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Campanha vai aplicar 89 mil doses de vacinas em territórios indígenas

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Ministério da Saúde espera aplicar mais de 89 mil doses de vacinas em 650 aldeias indígenas entre 25 de abril e 25 de maio de 2026. Neste período, será realizado o Mês de Vacinação dos Povos Indígenas (MVPI), com o objetivo de ampliar o acesso à imunização em territórios indígenas, especialmente em áreas de difícil acesso. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pela pasta. 

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No ano passado, foram aplicadas mais de 70 mil doses de vacinas, alcançando 57 mil indígenas. A campanha de 2026 foi anunciada pela secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, na aldeia Barão do Rio Branco, localizada em Mâncio Lima (AC). O município conta com três etnias (Puyanawa, Nukini e Nawa), somando cerca de 2 mil indígenas.

De acordo com a secretária, iniciar a mobilização em um território com desafios históricos de acesso é uma decisão estratégica e necessária.

“Nosso objetivo é ampliar a cobertura vacinal justamente em locais de baixa cobertura, garantindo que a informação chegue de forma clara e respeitosa, e que a população compreenda a importância da imunização para a proteção individual e coletiva”, disse.

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Campanha vai aplicar 89 mil doses de vacinas em territórios indígenas
Campanha vai aplicar 89 mil doses de vacinas em territórios indígenas. Foto: Fábio Maciel/MS

Durante o MVPI, serão ofertados vacinas de todos os imunobiológicos previstos no Calendário Nacional de Vacinação: Hepatite A; Hepatite B; BCG; Penta (DTP/Hib/Hep B); Pneumocócica 10-valente; Pneumocócica 23-valente (Pneumo 23); VIP (Vacina Inativada Poliomielite); VRH (Vacina Rotavírus Humano); Meningocócica C (conjugada); Meningocócica ACWY (conjugada); Febre amarela; Tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba); Tetraviral (sarampo, rubéola, caxumba e varicela); Varicela (monovalente); DTP (tríplice bacteriana); dTpa; HPV quadrivalente (papilomavírus humano); Influenza; e Covid-19.

A iniciativa é realizada desde 2010 e está integrada à 24ª Semana de Vacinação nas Américas e à 15ª Semana Mundial de Imunização, que iniciam no dia 25 e seguem até 2 de maio. Coordenada pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), a campanha reforça a proteção contra doenças imunopreveníveis e contribui para o fortalecimento da atenção primária, por meio da busca ativa de indígenas ainda não imunizados.

*Por Flávia Albuquerque, Agência Brasil.

Cafeicultura no Amazonas cresce mais de 340% com a introdução da variedade Robustas Amazônico

Fotos: Divulgação/Idam

Difundida entre agricultores familiares e produtores rurais do Amazonas pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), a variedade híbrida de café Robustas Amazônicos revolucionou a produção cafeeira no estado. Entre os anos de 2021 e 2025, a área plantada no estado passou de 517,81 hectares a 2.312,2 hectares e, no último ano, a produção alcançou a marca de 2,8 mil toneladas.

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A variedade do produto foi desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Rondônia e Amazônia Ocidental, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e, no Amazonas, foi cultivada de forma experimental nos municípios de Silves, Itacoatiara, Manaus e Humaitá, em 2017.

Os primeiros resultados foram observados, em 2021, com as primeiras colheitas. Desde então, a variedade híbrida, desenvolvida para atender às especificidades do clima e ambiente amazônico, se difundiu por meio da distribuição de mudas e metodologias de capacitação.

“O café está inserido como parte dos Projetos Prioritários (PP) do Idam, por ser uma cultura com grande potencial para alavancar o desenvolvimento rural sustentável no estado. São sete municípios contemplados, nos quais os agricultores recebem um acompanhamento intensivo dos nossos técnicos”, destacou a diretora-presidente do Idam, Eliane Ferreira.

Leia também: Cafeicultura familiar em Apuí poderá produzir mais de 300 mil unidades de mudas em novo viveiro

Cafeicultura no Amazonas cresce mais de 340% com a introdução da variedade Robustas Amazônico
Fotos: Divulgação/Idam

Conforme a coordenadora do PP, Ana Cecília Lobato, a programação do instituto para este ano inclui a implantação de uma nova Unidade Demonstrativa (UD) de Café no município de Rio Preto da Eva, acompanhado de cursos de capacitação, Dias de Campo e outras metodologias de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater).

“Temos UDs implementadas em Presidente Figueiredo, São Sebastião do Uatumã, além de um viveiro em Vila Extrema, distrito de Lábrea, e Lindoia, distrito de Itacoatiara. Além disso, realizamos cursos nos municípios contemplados pelo PP e Dias de Campo nos municípios de Presidente Figueiredo, São Sebastião do Uatumã e Rio Preto da Eva”, informou Ana Cecília Lobato.

Números 

Em 2021, o Amazonas apresentava uma produção de 555,95 toneladas, com 517,81 hectares e 600 cafeicultores. Quatro anos depois de os primeiros resultados serem observados com o cultivo da nova variedade, em 2025, a produção chegava a 2.815,01 toneladas, 2.312,2 hectares de área plantada, e 1.411 cafeicultores.

Foto: Enrique Alves/Embrapa

Apuí se destacou, em 2025, com a maior produção no estado, chegando a 1.011,2 toneladas, 1.006 hectares de área plantada e 700 cafeicultores. Em segundo lugar está o município de Humaitá, com uma safra de 720 toneladas, seguido de Rio Preto da Eva, 228 toneladas.

Destacam-se também Vila Extrema, distrito de Lábrea, e os municípios de Envira, Guajará, Presidente Figueiredo, Silves e São Sebastião do Uatumã que, acompanhados de Apuí, Humaitá e Rio Preto da Eva, compõem os sete municípios inseridos no PP do Café.

*Com informações do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM).

Câmara derruba mudanças do Senado na MP do Seguro-Defeso

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Câmara dos Deputados rejeitou nesta quinta-feira (9) as mudanças feitas pelos senadores na Medida Provisória 1323/25, que trata das regras para o pagamento do seguro-defeso. Com isso, fica mantida a versão aprovada pelos deputados no dia 7 de abril de 2026. O texto vai agora para sanção presidencial. 

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O seguro-defeso é um benefício pago aos pescadores artesanais durante o período em que a pesca é proibida para a reprodução dos peixes. A novas regras visam evitar fraudes. 

Câmara derruba mudanças do Senado na MP do Seguro-Defeso
Foto: Reprodução/INSS

Leia também: Entenda o que é e para quê serve o período de defeso

A medida provisória prevê as seguintes regras: 

  • Autoriza a quitação das parcelas pendentes em 2026 desde que o beneficiário atenda aos requisitos;
  • Pescador artesanal terá direito ao benefício de anos anteriores se tiver feito a solicitação dentro dos prazos legais;
  • Pagamento do benefício ocorrerá dentro de 60 dias após a regularização do pescador no programa; 
  • Novas exigências para cadastro e identificação.

Para 2026, o volume previsto do seguro-defeso, exceto os atrasados, é R$ 7,9 bilhões.

Senado

Na sessão da quarta-feira (7), os senadores aprovaram uma série de mudanças, entre elas a obrigação de o pescador comprovar contribuição ao INSS por pelo menos 6 meses, no período de um ano. 

Foto: Reprodução/ Ministério da Pesca e Aquicultura

Outras alterações foram sobre limite de renda para acesso ao seguro e retirada do pagamento de benefícios retroativos ao ano de 2025. 

Todas as mudanças foram rejeitadas pelos deputados federais nesta quinta-feira.

* Com informações das agências Câmara e Senado

Indígenas levam a Itamaraty proposta de áreas livres de petróleo e gás

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Lideranças indígenas presentes no Acampamento Terra Livre, em Brasília, entregaram, nesta quinta (9), a representantes do Ministério das Relações Exteriores um documento que propõe a criação de zonas livres de exploração de petróleo e gás. Os líderes também defendem que os territórios indígenas devem estar no centro da estratégia climática global.

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Essas ‘Zonas Livres de Combustíveis Fósseis (FFZs)’, segundo os indígenas, seriam áreas proibidas para exploração em regiões de alta relevância ecológica e cultural.

Indígenas levam a Itamaraty proposta de áreas livres de petróleo e gás
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Leia também: Povos indígenas conquistam protagonismo nas negociações globais para a mitigação da crise climática

A iniciativa reúne recomendações para um ‘mapa do caminho global’, que foi proposta pelo governo brasileiro na última COP 30, mas sem consenso. “Não há transição energética justa sem a garantia dos nossos territórios”, afirmou o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasi (Apib), Dinamam Tuxá. 

Segundo Tuxá argumentou, a demarcação e a proteção das terras indígenas são medidas concretas de enfrentamento à crise climática.

“Quando o mundo ignora isso,  escolhe manter um modelo que destrói a vida. Reconhecer o protagonismo indígena abre caminho para um futuro mais equilibrado, diverso e verdadeiramente sustentável”.

Mudanças

Desde o último domingo, o Acampamento Terra Livre reúne, em Brasília, segundo os organizadores, cerca de 8 mil pessoas. De acordo com a Apib, o documento quer influenciar negociações internacionais e contribuir para a construção de um novo paradigma de desenvolvimento.

“Enfrentar a crise climática exige não apenas mudanças tecnológicas, mas também uma redefinição profunda das relações entre economia, território e direitos”, afirmou a entidade em nota.

Leia também: Especialistas, parlamentares e indígenas pedem ação contra expansão de combustíveis fósseis na Amazônia

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O documento pede fim imediato da abertura de novos campos de petróleo, gás e carvão, além da criação de um acordo global vinculante para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis. 

“A crise climática já afeta a produção de alimentos, a saúde, a economia e a segurança das nações. O custo da inação cresce a cada dia”, ressalta a entidade. Para os indígenas, é fundamental o reconhecimento dos territórios como áreas prioritárias para a proteção climática e da biodiversidade.

Experiências

A Apib argumenta que a iniciativa tem consonância com experiências internacionais, como a decisão do Equador de encerrar a exploração no Parque Nacional Yasuní e restrições adotadas em outros países da América Latina. 

A proposta também enfatiza que uma transição energética justa depende do reconhecimento pleno dos direitos dos povos indígenas, incluindo o direito à consulta livre, prévia e informada (CLPI).

Dados apresentados no documento mostram que territórios indígenas têm taxas significativamente menores de desmatamento e desempenham papel central na proteção de ecossistemas e na estabilidade climática global.

*Por Luiz Cláudio Ferreira, Agência Brasil.

Conheça a ‘Sumaúma Vovozona’, patrimônio natural da Flona do Tapajós

Foto: Reprodução/Instagram-@roseeeloisee

No interior da Floresta Nacional do Tapajós (Flona), no Pará, uma árvore se destaca não apenas pelo tamanho, mas pela história, simbologia e conexão com a comunidade local. Conhecida como Sumaúma ‘Vovozona’, essa gigante da Amazônia se tornou um dos principais símbolos da comunidade de Maguari, no município de Belterra, onde está localizada.

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A grandiosidade da vovozona impressiona, segundo o coordenador dos guias locais da comunidade, Raimundo Vasconcelos, são necessárias cerca de 25 a 28 pessoas de mãos dadas para abraçar completamente o seu tronco. No entanto, ao longo da trilha que leva até ela, existem outras sumaúmas, como uma localizada na Serra do Gato, que precisa de cerca de 19 pessoas para abraçá-la, e a sumaúma ‘baby’, que precisa de cerca de 12 pessoas.

A caminhada até a vovozona não é simples, são cerca de 7 quilômetros mata adentro, em uma trilha que já prepara o visitante para o encontro com a grandiosidade da árvore. Além disso, as raízes tabulares, típicas da espécie, se espalham pelo solo como paredes naturais, o que cria um cenário surpreendente.

Uma árvore milenar 

A idade da Vovozona é um dos aspectos mais intrigantes, visto que não há um número exato, mas um consenso sobre sua grandiosidade temporal. De acordo com Raimundo Vasconcelos, a estimativa foi construída coletivamente na comunidade. 

“A gente fez um levantamento junto com o ICMBio e a comunidade, e ela é considerada uma árvore milenar. Pode ter mil anos, pode ter mais, pode ter menos. É uma estimativa, a gente não tem como saber a idade certinha dela”, explicou.

Sumaúma vovozona
Foto: Arquivo pessoal/Raimundo Vasconccelos

Leia também: Conheça a árvore rainha da Amazônia, a gigantesca sagrada, Sumaúma

A falta de precisão científica não diminui a sua importância, e abre espaço para interpretações populares grandiosas. De acordo com o guia local, Joacir Pedroso, @guia.joacirodrigues, os antigos habitantes da região acreditavam que a árvore poderia ter até 100 mil anos. 

Independente da idade real, a Vovozona é uma árvore extremamente antiga, que atravessa gerações e as transformações da floresta amazônica.

Origem do nome e simbologia

Foto: Reprodução/Instagram-@Rotarybrasiljapao

O nome não se trata apenas de uma árvore velha, mas de uma figura ancestral, quase familiar. “É porque é uma árvore antiga, maior que todas. Por isso foi escolhido o nome Vovozona sumaúma”, explicou Joacir.

Além disso, a árvore também possui um valor espiritual significativo. De acordo com Joacir, ela é associada à presença da ‘mãe da floresta’, conhecida como Curupira, entidade protetora das matas no imaginário amazônico. 

Outro aspecto atribuído a sumaúma vovozona é o seu uso medicinal, já que, segundo Joacir, suas raízes armazenam água potável, considerada boa para consumo em situações específicas. 

Um santuário natural protegido pela distância

A localização da Vovozona contribui para sua preservação. Situada a cerca de 7 quilômetros de caminhada dentro da floresta, ela está distante de áreas de desmatamento ou atividades humanas intensas, como roçados.

“Ela não tem ameaça de queimadas porque fica muito distante. As pessoas não chegam lá para fazer esse tipo de coisa”, destacou Raimundo Vasconcelos.

Esse isolamento natural funciona como uma barreira protetora, permitindo que a árvore se mantenha relativamente segura em meio às pressões ambientais que afetam outras regiões da Amazônia. No entanto, isso não significa que a árvore esteja livre de riscos, já que eventos naturais já deixaram marcas.

Leia também: É verdade que árvore Sumaúma “jorra” água no meio ambiente?

Foto: Arquivo pessoal/Raimundo Vasconccelos

Um dos episódios mais marcantes foi um forte temporal que atingiu a região. “Ela sofreu uma rachadura por causa de um vento forte. A gente acredita que tinha uma cicatriz antiga, e isso abriu. Mas ela está se regenerando”, contou Raimundo.

“Com pouco mais de um ano, a rachadura cicatrizou. Foi uma conquista para a gente ver a recuperação da Vovozona”, completou Joacir. 

Esse processo de regeneração evidencia a resiliência da árvore, mas também revela sua vulnerabilidade. De acordo com Raimundo Vasconcelos, por ser uma das mais altas da floresta e possuir grande quantidade de água em sua estrutura, a sumaúma pode ser mais suscetível a ventos intensos.

Entre os principais desafios para sua preservação, estão os incêndios florestais, os danos às raízes e os eventos climáticos extremos.“Os principais desafios são prevenir incêndios e não deixar danificarem as raízes. A gente precisa zelar sempre”, destacou Joacir.

Turismo de base comunitária: conservação e renda

A Vovozona é também o principal atrativo do turismo de base comunitária na região, e a visita à árvore integra o roteiro oficial das trilhas da Flona do Tapajós, conduzida por guias locais. Atualmente, há um grupo de 22 condutores locais, que atuam sob orientação do ICMBio, além de uma associação comunitária que auxilia na organização e proteção da área.

De acordo com o guia Joacir, o passeio, de 14 km (ida e volta), segue regras rigorosas para garantir segurança e preservação:

  • Cada guia leva no máximo 5 visitantes
  • É obrigatório o uso de roupas e calçados adequados (tênis ou bota)
  • A Flona não oferece calçados e o vistante deve levar
  • A trilha só pode ser feita com guia e não é permitido entrar sozinho na floresta

Essas medidas ajudam a minimizar os impactos ambientais e proporcionam uma experiência mais rica e educativa para os visitantes. O valor médio da experiência é de R$200 por grupo, o que ajuda a gerar renda para a comunidade e incentiva a preservação da floresta.

Uma experiência transforma

Mais do que um atrativo turístico, a Vovozona proporciona uma experiência emocional profunda, já que muitos visitantes relatam sentimentos intensos ao chegar até a árvore.

Leia também: Portal Amazônia responde: Sumaúma ou Samaúma? Saiba qual o nome correto de uma das maiores árvores da Amazônia

“Eles falam que a árvore representa uma bíblia, e muitos choram quando chegam lá”, contou Joacir.

A imponência da árvore, somada ao silêncio da floresta e à conexão com a natureza, cria um ambiente quase espiritual. 

Um símbolo de resistência e memória

Sem registros científicos aprofundados, a Vovozona segue sendo conhecida principalmente pela tradição oral e pelo cuidado da comunidade. 

“A sumaúma é muito importante para o ecossistema da flona e também para nossa comunidade”, afirmou Joacir.

A ausência de projetos específicos de proteção é compensada pelo esforço coletivo.“A gente preserva, cuida, porque quer que ela dure por muito tempo”, disse Raimundo.

Em meio às ameaças que rondam a Amazônia, a vovozona permanece de pé, firme, silenciosa e imponente,como uma verdadeira guardiã da floresta.

307 anos de Cuiabá: conheça 8 curiosidades sobre a capital mato-grossense

Cuiabá. Foto: Reprodução/IPHAN

No dia 8 de abril de 2026, Cuiabá celebra 307 anos. Fundada por bandeirantes em 1719, a capital de Mato Grosso possui uma área territorial de 4.327,22 km², segundo dados do IBGE, e é conhecida como ‘Cidade Verde’.

Saiba mais: Por que Cuiabá é conhecida como “cidade verde”?

Para comemorar a data, o Portal Amazônia reuniu oito curiosidades sobre a cidade. Confira:

1. Nome em homenagem ao rio

Existem diversas controvérsias em relação à origem do nome da cidade, no entanto, a versão mais aceita é de que o local recebeu o nome de Cuiabá, termo de origem indígena, em homenagem ao rio que banha a cidade.

Rio Cuiabá. Foto: Reprodução/ SEC-MT
Rio Cuiabá. Foto: Reprodução/ SEC-MT

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2. Encontro de três biomas

A cidade está localizada em uma região de transição entre três importantes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Pantanal. A poucos quilômetros da área urbana, é possível encontrar paisagens típicas desses ecossistemas, como a Chapada dos Guimarães e áreas alagadas do Pantanal.

3. Banhada por quatro rios importantes

A cidade é cruzada por quatro rios importantes, que sediam as bacias hidrográficas, sendo eles os rios Paraguai, Xingu, Cuiabá e Araguaia. Além disso, o enorme volume de seus rios, resulta ainda em uma das maiores reservas de água doce de toda a América do Sul.

Leia também: Cuiabanos que inspiram: cinco personalidades que ajudaram a escrever a história da cidade

4. Cidade mais populosa do estado

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no censo de 2022, Cuiabá é a cidade mais populosa de Mato Grosso. Segundo o censo, de 3.658.649 de pessoas, 650.877 de pessoas vivem em Cuiabá. 

5. Localização Central

A cidade está situada exatamente na área central que divide o continente sul- americano, o chamado centro geodésico, e como forma de marcar o local, foi construído no ano de 1909, pelo artesão Júlio Caetano, um marco simbólico de alvenaria, onde foram gravadas as coordenadas geográficas do local.

Centro Geodésico. Foto: Reprodução/Prefeitura de Cuiabá

Leia também: Por que Cuiabá é conhecida como “cidade verde”?

Mais tarde foi erguido por sobre o marco original um obelisco de aproximadamente 20 metros de altura todo revestido em mármore branco, como forma de preservar o marco original.

6. A tradicional Corrida de Reis

Realizada pela primeira vez em 1984, todos os anos a cidade recebe em suas ruas, a corrida de Reis, a maior prova de rua do Centro-Oeste. A corrida, realizada no primeiro domingo após o dia de Reis, possui 10 quilômetros, é homologada pela Confederação Brasileira de Atletismo e em 2026 será realizada no Parque Novo Mato Grosso, com mais de 15000 corredores. 

7. Cidade verde

Também conhecida como cidade verde, Cuiabá já foi a capital mais arborizada do país, famosa pelos quintais com mangueiras e cajueiros. Atualmente, segundo dados do Censo IBGE 2022, o índice de arborização da cidade é de aproximadamente 74,5%, ocupando a 8ª posição entre as capitais brasileiras.

8. Museu de bonecas e brinquedos

Inspirado nas crianças dos anos 50 e 60 que não tinham brinquedos, e contruído com recursos próprios, o museu de bonecas e brinquedos de Cuiabá foi idealizado pela colecionadora de bonecas Terezinha Barros e é o único do gênero no país.

Leia também: Série – Atividades ao ar livre: 9 lugares para fazer atividade física em Cuiabá

Foto: Josi Pettengill/ Prefeitura de Cuiabá

No museu estão expostas bonecas, como a Shirley Temple, atriz mirim que fez muito sucesso em filmes musicais da década de 40, a boneca da Yeda Maria Vargas, a brasileira eleita primeira Miss Universo, bonecas consideradas raras e de diferentes épocas, entre elas, da Carmem Miranda e o primeiro modelo da Barbie, lançado em 1959.

Indígenas esperam encontro com Lula e celeridade em demarcações

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Com o início da programação da 22ª edição do Acampamento Terra Livre, no centro de Brasília, líderes indígenas esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visite o evento que tem presença prevista de mais de 6 mil pessoas procedentes de todas as regiões brasileiras. Eles devem conversar com Lula e com outras autoridades sobre a necessidade de celeridade na demarcação de terras indígenas no país. 

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Coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o militante e pesquisador Kleber Karipuna confirmou que há um diálogo com o governo para receber Lula durante a semana. 

“Para que a gente possa ouvir o que podemos esperar do governo ainda neste ano, em todas as ações e pautas possíveis para o movimento indígena”.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

As lideranças têm esperança também que o governo anuncie novidades, principalmente com relação a celeridade em demarcações e ações de proteção às comunidades em todo o país. Karipuna explica que, antes da COP30 do ano passado, foi apresentado um documento para o governo federal com embasamentos técnico, jurídico e administrativo de 107 terras indígenas que estariam aptas a serem regularizadas.

A liderança indígena entende que o Brasil tem que assumir o compromisso em 58 milhões de hectares para os próximos 5 anos, seja na posse de terra ou na proteção territorial. Karipuna pondera que, nos últimos quatro anos, houve um “pequeno avanço” de 20 terras homologadas.

“Mas não é o suficiente diante do passivo histórico que nós temos”, afirmou o coordenador da Apib. 

Violência

A liderança indígena Luana Kayngang, que é coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpin-Sul), afirmou que a violência contra as mulheres indígenas assusta as comunidades.

“Não tem sido tão fácil esse cenário que a gente vem vivenciando”, afirmou. Isso ocorre, segundo Luana, porque as mulheres estão mais vulneráveis em ataques externos às aldeias. 

Coordenador da articulação dos povos e organizações indígenas do Nordeste e Minas Gerais do Espírito Santo, Paulo Tupinambá disse que todas as delegações viabilizaram transporte a Brasília por conta própria, sem recursos públicos de qualquer ordem.

Marchas 

Durante a semana, estão programadas pelo menos duas marchas dos indígenas do acampamento até a Praça dos Três Poderes a partir do Acampamento Terra Livre, que foi montado no Eixo Monumental (avenida que separa a Asa Sul e a Asa Norte).

A primeira marcha aconteceu no dia 7 de abril de 2026. Eles devem encontrar representantes do governo e parlamentares, entre eles a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG).  

Leia também: No STF, Funai defende celeridade nos processos de demarcação como forma de reduzir violência contra os povos indígenas

Indígenas esperam encontro com Lula e celeridade em demarcações
Indígenas esperam encontro com Lula e celeridade em demarcações. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Kleber Karipuna acrescenta que o protesto dos indígenas tem como finalidade colaborar com o próprio governo federal para avançar com as pautas.

“Nós precisamos, ainda neste ano, alguns avanços, tanto de desintrusões como para o pleno usufruto exclusivo de cada povo nas suas regiões”, diz.

A segunda marcha será na quinta-feira (9), às 14h. Com o tema “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”, a APIB defende que, até março deste ano, pelo menos 76 Terras Indígenas estão prontas para homologação e aguardam apenas a assinatura do presidente Lula, enquanto outras 34 dependem de portaria do Ministério da Justiça.

Nova política

Em nota à Agência Brasil, o Ministério dos Povos Indígenas lembrou que a instalação da pasta, em 2023, fez com que indígenas ocupassem cargos estratégicos  e decisórios.  “A criação do MPI foi uma ruptura da visão tutelar que há décadas orientou a política indigenista”.

Segundo a nota, as decisões sobre os direitos e as necessidades dos mais de 391 povos indígenas brasileiros foram tomadas por pessoas que entenderam as demandas e os desafios. “As ações do MPI nos últimos três anos foram relevantes para recuperar direitos e políticas desmanteladas na década anterior à atual gestão”.

Segundo pondera o governo, uma das principais ações foi a garantia dos povos com a homologação de 20 territórios indígenas, o que somou 2,2 milhões de hectares.

*Por Luiz Claudio Ferreira, Agência Brasil.

Indígenas de todo o Brasil ocupam a Esplanada dos Ministérios

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Milhares de indígenas de todo o Brasil marcham, nesta terça-feira (7), pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O ato integra a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), evento que começou no domingo (5) e é considerado a maior e mais importante mobilização do movimento no país.

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Os tikuna, kokama, makuxí, tupinambá, pataxó, krahô, apinajé, guajajara, krikati, gavião e representantes de parte dos 391 povos originários remanescentes deixaram o palco principal do ATL, no Eixo Cultural Ibero-Americano, por volta das 9h30.

Sob sol forte, o grupo percorreu os 6 quilômetros até o Congresso Nacional, principal alvo das críticas do movimento, que acusa a maioria dos deputados federais e senadores de propor e aprovar leis contrárias aos direitos constitucionais dos povos originários, colocando em risco seus territórios e modos de vida.

Os povos orinários também acusam parlamentares e os governos federal e estaduais de cederem à pressão do agronegócio, da mineração e de grandes empreendimentos, permitindo a exploração econômica de territórios tradicionais por não indígenas.

Pintados e usando os adereços característicos de suas etnias, os indígenas carregavam seis grandes faixas com os dizeres Congresso Inimigo Dos Povos; Nosso Território Não Está À Venda; O Futuro É Indígena; Marco Temporal É Golpe; Demarcação É Futuro e Marco Temporal Não.

Para cumprir um acordo com os órgãos de segurança do Distrito Federal, os indígenas deixaram seus arcos, flechas, bordunas, lanças e zarabatanas no acampamento e ocuparam três das seis faixas e parte do gramado do Eixo Monumental, avenida que corta o Plano Piloto no sentido leste-oeste.

“Nossa marcha é pacífica, rumo a um Congresso que não é pacífico, é inimigo dos povos indígenas”, criticou um dos membros da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), entidade organizadora do ATL.

Leia também: STF deixa votação do Marco Temporal para 2026

Principal crítica dos indígenas no Acampamento Terra Livre é dirigida ao Congresso.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

“Viemos pintar Brasília do vermelho do urucum e da resistência do jenipapo, trazendo a força, a resistência e a ressurgência indígena”, acrescentou o mesmo representante da Apib antes do início da marcha.

Marco Temporal

Outro alvo recorrente das críticas indígenas é o Marco Temporal, tese jurídica que estabelece que os indígenas só têm direito aos territórios que ocupavam em outubro de 1988, quando a Constituição Federal foi promulgada.

Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Marco Temporal inconstitucional. Mesmo assim, em 2025, o Senado aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) que impõe o limite temporal às reivindicações indígenas por demarcações. 

Como os senadores modificaram o texto que a Câmara dos Deputados aprovara em 2023, a PEC foi devolvida para os deputados federais reanalisarem a proposta, o que ainda não aconteceu.

Os manifestantes também reivindicam que o governo federal reconheça mais terras indígenas. 

Segundo as lideranças do movimento, após um período de quatro anos (2019-2022) no qual nenhuma nova área de ocupação tradicional foi homologada, o governo federal validou, entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, 20 novos territórios. 

Segundo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), os novos territórios equivalem a cerca de 2,5 milhões de hectares de terras protegidas em 11 unidades federativas. “Mas seguimos nessa luta, nesse pleito pela garantia territorial”, explicou o coordenador executivo da Apib, Dinamam Tuxá. 

“Temos um passivo de demarcação muito alto e um cenário de muita violência e vulnerabilidade nas terras indígenas que governo algum conseguiu superar. Isso tem sido um fator motivador para os povos indígenas virem a Brasília apresentar nossas pautas”, disse Dinamam.

Ele informou que há, em análise, cerca de 110 novas áreas reivindicadas como terras da União de usufruto indígena.

Convidada a falar do alto do caminhão de som, a ex-presidente da Funai e primeira mulher indígena eleita deputada federal Joenia Wapichana destacou a importância dos indígenas “aldearem a política”, conforme propõe as lideranças do movimento.

“Estamos aqui para dizer que os povos indígenas têm capacidade para serem o que quiserem: parlamentares, autoridades públicas, representantes políticos. E essas ferramentas estão à nossa disposição”, afirmou. 

“Os povos indígenas estão atentos, sabem dos seus direitos”, acrecentou Joenia, destacando a necessidade de mais orçamento para os órgãos públicos de proteção indígena, como a Funai e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde. 

*Por Alex Rodrigues, Agência Brasil.

A história de Hilda Freire: a parteira de uma geração inteira em Iranduba

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Hilda Freire ajudou mais de 2.800 crianças a nascerem em Iranduba (AM). Foto: Zenaide Freire/Acervo pessoal

Antigamente, no interior do Amazonas, em uma época em que o acesso à saúde era limitado, muitas comunidades dependiam do conhecimento tradicional e das pessoas que dedicavam a vida ao cuidado dos outros. Por conta disso, em Iranduba, Hilda Freire ficou conhecida por ajudar a trazer ao mundo mais de 2.800 crianças.

Hilda Freire. Foto: Zenaide Freire/Acervo pessoal

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Hilda nasceu na comunidade de Jacurutu e cresceu em contato direto com a natureza e com os saberes tradicionais da floresta. Criada em uma comunidade indígena da região, ela aprendeu sobre ervas medicinais e práticas de cura, conhecimentos que foram fundamentais no seu trabalho como parteira, em um período em que muitos partos aconteciam em casa, longe de hospitais ou médicos.

Foi com esse aprendizado que ela começou a ajudar mulheres em trabalho de parto, e o que iniciou como um gesto de solidariedade se transformou em uma verdadeira missão de vida.

Com habilidade, experiência e sensibilidade, Hilda acompanhou centenas de gestantes e participou do nascimento de milhares de crianças em comunidades de Iranduba e arredores.

De acordo com Zenaide Freire de Sousa, filha de Hilda Freire, ela mantinha um caderno no qual registrava os nomes dos bebês que ajudava a nascer e reunia centenas de histórias de vida que começaram pelas mãos da parteira. Infelizmente, após sua morte, o caderno acabou se perdendo. 

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“Naquele tempo não tinha telefone. Quando uma mulher estava para ganhar bebê, o marido ia até a nossa casa bater na porta. A qualquer hora do dia ou da noite. Minha mãe se levantava, pegava a bolsinha com os materiais dela, colocava uma toalha na cabeça e ia”, recorda a filha.

De acordo com Zenaide, muitas mulheres procuravam Dona Hilda ainda durante a gestação, confiando em sua experiência, já que ela tinha grande habilidade para identificar o sexo do bebê apenas ao tocar a barriga da mãe.

Hilda Freire. Foto: Zenaide Freire/Acervo pessoal

“Minha mãe rezava, minha mãe tirava a desmentidura, ensinava remédio caseiro pras pessoas, tudo ela fazia”, explicou Zenaide ao Portal Amazônia

Zenaide relembra que a dedicação da parteira era total e não importava a distância, a hora ou as condições, sempre que alguém precisava, ela estava pronta para ajudar.

Hilda Freire: muito mais que uma parteira

Além de realizar partos em casa, Hilda também atuou em um centro de saúde de Iranduba, localizado na região do Lourenço Bop, onde continuou exercendo sua vocação, auxiliando gestantes e contribuindo com o cuidado à saúde da comunidade.

Zenaide revela que Hilda nunca cobrava pelo serviço, já que para ela ajudar a trazer uma criança ao mundo, para ela, “era um dom”, não um trabalho que deveria ser pago. 

Hilda conciliou esse trabalho comunitário com outras responsabilidades, pois durante cerca de 30 anos também atuou como servidora da prefeitura de Iranduba.

Em casa, criou 17 filhos, sempre com dedicação e carinho. Com o tempo, a saúde começou a enfraquecer e ela precisou deixar as atividades, e mesmo após sua partida, sua história continuou presente na memória da cidade.

“Aí foi o tempo que ela adoeceu, e pronto, ela deixou, não trabalhou mais, e a gente cuidou dela. Aí foi o tempo que o senhor levou ela, mas a minha mãe era uma guerreira”, recorda Zenaide. 

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Hospital Hilda Freire em Iranduba
Hospital da cidade de Iranduba. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

O reconhecimento pelo trabalho de Hilda Freire veio em forma de homenagem pública, e hoje, o hospital de Iranduba leva seu nome, uma maneira de eternizar a contribuição de uma mulher que ajudou a construir a história do município.

Nas famílias dos moradores de Iranduba, existe sempre alguém, um filho, um sobrinho ou um neto, que veio ao mundo pelas mãos da parteira.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Cuias amazônicas de chocolate? Restaurante do Pará inova na Páscoa com sabores regionais

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Cuias de chocolate do restaurante Amazônia na Cuia. Foto: Divulgação/Amazônia na Cuia

Em meio à tradição dos ovos de Páscoa, uma confeitaria do Pará decidiu inovar e apostar na identidade regional para conquistar o público. A proposta, criada pelo restaurante Amazônia na Cuia, transforma a cuia amazônica, um dos símbolos mais tradicionais da cultura nortista, em chocolates para presentear. 

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Segundo Rafael Barros, CEO do restaurante, a ideia nasceu a partir do desejo de fazer algo diferente, com  autenticidade e identidade. 

“A gente sempre teve vontade de criar algo próprio, sem terceirizar. Já produzimos nossos bombons regionais, com sabores como cupuaçu, bacuri, açaí e castanha. O que todo mundo está fazendo é o ovo da Páscoa, né? Obviamente, cada um com seus diferenciais. Então pensamos: o que podemos fazer para tenha a essência da Amazônia na Cuia?”, contou ao Portal Amazônia.

Leia também: Como são feitas as cuias amazônicas e porquê elas são parte essencial da cultura da região?

Rafael Barros, CEO do restaurante Amazônia na Cuia. Foto: Divulgação/Amazônia na Cuia

De acordo com Barros, foi assim que surgiu a ‘cuia de chocolate‘, inspirada no utensílio ancestral amplamente utilizado na região Norte para servir alimentos e bebidas.

“O que tem a essência da Amazônia na Cuia é justamente a cuia. Então por que não transformar isso em um produto de Páscoa?”, questionou o empresário.

A criação foi desenvolvida em conjunto com o gerente de marketing Mauricio Matheus e a chef confeiteira Antônia Leiciane, e rapidamente ganhou forma. No ano passado, a proposta foi lançada como um teste, com a meta inicial de vender 50 unidades, mas o resultado foi surpreendente, e 250 cuias foram vendidas em apenas dois dias, consolidando a ideia como um novo produto da marca.

Cuia de chocolate e sabores amazônicos

Ao todo, são quatro opções de cuias recheadas, todas com ingredientes típicos da Amazônia:

  • Creme de bacuri com geleia de bacuri
  • Creme de queijo do Marajó com doce de leite de cumaru
  • Creme de castanha-do-Pará com geleia de cupuaçu
  • Monteiro Lopes, com creme de queijo do Marajó, bolacha amanteigada de cupuaçu e cacau
Cuias de Chocolate do restaurante Amazônia na Cuia.
Cuias de Chocolate do restaurante Amazônia na Cuia. Foto: Divulgação/Amazônia na Cuia

Leia também: Tendência de 2026, ovo de Páscoa em fatias ganha sabores regionais em Rondônia

Segundo Rafael Barros, o maior objetivo da empresa é enaltecer e valorizar a cultura e os insumos amazônicos:

“A gente também consegue se diferenciar com recheios que, normalmente, você só vai encontrar com a gente. Então é por isso que a gente brinca que o paraense, de verdade, não pede ovo da Páscoa, ele pede cuia da Páscoa”. 

De acordo com o CEO, as cuias são produzidas artesanalmente com chocolate meio amargo (50% cacau) e recebem detalhes inspirados na arte marajoara, aplicados por meio de carimbos desenvolvidos especialmente para o produto.

Processo de produção das cuias

O processo de produção não é simples. Um dos principais desafios enfrentados pela equipe é o controle da temperatura, essencial para manter a integridade do chocolate em um clima naturalmente quente como o da região Norte. “Precisamos garantir que as cuias não derretam ou percam o acabamento. Isso exige muito cuidado e planejamento”, explica Barros.

Ele destaca que, em 2026, a meta do restaurante é vender até mil unidades e, para otimizar o processo, a equipe conta com o apoio de fornecedores na produção das embalagens, que agora chegam prontas no formato ideal. 

“No ano passado as embalagens foram impressas e montadas especificamente pela gente, esse ano como a nossa meta é audaciosa, a gente contou com o apoio de fornecedores de embalagem que já fizeram no formato exato que a gente gostaria, fazendo a montagem ser mais rápida”, explicou. 

Leia também: Mulheres mantém tradição da fabricação de chocolate a partir da produção orgânica do cacau em Tefé

Cuia de Chocolate do restaurante Amazônia na Cuia. Foto: Divulgação/Amazônia na Cuia

A intenção do restaurante é ir além da Páscoa e explorar novas possibilidades com o conceito. Entre os planos futuros está o registro da ‘cuia da Páscoa’ como marca e a criação de versões adaptadas para outras ocasiões, como aniversários.

“Nós pretendemos todo o ano fortalecer e colocar mais sabores, além de melhorar ainda mais as nossas vendas, não só no período da Páscoa, a gente também pretende fazer algo diferente para o nosso cliente nesse sentido do dia do aniversariante”, concluiu. 

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar