BR-319: vital à integração logística do transporte rodofluvial do Amazonas

A verdade inexorável sobre as barreiras contrárias às obras de conclusão da rodovia BR-319 tem uma só origem: o Palácio do Planalto.

Foto: Reprodução/DNIT

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Por mais que empresários, políticos, analistas ou agentes de governo tentem contestar os intransponíveis obstáculos interpostos pela ex-ministra Marina da Silva, a inimiga pública número 1 da Amazônia, pelo Ministério do Meio Ambiente, Ibama, algumas ONGs e seus tentáculos espalhados por cada canto de nosso território, a verdade inexorável sobre as barreiras contrárias às obras de conclusão da rodovia BR-319 tem uma só origem: o Palácio do Planalto.

Estranhamente, o presidente Lula da Silva, que nas eleições de 2022 ganhou em 58 dos 62 municípios, menos Manaus, atingindo 51,1% dos votos do eleitorado amazonense, jamais fez um pronunciamento aberto e contundente em defesa das obras, nem consignou recursos no Orçamento da União. Delegou à ex-ministra e suas ONGs decidir a respeito.

Acintosamente, a União, nesse período, e de forma equivocada, não considera a Amazônia prioridade nacional. O uso sustentável dos recursos da biodiversidade, o estímulo ao desenvolvimento da bioeconomia, como endossado por renomados professores e pesquisadores de nossas universidades e centros de pesquisa têm plena capacidade de tornar o Brasil uma das economias mais pujantes do planeta, gerando benefícios sociais de alto impacto aos amazônidas, ao povo que aqui vive e mantém a região território brasileiro desde sempre.

O quadro de menosprezo agravou-se de forma escalar no período pós redemocratização de 1985, quando reduziu se dramaticamente a presença de Brasília na região. Sobretudo em decorrência do esvaziamento da Sudam e da Suframa, potencializando, consequentemente, em níveis estratosféricos a prática da pirataria ambiental, do narcotráfico e da pilhagem ambiental, ao ocuparem crescentemente espaços antes de domínio da União.

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A despeito da gravidade da situação, o poder central ignora as demandas do Amazonas, que conserva 97% de suas florestas e detém 57,3% do território sob proteção de Unidades de Conservação nos níveis estadual, federal e terras Indígenas, no que se refere a intervenções desenvolvimentistas, incluindo a recuperação da BR-319. É evidente que a política de “desmatamento zero” nada tem a ver com a preservação florestal.

Funciona apenas como mídia internacional na cobertura de interesses estrangeiros aqui defendidos por poderosas organizações aparentemente sem fins lucrativos, íntimas da estrutura funcional dos órgãos nacionais de defesa ambiental. Prender rebanhos, destruir lavouras e áreas de mineração clandestinas é mais importante do que investir preventivamente no controle dessas anomalias ambientais por meio de políticas públicas dirigidas à regulação desses setores econômicos.

Enquanto isso, no Norte, como no Nordeste, o estado de pobreza toma conta das camadas mais carentes da população. O Amazonas registrou uma renda média mensal per capita (por pessoa) de R$ 1.450 (menos de 290 dólares), sendo o quinto menor do país no último ano. O estado ficou muito abaixo da média nacional de R$ 2.264 (em torno de US$450) estando à frente apenas do Pará, Alagoas, Ceará, Acre e Maranhão. Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da pesquisa PNAD Contínua (2012-2025).

Obras de pavimentação da BR-319
Foto: Reprodução/DNIT

A renda média per capita mede os rendimentos médios de indivíduos, dividindo a renda total de um grupo (estado ou país), pelo número de habitantes. No ranking nacional, o Amazonas ficou na 23ª posição. Segundo a tabela do IBGE, as maiores rendas per capita estão no Distrito Federal (R$ 4.401), São Paulo (R$ 2.862) e Rio Grande do Sul (R$ 2.772).

Vexatórios dados que opositores da conclusão das obras de recuperação da BR-319 desconhecem inteiramente, muito mais ainda os compêndios de Samuel Benchimol, Djalma Batista, Alfredo Homma propondo políticas estratégicas de desenvolvimento socioeconômico e ambiental para o estado do Amazonas e a região Norte. Ou de Bertha Becker, que, em sua obra seminal defende que “o ambientalismo excessivamente preservacionista da década de 1990 na Amazônia esgotou-se como modelo por uma dupla razão. Ao não ter conseguido barrar a expansão da agropecuária capitalizada, e porque a conscientização crescente da população amazônica, que demanda melhores condições de vida, resultou na criação de mercado de trabalho e renda sedimentada no uso sustentável do seu patrimônio natural”.

Essas mesmas forças inimigas do nosso desenvolvimento ignoram, por exemplo, projeções da WWF (World Wide Fund for Nature) dando conta de que a procura global por madeira triplicará de 3,4 bilhões para 11,3 bilhões de metros cúbicos (m³) entre 2010 e 2050. Nesse mercado o Brasil sempre teve participação mínima, como também nos ramos da mineração, do turismo ecológico, dos biocosméticos, biofármacos, da bioenergia, nanotecnologias biológicas, etc.

Certamente, autoridades do poder central desconsideram clara e manifestamente a importância do da exploração sustentável do nosso bioma para o equilíbrio ambiental e a economia internacional. Enquanto isso, a China vem ganhando de forma avassaladora importantes posições estratégicas na economia da Amazônia e do território pan-amazônico. Como diz a sabedoria milenar, o tempo não poupa quem o despreza. Portanto, ainda é hora de o Brasil acordar para essa realidade e retomar as rédeas do destino de nossa região.

Leia também: Embrapa apresenta pesquisa sobre pau-rosa a empresários amazonenses

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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