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Região do Médio Xingu ganha novo chocolate indígena: Kunhã Arã

Foto: Divulgação/Norte Energia

Responsável por mais da metade da produção de cacau do país, o estado do Pará, mais precisamente a região do Médio Xingu, acaba de ganhar um chocolate que vai muito além do sabor, remontando à cultura milenar dos Juruna.

Trata-se do chocolate artesanal Kunhã Arã, totalmente produzido por uma associação indígena sediada em Altamira, Sudoeste do Pará. O lançamento aconteceu no Chocolat Amazônia 2026, Festival Internacional do Chocolate e Cacau, em abril, no Hangar Centro de Convenções, em Belém.

Leia também: Pará lidera produção de cacau no Brasil e concentra mais de 50% da riqueza do setor

Lançado em três versões de chocolate ao leite (50%, 70% e 100% cacau), o produto é o sexto de um projeto de chocolates indígenas locais apoiado pela Norte Energia e carrega um diferencial inédito, pois é o primeiro a ser integralmente fabricado pela própria comunidade.

Chocolate artesanal Kunhã Arã

Diferentemente de grande parte dos produtos disponíveis no mercado, o Kunhã Arã, que em tupi significa Guerreira da Luz ou Guerreira da Vida, é único porque todas as suas etapas de produção ocorrem dentro da própria comunidade.

O processo abrange desde o plantio de aproximadamente 19.000 pés de cacau, cultivados em sistema agroflorestal sustentável, passando pela colheita, seleção, fermentação, secagem e torra, até chegar à formulação e embalagem do chocolate.

Além de ser um produto artesanal, suas receitas incluem ingredientes como manteiga de cacau e são livres de conservantes e aromatizantes.

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Irasilda Pereira, empreendedora indígena da Kunhã Arã no festival de chocolate em Belém. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará
Irasilda Pereira, empreendedora indígena da Kunhã Arã no festival em Belém. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

O apoio para profissionalizar a produção veio do Plano Básico Ambiental do Componente Indígena da Usina Hidrelétrica Belo Monte, da qual a Norte Energia é a empresa concessionária.

Essa cadeia produtiva gera benefícios diretos para as 51 famílias que formam a Associação Indígena Tubyá. Formada por indígenas de contexto urbano e rural da etnia Juruna, a associação conta com oito famílias trabalhando ativamente nas etapas de plantio e produção no campo.

Liderada pela indígena Irasilda Morais Pereira Fernandez Juruna, a iniciativa fomenta a geração de renda local e possui forte potencial de impacto socioeconômico, com planos de expansão, que incluem o fornecimento do chocolate para merendas escolares por meio do Programa de Aquisição de Alimentos.

 “O que temos hoje na comunidade é inexplicável. Começou com o Chocodjá, antigo nome do chocolate, e logo deu certo, com muita saída. É um projeto voltado para as mulheres, com o objetivo de complementar a renda das famílias. Antes não tínhamos apoio. Pedimos a ajuda da Norte Energia e recebemos mais do que um apoio. Hoje temos uma parceria em tudo. Agora a nossa expectativa é ampliar o alcance e levar o nosso produto para outros estados, e até para fora do Brasil. Para quem começou do zero, eu sei que chegaremos lá”, afirma Irasilda.  

O chocolate também é um poderoso instrumento de resgate dos valores e da cultura da comunidade Juruna, que trabalha para recuperar sua língua e os grafismos tradicionais perdidos após o contato com não indígenas em 1750. Com o apoio da Norte Energia na construção da identidade visual e embalagens, o Kunhã Arã celebra o poder feminino e a força da terra.

A logomarca traz uma figura feminina central que representa a guerreira guardiã da floresta e da partilha, coroada por um cocar em forma de sol que reverencia o cacau como um fruto sagrado e ancestral. O resultado é uma marca que equilibra tradição, futuro, resistência da mulher indígena e a doçura que nasce da terra.

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Para garantir a autonomia da comunidade e permitir que o chocolate fosse fabricado localmente, a Norte Energia forneceu um melangê (equipamento de refino do cacau) e as formas para moldar as barras. A expectativa de produção é de 50 Kg de chocolate por mês.

O suporte também incluiu o fornecimento inicial de mais de 11.000 mudas de cacau, assistência técnica, construção de 5 secadores solar, e mais recentemente a elaboração em conjunto com a associação, de um Plano de Identidade Visual da marca, assim como o custeio de 1.000 embalagens para viabilizar o início da comercialização.

“Temos o compromisso de fortalecer a agricultura familiar indígena, promovendo a sustentabilidade, o empreendedorismo e o empoderamento feminino nas comunidades indígenas da região. Acreditamos que iniciativas como essa geram impacto positivo duradouro, ao criar oportunidades de geração de renda, valorizar saberes tradicionais e contribuir para a melhoria da qualidade de vida das famílias”, afirma Thomás Sottili, Gerente de Projetos de Sustentabilidade da Norte Energia.

O Kunhã Arã chega para empoderar ainda mais a capacidade de produção e o empreendedorismo indígena, trazendo consigo a história de sustentabilidade, autonomia e resistência dos povos do Médio Xingu.

*Com informações da Norte Energia

Programa amplia ações para fortalecer agricultura familiar no Amapá

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Programa Ater Mecaniz amplia ações para fortalecer agricultura familiar no Amapá. Foto: Cristiane Mareco

O Instituto de Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap) participou, no dia 14 de maio, da programação do “Maratonando Municípios”, promovida pelo Governo do Estado no município de Amapá, com ações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e ao desenvolvimento da produção rural.

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Durante a agenda, foi lançado o Programa Ater Mecanizo, iniciativa que prevê a entrega de máquinas, implementos e equipamentos agrícolas para ampliar a mecanização no campo e melhorar a eficiência das atividades produtivas. A unidade local do Rurap recebeu um trator agrícola, grade aradora, grade niveladora, carretinha com capacidade para 3,5 toneladas e uma semeadora de cinco linhas.

Os equipamentos foram adquiridos por meio de emenda parlamentar do senador Davi Alcolumbre, com investimento estimado em R$ 400 mil. O conjunto inclui trator agrícola Preet 90 CV, implementos KLR, semeadora-adubadora Baldan PLB com kit de plantio direto e carroça para transporte.

Leia também: Amapá no Amapá: conheça a história do município homônimo ao Estado

Programa Ater Mecaniz amplia ações para fortalecer agricultura familiar no Amapá
Programa Ater Mecaniz amplia ações para fortalecer agricultura familiar no Amapá. Foto: Cristiane Mareco

O programa prevê atendimento inicial de 50 hectares, com 34 produtores já selecionados nas localidades de Piquiá, Cruzeiro, Bicudinho e Amapá Grande. Na Região Norte, a previsão é alcançar 200 hectares, contemplando também os municípios de Tartarugalzinho, Pracuúba, Calçoene e Oiapoque.

Em todo o estado, a iniciativa soma 1.010 hectares previstos, dos quais 318 já foram executados, beneficiando 240 agricultores.

Leia também: Agricultura familiar é 8ª maior produtora de alimentos do mundo; Região Norte representa 15,4% do país

O governador Clécio Luís destacou que o programa foi estruturado para garantir atendimento contínuo aos produtores rurais da região.

“Vamos iniciar com 50 hectares aqui no município de Amapá, mas esse é apenas o começo. Em toda a Região Norte serão 200 hectares atendidos. O trabalho segue um cronograma: a equipe atende uma localidade, avança para os demais municípios e depois retorna para dar continuidade aos serviços. A ideia é garantir que todos sejam atendidos de forma eficiente e sem demora”, afirmou o governador.

Programa Ater Mecaniz amplia ações para fortalecer agricultura familiar no Amapá. Foto: Cristiane Mareco

Leia também: Roça Sustentável aumenta a produtividade da agricultura familiar no Maranhão

O diretor-presidente do Rurap, Kelson Vaz, ressaltou que a mecanização agrícola será fundamental para fortalecer a produção rural e apoiar a recuperação das lavouras afetadas pela crise fitossanitária da mandioca.

“Essas máquinas chegam para fortalecer a agricultura familiar e ampliar o atendimento aos produtores rurais da região. Também estamos desenvolvendo, junto à extensão rural e com acompanhamento da Embrapa, unidades experimentais com a mandioca jacaré, que poderão contribuir para a recuperação da produção no estado”, destacou.

Kelson Vaz também enfatizou os avanços das políticas públicas voltadas ao setor rural, especialmente na ampliação do acesso ao crédito e à assistência técnica. Segundo ele, já foram emitidos 514 Cadastros da Agricultura Familiar (CAF), instrumento essencial para acesso a financiamentos e programas governamentais.

O ex-deputado federal Camilo Capiberibe destacou os avanços das políticas públicas voltadas à agricultura familiar e à infraestrutura rural no município de Amapá.

Segundo ele, os investimentos em assistência técnica e mecanização agrícola fortalecem a produção rural e melhoram a qualidade de vida das famílias agricultoras, garantindo mais apoio aos produtores rurais.

O Rurap mantém ações contínuas de assistência técnica e inclusão produtiva, com atendimento a 20 mulheres pelo programa Ater Mulher e acompanhamento de 151 agricultores no enfrentamento à crise fitossanitária da mandioca.

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Programa Ater Mecaniz amplia ações para fortalecer agricultura familiar no Amapá. Foto: Cristiane Mareco

No âmbito do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), estão previstos investimentos de R$ 70 mil, beneficiando 14 agricultores com repasse individual de R$ 5 mil, além do atendimento a sete entidades, alcançando cerca de 1.696 famílias.

Os dados do município de Amapá demonstram crescimento nas ações executadas pelo Rurap entre 2023 e 2026. O número de atendimentos do PAA passou de cerca de 4 mil, em 2023, para 7 mil, em 2025. Em 2026, foram registrados 135 microcréditos destinados ao fortalecimento produtivo.

No Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf A), os atendimentos chegaram a aproximadamente 80 mil em 2025. Já o programa Ater Mulher contabilizou cerca de 6.900 atendimentos no período analisado.

Os registros do Cadastro da Agricultura Familiar também avançaram, passando de cerca de 9 mil, em 2023, para 10,5 mil no período mais recente.

*Com informações da Agência Amapá

Rede Educa debate governança, compliance e segurança jurídica como pilares da competitividade empresarial

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Foto: Divulgação

A Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (CIEAM), lançou a oitava videoaula do projeto Rede Educa, com o tema “Governança, Compliance e Segurança Jurídica”. O episódio contou com a participação do advogado trabalhista Luciano Coelho e integrou a programação de conteúdos voltados à qualificação técnica e estratégica de profissionais, estudantes e lideranças da região amazônica, promovendo reflexões sobre integridade corporativa, conformidade regulatória e fortalecimento institucional no contexto do Polo Industrial de Manaus.

A videoaula destacou a importância da governança corporativa e das práticas de compliance como instrumentos fundamentais para ampliar a segurança jurídica, reduzir riscos operacionais e fortalecer a competitividade das organizações diante das novas exigências do mercado contemporâneo.

Integridade corporativa e fortalecimento institucional

Ao longo da aula, foram discutidos mecanismos de governança corporativa, gestão de riscos trabalhistas, políticas de conformidade e estratégias voltadas à segurança jurídica nas empresas, evidenciando a necessidade de ambientes corporativos mais transparentes, eficientes e alinhados às boas práticas de gestão.

O conteúdo também reforçou que o compliance deixou de representar apenas uma obrigação regulatória e passou a ocupar posição estratégica no fortalecimento institucional das organizações, contribuindo para maior previsibilidade jurídica, credibilidade empresarial e sustentabilidade corporativa.

A abordagem conectou os conceitos técnicos à realidade do setor produtivo amazônico, demonstrando como práticas estruturadas de governança podem impulsionar a confiança institucional, ampliar a competitividade e fortalecer o ambiente de negócios na região.

Segurança jurídica e competitividade empresarial

A oitava videoaula do Rede Educa também evidenciou a relação entre segurança jurídica e desenvolvimento sustentável, enfatizando a importância de empresas preparadas para responder às transformações regulatórias, sociais e econômicas que impactam diretamente os modelos de gestão e as relações corporativas.

Além dos aspectos técnicos, o episódio destacou a relevância da cultura organizacional, da ética empresarial e da implementação de processos internos capazes de promover maior estabilidade institucional e responsabilidade corporativa.

O advogado trabalhista Luciano Coelho ressaltou que a governança corporativa e o compliance se consolidaram como diferenciais estratégicos para organizações que buscam crescimento sustentável e maior segurança nas relações institucionais.

“Governança e compliance não representam apenas mecanismos de controle, mas instrumentos estratégicos para fortalecer a segurança jurídica, reduzir riscos e ampliar a confiança institucional dentro das organizações. Empresas que investem em integridade e conformidade constroem ambientes mais sólidos, sustentáveis e preparados para os desafios do mercado contemporâneo”, afirmou Luciano Coelho.

O projeto Rede Educa vem consolidando uma programação voltada à disseminação de conteúdos estratégicos sobre ESG, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional, ampliando o acesso à formação qualificada e aproximando conhecimento técnico das demandas contemporâneas do setor produtivo.

A videoaula está disponível gratuitamente no canal oficial da Fundação Rede Amazônica no YouTube:

Por Pauline Lima, da FRAM

Artefatos de pedra lascada são encontrados em escavação no sul do Amapá

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Artefatos de pedra lascada são encontrados em escavação no sul do Amapá. Foto: Kleber Souza/Acervo pessoal

Uma escavação realizada no dia 15 de maio na rodovia que liga Laranjal do Jari a Vitória do Jari, no sul do Amapá, resultou na descoberta de artefatos de pedra lascada. Entre os materiais identificados estão uma ponta de flecha e a base de uma vasilha semelhante às usadas no preparo de alimentos como o beiju.

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Segundo o arqueólogo Kleber Souza, os vestígios ajudam a compreender as técnicas utilizadas por antigos fabricantes de ferramentas na região.

“A peça possui negativos profundos e acidentes na superfície, o que indica que houve quebras durante a confecção. Um dos bordos não apresenta acabamento, sugerindo que houve outra fratura nesse ponto”, explicou.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que são sítios arqueológicos?

Artefatos de pedra lascada são encontrados em escavação no sul do Amapá
Artefatos de pedra lascada são encontrados em escavação no sul do Amapá. Foto: Kleber Souza/Acervo pessoal

Artefatos revelam detalhes importantes

Na parte central da ponta de flecha, há resquícios de córtex — camada original da pedra — que não foram removidos. Para Kleber Souza, esse detalhe revela as dificuldades enfrentadas pelos grupos que produziam artefatos líticos.

Além da ponta de flecha e da base de vasilha, a escavação identificou outros vestígios em uma área de 5×5 metros, todos obtidos por meio de escavação manual.

Artefatos de pedra lascada são encontrados em escavação no sul do Amapá. Foto: Kleber Souza/Arquivo Pessoal

Leia também: Vestígios arqueológicos com mais de 3 mil anos são encontrados em Parintins

Os pesquisadores avaliam que este é o primeiro registro desse tipo no Amapá. Achados semelhantes são raros em sítios arqueológicos da Amazônia, o que torna a descoberta relevante para os estudos sobre ocupação humana na região.

“Esse tipo de vestígio mostra as limitações técnicas e o aprendizado dos povos que habitavam a Amazônia”, disse.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Sete áreas de garimpo ilegal são desativadas em operação na divisa do Amapá com Pará

Operação Calha Norte ocorreu na divida do Amapá com o Pará. Foto: Divulgação/Polícia Federal

Sete áreas de garimpo ilegal em plena atividade foram desativadas durante a Operação Calha Norte, realizada entre os dias 12 e 15 de maio na região da divisa entre os municípios de Laranjal do Jari (AP) e Almeirim (PA).

Saiba mais: Portal Amazônia responde: como funciona o Calha Norte?

A ação foi coordenada pela Polícia Federal em conjunto com o Ibama, ICMBio, Força Nacional e contou com apoio da Segup/PA, da Polícia Militar do Pará e do Graesp.

Cerca de 80 agentes participaram da operação, que também utilizou cinco aeronaves para alcançar áreas de difícil acesso na floresta.

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Sobre a operação contra o garimpo

A Operação Calha Norte integra os esforços permanentes de repressão aos crimes ambientais e de proteção da floresta amazônica e das comunidades afetadas pela exploração ilegal de recursos naturais.

Leia também: Relatório aponta que garimpo ilegal não diminui e afeta drasticamente ecossistema amazônico

Sete áreas de garimpo ilegal são desativadas em operação na divisa do Amapá com Pará
Sete áreas de garimpo ilegal são desativadas em operação na divisa do Amapá com Pará. Foto: Divulgação

Durante os três dias de ação, foram inutilizados:

  • 4 escavadeiras hidráulicas
  • dezenas de motores usados na extração ilegal
  • 3 quadriciclos
  • 2 tratores
  • geradores e acampamentos clandestinos
  • aproximadamente 3.300 litros de diesel

O prejuízo estimado aos responsáveis pelas atividades ilícitas ultrapassa R$ 6 milhões.

*Por Josi Paixão e Fábio Amato, da Rede Amazônica AP

Quem foi Villeroy? Nome deu origem a avenida mais famosa de Boa Vista  

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Avenida Ville Roy. Foto: Richard Messias/PMBV

Seja com destino à rodoviária internacional ou ao shopping do bairro Caçari, a Ville Roy é a principal avenida para cruzar o Centro de Boa Vista (RR). Mas você já se perguntou o por quê ela tem esse nome? Registros históricos ajudam a conhecer a história de uma das vias mais movimentadas da cidade.

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Uma curiosidade: o nome escrito é Ville Roy, mas a pronúncia é um tanto diferente: “Villerruá”, já que tem origem francesa.

Villeroy: governador que criou o município de Boa Vista

Apesar de não ser oficializado nem nenhum registro da época, acredita-se que o nome da avenida Ville Roy foi dado em homenagem ao criador do município de Boa Vista: Augusto Ximeno Villeroy. Militar e governador da então província do Amazonas, Villeroy foi quem assinou o decreto nº. 049 no dia 9 de julho de 1890 e elevou Boa Vista ao status de município.

Com o decreto do governador Villeroy, Boa Vista foi desmembrado do município de Moura, no Amazonas, e passou a ser município.

A avenida Ville Roy foi construída em uma época em que existiam apenas 13 automóveis em todo o território de Roraima, segundo um relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 1953. A via, entretanto, sempre teve o aspecto largo, hoje tem seis pistas de tráfego. Ela foi pensada para o futuro, já antecipando o crescimento urbanístico da capital.

Quem foi Villeroy? Nome deu origem a avenida mais famosa de Boa Vista  
Vista aérea de Boa Vista com a avenida Ville Roy destacada, por volta do final das décadas de 50 e 60. Foto: Reprodução/IBGE

Não se sabe, entretanto, o motivo da avenida não ter recebido o nome completo do militar igual às outras vias que saem da “bola” do Centro Cívico, como a Capitão Júlio Bezerra, Capitão Ene Garcez e Benjamin Constant.

Sobre a maior parte dos nomes das principais ruas e avenidas do Centro serem homenagens a antigos militares, o historiador e pesquisador da Universidade Estadual de Roraima (UERR), André Augusto da Fonseca, explica que tudo se trata do contexto histórico da criação e desenvolvimento do município.

“A criação do município ocorreu em meio a um contexto da Ditadura Militar de Marechal Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Então, os governadores do Amazonas eram militares positivistas e republicanos. Depois, o poder passou para os ‘coronéis de barranco’, que eram pecuaristas, das famílias Brasil e Cruz, por exemplo. São os casos de Sebastião Diniz, Jaime e Bento Brasil, Inácio Magalhães, todos nomes de rua”, explica.

Plano urbanístico de 1946

No plano urbanístico de 1946 feito para Boa Vista pelo engenheiro e arquiteto carioca Darcy Aleixo Derenusson, a avenida Ville Roy já aparecia, embora não se tenha uma data exata de quando ela foi criada.

O projeto visava garantir o desenvolvimento da cidade e o fácil acesso aos serviços públicos para os cerca de 1.800 moradores de Boa Vista naquela época.

Foi Derenusson quem cravou o famoso desenho no formato que lembra um leque para o Centro da cidade. A ideia foi escolhida em 1946, três anos depois da criação do Território Federal do Rio Branco pelo então governador Ene Garcez.

Inspirado na paisagem da cidade de Belo Horizonte, o plano de Derenusson tinha o Centro Cívico, onde fica o palácio do governo Senador Hélio Campos, como principal referência para as avenidas que “saem” dele para rumo aos bairros da cidade.

Quem foi Villeroy? Nome deu origem a avenida mais famosa de Boa Vista  
Plano urbanístico Darcy Aleixo Derenusson para a cidade de Boa Vista, em 1946. Imagem: Antônio Teixeira Guerra, em ‘Estudo Geográfico do Território do Rio Branco’
Quem foi Villeroy? Nome deu origem a avenida mais famosa de Boa Vista  
Vista aérea da cidade de Boa Vista cerca de 30 anos depois das obras do plano urbanístico. Foto: Reprodução/IBGE

Além da Ville Roy, outras importantes vias de Boa Vista também que “saem” da popularmente conhecida “bola” do Centro Cívico também aparecem nos documentos do plano da década de 1940, entre elas a Mário Homem de Melo, Capitão Júlio Bezerra, Getúlio Vargas, Nossa Senhora da Consolata e Benjamin Constant.

Antes do plano, as únicas avenidas de Boa Vista eram a Jaime Brasil, que sempre foi o principal Centro comercial da capital, e suas adjacentes, as avenidas Bento Brasil e Floriano Peixoto.

Recortes de anúncios no jornal “O Átomo”, que circulou em Roraima na década de 1950, mostram que a Ville Roy era tratada como rua. Não se sabe, portanto, quando a via ganhou o status de avenida, porém, em jornais da década de 80, ela já era tratada como avenida.

A “Ville” hoje em dia

Atualmente, no aniversário de 134 anos de Boa Vista, com mais de 8 km de extensão – da Rodoviária de Boa Vista até o Roraima Garden Shopping, divididos praticamente ao meio pelo Centro Cívico, a Ville Roy absorveu traços do crescimento da capital que incluem o contraste entres as zonas Leste e Oeste da cidade.

O trecho Leste inclui os bairros como São Pedro, Canarinho, Aparecida – região conhecida pelos prédios comerciais de alto padrão e áreas de esporte e lazer, como o estádio Canarinho e a Praça da Amoca. Mais à frente, a avenida cruza pelo bairro Caçari, área conhecida pelas lojas e bares considerados de alto padrão.

Já o trecho da área Oeste passa pelo bairro São Vicente, reúne mais lojas de serviços e termina no bairro Treze de Serembro, uma região de passagem para aqueles que entram e saem da capital pela BR-174. Nos arredores dessa metade da avenida , há volume de empresas de autopeças, construtoras e pousadas próximas à Rodoviária Internacional de Boa Vista.

Augusto Ximeno Villeroy

O governador Augusto Ximeno Villeroy foi um engenheiro do Exército e participou da conspiração que derrubou a monarquia, no Golpe Militar de 1889, conforme consta no livro “História do Amazonas”, do historiador Arthur César Ferreira Reis.

Documento antigo com foto de Augusto Ximeno de Villeroy
Documento antigo com foto de Augusto Ximeno Villeroy, criador do município de Boa Vista. Foto: Reprodução/Arquivo Público Mineiro

Por ter participado da Proclamação da República como apoiador de Benjamin Constant, Villeroy ganhou a confiança dos republicanos e foi nomeado governador da província do Amazonas um ano depois, em 1890, durante o governo de Marechal Deodoro da Fonseca. À época, todo o território roraimense, incluindo o que hoje é a capital, pertencia ao Amazonas.

No entanto, o mandato de Villeroy como governador durou menos de 11 meses, de janeiro a novembro de 1890. Após deixar o cargo, o militar retornou ao Rio de Janeiro e liderou conspirações tenentistas na década de 1920 contra o governo do então presidente do Brasil Arthur Bernardes.

*Por João Gabriel Leitão, da Rede Amazônica RR

Fruta nativa da América do Sul, milho roxo quebra barreiras e cresce na Amazônia

Cultivada no continente americano, fruta deu origem até à criação de uma cerveja natural. Foto: Reprodução/Agência Andina

O milho roxo, uma fruta nativa da região da América do Sul onde o Peru está localizado, não é cultivado apenas em áreas costeiras e andinas, mas também na Amazônia, dando origem à criação de uma bebida cujo sabor característico se combina com o camu camu, outro produto natural do continente americano.

Graças ao apoio do Instituto Peruano de Pesquisa da Amazônia (IIAP), os agricultores de Ucayali produzem com sucesso essa cultura, gerando assim uma fonte de renda para a economia familiar e para seus alimentos.

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O pesquisador do IIAP, Carlos Abanto Rodríguez, afirmou que inovações desse tipo contribuem para fortalecer esse setor da população amazônica. “Antes, coordenamos com os agricultores para atender às necessidades deles”, pontuou.

Foi nesse contexto que foi concebido o primeiro caso bem-sucedido de cultivo de milho roxo nas planícies inundáveis amazônicas, entendendo essas partes como aquelas que são liberadas das águas dos rios quando elas diminuem.

Segundo Abanto, essas terras são naturalmente fertilizadas graças à água que esteve nelas durante o período de enchentes, que vai aproximadamente de dezembro a março.

Produtora de milho roxo
Cleydis Murayari, agricultora da Vila de 7 de Junio, produtora de milho roxo. Foto: Reprodução/Andina

Caso pioneiro

Em 2022, o IIAP soube do caso de Cleydis Murayari Ihuaraqui, uma agricultora da vila de 7 de Junio, no distrito de Yarinacocha, que havia plantado milho roxo, uma cultura raramente usada na Amazônia.

Tendo obtido resultados positivos, o produtor solicitou sementes dessa cultura à entidade mencionada, dentro do âmbito do programa pelo qual sementes de milho, feijão, melancia, pimenta e outros produtos alimentícios são entregues aos agricultores.

“Entregamos essas sementes porque não queremos falhas ou colheitas ineficientes, queremos jogar pelo seguro”, diz Abanto. “O Estado investe dinheiro na compra de sementes e na transferência de assistência técnica no campo, do plantio à colheita”, explicou.

Com o histórico mencionado, dez quilos de semente de milho roxo INIA 615 Black Canaan foram entregues à agricultura. Outros quarenta quilos foram distribuídos entre outras produtoras.

Boa colheita

As culturas de milho roxo foram distribuídas nessa primeira oportunidade por uma área de 2500 metros quadrados, sendo avaliadas pelo IIAP.

Abanto relata que três meses depois, até pouco antes da colheita, esse fruto não apresentava a coloração característica. “Mas faltando de 15 a 20 dias para a colheita, sua coloração apareceu”, disse ele.

Os resultados também foram satisfatórios para Cleydis Murayari, que colheu 500 quilos de milho roxo, vendendo 450 desses a uma quantidade entre 4 e 5 solos por quilo. Os outros 50 eram usados para consumo e também para preparar refrigerantes semelhantes à chicha morada.

Camu-camu, fruta típica da Amazônia. Foto: Reprodução/Andina

O IIAP levou isso em consideração e, para agregar valor a um novo produto ao qual se projetava potencial, ele foi misturado com camu camu, um fruto típico da Amazônia.

O resultado é o ‘Camuchicha’, que já foi exibido e comercializado com sucesso nas últimas edições da Expo Amazonica.

Leia também: Conhecido como o ‘ouro da Amazônia’, camu-camu é aposta para indústria alimentícia

Cerveja natural do milho roxo

É composto por 60% de essência de milho roxo, sendo os 40% restantes polpa de camu camu. A fórmula, inicialmente desenvolvida em um laboratório na sede do IIAP em Ucayali, foi posteriormente transferida para Cleydis Murayari e outros 150 agricultores para que também pudessem produzir essa bebida.

Produção da cerveja natural de milho roxo na IIAP. Foto: Reprodução/Andina

“Não é a clássica chicha morada que consumimos, mas também tem aditivos para diminuir o ácido do camu camu e dar sabor”, explica Abanto. “Essa tecnologia foi transferida para os agricultores, e agora eles têm mais uma opção para dar valor aos seus produtos”, enfatizou.

Ainda são necessárias mais pesquisas sobre as condições e o potencial do milho roxo e a melhor forma de produzi-lo na Amazônia, diz o representante do IIAP. Uma vez determinada a variedade dessa cultura que melhor se adapta às condições climáticas desta região do país, ainda mais progressos podem ser feitos na promoção de sua produção.

“A vantagem é que aqui temos solos férteis, que não precisam de investimento em fertilizantes, porque o fertilizante natural permanece aqui após a inundação dos rios”, diz o especialista, destacando mais uma força de um produto eminentemente orgânico.

*Com informações da Agência Andina

Com bioma amazônico, Peru é um dos países com a maior variedade de aves do mundo

Foto: Heins Plenge Pardo

O Peru possui biodiversidade reconhecida internacionalmente, evidente em sua avifauna, que lhe rendeu o primeiro lugar no Global Big Day quatro vezes (2024, 2021, 2016 e 2015).

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Mas por que o Peru é um dos países com a maior variedade de aves do mundo? Quantas espécies são endêmicas e quais são as mais emblemáticas?

Peru, um paraíso para pássaros

De acordo com a lista oficial atualizada de aves do Peru, elaborada pela União dos Ornitólogos do Peru (UNOP) e em conformidade com os critérios do Comitê Sul-Americano de Classificação (SACC), o país é um dos que apresentam maior diversidade de espécies de aves no mundo, com 1.879 espécies registradas, das quais 14 são novas espécies descritas nos últimos anos. Além disso, existem 117 espécies endêmicas ou nativas do Peru. 

A geografia do Peru abriga áreas naturais protegidas que são o lar da grande maioria das espécies de aves que podem ser observadas e registradas. As áreas naturais protegidas mais notáveis ​​para a observação de aves são:

Grande Dia Global: Por que o Peru é um dos países com a maior variedade de aves do mundo?
Foto: ANDINA / Editora Perú

No litoral, por exemplo, o Santuário Nacional Los Manglares de Tumbes, localizado na costa noroeste do Peru, na província e distrito de Zarumilla, departamento de Tumbes, abriga entre 200 e 300 espécies de aves, como a fragata, diversas espécies de garças, o íbis-branco, o ralídeo-dos-manguezais e a toutinegra-dos-manguezais, entre outras. Por esse motivo, é considerado um local ideal para a observação de aves e, consequentemente, para sediar o Global Big Day.

Por sua vez, o Parque Nacional Cerros de Amotape, localizado na parte norte de Piura e na parte mais meridional de Tumbes, é o exemplo mais bem preservado de floresta seca equatorial em toda a região do Pacífico. Abriga espécies únicas como o periquito-de-coroa-vermelha, o beija-flor-de-cauda-espinhosa-de-cabeça-preta e a aracuã-de-cauda-espinhosa, entre outras.

Leia também: Estação seca mais quente reduz em 63% taxa de sobrevivência de aves da Amazônia

Nas terras altas, destaca-se a Reserva Paisagística Nor Yauyos Cochas, localizada nos distritos de Tanta, Miraflores, Vitis, Huancaya, Alis, Laraos Tomas e Carania, na província de Yauyos, departamento de Lima, e no distrito de Canchayllo, na província de Jauja, departamento de Junín.

Entre as aves que podem ser observadas, destaca-se a presença de várias espécies de mergulhões, do huaco, do yanavico, da guallata e diversas espécies de patos.

Merece destaque também o Santuário Nacional de Ampay, localizado no distrito de Tamburco, província de Abancay, departamento de Apurímac.

Abrange 3.635,50 hectares e está situado no coração dos Andes, formando uma espécie de “ilha biológica”. Além disso, faz parte da cadeia de picos nevados da Serra de Vilcabamba e dos Andes Meridionais. Esta área natural protegida apresenta uma variação altitudinal de 2.900 a 5.235 metros acima do nível do mar.

Foto: ANDINA / Editora Perú

Entre as aves que podem ser avistadas estão o beija-flor-de-cauda-espinhosa-de-abancay (considerado uma espécie endêmica), o pololoco, o “siwar q’ente”, o ganso-andino e o condor, entre muitas outras.

Na floresta tropical, a Reserva Nacional Allpahuayo Mishana, localizada na província de Maynas, departamento de Loreto, abrange uma área de 57.667,43 hectares.

É o lar de 475 espécies de aves, 21 das quais são exclusivas das florestas de areia branca, incluindo seis espécies novas para a ciência e nove endêmicas da ecorregião do Napo.

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Entre as espécies que podem ser observadas estão o Formigueiro-de-Gentry, o Cotinga-pompadour macho, o Formigueiro-de-cauda-castanha, o Tiraninho-de-Mishana, o Manacá-de-crista-laranja , entre outras.

Merece destaque também a Floresta de Proteção de Alto Mayo, localizada entre os departamentos de San Martín, Loreto e Amazonas, onde foram registradas 500 espécies, como o beija-flor-de-cauda-espátula, a coruja-de-bigodes e o tucano.

Além disso, o Parque Nacional Tingo María, localizado no departamento de Huánuco, abriga 291 espécies de aves, como o guácharo, o galo-da-serra-andino e a saíra-de-barriga-preta.

Aves emblemáticas do Peru

Em seguida, vamos revisar quais são as espécies endêmicas que, devido à sua importância e valor, são emblemáticas do Peru:

Galo-da-rocha peruano

O galo-da-serra-andino (Rupicola peruvianus) é a ave nacional do Peru e foi escolhido como emblema dos Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos de Lima 2019. É uma espécie belíssima; os machos possuem uma crista laranja adornando a cabeça. Penas pretas e brancas cobrem suas costas e asas. 

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Foto: ANDINA / Editora Perú

Como na maioria das aves, a plumagem da fêmea é mais discreta. Durante a época de acasalamento, ela costuma realizar exibições rituais ou “leks” em grupo, acompanhadas por chamados roucos e cacarejos característicos.

Essa ave está ameaçada de extinção devido à caça indiscriminada para fins comerciais. Ela habita as florestas da Amazônia peruana.

Parihuana ou flamingo-andino

É uma das três espécies de flamingo encontradas no Peru e uma das que migram comumente dos altos Andes para a costa. Mede 1,1 metros de comprimento. A plumagem é predominantemente esbranquiçada com um forte tom rosado. A cauda é coberta por penas pretas e a parte superior do peito é violeta. Seu bico é quase todo preto.

Foto: ANDINA / Editora Perú

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O flamingo-andino (Phoenicopterus chilensis) faz parte da lenda popular que envolve a criação da primeira bandeira peruana. Segundo essa versão, poucos dias após o desembarque da expedição libertadora na baía de Pisco, o General José de San Martín observou um bando de flamingos sobrevoando a praia e, inspirado por suas cores vibrantes, propôs o desenho bicolor do primeiro e mais importante símbolo nacional.

Jacu-de-asas-brancas

É outra ave endêmica do Peru, redescoberta em 1977 após ter sido considerada extinta por 100 anos. O jacu-de-asas-brancas (Penelope albipennis) vive apenas nas florestas secas do norte do Peru, em populações isoladas. 

Foto: ANDINA / Editora Perú

A sobrevivência dessas aves está ameaçada, especialmente pela destruição acelerada de seu habitat. Programas de reprodução em cativeiro e repovoamento têm apresentado resultados positivos. Um desses locais é a reserva particular Chaparrí, situada na região de Lambayeque.

Beija-flor-de-cauda-espátula

É uma das aves mais belas do mundo, admirada por sua plumagem deslumbrante e pela majestade de sua cauda, ​​dividida em duas grandes penas independentes que se movem livremente. 

Foto: ANDINA / Editora Perú

O beija-flor-de-cauda-espátula (Loddigesia mirabilis) mede apenas 15 centímetros de comprimento, dos quais mais da metade corresponde à sua longa cauda e bico.

Pesa entre 40 e 70 gramas. Este beija-flor é endêmico, habitando exclusivamente a floresta tropical da região amazônica, no nordeste do Peru, a 1.212 quilômetros da cidade de Lima.

Cortador de plantas peruano

Outra espécie endêmica do Peru e também ameaçada de extinção. Ela vive na floresta seca do norte do Peru, de Piura a La Libertad. Sua maior ameaça é a destruição e a degradação de seu habitat. 

O cortador-de-plantas-peruano (Phytotoma raimondi) mede 18,5 centímetros de comprimento. Possui um bico relativamente curto e muito forte, com a ponta um tanto arredondada e bordas ligeiramente serrilhadas. Sua crista proeminente, que ergue quando alarmado, é impressionante.

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Foto: ANDINA / Editora Perú

O macho, mais colorido, tem a parte superior do corpo cinza-acinzentada, mais escura nas asas e na cauda, ​​e apresenta diversas manchas brancas. A parte inferior do corpo é cinza-clara, tornando-se avermelhada na barriga. Possui também uma mancha avermelhada acima do bico.

Condor andino

É a maior ave do mundo e está em perigo de extinção. É predominantemente preta, com penas brancas ao redor do pescoço e em parte das asas. Sua cabeça é vermelha e sem penas. 

Foto: ANDINA / Editora Perú

O condor andino (Vultur gryphus) habita áreas de alta altitude, como o Vale do Colca (1.131 quilômetros a sudeste de Lima), em Arequipa; embora também tenha sido avistado em algumas localidades costeiras. O condor está associado à cultura e mitologia andinas. Devido a isso e a outros fatores, encontra-se em perigo de extinção.

Coruja-de-bigodes

É mais uma das belas aves endêmicas do Peru e uma das menores corujas do mundo. Seu habitat é a floresta tropical montana que abrange territórios nas regiões de Amazonas e San Martín, no nordeste do Peru. 

Foto: ANDINA / Editora Perú

A coruja-de-bigodes (Xenoglaux loweryi) mede 13 centímetros de comprimento, tem uma cauda curta e sua plumagem é predominantemente marrom-escura, com o peito esbranquiçado salpicado de manchas escuras. Seu nome vem das numerosas penas longas e delicadas em seu rosto que lembram bigodes. 

Pato Torrente

É uma ave espetacular devido ao seu estilo de vida e beleza. O pato-torrente (Merganetta armata) vive nos rios das encostas andinas, com abundância de pedras, onde nada agilmente, mesmo em rios de correnteza rápida. 

Foto: ANDINA / Editora Perú

É fácil distinguir o sexo, pois o macho tem a cabeça branca com manchas pretas. É encontrado desde a Venezuela até a Argentina e o Chile. No Peru, um de seus habitats é o Santuário Nacional de Machu Picchu.

Mergulhão-de-junin

É uma das espécies ameaçadas de extinção no Peru. Seu único habitat é o Lago Junín ou Chinchaycocha, localizado a 270 quilômetros a leste da cidade de Lima, na região de Junín. 

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Foto: ANDINA / Editora Perú

É um mergulhão não voador que nidifica entre os juncos do lago, nas áreas menos afetadas pela poluição. O mergulhão-de-junín (Podiceps taczanowskii) tem um bico fino e pontiagudo, olhos avermelhados e patas cinzentas. Suas costas são cinza escuras e seu peito é branco. Alimenta-se de peixes, que captura mergulhando na água.

Cinclodes patagônico

Habita as florestas úmidas perto do Santuário Histórico de Machu Picchu, na região de Cusco, e devido ao desmatamento está em perigo de extinção. Também vive em algumas áreas costeiras.

O cinclodes patagônico (Cinclodes patagonicus) mede cerca de 21 centímetros de comprimento. Sua plumagem é geralmente marrom-acinzentada por todo o corpo. Possui uma sobrancelha e listras malares brancas proeminentes, além de pequenas estrias esbranquiçadas na parte superior do peito.

*Com informações da Agência Andina

BR-319: vital à integração logística do transporte rodofluvial do Amazonas

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Foto: Reprodução/DNIT

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Por mais que empresários, políticos, analistas ou agentes de governo tentem contestar os intransponíveis obstáculos interpostos pela ex-ministra Marina da Silva, a inimiga pública número 1 da Amazônia, pelo Ministério do Meio Ambiente, Ibama, algumas ONGs e seus tentáculos espalhados por cada canto de nosso território, a verdade inexorável sobre as barreiras contrárias às obras de conclusão da rodovia BR-319 tem uma só origem: o Palácio do Planalto.

Estranhamente, o presidente Lula da Silva, que nas eleições de 2022 ganhou em 58 dos 62 municípios, menos Manaus, atingindo 51,1% dos votos do eleitorado amazonense, jamais fez um pronunciamento aberto e contundente em defesa das obras, nem consignou recursos no Orçamento da União. Delegou à ex-ministra e suas ONGs decidir a respeito.

Acintosamente, a União, nesse período, e de forma equivocada, não considera a Amazônia prioridade nacional. O uso sustentável dos recursos da biodiversidade, o estímulo ao desenvolvimento da bioeconomia, como endossado por renomados professores e pesquisadores de nossas universidades e centros de pesquisa têm plena capacidade de tornar o Brasil uma das economias mais pujantes do planeta, gerando benefícios sociais de alto impacto aos amazônidas, ao povo que aqui vive e mantém a região território brasileiro desde sempre.

O quadro de menosprezo agravou-se de forma escalar no período pós redemocratização de 1985, quando reduziu se dramaticamente a presença de Brasília na região. Sobretudo em decorrência do esvaziamento da Sudam e da Suframa, potencializando, consequentemente, em níveis estratosféricos a prática da pirataria ambiental, do narcotráfico e da pilhagem ambiental, ao ocuparem crescentemente espaços antes de domínio da União.

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A despeito da gravidade da situação, o poder central ignora as demandas do Amazonas, que conserva 97% de suas florestas e detém 57,3% do território sob proteção de Unidades de Conservação nos níveis estadual, federal e terras Indígenas, no que se refere a intervenções desenvolvimentistas, incluindo a recuperação da BR-319. É evidente que a política de “desmatamento zero” nada tem a ver com a preservação florestal.

Funciona apenas como mídia internacional na cobertura de interesses estrangeiros aqui defendidos por poderosas organizações aparentemente sem fins lucrativos, íntimas da estrutura funcional dos órgãos nacionais de defesa ambiental. Prender rebanhos, destruir lavouras e áreas de mineração clandestinas é mais importante do que investir preventivamente no controle dessas anomalias ambientais por meio de políticas públicas dirigidas à regulação desses setores econômicos.

Enquanto isso, no Norte, como no Nordeste, o estado de pobreza toma conta das camadas mais carentes da população. O Amazonas registrou uma renda média mensal per capita (por pessoa) de R$ 1.450 (menos de 290 dólares), sendo o quinto menor do país no último ano. O estado ficou muito abaixo da média nacional de R$ 2.264 (em torno de US$450) estando à frente apenas do Pará, Alagoas, Ceará, Acre e Maranhão. Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da pesquisa PNAD Contínua (2012-2025).

Obras de pavimentação da BR-319
Foto: Reprodução/DNIT

A renda média per capita mede os rendimentos médios de indivíduos, dividindo a renda total de um grupo (estado ou país), pelo número de habitantes. No ranking nacional, o Amazonas ficou na 23ª posição. Segundo a tabela do IBGE, as maiores rendas per capita estão no Distrito Federal (R$ 4.401), São Paulo (R$ 2.862) e Rio Grande do Sul (R$ 2.772).

Vexatórios dados que opositores da conclusão das obras de recuperação da BR-319 desconhecem inteiramente, muito mais ainda os compêndios de Samuel Benchimol, Djalma Batista, Alfredo Homma propondo políticas estratégicas de desenvolvimento socioeconômico e ambiental para o estado do Amazonas e a região Norte. Ou de Bertha Becker, que, em sua obra seminal defende que “o ambientalismo excessivamente preservacionista da década de 1990 na Amazônia esgotou-se como modelo por uma dupla razão. Ao não ter conseguido barrar a expansão da agropecuária capitalizada, e porque a conscientização crescente da população amazônica, que demanda melhores condições de vida, resultou na criação de mercado de trabalho e renda sedimentada no uso sustentável do seu patrimônio natural”.

Essas mesmas forças inimigas do nosso desenvolvimento ignoram, por exemplo, projeções da WWF (World Wide Fund for Nature) dando conta de que a procura global por madeira triplicará de 3,4 bilhões para 11,3 bilhões de metros cúbicos (m³) entre 2010 e 2050. Nesse mercado o Brasil sempre teve participação mínima, como também nos ramos da mineração, do turismo ecológico, dos biocosméticos, biofármacos, da bioenergia, nanotecnologias biológicas, etc.

Certamente, autoridades do poder central desconsideram clara e manifestamente a importância do da exploração sustentável do nosso bioma para o equilíbrio ambiental e a economia internacional. Enquanto isso, a China vem ganhando de forma avassaladora importantes posições estratégicas na economia da Amazônia e do território pan-amazônico. Como diz a sabedoria milenar, o tempo não poupa quem o despreza. Portanto, ainda é hora de o Brasil acordar para essa realidade e retomar as rédeas do destino de nossa região.

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Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Órgãos nacionais e internacionais alertam sobre aumento do fenômeno El Niño em 2026

Anomalia da temperatura da superfície em mar em abril de 2026. Fonte: CPTEC/INPE

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) publicaram uma nota técnica conjunta com as análises mais recentes sobre a possível evolução do fenômeno El Niño ao longo de 2026. O documento indica aumento da probabilidade de formação do fenômeno ainda neste ano, especialmente ao longo do segundo semestre.

De acordo com a nota técnica, a parte mais superficial do Oceano Pacífico equatorial encontra-se, desde o início do ano, em condições próximas da neutralidade. No entanto, o oceano subsuperficial vem apresentando sinais de aquecimento anômalo das águas.

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Essas anomalias se propagam em direção ao continente pelo Pacífico e afloram na superfície, especialmente na porção leste do oceano, onde a termoclina – camada que separa as águas mais profundas das superficiais – tende a se localizar mais próxima da superfície. O aquecimento das águas superficiais observado ao longo de abril reforça o indicativo de transição para o El Niño nos próximos meses.

Segundo previsões do Centro de Previsão Climática (CPC) da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), há cerca de 60% de probabilidade de estabelecimento do fenômeno no trimestre maio-junho-julho. As previsões da nota conjunta indicam ainda alta probabilidade, superior a 80%, de configuração do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com possibilidade de persistência até o início de 2027. A intensidade do fenômeno ainda não pode ser definida, embora exista a possibilidade de que o evento atinja, ao menos, intensidade moderada.

Previsão probabilística para ocorrência de condições de El Niño (barras em vermelho), neutras (barras em cinza) e de La Niña (barras em azul), emitida pelo CPC/NOAA em abril de 2026. Fonte: Nota Técnica - EL NIÑO 2026 (INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM)
Previsão provável para ocorrência de condições de El Niño (barras em vermelho), neutras (barras em cinza) e de La Niña (barras em azul), emitida pelo CPC/NOAA em abril de 2026. Fonte: Reprodução/Nota Técnica INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM

O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, que altera a circulação atmosférica e influencia as condições meteorológicas e oceânicas em diversas regiões do planeta. Como explica o chefe da Divisão de Previsão do Tempo e Clima do INPE, Enver Ramirez:

“O El Niño é um fenômeno que obedece às interações entre diversos componentes do sistema terrestre, principalmente entre o oceano e a atmosfera. Pequenas alterações podem impactar vários parâmetros, como a intensidade, a duração do evento e os efeitos que o fenômeno pode ter em diferentes regiões do planeta. Assim, mesmo que o ápice do evento aconteça no final do ano, alguns episódios associados ao fenômeno podem ser sentidos em diferentes regiões ao longo do seu desenvolvimento”, explica.

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Impactos diferentes no Brasil

No Brasil, os impactos do El Niño tendem a se manifestar de forma distinta entre as regiões. Em geral, há aumento da probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul e déficit de precipitação em áreas da Amazônia, especialmente em sua porção leste, além de condições mais secas em partes das regiões Norte e Nordeste.

Essas características, no entanto, podem variar conforme a intensidade do fenômeno e a influência de outros fatores climáticos, como as condições do Oceano Atlântico, que têm se mostrado importantes especialmente para as regiões Norte e Nordeste.

Na região Norte, a falta de chuvas é um dos impactos do fenômeno El Niño em áreas da Amazônia. Foto: AlexPazuello/Secom AM

A nota técnica também alerta para o risco de ocorrência de eventos climáticos extremos associados ao fenômeno e seus potenciais impactos em diferentes setores da sociedade e da economia, como abastecimento de água, segurança alimentar, geração de energia, mobilidade, saúde pública e atividades produtivas.

Nesse contexto, as instituições que assinam a nota destacam a importância do acompanhamento sistemático das condições oceânicas e atmosféricas, bem como das previsões meteorológicas e climáticas divulgadas pelos órgãos oficiais, uma vez que o monitoramento contínuo permite aprimorar as previsões e subsidiar ações de planejamento, prevenção, mitigação e resposta frente aos possíveis impactos identificados.

El Niño: preocupação mundial

A probabilidade do aumento do fenômeno El Niño também chamou a atenção de autoridades internacionais. O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo também espera o aumento das temperaturas globais dos oceanos já para maio deste ano.

“É apenas uma questão de dias. 2027 provavelmente ultrapassará 2024 como o ano mais quente já registrado”, apontou Samantha Burgess, climatologista do observatório Copernicus da Europa.

O Centro de Previsão Climática (CPC) do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) dos Estados Unidos da América também alertou que há 82% de probabilidade do fenômeno se manifestar de forma forte ou muito forte neste e no próximo ano.

Essa previsão também deste serviço mantido pelo governo americano indica que há 96% de probabilidade de que esse fenômeno continue ocorrendo entre dezembro deste ano e fevereiro do ano que vem. Isso é corroborado por registros da temperatura da água do mar na zona equatorial central e oriental do Oceano Pacífico.

O fenômeno El Niño geralmente ocorre quando a temperatura do mar aumenta mais de 0,5 graus Celsius acima da média. Atualmente, segundo o CPC, esse valor permanece ligeiramente abaixo, no entanto, espera-se que aumente em junho.

“Em resumo, é provável que o El Niño apareça em breve (82% de probabilidade entre maio e julho de 2026) e continue durante o inverno do Hemisfério Norte de 2026-27 (96% de probabilidade entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027)”, afirma o diagnóstico do CPC.

Em declarações à CNN, Michelle L’Heureux, cientista responsável pela previsão do El Niño no CPC, indicou que é possível que nos próximos meses esse fenômeno seja mais intenso do que nos anteriores.

Ele afirmou que isso dependerá da continuidade de certas tendências de mudança tanto na atmosfera quanto nas águas do Pacífico. Como exemplo, citou o enfraquecimento dos ventos equatoriais enquanto, simultaneamente, a temperatura do oceano aumenta.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) indicou esta semana que existe uma grande possibilidade de 2026 e 2027 figurarem entre os cinco anos mais quentes já registrados.

*Com informaçoes do INPE e da Agência Andina