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Floresta em pé vira fonte de renda para produtores de Rondônia; entenda

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Propriedade de um dos cooperados da RECA, localizada no distrito de Nova Califórnia, em Porto Velho (RO). Foto: Reprodução

Em Rondônia, uma iniciativa desenvolvida junto à cooperativa Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado (RECA) tem mostrado que a floresta em pé pode valer mais do que a área desmatada. Isso porque a preservação ambiental se converte em remuneração de produtores rurais no estado, que registrou redução de 86,2% no desmatamento entre 2021 e 2025, segundo dados do governo estadual.

Segundo a experiência, os agricultores da cooperativa passaram a gerar renda de duas formas: com a venda de produtos como cupuaçu e castanha e pela conservação da floresta. O pagamento é feito por meio de créditos de carbono adquiridos pela Natura, parceira da RECA há mais de 25 anos.

Produtores são remunerados pela preservação da floresta. Foto: Reprodução/Portal da Indústria

Para entender a iniciativa, é preciso conhecer o mercado de carbono. Nesse sistema, cada crédito representa uma tonelada de dióxido de carbono (CO₂) equivalente que deixou de ser emitida ou foi removida da atmosfera. Esses créditos podem ser comprados por empresas para compensar parte de suas emissões.

No caso da RECA, a Natura remunera os produtores pela preservação da floresta. Segundo a diretora de Sustentabilidade da empresa, Angela Pinhati, o cálculo considera quanto carbono deixaria de ser retido caso a área fosse desmatada. A diferença entre esse cenário e a preservação da floresta gera os créditos, adquiridos pela própria empresa para compensar parte de suas emissões.

“Na prática, remuneramos os produtores pelo carbono não emitido, ou seja, pelo desmatamento que foi evitado. Calculamos quantas emissões seriam liberadas se essas áreas seguissem a tendência de desmatamento da região, localizada em uma área crítica de degradação ambiental”, explica a especialista.

Leia também: Entenda o que é e para que serve o mercado de carbono

Segundo a especialista, a iniciativa evitou o desmatamento de cerca de 1,5 mil hectares e a emissão de aproximadamente 392 mil toneladas de CO₂ equivalente. Até 2030, a empresa pretende que metade dos créditos de carbono adquiridos venha de cadeias da sociobiodiversidade da Amazônia.

Floresta em pé se transformou em remuneração e geração de renda para produtores de cooperativa em Rondônia
Propriedade de um dos cooperados da RECA (Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado), no distrito de Nova Califórnia, em Porto Velho (RO). Foto: Reprodução

Renda e oportunidades

Além da preservação ambiental, o projeto passou a refletir diretamente na vida das famílias da cooperativa. O aumento da renda permitiu investimentos na propriedade, ampliou o acesso à educação e melhorou a qualidade de vida dos cooperados.

Um estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), em parceria com a Natura, aponta que os participantes do projeto de créditos de carbono apresentam renda média 37% superior à dos produtores que não participam da iniciativa. O levantamento, realizado ao longo de seis meses e concluído em 2025, também identificou que 25% dos filhos das famílias participantes cursam o ensino superior, enquanto, no grupo de comparação, esse percentual é de apenas 4%. Além disso, as famílias apresentaram maior capacidade de poupança e mais acesso a atividades de lazer.

Na prática, os números refletem a realidade vivida pelos cooperados. O produtor e diretor comercial da RECA, Giancarlo Souza de Lima, afirma que o pagamento pelos créditos de carbono trouxe ganhos econômicos, sociais e ambientais para as famílias, além de permitir a geração de renda e investimentos das famílias no futuro de seus filhos.

“É uma valorização muito grande porque o produtor preserva a floresta, ganha assistência técnica e é remunerado por isso. O sentimento é de que o esforço de manter a floresta em pé chegou. A gente sempre comenta que os produtores da Amazônia também querem ter uma casa boa, um veículo para se locomover e colocar os filhos para estudar. Hoje, um produtor tem parte da propriedade preservada, gerando renda com o carbono, e também a área de Sistemas Agroflorestais (SAF), que produz alimentos e matéria-prima. A propriedade inteira passa a gerar renda para a família, o que incentiva a permanência no campo e a preservação da floresta”, conta Giancarlo.

Leia também: Economia da floresta em pé é tema de seminário na Amazônia

Legado

Para os produtores da RECA, o pagamento pelos créditos de carbono representa mais do que uma nova fonte de renda. O projeto reforçou a ideia de que manter a floresta em pé também pode ser um bom negócio, criando condições para que as novas gerações permaneçam no campo sem abrir mão da preservação ambiental.

Para Giancarlo, esse é um dos principais legados da iniciativa. Hoje, os cooperados sabem que conservar a floresta pode gerar mais benefícios econômicos do que substituí-la por atividades de baixo retorno e que o cumprimento da legislação ambiental também fortalece a comercialização dos produtos.

“Hoje sabemos que manter a floresta em pé gera mais renda do que a floresta derrubada. Se o produtor não cumpre as normas ambientais, enfrenta dificuldades para comercializar tanto a produção agropecuária quanto os produtos da floresta. Com o projeto de carbono, ele gera renda e permanece em conformidade com a legislação”, explica.

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Cupuaçu cultivado na propriedade de um dos cooperados da RECA (Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado), no distrito de Nova Califórnia, em Porto Velho (RO). — Foto: Reprodução/Redes sociais

A sucessão familiar também faz parte da estratégia da cooperativa. A RECA é formada por nove grupos de famílias produtoras, cada um com um coordenador, uma liderança feminina e uma liderança jovem. Muitos desses cargos começam a ser ocupados pelos filhos dos cooperados, preparando a próxima geração para administrar a produção e a própria cooperativa.

“O RECA tem mais de 37 anos de história e sabemos que precisamos preparar a sucessão, tanto nas propriedades quanto na gestão da cooperativa. Queremos formar profissionais cada vez mais qualificados para manter esse trabalho por muitos anos”, revela o produtor.
Em uma região historicamente marcada pelo avanço do desmatamento, a experiência da RECA mostra que a floresta pode deixar de ser vista apenas como um patrimônio ambiental. Para as famílias da cooperativa, ela também se tornou uma fonte de renda, de oportunidades e uma herança para as próximas gerações.

*Por Mateus Santos, da Rede Amazônica RO

Taça das Favelas: CUFA Amazonas define equipes classificadas

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Foto: Divulgação/CUFA Amazonas

A Central Única das Favelas Amazonas (CUFA Amazonas) definiu as 11 equipes para compor a etapa estadual da Taça das Favelas Amazonas 2026, o maior campeonato de futebol entre favelas do mundo. Ao todo, foram mais 300 integrantes das favelas entre jogadores e treinadores.

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Os confrontos eliminatórios reuniram atletas de diversas comunidades de Manaus em uma rodada marcada por talento, competitividade e incentivo ao esporte nas periferias.

As partidas foram disputadas em sistema eliminatório simples, garantindo vaga na competição às equipes vencedoras.

CUFA Amazonas define equipes classificadas para a taça das favelas
Foto: Divulgação/CUFA Amazonas

Confira os resultados:

  • Zumbi 4 x 1 Zumbi – classificação da equipe comandada pelo técnico Rayan Cristian;
  • Cidade de Deus 3 x 1 Jorge Teixeira
  • Crespo 2 x 1 Centro – Favela
  • Nova Cidade 0 x 3 Dom Pedro
  • Grande Vitória 1 x 3 Armando Mendes
  • Novo Aleixo 2 x 1 Novo Aleixo – vitória da equipe comandada pelo técnico Ederson;
  • Tarumã 0 x 4 Japiim
  • Santa Etelvina 0 x 3 Petrópolis –
  • Cidade Nova 0 x 0 Cidade Nova. Nos pênaltis, a equipe comandada pelo técnico Neto Mady venceu por 4 a 3 e ficou com a vaga;
  • Coroado 4 x 2 Terra Nova
  • Alvorada 3 x 0 Alvorada – a equipe comandada pelo técnico Eberson garantiu a classificação.

“Agora nosso foco é a próxima fase. Vamos intensificar os treinos físicos e táticos e disputar amistosos para fortalecer ainda mais a equipe. Estamos trabalhando com dedicação para evoluir a cada jogo e alcançar nossos objetivos no campeonato”, destaca Rayan Christian, técnico do time Favela Zumbi.

“Estamos intensificando os treinamentos, ajustando os detalhes táticos e físicos e mantendo o grupo focado e unido. Cada atleta está comprometido em dar o seu melhor para representar nossa comunidade e buscar a classificação para a próxima fase”, afirma Alex Jony, técnico da comunidade de Petrópolis.

Leia também: “A Amazônia periférica também é Brasil real”, afirma fundador da CUFA no Amazonas

Taça das Favelas

A Taça das Favelas é realizada pela CUFA e vai além das quatro linhas, consolidando-se como uma ferramenta de inclusão, cidadania e transformação social. A competição revela talentos, fortalece o esporte nas comunidades e amplia oportunidades para jovens atletas.

“Foi uma rodada muito competitiva, com grandes jogos e excelente participação das equipes. Agora seguimos para as próximas etapas com a expectativa de uma competição ainda mais emocionante, valorizando os talentos das favelas do Amazonas”, destaca Lins Menezes, coordenador do Taça das Favelas Amazonas.

As equipes classificadas seguem na disputa pelo título da Taça das Favelas Amazonas 2026. A partir de agosto começa a etapa estadual, com a grande final marcada para o dia 31 de outubro.

*Com informações da assessoria

MPF e Ibram traçam estratégias contra garimpo ilegal e uso de mercúrio na Amazônia

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Garimpo ilegal encerrado pela Operação Brasil Verde. Foto: Reprodução/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) realizou uma reunião virtual com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) para debater soluções e estratégias de enfrentamento à mineração ilegal na região amazônica. O encontro focou no impacto econômico do garimpo clandestino, no avanço dos sistemas de rastreabilidade mineral e em alternativas tecnológicas viáveis para a eliminação do uso de mercúrio na extração do ouro.

O procurador da República André Luiz Porreca reforçou que, embora a mineração legalizada receba amparo jurídico e atue como motor de desenvolvimento econômico, o setor sofre gravemente com a concorrência desleal do mercado ilícito.

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Como a maior parte da produção mineral do país é voltada à exportação, os impactos negativos causados pelo crime organizado impactam negativamente na reputação do setor no mercado internacional.

Monitoramento do garimpo

O presidente do Ibram, Pablo Silva Cesário, destacou que o combate ao garimpo ilegal é prioridade máxima da instituição, chamando a atenção para o cenário atual do ouro onde a produção ilegal do metal atinge quase metade de todo o volume extraído no país.
Para conter o avanço das irregularidades, o instituto detalhou as frentes tecnológicas e institucionais de trabalho.

A primeira delas é uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP) no desenvolvimento de um sistema de monitoramento via satélite. A plataforma faz o cruzamento em tempo real de dados de direitos minerários, licenciamentos ambientais e guias de recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), identificando imediatamente invasões e lavras clandestinas em terras indígenas e unidades de conservação.

O Ibram também apresentou ação ao Supremo Tribunal Federal STF) para suspender o princípio da “boa-fé objetiva” na aquisição do ouro, medida que reduziu sensivelmente o escoamento do minério ilegal para o mercado formal. Contudo, o presidente alertou que a alta valorização do ouro no mercado internacional mantém aquecido o incentivo financeiro para as redes criminosas.

Leia também: Relatório aponta que garimpo ilegal não diminui e afeta drasticamente ecossistema amazônico

Substituição do mercúrio

Durante a reunião, o procurador da República André Luiz Porreca questionou sobre a viabilidade de métodos alternativos ao uso do mercúrio para cooperativas em processo de regularização. O diretor de Assuntos Minerários do Ibram, Julio Cesar Nery Ferreira, sugeriu a transição para processos químicos e físicos mais eficientes tais como a cianetação e os métodos físicos, como as centrífugas.

O procurador da República ressaltou, ainda, dois grandes gargalos para essa transformação: a total ausência de linhas de financiamento específicas para a transição tecnológica em bancos públicos e a severa barreira cultural existente entre gerações de garimpeiros que ainda não reconhecem os riscos crônicos gerados pelo manejo do mercúrio.

Imagem colorida mostra processo de garimpagem feito com mercúrio na Amazônia - garimpo ilegal
Processo de garimpagem. Foto: Divulgação/ RVS-RCP

Para combater a falta de apoio, o Ibram informou estar estruturando um convênio com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para prestar assistência técnica e jurídica (auxílio em licenciamentos e desenvolvimento técnico) aos mineradores que buscam a legalidade.

Infraestrutura do crime

A infraestrutura logística do crime também esteve em pauta. O MPF informou que monitora de perto, por meio de ações judiciais e em consonância com o programa Ouro Alvo da Polícia Federal, mais de mil pistas de pouso não homologadas espalhadas pela Amazônia. Em apoio, o Ibram disponibilizou sua estrutura técnica para colaborar com investigações privadas destinadas a mapear cadeias societárias e rastrear redes de apoio logístico ao crime.

A maior preocupação mútua no momento recai sobre os riscos do Projeto de Lei nº 3025/2023, aprovado na Câmara dos Deputados, que institui um novo marco legal para o controle e a rastreabilidade do ouro no Brasil. Os participantes alertaram que a proposta pode restabelecer a “boa-fé objetiva” a partir de mera autodeclaração no primeiro ponto de compra, abrindo uma enorme brecha para a lavagem de ouro ilegal e inviabilizando a fiscalização.

O Ibram formou uma coalizão com entidades ambientalistas e indigenistas para sensibilizar o Senado Federal sobre os riscos técnicos e de corrupção no processo legislativo. O procurador informou que a Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (4CCR) do MPF acompanha de perto a tramitação e está elaborando uma nota técnica sobre o o projeto de lei.

*Com informações do MPF

Instituto realiza primeira formatura internacional ao levar inclusão digital da Amazônia para Moçambique

Projeto da Amazônia celebrou a conclusão do curso de informática básica para 22 alunos de Chimoio, em Moçambique, em iniciativa inédita fora do Brasil. Foto: Divulgação/Instituto Descarte Correto

O Instituto Descarte Correto, entidade que transforma vidas por meio da educação e tecnologia, alcançou um marco histórico ao realizar a primeira formatura internacional de um Centro de Inclusão Digital. O projeto celebrou a formação de 22 alunos que concluíram o curso de informática básica em Moçambique, na África, consolidando a expansão da iniciativa que nasceu na Amazônia e agora ultrapassou as fronteiras do Brasil.

A capacitação, realizada em parceria com o Ministério Com Uma Missão Moçambique, teve duração de dois meses e ofereceu para crianças, jovens e adultos de Chimoio, cidade do país africano, os conhecimentos fundamentais em informática e os desafios de um mercado cada vez mais conectado.

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Instituto Descarte Correto
Capacitação teve duração de dois meses e ofereceu os conhecimentos fundamentais em informática para crianças, jovens e adultos de Chimoio, cidade do país africano. Foto: Divulgação/Instituto Descarte Correto

Para Alessandro Dinelli, fundador do Instituto Descarte Correto, a primeira turma formada fora do país simboliza a concretização de um sonho construído ao longo dos últimos anos.

“Ver um projeto que nasceu na Amazônia chegar ao continente africano é motivo de muita emoção e gratidão. Sempre acreditamos que a tecnologia pode ser uma ferramenta de transformação social e que a inclusão digital não tem fronteiras. A formação dessa primeira turma em Moçambique mostra que é possível levar conhecimento, gerar oportunidades e transformar realidades em qualquer lugar do mundo”, afirma o fundador do projeto, que promove inclusão digital em comunidades em situação de vulnerabilidade social por meio da reutilização de equipamentos eletrônicos.

Leia também: Projeto leva capacitação e cidadania a jovens de comunidade do Amazonas

Formação e oportunidade

Capacitação possibilitou que alunos tivessem o primeiro contato com um computador. Foto: Divulgação/Instituto Descarte Correto

Durante os dois meses de capacitação, os alunos desenvolveram confiança, adquiriram conhecimentos em informática básica e, em muitos casos, tiveram o primeiro contato com um computador. Para o missionário e educador do Instituto, Michel Castro, a capacitação ampliou as perspectivas para os estudos, a comunicação e futuras oportunidades profissionais dos participantes.

“Foi uma turma muito dedicada e interessada em aprender. Cada aula representava uma oportunidade de crescimento. Ver esses alunos concluindo essa etapa mostra que investir em educação continua sendo um dos caminhos mais eficientes para transformar vidas”, frisa Michel.

Expansão do Instituto

Projeto já conta com segunda turma com aulas iniciadas e prevê formação de mais alunos em informática básica. Foto: Divulgação/Instituto Descarte Correto

A formatura da primeira turma internacional marca o início da expansão do Instituto Descarte Correto para outros países. A proposta é ampliar a implantação de Centros de Inclusão Digital por meio de novas parcerias, levando educação, inclusão digital e oportunidades para comunidades em situação de vulnerabilidade. Uma segunda turma de 25 alunos já iniciou as aulas no país.

Segundo Camila Dinelli, presidente do Instituto Descarte Correto, a internacionalização do projeto reforça o impacto social desenvolvido pela instituição.

“A formatura em Moçambique representa muito mais do que a conclusão de um curso. É a confirmação de que um projeto social criado na Amazônia pode inspirar e transformar vidas em outros continentes. Essa conquista fortalece nossa missão e amplia nossa responsabilidade de continuar investindo em educação, tecnologia e inclusão”, pontua Dinelli.

*Com informações da assessoria

Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa em Macapá

Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica AP

Uma família de Macapá (AP) mantém, há cerca de 6 anos, uma criação com mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa. A prática da meliponicultura, criação de abelhas nativas, começou durante a pandemia da Covid-19 e reúne três espécies diferentes.

No meliponário da família em Macapá, destacam-se espécies locais como a uruçu-cinzenta e a uruçu-amarela, que estão entre as mais cultivadas por criadores da região devido à boa adaptação.

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O projeto concilia a preservação ambiental com a produção de um mel de alto valor comercial e medicinal. O Brasil abriga cerca de 250 espécies de abelhas sem ferrão espalhadas por diferentes ecossistemas. Na Amazônia, o cenário é propício para o mercado regional.

Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa, em Macapá. Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica AP

Leia também: Portal Amazônia responde: por que o mel é considerado o único alimento do mundo que “não estraga”?

Origem na pandemia

A iniciativa ganhou força com o engenheiro eletricista e meliponicultor Takao Meguro Portal, que retornou de São Paulo para o Amapá no período de isolamento social. A princípio, o mel era voltado para o consumo da mãe dele na culinária e no tratamento de sequelas respiratórias causadas pelo coronavírus.

Engenheiro eletricista e meliponicultor Takao Meguro Portal. Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica AP

O interesse pela criação doméstica surgiu de família, já que o pai de Takao tinha experiência anterior com o manejo de abelhas com ferrão da espécie Apis mellifera.

“Essas abelhas nativas são manejadas desde o tempo do povo maia, que foi um dos primeiros códices de meliponicultura do mundo. Elas já existiam antes das abelhas europeias, que ingressaram aqui na América. O mel desse tipo de abelha era utilizado nas bebidas sagradas dos maias e tem uma propriedade medicinal muito, muito potente”, destaca Portal.

Rotina e cuidados no manejo

Manter um meliponário em casa exige uma rotina rigorosa de vistorias. O produtor alerta que as abelhas são sensíveis e suscetíveis a pragas.

“A gente tem que tomar muito cuidado ao trazer uma colmeia para dentro do meliponário. Respeitem o período de quarentena. O manejo tem que ser feito com muita atenção. Eu sempre aconselho ao meliponicultor que está ingressando na área: faça um curso para não errar em nenhuma manobra, porque é um bicho muito sensível”, recomenda.

O processo de produção exige paciência. A partir da divisão de uma colmeia considerada “matriz”, leva-se cerca de três meses de manejo adequado para que o enxame ganhe força.

Leia também: Meliponicultura: Entenda o universo das abelhas sem ferrão na Amazônia

Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa, em Macapá
Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa, em Macapá. Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica AP

Só depois desse período são instaladas as melgueiras — módulos superiores da caixa onde as abelhas começam a depositar o mel.

O sabor e a coloração do produto não dependem apenas da espécie da abelha, mas principalmente da florada da estação. As variações das flores na região determinam se o mel será mais claro, escuro, mais doce ou com notas ácidas a cada colheita.

Regras e limites por lei

Para quem deseja iniciar na atividade dentro de áreas urbanas, o criador faz um alerta importante: embora não possuam ferrão, as abelhas têm mecanismos próprios de defesa e são animais delicados. A recomendação é buscar capacitação técnica antes de adquirir os enxames.

Além disso, Portal reforça que os ninhos nunca devem ser retirados diretamente da natureza, exceto em casos de resgate, como quando uma árvore cai e o enxame corre risco de morrer.

Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa, em Macapá. Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica

A legislação brasileira também impõe limites: criadores amadores podem manter até 49 caixas em casa. Para plantéis que ultrapassem esse número, é obrigatório obter autorizações e licenças junto aos órgãos ambientais.

*Por Isadora Pereira e Mayra Carvalho, da Rede Amazônica AP

Estudos sobre uacaris na Amazônia rende prêmio internacional para pesquisador do Instituto Mamirauá

Conhecedor de uacaris, primatólogo recebeu um dos principais reconhecimentos internacionais destinados à jovens cientistas da área de primatologia. Foto: Marcelo Ismar Santana

O pesquisador do Instituto Mamirauá, Felipe Ennes Silva, recebeu um dos principais reconhecimentos internacionais destinados a jovens cientistas da área de primatologia. A American Society of Primatologists (Sociedade Americana de Primatologia) concedeu ao brasileiro o prêmio Early Career Achievement, homenagem que destaca pesquisadores com contribuições científicas relevantes nos primeiros anos após a conclusão do doutorado.

O prêmio reconhece uma trajetória construída ao longo de mais de uma década de pesquisas dedicadas aos uacaris calvos (Cacajao spp.), primatas endêmicos da Amazônia que possuem características únicas, como a face avermelhada, a cauda curta e adaptações anatômicas relacionadas à alimentação.

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A relação de Felipe com a espécie começou em 2012, quando foi convidado pelo Instituto Mamirauá para desenvolver um projeto de pesquisa na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Antes mesmo do início dos trabalhos de campo, mergulhou na literatura científica sobre os uacaris e conheceu as pesquisas pioneiras desenvolvidas pelo fundador do Instituto Mamirauá, Márcio Ayres.

uacaris
Os uacaris calvos (Cacajao spp.) possuem características únicas como a face avermelhada, a cauda curta e adaptações anatômicas relacionadas à alimentação. Foto: Reprodução/Instituto Mamirauá

“Quando comecei a estudar os uacaris, percebi a enorme contribuição dos trabalhos já realizados, mas também o quanto ainda havia para descobrir. No campo, fui conhecendo características únicas desses primatas e, quanto mais avançava nas pesquisas, mais intrigado eu ficava para compreender diferentes aspectos da biologia da espécie. É assim até hoje”, relembra o pesquisador.

Os primeiros estudos aconteceram nas regiões do Paraná do Aranapú e da Boca do Mamirauá, onde trabalhou na habituação dos animais à presença de pesquisadores, etapa essencial para a realização de observações comportamentais e ecológicas de longo prazo. Foi nesse período que teve o primeiro contato direto com os uacaris.

“Foi um período muito produtivo, tanto pela quantidade de dados coletados quanto pelo conhecimento que adquiri sobre os primatas e sobre a região. Foi ali que vi os uacaris pela primeira vez e comecei a construir essa trajetória de pesquisa”, afirma.

Leia também: Projeto internacional sequencia DNA de primatas amazônicos para contribuir com a medicina de precisão

Ao longo de sua trajetória, Felipe ampliou significativamente o conhecimento científico sobre os uacaris. Entre suas principais contribuições estão pesquisas em genética evolutiva que ajudaram a esclarecer as relações entre diferentes populações do gênero Cacajao. Seus estudos também demonstraram como transformações históricas da paisagem amazônica, incluindo mudanças no curso de grandes rios, influenciaram a diversidade genética, a distribuição e a evolução dessas espécies. Além disso, identificaram variações genéticas associadas a adaptações específicas dos diferentes grupos de uacaris, abrindo novas perspectivas para compreender sua história evolutiva.

O aprofundamento dessas pesquisas o levou ao doutorado em Biologia Evolutiva pela University of Salford, no Reino Unido. Durante o doutorado, sua tese foi reconhecida pela Primate Society of Great Britain (Sociedade Britânica de Primatologia) com a Napier Memorial Medal, tornando Felipe o primeiro latino-americano a receber a honraria. Atualmente, além de pesquisador associado do Instituto Mamirauá, ele é professor da New York University (NYU) e integra redes internacionais dedicadas à conservação de primatas.

Pesquisador acumula décadas de trabalhos e pesquisas em campo na Amazônia voltados para o estudo da primatologia. Foto: Felipe Ennes/Arquivo pessoal

Para o pesquisador, receber o prêmio da American Society of Primatologists representa um importante reconhecimento de sua trajetória.

“Foi muito gratificante receber essa homenagem justamente neste momento em que estou estruturando um laboratório, consolidando um grupo de pesquisa e começando a formar novos alunos. É um reconhecimento de uma caminhada que não foi linear, mas que contou com o apoio de colegas, professores, orientadores e instituições ao longo de toda a minha carreira”, destaca.

Futuras pesquisas sobre uacaris e outras contribuições

Mesmo com o reconhecimento internacional, Felipe afirma que seu trabalho na Amazônia está apenas começando. A proposta agora é consolidar um grupo de pesquisa em Primatologia, integrando atividades de campo, laboratório e análises genéticas. Entre as próximas etapas estão estudos sobre a ecologia alimentar dos uacaris e a composição de seu microbioma intestinal, buscando compreender como esses animais estão respondendo aos eventos de secas extremas que têm se tornado cada vez mais frequentes na Amazônia.

“Não temos a menor ideia de como os uacaris estão se adaptando a esses cenários. Queremos entender como as mudanças na disponibilidade de alimento influenciam a espécie e formar uma base sólida de conhecimento para orientar estratégias de conservação”, explica.

Pesquisador pretende consolidar equipe para futuros estudos na Amazônia. Foto: Marcelo Ismar Santana

Para Felipe, a história do Instituto Mamirauá demonstra que pesquisa e conservação caminham juntas.

“A pesquisa tem um papel fundamental para orientar ações de conservação. Precisamos conhecer profundamente as espécies, entender os desafios da Amazônia e formar novas gerações de pesquisadores. A hora de agir é agora para reduzir as chances de extinção desses primatas nas próximas décadas”, conclui.

Além das pesquisas com uacaris, Felipe participou de diversas expedições científicas em áreas pouco estudadas da Amazônia, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a distribuição, o tamanho das populações e as principais ameaças enfrentadas por diferentes espécies de primatas. Seu trabalho também envolve colaboração em iniciativas nacionais voltadas à conservação, como o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas Amazônicos e processos de avaliação do estado de conservação das espécies brasileiras.

*Com informações do Instituto Mamirauá

Onde comprar artesanato em Parintins: três espaços que preservam a cultura e valorizam artistas locais

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Muito além do espetáculo apresentado na arena do Bumbódromo, Parintins mostra sua identidade nos ateliês, feiras e espaços dedicados ao artesanato. É por meio das mãos de artesãos locais que sementes, fibras, madeira, tecidos, penas artificiais e outros elementos inspirados na natureza amazônica se transformam em biojoias, esculturas, miniaturas dos bois-bumbás, quadros e lembranças que carregam a história e a cultura da ilha.

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A produção artesanal ganha ainda mais força durante o Festival Folclórico, quando milhares de turistas circulam pela cidade em busca de lembranças.

No entanto, durante todo o ano é possível encontrar espaços dedicados à comercialização dessas peças, reunindo trabalhos que representam não apenas os bois Caprichoso e Garantido, mas também a biodiversidade amazônica, os povos originários e as tradições ribeirinhas. 

Centro de Artesanato Soarte

Considerado o principal endereço para quem deseja conhecer o artesanato produzido em Parintins, o Centro de Artesanato Soarte concentra o trabalho de mais de 50 artesãos do município. Entre os produtos disponíveis estão biojoias produzidas com sementes e fibras naturais, esculturas em madeira, quadros de artistas locais, miniaturas dos bois, objetos decorativos, acessórios e lembranças inspiradas na fauna, flora e tradições amazônicas.

O Centro de Artesanato Soarte funciona das 8h às 17h, e  está localizado na Rua Boulevard 14 de Maio, esquina com a Rua Gomes de Castro, nº 61, no Centro Histórico de Parintins, próximo ao cais da cidade.

Leia também: Comércio, economia e o impacto do artesanato do Festival Folclórico de Parintins na moda e estilo

Onde comprar artesanato em Parintins: três espaços que preservam a cultura e valorizam artistas locais
Central de Artesanato Soarte. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Mercado Municipal Leopoldo Neves 

Localizado às margens do rio Amazonas, na Rua Benjamin da Silva, no Centro da cidade, o mercado foi inaugurado em 1937 e permanece como um dos principais pontos de encontro entre moradores e turistas. Conhecido principalmente pela venda de frutas regionais, verduras, peixes, carnes e produtos típicos da Amazônia, o espaço também oferece uma variedade de artesanatos produzidos por artistas locais.

O espaço funciona diariamente das 5h às 22h, e os visitantes encontram biojoias, peças decorativas, pequenos objetos inspirados nos bois-bumbás, lembranças da cidade e produtos confeccionados com matérias-primas amazônicas. 

Leia também: Artesanato de Parintins transforma cultura em negócio e gera renda para dezenas de famílias

Mercado Municipal Leopoldo Neves. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Artes Belas Artesanato 

Outra opção para quem procura presentes e souvenirs é a Artes Belas Artesanato Parintins. Localizada na Rua Clarindo Chaves, nº 650, no Centro, a loja reúne diferentes tipos de artesanatos produzidos por artistas e oferece opções para quem deseja levar uma lembrança da viagem ou presentear familiares e amigos.

A loja,  funciona de segunda a sábado, das 9h às 17h30, e possui uma diversidade de produtos que permite o visitante encontrar peças para diferentes gostos e faixas de preço, tornando o espaço uma alternativa para quem busca presentes ou recordações produzidas localmente.

Vamos Brincar de Boi

O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.

A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.

Calor intenso no verão amazônico aumenta riscos à saúde e exige medidas de prevenção

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Altas temperaturas durante o verão aumentam riscos para a pele e o sistema respiratório. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A chegada do verão amazônico, marcado pela redução das chuvas e pelo predomínio de dias quentes e ensolarados, pede atenção redobrada com a saúde. O aumento das temperaturas pode favorecer a desidratação, agravar doenças respiratórias e elevar o risco de problemas de pele. Para minimizar esses impactos, especialistas do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA/HU Brasil) orientam a população sobre medidas simples para proteger o organismo durante esse período.

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Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão é de temperaturas acima da média em grande parte da Região Norte, cenário associado à influência do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Diante disso, a adoção de medidas preventivas ganha ainda mais relevância, sobretudo nos períodos de maior exposição ao calor e à radiação solar.

Respiração e audição merecem atenção especial

Durante o verão amazônico, é comum alternar entre ambientes externos, com temperaturas elevadas, e locais climatizados. Essa variação pode favorecer o aparecimento ou agravamento de rinite, sinusite, faringite e crises alérgicas.

O otorrinolaringologista do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS), Henderson Cavalcante, recomenda manter boa hidratação ao longo do dia, evitar mudanças bruscas de temperatura e realizar a limpeza periódica dos aparelhos de ar-condicionado.

“A boa hidratação permite que as mucosas do nariz e da garganta mantenham sua função de barreira natural contra microrganismos”, explica.

Os banhos em rios, praias e piscinas, bastante frequentes no verão amazônico, também demandam alguns cuidados. “Após os banhos, é recomendado secar bem os ouvidos e evitar o uso de hastes flexíveis, que podem causar lesões e favorecer infecções”, orienta.

Verão aumenta o risco de infecções

O aumento da circulação de pessoas em praias, ilhas, balneários e outros locais de lazer favorece a transmissão de vírus respiratórios. Segundo o infectologista do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), Julius Monteiro, manter a vacinação em dia e adotar medidas simples, como higienizar frequentemente as mãos, reduz significativamente o risco de infecções.

O especialista alerta, ainda, para o armazenamento adequado dos alimentos durante passeios e viagens. “As altas temperaturas aceleram a proliferação de microrganismos e aumentam o risco de doenças transmitidas por alimentos. Em viagens para praias, por exemplo, recomenda-se transportar alimentos perecíveis em recipientes térmicos e evitar consumir produtos que permaneceram muito tempo fora de refrigeração ou foram preparados em condições inadequadas”, ressalta.

Também é preciso ter atenção ao consumo de bebidas fora de casa. “É recomendável dar preferência a bebidas industrializadas e devidamente envasadas, especialmente aquelas que já vêm refrigeradas, em vez de sucos naturais ou bebidas com gelo de procedência desconhecida, já que não é possível garantir a origem da água utilizada no preparo”, explica.

calor - verão amazônico
Cuidados com a saúde devem redobrar no período do verão amazônico. Foto: Jader Paes/Agência Pará

Leia também: El Niño e calor extremo na Amazônia podem agravar sintomas de psoríase, alerta especialista

Durante o período de férias e de maior circulação em locais de lazer, comum no verão, a prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) não deve ser negligenciada. O uso de preservativos nas relações sexuais, a testagem regular e o acompanhamento com profissionais de saúde reduzem o risco de transmissão dessas infecções.

A atenção também se volta para as hepatites virais, tema da campanha Julho Amarelo, que busca conscientizar a população sobre prevenção, diagnóstico e tratamento dessas doenças. Algumas hepatites podem evoluir de forma silenciosa e causar complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. A vacinação, especialmente contra as hepatites A e B, aliada à realização de testes quando indicados, está entre as principais estratégias de prevenção.

Proteção da pele ajuda a prevenir doenças durante o verão

A combinação entre calor, umidade e maior exposição ao sol no verão favorece o surgimento de brotoejas, micoses e queimaduras solares, além de aumentar o risco de câncer de pele.

Segundo a dermatologista do HUJBB, Rossana Veiga, manter a pele bem enxugada, sem umidade acumulada, é uma medida estratégica para prevenir infecções.

“O calor associado à umidade faz com que o suor permaneça por mais tempo sobre a pele, favorecendo brotoejas e irritações, principalmente em crianças. Também é importante retirar roupas molhadas após banhos de rio, praia ou piscina e secar bem as regiões de dobras, como axilas, virilhas e entre os dedos dos pés, reduzindo o risco de micoses”, aconselha.

A especialista indica ainda reaplicar o protetor solar a cada duas horas durante a exposição ao sol, utilizar chapéus de aba larga e outras barreiras físicas de proteção, aplicar hidratante após o banho e priorizar atividades físicas ao ar livre no fim da tarde, quando a radiação solar tende a ser menos intensa.

A ingestão frequente de água também deve fazer parte da rotina. “A sensação de sede já indica que o organismo começou a perder água. Por isso, a hidratação deve ser mantida ao longo de todo o dia, principalmente entre crianças, idosos e pessoas que permanecem expostas ao calor por períodos prolongados”, destaca.

Sinais de alerta indicam quando buscar atendimento

A orientação é procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes ou de maior gravidade, como dificuldade para respirar, febre prolongada, dor intensa de ouvido, diarreia acompanhada de sinais de desidratação, queimaduras solares extensas ou lesões de pele que aumentem rapidamente ou apresentem secreção.

*Com informações da assessoria

Povos indígenas do Amazonas lançam planos de gestão e reforçam governança de territórios

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Reunião ocorreu em Manaus e contou com líderes indígenas, organizações parceiras e instituições públicas. Foto: Gildo Feitosa/Apiam

Os povos indígenas Kanamary e Nadëb lançaram, no dia 7 de julho, em Manaus (AM), os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) das Terras Indígenas (TIs), Paraná do Boá-Boá, localizada no município de Japurá, e Uneiuxi, em Santa Isabel do Rio Negro, no extremo noroeste do Amazonas. A TI Paraná do Boá-Boá é compartilhada pelos povos Kanamary e Nadëb, enquanto a TI Uneiuxi é ocupada pelo povo Nadëb, considerado de recente contato.

Realizado pela Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam) e Amazon Conservation Team – Brasil (ACT-Brasil), o evento reuniu lideranças indígenas, organizações parceiras e representantes de instituições públicas para discutir compromissos com a implementação dos planos e o fortalecimento da governança territorial indígena.

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Construídos coletivamente pelos povos originários a partir dos conhecimentos tradicionais, das necessidades das comunidades e do diálogo entre diferentes gerações, os PGTAs estabelecem estratégias para temas como gestão ambiental, educação, saúde, segurança alimentar, geração de renda, proteção territorial e valorização cultural.

No encontro, uma roda de conversa debateu as alianças necessárias para transformar as propostas registradas nos planos em políticas públicas e ações concretas nos territórios, com o objetivo de aproximar organizações indígenas e instituições públicas responsáveis por apoiar a implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI).

Leia também: Povo Asurini lança Plano de Gestão Ambiental e Territorial da Terra Indígena Koatinemo, no Sudoeste do Pará

Liderança indígena durante lançamento de Planos de Gestão Territórial
Dona Socorro Nadëb, da comunidade do Roçado, na TI Uneiuxi, fala em evento em Manaus. Foto: Natália Pimenta / ISA

Planos são resultados de Construção coletiva

Natália Pimenta, assessora do Instituto Socioambiental (ISA) no Amazonas, relembra que o PGTA da TI Uneiuxi é resultado de um longo processo de construção coletiva realizado entre 2018 e 2022, envolvendo lideranças, jovens, mulheres e homens das comunidades Roçado e São Joaquim, em cooperação com a Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (CAIMBRN), Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (ACIMRN).

Natália destacou a importância do momento para o movimento indígena e para o fortalecimento da gestão territorial autônoma dos povos, seguindo seus planos de vida descritos nos PGTAs. Ela lembrou ainda que o plano da TI Paraná do Boá-Boá foi publicado na própria língua Nadëb. “[O documento] registra não apenas prioridades para o bem-viver, mas também a memória, a língua, os conhecimentos tradicionais e a relação histórica do povo com o rio Uneiuxi, reafirmando o território como espaço de vida, identidade e continuidade cultural”, afirmou.

Eduardo Fonseca Castelo, liderança Nadëb, disse que o evento representou uma oportunidade para que os próprios povos indígenas apresentassem suas prioridades diretamente às instituições responsáveis por apoiar sua implementação. Segundo ele, a presença de órgãos públicos, organizações indígenas e parceiras fortalece o compromisso com a garantia de direitos e a execução das ações previstas nos planos.

“É importante que todos saibam a nossa realidade e também como nós queremos ter os nossos direitos e como pensamos o nosso futuro. Daqui para frente, podemos cobrar dessas pessoas que se comprometeram. Muitas vezes, quando não temos essa ferramenta, nossos direitos são negados e violados. Agora esperamos mais atenção para aquilo que é nosso direito, como educação, saúde, segurança, proteção do território, manejo e geração de renda”, concluiu.

Sinédrio Nadëb, da aldeia Jutaí, da TI Paraná do Boá-Boá. Foto: Natália Pimenta/ISA

Sandra Gomes Castro é liderança do povo Baré, de Santa Isabel do Rio Negro, e conta que acompanhou o processo de construção do PGTA Nadëb ao longo de quase oito anos. Ela destacou que o documento, que reúne os anseios das comunidades, agora precisa sair do papel. “O PGTA não é apenas o futuro das próximas gerações. Ele já é o presente. Tudo o que foi construído pelos próprios Nadëb agora precisa ser vivenciado e implementado”, comentou.

Sandra ressaltou ainda que a implementação dos planos é um compromisso compartilhado entre lideranças indígenas, organizações e instituições públicas, especialmente diante da vulnerabilidade do povo Nadëb, considerado de recente contato.

“As lideranças precisam assumir esse compromisso para que o PGTA fortaleça a defesa do território, da cultura, da língua e da segurança do povo”, finalizou.

PGTAS do Rio Negro

Atuando há mais de 30 anos na região do Rio Negro, em uma parceria histórica com a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), o ISA apoiou a elaboração de 12 Planos de Gestão Territorial e Ambiental em conjunto com organizações indígenas e outras instituições, fortalecendo processos de planejamento conduzidos pelos próprios povos indígenas.

Os 12 PGTAs da região do Alto e Médio Rio Negro podem ser acessados e obtidos na íntegra no acervo do ISA e no site da Foirn.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Socioambiental (ISA), escrito por Vanessa Fernandes

Retrospectiva histórica: confira os Relatórios Anuais da Fundação Rede Amazônica (2021 a 2025)

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Imagem: Reprodução/FRAM

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) apresenta a consolidação de seus relatórios anuais de atividades desenvolvidas entre os anos de 2021 e 2025. Foram anos marcados por produções intensas, novos projetos inovadores e ações de grande impacto voltadas para o público interno e externo.

Cada um desses períodos reforça o compromisso institucional com a integração e o desenvolvimento da Amazônia, a capacitação de pessoas, a articulação de parcerias estratégicas e contribuições significativas para o desenvolvimento social, ambiental, cultural, educativo e tecnológico da região.

Confira os destaques estruturados de cada ano:

Relatório Anual 2021

Mesmo enfrentando um cenário de grande instabilidade devido à pandemia de Covid-19, o ano de 2021 permitiu à Fundação ampliar suas atividades presenciais e virtuais. Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) e às boas práticas do Terceiro Setor, a FRAM fortaleceu sua agenda ESG.

  • Eixo Arte, Educação e Cultura: Realização do concurso literário Conta um Conto (tema “Minha Casa é Meu Mundo”), apoio ao projeto de reforço escolar Ler +1 e as transmissões das capacitações do projeto Repensar.
  • Eixo Empreendedorismo e Inovação: Realização de atividades da Semana de Ciência & Tecnologia e exibições do programa Missão Startup.
  • Eixo Desenvolvimento Social e Sustentabilidade: Lançamento do primeiro Selo Consciência Limpa (“Empresas que Semeiam”), a iniciativa Consciência Limpa em Ação em parceria com o Instituto SOKA, as palestras Repensar Amazônia COP26, a ação de arborização Manaus Te Quero Verde e a edição da plataforma Amazônia Que Eu Quero focada em Infraestrutura.

Acesse aqui e confira o documento completo de 2021:

Relatório Anual 2022

Em 2022, o compromisso com a Governança Corporativa e com a sustentabilidade a longo prazo ganhou ainda mais tração. A Fundação consolidou projetos de educação continuada e expandiu seu portfólio de eventos culturais e tecnológicos.

  • Criação do RedeLab: Lançamento da iniciativa com foco em oficinas práticas de videorreportagem, produção de conteúdo com celular, webjornalismo, audiovisual e podcast.
  • Educação e Cultura: Promoção cultural do evento Cidade do Jazz e a caravana itinerante e lúdica do Natal do Bem.
  • Inovação e Debates: Oficinas infantojuvenis do Semente de Inovação (aeromodelismo e brinquedos reciclados), as discussões do Meetup Acelera e as rodadas corporativas do Conecta Café com Inovação.
  • Fóruns Estratégicos: Grande temporada do Amazônia Que Eu Quero abordando eixos como energia limpa, infraestrutura, modelo econômico, empreendedorismo e florestas, além da exibição da série de TV e podcast Echos da Amazônia.

Acesse aqui e confira o documento completo de 2022:

Relatório Anual 2023

O ano de 2023 foi um período desafiador e de superproduções que consolidou a presença da FRAM em todos os seis estados da Região Norte. Pautada em uma gestão transparente e voltada para o ESG, a instituição expandiu suas entregas.

  • Infraestrutura e Espaços Educacionais: Inauguração e abertura ao público do Centro de Eficiência Energética (CEEA) com fins educacionais e a criação do espaço colaborativo ODS Space.
  • Desenvolvimento e Aceleração Social: Implementação do Programa Aurora de aceleração para organizações da sociedade civil e o lançamento do programa Casullo, focado no acolhimento e desenvolvimento de colaboradoras da empresa.
  • Mobilização Comunitária: Campanhas integradas do Ler +1 e ações de reflorestamento e ajuda humanitária do projeto Rede Voluntária (com plantio de árvores e entrega de cestas básicas).
  • Cultura e Tecnologia: Realização dos painéis universitários do Amazônia Que Eu Quero com entrega do Caderno de Soluções em Brasília, imersões do Red Lab Experience, os projetos Ópera em Rede, Círio na Rede em Macapá e a participação na Campus Party Amazônia.

Acesse aqui e confira o documento completo de 2023:

Relatório Anual 2024

Celebrando 39 anos de trajetória contínua na Amazônia, a Fundação estruturou o ano sob o lema de conectar a floresta e a cidade, gerando sementes de transformação e inclusão social.

  • Grandes Coberturas e Festivais Culturais: Realização do Carnaval Amazônico, do projeto cultural Pipoca Em Cena e o fortalecimento das iniciativas Círio Na Rede e Verão Na Rede.
  • Preservação e Diálogos Globais: Criação e preservação histórica do Memorial Bernardo Cabral e recepção dos debates globais do fórum Glocal Amazônia.
  • Inovação Tecnológica: Lançamento das competições de inovação do Rocket Amazônia e as atividades do Laboratório dos Sonhos.
  • Sustentabilidade em Foco: Painéis estratégicos do Amazônia Que Eu Quero, novas exibições do Echos da Amazônia, ampliação das ações socioambientais do Consciência Limpa, engajamento do Rede Voluntária e apoio ao esporte sustentável no XTERRA.

Acesse aqui e confira o documento completo de 2024:

Relatório Anual 2025

Comemorando a marca histórica de 40 anos de atuação, a Fundação iniciou e consolidou o ano de 2025 com o foco voltado para a “Aliança Amazônica” e a expansão de programas de impacto direto para mais de um milhão de pessoas na Região Norte.

  • Projetos Digitais de Impacto: Lançamento do projeto digital Parcerias que Transformam nas redes sociais, veiculando conteúdos mensais sobre os impactos gerados pelo trabalho colaborativo institucional.
  • Educação e Gastronomia: Lançamento de uma nova edição do projeto Rede Educa, trazendo destaque especial para a gastronomia regional, a diversidade cultural e ingredientes típicos como expressão de identidade dos povos da Amazônia.
  • Grandes Eventos Estratégicos: Realização do Carnaval Amazônico 2025, focado no resgate de blocos de rua, fortalecimento do Carnaboi e compensação de emissões de carbono, além do apoio institucional e recepção do Bioeconomy Amazon Summit 2025 em Manaus.
  • Conscientização Ambiental e de Saúde: Exibição do Rede Educa – ESG com 20 horas de programação educativa na TV, ações do Recicla Amazônia, mobilizações escolares para descarte correto de óleo de cozinha através do Consciência Limpa, além de campanhas de saúde pública contra ISTs durante os períodos festivos.

Acesse aqui e confira o documento completo de 2025:

Sobre a Fundação Rede Amazônica

A Fundação Rede Amazônica é o braço institucional do Grupo Rede Amazônica e atua na Região Norte — abrangendo os estados do Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Pará. Com uma trajetória sólida voltada à responsabilidade socioambiental, a FRAM tem como missão capacitar pessoas, articular parcerias estratégicas e desenvolver projetos e programas estruturados que contribuem de forma direta para a proteção, integração e o desenvolvimento social, econômico e ambiental de quem vive na Amazônia.