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Unicef mapeia cidades onde crianças estão expostas a riscos ambientais

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Unicef mapeia cidades onde crianças estão expostas a riscos ambientais. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em meio a um cenário de mudanças climáticas e eventos extremos cada vez mais frequentes, um estudo realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) destaca que crianças e adolescentes estão expostos a diferentes desafios ambientais e climáticos em todo o país e que há padrões de desigualdade relevantes na distribuição dos riscos. O Painel Crianças e Meio Ambiente, lançado nesta semana, foi criado em parceria com a organização de saúde global Vital Strategies.

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No país, 333 municípios foram considerados em maior situação de vulnerabilidade socioambiental e climática principalmente para crianças e adolescentes, o que representa 6% das cidades brasileiras. A plataforma avalia os municípios considerando 14 indicadores de exposição ambiental organizados em quatro áreas temáticas:

  • Qualidade do Ar;
  • Infraestrutura Ambiental e Urbana;
  • Eventos Climáticos Extremos;
  • Ambiente Escolar.

“Quando se está falando de eventos extremos, crianças dependem de seus cuidadores para tomar as decisões por elas. Elas não necessariamente têm autonomia ou capacidade para reconhecer situações de perigo, em que elas precisam sair de um determinado lugar e ir para outro. Elas dependem que seus cuidadores façam isso”,  destacou o especialista em Mudanças Climáticas do Unicef, Danilo Moura, em entrevista. 

A plataforma utiliza dados de 2021 a 2025 e é possível consultar a situação de cada um dos 5.571 municípios brasileiros. 

Riscos

Entre os indicadores estão, por exemplo, ocorrência de chuvas intensas, ondas de calor ou secas em anos recentes; população sem água tratada ou coleta de esgoto; e poluição do ar por transporte público ou acima do limite recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Dependendo da situação, os diferentes indicadores de cada município são classificado em três níveis de prioridade:

  • nível 3, que significa que a cidade demanda atenção imediata e priorizada;
  • nível 2, para o qual se recomenda planejamento e adoção progressiva de medidas no curto a médio prazo;
  • nível 1, baixa prioridade, que demanda monitoramento contínuo, sem necessidade de intervenção emergencial. 

Segundo o levantamento, os 333 municípios que têm alta prioridade, ou nível 3, em mais de dez dos 14 indicadores, configuram uma situação de vulnerabilidade severa e multidimensional. Neste grupo há alta concentração de municípios da região Norte e do Maranhão.

Na outra ponta, 108 municípios (1,9%) não apresentaram alta prioridade em nenhum dos indicadores analisados.

De acordo com a representante adjunta do Unicef no Brasil, Layla Saad, a iniciativa permite enxergar as diferenças de maneira mais clara.

“Transformar os dados em prioridades ajuda a fortalecer a capacidade dos municípios, entender onde estão os maiores desafios, e como direcionar uma política [pública], um programa, ou um orçamento”, disse no lançamento da iniciativa.

Leia também: Amazonas é o 2º estado do país com maior risco ambiental e climático para crianças, diz Unicef

Panorama 

Os dados mostram que os municípios com maior número de indicadores em alta prioridade estão majoritariamente nos estados do Pará, Acre, Amazonas, Maranhão e Mato Grosso. Entre os 30 municípios com pior desempenho agregado, 24 pertencem à região Norte e quatro ao Maranhão. Os outros quatro estão em Mato Grosso. 

A nota técnica aponta que muitos desses municípios têm populações pequenas e economias locais dependentes de atividades primárias, o que amplia a exposição a riscos climáticos e socioambientais, e também limita a capacidade de resposta local. 

Regiões mais vulneráveis

Na análise de qualidade do ar, que investigou o percentual de dias entre 2021 e 2025 em que a concentração de partículas finas superou o recomendado pela OMS, a região Norte demonstrou maior prioridade com 94% dos municípios afetados. A análise aponta que isso se deve, provavelmente, às queimadas.

A região Sudeste se destaca também neste quesito. Embora apenas 39% dos municípios estejam no grupo de maior prioridade, eles concentram 72% da população infantil da região. Nessas cidades, a baixa qualidade do ar, provavelmente, de acordo com análise, está associada ao transporte e a atividades industriais.

Unicef mapeia cidades onde crianças estão expostas a riscos ambientais
Unicef mapeia cidades onde crianças estão expostas a riscos ambientais. Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Os dados relacionados a eventos climáticos extremos mostram que a região Norte e Sul concentram 91% e 68%, respectivamente, dos municípios de atenção, principalmente se tratando de chuvas intensas.

Já os indicadores relacionados à infraestrutura ambiental e urbana indicam que as maiores proporções de municípios com alta prioridade estão no Norte (78%) e Nordeste (46%). Segundo a análise do Painel, no Norte, o desafio está associado à dispersão geográfica e à dificuldade de expansão de redes em território de baixa densidade. Já no Nordeste, soma-se a escassez hídrica e a menor capacidade financeira dos municípios para investimento em infraestrutura.

Entre os dados relacionados ao ambiente escolar, Nordeste (52%) e Sudeste (39%) lideram a prioridade de espaços escolares sem qualquer área verde. 

Plataforma

No Painel, lideranças municipais e cidadãos podem acessar os diagnósticos de cada um dos 5.571 municípios e entender quais os principais déficits e áreas de cada cidade. A plataforma também reúne 50 recomendações de enfrentamento para casos de alta prioridade, desde intervenções físicas até medidas institucionais. 

Pedro de Paula, vice-presidente de Inovação da Vital Strategies, acredita que essa é uma ferramenta essencial para subsidiar ações preventivas. 

“Um ambiente seguro, saudável e sustentável não é apenas um direito, mas também um elemento essencial para reduzir desigualdades e promover o desenvolvimento integral na infância e na adolescência. Visando futuros melhores e mais seguros, essa ferramenta permite um olhar qualificado e individualizado para o território”, completou.

*Alice Rodrigues – Agência Brasil.

‘Kamara’ e ‘Mãe da Mata’: toadas do Boi Garantido inspiram nomes de novas espécies de gafanhotos descobertas por pesquisadora no Amazonas

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‘Kamara’ e ‘Mãe da Mata’: toadas do Boi Garantido inspiram nomes de novas espécies de gafanhotos descobertas por pesquisadora no Amazonas — Foto: Fotos: Nereston Camargo e Larissa Lima de Queiroz

No Amazonas, duas toadas do Boi-Bumbá Garantido ganharam espaço na ciência. ‘Kamara’ e ‘Mãe da Mata’ agora dão nome a espécies de gafanhotos descobertas em pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O estudo, publicado em 24 de julho na revista internacional Zootaxa, identificou nove novas espécies de gafanhotos e quatro novos gêneros. Oito delas foram encontradas na Amazônia brasileira.

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Entre as descobertas, duas chamam atenção por homenagear o Festival Folclórico de Parintins. A espécie Kamara kratxatxa, que significa “gafanhoto-onça”, foi inspirada na toada ‘Kamara’, lançada pelo Boi-Bumbá Garantido em 2026. A construção do nome contou com a colaboração de João Kamarayano, da etnia Hixkaryana, incorporando elementos da língua e da cultura indígena à nomenclatura científica.

O Boi-Bumbá Garantido integra um dos maiores patrimônios culturais do Brasil, o Festival de Parintins. Ao lado do Boi-Bumbá Caprichoso, os bois promovem uma festa popular que celebra a cultura amazônica e a rivalidade centenária. Em 2026, a tradicional foi realizada nos dias 26, 27 e 28 de junho.

Já Proscopia caacy foi inspirada na toada ‘Mãe da Mata’, apresentada pelo Garantido em 2011. A palavra Caacy, de origem tupi-guarani, significa “mãe da floresta”.

Leia também: Entenda as diferenças entre os gafanhotos e os bichos pau

toadas do Boi Garantido inspiram nomes de novas espécies de gafanhotos
A espécie Kamara kratxatxa, que significa “gafanhoto-onça”, foi inspirada na toada Kamara, lançada pelo Boi-Bumbá Garantido em 2026. — Foto: Foto: Larissa Lima de Queiroz

A pesquisa contou com a participação da pesquisadora amazonense Larissa Lima de Queiroz, e de José Albertino Rafael, do Inpa, e Raphael Aquino Heleodoro, do Museu Nacional (MNRJ).

Segundo a pesquisadora Larissa Lima de Queiroz, a escolha dos nomes aproxima ciência e cultura.

“Quis batizar parte da fauna da Amazônia com nomes inspirados nos povos originários. O Festival de Parintins ensina sobre etnias, línguas e tradições da região. Como sou a única pesquisadora amazonense que estuda gafanhotos no Brasil, quis batizar essa pequena parte da fauna da Amazônia brasileira com nomes inspirados nos povos originários. Também sou Garantido desde pequena, usei como inspiração minhas toadas favoritas, ‘Mãe da Mata’ e ‘Kamara’”, disse Larissa.

Leia também: Conheça toadas do Festival de Parintins que contam lendas amazônicas diferentes

Imagem colorida mostra proscopia ciiyf um dos gafanhotos descobertos
Já Proscopia caacy foi inspirada na toada Mãe da Mata, apresentada pelo Garantido em 2011. — Foto: Foto: Nereston Camargo

A pesquisa começou em 2019, durante o doutorado de Larissa, mas o trabalho de campo só iniciou em 2022, após a vacinação contra a Covid-19.

Além das expedições, ela analisou exemplares preservados em museus no Brasil e no exterior. Alguns insetos, como os de Proscopia caacy, haviam sido coletados em 1984, mas só agora foram reconhecidos como espécie nova.

“Parte da busca por novas espécies é realizada em museus, a partir de exemplares coletados anteriormente por outros pesquisadores. Os gafanhotos de Proscopia caacy, por exemplo, foram coletados em 1984, mas somente agora descobrimos que se tratava de algo novo”, explicou Larissa.

Leia também: Conheça as toadas dos bumbás de Parintins que já foram cantadas por famosos 

Cinco meses para encontrar um inseto

Encontrar gafanhotos inéditos não é tarefa simples. Um dos grupos recebeu o nome Celatus, que significa “escondido” em latim. A equipe levou cinco meses para localizar o primeiro macho da espécie Celatus nath, em Presidente Figueiredo.

Outra novidade é Milenascopia uatuma, encontrada na Reserva Biológica do Uatumã. A coleta foi realizada em uma floresta alagada, utilizando uma lancha para alcançar gafanhotos que estavam sobre árvores parcialmente submersas, uma área de várzea.

Das nove espécie, oito espécies foram registradas na Amazônia brasileira:

  • Celatus nath – Presidente Figueiredo, no Amazonas;
  • Kamara kratxatxa – Rio Branco, no Acre;
  • Lianascopia albae – Tiquié, no Amazonas;
  • Lianascopia domenicoi – Amajari, em Roraima;
  • Milenascopia uatuma – Presidente Figueiredo, no Amazonas;
  • Proscopia caacy – Serra Norte, no Pará;
  • Pseudoproscopia taka – Itaituba, no Pará;
  • Pseudoproscopia trajakan – Manicoré, no Amazonas.

Leia também: Mentes que compõem Parintins: a identidade por trás das toadas do Festival

Amazônia ainda guarda espécies desconhecidas

O estudo também descreveu quatro novos gêneros, que agrupam diferentes espécies. O gênero Kamara, por exemplo, já reúne três espécies.

Para a pesquisadora, descobrir um novo gênero é um avanço ainda maior do que encontrar uma nova espécie.

“Isso mostra como ainda conhecemos pouco da biodiversidade, principalmente na Amazônia. Não descobrimos apenas espécies, mas também grupos inteiros desconhecidos pela ciência”, disse Larissa.

Larissa espera que o estudo incentive a valorização da fauna e da cultura amazônica.

“Eu gostaria que o nosso país conhecesse melhor os animais fantásticos que existem na nossa floresta e entendesse que o Norte é forte, rico em diversidade e cultura. Isso sempre será motivo de orgulho, e agora uma parte dessa cultura também está eternizada na ciência”, concluiu.

*Por Karla Mendes – Rede Amazônica Amazonas

Pesquisadores de Mato Grosso publicam estudo que revela as complexidades da defesa das plantas

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Pesquisa investigou o comportamento de tomateiros em condições adversas, simulando ferimentos feitos em diferentes níveis de danos e acompanhou as respostas de defesa ao longo do tempo. Foto: Reprodução/UFMT

Um artigo publicado por pesquisadores do Campos Lab, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) concluiu que as plantas lutam diariamente pela sobrevivência contra predadores herbívoros. A pesquisa, publicada no início de julho, revela que as espécies, diferentemente da sensação diária de tranquilidade transmitidas no campo ou na natureza, estão a todo momento adotando diferentes estratégias de defesa conforme a intensidade dos danos sofridos.

O estudo investigou como o tomateiro (Solanum lycopersicum L.) responde a diferentes níveis de dano mecânico. Em condições controladas, as plantas receberam um, três, cinco ou dez ferimentos feitos com uma pinça especial, simulando o dano causado por pragas herbívoras. Em seguida, foram avaliadas em três momentos, permitindo acompanhar as respostas de defesa ao longo do tempo.

Estudo revela as complexidades da defesa das plantas
Pesquisa foi orientada pelo professor Marcelo Lattarulo Campos e está disponível na revista Plant, Cell & Environment. Foto: Reprodução/UFMT

As análises consideraram características observáveis das plantas, relacionadas ao fenótipo, além de alterações no metabolismo, nos hormônios e na transcrição do RNA — processo pelo qual as informações dos genes são utilizadas pelas células.

“A pesquisa mostra que muitas das respostas metabólicas aumentam conforme o número de machucados, o que indica um reflexo defensivo da planta. Contudo, também é possível observar que algumas respostas aumentam e depois diminuem, demonstrando que a planta identifica a extensão do dano e adapta sua estratégia de defesa a essa intensidade”, explica Beatriz Corrêa Araújo, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal da UFMT.

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Anatomia das defesas

O comportamento de duas enzimas ajuda a compreender essa conclusão. Quando sofre um ferimento, a planta produz moléculas conhecidas como espécies reativas de oxigênio, ou ROS, na sigla em inglês. Elas atuam na sinalização do dano, mas, quando se acumulam, também podem prejudicar as células vegetais, como defesa.

Para controlar esse efeito, a planta utiliza energia e nutrientes na produção de enzimas antioxidantes, como a catalase e a peroxidase. A pesquisa identificou, porém, que a atividade dessas enzimas atinge seu ponto máximo diante de danos moderados e diminui quando os ferimentos se tornam mais intensos. O resultado indica uma mudança de estratégia: em vez de continuar concentrando recursos no controle das ROS, a planta passa a direcioná-los a outras respostas de defesa.

Leia também: Pesquisa investiga quais estratégias de defesa plantas feridas aplicam contra predadores

Estudo visou o comportamento das plantas contra as pragas herbívoras. Foto: Reprodução/Mundo Educação

“A nossa interpretação é que, no início do dano, as ROS aumentam muito para sinalizar que há um problema. Isso também resulta em uma alta atividade das enzimas que controlam essas moléculas, impedindo que se tornem tóxicas para a planta. Contudo, quando o dano passa de moderado, a planta muda de prioridade e começa a investir energia e nutrientes em outras respostas, como a regeneração e a cicatrização das feridas, a produção de moléculas tóxicas para os insetos ou, ainda, o reforço de sua estrutura física, como ocorre com a produção de tricomas”, explica a pesquisadora.

Os tricomas são estruturas semelhantes a pelos encontradas, por exemplo, nos caules e nas folhas de algumas plantas. Eles podem dificultar o deslocamento e a alimentação dos insetos. Segundo Beatriz, o tomateiro possui pelo menos sete tipos de tricomas, com diferentes funções defensivas.

Alguns são rígidos e afiados, funcionando como barreiras físicas. Outros produzem substâncias capazes de repelir ou paralisar os herbívoros. Há também tricomas que liberam compostos voláteis, responsáveis por odores que podem atrair predadores naturais dos insetos que atacam a planta.

“Concluímos que, à medida que percebe a intensidade do dano, a planta reprograma todo o seu sistema e sua fisiologia de maneira hierárquica. Existem genes ‘centrais’, que são ativados diante de qualquer nível de dano, mas também genes que respondem apenas a determinadas intensidades. Então, quanto mais ferida a planta é, mais complexa se torna a resposta mobilizada por ela”, afirma a pesquisadora.

Assim, seja por causa de um inseto com fome ou um pesquisador com uma pinça, a vida das plantas é bem mais agitada do que a tranquilidade que transmitem quando observamos de fora.

A pesquisa foi orientada pelo professor Marcelo Lattarulo Campos e está disponível na revista Plant, Cell & Environment.

*Conteúdo publicado originalmente por UFMT

Porto Velho está entre as 50 cidades com maiores taxas de homicídio do mundo, aponta ranking

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Porto Velho. Foto: Leandro Morais/Prefeitura de Porto Velho/Divulgação

Porto Velho está entre as 50 cidades com as maiores taxas de homicídio do mundo em 2025, segundo ranking divulgado pelo Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal, organização mexicana que publica o levantamento todos os anos. Porto Velho ocupa a 48ª posição, com taxa de 30,07 homicídios por 100 mil habitantes.

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De acordo com o relatório, foram registrados 163 homicídios em uma população estimada de 542.022 moradores. Além de Porto Velho, outras cinco cidades brasileiras aparecem na lista: Fortaleza (32ª), Feira de Santana (33ª), Recife (36ª), Maceió (38ª) e Salvador (44ª).

Veja o ranking das 50 cidades com as maiores taxas de homicídio do mundo:

  • 1º Porto Príncipe (Haiti) — Homicídios: 6.185 | População: 3.133.000 | Taxa de homicídios: 197,43
  • 2º Babahoyo (Equador) — Homicídios: 527 | População: 317.436 | Taxa de homicídios: 166,02
  • 3º Mandela Bay (África do Sul) — Homicídios: 1.452 | População: 1.211.951 | Taxa de homicídios: 119,81
  • 4º Machala (Equador) — Homicídios: 693 | População: 594.081 | Taxa de homicídios: 116,65
  • 5º Quevedo (Equador) — Homicídios: 433 | População: 397.226 | Taxa de homicídios: 109,01
  • 6º Culiacán (México) — Homicídios: 1.086 | População: 1.045.017 | Taxa de homicídios: 103,91
  • 7º Manabí Centro (Equador) — Homicídios: 911 | População: 877.933 | Taxa de homicídios: 103,77
  • 8º Guayaquil (Equador) — Homicídios: 3.115 | População: 3.419.461 | Taxa de homicídios: 91,10
  • 9º Ciudad Obregón (México) — Homicídios: 306 | População: 336.776 | Taxa de homicídios: 90,81
  • 10º Esmeraldas (Equador) — Homicídios: 294 | População: 324.656 | Taxa de homicídios: 90,56
  • 11º Manzanillo (México) — Homicídios: 290 | População: 328.884 | Taxa de homicídios: 88,16
  • 12º Zamora (México) — Homicídios: 273 | População: 320.231 | Taxa de homicídios: 85,37
  • 13º Colima (México) — Homicídios: 269 | População: 322.511 | Taxa de homicídios: 83,40
  • 14º Acapulco (México) — Homicídios: 562 | População: 789.695 | Taxa de homicídios: 71,12
  • 15º Cidade do Cabo (África do Sul) — Homicídios: 3.441 | População: 5.003.954 | Taxa de homicídios: 68,77
  • 16º Irapuato (México) — Homicídios: 548 | População: 883.614 | Taxa de homicídios: 62,02
  • 17º Juárez (México) — Homicídios: 950 | População: 1.581.712 | Taxa de homicídios: 60,06
  • 18º Tijuana (México) — Homicídios: 1.185 | População: 2.046.510 | Taxa de homicídios: 57,90
  • 19º Durban (África do Sul) — Homicídios: 2.390 | População: 4.167.531 | Taxa de homicídios: 57,35
  • 20º Palmira (Colômbia) — Homicídios: 204 | População: 366.437 | Taxa de homicídios: 55,67
  • 21º Celaya (México) — Homicídios: 404 | População: 751.648 | Taxa de homicídios: 53,74
  • 22º Buffalo (África do Sul) — Homicídios: 409 | População: 786.664 | Taxa de homicídios: 51,99
  • 23º Cuernavaca (México) — Homicídios: 464 | População: 894.817 | Taxa de homicídios: 51,83
  • 24º Cali (Colômbia) — Homicídios: 1.148 | População: 2.451.149 | Taxa de homicídios: 46,84
  • 25º Porto de Espanha (Trinidad e Tobago) — Homicídios: 228 | População: 498.898 | Taxa de homicídios: 45,70
  • 26º Buenaventura (Colômbia) — Homicídios: 145 | População: 322.388 | Taxa de homicídios: 44,98
  • 27º Uruapan (México) — Homicídios: 163 | População: 369.877 | Taxa de homicídios: 44,08
  • 28º Cúcuta (Colômbia) — Homicídios: 424 | População: 1.018.234 | Taxa de homicídios: 41,64
  • 29º Santa Marta (Colômbia) — Homicídios: 295 | População: 730.417 | Taxa de homicídios: 40,39
  • 30º Pereira (Colômbia) — Homicídios: 400 | População: 991.097 | Taxa de homicídios: 40,36
  • 31º Joanesburgo (África do Sul) — Homicídios: 2.569 | População: 6.495.356 | Taxa de homicídios: 39,55
  • 32º Fortaleza (Brasil) — Homicídios: 1.570 | População: 4.006.089 | Taxa de homicídios: 39,19
  • 33º Feira de Santana (Brasil) — Homicídios: 250 | População: 660.806 | Taxa de homicídios: 37,83
  • 34º Cartagena (Colômbia) — Homicídios: 491 | População: 1.321.900 | Taxa de homicídios: 37,14
  • 35º Guatemala (Guatemala) — Homicídios: 1.270 | População: 3.442.805 | Taxa de homicídios: 36,89
  • 36º Recife (Brasil) — Homicídios: 1.452 | População: 3.961.730 | Taxa de homicídios: 36,65
  • 37º Chilpancingo (México) — Homicídios: 141 | População: 384.584 | Taxa de homicídios: 36,54
  • 38º Maceió (Brasil) — Homicídios: 359 | População: 994.952 | Taxa de homicídios: 36,08
  • 39º Centro (México) — Homicídios: 344 | População: 977.878 | Taxa de homicídios: 35,16
  • 40º Chihuahua (México) — Homicídios: 337 | População: 980.614 | Taxa de homicídios: 34,42
  • 41º Nova Orleans (Estados Unidos) — Homicídios: 121 | População: 362.701 | Taxa de homicídios: 33,36
  • 42º Barranquilla (Colômbia) — Homicídios: 761 | População: 2.338.569 | Taxa de homicídios: 32,54
  • 43º Cleveland (Estados Unidos) — Homicídios: 118 | População: 365.379 | Taxa de homicídios: 32,30
  • 44º Salvador (Brasil) — Homicídios: 1.128 | População: 3.623.330 | Taxa de homicídios: 31,13
  • 45º Pietermaritzburg (África do Sul) — Homicídios: 296 | População: 962.000 | Taxa de homicídios: 30,77
  • 46º Memphis (Estados Unidos) — Homicídios: 184 | População: 610.919 | Taxa de homicídios: 30,12
  • 47º Hermosillo (México) — Homicídios: 290 | População: 963.185 | Taxa de homicídios: 30,11
  • 48º Porto Velho (Brasil) — Homicídios: 163 | População: 542.022 | Taxa de homicídios: 30,07
  • 49º Santo Domingo (Equador) — Homicídios: 140 | População: 466.841 | Taxa de homicídios: 29,99
  • 50º León (México) — Homicídios: 624 | População: 2.096.556 | Taxa de homicídios: 29,79

Em nota, a Prefeitura de Porto Velho informou que recebeu os dados do levantamento e afirmou que o combate à violência exige atuação integrada entre os órgãos públicos. A administração destacou que, embora a segurança pública seja responsabilidade do Governo de Rondônia, tem adotado medidas para colaborar com a prevenção da criminalidade, como a implantação da Atividade Delegada e a criação da Guarda Municipal.

Leia também: Atlas da Violência: 5 estados da Região Norte lideram número de homicídios em 2023

Porto Velho está entre as 50 cidades com maiores taxas de homicídio do mundo. Foto: @rawpixel-com/ Freepik

Entramos em contato com a Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec) de Porto Velho, mas não recebemos resposta até a última atualização desta reportagem.

Como o ranking é elaborado

O levantamento é elaborado anualmente pelo Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal, organização da sociedade civil sediada no México.

O estudo considera apenas cidades com mais de 300 mil habitantes e usa como principal indicador a taxa de homicídios por 100 mil habitantes. O índice é calculado dividindo o número de homicídios pela população da cidade e multiplicando o resultado por 100 mil, o que permite comparar municípios de diferentes tamanhos.

Segundo a organização, os dados são obtidos, na maior parte dos casos, em fontes oficiais de cada país. Quando essas informações não estão disponíveis ou apresentam inconsistências, o relatório pode usar estimativas ou dados de outras fontes independentes.

Porto Velho
Porto Velho está entre as 50 cidades com maiores taxas de homicídio do mundo. Foto: Frank Nery

A metodologia também exclui mortes causadas por conflitos armados, como guerras civis ou internacionais, seguindo critérios adotados por organismos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). De acordo com o Conselho Cidadão, o objetivo do ranking é dar visibilidade à violência letal nas cidades, ampliar a transparência dos indicadores e incentivar a adoção de políticas públicas para reduzir os homicídios.

*Por Rede Amazônica Rondônia.

AgroBV 2026 destaca potencial da agricultura familiar de Boa Vista

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A iniciativa representa uma importante vitrine para valorizar a agricultura familiar e fortalecer a comercialização direta. Foto: Divulgação/ PMBV

Antes da abertura dos portões do Centro de Difusão Tecnológica (CDT) para o AgroBV, o Maior Evento do Agronegócio de Roraima, agricultores familiares intensificam os preparativos para apresentar ao público o resultado do trabalho desenvolvido no campo. Com dedicação, os alimentos e demais itens são selecionados para exposição e comercialização durante a programação.

A iniciativa representa uma importante vitrine para valorizar a agricultura familiar, fortalecer a comercialização direta, aproximar produtores e consumidores e impulsionar o desenvolvimento do setor. Entre os participantes está a produtora Ildeane Vieira, do Projeto de Assentamento (PA) Nova Amazônia, que levará sua produção de mel e aproveitará as oportunidades de negócios.

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Na AgroBV 2026, o evento contará com a participação de 20 agricultores familiares. Crédito: PMBV.
Nesta edição, o evento contará com a participação de 20 agricultores familiares. Crédito: PMBV.

“Neste ano, por meio da nossa cooperativa, vamos levar nossa produção tanto em sachês quanto em garrafas. Hoje, temos uma agroindústria. Poder apresentar nossos produtos no AgroBV é sempre muito importante. O evento amplia nossa visão e abre novas oportunidades. Também participamos levando nossos porcos para serem expostos na Fazendinha”, contou.

Um dos grandes diferenciais do AgroBV é a gratuidade dos estandes destinados a empresas expositoras, agricultores familiares e empreendedores. Ao todo, a edição deste ano contará com 80 expositores, além de 20 beneficiários da Agência Municipal de Empreendedorismo (AME), 20 agricultores familiares e 30 espaços destinados a ambulantes.

Leia também: AgroBV 2026 conta com ampla estrutura para impulsionar o agronegócio

Foto 3: Produtos são comercializados nos quatro dias de programação. Crédito: PMBV.
Produtos são comercializados nos quatro dias de programação. Crédito: Divulgação/PMBV

“O AgroBV também é um espaço de valorização da agricultura familiar. Aqui, os pequenos produtores têm a oportunidade de expor e comercializar o que produzem diretamente ao consumidor, gerando renda, conquistando novos clientes e mostrando a qualidade do trabalho desenvolvido no campo”, destacou o secretário municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva.

Vem aí!

Consolidado, o AgroBV deve receber mais de 80 mil visitantes ao longo dos quatro dias de programação, no Centro de Difusão Tecnológica, localizado na região do Bom Intento, zona rural de Boa Vista. Entre os dias 30 de julho e 2 de agosto, o público terá acesso a oportunidades de negócios, capacitações, inovação e integração entre produtores, empresas e instituições do setor.

Psicodélico presente na ayahuasca pode ajudar o cérebro a produzir novos neurônios, apontam pesquisadores

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Ayahuasca é utilizada por diferentes povos originários da Amazônia em contextos cerimoniais, espirituais e terapêuticos. Imagem: Shelley Evans via Pixabay

Durante boa parte do século XX, ensinou-se que nascemos com um número fixo de neurônios e que, dali em diante, a conta só diminui. A história, hoje sabemos, não é bem assim. Muitos animais, inclusive humanos, mantêm, na vida adulta, uma pequena reserva de células-tronco neurais: células capazes de se multiplicar e, em princípio, originar novos neurônios. Na maior parte do tempo, elas ficam quietas, quase dormentes.

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Se essa reserva existe no cérebro humano, seria possível estimular essas células a gerar novos neurônios? E uma molécula psicodélica poderia servir de estímulo? Foi o que decidimos investigar.

Muito além da viagem

A dimetiltriptamina (DMT, ou N,N-dimetiltriptamina), é um psicodélico de ação rápida, conhecido por produzir alterações profundas da percepção, da experiência do tempo e da própria identidade, frequentemente descritas como uma dissolução das fronteiras do “eu”.

É o principal componente psicodélico da ayahuasca, cuja história antecede em muitos séculos a investigação científica moderna. Diferentes povos originários da Amazônia utilizam preparações vegetais contendo a substância em contextos cerimoniais, espirituais e terapêuticos.

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Embora a DMT tenha sido sintetizada pela primeira vez em 1931 pelo químico canadense Richard Manske, foi o pernambucano Oswaldo Gonçalves de Lima quem, em 1946, isolou da jurema-preta (Mimosa tenuiflora) uma substância que, mais tarde, demonstrou-se ser DMT, a partir de seus estudos sobre o tradicional “vinho da jurema” utilizado por povos indígenas do Nordeste brasileiro.

Os efeitos psicodélicos da DMT em seres humanos só seriam caracterizados experimentalmente na década de 1950, nos trabalhos do psiquiatra Stephen Szára.

Nos últimos anos, a atenção se deslocou da mente para a célula. E descobriu-se que os efeitos agudos da DMT vêm sobretudo de sua ação sobre um receptor de serotonina, o 5-HT2A.

Quase tudo isso, no entanto, foi observado em roedores. E o cérebro de um camundongo não é igual ao nosso.

Faltava perguntar o que a DMT faz às células neurais humanas, em especial a uma população menos badalada que os neurônios: as células progenitoras neurais.

O cérebro guarda uma reserva?

A ideia de que o cérebro adulto não se regenera tem uma origem ilustre. Em 1913, Santiago Ramón y Cajal, um dos fundadores da neurociência, afirmou que, no sistema nervoso adulto, tudo pode morrer e nada se regenera. A sentença virou dogma por décadas. Só em 1998 surgiu a primeira evidência de que o cérebro humano adulto talvez fizesse o mesmo.

Um estudo de 2018 concluiu que a produção de novos neurônios despenca a níveis quase indetectáveis depois da infância. Porém, um outro estudo, de 2019, encontrou novos neurônios surgindo durante toda a vida adulta e outros pesquisadores também flagraram células progenitoras neurais se multiplicando. Desde então, vários outros grupos de pesquisa no mundo com técnicas moleculares mais modernas vêm reacendendo o antigo debate.

O consenso possível é que essas células-tronco neurais são raras e passam a maior parte do tempo em repouso. Difíceis de encontrar, e mais difíceis ainda de testar dentro de um cérebro vivo. Para estudá-las, é preciso criatividade.

ayahuasca
Cipó de ayahuasca. Foto: Reprodução/Agência Fapesp

Como espiar um cérebro humano numa placa?

Recorremos a uma tecnologia reconhecida com o Nobel de 2012: a reprogramação celular. É possível obter uma célula adulta humana, como a da pele, e reconduzi-la a um estado imaturo, semelhante ao embrionário. São as chamadas células-tronco de pluripotência induzida. A partir delas, com os estímulos certos, geramos células-tronco neurais.

São um modelo biológico vivo, como um avatar, que nos ajuda a perguntar, por exemplo, aquilo que não se pode fazer em uma pessoa: uma exposição breve à DMT basta para tirar células-tronco neurais do repouso?

O que a DMT fez às células?

Expostas à DMT por um dia, uma fração maior das células passou a se multiplicar. Medimos isso com um marcador que só entra no DNA quando a célula está copiando o próprio material genético. Outros indicadores contaram a mesma história.

A DMT também mexeu com a produção das moléculas que ajudam as células neurais a sobreviver e se adaptar. O Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (na sigla em inglês, BDNF), nome recorrente nas conversas sobre antidepressivos, subiu de forma marcante, tanto na expressão do gene quanto na quantidade de proteína dentro da célula, cerca de cinco vezes.

A verdadeira surpresa, porém, foi o Fator de Crescimento do Nervo (NGF). Seu gene foi o que mais aumentou sua expressão, quase dez vezes, embora costume viver à sombra do BDNF nesse campo.

No dia seguinte, reunimos as células em neuroesferas, agora sem nenhuma DMT no meio. As células que haviam sido expostas previamente à DMT formaram neuroesferas maiores e metabolicamente mais ativas nos primeiros dias. A molécula já não estava presente. Sua marca, sim.

Eram mais células, não células diferentes. A proporção dos tipos celulares dentro das neuroesferas continuou igual à dos controles. A DMT parece ter deixado as células mais dispostas a se multiplicar, sem alterar o rumo de sua maturação.

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Se tudo terminasse numa placa, o resultado seria uma curiosidade elegante de laboratório

Mas pistas semelhantes vêm surgindo em animais. Em 2020, um grupo espanhol mostrou que a DMT estimula a neurogênese em roedores, embora com doses repetidas ao longo de semanas. Em 2026, pesquisadores brasileiros encurtaram a distância com os efeitos descritos depois de uma dose só em pessoas, ao observar que uma única dose bastou para restaurar marcadores de neurogênese em camundongos sob estresse crônico. Nas nossas células humanas, uma exposição única de 24 horas também foi suficiente.

Quando abordagens tão diferentes apontam para os mesmos processos, a hipótese deixa de parecer exótica. Porém, entre uma célula em cultura e um cérebro humano vivo há uma distância de complexidade.

Antes que alguém peça aos dados mais do que eles dizem, um lembrete. Fabricar um neurônio é uma jornada longa: a célula precisa “nascer”, precisa se multiplicar, sobreviver, amadurecer, virar neurônio e se integrar aos circuitos que já existem.

Nós observamos apenas o primeiro passo — mais células proliferando, e um sinal de crescimento que persistiu mesmo depois que a molécula saiu, acompanhado de outros mecanismos fisiológicos importantes.

Se essa reserva reage do mesmo modo dentro de um cérebro vivo, se essas células chegariam a virar neurônios funcionais, e se algo disso teria valor terapêutico, são perguntas ainda em aberto.

O que podemos dizer é mais modesto, e talvez mais interessante: uma molécula conhecida por dissolver as fronteiras do “eu” foi capaz de acordar, ainda que um pouco, o que costuma dormir.

Cabe mencionar que efeitos terapêuticos de DMT em humanos estão sendo testados por cientistas da UFRN e sugerem alívio rápido de sintomas depressivos após uma única dose. No setor privado, uma formulação bucal de DMT sintética está atualmente em estudo clínico para depressão resistente ao tratamento.

Podemos especular que essa capacidade terapêutica poderia também fazer células-tronco neurais se multiplicarem, gerarem neurônios e novas conexões, como demonstramos em laboratório.

Psicodélicos não são atalhos para consertar o cérebro, mas estão se revelando lentes poderosas para observar, em células humanas, o que antes só podíamos supor.


A pesquisa relatada neste artigo contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas da UFRJ, da Promega Corporation e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

O trabalho “Proliferative Effects of the Psychedelic N,N-Dimethyltryptamine (DMT) in Human Neural Stem Cells” está disponível para quem quiser saber mais.


Autores

  1. Stevens RehenPesquisador, Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
  2. José Alexandre SalernoProfessor do Departamento de Ciências Morfológicas, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo The Conversation sob a licença Creative Commons, com a colaboração de seis pesquisadores. Leia o original AQUI.

Generoso Ponce: Um controvertido herói da Guerra do Paraguai

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Generoso Paes Leme de Sousa Ponce. Foto: Acervo pessoal

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Nascido em Cuiabá (MT) em 1852, Generoso Paes Leme de Sousa Ponce foi morar ainda bebê nas dependências do Real Forte Príncipe da Beira, no atual estado de Rondônia, à época uma extensão do imenso Mato Grosso. Seu pai, o sargento José Ponce Martins, era o comandante dessa fortaleza icônica edificada no Brasil Colônia.

Com cerca de dez anos, Generoso Ponce voltou à sua terra de origem para estudar no Seminário de Cuiabá. Precoce, aos 13 anos, já era considerado maduro o suficiente para se alistar como voluntário na Guerra do Paraguai. Saiu de lá com o posto de primeiro-sargento cadete e foi considerado um herói de guerra aos 15.

No pós-guerra, Generoso Ponce continuou sua vida como agricultor e, posteriormente, ingressou no jornalismo e no comércio, trabalhando para Firmo José de Mattos, futuro Barão de Casalvasco. Firmo Mattos foi um político e magistrado que influenciaria significativamente a formação de Rondônia.

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Generoso Ponce tornou-se um notável na política; foi deputado, presidente do estado e senador. Ele liderou a primeira eleição para a Assembleia Constituinte do Mato Grosso, em 1891, da qual foi presidente. Também comandou o contragolpe de 1892, devolvendo o poder ao presidente Manoel Murtinho, deposto em janeiro por militares ligados ao general Antônio Maria Coelho.

Naquele ano, no início do ciclo republicano no Brasil, uma série de levantes ocorreu. Em Mato Grosso, surgiu um movimento separatista. Generoso Ponce decidiu reagir à tentativa de golpe, mobilizando um exército de centenas de homens que ele batizou como Legião Floriano Peixoto. Em reconhecimento a seu gesto de coragem, o presidente Floriano o nomeou coronel honorário do Exército.

O Assassinato do Governador Totó

Em 1906, Mato Grosso foi palco de mais uma revolta armada. No centro do conflito estavam Generoso Ponce e seu grupo de aliados. A confusão culminou na deposição e assassinato do governador, coronel Antônio Paes de Barros, conhecido como Totó Paes. Aos 55 anos, ele era um dos homens mais influentes e ricos do estado, proprietário de uma próspera usina de açúcar, a Usina de Itaicy, que começou a funcionar em 1897 às margens do Rio Cuiabá e foi o primeiro lugar a ter energia elétrica em todo o Mato Grosso.

No entanto, sua riqueza e poder não o blindaram das acusações sombrias que o perseguiam. Muitas denúncias apontavam que ele realizava torturas nas dependências de sua indústria e lavouras, usando porretes e facões para punir trabalhadores. Uma lista imensa de pessoas escravizadas em pleno Brasil República na usina de Paes de Barros foi divulgada em 1902 na imprensa nacional. A situação se agravava com a conivência de seu genro, que, como chefe de polícia em Cuiabá, era acusado de acobertar crimes de assaltos e assassinatos cometidos por familiares de Paes.

Mesmo assim, o usineiro foi eleito governador. A traição veio de onde menos se esperava: Ponce, um de seus antigos aliados, tornou-se o arquiteto de sua queda. Durante um ataque brutal orquestrado por forças políticas, Totó Paes foi caçado e morto em um esconderijo a cinco quilômetros de Cuiabá.

Em 1907, o próprio Ponce foi eleito governador, restabelecendo o poder da oligarquia local, já que Totó – mesmo com o currículo de escravocrata – representava uma ruptura em relação aos decanos da política local. Ao longo da história, Ponce passou a ser visto como herói, enquanto Totó, que foi morto após ser deposto e não oferecia risco aos revoltosos, teve seu nome esquecido. Todas as homenagens, como nomes de ruas, foram retiradas, e sua família teve que se refugiar no Rio de Janeiro devido às perseguições e ameaças. Até seu corpo foi enterrado fora do cemitério, no mesmo local em que foi morto; posteriormente, seus despojos foram levados para o Rio de Janeiro.

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Generoso Ponce

Generoso Ponce: controvérsias. Foto: Acervo pessoal/Júlio Olivar

A morte de Totó Paes ocorreu um ano antes do início da saga da Comissão Rondon e das obras da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Mas o governador Totó apoiou o Tratado de Petrópolis, que determinou a construção da ferrovia em solo mato-grossense, assinado durante o mandato de seu aliado na presidência da República, Rodrigues Alves.

Em 1908, durante seu governo, Ponce oficializou a criação do município de Santo Antônio do Rio Madeira, que vinha sendo embrionado na administração de Totó Paes. Santo Antônio pode ser considerado o berço do estado de Rondônia, pois foi a primeira cidade dentre todas as que existem no atual estado, além de figurar no Tratado de Petrópolis como o marco inicial da ferrovia que, posteriormente, começou a ser construída à altura do Ponto Velho, origem de Porto Velho.

Desde o início do século XX, já funcionava uma subprefeitura na localidade de Santo Antônio, subordinada a Cuiabá. Além disso, havia uma mesa de rendas e uma cadeia pública desde 1903, e os Correios foram instalados logo depois.
Quanto a Generoso Ponce, ele faleceu em 1911, no Rio de Janeiro, enquanto exercia o cargo de deputado federal. Santo Antônio foi instalado como município autônomo em 1912, com a criação da comarca e da prefeitura.

Em homenagem ao ex-governador, seu nome foi dado a uma vila ferroviária que pertencia a Santo Antônio. No entanto, posteriormente, a vila Generoso Ponce teve seu nome alterado para Jaci-Paraná — como era anteriormente chamada —, denominação que prevalece até os dias atuais. Hoje, há apenas uma rua em sua memória no velho distrito, que agora integra o município de Porto Velho. Santo Antônio foi extinto em 1945 e incorporado à atual capital de Rondônia.

DIFAMAÇÃO: Em plena “guerra” pela retomada da legalidade em Mato Grosso, em 1892, os inimigos de Floriano Peixoto tratavam de espalhar notícias não comprovadas acerca dos legalistas. Nessa rede contra a reputação dos políticos florianistas, não havia limites, e sobrou para Generoso Ponce. Um dos maiores jornais do Brasil, O Paiz, sediado no Rio de Janeiro, publicou em 4 de novembro de 1892: “Bandido e assassino, tendo envenenado o pai da mulher que raptou e com quem convivia, para lhe roubar a fortuna”.

O mesmo Ponce engendrou a marcha que matou o governador instituído legalmente, Totó Paes — um episódio emblemático que a historiografia oficial tenta apagar.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Emergência fitossanitária é prorrogada por mais um ano devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre

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Emergência fitossanitária é prorrogada devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre. Foto: Divulgação/Mapa

Foi prorrogado pelo quinto ano o prazo de vigência da emergência fitossanitária devido à presença da praga quarentenária monilíase, identificada em 2021 no Acre, que ataca frutos do cacau e do cupuaçu. A portaria do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) do dia 24 de julho, e estende a emergência por mais um ano.

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A medida mantém as medidas já estabelecidas pelo governo federal para prevenir a disseminação da doença no estado. O texto entra em vigor no próximo dia 5 de agosto e também abrange os estados do Amazonas, Pará e Rondônia, que apresentam risco de introdução da praga.

Em entrevista, o superintendente do Mapa no Acre, Paulo Trindade, explicou que o foco da monilíase no estado permanece restrito em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Marechal Thaumaturgo. O estado acreano segue desde 2022 como área sob quarentena para a praga.

“Tanto o monitoramento quanto as medidas de contenção executados no Acre são referência, pois têm impedido a dispersão da praga para fora das áreas onde inicialmente ela foi encontrada. Em todo o estado é realizado o monitoramento em propriedades duas vezes ao ano”, destacou.

Leia também: Conheça a monilíase, doença fúngica que atinge o cupuaçu e o cacau

Emergência fitossanitária é prorrogada por mais um ano devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre
Emergência fitossanitária é prorrogada por mais um ano devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre. Foto: Reprodução/Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais

Praga: a monilíase é uma das pragas mais devastadoras da agricultura nacional. A doença ataca severamente os frutos de cacau e cupuaçu. A infecção provoca o apodrecimento progressivo das culturas, com potencial para destruir até 80% de toda uma plantação.

Entre as ações previstas no plano emergencial está a identificação das áreas que devem ser monitoradas, com base em dados georreferenciados. Além disso, a medida busca ampliar a vigilância fitossanitária em regiões consideradas mais vulneráveis à disseminação da doença.

Conforme o decreto, o Mapa também vai manter as ações de educação fitossanitária voltadas aos produtores rurais e demais envolvidos na produção do cacau e do cupuaçu. As orientações incluem medidas preventivas para identificação precoce e manejo adequado dos focos da praga.

Emergência fitossanitária é prorrogada por mais um ano devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre. Foto: Reprodução/GettyImages

Leia também: Estudo de novas variedades de cacau no Peru determinará sua resistência ao clima e às pragas

Além disso, continuam previstas as ações de monitoramento, supressão e erradicação nas áreas onde houver confirmação da presença do fungo, já estabelecidas na portaria nº 818, de 21 de julho de 2025, assim como procedimentos adicionais de biossegurança para o transporte de amêndoas de cacau.

Praga ameaça produção

A Moniliophthora roreri é um fungo que provoca a chamada monilíase do cacaueiro, doença capaz de comprometer grande parte da produção ao atingir diretamente os frutos. Entre os sintomas estão manchas escuras, deformações e o apodrecimento dos frutos infectados.

Por se tratar de uma praga quarentenária, a presença do fungo exige a adoção de medidas rigorosas de controle para evitar sua disseminação. A doença representa um risco econômico significativo para produtores de cacau e cupuaçu, especialmente na região amazônica.

Emergência há 5 anos

A situação de emergência fitossanitária no Acre está em vigor há cinco anos. A medida permite ao governo federal adotar ações excepcionais para conter a propagação da praga, além de reforçar o monitoramento em áreas produtoras.

A cidade de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, foi que registrou o primeiro foco no Brasil de monilíase em julho de 2021, e, desde então, o governo tem tomado algumas medidas para conter o avanço da praga na região e também para outros estados.

Emergência fitossanitária é prorrogada por mais um ano devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre. Foto: Reprodução/Facebook-@mercadodocacau

Com a prorrogação, o Ministério da Agricultura (Mapa) busca garantir a continuidade das estratégias de prevenção e controle, reduzindo os impactos sobre a produção agrícola nos estados da Região Norte atingidos ou ameaçados pela doença.

Até novembro de 2021, primeiro ano de emergência no estado, mais de 580 árvores já haviam sido cortadas no interior do Acre. À época, o Idaf queria isolar a propagação da doença para que não chegasse à zona rural e nem em outros estados do Brasil.

Monilíase do cacaueiro

A monilíase é uma doença devastadora que afeta, principalmente, plantas do gênero Theobroma, como o cacau (Theobroma cacao L.) e o cupuaçu (Theobroma grandiflorum). A doença requer medidas adicionais de manejo e aplicação de fungicidas para o controle da praga.

Essa é uma doença que atinge somente as plantas hospedeiras do fungo, sem riscos de danos à saúde humana. O Ministério alerta que, devido ao seu potencial de danos às culturas, é de fundamental importância a notificação imediata de quaisquer suspeitas de ocorrência da praga.

Emergência fitossanitária é prorrogada por mais um ano devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre. Foto: Reprodução/Associação Bean To Bar Brasil

Entre os principais sintomas, estão deformações nos frutos jovens, o surgimento de manchas escuras (cor de chocolate) dentro do fruto e, por fim, uma camada densa de pó esbranquiçado ou creme na casca, que são os esporos prontos para se espalhar pelo vento após a contaminação.

*Por Walace Gomes, Rede Amazônica Acre.

Calor extremo e seca: Amazonas pode enfrentar trimestre com calor extremo e menos chuva

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El Niño forte e Atlântico aquecido acendem alerta para calor extremo e seca no Amazonas — Foto: Arquivos/Rede Amazônica

O Amazonas pode enfrentar calor extremo, chuvas abaixo da média e aceleração da vazante dos rios entre agosto e outubro de 2026. O alerta é baseado em projeções meteorológicas que apontam para o fortalecimento do fenômeno El Niño e para o aquecimento do Oceano Atlântico, fatores que reduzem as chuvas na região e aumentam o risco de seca, queimadas e problemas de abastecimento.

A meteorologista Andrea Ramos, responsável pelas projeções, explica que o trimestre já corresponde ao período mais quente e seco do ano no estado. Neste ano, porém, a atuação dos fenômenos climáticos pode agravar o cenário.

“O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera os padrões do clima no mundo. Ele acontece com frequência a cada dois a sete anos. No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos”, explica Ramos.

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calor em manaus, amazonas - cuidados com a saúde no calor
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Segundo a especialista, há aumento do risco de incêndios florestais, problemas causados pelo calor e pela fumaça, além de restrições na navegação dos rios Solimões, Negro, Madeira, Purus e Juruá.

Andrea Ramos também destaca que há 81% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026.

De acordo com o boletim mais recente da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), o El Niño de 2026-2027 tem potencial para se tornar um dos mais intensos da série histórica.

“As projeções mais recentes indicam que o El Niño de 2026–2027 tem potencial para se tornar um dos mais intensos da série histórica, mas ele ainda está em fase de fortalecimento. Existe possibilidade de intensidade oceânica comparável ou até superior à do evento de 2023–2024, mas isso ainda é uma projeção”, explica a meteorologista.

Por que está tão quente?

As altas temperaturas registradas nas últimas semanas em Manaus são explicadas principalmente pelo verão amazônico, período marcado pela redução das chuvas e da cobertura de nuvens.

“Esse calor observado em Manaus e em grande parte do Amazonas é explicado, em primeiro lugar, pelo verão amazônico. Com a redução das chuvas e da cobertura de nuvens, aumenta a incidência de radiação solar sobre a superfície, permitindo um aquecimento mais intenso durante o dia. Ao mesmo tempo, a menor umidade do solo reduz o resfriamento produzido pela evaporação da água”, explicou.

Segundo Andrea Ramos, o El Niño atua como um fator de intensificação ao favorecer a redução das chuvas no Centro-Norte do país.

“O verão amazônico fornece a condição sazonal básica para o calor, enquanto o El Niño atua como um possível fator de intensificação”, resume

Leia também: Amazônia recupera superfície de água após dois anos de seca severa

Imagem colorida mostra homem bebendo água em garrafa de armazenamento sob forte calor em uma praça de Manaus
Calor perto de 36°C marca fim de semana e segunda em Manaus — Foto: Nainy Castelo Branco/Rede Amazônica Amazonas

Temperaturas podem bater recordes?

A previsão climática da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe) indica temperaturas acima da média em todo o Amazonas entre agosto e outubro.

Nesse cenário, há possibilidade de novos recordes de calor, especialmente se houver longos períodos sem chuva.

Temperaturas acima de 35°C devem ocorrer em diversos momentos do trimestre. Já marcas próximas ou superiores a 40°C são menos frequentes, mas não podem ser descartadas.

“A combinação entre verão amazônico, chuvas abaixo da média, solo seco e fortalecimento do El Niño cria um ambiente favorável a episódios de calor intenso e até a novos recordes locais. Temperaturas entre 38°C e 39°C possuem precedentes; atingir ou ultrapassar 40°C seria uma condição excepcional”, destaca.

Vazante dos rios preocupa

A combinação de pouca chuva e calor acelera a descida dos rios ao reduzir a reposição de água nas bacias e aumentar a evapotranspiração.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) já identificou o início da vazante nos rios Solimões e Negro, em Manaus. Embora os níveis ainda estejam próximos da média histórica, a especialista ressalta a necessidade de monitoramento constante.

O pico da vazante costuma ocorrer entre setembro e novembro. Os rios Madeira, Purus e Juruá podem enfrentar restrições de navegação em diferentes períodos. Já os rios Solimões e Negro também devem registrar pontos críticos para o tráfego de embarcações, o que pode dificultar o abastecimento de comunidades ribeirinhas.

Calor, fumaça e riscos à saúde

Em Manaus, a combinação entre altas temperaturas e elevada umidade do ar deve aumentar a sensação de abafamento, inclusive durante a noite.

No interior do estado, o cenário pode ser ainda mais complexo, principalmente em áreas afetadas pela fumaça e pelo ar mais seco.

Imagem colorida mostra homem velho de costa arrastando carrinho de compras pequeno com uma mãe e o chão quebrado em virtude de seca de rio, que é visto ao fundo
Seca em Manaus leva a dificuldade de locomoção — Foto: Reprodução/TV Amazonas – Rede Amazônica

“Nas áreas do interior, principalmente onde o ar estiver mais seco e houver fumaça, o problema pode envolver simultaneamente calor, desidratação, irritação respiratória e piora da qualidade do ar. É importante diferenciar umidade relativa baixa de sensação de abafamento”, alerta Andrea Ramos.

A meteorologista explica que a umidade relativa do ar pode cair significativamente durante as tardes, favorecendo o ressecamento das vias aéreas. Já durante a noite, a alta umidade tende a aumentar a sensação térmica e o desconforto provocado pelo calor.

*por Lucas Macedo – da Rede Amazônica Amazonas

Áreas de risco geológico de Xapuri e Brasiléia têm mapeamentos atualizados pelo SGB

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Município de Xapuri (AC). Foto: Reprodução/SGB

Novos estudos sobre áreas de risco geológico foram concluídos nos municípios de Xapuri e Brasiléia, no Acre. Os levantamentos, realizados em maio de 2026, atualizaram o mapeamento de setores sujeitos a processos como inundação, erosão fluvial e deslocamento do solo. Os relatórios técnicos foram elaborados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). Os dois municípios são monitorados pelo Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Acre.

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Em Xapuri, as atividades de campo ocorreram entre os dias 19 e 22 de maio. O estudo identificou seis áreas de risco geológico, sendo quatro classificadas como de risco alto e duas como de risco muito alto, associadas principalmente a processos de inundação e erosão fluvial. Ao todo, foram contabilizados mais de 600 imóveis e quase 2,5 mil pessoas em áreas de risco.

Em comparação ao levantamento realizado em 2015, houve aumento no número de edificações e pessoas em situação de risco que, segundo o relatório, está relacionado, em parte, à inclusão das edificações localizadas na área central e histórica da cidade, sujeitas a inundações registradas durante as cheias de 2023 e 2024.

As áreas mapeadas estão distribuídas pelos bairros Sibéria, Centro, Bolívia e Pantanal. Durante os trabalhos também foi registrado, na zona rural, um deslizamento de grande porte associado ao deslocamento do solo, sem impacto sobre edificações.

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Áreas de risco geológico de Xapuri e Brasiléia têm mapeamentos atualizados pelo SGB
Município de Brasiléia (AC). Foto: Reprodução/SGB

Áreas contam com relatórios técnicos

Já em Brasiléia, os levantamentos foram realizados entre os dias 12 e 15 de maio. O estudo identificou cinco áreas classificadas como de risco alto, associadas a processos de inundação, erosão fluvial e deslocamento do solo. Foram mapeados mais de 2 mil imóveis em áreas de risco, onde vivem aproximadamente 9 mil pessoas.

Em relação ao levantamento anterior, realizado em 2019, os setores de risco passaram por atualização metodológica e reagrupamento e, apesar da redução no número de áreas de risco, houve aumento no número de imóveis e de pessoas em situação de risco.

As áreas mapeadas abrangem os bairros Raimundo Chaar, Marcos Galvão, Centro, Eldorado, Leonardo Barbosa, Sumaúma e 28 de Maio, além das colônias Novo Horizonte e Novo Destino, na zona rural.

Leia também: Você sabe qual cidade acreana já foi ‘Brasília’?

Os relatórios técnicos completos podem ser consultados no Repositório Institucional de Geociências do SGB (Rigeo): Xapuri (AC) e Brasiléia (AC).

*Com informações do SGB