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#Série – Isso é Patrimônio Mundial: Bolívia

Ao redor do mundo, os Patrimônios Mundiais reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) representam locais considerados de Valor Universal Excepcional por sua importância cultural, natural ou pela combinação de ambas. 

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A Bolívia, país da América do Sul, que compõe a Amazônia Internacional, possui sete patrimônios mundiais reconhecidos pela Unesco. No entanto, apenas dois ficam localizados na região amazônica: o Forte de Samaipata e o Parque Nacional Noel Kempff Mercado.

Além disso, um desses patrimônios integra ainda a Lista do Patrimônio Mundial em Perigo, uma medida que sinaliza locais culturais ou naturais ameaçados por graves riscos.

Adotada pela Unesco em 1972, a convenção do Patrimônio Mundial e Natural classifica os patrimônios culturais e naturais através de monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico e de conservação.

Leia também: Teatro Amazonas e Theatro da Paz entram para lista de Patrimônio Mundial da Unesco

Patrimônios Mundiais na Amazônia 

  • Forte de Samaipata

O Forte de Samaipata é um sítio arqueológico localizado em uma zona de transição entre a Cordilheira dos Andes e a bacia amazônica. De acordo com a Unesco, o local é dividido em duas partes identificadas: a colina com numerosas gravuras, que acredita-se ter sido o Centro Cerimonial, área que contém uma única e enorme rocha esculpida por diferentes povos ao longo dos séculos, e a área ao sul da colina, que formava o distrito administrativo e residencial.

O sítio foi utilizado como centro ritual e residencial pelos povos Mojocoyas desde 300 d.C., momento em que começaram as obras na grande rocha. No século XIV, foi ocupado pelos Incas, que o transformaram em capital provincial, evidenciado por escavações que revelaram uma grande praça central com edifícios públicos monumentais e terraços agrícolas nas encostas, características típicas de assentamentos Incas.

Considerado um dos maiores monumentos cerimoniais pré-colombianos dos Andes e da região amazônica, o sítio preserva gravuras de animais, canais, formas geométricas e elementos ligados a rituais religiosos, constituindo um testemunho único das tradições pré-hispânicas do continente.

O Forte de Samaipata foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1998. 

Patrimônio Mundial da Bolívia
Foto: Alcira Sandoval-Ruiz
  • Parque Nacional Noel Kempff Mercado

O Parque Nacional Noel Kempff Mercado, situado no extremo nordeste do Departamento de Santa Cruz, na fronteira com o Brasil, possui mais de 1,5 milhão de hectares e é considerado um dos maiores e mais preservados parques da Bacia Amazônica. De acordo com a Unesco, a unidade abriga diferentes ecossistemas, que vão do Cerrado às florestas amazônicas, além de milhares de espécies de plantas, centenas de aves e diversas espécies ameaçadas de extinção. 

O Parque Nacional Noel Kempff Mercado foi reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco no ano de 2000. 

Foto: Pattrön/ Unesco

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Outros patrimônios mundiais na Bolívia 

  • Qhapaq Ñan, Sistema Rodoviário Andino

O Sistema Rodoviário Andino é uma extensa rede de estradas construída pelos incas para conectar cidades, centros administrativos, locais religiosos e áreas produtivas. De acordo com a Unesco, o sistema possui mais de 30 mil quilômetros distribuídos por seis países sul-americanos (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru), e demonstra o conhecimento de engenharia desenvolvido pelas populações andinas.

O Qhapaq Ñan, Sistema Rodoviário Andino, foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 2014. 

Foto: Laura R/Tripadvisor
  • Missões Jesuítas dos Chiquitos

As Missões Jesuítas dos Chiquitos, localizadas na região da Chiquitania, foram fundadas entre os séculos XVII e XVIII pela Companhia de Jesus. De acordo com a Unesco, diferentemente de outras missões sul-americanas, essas construções sobreviveram ao longo do tempo e permanecem preservadas. 

As Missões Jesuítas dos Chiquitos foram reconhecidas como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1990. 

Foto: G. Groesbeck
  • Cidade Histórica de Sucre

A Cidade Histórica de Sucre, primeira capital da Bolívia e um dos mais importantes centros coloniais da América do Sul, foi fundada pelos espanhóis em 1538. Segundo a Unesco, a cidade conserva ruas em traçado quadriculado, igrejas centenárias, conventos, edifícios públicos e casarões que refletem a influência de diferentes estilos arquitetônicos europeus, como o renascentista, o barroco e o neoclássico. 

Entre seus principais monumentos está a Casa da Liberdade, onde ocorreram acontecimentos decisivos para a independência boliviana. A Cidade Histórica de Sucre foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1991.

Foto: Robert Cutts
  • Sítio arqueológico de Tiwanaku

O sítio arqueológico de Tiwanaku é considerado um dos principais centros políticos e espirituais das civilizações pré-incas. Localizado próximo ao Lago Titicaca, o complexo reúne templos monumentais, pirâmides, palácios e sofisticados sistemas de drenagem construídos entre os séculos V e X. 

De acordo com a Unesco, o monumento mais imponente de Tiwanaku é a Pirâmide de Akapana, uma pirâmide originalmente composta por sete plataformas sobrepostas com muros de contenção de pedra, que se elevavam a uma altura de mais de 18 metros. 

O Sítio Arqueológico de Tiwanaku foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 2000.

Foto: Martin Gray
  • Cidade de Potosí- Patrimônio Mundial em Perigo 

A Cidade de Potosí, durante o período colonial, tornou-se um dos maiores centros de mineração de prata do mundo. De acordo com a Unesco, o patrimônio preserva minas, barragens, aquedutos, a histórica Casa da Moeda, igrejas e edifícios coloniais que testemunham a riqueza gerada pela exploração mineral e as duras condições impostas aos trabalhadores indígenas submetidos ao sistema de trabalho forçado conhecido como mita. 

A inclusão na lista de patrimônios em perigo busca fortalecer ações de preservação devido à atividade de mineração descontrolada e instável no Cerro Rico. A Cidade de Potosí foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1987, e em 2014 foi inscrita na lista Patrimônio em Perigo.

Foto: Alcira Sandoval-Ruiz

#Série – Isso é Patrimônio Mundial: Brasil 

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Ao redor do mundo, os Patrimônios Mundiais reconhecidos pela pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) representam bens culturais e naturais considerados de Valor Universal Excepcional, ou seja, locais cuja importância ultrapassa as fronteiras de um país e pertence à humanidade como um todo. Esses reconhecimentos têm como objetivo incentivar a preservação de monumentos, centros históricos, paisagens naturais e áreas de grande biodiversidade, garantindo que essas riquezas sejam protegidas e transmitidas às futuras gerações.

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A convenção do Patrimônio Mundial e Natural foi adotada em 1972, pela Unesco, e, de acordo com sua classificação, os patrimônios culturais e naturais são compostos por monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico, de conservação ou estético excepcional e universal.

De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, para receber esse reconhecimento, cabe aos países que fazem parte do acordo, indicar bens culturais e naturais a serem inscritos na Lista do Patrimônio Mundial. As candidaturas são avaliadas pelos órgãos assessores da Convenção (Icomos e IUCN) e sua aprovação final é feita, anualmente, pelo Comitê do Patrimônio Mundial, composto por representantes de 21 países. 

Atualmente, o Brasil possui 26 patrimônios distribuídos por diferentes regiões, e três deles estão localizados na Amazônia. Esse reconhecimento reforça o papel da Amazônia como um território de valor inestimável, cuja conservação é fundamental não apenas para o Brasil, mas para todo o planeta.

Leia também: Pesquisador do Inpa recebe reconhecimento internacional pelo impacto de sua produção científica na Amazônia

Patrimônios Mundiais na Amazônia

  • Teatros da Amazônia

Os Teatros da Amazônia reúnem dois importantes conjuntos arquitetônicos construídos durante o Ciclo da Borracha: o Teatro da Paz e a Praça da República, em Belém, no Pará, e o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião, em Manaus, no Amazonas. De acordo com a Unesco, esses espaços foram erguidos entre 1879 e 1912, período conhecido como a ‘Idade de Ouro’ da Amazônia, quando a economia da borracha impulsionou o crescimento urbano das duas capitais.

Inaugurados em 1878 e 1896, respectivamente, o Teatro da Paz e o Teatro Amazonas foram inspirados na arquitetura francesa e europeia, e receberam elementos decorativos que remetem à natureza amazônica. Além de seu valor arquitetônico, representam um importante legado cultural da Amazônia brasileira.

Os teatros foram reconhecidos pela Unesco como Patrimônio Mundial em 2026.

  • Complexo de Conservação da Amazônia Central

O Complexo de Conservação da Amazônia Central é considerado pela Unesco a maior área protegida da Bacia Amazônica, com mais de seis milhões de hectares. O patrimônio reúne o Parque Nacional do Jaú, o Parque Nacional de Anavilhanas, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

A área abriga uma diversidade de ecossistemas, como florestas de terra firme, várzea, igapó, rios, lagos e canais, além de espécies ameaçadas de extinção, como o peixe-boi-da-amazônia, o pirarucu, o jacaré-açu e duas espécies de botos. 

O Complexo foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2000.

  • Centro Histórico de São Luís (MA)

De acordo com a Unesco, o Centro Histórico de São Luís foi fundado pelos franceses e posteriormente ocupado por holandeses e portugueses. O lugar preserva o traçado urbano original do século XVII, e é conhecido pelos casarões coloniais revestidos de azulejos portugueses e pela adaptação da arquitetura às condições climáticas da Amazônia Oriental. 

O centro histórico da cidade foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1997.

Foto: Lyssuel Calvet
  • Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

Localizada no litoral leste do Maranhão, em uma zona de transição entre a Amazônia, o cerrado e a Caatinga, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses abrange uma área 156.562 hectares, dos quais cerca de 90.000 hectares são compostos por um extenso campo de dunas com lagoas temporárias e permanentes. De acordo com a Unesco, a vegetação do parque é composta por formações pioneiras de restinga, manguezais e comunidades aluviais que, juntamente com ambientes marinhos e de água doce, são fundamentais para a conservação da diversidade de espécies. 

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2024.

Foto: dri Felden/ Argosfoto

Leia também: Teatro Amazonas e Theatro da Paz entram para lista de Patrimônio Mundial da Unesco

Patrimônios Mundiais do Brasil

Além do Patrimônios Mudiais localizados na Amazônia, o Brasil também possui reconhecimentos em outras regiões do país. Confira a lista de todos os Patrimônios Mundiais do Brasil:

Novo álbum de Anitta, Equilibrium II, faz referência a povos indígenas da Amazônia 

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Anitta e indígena no videoclipe de ‘Oke’, do álbum Equilibrium II. Foto: Reprodução/Youtube- Anitta

O álbum Equilibrium II, da cantora Anitta, dedica uma música em homenagem aos povos indígenas brasileiros na faixa ‘Oke’, que encerra o álbum com uma proposta de unir ancestralidade, tecnologia e diversidade cultural. Segundo a própria artista, a música foi criada para celebrar os povos originários e conta com a participação dos Bros MCs, grupo indígena de rap, e da rapper e cantora Katú Mirim.

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Na apresentação da faixa, em um vídeo publicado em seu canal do Youtube (abaixo), Anitta afirma que o videoclipe traz uma ‘rave indígena’, reunindo pessoas de diferentes povos, corpos e culturas em um ambiente que mistura elementos da natureza, da tecnologia e da sabedoria ancestral. A cantora também destaca referências à força da floresta, à espiritualidade de Oxóssi e à valorização do conhecimento indígena contemporâneo.

“Não existe outra maneira de usar a tecnologia, a inteligência artificial e toda evolução das máquinas se não for com a sabedoria ancestral das matas, das florestas e dos povos indígenas. Quando misturamos as duas coisas, temos a excelência, o equilíbrio perfeito. Então a gente termina o álbum com essa faixa super potente “, afirmou a cantora.

Povos indígenas da Amazônia que são citados em Equilibrium ll

Povo Ticuna (maior população indígena da Amazônia brasileira)

Os Ticuna, também grafados como Tikuna, são originários da região do Alto Solimões, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. No território brasileiro, concentram-se principalmente nos municípios amazonenses de Tabatinga e São Paulo de Olivença, formando a maior etnia indígena da Amazônia.

Leia também: Artesãos do Amazonas assinam adereços usados por Anitta em EQUILIBRIVM II

Álbum de Anitta, Equilibrium II, faz referência a povos indígenas da Amazônia 
Balada indígena representada no videoclipe da música ‘Oke’, do álbum Equilibrium II. Foto: Reprodução/Youtube-Anitta

De acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), os Ticuna constituem o povo indígena mais numeroso da Amazônia brasileira, com uma história marcada pela invasão de seringueiros, pescadores e madeireiros na região do rio Solimões. Segundo seus mitos de origem, o povo surgiu no igarapé Eware, localizado entre Tabatinga e São Paulo de Olivença.

Povo Mura

Outro povo citado é o Mura, cuja ocupação abrange as bacias dos rios Madeira, Amazonas e Purus, no estado do Amazonas. De acordo com o Instituto Socioambiental, os Mura ocupam mais de 40 Terras Indígenas, mantendo sua presença histórica em regiões do Amazonas como Autazes, Borba, Manaus, Careiro da Várzea, Manaquiri, Manicoré e Novo Aripuanã.

Povos Turiwara e Guajajara

Também aparece na música ‘Oke’, do álbum Equilibrium II, o povo Turiwara, originário do nordeste do Pará, especialmente dos municípios de Tomé-Açu e da região do Vale do Acará.

Já os Guajajara habitam a margem oriental da Amazônia, no estado do Maranhão. De acordo com o Instituto Socioambiental, o povo guajajara são um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil e ocupam mais de dez Terras Indígenas na região central do estado. 

Povo Yanomami

Os Yanomami, outro povo mencionado no álbum Equilibrium II, vivem na floresta tropical situada entre o Brasil e a Venezuela, ocupando a maior Terra Indígena do país, distribuída entre os estados de Roraima e Amazonas. De acordo com o Instituto Socioambiental, o povo Yanomami constitui uma sociedade de caçadores-agricultores da floresta amazônica e ocupam aproximadamente 192 mil quilômetros quadrados na região de fronteira entre Brasil e Venezuela. 

Povos Kayapó e Munduruku 

O povo Kayapó vive no sul do Pará e no norte do Mato Grosso, em uma extensa área de transição entre o Cerrado e a Amazônia, principalmente nas bacias dos rios Iriri, Bacajá e Fresco, afluentes do rio Xingu.

Já o povo Munduruku ocupa principalmente a bacia do rio Tapajós, distribuídos pelos estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso. De acordo com o Instituto Socioambiental, os Munduruku ficaram conhecidos historicamente como um povo de tradição guerreira e concentraram sua ocupação no chamado Vale do Tapajós, região anteriormente conhecida como ‘Mundurukânia’. 

Povo Ashaninka

Entre os povos lembrados por Anitta no álbum Equilibrium II, também estão os Ashaninka, que vivem entre o Acre e o Peru. De acordo com o Instituto Socioambiental, a maior parte do povo ashaninka está localizado na Amazônia peruana, enquanto, no Brasil, concentra-se principalmente na região do Alto Juruá.

Povos Kalapalo e Macuxi

A música também faz referência ao povo Kalapalo, que vive na região do Alto Xingu, no Mato Grosso, e aos Makuxi, habitantes da região do Monte Roraima, entre Brasil, Guiana e Venezuela. No Brasil, os Makuxi concentram-se principalmente na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

Assista ao videoclipe da música ‘Oke’, do ábum equilibrium II:

Leia também: Arte indígena Karipuna do Amapá é usada por Anitta em novos clipes musicais

Participação de artistas indígenas reforça protagonismo no projeto

Além de citar diversos povos originários na letra de ‘Oke’, Equilibrium II também aposta na participação de artistas indígenas no videoclipe. A proposta vai além da representação simbólica e busca dar espaço para que indígenas sejam protagonistas da narrativa construída pela produção.

Em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, o influenciador indígena Victor Peroná, afirma que o álbum Equilibrium II se diferencia por colocar pessoas indígenas no centro da produção artística, em vez de utilizá-las apenas como referência estética.

“Mais do que uma música, ela apresenta uma imagem que quase nunca nos permitiram estar. A da alegria, a da celebração, a da felicidade da nossa existência. Isso parece ser muito simples, mas faz toda a diferença”, destacou o influenciador. 

Outro ponto destacado por ele é que o álbum Equilibrium II valorizou profissionais indígenas em diferentes etapas da produção. Além dos cantores, o videoclipe reúne atores, dançarinos, artistas visuais e utiliza roupas e acessórios produzidos por indígenas, ampliando a visibilidade desses profissionais para um público nacional e internacional.

Cantora indígena Kaê Guajajara no videoclipe de ‘Oke’, do álbum Equilibrium II. Foto: Reprodução/Youtube-Anitta

Entre os nomes que aparecem no videoclipe está a artista indígena amazônida Kae Guajajara, uma das representantes da nova geração de artistas indígenas brasileiros. Natural do Maranhão e pertencente ao povo Guajajara, ela desenvolve sua trajetória artística voltada para a valorização dos povos originários e da Amazônia. 

Vezes em que Anitta visitou terras indígenas 

A primeira vez em que Anitta esteve presente em uma Terra Indígena foi em 2025, quando visitou a aldeia Kuikuro no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso. Na ocasião, a cantora participou da cerimônia Kuarup, conversou com um dos líderes indígenas e recebeu pinturas tradicionais pelo corpo como apoio ao povo.  

Top usado por Anitta durante encontro foi feito por indígenas do Amazonas. Foto: Reprodução/ g1 Am

Além da visita a aldeia Kuikuro, Anitta também visitou a aldeia Piaraçu (Terra Indígena Capoto-Jarina). Durante o passeio, a cantora usou peças artesanais feitas por indígenas do Amazonas e conversou o líder histórico Cacique Raoni.

Gospelmente Festval: música, missão e ações sociais para comunidades ribeirinhas do Amazonas

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Lançamento do ‘Gospelmente Festval’. Foto: André Freitas

Manaus (AM) receberá, no dia 14 de novembro, na praia da Ponta Negra, o ‘Gospelmente Festval‘, um evento com a proposta de reunir igrejas, missionários, influenciadores cristãos, artistas e voluntários de diferentes partes do Brasil em favor das comunidades ribeirinhas do Amazonas. Idealizado pelo amazonense Gesson Nunes, criador do perfil de conteúdo cristão ‘Gospelmente’ (com quase 4 milhões de seguidores nas redes sociais), o evento foi lançado oficialmente nesta quinta-feira, dia 23 de julho, durante um coquetel que reuniu  missionários, líderes religiosos, influenciadores, representantes da imprensa e autoridades.

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Durante o evento de lançamento, os organizadores confirmaram a participação de duas atrações nacionais: o cantor Thalles Roberto, um dos principais nomes da música gospel brasileira, e o casal de influenciadores cristãos Rayssa e Esdras Buq.

Segundo o organizador do Gospelmente Festval, Nailton Campos, outras atrações nacionais serão anunciadas até o início de novembro, completando uma programação com oito artistas, além de pregadores nacionais e locais, músicos amazonenses e apresentações teatrais.

Ações sociais e aproximação com a realidade amazônica

Além da programação artística, a proposta do ‘Gospelmente Festval’ é colocar a missão cristã no centro do evento, com a arrecadação de alimentos e recursos financeiros para fortalecer projetos missionários desenvolvidos no interior do Amazonas. A entrada será mediante a doação de um quilo de alimento não perecível, mas as ações começam antes mesmo do festival. 

De acordo com Gesson Nunes, missionários de diversas regiões do Brasil serão convocados para participar de ações sociais no interior do Amazonas, levando atendimento médico, distribuição de cestas básicas, evangelização e apoio a projetos já desenvolvidos por igrejas e organizações locais. Segundo ele, o evento surge em um momento de preocupação com a previsão de uma nova estiagem severa na região amazônica.

“Nosso principal objetivo é ajudar famílias ribeirinhas. A previsão de estiagem deste ano é preocupante e queremos nos preparar para atender essas comunidades. A intenção é arrecadar alimentos e mobilizar missionários do Brasil inteiro para realizar ações sociais. Eu sempre digo que é impossível amar alguém sem conhecer a realidade dessa pessoa. Não queremos apenas que as pessoas façam doações, queremos que venham ao Amazonas, conheçam as comunidades e entendam os desafios enfrentados pelos ribeirinhos“, explica. 

Gesson Nunes, idealizador do Gospelmente Festval. Foto: André Freitas

Leia também: Indígena conta como evangelização no Alto Rio Negro o levou a se tornar padre

Segundo ele, a Amazônia desperta cada vez mais interesse nacional, atenção que também deve servir para revelar as dificuldades vividas pelas populações tradicionais. “A Amazônia está na moda. Mas o que nunca deveria estar na moda são as dificuldades enfrentadas pelas comunidades ribeirinhas. Queremos transformar essa visibilidade em esperança”, afirma.

Gesson destaca que projeto começou dentro de uma comunidade do interior do Amazonas, e hoje alcança mais de 150 milhões de pessoas por mês nas redes sociais.

“Quero que outras crianças e adolescentes da Amazônia olhem para essa história e entendam que também podem viver algo extraordinário”, defende. 

Atrações confirmadas

Além das atrações nacionais, Nailton Campos confirmou a participação da CIA Besaliel, companhia artística que realizará a abertura do Festval. Para o diretor da companhia, Calebe Mar, o principal objetivo da apresentação teatral é despertar uma nova geração para o trabalho missionário.

Lançamento do Gospelmente Festval
Lançamento do Gospelmente Festval. Foto: André Freitas

“Nossa maior expectativa é conseguir inspirar mais jovens a entregarem suas vidas pela causa do Evangelho. Já enviamos missionários para diversos países e também para o interior do Amazonas. Queremos que esse evento desperte novos chamados missionários, especialmente para as comunidades ribeirinhas”, almeja. 

Prêmio Professor Samuel Benchimol: incentivo para ideias que transformam a Amazônia há 20 anos

Prêmio Samuel Benchimol busca promover a reflexão e incentivar ações voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Foto: Divulgação/FIETO

Criado para incentivar pesquisas, projetos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia, o Prêmio Professor Samuel Benchimol se consolidou, ao longo de duas décadas, como uma das principais iniciativas de valorização da ciência, do empreendedorismo e da inovação na região.

A premiação foi criada com o objetivo de manter vivo o legado de Samuel Isaac Benchimol, considerado um dos maiores pensadores da Amazônia, e estimular a produção de conhecimento capaz de enfrentar os desafios amazônicos.

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A iniciativa foi instituída em 2003, um ano após a morte de Samuel Benchimol, e surgiu em um momento em que o Brasil discutia a necessidade de ampliar investimentos em ciência, inovação e políticas públicas voltadas para a região amazônica, segundo a organização da premiação.

Naquele contexto, a região enfrentava desafios históricos, como dificuldades logísticas, baixa renda, desigualdades sociais, baixa escolaridade, concentração urbana, êxodo rural e exclusão social.

Na área de ciência e tecnologia, a Amazônia também registrava baixa participação em grupos de pesquisa, reduzido número de pesquisadores, doutores e programas de pós-graduação credenciados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), evidenciando a necessidade de incentivar estudos e soluções voltados às demandas locais.

Diante desse cenário, o então Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) criou uma premiação destinada a reconhecer pesquisadores, empreendedores, instituições e gestores públicos que desenvolvessem soluções inovadoras para o desenvolvimento da região.

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Prêmio Professor Samuel Benchimol
Fotos: Ageu Valadares / FIEAM

Leia também: Prêmios dedicados ao desenvolvimento sustentável da Amazônia abrem inscrições para edição 2026

Segundo a organização do prêmio, a escolha do nome de Samuel Benchimol representa o reconhecimento de sua contribuição para o pensamento amazônico.

“Samuel Isaac Benchimol foi um grande pensador da Amazônia, deixando uma contribuição inestimável para o entendimento de suas potencialidades e desafios. Após seu falecimento, em 2002, tornou-se ainda mais evidente a relevância de uma reflexão constante e colaborativa sobre a região”, pontuam.

De acordo com a curadora dos Prêmios Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente, Lillian Alvares, a necessidade de intensificar as ações para o desenvolvimento sustentável da Amazônia norteou a criação do prêmio, e a escolha do nome de Samuel Benchimol, pesquisador e empresário inovador, autor de mais de 100 trabalhos de repercussão internacional, dignifica essa iniciativa.

“Em todos os seus trabalhos ele defendeu a importância da Região Amazônica no contexto do desenvolvimento nacional e a necessidade do desenvolvimento sustentável, respeitando o que ele definiu como os quatro paradigmas fundamentais para o desenvolvimento da Amazônia: ser economicamente viável, ecologicamente adequado, politicamente equilibrado e socialmente justo”, explica.

Jaime Benchimol, filho de Samuel Benchimol, afirma que a permanência do prêmio ao longo de mais de duas décadas é também uma forma de manter vivo o legado do pai:

“Dizem que só morremos de verdade quando somos esquecidos. Tenho a felicidade de constatar que o pensamento e a obra de Samuel Benchimol permanecem relevantes e atuais para a Amazônia. Seu nome segue presente em discussões, fóruns e simpósios sobre a região, e o prêmio tem cumprido um papel fundamental em divulgar e reviver, a cada ano, as suas ideias”.

Foi nesse contexto que, afirma a organização, surgiu o Prêmio Professor Samuel Benchimol, com a missão de incentivar projetos capazes de transformar conhecimento em soluções para a população amazônica.

Desenvolvimento sustentável como princípio

Muito antes de o conceito de sustentabilidade ganhar destaque internacional, Samuel Benchimol já defendia que o crescimento da Amazônia deveria respeitar os já citados quatro princípios fundamentais, pilares que continuam orientando a premiação até hoje.

De acordo com o histórico, estão entre os objetivos do prêmio: promover a reflexão e ações sobre o desenvolvimento sustentável na região amazônica, estimular a interação entre setores governamentais, empresariais, acadêmicos e sociais, e apoiar a implementação de políticas públicas e projetos alinhados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à redução das desigualdades e da extrema pobreza na região.

Samuel em sua posse na Academia Amazonense de Letras. Foto: Reprodução/Academia Amazonense de Letras

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Assim, ao reforçar a importância do legado deixado pelo pai, Jaime destaca que Samuel marcou a Amazônia em diferentes áreas do conhecimento e do empreendedorismo.

“Samuel Benchimol foi, ao mesmo tempo, professor, pensador, escritor e empresário, e em cada uma dessas dimensões deixou marcas profundas. Como professor, suas turmas eram disputadas pelos alunos: ele ensinava com um sorriso nos lábios, traduzindo a imensa satisfação de falar sobre a Amazônia, região à qual dedicou o seu tempo e a sua vida. Publicou mais de 110 artigos e livros sobre a economia, a geografia, a história e a sociologia amazônicas, contribuindo de forma decisiva para o pensamento sobre a região”, descatou.

Ele também ressalta que, para ele, “seu maior legado talvez esteja nos valores que deixou: integridade, respeito, energia, economia e melhoria contínua. Esses princípios continuam vivos no diagrama cultural dessas organizações e seguem servindo de norte e de inspiração para a família e para as empresas”.

Rede de instituições em favor da Amazônia

Desde sua criação, o prêmio contou com o apoio de importantes instituições nacionais. Segundo o documento, a iniciativa foi estruturada com a participação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Ação Pró-Amazônia, do Sebrae e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

Segundo Lillian Alvares, apesar de ter sido instituída em 2003, a primeira edição só foi realizada em 2004, na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM). “Para fortalecer a iniciativa, o Banco da Amazônia, patrocinador desde a primeira edição, uniu-se ao prêmio em 2009 com o Prêmio Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente. A partir dessa parceria, foi constituída a maior premiação dedicada à Amazônia”.

Atualmente, a premiação é realizada pela CNI, pelas Federações das Indústrias da Região Amazônica e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT).

Mais de vinte anos incentivando soluções

Ao longo de mais de duas décadas, o Prêmio Samuel Benchimol tornou-se referência nacional na valorização de iniciativas voltadas para a Amazônia. De acordo com o histórico da premiação, mais de quatro mil projetos já foram inscritos, reunindo propostas de várias partes do Brasil e contemplando áreas como pesquisa científica, empreendedorismo, inovação, desenvolvimento social, sustentabilidade e tecnologia.

Na avaliação de Jaime Benchimol, o que mais deixaria o pai orgulhoso seria ver o interesse de pesquisadores e empreendedores em contribuir com o desenvolvimento da região.

“Penso que o que mais o deixaria orgulhoso seria constatar o crescente número de interessados em participar do prêmio, vindos de diferentes estados e até de outros países. Meu pai valorizava profundamente o reconhecimento do talento e do mérito. Ele certamente ficaria satisfeito em ver ideias inovadoras sendo colocadas em prática na região, por meio da atuação de empreendedores e investidores comprometidos com o desenvolvimento”.

Foto: Reprodução/IBICT

De acordo com ele, o prêmio também conseguiu transformar o legado de Samuel Benchimol em inspiração para novas gerações. Além disso, a nova fase da premiação, agora sob a curadoria de Lillian Alvares, busca ampliar o impacto dessas iniciativas.

“Neste novo ciclo, sob a curadoria da professora Lillian Alvarez, a prioridade será impulsionar essas iniciativas para que se consolidem como empresas de produtos e serviços, ampliando seu impacto e contribuindo de forma mais direta para o desenvolvimento da sociedade amazônica”, concluiu.

Clarice Lispector morou em Belém? Conheça a história da passagem da escritora pela capital paraense 

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Clarice Lispector no Largo da Pólvora, atual Praça da República. Foto: Reprodução/Biografia Clarice Lispector

Você sabia que Clarice Lispector viveu um período de sua trajetória em Belém, no Pará? A passagem pela capital paraense durou apenas seis meses, em 1944, mas foi marcada por acontecimentos importantes em sua vida pessoal e literária, já que foi na cidade que a escritora acompanhou a recepção de seu romance de estreia, ‘Perto de um Coração Selvagem’, e escreveu parte de ‘O Lustre’, sua segunda obra publicada.

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De acordo com o historiador Aldrin Moura de Figueiredo, que foi diretor do Centro de Memória da Amazônia da Universidade Federal do Pará, a estadia da escritora em Belém aconteceu em um contexto diretamente ligado à Segunda Guerra Mundial. 

“A Clarice tinha 23 anos e era casada com o diplomata Maury Gurgel. Ela veio para acompanhar o marido, que era o representante diplomático brasileiro, e que fazia a ligação entre o Itamaraty e as autoridades americanas no contexto da guerra”, afirmou o historiador ao Portal Amazônia

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Clarice Lispector e Maury Gurgel. Foto: Reprodução/Site Clarice Lispector

Aldrin explica que naquele período Belém ocupava uma posição estratégica para os Aliados durante a guerra, já que a Base Aérea de Val-de-Cans funcionava como um importante ponto de apoio militar na América do Sul, o que justificava a presença de diplomatas brasileiros e americanos na cidade.

Após a passagem por Belém, o casal seguiu para a Itália, onde Maury Gurgel continuaria sua atuação diplomática ainda no contexto da guerra.

Uma jovem escritora descobrindo Belém

Embora tenha permanecido pouco tempo na cidade, Clarice aproveitou a estadia para conhecer diversos espaços culturais da capital paraense. De acordo com Figueiredo, a própria escritora registra parte dessa rotina em suas crônicas e, durante os meses em Belém, ela frequentou o Theatro da Paz, visitou a Biblioteca Pública do Pará e circulou por diferentes lugares da cidade.

Segundo o historiador, Clarice também estabeleceu contato com importantes nomes da cultura paraense, como Rui Barata e Inocêncio Machado Coelho. No entanto, foi com o professor e crítico literário Francisco Paulo Mendes que ela desenvolveu uma amizade mais próxima.

“Ela teve grande afeição pelo professor Francisco Paulo Mendes e tinha enorme admiração pela cultura dele”, afirma Figueiredo.

Na época, Paulo Mendes tinha cerca de 33 anos e já era reconhecido em Belém como professor de literatura, crítico literário e crítico de arte. Mais tarde, ele se tornaria um dos fundadores do curso de Letras da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Belém e o nascimento de uma grande escritora

Segundo Aldrin de Figueiredo, quando ela chegou a Belém, o seu livro ‘Perto de um Coração Selvagem’ havia acabado de ser lançado, e foi na capital paraense que a autora acompanhou as primeiras repercussões da obra na imprensa brasileira. “Ela acompanhou daqui a recepção do romance pelos jornais do Rio de Janeiro, de São Paulo e também pelos jornais de Belém”, explica.

Além disso, ainda de acordo com o historiador, foi durante a hospedagem no antigo Hotel Central que Clarice escreveu parte de ‘O Lustre’, livro publicado em 1946 que é considerado seu segundo romance.

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Antigo Hotel Central onde Clarice Lispector ficou hospedada. Foto: Reprodução/Facebook-@nostalgiabelém

Apesar disso, o historiador avalia que não há evidências de que Belém tenha influenciado diretamente a ficção produzida pela escritora.

“Desconheço que essa passagem apareça nos romances dela. Nas crônicas, sim. Mas acho que Belém não influenciou diretamente a obra literária de Clarice”, afirma.

Para ele, a experiência teve maior impacto nas lembranças pessoais e na visão que a autora construiu sobre o Brasil.

Belém foi acolhedora 

Embora estivesse longe da família e vivendo uma fase de constantes mudanças por causa da carreira diplomática do marido, Clarice encontrou acolhimento em Belém.

Segundo Figueiredo, a escritora era muito jovem naquele momento e chegou à cidade em um contexto bastante diferente do atual, quando as viagens pelo país eram mais difíceis e as diferenças regionais ainda eram pouco conhecidas pelos brasileiros.

“Ela gostou muito da passagem por Belém. Apesar de ser muito jovem e, às vezes, sentir-se sozinha, foi muito acolhida pela cidade e guardou boas recordações, especialmente da amizade com Francisco Paulo Mendes”, destaca.

Fotografias e documentos preservam essa história

Parte da memória dessa passagem ainda pode ser encontrada em arquivos e registros históricos. De acordo com Aldrin, existem cartas de Clarice Lispector preservadas na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. 

Além disso, o filósofo e crítico literário Benedito Nunes, considerado um dos maiores intérpretes da obra da escritora, escreveu textos sobre esse período vivido em Belém. 

O historiador também lembra que existem fotografias da autora na cidade: “Eu mesmo publiquei uma fotografia feita por Lourdes Oliveira em que ela aparece na frente da Biblioteca Pública. Existe também uma imagem bastante conhecida dela na Praça da República”.

Clarice Lispector em Belém
Clarice Lispector em frente a biblioteca pública de Belém. Foto: Reprodução/Facebook-@Aldrinmouradefigueiredo

Um capítulo pouco conhecido da literatura brasileira

Apesar da importância desse momento na trajetória de Clarice Lispector, a relação da escritora com Belém ainda é pouco conhecida pelo grande público. Na avaliação de Aldrin de Figueiredo, esse desconhecimento não acontece apenas com Clarice, já que diversos escritores e artistas brasileiros tiveram passagens marcantes pela capital paraense, mas que acabaram ficando à margem da memória coletiva.

O historiador cita exemplos como Raquel de Queiroz, que passou parte da infância em Mosqueiro, além do pintor Ismael Nery, cuja ligação com Belém ainda surpreende pesquisadores. Para Aldrin, o interesse costuma se concentrar mais nas obras dos escritores do que nos lugares por onde passaram.

“Belém não costuma ser associada a um período da vida da Clarice. O que mais chama atenção dos estudiosos é a obra dela, não necessariamente o lugar onde ela estava escrevendo”, conclui.

Como é subir na torre da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Parintins? Assista!

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Catedral de Nossa Senhora do Carmo. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

A Torre da Catedral de Nossa Senhora do Carmo é um dos principais pontos turísticos de Parintins (AM), por reunir história, religiosidade e uma das vistas mais privilegiadas da Ilha Tupinambarana. Com 42 metros de altura e 162 degraus, a estrutura oferece uma visão panorâmica da cidade, do Rio Amazonas e das ruas que ganham vida durante o Festival Folclórico.

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A construção da catedral do Carmo foi iniciada na década de 1960 e concluída em 31 de maio de 1981, com a finalização da torre, assinada pelo construtor José Ribeiro e orientada pelo engenheiro parintinense Simão Assayag. Durante o Festival Folclórico, em junho, e a Festa da Padroeira, celebrada em julho, a torre permanece aberta à visitação, tornando-se um dos passeios mais procurados por turistas e moradores. 

Leia também: Você sabe como a Catedral de Nossa Senhora do Carmo influenciou o Festival de Parintins?

Catedral de Nossa Senhora do Carmo. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

De acordo com a secretária da Catedral, Graziele Ribeiro Belém, um detalhe que chama a atenção de quem visita o local é o toque dos sinos. “Quando toca o sino, a torre treme. Inclusive eu já passei por essa experiência. Não é uma experiência muito boa, mas é interessante estar lá quando isso acontece. Normalmente a gente avisa os visitantes que ao meio-dia os sinos vão tocar por causa da missa”, contou. 

A visitação acontece das 8h às 21h durante a semana do Festival Folclórico, com funcionamento contínuo, sem interrupção para o horário de almoço.

Leia como foi a experiência da subida na torre da Catedral: 

Quando recebi a missão de subir a torre da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Parintins, confesso que a minha primeira reação foi de receio. Não sou exatamente uma pessoa muito atlética e subir 162 degraus parecia um desafio e tanto, mesmo assim, decidi encarar.

Era a minha primeira vez em Parintins, para trabalhar durante o Festival, e, antes mesmo de chegar à cidade, já tinha ouvido falar da vista privilegiada que a torre oferece. Então imaginei como seria observar a Ilha Tupinambarana do alto e, aquele momento era a oportunidade de viver essa experiência.

A subida começou tranquila, quase me fazendo acreditar que seria mais fácil do que eu imaginava. Depois de alguns lances de escada meu corpo lembrou que 162 degraus não são pouca coisa e o calor dentro da torre (misturado com meu zero nível de atletismo) fez o cansaço começar a aparecer e o fôlego começar a faltar e eu não via a hora de chegar ao topo. 

minha experiência durante a subida na torre da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Parintins
Minha experiência durante a subida na torre da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Parintins. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

E, para tornar a missão ainda mais intensa, eu não subi apenas uma vez, já que como estávamos gravando material (assista o vídeo no final), eu tinha que subir e descer várias vezes em alguns trechos, então acho que foram pelo menos uns 200 degraus.

Um dos momentos que mais me deixou apreensiva aconteceu quando a escada de concreto deu lugar à antiga estrutura de madeira. Antigamente toda a escadaria era de madeira, mas precisou ser trocada por concreto após uma parte desabar. No entanto, uma pequena parte no meio do trajeto continuou preservada, por isso confesso que atravessei aquele trecho com bastante cuidado e um certo frio na barriga. 

Apesar disso, a companhia dos meus colegas deixou a subida mais agradável, e a gravação aconteceu em meio a risadas e comentários divertidos e, embora cansativa, posso dizer que valeu a pena (e até a galinha inteira, como dizem). Quando finalmente alcancei o topo, todo o esforço fez sentido.

Minha experiência durante a subida na torre da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Parintins. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Foi muito bom chegar ao topo, sentir o vento finalmente e poder ver Parintins inteira. Confesso que horário que fomos ajudou um pouco na vista. Era por volta das 18h e o rio e a cidade refletiam o laranja do pôr do sol, tornando a vista ainda mais impressionante. 

Parintins do alto da torre da Catedral do Carmo. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

Lá de cima, além da vista, é possível conhecer o sino centenário da torre (que inclusive, sem querer, bati a minha cabeça nele). De lá, gravamos o material que precisávamos e aproveitamos para “blogueirar” um pouco e fazer fotos e vídeos pessoais, já que seria impossível estar diante daquela paisagem e não registrar o momento.

A descida foi bem mais rápida. O cansaço já tinha ido embora e a sensação de alívio tomava conta da gente, afinal foram muitos degraus vencidos com sucesso.

No total são 162 degraus! Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

No fim do dia, percebi que subir a torre da Catedral do Carmo foi muito mais do que cumprir uma pauta de trabalho, foi uma oportunidade de superar um desafio, conhecer Parintins por um novo ângulo e viver um daqueles momentos que ficam guardados na memória. É verdade que a subida exige preparo, disposição e algumas pausas para respirar, mas também é verdade que, ao chegar ao topo, qualquer esforço parece pequeno diante da paisagem. A vista recompensa cada degrau, cada gota de suor e cada momento de cansaço.

E o que as outras pessoas pensam ?

A parintinense que atualmente mora em Nhamundá, Marisa Sarraf contou que visitar a torre era um sonho antigo, já que durante anos não conseguiu incluir o passeio em seus roteiros pela cidade. Em 2026, ela conseguiu realizar o passeio, e segundo ela, a subida foi desafiadora, mas também representou um momento de fé.

 “Foi muito cansativo, estou com as pernas tremendo, mas valeu a pena. Além de tudo, você tem uma vista para todos os ângulos da nossa cidade, pode contemplar o Amazonas lindo e ver a cidade maravilhosa vestida de azul e branco, vermelho e branco. Então é um convite para que todos façam essa experiência”. 

O turista José Bismarck visitou a torre pela segunda vez, e contou que já havia ido ao local durante uma viagem de trabalho, quando servia à Marinha, mas desta vez voltou acompanhado da família. De acordo com ele, quem puder fazer o passeio deve vivenciar a experiência pelo menos uma vez na vida.

“Foi um pouco cansativo, até porque eu estava acompanhando minha filha, mas é muito prazeroso. A vista lá de cima compensa todo o desgaste físico de subir. São mais de 160 degraus, mas vale a pena chegar lá em cima e ver toda a ilha”, assegurou.

Chontaduro, cachipay e pijuayo: descubra a variedade de nomes da pupunha além da Amazônia

Chontaduro, cachipay ou pijuayo. Foto: Reprodução/História da Planta

Você sabia que a pupunha pode ser encontrada em outros países além do Brasil, mas com outro nome? Rica em fibras, vitaminas e muito presente na alimentação amazônica, a fruta é um dos símbolos da região Norte do Brasil. No entanto, basta atravessar as fronteiras da Amazônia para descobrir que ela muda de nome, embora continue sendo exatamente a mesma espécie.

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Conhecida cientificamente como Bactris gasipaes, a pupunha é uma palmeira nativa das florestas tropicais da América do Sul e da América Central. De acordo com os registros do site História da planta, mantido pela bióloga Glória Pinto e pela jornalista Ana Paula Souza, a pupunha foi domesticada pelos povos indígenas há cerca de quatro mil anos, e está presente em praticamente toda a Amazônia e em outros países da região, como Colômbia, Peru, Equador, Venezuela, Bolívia, Costa Rica, Panamá, Nicarágua, Honduras e Guiana Francesa. 

Em cada território, recebeu um nome próprio, resultado da influência das línguas indígenas, da colonização e das tradições culturais de cada povo. 

Os vários nomes da ‘pupunha’

No Brasil, ela é conhecida como pupunha e faz parte do cotidiano amazônico. Seu nome remete tanto ao fruto quanto à palmeira, pupunheira, que também é amplamente cultivada para a produção de palmito.

Na Colômbia e no Equador, a fruta recebe principalmente o nome de ‘chontaduro’, embora também seja chamada de ‘cachipay’ em algumas regiões.

O chontaduro colombiano é cultivado e processado pela Associação de Produtores Agrícolas de Cacau e Chontaduro (APACH), e é produzido nas regiões de Cuatro Esquinas, El Tambo e Cauca, conhecida por produzir a variedade mais apreciada da Colômbia.

Leia também: #Série l Superfrutas da Amazônia: pupunha, o fruto tradicional da Amazônia

Chontaduro, cachipay, pijuayo e a variedade de nomes da pupunha
Suco de chontaduro colombiano. Foto: Reprodução/Instagram-@williamtricolor_

No Peru, o fruto é chamado de ‘pijuayo’, nome utilizado tanto para a fruta quanto para a palmeira. Além do consumo in natura, o pijuayo faz parte de receitas tradicionais e da produção do masato de pijuayo, uma bebida fermentada preparada por diferentes comunidades indígenas da Amazônia peruana. 

Na Costa Rica, a fruta é conhecida como ‘pejibaye’, e é um dos ingredientes mais tradicionais da culinária local. É comum encontrá-la cozida e servida com maionese, queijo ou manteiga, além de aparecer em sopas, purês e diferentes pratos típicos.

Chontaduro, cachipay ou pijuayo. Foto: Reprodução/História da Planta

Leia também: Queridinhos dos amazônidas, pupunha e tucumã também fazem bem para a saúde

Já na Venezuela, a pupunha recebe o nome de ‘pijigua’o ou ‘gachipaes’, dependendo da região. Na Bolívia, é chamada de ‘tembé’, enquanto no Panamá é conhecida como ‘pibá’. 

Essa diversidade de nomes não representa espécies diferentes, na verdade todos se referem à mesma fruta, pertencente à família Arecaceae. 

Rica em nutrientes 

A pupunha é considerada um alimento altamente nutritivo, pois é rica em fibras, carotenoides, vitaminas A e C, além de minerais como potássio e ferro, ela também possui propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Seu consumo exige um cuidado importante, uma vez que o fruto deve sempre ser cozido antes de ser ingerido, visto que cru contém substâncias que podem causar má digestão.

Chontaduro, cachipay ou pijuayo. Foto: Divulgação

De acordo com um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as vitaminas identificadas no mesocarpo da pupunha, a polpa da fruta, são a niacina, vitaminas C, Bl, B2 e A, responsáveis pela coloração amarelada, laranja ou avermelhada da fruta. Além disso, os tocoferóis, conhecidos como vitamina E, também podem ser encontrados na pupunha. 

Em praticamente todos os países onde é cultivada, ela vai muito além do consumo cozido, tendo a sua polpa utilizada na produção de bebidas, farinhas, tortilhas, tamales, bolos, doces, compotas, saladas e conservas. 

Amazônia na Netflix: conheça destinos da região que ganharam destaque em produções do streaming

Foto: Reprodução/Greenpeace

Nas telas da Netflix, a Amazônia já foi cenário de romances, mistérios, aventuras e lendas. Fora delas, os rios, cidades, cachoeiras e florestas, tem conquistado espaço não apenas como pano de fundo para as produções audiovisuais, mas também como destino turístico de visitantes de todas as partes do mundo.

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De acordo com dados do Instituto Brasileriro de de Geografia e Estatística (IBGE), a maior floresta tropical do planeta ocupa mais de quatro milhões de quilômetros quadrados no Brasil e cobre cerca de 49,29% do território nacional, estendendo-se por nove estados da Amazônia Legal. Por isso, falar da Amazônia é falar de diversidade, das inúmeras paisagens, culturas, tradições e modos de vida que coexistem em um mesmo território, formando “as Amazônias”.

Diversas séries e filmes já utilizaram diferentes cenários amazônicos em toda a região para contar histórias que, embora fictícias, ajudaram a mostrar para o público os roteiros turísticos que abriga. Confira os destinos que viraram plano de fundo dessas produções: 

Rios

Os rios funcionam como estradas naturais que conectam cidades, comunidades e populações ribeirinhas, permitindo a circulação de pessoas, alimentos, mercadorias e saberes tradicionais. Na Amazônia, uma das imagens mais características da região é a dos chamados ‘navios-gaiola’, embarcações utilizadas para o transporte de passageiros e cargas, com redes armadas nos conveses. 

Essa realidade aparece em diversos momentos da série ‘Pssica’, que utilizou os rios da Amazônia como cenário para retratar o cotidiano dos ribeirinhos. 

Leia também: Manaus em cena: 6 produções filmadas na capital amazonense

Navio gaiola nos rios amazônicos retratado na série da Netflix 'Pssica'
Navio gaiola nos rios amazônicos retratado na série ‘Pssica’. Foto: Reprodução/Netflix

Cachoeiras e grutas em Presidente Figueiredo

Conhecida como a ‘Terra das Cachoeiras’, Presidente Figueiredo, no Amazonas, abriga mais de 150 quedas d’água catalogadas. Entre elas está a Cachoeira Iracema, que serviu de locação para o filme ‘Ricos de Amor 2’.

Com aproximadamente oito metros de altura, a cachoeira está localizada dentro do Parque Ecológico Iracema Falls e reúne áreas de lazer, hospedagem e gastronomia, tornando-se uma opção para quem deseja passar alguns dias em contato com a natureza.

Ainda em Presidente Figueiredo, a Caverna Refúgio do Maroaga e a Gruta da Judeia são dois atrativos muito visitados que também chamam a atenção pela beleza natural. Localizadas na mesma Área de Proteção Ambiental, as formações atraem turistas pela combinação de floresta, rochas e cursos d’água.

Cenários que também aparecem em ‘Ricos de Amor 2’, a entrada da caverna é cercada pela mata e por pequenas quedas d’água, enquanto a gruta chama atenção pelas formações em arenito e pela piscina natural formada pelo gotejamento constante da água. 

Caverna do Maragoa em Presidente Figueiredo, retratada no filme ‘Ricos de Amor 2’. Foto: Reprodução/Netflix

Lagoa Azul

No nordeste paraense, a Lagoa Azul oferece um cenário digno de um conto. Situado a cerca de 13 quilômetros do município de Igarapé-Açu, o balneário é conhecido pelas águas cristalinas e azuladas e pela atmosfera cercada por vegetação.

O local serviu como locação para a produção da série ‘Cidade Invisível’. Na trama, a lagoa aparece como um portal místico que conecta diferentes mundos, reforçando o clima de mistério presente na narrativa.

Para os visitantes, a experiência é uma oportunidade de desfrutar de um ambiente preservado e de contemplar uma das paisagens mais visitadas do Pará.

Leia também: 10 locais onde a série ‘Cidade invisível’ poderia ser filmada na Amazônia

Lagoa Azul, locação utilizada na série ‘Cidade Invisível’. Foto: Reprodução/Netflix

Anavilhanas

No município de Novo Airão, no Amazonas, está localizado o Parque Nacional de Anavilhanas, considerado o segundo maior arquipélago fluvial do mundo. Com mais de 400 ilhas e cerca de 60 lagos, a área integra o Complexo de Conservação da Amazônia Central, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como Patrimônio Natural da Humanidade.

Durante o período de seca, entre setembro e fevereiro, surgem praias de areia branca ao redor das ilhas. Já na cheia dos rios, entre março e agosto, a paisagem se transforma e permite passeios de barco por áreas de floresta alagada.

O local, durante a cheia dos rios, foi apresentado ao público na segunda temporada de ‘Casamento às Cegas: Brasil’, quando os participantes viveram experiências românticas em meio às águas do Rio Negro.

Leia também: Produções cinematográficas revelam o potencial dos estados da Amazônia no cinema 

Parque Nacional Anavilhanas. Foto: Reprodução/Netflix

Belém

A capital paraense também foi palco de produções da Netflix. Um dos cenários utilizados em ‘Cidade Invisível’ também foi o Bosque Rodrigues Alves, onde estão localizadas as famosas Ruínas do Castelo.

O espaço reúne natureza e patrimônio histórico, oferecendo aos visitantes um passeio que remete à Belle Époque vivida por Belém durante o ciclo da borracha. 

Outro local que também foi palco de uma produção da Netflix foi o bairro Cidade Velha, considerado o berço histórico de Belém. Retratado em ‘Pssica’, o bairro conta com casarões coloniais, igrejas, praças e manifestações culturais fazem do bairro um dos pontos turísticos mais importantes da cidade.

Ruínas do Castelo, cenário da série ‘Cidade Invisível. Foto: Reprodução/Netflix

A Ilha do Marajó

A cerca de 100 quilômetros de Belém está a Ilha do Marajó, a maior ilha fluviomarítima do mundo. Formada por 16 municípios, a região reúne praias de água doce, campos alagados, tradições culturais e uma grande produção artesanal.

O visitante encontra manifestações culturais como o carimbó tradicional, saberes populares preservados por gerações e uma culinária reconhecida nacionalmente, com destaque para o queijo marajoara.

Na série ‘Pssica’, o arquipélago aparece em cenas gravadas no município de Breves, que serve de cenário para momentos decisivos da trama.

Ilha do Marajó, retratada na série ‘Pssica’. Foto: Reprodução/Netflix

Teatro Amazonas

Entre os cartões-postais mais conhecidos da região está o Teatro Amazonas, em Manaus (AM). Construído no final do século XIX durante o auge da economia da borracha, o monumento tornou-se um dos principais símbolos culturais do país.

Nas produções da Netflix, o espaço foi utilizado em cenas de ‘Ricos de Amor 2’ e também aparece no especial de comédia ‘Whindersson Nunes: É de Mim Mesmo’. 

Leia também: Pesquisa-documentário sobre carregadores do porto de Manaus é selecionada para mostra nacional

Teatro Amazonas como palco do filme ‘Ricos de Amor 2’. Foto: Reprodução/Netflix

Hospedagem em meio à floresta

Além das locações em meio a natureza, a Amazônia também oferece experiências voltadas ao conforto, como o Uiara Amazon Resort, localizado em Iranduba, no Amazonas, que também foi cenário de ‘Ricos de Amor 2’. Instalado sobre as águas do Rio Negro, o hotel proporciona uma experiência de hospedagem cercada pela floresta.

Já o Mirante do Gavião Amazon Lodge, em Novo Airão, tem vista privilegiada para o Parque Nacional de Anavilhanas. Com bangalôs de madeira e uma estrutura integrada à paisagem natural, o local recebeu as gravações da segunda temporada de ‘Casamento às Cegas: Brasil’.

Uiara Amazon Resort, cenário de ‘Ricos de Amor 2’. Foto: Reprodução/Netflix

Mais do que servir de cenário para produções audiovisuais, esses destinos mostram a diversidade de uma região que reúne natureza, patrimônio histórico e cultura. Ao transformar paisagens amazônicas em parte de suas narrativas, as produções audiovisuais ajudam a apresentar ao mundo algumas das muitas Amazônias que existem além das telas.

Roteiro dos Tricicleiros: um jeito diferente de conhecer a ilha tupinambarana e sua história

Tricicleiros em Parintins. Foto: Rafael Gonçalves/Acervo pessoal

Durante o período do Festival Folclórico de Parintins, milhares de visitantes desembarcam na ilha para acompanhar a disputa entre os bois Caprichoso e Garantido. No entanto, quem decide explorar a cidade para além das apresentações no Bumbódromo, pode encontrar uma experiência que reúne história, religiosidade, cultura popular e hospitalidade em um único passeio, através do Roteiro dos Tricicleiros.

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Realizado pelos profissionais da Associação dos Tricicleiros de Turismo de Parintins, o roteiro percorre alguns dos principais cartões-postais da cidade em aproximadamente uma hora e meia. Mais do que um meio de transporte, o triciclo tornou-se um símbolo da identidade parintinense e uma das formas mais tradicionais de apresentar a cidade aos visitantes.

O percurso passa por locais que ajudam a contar a formação histórica e cultural da ilha. Entre eles estão:

  • a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, um dos principais símbolos religiosos do município;
  • a Igreja do Sagrado Coração de Jesus;
  • o Bumbódromo, palco da disputa entre Caprichoso e Garantido;
  • o Curral Lindolfo Monteverde, sede do Boi Garantido;
  • e o Curral Zeca Xibelão, onde acontecem os ensaios e atividades do Boi Caprichoso.

Segundo o presidente da Associação dos Tricicleiros de Turismo de Parintins, Rafael Gonçalves, o objetivo do passeio é mostrar que a cidade oferece muito mais do que os três dias de espetáculo do Festival Folclórico.

“Esse roteiro turístico tem um percurso de aproximadamente uma hora e meia. Nele, a gente tem acesso aos principais pontos turísticos da cidade e conta a história de cada um deles para o cliente, para o turista, que vem prestigiar não só o festival, mas também a cidade em outras épocas”.

Leia também: Triciclos de Parintins: os populares veículos que encantam os turistas

Tricicleiros de Parintins
Tricicleiros de Parintins. Foto: Rafael Gonçalves/Acervo pessoal

Durante o trajeto, os tricicleiros compartilham curiosidades sobre a origem dos bois-bumbás, explicam a importância da fé para a população local e apresentam detalhes sobre o crescimento de Parintins.

Para quem trabalha diariamente conduzindo os triciclos, o Festival Folclórico representa também uma oportunidade de geração de renda. Há 14 anos na profissão, o tricicleiro Alzemiro Picanço afirma que o período é o mais aguardado do ano pela categoria.

Segundo ele, durante o festival é possível realizar cerca de 50 passeios por dia, alcançando uma renda média de aproximadamente R$ 500 diários: “O festival é a nossa diversão e também o meio de nós ganharmos o nosso dinheiro”.

Além do aspecto financeiro, Alzemiro destaca o contato direto com visitantes de diferentes regiões do Brasil e do mundo. Em cada passeio, os tricicleiros acabam desempenhando também o papel de guias turísticos, contando histórias, apresentando curiosidades e compartilhando informações sobre os locais visitados.

Roteiro dos Tricicleiros: um jeito diferente de conhecer a ilha tupinambarana e sua história
Tricicleiros de Parintins. Foto: Rafael Gonçalves/Acervo pessoal

Os roteiros normalmente partem da região central da cidade, nas proximidades da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, um dos pontos de maior circulação durante o festival. A atividade dos tricicleiros é regulamentada pela Associação dos Tricicleiros de Turismo de Parintins, entidade responsável por organizar, qualificar e representar a categoria.

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Atualmente, mais de 350 profissionais fazem parte da associação, atendendo tanto moradores quanto turistas durante todo o ano, especialmente na temporada do Festival Folclórico e na chegada de cruzeiros turísticos.

De acordo com Rafael Gonçalves, o reconhecimento da categoria fortaleceu ainda mais o turismo local. Hoje, os triciclos são considerados patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Amazonas, tornando-se um dos elementos que diferenciam Parintins de outros destinos turísticos da região.

“Hoje o turista vem para Parintins e quer andar de triciclo, quer conhecer os pontos da cidade. Pensando nisso, contamos com parceiros, como empresas e o Governo do Estado, que nos ajudam na organização dos triciclos, na qualificação dos profissionais, na padronização dos veículos e na entrega de uniformes, para que possamos oferecer um atendimento de qualidade”, disse.

A regulamentação também trouxe mais segurança para quem visita a cidade. Os triciclos cadastrados seguem um padrão visual, possuem identificação, emplacamento e trabalham com preços tabelados, facilitando a contratação do serviço pelos turistas e garantindo mais transparência durante os passeios.

Triciclo em Parintins. Foto: Rafael Gonçalves/Acervo pessoal

Segundo Rafael, esse processo foi fundamental para profissionalizar a atividade e preservar uma tradição que existe há décadas em Parintins.

“Como hoje o triciclo é conhecido como patrimônio cultural do Estado, isso nos beneficia bastante. É algo que pertence à história de Parintins. O turista nacional e internacional quer se sentir seguro. Por isso, nossos triciclos são padronizados, identificados e nossos profissionais passam por qualificação antes do festival”.

Essa preparação começa ainda no mês de maio, quando a associação promove cursos e workshops. Durante a capacitação, os tricicleiros recebem orientações sobre atendimento ao cliente, relações humanas, hospitalidade e informações turísticas da cidade.

Além de movimentar a economia durante o Festival Folclórico, os tricicleiros ajudam a descentralizar o turismo, levando visitantes para além do Bumbódromo e incentivando a valorização de patrimônios religiosos, culturais e históricos que permanecem abertos à visitação durante todo o ano.

Vamos Brincar de Boi

O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.

A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.