Pesquisa aponta baixa toxicidade da oleorresina de copaíba da Amazônia

Bálsamo natural extraído da árvore Copaifera, a oleorresina de copaíba é amplamente utilizada por populações tradicionais da Amazônia como anti-inflamatório, analgésico e cicatrizante natural.

Extração de óleo de copaíba na Flona Tapajós. Foto: Divulgação/Acervo da pesquisa

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e instituições parceiras demonstrou que a oleorresina de copaíba (Copaifera epunctata) apresenta baixo risco de toxicidade em testes pré-clínicos e atividade antimicrobiana contra bactérias Gram-positivas associadas a infecções cutâneas. Os resultados foram publicados na revista internacional Natural Product Research, da editora Taylor & Francis.

Bálsamo natural extraído da árvore Copaifera, a oleorresina de copaíba é amplamente utilizada por populações tradicionais da Amazônia como anti-inflamatório, analgésico e cicatrizante natural.

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É considerada um “antibiótico natural” usado no tratamento de feridas, inflamações e infecções. Apesar do uso histórico, ainda são limitados os estudos que avaliam de forma sistemática sua segurança toxicológica segundo critérios exigidos por agências reguladoras.

O estudo avaliou a segurança e o potencial antimicrobiano da oleorresina extraída de espécimes da região amazônica, mais especificamente da Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, situada na região do Baixo Amazonas, com o objetivo de verificar possíveis efeitos tóxicos e gerar dados que subsidiem o uso seguro do produto na medicina tradicional e no desenvolvimento de fitoterápicos.

Leia também: Conheça as propriedades da Copaíba, o antibiótico da mata

Pesquisa aponta baixa toxicidade da oleorresina de copaíba da Amazônia
Foto: Divulgação/Acervo da pesquisa

De acordo com os pesquisadores, os resultados contribuem para preencher essa lacuna ao demonstrar que a oleorresina de Copaifera epunctata apresenta baixo risco toxicológico em testes pré-clínicos e potencial antimicrobiano contra bactérias Gram-positivas, o que pode explicar seu uso tradicional no tratamento de infecções cutâneas.

“Após análises, o nosso estudo demonstrou que a copaíba é um produto de alta segurança biológica e com efeito antimicrobiano”, explica José Sousa de Almeida Júnior, farmacêutico-bioquímico do Instituto de Saúde Coletiva (Isco), que conduziu o estudo. A análise integra sua pesquisa de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND) da Ufopa.

Também assinam o artigo pesquisadores da Ufopa vinculados ao PPGSND; ao Programa de Pós-Graduação em Biociências (PPGBIO), vinculado ao Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef); ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCSA), vinculado ao Instituto de Saúde Coletiva (Isco); e do departamento de Engenharia Química do Instituto Militar de Engenharia (IME). O estudo contou com financiamento da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).

Baixo risco toxicológico em testes pré-clínicos

De acordo com o artigo, nos ensaios de toxicidade oral aguda realizados em ratos Wistar, não foram observadas alterações comportamentais nem sinais clínicos de intoxicação, como tremores, convulsões, salivação, diarreia ou letargia. Também não houve perda de peso corporal. “De acordo com o protocolo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD 423), a oleorresina foi classificada na categoria 5, indicando baixa toxicidade e dose letal estimada superior a 2.000 mg/kg”, explica José Sousa de Almeida Júnior.

Foto: Divulgação/Acervo da pesquisa

Nos testes de toxicidade dérmica aguda, conduzidos por 14 dias, os animais não apresentaram alterações na pele, mucosas, sistema respiratório ou sistema nervoso central. A análise macroscópica de órgãos internos, após eutanásia, não identificou sinais de reações tóxicas, e não foram registradas mudanças no consumo de ração e água ou no ganho de peso.

“No teste de irritação ocular (HET-CAM), a oleorresina não provocou sinais de decomposição celular (lise), hemorragia ou coagulação, reforçando o perfil de baixa toxicidade do produto nas condições avaliadas”, afirma o pesquisador.

Composição química da copaíba e atividade antimicrobiana

A caracterização química revelou predominância de sesquiterpenos (73,28%) e diterpenos (26,72%). Entre os principais constituintes identificados estão o β-cariofileno (cerca de 40%), β-bisaboleno, α-humuleno, β-selineno e ácido caurenoico.

Segundo os autores, a presença de compostos como β-cariofileno e ácido caurenoico pode estar relacionada ao efeito antimicrobiano observado, uma vez que esses metabólitos já foram associados a alterações na membrana bacteriana e a atividades anti-inflamatórias e antibacterianas em estudos anteriores.

Nos ensaios microbiológicos, a oleorresina apresentou concentração inibitória mínima (MIC) promissora contra bactérias Gram-positivas frequentemente associadas a infecções de pele, como Staphylococcus aureusStaphylococcus epidermidis e Streptococcus pyogenes. Também foi observada ação bactericida contra S. epidermidis e S. pyogenes. Não houve atividade contra bactérias Gram-negativas, como Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli, nas concentrações testadas.

Artigo disponível AQUI (em inglês).

*Com informações da Ufopa

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