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Projeto Amazônia Que Eu Quero promove primeiro Encontro de Embaixadores da Região Norte

Foto: Divulgação

A Fundação Rede Amazônica realizou, na tarde desta terça-feira (2), o 1º Encontro de Embaixadores do projeto Amazônia Que Eu Quero. Realizado de forma on-line, o evento reuniu embaixadores dos estados do Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e Pará, além de representantes do Grupo Rede Amazônica nos estados onde o projeto é desenvolvido.

A iniciativa foi criada para fortalecer a rede de embaixadores do projeto, promover conexões entre os participantes e ampliar o alcance das discussões realizadas ao longo da temporada do Amazônia Que Eu Quero.

A abertura do encontro foi conduzida pela coordenadora do projeto, Ruthiene Bindá, que destacou a importância dos embaixadores para a disseminação dos debates promovidos pela iniciativa. “Os embaixadores desenvolvem papel fundamental no processo de divulgação do projeto. Desejamos que eles utilizem do alcance profissional, seja no setor empresarial ou institucional, para ampliar o conhecimento sobre essa iniciativa, que estimula reflexões sobre temas relevantes para os amazônidas e para todos que vivem na Amazônia”, afirmou.

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Durante o evento, a diretora-presidente da Fundação Rede Amazônica, Cláudia Daou Paixão, reforçou o propósito que deu origem ao projeto e sua contribuição para o fortalecimento da participação cidadã. “O programa foi idealizado com o objetivo de promover a educação política e ampliar a participação dos principais agentes e setores da sociedade, tanto públicos quanto civis, além de incentivar o envolvimento ativo da população por meio dos painéis e dos temas debatidos ao longo do ano”, destacou.

O encontro contou com a participação dos embaixadores Carolina Gregório (Rondônia), Isan Anijar (Pará) e Ilana Mivev (Amazonas), que compartilharam experiências e reflexões relacionadas ao tema da temporada 2026, “Democracia na Era Digital: o uso das novas tecnologias no processo eleitoral”.

Carolina Gregório, diretora-presidente das operações da Aegea em Rondônia, trouxe uma reflexão sobre a relação entre informação e coerência na construção da Amazônia que a sociedade deseja para o futuro. Já Isan Anijar, presidente da Associação Comercial do Pará, destacou que, embora a tecnologia seja uma ferramenta essencial para o desenvolvimento, são os valores, a ética e o compromisso com as próximas gerações que definirão o futuro da democracia e da região amazônica.

A diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, ressaltou que o Amazônia Que Eu Quero busca reunir diferentes segmentos da sociedade em torno de propostas concretas para o desenvolvimento regional. “O Amazônia Que Eu Quero envolve gestores públicos, lideranças sociais e representantes da iniciativa privada. A ideia é construir uma visão ampla sobre os desafios da região para que, ao final de cada edição, possamos deixar um legado para a Amazônia, com propostas viáveis, capazes de contribuir para a gestão pública e fortalecer a participação da sociedade”, afirmou.

O encontro marca o início de uma agenda de aproximação e fortalecimento da rede de embaixadores do projeto, ampliando a participação de lideranças regionais nos debates sobre o presente e o futuro da Amazônia.

Sobre o Amazônia Que Eu Quero

Criado em 2019, o Amazônia Que Eu Quero é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica e do Grupo Rede Amazônica que promove debates, escuta social e construção coletiva de propostas para o desenvolvimento sustentável da região. Ao longo de suas edições, o projeto reúne especialistas, gestores públicos, representantes da iniciativa privada, lideranças sociais e a população para discutir temas estratégicos para a Amazônia, transformando contribuições em Cadernos de Soluções entregues a autoridades e instituições responsáveis pela formulação de políticas públicas.

AmazonFace vai estudar como a Amazônia reage a ambiente rico em dióxido de carbono

Anéis em torno das seis parcelas da floresta amazônica em que serão feitas as pesquisas do AmazonFace sobre os efeitos de uma atmosfera enriquecida com CO2. Foto: Dado Galdieri/AmazonFace

Água, luz solar e dióxido de carbono (CO2) são os reagentes que servem de combustível para as plantas fazerem fotossíntese, processo que lhes fornece energia para crescer e se manter vivas. Como se comportaria a Amazônia, a maior floresta tropical do planeta, onde se estima haver 400 bilhões de árvores, se a quantidade de um desses ingredientes, o CO2, principal gás responsável pelo aquecimento global, fosse 50% maior do que a atual? Essa é a grande pergunta que vai orientar as atividades do principal experimento de campo do programa AmazonFace, uma colaboração internacional que se iniciou em 2011 e entra agora em sua fase mais importante.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: como funciona o CO₂ na atmosfera?

Em junho, começam os testes finais das instalações que vão monitorar em detalhes, pelos próximos 10 anos, seis parcelas de floresta adulta e preservada na reserva ZF2, uma estação experimental do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), localizada a cerca de 70 quilômetros ao norte do centro de Manaus.

Torre de liberação de CO2 na atmosfera. Foto: João M. Rosa/AmazonFace

A tecnologia usada em campo é denominada free-air CO2 enrichment (Face) e serviu de inspiração para o nome do programa. Foi criada na década de 1990 nos Estados Unidos e tem sido empregada em estudos que tentam entender o impacto de uma atmosfera rica em CO2 sobre o comportamento de diversos tipos de vegetação.

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Em linhas gerais, um ar com mais dióxido de carbono produz nas plantas, em maior ou menor grau, um efeito similar ao emprego de um adubo no solo: promove seu crescimento. É como se o excesso de CO2 disponível atuasse como um fertilizante: as espécies vegetais retiram mais desse gás da atmosfera e contam com um combustível extra para fazer fotossíntese.

Os pesquisadores utilizam comumente a expressão “fertilização por CO2”. Ao retirar mais dióxido de carbono da atmosfera, um efeito benéfico ao aquecimento global e às mudanças climáticas, as plantas fixam mais carbono e tendem a produzir mais biomassa (troncos, galhos e folhas). Esse é o quadro genérico, derivado de estudos feitos em pequena escala, geralmente com uma ou poucas espécies vegetais.

Em campo, ainda mais em meio a uma floresta tão biodiversa como a amazônica, onde deve haver cerca de 16 mil espécies vegetais, ninguém sabe ao certo qual seria o impacto da fertilização por CO2 no ecossistema como um todo. É razoável pensar que a floresta turbinada por uma dose extra desse gás pode mudar a forma como as plantas interagem entre si, adaptam-se às mudanças climáticas e usam os insumos disponíveis, como água e nutrientes.

“O experimento é o primeiro no mundo que vai usar a tecnologia Face para estudar uma floresta tropical. Os outros trabalhos foram feitos em zonas de clima temperado, que têm uma vegetação diferente da Amazônia”, comenta o ecólogo e meteorologista David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um dos dois coordenadores nacionais do AmazonFace. “Se não houver nenhum problema nos testes, deveremos iniciar oficialmente as medições contínuas nas seis parcelas de floresta em agosto”.

Uma estrutura significativa foi montada na estação do Inpa. Cada uma das seis parcelas é circundada por um anel com 30 metros (m) de diâmetro, formado por 16 torres de 35 m de altura conectadas a um tanque de armazenamento de CO2 líquido. Durante o dia, quando há luz solar e os vegetais absorvem dióxido de carbono para fazer fotossíntese, três parcelas serão “alimentadas” com ar enriquecido por uma dose extra desse gás.

Arte: Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP

O reforço elevará a concentração diurna de dióxido de carbono no interior desse trio de anéis das atuais 420 partes por milhão (ppm) para 620 ppm, concentração que a atmosfera terrestre poderá atingir nos próximos 50 anos ou até o final do século, segundo algumas estimativas. Nos outros três anéis, que funcionam como uma espécie de grupo de controle, será aspergido ar com a quantidade atual de dióxido de carbono. O aumento na concentração de CO2 empregado no experimento é da mesma ordem de grandeza do que ocorreu no planeta entre o final do século XIX e hoje, quando a concentração atmosférica do gás se elevou em 50%, de 280 para 420 ppm.

No AmazonFace, será possível acompanhar a evolução ao longo do tempo das parcelas de floresta mantidas em um ar rico em CO2 com as que vivem sob uma atmosfera com a concentração atual desse gás. Os anéis foram instalados em pontos muito próximos da floresta, em ambientes praticamente iguais. Distam entre si cerca de 90 metros.

A única grande diferença é a quantidade extra de dióxido de carbono em três das seis parcelas. “Dentro de cada anel, há entre 50 e 70 árvores maduras, sem contar a vegetação de menor porte. Dificilmente existe mais de um exemplar de uma mesma espécie arbórea em cada parcela. Nos seis anéis, deve haver cerca de 400 espécies. Vamos ver no experimento, entre outras questões, quais espécies vão se dar bem ou mal no ambiente rico em CO2”, explica o engenheiro florestal Carlos Alberto Quesada, especialista em solos do Inpa, o outro coordenador nacional do AmazonFace.

“Os estudos com a tecnologia Face costumam ser feitos em áreas de floresta formadas por apenas uma ou duas espécies de árvores.” Na Austrália, por exemplo, está em curso um experimento desse tipo em uma mata nativa constituída predominantemente por eucaliptos, espécie originária da Oceania.

Visão da parte interna de um anel. Foto: João M. Rosa/AmazonFace

Uma série de dispositivos foram instalados nas parcelas para fornecer informações para os estudos e facilitar o trabalho dos cientistas. Diferentes tipos de sensores registram quase tudo que pode ser mensurado no ambiente sob influência dos anéis: temperatura, direção do vento, concentração de dióxido de carbono (entre outros parâmetros atmosféricos), taxa de fotossíntese nas folhas das plantas, dinâmica das raízes e presença de nutrientes no solo.

Medições periódicas da biomassa das plantas vão verificar se e quanto as árvores estão engordando com a dieta extra de CO2. Cada anel do AmazonFace conta ainda com os serviços de um guindaste especial de 45 m de altura, que foi usado para a construção das torres do sistema, e será empregado, de agora em diante, como meio de acesso à copa das árvores para a realização de medições.

De 2019 a 2022, o AmazonFace contou com seis pequenas câmaras de topo aberto, com diâmetro de 2,5 m e 3 m de altura, um tipo de estrutura que lembra uma estufa circular com um buraco no teto e é usado há décadas para estudar a reação de plantas a ambientes ricos em CO2. Instaladas a cerca de 100 m do trecho da floresta amazônica que abriga os anéis do experimento, as câmaras foram usadas para estudos específicos sobre o efeito da fertilização por CO2 em certas espécies vegetais ou em determinadas condições ambientais.

Um trabalho que usou dados das câmaras de topo aberto foi publicado no final de abril na revista Nature Communications. No estudo, os pesquisadores constataram que, após terem sido submetidas a um ar rico em dióxido de carbono por um período de oito meses a um ano, a comunidade de plantas de um sub-bosque da floresta – a vegetação de baixa estatura que cresce sob o dossel das árvores – adotou diferentes estratégias radiculares para se adaptar a essa condição atmosférica.

Na serrapilheira, camada sobre o solo onde se acumulam restos de plantas e de material orgânico vivo em decomposição, as raízes se tornaram mais compridas e com menor diâmetro, aumentando sua área de atuação. No solo, elas foram mais colonizadas por micorrizas arbusculares, fungos que melhoram a absorção de nutrientes.

“Essas alterações, tanto no solo como na serapilheira, sugerem que as plantas estão se adaptando para aumentar sua eficiência na aquisição de fósforo, um nutriente que, se estiver em falta, limita seu crescimento na Amazônia”, diz a pesquisadora brasileira Nathielly Martins, da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, autora principal do trabalho e integrante da equipe do AmazonFace.

No estudo, também foi encontrada uma menor quantidade de fósforo no solo perto das plantas, um indicativo de que as espécies parecem realmente ter elevado sua capacidade de retirar o nutriente quando submetidas a uma atmosfera com mais dióxido de carbono.

Leia também: ​Excesso de CO2 faz plantas crescerem mais: resultado poderá ser considerado em projeções de mudanças climáticas do IPCC

Para o botânico Marcos Buckeridge, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), que não participa do AmazonFace, o experimento ao ar livre ao norte de Manaus tem potencial de gerar descobertas interessantes sobre os impactos de um ambiente rico em CO2 na ecologia das plantas, ou seja, como elas se relacionam entre si na floresta e com o ambiente.

“Os efeitos fisiológicos de altas concentrações de dióxido de carbono sobre as plantas estão muito bem caracterizados e dificilmente haverá diferenças significativas nas respostas encontradas pelo AmazonFace. Nessas condições, as espécies aumentam a fotossíntese e o acúmulo de reservas energéticas [açúcares]”, afirma Buckeridge. “Mais de mil trabalhos científicos mostraram isso.”

Há mais de duas décadas, o pesquisador da USP estuda as reações fisiológicas de plantas cultivadas dentro de câmaras de topo aberto com ar enriquecido de dióxido de carbono (ver Pesquisa FAPESP nº 80).

Até agora, foram investidos cerca de R$ 80 milhões no AmazonFace. Metade da verba veio de uma série de fontes brasileiras: FAPESP, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Os outros 50% foram provenientes do MetOffice, o serviço de meteorologia do Reino Unido, cuja participação no programa teve início em 2019. O custo total da iniciativa deverá chegar a R$ 260 milhões nos próximos 10 anos. “Temos verbas garantidas para o funcionamento do AmazonFace por cinco anos”, diz Lapola.


A reportagem acima foi publicada com o título “Dando um gás na floresta” na edição impressa nº 364 de junho de 2026.

Projeto

AmazonFACE: avaliação dos efeitos do aumento de CO2 atmosférico na ecologia da Floresta Amazônica (n° 23/09046-5); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável David Lapola.

Artigo científico
MARTINS, N.P. et alAmazonian understory forests change phosphorus acquisition strategies under elevated CO2Nature Communications. 28 abr. 2026.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por Marcos Pivetta

Perigo à vista! Vocalização de diferentes espécies é usada como aviso em floresta no Peru

Foto: Reprodução/Salkantay Trilha

Aves de rapina do alto das árvores são as primeiras a fazer barulho quando avistam possíveis predadores, que podem ser até mesmo visitantes humanos passeando pela mata.

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O gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus) solta gritos agudos e repetidos, kiii-kiii-kiii, o gavião-bombachinha-grande (Accipiter bicolor) emite notas curtas rápidas, ki-ki-ki-ki-ki, e o falcão-de-coleira (Falco femoralis) um chamado agudo e ritmado, klee-klee-klee.

diferentes espécies se comunicam nas florestas
Foto: Reprodução/Andina

Outras aves próximas captam o chamado, emitem seus próprios sons e espalham o alarme. Rapidamente, diferentes espécies – e não apenas de aves – se conectam em uma rede de informações e fazem a floresta silenciar brevemente.

Leia também: Com bioma amazônico, Peru é um dos países com a maior variedade de aves do mundo

Diferentes espécies se ajudam

Espécies de aves do gênero Monasa, como o chora-chuva-preto (Monasa nigrifrons), são grandes propagadores de sinais de alarme após ouvirem chamados de outras espécies, que podem ser maiores, incluindo macacos-prego (Sapajus spp.) e macacos-aranha (Ateles spp.).

Biólogos da Suíça, da Austrália, do Peru e dos Estados Unidos reconstituíram essa “rádio floresta” analisando as interações entre 370 espécies de aves e 10 de primatas no Parque Nacional Manu, no Peru.

Para simular a propagação de alarmes, eles reproduziram chamados de uma ou mais espécies de aves e primatas e registraram a propagação de alarmes e as reações dos animais (Current Biology, 20 de abril).

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp

Desperdício de água no Amapá equivale a 15 piscinas olímpicas por dia, aponta estudo

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Dados do desperdício colocam o Amapá entre os estados com maiores níveis de perdas, reforçando que a região Norte é uma das áreas mais críticas. Foto: Crystofher Andrade/Rede Amazônica AP

O Amapá desperdiça diariamente o equivalente a 15 piscinas olímpicas de água ou 49,659 caixas d’água de 750 litros, segundo dados divulgados no dia 2 de junho pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados. O levantamento mostra que o Estado tem 39,27% de perdas na distribuição, índice praticamente igual à média nacional, de 39,53%. Os dados são referentes a 2024.

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No Amapá, a redução das perdas para a meta de 25%, prevista pela Portaria 788/2024, poderia garantir abastecimento para cerca de 225,588 pessoas. Em Macapá, as perdas chegam a 37,84% na distribuição, acima da meta nacional.

Cada ligação desperdiça em média 755 litros por dia, muito acima do limite de 216 litros. O desperdício equivale a 9 piscinas olímpicas ou 30,405 caixas d’água de 750 litros por dia. A redução poderia atender cerca de 34,062 pessoas.

O Amapá está entre os Estados com níveis elevados de perdas, o que reforça os desafios da região Norte. Na prática, grande parte da água produzida não chega às casas. O desperdício de água acontece quando o recurso é perdido antes de chegar às casas. Isso ocorre por vazamentos nas redes, erros de medição e consumos não autorizados.

Leia também: Amapá desperdiça mais da metade da água tratada, mostra estudo

Amapá tem desperdício de água mais da metade da água tratada, mostra estudo
Dados alertam sobre o desperdício de água no Brasil, especialmente na região Norte, como é o caso do Amapá. Foto: Reprodução/Instituto Trata Brasil

Esses problemas aumentam a pressão sobre os mananciais e elevam os custos de produção, além de reduzir a receita das empresas de saneamento. Em nota, a Concessionária de Saneamento do Amapá (CSA) informou que, quando assumiu a concessão em 2021, o índice de perdas era de cerca de 70%. O número caiu para 39,27%, conforme os dados divulgados.

Segundo a empresa, a redução é resultado de investimentos em modernização da rede, combate a vazamentos, regularização de ligações e melhoria da eficiência operacional do sistema de abastecimento.

Números do desperdício no Brasil

Entre as capitais, Goiânia (11,45%), Campo Grande (20,69%), Teresina (19,55%) e São Paulo (24,46%) estão dentro da meta. Já Belo Horizonte (68,29%), Maceió (64,05%) e Belém (58,96%) estão entre as piores no ranking do desperdício, com perdas muito acima da média. No Brasil, o volume desperdiçado em 2024 seria suficiente para abastecer 77 milhões de pessoas em um ano — mais que o dobro da população sem acesso à água potável (33 milhões).

A redução do desperdício para 25% das perdas poderia gerar R$ 47,3 bilhões em ganhos econômicos até 2033 e aumentar a resiliência hídrica diante das mudanças climáticas. O estudo conclui que o Brasil ainda tem um longo caminho para reduzir as perdas. A meta de 25% até 2033 exige medidas urgentes para garantir acesso à água potável e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Cooperação diplomática e científica internacional busca proteger a Amazônia contra o El Niño

Embaixada da Colômbia na Alemanha e OTCA promovem cooperação diplomática e científica para proteger a Amazônia contra o El Niño. Foto: Reprodução/OTCA

A Embaixada da Colômbia na Alemanha sediou, no dia 2 de junho, o evento ‘Fronteiras do Fogo: Cooperação regional para proteger a Amazônia diante de um novo ciclo de risco climático – El Niño 2026–2027, um espaço de diálogo diplomático, técnico e científico voltado ao fortalecimento da cooperação regional frente aos riscos associados às mudanças climáticas, aos incêndios florestais e à possível intensificação das condições relacionadas ao fenômeno El Niño.

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O encontro, realizado no âmbito da Semana Amazônica 2026 de Berlim, foi organizado pela Embaixada da Colômbia na Alemanha e pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), com o apoio da cooperação alemã GIZ e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Seu objetivo foi destacar a importância do Manejo Integrado del Fuego como uma agenda estratégica para a ação climática, a proteção da biodiversidade, a saúde pública, a segurança territorial e a cooperação transfronteiriça na Amazônia.

A cerimônia de abertura contou com a participação da Embaixadora da Colômbia na Alemanha, S.E. Yadir Salazar Mejía, bem como do Embaixador do Brasil na Alemanha, S.E. Rodrigo de Lima Baena Soares; do Embaixador do Peru na Alemanha, S.E. Augusto David Teodoro Arzubiaga Scheuch; do Embaixador da Costa Rica na Alemanha, S.E. Antonio José Lehmann Gutiérrez; e do Encarregado de Negócios a.i. da República Bolivariana da Venezuela na Alemanha, Vartkes Martin Saatdjian Castellanos.

Leia também: Entenda as previsões para o Super El Niño em 2026, que promete ser o mais intenso da década

Cooperação diplomática e científica internacional busca proteger a Amazônia contra o El Niño
Foto: Alexandre Cruz-Noronha/Sema AC

Amazônia enfrenta transformações

Ao longo do encontro, os participantes destacaram que a Amazônia enfrenta uma transformação estrutural do regime de incêndios, impulsionada pelas mudanças climáticas, pela degradação florestal e pela acelerada transformação das paisagens.

A resposta a esse desafio requer cooperação diplomática, monitoramento integrado, prevenção, fortalecimento das capacidades locais, financiamento contínuo e reconhecimento dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas e das comunidades amazônicas.

O evento também destacou os avanços da OTCA e de seus Estados Membros — Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela — na construção de uma arquitetura regional para o Manejo Integrado do Fogo, baseada no Memorando de Entendimento sobre Manejo Integrado do Fogo, na Rede Amazônica para o Manejo Integrado do Fogo (RAMIF) e no Observatório Regional Amazônico (ORA). Esses instrumentos buscam fortalecer a coordenação entre os países amazônicos diante de um fenômeno que não reconhece fronteiras nacionais.

Leia também: El Niño em 2026 pode intensificar riscos climáticos na Amazônia 

Embaixada da Colômbia na Alemanha e OTCA promovem cooperação diplomática e científica para proteger a Amazônia contra o El Niño
Embaixada da Colômbia na Alemanha e OTCA promovem cooperação diplomática e científica para proteger a Amazônia contra o El Niño. Foto: Agência Brasil/Rafa Neddermeyer

Como parte da programação da embaixada, participou também um grupo de cientistas da diáspora colombiana na Alemanha, composto por pesquisadores com capacidades técnicas e científicas relacionadas à Amazônia. Sua presença reforçou o vínculo entre diplomacia, ciência e diáspora, e evidenciou o potencial das comunidades colombianas no exterior para contribuir com o conhecimento, o monitoramento e a proteção do bioma amazônico.

O encontro foi concluído com um chamado ao aprofundamento da cooperação regional e internacional para proteger a Amazônia diante dos riscos climáticos atuais e futuros.

A Embaixada da Colômbia na Alemanha e a OTCA destacaram a necessidade de articular esforços entre governos, organismos regionais, cooperação internacional, academia, comunidades indígenas e diáspora científica para transformar o conhecimento em ação e fortalecer a preparação da região frente ao ciclo de risco climático 2026–2027.

*Com informações da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica

Mapa mostra por que a BR-319 abrirá uma ferida incurável na Amazônia

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Mapa traz a concentração de espécies (anfíbios, pássaros, mamíferos, répteis, crustáceos e peixes de água doce) por 100 km² no planeta. Dados são do International Union for Conservation of Nature. Mapa: Carolina Passos/InfoAmazonia

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou o mapa-múndi comemorativo “Riqueza de Espécies 2025” no início de maio. Os dados mostram que a região mais biodiversa do planeta é a Amazônia. Nenhum outro lugar do mundo tem tantas espécies como o bioma que compreende quase metade do nosso país. 

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O IBGE inverteu o que geralmente conhecemos como mapa-múndi justamente para a Amazônia e o Brasil ficarem no centro da imagem. Até aí, só essa mudança de padrão, já renderia horas de discussão geopolítica. Mas nós — eu e Carolina Passos, especialista em visualização de dados, queríamos dar um zoom na Amazônia brasileira. 

Isso porque bati o olho na região mais biodiversa do mapa do IBGE e percebi que ela coincide exatamente com a última frente sob pressão de desmatamento na região. Faz sentido: onde ainda há floresta em pé, há mais interesse em desmatar, mas também é onde ainda sobrevivem mais espécies.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o ‘trecho do meio’ da BR-319?

Isso fica bem claro nas entrevistas que a repórter Jullie Pereira fez na reportagem sobre as IBAS, áreas estratégicas para a preservação de aves, na Amazônia. Um dos pesquisadores explica justamente a importância de uma floresta preservada:

“Desmatar ou degradar a floresta significa matar os bichos que vivem lá dentro, diretamente ou indiretamente. Uma mata toda aberta ou fragmentada em pedaços pequenos, cercada de pasto, é muito ruim do ponto de vista da sobrevivência desses bichos. É como uma morte anunciada”, disse à InfoAmazonia o pesquisador Mario Cohen Haft, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

Então chego ao ponto a que realmente quero chegar neste texto: a BR-319. A rodovia foi construída durante a ditadura militar, em meio ao projeto de ocupação da Amazônia, mas acabou abandonada nos anos 1990 por falta de viabilidade econômica. Nos últimos anos, a reconstrução da estrada voltou a ganhar força — especialmente no governo Jair Bolsonaro — impulsionada por interesses do agronegócio, mineração, madeireiras e do setor de petróleo e gás.

Pois bem. Conhecendo mais ou menos o traçado da estrada, eu já imaginava que ela atravessaria uma das regiões mais ricas daquele mapa. Eu e Carolina Passos aproveitamos para sobrepor o traçado da rodovia aos dados de biodiversidade e também ao que já foi desmatado na Amazônia…

Leia também: Mesmo ameaçados, povos indígenas têm as soluções para impactos da BR-319, afirma pesquisador

Mapa mostra por que a BR-319 abrirá uma ferida incurável na Amazônia
Foto: Reprodução/Infoamazônia

Bingo!

O mapa mostra o que eu já imaginava.

A BR-319 atravessa uma das regiões mais biodiversas do planeta e uma das últimas grandes áreas contínuas de floresta intacta da Amazônia brasileira.

Por isso, a estrada pode desencadear impactos irreversíveis: a infraestrutura rodoviária estimula a ocupação desordenada do território, impulsionando o desmatamento e a degradação ambiental. Mesmo quando a vegetação se regenera, a floresta dificilmente recupera as características originais que tinha antes.

Em termos práticos, abrir uma nova frente de ocupação com a BR-319 significa pressionar justamente a área com a maior concentração de espécies da Terra. Em um planeta que já enfrenta uma crise de extinção, com centenas de milhares de espécies ameaçadas, isso não é um detalhe.

De todas as regiões do mundo, esta talvez seja a que mais precisa ser preservada. Ponto final.

*O conteúdo foi originalmente pela Infoamazônia, escrito por Carolina Dantas

Secas extremas e garimpo ilegal são as principais ameaças do Amazonas, aponta relatório da Amazônia 2030

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Dragas destruídas na operação Boiúna contra o garimpo ilegal no sul do Amazonas. Foto: Divulgação/PF

As mudanças climáticas já produzem impactos diretos sobre a população do Amazonas. A avaliação está presente no relatório ‘O protagonismo das florestas brasileiras na agenda climática global’, divulgado pelo projeto Amazônia 2030. O estudo foi realizado por especialistas, pesquisadores e organizações ligadas à pauta ambiental.

Segundo o relatório, o Amazonas vivenciou períodos de secas e cheias severas que provocaram a morte de peixes, perdas na produção agrícola e aumento da insegurança alimentar em comunidades que dependem diretamente dos recursos naturais para sobreviver.

Vanda Witoto. Foto: Divulgação/Glocal Experience

No documento, a liderança indígena amazonense Vanda Witoto relata que o estado tem enfrentado, nos últimos anos, uma sucessão de eventos extremos que afetam comunidades indígenas, ribeirinhas e moradores do interior.

Outro problema destacado é o avanço do garimpo e seus impactos sobre os rios amazônicos. O texto alerta para a contaminação por mercúrio, substância utilizada na extração ilegal de ouro e que ameaça a qualidade da água, a pesca e a saúde das populações tradicionais.

Saiba mais: Garimpo na Amazônia: impactos e consequências para natureza e as populações tradicionais

“Em nossa região do Amazonas, vivenciamos, nos últimos dois anos, secas e cheias extremas, morte de peixes sem oxigênio, perda das plantações e insegurança alimentar. Estamos com medo de beber das águas, comer dos peixes e mergulhar nos rios. As águas agonizam contaminadas com mercúrio pela ganância do ouro”, afirma o documento ao reproduzir o relato da liderança indígena.

Relatório alerta sobre desmatamento

O relatório também chama atenção para o aumento das temperaturas em áreas próximas aos centros urbanos e para a perda de cobertura florestal em regiões do estado. Segundo o documento, a derrubada da vegetação compromete o equilíbrio climático local e agrava os efeitos das ondas de calor.

Além dos impactos ambientais, a publicação aponta preocupação com a pressão sobre os territórios indígenas e sobre os conhecimentos tradicionais dos povos da floresta. O relatório afirma que saberes ancestrais relacionados ao uso sustentável da biodiversidade muitas vezes são utilizados sem o devido reconhecimento das comunidades que os desenvolveram ao longo de gerações.

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floresta sem focos de calor ou queimadas no amazonas
Foto: Divulgação/Sema AM

Apesar do cenário de alerta, os autores defendem que o Amazonas possui potencial para se tornar referência em uma economia baseada na conservação da floresta. O relatório cita atividades ligadas à bioeconomia, ao manejo sustentável e à valorização dos recursos florestais como alternativas para gerar emprego e renda sem ampliar a destruição ambiental.

A Amazônia está no centro das discussões globais sobre mudanças climáticas por abrigar a maior floresta tropical do planeta e desempenhar papel fundamental na regulação do clima. Além de armazenar bilhões de toneladas de carbono, a floresta influencia o regime de chuvas em diversas regiões da América do Sul por meio dos chamados “rios voadores”, que transportam umidade para outras partes do continente.

Leia também: Projeto propõe ‘5 Amazônias’: objetivo é promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal

Apesar de sua importância ambiental, o bioma enfrenta uma série de ameaças. O avanço do desmatamento, das queimadas, da exploração ilegal de madeira e do garimpo tem provocado a degradação de áreas florestais e colocado pressão sobre rios, fauna, flora e populações tradicionais.

O relatório também destaca a contaminação por mercúrio decorrente da atividade garimpeira, considerada um dos principais problemas ambientais da região. Os efeitos das mudanças climáticas agravam esse cenário. Nos últimos anos, a Amazônia registrou secas históricas, cheias severas e ondas de calor que afetaram comunidades, comprometeram a pesca, a agricultura e o abastecimento de água.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Gente do Norte Empresas: saiba quem é Valmir Machado Portela

O empresário Valmir Machado Portela. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Empresário e fundador do restaurante Mr. Quilo, em Boa Vista (RR), Valmir Machado Portela é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, exibido pelo canal Amazon Sat. Sua trajetória é marcada pelo empreendedorismo, pela dedicação ao setor de alimentação e por uma história de crescimento construída ao longo de décadas na Amazônia.

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Natural de Tianguá, no Ceará, Valmir chegou à Região Norte em busca de oportunidades e encontrou na Amazônia o ambiente ideal para desenvolver seus negócios.

“Eu vejo que aqui a gente cresce, consegue crescer. Eu tiro por mim. Vim para cá e consegui crescer porque aqui tem oportunidade. Se não tivesse oportunidade, eu não teria conseguido. E não só eu, muitas empresas chegaram pequenas e hoje são grandes”, afirmou Valmir.

Empreendedorismo começou com a venda de marmitas

A história empresarial de Valmir começou de forma simples. Na época, ele trabalhava como gerente de loja e morava nos fundos de um estabelecimento comercial. Recém-casado, viu a esposa iniciar a venda de marmitas para camelôs que trabalhavam no Centro de Boa Vista.

“Começamos entregando seis marmitas para os camelôs. Fomos crescendo, crescendo e chegamos a um patamar bem alto de entregas. Depois fizemos uma área para atender também ao público e o negócio continuou crescendo”, relembrou.

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Com o aumento da demanda, ele precisou deixar o emprego para se dedicar integralmente ao empreendimento. “Chegou uma época em que crescemos tanto que tive que largar meu emprego de gerente para ficar na pequena pensão. Até as placas que chamavam a atenção para o restaurante fui eu mesmo quem pintou”, contou.

Surgimento do primeiro restaurante por quilo de Roraima

Gente do Norte Empresas: saiba quem é Valmir Machado Portela
Foto: Reprodução/ Amazon Sat

Após passar por diferentes endereços, Valmir inaugurou o restaurante que se tornaria referência no estado.

“Foi quando aluguei um ponto no Centro e nasceu o primeiro restaurante Mr. Quilo. O primeiro restaurante por quilo do estado de Roraima começou ali. Foi um nome que eu criei, implementei, registrei e patenteei”, destacou.

Segundo o empresário, o início exigiu criatividade, já que não existiam fornecedores especializados em equipamentos para esse tipo de restaurante na região.

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“Comecei tudo artesanalmente. Não existia restaurante por quilo em Boa Vista e nem equipamentos específicos. Depois fui a uma feira em São Paulo e consegui adquirir os equipamentos necessários. Quando abri, foi um sucesso. Tinha fila e lista de espera. O espaço era pequeno, mas fui alugando os pontos ao lado e conseguimos crescer ainda mais”.

Qualidade como prioridade

Ao longo dos anos, Valmir construiu uma filosofia de trabalho baseada na qualidade dos produtos oferecidos aos clientes. Ele afirma participar pessoalmente da escolha dos ingredientes utilizados no restaurante.

“Para ter uma boa comida, você precisa comprar produtos de qualidade. Não existe comprar produto ruim e oferecer comida boa. Por isso acordo todos os dias às cinco da manhã para ir à feira e trazer qualidade para dentro do restaurante”, afirmou.

Ele também destaca que o cardápio é desenvolvido pela própria equipe: “Nunca precisei copiar ninguém. Tudo o que criamos dentro do restaurante são pratos nossos. A gente elabora aquilo que consegue criar e oferecer aos clientes”.

Restaurante virou ponto turístico

Com o passar dos anos, o Mr. Quilo ampliou sua estrutura e passou a receber visitantes de diversas partes do país. “Hoje se tornou quase um ponto turístico. As pessoas que vêm de fora dificilmente deixam de visitar o restaurante”, afirmou.

Além dos salões ampliados, espaço infantil, fraldário, churrascaria e vista para o Rio Branco, o local também se tornou uma vitrine para produtos regionais.

O empresário é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista:

Com queda de 10% na área verde em Rio Branco, projeto vai plantar mudas para recuperação ambiental

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Projeto Consciência Limpa vai plantar mais de 100 mudas de árvores na próxima terça-feira (9) no canteiro central do Residencial Bonsucesso. Segundo MapBiomas, Rio Branco teve a maior redução proporcional de área verde urbana. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

Rio Branco (AC) perdeu mais de 10% da cobertura de vegetação urbana ao longo de duas décadas, segundo levantamento divulgado pelo MapBiomas em 2024. Para tentar recuperar áreas degradadas, o Projeto Consciência Limpa vai plantar mais de 100 mudas no canteiro central do Residencial Bonsucesso, em uma área de aproximadamente 2 mil metros quadrados.

A ação, marcada para a próxima terça-feira (9), alerta para diminuição da arborização nos centros urbanos e pretende ampliar as áreas verdes da capital acreana.

Apesar de continuar liderando o ranking nacional de capitais com maior proporção de áreas verdes urbanas, a cidade registrou a maior redução proporcional entre as capitais brasileiras no período analisado.

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A mobilização é feita pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), e deve reunir estudantes da rede pública estadual, instituições parceiras e representantes do poder público.

Ainda de acordo com o estudo do MapBiomas, a cobertura vegetal nas áreas urbanas do Acre caiu de 43,3% em 2003 para 32,8% em 2023. A presença de áreas arborizadas contribui para a melhoria da qualidade do ar, ajuda a reduzir a sensação térmica, diminui a poluição sonora e auxilia na preservação de rios e igarapés.

Além dos benefícios ambientais, espaços verdes também estão associados ao bem-estar da população e à valorização das áreas urbanas.

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Preocupação coletiva

Praticante de corrida de rua, a autônoma Vânia Silva destaca a diferença que a arborização faz na rotina de quem utiliza espaços públicos para atividades físicas.

“Para a gente que corre, a árvore traz bastante benefício. Além da sombra, dos ventos, ela encanta. Então, quanto mais árvores no nosso meio ambiente, melhor, porque os benefícios que elas trazem são ricos, são maravilhosos”, afirmou.

Imagem colorida mostra vista aérea de uma ação social de reflorestamento de área verde em alguma área desconhecida
Projeto busca incentivar retomada de área verde nas cidades. Foto: Reprodução/Arquivo/Fundação Rede Amazônica

Morador das proximidades do Parque Tucumã, o autônomo Hudson Moreira acredita que a preservação ambiental depende também da conscientização da população.

“Tudo isso tem a culpa do homem. O homem é o próprio destruidor da natureza. Perdeu 10% agora, depois perde 20%. Se o povo não se conscientizar disso, a tendência é piorar”, disse.

Segundo a secretária adjunta da Sema, Renata Souza, ações de arborizaçãopara criação de áreas verdes só alcançam resultados duradouros quando contam com a participação da comunidade.

“O Estado desenvolve políticas públicas e os municípios também, mas quando você faz o plantio e arboriza uma praça ou um bairro, é preciso que a população também cuide. Quando falamos de arborização, estamos falando de qualidade de vida. É uma preocupação que precisa ser coletiva”, ressaltou.

Plantio

No Residencial Bonsucesso, o plantio será feito em um trecho com cerca de 400 metros de comprimento por cinco metros de largura. A iniciativa busca recuperar áreas degradadas, melhorar o aspecto urbano da região e incentivar práticas sustentáveis entre os moradores.

O coordenador do projeto, Matheus Aquino, destaca que a proposta vai além da recuperação ambiental. “Quando unimos estudantes, poder público e parceiros em uma iniciativa prática, conseguimos transformar a relação da comunidade com o meio ambiente e estimular mudanças que permanecem no longo prazo”, afirmou.

Sobre o Consciência Limpa

O Projeto Consciência Limpa busca mudar hábitos na Amazônia por meio de educação, ações práticas e comunicação. A iniciativa reforça o compromisso com a sustentabilidade e com a melhoria da qualidade de vida da população.

Em dezembro do ano passado, estudantes e professores da Escola Dr. Pimentel Gomes participaram de uma grande ação social com diversos serviços de cidadania à comunidade promovido pelo projeto.

Além das oficinas, os moradores da comunidade puderam acompanhar palestras sobre preservação do Igarapé São Francisco, reciclagem e economia circular.

No dia 28 de fevereiro deste ano, com diversos serviços disponíveis no Lado do Amor, em Rio Branco, o Projeto Consciência Limpa iniciou as ações da 2ª edição. Teve ainda o Dia D – Ação Consciência Limpa: Acre pelo Meio Ambiente e Clima e Drive-Thru.

Além das ações com enfoque ambiental, a programação inclui serviços de saúde, jurídicos, negociação de dívidas, imunização, Cadastro Ambiental Rural (CAR), atividades recreativas e emissão de documentos.

No dia 25 de março, ocorreu o Painel Consciência Limpa – Água na Amazônia: ciência, sociedade e gestão dos recursos hídricos. O evento foi promovido pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com a Sema – Acre.

*Por Jhenyfer de Souza e Richard Lauriano, da Rede Amazônica AC

Museu de Cuiabá recebe imersão cultural com obras que retratam a poesia visual contemporânea

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Espaço cultural receberá 60 obras dos dois artistas renomados na arte experimental brasileira. Foto: Rennan Oliveira

Cuiabá, a capital de Mato Grosso, receberá entre 7 e 21 de junho uma imersão na poesia visual contemporânea. O Museu do Morro da Caixa D’Água Velha abre simultaneamente as exposições ‘Convergências’, de Tchello D’Barros, e ‘Divergências – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema’, de Juliano Lobato, reunindo 60 obras de dois artistas reconhecidos por suas contribuições à arte experimental brasileira.

Com entrada gratuita e classificação livre, a programação reforça o protagonismo histórico de Mato Grosso na poesia visual e transforma o público em participante ativo da criação artística.

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Ao reunir 30 obras de cada artista, a iniciativa reafirma o papel do Museu do Morro da Caixa D’Água Velha como espaço de difusão cultural, reflexão e aproximação entre a produção artística contemporânea e a comunidade.

A exposição Convergências, de Tchello D’Barros, apresenta trabalhos que exploram as relações entre imagem, palavra e percepção visual. Reconhecido nacional e internacionalmente, o artista possui trajetória consolidada no campo da poesia visual, com participação em exposições, publicações e projetos culturais desenvolvidos em diversos países.

Já Divergências, de Juliano Lobato, propõe uma experiência baseada na liberdade interpretativa do observador. Artista visual, poeta experimental, curador e pesquisador da linguagem visual, Lobato desenvolve há mais de três décadas uma produção vinculada aos Poemas Sem Palavras, ao Intensivismo e aos desdobramentos contemporâneos do Poema-Processo.

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Experiência artística via poesia visual

Museu recebe nomes exponenciais da poesia visual brasileira
Museu é um dos principais pontos culturais de Cuiabá. Foto: Emanuele Rigoni/Prefeitura de Cuiabá

Embora partam de influências estéticas distintas, as duas exposições compartilham uma mesma proposta: transformar o visitante em participante ativo da experiência artística. Sem títulos explicativos ou narrativas fechadas, as obras convidam o público a construir seus próprios significados, assumindo o papel de coautor da poesia presente em cada trabalho.

Para Juliano Lobato, os Poemas Sem Palavras dialogam diretamente com os princípios do Poema-Processo, movimento que compreende a leitura como parte essencial da obra.

“Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema. O artista cria a estrutura visual, mas a poesia se completa quando encontra o olhar, a memória e a experiência de quem observa”, afirma.

A proposta também evidencia a relevância histórica de Mato Grosso para os movimentos experimentais da poesia visual brasileira. O estado mantém forte ligação com artistas e pesquisadores que contribuíram para a consolidação de linguagens inovadoras no cenário nacional, entre eles Wlademir Dias-Pino, Rubens de Mendonça e Silva Freire, referências fundamentais para diferentes gerações de criadores.

Para Juliano Lobato, apresentar a exposição em Cuiabá tem significado especial. “Cuiabá ocupa um lugar importante na história da poesia visual brasileira, sendo berço de artistas e movimentos que influenciaram gerações. Expor essas obras ao público é uma forma de reconhecer essa herança cultural e fortalecer o diálogo entre a produção contemporânea e a comunidade.”

“Além de apresentar ao público a produção contemporânea de dois importantes nomes da poesia visual brasileira, as exposições também buscam aproximar os mato-grossenses do legado de Wlademir Dias-Pino, referência internacional da arte e da literatura experimental e um dos principais expoentes das vanguardas poéticas surgidas em Mato Grosso”, destaca Lobato.

*Com informações da Prefeitura de Cuiabá