Presente na mesa de muitos amazônidas, o açaí é um verdadeiro tesouro. O fruto é cheio de benefícios nutricionais, pois é rico em nutrientes, antioxidantes e compostos bioativos.
De acordo com dados sobre os aspectos nutricionais levantados por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o açaí é considerado uma superfruta justamente por ser um alimento altamente energético e nutritivo, rico em proteínas, fibras, lipídios, minerais como manganês, cobre, boro e cromo, além de vitamina E, um antioxidante natural que ajuda no combate aos radicais livres.
Benefícios antioxidantes do ‘ouro roxo’
A característica mais marcantes do açaí se dá devido a sua coloração roxo intensa, resultado da alta concentração de antocianinas, pigmentos naturais pertencentes ao grupo dos compostos fenólicos – substância essencial para a proteção, pigmentação e defesa vegetal.
De acordo com o estudo, essas substâncias possuem forte ação antioxidante, ajudando o organismo a combater os radicais livres, moléculas associadas ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de doenças.
Além disso, as antocianinas também favorecem a circulação sanguínea e podem contribuir para a proteção contra efeitos cancerígenos e aterogênicos, acúmulo de placas de gordura nas paredes das artérias.
O teor dessas substâncias varia de acordo com o estágio de maturação, desenvolvimento do fruto, em que a concentração máxima de antocianinas é atingida quando o açaí está completamente maduro. Ainda segundo o estudo, fatores ambientais como luminosidade, temperatura e fertilidade do solo influenciam diretamente na quantidade desses compostos, podendo até dobrar de um ano para outro dependendo das condições climáticas.
Rico em energia, mas não em ferro
De acordo com o estudo da Embrapa, o açaí possui mais de 40% de lipídios em base seca, além de ser rico em proteínas e fibras, nutrientes essenciais para o funcionamento do organismo. Mas, apesar da fama popular, o açaí não é uma fonte significativa de ferro, uma vez que além da baixa quantidade presente no fruto, o mineral está em uma forma que dificulta sua absorção pelo organismo.
Da floresta para o mundo
O açaízeiro ocorre em áreas de solos úmidos ou nas margens de rios e lagos do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia e Maranhão. No entanto, segundo o estudo, é na região do estuário do Rio Amazonas, compreendida pelos estados do Amapá e Pará, que se encontram as maiores e mais densas populações do açaízeíro.
O fruto é muito consumido, principalmente pelas populações ribeirinhas e urbanas da Amazônia, especialmente no Pará e no Amazonas, acompanhado de farinha, peixe e outros alimentos típicos da culinária regional.
Segundo o ‘Informativo Técnico Rede de Sementes da Amazônia’, com a expansão do mercado, o fruto passou a ser utilizado em sorvetes, bebidas energéticas, suplementos alimentares, cosméticos e produtos funcionais. O estudo aponta que o interesse internacional pelo açaí está diretamente ligado ao seu potencial antioxidante e à presença dos compostos bioativos.
Cultivo e manejo adequado do açaí
A pesquisa destaca que o crescimento adequado do açaizeiro depende do equilíbrio entre nutrientes e da qualidade do solo. Segundo a Embrapa, a análise do solo é indispensável para o sucesso do cultivo, principalmente em áreas de terra firme, onde a fertilidade natural costuma ser menor.
A colheita dos cachos de açaí é feita após a fecundação das flores, ou seja, por volta de cinco a seis meses, ou 180 dias aproximadamente. De acordo com o estudo, quando o fruto está pronto para ser colhido, ele apresenta uma coloração roxo-escura ou verde-escura (açaí branco), de acordo com o tipo, recoberto por uma camada esbranquiçada.
Foto: Vanessa Monteiro/Ascom Ufra
Quantidades excessivas ou insuficientes de nutrientes no solo podem comprometer tanto a produção quanto o valor nutricional do fruto. Os estudos ainda estão em desenvolvimento, mas resultados iniciais mostram que nutrientes como potássio, magnésio, fósforo e nitrogênio exercem forte influência no crescimento das plantas jovens de açaízeiro.
Você conhece o ‘olho da floresta’ que nasceu entre os Sateré-Mawé? Símbolo da Amazônia e conhecido por seu valor energético, o guaranánão está só presente em refrigerantes e bebidas estimulantes.
Cultivado há séculos pelos povos indígenas, o guaraná se destaca devido suas propriedades medicinais, antioxidantes e nutricionais, que fazem dele umariqueza natural da floresta.
O fruto se destaca por sua aparência curiosa, uma vez que, quando amadurece, a casca ganha tons vermelho-alaranjados e se abre parcialmente, deixando a semente escura exposta, lembrando um olho humano. Essa característica marcante ajudou a construir lendas em torno da planta nas culturas amazônicas.
Fruto é fonte natural de cafeína. Foto: Fernando Goss
De acordo com o livro ‘Guaraná- como cultivar’, publicado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a colheita deve ocorrer justamente nesse estágio de maturação (amadurecimento e desenvolvimento), antes da abertura total dos frutos, evitando que as sementes caiam no solo.
Energia natural da Amazônia
Utilizado há séculos pelos indígenas, o fruto é considerado uma superfruta principalmente por suas propriedades estimulantes. O artigo ‘Divergência fitoquímica entre genótipos de guaraná em função de caracteres agroindustriais‘, aponta que o guaraná atua diretamente sobre o sistema nervoso central, sistema cardiovascular, músculos e rins, além de ajudar na redução da fadiga física e mental e contribuir para o funcionamento intestinal se consumido regularmente.
Ainda de acordo com o artigo, o fruto, considerado a maior fonte natural de cafeína conhecida, possui mais que o dobro presente no café, três vezes mais que o chá, cinco vezes mais que a cola, seis vezes mais que o mate e oito vezes mais que o cacau.
Conhecido como ‘olhos da floresta’. Foto: Siglia Souza
Essa alta concentração acontece por causa das chamadas metilxantinas, grupo de compostos que inclui cafeína, teofilina e teobromina, substâncias que são conhecidas pelo efeito estimulante e utilizadas na composição de medicamentos para diferentes finalidades terapêuticas.
Além das metilxantinas, o estudo também destaca que o guaraná é rico em polifenóis, moléculas antioxidantes, responsáveis pelo combate aos radicais livres, compostos associados ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de doenças.
Potencial antioxidante e benefícios à saúde
Além disso, a pesquisa também mostra que o guaraná apresenta altos índices de catequina e epicatequina, compostos antioxidantes também encontrados no chá e no cacau, mas que no guaraná são ainda maiores. Além disso, esses compostos bioativos são considerados biodisponíveis, ou seja, conseguem ser absorvidos e utilizados pelo organismo humano.
Entre os efeitos associados ao consumo do guaraná, o artigo também aponta o potencial anticancerígeno, como controle da proliferação de células tumorais e no processo de metástase, propriedades antimicrobianas, atividade anti-envelhecimento, prevenção de trombose e auxílio no controle de doenças cardiovasculares.
E mais: o consumo da fruta também pode contribuir para a redução dos níveis de colesterol total e do LDL, conhecido popularmente como ‘colesterol ruim’.
Produção e utilização do fruto
Maués, município conhecido como a ‘terra do guaraná’, se tornou referência nacional na produção do fruto. Lá a cultura do guaraná movimenta a economia local e fortalece a agricultura familiar na região amazônica.
Importânte na economia de Maúes. Foto: Lyon Santos/MDS
Atualmente, aponta o estudo, o fruto é utilizado na produção de bebidas, xaropes, cápsulas, cosméticos e suplementos alimentares. E o fruto pode ser comercializado também em bastão, após uma defumação longa que o prepara para a venda, em rama, mais utilizados pelos agricultores, e em pó, forma mais comum encontrada no mercado.
Ilustração do ‘Pequenos da Floresta’. Imagem: Erika Baranda/Acervo pessoal
Histórias contadas à beira do rio, brincadeiras nas ruas de terra e viagens de barco que relembram uma infância simples, deram origem ao projeto ‘Pequenos da Floresta’, uma iniciativa, desenvolvida pela empresária Erika Baranda em parceria com a filha, Maria Clara Baranda, de 6 anos, que busca preservar as memórias afetivas da Amazôniapor meio de narrativas ilustradas e escutas sensíveis.
Inspirado na infância em Parintins, o projeto resgata os costumes, os saberes populares e as experiências que ajudam a construir a identidade cultural da cidade.
A iniciativa surgiu como um gesto de resistência cultural diante das transformações tecnológicas que mudaram a forma de viver a infância amazônica. De acordo com Erika, a ideia nasceu da necessidade de registrar histórias que, muitas vezes, sobrevivem apenas na memória dos mais velhos.
“O projeto veio com o desejo de preservar as memórias afetivas da infância amazônica, especialmente de Parintins. São histórias simples, mas carregadas de identidade, cultura, brincadeiras, saberes populares e da relação profunda com a floresta e com o rio”, explicou ao Portal Amazônia.
As inspirações vieram das próprias experiências vividas em Parintins por Erika, como as brincadeiras coletivas nas ruas, as conversas com os mais velhos, as festas populares, a convivência comunitária e a relação intensa com a floresta e com o rio. Crescer em Parintins, segundo ela, significava viver cercada de imaginação.
Memórias que o tempo começou a apagar
De acordo com a empresária, o sentimento de urgência apareceu quando percebeu que boa parte dessas vivências estava começando a desaparecer silenciosamente.
“Quando percebi que muitas crianças já não vivem essas experiências da mesma forma e que muitas memórias estavam ficando apenas na lembrança dos mais velhos, senti a necessidade de transformar essas vivências em algo que pudesse atravessar gerações”, afirma.
Projeto retrata infância amazônica. Imagem: Erika Baranda/Acervo pessoal
Para Erika, existe um risco real de perda da memória afetiva de Parintins caso essas histórias não sejam valorizadas e registradas.
“O avanço da tecnologia e as mudanças sociais transformam os hábitos e a forma de viver na cidade. Por isso é tão importante valorizar e contar nossas histórias para que a essência cultural de Parintins continue viva”, destaca.
Por isso, o projeto também funciona como um espaço de preservação cultural. Entre os aspectos que ela acredita que precisam ser preservados estão os saberes populares, as tradições ribeirinhas, as brincadeiras infantis, a oralidade e o sentimento de pertencimento do povo parintinense com sua cultura.
Histórias que ganham vida através da ilustração
No projeto ‘Pequenos da Floresta’, as experiências reais são transformadas em narrativas ilustradas, unindo memória, afeto e arte e criando histórias acessíveis e emocionantes, capazes de despertar identificação em quem lê.
“É dar vida às memórias de forma sensível e acessível. A ilustração aproxima, emociona e ajuda as pessoas a se reconhecerem nas histórias”, explica.
Erika Baranda e sua filha Maria Clara. Foto: Erika Baranda/Acervo pessoal
O projeto ganhou ainda mais significado com a participação de Maria Clara, filha da criadora. A parceria aconteceu de maneira espontânea, durante conversas sobre as histórias e os processos criativos, e aos poucos, o olhar infantil passou a fazer parte da construção narrativa.
“As crianças enxergam detalhes que os adultos esquecem. O olhar dela trouxe mais leveza, curiosidade e sensibilidade para o projeto”, destacou Erika.
A experiência também fortaleceu os laços entre as duas, já que o processo de criação se tornou um espaço de troca, escuta e aprendizado.
Escutar para preservar
Uma parte importante do ‘Pequenos da Floresta’ são as chamadas “escutas sensíveis”, prática que busca ouvir os moradores, as famílias e as pessoas da comunidade de forma acolhedora e respeitosa.
A ideia permite que cada pessoa compartilhe suas memórias espontaneamente, valorizando relatos que normalmente não aparecem em registros oficiais. “Essas histórias têm muita força e verdade”, afirma.
Entre os relatos que mais a marcaram estão histórias ligadas à infância ribeirinha, à convivência comunitária e às relações construídas em torno do rio.
Imagem: Erika Baranda/Acervo pessoal
Próximos passos
A proposta agora é ampliar o projeto com novas histórias, ilustrações, exposições e ações educativas voltadas para crianças e escolas. “Queremos deixar o legado da valorização da infância amazônica, da memória afetiva e da identidade cultural de Parintins para as futuras gerações”, afirma Erika.
De acordo com ela, a infância amazônica possui uma conexão profunda com a natureza, com a imaginação alimentada pelas histórias da floresta, com o senso de comunidade e com a riqueza cultural que existe no modo simples e humano de viver na Amazônia.
Você conhece ocamu-camu? Considerada uma das frutas com maior concentração de vitamina C do mundo, o camu-camu é uma fruta pequena e ácida, encontrada nas áreas alagadas da Amazônia, e que chama a atenção por seu potencial antioxidante e pelos benefícios relacionados à saúde. Pensando em seu potencial, como uma “superfruta”, o Portal Amazônia criou nova série de reportagens, incluindo outras frutas da região amazônica.
De acordo com o livro ‘Receitas de camu-camu: pitadas de vitamina C e antioxidantes’, publicado na Embrapa, o fruto, também conhecido como caçari em Roraima, pertence à biodiversidade amazônica e possui compostos que ajudam na preservação da saúde da população contra inúmeras doenças e contra o envelhecimento.
Plantas de Myrciaria dubia. Foto: Walnice Nascimento
A fruta é originária do camucamuzeiro (Myrciaria dubia), espécie nativa da Amazônia que cresce principalmente em margens de rios e lagos. Segundo o estudo da Embrapa, ‘A cultura do camu-camu’, a planta se desenvolve em locais de pleno sol e ainda está em processo inicial de domesticação e cultivo racional.
Além do Brasil, o fruto também é encontrado em países vizinhos da Amazônia. Atualmente, o Peru é considerado o maior produtor e exportador de camu-camu do mundo.
Fruta campeã em vitamina C
O Camu-camu é considerado uma superfruta por conta da grande quantidade de vitamina C presente em sua polpa. O estudo, ‘A cultura do camu-camu’, aponta que o fruto pode apresentar concentração aproximadamente 13 vezes maior que a encontrada no caju, 20 vezes superior à acerola e até 100 vezes maior que no limão, ou seja, pode conter cerca de 5 gramas de vitamina C a cada 100 gramas da polpa.
O livro de receitas mostrou que os frutos provenientes da região leste de Roraima apresentaram concentrações de ácido ascórbico entre 3.571 mg e 6.112 mg por 100 g de polpa, números considerados extremamente elevados quando comparados a outras frutas populares no consumo diário.
Mesmo com toda essa concentração, o estudo alerta que o organismo humano não consegue absorver grandes quantidades de vitamina C de uma única vez, e parte dela acaba sendo eliminada naturalmente pelo corpo. Por isso, o consumo distribuído ao longo do dia, seja da fruta ou de produtos derivados, pode ser uma alternativa mais eficiente para aproveitar os nutrientes.
Antioxidantes e nutrientes
Além da vitamina C, o camu-camu possui flavonoides, compostos fenólicos e antocianinas, substâncias associadas à ação antioxidante. De acordo com a Embrapa, esses compostos auxiliam no combate aos radicais livres, moléculas relacionadas ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de algumas doenças.
Além disso, comparado à laranja, o camu-camu também apresenta cerca de 10 vezes mais ferro e 50% mais fósforo. No entanto, a maior concentração de vitamina C e compostos fenólicos está presente no ‘epicarpo’, ou seja, a casca da fruta.
Apesar da grande concentração de vitamina C, a fruta possui baixo valor energético e pequenas quantidades de proteínas e lipídios.
O camu-camu na culinária
Apesar do sabor bastante ácido, o camu-camu é utilizado em diferentes preparações alimentícias. De acordo com o livro de receitas da Embrapa, a polpa pode ser consumida na forma de refrescos, sorvetes, vinhos, licores, geleias, doces e coquetéis, sendo utilizado como fixador de sabor em sobremesas e tortas.
Muitos nomes na Amazônia
Embora o nome camu-camu seja o mais popular no Brasil e no Peru, a fruta também recebe outras denominações regionais, como camocamo, caçari, araçá-d’água, araçá-de-igapó e crista de galo. Além disso, na Amazônia Venezuelana, os nomes mais utilizados são guayabo e guayabito.
Desafios do cultivo
De acordo com o estudo da Embrapa, mesmo sendo uma espécie resistente em populações naturais, o cultivo racional do camucamuzeiro ainda enfrenta desafios relacionados ao ataque de pragas. O estudo aponta que mais de 69 tipos de insetos já foram associados à planta, principalmente das ordens Homoptera, Lepidoptera e Coleoptera.
Apesar disso, apenas uma pequena parcela dessas pragas é considerada economicamente prejudicial ao cultivo.
Se você nasceu nos anos 70, com certeza conheceu e se lembra dos tradicionais orelhões brasileiros que eram indispensáveis no cotidiano da população. Atualmente, apesar desse tipo de telefone público ter sido essencial, são equipamentos que caminham para a extinção no país, principalmente com o acesso aos smartphones.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a retirada gradual dos telefones públicos até o fim de 2028, colocando fim a uma parte importante da história da comunicação no Brasil. A decisão reflete a queda no uso desses aparelhos com a popularização dos celulares e da internet, fazendo com que muitos orelhões passassem a ser vistos apenas como peças históricas espalhadas pelas cidades.
Além disso, o fim das concessões de telefonia fixa das empresas responsáveis, encerradas em 2025, também contribuíram para a retirada definitiva do serviço.
Número de orelhões em funcionamento na Amazônia
Porém, um levantamento divulgado em 2026, com base em dados da Anatel, mostra que nos nove estados da Amazônia Legal, 13.518 orelhões ainda estão ativos e outros cerca de 10 mil aparelhos se encontram inativos ou em manutenção.
Outro dado mostra que municípios dos interiores dos estados concentram mais aparelhos em funcionamento do que as próprias capitais, evidenciando as dificuldades de acesso à comunicação em áreas isoladas da região.
Fonte: Acervo de Chu Ming Silveira no site orelhao.arq.br
Os municípios amazonenses com maior número de telefones públicos em funcionamento, por exemplo, são:
Lábrea, com 71 aparelhos;
São Gabriel da Cachoeira, com 63;
Manicoré, com 43;
e Jutaí, com 31, operados pelas empresas Claro e Oi.
No Acre, os municípios que se destacam são:
Feijó, com 27 orelhões;
Sena Madureira, com 24;
e Tarauacá, com 22 aparelhos ainda em funcionamento, e também operados pelas empresas Claro e Oi.
Em Roraima, os números são menores, já que o municipio com maior número de aparelhos em funcionamento é Amajari, que possui apenas 10 orelhões ativos, enquanto Caracaraí conta apenas com sete.
Já no Pará, a presença desses equipamentos ainda é significativa:
Santarém lidera com 93 orelhões em funcionamento,
seguida por Altamira, com 38,
e Monte Alegre, com 33, também operados pelas empresas Claro e Oi.
Nos estados de Rondônia, Amapá e Tocantins, nenhum município ultrapassa dez aparelhos ativos.
Em Mato Grosso, Vila Bela da Santíssima Trindade possui 14 orelhões, enquanto Nossa Senhora do Livramento registra 11. No Maranhão, os municípios com maior quantidade de telefones públicos são Santa Luzia, com 38 aparelhos; Amarante do Maranhão, com 26; e Barra do Corda, com 22.
Contraste tecnológico na Amazônia
Foto: Reprodução/Site orelhão
De acordo com as informações, os orelhões só devem ser mantidos nas cidades onde não há rede de celular disponível, e a sua forte concentração no interior da Amazônia evidencia um forte contraste brasileiro.
Já que enquanto as grandes capitais avançam com tecnologia 5G e serviços digitais cada vez mais integrados, o interior desses estados ainda enfrenta dificuldades básicas de cobertura telefônica e acesso à internet.
Dados do IBGE, mostram que a Amazônia Legal ocupa 58,9% do território brasileiro e reúne áreas de difícil acesso, como comunidades ribeirinhas e regiões isoladas que ainda dependem de meios de comunicação tradicionais. Em muitos lugares onde o sinal de celular desaparece durante viagens pelos rios ou a internet chega de forma limitada, o orelhão continua sendo uma ponte de contato com hospitais, familiares e serviços essenciais.
De acordo com o site Orelhão, o aparelho foi criado em 1971, e rapidamente se transformou em um dos maiores símbolos da comunicação pública brasileira. O projeto foi desenvolvido pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, que criou tanto o modelo maior, conhecido popularmente como ‘Orelhão’, quanto a versão menor, chamada ‘Orelhinha’, feita para ambientes internos.
A inauguração oficial para o público aconteceu no dia 20 de janeiro de 1972, no Rio de Janeiro e, cinco dias depois, em São Paulo. Os primeiros aparelhos foram instalados na sede da antiga Companhia Telefônica Brasileira (CTB), no centro de São Paulo.
Projeto original do orelhão. Foto: Reprodução/Site orelhão
De acordo com o site, em 1975, surgiram os modelos azuis, destinados às chamadas interurbanas, e em 1992, as tradicionais fichas telefônicas deram lugar aos cartões telefônicos. Em 1998, os aparelhos ganharam a cor verde-limão após a privatização da Telebrás e a aquisição da Telesp pela espanhola Telefónica.
Além disso, o aparelho participou de exposições de design no Brasil, homenagens em museus e até de uma intervenção urbana em 2012, quando cem orelhões customizados por artistas foram espalhados pelas ruas de São Paulo na ‘Call Parade’.
Mesmo próximos da despedida definitiva, os orelhões seguem vivos na memória afetiva dos brasileiros e, em algumas regiões da Amazônia, ainda cumprem um papel essencial no dia a dia da população.
Pedro Bonvivant, influenciador carioca apaixonado pelo boi Garantido. Foto: Pedro Bonvivant/Arquivo pessoal
O alcance das redes sociais facilita e amplia o contato de pessoas de diferentes lugares, inclusive com diferentes manifestaçõesculturais. Um exemplo disso, é a relação do influenciador digital Pedro Oliveira Bonvivant, nascido e criado no Rio de Janeiro com a paixão pelo Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. Sem nunca ao menos ter visitado a Ilha Tupinambarana.
O amor pelo festival, que começou a distância, através da tela do celular, mostra que não é preciso nascer no Amazonas para sentir o coração bater mais forte ao som de uma toada.
Ao Portal Amazônia, Bonvivant conta que o primeiro contato com o Festival de Parintins aconteceu entre 2018 e 2019, quando acompanhou conteúdos publicados pela ex-BBB e influenciadora Ana Clara Lima, durante sua passagem por Parintins.
“Eu não faço ideia do que me fez apaixonar pelo festival. Acho que não tem uma coisa específica, mas eu lembro de que quando eu assisti a apresentação do Boi Garantido, eu fiquei todo arrepiado. E desde então, eu sou doido pelo festival”, relembrou Bonvivant.
Segundo ele, o sentimento nunca foi racional e não existe uma explicação exata para a paixão que sente ser tão intensa. “Só de começar a falar sobre, só de ouvir as toadas, eu já fico todo arrepiado. É muito doido, porque só pela tela eu fico assim”.
E a admiração vai além da disputa entre os bois Caprichoso e Garantido, já que as toadas, a rivalidade saudável, as alegorias gigantescas e, principalmente, a forma como a cidade inteira vive a cultura bovina durante o ano inteiro também fascinam o influenciador, que assegura sentir admiração pelo espetáculo como um todo.
Foto: Reprodução/Redes sociais
“Eu percebi que era paixão quando eu vejo que toda vez eu me arrepio. Quando eu começo a falar, eu me arrepio, quando eu começo a ouvir as toadas, eu me arrepio. E aí eu entendi que era amor mesmo”, relatou Bonvivant.
De acordo com o influenciador, a maior certeza em seu coração é que ele atende pelas cores vermelho e branco. Além disso, assegura que não escolheu o boi, mas sim foi escolhido por ele:
“Quando assisto ao contrário, acho bonito, claro. Mas não me emociona. O Garantido faz meu olho encher de lágrimas. Faz eu querer cantar, pular, viver aquilo”.
Assumidamente ‘perreché‘, Pedro Bonvivant revela que seu item favorito é justamente o Item 19, a galera, por representar a energia coletiva que transforma o Bumbódromo em um espetáculo único. Entre as toadas favoritas, a recente ‘Perrecheiro‘ tem ocupado um lugar especial.
“Quando começa [o trecho] ‘Gara, gara, gara, Garantido amor’, eu fico completamente maluco”.
Apesar disso, a paixão declarada pelo Garantido não impede que ele reconheça a potência do rival azul e branco, sobrando espaço até para curtir as toadas do ‘boi contrário’. “’Málúù Dúdú’ é impossível não dançar”, brinca.
Em Parintins, muitos dizem que “não escolhemos o boi, ele nos escolhe”, mas é uma escolha que geralmente acontece ao vivenciar a experiência. Apesar de ainda não ter vivido isso, Pedro acredita ser difícil ser escolhido pelo boi contrário.
“Se por uma tela o boi Garantido me escolheu e faz eu chorar igual criança, eu acho muito difícil isso não acontecer pessoalmente. Eu acho que eu posso, sim, achar o boi contrário muito bonito. Tenho certeza de que eu vou achar tudo muito lindo, mas não tem jeito. Eu acho que meu coração já é vermelho e branco, eu sou perreché, não tem como!”, assegurou.
Carioca e apaixonado pelo carnaval, Bonvivant acredita que a conexão com Parintins talvez venha justamente da vivência cultural que sempre teve no Rio de Janeiro. Salgueirense (GRES Acadêmicos do Salgueiro), cresceu em meio ao universo das escolas de samba, acompanhando familiares que produziam fantasias carnavalescas.
Em 2026, depois de seis anos sonhando com esse momento, ele finalmente vai realizar o desejo de viver o festival pessoalmente.
Depois de fazer uma campanha em suas redes sociais pedindo ajuda para conseguir ir ao festival, uma empresa notou a paixão do carioca pela cultura nortista e se propôs à levá-lo até Parintins.
Agora, a expectativa é enorme e Pedro planeja visitas aos currais, sentir a vibração da arena bovina e conhecer de perto tudo aquilo que o emocionou durante anos através das telas.
“Vai ser a realização de um sonho. Estou ansioso para conhecer Parintins, viver essa energia e sentir tudo isso de perto”.
Bumbódromo de Parintins. Foto: Yuri Pinheiro/Secom Parintins
E, é claro, além de realizar um sonho dessa paixão pessoal, ele também vê sua presença no festival como uma oportunidade de apresentar a cultura amazônica para mais brasileiros.
Segundo ele, muitas pessoas ainda desconhecem a riqueza da manifestação cultural amazonense e muitos de seus seguidores passaram a descobrir o Festival de Parintins através dos conteúdos que ele tem publicado nas redes sociais.
“Muita gente acaba me perguntando: ‘mas como é que é? Como funciona? Não conhecia’. Então é muito bacana ver que outras pessoas também estão tendo interesse em saber como é o festival”, comentou.
E se alguém imagina que ele já sofreu preconceito por “ser de fora”, a resposta é não. O influenciador conta que sempre foi acolhido com carinho por amazonenses e parintinenses, que torcem para vê-lo realizando esse sonho.
A Amazônia Legal é um território composto por diversas identidades culturais, em que tradições indígenas, africanas e europeias se entrelaçam e dão origem a manifestações culturais. Entre essas manifestações, as danças populares transmitem, de geração em geração, histórias, crenças, modos de vida e sentimentos.
O Portal Amazônia procurou por algumas dessas danças que fazem parte das celebrações espalhadas nos nove estados da Amazônia Legal. Confira:
Suça (Tocantins)
A Suça, também conhecida como Súcia ou Sússia, é uma das manifestações culturais mais antigas do Tocantins. De acordo com informações do Governo do Estado, sua origem remonta ao século XVIII, quando africanos escravizados foram levados para trabalhar na mineração de ouro na região sudeste do estado.
Dançada nas festividades folclóricas de cidades como Paranã, Santa Rosa do Tocantins, Monte do Carmo, Natividade, Conceição do Tocantins, Peixe e Tocantinópolis, a dança combina canto, ritmo e movimentos embalados por tambores e cuícas.
Além disso, versos curtos, inspirados no cotidiano, são entoados ao som de instrumentos como viola, tambor, pandeiro e caixa. A dança varia conforme a comunidade, já que cada grupo imprime seu próprio ritmo, passos e significados.
A Suça também está profundamente ligada às manifestações religiosas do catolicismo popular, como a Folia do Divino, e um dos passos mais característicos é a ‘Jiquitaia’, que integra a coreografia tradicional. De acordo com o Governo do Tocantins, apesar de ainda não ser oficialmente registrada como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a instituição reconhece sua relevância cultural.
A transmissão entre gerações, como ocorre em famílias de mestres suceiros, garante a continuidade dessa tradição, aprendida desde a infância e mantida ao longo da vida.
Cacuriá (Maranhão)
O Cacuriá é uma dança típica do Maranhão, presente especialmente no encerramento das festividades do Divino Espírito Santo. De acordo com o livro ‘Vem cá curiar o cacuriá!’, da jornalista Inara Rodrigues, a dança foi criada em 1973 pelo folclorista Alauriano Campos de Almeida, conhecido como Seu Lauro.
Inspirado no Carimbó das Caixeiras, o Cacuriá reúne influências de diversos ritmos, como próprio Carimbó, o Bumba meu boi e os ritmos das caixas da Festa do Divino Espírito Santo. A manifestação é marcada por coreografias sensuais, músicas com duplo sentido e forte interação entre os dançarinos e o público.
Foto: Reprodução / Geografia Nordeste
A dança é realizada em roda, com pares que executam movimentos rápidos e cheios de improviso, embalada por músicas que abordam temas como natureza, crenças e cotidiano, conduzidas por um coro que responde aos versos improvisados.
Popularmente, o Cacuriá também é associado à figura de Dona Teté, que, em 1986, criou sua própria versão da dança. Segundo a jornalista Inara Rodrigues, a manifestação acontece após a fase religiosa das festividades, configurando-se como momento de descontração.
Os instrumentos incluem a ‘Caixa do Divino’, o banjo, o violão e a flauta, e os trajes são de cores vibrantes e combinados: mulheres usam saias rodadas e blusas curtas, enquanto os homens vestem peças com estampas semelhantes.
Siriri (Mato Grosso)
O Siriri é uma dança tradicional do Centro-Oeste, especialmente de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. De acordo com o artigo ‘O Siriri: Uma Manifestação Cultural‘, publicado na Revista de Comunicação Científica, escrito por Sônia Pereira e Carlos Rinaldi, trata-se de uma dança alegre, com coreografias simples em roda ou fileiras.
A origem da dança é resultado da mistura de culturas indígenas, africanas e europeias, e que inicialmente era ligada a rituais religiosos, mas passou a integrar festas populares e celebrações comunitárias. Os movimentos são marcados por palmas, gestos sincronizados e expressões de alegria, embalados por instrumentos como a viola de cocho, o ganzá e o mocho, todos de fabricação artesanal.
De acordo com os escritores, os trajes típicos dos dançarinos também são marcados por cores vibrantes, em que as mulheres vestem saias rodadas, enquanto os homens utilizam calças compridas e camisas de manga longa.
Atualmente, a cidade de Cuiabá se destaca como casa da cultura local, abrigando diversos grupos de Siriri que se dedicam à preservação e a divulgação da dança.
De acordo com os escritores, a manifestação surgiu por volta da década de 1950, implementada por um mestre de Manaus (AM), e que desde então, tem sido preservada por famílias e grupos culturais locais, como o Marujos da Alegria. A dança, realizada especialmente durante o carnaval, em espaços públicos e residências, envolve personagens que representam funções dentro de uma embarcação, como maquinistas e marinheiros.
Segundo o artigo, os grupos percorriam diversas casas, recebendo como retribuição alimentos ou pequenas recompensas, reforçando o caráter comunitário da manifestação. “Mas a maioria das vezes era uma ceia que eles comiam nessas casas, festejavam e bebiam, então era uma tradição deles”, relata o corpo brincante.
Jacundá (região amazônica)
O Jacundá é uma dança de origem indígena bastante popular na Amazônia como um todo. Segundo a Enciclopédia da Música Brasileira, trata-se de uma dança de roda em que homens e mulheres formam um círculo de mãos dadas.
Durante a execução, um participante vai ao centro e tenta escapar do círculo, enquanto os demais impedem sua saída, e quando consegue, outro assume seu lugar, continuando a dança repetidamente ao som de uma cantiga única.
Lundu Marajoara (Pará)
O Lundu Marajoara é uma das manifestações culturais mais antigas do Brasil, com origem africana. De acordo com o artigo ‘No bater da palma, o ‘lundu’ se torna ‘dança’ – a ‘dança’ que me torna professor(a)‘, de Antônio Benedito Lima Pantoja, a dança foi trazida por pessoas escravizadas da Angola e introduzido no Brasil ainda no período colonial, sendo inicialmente praticado nas senzalas.
Ao chegar à Ilha do Marajó, especialmente na região de Soure, o Lundu passou por um processo de ressignificação. De acordo com o autor, a dança foi adaptada ao modo de vida local, incorporando elementos da cultura dos vaqueiros e das comunidades marajoaras, se tornando uma manifestação popular.
Marcada pela sensualidade, a coreografia simula um jogo de sedução entre um homem e uma mulher, incluindo movimentos de quadril, olhares e gestos que representam um ritual de conquista, embalados por um ritmo lento e cadenciado, em que predominam os instrumentos de sopro e os atabaques.
Historicamente, o Lundu chegou a ser censurado pela Igreja Católica por ser considerado imoral, no entanto, também conquistou espaço nas cortes europeias. Segundo o artigo, há um momento em que a mulher tenta cobrir a cabeça do homem com a saia, gesto que remete tanto à conquista amorosa quanto à metáfora da pesca com tarrafa, elemento presente no cotidiano da região.
Os trajes femininos incluem saias rodadas e blusas curtas, que deixam os ombros e o abdômen à mostra, enquanto os homens dançam sem camisa e com calça curta, vestimentas que remetem às roupas usadas pelos escravizados. A coreografia envolve formações em filas e rodas, conduzidas por um marcador que orienta os movimentos por meio de palmas, e passos que incluem batidas de pés, estalos de dedos e giros.
Além disso, a dança é acompanhada por instrumentos como curimbó, flautas e cavaquinho. Atualmente, o Lundu Marajoara é mantido por grupos folclóricos e parafolclóricos, como Aruans, Eco Marajoara e Cruzeirinho, que atuam na preservação dessa tradição.
A festividade acontece anualmente em junho e reúne moradores de diversas comunidades da região, como Camarão e Escrivão, além de cidades próximas como Santarém e Itaituba. Na dança, as figuras centrais são o Rei e a Rainha, que se apresentam com roupas brilhantes nas cores verde, vermelho, branco e amarelo, e coroas adornadas com fitas coloridas que se estendem até a cintura.
A coreografia é simples, baseada no arrastar dos pés de um lado para o outro, acompanhando o ritmo do tambor. Segundo os autores, à medida que a apresentação avança, outras pessoas, que inicialmente eram espectadores, passam a integrar a dança, transformando o momento em uma grande celebração comunitária.
Desfeiteira (Amazonas)
A Desfeiteira é uma dança de origem portuguesa presente no Amazonas e em Alter do Chão (PA), onde é praticada durante o Sairé. Trata-se de uma das variações do fandango, caracterizada pelo seu caráter lúdico e humorístico.
De acordo com a Associação Brasileira dos Organizadores de Festivais de Folclore e Artes Populares, a dinâmica da dança envolve pares que se movimentam pelo salão ao som de uma orquestra composta por instrumentos como violão, flauta, cavaquinho e, em alguns casos, trombone.
O momento mais marcante acontece quando a música para e o casal que estiver posicionado em frente à orquestra precisa improvisar um verso, geralmente declamado pelo cavalheiro. Caso não consiga ou cometa erros, o par é vaiado e precisa pagar uma ‘prenda’, o que reforça o tom descontraído da brincadeira.
A dança do Maçarico é uma das mais populares manifestações folclóricas do Amazonas. Segundo a Associação Brasileira dos Organizadores de Festivais de Folclore e Artes Populares, seu nome faz referência ao pássaro maçarico, comum na fauna regional.
A principal característica da dança está na imitação dos movimentos da ave. Os dançarinos realizam passos rápidos, com pequenas corridas, pulos e deslocamentos ágeis, lembrando o caminhar leve e acelerado do pássaro.
Além disso, a coreografia é executada por vários casais, que percorrem o espaço com movimentos variados, embalados por um ritmo acelerado e contagiante, o que torna a dança bastante envolvente para o público. Diferentemente de outras manifestações, o Maçarico não está associado a celebrações religiosas, já que trata-se de uma dança voltada ao entretenimento, com foco na performance e na expressão corporal.
O figurino masculino é composto por camisa e calça, geralmente em cores diferentes, enquanto o das mulheres é comporto por blusas e saias elaboradas e coloridas.
*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar
A valorização das vozes indígenas e o fortalecimento de novas lideranças foram o centro da roda de conversa ‘O protagonismo indígena nas telas e em novas lideranças’, debate realizado na sede da Rede Amazônica em Manaus (AM). O encontro aconteceu no dia 24 de abril, em alusão ao mês dos povos indígenas, e reuniu a ativista e liderança indígena Eliza Sateré Mawé, o professor da Ufam Raimundo Nonato Pereira da Silva, e outras representantes indígenas. O evento contou com a mediação da jornalista Ruthiene Bindá.
O debate destacou como a presença indígena nos meios de comunicação, especialmente nas redes sociais, tem ampliado a visibilidade de histórias, culturas e lutas que, por muito tempo, foram invisibilizadas. Para Eliza Sateré Mawé, as telas se tornaram uma ferramenta essencial de conexão entre povos e territórios.
“Por meio das telas eu posso conhecer e me identificar com a luta de outras mulheres, lutas parecidas com a nossa, que fortalecem com o protagonismo“, declarou.
Ela ressaltou ainda que acompanhar outras mulheres indígenas, mesmo à distância, cria uma rede de apoio e fortalecimento coletivo, permitindo que diferentes realidades se encontrem, promovendo identificação e pertencimento.
Eliza também citou exemplos concretos dessa conexão, como o acompanhamento do trabalho de artistas indígenas nas redes sociais, reforçando que a visibilidade digital contribui para valorizar a cultura e ampliar o alcance dessas produções.
Identidade e protagonismo indígena
Um dos pontos mais marcantes do encontro foi protagonizado por Elizete Tikuna, que cantou o Hino Nacional Brasileiro na língua Tikuna.
Outro ponto de destaque na discussão, foi o papel das mulheres indígenas como protagonistas dentro e fora das comunidades. Segundo os participantes, embora exista uma visão histórica que associa a figura do ‘guerreiro’ ao homem, na prática, são as mulheres que sustentam a organização social, cultural e familiar.
Rede Amazônica promove debate sobre protagonismo indígena nas telas e novas lideranças. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia
O encontro também debateu o protagonismo da juventude indígena nas redes sociais, um espaço que, ao mesmo tempo em que oferece visibilidade, também expõe esses jovens a críticas e distorções.
Eliza destacou que ainda existe um olhar preconceituoso sobre jovens indígenas que utilizam essas plataformas. “Quando a juventude começa a ganhar esse protagonismo, já vem aquele olhar de que é um desocupado. Não enxergam que é uma forma de mostrar sua luta e como ele vê o mundo”, destacou.
Para o professor Raimundo Nonato, essa questão está diretamente ligada a uma luta histórica por autonomia e reconhecimento:
“A luta é pra dizer quem eu sou e não quem você quer que eu seja”, afirmou Nonato.
De acordo com ele, os povos indígenas vêm batendo de frente com ideias antigas e cheias de estereótipos, que tentam dizer o que é ou não ser indígena a partir do olhar de quem está de fora, e não de quem vive essa realidade no dia a dia.
A presença indígena na universidade também foi destacada como um espaço de resistência e reconstrução de narrativas. Elizete Tikuna evidencia que a educação, ao ocupar espaços historicamente negados, os indígenas passam a produzir conhecimento, disputar narrativas e reivindicar protagonismo.
Ela também destaca sobre o processo de apropriação, que reforça a importância da auto-representação. “Muitas vezes outras pessoas vão falar sobre o que o indígena vive, vão pegar a história dele, se apropriar e colocar como sendo delas, na visão delas”, comentou.
Tecnologia como aliada
A visão dos participantes é que a tecnologia surge como uma ferramenta fundamental para garantir visibilidade e autonomia na construção de narrativas.
“O celular é uma ferramenta onde nós podemos nos expressar, mostrar a nossa cultura e contar a nossa prória história”, destacou Eliza.
Ruthiene Bindá destacou que o preconceito contra os povos indígenas é histórico e está enraizado na forma como a sociedade foi educada: “Esse preconceito é tão forte ainda, que vem desde o que a gente aprendeu lá atrás. O próprio indígena hoje ainda tem medo de dizer que ele é indígena”.
“Hoje a gente percebe o protagonismo e uma valorização de dizer ‘eu sou indígena’. Nós mesmos, enquanto amazônidas, estamos aprendendo a valorizar o que é nosso”, afirmou.
Representatividade
A presença indígena em programas de televisão e nas redes sociais também foi apontada como um fator importante de identificação e orgulho. A representatividade contribui para quebrar estereótipos e reforçar a diversidade cultural da Amazônia.
Ao falar sobre a importância da visibilidade, Eliza fez um apelo direto à sociedade:
“Nós não somos um bicho de sete cabeças, nós somos que nem vocês, mas do nosso jeito. A gente não se fantasia, a gente não se caracteriza, a gente é natural. Dizer quem é, mostrar e dizer, viver o que sou e saber quem sou”, afirmou Eliza.
*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar
A história da Catedral Metropolitana de Belém, também conhecida como igreja da Sé, dedicada a Nossa Senhora das Graças, está diretamente ligada à fundação e ao desenvolvimento da cidade de Belém. Considerada a primeira igreja da região Norte do Brasil, a catedral reúne fé, reconstruções e um dos mais importantes instrumentos musicais: o órgão Cavaillé-Coll, o maior da América Latina.
De acordo com o site da Catedral de Belém, a cidade de Santa Maria foi fundada em 1616, a partir da construção do Forte do Presépio. Durante a construção, um nicho para abrigar a imagem de Nossa Senhora das Graças foi criado.
Com o objetivo de expandir o povoamento, os colonizadores avançaram pela mata ao redor do forte e escolheram o lugar onde hoje está a Catedral para erguer a primeira igreja Matriz da cidade. Em homenagem a Nossa Senhora das Graças, a construção inicial era simples, feita de taipa de pilão e coberta de palha.
Segundo a Catedral de Belém, a Paróquia de Nossa Senhora das Graças foi oficialmente criada em 28 de julho de 1617, tendo como primeiro vigário o padre Manuel Figueira de Mendonça. Naquele período, a paróquia estava subordinada à Prelazia de Pernambuco, permanecendo assim até 1622.
Reformas e desafios ao longo do tempo
Ao longo do tempo, a igreja passou por diversas transformações, como a restauração de 1653, feita por padres jesuítas sob a liderança do padre Souto Maior. No entanto, em 1714, a estrutura acabou desabando, o que levou à transferência das atividades religiosas para a Igreja de São João Batista.
O site afirma ainda que a criação do Bispado do Pará, em 1719, por meio da bula ‘Copiosus in Misericordia’, marcou um novo momento para a Igreja na região, com a nomeação de Dom Frei Bartolomeu do Pilar como primeiro bispo. Dom Frei Bartolomeu do Pilar tomou posse de sua diocese por procuração em 1721, no entanto, só chegou a Belém em 1724.
A igreja de São João, onde funcionava a Paróquia de Nossa das Graças, serviu como a Catedral do Dom Bartolomeu, até 1723, quando Dom João V ordenou a construção da Catedral de Belém doando a quantia de 60 mil cruzados.
A construção da Catedral
A construção da atual Catedral começou no século XVIII e passou por diferentes fases. Em 1748, Dom Frei Guilherme de São José e Queiroz, segundo bispo do Pará, benzeu a pedra fundamental da nova igreja, na mesma data em que sua renúncia como bispo foi aceita.
Segundo a Catedral, o terceiro bispo do Pará, Dom Frei Miguel de Bulhões e Souza, foi responsável por dar continuidade significativa às obras, e em 1753, chegou a Belém o arquiteto italiano Antônio Landi, que assumiu a condução do projeto.
Ainda naquele ano, no dia 23 de fevereiro, a Catedral foi benzida, mesmo sem estar totalmente concluída, e no dia seguinte, o traslado do Santíssimo Sacramento da Igreja de São João para o novo templo aconteceu. As obras sofreram interrupções entre 1761 e 1766, sendo retomadas posteriormente, e a conclusão ocorreu em 1774, com a bênção da Capela-Mor, marcando o fim de um longo processo de construção.
O órgão Cavaillé-Coll
Um dos maiores símbolos da Catedral é o seu imponente órgão de tubos, construído pelo francês Aristide Cavaillé-Coll, considerado um dos maiores organeiros da história.
Inaugurado em 9 de setembro de 1882, o órgão foi adquirido por Dom Antônio de Macedo Costa, e de acordo com a Catedral de Belém, sua estreia foi marcada por uma cerimônia solene, com a presença das mais graduadas autoridades do Império do Brasil.
O órgão possui cerca de 8 metros de altura, 5,5m de largura, aproximadamente 25 mil peças, além de dois teclados manuais e uma pedaleira. Segundo a Catedral, o instrumento era considerado, o maior e mais sofisticado do Brasil, destacando-se pela capacidade de reproduzir desde sons suaves até efeitos grandiosos, como o de trovões.
Após décadas de uso, o órgão ficou inativo por cerca de 45 anos, chegando a apresentar riscos estruturais. Diante disso, em 1995, iniciou-se uma forte campanha de restauração em toda a cidade de Belém, que perdurou o ano inteiro.
De acordo com a Catedral, o processo foi realizado na França, com a participação da empresa especializada Theo Haerpfer, escolhida por recomendação de especialistas internacionais. A reinauguração aconteceu em 14 de junho de 1996, durante a celebração do Sagrado Coração de Jesus, sob a presidência de D. Vicente Joaquim Zico, arcebispo metropolitano.
De acordo com a Catedral, órgão da Sé de Belém é o maior CAVAILLÉ-COLL da América Latina. Atualmente, ele é executado nas liturgias semanais e nas solenidades da Catedral de Belém, e também em concertos durante o ano, com a participação de organistas nacionais e internacionais.
*A matéria possui informações do site da Catedral Metropolitana de Belém
Pesquisadores da Unemat em Nova Xavantina desenvolvem uma ferramenta de teste rápido para identificar os nematóides fitoparasitários na soja. Foto: Rodrigo Spyer
Nematóides são vermes microscópicos que vivem no solo e se alimentam exclusivamente de plantas; embora existam milhares de espécies de nematóides benéficos ao ecossistema, os nematóides fitoparasitários são especializados em atacar raízes, caules e folhas, sendo uma das principais causas de perdas agrícolas no mundo. Por esse motivo, pesquisadores da Unemat em Nova Xavantina desenvolvem uma ferramenta de teste rápido para identificar os nematóides fitoparasitários na soja.
O projeto está criando um teste rápido que lê o DNA da terra e consegue identificar, de forma rápida e precisa, várias espécies de vermes inimigos da soja em um único exame de laboratório.
Projeto está criando teste que lê DNA da terra e consegue identificar, de forma rápida e precisa, várias espécies de vermes inimigos da soja em um único exame de laboratório. Foto: Rodrigo Spyer
O teste utiliza duas técnicas: metagenômica e qPCR. A metagenômica é como tirar uma ‘foto panorâmica’ do DNA de todos os organismos que vivem em uma amostra de solo. Em vez de procurar um nematoide por vez, os cientistas analisam a comunidade inteira para entender quem está lá. Já o qPCR (sigla em inglês para teste quantitativo de reação em cadeia da polimerase em tempo real) é uma técnica de alta precisão que ‘fotocopia’ o DNA de um organismo até que ele se torne visível para o computador. O ‘tempo real’ significa que o cientista consegue ver a praga aparecendo na tela enquanto o teste acontece, permitindo saber não só quem é o nematoide, mas quantos deles existem na amostra.
Teste é multiplex, ou seja, possui a capacidade de rodar vários testes ao mesmo tempo em um único tubo de ensaio: ao invés de fazer um exame para o nematoide A, outro para o B e outro para o C, o multiplex detecta todos de uma vez só. Foto: Rodrigo Spyer
O teste é multiplex, ou seja, possui a capacidade de rodar vários testes ao mesmo tempo em um único tubo de ensaio: ao invés de fazer um exame para o nematoide A, outro para o B e outro para o C, o multiplex detecta todos de uma vez só. A inovação substitui métodos morfológicos tradicionais, que são lentos e suscetíveis a erros humanos, por um sistema de alta precisão genética.
A pesquisa foca em espécies agressivas como Heterodera glycines (conhecido como nematóide de cisto da soja), Meloidogyne javanica (nematóide das galhas) e Pratylenchus brachyurus (nematóide das lesões), que ameaçam a sustentabilidade da cultura da soja em Mato Grosso.
Ao decifrar a ‘identidade genética’ específica dos vermes que vivem nas fazendas de Mato Grosso, a universidade constrói um banco de dados molecular inédito. O mapeamento permite a detecção precoce das pragas, facilitando o manejo integrado e reduzindo as perdas econômicas, estimadas em bilhões de reais por safra.
Pesquisadores
O avanço é resultado das pesquisas desenvolvidas por pesquisadores do AraguaiaBiotech, laboratório de Inovação Biotecnológica especializado em genômica e biotecnologia em Nova Xavantina.
A pesquisa é fruto do trabalho elaborado pelo pesquisador Wigis Pereira Peres, biólogo formado pela Unemat, mestre em Imunologia e Parasitologia Básicas e Aplicadas pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e cursando doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia pela Rede Pró-Centro-Oeste, da qual a Unemat faz parte. Wigis é orientado por Joaquim Manoel da Silva, professor da Unemat, doutor em Genética e Biologia Molecular e coordenador do AraguaiaBiotech, que atua tanto na Rede Pró-Centro-Oeste quanto no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação (PPGEC), programa institucional da Unemat. Wigis também é orientado com Paulo Afonso Ferreira, professor da UFMT, doutor em Agronomia e Fitopatologia e colaborador da Rede Pró-Centro-Oeste.
Avanço é resultado das pesquisas desenvolvidas por pesquisadores do AraguaiaBiotech, laboratório de Inovação Biotecnológica especializado em genômica e biotecnologia em Nova Xavantina. Foto: Rodrigo Spyer
A Rede Pró-Centro-Oeste é formada por instituições de ensino e pesquisa dos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal, suas respectivas secretarias de estado de ciência e tecnologia e fundações de amparo à pesquisa. A Rede desenvolve o Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia em Mato Grosso (PPGBBMT), que oferta doutorado acadêmico em rede em diversas cidades do Estado, conquistando Conceito 4 na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O doutorado abrange três linhas de pesquisa: ciência, tecnologia e inovação para sustentabilidade da região Centro-Oeste; bioeconomia e conservação dos recursos naturais; e desenvolvimento de produtos, processos e serviços biotecnológicos.
Já o Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação (PPGEC) possui conceito 5 na Capes e oferece mestrado e doutorado acadêmicos no Câmpus Universitário de Nova Xavantina, com quatro linhas de pesquisa: Ecologia de sistemas e comunidades terrestres; Conservação da biodiversidade; Ecologia e padrões biogeográficos; e Ecologia de sistemas e comunidades de áreas úmidas.
Investimentos em Inovação e Biotecnologia
A Unemat avança na pesquisa de alta complexidade com a expansão do AraguaiaBiotech, que recebeu recentemente um aporte de R$ 4.639.837,31 dos governos Estadual e Federal. Com a nova infraestrutura, a Unemat consolida um polo de biotecnologia no interior de Mato Grosso, conectando o sequenciamento de DNA diretamente às demandas de produtores rurais e empresas de sementes.
AraguaiaBiotech garante descentralização do conhecimento científico, formando especialistas em biologia molecular e bioinformática fora dos grandes centros. Foto: Rodrigo Spyer
A unidade agora integra dados genéticos às características observáveis, permitindo identificar respostas de plantas e microrganismos ao ambiente. O objetivo é fornecer mais soluções para o setor produtivo, como a prospecção de bioinsumos e o diagnóstico preciso da saúde do solo.
Diferente do sequenciamento convencional, a nova estrutura foca no pós-sequenciamento, etapa que valida e interpreta o DNA para aplicações práticas. A tecnologia permite que a Universidade atue como prestadora de serviços tecnológicos para produtores rurais, unindo o monitoramento dos biomas Amazônia e Cerrado à produtividade sustentável de Mato Grosso.
A iniciativa garante a descentralização do conhecimento científico, formando especialistas em biologia molecular e bioinformática fora dos grandes centros. Com o novo suporte tecnológico, a Instituição aumenta a capacidade de resposta a problemas reais do campo, como a adaptação de culturas às variações climáticas e a busca por alternativas biológicas aos insumos químicos.
“Quando você cria infraestrutura, cria também um ambiente: atrai projetos, amplia redes, forma pessoas e aumenta a capacidade de responder rápido a problemas reais. É isso que estamos construindo”, afirma o coordenador do AraguaiaBiotech, Joaquim Manoel da Silva.
O salto tecnológico é viabilizado pelo aporte de R$ 4,6 milhões, fruto de parceria entre a Universidade, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A iniciativa faz parte da estratégia de modernização da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG) da Unemat: o objetivo é converter o conhecimento acadêmico em prestação de serviços tecnológicos, garantindo que a ciência produzida na Unemat auxilie na manutenção de Mato Grosso como líder nacional na produção de grãos com sustentabilidade e soberania tecnológica, consolidando Mato Grosso como referência em tecnologias verdes e inovação biotecnológica.
*Com informações da Universidade do Estado do Mato Grosso.