entre Colômbia e Panamá é uma área de enorme biodiversidade, reunindo florestas tropicais, rios, montanhas e pântanos. O parque abriga centenas de espécies de aves, mamíferos, répteis e plantas, muitas delas endêmicas ou ameaçadas de extinção. Também funciona como corredor ecológico entre a América Central e a América do Sul. 

O bem natural reconhecido em 1994 ganhou o reconhecimento devido à enorme área de floresta tropical com grande biodiversidade que abriga espécies raras da fauna e flora

Centro Histórico de Santa Cruz de Mompox

Cidade colonial fundada às margens do rio Magdalena, preserva praticamente intacta sua arquitetura dos séculos XVI ao XVIII. Mompox desempenhou papel fundamental durante o período colonial e nas lutas pela independência da Colômbia. Foi reconhecido em 1995.

Local histórico que mantém os traços urbanos e arquitetônicos do período colonial dos séculos XVI ao XVIII

Parque Arqueológico de San Agustín

Patrimônio Mundial reconhecido em 1995, é o maior conjunto de monumentos religiosos e esculturas megalíticas da América do Sul. Possui centenas de estátuas de pedra, túmulos e centros cerimoniais produzidos por uma antiga civilização pré-colombiana entre os séculos I e VIII d.C. 

Sítio Arqueológico com esculturas monumentais e vestígios de antigas civilizações pré-colombianas.

Parque Arqueológico Nacional de Tierradentro

O bem cultural reconhecido em 1995 destaca-se por suas tumbas subterrâneas (hipogeus), decoradas com pinturas geométricas em vermelho, preto e branco. O local preserva importantes vestígios das culturas indígenas que habitaram a região antes da chegada dos espanhóis. 

Reconhecido em 1995, o patrimônio cultural é conhecido pela rica herança arqueológica indígena deixada e também pelos túmulos subterrâneos decorados.

Santuário de Fauna e Flora de Malpelo

Reconhecido em 2006, o local é ormado pela Ilha Malpelo e seu ambiente marinho, é considerado um dos melhores locais do mundo para o mergulho. Abriga grandes concentrações de tubarões-martelo, tubarões-baleia, raias, tartarugas marinhas e inúmeras espécies de peixes, sendo um importante refúgio para a vida marinha do Pacífico. 

O bem natural reconhecido em 2006 é formado pela ilha oceânica famosa pela diversidade marinha, especialmente tubarões, raias e outras espécies pelágicas

Paisagem Cultural Cafeeira da Colômbia

O local reúne a tradição do cultivo do café em regiões montanhosas dos Andes colombianos. O patrimônio, reconhecido em 2011, contempla fazendas históricas, vilarejos tradicionais e paisagens moldadas por gerações de produtores, refletindo uma cultura agrícola única e reconhecida mundialmente pela qualidade do café colombiano.

Reconhecido como a região tradicional de produção de café que combina patrimônio cultural, agricultura e paisagem andina.

Qhpaq Ñan, Sistema Rodoviário Andino

Patrimônio Mundial compartilhado entre seis países sul-americanos, a extensa rede de estradas construída pelo Império Inca, com mais de 30 mil quilômetros, ligava cidades, centros administrativos, áreas agrícolas e locais sagrados através da Cordilheira dos Andes. Na Colômbia, alguns trechos preservados demonstram a expansão do império até o norte da América do Sul. Foi reconhecido com bem cultural em 2014.

Rede de estradas construída pelos incas e compartilhada por seis países sul-americanos, incluindo a Colômbia.

Verão: crescem secas e inundações combinadas na Região Norte

Crescem secas e inundações combinadas na Região Norte. Foto: Secom/Gov AC

Com a chegada do período mais seco do ano na Amazônia, o chamado “verão amazônico”, cresce a preocupação com os impactos da estiagem sobre as populações ribeirinhas e urbanas da Região Norte. Uma dissertação defendida no Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAD/ICSA) traz um retrato preocupante da forma como os municípios da região vêm enfrentando — ou deixando de enfrentar — secas, inundações e a combinação cada vez mais frequente dos dois fenômenos.

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A pesquisa de Gilmar Pereira Sidônio, intitulada Interações entre secas e inundações na Amazônia: desafios para a gestão de riscos de eventos extremos, analisou registros de 450 municípios da Região Norte entre 2013 e 2024, cruzando dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) com informações da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), do IBGE.

“O chamado ‘verão amazônico’ corresponde ao período de redução das chuvas. Com menos precipitação, os níveis dos rios diminuem, o solo perde umidade e aumentam os riscos de seca e estiagem”, explica Sidônio. Segundo ele, o fenômeno afeta diretamente a navegação, o transporte de alimentos e medicamentos e o acesso das comunidades ribeirinhas aos serviços públicos, além de deixar a vegetação mais suscetível à queimadas.

El Niño, La Niña e o recorde histórico de 2024

A pesquisa mostra que a alternância entre os fenômenos climáticos El Niño e La Niña tem influência direta sobre os extremos hidrológicos na região. Entre 2017 e 2022, prevaleceram os registros de inundação, impulsionados pela fase prolongada de La Niña. A partir de 2023, com a ascensão de um El Niño de forte magnitude, os registros de seca e estiagem dispararam, atingindo em 2024 o maior número da série histórica.

“Embora aconteçam no Oceano Pacífico, o El Niño e a La Niña alteram a circulação da atmosfera em escala global. Essas mudanças modificam o transporte de umidade e a formação de chuvas em várias partes do planeta, inclusive na Amazônia”, diz Gilmar Pereira Sidônio. “Em geral, durante o El Niño há redução das chuvas na região, favorecendo secas mais severas. Já a La Niña costuma aumentar as chuvas, elevando o risco de inundações.”

Leia também: Calor extremo e seca: Amazonas pode enfrentar trimestre com calor extremo e menos chuva

Verão: crescem secas e inundações combinadas na Região Norte
Crescem secas e inundações combinadas na Região Norte. Imagem: Magnific.com

Segundo o pesquisador, o recorde de registros de seca em 2024 está ligado à combinação de um El Niño intenso com um contexto mais amplo de mudanças climáticas. “Nossa pesquisa também reconhece que o aperfeiçoamento dos registros no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres contribui para documentar melhor esses eventos, mas isso não explica sozinho o aumento observado. O que vemos é um cenário em que as secas estão se tornando mais severas e mais frequentes”, avalia Sidônio.

Um dos achados mais impressionantes da dissertação foi o crescimento constante dos chamados “eventos compostos” — municípios que registraram seca e inundação no mesmo ano. Se em 2013 apenas dois municípios da região viveram essa combinação, o número saltou para 22 em 2022, 27 em 2023 e 25 em 2024.

“Isso acontece porque os eventos podem ocorrer em épocas diferentes do mesmo ano. Um município pode enfrentar uma cheia intensa durante o período chuvoso e, alguns meses depois, sofrer uma estiagem severa durante a estação seca”, explica o autor da dissertação. Para ele, esse tipo de situação é especialmente preocupante, pois “dificulta a recuperação da população e exige que o poder público esteja preparado para responder a dois tipos de desastre em um curto espaço de tempo”.

Planos de contingência ainda são raros na região Norte

É aqui que a pesquisa expõe a fragilidade da gestão local de riscos na Amazônia. Dos 407 municípios da Região Norte que responderam à pesquisa Munic 2020/IBGE, apenas 62 declararam possuir plano de contingência para inundações, e só 60 têm plano voltado para secas e estiagens. Instrumentos técnicos mais específicos são ainda mais raros: apenas 21 municípios contam com sistema de alerta antecipado de desastres, e somente 20 possuem carta geotécnica de aptidão à urbanização.

“Na prática significa que muitos municípios acabam reagindo somente quando a crise já começou”, afirma Gilmar Pereira Sidônio. “O plano de contingência organiza previamente quem faz o quê, quais recursos serão utilizados, como proteger a população e como manter os serviços essenciais funcionando. Sem esse planejamento, a resposta tende a ser mais lenta, menos eficiente e com maiores prejuízos para a população”, explica o pesquisador.

Leia também: Secas na Amazônia deixam de ser exceção e desafiam infraestrutura logística do País

crescem secas e inundações combinadas na Região Norte. Foto: Michel Castro/Rede Amazônica

A análise estatística foi feita por meio da técnica de análise de correspondência múltipla e mostrou que os poucos municípios mais bem preparados têm um perfil em comum: população maior (acima de 50 mil habitantes), presença de Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec), cadastro de áreas de risco e planos municipais de redução de riscos. Já os municípios menores, com até 5 mil habitantes, concentram a maioria das respostas “não” para esses instrumentos.

“Nossa análise mostrou que, de modo geral, os municípios de pequeno porte são os mais vulneráveis. Muitos possuem equipes reduzidas, poucos recursos técnicos e financeiros, e menor estrutura de Defesa Civil”, diz Sidônio.

Para as comunidades ribeirinhas, os efeitos de um verão amazônico mais intenso são sentidos no dia a dia. “Em muitos lugares as embarcações deixam de circular, dificultando o transporte de pessoas, alimentos, combustível, medicamentos e diversos produtos para comercialização”, relata. “O acesso aos serviços de saúde e educação também fica mais difícil. Além disso, a pesca e outras atividades econômicas são prejudicadas, reduzindo a renda das famílias justamente quando elas mais precisam de apoio.”

Calor intenso e qualidade do ar são desafios em Belém

Embora não seja um município ribeirinho isolado, a capital paraense também sente os efeitos do período seco. “Belém tem uma infraestrutura urbana mais desenvolvida do que muitos municípios ribeirinhos, mas o verão amazônico traz desafios e riscos como calor intenso, piora da qualidade do ar e maior risco de queimadas em terrenos baldios”, diz Gilmar Sidônio. “Também podem ocorrer chuvas rápidas e muito intensas, provocando alagamentos localizados devido às características da drenagem urbana.”

Para famílias com crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios, a recomendação do pesquisador é redobrar os cuidados. “A principal recomendação é acompanhar os alertas da Defesa Civil e dos órgãos meteorológicos. Também é importante manter uma boa hidratação, evitar exposição ao sol e à fumaça nos horários mais quentes, proteger crianças e idosos do calor excessivo e procurar atendimento médico caso ocorram sintomas respiratórios ou desidratação”, alerta.

Imagem colorida mostra atendimento médico pelo Sus na comunidade Ubim no Amazonas
crescem secas e inundações combinadas na Região Norte. Foto: Lucas Bonny/ Fas

Para ele, o início do período seco é o momento ideal para a gestão pública agir de forma preventiva. “Os municípios devem implementar ou revisar seus planos de contingência, monitorar continuamente os níveis dos rios, organizar equipes de resposta, capacitar servidores, orientar a população e articular ações com os governos estadual e federal”, orienta.

Sobre a pesquisa

A dissertação de Gilmar Pereira Sidônio, intitulada Interação entre secas e inundações na Amazônia: desafios para a gestão de riscos de eventos extremos, foi defendida em 2025 no Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAD/UFPA), sob orientação da Profa. Dra. Marinalva Cardoso Maciel e co-orientação da Profa. Dra. Terezinha Ferreira de Oliveira.

*Por Luiza Amâncio,  Jornal Beira do Rio.

#Série – Isso é Patrimônio Mundial: Equador

Ao redor do mundo, os Patrimônios Mundiais reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) representam locais considerados de Valor Universal Excepcional por sua importância cultural, natural ou pela combinação de ambas. 

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O Equador, país da América do Sul, que compõe a Amazônia Internacional, possui cinco patrimônios mundiais reconhecidos pela Unesco. No entanto, apenas um fica localizado na região amazônica: O Parque Nacional Sangay.

Adotada pela Unesco em 1972, a convenção do Patrimônio Mundial e Natural classifica os patrimônios culturais e naturais através de monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico e de conservação.

Leia também: Parque Nacional Cayambe Coca: o tesouro natural do Equador entre vulcões e florestas amazônicas

Patrimônio Mundial na Amazônia

  • Parque Nacional Sangay

O único Patrimônio Mundial do Equador localizado na Amazônia Internacional, o Parque Nacional Sangay, possui cerca de 270 mil hectares, e abriga uma grande diversidade de ecossistemas, como geleiras e paisagens vulcânicas, florestas nubladas, pântanos, lagos, páramos das terras altas e a floresta amazônica. Além disso, o parque também abriga o vulcão Sangay, com 5.140 metros de altitude, considerado um dos vulcões mais ativos do mundo.

De acordo com a Unesco, o isolamento geográfico do parque contribui para a preservação de espécies da fauna equatoriana, além de servir como refúgio para animais ameaçados, como a anta-da-montanha, o urso-de-óculos e o condor-andino. O Parque Nacional Sangay foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1983.

Leia também: Série – Isso é Patrimônio Mundial: Brasil 

Parque Nacional Sangay, Patrimônio Mundial do Equador
Foto: Reprodução/Instagram-@parquenacionalsangay

Outros Patrimônios Mundiais do Equador

  • Ilhas Galápagos

Localizadas no Oceano Pacífico, a cerca de mil quilômetros da costa do Equador, as Ilhas Galápagos são compostas por 19 ilhas e uma extensa reserva marinha. De acordo com a Unesco, a área é conhecida como um verdadeiro ‘museu vivo da evolução’, e sua localização na confluência de três correntes oceânicas favoreceu o desenvolvimento de uma fauna e flora únicas, incluindo iguanas marinhas, tartarugas-gigantes, cormorões não voadores e diversas espécies de tentilhões. 

As Ilhas Galápagos viraram Patrimônio Mundial da Unesco em 1978.

Foto: BORSBEEKREIZEN/Tripadvisor
  • Centro Histórico de Santa Ana de los Ríos de Cuenca

Fundada em 1557, a cidade de Cuenca está situada em um vale cercado pela Cordilheira dos Andes e preserva até hoje o planejamento urbano colonial implantado durante a colonização espanhola. De acordo com a Unesco, o centro histórico mantém o traçado ortogonal original há mais de quatro séculos e reúne um importante conjunto arquitetônico, especialmente de edificações construídas no século XVIII. 

O centro histórico de Santa Ana de los Ríos de Cuenca virou patrimônio mundial da Unesco em dezembro de 1999.

Foto: Adam Stoffa/Flickr

Qhapaq Ñan – Sistema Rodoviário Andino

O Sistema Rodoviário Andino é uma extensa rede de estradas construída pelos incas para conectar cidades, centros administrativos, locais religiosos e áreas produtivas. De acordo com a Unesco, o sistema possui mais de 30 mil quilômetros distribuídos por seis países sul-americanos (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru), e demonstra o conhecimento de engenharia desenvolvido pelas populações andinas.

O Qhapaq Ñan, Sistema Rodoviário Andino, foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 2014. 

Foto: Laura R/Tripadvisor
  • Cidade de Quito

Capital do Equador, Quito foi fundada pelos espanhóis sobre as ruínas de uma antiga cidade inca e está situada a aproximadamente 2.850 metros de altitude, nas encostas do vulcão Pichincha. De acordo com a Unesco, Mesmo após o terremoto de 1917, a cidade preservou um dos centros históricos mais completos e bem conservados da América Latina.

Além disso, no centro da cidade, encontram-se conventos e igrejas e casas, geralmente construídas com tijolos de barro e revestidas com estuque, combinando o monumental com o simples e austero.

Foto: Reprodução/Unesco

#Série – Isso é Patrimônio Mundial: Bolívia

Ao redor do mundo, os Patrimônios Mundiais reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) representam locais considerados de Valor Universal Excepcional por sua importância cultural, natural ou pela combinação de ambas. 

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A Bolívia, país da América do Sul, que compõe a Amazônia Internacional, possui sete patrimônios mundiais reconhecidos pela Unesco. No entanto, apenas dois ficam localizados na região amazônica: o Forte de Samaipata e o Parque Nacional Noel Kempff Mercado.

Além disso, um desses patrimônios integra ainda a Lista do Patrimônio Mundial em Perigo, uma medida que sinaliza locais culturais ou naturais ameaçados por graves riscos.

Adotada pela Unesco em 1972, a convenção do Patrimônio Mundial e Natural classifica os patrimônios culturais e naturais através de monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico e de conservação.

Leia também: Teatro Amazonas e Theatro da Paz entram para lista de Patrimônio Mundial da Unesco

Patrimônios Mundiais na Amazônia 

  • Forte de Samaipata

O Forte de Samaipata é um sítio arqueológico localizado em uma zona de transição entre a Cordilheira dos Andes e a bacia amazônica. De acordo com a Unesco, o local é dividido em duas partes identificadas: a colina com numerosas gravuras, que acredita-se ter sido o Centro Cerimonial, área que contém uma única e enorme rocha esculpida por diferentes povos ao longo dos séculos, e a área ao sul da colina, que formava o distrito administrativo e residencial.

O sítio foi utilizado como centro ritual e residencial pelos povos Mojocoyas desde 300 d.C., momento em que começaram as obras na grande rocha. No século XIV, foi ocupado pelos Incas, que o transformaram em capital provincial, evidenciado por escavações que revelaram uma grande praça central com edifícios públicos monumentais e terraços agrícolas nas encostas, características típicas de assentamentos Incas.

Considerado um dos maiores monumentos cerimoniais pré-colombianos dos Andes e da região amazônica, o sítio preserva gravuras de animais, canais, formas geométricas e elementos ligados a rituais religiosos, constituindo um testemunho único das tradições pré-hispânicas do continente.

O Forte de Samaipata foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1998. 

Patrimônio Mundial da Bolívia
Foto: Alcira Sandoval-Ruiz
  • Parque Nacional Noel Kempff Mercado

O Parque Nacional Noel Kempff Mercado, situado no extremo nordeste do Departamento de Santa Cruz, na fronteira com o Brasil, possui mais de 1,5 milhão de hectares e é considerado um dos maiores e mais preservados parques da Bacia Amazônica. De acordo com a Unesco, a unidade abriga diferentes ecossistemas, que vão do Cerrado às florestas amazônicas, além de milhares de espécies de plantas, centenas de aves e diversas espécies ameaçadas de extinção. 

O Parque Nacional Noel Kempff Mercado foi reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco no ano de 2000. 

Foto: Pattrön/ Unesco

Leia também: 12 patrimônios históricos e culturais tombados para conhecer em Manaus

Outros patrimônios mundiais na Bolívia 

  • Qhapaq Ñan, Sistema Rodoviário Andino

O Sistema Rodoviário Andino é uma extensa rede de estradas construída pelos incas para conectar cidades, centros administrativos, locais religiosos e áreas produtivas. De acordo com a Unesco, o sistema possui mais de 30 mil quilômetros distribuídos por seis países sul-americanos (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru), e demonstra o conhecimento de engenharia desenvolvido pelas populações andinas.

O Qhapaq Ñan, Sistema Rodoviário Andino, foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 2014. 

Foto: Laura R/Tripadvisor
  • Missões Jesuítas dos Chiquitos

As Missões Jesuítas dos Chiquitos, localizadas na região da Chiquitania, foram fundadas entre os séculos XVII e XVIII pela Companhia de Jesus. De acordo com a Unesco, diferentemente de outras missões sul-americanas, essas construções sobreviveram ao longo do tempo e permanecem preservadas. 

As Missões Jesuítas dos Chiquitos foram reconhecidas como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1990. 

Foto: G. Groesbeck
  • Cidade Histórica de Sucre

A Cidade Histórica de Sucre, primeira capital da Bolívia e um dos mais importantes centros coloniais da América do Sul, foi fundada pelos espanhóis em 1538. Segundo a Unesco, a cidade conserva ruas em traçado quadriculado, igrejas centenárias, conventos, edifícios públicos e casarões que refletem a influência de diferentes estilos arquitetônicos europeus, como o renascentista, o barroco e o neoclássico. 

Entre seus principais monumentos está a Casa da Liberdade, onde ocorreram acontecimentos decisivos para a independência boliviana. A Cidade Histórica de Sucre foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1991.

Foto: Robert Cutts
  • Sítio arqueológico de Tiwanaku

O sítio arqueológico de Tiwanaku é considerado um dos principais centros políticos e espirituais das civilizações pré-incas. Localizado próximo ao Lago Titicaca, o complexo reúne templos monumentais, pirâmides, palácios e sofisticados sistemas de drenagem construídos entre os séculos V e X. 

De acordo com a Unesco, o monumento mais imponente de Tiwanaku é a Pirâmide de Akapana, uma pirâmide originalmente composta por sete plataformas sobrepostas com muros de contenção de pedra, que se elevavam a uma altura de mais de 18 metros. 

O Sítio Arqueológico de Tiwanaku foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 2000.

Foto: Martin Gray
  • Cidade de Potosí- Patrimônio Mundial em Perigo 

A Cidade de Potosí, durante o período colonial, tornou-se um dos maiores centros de mineração de prata do mundo. De acordo com a Unesco, o patrimônio preserva minas, barragens, aquedutos, a histórica Casa da Moeda, igrejas e edifícios coloniais que testemunham a riqueza gerada pela exploração mineral e as duras condições impostas aos trabalhadores indígenas submetidos ao sistema de trabalho forçado conhecido como mita. 

A inclusão na lista de patrimônios em perigo busca fortalecer ações de preservação devido à atividade de mineração descontrolada e instável no Cerro Rico. A Cidade de Potosí foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1987, e em 2014 foi inscrita na lista Patrimônio em Perigo.

Foto: Alcira Sandoval-Ruiz

#Série – Isso é Patrimônio Mundial: Brasil 

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Ao redor do mundo, os Patrimônios Mundiais reconhecidos pela pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) representam bens culturais e naturais considerados de Valor Universal Excepcional, ou seja, locais cuja importância ultrapassa as fronteiras de um país e pertence à humanidade como um todo. Esses reconhecimentos têm como objetivo incentivar a preservação de monumentos, centros históricos, paisagens naturais e áreas de grande biodiversidade, garantindo que essas riquezas sejam protegidas e transmitidas às futuras gerações.

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A convenção do Patrimônio Mundial e Natural foi adotada em 1972, pela Unesco, e, de acordo com sua classificação, os patrimônios culturais e naturais são compostos por monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico, de conservação ou estético excepcional e universal.

De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, para receber esse reconhecimento, cabe aos países que fazem parte do acordo, indicar bens culturais e naturais a serem inscritos na Lista do Patrimônio Mundial. As candidaturas são avaliadas pelos órgãos assessores da Convenção (Icomos e IUCN) e sua aprovação final é feita, anualmente, pelo Comitê do Patrimônio Mundial, composto por representantes de 21 países. 

Atualmente, o Brasil possui 26 patrimônios distribuídos por diferentes regiões, e três deles estão localizados na Amazônia. Esse reconhecimento reforça o papel da Amazônia como um território de valor inestimável, cuja conservação é fundamental não apenas para o Brasil, mas para todo o planeta.

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Patrimônios Mundiais na Amazônia

  • Teatros da Amazônia

Os Teatros da Amazônia reúnem dois importantes conjuntos arquitetônicos construídos durante o Ciclo da Borracha: o Teatro da Paz e a Praça da República, em Belém, no Pará, e o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião, em Manaus, no Amazonas. De acordo com a Unesco, esses espaços foram erguidos entre 1879 e 1912, período conhecido como a ‘Idade de Ouro’ da Amazônia, quando a economia da borracha impulsionou o crescimento urbano das duas capitais.

Inaugurados em 1878 e 1896, respectivamente, o Teatro da Paz e o Teatro Amazonas foram inspirados na arquitetura francesa e europeia, e receberam elementos decorativos que remetem à natureza amazônica. Além de seu valor arquitetônico, representam um importante legado cultural da Amazônia brasileira.

Os teatros foram reconhecidos pela Unesco como Patrimônio Mundial em 2026.

  • Complexo de Conservação da Amazônia Central

O Complexo de Conservação da Amazônia Central é considerado pela Unesco a maior área protegida da Bacia Amazônica, com mais de seis milhões de hectares. O patrimônio reúne o Parque Nacional do Jaú, o Parque Nacional de Anavilhanas, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

A área abriga uma diversidade de ecossistemas, como florestas de terra firme, várzea, igapó, rios, lagos e canais, além de espécies ameaçadas de extinção, como o peixe-boi-da-amazônia, o pirarucu, o jacaré-açu e duas espécies de botos. 

O Complexo foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2000.

  • Centro Histórico de São Luís (MA)

De acordo com a Unesco, o Centro Histórico de São Luís foi fundado pelos franceses e posteriormente ocupado por holandeses e portugueses. O lugar preserva o traçado urbano original do século XVII, e é conhecido pelos casarões coloniais revestidos de azulejos portugueses e pela adaptação da arquitetura às condições climáticas da Amazônia Oriental. 

O centro histórico da cidade foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1997.

Foto: Lyssuel Calvet
  • Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

Localizada no litoral leste do Maranhão, em uma zona de transição entre a Amazônia, o cerrado e a Caatinga, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses abrange uma área 156.562 hectares, dos quais cerca de 90.000 hectares são compostos por um extenso campo de dunas com lagoas temporárias e permanentes. De acordo com a Unesco, a vegetação do parque é composta por formações pioneiras de restinga, manguezais e comunidades aluviais que, juntamente com ambientes marinhos e de água doce, são fundamentais para a conservação da diversidade de espécies. 

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2024.

Foto: dri Felden/ Argosfoto

Leia também: Teatro Amazonas e Theatro da Paz entram para lista de Patrimônio Mundial da Unesco

Patrimônios Mundiais do Brasil

Além do Patrimônios Mudiais localizados na Amazônia, o Brasil também possui reconhecimentos em outras regiões do país. Confira a lista de todos os Patrimônios Mundiais do Brasil:

Novo álbum de Anitta, Equilibrium II, faz referência a povos indígenas da Amazônia 

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Anitta e indígena no videoclipe de ‘Oke’, do álbum Equilibrium II. Foto: Reprodução/Youtube- Anitta

O álbum Equilibrium II, da cantora Anitta, dedica uma música em homenagem aos povos indígenas brasileiros na faixa ‘Oke’, que encerra o álbum com uma proposta de unir ancestralidade, tecnologia e diversidade cultural. Segundo a própria artista, a música foi criada para celebrar os povos originários e conta com a participação dos Bros MCs, grupo indígena de rap, e da rapper e cantora Katú Mirim.

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Na apresentação da faixa, em um vídeo publicado em seu canal do Youtube (abaixo), Anitta afirma que o videoclipe traz uma ‘rave indígena’, reunindo pessoas de diferentes povos, corpos e culturas em um ambiente que mistura elementos da natureza, da tecnologia e da sabedoria ancestral. A cantora também destaca referências à força da floresta, à espiritualidade de Oxóssi e à valorização do conhecimento indígena contemporâneo.

“Não existe outra maneira de usar a tecnologia, a inteligência artificial e toda evolução das máquinas se não for com a sabedoria ancestral das matas, das florestas e dos povos indígenas. Quando misturamos as duas coisas, temos a excelência, o equilíbrio perfeito. Então a gente termina o álbum com essa faixa super potente “, afirmou a cantora.

Povos indígenas da Amazônia que são citados em Equilibrium ll

Povo Ticuna (maior população indígena da Amazônia brasileira)

Os Ticuna, também grafados como Tikuna, são originários da região do Alto Solimões, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. No território brasileiro, concentram-se principalmente nos municípios amazonenses de Tabatinga e São Paulo de Olivença, formando a maior etnia indígena da Amazônia.

Leia também: Artesãos do Amazonas assinam adereços usados por Anitta em EQUILIBRIVM II

Álbum de Anitta, Equilibrium II, faz referência a povos indígenas da Amazônia 
Balada indígena representada no videoclipe da música ‘Oke’, do álbum Equilibrium II. Foto: Reprodução/Youtube-Anitta

De acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), os Ticuna constituem o povo indígena mais numeroso da Amazônia brasileira, com uma história marcada pela invasão de seringueiros, pescadores e madeireiros na região do rio Solimões. Segundo seus mitos de origem, o povo surgiu no igarapé Eware, localizado entre Tabatinga e São Paulo de Olivença.

Povo Mura

Outro povo citado é o Mura, cuja ocupação abrange as bacias dos rios Madeira, Amazonas e Purus, no estado do Amazonas. De acordo com o Instituto Socioambiental, os Mura ocupam mais de 40 Terras Indígenas, mantendo sua presença histórica em regiões do Amazonas como Autazes, Borba, Manaus, Careiro da Várzea, Manaquiri, Manicoré e Novo Aripuanã.

Povos Turiwara e Guajajara

Também aparece na música ‘Oke’, do álbum Equilibrium II, o povo Turiwara, originário do nordeste do Pará, especialmente dos municípios de Tomé-Açu e da região do Vale do Acará.

Já os Guajajara habitam a margem oriental da Amazônia, no estado do Maranhão. De acordo com o Instituto Socioambiental, o povo guajajara são um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil e ocupam mais de dez Terras Indígenas na região central do estado. 

Povo Yanomami

Os Yanomami, outro povo mencionado no álbum Equilibrium II, vivem na floresta tropical situada entre o Brasil e a Venezuela, ocupando a maior Terra Indígena do país, distribuída entre os estados de Roraima e Amazonas. De acordo com o Instituto Socioambiental, o povo Yanomami constitui uma sociedade de caçadores-agricultores da floresta amazônica e ocupam aproximadamente 192 mil quilômetros quadrados na região de fronteira entre Brasil e Venezuela. 

Povos Kayapó e Munduruku 

O povo Kayapó vive no sul do Pará e no norte do Mato Grosso, em uma extensa área de transição entre o Cerrado e a Amazônia, principalmente nas bacias dos rios Iriri, Bacajá e Fresco, afluentes do rio Xingu.

Já o povo Munduruku ocupa principalmente a bacia do rio Tapajós, distribuídos pelos estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso. De acordo com o Instituto Socioambiental, os Munduruku ficaram conhecidos historicamente como um povo de tradição guerreira e concentraram sua ocupação no chamado Vale do Tapajós, região anteriormente conhecida como ‘Mundurukânia’. 

Povo Ashaninka

Entre os povos lembrados por Anitta no álbum Equilibrium II, também estão os Ashaninka, que vivem entre o Acre e o Peru. De acordo com o Instituto Socioambiental, a maior parte do povo ashaninka está localizado na Amazônia peruana, enquanto, no Brasil, concentra-se principalmente na região do Alto Juruá.

Povos Kalapalo e Macuxi

A música também faz referência ao povo Kalapalo, que vive na região do Alto Xingu, no Mato Grosso, e aos Makuxi, habitantes da região do Monte Roraima, entre Brasil, Guiana e Venezuela. No Brasil, os Makuxi concentram-se principalmente na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

Assista ao videoclipe da música ‘Oke’, do ábum equilibrium II:

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Participação de artistas indígenas reforça protagonismo no projeto

Além de citar diversos povos originários na letra de ‘Oke’, Equilibrium II também aposta na participação de artistas indígenas no videoclipe. A proposta vai além da representação simbólica e busca dar espaço para que indígenas sejam protagonistas da narrativa construída pela produção.

Em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, o influenciador indígena Victor Peroná, afirma que o álbum Equilibrium II se diferencia por colocar pessoas indígenas no centro da produção artística, em vez de utilizá-las apenas como referência estética.

“Mais do que uma música, ela apresenta uma imagem que quase nunca nos permitiram estar. A da alegria, a da celebração, a da felicidade da nossa existência. Isso parece ser muito simples, mas faz toda a diferença”, destacou o influenciador. 

Outro ponto destacado por ele é que o álbum Equilibrium II valorizou profissionais indígenas em diferentes etapas da produção. Além dos cantores, o videoclipe reúne atores, dançarinos, artistas visuais e utiliza roupas e acessórios produzidos por indígenas, ampliando a visibilidade desses profissionais para um público nacional e internacional.

Cantora indígena Kaê Guajajara no videoclipe de ‘Oke’, do álbum Equilibrium II. Foto: Reprodução/Youtube-Anitta

Entre os nomes que aparecem no videoclipe está a artista indígena amazônida Kae Guajajara, uma das representantes da nova geração de artistas indígenas brasileiros. Natural do Maranhão e pertencente ao povo Guajajara, ela desenvolve sua trajetória artística voltada para a valorização dos povos originários e da Amazônia. 

Vezes em que Anitta visitou terras indígenas 

A primeira vez em que Anitta esteve presente em uma Terra Indígena foi em 2025, quando visitou a aldeia Kuikuro no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso. Na ocasião, a cantora participou da cerimônia Kuarup, conversou com um dos líderes indígenas e recebeu pinturas tradicionais pelo corpo como apoio ao povo.  

Top usado por Anitta durante encontro foi feito por indígenas do Amazonas. Foto: Reprodução/ g1 Am

Além da visita a aldeia Kuikuro, Anitta também visitou a aldeia Piaraçu (Terra Indígena Capoto-Jarina). Durante o passeio, a cantora usou peças artesanais feitas por indígenas do Amazonas e conversou o líder histórico Cacique Raoni.

Gospelmente Festval: música, missão e ações sociais para comunidades ribeirinhas do Amazonas

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Lançamento do ‘Gospelmente Festval’. Foto: André Freitas

Manaus (AM) receberá, no dia 14 de novembro, na praia da Ponta Negra, o ‘Gospelmente Festval‘, um evento com a proposta de reunir igrejas, missionários, influenciadores cristãos, artistas e voluntários de diferentes partes do Brasil em favor das comunidades ribeirinhas do Amazonas. Idealizado pelo amazonense Gesson Nunes, criador do perfil de conteúdo cristão ‘Gospelmente’ (com quase 4 milhões de seguidores nas redes sociais), o evento foi lançado oficialmente nesta quinta-feira, dia 23 de julho, durante um coquetel que reuniu  missionários, líderes religiosos, influenciadores, representantes da imprensa e autoridades.

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Durante o evento de lançamento, os organizadores confirmaram a participação de duas atrações nacionais: o cantor Thalles Roberto, um dos principais nomes da música gospel brasileira, e o casal de influenciadores cristãos Rayssa e Esdras Buq.

Segundo o organizador do Gospelmente Festval, Nailton Campos, outras atrações nacionais serão anunciadas até o início de novembro, completando uma programação com oito artistas, além de pregadores nacionais e locais, músicos amazonenses e apresentações teatrais.

Ações sociais e aproximação com a realidade amazônica

Além da programação artística, a proposta do ‘Gospelmente Festval’ é colocar a missão cristã no centro do evento, com a arrecadação de alimentos e recursos financeiros para fortalecer projetos missionários desenvolvidos no interior do Amazonas. A entrada será mediante a doação de um quilo de alimento não perecível, mas as ações começam antes mesmo do festival. 

De acordo com Gesson Nunes, missionários de diversas regiões do Brasil serão convocados para participar de ações sociais no interior do Amazonas, levando atendimento médico, distribuição de cestas básicas, evangelização e apoio a projetos já desenvolvidos por igrejas e organizações locais. Segundo ele, o evento surge em um momento de preocupação com a previsão de uma nova estiagem severa na região amazônica.

“Nosso principal objetivo é ajudar famílias ribeirinhas. A previsão de estiagem deste ano é preocupante e queremos nos preparar para atender essas comunidades. A intenção é arrecadar alimentos e mobilizar missionários do Brasil inteiro para realizar ações sociais. Eu sempre digo que é impossível amar alguém sem conhecer a realidade dessa pessoa. Não queremos apenas que as pessoas façam doações, queremos que venham ao Amazonas, conheçam as comunidades e entendam os desafios enfrentados pelos ribeirinhos“, explica. 

Gesson Nunes, idealizador do Gospelmente Festval. Foto: André Freitas

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Segundo ele, a Amazônia desperta cada vez mais interesse nacional, atenção que também deve servir para revelar as dificuldades vividas pelas populações tradicionais. “A Amazônia está na moda. Mas o que nunca deveria estar na moda são as dificuldades enfrentadas pelas comunidades ribeirinhas. Queremos transformar essa visibilidade em esperança”, afirma.

Gesson destaca que projeto começou dentro de uma comunidade do interior do Amazonas, e hoje alcança mais de 150 milhões de pessoas por mês nas redes sociais.

“Quero que outras crianças e adolescentes da Amazônia olhem para essa história e entendam que também podem viver algo extraordinário”, defende. 

Atrações confirmadas

Além das atrações nacionais, Nailton Campos confirmou a participação da CIA Besaliel, companhia artística que realizará a abertura do Festval. Para o diretor da companhia, Calebe Mar, o principal objetivo da apresentação teatral é despertar uma nova geração para o trabalho missionário.

Lançamento do Gospelmente Festval
Lançamento do Gospelmente Festval. Foto: André Freitas

“Nossa maior expectativa é conseguir inspirar mais jovens a entregarem suas vidas pela causa do Evangelho. Já enviamos missionários para diversos países e também para o interior do Amazonas. Queremos que esse evento desperte novos chamados missionários, especialmente para as comunidades ribeirinhas”, almeja.