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Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo: um marco histórico em Boa Vista

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Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Foto: Reprodução/Facebook-@PMZ

“Essa igreja é a igreja mais linda que eu já vi na minha vida!”. Foi o que disse a atriz Giovanna Antonelli ao visitar a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, em Boa Vista (RR). Mas você conhece a história dessa igreja? 

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A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo é um dos principais marcos históricos de Roraima e está diretamente ligada à formação social e religiosa do vale do rio Branco.

De acordo com o historiador roraimense José Vitor Mattioni, a origem da igreja ainda gera dúvidas entre os pesquisadores. 

“Alguns apontam que foi a ordem carmelita a partir de uma capela construída no século XVIII. Mas a sua elevação como igreja e expansão começou no final do século XIX com a presença da ordem dos franciscano”, afirmou o historiador. 

Mattioni destaca que a história da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo se confunde com a história do cristianismo na região, já que foi por meio de uma missão que um grupo de frades Carmelitas chegou ao Vale do Rio Branco. “Acredita-se que em 1725 [a chegada], embora esta data seja questionada pelos historiadores. Essa missão se destinava a converter os povos indígenas da região”, explicou. 

Consolidação com os franciscanos

A estrutura da igreja começou a se consolidar apenas no século XIX, com a chegada dos franciscanos em 1856. De acordo com Mattioni, os franciscanos construíram uma capela maior para Nossa Senhora do Carmo, fazendo com que a pequena capela ganhasse o status de matriz, sendo reconhecida como Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo.

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Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Boa Vista
Foto: Reprodução/brasil-reddit

Segundo a tese de doutorado ‘Missionários, fazendeiros e índios em Roraima: A disputa pela terra, do historiador Jaci Guilherme Vieira, somente em 1892 foi fundada a Paróquia de Nossa Senhora do Carmo de Boa Vista, tendo como seu primeiro Vigário o Cônego José Henrique Félix da Cruz. 

“Este teria sido substituído pelo Padre Manuel Furtado de Figueiredo, que passou a administrar a paróquia até 1909, ano em que foi substituído pelos Monges da Ordem de São Bento, vindos do Rio de Janeiro para fundar a Prelazia do Rio Branco”, explicou o autor. 

A chegada dos beneditinos e a arquitetura única

Um dos momentos mais importantes da história da igreja aconteceu em 7 de junho de  1909, com a chegada da Ordem de São Bento ao rio Branco. Segundo Vieira, os beneditinos estabeleceram-se em Boa Vista numa casa alugada, mudando- se posteriormente para uma fazenda, da qual legalmente passaram a ser proprietários. 

“Na verdade, tratava-se de uma antiga propriedade pertencente à Irmandade de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do Rio Branco, denominada Calungá”, explicou Vieira em sua tese.

De acordo com o historiador, os primeiros sacerdotes não conseguiram permanecer por muito tempo no pequeno centro urbano de Boa Vista nem entre as populações indígenas do interior, por conta das perseguições políticas de um coronel da região e por motivos de saúde, já que muitos contraíram malária e febre amarela. 

Além da atuação religiosa, os beneditinos deixaram uma marca profunda na arquitetura da igreja. Eles introduziram um estilo conhecido localmente como germânico, inspirado nos monges alemães da Baviera.

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Foto: Reprodução/brasil-reddit

Além das transformações físicas, os beneditinos ampliaram a estrutura do templo, construindo elementos como a sacristia e o átrio. A parte considerada ‘original’ da igreja corresponde à nave, que remonta às primeiras fases da construção.

De acordo com José Vitor Mattioni, o estilo que se pode observar hoje é uma herança da ordem dos beneditinos, mas com diversas adaptações à realidade local, transformando a igreja na única construção com características germânicas na Amazônia.

Conflitos

A presença beneditina não foi tranquila. De acordo com a dissertação do Bispo Vanthuy Neto, ‘Dirigir almas e servir ao jeito de muitos: A missão dos beneditinos junto aos povos indígenas de Roraima – 1909/19481, a Igreja do Carmo esteve no centro de conflitos políticos, expulsões e perseguições religiosas que envolveram a posse da Fazenda Nossa Senhora do Carmo, patrimônio da igreja.

Vanthuy, em sua dissertação, narra que a administração e o uso da fazenda foram motivo de controvérsia, com envolvimento direto do vigário geral da prelazia, inclusive com alertas formais para as invasões e obstruções feitas por forças locais contrárias à presença da Igreja.

De acordo com Jaci Guilherme Vieira, a perseguição aos monges esteve ligada principalmente à disputa pela terra e à estrutura de poder local, marcada pelo coronelismo. Os conflitos envolveram o coronel Bento Brasil e resultaram em episódios de violência, expulsão dos religiosos e invasão de espaços ligados à igreja.

“Os missionários beneditinos enfrentaram os primeiros problemas com a incipiente elite local, mais precisamente com Bento Brasil, chefe político da região e responsável, até então, pela administração da Fazenda Calungá que, em virtude do desmembramento da Diocese do Amazonas com a criação da Prelazia do Rio Branco, passou a pertencer aos novos religiosos”, explicou Vieira. 

O bispo Vanthuy reforça que os conflitos envolvendo a fazenda da Igreja do Carmo culminaram na expulsão de missionários e ocupação de espaços religiosos por grupos ligados ao poder local. 

Reformas e influência italiana

A igreja passou por novas transformações a partir da década de 1940, com a chegada da Missão Consolata, de origem italiana. De acordo com José Vitor Mattioni, quando a Missão Consolata chegou à Roraima, a igreja sofreu reformas devido à influência italiana.

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Foto: Reprodução/brasil-reddit

Segundo Mattioni, com a presença da Missão Consolata, houve uma alteração na aparência da Igreja Matriz, com a construção de uma nova fachada, com uma possível ‘rosácea’, elemento arquitetônico ornamental muito usado em catedrais durante o período gótico.

No início dos anos 2000, uma nova reforma foi realizada para celebrar o centenário da chegada dos beneditinos, com o objetivo de resgatar o estilo original da época.

“Devemos destacar que Igreja Matriz não teve alterações apenas na sua estrutura física, enquanto bem arquitetônico, mas também na forma como os atores ligados a estas mudanças viam a sua importância social e religiosa, ou seja, enquanto bem cultural”, destacou o historiador. 

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo

Além da dimensão arquitetônica, a igreja sempre teve um papel central na vida social de Boa Vista, já que antes do crescimento urbano da cidade, os principais eventos públicos, como festas e desfiles, aconteciam em frente à matriz.

Foto: Reprodução/brasil-reddit

José Vitor Mattioni destaca outro elemento importante do patrimônio artístico da igreja: a Via Crucis, pintada pelo artista conhecido como Cardoso, que faleceu durante a pandemia de Covid-19.

Nos registros de George Huebner e da expedição de Hamilton Rice, realizados em 1903 e 1924, já era possível identificar a presença da construção no cenário local, o que reforça sua importância histórica.

Esse reconhecimento se consolidou oficialmente na década de 1990, quando a igreja foi incluída na lista de patrimônios materiais do município de Boa Vista, por meio do Projeto Raízes. 

Capacidade de recuperação da Amazônia é limitada, revela estudo do IPAM

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Vista aérea de parte da floresta na Amazônia. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Embora os impactos crescentes causados pelo fogo, secas severas, tempestades de vento, efeito de borda e eventos climáticos extremos pressionam cada vez mais a floresta amazônica, os resultados mostram que a floresta ainda demonstra capacidade de recuperação. No entanto, essa regeneração não significa um retorno completo ao estado original.

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A constatação é resultado do novo artigo conduzido por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), publicado na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences). O estudo teve início em 2004, quando pesquisadores visitaram a região sul da Amazônia, em Mato Grosso, com o objetivo de monitorar os impactos da fragmentação e degradação florestal.

Na época, modelos climáticos já indicavam que essa porção do bioma seria mais impactada por secas extremas e, consequentemente, mais suscetíveis a incêndios devido aos altos índices de desmatamento e fragmentação.

Os cientistas estabeleceram três tratamentos na Estação de Pesquisa Tanguro, um laboratório a céu aberto do IPAM e simularam diferentes regimes de incêndio para compreender como a floresta reagiria a diferentes condições de degradação: uma parcela queimada anualmente, outra queimada a cada três anos e uma área controle, sem fogo. 

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Ao contrário do que se esperava, os resultados mostraram que queimadas menos frequentes na Amazônia podem causar impactos mais severos.

“Esperávamos que o fogo anual tivesse maior efeito, mas o que observamos foi o oposto. O fogo, a cada três anos, gera maior intensidade, com chamas mais altas, porque há acúmulo de biomassa na terra, o que ultrapassa a resistência das árvores e aumenta a sua mortalidade”, explica Leandro Maracahipes, pesquisador associado do IPAM e autor principal do estudo.

Em paralelo, eventos de seca extrema registrados em 2007 e 2010 intensificaram os impactos, elevando a mortalidade das árvores em até 30%. O estudo analisou diferentes tipos de distúrbios que afetam a floresta, e em um dos eventos extremos registrados, uma tempestade de vento foi responsável por derrubar 5% das árvores na área, equivalente à mortalidade esperada ao longo de um ano inteiro.

Toda essa degradação florestal foi ainda mais intensa nas bordas da floresta. “O cenário é preocupante. O desmatamento não afeta apenas a área diretamente derrubada, mas também altera as condições da floresta ao redor, tornando-a mais vulnerável ao fogo, a tempestades de ventos e a degradação florestal. As bordas desses fragmentos são especialmente críticas, já que é ali que a maioria dos incêndios começa, quase sempre por ação humana”, relata Paulo Brando, pesquisador associado do IPAM e um dos líderes dessa pesquisa. 

amazônia - O Greenpeace Brasil realizou sobrevoo no sul do Amazonas e no norte de Rondônia para monitorar o desmatamento e queimadas em julho de 2024.
Foco de queimada registrada na Amazônia. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Recuperação da Amazônia ainda é possível?

Apesar dos impactos causados, observou-se que as florestas na Amazônia conseguem se regenerar, desde que alguns fatores como a retirada de distúrbios antropogênicos e a conservação de áreas próximas dos locais degradados estejam presentes.

Esse processo de recuperação está diretamente ligado à dispersão de sementes, que permite o repovoamento da vegetação nas áreas em recuperação. Com a proximidade de florestas conservadas, as sementes conseguem chegar a esses ambientes, principalmente, através dos animais. 

“A anta, por exemplo, ajuda a levar sementes de espécies mais resistentes, de crescimento lento, e que estocam carbono por centenas de anos para áreas em recuperação. Sem essa dispersão, o processo de regeneração fica comprometido”, destaca Maracahipes.

Leia também: Jardineira das florestas: Saiba a importância da anta, o maior mamífero terrestre da América do Sul

Esse fluxo de espécies é essencial para que a regeneração avance ao longo do tempo, especialmente com a chegada de espécies mais resistentes e de crescimento mais lento, que ajudam a restabelecer a estrutura da floresta, favorecendo o surgimento de novas plantas e a recomposição da cobertura florestal.

Cientistas alertavam que florestas severamente degradadas por múltiplos distúrbios consecutivos caminharam para o colapso, adotando “estados estáveis alternativos”, mais suscetíveis a novos eventos extremos. O temor era de que essas áreas atingissem o chamado ponto de não retorno, ou tipping point: momento em que a floresta perde sua capacidade de se regenerar e se transforma em outro tipo de ambiente, em um processo irreversível.

“Embora, as florestas degradadas apresentam um quadro mais complexo. O estudo mostra que, mesmo sob enorme pressão, nossas florestas experimentais não perderam sua capacidade fundamental de permanecer florestas. Apesar de colapsos dramáticos na biodiversidade e na complexidade estrutural, elas mantiveram a capacidade de recuperar algumas de suas características fundamentais dentro de uma década ou mais. Esse é um achado significativo e, com cautela, sim, é um motivo para otimismo”, comenta Brando. 

Os resultados reforçam que, embora a floresta amazônica ainda apresenta capacidade de regeneração, esse processo depende das condições ao seu redor. A persistência de distúrbios como o fogo e o desmatamento, aliada à perda de fauna e à fragmentação das áreas florestais, pode comprometer essa recuperação ao longo do tempo. 

Para os autores, conter a degradação e manter a conectividade entre florestas se torna essencial não apenas para garantir a regeneração, mas para evitar que esses ecossistemas se aproximem de um ponto de não retorno. “Se controlarmos os distúrbios e mantivermos as fontes de sementes e os animais dispersores, a floresta tem capacidade de se recuperar. Mas esse processo tem limites e depende diretamente das nossas ações”, finaliza Leonardo Maracahipes-Santos, pesquisador do IPAM e um dos autores do artigo. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia, escrito por Nikole Cantoara

Padre aventureiro? Pároco diverte jovens no Amapá e ganha as redes sociais

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Foto: Reprodução/ Instagram-Setor Juventude de Macapá

Um vídeo na rede social da pastoral da juventude da diocese de Macapá tem divertido a web. Nas imagens é possível ver o Padre Ezequiel Dias em momentos de descontração, em um modo “aventureiro“, com os fiéis, dando cambalhotas na água e navegando nos rios do Amapá.

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Para o padre a rotina que aparece no vídeo é desafiadora, mas muito bonita também. Ezequiel também falou sobre a importância de ir ao encontro das pessoas.

“É desafiador, mas é muito bonito também. A gente aprende a viver de forma simples, a se adaptar, a valorizar as pequenas coisas. Tem esse lado mais ‘aventura’, mas no fundo é missão mesmo, é ir ao encontro das pessoas, estar com elas, viver de perto a realidade. Isso marca muito a gente”, disse Ezequiel.

Ezequiel é nascido em Afuá, interior do Pará, e veio para Macapá em 2001. O pároco está desde 2025 a frente da juventude da diocese de Macapá, mas, segundo o padre ele já caminhava com os jovens na época do seminário.

“Eu já caminhava com os jovens desde o tempo do seminário, sempre ajudando no que podia. Mas, na diocese mesmo, como padre responsável, fui assumindo um pouco mais de um ano”, disse o Padre.

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Padre ezequiel no amapá
Foto: Reprodução/ Instagram-Setor Juventude de Macapá

Antes de ser padre

Ezequiel Dias chegou a cursar Engenharia de produção na Universidade do Estado do Amapá (Ueap), mas descobriu a vocação e seguiu no seminário.

“Foi um caminho bem vivido e alegre. E também não foi de uma hora pra outra. Teve muitas orações e decisões, mas também muita certeza no coração. O seminário foi essencial, me ajudou a crescer como pessoa em todas as áreas: humanas, psíquica, intelectual e principalmente espiritual”, disse Ezequiel.

*Por Luan Coutinho, da Rede Amazônica AP

Energia elétrica: estudos recomendam aplicação de tarifa social e formação de agentes locais em comunidades tradicionais

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Foto: Tauan Alencar/ MME

Duas publicações inéditas lançadas pela Rede Energia & Comunidades evidenciam os desafios e as oportunidades para a universalização do acesso à energia elétrica em territórios tradicionais do Brasil. As publicações foram apresentadas no dia 30 de março, no 1º Seminário Energias da Floresta – Inovação e Sustentabilidade Energética, evento transmitido on-line pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em Brasília.

Os relatórios ‘Contribuições para o aperfeiçoamento do programa Luz para Todos em territórios tradicionais‘ e ‘Contribuições para o aperfeiçoamento do programa Luz para Todos em territórios extrativistas dos maretórios‘ analisam, respectivamente, a realidade de territórios indígenas e quilombolas na Amazônia e de comunidades extrativistas no litoral sul da Bahia.

O primeiro teve coordenação técnica do Instituto Energia e Meio Ambiente (IEMA) e o segundo foi conduzido também pelo WWF Brasil, ambos integrantes da Rede Energia & Comunidades, este com apoio da Associação Mãe dos Extrativistas da Reserva Extrativista de Canavieiras (AMEX).

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Os dois estudos apresentam um conjunto abrangente de recomendações para aprimorar o programa Luz para Todos e garantir acesso qualificado à energia elétrica.

Amazônia: desafios estruturais no acesso à energia elétrica

O primeiro relatório apresenta recomendações para ampliar o acesso à energia elétrica pública de qualidade em territórios indígenas do Xingu (MT) e em comunidades quilombolas de Abaetetuba (PA). O trabalho foi realizado entre março e agosto de 2025, com foco em 12 povos do Território Indígena do Xingu e nos territórios quilombolas de Bom Remédio e Ramal do Piratuba, ambos no Pará.

Os encontros de monitoramento e de avaliação reuniram representantes de instituições como o Ministério de Minas e Energia (MME), a Aneel, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério do Desenvolvimento Social e o Ministério da Igualdade Racial, além de lideranças comunitárias.

Leia também: Projeto levará energia elétrica limpa a aldeia Kaxinawá

Entre os principais problemas identificados estão falhas na implantação dos sistemas elétricos, ausência de diálogo com as comunidades e inadequações técnicas. No Xingu, por exemplo, sistemas foram instalados com tensão de 127 V, incompatível com os equipamentos locais, historicamente adaptados para 220 V, gerando riscos e prejuízos às famílias.

comunidade tradicional em santana do arari, no pará - foto: IEMA - energia elétrica
Foto: Reprodução/IEMA

Bahia: acesso desigual e impactos socioeconômicos

O segundo documento analisou a situação de cerca de 2.600 famílias na Reserva Extrativista Marinha de Canavieiras, que abrange mais de 100 mil hectares. A pesquisa de campo, realizada em novembro de 2025, contou com a participação de representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do MME e da Aneel.

O levantamento identificou três situações principais: comunidades sem acesso à energia elétrica, comunidades com acesso precário e instável e famílias que utilizam sistemas fotovoltaicos de baixa capacidade, suficientes apenas para iluminação básica.

A falta de energia impacta diretamente a renda e a segurança alimentar. Sem refrigeração adequada, por exemplo, pescadores dependem de gelo para conservar produtos, elevando custos e reduzindo o valor de venda. Em muitos casos, a precariedade do serviço tem levado moradores a migrar para centros urbanos.

Avanços identificados

Apesar dos desafios, os estudos também apontam melhorias. Em comunidades como Campinhos, o programa Luz do Povo garante gratuidade total da conta de energia para famílias com consumo de até 80 kWh por mês, com isenção de tarifas e tributos.

Outro destaque foi a realização do primeiro teste do aplicativo do programa Luz para Todos, desenvolvido pelo Ministério de Gestão e Inovação (MGI) e MME, para identificação de residências sem acesso à energia elétrica. Ele apresentou funcionamento pleno mesmo em áreas sem internet, demonstrando potencial para aprimorar o monitoramento das políticas públicas. Este aplicativo deverá ser lançado ainda neste semestre pelo governo federal.

Os estudos reforçam que o acesso à energia elétrica deve ser tratado como um direito fundamental e condição essencial para a dignidade, a segurança alimentar e hídrica e o desenvolvimento sustentável.

Ao evidenciar desafios persistentes, como acesso desigual, baixa qualidade do serviço e limitações institucionais, e apontar caminhos concretos, as publicações contribuem para o aprimoramento das políticas públicas e para a construção de soluções mais justas e eficazes para os povos e comunidades tradicionais do Brasil.

Os diagnósticos produzidos contribuíram para o  desenho inicial do Sandbox Regulatório Projeto Energias da Floresta, iniciativa da Aneel em cooperação com o IEMA e outras organizações,  voltada a testar soluções inovadoras para ampliar e qualificar o acesso à energia em territórios remotos e tradicionais. Esse projeto busca desenvolver modelos técnicos, regulatórios e de gestão mais adequados às realidades locais, a partir das demandas das próprias comunidades.

Entre as principais medidas estão:

  • ampliação da Tarifa Social de Energia Elétrica, com a regularização do CadÚnico;
  • inclusão das comunidades em cronogramas públicos de atendimento;
  • implantação de sistemas fotovoltaicos mais robustos, com baterias de maior capacidade;
  • fortalecimento da rede elétrica existente e a regularização de ligações precárias;
  • formação de agentes comunitários de energia;
  • criação de mecanismos de compensação socioambiental;
  • integração com políticas de saúde, educação, saneamento, conectividade e inclusão produtiva;
  • fortalecimento da fiscalização do serviço prestado pelas distribuidoras;
  • ampliação da participação social, com garantia de consulta prévia, livre e informada.

*Com informações do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA)

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: por que existe essa divisão entre os dois estados? 

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Imagem gerada por IA

Os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul anos atrás eram um só território. Conflitos sociais e políticos dos habitantes da região norte e sul do estado perduraram por mais de cem anos e resultaram em sua divisão. 

Mato Grosso era um estado que tinha sua extensão territorial vasta como um problema entre as regiões norte e sul. As duas regiões do estado receberam influências distintas na sua colonização e isso começou a gerar conflitos de interesse. Por isso, suas ideologias, conduções políticas e até mesmo distâncias físicas eram fatores que as diferenciavam. 

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Assim, a necessidade geográfica de divisão foi enfatizada para que houvesse desenvolvimento de áreas subutilizadas, para assegurar a segurança nacional e melhorar o equilíbrio político à época. Logo, em 11 de outubro de 1977, foi assinado o decreto de divisão territorial pelo então Presidente-General Ernesto Geisel.

“Foi preocupação do meu governo abri o caminho no sentido de uma melhor divisão territorial do país. Considero isso uma necessidade. Necessidade decorrente, em primeiro lugar, da disposição geográfica, decorrente também do desenvolvimento do país e sobretudo da ocupação, da utilização de novas áreas que até agora jazem apenas em estado potencial. Mas decorrente igualmente de uma necessidade de ordem política, tendo em vista um melhor equilíbrio da federação nos dias de amanhã. Mato Grosso do Sul com vocação extraordinária para o desenvolvimento agropecuário e agroindustrial e dos efeitos dinamizadores propiciados pela vizinhança com os estados do Paraná e de São Paulo”, declarou Geisel em seu discurso durante a assinatura da emancipação político-administrativa.

Visão aérea do Parque das Nações Indígenas em campo grande no mato grosso do sul
Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Foto: Divulgação/Governo do Mato Grosso do Sul

Com a divisão, a capital do Mato Grosso continuou Cuiabá e a nova federação Mato Grosso do Sul teve sua capital definida como Campo Grande.

A data ficou marcada na história e os dois estados continuam comemorando a independência de ambos, celebrando como feriado.

Cuiabá, mato grosso
Cuiabá, capital de Mato Grosso. Foto: Reprodução/Agência Sebrae

E por que Mato Grosso faz parte da Amazônia Legal?

Em 1953, através da Lei 1.806, de 06.01.1953,(criação da SPVEA), foram incorporados à Amazônia Brasileira, o Estado do Maranhão (oeste do meridiano 44º), o Estado de Goiás (norte do paralelo 13º de latitude sul atualmente Estado de Tocantins) e Mato Grosso (norte do paralelo 16º latitude Sul).

Leia também: Entenda a diferença entre Amazônia Legal, Internacional e Região Norte

Por conta disso, a Amazônia Brasileira passou a ser chamada de Amazônia Legal, fruto de um conceito político para planejar e promover o desenvolvimento da área nacional que abriga o bioma amazônico.

*Com informações de Associação Nacional de História (ANPUH) e da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam)

Saúde pública: médica orienta sobre automedicação e a importância do atendimento

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Foto: Daiane Mendonça/Sesau-Rondônia

Diante dos riscos que a automedicação, prática comum na busca por alívio imediato, podem causar à saúde, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) de Rondônia faz um alerta à população. O uso de medicamentos sem orientação profissional pode mascarar doenças, atrasar diagnósticos e agravar quadros clínicos.

De acordo com a médica Bruna Angelis, da Policlínica Oswaldo Cruz (POC), ao tentar resolver um problema de forma imediata, o paciente pode acabar escondendo sinais importantes de uma doença. 

“Quando a pessoa utiliza medicação por conta própria, principalmente analgésicos, ela pode encobrir sintomas de algo mais grave. Isso pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento adequado”, explicou.

A médica destacou ainda que medicamentos usados para aliviar sintomas comuns podem ocultar sinais de doenças que precisam de investigação médica. Além disso, a automedicação pode representar riscos quando há interação com outros medicamentos, especialmente em pacientes que fazem tratamento contínuo.

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Outro ponto de atenção são as dosagens. Segundo a especialista, elas são específicas para cada paciente e exigem ainda mais cuidado em casos com crianças e gestantes. “Cada organismo reage de uma forma. A dose que pode ser adequada para um adulto, por exemplo, pode ser perigosa para uma criança ou para uma gestante”, ressaltou.

Leia também: Rondônia reforça prevenção à Doença de Chagas com ações de orientação

saúde rondônia
Foto: Leandro Morais/Acervo Prefeitura de Porto Velho

Saúde é prioridade

Por isso, ao se deparar com sintomas persistentes ou dores intensas, a orientação é procurar atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Já para investigação de doenças e acompanhamento médico, o recomendado é buscar uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

O titular da Sesau, Edilton Oliveira, frisou que a recomendação é não utilizar medicamentos sem prescrição e procurar sempre avaliação médica. “Estamos trabalhando para fortalecer a rede do Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo acesso e atendimento seguros, orientação adequada e cuidado contínuo junto à população”.

*Texto de Daiane Brito, da assessoria da Secretaria de Estado de Saúde de Rondônia

Conheça a Terra Indígena Capoto-Jarina, lar do cacique Raoni

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

A Terra Indígena Capoto-Jarina, no Mato Grosso, é um território tradicionalmente ocupado pelo povo Kayapó, também conhecido como Mebêngôkre. Dentro dessa terra indígena fica a aldeia Piaraçu, onde vive o cacique Raoni Metuktire, uma das lideranças indígenas mais conhecidas do Brasil e com reconhecimento internacional.

A área possui mais de 630 mil hectares de extensão e abriga diversas aldeias que mantêm a cultura e os costumes do povo Kayapó. E, além dos Kayapó, também vivem na região grupos Tapayuna, que compartilham práticas culturais semelhantes e convivem de forma integrada.

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A demarcação oficial da Terra Indígena Capoto-Jarina ocorreu em 1984, após um longo processo de reconhecimento pelo governo federal. Desde então, o território é considerado um dos mais preservados da Amazônia Legal, com baixos índices de desmatamento e forte controle comunitário sobre as atividades internas.

Atualmente, segundo dados do instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que cerca de 1.600 indígenas vivam nas aldeias da TI Capoto-Jarina. A população local mantém uma organização social estruturada e segue tradições que envolvem rituais, danças, artesanato e um modo de vida voltado à sustentabilidade e à convivência harmônica com a floresta.

Leia também: Cacique Raoni: honrarias e homenagens que já foram cedidas ao líder indígena

Preservação ambiental e ameaças

Caciquei Raoni é o líder da Terra Indígena Capoto-Jarina. Foto: Divulgação/ Instituto Raoni

A Terra Indígena Capoto-Jarina é uma das áreas mais preservadas da Amazônia brasileira. Dados recentes indicam que menos de 0,2% de sua cobertura florestal foi perdida entre 2008 e 2024, resultado de ações contínuas de vigilância e do uso sustentável dos recursos naturais. O território é considerado um exemplo de como a presença indígena contribui para a conservação ambiental.

Apesar do cenário de preservação da Terra Indígena Capoto-Jarina, a região enfrenta ameaças recorrentes, principalmente de incêndios florestais. Em 2024, grandes focos de fogo atingiram parte da terra indígena, destruindo roças, áreas de coleta de plantas medicinais e afetando a fauna local. Os incêndios foram combatidos por brigadistas indígenas com o apoio de instituições ambientais.

Leia também: Terras Indígenas são as áreas mais preservadas do Brasil, aponta estudo

Segundo o cacique Raoni, outra preocupação da TI é sobre as invasões de garimpeiros e madeireiros ilegais, que já tentaram se instalar na região em anos anteriores.

O cacique Raoni e outras lideranças reforçam constantemente a necessidade de proteger o território e de impedir qualquer tipo de exploração não autorizada. Patrulhas comunitárias percorrem as áreas de floresta e rios para monitorar possíveis invasões.

O trabalho de conscientização junto aos jovens Kayapó também tem sido fundamental para garantir a continuidade da proteção territorial. As novas gerações são instruídas sobre a importância da terra, da cultura e das práticas de autossutentabilidade que mantêm a comunidade viva.

Vida comunitária e autogestão indígena

Dentro da Terra Indígena Capoto-Jarina, as aldeias são organizadas de forma coletiva. As casas, geralmente feitas de madeira e palha, são dispostas em torno de uma grande praça central, onde ocorrem reuniões e celebrações. A língua Kayapó é amplamente utilizada, embora muitos também falem português para se comunicar com instituições externas.

A vida comunitária envolve o cultivo de alimentos como mandioca, milho, banana e batata-doce, além da caça e da pesca, que seguem regras tradicionais de equilíbrio com a natureza. As decisões sobre o uso dos recursos naturais são tomadas em conjunto, com a participação das lideranças e dos anciãos.

O Instituto Raoni, fundado por lideranças indígenas, tem papel importante na execução de projetos voltados à proteção do território, ao etnomapeamento e à valorização do conhecimento tradicional. O instituto também atua em campanhas contra o desmatamento e pela defesa dos direitos indígenas em todo o país.

Relações com o Estado e reconhecimento público

Durante períodos de crise, como os incêndios recentes, a comunidade na TI realiza ações coordenadas com órgãos ambientais e outras instituições de apoio. Brigadas indígenas e grupos de monitoramento garantem a resposta rápida e o controle do fogo em áreas de risco.

O cacique Raoni Metuktire, com idade próxima aos 90 anos, é seu principal representante, reconhecido mundialmente como símbolo da luta pela preservação da Amazônia e pelos direitos dos povos indígenas e tem participado de conferências internacionais, encontros com autoridades e campanhas em defesa do meio ambiente, incentivando as comunidades indígenas.

Em 2025, o cacique recebeu a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Aldeia Piaraçu, dentro da Terra Indígena Capoto-Jarina. Durante o encontro, lideranças indígenas discutiram temas como demarcação de terras, proteção ambiental e políticas de fortalecimento da cultura indígena.

O cacique Raoni também já recebeu diversas homenagens e condecorações por sua atuação, além de ser referência em pautas relacionadas ao combate ao garimpo ilegal, à defesa das florestas e à autonomia dos povos originários. Sua trajetória é marcada pelo diálogo com diferentes setores da sociedade, mantendo-se sempre como defensor da integridade do território indígena.

Novo imortal: escritor amazonense Milton Hatoum toma posse na Academia Brasileira de Letras

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Milton Hatoum proferiu discurso durante a posse na ABL. Foto: Reprodução/Youtube-Academia Brasileira de Letras

O escritor amazonense Milton Hatoum é o primeiro do estado a se tornar imortal‘ na Academia Brasileira de Letras (ABL). Vencedor de três prêmios Jabuti, Hatoum assumiu a cadeira 6, sucedendo o jornalista Cícero Sandroni, em uma cerimônia realizada nesta sexta-feira (24), no Rio de Janeiro (RJ).

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O jornalista Cícero Sandroni morreu em junho do ano passado e Milton Hatoum foi anunciado como seu sucessor em agosto. Ele é o primeiro amazonense a tomar posse do título na ABL.

Em seu discurso, Hatoum lembrou a obra de Sandroni e de antigos ocupantes da cadeira que passa a representar. O discurso de recepção foi feito pela acadêmica Ana Maria Machado. Assista a cerimônia:

Milton Hatoum, o imortal amazonense

Entre os nove livros de ficção de sua autoria, os romances ‘Relato de um certo Oriente’, ‘Dois irmãos’ e ‘Cinzas do Norte’, vencedores do Prêmio Jabuti, são destaques e referência entre o público. ‘Dois irmãos’ é uma das obras que ganharam versões em quadrinhos e televisivas. Em 2025, o autor amazonense encerrou a sua mais recente trilogia, ‘O lugar mais sombrio’.

Leia também: Milton Hatoum: dez livros essenciais do escritor amazonense que transformou Manaus em literatura universal

Hatoum também é escritor de coletâneas de contos e crônicas e tem mais de 500 mil exemplares vendidos em 17 países.

milton hatoum recebe titulo de imortal na academia brasileira de letras
Foto: Reprodução/Youtube-Academia Brasileira de Letras

Não vivemos apenas no real, vivemos também no imaginário, nos sonhos, na literatura, nas artes, no teatro, essa arte viva. Na experiência mística. Vivemos também no devaneio. A humanidade não pode suportar tanta realidade como diz o famoso poema de Eliot. Um dos meus devaneios é imaginar um punhado de leitores anotando os mesmos trechos de um livro”, destacou Hatoum em seu discurso.

Entre os passos da celebração de posse, ele recebeu a medalha simbólica entregue aos novos membros da acadêmica Rosiska Darcy; o diploma foi entregue pela acadêmica Lilia Moritz Schwarcz; e a espada foi entregue por Arnaldo Niskier.

A comissão de entrada foi formada pelos acadêmicos Antonio Carlos Secchin, Domício Proença Filho e Eduardo Giannetti. Já a comissão de saída foi formada pelos acadêmicos Arno Wehling, Ana Maria Gonçalves e Gilberto Gil.

Documentário revela trajetória histórica de Bernardo Cabral e sua colaboração ao país

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Foto: Divulgação

Gravado em quatro cidades brasileiras (Manaus, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo), o documentário Bernardo Cabral, a palavra em ação‘ pretende dar amplitude de maneira prazerosa e instigante à vida e obra do amazonense Bernardo Cabral.

Feito ao longo de 2025, o documentário tem duração de 1h15m e foi produzido e dirigido por Alexandre Pina. Teve o incentivo da Lei do ICMS do Rio de Janeiro, com patrocínio institucional de Siqueira Castro Advogados, Nabor Bulhões Advocacia, CFOAB, Fecomercio e Rede Amazônica, além do apoio institucional da OAB-RJ.

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Foto: Divulgação

“O conceito de documentário clássico, cai como luva na obra de Bernardo Cabral. Deixar que o personagem em toda sua sofisticação intelectual e bom humor conduza é o fio que liga os arcos da história. A câmera é mera coadjuvante que segue de perto e se afasta para mostrar com detalhes e contextualizar os momentos em que o país pode se servir de um grande politico devoto da democracia. Com imagens de acervo para dar concretude aos depoimentos, a pesquisa torna-se uma grande força nesse filme sobre o mais importante ator ao lado de Ulysses Guimarães do processo de redemocratização do país”, descreve a produção do filme.

Conservar a contribuição de Bernardo Cabral

O objetivo do documentário é levar às próximas gerações uma história contemporânea e conservar as contribuições de Bernardo Cabral ao país. A direção conta com a sensibilidade de Alexandre Pena, documentarista brasileiro que começou a trabalhar com filmes em produção de biografias como ‘Barão de Mauá’ e ‘Guerra de Canudos’.

Alexandre estudou jornalismo no Rio de Janeiro e fez mestrado na Universidade Federal Fluminense. Já trabalhou em diversos emissoras e produtoras nacionais e internacionais com filmagem e direção de documentários. Implementou a TV Escola, TV Show Turca e fez produção para a TV Globo.

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Nos últimos oito anos dirigiu quatro documentários: ‘Rio de Malta’, sobre o fotógrafo de Pereira Passos, Augusto Malta; outro sobre Aiçor César Nunes e seu cinejornal Revista da Tela; um sobre acervos culturais no Brasil; e por último um filme sobre a participação dos advogados no processo constituinte de 1988.

O documentário terá uma sessão para convidados na Cinemateca do MAM no dia 6 de maio, às 18h, com a presença de Bernardo Cabral; do presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti; do ex-presidente do Conselho Federal da OAB, Felipe Santa Cruz; entre outros.

Quem é Bernardo Cabral?

José Bernardo Cabral nasceu em 27 de março de 1932, em Manaus (AM), onde transcorreu sua formação familiar e educacional, inclusive sua graduação em ciências jurídicas (1954). Graduou-se, também, em ciências contábeis (1950) e psicologia e serviço social (1958).

Foi delegado de Polícia em Manaus (1955) e promotor de Justiça em Itacoatiara (1955-56), também no Amazonas, onde ainda foi chefe do Departamento de Assistência e Previdência Social (1956) e procurador fazendário (1961).

Sua carreira política também se iniciou no Amazonas como secretário de Segurança Pública (1957), secretário de Interior e Justiça (1958 a 1959), chefe da Casa Civil (1959 a 1960) e, posteriormente, deputado estadual (1962 a 1966).

Eleito deputado federal em 1967, pelo estado em que nasceu, perfilou-se na oposição ao regime autoritário e ao movimento político-militar de 1964 (criticando a escalada de medidas governamentais correspondentes) até sua cassação em 1969, como parlamentar, e banimento como cidadão, baseados no Ato Institucional nº 5 de 1968 (editado pelo governo militar), pelo prazo de 10 anos. Nunca foi anistiado pelo regime.

Advogado militante, antes e depois de seu banimento político pelo autoritarismo militar em 1969, teve intenso ativismo social no interior da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da qual foi secretário-geral no período de 1979 a 1981 e seu presidente durante o período de 1981 a 1983, enquanto a entidade se tornava uma das principais lideranças da sociedade civil brasileira na resistência democrática e foi alvo de ataques terroristas contrários à distensão política entre o regime autoritário e seus opositores em curso.

Leia também: Senador José Bernardo Cabral: itinerário de vida exemplar

Documentário revela trajetória histórica de Bernardo Cabral e sua colaboração ao país
Foto: Divulgação

Decorrido o prazo temporal (de 10 anos) do ostracismo político-proibitivo de direitos políticos e de todos os demais direitos correlatos imposto pelo regime autoritário, Bernardo Cabral se candidatou a deputado federal para as eleições legislativas que formariam a Assembleia Nacional Constituinte incumbida de escrever uma nova Constituição brasileira. Foi eleito pelo estado do Amazonas em 1986.

Na Assembleia Nacional Constituinte que funcionou de 1987 a 1988, foi eleito, por meio de disputa interna, à bancada parlamentar do PMDB, relator da Comissão (intitulada de Sistematização) onde convergiam as diversas propostas que tramitavam para a futura Constituição do país.

Posteriormente, com a intensificação das polarizações ideológicas e políticas na Assembleia Constituinte, tornou-se seu relator geral e, consequentemente, parecerista de todos os temas dos debates e articulador em todas as polêmicas relevantes do processo de elaboração da nova Magna Carta. Após a primeira sucessão presidencial democrática (e com voto direto pela população), com o fim do regime autoritário e a promulgação da Constituição de 1988, foi nomeado ministro da Justiça do governo de Fernando Collor de Mello (eleito em 1989). Esteve à frente do Ministério da Justiça por sete meses, abando-o em outubro de 1990.

Em 1994, tornou-se senador da República pelo estado do Amazonas, exercendo o mandato pelo Partido da Frente Liberal (PFL), cujo diretório amazonense presidiu. Encerrando-o em 2002, foi marcado pela articulação e relatoria de reformas constitucionais no campo do Poder Judiciário e correlatos (incluindo a criação do Conselho Nacional de Justiça).

Dentre dezenas de títulos e outras distinções que lhe foram outorgados, é Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-RIO) em 2005, pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em 2009, pela Academia Brasileira de Filosofia em 2010 e é membro da Academia Brasileira de Direito e Economia, desde 2012.

É autor de dezenas de livros, especialmente sobre a região amazônica e legislação sobre recursos hídricos do país, além de centenas de pareceres jurídicos em revistas especializadas. Pela Assembleia Nacional Constituinte, que elaborou a Magna Carta de 1988, publicou ‘Poder Constituinte: fonte legítima – soberania liberdade’.

Bernardo Cabral exerce a advocacia, ininterruptamente, desde 1969, no estado do Rio de Janeiro (ano e local onde se encontrava quando cassado pelo regime autoritário, o que lhe impôs, à época, restrições de mobilidade), e a consultoria da Presidência da Confederação Nacional do Comércio, desde 2003.

NN Logística 2026 supera expectativas, movimenta R$ 520 milhões e consolida Manaus como hub da indústria fluvial

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NN Logística tem nova edição anunciada para abril de 2027. Foto: Divulgação/IP Focos Media

Manaus (AM) encerrou a edição 2026 da NN Logística consolidando-se como o principal polo de articulação da indústria fluvial na América Latina. Realizado no Centro de Convenções Vasco Vasques, o evento reuniu mais de 9 mil visitantes e gerou cerca de R$ 520 milhões em acordos comerciais, segundo os organizadores.

Mais do que números expressivos, a feira se destacou por reunir atores de todas as esferas — governo federal, agências reguladoras, operadores logísticos, indústria naval, estaleiros, multinacionais, estudantes, universidades e entidades setoriais — em torno de uma agenda estratégica para o futuro da navegação interior e da infraestrutura logística brasileira.

Leia também: Feira NN Logística 2026 evidencia Manaus no centro da indústria fluvial na América Latina

Para o organizador da Feira, David Semeghini, o resultado reflete a maturidade do setor e o papel crescente da região Norte no cenário nacional.

“O evento superou todas as expectativas, tanto em visitantes quanto em geração de negócios. Tivemos grandes debates, conexões relevantes e mais de R$ 520 milhões em vendas. Manaus é o coração do Arco Norte, e a tendência é crescer cada vez mais, trazendo tecnologia e empresas para a região”, afirma.

A próxima edição ocorrerá em abril de 2027, novamente em Manaus, com expectativa de expansão.

NN Logística 2026 supera expectativas, movimenta R$ 520 milhões e consolida Manaus como hub da indústria fluvial
Foto: Divulgação/IP Focos Media

Avanços concretos e consenso do setor

No campo institucional e estratégico, os Diálogos Hidroviáveis que trouxeram à Manaus autoridades e especialistas no setor, apontaram consensos importantes para o desenvolvimento da logística nacional, especialmente no eixo hidroviário.

Segundo o presidente da Agência de Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação (ADECON), Adalberto Tokarski, o evento consolidou diretrizes claras para o setor.

“O principal consenso é a necessidade de políticas públicas mais estruturadas, com maior participação da iniciativa privada e comunicação mais próxima com a sociedade. A concessão de hidrovias é essencial para garantir navegação segura durante 365 dias por ano e 24 horas por dia, reduzindo custos logísticos”.

Tokarski também destacou o avanço da indústria naval, impulsionado por investimentos do Fundo da Marinha Mercante:

“Foram aprovados R$ 80 bilhões, com cerca de R$ 16 bilhões já aplicados, o que representa um crescimento superior a 1.000% em relação ao período anterior. No Amazonas, estaleiros ampliaram em mais de 300% sua força de trabalho qualificada”.

O presidente da ADECON também destacou a evolução de projetos estruturantes, como outro ponto relevante dos Diálogos Hidroviáveis, temário da NN Logística 2026.

“O DNIT já possui projetos e recursos para dragagem nas principais hidrovias da Amazônia. Além disso, o terminal da Manaus Moderna avança, com perspectiva de concessão à iniciativa privada, o que é fundamental para atender a população e melhorar a logística local”.

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Foto: Divulgação/IP Focos Media

Indústria aquecida e crescimento dos estaleiros

O aquecimento da demanda por embarcações também foi destacado como fator determinante para o sucesso da feira.

“O aumento das encomendas de embarcações fluviais tem sido decisivo. O nível de ociosidade dos estaleiros nunca foi tão baixo, o que demonstra a força e o momento positivo da indústria naval na região”, avalia a diretora da NN Logística, Rosângela Vieira.

Expansão da NN Logística e protagonismo do setor

A evolução da NN Logística acompanha o crescimento do próprio setor. De acordo com o diretor, Marcos Godoy Perez, a edição 2026 marcou um salto relevante.

“A feira cresceu consistentemente desde a primeira edição, mas este ano avançou de forma significativa, com ampliação de 30% da área de exposição. Recebemos mais de 9 mil visitantes e geramos R$ 520 milhões em negócios. Isso comprova a robustez da indústria naval fluvial da região Norte”.

Ele também projeta expansão para os próximos anos: “Para 2027, esperamos alcançar uma nova marca. Já temos renovações de contrato, pedidos de ampliação de estandes e interesse de empresas que hoje participam como visitantes”.

A NN Logística é hoje a principal plataforma de negócios e debates da indústria fluvial na América Latina.

“Ao reunir investimento, inovação, política pública e articulação institucional em um único ambiente, a feira reforça o protagonismo da Amazônia no futuro da logística brasileira e projeta Manaus como um dos principais hubs do setor no continente. Com nova edição já confirmada para 2027, o evento avança para um novo ciclo de crescimento, ampliando sua relevância nacional e internacional”, aposta David Semeghini.