Prêmio Samuel Benchimol busca promover a reflexão e incentivar ações voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Foto: Divulgação/FIETO
Criado para incentivar pesquisas, projetos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia, o Prêmio Professor Samuel Benchimol se consolidou, ao longo de duas décadas, como uma das principais iniciativas de valorização da ciência, do empreendedorismo e da inovação na região.
A premiação foi criada com o objetivo de manter vivo o legado de Samuel Isaac Benchimol, considerado um dos maiores pensadores da Amazônia, e estimular a produção de conhecimento capaz de enfrentar os desafios amazônicos.
📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp
A iniciativa foi instituída em 2003, um ano após a morte de Samuel Benchimol, e surgiu em um momento em que o Brasil discutia a necessidade de ampliar investimentos em ciência, inovação e políticas públicas voltadas para a região amazônica, segundo a organização da premiação.
Naquele contexto, a região enfrentava desafios históricos, como dificuldades logísticas, baixa renda, desigualdades sociais, baixa escolaridade, concentração urbana, êxodo rural e exclusão social.
Na área de ciência e tecnologia, a Amazônia também registrava baixa participação em grupos de pesquisa, reduzido número de pesquisadores, doutores e programas de pós-graduação credenciados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), evidenciando a necessidade de incentivar estudos e soluções voltados às demandas locais.
Diante desse cenário, o então Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) criou uma premiação destinada a reconhecer pesquisadores, empreendedores, instituições e gestores públicos que desenvolvessem soluções inovadoras para o desenvolvimento da região.
Leia também: Samuel Benchimol: descubra como o professor contribuiu para o desenvolvimento da Amazônia

Leia também: Prêmios dedicados ao desenvolvimento sustentável da Amazônia abrem inscrições para edição 2026
Segundo a organização do prêmio, a escolha do nome de Samuel Benchimol representa o reconhecimento de sua contribuição para o pensamento amazônico.
“Samuel Isaac Benchimol foi um grande pensador da Amazônia, deixando uma contribuição inestimável para o entendimento de suas potencialidades e desafios. Após seu falecimento, em 2002, tornou-se ainda mais evidente a relevância de uma reflexão constante e colaborativa sobre a região”, pontuam.
De acordo com a curadora dos Prêmios Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente, Lillian Alvares, a necessidade de intensificar as ações para o desenvolvimento sustentável da Amazônia norteou a criação do prêmio, e a escolha do nome de Samuel Benchimol, pesquisador e empresário inovador, autor de mais de 100 trabalhos de repercussão internacional, dignifica essa iniciativa.
“Em todos os seus trabalhos ele defendeu a importância da Região Amazônica no contexto do desenvolvimento nacional e a necessidade do desenvolvimento sustentável, respeitando o que ele definiu como os quatro paradigmas fundamentais para o desenvolvimento da Amazônia: ser economicamente viável, ecologicamente adequado, politicamente equilibrado e socialmente justo”, explica.
Jaime Benchimol, filho de Samuel Benchimol, afirma que a permanência do prêmio ao longo de mais de duas décadas é também uma forma de manter vivo o legado do pai:
“Dizem que só morremos de verdade quando somos esquecidos. Tenho a felicidade de constatar que o pensamento e a obra de Samuel Benchimol permanecem relevantes e atuais para a Amazônia. Seu nome segue presente em discussões, fóruns e simpósios sobre a região, e o prêmio tem cumprido um papel fundamental em divulgar e reviver, a cada ano, as suas ideias”.
Foi nesse contexto que, afirma a organização, surgiu o Prêmio Professor Samuel Benchimol, com a missão de incentivar projetos capazes de transformar conhecimento em soluções para a população amazônica.
Desenvolvimento sustentável como princípio
Muito antes de o conceito de sustentabilidade ganhar destaque internacional, Samuel Benchimol já defendia que o crescimento da Amazônia deveria respeitar os já citados quatro princípios fundamentais, pilares que continuam orientando a premiação até hoje.
De acordo com o histórico, estão entre os objetivos do prêmio: promover a reflexão e ações sobre o desenvolvimento sustentável na região amazônica, estimular a interação entre setores governamentais, empresariais, acadêmicos e sociais, e apoiar a implementação de políticas públicas e projetos alinhados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à redução das desigualdades e da extrema pobreza na região.

Leia também: Samuel Benchimol, cem anos: uma vida dedicada ao ensino, à cultura e ao desenvolvimento do Amazonas e da Amazônia
Assim, ao reforçar a importância do legado deixado pelo pai, Jaime destaca que Samuel marcou a Amazônia em diferentes áreas do conhecimento e do empreendedorismo.
“Samuel Benchimol foi, ao mesmo tempo, professor, pensador, escritor e empresário, e em cada uma dessas dimensões deixou marcas profundas. Como professor, suas turmas eram disputadas pelos alunos: ele ensinava com um sorriso nos lábios, traduzindo a imensa satisfação de falar sobre a Amazônia, região à qual dedicou o seu tempo e a sua vida. Publicou mais de 110 artigos e livros sobre a economia, a geografia, a história e a sociologia amazônicas, contribuindo de forma decisiva para o pensamento sobre a região”, descatou.
Ele também ressalta que, para ele, “seu maior legado talvez esteja nos valores que deixou: integridade, respeito, energia, economia e melhoria contínua. Esses princípios continuam vivos no diagrama cultural dessas organizações e seguem servindo de norte e de inspiração para a família e para as empresas”.
Rede de instituições em favor da Amazônia
Desde sua criação, o prêmio contou com o apoio de importantes instituições nacionais. Segundo o documento, a iniciativa foi estruturada com a participação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Ação Pró-Amazônia, do Sebrae e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).
Segundo Lillian Alvares, apesar de ter sido instituída em 2003, a primeira edição só foi realizada em 2004, na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM). “Para fortalecer a iniciativa, o Banco da Amazônia, patrocinador desde a primeira edição, uniu-se ao prêmio em 2009 com o Prêmio Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente. A partir dessa parceria, foi constituída a maior premiação dedicada à Amazônia”.
Atualmente, a premiação é realizada pela CNI, pelas Federações das Indústrias da Região Amazônica e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT).
Mais de vinte anos incentivando soluções
Ao longo de mais de duas décadas, o Prêmio Samuel Benchimol tornou-se referência nacional na valorização de iniciativas voltadas para a Amazônia. De acordo com o histórico da premiação, mais de quatro mil projetos já foram inscritos, reunindo propostas de várias partes do Brasil e contemplando áreas como pesquisa científica, empreendedorismo, inovação, desenvolvimento social, sustentabilidade e tecnologia.
Na avaliação de Jaime Benchimol, o que mais deixaria o pai orgulhoso seria ver o interesse de pesquisadores e empreendedores em contribuir com o desenvolvimento da região.
“Penso que o que mais o deixaria orgulhoso seria constatar o crescente número de interessados em participar do prêmio, vindos de diferentes estados e até de outros países. Meu pai valorizava profundamente o reconhecimento do talento e do mérito. Ele certamente ficaria satisfeito em ver ideias inovadoras sendo colocadas em prática na região, por meio da atuação de empreendedores e investidores comprometidos com o desenvolvimento”.

De acordo com ele, o prêmio também conseguiu transformar o legado de Samuel Benchimol em inspiração para novas gerações. Além disso, a nova fase da premiação, agora sob a curadoria de Lillian Alvares, busca ampliar o impacto dessas iniciativas.
“Neste novo ciclo, sob a curadoria da professora Lillian Alvarez, a prioridade será impulsionar essas iniciativas para que se consolidem como empresas de produtos e serviços, ampliando seu impacto e contribuindo de forma mais direta para o desenvolvimento da sociedade amazônica”, concluiu.
