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Peças de cerâmica retratam história ancestral do povo Tapajó, em Santarém

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Foto: Katrine Bentes/CCOM

Considerado um dos importantes vestígios arqueológicos da Amazônia, a cerâmica tapajônica revela historicamente os aspectos do cotidiano, as crenças e a organização social dos povos Tajapó, grupos originários que habitaram a região de Santarém, no Pará, antes da colonização europeia.

Embora ainda não existisse o conceito de cidade, os vestígios apontam para grande concentração populacional, com conhecimentos técnicos, artísticos e culturais avançados.

As peças tapajônicas encantam pela riqueza de detalhes, pelas decorações elaboradas com pinturas e relevos, e pelas representações antropomorfas (figuras humanas) e zoomorfas (figuras de animais) como jacarés, serpentes, rãs, macacos, urubus-reis e outras.

“A cerâmica funciona como registro histórico. Por meio dela compreendemos hábitos, crenças e a organização das sociedades que viveram aqui antes de nós. Por isso que muitos pesquisadores consideram Santarém uma das áreas de ocupação humana mais antigas do Brasil”, afirma o arqueólogo Jefferson Paiva.

Entre os objetos mais emblemáticos estão os vasos de gargalo, com abertura semelhante à de uma garrafa e braços alongados decorados com essas criaturas, e os vasos de cariátides, em formato de taça, divididos em duas partes: a inferior, sustentada por figuras femininas, e a superior, adornada com uma mistura de seres da fauna estilizada.

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Rotinas tapajônicas

As representações das peças tapajônicas estão ligadas a rituais dos povos antigos, incluindo práticas simbólicas de memória coletiva com restos mortais cremados e misturados a bebidas cerimoniais.

“Os vasos de cariátides estavam ligados a rituais funerários praticados pelos Tapajó, que incluíam práticas de endocanibalismo. Nesse processo, após o primeiro sepultamento, os restos mortais podiam ser cremados, e parte das cinzas era misturada a bebidas, colocadas nas peças de cerâmica e consumidas em cerimônias coletivas, como forma simbólica de manter a presença do ente falecido dentro da comunidade”, comenta Paiva.

Arqueólogo Jefferson Paiva comenta importância da arte tapajônica para história de Santarém
Peças retratam cenas marcantes da vida cotidiana ancestral. Foto: Katrine Bentes/CCOM

Já as estatuetas retratam cenas da vida cotidiana, como mães com crianças no colo, bebês com o pé na boca, o pajé ou xamã em momentos de reflexão, mulheres segurando vasos, entre outras situações.

“A cerâmica funciona como registro histórico. Por meio dela compreendemos hábitos, crenças e a organização das sociedades que viveram aqui antes de nós”, destaca Jefferson.

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Apagamento cultural

Em documentos históricos, o padre João Felipe Bettendorf relatou em carta que os artefatos eram usados em rituais ligados à vida e à morte, como nascimentos, colheitas e cerimônias espirituais da vida tapajônica.

Na época, os Tapajó eram considerados “idólatras”, e suas peças associadas a práticas demoníacas. Durante a presença jesuítica na região, entre 1661 e 1665, muitas cerâmicas foram destruídas e sua produção proibida.

“Essas práticas foram consideradas ‘coisas do diabo’. Por causa disso, muitas peças foram destruídas e a produção foi proibida”, explica Jefferson.

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Para o arqueólogo, compreender esse processo histórico é fundamental para entender por que parte da tradição cerâmica tapajônica foi interrompida. Valorizar a memória e a ancestralidade é essencial para reconectar a população com as raízes culturais da região.

Obras do pesquisador e artesão são inspiradas na cultura indígena.Foto: Katrine Bentes/CCOM

“É importante resgatar essas histórias, porque muitas delas não aparecem nos livros ou nas escolas. Houve um período de intensa destruição cultural. Muito desse conhecimento foi interrompido por conta do genocídio e do etnocídio indígena. Se isso não tivesse ocorrido, provavelmente teríamos mais histórias preservadas e saberíamos com precisão o significado de cada peça e de cada ritual representado”, afirma.

*Com informações da Prefeitura de Santarém

Estudo da FMT-HVD proporciona tratamento preventivo mais curto contra a tuberculose

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Foto: Eduardo Gomes/ILMD Fiocruz Amazônia

A Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) alcançou destaque internacional com a publicação do estudo ‘Ultra Curto‘ na revista científica PLOS Medicine, uma das mais prestigiadas da área médica.

A pesquisa investigou novas estratégias de tratamento preventivo da tuberculose, apontando que esquemas terapêuticos mais curtos podem ampliar a proteção contra a doença e facilitar a adesão dos pacientes.

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O estudo comparou dois regimes de terapia preventiva para tuberculose em pessoas expostas à doença e sem HIV. Um dos grupos recebeu o tratamento com isoniazida e rifapentina por um mês, em doses diárias (1HP), enquanto o outro seguiu o esquema de três meses com doses semanais dos mesmos medicamentos (3HP). Os resultados contribuíram para preencher uma importante lacuna de evidências científicas sobre regimes preventivos mais curtos.

Entre os principais achados da pesquisa, destaca-se que o esquema de apenas um mês apresentou alta taxa de conclusão do tratamento, alcançando 89,6% de adesão, além de demonstrar perfil de segurança adequado entre os participantes sem HIV. Em Manaus, onde parte do estudo foi conduzida, a adesão ao regime de um mês foi ainda maior, evidenciando a relevância da pesquisa desenvolvida na Amazônia.

Estudo da FMT-HVD proporciona tratamento preventivo mais curto contra a tuberculose
Foto: Divulgação/FMT-HVD

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A coordenadora clínica do estudo no Brasil, Renata Spener, professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas em parceria com a FMT-HVD, destaca o impacto dos resultados para a prevenção da doença.

“Esquemas de tratamento preventivo mais curtos e bem tolerados aumentam a adesão e permitem expandir a cobertura da terapia preventiva, protegendo um maior número de indivíduos contra o desenvolvimento da tuberculose ativa”, destacou a pesquisadora.

Estudo sobre o tratamento contra tuberculose repercute

A investigação foi conduzida em Manaus, pela Gerência de Micobacteriologia da FMT-HVD, e contou também com a participação de pesquisadores da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, ampliando a colaboração entre centros de pesquisa brasileiros.

A publicação teve ampla repercussão internacional. Em menos de 48 horas após sua divulgação, os resultados foram repercutidos por importantes veículos de comunicação científica, como Johns Hopkins Medicine, CIDRAP, MedicalXpress, The Microbiologist e Scienmag.

A pesquisa foi financiada pelo National Institute of Allergy and Infectious Diseases, com apoio do Ministério da Saúde do Brasil, e contou com colaboração científica da Johns Hopkins University.

Os resultados do estudo têm potencial para fortalecer estratégias nacionais e globais de prevenção da tuberculose, ampliando a proteção de populações vulneráveis e contribuindo para o enfrentamento de uma das doenças infecciosas mais persistentes do mundo.

Historicamente, os tratamentos preventivos contra a tuberculose podiam durar entre seis e nove meses, o que frequentemente dificultava a adesão dos pacientes e limitava a cobertura das estratégias de prevenção.

Nos últimos anos, estudos internacionais têm demonstrado que regimes reduzidos podem oferecer a mesma proteção, com maior facilidade de conclusão do tratamento.

*Com informações da Agência Amazonas

Tempo de decomposição de resíduos eletrônicos no meio ambiente pode levar séculos

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Resíduos eletrônicos. Foto: Reprodução/ Reset descarte tecnológico

O avanço da tecnologia e o mundo cada vez mais conectado, traz consigo o aumento do volume de resíduos eletrônicos, um problema silencioso e crescente. De acordo com dados do Monitoramento global de lixo eletrônico 2024, realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ocupa a 2ª colocação do ranking de países da América com a maior geração de resíduo eletrônico, com 2.400 de quantidade total, em milhões de quilos.

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Segundo Camila Dinelli, presidente do Instituto Descarte Correto, o resíduo eletrônico é todo equipamento elétrico ou eletrônico que chegou ao fim da sua vida útil ou deixou de funcionar. Isso inclui desde itens como celulares, carregadores, pilhas e baterias, até aparelhos maiores, como computadores, televisores, impressoras e eletrodomésticos em geral.

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Resíduos eletrônicos
Resíduos eletrônicos. Foto: Zack/Ministério do Meio Ambiente

Estima-se que, por levar diversos componentes químicos em sua composição, o tempo de decomposição parcial dos resíduos eletrônicos seja de 100 a 500 anos.

Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis do Acre

Pedro Moraes, trabalhador da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis do Acre (CATAR), desenvolve, em Rio Branco, um trabalho de reciclagem de resíduos eletrônicos, por meio da iniciativa que promove a sustentabilidade ambiental e também gera emprego e renda para os cooperados, por meio da coleta seletiva.

Segundo Moraes, a cooperativa mantém parcerias com o Governo do Estado e a Prefeitura da capital, responsáveis por encaminhar os resíduos eletrônicos descartados. 

“Temos termos de cooperação com o Estado e a Prefeitura, então todo o material eletrônico recolhido vem para dentro da cooperativa. Essa ação faz parte das políticas públicas ambientais e hoje beneficia cerca de 15 famílias”, explicou.

Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis do Acre (Catar). Foto: Pedro Moraes/Arquivo Pessoal

O processo de reciclagem de resíduos eletrônicos na CATAR possui uma dinâmica própria. “A gente solicita o material, busca e traz para dentro da cooperativa, tira placa, tira ferro, tira plástico, tira tudo, seleciona e cada um vai para um lado e o que não presta, que é rejeito, vai para o aterro em forma de tratamento”, detalhou Moraes. 

Ele explica ainda que os materiais eletrônicos possuem componentes altamente resistentes à decomposição e com potencial contaminante. 

“Todos eles são resistentes à decomposição, mas só que ele tem um problema: ele contamina direto, ele não tem negócio, quando ele já vai se decompondo, ele já vai contaminando”, alertou. 

Resíduos eletrônicos na cooperativa. Foto: Pedro Moraes/Arquivo pessoal

Na cooperativa, praticamente todos os materiais e componentes, como placa-mãe e todo tipo de placa que tem dentro da CPU (computadores) são inseridos na cadeia produtiva. De acordo com Moraes o propósito é não descartar de forma irregular e reaproveitar o que for possível. 

Resíduos eletrônicos dentro de casa 

Resíduos eletrônicos. Foto: Reprodução/Instagram-@Goethe-Institut Ghana

Itens como celulares, notebooks, tablets, cabos, carregadores e pequenos eletrodomésticos lideram os resíduos eletroeletrônicos mais gerados nas residências brasileiras, muitas vezes esquecidos em casa, guardados em gavetas ou armários. 

Segundo Dinelli, esse acúmulo doméstico é uma das principais dificuldades para que esses materiais sejam encaminhados para a reciclagem e reinseridos na cadeia produtiva.

De acordo com dados da Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei nº 12.305/2010, a responsabilidade pelo descarte adequado é compartilhada entre poder público, empresas e consumidores, mas a implementação ainda é desigual em regiões mais afastadas, como o Acre. 

Substâncias perigosas e riscos ambientais

Equipamentos eletrônicos podem conter substâncias perigosas, como chumbo, mercúrio, cádmio e níquel, além de poeiras tóxicas e até fungos patogênicos, que poluem o meio ambiente e prejudicam a saúde.

De acordo com a Cartilha de boas práticas para Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos, esses metais pesados são altamente tóxicos e podem causar sérios danos à saúde humana, incluindo problemas respiratórios e renais, alterações hormonais e genéticas, risco aumentado de câncer e comprometimento do sistema nervoso.

Quando descartados de forma inadequada, em lixões ou aterros sem controle, esses resíduos contaminam o solo e a água, facilitando a liberação dessas substâncias no meio ambiente.

“Por isso, o descarte correto é tão importante, além do foco na conscientização ambiental através da educação ambiental e campanhas públicas, que são alguns dos nossos pilares de atuação”, explicou Dinelli. 

Tempo de decomposição: problema de séculos

Diferente de resíduos orgânicos, os eletrônicos possuem um tempo de decomposição extremamente longo.

O relatório Global E-waste Monitor aponta que, como os resíduos eletroeletrônicos são compostos por diferentes materiais, dificulta a definição de um único tempo de decomposição.

Resíduos eletrônicos. Foto: Reprodução/ Reset descarte tecnológico

“Não existe um único tempo de decomposição, pois os equipamentos eletroeletrônicos são compostos por diferentes materiais. Alguns componentes, como plásticos e metais, podem permanecer no ambiente por muitas décadas ou até séculos. Por isso é tão importante que os resíduos eletroeletrônicos tenham destinação adequada, evitando impactos ambientais”, concordou Dinelli. 

Além disso, alguns elementos presentes em baterias e placas eletrônicas não se decompõem completamente, apenas se fragmentam, mantendo seu potencial de contaminação ao longo do tempo.

Um problema com solução local

A solução para o crescimento do descarte correto dos resíduos eletrônicos passa por ações locais. O Ministério do Meio Ambiente defende e estimula atitudes simples da população, como não descartar esses resíduos junto ao lixo comum, e buscar pontos de coleta que contribuem significativamente para a redução dos impactos.

O tempo de decomposição desses resíduos pode ser longo, mas a mudança de comportamento precisa ser imediata para evitar danos irreversíveis, segundo Dinelli.

Consciência Limpa

O Consciência Limpa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Energisa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA AC), Governo do Acre e apoio institucional da Organização em Centros de Atendimento (OCA), Secretaria de Estado de Administração do Acre (SEAD AC), Life Show Produções e Eventos, Instituto Descarte Correto, Duque Sustentabilidade e Estácio Unimeta.

Software criado no Amazonas apoia ecossistema de inovação em processos de propriedade intelectual

Foto: Divulgação

O Sistema de Identificação e Proteção de Propriedade Intelectual (SIPPI), desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), nasceu para atender a uma demanda concreta de pesquisadores, empreendedores e organizações da região: compreender, de forma simples e acessível, se uma tecnologia deve ser protegida e qual modalidade de propriedade intelectual (PI) é a mais adequada em cada caso.

Criado por alunos do Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação (PROFNIT/UFAM), o software venceu o Prêmio FORTEC na categoria Programa de Computador (Software), concorrendo pela região Norte do Brasil.

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A premiação reconhece o potencial transformador de uma solução criada na própria Amazônia para atender desafios amazônicos, um exemplo poderoso de inovação orientada ao território. Desenvolvido a partir de uma demanda real e disponibilizado à sociedade, o software atende aos requisitos centrais da premiação ao integrar universidade, NIT e setor produtivo em um processo de inovação aplicado, com resultados práticos para o ecossistema amazônico.

Segundo Célia Regina Simonetti Barbalho, professora da PROFNIT e coordenadora da iniciativa, a criação do software foi motivada por uma demanda do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), que buscava uma forma mais ágil e estruturada de orientar projetos desenvolvidos com comunidades amazônicas sobre questões de propriedade intelectual.

“Quando um projeto para atender a uma comunidade é desenvolvido, o que deve ser protegido e como? A resposta a essa pergunta gerou o SIPPI”, explica Barbalho.

Software sobre propriedade intelectual foi desenvolvido na ufam
Software foi criado na Ufam, em Manaus. Foto: Reprodução/Ufam

A docente destaca que o software funciona por meio de um quiz interativo que conduz o usuário passo a passo, ajudando a identificar se há necessidade de proteção intelectual e qual o tipo aplicável.

Aberto e gratuito, o SIPPI foi desenhado para atender públicos diversos, como inventores, startups, pesquisadores e comunidades tradicionais. Para Barbalho, “a solução desponta como uma importante ferramenta para auxiliar toda a sociedade, para identificar uma PI e como protegê-la”.

O funcionamento do software foi estruturado para tornar o processo claro e acessível. Ao iniciar o quiz, o usuário responde a perguntas que direcionam o diagnóstico conforme as características da criação. O sistema aborda aspectos essenciais da proteção intelectual, como patenteabilidade, originalidade e aplicabilidade industrial.

Leia também: Portal Amazônia Responde: que produtos da região amazônica possuem Indicação Geográfica?

Impactos do software

A ONG Idesam, referência em negócios de impacto na Amazônia, incorporou o SIPPI como ferramenta de orientação para empreendedores acompanhados pela instituição. Segundo Paulo Alexandre Simonetti, líder de Inovação Aberta e ESG, o software trouxe agilidade ao trabalho da equipe.

“Constantemente temos de apoiar empreendedores e startups para proteger seus respectivos conhecimentos. Nossa equipe tinha que sempre analisar e orientar. A partir do aplicativo desenvolvido pela UFAM temos como fazer essa orientação de forma mais rápida e precisa.” 

Ao integrar o sistema ao site da organização, o Idesam ampliou o acesso de usuários a informações de propriedade intelectual, superando um gargalo comum no desenvolvimento de negócios bioeconômicos.

“Poder contar com essa solução para acelerar nosso trabalho, e também poder disponibilizá-la em nosso site, fortalece o processo de inovação não somente na nossa atuação, mas de todo o ecossistema ao qual estamos conectados”. Simonetti ressalta ainda que o processo colaborativo com a UFAM gerou ao Idesam novas perspectivas de cooperação entre universidades e organizações amazônicas.

Proteção intelectual e continuidade da tecnologia da UFAM

A proteção da tecnologia contou com o suporte da Pró-Reitoria de Inovação Tecnológica (PROTEC), responsável pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da UFAM. Socorro Lima, servidora da equipe técnica da PROTEC, explica que o NIT atuou desde o registro do software até o licenciamento para o Idesam, firmado em caráter não financeiro e sem exclusividade. Elaborado pela PROTEC, o instrumento de licenciamento permitiu a ampla disponibilização da tecnologia, hoje acessível no site do grupo de pesquisa GICA, da UFAM, e no portal do Idesam.

Segundo Lima, esta foi também a primeira transferência de tecnologia não onerosa realizada pela UFAM para uma instituição sem fins lucrativos, em caráter não exclusivo, um marco na atuação da PROTEC e no histórico institucional de transferência tecnológica da universidade.

Para a profissional, o projeto exemplifica o papel da universidade na transferência de tecnologia. “A PROTEC tem interagido com empresas e contribuído no processo de difusão da cultura de inovação. Essa aproximação com a sociedade contribui para a formação qualificada de recursos humanos em áreas estratégicas, impulsionando a competitividade e o avanço tecnológico em prol do desenvolvimento regional e do país”.

Entrada da Ufam. Foto: Reprodução / Ufam

Além dos impactos práticos, Barbalho destaca que o SIPPI fortaleceu a formação dos mestrandos envolvidos e ampliou a conexão entre universidade, NIT e setor produtivo. A docente observa também que a conquista do Prêmio FORTEC evidencia a relevância dessa articulação, principalmente em um território marcado por saberes tradicionais e desafios específicos de proteção.

“[O prêmio representa] o reconhecimento de um trabalho muito alinhado com perspectiva de formação de pessoas para atuarem no âmbito da proteção dos direitos de propriedade intelectual sobretudo em uma região sui generis como a Amazônia”, conta.

Criado a partir de uma necessidade real e desenvolvido em um ambiente de formação, o SIPPI se consolida como uma ferramenta estratégica para apoiar empreendedores, pesquisadores e comunidades na tomada de decisões sobre proteção intelectual.

Ao democratizar o acesso à informação e aproximar universidade e sociedade, a solução contribui para ampliar a segurança jurídica, fortalecer a bioeconomia e impulsionar o ecossistema de inovação na Amazônia, com potencial para orientar, em escala nacional, iniciativas que buscam transformar conhecimento em desenvolvimento sustentável.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Fortec, escrito por Nayara Campos

Piano do Cine Olympia atravessa gerações e preserva fase histórica de Belém

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Piano fabricado em 1913, que pertenceu ao Cine Olympia, acompanhava ao vivo as sessões de cinema mudo e atravessou gerações da família Aliverti, tornando-se uma relíquia da memória cultural de Belém. Foto: Paula Lourinho

Em Belém, durante as primeiras décadas do século XX, as exibições do então cinema mudo precisavam de um som para dar vida às imagens. Quem cumpria esse papel era um piano. Suas teclas transformavam silêncio em emoção, suspense em acordes tensos e cenas românticas em melodias suaves dentro do histórico Cine Olympia.

Fabricado em 1913 e adaptado para resistir ao clima úmido da Amazônia, o instrumento sobreviveu ao tempo. Mais do que um objeto antigo, tornou-se testemunha de uma época em que a música era criada ali, ao vivo, enquanto o filme se desenrolava na tela.

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Piano do Cine Olympia em Belém
Piano histórico, fabricado em 1913, acompanhava as sessões de cinema mudo no Cine Olympia e se tornou parte da memória cultural de Belém. Foto: Paula Lourinho

No Cine Olympia — inaugurado em 1912 e considerado o cinema mais antigo do país ainda em funcionamento — o piano era parte essencial do espetáculo. Sem diálogos gravados, cada sessão dependia da sensibilidade do pianista, que acompanhava as cenas improvisando ou seguindo partituras para conduzir as emoções do público.

Segundo a musicista Márcia Aliverti, cuja família tem origem italiana e portuguesa, o instrumento pertenceu ao cinema durante esse período do cinema mudo.

“Esse piano foi comprado pelo meu avô, Clóvis Ferreira Jorge, que era um empresário de Belém. Ele adquiriu o instrumento quando o Cine Olympia passou a trazer filmes com som e não havia mais necessidade de ter o pianista tocando durante as sessões”, conta a musicista.

Do cinema para a sala de casa

A mudança aconteceu no final da década de 1920 e início dos anos 1930, quando o cinema entrou definitivamente na era do som. Os chamados filmes falados chegaram às telas e, pouco a pouco, os pianos que antes conduziam as sessões passaram a perder função.

Naquele tempo, o Cine Olympia ainda era um empreendimento privado — como praticamente todos os cinemas da cidade. Foi nesse contexto que o instrumento acabou sendo vendido.

O comprador foi o empresário Clóvis Ferreira Jorge, avô de Márcia. Na capital paraense, ele era conhecido por atuar no setor de transportes e por administrar a chamada “Viação Americana”, empresa de ônibus que ficou famosa pelos veículos com formato semelhante a Zeppelins.

Assim, o piano deixou o palco do cinema e iniciou uma nova vida dentro de uma casa.

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Márcia Aliverti segura quadro com imagem dos antigos ônibus “Zeppelin”, que marcaram a história do transporte em Belém e eram administrados por seu avô, o empresário Clóvis Ferreira Jorge. Foto: Paula Lourinho

Formação de músicos

Se no cinema ele acompanhava histórias projetadas na tela, na nova casa o piano passou a ajudar a construir histórias reais. A professora de música Mavilda Aliverti, mãe de Márcia e hoje com 86 anos, começou a estudar no piano ainda criança, aos 10 anos de idade. Mais tarde, o mesmo instrumento se transformaria em ferramenta de ensino.

“A minha mãe deu aulas nesse piano. Nele começaram a estudar todas as filhas e muitos alunos, que hoje também são professores de música”, relata Márcia.

Entre familiares e estudantes, o instrumento ajudou a formar quatro musicistas da mesma família e diversos outros profissionais da área musical no Pará. Cada tecla pressionada carregava não apenas uma nota, mas também o início de novas trajetórias.

Márcia Aliverti olha com admiração enquanto toca as teclas do piano histórico que pertenceu ao Cine Olympia, relíquia ligada à memória do cinema e da música em Belém. Foto: Paula Lourinho

Uma cidade movida pela música

A história do piano também reflete um período de efervescência cultural em Belém, entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX.

Naquele tempo, a cidade respirava música. Teatros, conservatórios e apresentações artísticas faziam parte do cotidiano urbano. Espaços como o Theatro da Paz consolidavam a tradição da música erudita, enquanto compositores paraenses ajudavam a fortalecer a identidade cultural da região.

Ter um piano em casa era mais do que possuir um instrumento: era símbolo de prestígio e de envolvimento com a vida cultural da cidade.

Nos bairros tradicionais, como Nazaré e Batista Campos, saraus musicais reuniam famílias e amigos. As salas de estar se transformavam em pequenos salões de concerto improvisados, onde se cantava, tocava e celebrava a música. Foi nesse ambiente que o antigo piano do Cine Olympia encontrou seu novo papel.

Uma relíquia preservada

Décadas depois, o instrumento acabou sendo vendido para uma aluna de Mavilda. Anos mais tarde, durante um recital, Márcia reencontrou a antiga estudante e soube que o piano seria colocado à venda novamente. A decisão veio carregada de memória e afeto.

“Eu sempre achei esse piano lindo. Quando soube que ele estava à venda, comprei de novo e trouxe para casa”, lembra.

Hoje, porém, o instrumento já não pode mais ser tocado. A restauração da mecânica interna teria um custo muito alto. Mesmo assim, ele permanece cuidadosamente preservado como uma relíquia da família.

Pesando cerca de 250 quilos, o piano guarda detalhes curiosos: foi construído especialmente para resistir ao clima amazônico e ainda mantém a placa do antigo agente comercial, Abraham Mathias, que o vendia em Belém, na Rua 13 de Maio.

Placa original do comerciante responsável pela venda do piano em Belém, registro que ajuda a preservar a história do instrumento fabricado em 1913. Foto: Paula Lourinho
Foto: Paula Lourinho

Memória de um tempo

Enquanto o Cine Olympia passa por obras de restauração, a história desse piano reaparece como um fragmento vivo da memória cultural de Belém.

Mais do que madeira, cordas e martelos, o instrumento carrega ecos de um tempo em que o cinema era acompanhado por música ao vivo, quando famílias se reuniam em torno de um piano nas noites de sarau e quando aprender música fazia parte da formação de muitos belenenses.

“É um piano que trabalhou bastante, formou muita gente e tem muita história”, resume Márcia.

Hoje ele permanece silencioso. Mas, para quem conhece sua trajetória, basta imaginar as teclas sendo pressionadas outra vez para que o som daquele antigo cinema volte a ecoar — como se cada acorde ainda acompanhasse as cenas de um filme que continua vivo na memória da cidade.

Registro do piano histórico fabricado em 1913, instrumento que pertenceu ao Cine Olympia e que, na antiguidade, era sensação nas casas de Belém, onde reunia famílias em saraus e encontros musicais. Foto: Paula Lourinho

*Com informações da Agência Belém

Pesca manejada de 15 mil larvas e alevinos de aruanã branco é autorizada em Reserva no Amazonas

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Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) expediu, no dia 13 de março, autorização para que a Colônia de Pescadores Z-32, do município de Maraã, realize a pesca manejada de 15 mil larvas e alevinos de aruanã branco (Osteoglossum bicirrhosum), fases iniciais de desenvolvimento da espécie, destinados à cadeia de peixes ornamentais no estado. A comunidade fica localizada dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDS Mamirauá), unidade de conservação no Médio Solimões.

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As ações serão realizadas nos lagos Preto, Tigre e Itaúba, áreas autorizadas para o manejo da espécie dentro da reserva. A ação será monitorada por analistas ambientais da Gerência de Controle de Pesca (GECP) do Ipaam, que verificam o cumprimento das condições estabelecidas na autorização e acompanham a atividade durante o período de manejo.

A atividade também conta com assistência técnica do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, responsável por acompanhar as ações de manejo junto aos pescadores da região.

Autorização da pesca manejada fortalece a região

De acordo com o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, a autorização fortalece a economia local ao mesmo tempo em que assegura a conservação dos recursos naturais.

“Esta autorização representa um passo importante para fortalecer a economia local e consolidar práticas de pesca sustentáveis na região da reserva. O objetivo é que os pescadores possam trabalhar de forma legal e responsável, preservando as espécies e os recursos naturais do Amazonas”, afirmou o gestor.

Segundo o responsável pela GECP do Ipaam, Gelson Batista, o acompanhamento técnico é fundamental para assegurar a regularidade da atividade. “A iniciativa valoriza o trabalho dos pescadores, enquanto o acompanhamento técnico do Ipaam assegura que a pesca seja realizada conforme as condições estabelecidas na autorização”, destacou.

pesca manejada de 15 mil larvas e alevinos de aruanã branco na Reserva Mamirauá
Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá

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A analista de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Mamirauá, Brenda Meireles, ressaltou que o manejo do aruanã branco na região é resultado de anos de pesquisa e parceria institucional.

“Esse projeto conta com mais de 15 anos de pesquisa e, desde 2024, o Instituto Mamirauá recebe autorização do Ipaam para prestar assessoria técnica à Colônia de Pescadores Z-32, em Maraã. Agora consolidamos esse trabalho conjunto para viabilizar a pesca manejada de 15 mil larvas de aruanã”, destacou.

Condicionantes

A autorização do Ipaam também estabelece condicionantes para a realização das ações de manejo, incluindo o limite máximo de captura de 15 mil larvas e alevinos de aruanã branco, a coleta apenas nos lagos Preto, Tigre e Itaúba, dentro da RDS Mamirauá, e o acompanhamento técnico durante todo o período de manejo.

O documento também prevê o registro das capturas realizadas pela comunidade, o cumprimento do plano de manejo da atividade e a observância das normas ambientais vigentes.

*Com informações do Ipaam

Festival Folclórico de Parintins: confira como será o evento de lançamento em 2026

Foto:  Divulgação/Arquivo Secom AM

O Governo do Amazonas promove, no dia 20 de março, o lançamento oficial do Festival Folclórico de Parintins no município, com apresentações dos bois Caprichoso e Garantido e shows das cantoras nacionais Simone Mendes e Klessinha. O evento terá a presença do governador Wilson Lima, dando a largada para extensa agenda de eventos da temporada dos bumbás.

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Os portões do Bumbódromo estarão abertos para a grande festa de lançamento do 59º Festival de Parintins, que acontecerá nos dias 26, 27 e 28 de junho, na cidade (a 369 quilômetros de Manaus). A entrada será gratuita e trará grandes surpresas no palco, protagonizadas por itens oficiais dos bois Caprichoso e Garantido.

“Nós vamos ter um lançamento lá na ilha, e o lançamento que a gente vai fazer esse ano, vai ser um pouco ousado, vai ser um pouco maior que os outros anos, porque vamos realizar o maior festival de todos os tempos, e isso eu garanto. Tem coisas que a gente vai apresentar lá em Parintins”, declarou o governador Wilson Lima durante o lançamento do 59º Festival de Parintins, no Teatro Amazonas, em Manaus, no último dia 13.

Saiba mais: 59º Festival Folclórico de Parintins é lançado em Manaus; assista

O secretário de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC), Caio André, reforçou a importância do evento para movimentar a cadeia produtiva da cultura e detalhou a programação preparada para a noite de lançamento na Ilha Tupinambarana.

“Um show inédito e formato inédito no bumbódromo, de aproximadamente 1h30 para cada boi. Teremos antes a apresentação da Simone Mendes fazendo um grande show para toda a cidade de Parintins, todo baixo Amazonas e, toda região que puder comparecer e acompanhar esse grande show. Depois da apresentação dos bois, nós teremos também o show da Klessinha finalizando essa grande noite”, disse.

Festival já é aguardado com muitas expectativas

Além das autoridades, a expectativa também é grande entre os integrantes dos bois e torcedores que acompanham o espetáculo todos os anos.

Alexandre Azevedo, tripa do boi Caprichoso, destacou a emoção de voltar a se apresentar para o público de Parintins e reforçou o compromisso de levar um grande espetáculo para a arena.

“A expectativa é a melhor, a gente vai voltar para o nosso povo de Parintins esperando esse grande festival, mais um grande festival e as expectativas estão a mil, vamos chegar lá, dar o nosso máximo para que nossa galera, nossos conterrâneos estejam felizes olhando o nosso espetáculo”.

Alexandre Azevedo, tripa do boi Caprichoso - Festival Folclórico de Parintins
Foto: Arthur Castro/Secom AM

Entre os torcedores, a ansiedade também já toma conta de quem pretende acompanhar o lançamento diretamente do Bumbódromo.

É o caso de Miriam Nascimento, de 32 anos, que entrou no final do ano passado no Comando Garantido e já se organizou para viajar até Parintins.

Ela pretende sair de barco de Manaus no dia 19 de março para acompanhar de perto o início da temporada de festival na Ilha Tupinambarana.

“A expectativa como torcedora é a mil, porque é a primeira vez com o comando. Já fui três anos seguidos como só torcedora mesmo. Indo com o comando para prestigiar a abertura de lá, vai ser a mil, vai transbordar (a emoção) e a nação vai estremecer”, comentou.

Foto: Mauro Neto/Secom AM

Programação

  • 18h – Abertura dos portões – DJ
  • 21h às 22h30 – Atração nacional: Simone Mendes
  • 23h às 00h30 – Apresentação do Boi Caprichoso
  • Intervalo
  • 01h às 02h30 – Apresentação do Boi Garantido
  • 03h às 04h30 – Atração nacional: Klessinha

*Com informações do Governo do Amazonas

Impactos da presença de “limo” em praias do rio Tapajós são analisados no Pará

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Estudos irão analisar os impactos do limo em contato com a pele e da ingestão acidental.  Foto: Divulgação/Acervo da pesquisa

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) investiga a ocorrência de florações de cianobactérias, popularmente conhecidas como “limo”, em praias do rio Tapajós, na região de Santarém.

A pesquisa busca compreender os fatores ambientais associados ao aparecimento dessas manchas de biomassa na superfície do rio e avalia possíveis implicações para a qualidade da água.

O estudo é conduzido pelo servidor e doutorando Fernando Abreu Oliveira, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND) e ao Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA).

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As coletas e análises foram realizadas entre o final de 2025 e o início de 2026 em diferentes pontos do rio Tapajós, incluindo áreas próximas às praias de Ponta de Pedras, Alter do Chão e Maracanã. Nessa primeira fase o estudo contou com apoio de uma equipe composta por pesquisadores e estudantes da Ufopa, que atuaram nas atividades de campo e nas análises laboratoriais.

Nesse primeiro momento o estudo inclui análises laboratoriais de clorofila-a e fósforo total, além do cálculo do Índice de Estado Trófico (IET), indicador utilizado para avaliar o grau de enriquecimento de nutrientes em corpos d’água. Quanto maior esse enriquecimento, maior pode ser a produtividade biológica e o crescimento de organismos como algas.

Impactos da presença de limo em praias do rio Tapajós são analisados no Pará pela ufopa
A presença do limo é pesquisa na Ufopa. Foto: Divulgação

Entre os resultados preliminares, foram registradas concentrações elevadas de clorofila-a em alguns pontos do rio. Em medições realizadas na praia de Ponta de Pedras, por exemplo, os valores ultrapassaram 60 µg/L e chegaram a mais de 100 µg/L em determinados períodos, níveis acima dos intervalos de alerta recomendados para águas recreacionais pela Organização Mundial da Saúde.

A partir desses dados também foi estimado o Índice de Estado Trófico para o trecho analisado do rio Tapajós, indicando um cenário de maior disponibilidade de nutrientes no sistema aquático, condição que pode favorecer o desenvolvimento de florações.

Além das análises em laboratório do limo, a pesquisa utilizou registros fotográficos em campo e dados de sensoriamento remoto, que permitem acompanhar por satélite a distribuição de manchas de biomassa na superfície do rio.

Segundo o pesquisador Fernando Oliveira, a presença do chamado “limo” está relacionada a um conjunto de fatores ambientais.

“Entre os principais fatores estão o aumento da temperatura da água, a maior disponibilidade de nutrientes, a luminosidade e o tempo de permanência da água no sistema. Em trechos mais largos do rio Tapajós, esse tempo de retenção tende a ser maior, o que pode favorecer o acúmulo de biomassa e o desenvolvimento dessas florações”.

Período de ocorrência do limo

As observações indicam que a presença do limo ocorre com maior frequência durante o período de subida das águas do rio, geralmente a partir de novembro, podendo se estender até abril ou maio. Registros semelhantes também foram observados em anos anteriores.

De acordo com os resultados iniciais, as condições ambientais observadas apontam para um aumento da produtividade do sistema aquático, caracterizando um estado trófico mais elevado em alguns trechos do rio. Esse cenário pode favorecer o surgimento de florações de cianobactérias em determinados períodos e locais.

Próxima etapa

O estudo sobre o limo ainda está em fase inicial e não apresenta conclusões definitivas sobre possíveis impactos à saúde humana. A próxima etapa da pesquisa irá avaliar os níveis de toxinas produzidas pelas florações, permitindo investigar sua possível associação com riscos decorrentes do contato com a água e da ingestão acidental durante atividades recreativas, como o banho nas praias.

A pesquisa considera parâmetros estabelecidos por normas brasileiras e recomendações internacionais para avaliação da qualidade da água, incluindo a Resolução CONAMA nº 274/2000, que trata dos critérios de balneabilidade, e orientações da Organização Mundial da Saúde sobre níveis de alerta para águas recreacionais.

A partir dos resultados já obtidos, os pesquisadores destacam a importância do monitoramento contínuo da qualidade da água, especialmente em áreas de uso recreativo. Também recomendam atenção de órgãos ambientais e de saúde para a emissão de alertas preventivos quando houver presença visível de florações, do limo, além do acompanhamento das condições ambientais que podem favorecer o crescimento dessas populações de microrganismos.

Os resultados da pesquisa deverão contribuir para o monitoramento ambiental e para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e gestão da qualidade da água na região.

Pesquisadores que colaboram com o estudo

Paulo Roberto Brasil Santos – Professor Ufopa
Mayerly Guerrero Moreno – Pesquisadora Ufopa/CAPACREAM
Welington Ribeiro – Mestrando Ufopa
Adilson Alves dos Santos – Discente Ufopa
Gabriel Vinicius Silva – Discente Ufopa
Helbia Beatriz Farias da Silva – Discente Ufopa
Jaynara Aboim de Oliveira – Discente Ufopa
Frankilin José de Oliveira Melo – Discente Ufopa
Matheus Silva Pimentel – Discente Ufopa
Jean Jacques Douglas Sampaio Oliveira – Discente Ufopa
Beatriz Vinente Brelaz – Discente Ufopa
Nilro Antonio Amorim Marinho – Discente Ufopa
Antonio Jorge Silva Araujo Junior – Professor Ufopa
Lucinewton Silva de Moura – Professor Ufopa
Dávia Marciana Talgatti – Professora Ufopa
José Max Barbosa de Oliveira Junior – Professor Ufopa

Acesse AQUI a nota técnica do estudo.

*Com informações da Ufopa

CUFA Amazonas protagoniza apoio à IV Marcha das Mulheres Indígenas e reúne 700 pessoas em Manaus

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Foto: Divulgação/CUFA

A sede da Central Única das Favelas no Amazonas (CUFA-AM) foi o ponto de partida e articulação da IV Marcha das Mulheres Indígenas de Manaus e Entorno e do IV Encontro das Mulheres Indígenas de Manaus e Entorno, realizados no dia 8 de março. Ao ceder o espaço para a realização do evento, a instituição reafirmou o compromisso de promover ações, conectar iniciativas e fortalecer movimentos sociais no Amazonas.

Com o tema ‘Mulheres Indígenas contra o feminicídio e as violências que o Estado não vê’, a mobilização reuniu aproximadamente 700 mulheres, cerca de 400 indígenas e mais de 300 integrantes do Fórum Permanente das Mulheres de Manaus em um ato histórico no centro da capital.

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IV Marcha das Mulheres Indígenas CUFA AM
Foto: Divulgação/CUFA

A programação ocorreu ao longo do dia na sede da CUFA Amazonas, com mesas de diálogo institucional, debates sobre enfrentamento às violências, apresentação de minuta de Projeto de Lei e articulação de estratégias políticas. O espaço acolheu as delegações e a organização da marcha.

No período da tarde, as participantes saíram em caminhada pelas ruas do centro de Manaus até a Praça Dom Pedro II, onde ocorreu o ato político e cultural de encerramento.

“A cessão do espaço e o acolhimento das atividades foram fundamentais para viabilizar um momento histórico de mobilização, que reuniu centenas de mulheres indígenas e organizações parceiras em defesa da vida, contra o feminicídio e contra as diversas violências que atingem nossos povos”, destacou a Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (COPIME), em agradecimento à parceria.

Leia também: Amazônia Negra: CUFA Amazonas celebra a força ancestral que resiste e transforma o território

Apoio reafirma compromisso da CUFA Amazonas

Ao apoiar a iniciativa, a representação da central no Amazonas consolida seu papel como ponte entre organizações, fortalecendo a luta das mulheres indígenas e ampliando o diálogo em defesa da vida, dos territórios e dos direitos.

“Parcerias como essa traduzem o verdadeiro propósito da CUFA: fortalecer quem está na ponta, apoiar iniciativas que nascem dos próprios territórios e caminhar junto na defesa da vida, da dignidade e dos direitos. Estar ao lado das mulheres indígenas nesse momento histórico reafirma nosso compromisso com a justiça social e com o enfrentamento de todas as formas de violência”, afirmou Fabiana Carioca, vice-presidente da CUFA Amazonas.

IV Marcha das Mulheres Indígenas CUFA AM
Foto: Divulgação/CUFA

Pesquisa eleitoral aponta liderança de Omar Aziz e Eduardo Braga em intenções de voto no Amazonas

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Os senadores Omar Aziz e Eduardo Braga lideram as pesquisas de intenções de voto no Amazonas. Foto: Rafael Valentim/Assessoria Omar Aziz e Moreira Mariz/Agência Senado

O cenário político do Amazonas já começa a conhecer os principais nomes para as Eleições 2026. Uma pesquisa realizada pela Quaest e divulgada no último sábado (14), avaliou as intenções de voto para os cargos de presidente, governador e Senado Federal.

O destaque no estado ficou com os senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), que lideram a preferência dos amazonenses para os cargos de governador e senador, respectivamente.

O levantamento entrevistou de forma presencial 1.500 amazonenses entre os dias 5 a 11 de março, em dois tipos de cenários: espontâneo (quando os entrevistados citam nomes aleatoriamente) e estimulado (uma lista com nomes é apresentada). Em ambos, Aziz e Braga figuram na primeira posição do eleitorado amazonense.

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Pesquisa no Amazonas

Na corrida pelo Governo do Amazonas, Omar aparece na liderança com 33% das intenções de voto no cenário estimulado. David Almeida (23%) e Maria do Carmo Seffair (21%) aparecem na sequência.

Já na espontânea, o pré-candidato ao cargo do Executivo estadual foi lembrado por 4% dos eleitores, seguido por Maria do Carmo Seffair (3%) e David Almeida (2%).

Saiba mais: Omar Aziz conhece projeto ‘Amazônia Que Eu Quero’ na Rede Amazônica e debate desafios do desenvolvimento regional

Senador Omar Aziz, líder na pesquisa eleitoral
Omar Aziz, pré-candidato ao Governo do Amazonas. Foto: Rafael Valentim/Assessoria Omar Aziz

Já na disputa pelo Senado, Eduardo Braga lidera o cenário estimulado com 28%, à frente de Capitão Alberto Neto, do PL, com 19%; Marcos Rotta (Avante) e Plínio Valério (PSDB), ambos com 11%.

Na pesquisa espontânea, o pré-candidato à reeleição no Congresso Nacional foi lembrado por 3%, seguido de Capitão Alberto Neto (2%) e Marcelo Ramos (1%).

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Senador do Amazonas, Eduardo Braga é pré-candidato à reeleição no Congresso Nacional. Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

Somados aos demais entrevistados que se mostraram indecisos ou optaram em votar em branco ou nulo, as projeções apontam que tanto Omar quanto Eduardo abriram vantagem em relação aos concorrentes no pleito eleitoral deste ano.

Cabe destacar que a porcentagem na pesquisa espontânea é menor que na estimulada porque o eleitor precisa lembrar o nome do candidato sem nenhum tipo de ajuda. No entanto, esse nível de engajamento e lembrança (conhecido como top of mind) reforça que tais candidatos lembrados já possuem seus nomes consolidados pelo eleitorado, ou seja, estão de alguma forma na memória dos entrevistados.

Já nas intenções de voto para presidente, 38% dos eleitores preferiram Flávio Bolsonaro (PL), seguido de Lula (PT) com 37%.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa da Quaest foi encomendada pelo RealTime1 e entrevistou 1.500 eleitores em todo o Amazonas, com idade a partir de 16 anos, entre os dias 5 e 11 de março, com margem de erro estimada de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Defensores da Amazônia

Pré-candidatos nas eleições 2026, os senadores Omar Aziz e Eduardo Braga são os principais defensores de temas ligados à Amazônia no Congresso Nacional. Em dezembro de 2025, os parlamentares prestaram contas dos seus respectivos mandatos em entrevistas especiais para o Portal Amazônia.

Obras de pavimentação da BR-319
BR-319. Foto: Reprodução/DNIT

Na ocasião, Omar anunciou novidades para a mobilidade logística da região amazônica como a construção do novo porto da Manaus Moderna e a licença ambiental para a pavimentação do “trecho do meio” da BR-319.

Já Eduardo Braga destacou que o Amazonas tem um papel estratégico para o futuro do agronegócio brasileiro devido à grande reserva de potássio, fósforo e nitrogênio, fertilizantes essenciais para o setor.

Leia as matérias completas: