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#Série l Superfrutas da Amazônia: pupunha, o fruto tradicional da Amazônia

Ela está presente nas feiras, quintais e mesas amazônicas, mas você conhece uma das frutas mais tradicionais da região Norte? A pupunha, consumida principalmente cozida com sal e acompanhada de um cafézinho, é conhecida por seu sabor marcante, textura amanteigada e alto valor energético. É considerada uma superfruta amazônica devido suas propriedades nutricionais e pelo potencial de uso na indústria alimentícia.

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De acordo com o livro ‘Coleção Plantar- Pupunha‘, produzido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) – Amazônia Ocidental, a fruta é produzida pela pupunheira (Bactris gasipaes), uma palmeira adaptada ao clima quente e úmido da Amazônia. A fruta possui coloração que varia entre amarelo, laranja e vermelho, resultado da elevada presença de carotenoides, compostos antioxidantes associados à prevenção de doenças crônicas e à proteção da visão.

Segundo o estudo, os frutos da pupunheira são considerados alimentos energéticos e apresentam pequenas quantidades de proteínas, óleos, ferro e vitaminas do complexo B e vitamina C. Além disso, possuem altos níveis de fibras, amido e gordura boa, fatores que fazem da pupunha uma importante fonte nutricional. 

Uma fruta tradicional da Amazônia

Em muitas casas amazônicas, a pupunha é consumida no café da manhã ou no lanche da tarde, geralmente acompanhada de um café preto. De acordo com o estudo, após o cozimento, a polpa do fruto ganha uma textura macia e um sabor intenso, que lembra castanhas e raízes amazônicas. 

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pupunha com café
Foto: Fernando Sette

Além do consumo alimentar, a pupunha também possui importância econômica, já que o fruto também pode ser usado na produção de farinha, óleo e rações, enquanto a própria pupunheira é amplamente cultivada para extração do palmito.

Segundo a pesquisa, frutos maiores e mais oleosos são preferidos para o consumo direto, enquanto frutos mais secos e ricos em amido são destinados à fabricação da farinha. 

Uma fruta rica em carotenoides e vitaminas

De acordo com o artigo ‘Pupunha (Bactris gasipaes kunth): uma revisão’, o peso dos frutos pode variar bastante, podendo pesar de 20 até mais de 100 gramas, dependendo da composição da polpa, que pode ser mais seca, oleosa ou com muito amido.

O artigo também aponta que o fruto possui alto teor de carotenoides, especialmente β-caroteno, γ-caroteno e licopeno, pigmentos naturais responsáveis pelas cores alaranjadas e avermelhadas da polpa.

Foto: Divulgação

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Esses compostos possuem ação antioxidante e anti-inflamatória, associados à prevenção de doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e problemas ligados ao envelhecimento ocular, como a degeneração da parte central da retina. Além dos carotenoides, o estudo também destaca que a pupunha contém vitaminas importantes para o funcionamento do organismo, como vitamina C, vitaminas B1 e B2, niacina, vitamina A e tocoferóis, conhecidos como vitamina E. 

Além disso, a fruta possui alto teor energético, já que por ser rica em amido e gordura, fornece energia de forma significativa, o que a torna uma superfruta amazônica. 

Da cozinha regional à indústria alimentícia

Foto: Reprodução/Embrapa

Embora o cozimento seja a forma mais popular de consumo da pupunha, a farinha da fruta vem sendo utilizada na produção de biscoitos, pães, panetones e misturas alimentícias. O estudo aponta que a farinha de pupunha pode substituir em até 10% a farinha de trigo em receitas de panificação sem alterar a qualidade final dos produtos.

Além disso, a torta produzida a partir do processamento da pupunha apresenta alto valor nutritivo e pode substituir o milho em rações balanceadas para alimentação animal. O óleo extraído da polpa também chama a atenção pela presença de ácidos graxos não saturados, considerados benéficos para a saúde cardiovascular. 

Apesar do potencial econômico, o artigo destaca que o beneficiamento ainda enfrenta desafios, já que o alto teor de água da polpa torna o processo de secagem mais caro e trabalhoso. Além disso, o fruto cru contém substâncias que dificultam a digestão e provocam irritação na boca, tornando o cozimento indispensável antes do consumo.

Cultivo adaptado ao clima amazônico

De acordo com o livro ‘Coleção Plantar- Pupunha’, a pupunheira se desenvolve melhor em regiões de clima úmido, com temperaturas médias acima de 22°C e chuvas abundantes durante o ano inteiro. Além disso, a planta adapta-se bem às condições da Amazônia e pode crescer em diferentes tipos de solo, desde que sejam bem drenados e tenham fertilidade adequada.

Foto: Daniele Otto

Embora necessite de bastante água, a pupunheira não suporta terrenos encharcados. Segundo o estudo, em áreas de solo ácido e pobre em nutrientes, o cultivo ainda pode ser viável desde que sejam realizados processos de correção e adubação.

A produção da pupunha começa normalmente no terceiro ano após o plantio, começando a dar frutos a partir do sexto ano, em uma produtividade média, que pode alcançar cerca de 20 toneladas por hectare ao ano.

Pragas e desafios da produção

O estudo aponta que a pupunheira também enfrenta ameaças causadas por pragas e doenças. Entre os principais problemas está o ataque da chamada ‘abelha-de-cachorro’ ou arapuá, que destrói flores e botões florais durante a floração, o que compromete a produção.

Lagartas que enrolam os folíolos, subdivisões de uma folha, para se alimentar também estão entre os principais desafios do cultivo. Além disso, pássaros costumam atacar os frutos maduros, causando também perdas nas plantações.

Série Superfrutas da Amazônia

#Série l Superfrutas da Amazônia: bacaba, o ‘vinho da Amazônia’ 

Você conhece a “prima” do açaí? A bacaba é uma fruta nativa da floresta amazônica que possui alto valor nutricional. Consumida há gerações por povos indígenas e comunidades ribeirinhas, ela é considerada uma superfruta amazônica por suas propriedades antioxidantes, potencial alimentício e grande quantidade de óleo saudável, superior até mesmo ao encontrado no açaí.

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De acordo com um estudo feito pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Amazônia Ocidental, a bacaba pertence ao gênero Oenocarpus, grupo de palmeiras amplamente distribuídas na Amazônia brasileira e em outros países da América do Sul e Central.

Na Região Norte, a fruta recebe diferentes nomes populares, como bacaba-açu, bacabão, bacaba-vermelha, bacabi e bacabinha, dependendo da espécie e da região onde é encontrada.

Bacaba
Foto: Reprodução/Freepik

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Segundo a pesquisa, o nome científico Oenocarpus tem origem grega, ‘oeno’, que significa vinho e ‘carpus’, que significa fruto. Já a palavra ‘bacaba’ vem do tupi-guarani ‘ibacaba’, que significa ‘fruta oleosa’.

Onde ela é encontrada e no que ela é utilizada? 

As espécies de bacaba possuem forte ocorrência nos estados amazônicos. A Oenocarpus bacaba, por exemplo, é encontrada no Amazonas, Acre, Amapá, Pará e Rondônia, enquanto a Oenocarpus mapora, conhecida como bacabi, é encontrada principalmente no Amazonas e no Acre.

Foto: Socorro Padilha

De acordo com o estudo, as palmeiras crescem em diferentes ambientes da floresta amazônica, desde áreas de terra firme até regiões de várzea e locais periodicamente alagados. Além disso, algumas espécies conseguem se desenvolver em solos pobres e argilosos, enquanto outras preferem terrenos ricos em matéria orgânica.

Além de possuir importância ecológica, a bacaba tem um grande valor para as comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, já que praticamente todas as partes da planta são aproveitadas. 

Segundo o estudo, a bacaba é utilizada na produção de bebidas, sorvetes, picolés, geleias e licores, além do óleo extraído da polpa e da amêndoa que é empregado tanto na alimentação quanto na medicina popular. Além disso, as folhas servem para cobertura de casas, produção de fibras e artesanato, e os caules usados em construções e na fabricação de utensílios.

Mais óleo que o açaí

Foto: Valdely Ferreira Kinupp

Um dos principais diferenciais da bacaba está na composição nutricional. De acordo com o boletim de pesquisa e desenvolvimento – Caracterização Físico-Química da Polpa de Bacabi (Oenocarpus mapora H. Karsten), o bacabi possui elevado teor de lipídeos, superando inclusive o açaí em quantidade de óleo.

A pesquisa com a espécie Oenocarpus mapora mostrou que a polpa pode conter cerca de 58% de lipídeos, responsáveis por mais de 85% das calorias presentes no fruto. Além das gorduras boas, a fruta apresenta fibras, proteínas e minerais importantes para o organismo.

De acordo com o estudo, o óleo da bacaba possui composição semelhante ao azeite de oliva, com predominância do ácido oleico, conhecido pelos benefícios à saúde cardiovascular. Além disso, também estão presentes no fruto ácidos graxos palmítico, mirístico e láurico, que ampliam o potencial de uso da fruta na indústria alimentícia.

Outra característica marcante da Bacaba está na presença de compostos bioativos, como carotenoides, antocianinas e compostos fenólicos, substâncias que possuem ação antioxidante e ajudam a combater os radicais livres, moléculas associadas ao envelhecimento precoce e ao desenvolvimento de doenças.

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Fonte de vitaminas e minerais

Segundo o boletim, além do alto teor energético, a bacaba concentra nutrientes importantes para o funcionamento do corpo, como a vitamina E, reconhecida pela ação antioxidante, que auxilia na proteção das células, e vitaminas do complexo B, essenciais para a produção de energia e funcionamento do sistema nervoso.

A composição mineral do fruto inclui potássio, cálcio, magnésio e ferro, nutrientes que contribuem para o fortalecimento dos ossos, funcionamento muscular e prevenção da anemia. Além disso, segundo os estudos, as antocianinas, responsáveis pela coloração roxa intensa da fruta, ajudam no combate ao envelhecimento celular e possuem potencial anti-inflamatório.

Potencial medicinal estudado pela ciência

De acordo com o estudo realizado pela Embrapa, o óleo da fruta é empregado tradicionalmente em casos de bronquite, infecções pulmonares e até tuberculose.

Entre os indígenas Bora, do Peru, as sementes germinadas da bacaba são usadas no preparo de uma bebida consumida em casos de picadas de cobra.

Fonte: Valdely Ferreira Kinupp

Além do conhecimento tradicional, a pesquisa indica que a bacaba possui atividade antioxidante, ação antiproliferativa e possível efeito quimiopreventivo relacionado à carcinogênese, processo de formação do câncer.

Além disso, os compostos antioxidantes presentes na fruta podem ajudar a reduzir danos causados pelos radicais livres, associados a doenças cardiovasculares, câncer, catarata e enfermidades neurodegenerativas.

Série Superfrutas da Amazônia

#Série l Superfrutas da Amazônia: buriti, o fruto da “árvore da vida”

Você conhece o buriti, o fruto da “árvore da vida”? Conhecido como buriti, miriti ou muriti, o fruto da espécie é considerado uma verdadeira superfruta amazônica por reunir alto valor nutricional. Tido como uma das palmeiras mais importantes da floresta amazônica, o buritizeiro é chamado pelos povos indígenas de ‘árvore da vida’, sendo aproveitada pelas comunidades tradicionais desde os frutos até as folhas e fibras. 

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De acordo com informações reunidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o fruto se destaca principalmente pela grande quantidade de vitaminas, antioxidantes e óleo vegetal.

A palmeira cresce em áreas alagadas, margens de rios e terrenos brejosos, áreas com umidade excessiva e drenagem inadequada, formando extensos buritizais. Por conta disso é essencial que o solo seja ácido. 

Uma palmeira gigante da Amazônia

Segundo o estudo, a espécie pode alcançar entre 20 e 35 metros de altura, e apesar de apresentar crescimento lento, possui grande longevidade, já que algumas árvores com mais de 10 metros podem viver entre 100 e 400 anos. Além disso, as folhas em formato de leque chegam a medir até cinco metros de comprimento e são tradicionalmente utilizadas na cobertura de casas e na produção de artesanato. 

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Buritizal. Foto: Vivi Mesquita

O buriti possui uma casca coberta por escamas castanho-avermelhadas que esconde uma polpa amarelo-alaranjada, de sabor agridoce e textura oleosa. De acordo com o estudo, cada planta feminina pode produzir de cinco a sete cachos, com até 500 frutos em cada um, podendo chegar até três toneladas por palmeira.

Rico em vitaminas e nutrientes

O buriti é considerado uma superfruta amazônica devido seu alto valor nutricional. De acordo com o livro ‘Buritizeiro (Mauritia flexuosa L .) e seu Potencial de Utilização’, da Embrapa, a fruta é rica em vitaminas A e C, além de conter cálcio, ferro, fibras, óleos e antioxidantes importantes para o organismo.

Buriti
Foto: Divulgação

Segundo o estudo, a vitamina A presente no fruto ajuda na saúde da visão e no crescimento, enquanto a vitamina C fortalece o sistema imunológico e auxilia na formação das células sanguíneas. Além disso, a pesquisa aponta que pequenas quantidades da polpa já são suficientes para suprir necessidades diárias dessas vitaminas.

Óleo com potencial econômico

Outra característica marcante do fruto é o óleo extraído tanto da polpa quanto da semente. Rico em ácidos oleicos e láuricos, o óleo é utilizado na alimentação, na indústria cosmética e também em produtos farmacêuticos. 

Tradicionalmente, nas comunidades amazônicas o óleo é utilizado para aliviar queimaduras e auxiliar na cicatrização, devido suas propriedades cicatrizantes e hidratantes. Além disso, a pesquisa da Embrapa mostra que o buriti apresenta potencial para a produção de biodiesel, superando culturas como soja, girassol e amendoim, com produtividade que pode chegar a 3,6 toneladas por hectare.

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Foto: Reprodução/Amazon Oil

De acordo com o livro, as fibras das folhas também possuem grande importância econômica, sendo utilizadas na fabricação de cordas, redes, esteiras e peças artesanais. Além disso, os troncos servem para construções rústicas, pontes e canoas.

Colheita e aproveitamento 

A colheita do buriti deve acontecer quando eles começam a cair naturalmente dos cachos e apresentam coloração mais escura, evitando a derrubada das árvores. A Embrapa alerta que a derrubada das árvores para retirada dos frutos não é recomendada, já que isso ameaça os buritizais e compromete a preservação da espécie.

Além do consumo ‘in natura’, o buriti é usado na produção de doces, sorvetes, vinhos, licores e sucos.

Foto: Fundaj/Reprodução

Combate à deficiência nutricional

Além do valor alimentar, o buriti também possui importância social, já que em regiões marcadas pela insegurança alimentar, o fruto aparece como uma alternativa nutritiva e acessível. De acordo com o livro, o doce de buriti já foi utilizado no Nordeste brasileiro como suplemento vitamínico para crianças com deficiência de vitamina A, e que em cerca de 20 dias, houve uma melhora significativa nos sintomas causados pela falta da vitamina.

Na Amazônia, onde muitas comunidades vivem em áreas isoladas, o fruto ajuda a complementar a alimentação e reforça a segurança nutricional das famílias.

Série Superfrutas da Amazônia

#Série l Superfrutas da Amazônia: açaí, o tesouro amazônida

Presente na mesa de muitos amazônidas, o açaí é um verdadeiro tesouro. O fruto é cheio de benefícios nutricionais, pois é rico em nutrientes, antioxidantes e compostos bioativos.

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De acordo com dados sobre os aspectos nutricionais levantados por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o açaí é considerado uma superfruta justamente por ser um alimento altamente energético e nutritivo, rico em proteínas, fibras, lipídios, minerais como manganês, cobre, boro e cromo, além de vitamina E, um antioxidante natural que ajuda no combate aos radicais livres. 

Benefícios antioxidantes do ‘ouro roxo’

A característica mais marcantes do açaí se dá devido a sua coloração roxo intensa, resultado da alta concentração de antocianinas, pigmentos naturais pertencentes ao grupo dos compostos fenólicos – substância essencial para a proteção, pigmentação e defesa vegetal.

Leia também: Pesquisa indica informações técnicas e econômicas sobre o cultivo do açaí no Amazonas 

Foto: Fábio Martins

De acordo com o estudo, essas substâncias possuem forte ação antioxidante, ajudando o organismo a combater os radicais livres, moléculas associadas ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de doenças.

Além disso, as antocianinas também favorecem a circulação sanguínea e podem contribuir para a proteção contra efeitos cancerígenos e aterogênicos, acúmulo de placas de gordura nas paredes das artérias.

O teor dessas substâncias varia de acordo com o estágio de maturação, desenvolvimento do fruto, em que a concentração máxima de antocianinas é atingida quando o açaí está completamente maduro. Ainda segundo o estudo, fatores ambientais como luminosidade, temperatura e fertilidade do solo influenciam diretamente na quantidade desses compostos, podendo até dobrar de um ano para outro dependendo das condições climáticas. 

Rico em energia, mas não em ferro

De acordo com o estudo da Embrapa, o açaí possui mais de 40% de lipídios em base seca, além de ser rico em proteínas e fibras, nutrientes essenciais para o funcionamento do organismo. Mas, apesar da fama popular, o açaí não é uma fonte significativa de ferro, uma vez que além da baixa quantidade presente no fruto, o mineral está em uma forma que dificulta sua absorção pelo organismo.

Da floresta para o mundo

O açaízeiro ocorre em áreas de solos úmidos ou nas margens de rios e lagos do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia e Maranhão. No entanto, segundo o estudo, é na região do estuário do Rio Amazonas, compreendida pelos estados do Amapá e Pará, que se encontram as maiores e mais densas populações do açaízeíro.

Foto: Reprodução/Embrapa

Leia também: Valorização regional: açaí de Codajás recebe registro de Indicação Geográfica do INPI

O fruto é muito consumido, principalmente pelas populações ribeirinhas e urbanas da Amazônia, especialmente no Pará e no Amazonas, acompanhado de farinha, peixe e outros alimentos típicos da culinária regional.

Segundo o ‘Informativo Técnico Rede de Sementes da Amazônia’, com a expansão do mercado, o fruto passou a ser utilizado em sorvetes, bebidas energéticas, suplementos alimentares, cosméticos e produtos funcionais. O estudo aponta que o interesse internacional pelo açaí está diretamente ligado ao seu potencial antioxidante e à presença dos compostos bioativos.

Cultivo e manejo adequado do açaí

A pesquisa destaca que o crescimento adequado do açaizeiro depende do equilíbrio entre nutrientes e da qualidade do solo. Segundo a Embrapa, a análise do solo é indispensável para o sucesso do cultivo, principalmente em áreas de terra firme, onde a fertilidade natural costuma ser menor. 

A colheita dos cachos de açaí é feita após a fecundação das flores, ou seja, por volta de cinco a seis meses, ou 180 dias aproximadamente. De acordo com o estudo, quando o fruto está pronto para ser colhido, ele apresenta uma coloração roxo-escura ou verde-escura (açaí branco), de acordo com o tipo, recoberto por uma camada esbranquiçada. 

açaí de belém
Foto: Vanessa Monteiro/Ascom Ufra

Quantidades excessivas ou insuficientes de nutrientes no solo podem comprometer tanto a produção quanto o valor nutricional do fruto. Os estudos ainda estão em desenvolvimento, mas resultados iniciais mostram que nutrientes como potássio, magnésio, fósforo e nitrogênio exercem forte influência no crescimento das plantas jovens de açaízeiro.

Série Superfrutas da Amazônia 

#Série l Superfrutas da Amazônia: guaraná, fonte natural de cafeína

Você conhece o ‘olho da floresta’ que nasceu entre os Sateré-Mawé? Símbolo da Amazônia e conhecido por seu valor energético, o guaraná não está só presente em refrigerantes e bebidas estimulantes.

Cultivado há séculos pelos povos indígenas, o guaraná se destaca devido suas propriedades medicinais, antioxidantes e nutricionais, que fazem dele uma riqueza natural da floresta.

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O fruto se destaca por sua aparência curiosa, uma vez que, quando amadurece, a casca ganha tons vermelho-alaranjados e se abre parcialmente, deixando a semente escura exposta, lembrando um olho humano. Essa característica marcante ajudou a construir lendas em torno da planta nas culturas amazônicas.  

Leia também: Noçoquem: a floresta encantada e a origem do guaraná

Guaraná
Fruto é fonte natural de cafeína. Foto: Fernando Goss

De acordo com o livro ‘Guaraná- como cultivar’, publicado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a colheita deve ocorrer justamente nesse estágio de maturação (amadurecimento e desenvolvimento), antes da abertura total dos frutos, evitando que as sementes caiam no solo. 

Energia natural da Amazônia

Utilizado há séculos pelos indígenas, o fruto é considerado uma superfruta principalmente por suas propriedades estimulantes. O artigo ‘Divergência fitoquímica entre genótipos de guaraná em função de caracteres agroindustriais, aponta que o guaraná atua diretamente sobre o sistema nervoso central, sistema cardiovascular, músculos e rins, além de ajudar na redução da fadiga física e mental e contribuir para o funcionamento intestinal se consumido regularmente.   

Ainda de acordo com o artigo, o fruto, considerado a maior fonte natural de cafeína conhecida, possui mais que o dobro presente no café, três vezes mais que o chá, cinco vezes mais que a cola, seis vezes mais que o mate e oito vezes mais que o cacau.

Leia também: Guaraná e Copaíba: conheça os frutos que são os olhos da Amazônia

Conhecido como ‘olhos da floresta’. Foto: Siglia Souza

Essa alta concentração acontece por causa das chamadas metilxantinas, grupo de compostos que inclui cafeína, teofilina e teobromina, substâncias que são conhecidas pelo efeito estimulante e utilizadas na composição de medicamentos para diferentes finalidades terapêuticas.

Além das metilxantinas, o estudo também destaca que o guaraná é rico em polifenóis, moléculas antioxidantes, responsáveis pelo combate aos radicais livres, compostos associados ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de doenças.

Potencial antioxidante e benefícios à saúde

Além disso, a pesquisa também mostra que o guaraná apresenta altos índices de catequina e epicatequina, compostos antioxidantes também encontrados no chá e no cacau, mas que no guaraná são ainda maiores. Além disso, esses compostos bioativos são considerados biodisponíveis, ou seja, conseguem ser absorvidos e utilizados pelo organismo humano.

Leia também: Microrganismos presentes no guaranazeiro têm potencial para a agricultura e saúde humana

Entre os efeitos associados ao consumo do guaraná, o artigo também aponta o potencial anticancerígeno, como controle da proliferação de células tumorais e no processo de metástase, propriedades antimicrobianas, atividade anti-envelhecimento, prevenção de trombose e auxílio no controle de doenças cardiovasculares.

E mais: o consumo da fruta também pode contribuir para a redução dos níveis de colesterol total e do LDL, conhecido popularmente como ‘colesterol ruim’.

Produção e utilização do fruto 

Maués, município conhecido como a ‘terra do guaraná’, se tornou referência nacional na produção do fruto. Lá a cultura do guaraná movimenta a economia local e fortalece a agricultura familiar na região amazônica.

Leia também: Maués é reconhecida por lei oficialmente como Capital Nacional do Guaraná

Importânte na economia de Maúes. Foto: Lyon Santos/MDS

Atualmente, aponta o estudo, o fruto é utilizado na produção de bebidas, xaropes, cápsulas, cosméticos e suplementos alimentares. E o fruto pode ser comercializado também em bastão, após uma defumação longa que o prepara para a venda, em rama, mais utilizados pelos agricultores, e em pó, forma mais comum encontrada no mercado.

Série Superfrutas da Amazônia

‘Pequenos da Floresta’ resgata memórias da infância amazônica através de histórias ilustradas em Parintins

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Ilustração do ‘Pequenos da Floresta’. Imagem: Erika Baranda/Acervo pessoal

Histórias contadas à beira do rio, brincadeiras nas ruas de terra e viagens de barco que relembram uma infância simples, deram origem ao projeto ‘Pequenos da Floresta’, uma iniciativa, desenvolvida pela empresária Erika Baranda em parceria com a filha, Maria Clara Baranda, de 6 anos, que busca preservar as memórias afetivas da Amazônia por meio de narrativas ilustradas e escutas sensíveis.

Inspirado na infância em Parintins, o projeto resgata os costumes, os saberes populares e as experiências que ajudam a construir a identidade cultural da cidade. 

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A iniciativa surgiu como um gesto de resistência cultural diante das transformações tecnológicas que mudaram a forma de viver a infância amazônica. De acordo com Erika, a ideia nasceu da necessidade de registrar histórias que, muitas vezes, sobrevivem apenas na memória dos mais velhos.

“O projeto veio com o desejo de preservar as memórias afetivas da infância amazônica, especialmente de Parintins. São histórias simples, mas carregadas de identidade, cultura, brincadeiras, saberes populares e da relação profunda com a floresta e com o rio”, explicou ao Portal Amazônia

As inspirações vieram das próprias experiências vividas em Parintins por Erika, como as brincadeiras coletivas nas ruas, as conversas com os mais velhos, as festas populares, a convivência comunitária e a relação intensa com a floresta e com o rio. Crescer em Parintins, segundo ela, significava viver cercada de imaginação.

Memórias que o tempo começou a apagar

De acordo com a empresária, o sentimento de urgência apareceu quando percebeu que boa parte dessas vivências estava começando a desaparecer silenciosamente.

“Quando percebi que muitas crianças já não vivem essas experiências da mesma forma e que muitas memórias estavam ficando apenas na lembrança dos mais velhos, senti a necessidade de transformar essas vivências em algo que pudesse atravessar gerações”, afirma.

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'Pequenos da Floresta' resgata memórias da infância amazônica através de histórias ilustradas em Parintins
Projeto retrata infância amazônica. Imagem: Erika Baranda/Acervo pessoal

Para Erika, existe um risco real de perda da memória afetiva de Parintins caso essas histórias não sejam valorizadas e registradas. 

“O avanço da tecnologia e as mudanças sociais transformam os hábitos e a forma de viver na cidade. Por isso é tão importante valorizar e contar nossas histórias para que a essência cultural de Parintins continue viva”, destaca.

Por isso, o projeto também funciona como um espaço de preservação cultural. Entre os aspectos que ela acredita que precisam ser preservados estão os saberes populares, as tradições ribeirinhas, as brincadeiras infantis, a oralidade e o sentimento de pertencimento do povo parintinense com sua cultura.

Histórias que ganham vida através da ilustração

No projeto ‘Pequenos da Floresta’, as experiências reais são transformadas em narrativas ilustradas, unindo memória, afeto e arte e criando histórias acessíveis e emocionantes, capazes de despertar identificação em quem lê.

“É dar vida às memórias de forma sensível e acessível. A ilustração aproxima, emociona e ajuda as pessoas a se reconhecerem nas histórias”, explica.

Erika Baranda e sua filha Maria Clara. Foto: Erika Baranda/Acervo pessoal

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O projeto ganhou ainda mais significado com a participação de Maria Clara, filha da criadora. A parceria aconteceu de maneira espontânea, durante conversas sobre as histórias e os processos criativos, e aos poucos, o olhar infantil passou a fazer parte da construção narrativa.

“As crianças enxergam detalhes que os adultos esquecem. O olhar dela trouxe mais leveza, curiosidade e sensibilidade para o projeto”, destacou Erika. 

A experiência também fortaleceu os laços entre as duas, já que o processo de criação se tornou um espaço de troca, escuta e aprendizado.

Escutar para preservar

Uma parte importante do ‘Pequenos da Floresta’ são as chamadas “escutas sensíveis”, prática que busca ouvir os moradores, as famílias e as pessoas da comunidade de forma acolhedora e respeitosa.

A ideia permite que cada pessoa compartilhe suas memórias espontaneamente, valorizando relatos que normalmente não aparecem em registros oficiais. “Essas histórias têm muita força e verdade”, afirma. 

Entre os relatos que mais a marcaram estão histórias ligadas à infância ribeirinha, à convivência comunitária e às relações construídas em torno do rio.

Imagem: Erika Baranda/Acervo pessoal

Próximos passos

A proposta agora é ampliar o projeto com novas histórias, ilustrações, exposições e ações educativas voltadas para crianças e escolas. “Queremos deixar o legado da valorização da infância amazônica, da memória afetiva e da identidade cultural de Parintins para as futuras gerações”, afirma Erika. 

De acordo com ela, a infância amazônica possui uma conexão profunda com a natureza, com a imaginação alimentada pelas histórias da floresta, com o senso de comunidade e com a riqueza cultural que existe no modo simples e humano de viver na Amazônia.

Para acompanhar o projeto, siga o perfil oficial no Instagram.

#Série l Superfrutas da Amazônia: camu-camu, a campeã da vitamina C

Foto: Pedro Guimarães/Embrapa

Você conhece o camu-camu? Considerada uma das frutas com maior concentração de vitamina C do mundo, o camu-camu é uma fruta pequena e ácida, encontrada nas áreas alagadas da Amazônia, e que chama a atenção por seu potencial antioxidante e pelos benefícios relacionados à saúde. Pensando em seu potencial, como uma “superfruta”, o Portal Amazônia criou nova série de reportagens, incluindo outras frutas da região amazônica.

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De acordo com o livro ‘Receitas de camu-camu: pitadas de vitamina C e antioxidantes’, publicado na Embrapa, o fruto, também conhecido como caçari em Roraima, pertence à biodiversidade amazônica e possui compostos que ajudam na preservação da saúde da população contra inúmeras doenças e contra o envelhecimento.  

Plantas de Myrciaria dubia. Foto: Walnice Nascimento

A fruta é originária do camucamuzeiro (Myrciaria dubia), espécie nativa da Amazônia que cresce principalmente em margens de rios e lagos. Segundo o estudo da Embrapa, ‘A cultura do camu-camu’, a planta se desenvolve em locais de pleno sol e ainda está em processo inicial de domesticação e cultivo racional.

Além do Brasil, o fruto também é encontrado em países vizinhos da Amazônia. Atualmente, o Peru é considerado o maior produtor e exportador de camu-camu do mundo. 

Fruta campeã em vitamina C

O Camu-camu é considerado uma superfruta por conta da grande quantidade de vitamina C presente em sua polpa. O estudo, ‘A cultura do camu-camu’, aponta que o fruto pode apresentar concentração aproximadamente 13 vezes maior que a encontrada no caju, 20 vezes superior à acerola e até 100 vezes maior que no limão, ou seja, pode conter cerca de 5 gramas de vitamina C a cada 100 gramas da polpa. 

Leia também: Comunidades amazônicas no Peru conservam florestas usando camu camu de forma sustentável

camu-camu
Foto: Pedro Guimarães/Embrapa

O livro de receitas mostrou que os frutos provenientes da região leste de Roraima apresentaram concentrações de ácido ascórbico entre 3.571 mg e 6.112 mg por 100 g de polpa, números considerados extremamente elevados quando comparados a outras frutas populares no consumo diário.

Mesmo com toda essa concentração, o estudo alerta que o organismo humano não consegue absorver grandes quantidades de vitamina C de uma única vez, e parte dela acaba sendo eliminada naturalmente pelo corpo. Por isso, o consumo distribuído ao longo do dia, seja da fruta ou de produtos derivados, pode ser uma alternativa mais eficiente para aproveitar os nutrientes.

Antioxidantes e nutrientes

Além da vitamina C, o camu-camu possui flavonoides, compostos fenólicos e antocianinas, substâncias associadas à ação antioxidante. De acordo com a Embrapa, esses compostos auxiliam no combate aos radicais livres, moléculas relacionadas ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de algumas doenças.

alimentos amazônicos: camu-camu
Foto: Walnice Nascimento/Embrapa

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Além disso, comparado à laranja, o camu-camu também apresenta cerca de 10 vezes mais ferro e 50% mais fósforo. No entanto, a maior concentração de vitamina C e compostos fenólicos está presente no ‘epicarpo’, ou seja, a casca da fruta. 

Apesar da grande concentração de vitamina C, a fruta possui baixo valor energético e pequenas quantidades de proteínas e lipídios. 

O camu-camu na culinária

Apesar do sabor bastante ácido, o camu-camu é utilizado em diferentes preparações alimentícias. De acordo com o livro de receitas da Embrapa, a polpa pode ser consumida na forma de refrescos, sorvetes, vinhos, licores, geleias, doces e coquetéis, sendo utilizado como fixador de sabor em sobremesas e tortas.

Muitos nomes na Amazônia

Embora o nome camu-camu seja o mais popular no Brasil e no Peru, a fruta também recebe outras denominações regionais, como camocamo, caçari, araçá-d’água, araçá-de-igapó e crista de galo. Além disso, na Amazônia Venezuelana, os nomes mais utilizados são guayabo e guayabito.

Desafios do cultivo 

De acordo com o estudo da Embrapa, mesmo sendo uma espécie resistente em populações naturais, o cultivo racional do camucamuzeiro ainda enfrenta desafios relacionados ao ataque de pragas. O estudo aponta que mais de 69 tipos de insetos já foram associados à planta, principalmente das ordens Homoptera, Lepidoptera e Coleoptera. 

Apesar disso, apenas uma pequena parcela dessas pragas é considerada economicamente prejudicial ao cultivo.

Série Superfrutas da Amazônia

Fim dos orelhões? Veja quantos aparelhos ainda funcionam na Amazônia Legal

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Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal

Se você nasceu nos anos 70, com certeza conheceu e se lembra dos tradicionais orelhões brasileiros que eram indispensáveis no cotidiano da população. Atualmente, apesar desse tipo de telefone público ter sido essencial, são equipamentos que caminham para a extinção no país, principalmente com o acesso aos smartphones

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A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a retirada gradual dos telefones públicos até o fim de 2028, colocando fim a uma parte importante da história da comunicação no Brasil. A decisão reflete a queda no uso desses aparelhos com a popularização dos celulares e da internet, fazendo com que muitos orelhões passassem a ser vistos apenas como peças históricas espalhadas pelas cidades. 

Além disso, o fim das concessões de telefonia fixa das empresas responsáveis, encerradas em 2025, também contribuíram para a retirada definitiva do serviço.

Número de orelhões em funcionamento na Amazônia

Porém, um levantamento divulgado em 2026, com base em dados da Anatel, mostra que nos nove estados da Amazônia Legal, 13.518 orelhões ainda estão ativos e outros cerca de 10 mil aparelhos se encontram inativos ou em manutenção.

Outro dado mostra que municípios dos interiores dos estados concentram mais aparelhos em funcionamento do que as próprias capitais, evidenciando as dificuldades de acesso à comunicação em áreas isoladas da região.

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Chu Ming Silveira com o orelhão instalado na FAU USP, anos 70 Chu Ming Silveira com o orelhão instalado na FAU USP, anos 70. Foto: Reprodução/Orelhão
Fonte: Acervo de Chu Ming Silveira no site orelhao.arq.br

Os municípios amazonenses com maior número de telefones públicos em funcionamento, por exemplo, são:

  • Lábrea, com 71 aparelhos;
  • São Gabriel da Cachoeira, com 63;
  • Manicoré, com 43;
  • e Jutaí, com 31, operados pelas empresas Claro e Oi.

No Acre, os municípios que se destacam são:

  • Feijó, com 27 orelhões;
  • Sena Madureira, com 24;
  • e Tarauacá, com 22 aparelhos ainda em funcionamento, e também operados pelas empresas Claro e Oi.

Em Roraima, os números são menores, já que o municipio com maior número de aparelhos em funcionamento é Amajari, que possui apenas 10 orelhões ativos, enquanto Caracaraí conta apenas com sete.

Já no Pará, a presença desses equipamentos ainda é significativa:

  • Santarém lidera com 93 orelhões em funcionamento,
  • seguida por Altamira, com 38,
  • e Monte Alegre, com 33, também operados pelas empresas Claro e Oi.

Nos estados de Rondônia, Amapá e Tocantins, nenhum município ultrapassa dez aparelhos ativos.

Em Mato Grosso, Vila Bela da Santíssima Trindade possui 14 orelhões, enquanto Nossa Senhora do Livramento registra 11. No Maranhão, os municípios com maior quantidade de telefones públicos são Santa Luzia, com 38 aparelhos; Amarante do Maranhão, com 26; e Barra do Corda, com 22.

Contraste tecnológico na Amazônia

Orelhões duplos
Foto: Reprodução/Site orelhão

De acordo com as informações, os orelhões só devem ser mantidos nas cidades onde não há rede de celular disponível, e a sua forte concentração no interior da Amazônia evidencia um forte contraste brasileiro.

Já que enquanto as grandes capitais avançam com tecnologia 5G e serviços digitais cada vez mais integrados, o interior desses estados ainda enfrenta dificuldades básicas de cobertura telefônica e acesso à internet.

Dados do IBGE, mostram que a Amazônia Legal ocupa 58,9% do território brasileiro e reúne áreas de difícil acesso, como comunidades ribeirinhas e regiões isoladas que ainda dependem de meios de comunicação tradicionais. Em muitos lugares onde o sinal de celular desaparece durante viagens pelos rios ou a internet chega de forma limitada, o orelhão continua sendo uma ponte de contato com hospitais, familiares e serviços essenciais.

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A história do Orelhão

De acordo com o site Orelhão, o aparelho foi criado em 1971, e rapidamente se transformou em um dos maiores símbolos da comunicação pública brasileira. O projeto foi desenvolvido pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, que criou tanto o modelo maior, conhecido popularmente como ‘Orelhão’, quanto a versão menor, chamada ‘Orelhinha’, feita para ambientes internos.

A inauguração oficial para o público aconteceu no dia 20 de janeiro de 1972, no Rio de Janeiro e, cinco dias depois, em São Paulo. Os primeiros aparelhos foram instalados na sede da antiga Companhia Telefônica Brasileira (CTB), no centro de São Paulo.

Projeto original do orelhão. Foto: Reprodução/Site orelhão

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De acordo com o site, em 1975, surgiram os modelos azuis, destinados às chamadas interurbanas, e em 1992, as tradicionais fichas telefônicas deram lugar aos cartões telefônicos. Em 1998, os aparelhos ganharam a cor verde-limão após a privatização da Telebrás e a aquisição da Telesp pela espanhola Telefónica. 

Além disso, o aparelho participou de exposições de design no Brasil, homenagens em museus e até de uma intervenção urbana em 2012, quando cem orelhões customizados por artistas foram espalhados pelas ruas de São Paulo na ‘Call Parade’.

Mesmo próximos da despedida definitiva, os orelhões seguem vivos na memória afetiva dos brasileiros  e, em algumas regiões da Amazônia, ainda cumprem um papel essencial no dia a dia da população.

“O boi me escolheu”: influenciador carioca se apaixona pelo Festival de Parintins sem nunca ter visitado à ilha

Pedro Bonvivant, influenciador carioca apaixonado pelo boi Garantido. Foto: Pedro Bonvivant/Arquivo pessoal

O alcance das redes sociais facilita e amplia o contato de pessoas de diferentes lugares, inclusive com diferentes manifestações culturais. Um exemplo disso, é a relação do influenciador digital Pedro Oliveira Bonvivant, nascido e criado no Rio de Janeiro com a paixão pelo Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. Sem nunca ao menos ter visitado a Ilha Tupinambarana

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O amor pelo festival, que começou a distância, através da tela do celular, mostra que não é preciso nascer no Amazonas para sentir o coração bater mais forte ao som de uma toada.

Ao Portal Amazônia, Bonvivant conta que o primeiro contato com o Festival de Parintins aconteceu entre 2018 e 2019, quando acompanhou conteúdos publicados pela ex-BBB e influenciadora Ana Clara Lima, durante sua passagem por Parintins.

“Eu não faço ideia do que me fez apaixonar pelo festival. Acho que não tem uma coisa específica, mas eu lembro de que quando eu assisti a apresentação do Boi Garantido, eu fiquei todo arrepiado. E desde então, eu sou doido pelo festival”, relembrou Bonvivant. 

Segundo ele, o sentimento nunca foi racional e não existe uma explicação exata para a paixão que sente ser tão intensa. “Só de começar a falar sobre, só de ouvir as toadas, eu já fico todo arrepiado. É muito doido, porque só pela tela eu fico assim”.

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E a admiração vai além da disputa entre os bois Caprichoso e Garantido, já que as toadas, a rivalidade saudável, as alegorias gigantescas e, principalmente, a forma como a cidade inteira vive a cultura bovina durante o ano inteiro também fascinam o influenciador, que assegura sentir admiração pelo espetáculo como um todo.

influenciador carioca se apaixona pelo Festival de Parintins sem nunca ter visitado à ilha
Foto: Reprodução/Redes sociais

“Eu percebi que era paixão quando eu vejo que toda vez eu me arrepio. Quando eu começo a falar, eu me arrepio, quando eu começo a ouvir as toadas, eu me arrepio. E aí eu entendi que era amor mesmo”, relatou Bonvivant. 

De acordo com o influenciador, a maior certeza em seu coração é que ele atende pelas cores vermelho e branco. Além disso, assegura que não escolheu o boi, mas sim foi escolhido por ele:

“Quando assisto ao contrário, acho bonito, claro. Mas não me emociona. O Garantido faz meu olho encher de lágrimas. Faz eu querer cantar, pular, viver aquilo”.

Assumidamente ‘perreché‘, Pedro Bonvivant revela que seu item favorito é justamente o Item 19, a galera, por representar a energia coletiva que transforma o Bumbódromo em um espetáculo único. Entre as toadas favoritas, a recente ‘Perrecheiro‘ tem ocupado um lugar especial.

“Quando começa [o trecho] ‘Gara, gara, gara, Garantido amor’, eu fico completamente maluco”. 

Apesar disso, a paixão declarada pelo Garantido não impede que ele reconheça a potência do rival azul e branco, sobrando espaço até para curtir as toadas do ‘boi contrário’. “’Málúù Dúdú’ é impossível não dançar”, brinca.

Em Parintins, muitos dizem que “não escolhemos o boi, ele nos escolhe”, mas é uma escolha que geralmente acontece ao vivenciar a experiência. Apesar de ainda não ter vivido isso, Pedro acredita ser difícil ser escolhido pelo boi contrário.

“Se por uma tela o boi Garantido me escolheu e faz eu chorar igual criança, eu acho muito difícil isso não acontecer pessoalmente. Eu acho que eu posso, sim, achar o boi contrário muito bonito. Tenho certeza de que eu vou achar tudo muito lindo, mas não tem jeito. Eu acho que meu coração já é vermelho e branco, eu sou perreché, não tem como!”, assegurou.

Carioca e apaixonado pelo carnaval, Bonvivant acredita que a conexão com Parintins talvez venha justamente da vivência cultural que sempre teve no Rio de Janeiro. Salgueirense (GRES Acadêmicos do Salgueiro), cresceu em meio ao universo das escolas de samba, acompanhando familiares que produziam fantasias carnavalescas.

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Realização de um sonho

Em 2026, depois de seis anos sonhando com esse momento, ele finalmente vai realizar o desejo de viver o festival pessoalmente.

Depois de fazer uma campanha em suas redes sociais pedindo ajuda para conseguir ir ao festival, uma empresa notou a paixão do carioca pela cultura nortista e se propôs à levá-lo até Parintins.

Agora, a expectativa é enorme e Pedro planeja visitas aos currais, sentir a vibração da arena bovina e conhecer de perto tudo aquilo que o emocionou durante anos através das telas.

“Vai ser a realização de um sonho. Estou ansioso para conhecer Parintins, viver essa energia e sentir tudo isso de perto”. 

Bumbódromo de Parintins. Foto: Yuri Pinheiro/Secom Parintins
Bumbódromo de Parintins. Foto: Yuri Pinheiro/Secom Parintins

E, é claro, além de realizar um sonho dessa paixão pessoal, ele também vê sua presença no festival como uma oportunidade de apresentar a cultura amazônica para mais brasileiros.

Segundo ele, muitas pessoas ainda desconhecem a riqueza da manifestação cultural amazonense e muitos de seus seguidores passaram a descobrir o Festival de Parintins através dos conteúdos que ele tem publicado nas redes sociais.

“Muita gente acaba me perguntando: ‘mas como é que é? Como funciona? Não conhecia’. Então é muito bacana ver que outras pessoas também estão tendo interesse em saber como é o festival”, comentou. 

E se alguém imagina que ele já sofreu preconceito por “ser de fora”, a resposta é não. O influenciador conta que sempre foi acolhido com carinho por amazonenses e parintinenses, que torcem para vê-lo realizando esse sonho.

Suça, Desfeiteira, Jacundá… conheça 9 danças diferentes da Amazônia Legal 

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Foto: Itur Transporte e Turismo

A Amazônia Legal é um território composto por diversas identidades culturais, em que tradições indígenas, africanas e europeias se entrelaçam e dão origem a manifestações culturais. Entre essas manifestações, as danças populares transmitem, de geração em geração, histórias, crenças, modos de vida e sentimentos.

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O Portal Amazônia procurou por algumas dessas danças que fazem parte das celebrações espalhadas nos nove estados da Amazônia Legal. Confira:

Suça (Tocantins)

A Suça, também conhecida como Súcia ou Sússia, é uma das manifestações culturais mais antigas do Tocantins. De acordo com informações do Governo do Estado, sua origem remonta ao século XVIII, quando africanos escravizados foram levados para trabalhar na mineração de ouro na região sudeste do estado.

Dançada nas festividades folclóricas de cidades como Paranã, Santa Rosa do Tocantins, Monte do Carmo, Natividade, Conceição do Tocantins, Peixe e Tocantinópolis, a dança combina canto, ritmo e movimentos embalados por tambores e cuícas. 

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Conheça 9 danças diferentes da Amazônia Legal 
Foto: Divulgação/Secult

Além disso, versos curtos, inspirados no cotidiano, são entoados ao som de instrumentos como viola, tambor, pandeiro e caixa. A dança varia conforme a comunidade, já que cada grupo imprime seu próprio ritmo, passos e significados. 

A Suça também está profundamente ligada às manifestações religiosas do catolicismo popular, como a Folia do Divino, e um dos passos mais característicos é a ‘Jiquitaia’, que integra a coreografia tradicional. De acordo com o Governo do Tocantins, apesar de ainda não ser oficialmente registrada como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a instituição reconhece sua relevância cultural.

A transmissão entre gerações, como ocorre em famílias de mestres suceiros, garante a continuidade dessa tradição, aprendida desde a infância e mantida ao longo da vida.

Cacuriá (Maranhão)

O Cacuriá é uma dança típica do Maranhão, presente especialmente no encerramento das festividades do Divino Espírito Santo. De acordo com o livro ‘Vem cá curiar o cacuriá!’, da jornalista Inara Rodrigues, a dança foi criada em 1973 pelo folclorista Alauriano Campos de Almeida, conhecido como Seu Lauro.

Inspirado no Carimbó das Caixeiras, o Cacuriá reúne influências de diversos ritmos, como próprio Carimbó, o Bumba meu boi e os ritmos das caixas da Festa do Divino Espírito Santo. A manifestação é marcada por coreografias sensuais, músicas com duplo sentido e forte interação entre os dançarinos e o público.

Foto: Reprodução / Geografia Nordeste

A dança é realizada em roda, com pares que executam movimentos rápidos e cheios de improviso, embalada por músicas que abordam temas como natureza, crenças e cotidiano, conduzidas por um coro que responde aos versos improvisados.

Popularmente, o Cacuriá também é associado à figura de Dona Teté, que, em 1986, criou sua própria versão da dança. Segundo a jornalista Inara Rodrigues, a manifestação acontece após a fase religiosa das festividades, configurando-se como momento de descontração.

Os instrumentos incluem a ‘Caixa do Divino’, o banjo, o violão e a flauta, e os trajes são de cores vibrantes e combinados: mulheres usam saias rodadas e blusas curtas, enquanto os homens vestem peças com estampas semelhantes.

Siriri (Mato Grosso)

O Siriri é uma dança tradicional do Centro-Oeste, especialmente de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. De acordo com o artigo O Siriri: Uma Manifestação Cultural‘, publicado na Revista de Comunicação Científica, escrito por Sônia Pereira e Carlos Rinaldi, trata-se de uma dança alegre, com coreografias simples em roda ou fileiras.

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Foto: Reprodução/Danças típicas

A origem da dança é resultado da mistura de culturas indígenas, africanas e europeias, e que inicialmente era ligada a rituais religiosos, mas passou a integrar festas populares e celebrações comunitárias. Os movimentos são marcados por palmas, gestos sincronizados e expressões de alegria, embalados por instrumentos como a viola de cocho, o ganzá e o mocho, todos de fabricação artesanal.

De acordo com os escritores, os trajes típicos dos dançarinos também são marcados por cores vibrantes, em que as mulheres vestem saias rodadas, enquanto os homens utilizam calças compridas e camisas de manga longa.

Atualmente, a cidade de Cuiabá se destaca como casa da cultura local, abrigando diversos grupos de Siriri que se dedicam à preservação e a divulgação da dança.

Marujada (Acre)

A Marujada é uma dança típica do Acre que narra histórias de navegação em alto-mar. De acordo com o artigo ‘O Folguedo Marujada Brincado/Dançado no Acre: Tradição carnavalizada que integra a cultura corporal do Estado Amazônico, a tradição foi consolidada por mestres como Aldenor da Costa Souza, Zuleide Cordeiro e Chico do Bruno.

Foto: Quésia Melo/Rede Amazônica Acre

De acordo com os escritores, a manifestação surgiu por volta da década de 1950, implementada por um mestre de Manaus (AM), e que desde então, tem sido preservada por famílias e grupos culturais locais, como o Marujos da Alegria. A dança, realizada especialmente durante o carnaval, em espaços públicos e residências, envolve personagens que representam funções dentro de uma embarcação, como maquinistas e marinheiros.

Segundo o artigo, os grupos percorriam diversas casas, recebendo como retribuição alimentos ou pequenas recompensas, reforçando o caráter comunitário da manifestação. “Mas a maioria das vezes era uma ceia que eles comiam nessas casas, festejavam e bebiam, então era uma tradição deles”, relata o corpo brincante.

Jacundá (região amazônica)

O Jacundá é uma dança de origem indígena bastante popular na Amazônia como um todo. Segundo a Enciclopédia da Música Brasileira, trata-se de uma dança de roda em que homens e mulheres formam um círculo de mãos dadas.

Durante a execução, um participante vai ao centro e tenta escapar do círculo, enquanto os demais impedem sua saída, e quando consegue, outro assume seu lugar, continuando a dança repetidamente ao som de uma cantiga única.

Lundu Marajoara (Pará)

O Lundu Marajoara é uma das manifestações culturais mais antigas do Brasil, com origem africana. De acordo com o artigo ‘No bater da palma, o ‘lundu’ se torna ‘dança’ – a ‘dança’ que me torna professor(a)‘, de Antônio Benedito Lima Pantoja, a dança foi trazida por pessoas escravizadas da Angola e introduzido no Brasil ainda no período colonial, sendo inicialmente praticado nas senzalas.

Ao chegar à Ilha do Marajó, especialmente na região de Soure, o Lundu passou por um processo de ressignificação. De acordo com o autor, a dança foi adaptada ao modo de vida local, incorporando elementos da cultura dos vaqueiros e das comunidades marajoaras, se tornando uma manifestação popular.

Marcada pela sensualidade, a coreografia simula um jogo de sedução entre um homem e uma mulher, incluindo movimentos de quadril, olhares e gestos que representam um ritual de conquista, embalados por um ritmo lento e cadenciado, em que predominam os instrumentos de sopro e os atabaques.

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Foto: Reprodução/Danças Típicas

Historicamente, o Lundu chegou a ser censurado pela Igreja Católica por ser considerado imoral, no entanto, também conquistou espaço nas cortes europeias. Segundo o artigo, há um momento em que a mulher tenta cobrir a cabeça do homem com a saia, gesto que remete tanto à conquista amorosa quanto à metáfora da pesca com tarrafa, elemento presente no cotidiano da região.

Os trajes femininos incluem saias rodadas e blusas curtas, que deixam os ombros e o abdômen à mostra, enquanto os homens dançam sem camisa e com calça curta, vestimentas que remetem às roupas usadas pelos escravizados. A coreografia envolve formações em filas e rodas, conduzidas por um marcador que orienta os movimentos por meio de palmas, e passos que incluem batidas de pés, estalos de dedos e giros.

Além disso, a dança é acompanhada por instrumentos como curimbó, flautas e cavaquinho. Atualmente, o Lundu Marajoara é mantido por grupos folclóricos e parafolclóricos, como Aruans, Eco Marajoara e Cruzeirinho, que atuam na preservação dessa tradição.

Gambá de Pinhel (Pará)

O Gambá de Pinhel é uma dança ligada à Festa de São Benedito, realizada na comunidade de Pinhel, no Pará. De acordo com Lima e Amorim, no artigo Narrativas Orais sobre a Festa do Gambá: fé e cidadania‘, o nome refere-se a um tambor de madeira oca que marca o ritmo da celebração.

A festividade acontece anualmente em junho e reúne moradores de diversas comunidades da região, como Camarão e Escrivão, além de cidades próximas como Santarém e Itaituba. Na dança, as figuras centrais são o Rei e a Rainha, que se apresentam com roupas brilhantes nas cores verde, vermelho, branco e amarelo, e coroas adornadas com fitas coloridas que se estendem até a cintura.

A coreografia é simples, baseada no arrastar dos pés de um lado para o outro, acompanhando o ritmo do tambor. Segundo os autores, à medida que a apresentação avança, outras pessoas, que inicialmente eram espectadores, passam a integrar a dança, transformando o momento em uma grande celebração comunitária.

Desfeiteira (Amazonas)

A Desfeiteira é uma dança de origem portuguesa presente no Amazonas e em Alter do Chão (PA), onde é praticada durante o Sairé. Trata-se de uma das variações do fandango, caracterizada pelo seu caráter lúdico e humorístico.

De acordo com a Associação Brasileira dos Organizadores de Festivais de Folclore e Artes Populares​, a dinâmica da dança envolve pares que se movimentam pelo salão ao som de uma orquestra composta por instrumentos como violão, flauta, cavaquinho e, em alguns casos, trombone.

O momento mais marcante acontece quando a música para e o casal que estiver posicionado em frente à orquestra precisa improvisar um verso, geralmente declamado pelo cavalheiro. Caso não consiga ou cometa erros, o par é vaiado e precisa pagar uma ‘prenda’, o que reforça o tom descontraído da brincadeira.

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Maçarico (Amazonas)

A dança do Maçarico é uma das mais populares manifestações folclóricas do Amazonas. Segundo a Associação Brasileira dos Organizadores de Festivais de Folclore e Artes Populares, seu nome faz referência ao pássaro maçarico, comum na fauna regional.

A principal característica da dança está na imitação dos movimentos da ave. Os dançarinos realizam passos rápidos, com pequenas corridas, pulos e deslocamentos ágeis, lembrando o caminhar leve e acelerado do pássaro.

Além disso, a coreografia é executada por vários casais, que percorrem o espaço com movimentos variados, embalados por um ritmo acelerado e contagiante, o que torna a dança bastante envolvente para o público. Diferentemente de outras manifestações, o Maçarico não está associado a celebrações religiosas, já que trata-se de uma dança voltada ao entretenimento, com foco na performance e na expressão corporal.

O figurino masculino é composto por camisa e calça, geralmente em cores diferentes, enquanto o das mulheres é comporto por blusas e saias elaboradas e coloridas.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar