Bioeconomia envolve produção sustentável amazônica. Foto: Ronaldo Rosa/VALE
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Bioeconomia, a palavra mágica que vem mexendo com a cabeça de muita gente. Não apenas de leigos, iniciantes, estranhos ao meio, mas de técnicos e setores empresariais que não conseguem entender exatamente do que se trata. Afinal, o que é mesmo bioeconomia? A palavra, usualmente é associada à uma nova economia capaz de desenvolver e introduzir nos processos produtivos nova lógica interligando uso dos recursos naturais e conhecimento na exploração dos recursos da biodiversidade. Muito além do apelo comercial, a pesquisa reforça o potencial da biodiversidade brasileira na descoberta de novas moléculas com aplicações farmacêuticas e no desenvolvimento de terapias para doenças virais.
De acordo com o Global Bioeconomy Summit 2018, bioeconomia é “a produção, utilização e conservação de recursos biológicos, incluindo conhecimentos, ciência, tecnologia e inovação relacionados, para fornecer informações, produtos, processos e serviços em todos os setores econômicos, visando a uma economia sustentável”. Hoje, vários países do mundo têm incorporado a bioeconomia em suas estratégias de desenvolvimento dado seu potencial econômico sustentável. Trabalho publicado pela OCDE indica que até 2030, a contribuição global da biotecnologia alcançará mais de US$ 1 trilhão distribuídos entre os setores de saúde, produção primária e industrial.
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Ingredientes amazônicos usados em cosméticos mostram como bioeconomia, tecnologia e conhecimento local transformam sementes, resinas e frutos em produtos de alto valor agregado. Antes de chegar às prateleiras dos grandes centros urbanos em forma de cremes, shampoos ou perfumes, muitos cosméticos começam sua trajetória na Floresta Amazônica. Nos últimos anos, a busca por ativos naturais e cadeias produtivas mais sustentáveis ampliou o interesse por ingredientes amazônicos usados em cosméticos, como andiroba, copaíba e murumuru, hoje presentes em formulações para pele, cabelo e cuidados corporais.
Estudos da Embrapa e das mais importantes escolas agrícolas do Brasil concluem não haver dúvidas de que um dos maiores desafios da humanidade no século XXI consiste em compatibilizar a oferta de alimentos e energia destinada à população planetária com preservação dos recursos naturais. Nesse intrincado desafio, cabe ao agronegócio, sedimentado na bioeconomia, posição de destaque.
Dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), concluem que até 2050, quando a população global ultrapassará 9,3 bilhões de pessoas, a produção de alimentos deverá aumentar em mais de 50%. Para o USDA, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, fundado por Abraham Lincoln em 1862, o Brasil, onde a produção do agronegócio vem se expandindo de forma mais consistente, deverá responder por 41% desse esforço mundial.
Estudos especializados indicam também ser possível o alcance da meta levando em conta três pilares principais: tecnologia, disponibilidade de terra e pessoal capacitado em todos os elos das cadeias produtivas. O primeiro tem a ver com a tecnologia tropical sustentável de nossos órgãos de pesquisa e desenvolvimento, liderados pela Embrapa, Inpa, a universidade, instituições públicas e privadas, muito distanciadas entre si e dos interesses da região. Aqui no Amazonas, a exemplo da Epamig, em Minas, Iapar, no Paraná, do centenário Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e outros disseminados por todos estados brasileiros.
Visando promover revolução no setor agropecuário do Amazonas, este esforço deve fundamentar-se na criação de um instituto comprometido com a governança do setor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I) objetivando tornar-se o principal instrumento de transferência de resultados de pesquisas locais, nacionais e internacionais relacionadas direta e indiretamente ao setor produtivo privado, priorizando segmentos estratégicos como produção de alimentos, de madeiras via manejo florestal sustentável, de mineração e o turismo ecológico.
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Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
