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Mestras e mestres das culturas tradicionais e populares são reconhecidos na Classificação Brasileira de Ocupações

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Mestras e mestres das culturas tradicionais e populares são reconhecidos na Classificação Brasileira de Ocupações. Foto: Giba/MinC

Mestras e mestres das culturas tradicionais e populares tiveram uma conquista histórica. O Governo do Brasil oficializou a inclusão dessa atividade na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), atendendo a uma demanda antiga do segmento.

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A medida – realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em articulação com o Ministério da Cultura (MinC) – representa mais um passo na proteção e no reconhecimento formal daqueles que desenvolvem, preservam e transmitem as práticas e os conhecimentos considerados pilares da formação da identidade cultural brasileira.

“Valorizar e reconhecer nossos mestres e mestras é fortalecer a cultura e a identidade do Brasil. A partir da inclusão, essa contribuição imensurável, que enriquece territórios e toda a nossa história, passa a ter lugar no campo profissional, com garantia de direitos”, afirmou a ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Para a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC, Márcia Rollemberg, o momento é de celebração e de reafirmação de compromissos. “Essas conquistas são fruto da resistência e da luta histórica de que mantêm as tradições vivas em suas comunidades e territórios. Estamos falando das nossas identidades, do nosso Brasil raiz, plural, criativo, sagrado, inovador, rico de saberes, fazeres e ofícios”, destacou a secretária.

Por meio da Diretoria de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares, a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC solicitou a criação do CBO específico para mestras e mestres em abril do ano passado. A decisão foi embasada por estudos técnicos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) e, sobretudo, pela escuta ativa dos fazedores de cultura.

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Mestras e mestres das culturas tradicionais e populares são reconhecidos na Classificação Brasileira de Ocupações
Mestres e mestras em seminário. Foto: Victor Vec/ MinC

Medida simboliza reconhecimento de mestres e mestras

Segundo o diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares, Tião Soares, a criação do CBO tem um caráter simbólico e social.

“Este momento é mais que um marco; é a colheita de décadas de luta e resistência. A inclusão das mestras e mestres no Código Brasileiro de Ocupação é uma reparação não apenas social, mas histórica. É o reconhecimento de que nossas tradições, entrelaçadas na sabedoria e na arte dos que vieram antes de nós, são fundamentais para a identidade nacional. É um abraço carinhoso e respeitoso àqueles que, com suas mãos calejadas e corações fervorosos, moldaram a cultura brasileira. A luta continua, e agora, mais do que nunca, podemos sentir a força da nossa caminhada se materializando em políticas que promovem a valorização e o empoderamento das culturas que nos definem”, afirmou.

A articulação entre as duas pastas se fortaleceu no processo de elaboração da Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares, conduzido por um Grupo de Trabalho instituído pelo MinC em agosto de 2024. O GT é integrado por 18 ministérios, entre eles o de Trabalho e Emprego, além de reunir representantes de 14 associações, entidades e movimentos nacionais, sete pesquisadores e 54 mestras e mestres das culturas tradicionais e populares de todos os estados e Distrito Federal. Entre novembro de 2024 e agosto de 2025, o GT realizou nove reuniões ordinárias.

A Mestra Iara Aparecida, de Minas Gerais, que tem acompanhado a elaboração da nova Política Nacional e as demais políticas públicas em discussão no Governo Federal para o segmento, destacou a importância desse reconhecimento.

“A Classificação Brasileira de Ocupações identifica as profissões no mercado de trabalho brasileiro. Agora, os mestres e as mestras já têm um código: 33-31-20. Mas não é um simples código, é um passo importante para transformar respeito cultural em direito garantido. Agradeço imensamente a iniciativa do Ministério da Cultura e, principalmente, os mestres que vieram antes de nós e também lutaram por essa política pública tão importante para nós”, completou.

Como funciona a atualização da CBO

A função do CBO é fundamental para a organização e promoção do mercado de trabalho. Para incluir novas ocupações, as entidades e as associações de trabalhadores devem encaminhar solicitação ao Ministério do Trabalho e Emprego. A partir desse pedido, é formado um grupo técnico responsável por avaliar o requerimento.

As informações da CBO alimentam bases estatísticas sobre o mercado de trabalho e também servem de subsídio para a formulação de políticas públicas de emprego.

Instituída pela Portaria nº 397, de 2002, a CBO é utilizada para registros administrativos, como o eSocial e a Carteira de Trabalho, além de servir para fins estatísticos. A classificação não regulamenta profissões, mas funciona como referência para o reconhecimento das ocupações.

*Com informações de Brasil 61

Banda Carrapicho é reconhecida como patrimônio cultural do Amazonas

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Foto: Divulgação

Ícone da cultura popular amazonense, a banda Carrapicho foi oficialmente reconhecida como patrimônio cultural do Amazonas. Nesta quarta-feira (1º), a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) publicou a lei em seu Diário Oficial Eletrônico, em reconhecimento à importância do grupo para a projeção da cultura amazonense para o Brasil e o exterior.

A medida inclui tanto o patrimônio material quanto o imaterial da banda. Entre os itens materiais estão discos, prêmios, figurinos e registros históricos. Já o aspecto imaterial abrange a produção musical do grupo, marcada pela mistura de ritmos e pela popularização da toada de boi-bumbá.

Leia também: Confira 10 versões do hit ‘Tic Tic Tac’, da banda Carrapicho

Fundada em Manaus no final da década de 1980, a Banda Carrapicho projetou o nome do Amazonas para o cenário musical nacional e internacional, sendo uma das principais responsáveis pela popularização do ritmo e dos elementos culturais do boi-bumbá, expressão artística que sintetiza o imaginário, o folclore e a tradição do povo amazônico.

O grupo musical foi liderado pelo artista amazonense Zezinho Corrêa, artista amazonense que faleceu em dezembro de 2020 por complicações da Covid-19. Com músicas emblemáticas como a própria ‘Tic Tic Tac’ e outras músicas inspiradas nas toadas de Parintins, o grupo não apenas rompeu fronteiras, alcançando sucesso em diversos países, como também consolidou uma identidade sonora que traduz o espírito alegre, criativo e autêntico do povo amazonense.

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Carrapicho, patrimônio cultural do Amazonas

Confira a lei:

Lei que tornou a banda Carrapicho patrimônio cultural do Amazonas

A publicação está na página 9 do Diário Oficial Eletrônico da Aleam:

Amazônia Que Eu Quero promove painel em Roraima e aprofunda debate sobre democracia digital e tecnologia no processo eleitoral

Foto: Divulgação

O projeto Amazônia Que Eu Quero (AMQQ), iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), realizou nesta terça-feira (31), em Boa Vista (RR), o primeiro painel da temporada de debates de 2026, com foco na construção de soluções voltadas ao desenvolvimento sustentável da região. O encontro reuniu especialistas e representantes de diferentes áreas para discutir o tema “Democracia na era digital: a tecnologia aliada ao voto”.

O evento foi realizado no auditório do Sebrae Roraima, com formato presencial e transmissão ao vivo, reunindo representantes do poder público, especialistas, estudantes, profissionais da comunicação e membros da sociedade civil interessados no fortalecimento da democracia e no papel da tecnologia no processo eleitoral.

A programação teve início com a abertura institucional do projeto, seguida pelo painel temático mediado pelo jornalista Luciano Abreu, que conduziu o debate promovendo a integração entre diferentes perspectivas e estimulando a construção de reflexões e propostas alinhadas às demandas contemporâneas da região.

Tecnologia, informação e governança no centro da agenda democrática

Durante o painel, os especialistas apresentaram contribuições técnicas e reflexões estratégicas sobre os desafios e as oportunidades da democracia em um cenário cada vez mais digitalizado.

Fábio Rogério Santos Barros, especialista em sistemas eleitorais do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), destacou a tecnologia como elemento estruturante para garantir segurança, confiabilidade e eficiência ao processo eleitoral, reforçando o papel dos sistemas digitais na consolidação da democracia contemporânea.

A jornalista e pesquisadora Sheneville Araújo trouxe uma análise aprofundada sobre os impactos da informação e das tecnologias na sociedade, com ênfase na educação midiática e na necessidade de fortalecimento do pensamento crítico diante da crescente circulação de conteúdos no ambiente digital.

O coordenador do Núcleo de Prevenção à Corrupção da Controladoria-Geral da União (CGU) em Roraima, Celso Duarte de Sousa Júnior, abordou aspectos relacionados à transparência, ao controle social e à integridade na gestão pública, destacando a participação cidadã e a governança como pilares fundamentais para o fortalecimento institucional.

A mediação de Luciano Abreu garantiu a fluidez do debate, conectando os diferentes pontos de vista e promovendo um ambiente de escuta qualificada e construção coletiva.

Construção coletiva e sistematização de propostas

A partir das discussões, o projeto consolidou contribuições que irão compor o caderno final do Amazônia Que Eu Quero, documento estratégico que reúne propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia e que será encaminhado a lideranças e instituições.

A iniciativa reforça a importância da escuta ativa e do diálogo qualificado entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil como base para a formulação de políticas públicas mais eficientes e aderentes à realidade local.

Ampliação do alcance e fortalecimento do debate regional

A realização do painel em Roraima ampliou o alcance do projeto e reafirmou o papel do Amazônia Que Eu Quero como uma plataforma estratégica de articulação e construção coletiva de soluções para a região amazônica.

Dando continuidade à agenda de debates, o próximo painel do projeto será realizado em Macapá (AP), no dia 29 de abril, ampliando o diálogo regional e a construção de propostas alinhadas às especificidades dos territórios amazônicos.

O Amazônia Que Eu Quero é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica.

Perda de água tratada passa de 70% em cidades do Pará e desperdício gera alerta

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Foto da capa: Reprodução/AEGEA

Um levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil apontou que os índices de perdas de água tratada podem passar de 70% em cidades do Pará. O termo consiste na diferença entre o volume de água produzida que entra nos sistemas de abastecimento e o que é consumido pelos usuários.

O estudo, elaborado a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (ano-base 2023), mostrou que Belém registrou uma perda de 58,96%, podendo chegar à 70%, mesmos números do município de Ananindeua. Marituba, outra cidade paraense, apontou um dado ainda mais alarmante: 85% da perda de água.

Para o engenheiro sanitarista Valdinei Mendes, o desperdício de água durante o processo de abastecimento tem impactado negativamente na distribuição do serviço da população, além de representar grandes despesas financeiras para a concessionária.

“Quando a gente fala de perda de água, é preciso pensar no contexto da produção da água bruta, que é do rio ou poço. Ela passa por um processo de tratamento, bombeamento, usar produto químico, usar insumos, mão de obra, energia, até ela chegar na torneira existe um valor financeiro envolvido. Então, perder água é perder muito dinheiro, isso precisa ser visto de uma forma mais ampla”, afirmou o engenheiro.

Tipos de perdas de água

Índices de perda de água podem chegar até 70% em Belém.
Índices de perda de água podem chegar até 70% em Belém. Foto: Instituto Trata Brasil

Segundo o especialista, as perdas são classificadas de duas formas:

Perda Real: aquela em que a água não chega ao consumidor devido a vazamentos em adutoras, ramais e reservatórios;

Perda Aparente: aquela água que é consumida, mas não é contabilizada por falhas em cadastro, medidores, ligações clandestinas (gatos) e desvios irregulares.

“Quando você tem um sistema de abastecimento que não foi projetado de forma adequada ou não recebeu a devida manutenção ao longo do tempo, vamos ter o que a gente chama de perda física. Redes antigas ou remendadas têm muitos pontos de vazamento, onde a água que foi produzida e colocada na rede, sai por vazamento. E aí isso envolve duas condições para solucionar isso: a manutenção e operação do sistema, de responsabilidade das concessionárias, e a parcela diretamente ligada ao uso consciente do usuário”, frisou.

Leia também: Norte apresenta níveis de perda de água acima da média nacional, aponta Trata Brasil

Soluções estratégicas

Para mitigar os índices de perdas de água, Valdinei afirmou que as concessionárias precisam compor equipes preparadas para resolver vazamentos de água nas redes no menor tempo possível, evitando assim maior desperdício do líquido.

“É preciso que as concessionárias tenham uma equipe treinada que garanta um tempo mínimo entre o recebimento da informação do vazamento até a retirada. Para se ter ideia, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária Ambiental promove em seu evento bianual uma competição nacional, onde as concessionárias e seus operadores participam e quem resolver em menor tempo, ganha prêmios. Então, é importante a retirada do vazamento o mais rápido possível”, reforçou o engenheiro, citando um exemplo de como estimular a criação de soluções.

Uma das soluções para diminuir perdas de água é ter equipes prontas para solucionar o problema em menor tempo possível. Foto: Águas do Pará

Outra estratégia adotada pelas empresas é o serviço de atendimento entre a concessionária e os consumidores, para que os clientes possam comunicar, de forma rápida e eficiente, sobre eventuais vazamentos de água.

“Qualquer cidadão que identifique um vazamento precisa entrar em contato com as concessionárias. Independentemente de ser um local público ou privado, se está na concessão do município ou estado, o importante é eliminar essa perda porque é o nosso dinheiro que está ali. Não podemos tolerar essas perdas físicas”, frisou Valdinei.

Por fim, o engenheiro reforçou o uso consciente da água pela população para garantir a segurança hídrica do país.

“O cidadão precisa ficar ciente que, se estamos com 60% de perda, significa que todo investimento feito na produção, precisa retornar em qualidade da água, que é um dos indicadores da segurança hídrica. Se essa água é produzida e não chega na torneira, vamos ter dificuldade de manter os reservatórios cheios, a concessionária precisa garantir o reservatório para que não falte água em nenhum momento”, concluiu.

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Águas que transformam

A entrevista com Valdinei Mendes faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 1º de março.

O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Engenheiro sanistarista Valdinei Mendes explicou sobre os desafios das  perdas de águas. Foto: Reprodução/Youtube-CBN Amazônia
Engenheiro Valdinei Mendes explicou sobre os impactos das perdas de água na qualidade do abastecimento. Foto: Reprodução/Youtube-CBN Amazônia

Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira a entrevista completa (a partir de 1:17):

Confira mais episódios do especial ‘Águas que transformam’

Estudantes do IFRR desenvolvem soluções para desafios urbanos e sociais durante Canvas de Políticas Públicas em Roraima

Foto: Divulgação

A Fundação Rede Amazônica (FRAM), por meio do projeto Amazônia Que Eu Quero (AMQQ), realizou no dia 1º de abril, em Roraima, o primeiro Canvas de Políticas Públicas da edição 2026, reunindo estudantes do Instituto Federal de Roraima (IFRR), no Campus Boa Vista Zona Oeste, em uma dinâmica voltada à construção de soluções para desafios urbanos e sociais.

A atividade foi conduzida por Denis Carvalho, especialista em projetos da FRAM, e estruturada como uma imersão prática, na qual os alunos foram organizados em grupos para desenvolver propostas relacionadas aos temas infraestrutura urbana e racismo, a partir de metodologias colaborativas e conectadas à realidade local.

Metodologia aplicada e desenvolvimento de soluções

Durante o Canvas, os participantes analisaram problemas concretos enfrentados pela sociedade e, a partir desse diagnóstico, estruturaram soluções com foco em viabilidade, impacto social e aplicabilidade no contexto regional.

A metodologia do Canvas de Políticas Públicas possibilitou a organização das ideias, a identificação de causas e efeitos dos desafios apresentados e a construção de propostas de forma estratégica, fortalecendo o pensamento crítico e a capacidade de atuação cidadã.

“O Canvas de Políticas Públicas estimula os jovens a refletirem sobre desafios reais e a construírem soluções a partir da própria realidade. Durante a atividade, trabalhamos temas como infraestrutura urbana e racismo, promovendo pensamento crítico e engajamento na construção de soluções para suas comunidades”, destaca Denis Carvalho, especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica.

Infraestrutura urbana e inclusão no centro do debate

Os temas trabalhados ampliaram o escopo das discussões ao integrar questões estruturais e sociais. As propostas relacionadas à infraestrutura urbana abordaram desafios como mobilidade, acesso a serviços e organização dos espaços urbanos, enquanto o eixo do racismo trouxe reflexões sobre desigualdades, inclusão e garantia de direitos.

A atividade promoveu um ambiente de escuta qualificada e troca de experiências, valorizando o protagonismo dos estudantes e incentivando a construção de soluções alinhadas às demandas reais da população.

Formação cidadã e impacto regional

Além de contribuir para a formação técnica, o Canvas reforça o papel da educação como instrumento estratégico de transformação social, estimulando os jovens a participarem ativamente da construção de políticas públicas e do desenvolvimento de suas comunidades.

As propostas desenvolvidas durante a atividade irão compor o caderno de soluções do Amazônia Que Eu Quero, documento que sistematiza contribuições voltadas ao desenvolvimento sustentável da região e que será encaminhado a lideranças e instituições.

Dando continuidade à agenda de atividades, o próximo Canvas do Amazônia Que Eu Quero será realizado em Macapá (AP), no dia 28 de abril, seguido pelo painel no dia 29 de abril, ampliando o diálogo regional e a construção de soluções conectadas às diferentes realidades da Amazônia.

Sobre o Amazônia Que Eu Quero

Concebido em 2019, o programa Amazônia Que Eu Quero é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica e do Grupo Rede Amazônica que tem como objetivo promover a educação política por meio da interação entre os principais agentes e setores da sociedade, além do levantamento de informações junto aos gestores públicos e da participação ativa da população, por meio de câmaras temáticas estabelecidas pelo programa.

O Amazônia Que Eu Quero é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica.

Patrulha da Chuva já removeu mais de 700 toneladas de resíduos em Boa Vista

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Inverno chegando: Patrulha da Chuva reforça limpeza e garante mais segurança para a população. Foto: Francisco Sena/PMBV

Com a chegada do inverno em Boa Vista, a Patrulha da Chuva intensifica a limpeza preventiva para garantir o escoamento da água e mais segurança à população. De janeiro a março, já foram retiradas cerca de 156 toneladas de resíduos de ruas, avenidas, canais e valas, além de outras 557 toneladas das bocas de lobo, com o uso do caminhão hidrojato, para evitar alagamentos.

Para reforçar esse trabalho, a cidade passa a contar com dois novos equipamentos mecanizados: a capinadeira, utilizada na limpeza de sarjetas, com remoção de areia e vegetação, facilitando o escoamento da água; e a roçadeira hidráulica, acoplada ao trator agrícola, responsável pela manutenção das áreas às margens de BRs e RRs.

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Capinadeira remove resíduos e facilita o escoamento da água. Foto: Francisco Sena/PMBV

De acordo com o secretário municipal de Conservação Pública, Daniel Lima, a prefeitura tem ampliado os serviços de limpeza e prevenção, antecipando-se ao período chuvoso. Ele destaca ainda que, entre setembro do ano passado a março deste ano, mais de 1.000 bocas de lobo passaram por limpeza preventiva na cidade.

“A proposta é intensificar essas ações para garantir o escoamento da água e reduzir alagamentos. Agora, a cidade também passa a contar com esses dois novos equipamentos mecanizados. Nosso cronograma é definido por equipes técnicas da Secretaria Municipal de Conservação Pública (SMCP), com base nos pontos críticos de alagamento e nas demandas registradas pela população por meio da Central 156”, destacou o secretário.

Casal aprova agilidade da limpeza em poucas horas no bairro Pintolândia. Foto: Francisco Sena/PMBV

Moradores do bairro Pintolândia destacam agilidade dos serviços

O casal Maria de Jesus, de 69 anos, e João José Pereira, de 59, gostou de ver a agilidade do serviço em poucas horas, enquanto caminhava pela rua José Alber Sampaio, no bairro Pintolândia.

“Gosto muito de ver os agentes limpando as ruas, ainda mais agora no começo do inverno. É um trabalho nota 10. Passamos agora há pouco e ainda não tinha nada feito e agora já deixaram limpo”, frisou dona Maria.

Quem também acompanhou o serviço foi o mestre de obras Ivaldo Ribeiro, de 59 anos. “Essa nova capinadeira facilita muito, inclusive para o pessoal que faz a limpeza. Eu observo muito esse trabalho que eles fazem. É um serviço muito importante para a nossa cidade”, disse o morador.

Morador Ivaldo aprova o reforço na limpeza urbana. Foto: Francisco Sena/PMBV

Leia também: 4º Dia de Campo em Hortifrúti apresenta novas técnicas de cultivo em Boa Vista

Confira os equipamentos utilizados pela Patrulha da Chuva

Roço e capina: equipes especializadas atuam na limpeza de ruas e avenidas, além da manutenção e substituição de bocas de lobo. Paralelamente, outros grupos intensificam a retirada de resíduos em canais de escoamento, valas de igarapés, praias e margens de rios, reforçando a prevenção de alagamentos.

Capinadeira mecanizada: acoplada à máquina de varreção, é a mais nova aliada da limpeza urbana chega a recolher cerca de 10 toneladas de resíduos por dia. Equipada com escovas centrais e laterais, facilita a remoção de folhas, areia, papéis, bitucas de cigarro, embalagens e outros resíduos.

Caminhão hidrojato: essencial para a desobstrução das bocas de lobo, remove com eficiência o lixo descartado irregularmente, além de resíduos trazidos pelas chuvas, como areia e barro.

Roçadeira hidráulica: O equipamento faz o corte da vegetação alta com mais agilidade e precisão, garantindo melhor visibilidade, segurança viária e contribuindo para a prevenção de alagamentos.

Lucia Alberta Baré: amazonense é nomeada nova presidenta da Funai

Foto: Elvio Pankararu/Funai

A nova presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Lucia Alberta Baré, foi anunciada na solenidade de transmissão do cargo de ministro de Estado dos Povos Indígenas. O evento aconteceu no dia 31 de março, na sede do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), e anunciou ainda o novo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena.

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Segundo a Funai, o nome de Lucia Alberta Baré para a presidência da Funai reforça a continuidade no processo de fortalecimento da gestão indígena à frente das políticas públicas voltadas aos povos indígenas, em alinhamento com as diretrizes do governo federal para ampliação da participação indígena nos espaços de decisão.

“É um momento de dar continuidade ao protagonismo, autonomia e fortalecimento das ações para os povos indígenas. Estamos reforçando a nossa presença em espaços de decisão e caminhando junto com os povos indígenas e suas organizações, faremos todo o trabalho na Funai de forma dialogada e participativa”, enfatizou Lucia Alberta Baré.

A nomeação da nova presidenta foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Durante o evento, a ex-ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara destacou os avanços recentes da política indigenista e o caráter coletivo da gestão.

“Esse é um trabalho coletivo e ancestral. Somos resultado de uma longa história e de um conhecimento que vem sendo aprimorado ao longo das gerações. Avançamos na recomposição do orçamento, fortalecemos a Funai com novos servidores, incluindo vagas destinadas a indígenas, instituímos a carreira indigenista e regulamentamos o poder de polícia da Funai. Ampliamos a presença indígena nos espaços de decisão”, ressaltou.

Lucia Alberta Baré: amazonense é noemada nova presidenta da Funai
Foto: Elvio Pankararu/Funai

Ao assumir o cargo, o ministro Eloy Terena ressaltou a importância do investimento contínuo em políticas públicas e na formação de lideranças indígenas.

“Esse olhar estratégico foi trazido de forma exemplar pela ministra Sônia Guajajara, e quero agradecer por toda a sua contribuição ao movimento indígena. Sou fruto do investimento coletivo, da política pública e do próprio movimento indígena. Isso mostra que precisamos continuar investindo, para que mais indígenas possam acessar a formação e chegar aos espaços de tomada de decisão, como no MPI e na Funai”, disse.

O importante líder indígena e cacique Roani Metuktire destacou a necessidade de fortalecer cada vez mais as organizações indígenas.

“O eu quero é que a gente mantenha nossa identidade viva. Precisamos continuar lutando para garantir a importância da nossa cultura e da nossa língua. Devemos lutar juntos, sempre”, finalizou.

Participaram ainda da cerimônia representantes do Ministério da Igualdade Racial, da Câmara dos Deputados, da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), a presidenta substituta da Funai, Mislene Mendes, além de diretores da Funai, Janete Carvalho, da Proteção Territorial (DPT), Pagu Rodrigues, dos Direitos Humanos e Políticas Sociais (DHPS) e Manoel Prado, da Demarcação de Terras Indígenas (Didem).

Quem é Lucia Alberta Baré

A trajetória de Lucia Alberta Baré é marcada pela convergência entre formação acadêmica, atuação no serviço público e compromisso histórico com a defesa dos direitos dos povos indígenas.

Indígena do povo Baré, nascida na região do Alto Rio Negro (AM), ela ocupa, desde janeiro de 2023, a Diretoria de Gestão Ambiental e Territorial (Digat) da Funai, área estratégica para a gestão dos territórios e a implementação de políticas socioambientais.

A nova presidenta também é servidora pública efetiva da Funai, aprovada no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), desde junho de 2025.

Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e mestre em Educação pela mesma instituição, Lucia Alberta Baré construiu sua carreira a partir de experiências diretamente vinculadas à realidade dos povos indígenas da Amazônia. Sua atuação inicial esteve ligada à educação escolar indígena, incluindo a produção de materiais didáticos em línguas indígenas e a formação de professores em contextos interculturais.

Foto: Mário Vilela/Funai

Formação e atuação na educação indígena

Antes de assumir funções de direção na Funai, Lucia Alberta Baré atuou por oito anos na Secretaria Municipal de Educação de São Gabriel da Cachoeira (AM), onde participou de processos estruturantes da política de educação indígena.

Posteriormente, integrou o Instituto Socioambiental, onde trabalhou por cerca de oito anos apoiando projetos educacionais e iniciativas de fortalecimento cultural junto aos povos do Alto Rio Negro.

No âmbito federal, também exerceu funções no Ministério da Educação (MEC), com destaque para a coordenação de políticas voltadas à educação escolar indígena e à formação de professores indígenas em licenciatura intercultural. Nesse período, participou da organização de conferências nacionais e da articulação com estados e municípios para a construção de políticas educacionais alinhadas às especificidades dos povos indígenas.

Leia também: Amazonas e Roraima se destacam com maiores índices de população indígena

Experiência institucional e atuação indigenista

Lucia Alberta Baré possui ampla experiência no serviço público e na formulação de políticas indigenistas. Entre 2012 e 2016, atuou como assessora da Presidência da Funai, contribuindo para iniciativas estruturantes, como a realização da 1ª Conferência Nacional de Política Indigenista, que mobilizou milhares de participantes e consolidou propostas para o setor.

Também teve atuação no Legislativo federal, na Câmara dos Deputados, na gestão da ex-deputada, Joenia Wapichana, experiência que ampliou sua articulação institucional e sua compreensão sobre o processo de construção de políticas públicas.

Gestão ambiental e protagonismo indígena

À frente da Diretoria de Gestão Ambiental e Territorial, Lucia Alberta Baré tem defendido o fortalecimento da presença indígena nos processos decisórios e a integração de conhecimentos tradicionais na formulação de políticas públicas. Sua atuação está diretamente relacionada à implementação de instrumentos como a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (Pngati) e ao aprimoramento da gestão socioambiental nos territórios.

Em sua atuação institucional, destaca a necessidade de participação ativa dos povos indígenas em todas as etapas das políticas públicas, como condição para sua efetividade e legitimidade. Também tem enfatizado o papel estratégico dos territórios indígenas na conservação ambiental e na proteção da biodiversidade, inclusive em espaços internacionais de debate.

*Com informações da Funai

Equipe resgata ossos de baleia de 14 metros e prepara coleção científica no Amapá

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Ossada de baleia-de-bryde é resgatada para estudos científicos. Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA) participaram do resgate dos ossos de uma baleia-de-bryde (Balaenoptera brydei) que encalhou no final de julho de 2025, na Ilha da Viçosa, em Chaves (PA), distante 4 horas de barco de Macapá (AP).

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O animal que era um macho de 14 metros, foi descarnado em agosto do mesmo ano, e desde então a operação de retirada estava sendo planejada A ação começou na quarta-feira (25) e terminou no domingo (29). O trabalho envolveu logística complexa, com transporte de estruturas pesadas como o crânio e a mandíbula, além da colaboração de moradores locais.

Após os processos, material deve passar por uma limpeza e em seguida será incorporado à coleção osteológica do Iepa. A equipe estuda a possibilidade de montar o esqueleto da baleia para fins científicos e educativos.

Ação de resgate

O barqueiro Alcindo Farias, conhecido como Chinoá, foi responsável por desenterrar parte dos ossos e ajudar no deslocamento até Macapá, onde o material será estudado. O acesso ao local exigiu planejamento cuidadoso. O biólogo e piloto de barco José Roberto Pantoja explicou que a profundidade do canal é muito baixa, o que limita o tempo de entrada e saída das embarcações.

“A gente tem um tempo bastante curto para entrar no canal e sair. A profundidade chega a apenas 50 cm, o que limita o transporte de materiais. Se perder o horário, só é possível voltar no dia seguinte”, explicou

Leia também: Crânio de baleia cachalote encontrado no Bailique integra coleção científica do Iepa no Amapá

José Roberto Pantoja, biólogo e piloto de barco esteve na missão de resgate dos ossos. Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP

Além das dificuldades de navegação, o trabalho de escavação também foi intenso. Segundo Alcindo, a equipe era pequena e precisou lidar com ossos frágeis, que exigiam cuidado redobrado.

“Foi um trabalho pesado, com equipe reduzida. Os ossos estavam frágeis e exigiram cuidado redobrado. Ainda bem que não choveu, conseguimos retirar todos”, afirmou Chinoá.

Entre as estruturas resgatadas, o destaque foi o crânio da baleia, que mede cerca de 3 metros de comprimento. O tamanho impressiona e reforça a importância científica do material. A médica veterinária Larissa Sacramento ressaltou que o registro é fundamental para ampliar o conhecimento sobre a espécie.

“Buscamos informações sobre a anatomia desses animais e percebemos que são escassas. Por isso, registramos e contamos os ossos para verificar se estão completos e se será possível montar o esqueleto posteriormente”, falou.

Leia também: Cientistas encontram vértebras de baleia que teria vivido no Peru há 40 milhões de anos

Ossos de baleia encontrados no Amapá
Ossada de baleia-de-bryde é resgatada para estudos científicos. Foto: Alcindo Farias

O Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC) também esteve presente e realizou a contagem dos ossos, além de auxiliar no transporte das estruturas mais pesadas.

A baleia-de-bryde

Medindo cerca de 15 metros e pesando até 40 toneladas, a baleia-de-Bryde (Balaenoptera edeni) é a única espécie de baleia que vive exclusivamente em regiões temperadas e tropicais do planeta e, diferentemente das outras, não realiza migrações para regiões polares.

Baleia-de-bryde pode chegar a 15 metros. Foto: Julio Cardoso/Projeto Baleia à Vista

Geralmente, são vistas sozinhas ou em pares, mas se agregam em grupos de até 20 animais, nas regiões onde se alimentam. São capazes de nadar a velocidades de até 25 km/h, e podem mergulhar a cerca de 300 metros de profundidade.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

BR-319 deve impulsionar chegada de novas fábricas ao PIM, diz superintendente da Suframa

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A BR-319 deve ampliar a capacidade de transporte de insumos e produtos do Polo Industrial de Manaus, segundo o novo superintendente da Suframa, Leopoldo Augusto Melo Montenegro Junior. Foto: Divulgação/Suframa

A BR-319 deve ampliar a capacidade de transporte de insumos e produtos do Polo Industrial de Manaus e impulsionar a chegada de novas fábricas à capital. A avaliação é do superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Leopoldo Montenegro, em entrevista ao Grupo Rede Amazônica, realizada nesta quarta-feira (1º). Segundo ele, a rodovia será mais uma alternativa logística para fortalecer a competitividade do modelo.

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A declaração ocorre após o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) autorizar novas obras e abrir licitação para pavimentação de trechos da BR-319, entre o Igarapé Atií e o Igarapé Realidade, no Amazonas. A liberação foi assinada na terça-feira (31), em Brasília.

De acordo com Montenegro, a BR-319 pode facilitar tanto a entrada de matérias-primas quanto a saída da produção industrial. Ele destacou que o polo foi criado com foco no abastecimento do mercado interno e que a diversificação de modais é estratégica.

“A BR-319 vem muito a contribuir com isso porque é mais um modal que tanto escoa a mercadoria para dentro da Zona Franca de Manaus quanto a saída da Zona Franca de Manaus também pode ser utilizada por meio da BR-319”, destacou.

Leopoldo Augusto Melo Montenegro Junior assumiu o comando da Suframa no dia 20 de março no dia 20 de março. A solenidade marcou a despedida de João Bosco Gomes Saraiva e reuniu servidores e colaboradores no auditório do órgão.

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Falta de espaço para novas indústrias

O cenário logístico mais favorável se soma a um novo ciclo de expansão, segundo Leopoldo. Ao todo, 38 fábricas devem ser instaladas nos próximos três anos, além de outras 195 já aprovadas recentemente.

“Essas 38 fábricas que vão ser instaladas nos próximos três anos se somam a 195 fábricas que também foram aprovadas nos últimos três anos”, afirmou.

Segundo o superintendente, o avanço é impulsionado pela reforma tributária, que manteve as vantagens da Zona Franca de Manaus e aumentou a segurança para novos investimentos.

Desafio com a BR-319

Com a chegada de novas indústrias, a falta de áreas disponíveis para instalação se tornou um desafio. Os distritos industriais existentes já estão praticamente ocupados.

“Hoje eu diria que a gente tem um problema bom para resolver, porque é um problema que vai trazer investimentos para a Zona Franca de Manaus”, disse.

Para ampliar a capacidade, de acordo com Leopoldo Montenegro, a Suframa iniciou conversas com a Prefeitura de Manaus para revisar o plano diretor e permitir a instalação de indústrias em outras áreas da cidade.

Obras de pavimentação da BR-319
Foto: Reprodução/DNIT

Demanda por mão de obra qualificada

O crescimento também aumenta a necessidade de profissionais qualificados, segundo o superintendente da Suframa. Um estudo aponta que o polo vai precisar de mais de 3 mil engenheiros e 3,5 mil técnicos de nível médio nos próximos três anos.

“A demanda do polo industrial de Manaus para os próximos três anos, com relação a engenheiros, é de mais de três mil engenheiros. Com relação ao nível médio técnico, mais de 3.500 profissionais”, afirmou.

Montenegro informou que a Suframa tem buscado parcerias com instituições de ensino para incentivar a formação desses profissionais.

Faturamento recorde e projeção

O Polo Industrial de Manaus registrou faturamento recorde de R$ 227,7 bilhões em 2025, com 132.950 empregos diretos. Para 2026, a expectativa é manter o crescimento.

A projeção indica que o faturamento pode ultrapassar R$ 240 bilhões neste ano, dependendo do cenário econômico.

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Monitoramento de eventos climáticos

A autarquia também acompanha os impactos de eventos como seca e cheia dos rios, que afetam o transporte. Mesmo com previsão de menor impacto, empresas já antecipam a compra de insumos para evitar prejuízos.

O monitoramento é feito em conjunto com órgãos de controle e com apoio de estudos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Metas da gestão

Entre as prioridades da Suframa estão a modernização dos sistemas, a regularização fundiária e a ampliação da atração de investimentos.

“Se a gente tem fábricas chegando, nós temos que fazer o nosso dever de casa e oferecer a infraestrutura necessária”, disse Montenegro.

A autarquia também se prepara para as mudanças da reforma tributária. A expectativa é que, a partir de 2033, a Zona Franca de Manaus se consolide como principal política de incentivo fiscal do país.

O Dia da Mentira: da Independência às fake news históricas de Rondônia

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General Cândido da Silva Rondon; obra de barro do escultor Bruno Souza. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Quando se fala em 1º de abril, o Dia da Mentira, a memória do brasileiro costuma vagar pelos corredores da política — um cenário onde a realidade frequentemente supera a ficção. No entanto, a “arte” de omitir ou florear fatos não é exclusividade dos palanques contemporâneos; ela está impregnada nos livros escolares e em telas famosas que moldaram nossa identidade nacional.

O grito que não foi bem assim

Um dos maiores exemplos de “idealização heroica” é o quadro Independência ou Morte, pintado por Pedro Américo em 1888. A obra, que está no Museu do Ipiranga, foi concebida 66 anos após o evento e está longe de ser um registro fiel.

Enquanto a tela mostra cavalos imponentes e uniformes de gala, a realidade de 7 de setembro de 1822 era bem menos glamourosa: Dom Pedro I viajava à paisana, montado em uma mula (animal mais adequado para longas subidas) e enfrentava uma severa indisposição intestinal (disenteria).

O riacho do Ipiranga e a tropa heroica foram ampliações artísticas para conferir ao vilarejo de São Paulo uma importância que ele só ganharia décadas depois.

Cartas falsas e a República

Já na fase republicana, o Brasil experimentou uma das primeiras grandes fake news eleitorais: as “Cartas Falsas de Artur Bernardes”. Em 1921, durante uma campanha presidencial acirrada, o jornal Correio da Manhã publicou correspondências supostamente escritas por Bernardes com ofensas pesadas ao Exército e ao marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente do país.

O escândalo quase custou a eleição ao candidato da elite cafeeira. Mais tarde, comprovou-se que as cartas eram falsificações grosseiras, forjadas por opositores para desestabilizar a candidatura de Bernardes — provando que o uso de desinformação como arma política é um vício antigo no país.

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Reconstruindo o “Marechal” Rondon

Trazendo a lupa para o cenário regional, o próprio patrono do estado de Rondônia não escapa das imprecisões históricas. O nome de batismo de Rondon era Cândido Mariano da Silva. O “Rondon” foi um nome de guerra adotado posteriormente em homenagem à genealogia de sua mãe, mas nunca constou oficialmente em seu sobrenome original.

Outra “meia verdade” consolidada é a sua patente. Rondon nunca foi marechal de fato, pelas regras das forças armadas. No Brasil, esse posto só é provido em tempos de guerra. Em 1955, quando recebeu a insígnia, o país vivia em paz e Rondon já era general na reserva desde 1930. A homenagem foi um título honorífico e simbólico entregue pela Câmara dos Deputados em seu aniversário de 90 anos, como gratidão pelos serviços prestados. General de Exército era, tecnicamente, o topo de sua carreira.

Vilhena, em Rondônia
Vilhena (RO). Foto: Daniel Belem Pereira via Wikipédia – Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional

O ouro fantasma de Vilhena

Na década de 1970, Vilhena (Sul de Rondônia) foi cenário de uma das lendas mais curiosas da região: o suposto “Tesouro de Rondon”. Dizia-se que a Comissão Rondon havia enterrado toneladas de ouro nas proximidades do Posto Telegráfico Álvaro Vilhena (a Casa de Rondon).

“Eu era criança no final dos anos 70 e ia lá cavoucar. As histórias variavam de 6 quilos a 6 toneladas de ouro”, recorda o comerciante Luiz Basílio, ex-proprietário do Cine São Luiz. A lenda era alimentada por um indígena local que guiava caravanas de “caçadores de tesouros” para escavações que nunca rendiam um grama sequer do metal precioso.

O Dia da Mentira: da Independência às fake news históricas de Rondônia
General Cândido da Silva Rondon; obra de barro do escultor Bruno Souza. Foto: Divulgação

O coronel Antônio Marialva, neto de Rondon e hoje residente em Manaus, lembra com bom humor das histórias bizarras que ouviu ao chegar em Vilhena em 1976. “Pessoas que não sabiam do meu parentesco diziam que meu avô mandava enterrar o ouro e depois matava as testemunhas, inclusive as cozinheiras. O detalhe é que a expedição nunca teve cozinheiras ou mulheres”, narra sorrindo.

Entre o mito e o afeto

Se na história e na política as mentiras servem para criar heróis ou esconder tesouros, no cotidiano elas assumem tons mais íntimos. Para a cabeleireira Janete Domingos, a maior mentira que já ouviu é clássica e universal: “A frase ‘eu te amarei para sempre’ é a que mais ouço até hoje”, diverte-se.

Seja por estratégia militar, ufanismo histórico ou promessas de amor, o 1º de abril nos lembra que a verdade, muitas vezes, é apenas uma questão de perspectiva.

Por que 1º de abril?

A tradição de pregar peças surgiu no século XVI, na França. Em 1564, o rei Carlos IX adotou o calendário gregoriano, movendo o Ano Novo de março para 1º de janeiro. Aqueles que, por distração ou resistência, continuaram celebrando na data antiga, passaram a ser zombados como os “Tolos de Abril”.

No Brasil: A prática ganhou força em 1828, ironicamente através da imprensa. O jornal mineiro A Mentira publicou, em sua primeira edição de 1º de abril, a falsa notícia da morte de Dom Pedro I. Desde então, a data se consolidou como um dia para descontrair com histórias fictícias e pegadinhas inofensivas.

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Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista