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Consumo de ultraprocessados avança entre povos e comunidades tradicionais no Brasil

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De 2015 a 2022, consumo de ultraprocessados aumentou, enquanto alimentos como frutas e feijão perderam espaço, indica estudo com dados do SISVAN. Foto: Reprodução/Pixabay

O consumo de alimentos ultraprocessados aumentou de forma consistente entre povos e comunidades tradicionais no Brasil nos últimos anos. Ao mesmo tempo, alimentos historicamente presentes na dieta dessas populações, como frutas e feijão, perderam espaço.

O maior consumo de alimentos associados a padrões não saudáveis, como hambúrgueres, embutidos, bebidas adoçadas, macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote e biscoitos recheados, indica tendência de piora na qualidade da dieta. É o que mostra um estudo nacional publicado na Revista Ciência & Saúde Coletiva.

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O trabalho foi coordenado pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR), em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Universidade de São Paulo (USP), Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ – Ceará) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A equipe analisou dados de 2015 a 2022 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) sobre consumo alimentar dos povos e comunidades tradicionais. O conceito engloba grupos como quilombolas, ribeirinhos, agroextrativistas, pescadores artesanais e caiçaras, dentre outros, que se estabeleceram no território brasileiro após a colonização. Povos indígenas, originários do Brasil, não são vinculados ao conceito no estudo.

“Esses grupos, em sua maioria, estão inseridos em territórios rurais e cultivam os seus alimentos por meio da agricultura familiar. Quando observamos esse aumento no consumo de ultraprocessados, isso indica que o acesso a esses produtos está cada vez mais facilitado”, explica a professora e nutricionista Greyceanne Dutra Brito, doutoranda em Saúde Pública na Universidade Federal do Ceará (UFC) e principal autora do estudo.

Para a pesquisadora, o baixo custo dos alimentos ultraprocessados, o apelo publicitário e questões estruturais, como a baixa renda das famílias, são fatores que podem explicar a nova tendência.

A queda no consumo de alimentos in natura ou minimamente processados também chama atenção dos especialistas. Embora o estudo não tenha investigado causas específicas, a pesquisadora aponta algumas hipóteses.

“Essa mudança pode estar relacionada à redução do acesso ao território para cultivo, às mudanças climáticas e ao aumento dos preços de alimentos in natura, além da maior acessibilidade econômica dos ultraprocessados”, destaca Brito.

Leia também: Fiocruz Amazônia alerta para problemática do consumo de alimentos ultraprocessados por indígenas

Consumo de ultraprocessados avança entre povos e comunidades tradicionais no Brasil
Foto: tugay aydın/Pexels

Consumo de ultraprocessados é maior entre jovens

Os resultados variam entre os grupos analisados, mas os pesquisadores consideram o cenário geral desfavorável. O consumo de hambúrgueres e embutidos, por exemplo, cresceu 3,87% entre crianças de 2 a 4 anos e 5,59% entre aquelas de 5 a 9 anos. Já entre adultos e idosos, além do crescimento desses produtos na dieta, foi observado aumento no consumo de verduras e legumes — um dos poucos pontos positivos identificados.

Segundo a nutricionista, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados pode levar a deficiências nutricionais (como falta de ferro, fibras, vitaminas e minerais), além de estar associado a um maior risco para desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares.

Apesar das limitações, como a cobertura de dados do SISVAN e a ausência de informações detalhadas sobre essas populações, o estudo é considerado pioneiro ao avaliar a tendência temporal de marcadores de consumo alimentar de povos e comunidades tradicionais em todo o país.

“Os achados contribuem para o avanço da literatura científica e podem subsidiar o fortalecimento de políticas públicas voltadas à promoção da alimentação saudável e sustentável”, afirma Brito.

Entre as possíveis medidas, a nutricionista ressalta a regulação da comercialização de alimentos ultraprocessados e o desenvolvimento de estratégias de educação alimentar e nutricional direcionadas a essas populações.

Os pesquisadores contaram com financiamento de instituições públicas, incluindo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Ministério da Saúde e a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), além de apoio acadêmico de universidades envolvidas no estudo.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Marciele Albuquerque recebe Título de Cidadã Amazonense na Aleam

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Foto: Nathalie Brasil

Em uma sessão marcada por emoção, reconhecimento e celebração da cultura regional, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) concedeu, nesta quinta-feira (7), o Título de Cidadã Amazonense à artista e ativista indígena Marciele Albuquerque. A homenagem ocorreu durante reunião especial no plenário Ruy Araújo, reunindo autoridades, representantes culturais e torcedores dos bois-bumbás de Parintins.

A honraria, proposta pelo deputado estadual Wilker Barreto (PSD), coassinada pela deputada filiada ao mesmo partido, Mayra Dias, reconhece os relevantes serviços prestados por Marciele ao Amazonas, especialmente na valorização da cultura local, no fortalecimento da identidade regional e na projeção do estado em cenários nacionais e internacionais

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Além do título, a cunhã-poranga do Boi Caprichoso também recebeu a Medalha do Mérito Legislativo Ruy Araújo, considerada a maior comenda do Parlamento estadual, em reconhecimento à sua atuação em defesa dos povos originários e na difusão da cultura amazônica.

História de Marciele Albuquerque Munduruku

Natural de Juruti, no Pará, e integrante do povo indígena Munduruku, Marciele construiu sua trajetória entre Manaus e Parintins, onde se consolidou como um dos principais nomes do Festival Folclórico. Em 2026, ganhou projeção nacional ao participar do Big Brother Brasil, levando para todo o país pautas relacionadas à representatividade indígena e à cultura amazônica.

Leia também: Toada do Boi Caprichoso, ‘Guerreira das lutas’ reforça resistência feminina e celebra etnias indígenas

Durante discurso na tribuna, Marciele se emocionou ao relembrar sua trajetória e as dificuldades enfrentadas até alcançar reconhecimento nacional.

“Esse momento, sem dúvida, é o mais especial da minha vida. Eu cheguei aqui no Amazonas com uma rede e um sonho. Eu só sonhava e tinha muita fé, muita força e determinação”, declarou em plenário.

Marciele Albuquerque recebeu a medalha Ruy Araújo da deputada Mayra Dias. Foto: Nathalie Brasil

A artista também destacou o orgulho de representar o povo amazônida e reafirmou seu compromisso com a valorização cultural da região.

“Levo comigo a essência da nossa cultura, da nossa arte, porque é de onde eu vim”, afirmou.

Leia também: Quantos brasileiros possuem os nomes “Brígido” e “Marciele”? Descubra!

Autor da proposta, o deputado estadual Wilker Barreto ressaltou a importância da homenagem como forma de reconhecer a contribuição da artista para o estado. Segundo ele, o título simboliza o vínculo construído por Marciele com o Amazonas ao longo dos anos.

“Hoje ela é uma celebridade de alcance nacional mas anteriormente era também uma ativista que tinha uma luta muitas das vezes silenciosa. Porque ser uma voz e se fazer uma voz não é fácil. Mas tenho a certeza que .agora, com as maiores honrarias da Assembleia Legislativa, irá aumentar a vossa responsabilidade”, disse o deputado, dirigindo as palavras a Marciele Albuquerque

A deputada estadual Mayra Dias também destacou que as honrarias à Marciele vão muito além de sua participação em um reality show nacional, vão das lutas pelas causa dos povos originários.

“Quando o prejeto de lei chegou a essa casa, apresentado pelo deputado Wilker Barreto, a gente nem imaginava que ela iria para o programa Big Brother Brasil. Então esse projeto foi debatido aqui e aprovado, não pela participação dela lá, mas pela sua trajetória, pelo seu currículo. Então a gente fica muito feliz de entregar a ela não só esse título mas a medalha Ruy Araújo”.

Por que o Peru é considerado um paraíso dos anfíbios?

Foto: Divulgação/Agência Andina

Sendo um dos países com maior biodiversidade do planeta, o Peru possui uma das maiores variedades de anfíbios, especialmente rãs, o que o torna um paraíso para esses animais selvagens.

Vamos relembrar quantas espécies vivem no país sulamericano, quantas são endêmicas e destacar algumas delas:

Peru, um paraíso para rãs

O Peru possui atualmente mais de 600 espécies identificadas de anfíbios, tanto terrestres quanto aquáticos. A maior variedade delas encontra-se na região amazônica, especialmente no Parque Nacional Manu, uma área natural protegida localizada na região de Madre de Dios.

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Peru é considerado um paraíso dos anfíbios
Foto Divulgação/Agência Andina

Os anfíbios em território peruano estão distribuídos em 3 ordens (Anura, Caudata e Gymnophiona), 20 famílias e 80 gêneros Muitas espécies de anfíbios são endêmicas (exclusivas do território peruano), especialmente nas cabeceiras dos rios nas encostas orientais dos Andes. 

Cerca de 80% das 235 espécies de anfíbios cuja área de distribuição se estende acima de 1.000 metros de altitude são endêmicas do Peru.

Foto Divulgação/Agência Andina

Regiões com as maiores populações de anfíbios

As regiões com o maior número de espécies de anfíbios são Loreto, Cusco e Amazonas, o que coincide com a maior abundância de florestas, e os menores valores de riqueza são encontrados nos departamentos de Ica, Moquegua e Tacna.

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Diferença entre um sapo e uma rã

Apesar de pertencerem à mesma ordem – Anura, que significa “sem cauda” -, rãs e sapos possuem características morfológicas distintas. Por exemplo, as rãs geralmente têm pele lisa e úmida, com poucos grânulos. Em contraste, os sapos geralmente têm pele mais áspera e grossa. 

Foto Divulgação/Agência Andina

O comportamento e o formato do corpo também os distinguem. Os sapos têm pernas mais longas, o que facilita o salto. Os sapos-cururu, por outro lado, têm membros mais curtos e não possuem as pernas longas necessárias para saltar, pois são mais terrestres. 

Anfíbios endêmicos do Peru

Abaixo estão alguns dos anfíbios mais interessantes que habitam o território peruano:

Rã aquática dos Andes

Foto Divulgação/Agência Andina

Essas rãs aquáticas andinas do gênero Telmatobius, que habitam o país, destacam-se por seu papel fundamental como “sentinelas” da saúde de nossos rios e lagos.

Já os sapos do gênero Telmatobius, nativos do ecossistema andino de altitude, representam uma biodiversidade única que distingue o Peru no mundo. Um excelente exemplo é o Telmatobius culeus, conhecido como sapo-gigante-do-Titicaca, espécie que vive exclusivamente no Lago Titicaca, cujo valor biológico e simbólico ressalta a importância de sua conservação.

Foto Divulgação/Agência Andina

Esses sapos são considerados engenheiros de ecossistemas, pois são vitais para o equilíbrio ecológico, já que são indicadores naturais da qualidade da água nas áreas mais altas do nosso país.

Sapo-flecha-venenoso

Esta rã, cujo nome científico é Ameerega silverstone, foi observada apenas em dois locais dentro de uma pequena área ao sul do Parque Nacional Cordillera Azul, no departamento de Huánuco, entre 1.200 e 1.600 metros acima do nível do mar, na estrada de Tingo María para Pucallpa.

Foto Divulgação/Agência Andina

Arlequim peruano de pele escura

Esta rã, Atelopus seminiferus, é conhecida apenas de uma localidade: entre Balsa Puerto e Moyobamba, e Rioja, na região de San Martín. Ela vive entre 1.000 e 2.000 metros acima do nível do mar. 

Foto Divulgação/Agência Andina

Infelizmente, está ameaçado pela quitridiomicose, uma doença causada pelo fungo patogênico Batrachochytrium dendrobatidis, que se fixa à pele dos anfíbios, infecta-os e pode causar a morte.

Rã venenosa de Marañón

Essa espécie, cujo nome científico é Excidobates captivus, é conhecida apenas nos vales entre a Cordilheira do Cóndor e os morros de Campanquiz, no departamento de Amazonas.

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Foto Divulgação/Agência Andina

Sua distribuição se restringe à área ao redor da foz do rio Santiago, na margem oeste do rio Marañón e ao redor do morro Campanquiz. Habita altitudes entre 177 e 600 metros.

Sapo de vidro

Este sapo, cujo nome científico é Centrolene azulae, possui uma coloração azulada na barriga que o distingue perfeitamente e explica seu nome popular. 

Leia também: Rã de vidro: a perereca inédita para o Brasil que tem menos de 5 centímetros

Foto Divulgação/Agência Andina

Seu único habitat conhecido é o povoado de Fundo Nuevo Mundo, no Parque Nacional Cordilheira Azul, no departamento de Huánuco, a 1.500 metros de altitude. 

Rã vermelha e preta

Essa rã, cujo nome científico é Ranitomeya benedicita, vive nas regiões de Loreto e San Martín, entre 150 e 405 metros acima do nível do mar, nas planícies do Sacramento, entre os rios Huallaga e Ucayali. 

Foto Divulgação/Agência Andina

Seu nome deriva tanto de seu local de origem quanto da dificuldade de encontrá-la na natureza. Quem avista uma pode se considerar “abençoado”.

Descobertas recentes

Nos últimos anos, pesquisas científicas descobriram novas espécies de rãs em território peruano, entre as quais se destacam as seguintes:

A nova espécie descoberta no Parque Nacional Cordillera Azul — localizado entre os departamentos de San Martín, Loreto, Ucayali e Huánuco — foi batizada de Oreobates shunkusacha. Este último nome significa “Coração da Floresta” na língua quíchua-lamista.

Foto Divulgação/Agência Andina

Esta é uma espécie que habita as florestas primárias de planície das Yungas, localizadas a uma altitude entre 1.351 e 1.600 metros acima do nível do mar.

Outra nova espécie, chamada Gastrotheca mittaliiti, foi encontrada em Huancabamba, um ecossistema de alta biodiversidade no departamento de Amazonas, em uma investigação desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável de Ceja de Selva (INDES-CES) da Universidade Nacional Toribio Rodríguez de Mendoza (UNTRM).

Foto Divulgação/Agência Andina

Este anfíbio pertence ao gênero Gastrotheca, conhecido por sua estratégia reprodutiva singular: as fêmeas carregam seus filhotes em uma bolsa dorsal, o que o torna um grupo de especial interesse científico. Como contribuição adicional, o estudo relata pela primeira vez a presença de Gastrotheca turnerorum no Peru, ampliando o conhecimento sobre a distribuição dessa espécie no país.

Uma nova espécie de rã-flecha venenosa do gênero Ranitomeya foi descoberta na área do Parque Nacional Alto Purús, que abrange as regiões de Madre de Dios e Ucayali, após anos de pesquisa na bacia do rio Purús. 

Foto Divulgação/Agência Andina

A nova espécie de rã, denominada Ranitomeya hwata, mede cerca de 15 milímetros de comprimento e é uma das menores espécies do gênero Ranitomeya, conhecido por suas cores vibrantes e comportamento reprodutivo singular.

Apresenta listras dorsais amarelo-brilhantes, um padrão ventral finamente mosqueado e uma faixa preta que separa a região gular do ventre. Vive exclusivamente em florestas nativas de bambu do gênero Guadua, onde utiliza as câmaras naturais dessas plantas para se reproduzir.

Diferentemente de seus parentes próximos, os machos dessa espécie exibem comportamento poligínico, recrutando múltiplas fêmeas por local de reprodução.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Andina

Projeto leva Nheengatu a estudantes de escolas públicas e promove debates sobre identidade amazônica

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Foto: Pedro Carrilho

O projeto Amazônia das Palavras – Quarta Edição transformou a Escola Estadual Prefeito Alexandre Montoril, em Coari (AM), em um espaço de encontro entre literatura, cultura e identidade amazônica. A iniciativa, que segue até o dia 18 de maio e percorrerá outros seis municípios do Amazonas, começou pelo Médio Solimões, levando oficinas literárias e atividades culturais gratuitas a estudantes e educadores da rede pública.

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Com cerca de 70 mil habitantes, Coari é considerada uma cidade estratégica do estado, impulsionada pela produção de petróleo e gás na região de Urucu, além do comércio e da agricultura. É nesse cenário que o projeto inicia sua trajetória, propondo uma imersão em diferentes linguagens literárias ao longo do dia.

Leia também: Amazônia das Palavras: quarta edição realiza programação cultural e educativa em Coari

Projeto leva Nheengatu a estudantes de escolas públicas
Foto: Pedro Carrilho

Ao todo, sete oficinas foram realizadas nos turnos da manhã e da tarde, contemplando temas como produção de textos, slam, música, cinema, moda e animação. Entre elas, a oficina de Nheengatu, língua indígena da família Tupi-Guarani, que provoca reflexões sobre pertencimento e identidade cultural.

Uma língua presente

Conhecida como “língua boa”, a partir dos termosnhee (fala) e gatu (boa ou bela), o Nheengatu foi, durante séculos, a principal forma de comunicação na Amazônia. Ainda hoje, influencia o português falado na região, embora muitas vezes passe despercebida no cotidiano.

Entre linguistas, é considerada uma das línguas mais bonitas em sonoridade, ocupando a quarta posição. Mesmo assim, muitas de suas expressões seguem sendo utilizadas sem que os próprios falantes reconheçam sua origem. A palavra “oi”, por exemplo, comum no português brasileiro, tem raiz no Nheengatu.

Durante a oficina, os estudantes tiveram contato direto com expressões da língua, como: awá taá īdé? (quem é você), mãã taá ne rera? (qual é teu nome), ikatú reté (tudo bem), té kurí (tchau), çerá? (tem certeza?), çairé (festa religiosa) e açaiçú īdé (eu te amo).

Foto: Pedro Carrilho

A oficina foi conduzida por Yaguarê Yamã, escritor, professor, geógrafo, artista plástico e líder indígena amazonense. Filho do povo Maraguá, o autor reúne em sua trajetória a valorização dos saberes ancestrais dos povos originários.

Membro da Academia Parintinense de Letras e da Academia da Língua Nheengatu, é autor de mais de 40 livros, com obras reconhecidas em seleções nacionais e internacionais, como o selo Altamente Recomendável da FNLIJ, além de catálogos como o White Ravens, de Munique, e a Feira do Livro Infantil de Bolonha.

Para o oficineiro, levar essa discussão para dentro da escola é uma forma de enfrentar o distanciamento cultural que atinge principalmente as novas gerações.

“Não é só a capital que está distante dessa identidade. Em tempos modernos, com a influência da internet, os próprios lugares da Amazônia estão se afastando da sua própria cultura. A língua geral da Amazônia, que já foi a mais importante da região, está sendo esquecida. O que precisamos é revitalizar isso, fazer com que as pessoas repensem o seu lugar nesse território”, afirma.

Segundo o professor, a proposta da oficina vai além do ensino da língua, buscando provocar um movimento de reconhecimento entre os estudantes.

“A gente precisa sair dos livros e das redes sociais e abraçar a população de fato. É esse contato direto que permite esse retorno às origens”, completa.

Entre os estudantes, o contato com o Nheengatu trouxe um sentimento de descoberta sobre a própria identidade. Para a aluna Ludmila Melo, de 15 anos, a experiência revelou uma dimensão até então desconhecida. “A gente ter essa oportunidade de estudar uma língua da nossa própria região é muito importante. Nós, como amazônidas, não sabíamos da nossa própria língua. Foi como descobrir de onde a gente veio”, relata.

A curiosidade também marcou a percepção de Glenda da Silva, também de 15 anos, que destacou o interesse despertado durante a atividade. “É muito legal a gente rever sobre o nosso passado. A gente fica se perguntando como não sabia disso antes. Dá vontade de aprender mais, porque é muita coisa que a gente não conhece”, afirma.

Para a diretora da escola, Teresa Cristina Gama dos Santos, a presença do projeto amplia horizontes dentro do ambiente educacional. “O projeto traz novas formas de trabalhar a leitura, valoriza a cultura da nossa região e desperta nos estudantes um interesse que muitas vezes não conseguimos alcançar apenas com o conteúdo tradicional em sala de aula”, destaca.

Além das 14 oficinas realizadas durante o dia, o Amazônia das Palavras – Quarta Edição promove, em cada cidade, uma programação noturna gratuita e aberta ao público. Em Coari, as atividades incluíram a exibição do documentário da terceira edição do projeto, homenagem à escritora Maria Firmina dos Reis, doação de livros à biblioteca escolar com entrega do certificado “Escola Amiga da Leitura” e, encerrando a noite, o espetáculo circense “Silêncio Total – Vem Chegando um Palhaço”, com o ator Luiz Carlos Vasconcelos, interpretando o Palhaço Xuxu.

Percurso segue por outras cidades

Após a passagem por Coari, o projeto segue para os municípios de Codajás, Anori, Anamã, Manacapuru, Iranduba e Manaus, mantendo a proposta de levar atividades educativas durante o dia e programação cultural aberta à comunidade no período da noite.

O Amazônia das Palavras – Quarta Edição, é um projeto patrocinado pela TAG, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura; Apoio: Cigás, Promoção: Fundação Rede Amazônica. Realização: Associação Mapinguari, Ministério da Cultura e Governo do Brasil – do lado do povo brasileiro.

*Com informações da assessoria

Projeto para incentivar atividade das mulheres artesãs é aprovado no Senado

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Foto: Bruno Kelly/FAS

O Senado aprovou nesta terça-feira (5) projeto que prevê medidas de estímulo à atividade profissional de mulheres artesãs. Entre essas medidas estão assistência técnica e incentivos à venda de produtos. O PL 6.249/2019 segue para a sanção.

O projeto, do deputado licenciado José Guimarães (PT-CE) e da ex-deputada Professora Rosa Neide (PT-MT), foi relatado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE). O texto foi aprovado em regime de urgência, apenas com emendas de redação. Por isso, não precisa voltar à Câmara para nova análise.

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De acordo com o projeto, os governos federal, estaduais e municipais poderão regulamentar e promover ações para fortalecer o trabalho das artesãs. Entre as medidas previstas estão:

  • assistência técnica para qualificação das artesãs;
  • incentivos à comercialização dos produtos;
  • campanhas de valorização do artesanato feminino; e
  • apoio à participação em feiras, exposições e outros espaços de divulgação.

Para Rogério Carvalho, a proposição reconhece, valoriza e fortalece a atividade artesanal no Brasil, com foco no papel desempenhado pelas mulheres artesãs na preservação e difusão dos saberes regionais tradicionais e na promoção de sua autonomia econômica.

Da tribuna, o relator Rogério Carvalho defende a aprovação do projeto. Foto: Carlos Mauro/Agência Senado

“As medidas de estímulo à comercialização dos produtos artesanais, de apoio à organização associativa das artesãs e de assistência técnica às suas atividades têm potencial de impacto socioeconômico relevante, beneficiando diretamente as trabalhadoras e suas comunidades”, disse o senador ao recomendar a aprovação.

Leia também: Senado aprova criação da Universidade Federal Indígena

Ofícios do projeto

O texto lista como exemplos de ofícios exercidos por mulheres artesãs os de rendeira, tricoteira, tapeceira, labirinteira, bordadeira, ceramista, trançadeira, fiandeira, costureira, tecelã, bonequeira, coureira, entalhadora e crocheteira. Essa lista, no entanto, não é exaustiva, já que o texto traz a possibilidade de reconhecimento de outros ofícios, pela relevância cultural, social e econômica e pela preservação de tradições e saberes populares.

O projeto altera leis já existentes, como a que regulamenta a profissão de artesão (Lei 13.180, de 2015), para incluir expressamente a palavra “artesã” e assegurar atenção especial às artesãs na liberação de linhas de crédito especiais e em políticas focadas na redução das desigualdades entre homens e mulheres.

Segundo o texto aprovado, a Carteira Nacional da Artesã e do Artesão será válida por três anos, prazo renovável mediante comprovação das contribuições sociais previstas em regulamento.

Outra norma alterada é a Lei 12.634, de 2012, que instituiu o dia 19 de março como o Dia Nacional do Artesão. A data passa a se chamada “Dia Nacional da Artesã e do Artesão”.

*Com informações da Agência Senado

Museu de Folclore e Ifap realizam exposição das louças do Maruanum

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Na abertura da exposição, houve a entrega simbólica do pedido de registro das louças do Maruanum. Foto: Oscar Liberal/Iphan

O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, também denominado Museu de Folclore, sediado na capital do Rio de Janeiro, deu início, no dia 30 de abril, à exposição “Filhas e netas da Mãe do Barro: as louceiras de Maruanum”, em uma parceria com o Instituto Federal do Amapá (Ifap). O museu é vinculado ao Instituto de Patrimônio e Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Antes da abertura, ocorreu uma roda de conversa com a participação do reitor Romaro Silva, bem como da louceira e mestra de Marabaixo Marciana Dias, da louceira Castorina Silva e Silva, da pesquisadora Célia Costa (campus Porto Grande) e das representantes da Fundação Marabaixo, Rosyeila da Silva Coutinho e Ísis Tatiane dos Santos, com mediação da antropóloga e coordenadora de Pesquisa e Projetos Especiais do CNFCP/Iphan, Ana Carolina Nascimento.

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A atividade tradicional é preservada hoje por 26 pessoas, a maior parte mulheres, que vivem num conjunto de 16 vilas no distrito rural de Maruanum, a 80 quilômetros de Macapá. As cerâmicas são feitas a partir de matéria orgânica do solo amazônico unindo conhecimentos e práticas indígenas e de matriz africana.

Foto: Oscar Liberal/Iphan

O arqueólogo Michel Bueno Flores da Silva, superintendente do Iphan no Amapá, destaca a solicitação de registro do ofício das louceiras do Maruanum protagonizado pela comunidade e pelo Centro de Pesquisa sobre Cerâmica do Maruanum, Mulherismos, Decolonialidade e Relações Étnico-Raciais, liderado pela pesquisadora Célia Costa.

“Esse registro irá não apenas assegurar a salvaguarda desse criar-saber-saber, mas também reposicionar o Amapá no cenário nacional, evidenciando sua centralidade na produção cultural brasileira e garantindo, além da visibilidade, instrumentos concretos de proteção – como a defesa dos territórios de coleta, a transmissão intergeracional do ofício e a valorização econômica alinhada aos seus sentidos culturais e espirituais”, declarou.

Leia também: Cerâmica Tukano: arte, resistência e autonomia de mulheres indígenas

Exposição no Museu de Folclore

Com 208 peças, a exposição no Museu de Folclore representa o resultado da pesquisa de campo da antropóloga Ana Carolina Nascimento, realizada em outubro de 2025. A pesquisadora e o fotógrafo Francisco Moreira da Costa passaram uma semana acompanhando todo o processo de feitura das cerâmicas em Maruanum.

“A arte das louceiras envolve conhecimentos tradicionais sobre a biodiversidade amazônica no uso de matérias-primas essenciais para a feitura deste tipo de louça: o barro, as cinzas obtidas da queima da casca da árvore chamada de caripé ou caraipé (Licania scabra), e a jutaicica, resina vegetal extraída do jutaieceiro ou jatobá (Hymenea courbaril)”, destaca a antropóloga, no catálogo da exposição.

Ana Carolina Nascimento falou do apoio do Ifap para viabilizar a exposição. “Está sendo uma grande realização fazer essa exposição. Apesar do Maruanum ser próximo à Macapá, há dificuldades de transporte entre as vilas da comunidade e dispêndio no transporte das louceiras para a capital. Assim, só contando com a parceria da pesquisadora Célia Costa, do Instituto Federal do Amapá, pudemos fazer chegar até lá o material para embalagem das peças, e para coletar as peças na comunidade e levar até a transportadora”, explica Ana Carolina.

Para a pesquisadora Célia Costa, as louças de Maruanum integram crenças e rituais na perspectiva indígena e africana. Desde 2011, a professora do Ifap acompanha e desenvolve iniciativas de preservação e conservação em conjunto com as artesãs e comunidades no Maruanum.

“A partir de 2020, tornei-me ainda mais uma agente cultural e de políticas públicas, por meio de um grupo de pesquisa que eu coordeno, o Centro sobre Cerâmica do Maruanum, Mulherismo, Decolonialidade, Relações Étnico-Raciais. Assim, torna-se possível promover ações de educação patrimonial e políticas públicas para a comunidade”, contextualiza.

*Com informações do Ifap

Amazônia Que Eu Quero realiza painel no Pará sobre democracia digital e desenvolvimento sustentável

Foto: Divulgação

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) realiza, no próximo dia 13 de maio, no Pará, mais uma etapa do projeto Amazônia Que Eu Quero (AMQQ), reforçando a promoção do diálogo qualificado sobre os desafios contemporâneos da região. O painel terá como tema “Democracia Digital e os desafios do desenvolvimento sustentável na Amazônia” e reunirá especialistas para uma análise estratégica sobre o cenário atual.

O encontro propõe uma reflexão sobre os impactos da transformação digital em um contexto cada vez mais conectado, considerando os efeitos da tecnologia nos processos democráticos, na circulação da informação e na construção de caminhos sustentáveis para o desenvolvimento regional.

Debate qualificado e multidisciplinar

Participam do painel o juiz federal e membro suplente do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), Domingos Daniel Moutinho da Conceição Filho, a advogada Bianca Ribeiro Lobato (OAB/PA) e Marcelo Rocha de Sá, da Jambu Tecnologia e Rede Belém Aberta. A mediação será conduzida pelo jornalista Ronaldo Santos, da CBN Amazônia Belém.

A proposta é reunir diferentes perspectivas, jurídica, institucional e tecnológica, para ampliar a compreensão sobre os desafios da democracia na era digital e suas conexões com o desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Integração com agenda de inovação

O painel será realizado durante o evento Bioeconomy as a Solution, que conta com apoio institucional da Fundação Rede Amazônica, fortalecendo a articulação entre inovação, bioeconomia e desenvolvimento regional.

A programação acontece às 16h, no horário de Belém, com transmissão ao vivo pelo g1 Pará, ampliando o acesso ao debate e promovendo a disseminação de informação qualificada.

Escuta ativa e construção de soluções

O Amazônia Que Eu Quero se consolida como uma plataforma de escuta ativa e construção coletiva de propostas voltadas ao desenvolvimento da região. A iniciativa integra diferentes atores sociais e institucionais, contribuindo para a formulação de soluções alinhadas às demandas da Amazônia contemporânea.

O Amazônia Que Eu Quero é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica.

Restaurante cria pratos com peixes sem espinhas para dar mais autonomia às crianças

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Restaurante cria pratos infantis com peixes sem espinhas. Foto: Divulgação

Para muitas famílias amazonenses, o peixe sempre fez parte da rotina. Está presente na mesa, na cultura, mas, ainda assim, quando chega ao prato das crianças, o cenário costuma mudar. Pais atentos, olhar redobrado e a preocupação constante com as espinhas a cada garfada.

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No restaurante Sagrado Peixe, do Grupo Engenho, em Manaus (AM), essa preocupação não é comum. Ali, a proposta é devolver a tranquilidade à mesa, permitindo que as crianças explorem o prato com autonomia, enquanto os pais conseguem relaxar e aproveitar a própria refeição.

O sócio-fundador do grupo, Rogério Perdiz, explica que, no restaurante Sagrado Peixe, os pratos infantis são preparados com filezinhos de peixe sem espinhas, pensados para evitar aquele cuidado constante que interrompe a conversa ou a experiência à mesa.

Assim, a criança ganha autonomia para comer sozinha, experimentar sabores e texturas, enquanto os responsáveis deixam de lado a tensão de precisar verificar cada pedaço.

Leia também: Sushi de tambaqui: empreendedor de Rondônia usa peixe amazônico em receita japonesa

Restaurante cria pratos infantis com peixes sem espinhas
Restaurante cria pratos infantis com peixes sem espinhas. Foto: divulgação

“Sabemos que muitos pais deixam de oferecer peixe para os filhos por conta do medo das espinhas. A nossa ideia foi tirar essa preocupação, trazendo opções seguras, com filezinhos sem espinhas, para que a criança possa comer sozinha e os pais fiquem mais tranquilos”, afirma Perdiz.

Restaurante investe também nos visuais dos pratos

Mas não para por aí. Segundo Rogério, a proposta também aposta no visual como aliado. Os pratos do restaurante são pensados para despertar o interesse da criançada e tornar o momento mais convidativo, com combinações que aproximam o novo do familiar, como o peixe acompanhado de batata.

“A gente pensou em tudo, desde o corte do peixe até a forma de servir. O prato precisa ser bonito, atrativo, porque a criança também come com os olhos. Quando ela se sente interessada, a aceitação é muito maior”, destacou Rogério.

Leia também: Mujeca: aprenda uma receita prática e cremosa a base de peixe e farinha de mandioca

Restaurante Sagrado Peixe. Foto: divulgação

O resultado aparece na dinâmica das famílias à mesa, de acordo com Rogério. Sem a necessidade de verificar cada pedaço, os pais passam a participar do momento com mais leveza, enquanto os filhos experimentam, descobrem sabores e constroem uma relação mais positiva com o alimento.

“Queremos proporcionar uma experiência completa. Não é só alimentar, é criar um momento em família mais tranquilo, onde todo mundo consegue comer bem e aproveitar junto, sem aquela preocupação constante”, completa Rogério.

Além disso, a proposta também resgata aquilo que sempre fez parte da cultura local: o bom e velho peixe, agora com todos aproveitando juntos.

*Com informação da assessoria

Mães refugiadas apostam no empreendedorismo como caminho de inclusão econômica no Brasil

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Proprietária do restaurante Fusão de Sabores, em Manaus, Ana Joselyn é uma das mães refugiadas que encontrou no empreendedorismo a possibilidade de conciliar a geração de renda e os cuidados com a família. Foto: Paula Mariane/UNHCR

Ana Joselyn é a empreendedora à frente do Fusões de Sabores, restaurante que mistura temperos da culinária venezuelana e brasileira ou de sua terra natal e do país que a acolheu. O espaço fica no Mercado de Origem da Amazônia, localizado em Manaus (AM), onde mora atualmente.

“Sonhei que meu negócio fosse mundial e nesse mercado este sonho está se realizando por meio dos turistas que vem do mundo todo aqui”, comemora a venezuelana.

O empreendedorismo tem se consolidado como uma das principais estratégias de inclusão socioeconômica de pessoas refugiadas e migrantes no Brasil, especialmente entre as mulheres. É o que revela a pesquisa realizada com integrantes da Plataforma Refugiados Empreendedores, iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Pacto Global da ONU – Rede Brasil.

Cerca de 95% das pessoas entrevistadas residem no Brasil há mais de três anos, o que reforça o empreendedorismo como alternativa sólida para geração de renda, autonomia e estabilidade de pessoas refugiadas no país.

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A Plataforma Refugiados Empreendedores foi lançada em fevereiro de 2021 e reúne quase 200 empreendimentos de pessoas refugiadas no Brasil.

O estudo realizado pela Innovare Pesquisa, subsidiado pelo ACNUR, ouviu 89 pessoas em diferentes regiões do país entre os meses de janeiro e fevereiro de 2026. A maioria dos negócios são de latino-americanos (82%), seguidos por pessoas do Oriente Médio e África, que somam 18%. São das áreas de gastronomia, artesanato, design e moda e seguem sendo de pequeno porte, predominantemente microempreendedores individuais (56%).

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Elas comandam lares e negócios

Os dados mostram que, em 2026, o perfil das pessoas refugiadas que empreendem é majoritariamente feminino (71%). A idade média das empreendedoras é de 40 anos, indicando mulheres com mais experiência e com maior tempo de inclusão no país.

Quando analisadas as composições familiares, a predominância continua sendo de casais com filhos mas, nesta edição da pesquisa, o número de mães solo empreendedoras sobressaiu em relação à pesquisa anterior, realizada em 2023.

“O crescimento da participação de mães solo evidencia que o empreendedorismo não é apenas uma escolha econômica, mas uma estratégia para estas mulheres conciliarem a geração de renda, gestão da família e cuidados do lar. Apesar das inúmeras barreiras, tem sido a forma encontrada por elas para conquistarem autonomia financeira e estabilidade aqui no Brasil. O ACNUR busca, por meio de suas parcerias, oferecer suporte para que elas possam se capacitar, formalizar seus negócios e até mesmo conseguirem facilidades de crédito”, destaca Paulo Sérgio de Almeida, Oficial de Inclusão Econômica do ACNUR no Brasil.

Ana Joselyn veio da Venezuela para o Brasil com o filho caçula em 2019. Desde então, participou de várias formações. Ela destaca o projeto de capacitação Mulheres Fortes, iniciativa da associação Hermanitos, Ministério Público do Trabalho (MPT-AM/RR) e ACNUR. Recebeu capital semente, foi aprimorando técnicas e adaptando o modelo de negócio. Ela comenta que os vínculos construídos nessas oportunidades a fazem sentir mais confiante.

“Nos deram visibilidade pública e conseguimos ser enxergadas por organizações e empresas que realizam eventos e divulgaram nossas redes sociais”, comenta a proprietária do Fusões de Sabores.

Ana Joselyn conta que precisou adaptar o modelo de negócios várias vezes. A mudança mais recente foi para se adaptar ao prédio histórico de Manaus onde instalou seu restaurante

Quase 90% dos entrevistados afirmam precisar de capacitação, com foco prioritário em marketing e vendas, áreas consideradas estratégicas para ampliar clientela e faturamento. A captação de clientes apareceu como segunda dificuldade mais citada na pesquisa. Neste sentido, a plataforma Refugiados Empreendedores foi apontada como ferramenta importante para divulgação dos trabalhos: 35% afirmaram ter feito vendas por conta da plataforma.

venezuelana Gema Soto é proprietária do empreendimento gastronômico Chévere, em São Paulo. Foi o negócio próprio que deu fôlego para o sustento dos três filhos. Ela comenta que a ferramenta é um suporte que vai além de divulgar os trabalhos.

“A plataforma foi um divisor de águas. Uma das maiores dores que temos, além do fato de ficarmos perdidos, vem das condições em que chegamos no país. Não temos o sentimento de pertencimento. E aqui a gente se sente parte, acolhido, importante e visibilizado. Sabemos que tem alguém atento aos nossos trabalhos. Temos a certeza de que temos profissionais para nos ajudar a superar”.

Mães refugiadas apostam no empreendedorismo como caminho de inclusão econômica no Brasil
Entre as mulheres refugiadas, Gema conta que foi um desafio se entender como empreendedora. “Eu passei fome e agora formo cozinheiros”. Foto: Gema Soto/Acervo pessoal

Para Gabriela Rozman, gerente de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, a plataforma é um meio importante para apoiar as pessoas refugiadas a reconstruir suas vidas no Brasil, especialmente mulheres que encontram no empreendedorismo uma forma de retomar autonomia e autoestima. “Nosso objetivo é seguir apoiando essas empreendedoras com capacitações, treinamentos e mentorias”, afirma.

Além das inúmeras formações feitas para consolidar seu negócio, Gema aprendeu também sobre sustentabilidade, aproveitamento de alimentos e agricultura familiar. Práticas sustentáveis foi um dos temas da pesquisa e, apesar do desconhecimento conceitual, 75% dos negócios já realizam a separação de resíduos recicláveis e 73% utilizam equipamentos de LED para economia de energia.

Crescimento dos negócios e a geração de empregos para pessoas refugiadas

Mais de 47% dos empreendedores entrevistados relataram que a principal dificuldade inicial foi a falta de recursos financeiros ou capital para investimento. O acesso a crédito aparece de forma consistente como gargalo para o crescimento dos negócios.

Atento à demanda de crédito, o ACNUR fez acordos com o Banco Pérola, parceiro da plataforma Refugiados Empreendedores, e o Crédito Solidário – Microfinanças (antes conhecido como Banco do Povo), instituições financeiras que passaram a oferecer linhas de microcrédito especiais para atender pessoas refugiadas e migrantes que queiram ampliar seus negócios no Brasil.

“Sem crédito é praticamente impossível alavancar um negócio, qualquer que seja o tamanho. E essas pessoas têm ainda menos condições de conseguir um empréstimo no mercado do que empreendedores brasileiros mais vulneráveis. Por mais que haja força de trabalho, demanda, capacidade empreendedora, existem questões muito práticas sem as quais um empreendimento simplesmente não existe, como capital de giro, recurso para comprar produtos ou para investir em uma infraestrutura mínima”, afirma a diretora Financeira e Administrativa do Banco Pérola, Andrea Federmann.

Ampliar os negócios, por vezes, se relaciona à contratação de pessoas. Apesar da maioria dos negócios não possuir funcionários, muitos que já contratam optam por pessoas da mesma nacionalidade, embora haja também brasileiros contratados.

Esta é a segunda edição da pesquisa realizada pela Innovare com negócios da Plataforma Refugiados Empreendedores. A primeira edição foi em 2023 e os principais dados estão disponíveis aqui.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Acnur

Voos internacionais têm alta de 37,3% no 1º trimestre na Região Norte

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Aeroporto de Belém. Foto: Divulgação

A aviação da Região Norte registrou crescimento de 37,3% em voos internacionais no primeiro trimestre deste ano. No período, 53.545 passageiros embarcaram a partir dos aeroportos da região, contra 38.988 no primeiro trimestre de 2025. Os dados são da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).

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No mesmo período, o número de voos internacionais partindo da Região Norte passou de 607 em 2025 para 682 em 2026, um crescimento de 12,36%. Por aeroporto, Belém aumentou as decolagens de 210 em 2025 para 276 em 2026, alta de 31,43%. Já Manaus passou de 397 para 405 no período, registrando crescimento de 2,02%.

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, ressaltou que o resultado confirma a expansão das conexões da região com o exterior e o fortalecimento de sua posição como ponto estratégico de entrada e saída de passageiros internacionais.

“Esse crescimento evidencia o potencial do Norte como porta de entrada para o Brasil e como destino cada vez mais conectado ao turismo global. Estamos ampliando a conectividade aérea regional e fortalecendo a infraestrutura para atrair mais visitantes e impulsionar a economia local”, destacou.

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Integração e conectividade dos voos

O avanço dos voos internacionais no Norte reflete o fortalecimento das conexões. Foto: Gabriel Magacho/Divulgação NOA Belém

O avanço dos voos internacionais no Norte reflete o fortalecimento das conexões, especialmente em rotas para a Europa, América do Sul e América Central. O movimento é impulsionado pela ampliação da oferta de voos, ligações internacionais a partir de capitais como Belém e Manaus e pelo aumento da demanda por viagens de turismo e negócios.

Em Belém, destacam-se as conexões com Lisboa, em Portugal, responsável por 28% dos voos internacionais da capital paraense, e com Zanderij, no Suriname, que representa 18,12% dessas operações.

Já em Manaus, as principais rotas internacionais são com Bogotá, na Colômbia, que concentra 30,8% dos voos, e com o Panamá, responsável por 22% das operações a partir da capital amazonense.

*Com informações do Ministério de Portos e Aeroportos