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CUFA Amazonas oferece serviços gratuitos de saúde, esporte e cultura em Manaus

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Oficina de maracatu é um dos serviços oferecidos pela CUFA Amazonas. Foto: Divulgação

A CUFA Amazonas está com programação gratuita nas áreas de saúde, esporte e cultura, ampliando o acesso da população a serviços essenciais. As ações fortalecem vínculos comunitários, promovem qualidade de vida e reafirmam o compromisso da instituição com a transformação das periferias por meio de iniciativas permanentes e acessíveis.

O atendimento fisioterapêutico é realizado de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h, na sede da instituição, mediante agendamento prévio. O serviço é destinado a pessoas que necessitam de reabilitação, alívio de dores musculares, recuperação de lesões ou melhoria da mobilidade, promovendo mais qualidade de vida.

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“Nosso propósito é garantir que serviços fundamentais cheguem a quem mais precisa. A fisioterapia gratuita é mais uma ação concreta de cuidado com a nossa comunidade”, destaca Fabiana Carioca, vice-presidente da instituição.

IV Marcha das Mulheres Indígenas CUFA AM
CUFA Amazonas. Foto: Divulgação/CUFA

O esporte também faz parte da programação semanal. O treino de parajiu-jitsu acontece às terças-feiras, das 19h às 20h, na Av. Joaquim Nabuco, 2274 – Centro (esquina com a Rua Japurá, entrada pela Rua Japurá). Os atendimentos podem ser feitos pelo telefone (92) 99310-1558.

CUFA Amazonas e atividades

A atividade é gratuita e voltada especialmente para pessoas com deficiência (PcDs), contemplando o público juvenil e adulto. A modalidade é adaptada, respeitando as necessidades e potencialidades de cada participante, promovendo inclusão, fortalecimento físico, autonomia e integração social por meio do esporte.

A cultura ganha espaço aos sábados, às 17h, com a Oficina de Maracatu – O Baque das Ondas do Mar, realizada na sede da CUFA/AM, na Av. Joaquim Nabuco, 2224 – Centro. A atividade promove ritmo, ancestralidade e valorização da cultura afro-brasileira, com acesso gratuito. O atendimento aos interessados na oficina pode ser feito pelo telefone (92) 99208-2550.

Pesquisas da Amazônia paraense chegam à Inglaterra em intercâmbio do Museu Goeldi

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Grupo de pesquisadores e estudantes em simpósio da Universidade de Birmingham. Foto: Divulgação/UoB

Estudantes e pesquisadores da Amazônia paraense participaram, neste mês de março, do Decolonising Climate Change Symposium, na Universidade de Birmingham (UoB), na Inglaterra. Foi a segunda etapa do intercâmbio multidisciplinar financiado pelo projeto “Descolonizando as mudanças climáticas: produção colaborativa de conhecimento através das diferenças entre Norte-Sul globais”, que analisa os impactos do clima na Amazônia sob uma perspectiva local e global.

A iniciativa é coordenada pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), instituição científica localizada em Belém-PA e vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e pela UoB.

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O Museu esteve representado pela coordenadora de Comunicação e Extensão (Cocex/MPEG), Sue Costa, que também é coordenadora do projeto, juntamente com a professora Emanuelle Santos, da Universidade de Birmingham.

Também participaram do evento o diretor-presidente da Fapespa, Marcel Botelho; os pesquisadores do MPEG Erêndira Oliveira, arqueóloga; Tatyana Mariucha, chefe da Estação Científica do MPEG; e Pedro Glécio Costa Lima, bolsista. Além deles, também estiveram envolvidos nas discussões estudantes e representantes da Universidade Estadual do Pará (Uepa) e de outras instituições de pesquisa do Brasil.

Foto: Divulgação/UoB

Durante o simpósio, que aconteceu entre os dias 2 e 6 de março, dentro da programação do The Brazilian Carnival, Sue Costa falou sobre as exposições do Museu Goeldi, com destaque para a Ahetxiê, que está em cartaz no Aquário Jacques Huber, no Parque Zoobotânico do MPEG. Ela explicou que a integração entre a ciência, a arte e a cultura indígena foi fundamental para a apresentação ao público de uma espécie de peixe em extinção, o peixe-espada ou espadarte. 

Ela também apresentou outras pesquisas do MPEG e os resultados da primeira etapa do projeto em colaboração com a Universidade de Birmingham, “Imersão Amazônia – desafios Globais”, que foi realizado em julho do ano passado, reunindo estudantes de cinco instituições (UoB, IFPA, Uepa, UFPA e Ufra), nas bases do Museu localizadas em Belém e na Floresta Nacional de Caxiuanã. 

Além dessa participação no simpósio, a coordenadora do projeto, Sue Costa, também ministrou, no último dia 12, a palestra “Descolonizando o encantamento: ciência e arte no Museu Goeldi, Amazônia brasileira”, em um seminário coordenado pela professora Emanuelle Santos, da UoB. 

“Apresentamos a estudantes e a outros pesquisadores como a ciência e a arte interagem nas exposições do Museu Goeldi, que detém um dos maiores acervos científicos e culturais da Amazônia brasileira. Enquanto a ciência fornece métodos rigorosos para investigar e para preservar a biodiversidade e as culturas, a arte amplia a percepção e incorpora a sensibilidade ao diálogo com o público. Juntas, elas transformam dados em narrativas e conhecimento em experiências significativas”, relatou Sue Costa. 

Leia também: Museu Goeldi estreia no Google Arts & Culture com exposição virtual do Parque Zoobotânico

Da arqueologia à etnobotânica

A arqueóloga Erêndira Oliveira falou sobre a importância das pesquisas arqueológicas para a compreensão da ocupação da Amazônia, não só no passado, mas também como afirmação para o presente no reconhecimento da longa permanência dos povos nos territórios amazônicos. 

Tatyana Mariucha apresentou a relação com a comunidade e mostrou como cosmologias diversas são importantes para os processos de reintegração e de conservação de espécies de peixes-boi na Amazônia. Pedro Glécio defendeu a importância da etnobotânica para conservação da floresta e o trabalho em conjunto com a comunidade na elaboração de guias botânicos para fortalecer a construção e a divulgação do conhecimento.

Expansão do projeto 

O projeto “Descolonizando as mudanças climáticas: produção colaborativa de conhecimento através das diferenças entre Norte-Sul globais” foi aprovado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), dentro do Edital 011/2025 – Connect Amazônia.

Em julho do mesmo ano, o projeto realizou o Immerse Amazonia Summer School, uma parceria entre o UBBI, o MPEG e a Fapespa, que promoveu a interação entre pesquisadores, alunos e comunidades de Caxiuanã-PA, na Amazônia brasileira. Este ano, a colaboração se expandiu com a realização da segunda parte do intercâmbio, na Inglaterra. 

Foto: Divulgação/UoB

De acordo com Sue Costa, além do intercâmbio – que integra pessoas de várias áreas, como das ciências naturais e humanas, da saúde e da museologia –, o projeto tem mais dois eixos. O primeiro é a produção acadêmica, com a elaboração de um artigo científico em coautoria, com os diferentes atores do projeto, sintetizando debates teóricos e soluções baseadas nos sistemas de conhecimentos.

O outro é o fomento a uma rede sustentável, com realização de eventos presenciais e online, como o simpósio Decolonising Climate Change, realizado em Birmingham.

Além dos eventos acadêmicos, o grupo de estudantes e pesquisadores brasileiros e britânicos participou das atividades culturais da segunda edição do The Brazilian Carnival, que contou com apresentações de samba e de capoeira e com comidas típicas da culinária brasileira.

*Com informações do Museu Goeldi

Aves migratórias mudam rotina e estimulam novos estudos na Amazônia

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Revoada de andorinhas-azuis no rio Negro, Amazonas. Foto: Marcos Amend/Arquivo Pessoal

A seca extrema de 2024 na Amazônia trouxe uma surpresa para a Transpetro, o braço logístico da Petrobras. Da noite para o dia, uma revoada de milhares de andorinhas-azuis (Progne subis) ocupou as estruturas metálicas do terminal de carga da empresa no rio Solimões.

Durante a estiagem, com a redução da vazão do rio, o porto de gás liquefeito em Coari, no Amazonas, foi desativado; não havia calado para atracar os navios cargueiros. Sem a movimentação habitual de funcionários e embarcações, as aves migratórias encontraram uma nova morada e permaneceram ali durante todo o verão amazônico.

Em 2025, os bandos da andorinha-azul, que realizam anualmente uma migração desde os Estados Unidos, já estavam familiarizados com o gigante ninho metálico da Transpetro e voltaram a ocupar o terminal. Porém, desta vez, com o fim da seca, o sistema logístico voltou ao normal e a coexistência com as aves migratórias se tornou um problema.

Leia também: COP15: conferência da proteção global das espécies migratórias é realizada no Brasil em 2026

Revoada de andorinhas-azuis, espécies migratórias, no rio Negro, Amazonas. Foto: Marcos Amend/Arquivo Pessoal
Revoada de andorinhas-azuis no rio Negro, Amazonas. Foto: Marcos Amend/Arquivo Pessoal

As fezes dessas milhares de aves apresentaram um risco tanto para a operação do terminal como para os funcionários. Os relógios e medidores das tubulações ficaram cobertos de cocô de andorinha-azul. Trabalhadores do terminal chegaram a resvalar devido à mistura das chuvas torrenciais amazônicas com as fezes.

Em busca de uma solução, a equipe de meio ambiente da Transpetro entrou em contato com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Lá, um dos ornitólogos mais renomados na região, o pesquisador Mario Cohn-Haft, já estava mapeando os padrões de migração das andorinhas-azuis para a Amazônia brasileira, considerada a maior andorinha do ocidente. 

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Cohn-Haft e alguns de seus alunos de pós-graduação atuam em parceria com a Associação para Conservação Purple Martin (que recebe o nome da espécie em inglês). A organização, além de trabalhar com instituições como o Inpa e o Instituto Butantan, utiliza uma rede de voluntários brasileiros e estrangeiros para fazer o rastreamento da espécie. Por meio de um projeto de ciência cidadã, ajudou a entender as rotas migratórias da Progne Subis revelando sua presença em diversas partes do bioma brasileiro.

A andorinha-azul — cuja população estimada é de 7,5 milhões de indivíduos — se reproduz no leste dos Estados Unidos, mas passa a maior parte do ano na Amazônia . No inverno estadunidense, grandes bandos da espécie realizam uma viagem de milhares de quilômetros em direção à América do Sul, em busca de condições melhores para se alimentar.

Leia também: COP15 discute relação de áreas úmidas e proteção de espécies migratórias

Ao chegar no rio Negro, as aves migratórias ocupam as copas de árvores das florestas alagadas. Os estudos indicaram que alguns grupos podem chegar a até 250 mil indivíduos.

“A migração é um fenômeno absolutamente impressionante e inspirador. É, na verdade, emocionante assistir a milhares de pássaros passando em uma viagem impressionante, inimaginável para a mente humana. Mostram a complexidade de suas vidas e uma forma de inteligência muito distinta da nossa”, afirma Cohn-Haft.

O cientista conta que a chegada dessas enormes revoadas nem sempre é apreciada. Não é incomum que prefeituras de cidades amazônicas entrem em contato com o Inpa pedindo uma solução para o “problema”. Cohn-Haft diz que sua única recomendação aos prefeitos é que celebrem o fenômeno da migração. Mas não é o que geralmente acontece: incomodados com a sujeira, os gestores municipais tentam expulsar as aves cortando as árvores escolhidas por elas.

No caso da Transpetro, a solução tentará a coexistência com as aves. Para receber a revoada de 2026, há previsão da construção de uma estrutura em uma balsa próxima ao terminal, ainda sem data definida.

Amazônia, destino de aves migratórias

A discussão sobre as aves migratórias na Amazônia ocupou um espaço de destaque na tarde da terça-feira (24), na 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), que ocorre até o próximo domingo (29), em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O evento reuniu cientistas, representantes de empresas, governo e comunidades indígenas que enfatizaram que ainda há muito por descobrir sobre os padrões de aves migratórias no bioma.

Saiba mais: Migração na Amazônia: conheça os principais fluxos de pessoas na região

Mapa com as rotas de migração rastreadas pelos voluntários da Purple Martin. Imagem: Associação para Conservação Purple Martin
Mapa com as rotas de migração rastreadas pelos voluntários da Purple Martin. Imagem: Associação para Conservação Purple Martin

Diferentemente do Pantanal e das zonas costeiras do Brasil, a Amazônia não é considerada uma região prioritária para o estudo de aves migratórias. A razão para isso é que a maioria das espécies de aves registradas na Amazônia são residentes (85%), ou seja, não realizam migrações.

Mesmo assim, os 15% restantes ainda representam um número significativo: segundo Cohn-Haft, 150 e 200 espécies de aves migratórias realizam algum tipo de deslocamento para o bioma. 

“A Amazônia é um destino de espécies que se reproduzem em outras regiões, mas que caem fora quando as condições são desfavoráveis. São espécies que se reproduzem nas zonas temperadas da América do Norte ou da América do Sul. Elas vão para lá para reproduzir e aproveitar o boom de insetos que ocorre na primavera e no verão”, diz o pesquisador do Inpa. Ele explica que dois terços de todas as espécies de aves no mundo são insetívoras.



Muitas vezes, a Amazônia é utilizada como um ponto de parada mais ao sul. São casos extraordinários, como os dos maçaricos que podem fazer migrações de até 30 mil quilômetros, viajando do Ártico à Patagônia. Na migração deste tipo de aves utilizam as praias de rio da Amazônia além das zonas costeiras como uma parada necessária antes de seguirem viagem. 

Mas existem outras espécies que ocupam a floresta por vários meses, como é o caso da andorinha-azul. Lá, elas trocam a plumagem, ganham gordura, fortalecem os músculos peitorais e, quando estão prontas, voam de volta ao norte.

Tudo isso passou a ser muito mais fácil de entender com as novas tecnologias de rastreamento. Até pouco tempo, os pesquisadores colocavam anilhas nos pássaros e contavam com sua rede de colaboradores para recapturar alguns destes indivíduos no destino final da migração. Considerando a extensão da Amazônia, esse método sempre foi pouco eficaz. Agora, cada vez mais se têm utilizado pequenos rastreadores com capacidade de envio de dados em tempo real.

Pesquisa intercultural como ferramenta

Um outro fenômeno da migração pouco entendido na Amazônia são as migrações dentro do próprio bioma. Há espécies que vivem em ambientes variados em diferentes épocas do ano, dependendo das variações da temperatura ou dos ciclos de cheia e vazante das planícies amazônicas.


Pesquisas entre organizações e comunidades indígenas enriquecem esses conhecimentos. Na COP15, o Instituto Socioambiental (ISA) e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) apresentaram um projeto de 20 anos de pesquisa intercultural na região dos rios Tiquié e Içana, na fronteira com a Colômbia e a Venezuela.

Pesquisadores indígenas registram os dados em diários e relatam a ocorrência de espécies migratórias, além de atividades culturais e ciclos de pesca, caça e agricultura. Desde 2017, a Rede de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs) do Rio Negro passou também utilizar o aplicativo Open Data Kit (ODK) para inclusão das informações.

Essa coleta já soma 35 mil observações e permitiu a identificação de 18 espécies de aves. A combinação dos dados de ocorrência com registros de precipitação e nível dos rios tem permitido entender o impacto das mudanças climáticas: “nós sabíamos que elas buscavam as cabeceiras dos rios no inverno, em maio, junho e julho, e que voltavam nos meses de verão. Mas isso está mudando”, conta Tiago Pacheco, indígena Koripako, coordenador dos AIMAs da região do Médio Içana.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela InfoAmazonia, escrito por Gustavo Faleiros

Saiba quais espécies foram apresentadas pelo Brasil na COP15 para inclusão na lista da CMS

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Entre as propostas está a inclusão dos tubarões-martelo Sphyrna lewini e Sphyrna mokarran no Apêndice I da Convenção. Foto: Simon Pierce

Sob o lema ‘Conectando a natureza para sustentar a vida’, Campo Grande (MS) recebe a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS). 

Entre os temas centrais das negociações está a inclusão de novas espécies nos Apêndices da Convenção, mecanismo que define níveis de proteção internacional. O Apêndice I reúne espécies ameaçadas de extinção, que exigem medidas mais rigorosas de conservação, enquanto o Apêndice II contempla espécies cuja sobrevivência depende da cooperação entre países ao longo de suas rotas migratórias. 

Leia também: COP15: conferência da proteção global das espécies migratórias é realizada no Brasil em 2026

As propostas apresentadas pelo Brasil, isoladamente ou em parceria com outros países, contam com subsídios técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), elaborados por centros de pesquisa especializados e alinhados aos Planos de Ação Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (PANs). 

Um trabalho, como explica a coordenadora-geral de Estratégia para Conservação (CGCON/DIBIO) do Instituto, Marília Marini, que começa muito antes do evento e não se encerra com as decisões tomadas durante a Conferência.  

“Nossos centros nacionais de Pesquisa e Conservação são uma engrenagem muito importante, são a peça fundamental no engajamento e execução dessas ações. Eles fazem a coordenação ao nível nacional das ações que vão ser implementadas regionalmente, com outros países”, explica Marília. 

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Os centros coordenam atividades como monitoramento de populações, pesquisas em campo, educação ambiental e articulação com universidades, organizações da sociedade civil e comunidades locais. É por meio dessa rede que o Brasil implementa, no plano nacional, os compromissos assumidos no âmbito da convenção. 

O conjunto de propostas levado à COP15 contempla espécies terrestres, aquáticas e aves migratórias que utilizam o território brasileiro em diferentes fases de seus ciclos de vida — muitas delas já contempladas por iniciativas de conservação desenvolvidas pelo ICMBio no Brasil. 

No céu, lua, sol, estrelas e aves migratórias 

O grupo de aves migratórias reúne algumas das propostas mais numerosas apresentadas pelo Brasil, com destaque para espécies limícolas (que vivem em áreas úmidas) e aves marinhas que percorrem milhares de quilômetros entre o Ártico e a América do Sul. 

“A gente está conseguindo trazer para cá propostas de aves que já estão contempladas há muitos anos nos nossos planos nacionais e que ainda não eram espécies listadas na CMS, apesar de serem migratórias e de poderem se beneficiar da cooperação internacional ao longo de sua área de ocorrência”, destaca Patrícia Serafini, analista ambiental e pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE/ICMBio). 

Entre as espécies em discussão está o maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus), cuja população apresenta declínio estimado em cerca de 70% nas últimas três gerações. A proposta apresentada por Brasil e Chile busca incluí-lo no Apêndice I da Convenção. 

Leia também: Extinção ameaça quase totalidade de peixes migratórios de água doce no mundo, aponta relatório global

Situação ainda mais crítica é observada no maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica), espécie que sofreu declínio populacional superior a 95% desde a década de 1980. Também está em debate a inclusão do maçarico-pernilongo (Tringa flavipes), proposta apresentada pelo Uruguai com apoio do Brasil. 

Entre as aves campestres, o Brasil propõe a inclusão do caboclinho-do-pantanal (Sporophila iberaensis) no Apêndice II. Descrita recentemente pela ciência, a espécie ocorre em áreas úmidas do Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia e enfrenta ameaças associadas à conversão de campos naturais. 

Outro destaque é a proposta multiespécies que envolve petréis-das-tormentas dos gêneros Pterodroma e Pseudobulweria, aves marinhas altamente pelágicas que passam a maior parte da vida em mar aberto.  Típica do bioma que recebe a Conferência, a caboclinho-do-pantanal (Sporophila iberaensis) está proposta para o no Apêndice II.

Aves, peixes, cetáceos e mamíferos: conheça as espécies apresentadas pelo Brasil na COP15 para inclusão na lista da CMS
Típica do bioma que recebe a Conferência, a caboclinho-do-pantanal (Sporophila iberaensis) está proposta para o no Apêndice II. Foto: Márcio Reppening

Leia também: Ministério do Meio Ambiente defende debates globais sobre proteção de espécies migratórias

Entre ondas e correntes, as espécies aquáticas 

As espécies aquáticas de água doce e marinhas que realizam longas migrações ou possuem populações distribuídas entre diferentes países também estão em pauta. Peixes migratórios, tubarões, raias e cetáceos estão entre os grupos contemplados nas discussões.  

Um dos exemplos é o pintado (Pseudoplatystoma corruscans), peixe migratório de grande importância ecológica e econômica em bacias hidrográficas da América do Sul. A espécie realiza deslocamentos ao longo de grandes rios compartilhados por diferentes países, o que exige estratégias de gestão e monitoramento coordenadas. 

Também são diversas as iniciativas voltadas à conservação de tubarões e pequenos cetáceos do Atlântico Sul. Entre as propostas, a inclusão dos tubarões-martelo Sphyrna lewini e Sphyrna mokarran no Apêndice I, como dos tubarões-raposa (Alopias pelagicus, A. superciliosus e A. vulpinus), espécies altamente migratórias e vulneráveis à sobrepesca.  

Para inclusão no Apêndice II, foram apresentadas propostas para inclusão do cação-cola-fina (Mustelus schmitti) e do cação-anjo-espinhoso (Squatina guggenheim), bem como ações concertadas voltadas à conservação do tubarão-mangona (Carcharias taurus) e do tubarão-elefante (Cetorhinus maximus).  

A renovação da ação concertada para a toninha (Pontoporia blainvillei), considerada o pequeno cetáceo mais ameaçado do Atlântico Sul Ocidental, e a implementação de um plano de ação internacional para o boto-de-Lahille (Tursiops truncatus gephyreus), subespécie costeira endêmica do sul do Brasil, Uruguai e Argentina, também merecem atenção. 

Leia também: COP15: conferência da proteção global das espécies migratórias é realizada no Brasil em 2026

Os bagres amazônicos são peixes sem escama de grande importância ecológica e comercial. Foto: Julia Mantinian

Por fim, destaca-se a proposta de adoção de um Plano de Ação (2026–2036) para proteger espécies como a Dourada e a Piraíba (bagres amazônicos), conhecidos por realizar algumas das maiores migrações de água doce do planeta. Esses peixes percorrem milhares de quilômetros entre áreas de alimentação e reprodução ao longo da bacia amazônica. 

“As espécies precisam desse monitoramento internacional, para a gente entender o tamanho da população, exemplo. Se a gente não tem dados de um país, a gente não conhece o todo da espécie. Ficam mais difíceis ações de manejo e planos se a gente não entende melhor essa distribuição”, explica Daniel Kantek, analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA/ICMBio).

As pegadas nos campos e florestas das espécies terrestres 

Entre as propostas que envolvem espécies terrestres, dois carnívoros emblemáticos da fauna sul-americana estão no centro das discussões da COP15: a ariranha (Pteronura brasiliensis) e a onça-pintada (Panthera onca)

No caso da ariranha, proposta foi apresentada pela França, devido a incidência da espécie na Guiana Francesa e o Brasil apoia a proposta com base em avaliações técnicas elaboradas pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio). Aqui, a ariranha, que é a maior lontra do mundo, já conta com um PAN, que prevê ações de pesquisa, monitoramento populacional e manejo de conflitos — especialmente em regiões onde a espécie compartilha estoques pesqueiros com comunidades locais. 

“Essa troca é importantíssima, porque a gente encontra colegas que trabalham na África, na Ásia, na Europa, em vários países com diversas espécies ameaçadas, onde a gente divide as mesmas preocupações. Problemas relacionados à degradação de habitat, problemas genéticos populacionais e conflitos. Essa troca traz novas estratégias e novas propostas”, coloca o coordenador do centro, Rogério Cunha. 

Já a onça-pintada, incluída nos Apêndices I e II da CMS desde 2020, segue como tema de debates na Conferência. Uma nova resolução em discussão busca atualizar estratégias internacionais de conservação diante do agravamento das ameaças em diversos países. 

Entre os desafios identificados estão a perda e fragmentação de habitat, o isolamento de populações e os conflitos com atividades humanas. A proposta em debate busca fortalecer a conectividade entre habitats, ampliar estratégias de coexistência entre pessoas e grandes carnívoros e estimular pesquisas sobre populações isoladas. 

A ariranha, também conhecida popularmente como onça-d’água, lontra-gigante e lobo-do-rio. Foto: Thiago Orsi Laranjeiras

Durante a conferência, países da área de ocorrência da espécie também discutem avançar na implementação de um plano regional em prol da espécie, que foi validado em reunião no último ano, no México. Busca-se alinhar as ações nacionais e ampliar a cooperação entre governos, uma vez que, hoje, apenas oito dos 18 países de incidência tem planos específicos. 

*Com informações do Intituto Chicos Mendes de Conservação da Biodiversidade

Contos com cheiro de terra molhada

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Capa do livro Nas margens do Rio Amazonas, de Eber Bentes. Foto: Divulgação

Por Jan Santos – jan.fne@gmail.com

Desde a Revolução Industrial, o mundo ocidental tem tomado o desenvolvimento como um projeto central. Cidades crescem, padrões de qualidade de vida são definidos, a terra dá lugar ao cimento e ao concreto. Contudo, as cidades não crescem para todos, os padrões de qualidade não são atingidos por todos, não há terra coberta o bastante para todos. A solução? Desenvolver mais, expandir mais, e mesmo assim, nunca será para todos.

O resultado? Um mundo desolado, sem um palmo de terra visível, coberto pelas coisas que construímos e, de repente, não achamos mais tão essenciais quanto um dia foram, gastas demais pelo tédio de possuir. E assim seguimos, sempre mais e mais desenvolvidos, em uma eterna corrida que mais cansa do que recompensa, porque corremos tanto, investimos tanto, que nenhuma linha de chegada será suficiente quando comparada com o tempo e o esforço que sacrificamos para cruzá-la.

A solução? Correr até a próxima linha de chegada, chegando novamente em lugar nenhum.

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Chegamos às estrelas, chegamos às entranhas da terra, chegamos ao fundo do oceano, e mesmo assim, não é o suficiente.

Há quem diga que é um engano chamar isso de desenvolvimento, coisa em que eu particularmente não acredito. O que eu sei é que, na lógica de mundo que adotamos, desenvolver é isso mesmo. O que devemos é querer outra coisa.

A professora Célia Xakriabá, ao falar sobre educação indígena em um texto chamado “Amansar o giz” (2020), descreve o processo de criação de objetos de barro que caracteriza seu povo. A forma como ela fala sobre a coleta do material das margens do rios na infância, sobre as memórias envolvidas em sua confecção e até mesmo a construção das casas feitas com o barro e suas próprias mãos enfatiza o que ela e vários outros originários chamam de corpo-território, uma experiência única de quem vive o solo como parte de si, e ambos, parte de um organismo maior, cujos participantes podem trocar forças mutuamente.

Assim como o corpo humano descansa no solo após a morte, é esse solo que oferece as condições materiais necessárias para que a vida humana goze de qualidade.

Máscara de barro por Zelina Xakriabá. Foto: Oscar Liberal

Uma compreensão parecida vive entre o povo Guna, no Panamá, que tece seus tecidos como quem tece um universo inteiro, e planta o cordão umbilical nas raízes de árvores que são, elas mesmas, suas filhas entrelaçadas. Ainda sobre a produção de cerâmica, um conto bastante curioso chamado de “Nãna e os potes de barro”, assinado por Chirley Maria Pankará, compõe o livro “Originárias: uma literatura antologia feminina de literatura indígena”, e conta como seu povo, em Pernambuco, utiliza um processo semelhante não apenas para produzir objetos, mas para manter contato com sua ancestralidade por meio da prática-ritual de trabalhar a terra.

Tais narrativas ilustram um conceito apresentado pela professora Célia, um que vai além das necessidades desnecessárias que o mundo ocidental insiste ter:

“Nós, populações tradicionais, temos condições de apresentar outro projeto de sociedade, não exatamente pela falácia do desenvolvimento e, sim, por meio do re-envolvimento, que representa a retomada de outros valores. Em nossa relação com o mundo, que é com o ambiente inteiro e não apenas com partes dele, não podemos criar laços impessoais ou sem espiritualidade. É impossível para os Xakriabá enxergar a natureza apenas como um bem a ser explorado, ou mesmo como um lugar que produz alimento”.

Ilustrações do livro “Originárias” (2023), por Maurício Negro

Ao ler sobre o re-envolvimento proposto por Xakriabá, percebo uma coisa fundamental: não podemos amar aquilo que não nos envolve. Desenvolver então ganha outro sentido: retira o envolvimento, separa, afasta. É fácil descartar aquilo pelo qual não temos afeto algum, então não é difícil sufocar com concreto e asfalto um metro de terra que não faz parte de mim.

Assim, procuro histórias com as quais possa me envolver, encontrar um espaço ao qual eu possa pertencer, e foi exatamente o que achei nas páginas de “Nas margens do Rio Amazonas” (2024), do parintinense Eber Bentes. Em seu livro de estreia, um dos vencedores do Prêmio Frauta de Barro da editora Valer, Bentes narra a história de um povoado ribeirinho que lida com o cabo de guerra entre o envolvimento e o desenvolvimento.

Eber Bentes durante evento de lançamento de “Nas margens”, em 2024, no Palácio Rio Negro. Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

Além do fato óbvio de retratar um ambiente conhecido pela maioria dos amazônidas, com costumes, falas e sensações que nos dão um sentimento de familiaridade que é bastante acolhedor, Bentes conta a saga de uma comunidade que divide o solo com as forças da natureza, com os espíritos que desde seus ancestrais aprenderam a respeitar. O mais engraçado é que a história não é só sobre uma comunidade, mas ela é também comunitária, uma vez que ela é contada do ponto de vista dos vários moradores, a partir de experiências cotidianas que encontram na mística da floresta e do rio uma dinâmica própria de existência.

São pessoas que não vivem somente entre o rio e a floresta, mas entre a vida e o mistério, entre a segurança do conhecido e o fascínio do desconhecido, pois não questionam a existência da Boiúna, de Yurupary nem das visagens, mas encontram formas de coexistir com um mundo que conhecem bem o bastante para aceitar que há coisas que é melhor desconhecerem.

Nas margens de cada história, todas carregadas de um fantástico próprio, surge um horror inicialmente silencioso, quase um comentário despretensioso na boca dos moradores. Nos contos de Bentes, vemos o desenvolvimento surgir como uma figura monstruosa, que aos poucos engole gente, fé, terra, tudo. Na figura de um rico comerciante cearense, as histórias são lentamente devoradas pela fome infinita do desenvolvimento, e os moradores, impotentes, encontram nas narrativas que contam sua única estratégia de sobrevivência.

Sobrevivência não apenas das pessoas, mas também dos espíritos, da terra, da água e de tudo que forma aquela vila, aquele universo, às margens do Rio Amazonas. O ato de partilhar essas histórias, tal como o barro xakriabá, a cerâmica pankará e o tecido kuna, é a prática que preserva, para além da morte e para qualquer ato de des-envolvimento, a memória de um povo que sabe os caminhos para se envolver com a terra.

Ouvindo-as, nos tornamos eternamente responsáveis por aquilo com o que nos envolvemos.

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Sobre o autor

Jan Santos é autor de contos e novelas, especialmente do gênero Fantasia. Mestre em Literatura pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e com graduações em Língua Portuguesa e Inglesa, é um dos membros fundadores do Coletivo Visagem de Escritores e Ilustradores de Fantasia e Ficção Científica, além de vencedor de duas edições dos prêmios Manaus de Conexões Culturais (2017-2019) e Edital Thiago de Mello (2022).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Livro analisa relação da crise climática e caminhos sustentáveis na Amazônia

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Foto: Arquivo pessoal/Luiz Villares

A relação entre crescimento econômico e degradação ambiental, os impactos cada vez mais intensos das mudanças climáticas e os caminhos possíveis para um desenvolvimento sustentável na Amazônia são temas centrais do livro ‘Ecos do Antropoceno – Legados, interesses e caminhos’.

A obra escrita pelo ambientalista Luiz Villares foi lançado no dia 26 de março na sede da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em Manaus (AM). 

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Livro Ecos do Antropoceno de Luiz Villares
Livro Ecos do Antropoceno. Foto: Reprodução/Amazon

Lançado pela Editora Casa Matinas, o livro é resultado de mais de duas décadas de atuação de Villares na área socioambiental, reunindo experiências, dados e reflexões construídas ao longo de sua trajetória.

Nesse período, o autor passou por instituições estratégicas para a agenda ambiental no Brasil, notadamente na FAS, onde colaborou desde o seu início, por mais de 15 anos, como Superintendente Administrativo Financeiro. 

O livro apresenta um panorama atualizado do bioma amazônico em conexão com o cenário global, incluindo os desdobramentos da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada ano passado em Belém (PA).

Para o autor, a crise climática não pode ser analisada de forma isolada, mas sim como consequência direta do atual modelo de crescimento econômico global. Segundo ele, sem mudanças estruturais nesse modelo, a transição para um futuro sustentável não será possível.

“Este é o paradoxo contemporâneo: quanto mais cresce o PIB global, mais crescem os desastres ambientais e ecológicos — e pior: em velocidade maior do que as soluções que poderiam mitigar os problemas”, afirma Villares.

Villares também destaca no texto que esse desequilíbrio ambiental contribui para o agravamento da desigualdade social. Pois as populações mais vulneráveis são as que mais sofrem seus impactos. Ao mesmo tempo, o ambientalista defende a Amazônia como um ativo estratégico fundamental para o equilíbrio climático, a regulação hídrica e a preservação da biodiversidade. Como caminho viável, o autor aponta a bioeconomia e suas cadeias produtivas, como açaí, castanha e cacau, capazes de gerar renda sem comprometer a floresta.

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Além disso, vê com otimismo ideias como sistemas agroflorestais (SAFs) e créditos de carbono, aliados à participação das populações tradicionais e de políticas públicas mais eficazes, são essenciais para essa transição.

“Manter a floresta em pé depende de cooperação internacional, vontade política, justiça social, pensamento científico e financiamento contínuo. É um caminho que exige muito, mas comprovadamente mais inteligente e valioso do que qualquer modelo baseado em sua destruição”, afirma.

Panorama global

Foto: Reprodução/Instagram-@Villaresluiz

A partir de dados qualificados, Villares indica que a prevenção de desastres ecológicos tende a ser mais eficiente do que as ações de reparação. Nesse sentido, ele aponta que a revisão de prioridades nos investimentos globais contribuiria significativamente para o avanço de soluções ligadas à transição energética e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A publicação também observa movimentos internacionais, como a reorientação de políticas ambientais na China, com iniciativas voltadas à ampliação do uso de energias renováveis e à recuperação de áreas degradadas, além de conceitos e discussões que ajudam a compreender a crise ambiental contemporânea.

Sustentabilidade Editorial

Ecos do Antropoceno é o primeiro livro lançado pela Editora Casa Matinas, que se dedica à reedição de livros imperecíveis no sistema de impressão sob demanda (POD). A editora modificou seu projeto editorial pelas afinidades com as ideias defendidas no livro de Luiz Villares.

Além de evitar desperdício de papel e de combustível fóssil na distribuição com o print-on-demand, é usado o papel Polén Natural e a impressão é em tinta a base de água. O livro pode ser encontrado aqui e também está disponível pela plataforma Amazon.

*Com informações da Fundação Amazônia Sustentável

Tecnologia LiDAR pode tornar mensuração de carbono na Amazônia mais precisa, diz estudo

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Medir biomassa florestal e converter esse dado em estimativas confiáveis de carbono ainda é um dos grandes desafios para quem atua com restauração, manejo, monitoramento e projetos climáticos. É nesse contexto que o LiDAR (Light Detection and Ranging) vem ganhando espaço como uma tecnologia capaz de ampliar a precisão e a eficiência do monitoramento florestal

Publicação visa tornar a mensuração de carbono mais precisa e confiável.Foto: Divulgação/Imaflora

Para contribuir com esse debate, o Imaflora lança a publicação ‘LiDAR & Carbono: Inovação na Quantificação de Biomassa Florestal‘, elaborada com apoio do Instituto Clima e Sociedade e em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) e a ForLidar.

O material mostra, de forma aplicada, como o sensoriamento remoto pode fortalecer processos de mensuração de carbono com mais rastreabilidade, robustez estatística e eficiência operacional. 

Leia também: Entenda o que é e para que serve o mercado de carbono

A publicação parte de um problema concreto: monitorar florestas com qualidade técnica suficiente para atender às exigências de mensuração, reporte e verificação de carbono sem tornar o processo excessivamente caro, demorado ou limitado em escala.

O LiDAR aparece nesse cenário como uma ferramenta capaz de “ler” a estrutura tridimensional da vegetação e apoiar inventários híbridos, nos quais o campo continua essencial, mas passa a ser usado de forma mais estratégica. 

Para sair do plano conceitual, o documento se ancora na experiência de restauração conduzida pelo ISA no corredor do rio Xingu, em Mato Grosso, e na atuação do Carbon on Track, iniciativa de mensuração e verificação de carbono desenvolvida pelo Imaflora. A análise compara abordagens e apresenta a aplicação de inventário integrado com LiDAR embarcado em drone e amostragem dupla estratificada em 741 hectares de áreas restauradas. 

Mensuração de carbono 

Os resultados sistematizados na publicação indicam ganhos concretos. O uso do LiDAR foi associado à redução de 81% do esforço em campo, 76% do custo por hectare e 67% do erro percentual, além de contribuir para maior precisão estatística e espacial no monitoramento de áreas extensas.

Saiba mais: Solo da Amazônia estoca mais da metade do carbono orgânico presente no Brasil

Além de reunir evidências práticas, a publicação também chama atenção para barreiras ainda presentes nos sistemas de verificação e nos padrões internacionais. O material argumenta que parte das regras hoje adotadas não incorpora adequadamente as especificidades das florestas tropicais, o que pode elevar custos, criar entraves e dificultar a adoção de tecnologias já consolidadas no avanço dos inventários florestais. Por isso, a publicação se propõe também como contribuição técnica para atualizar práticas e fortalecer metodologias mais aderentes à realidade brasileira. 

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O Carbon on Track, solução de quantificação e verificação de carbono em plantios de restauração desenvolvido pelo Imaflora, ofereceu uma redução do custo por hectare de R$ 1.440,02 para R$ 336,44, enquanto o tempo corrido do processo passou de 540 dias para 385 dias em comparação ao monitoramento e verificação da principal certificadora do mercado no projeto analisado.   Esses resultados são frutos do uso de tecnologias e soluções adaptadas a realidade nacional. A comparação completa você acompanha na publicação.

Amazônia é considerada fonte de carbono. Foto: climatepolicyinitiative
Amazônia é considerada fonte de carbono. Foto: climatepolicyinitiative

Público

Voltada a um público técnico e transversal, a publicação interessa a equipes de restauração e manejo, organizações da sociedade civil, auditorias, certificadoras, financiadores, empresas e gestores públicos que precisam de métricas mais consistentes, transparentes e verificáveis para acompanhar desempenho ecológico e carbono. O objetivo é apoiar decisões práticas, orientar protocolos de MRV e ampliar a capacidade de monitorar com qualidade e credibilidade. 

Esta leitura é especialmente útil para: equipes de restauração; organizações e projetos territoriais que atuam com carbono; auditorias, certificadoras e verificadores; financiadores e investidores interessados em MRV robusto; gestores públicos e formuladores de protocolos.  

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imaflora

COP15 discute relação de áreas úmidas e proteção de espécies migratórias

Participantes do evento, Renata Alves (pesquisadora do ISA), Jochen Schongart (pesquisador do INPA) e Carlos Durigan (pesquisador do IPAM), além de Carlos Souza Jr (pesquisador do Imazon) remotamente. Foto: Reprodução/IPAM

Dentro da programação da COP15 das Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) em Campo Grande (MS), um evento reuniu pesquisadores para discutir o papel das áreas úmidas e dos sítios Ramsar na proteção de espécies migratórias.

A atividade ocorreu nesta sexta-feira (27) na Casa do Homem Pantaneiro, com organização do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Instituto Socioambiental (ISA), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

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Foi apresentada uma análise preliminar de cientistas do IPAM sobre a riqueza de espécies migratórias e fatores de degradação em áreas selecionadas da Amazônia.

Segundo os pesquisadores, os sítios Ramsar na Amazônia têm maior riqueza de espécies migratórias em comparação com terras indígenas e unidades de conservação. No entanto, a perda de cobertura de água foi identificada como um risco potencial para a degradação.

Os sítios Ramsar são áreas alagadas de forma perene ou sazonal, como manguezais, veredas e várzeas, mas também lagoas de água doce ou salgada. Levam esse nome pois resultam de convenção assinada na cidade de Ramsar, no Irã, para a certificar unidades de conservação de áreas úmidas.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é um Sítio Ramsar?

ESPÉCIES MIGRATÓRIAS VIVEM EM ÁREAS ÚMIDAS
Manguezal é uma área úmida. Foto: Fernando Franzão /Agência Brasil

Análises sobre as espécies migratórias

“Nossas análises corroboram a ideia de que ações voltadas à conservação de espécies migratórias exigem fortalecer a proteção e consolidação de unidades de conservação e terras indígenas, mas também avançar em ações que extrapolem esses limites, em escala de biomas — na Amazônia e além — garantindo conectividade entre paisagens e países. Esse é um dos pontos centrais em debate na COP15. Nesse contexto, os sítios Ramsar emergem como uma camada estratégica adicional, especialmente para espécies associadas a ambientes aquáticos e áreas úmidas”, comenta Carlos Durigan, pesquisador do IPAM.

Jochen Schongart, pesquisador do INPA que participou da atividade, pondera:

“Ainda existem grandes lacunas do conhecimento sobre espécies migratórias de diversos táxons e sua variação de ocorrência em espaço e tempo na Amazônia. Portanto, a integração de populações indígenas e tradicionais em programas de monitoramento ambiental e ocorrência de espécies migratórias é fundamental para gerar mais informações sobre a importância das paisagens úmidas na Amazônia”.

Leia também: Extinção ameaça quase totalidade de peixes migratórios de água doce no mundo, aponta relatório global

Visando aumentar a proteção das espécies e evitar a degradação ambiental, as recomendações incluem, além de integrar de conhecimentos tradicionais e acadêmicos para maior efetividade nas ações, conectar as áreas protegidas já existentes e criar novos sítios Ramsar a partir da destinação de florestas públicas não destinadas. Essas florestas ocupam uma área do tamanho da Bahia na Amazônia e aguardam definição estadual ou federal de categoria fundiária.

Para tanto, os especialistas frisam que é necessário apoio financeiro a médio e longo prazo de forma a fortalecer a gestão participativa das áreas protegidas e conservação integrada de grandes paisagens úmidas.

Os efeitos negativos das mudanças climáticas na natureza evidenciam a urgência de medidas coordenadas entre os diversos setores da sociedade e em cooperação internacional. Segundo relatórios divulgados pela CMS durante a COP15, 24% das espécies migratórias listadas na Convenção estão ameaçadas globalmente e 49% enfrentam queda em suas populações.

Leia também: COP15: conhecimento indígena revela rotas e alterações na migração de aves no Rio Negro

Peixes migratórios de água doce estão entre os animais que correm mais risco: desde 1970, sua população caiu 81% no mundo todo – as secas cada vez mais severas explicam essa realidade, somadas à poluição da água, à pesca predatória e ao barramento de rios. Com tamanhos obstáculos, fica difícil para as espécies navegarem em busca de alimento e seguirem seus ciclos de reprodução.

Também participaram da atividade Renata Alves, pesquisadora do ISA, e Carlos Sousa Jr., pesquisador do Imazon, remotamente.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia

Peixes-bois voltam à natureza após reabilitação de até 10 anos no Amazonas

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Após passarem por um período de reabilitação e adaptação em cativeiro, de até dez anos, peixes-bois foram soltos na natureza na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, em Beruri, no interior do Amazonas. A preparação ocorreu em uma área de semicativeiro, em uma fazenda parceira do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Os animais foram soltos durante a cheia dos rios, época escolhida pelos pesquisadores por oferecer mais alimento.

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Antes da soltura, cada um recebeu um microchip para identificação e monitoramento. O transporte até a reserva levou mais de 24 horas, feito por caminhão e barco.

Quatro deles ganharam um cinto com rádio transmissor na cauda, que permitirá acompanhar a adaptação nos primeiros meses em liberdade.

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Entre os animais soltos está Muruá, fêmea que chegou ao Inpa em 2016, com apenas quatro meses e 25 quilos. Dez anos depois, ela volta à natureza já adulta.

“Nós sempre dizemos que nada mais barato e melhor que mãe de peixe-boi pra cuidar de filhote de peixe-boi é a natureza pra manter esses animais. O cativeiro é caro, a soltura é cara e o processo de monitoramento também. Agora pra essa soltura de um modo geral são recursos vindos de organizações não-governamentais”, explicou a coordenadora do Projeto Peixe-Boi, Vera Silva.

Educação ambiental com ajuda dos peixes-bois

O projeto também envolve moradores da reserva em ações de educação ambiental. Alguns deles, que antes caçavam a espécie, hoje atuam como monitores e ajudam no acompanhamento dos animais.

“É uma alegria, uma alegria imensa, porque claro que a gente achou o bicho, né, missão cumprida quando consegue sinal”, disse o monitor de peixe-boi, Mário Costa.

Leia também: Pesquisadora descobre novo papel do peixe-boi: o de “jardineiro da Amazônia”

Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Os especialistas também orientam comunidades ribeirinhas sobre como agir ao encontrar filhotes. Se o animal estiver saudável, a recomendação é não resgatar, pois a mãe pode estar por perto. Apenas filhotes debilitados devem ser encaminhados aos órgãos responsáveis.

Ao todo, 59 peixes-bois já foram soltos na reserva. Segundo os pesquisadores, cada soltura ajuda na recuperação da espécie, que é ameaçada.

*Por Daniela Branches, da Rede Amazônica AM

Amazônia tem menor desmatamento para o mês de fevereiro em oito anos, mostra SAD

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Foto: Reprodução/Acervo Embrapa

A Amazônia comemorou uma queda de 42% no desmatamento em fevereiro, que passou de 119 km² em 2025 para 69 km² em 2026. Uma diferença equivalente a 5 mil campos de futebol no mês, quase 180 por dia. Essa foi a menor área de floresta derrubada em fevereiro em oito anos, desde 2017.

Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do instituto de pesquisa Imazon, que monitora a floresta por imagens de satélite desde 2008. Conforme a série histórica, as menores destruições registradas no mês foram em 2016 (0 km²), 2014 (11 km²) e 2015 (42 km²). Já as maiores ocorreram em 2023 (325 km²), 2022 (303 km²) e 2018 (214 km²).

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“A queda no desmatamento da Amazônia é essencial para a redução das emissões de gases de efeito estufa no Brasil e para o combate às mudanças climáticas, que têm deixado eventos extremos como secas e tempestades mais intensos e frequentes em todo o mundo”, explica Carlos Souza Jr., pesquisador que coordena o Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon. 

Além disso, fevereiro representa o sétimo mês do chamado “calendário de desmatamento” de 2026, que por causa do regime de chuvas na Amazônia vai de agosto de um ano a julho do seguinte. Desde o início do calendário atual, em agosto de 2025, até fevereiro de 2026, a derrubada acumulada chegou a 1.264 km², 41% a menos do que no período anterior. Entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025, foram devastados 2.129 km². 

Pará, Amazonas e Acre têm as maiores áreas derrubadas

Entre os nove estados que compõem a Amazônia Legal, o Pará foi o que registrou a maior área desmatada entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026: 398 km². Esse acumulado, no entanto, foi 54% menor que o registrado no período anterior, entre agosto de 2024 e fevereiro de 2026, que somou 863 km². Além disso, é em solo paraense que fica a unidade de conservação mais desmatada nesses sete meses, a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, que perdeu 34 km² de floresta no período, o equivalente a 16 campos de futebol por dia.

Amazonas e Acre completam o top 3, com 200 km² e 190 km² desmatados, respectivamente. Assim como o Pará, esses estados também apresentaram redução na derrubada, ambos de 32%.

Leia também: Desmatamento no Amazonas cai 56% em janeiro de 2026, aponta Inpe

Em rankings anteriores, no entanto, era Mato Grosso que costumava estampar o quadro de medalhas dos estados mais desmatadores, vaga agora ocupada pelo Acre. Com redução de 51% na derrubada, Mato Grosso passou da segunda para a quarta colocação na análise do desmatamento acumulado de agosto a fevereiro, os sete primeiros meses do calendário de 2026.

“O aumento no Acre pode ser explicado pelo fortalecimento dos últimos anos da fronteira agropecuária no oeste da Amazônia, especialmente na região conhecida como AMACRO, que integra áreas do Acre, Amazonas e Rondônia. Esse movimento tem sido marcado pela expansão da pecuária e pela pressão sobre terras públicas ainda florestadas. A saída do Mato Grosso do topo do ranking durante esse período não indica perda de relevância do estado no cenário do desmatamento. O que estamos observando é uma ampliação territorial da dinâmica do desmatamento na Amazônia Legal”, comenta Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.

Desmatamento da Amazônia por estado (km²):
EstadoAgosto de 2024 a Fevereiro de 2025Agosto de 2025 a Fevereiro de 2026Variação
Pará863398-54%
Amazonas296200-32%
Acre280190-32%
Mato Grosso368181-51%
Roraima160177+11%
Rondônia8765-22%
Maranhão5947-20%
Amapá74-43%
Tocantins92-78%

Nesse período, Roraima foi o único estado a apresentar aumento na devastação, que passou de 160 km² entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025 para 177 km² entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. Além disso, o estado teve o município que mais derrubou a floresta no período: Caracaraí, com 66 km².

“Isso pode ter ocorrido porque Roraima tem um regime de chuvas diferente. Embora o início do ano seja chuvoso no restante dos estados, em Roraima é seco, o que contribui para o avanço do desmatamento”, explica a pesquisadora do Imazon Raissa Ferreira.

MunicípioUFDesmatamento entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026 (km²)
CaracaraíRR66,4
FeijóAC42,86
São Félix do XinguPA36,57
RorainópolisRR33,38
TarauacáAC31,79
Rio BrancoAC25,83
Rio BrancoMT25,83
PortelPA23,25
CanutamaAM21,52
PacajáPA19,21

Degradação também segue em queda

Além do desmatamento, que é a remoção completa da vegetação, a degradação florestal, que é o dano causado pelas queimadas e pela exploração madeireira, também segue em queda na Amazônia. Em fevereiro, o sistema do Imazon detectou 13 km² de florestas degradadas, uma redução de 93% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram degradados 211 km².

Na análise do calendário do desmatamento, aplicado também à degradação, o acumulado de agosto de 2025 a fevereiro de 2026 somou 2.275 km², também uma queda de 93% em relação ao período anterior. Entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025, foram degradados 33.807 km², quando houve um pico de queimadas na região. 

Mato Grosso, Pará e Acre lideram degradação

Em relação à degradação, Mato Grosso e Pará lideram com grande diferença em relação aos demais estados, com 1.255 km² e 677 km² degradados entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. Isso corresponde a 85% de toda a área afetada na Amazônia no período. Apesar disso, ambos estados tiveram reduções significativas na degradação, de 86% e 96%, respectivamente.

A terceira posição ficou com o Acre, onde a degradação aumentou 50%. Nesse estado, a área degradada passou de 72 km² entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025 para 108 km² entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. 

Outro estado que registrou alta foi Roraima, onde a degradação passou de 50 km² para 55 km² nesses períodos. Os demais estados apresentaram redução nesse dano ambiental.

Desmatamento da Amazônia por estado (km²):
EstadoAgosto de 2024 a Fevereiro de 2025Agosto de 2025 a Fevereiro de 2026Variação
Mato Grosso9.2411.255-86%
Pará17.257677-96%
Acre72108+50%
Rondônia2.71873-97%
Roraima5055+10%
Amazonas2.96753-98%
Tocantins32124-93%
Maranhão94923-98%
Amapá357-80%

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*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon