Tacacá da Maya na rua. Foto: Edley Oliveira/Amazon Sat
Quem caminha pelas ruas de Parintins durante o Festival Folclórico encontra muito mais do que bandeiras nas cores azul e vermelha e o som dos bois Caprichoso e Garantido ecoando pela cidade. Entre uma esquina e outra, barracas, cozinhas improvisadas e pequenos empreendimentos familiares transformam a gastronomia de rua em um dos grandes atrativos para quem visita a ilha.
📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp
Tacacá, bodó no tucupi, flau de frutas amazônicas e outras receitas típicas fazem parte da experiência de quem deseja conhecer a cultura parintinense também pelo paladar.
Além de preservar os sabores tradicionais da Amazônia, a culinária de rua representa uma importante fonte de renda para as famílias que aproveitam o aumento no fluxo de turistas. É o caso de Dulce Reis, moradora do Beco Tomás Meirelles, que todos os anos comercializa o famoso flau, conhecido em outras regiões como sacolé, dindim ou geladinho.
“Nesse período do festival, nós moradores ganhamos uma renda extra. A população de Parintins praticamente dobra e a procura pelos produtos regionais e pela comida típica é muito grande. Como moradora daqui, eu também monto minha vendinha”, contou.
Leia também: 6 pratos icônicos para se apaixonar pela culinária do Amazonas

O diferencial dos flaus vendidos por Dulce está justamente nos sabores amazônicos, uma vez que os visitantes encontram versões preparadas com ingredientes típicos da região.
“A gente trabalha com frutas regionais porque é isso que os visitantes procuram. Tem abacate, açaí, cupuaçu, maracujá, graviola e buriti. Eles querem experimentar os sabores da Amazônia. Alguns provam um, depois experimentam outro e acabam descobrindo novos sabores”, explicou Dulce.
A produção também muda completamente durante o Festival. De acordo com Reis, no restante do ano a venda acontece de forma mais tranquila, mas nos dias que antecedem as apresentações dos bois é preciso aumentar significativamente a quantidade produzida. “No dia a dia a gente vende também, porque todo parintinense gosta de um flau depois do almoço. Mas durante o Festival a procura aumenta muito e a produção precisa acompanhar esse movimento”.
Na produção, o preparo é simples e a receita leva apenas polpa da fruta, água e açúcar, que são batidos até formar o suco, e em seguida, o líquido é colocado em saquinhos plásticos próprios para flau e levado ao congelador até atingir a consistência ideal. Já nas versões gourmet, a receita ganha um ingrediente extra: o leite, que deixa o produto mais cremoso e amplia as possibilidades de sabores.
Bodó no Tucupi
Outro prato que desperta a curiosidade dos turistas é o bodó no tucupi. O peixe amazônico, bastante consumido pelas famílias ribeirinhas, ganhou espaço entre os visitantes que buscam experimentar receitas tradicionais da culinária local.
A empreendedora Sarah Reis conta que a ideia surgiu naturalmente:
“No mês de junho a gente sempre funciona porque nossa casa fica bem próxima ao Bumbódromo. Percebemos que quem vem de fora quer conhecer a culinária amazônica. Quando incluímos o bodó no tucupi no cardápio, vimos que muita gente vinha só para experimentar essa iguaria”.

O sucesso foi tanto que, neste ano, a família tomou uma decisão ousada: deixar de lado o cardápio variado e apostar apenas em um único prato. “A gente percebeu que o bodó no tucupi tinha uma procura muito grande. Então este ano resolvemos trabalhar somente com ele. É o nosso prato principal e único”.
O preparo começa antes mesmo de o peixe chegar à cozinha. Sarah explica que o bodó é adquirido já assado por um fornecedor local e recebe os últimos cuidados na panela preparada pela mãe.
“O tucupi é preparado aqui em casa, junto com os temperos e o jambu. Depois juntamos o bodó assado ao tucupi e servimos acompanhado de arroz branco e farinha da baguda [feita com mandioca], que é tradição em Parintins. O peixe aqui só se come com farinha”, afirmou.
Assim, além de gerar renda para a família, o empreendimento movimenta outros pequenos produtores da cidade: “Quando compramos o bodó de outro fornecedor, estamos fazendo a economia girar. Todo mundo ganha. Percebemos que focar nesse prato trouxe um retorno financeiro maior e reduziu os custos com vários tipos de cardápio”.
Tacacá
Entre os pontos gastronômicos mais conhecidos de Parintins está o Tacacá da Maya, localizado na subida do cais, na Avenida Gomes de Castro. O espaço se tornou parada obrigatória para moradores, turistas e até personalidades que visitam o Festival.
A história começou há mais de quatro décadas, quando a sogra de Maya Carvalho iniciou as vendas em uma esquina próxima. Com o passar dos anos, o negócio foi assumido pela família e hoje segue sendo preparado para a próxima geração: “Começou com a minha sogra. Depois nós assumimos e agora estamos passando esse legado para nossa filha. Já são 44 anos de história”.

Para Maia, o principal ingrediente da receita vai muito além do tucupi, do jambu e da goma.
“O diferencial é receber bem as pessoas. Receber com alegria, com sorriso. Se você tem algum problema em casa, deixe lá. O cliente precisa ser recebido com carinho. É isso que faz a diferença”.
Natural de Nhamundá, ela vive em Parintins desde 1982 e considera o tacacá parte da identidade cultural da cidade, e de acordo com Maya, a melhor época para vender são as duas semanas antes do Festival Folclórico.
Ao longo dos anos, o ponto já recebeu artistas, influenciadores e personalidades que visitam Parintins durante o Festival. Entre os clientes mais conhecidos está o comentarista Milton Cunha, presença frequente na cidade.
Vamos Brincar de Boi
O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.
A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.
