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Boi de Rua do Caprichoso: o tradicional cortejo que desfila a paixão azul pelas ruas de Parintins

Criado oficialmente em 2001, o tradicional cortejo do Boi Caprichoso foi inspirado no brincar de boi pelas ruas da cidade amazonense. Foto: Lucas Silva/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

Considerada uma das principais celebrações que antecedem o Festival Folclórico de Parintins, o tradicional Boi de Rua do Caprichoso permanece com a missão de manter a essência de brincar de boi no lado azul da Ilha da Magia. O evento, que integra o calendário oficial da temporada bovina na cidade, reúne anualmente milhares de torcedores apaixonados pelo Touro Negro para a popular caminhada pelas ruas do bairro do Palmares.

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Em 2026, o tradicional cortejo acontece neste sábado (20) e terá como novidade o retorno do formato em trajeto único. A concentração inicia na Avenida Senador José Esteves e o encerramento na Avenida Nações Unidas, com percurso entre a rua Sá Peixoto, Avenida Amazonas e rua Cordovil.

A caminhada conta com o som da Marujada de Guerra e a presença de itens oficiais e artistas do Caprichoso, reforçando a tradição cultural de acompanhar o boi pelas ruas parintinenses.

Leia também: Boi de Rua: tradição, memória e orgulho azul tomam as ruas de Parintins

Como surgiu o Boi de Rua?

Criado oficialmente em 2001, o Boi de Rua foi inspirado em antigas manifestações que eram comuns em Parintins nos anos 1980: levar o boi às ruas para o contato direto com seus torcedores. Tais manifestações, inclusive, fazem parte do surgimento da brincadeira de boi bumbá no início do século XIX.

Com essa proposta de resgatar a tradição popular e aproximar o boi Caprichoso de sua torcida, o então presidente do Conselho de Artes do Touro Negro, João do Carmo, idealizou o Boi de Rua. Desde então, o cortejo virou símbolo da relação afetiva entre o boi e os fãs, até se tornar uma das principais celebrações culturais da cidade, com tambores, alegria e muita emoção.

Boi de Rua do Caprichoso
Boi de Rua leva milhares de torcedores do Boi Caprichoso para as ruas de Parintins. Foto: Marcely Gomes/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

Tradição reforça resgate cultural

De lá para cá, o que era uma celebração popular se consolidou como um dos momentos mais aguardados da temporada bovina. Num show de enfeites, bandeiras e adereços nas cores azul e branco, o Boi de Rua traz o resgate da brincadeira de boi bumbá, em que o boi Caprichoso saía às ruas para dançar em frente às casas das famílias.

Casas são enfeitadas para receber o Boi de Rua há poucos dias do início do festival. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Além de relembrar à história, o Boi de Rua também se tornou um “pré-show” antes do Festival, reunindo personagens típicos, cavalinhos da vaqueirada, itens alegóricos e a tão esperada Marujada de Guerra. Itens oficiais e artistas do Caprichoso também compõem a festa.

Tripa Alexandre Azevedo é o responsável por dar vida ao Boi Caprichoso. Foto: Sabrina Rocha/Rede Amazônica AM

O tripa do Touro Negro, Alexandre Azevedo, reforça a importância do Boi de Rua para a preservação cultural e histórica da brincadeira de boi bumbá, além de relembrar a origem do boi Caprichoso.

“O Boi Caprichoso começou fazendo só esse percurso na rua, depois se transformou nessa magnitude que tem. O Caprichoso preserva a tradição e todo ano sai e passa na frente da casa dos seus torcedores, que não podem ir até o curral.”, disse o artista, que possui “sangue azul”, já que toda sua família carrega um legado de atuações artísticas no Boi da Francesa.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Para proteger a Amazônia, Brasil precisa fortalecer suas universidades na Região Norte, defendem pesquisadores

Campus da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, uma das mais novas instituições de ensino superior da Amazônia: universidades da região atendem majoritariamente estudantes em vulnerabilidade socioeconômica, que precisam de políticas de incentivo consistentes para permanecerem nos bancos escolares. Foto: Divulgação/UNIFESSPA

Quando líderes mundiais, cientistas e representantes da sociedade civil se reuniram em Belém (PA) para a COP30, em 2025, uma mensagem ganhou força: não há caminho viável para enfrentar as mudanças climáticas sem considerar a Amazônia. A floresta concentra cerca de 10% da biodiversidade conhecida do planeta, abriga a maior bacia hidrográfica do mundo e desempenha um papel decisivo na regulação do clima global. Ao mesmo tempo, tornou-se um espaço estratégico para discussões sobre bioeconomia, transição ecológica, segurança alimentar, energia renovável e desenvolvimento sustentável.

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Mas há uma pergunta que continua sem resposta adequada: como o Brasil pretende liderar a agenda climática global sem fortalecer as instituições que produzem conhecimento sobre a Amazônia?

Essa reflexão esteve no centro da Reunião Anual da ANDIFES Norte, realizada em junho de 2026, na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA, em Marabá. O encontro reuniu reitores e reitoras das universidades federais da região e resultou na Carta de Marabá, documento que atualiza e amplia os compromissos assumidos anteriormente nas Cartas de Boa Vista (2023) e de Porto Velho (2025).

O texto propõe uma agenda nacional para a Amazônia baseada em ciência, inovação, inclusão social e desenvolvimento sustentável.

A universidade chegou onde o Estado não chegava

Há quatro décadas, grande parte do interior amazônico estava praticamente excluída da educação superior pública. Um levantamento realizado em meados da década de 1980 identificou aproximadamente 25 mil professores atuando fora da região metropolitana de Belém. Apenas 150 possuíam formação compatível com as funções que exerciam. Foi diante dessa realidade que surgiu o movimento de interiorização das universidades.

Campi foram implantados em municípios como Marabá, Santarém, Altamira, Cametá, Bragança e Abaetetuba. Posteriormente, esse processo resultou na criação de novas instituições federais, entre elas a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA, a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) e a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT).

Leia também: Pesquisa inédita inicia mapeamento na Região Norte sobre desafios de saúde mental em universidades

Campus Tapajós da Universidade Federal do Oeste do Pará, em Santarém. Foto: Comunicação Ufopa / Divulgação
Campus Tapajós da Universidade Federal do Oeste do Pará, em Santarém. Foto: Comunicação Ufopa / Divulgação

Os resultados transformaram regiões inteiras. Atendendo majoritariamente estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, as universidades amazônicas já diplomaram mais de 20 mil profissionais.

Os impactos alcançam a renda, a mobilidade social e a qualidade de vida de milhares de famílias, além de gerar benefícios econômicos amplos: segundo o IPEA, cada R$ 1,00 investido na formação universitária retorna, em média, R$ 3,28 para a economia, contribuindo para a redução da pobreza e o fortalecimento da qualificação profissional nas regiões onde atuam.

O desafio é que os mecanismos de financiamento continuam baseados em parâmetros que ignoram a realidade amazônica. Não se trata de uma questão regional. Trata-se de reconhecer que produzir ensino, pesquisa e extensão na Amazônia custa mais caro. Ao mesmo tempo, somos sempre comparados com índices e ranqueamentos que não levam isso em consideração.

Por isso, a Carta de Marabá defende a consolidação permanente do chamado Custo Amazônia e a criação definitiva do Fator Amazônia nas matrizes nacionais de financiamento universitário e de assistência estudantil.

Permanência estudantil é investimento, não assistência

Se a expansão ampliou o acesso, a permanência tornou-se o principal desafio. Nas universidades federais da Amazônia, estudam alguns dos segmentos mais vulneráveis da população brasileira. Em várias instituições da região Norte, mais de 70% dos estudantes têm renda per capita inferior a um salário mínimo. Esse perfil social exige políticas robustas de permanência.

Durante a reunião da ANDIFES Norte, uma pesquisa realizada com quase 10 mil estudantes demonstrou que a evasão entre alunos vulneráveis sem acesso à assistência estudantil alcança 44%. Quando esses mesmos estudantes recebem apoio por meio de bolsas, alimentação, moradia ou outras ações de permanência, a evasão cai para apenas 8%.

Por essa razão, a Carta de Marabá estabelece como prioridade máxima a recomposição permanente do orçamento da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), a universalização dos restaurantes universitários, a ampliação dos auxílios estudantis e a criação de programas específicos para estudantes indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e de populações do campo. Também propõe financiamento permanente para ações de saúde mental e de acolhimento psicossocial, temas cada vez mais presentes na realidade universitária.

Não existe bioeconomia sem conhecimento

Nos últimos anos, a bioeconomia tornou-se uma das palavras mais repetidas nos debates sobre o futuro da Amazônia. Mas existe uma contradição evidente: fala-se muito sobre a importância de aproveitar a biodiversidade amazônica, embora grande parte dela ainda permaneça desconhecida.

Pesquisadores participantes da reunião apresentaram um dado preocupante: aproximadamente 54% da Amazônia ainda não possui informações científicas sistematizadas sobre biodiversidade. Em outras palavras, mais da metade da floresta permanece invisível à ciência.

Ao mesmo tempo, pesquisadores da Amazônia recebem proporcionalmente muito menos recursos para estudar esse patrimônio natural. Os números apresentados durante o encontro indicam que cientistas do Sul e do Sudeste recebem até 15 vezes mais recursos para pesquisas sobre biodiversidade do que os que trabalham diretamente na região amazônica.

Leia também: Confira cursos voltados à Amazônia ofertados por instituições de ensino superior do Amazonas

Campus da Universidade Federal do Tocantins em Araguaína. Foto: Reprodução/Prefeitura de Araguaína

Essa desigualdade gera consequências práticas. Sem conhecimento científico não há bioeconomia sustentável, não há inovação baseada na biodiversidade, não há agregação de valor aos produtos da floresta e não há desenvolvimento sustentável.

Com suas pesquisas nas mais diversas áreas, as universidades amazônicas já demonstraram que o que falta não é capacidade científica. As instituições amazônicas estão entre as que mais produzem conhecimento sobre a Amazônia, mas seguem recebendo proporcionalmente muito menos recursos para estudar, proteger e transformar esse conhecimento em soluções para a própria região. O que falta é ampliar investimentos e garantir que essas instituições tenham protagonismo nas políticas nacionais de ciência, tecnologia e inovação.

Por isso, a Carta de Marabá reivindica a criação de editais específicos para a Amazônia, a reserva de recursos nacionais para projetos coordenados por instituições da região e a criação de programas permanentes de modernização de laboratórios e de infraestrutura científica. Aumentar a fixação de doutores na Amazônia, especialmente no interior e em regiões de acesso mais remoto, é parte essencial dessa agenda. Essa agenda também exige o fortalecimento de redes científicas capazes de integrar instituições, territórios e diferentes formas de conhecimento.

Conectividade também é política ambiental

Durante décadas, a discussão sobre desenvolvimento amazônico esteve associada a estradas, hidrelétricas e grandes obras. Hoje, outro tipo de infraestrutura tornou-se igualmente estratégico: a conectividade digital. A transformação digital redefine a forma como produzimos conhecimento, realizamos pesquisas, ofertamos ensino e desenvolvemos inovação.

Sem conectividade adequada, regiões inteiras permanecem excluídas das oportunidades geradas pela economia do conhecimento. Por isso, a Carta de Marabá defende a aceleração do Programa Norte Conectado, a ampliação da infraestrutura digital dos campi do interior e o fortalecimento de cursos e programas em áreas como inteligência artificial, ciência de dados e transformação digital.

Internacionalização sem dependência

A COP 30 colocou definitivamente a Amazônia no centro das atenções internacionais. A questão agora é quem produzirá o conhecimento que orientará as decisões sobre a região. Historicamente, uma parte significativa das pesquisas sobre a Amazônia foi conduzida a partir de perspectivas externas.

Leia também: Revolução no conhecimento sobre a antiga Amazônia pode ajudar a proteger a floresta atual

Universidade Federal do Amazonas IUfam). Foto: Divulgação

As universidades amazônicas defendem outro caminho. A internacionalização deve fortalecer a capacidade científica já instalada na região e ampliar a soberania intelectual brasileira sobre temas estratégicos. Nesse contexto, ganham importância as redes amazônicas de pesquisa, a cooperação Sul-Sul e as parcerias construídas com universidades da África, América Latina e outros países do Sul Global.

A Carta de Marabá propõe o fortalecimento dessas iniciativas e o reconhecimento das universidades amazônicas como plataformas estratégicas de cooperação internacional em biodiversidade, clima, bioeconomia e desenvolvimento sustentável.

Inclusão, diversidade e justiça social

A Amazônia abriga uma das maiores diversidades culturais e linguísticas do planeta. Povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e comunidades do campo produzem conhecimentos fundamentais para a compreensão dos ecossistemas amazônicos.

As universidades vêm ampliando a presença desses grupos por meio de políticas de ação afirmativa, licenciaturas interculturais, cursos de Educação do Campo e programas específicos de acesso. Entretanto, democratizar o ingresso é apenas o primeiro passo. Persistem desafios relacionados à permanência, ao racismo institucional, às barreiras linguísticas, às grandes distâncias territoriais e à necessidade de reconhecimento dos diferentes modos de produção do conhecimento.

Por isso, a Carta de Marabá propõe o fortalecimento das políticas de inclusão, permanência e êxito acadêmico, bem como o apoio à diversidade linguística, cultural e epistêmica da Amazônia.

Um pacto nacional para o futuro

As universidades federais amazônicas não reivindicam privilégios. Reivindicam reconhecimento: de que a Amazônia possui características únicas; de que produzir ciência na floresta exige políticas diferenciadas; e de que a inclusão social, a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável dependem diretamente da capacidade de gerar conhecimento a partir dos próprios territórios amazônicos.

A Carta de Marabá aponta nessa direção. No fundo, a mensagem é simples: investir nas universidades amazônicas é investir na soberania nacional, na redução das desigualdades regionais, na produção de conhecimento científico e na proteção da maior floresta tropical do planeta.

A Amazônia tornou-se central para o futuro do mundo. As universidades da Amazônia precisam ocupar o mesmo lugar nas prioridades do Brasil.

Autores

  1. Aldenize Ruela Xavier – Reitora, Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
  2. Airton Sieben – Reitor, Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT)
  3. Francisco Ribeiro da Costa – Reitor, Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa)
  4. Geone Maia Corrêa – Vice-reitor, Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
  5. Gilmar Pereira da Silva – Professor Titular e Reitor, Universidade Federal do Pará (UFPA)
  6. Janae Gonçalves – Reitora pro tempore, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo The Conversation sob a licença Creative Commons, com a colaboração de seis pesquisadores. Leia o original AQUI.

Estudo revela papel do agronegócio na expansão das florestas brasileiras

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Foto: Márcio Nagano/Imazon

O agronegócio brasileiro, que já é responsável por grande área de conservação por meio de Reserva Legal, pode ser um dos principais vetores da expansão das florestas no país nas próximas décadas. Essa é uma das conclusões da segunda edição do estudo “O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global”, que traça um panorama completo sobre conservação, restauração florestal e silvicultura no país, com recomendações sobre financiamento e políticas públicas.

O documento, que será apresentado este ano nas três Conferências das Partes da ONU (as COPs do Clima, da Biodiversidade e da Desertificação), defende que a produção agropecuária, a conservação e a expansão florestal não são agendas opostas, mas complementares.

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Segundo o estudo, além de parte importante da conservação ambiental brasileira estar dentro das propriedades rurais – por meio das áreas de Reserva Legal e das Áreas de Preservação Permanente (APPs) -, há um volume significativo de áreas privadas pouco aptas para a agricultura ou pecuária que podem ser destinadas à restauração florestal. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por florestas plantadas para a produção de bioenergia.

A segunda edição da publicação foi realizada por uma coalizão de instituições formada por Instituto Arapyaú, Instituto Itaúsa, Agroicone, Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Instituto Clima e Sociedade (iCS), Imazon, Amazônia 2030, CEBDS e Uma Concertação para a Amazônia. Um dos objetivos é influenciar a UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática) para que reconheça as florestas como centrais para remoção e armazenamento de carbono.

A nova versão recebeu o apoio formal da presidência da COP30. O material também serviu de insumo para as contribuições técnicas das organizações para o Mapa do Caminho para Parar e Reverter o Desmatamento e a Degradação Florestal até 2030, proposto pela presidência brasileira durante a COP30.

A primeira edição do documento, lançado durante a conferência em Belém, revelou que o Brasil pode inverter a curva do desmatamento e expandir florestas até 2035, passando de 517 milhões para uma cobertura florestal de 525 milhões de hectares em dez anos. O avanço de 8 milhões de hectares, equivalente a duas vezes o território da Suíça, teria impacto direto na ampliação dos estoques de carbono e reforçaria o papel estratégico do país no equilíbrio climático global.

Com uma visão abrangente das paisagens florestais do país, o documento tem o objetivo de mostrar os desafios e apontar os caminhos para que o Brasil reverta a perda histórica de cobertura vegetal e volte a ampliar suas florestas. A análise está organizada em três frentes (conservação, restauração florestal e silvicultura) e utiliza o conceito de “contínuo florestal”, adotado internacionalmente para compreender diferentes formas de uso e manejo das florestas ao longo do território.

Nesse modelo, coexistem desde áreas preservadas e manejo sustentável até sistemas de restauração e florestas plantadas com espécies nativas e exóticas, voltadas à produção econômica. Segundo o estudo, todas essas modalidades podem gerar benefícios ambientais e econômicos, seja pela preservação da biodiversidade e dos recursos hídricos, seja pela captura de carbono e pelo abastecimento de cadeias produtivas.

Nesta edição, os autores ampliaram o escopo da análise para incorporar informações sobre todos os biomas terrestres brasileiros. Além da Amazônia e da Mata Atlântica, o levantamento inclui Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Zona Costeira, pela importância dessas paisagens para remoção de carbono, proteção dos solos, regulação do ciclo hidrológico e conservação da biodiversidade.

Leia também: Governo apresenta números que apontam queda no desmatamento na Amazônia: “estamos trabalhando para termos o menor”

O relatório também destaca o papel estratégico dos povos indígenas e das comunidades tradicionais na conservação das florestas brasileiras. Segundo dados do Imazon, as terras indígenas registraram apenas 3% de todo o desmatamento da Amazônia entre 2012 e 2024, o menor índice entre os diferentes tipos de territórios monitorados. Para os autores, fortalecer a governança territorial e ampliar o reconhecimento dessas populações como guardiãs das florestas será fundamental para avançar em conservação, restauração e produção sustentável.

Agronegócio e transição florestal

A conexão entre o agronegócio e a transição florestal se dá por muitos caminhos. Parte importante da conservação ambiental brasileira, por exemplo, está dentro das propriedades rurais privadas, por meio das áreas de Reserva Legal e das Áreas de Preservação Permanente (APPs) previstas no Código Florestal. A publicação reforça que o Brasil já demonstrou capacidade de reduzir o desmatamento sem prejudicar a produção agropecuária. Entre 2004 e 2012, a taxa de desmatamento da Amazônia caiu 80%, enquanto a produção agropecuária da região praticamente dobrou. No período, mais de 55 milhões de hectares foram protegidos por unidades de conservação.

As florestas também são essenciais para manter as condições climáticas que sustentam a agricultura brasileira, especialmente por meio dos chamados “rios voadores”, correntes de umidade que levam chuvas da Amazônia para o Centro-Sul do país. A publicação cita um estudo internacional divulgado em 2026 na revista Communications Earth & Environment, do grupo Nature, segundo o qual a Amazônia Legal brasileira gera precipitações avaliadas em cerca de US$20 bilhões por ano para a agricultura.

Observatório agronegócio
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Outra oportunidade para a produção do agronegócio está na restauração florestal. Segundo o documento, há um volume significativo de áreas privadas pouco aptas para a agricultura ou pecuária – como terrenos muito inclinados ou degradados – que podem ser destinadas à recuperação florestal. Além de gerar benefícios para o clima e para a biodiversidade, a restauração ajuda produtores rurais a regularizar passivos ambientais previstos no Código Florestal e ainda cria oportunidades de geração de créditos de carbono e novas fontes de renda no campo. Até 2050, de acordo com uma projeção feita pela WRI, a restauração pode gerar US$141 bilhões no Brasil, montante que inclui carbono, alimentos, biomateriais e bioenergia.

Um levantamento preliminar conduzido pela Agroicone em parceria com o movimento Floraz, iniciativa empresarial criada para estruturar o setor de restauração florestal no Brasil, identificou milhões de hectares com potencial para projetos de restauro em áreas ligadas ao agronegócio, especialmente em pastagens degradadas. O estudo cruzou bases públicas e privadas de dados geoespaciais para mapear regiões aptas à recuperação com espécies nativas, considerando critérios como baixa aptidão agrícola, ausência de desmatamento recente, tamanho das propriedades e distância de polos industriais de madeira. Em um cenário mais conservador, o trabalho identificou cerca de 2,6 milhões de hectares aptos para restauração distribuídos em aproximadamente 8 mil propriedades rurais.

O avanço do etanol de milho no Brasil tem aumentado, em algumas regiões, a demanda por biomassa florestal — especialmente eucalipto e pinus — utilizada para geração de energia térmica nas usinas, fortalecendo a interface entre silvicultura, bioenergia e estratégias de descarbonização. Na safra 2024/2025, a produção de etanol de milho representou 22% da produção total de etanol do país, alcançando 8,2 milhões de metros cúbicos. A previsão do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) é de que o volume chegue a 22,55 milhões de metros cúbicos até 2034/2035.

Adaptação: florestas para além do carbono

A agenda florestal global começa a passar por uma mudança de foco. Se nos últimos anos o debate esteve concentrado na captura de carbono e na geração de créditos negociáveis, agora os impactos físicos das mudanças climáticas colocam a adaptação no centro da discussão econômica. Os autores destacam que secas prolongadas, incêndios florestais, eventos extremos e crises hídricas já afetam diretamente cadeias produtivas, infraestrutura e finanças públicas.

Por isso, as florestas passam a ser vistas como uma espécie de “infraestrutura natural”, capaz de reduzir riscos climáticos, regular regimes de chuva, proteger solos e dar estabilidade à produção agrícola, energética e logística. Segundo o documento, o valor econômico das florestas vai além do carbono e está cada vez mais ligado à capacidade de garantir resiliência e continuidade econômica em um cenário de maior instabilidade climática.

Os autores alertam, no entanto, que o financiamento da agenda florestal ainda está muito aquém da necessidade global. Embora exista um maior reconhecimento sobre o papel estratégico das florestas para estabilidade climática, segurança hídrica e biodiversidade, o capital privado ainda se concentra em mercados considerados menos arriscados, deixando projetos florestais subfinanciados. A publicação aponta que ampliar o fluxo de recursos não será suficiente sem mudanças estruturais na forma de financiar a agenda florestal.

O documento defende modelos de blended finance (que combinam recursos públicos e privados), além de mecanismos de “de-risking”, garantias financeiras e estruturas inspiradas em project finance para tornar os projetos mais atrativos aos investidores. Um destaque importante é a crescente atenção a fundos destinados a povos indígenas e comunidades locais, reconhecidos como atores centrais para resultados ambientais duradouros. O relatório aponta que o futuro do financiamento florestal dependerá da combinação inteligente desses instrumentos, e não da aposta em uma única solução.

Roberto Waack, presidente do Conselho do Instituto Arapyaú

“Precisamos fazer com que o capital natural e as soluções baseadas na natureza deixem de ser vistos apenas como uma agenda ambiental e passem a ocupar um lugar central na economia. As florestas brasileiras têm potencial para se consolidar como uma classe de ativos altamente atrativa para o mercado financeiro, gerando valor por meio de carbono, água, resiliência climática, biodiversidade e segurança alimentar. O desafio agora é criar mecanismos financeiros capazes de transformar esse patrimônio natural em ativos reconhecidos e valorizados globalmente.”

Beto Veríssimo, cofundador do Imazon

“O Brasil concentra cerca de 500 milhões de hectares de florestas nativas, domina tecnologias de conservação, restauração e silvicultura e reúne condições únicas para liderar a agenda global de soluções baseadas na natureza. Nossas florestas armazenam carbono, regulam chuvas, sustentam a produção agrícola, a geração de energia e o abastecimento de água. Quando falamos em clima, segurança alimentar e resiliência econômica, estamos falando diretamente da importância estratégica das florestas brasileiras.”

Rodrigo C. A. Lima, sócio-diretor da Agroicone

“O estudo mostra que conservação florestal, restauração e produção agropecuária não são agendas concorrentes. O Brasil já possui uma das maiores áreas conservadas dentro de propriedades privadas rurais e pode ampliar sua liderança global ao conectar agricultura, florestas e soluções climáticas em uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo.”

Confira a publicação completa aqui.

*O texto foi originalmente publicado pelo Imazon

‘Memória’: Amazônia Independente FC lança camisa inspirada na tradição seringueira de Belterra

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Foto: Reprodução/Instagram-amazoniaifc

O Amazônia Independente FC apresentou a camisa “Memória”, um modelo voltado aos torcedores que homenageia um dos principais símbolos da história de Belterra, no oeste do Pará. Inspirada nas seringueiras e na atividade extrativista da borracha, a peça resgata elementos que marcaram o desenvolvimento econômico e cultural do município ao longo das décadas.

Segundo o clube, o uniforme foi concebido para valorizar as raízes e a identidade local, reconhecendo a contribuição das pessoas que ajudaram a construir a trajetória de Belterra. Entre os detalhes da camisa estão grafismos que remetem aos cortes realizados pelos seringueiros nas árvores durante a extração do látex, referência direta à memória da região.

'Memória': Amazônia Independente FC lança camisa inspirada na tradição seringueira de Belterra
Foto: Reprodução/Instagram-amazoniaifc

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A iniciativa reforça a proposta de aproximar o futebol da história e da cultura amazônica, transformando aspectos do patrimônio local em símbolos de pertencimento para torcedores e moradores. A camisa já está disponível para venda por meio dos canais oficiais do Amazônia Independente FC nas redes sociais @amazoniaifc

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As seringueiras de Belterra

As seringueiras de Belterra são um dos principais símbolos da história do município paraense e estão diretamente ligadas ao ciclo da borracha na Amazônia. Na década de 1930, o empresário norte-americano Henry Ford escolheu a região para implantar um grande projeto de cultivo racional da seringueira (Hevea brasiliensis), árvore responsável pela produção do látex utilizado na fabricação de borracha natural.

A iniciativa surgiu após o fracasso do empreendimento de Fordlândia e buscava transformar Belterra em um dos maiores polos produtores de borracha do mundo.

A escolha da área ocorreu devido às condições consideradas favoráveis para o plantio, como o relevo plano, a fertilidade do solo conhecida como “terra preta” e a proximidade do Rio Tapajós, que facilitava o transporte da produção. Durante o auge do projeto, entre o fim da década de 1930 e o início dos anos 1940, os seringais de Belterra chegaram a figurar entre os maiores empreendimentos de produção de borracha natural do planeta.

Mais do que árvores destinadas à extração de látex, as seringueiras se tornaram parte da identidade cultural e histórica de Belterra. Elas representam o período de formação da cidade, o trabalho dos seringueiros e o legado deixado pelo Ciclo da Borracha. Por isso, continuam sendo uma referência da memória coletiva do município e um patrimônio simbólico da região amazônica

Algodão-doce da Amazônia? Conheça o ingá-açu e seus benefícios para a saúde

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Foto: Flávio Terassini

Com sabor adocicado e polpa branca que lembra algodão-doce, o ingá-açu, fruta típica da Amazônia, tem chamado a atenção não só pelo gosto, mas também pelo tamanho das vagens, que podem ultrapassar 30 centímetros. Encontrado em Rondônia e em outros estados do Norte, o fruto voltou a despertar a curiosidade após um vídeo do biólogo Flávio Terassini chamar atenção nas redes sociais:

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Segundo a doutora em Botânica e professora da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Osvanda Silva de Moura, o ingá-açu é uma árvore frutífera nativa da Amazônia e pertence à família das leguminosas, a mesma do feijão e da ervilha.

“O ingá-açu é uma árvore típica da floresta amazônica e ocorre naturalmente em áreas próximas a rios, lagos e regiões de várzea. Seus frutos se destacam pelo formato em vagem e pela polpa branca, carnuda e muito adocicada que envolve as sementes”, explica.

O nome também tem origem nas características da fruta. De acordo com a pesquisadora, “ingá” vem do tupi e significa “semente ensopada” ou “embebida”, em referência à polpa que envolve as sementes. Já “açu” quer dizer grande. “O nome faz referência justamente ao tamanho dos frutos, maiores do que os de outras espécies de ingá”, afirma.

A espécie, de nome científico Inga cinnamomea, ocorre em estados da Amazônia Legal, como Amazonas, Pará, Acre, Rondônia e Amapá. Também está presente em países vizinhos, como Peru, Colômbia, Equador e Bolívia.

Segundo a pesquisadora, a árvore se adapta facilmente a ambientes úmidos e é comum em matas ciliares, florestas de inundação e áreas de várzea.

“É uma espécie muito associada à água e consegue se desenvolver bem em solos sujeitos a alagamentos periódicos”, destaca.

Ingá-açu pode chegar a 30 centímetros

Uma das principais características do ingá-açu é o tamanho das vagens, que têm formato cilíndrico, casca firme e podem medir entre 20 e 30 centímetros de comprimento. Ao abrir o fruto, é possível observar compartimentos internos com sementes envolvidas por uma polpa branca e suculenta.

“O sabor é bastante doce e agradável. Por isso, muitas pessoas o conhecem como algodão-doce da Amazônia”, diz.

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A árvore também se destaca pelo porte. Na natureza, pode atingir até 40 metros de altura, embora, em quintais e pomares domésticos, geralmente seja menor.

Algodão-doce da Amazônia? Conheça o ingá-açu e seus benefícios para a saúde
Foto: Flávio Terassini

Apesar dos nomes semelhantes, o ingá-açu não é a mesma espécie do ingá-cipó, também conhecido como ingá-de-metro. “Muitas pessoas confundem as duas espécies. O ingá-cipó tem frutos mais finos e compridos, que podem ultrapassar um metro de comprimento. Já o ingá-açu tem vagens mais grossas e robustas”, explica Osvanda.

De acordo com a pesquisadora, existem cerca de 300 espécies de ingá conhecidas, sendo aproximadamente 180 registradas na Amazônia.

A floração do ingá-açu ocorre, principalmente, entre outubro e janeiro, período marcado por altas temperaturas e início das chuvas. Já a maturação dos frutos acontece entre março e maio, quando ocorre a principal época de colheita.

“As condições climáticas influenciam diretamente na produção. Secas severas, ondas de calor e baixa umidade podem comprometer o desenvolvimento da planta e afetar a qualidade da polpa”, afirma.

Entre as curiosidades, a pesquisadora destaca a capacidade da árvore de enriquecer o solo. Outra característica importante está nas sementes.

“Por ser uma leguminosa, o ingá-açu consegue fixar nitrogênio, funcionando como fertilizante natural. Elas perdem rapidamente a capacidade de germinação quando secam. Por isso, precisam ser plantadas logo após serem retiradas do fruto”, explica.

*Por Raíssa Fontes, da Rede Amazônica RO

Governo do Amazonas alerta que El Niño pode provocar seca severa igual a que afetou o estado em 2023

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Cidades do Amazonas enfrentam seca fora de época. Foto: Roney Elias/Rede Amazônica AM

O Amazonas pode enfrentar uma seca semelhante à registrada em 2023 no segundo semestre deste ano. É o que prevê o alerta do Governo do Amazonas, divulgado na última quarta-feira (17), que considera a possibilidade de formação do fenômeno El Niño capaz de reduzir as chuvas e aumentar o período de estiagem na região.

A informação foi apresentada durante uma reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos, coordenada pelo governador Roberto Cidade. Segundo a Defesa Civil do Amazonas, há mais de 80% de chance de o fenômeno se estabelecer no segundo semestre de 2026, com possibilidade de permanência até 2027.

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Durante a reunião, o governador afirmou que o estado está se preparando para possíveis impactos da estiagem. “Estamos nos antecipando à seca deste ano, que será muito próxima à que aconteceu em 2023. Hoje, estamos preparados e tomamos medidas para minimizar o sofrimento da nossa população”, disse.

O governo informou que uma nova reunião será realizada com prefeitos e secretários municipais de Defesa Civil, principalmente dos 19 municípios considerados mais vulneráveis aos efeitos da estiagem, para apresentar as projeções e discutir medidas.

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el niño pode ocasionar secas mais severas na amazônia
Impactos do El Niño podem contribuir para igualar a seca severa de 2023 que atingiu o estado. Foto: Cimone Barros/Ascom Inpa

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático causado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Na Amazônia, ele costuma provocar menos chuvas, aumento das temperaturas e períodos mais longos de seca. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), os modelos climáticos apontam condições favoráveis para o desenvolvimento de um novo episódio de El Niño no segundo semestre de 2026.

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Impactos da seca

A redução das chuvas pode afetar os níveis dos rios, dificultar a navegação e prejudicar o acesso a comunidades ribeirinhas. O cenário também pode comprometer o transporte de passageiros e o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos.

O Governo do Amazonas informou que realiza, desde abril, reuniões técnicas e planejamento com órgãos públicos e municípios para reduzir os impactos de uma possível seca. No dia 11 de junho, o estado decretou situação de emergência climática e ambiental por 180 dias, em caráter preventivo.

A Defesa Civil orienta moradores de áreas ribeirinhas e regiões com risco de dificuldade de acesso a economizar água, manter reservas de alimentos e medicamentos e acompanhar os avisos dos órgãos oficiais.

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Incêndios florestais costumam ser comuns durante o período da estiagem. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Além da baixa dos rios, outro impacto esperado é o aumento do risco de incêndios florestais. A combinação entre falta de chuva, altas temperaturas e vegetação seca favorece a propagação do fogo. Para atuar nesse cenário, o governo informou que ampliou ações de combate às queimadas por meio da operação Amazonas + Verde e reforçou a estrutura do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).

Segundo a corporação, 812 profissionais devem atuar durante o período mais crítico da estiagem.

*Com informações da Rede Amazônica AM

MPF e instituições instalam comitê técnico para ordenar a gestão da zona costeira do Amapá

Foto: Reprodução/MPF-Amapá

O Ministério Público Federal (MPF) participou, no dia 9 de junho, da primeira reunião do Comitê Técnico de Apoio ao Gerenciamento Costeiro do Estado do Amapá (CT-GERCO/AP). O evento aconteceu no auditório da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA/AP), em Macapá (AP), com o objetivo de instalar o comitê, aprovar seu regimento interno e iniciar o inventário das orlas dos municípios costeiros amapaenses.

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Representando o MPF, o procurador da República João Pedro Becker Santos integrou os debates da reunião inaugural, considerada um marco para o alinhamento institucional e para a proteção do patrimônio ambiental da região.

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MPF e instituições instalam comitê técnico para ordenar a gestão da zona costeira do Amapá
MPF e instituições instalam comitê técnico para ordenar a gestão da zona costeira do Amapá. Foto: Nataliel Rangel; Mickael Marques e Thales Lima

Comitê deve analisar desafios da região

A instalação do colegiado decorre do esforço conjunto do MPF e das instituições parceiras e visa tirar do papel mecanismos de governança em um estado onde a zona costeira concentra nada menos que 90% da população e 87% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, englobando 11 dos 16 municípios amapaenses.

No encontro, o procurador João Pedro Becker Santos ressaltou a importância da participação do MPF na consolidação de uma agenda costeira integrada e sustentável em conjunto com as demais instituições parceiras. Para o órgão, o funcionamento efetivo do comitê representa um avanço da proteção do meio ambiente e nos direitos sociais da população amapaense.

Foto: Enrico Marone/Greenpeace

A importância dos trabalhos se justifica pelo cenário de extrema vulnerabilidade socioambiental da costa amapaense. O território enfrenta desafios severos decorrentes das mudanças climáticas, como processos de erosão costeira, avanço da água do mar para os rios e assoreamento, que ameaçam diretamente as habitações e o sustento das populações locais e ribeirinhas.

Um exemplo nítido dessa realidade são os fenômenos geográficos que impactam o Arquipélago do Bailique – local onde a erosão já destruiu casas e imóveis públicos – e a foz do Rio Araguari, que já perdeu quilômetros de extensão devido ao assoreamento.

A partir das diretrizes fixadas nesta primeira reunião, o comitê pretende estruturar os planos diretores municipais de modo que passem a integrar mapas de risco costeiro e zonas de proteção de manguezais — o Amapá faz parte da maior faixa contínua de manguezais do mundo.

O MPF seguirá acompanhando as próximas etapas do CT-GERCO/AP, atuando como indutor de políticas públicas que conciliem o desenvolvimento socioeconômico, a segurança das comunidades tradicionais e a conservação da biodiversidade da Amazônia costeira.

*Com informações do Ministério Público Federal-Amapá

Boi Caprichoso anuncia primeira tuxaua trans do Festival de Parintins

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Lup Moara (centro) é a primeira mulher trans a se apresentar como tuxaua no Festival de Parintins. Foto: Ralf Cordeiro

O Boi-Bumbá Caprichoso anunciou Lup Moara como a primeira mulher trans a defender o item tuxaua no Festival Folclórico de Parintins. A artista visual e performática vai estrear na arena do Bumbódromo em 2026, em um marco considerado histórico para o festival e para a representatividade LGBTQIAPN+ na cultura popular amazônica.

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O item Tuxaua representa liderança, força e ancestralidade indígena dentro do espetáculo. Segundo o Caprichoso, a escolha de Lup reforça a trajetória do boi azul e branco na valorização da diversidade e da inclusão. Torcedora do Caprichoso desde a infância, Lup afirmou que assumir o item é motivo de orgulho e representa uma conquista coletiva.

“O Caprichoso sempre foi meu espaço de acolhimento, respeito e pertencimento. Assumir esse item é levar nossa voz, nossa estética e nossa resistência para o centro do espetáculo. Ser a primeira mulher trans a assumir o item Tuxaua mostra que o Caprichoso, mais uma vez, faz história e inova dentro do Festival de Parintins. É muito satisfatório poder contribuir de forma ainda mais forte dentro do meu boi”, afirmou Moara.

Símbolo da comunidade trans na Ilha

Primeira mulher trans do festival, Lup Moara fará sua estreia como item tuxaua no festival deste ano.
Artista e performática, Lup Moara defende as cores do boi Caprichoso desde a infância. Foto: Reprodução/Instagram-lupmoara

A história de Lup Moara com o Caprichoso começou ainda na infância, na Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale, conhecida como Escolinha de Arte do boi. Ela também integrou o Corpo de Dança Caprichoso (CDC) e participou de diversas manifestações culturais da ilha.

Ao longo da trajetória, foi Rainha das Flores nas Pastorinhas, atuou em bois mirins e ganhou destaque como Porta-Estandarte e Cunhã-Poranga do Boi-Bumbá Rasgadinho, agremiação folclórica reconhecida pela ligação histórica com a comunidade LGBTQIAPN+ de Parintins.

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Nos bastidores do Caprichoso, Lup também construiu carreira como artista de figurino. Em 2018, assinou seu primeiro trabalho na área. Dois anos depois, passou a atuar diretamente na criação e produção de indumentárias para os espetáculos apresentados na arena.

Reconhecida pela inovação estética e pela valorização das tradições amazônicas, Lup Moara agora assume um dos itens mais simbólicos do Festival de Parintins, tornando-se a primeira mulher trans a ocupar o posto na história da disputa entre Caprichoso e Garantido.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Transição energética na Amazônia enfrenta isolamento e desigualdade

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Na Amazônia, a energia limpa das hidrelétricas contrasta com comunidades ainda dependentes do diesel. Foto: Nareeta Martin/Unsplash

Um novo estudo brasileiro, publicado na urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana, revela que a transição energética na Amazônia Legal enfrenta realidades muito distintas, que variam da extrema dependência de fontes fósseis a matrizes altamente diversificadas. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade do Estado do Pará (UEPA).

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A região, que concentra uma imensa riqueza de recursos naturais e abriga mais de 30 milhões de pessoas, vive um cenário de contrastes diários na forma como consome energia.

Enquanto grandes usinas hidrelétricas instaladas ali exportam eletricidade renovável para o restante do país, milhares de famílias em comunidades isoladas amazônicas ainda dependem da queima rotineira de óleo diesel para iluminar suas casas. Essa limitação estrutural encarece o custo de vida e eleva as emissões de carbono em um bioma vital para o clima global.

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Para entender essa assimetria, a equipe analisou indicadores ao longo de duas décadas, unindo dados ambientais, sociais e econômicos. A abundância de rios, ventos e sol não se mostrou suficiente para resolver o problema automaticamente. O grande gargalo regional é a falta de tecnologia acessível, a ausência de infraestrutura de distribuição e a gestão desigual dos recursos gerados.

“Muita gente pensa que a Amazônia é tudo igual, mas cada estado é diferente. Por mais que existam grandes hidrelétricas, como no estado do Pará, a maioria dessa oferta de energia não vai para a Amazônia Legal, mas, sim, para os outros estados. Além disso, as tecnologias de energia renovável ainda são caras para serem custeadas, principalmente pela nossa população”, explica Lucas Nunes, autor principal do estudo.

O mapeamento também expôs o impacto direto do rápido crescimento urbano sobre o meio ambiente amazônico. Municípios que atraem mais habitantes demandam mais transporte, bens e serviços. Sem um planejamento ágil, essa pressão esgota recursos naturais, eleva o consumo energético e multiplica rapidamente a poluição atmosférica regional.

“Quanto mais pessoas crescem em um estado ou num município, mais recursos são necessários para sustentá-las. O problema não é a urbanização em si, mas a urbanização em excesso. É preciso obter tecnologia para ter uma matriz mais diversa, incluindo a eólica, a solar e a biomassa, para minimizar esses impactos”, destaca o pesquisador.

energia na amazônia
Foto: Vandenilson dos Anjos/ Rede Energia e Comunidades

Família de regiões remotas na Amazônia são mais dependentes

Muitas famílias ficam reféns das opções mais poluentes simplesmente porque o acesso a alternativas seguras depende de redes logísticas complexas. Regiões remotas da bacia amazônica sofrem ainda mais com essa dependência porque não estão conectadas à rede nacional de distribuição de energia elétrica, o que requer soluções de transporte custosas para garantir o básico diário.

“A região amazônica tem uma composição florestal bem densa, e isso dificulta o acesso à energia. Para suprir essa limitação, é preciso investir na geração de energia descentralizada ou distribuída, que está mais próxima de nós e não precisa de grandes áreas, sendo atrelada ao convívio daquela comunidade”, ressalta Nunes.

Para mudar esse quadro, os governos estaduais e o Governo Federal precisam integrar as dimensões econômica, social e ambiental em seus atos normativos. Ferramentas recentes de monitoramento de dados, como o Atlas Brasileiro da Transição Energética, lançado de forma inédita pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no primeiro semestre de 2025, auxiliam na coordenação das políticas e no mapeamento de vocações locais.

O futuro socioeconômico da Amazônia depende de estratégias descentralizadas que transformem resíduos, luz solar e ventos locais em energia acessível para quem realmente vive no território.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Produção de 30 mil toneladas de açaí gera um terço do valor agrícola do Amapá, diz IBGE

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O açaí é o principal motor da economia agrícola do Amapá, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2025, a produção de 30 mil toneladas do fruto gerou R$ 92 milhões, o equivalente a um terço do setor.

A produção agrícola do Estado saltou de R$ 150 milhões para R$ 270 milhões em 2025. Depois do açaí, o segundo produto mais importante foi a mandioca, com R$ 63 milhões.

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Açaí e mandioca estão presentes no dia a dia do amapaense e também ganham espaço no mercado internacional. O pesquisador do IBGE, Raul Tabajara, destaca que o açaí gera renda a partir do plantio e manejo.

“O setor agrícola saltou de R$ 150 milhões para R$ 270 milhões. Só o açaí plantado e manejado no estado gerou R$ 92 milhões. O diferencial foi a inclusão do cultivo conduzido, que impactou diretamente o PIB agrícola do Amapá”, explicou Tabajara.

A produção é suficiente para abastecer o Estado, mas boa parte é exportada. Por isso, 45% do consumo local vem das ilhas do Marajó. Em 2025, o cultivo de açaí superou a área extrativista, que registrou 11 milhões.

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Foto: Divulgação/Governo do Amapá

Produção no mercado internacional

No mercado internacional, a cooperativa Amazonbai assinou contrato para fornecer 15 mil toneladas de açaí à China até 2031. O acordo foi fechado durante a Sial China, maior feira de alimentos da Ásia, em Xangai.

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A Amazonbai faz parte da Rota do Açaí, dentro da estratégia Rotas de Integração Nacional, que fortalece sistemas produtivos locais e promove o desenvolvimento sustentável. As vendas ainda aguardam a certificação GACC, exigida para exportação à China.

Outras produções no Amapá

Na piscicultura, o Amapá cresceu quase 4% em 2025. O tambaqui foi o peixe mais produzido, seguido de tambatinga e pirapitanga. Na pecuária, o rebanho bovino cresceu pouco mais de 6%, chegando a 60 mil cabeças. Os bubalinos seguem como destaque, com mais de 346 mil animais registrados.

Segundo o IBGE, a produção de búfalos no Amapá é a segunda maior do país, atrás apenas do Pará, que concentra a criação no município de Chaves.

*Por Mariana Ferreira e Mayra Carvalho, da Rede Amazônica AP