Tricicleiros em Parintins. Foto: Rafael Gonçalves/Acervo pessoal
Durante o período do Festival Folclórico de Parintins, milhares de visitantes desembarcam na ilha para acompanhar a disputa entre os bois Caprichoso e Garantido. No entanto, quem decide explorar a cidade para além das apresentações no Bumbódromo, pode encontrar uma experiência que reúne história, religiosidade, cultura popular e hospitalidade em um único passeio, através do Roteiro dos Tricicleiros.
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Realizado pelos profissionais da Associação dos Tricicleiros de Turismo de Parintins, o roteiro percorre alguns dos principais cartões-postais da cidade em aproximadamente uma hora e meia. Mais do que um meio de transporte, o triciclo tornou-se um símbolo da identidade parintinense e uma das formas mais tradicionais de apresentar a cidade aos visitantes.
O percurso passa por locais que ajudam a contar a formação histórica e cultural da ilha. Entre eles estão:
- a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, um dos principais símbolos religiosos do município;
- a Igreja do Sagrado Coração de Jesus;
- o Bumbódromo, palco da disputa entre Caprichoso e Garantido;
- o Curral Lindolfo Monteverde, sede do Boi Garantido;
- e o Curral Zeca Xibelão, onde acontecem os ensaios e atividades do Boi Caprichoso.
Segundo o presidente da Associação dos Tricicleiros de Turismo de Parintins, Rafael Gonçalves, o objetivo do passeio é mostrar que a cidade oferece muito mais do que os três dias de espetáculo do Festival Folclórico.
“Esse roteiro turístico tem um percurso de aproximadamente uma hora e meia. Nele, a gente tem acesso aos principais pontos turísticos da cidade e conta a história de cada um deles para o cliente, para o turista, que vem prestigiar não só o festival, mas também a cidade em outras épocas”.
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Durante o trajeto, os tricicleiros compartilham curiosidades sobre a origem dos bois-bumbás, explicam a importância da fé para a população local e apresentam detalhes sobre o crescimento de Parintins.
Para quem trabalha diariamente conduzindo os triciclos, o Festival Folclórico representa também uma oportunidade de geração de renda. Há 14 anos na profissão, o tricicleiro Alzemiro Picanço afirma que o período é o mais aguardado do ano pela categoria.
Segundo ele, durante o festival é possível realizar cerca de 50 passeios por dia, alcançando uma renda média de aproximadamente R$ 500 diários: “O festival é a nossa diversão e também o meio de nós ganharmos o nosso dinheiro”.
Além do aspecto financeiro, Alzemiro destaca o contato direto com visitantes de diferentes regiões do Brasil e do mundo. Em cada passeio, os tricicleiros acabam desempenhando também o papel de guias turísticos, contando histórias, apresentando curiosidades e compartilhando informações sobre os locais visitados.

Os roteiros normalmente partem da região central da cidade, nas proximidades da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, um dos pontos de maior circulação durante o festival. A atividade dos tricicleiros é regulamentada pela Associação dos Tricicleiros de Turismo de Parintins, entidade responsável por organizar, qualificar e representar a categoria.
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Atualmente, mais de 350 profissionais fazem parte da associação, atendendo tanto moradores quanto turistas durante todo o ano, especialmente na temporada do Festival Folclórico e na chegada de cruzeiros turísticos.
De acordo com Rafael Gonçalves, o reconhecimento da categoria fortaleceu ainda mais o turismo local. Hoje, os triciclos são considerados patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Amazonas, tornando-se um dos elementos que diferenciam Parintins de outros destinos turísticos da região.
“Hoje o turista vem para Parintins e quer andar de triciclo, quer conhecer os pontos da cidade. Pensando nisso, contamos com parceiros, como empresas e o Governo do Estado, que nos ajudam na organização dos triciclos, na qualificação dos profissionais, na padronização dos veículos e na entrega de uniformes, para que possamos oferecer um atendimento de qualidade”, disse.
A regulamentação também trouxe mais segurança para quem visita a cidade. Os triciclos cadastrados seguem um padrão visual, possuem identificação, emplacamento e trabalham com preços tabelados, facilitando a contratação do serviço pelos turistas e garantindo mais transparência durante os passeios.

Segundo Rafael, esse processo foi fundamental para profissionalizar a atividade e preservar uma tradição que existe há décadas em Parintins.
“Como hoje o triciclo é conhecido como patrimônio cultural do Estado, isso nos beneficia bastante. É algo que pertence à história de Parintins. O turista nacional e internacional quer se sentir seguro. Por isso, nossos triciclos são padronizados, identificados e nossos profissionais passam por qualificação antes do festival”.
Essa preparação começa ainda no mês de maio, quando a associação promove cursos e workshops. Durante a capacitação, os tricicleiros recebem orientações sobre atendimento ao cliente, relações humanas, hospitalidade e informações turísticas da cidade.
Além de movimentar a economia durante o Festival Folclórico, os tricicleiros ajudam a descentralizar o turismo, levando visitantes para além do Bumbódromo e incentivando a valorização de patrimônios religiosos, culturais e históricos que permanecem abertos à visitação durante todo o ano.
Vamos Brincar de Boi
O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.
A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.
