Fruta nativa da América do Sul, milho roxo quebra barreiras e cresce na Amazônia

Presente na região andina da Amazônia (Peru e Bolívia), o milho roxo tem sido cada vez mais cultivado por pequenos produtores.

Cultivada no continente americano, fruta deu origem até à criação de uma cerveja natural. Foto: Reprodução/Agência Andina

O milho roxo, uma fruta nativa da região da América do Sul onde o Peru está localizado, não é cultivado apenas em áreas costeiras e andinas, mas também na Amazônia, dando origem à criação de uma bebida cujo sabor característico se combina com o camu camu, outro produto natural do continente americano.

Graças ao apoio do Instituto Peruano de Pesquisa da Amazônia (IIAP), os agricultores de Ucayali produzem com sucesso essa cultura, gerando assim uma fonte de renda para a economia familiar e para seus alimentos.

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O pesquisador do IIAP, Carlos Abanto Rodríguez, afirmou que inovações desse tipo contribuem para fortalecer esse setor da população amazônica. “Antes, coordenamos com os agricultores para atender às necessidades deles”, pontuou.

Foi nesse contexto que foi concebido o primeiro caso bem-sucedido de cultivo de milho roxo nas planícies inundáveis amazônicas, entendendo essas partes como aquelas que são liberadas das águas dos rios quando elas diminuem.

Segundo Abanto, essas terras são naturalmente fertilizadas graças à água que esteve nelas durante o período de enchentes, que vai aproximadamente de dezembro a março.

Produtora de milho roxo
Cleydis Murayari, agricultora da Vila de 7 de Junio, produtora de milho roxo. Foto: Reprodução/Andina

Caso pioneiro

Em 2022, o IIAP soube do caso de Cleydis Murayari Ihuaraqui, uma agricultora da vila de 7 de Junio, no distrito de Yarinacocha, que havia plantado milho roxo, uma cultura raramente usada na Amazônia.

Tendo obtido resultados positivos, o produtor solicitou sementes dessa cultura à entidade mencionada, dentro do âmbito do programa pelo qual sementes de milho, feijão, melancia, pimenta e outros produtos alimentícios são entregues aos agricultores.

“Entregamos essas sementes porque não queremos falhas ou colheitas ineficientes, queremos jogar pelo seguro”, diz Abanto. “O Estado investe dinheiro na compra de sementes e na transferência de assistência técnica no campo, do plantio à colheita”, explicou.

Com o histórico mencionado, dez quilos de semente de milho roxo INIA 615 Black Canaan foram entregues à agricultura. Outros quarenta quilos foram distribuídos entre outras produtoras.

Boa colheita

As culturas de milho roxo foram distribuídas nessa primeira oportunidade por uma área de 2500 metros quadrados, sendo avaliadas pelo IIAP.

Abanto relata que três meses depois, até pouco antes da colheita, esse fruto não apresentava a coloração característica. “Mas faltando de 15 a 20 dias para a colheita, sua coloração apareceu”, disse ele.

Os resultados também foram satisfatórios para Cleydis Murayari, que colheu 500 quilos de milho roxo, vendendo 450 desses a uma quantidade entre 4 e 5 solos por quilo. Os outros 50 eram usados para consumo e também para preparar refrigerantes semelhantes à chicha morada.

Camu-camu, fruta típica da Amazônia. Foto: Reprodução/Andina

O IIAP levou isso em consideração e, para agregar valor a um novo produto ao qual se projetava potencial, ele foi misturado com camu camu, um fruto típico da Amazônia.

O resultado é o ‘Camuchicha’, que já foi exibido e comercializado com sucesso nas últimas edições da Expo Amazonica.

Leia também: Conhecido como o ‘ouro da Amazônia’, camu-camu é aposta para indústria alimentícia

Cerveja natural do milho roxo

É composto por 60% de essência de milho roxo, sendo os 40% restantes polpa de camu camu. A fórmula, inicialmente desenvolvida em um laboratório na sede do IIAP em Ucayali, foi posteriormente transferida para Cleydis Murayari e outros 150 agricultores para que também pudessem produzir essa bebida.

Produção da cerveja natural de milho roxo na IIAP. Foto: Reprodução/Andina

“Não é a clássica chicha morada que consumimos, mas também tem aditivos para diminuir o ácido do camu camu e dar sabor”, explica Abanto. “Essa tecnologia foi transferida para os agricultores, e agora eles têm mais uma opção para dar valor aos seus produtos”, enfatizou.

Ainda são necessárias mais pesquisas sobre as condições e o potencial do milho roxo e a melhor forma de produzi-lo na Amazônia, diz o representante do IIAP. Uma vez determinada a variedade dessa cultura que melhor se adapta às condições climáticas desta região do país, ainda mais progressos podem ser feitos na promoção de sua produção.

“A vantagem é que aqui temos solos férteis, que não precisam de investimento em fertilizantes, porque o fertilizante natural permanece aqui após a inundação dos rios”, diz o especialista, destacando mais uma força de um produto eminentemente orgânico.

*Com informações da Agência Andina

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