Boi Caprichoso anuncia primeira tuxaua trans do Festival de Parintins

Artista visual Lup Moara será a primeira mulher trans a defender o item 14 no Bumbódromo. Escolha reforça os princípios da agremiação azul pela valorização da diversidade e inclusão.

Lup Moara (centro) é a primeira mulher trans a se apresentar como tuxaua no Festival de Parintins. Foto: Ralf Cordeiro

O Boi-Bumbá Caprichoso anunciou Lup Moara como a primeira mulher trans a defender o item tuxaua no Festival Folclórico de Parintins. A artista visual e performática vai estrear na arena do Bumbódromo em 2026, em um marco considerado histórico para o festival e para a representatividade LGBTQIAPN+ na cultura popular amazônica.

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O item Tuxaua representa liderança, força e ancestralidade indígena dentro do espetáculo. Segundo o Caprichoso, a escolha de Lup reforça a trajetória do boi azul e branco na valorização da diversidade e da inclusão. Torcedora do Caprichoso desde a infância, Lup afirmou que assumir o item é motivo de orgulho e representa uma conquista coletiva.

“O Caprichoso sempre foi meu espaço de acolhimento, respeito e pertencimento. Assumir esse item é levar nossa voz, nossa estética e nossa resistência para o centro do espetáculo. Ser a primeira mulher trans a assumir o item Tuxaua mostra que o Caprichoso, mais uma vez, faz história e inova dentro do Festival de Parintins. É muito satisfatório poder contribuir de forma ainda mais forte dentro do meu boi”, afirmou Moara.

Símbolo da comunidade trans na Ilha

Primeira mulher trans do festival, Lup Moara fará sua estreia como item tuxaua no festival deste ano.
Artista e performática, Lup Moara defende as cores do boi Caprichoso desde a infância. Foto: Reprodução/Instagram-lupmoara

A história de Lup Moara com o Caprichoso começou ainda na infância, na Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale, conhecida como Escolinha de Arte do boi. Ela também integrou o Corpo de Dança Caprichoso (CDC) e participou de diversas manifestações culturais da ilha.

Ao longo da trajetória, foi Rainha das Flores nas Pastorinhas, atuou em bois mirins e ganhou destaque como Porta-Estandarte e Cunhã-Poranga do Boi-Bumbá Rasgadinho, agremiação folclórica reconhecida pela ligação histórica com a comunidade LGBTQIAPN+ de Parintins.

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Nos bastidores do Caprichoso, Lup também construiu carreira como artista de figurino. Em 2018, assinou seu primeiro trabalho na área. Dois anos depois, passou a atuar diretamente na criação e produção de indumentárias para os espetáculos apresentados na arena.

Reconhecida pela inovação estética e pela valorização das tradições amazônicas, Lup Moara agora assume um dos itens mais simbólicos do Festival de Parintins, tornando-se a primeira mulher trans a ocupar o posto na história da disputa entre Caprichoso e Garantido.

*Com informações da Rede Amazônica AM

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