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Novos blocos de petróleo em estudo avançam sobre área ampliada da Foz do Amazonas em alto-mar

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Sonda de perfuração da Petrobras no poço Morpho do bloco 59, na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, na margem equatorial. Foto: Divulgação/Foresea

A expansão da exploração de petróleo na margem equatorial amazônica vive um novo capítulo, com mais 86 blocos aprovados para a fase de estudo pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP): 36 na bacia Foz do Amazonas, 25 em Pará-Maranhão e 25 em Barreirinhas.

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Blocos em fase de estudo são áreas delimitadas para a exploração de petróleo e gás natural que ainda estão em análise. Nessa fase, são feitos estudos geológicos, sísmicos e ambientais para avaliar o potencial das reservas antes de uma possível licitação ou exploração. pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP): 36 na bacia Foz do Amazonas, 25 em Pará-Maranhão e 25 em Barreirinhas.

Eles não devem entrar no leilão previsto para outubro deste ano, mas, segundo nota técnica da ANP, serão avaliados no primeiro semestre de 2027, dado o potencial exploratório da região e a necessidade de consolidar subsídios técnicos, mirando um próximo ciclo de oferta.

Foi identificado que, entre esses 86 blocos em estudo, 27 ultrapassam total ou parcialmente o limite da Zona Econômica Exclusiva (ZEE). A ZEE é uma faixa de 12 (cerca de 22 quilômetros) a 200 milhas marítimas (cerca de 370 quilômetros) em relação à costa. Nessa área, o Brasil detém os direitos de soberania para fins de exploração e aproveitamento, conservação e gestão dos recursos naturais e minerais presentes na coluna d’água, no leito do mar e no subsolo, bem como autonomia sobre a investigação científica.

Novos blocos de petróleo em estudo avançam sobre área ampliada da Foz do Amazonas em alto-mar. Foto: Reprodução/ Infoamazônia

Leia também: MPF pede que Ibama explique divergências em licenciamento de petróleo na Foz do Amazonas

O avanço desses 27 blocos em estudo — todos situados na bacia da Foz do Amazonas, abrangendo uma área de 20,7 mil quilômetros quadrados — só é possível por causa de uma decisão de março de 2025. À época, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou um pedido brasileiro para expandir sua plataforma marítima continental em mais 360 mil quilômetros quadrados na região da margem equatorial – equivalente ao território da Alemanha. Isso conferiu ao Brasil o direito sobre o leito e o subsolo das áreas submarinas que se estendem além da ZEE. 

Portanto, agora, o país pode explorar os recursos naturais presentes na nova área e tem o direito exclusivo a autorizar e regulamentar as intervenções como perfurações, além de pesquisa, proteção e conservação. Antes, essa faixa expandida era considerada parte das águas internacionais e estava sujeita às regras da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

“O Brasil conseguiu essa nova área para ter jurisdição e poder ofertar esses blocos. A partir disso, a ANP já começou a se movimentar, adicionou mais blocos para ter mais opções disponíveis para as empresas entrarem com interesse, arrematarem e iniciarem todo o processo para a exploração”, observa George Mendes, engenheiro ambiental e gerente de geociências do Instituto Internacional Arayara.

Essas adições se inserem no planejamento estratégico da ANP para 2026 e 2027, que readequou setores de exploração — divisões geográficas da dentro da zona utilizada para planejar e administrar a exploração de petróleo e gás —  conforme o novo limite da plataforma continental brasileira, que se estende do Oiapoque, no extremo norte do Amapá, ao litoral do Rio Grande do Norte. Para a indústria de combustíveis fósseis, trata-se de uma região promissora: a ANP estima que a margem equatorial brasileira, que inclui as cinco bacias sedimentares da região — Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar —, tenha reservas de 30 bilhões de barris de petróleo.

Um plano antigo ganha uma nova fronteira

O interesse brasileiro na expansão da plataforma marítima continental teve início nos anos 1980, com a formação de uma comissão liderada pela Marinha. Em setembro de 2017, o governo brasileiro solicitou à ONU essa expansão em toda a margem equatorial brasileira. A proposta teve a contribuição da Petrobras, que realizou o levantamento sísmico e a análise de dados por geólogos e geofísicos sobre as cinco bacias da região.

Mendes explica que os blocos marítimos em estudo passam por um processo que dura, geralmente, aproximadamente 95 dias. Após a aprovação pela ANP, eles são encaminhados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), que, em um prazo de 30 dias, precisam definir as diretrizes ambientais e sociais. 

Em seguida, o parecer dos órgãos ambientais é analisado em uma reunião entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Ministério de Minas e Energia (MME), que terão 60 dias para emitir uma manifestação conjunta.

Por fim, a ANP realiza um processo de consulta e audiência pública, para só então passar por análise do Tribunal de Contas da União e, se aprovados, os blocos ficam disponíveis para a declaração de interesse das empresas. Caso aconteça, ocorre a publicação do edital e, assim, podem integrar um novo ciclo de oferta até o leilão. Se a validade de cinco anos desde a manifestação conjunta expirar, os blocos precisam recomeçar seus estudos.

Petróleo à vista

As bacias da Foz do Amazonas, do Pará-Maranhão e de Barreirinhas, na costa amazônica, possuem 357 blocos marítimos em estudo, conforme análise da InfoAmazonia nas bases da ANP. Há também 42 em exploração

A exploração é a etapa inicial após a concessão de um bloco de petróleo a uma empresa ou consórcio. Nessa fase, são realizados estudos para identificar reservas viáveis para extração, como levantamento sísmico e perfuração de poços exploratórios. Diferente da fase de produção, ainda não há extração contínua de petróleo ou gás para comercialização., que podem pleitear a prospecção da área mediante licenciamento ambiental.

A Petrobras possui a concessão de 32 blocos de exploração na margem equatorial. Em 20 de outubro de 2025, obteve a primeira licença ambiental para efetivar a exploração do bloco 59, situado na Foz do Amazonas. O bloco foi adquirido em 2013 e passou por mais de uma década de negativas e adequações junto ao Ibama.

Desde então, a Petrobras investiu cerca de US$ 1 milhão por dia, ou US$ 300 milhões ao todo, na perfuração do poço Morpho. Em 17 de agosto, a estatal confirmou a descoberta de petróleo na área. “Temos muito otimismo”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em uma coletiva de imprensa em Oiapoque, no Amapá, naquele dia.

“A razão da nossa alegria é a constatação de que, tudo dando certo, e até agora tudo deu certo, a gente pode ajudar de uma maneira muito importante a recomposição das reservas da Petrobras e do Brasil, a partir do declínio da produção do pré-sal”, disse a presidente.

A Petrobras ainda analisa se há potencial comercial e, por enquanto, não estimou o volume da reserva nem a expectativa de produção no bloco 59. Mas o feito já reforçou os planos da estatal, que prevê investimento de US$ 2,5 bilhões na exploração na margem equatorial de 2026 a 2030, com o objetivo de perfurar 15 novos poços.

Leia também: Amostra de petróleo do Amapá é levada ao Rio de Janeiro para análise de composição e qualidade

Foto: Cézar Fernandes/Agência Petrobras

“Nós vamos continuar a perfuração desse poço, prosseguir com a exploração da área. Só neste bloco temos mais três poços a perfurar. Nessa área, além desses três, temos outros cinco”, disse Chambriard.

Ainda em 17 de agosto, o Ministério Público Federal (MPF) cobrou explicações ao Ibama sobre o pedido da Petrobras para a inclusão de mais três poços na licença de operação do bloco 59. Em resposta, o órgão ambiental argumentou que os quatro estavam previstos desde o início dos estudos, sendo o Morpho o principal e os outros três, contingenciais.

Em 2 de setembro, o MPF pediu novas explicações por entender contradições em relação ao argumento apresentado pelo Ibama à Justiça Federal, de que “a atividade de exploração sob análise era temporária, pontual e duraria apenas cerca de seis meses”, enquanto ao ministério disse que a campanha durará até 2029 e conta com múltiplos poços. 

“Uma atividade que dura anos no mar provoca impactos muito mais graves do que uma operação de poucos meses”, afirmou o MPF, em nota. “Com o tempo, esses danos se acumulam e afetam a fauna marinha, a pesca artesanal e o modo de vida de povos indígenas e povos e comunidades tradicionais da costa”.

O petróleo desperta o mercado internacional

Em junho de 2025, o leilão do 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão despertou o interesse da indústria petroleira na margem equatorial, em meio às pressões dos poderes Executivo e Legislativo pela liberação da exploração de petróleo na costa amazônica. No total, 19 blocos foram concedidos na bacia da Foz do Amazonas, dos quais dez foram destinados à Petrobras e à ExxonMobil (EUA) e nove à Chevron (EUA) e à estatal chinesa CNPC. Na ocasião, a portuguesa Petrogal também adquiriu três blocos na bacia Pará-Maranhão, em parceria com a estatal brasileira. Os contratos das concessões foram assinados em 24 de novembro de 2025.

“O Brasil fala muito sobre a soberania, da baixa produção nacional, mas tem entregado seus recursos na mão de empresas estrangeiras”, avalia George Mendes, do Instituto Arayara. “O que gerava desinteresse era mais o arcabouço legal, com a dificuldade de licenciamento. De certa forma, isso se rompeu na medida em que o Ibama deferiu a primeira licença. O bloco 59 foi a porteira para a exploração não só da Petrobras, como de outras empresas.”

Mendes também observa que a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, aprovada pelo Congresso em 17 de junho de 2025, pode ser uma das causas do crescimento do interesse do setor petroleiro. Na nova legislação, a modalidade da Licença Ambiental Especial (LAE) é prevista para projetos considerados prioritários pelo governo, com a demanda de análise em apenas 12 meses pelos órgãos licenciadores: “Essa nova lei do licenciamento flexibiliza não só a exploração em si, mas toda a infraestrutura que vem junto, de termelétricas, gasodutos, escoamento, sísmica”.

“A Petrobras foi colocada como desbravadora desse processo, porque tem uma legitimidade social muito mais concreta do que as empresas estrangeiras”, acredita João Cerqueira, diretor de campanhas e incidência política da 350.org, organização internacional que apoia povos e comunidades tradicionais ameaçadas pela indústria fóssil. 

busca por petróleo segue no Amapá
Foto: Roberto Rosa/Agência Petrobras

Para Cerqueira, a guerra entre Estados Unidos e Irã consolidou o interesse do Brasil em se tornar um petroestado, sendo a margem equatorial o meio para ampliar a produção e a exportação. 

“Se o presidente Trump quiser ficar fazendo guerra com o Irã e fechar o Estreito de Ormuz, estamos aqui, no meio do mar, descobrindo um petróleo maravilhosamente puro”, disse o presidente Luís Inácio Lula da Silva, em visita à sonda do poço Morpho, da Petrobras, em 17 de agosto.

“A descoberta não pode ser usada como um bilhete premiado para justificar a expansão da exploração de petróleo na região”, disse Juliano Bueno, presidente do Instituto Arayara. “Encontrar petróleo não elimina os riscos ambientais e climáticos, nem responde à necessidade de o Brasil reduzir sua dependência dos combustíveis fósseis”.

Riscos no mar, resistência em terra 

A Petrobras reconheceu que, em um eventual vazamento de óleo em cinco blocos que ainda busca autorização para explorar na margem equatorial, há chance de o litoral de Oiapoque e Calçoene, no Amapá, ser atingido, conforme relatório obtido pela DW Brasil no final de julho.

Anália Barreto, diretora executiva do Instituto Mapinguari, uma organização baseada em Macapá (AP), considera que o relatório não teve a divulgação necessária no estado, nem o encaminhamento para as comunidades e organizações da sociedade civil. Desde 2023, o Mapinguari apoia povos indígenas e tradicionais acerca da exploração de petróleo, para construir alternativas de desenvolvimento.

“Tem uma cadeia propagandista em torno desse empreendimento. O Legislativo e o Executivo do estado estão totalmente complacentes. É um ambiente de marginalização, para que a gente não consiga se organizar e ter uma resposta adequada”, ela considera. 

Barreto observa que encontros oficiais de inaugurações ou entregas de obras, como um hospital, também incorporam o petróleo ao discurso, com a promessa de mais investimentos, para transformar o Amapá na “nova Miami, a nova Dubai”.

João Cerqueira, da 350.org, observou “uma retirada de energia muito grande do movimento ambientalista” depois da aprovação da licença de operação à Petrobras: “existia a compreensão de que, se esse bloco fosse aprovado, seria uma batalha perdida contra os próximos”.

A organização oferece apoio financeiro e atua juridicamente em outros territórios da Amazônia. Busca, por exemplo, frear novas licenças de exploração de gás natural no Complexo Azulão, no município de Silves (AM), pela Eneva. Com a descoberta de petróleo da Petrobras e os novos blocos em estudo e os arrematados para exploração, Cerqueira observa que a costa do Amapá e do Pará voltará a ser prioridade na mobilização do grupo. 

“Dentro dos poderes Executivo e Legislativo, a gente entende que não tem abertura para pautar isso, nem no Amapá, nem a nível federal. Essa batalha tem que ir para o Judiciário agora e para a mobilização popular. Não existe entrada para reverter a velocidade do processo em outras instâncias”, diz Cerqueira.

O Instituto Arayara, por sua vez, monitora os blocos em estudo e disponibiliza análises que consideram diversas camadas socioambientais, como sobreposições com área de pesca artesanal e industrial, áreas protegidas ou prioritárias para conservação. “Quando esses blocos têm a manifestação conjunta válida e estão para entrar no edital, é obrigação legal da ANP fazer as audiências públicas. A gente sempre participa, faz os apontamentos. Infelizmente, eles não atendem na maior parte das vezes”, conta George Mendes.

Para Anália Barreto, frear a exploração de petróleo na costa amazônica representaria a adequação à agenda internacional do Brasil como liderança climática, ao mesmo tempo que resguardaria uma região rica em biodiversidade, com manguezais e estuários, e populações tradicionais que já são vulneráveis ao aquecimento global.

No distrito de Sucuriju e no arquipélago do Bailique, exemplifica Barreto, as populações têm uma relação próxima entre o rio e o mar, mas já sofrem com racismo ambiental, ausência do Estado em questões como saneamento básico e efeitos diretos do clima, agravados pela exploração de combustíveis fósseis. 

“Perfurar blocos de petróleo tem um preço a se pagar muito caro para essa população para além do vazamento, que é o aumento da temperatura e do nível do mar para quem já sofre com a salinização das águas e não tem acesso a serviços essenciais”, explica Barreto.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Infoamazônia, escrito por Kevin Damásio.

Pesquisadores indígenas lançam livro na Bienal de São Paulo sobre violações históricas contra povos no Brasil

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Foto: Reprodução/Instagram-selodarua

Registrar violações históricas contra povos indígenas e fortalecer a busca por justiça para esses crimes são objetivos do livro “Povos Indígenas e Justiça de Transição – Registros de Memórias que Denunciam Violências”, coleção de artigos de autores indígenas que será lançada na Bienal do Livro em 9 de setembro. 

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O livro se debruça sobre oito episódios emblemáticos de violência contra comunidades e povos indígenas pelo país ocorridos em Roraima, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Paraná e Espírito Santo. As ocorrências incluem casos de tortura, genocídio, trabalho forçado, sequestro de crianças, assassinatos, remoções e expulsões territoriais.

Uma pequena amostra da recorrente brutalidade contra os povos originários do país, que pode vir tanto de pessoas a mando de iniciativas particulares como de agentes do Estado. Seja como for, raramente os algozes enfrentaram a Justiça.

Na obra, o conceito da justiça de transição é defendido como um conjunto de medidas destinadas a esclarecer violações, identificar responsabilidades, compensar os danos causados e criar garantias para que essas violências não se repitam. Esse processo leva em conta tanto as violações cometidas durante e depois da ditadura militar quanto os prejuízos coletivos, territoriais, culturais e intergeracionais delas decorrentes. 

Os dados, documentos e depoimentos que compõem o projeto foram levantados e organizados principalmente por pesquisadores e pesquisadoras indígenas ligados ao Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas (Obind), da Universidade de Brasília (UnB).

Para a coordenadora editorial Braulina Baniwa, antropóloga e liderança indígena, esse protagonismo indígena na pesquisa é importante pois “unir ferramenta técnica e memórias indígenas de forma qualificada a partir de uma escuta indígena é o início de uma nova história para povos indígenas no Brasil pela Justiça de reparação integral”.

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A obra é publicada pelo Selo da Rua, editora do Instituto de Políticas Relacionais que já tem outras publicações indigenas do projeto, como “Genocídio Indígena e Políticas Integracionistas – Demarcando a Escrita no Campo da Memória e “Demarcar é Reparar – Olhar Indígena Sobre a Justiça de Transição no Brasil”. Em julho, o Relacionais organizou o Encontro de Lideranças da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) por uma Comissão Nacional Indígena da Verdade, em Brasília.

“Povos Indígenas e Justiça de Transição – Registros de Memórias que Denunciam Violências” é uma realização da Apib, Relacionais e Obind, com apoio da Embaixada da Noruega. O livro estará disponível para download gratuito em breve no site do Relacionais.

Pesquisadores indígenas lançam livro na Bienal de São Paulo sobre violações históricas contra povos no Brasil
Foto: Reprodução/Instagram-selodarua

Os casos do livro

Em Roraima, o estudo sobre o povo Macuxi na Fazenda Santa Cruz reuniu registros de violência estatal e privada, assassinatos, criminalização e repressão policial no contexto da luta pela Raposa Serra do Sol. 

Em São Paulo, o caso da TI Piaçaguera mostrou violência estatal e privada, esbulho territorial, degradação ambiental e judicialização permanente mesmo após a homologação, afetando diretamente a reprodução física, social e espiritual do povo Tupi-Guarani. 

No Mato Grosso do Sul, o caso Terena expôs assassinatos, tentativas de homicídio, reintegrações violentas, ameaças a lideranças e altos índices de suicídio ligados à disputa territorial. No mesmo Estado, o caso Guarani e Kaiowá, em Douradina, mostrou remoções forçadas na época da ditadura, com relatos de expulsões violentas, queima de casas de reza, prisões e transferência para reservas superlotadas, com impactos graves na saúde e na vida comunitária. 

Na Bahia e em Pernambuco, o povo Tuxá relatou remoções forçadas e fragmentação comunitária provocadas pela barragem de Itaparica, com impactos profundos sobre modos de vida e espiritualidade. 

No Paraná, o caso da Aldeia Palmeirinha evidenciou torturas, expulsões e trabalho forçado praticados pelo SPI e pela Funai, enquanto o caso Xetá revelou um processo de genocídio marcado por sequestro de crianças, desaparecimentos, massacres e destruição de aldeias, resultando no quase extermínio do povo. 

E, no Espírito Santo, os povos Tupiniquim e Guarani expuseram deslocamentos forçados e racismo institucional diante da pressão de grandes empreendimentos de celulose, especialmente a monocultura de eucalipto.

Lançamento “Povos Indígenas e Justiça de Transição – Registros de Memórias que Denunciam Violências” na Bienal do Livro:

Data e horário: 9/09 às 16h
Local: Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Avenida Olavo Fontoura n. 1209 – Santana – São Paulo – SP (Distrito Anhembi) CEP 02001-900

Localização dentro da Bienal
Estande Diversa – Rua CC 17
Selo da Rua = do número 31 ao 45
Lateral Direita de Fora para Dentro (visto de frente) C- Selo da Rua

*Com informações da assessoria

Manaus enfrenta risco crítico de escassez de água até 2040, aponta estudo

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Foto: Divulgação/Prefeitura de Manaus

Mesmo localizada na região amazônica, onde está a maior bacia hidrográfica do mundo, Manaus (AM) enfrenta riscos para a segurança hídrica nos próximos anos. Os impactos das mudanças climáticas e o uso indiscriminado de poços subterrâneos podem levar a capital do Amazonas a atingir níveis críticos de abastecimento de água até 2040.

É o que indica o estudo “O desafio da segurança hídrica na região de Manaus e políticas de sustentabilidade”, produzido pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados. A pesquisa foi apresentada no dia 3 de setembro, em seminário realizado na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo (assista no final da matéria).

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Entre os principais pontos destacados pelo estudo está a necessidade de diversificar a matriz hídrica para reduzir os impactos da estiagem e do alto consumo de águas subterrâneas no abastecimento da capital do Amazonas. A estimativa é de que haja mais de 27 mil poços em operação na cidade, enquanto apenas 5 mil estão registrados pelos órgãos de controle.

De acordo com o estudo, a adesão à rede pública de abastecimento é uma alternativa para reduzir a dependência dos poços. Nesse contexto, a indústria tem um papel fundamental, uma vez que parte do setor ainda utiliza água de captação subterrânea para operar.

A pesquisa aponta que a adesão das indústrias ao sistema público de abastecimento tende a reduzir os custos fixos do sistema, viabilizando o subsídio cruzado que garante tarifas mais baixas às categorias residencial, social e vulnerável, com benefícios para a população em geral.

Água é desafio em Manaus

Para Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, o desafio da água está diretamente ligado ao planejamento. “Segurança hídrica se constrói com planejamento e mitigação de risco, e o caso de Manaus mostra isso com clareza. A cidade depende fortemente do Rio Negro, mas também recorre a poços que muitas vezes operam sem outorga e sem controle adequado. Investir hoje em reúso, uso racional e controlado dos poços, monitoramento e proteção de mananciais reduz riscos para a população e para as empresas. É assim que o país avança rumo à universalização do saneamento, com responsabilidade e visão integrada”, destaca.

águas do rio negro em manaus sob a ponte phelippe daou
Rio Negro. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

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O diretor-presidente da Água de Manaus, Pedro Freitas, entende que a região vive um momento decisivo para o evitar os riscos de desabastecimentos a médio prazo.

“Estamos empenhados em mobilizar os mais diversos setores nesse tema porque sabemos que o saneamento é um desafio coletivo. Isso passa por ampliar a conscientização sobre a diversificação da matriz hídrica de Manaus, avançar no combate às perdas e preservar as nossas fontes naturais de água”, afirma.

Para ele, o papel da indústria é fundamental para ampliar a adesão ao serviço público de abastecimento e garantir a sustentabilidade do sistema. “Os setores públicos e privados, assim como a população, podem contribuir para ampliar o acesso à água com qualidade e segurança ao aderirem ao sistema. Este estudo demonstra, em especial, como a adesão do setor industrial à rede de abastecimento pode gerar uma cadeia de benefícios, incentivando outros segmentos a também se conectarem à rede e promovendo um uso mais sustentável dos recursos hídricos”, defende.

Assista:

Energia solar fortalece geração de renda em aldeias indígenas na Amazônia

Oficina de produção de biojoias na aldeia Kumenê, no Amapá. Fotos de Lúcio Camargo, Gabriel Baena Chêne, Ocinildo Labontê

Em 2017, a professora de Antropologia da Unicamp Artionka Capiberibe presenciou uma situação que a fez refletir sobre o acesso à energia na aldeia Kumenê, localizada na Terra Indígena Uaçá, dos Palikur-Arukwayene, no município de Oiapoque (AP). Na ocasião, uma peça do único gerador de energia elétrica havia quebrado.

Além do inconveniente para as famílias, que ficavam às escuras, com comunicação restrita e sem ter como conservar alimentos, outro problema se somava: o óleo diesel, estocado às margens do rio, trazia um perigo de contaminação. Naquele momento, a professora entendeu que era urgente implementar fontes de energia limpa para a aldeia, onde desenvolve pesquisas junto aos Palikur desde 1996.

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Cinco anos depois, um novo desafio reforçou essa necessidade. Em 2022, com a disseminação de um fungo agressivo nas lavouras de mandioca na região, a população indígena teve sua principal fonte de renda afetada. Essas duas situações inspiraram o projeto Energia Limpa, Vida Sustentável, focado no fomento à educação escolar, à transmissão de práticas tradicionais e à geração de renda entre os povos indígenas do Baixo Oiapoque e Mapuera-Trombetas-Nhamundá. Idealizado pela professora em conjunto com duas colegas de universidades amazônicas, o programa foi contemplado, em 2023, com recursos da iniciativa Amazônia +10.

Junto a Capiberibe, coordenam o projeto as professoras Elissandra da Silva, da Universidade Federal do Amapá (Unifap), e Lilian Rebellato, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A iniciativa abrange, além da Terra Indígena Uaçá, as TIs Trombetas-Mapuera e Nhamundá-Trombetas, na região conhecida como Calha Norte, no Pará.

Biojoias feita com madeira reaproveitada da confecção de bancos; atividade tradicional Palikur une tecnologia e tradição.

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A demanda por energia elétrica, destaca a professora da Unicamp, sempre esteve presente. “Os povos da região do baixo rio Oiapoque têm esse contato muito intenso com os não indígenas há séculos. Isso significa que eles adotaram elementos da cultura não indígena, como vestuário e alimentação. Os povos indígenas, como gosto de falar, invertem a imagem que é sempre produzida em relação a eles como povos que estariam parados no tempo e fixos no passado. Eles são contemporâneos da sociedade não indígena, então usam celulares, vão para a escola, vêm para a universidade e têm necessidades de bens de consumo, dentre eles aparelhos eletrônicos”, elucida.

Na Amazônia Legal, 78 mil indígenas convivem com o fornecimento inadequado de energia elétrica, segundo levantamento de 2026 da rede Uma Concertação pela Amazônia, em parceria com o Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema). A pesquisa mostra que a exclusão energética atinge principalmente comunidades tradicionais e originárias, que muitas vezes precisam recorrer a soluções precárias e poluentes, como os geradores.

“Nossas aldeias dependem muito de motogerador com combustível, e temos tido muitos problemas de quebra de motor. Já ficamos até um ano sem energia”, conta Lenise Batista, moradora da aldeia Kumenê e mestranda em Estudos de Cultura e Política da Unifap. Ela integra o projeto e destaca a importância de trazer energia limpa para a comunidade.

“Precisamos pensar também na poluição do próprio território. Temos uma questão que é o transporte do combustível, que pegamos na cidade de Oiapoque e levamos para a aldeia. Isso traz riscos de acidentes, de derramar o óleo nos rios. A Artionka identificou esse problema, pois de fato nas aldeias não temos locais adequados para armazenar o óleo diesel”, afirma.

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Energia solar fortalece geração de renda em aldeias indígenas
O encontro também ensinou o manuseio de parafusadeiras e lixadeiras para a confecção dos artefatos.

Integração de saberes

Para Batista, uma das vantagens da iniciativa é sua integração com a população. “O projeto escuta e busca ouvir as pessoas da aldeia e da comunidade, [chamando as pessoas] para participarem, trazendo suas opiniões, porque nossos povos têm uma forma de entender energia e economia sustentável. Então, trazer toda essa discussão tem sido muito importante para o fortalecimento da nossa comunidade, do nosso povo, incentivando e valorizando aquilo que nós temos de conhecimento.”

O projeto se encerra em 2027. Ao longo do seu desenvolvimento, a equipe de pesquisadores ouviu e mapeou as demandas de indígenas do Amapá e do Pará, instalou placas de energia fotovoltaica nas aldeias e adquiriu equipamentos de trabalho que podem contribuir na confecção do artesanato. Além disso, ofereceu oficinas de cerâmica, em Alter do Chão (PA), e de reaproveitamento de madeira para a confecção de biojoias, na aldeia Kumenê.

A iniciativa incluiu também um workshop na Unicamp e duas expedições de indígenas Palikur, Karipuna e Galibi Marworno a Gotemburgo, na Suécia, para ajudarem a catalogar artefatos dessas etnias que foram levados ao país no início do século 20. A repatriação será feita de forma digital: o acesso aos artefatos será devolvido por meio da digitalização dos documentos e da produção de réplicas em impressoras 3D. A opção por não trazer fisicamente os objetos ocorreu pela falta de um local adequado para armazená-los.

Keyla Palikur, artista visual do povo Palikur-Arukwayene e membro do coletivo de artistas indígenas Waça’Wará, ministrou a oficina de reaproveitamento de madeira para confecção de biojoias junto à mestre-artesã e doutora em Ambiente e Sociedade pela Unicamp Marília Giesbrecht. “A equipe do projeto fez uma oficina muito importante, mostrando para os mestres e mulheres que trabalham com confecção de colares e brincos que há outra maneira de obter materiais dentro do território, sem precisar ficar gastando com miçangas, que é um material caro”, lembra.

Entrega de Kits de energia fotovoltaica na Terra Indígena Uaça, em junho de 2026.

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A madeira utilizada, explica, provém principalmente da sobra da confecção de bancos por mestres palikur, uma atividade tradicional entre a etnia. A partir desse material, avalia, promove-se uma nova forma de produção de brincos e colares, que carregam a história da tradição dos bancos. “Eles carregam uma memória sobre a cosmologia, sobre as narrativas, sobre as histórias que os pajés e nossos mais velhos contavam sobre o momento em que era realizado o toré [ritual sagrado] do nosso povo”, observa.

Além disso, essas peças promovem uma nova forma de geração de renda a partir da valorização da cultura e da memória Palikur. “Os colares e brincos que estão sendo feitos são novas formas de poder criar e contar um pouco sobre nosso povo e sobre nossa cultura de uma forma atual, porque nós também estamos aqui no presente, tendo acesso a tecnologias que agilizam o fazer e a produção de um produto, sem perder a ligação com nosso povo. Vamos adaptando aprendizados e tecnologias, mas fortalecendo o que está dentro da aldeia”, diz Keyla Palikur.

Na oficina foram ensinadas formas de manusear equipamentos que facilitam a preparação dos materiais, como parafusadeiras e lixadeiras. A energia elétrica fornecida pelo kit fotovoltaico permitirá utilizá-los. No âmbito do projeto, ainda, foi construída uma pequena oficina.

“Dentro da aldeia agora temos uma casinha em que todos podem entrar para compartilhar, aprender a usar essas ferramentas e começar a produzir. E ali o kit de placas para fazer as máquinas funcionarem também permite acesso à internet.”

A oficina de cerâmica reuniu povos indígenas do Baixo Oiapoque e da Calha Norte, em Alter do Chão (PA).

A professora Artionka Capiberibe ressalta a natureza prática das propostas vinculadas ao Amazônia +10, que trazem impactos imediatos a partir do intercâmbio de saberes. “Conseguimos alcançar resultados práticos, sobretudo com as oficinas de cerâmica e de madeira reaproveitada e com a instalação das placas solares, que não é uma instalação aleatória. Elas estão vinculadas às oficinas, aos locais de trabalho, para lidar com as matérias-primas e com a produção de artesanatos e de artefatos que forem do interesse deles e que possam beneficiá-los economicamente.”

O projeto Energia Limpa, Vida Sustentável tem três eixos: geração de energia elétrica sustentável, fomento a cadeias produtivas de artefatos e relação entre o conhecimento indígena e não indígena. As atividades tiveram início com um diagnóstico das necessidades energéticas das 12 aldeias indígenas das etnias Katuena, Xereu, Wai Wai, Tunayana, Sikiyana, Hixkaryana, Karafawyana e Waimiri Atroari na região da Calha Norte.

O levantamento foi realizado por uma equipe da Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação (Feec) da Unicamp, coordenada pelo professor Luiz Carlos Pereira da Silva, com apoio do Centro Paulista de Estudos da Transição Energética (CPTEn). O mesmo levantamento foi realizado em nove aldeias da região do baixo rio Oiapoque.

Gabriel Baena Chêne e Artionka Capiberibe: para a dupla, o projeto mostra que o conhecimento indígena também produz ciência.

Durante o mapeamento, foram levantados dados sobre consumo de energia individual, familiar e coletivo. Neste caso, o foco foi o uso de energia nas cadeias produtivas, como a do artesanato. Com consulta às comunidades, decidiu-se que as oficinas comunitárias seriam o destino dos kits de placas fotovoltaicas, que geram uma energia limpa e menos suscetível a imprevistos, como aqueles que ocorrem com o gerador.

Em junho deste ano, duas aldeias já receberam os kits: Kumenê e Mawihgi, ambas na TI Uaçá. A instalação na aldeia de Mapuera, na Calha Norte, está prevista para o fim de 2026.

Gabriel Baena Chêne, doutorando em Antropologia na Unicamp e membro do projeto, acompanhou e documentou a entrega dos kits, bem como o workshop realizado na Unicamp em 2024 e as oficinas. Para o antropólogo, destaca-se na iniciativa a troca de conhecimentos. “É interessante esse intercâmbio entre os pesquisadores indígenas e não indígenas, não colocando o conhecimento indígena só como conhecimento tradicional, mas também como o conhecimento que produz ciência”, observa.

Baena, responsável pela identidade visual do projeto, também vem documentando, com registros fotográficos, o percurso das atividades vinculadas ao Energia Limpa, Vida Sustentável. Algumas exposições já foram realizadas com suas fotografias, que ilustram esta reportagem.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unicamp, escrito por Liana Coll

Inpa e Coiab firmam parceria para projeto de agrofloresta na Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre

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Foto: Divulgação

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) assinou um Acordo de Cooperação Técnica com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a MATPHA para dar início ao ‘Projeto Dukutena: Agrofloresta na Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre’. A iniciativa marca a primeira vez que a Coiab acessa diretamente recursos do Fundo Amazônia/BNDES, ampliando o protagonismo dos povos indígenas na gestão de ações de restauração ambiental e fortalecimento territorial na Amazônia.

inpa e coiab parceria 2026
Foto: Daira Martins/Ascom Inpa

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Com investimento de R$ 2,197 milhões e duração de 48 meses, o Dukutena prevê a restauração de 79,87 hectares de áreas degradadas e a implantação de sistemas agroflorestais em oito comunidades dos povos Jaminawa e Manchineri.

Entre as metas estão o plantio de 25 mil mudas de espécies arbóreas e frutíferas, a criação de oito viveiros comunitários, a formação de 40 agentes agroflorestais e 40 agentes de monitoramento indígena. O projeto também busca fortalecer a segurança alimentar, geração de renda, proteção territorial e a valorização dos conhecimentos tradicionais.

Parceria do Inpa e da Coiab visa fortalecer produção científica na Amazônia

Para o diretor do Inpa, Henrique Pereira, a parceria aproxima a ciência do Instituto das demandas e saberes dos povos da floresta. “É muito importante fortalecer novas parcerias, porque elas qualificam os trabalhos que desenvolvemos na Amazônia brasileira e aproximam a ciência das necessidades dos povos indígenas que vivem nos territórios”, declarou.

Pereira também destacou a presença de estudantes indígenas nos espaços de pesquisa como essencial para uma “ciência amazônica mais diversa e conectada com os territórios”.

O coordenador-geral da Coiab, Toya Manchineri, ressaltou o avanço da cooperação entre organizações indígenas e instituições públicas. “Esta iniciativa demonstra a presença do Estado, por meio de instituições como o Inpa, o Ibama e outros órgãos, trabalhando em parceria com as organizações indígenas. Essa união pode gerar resultados positivos e contribuir para enfrentar os desafios vividos pelos povos indígenas”, afirmou.

Toya lembrou ainda que a Coiab atua em cerca de 114 milhões de hectares de terras indígenas na Amazônia e que muitas áreas ainda precisam de apoio para recuperação.

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A diretora-presidente da MATPHA, Wauana Manchineri, apontou o caráter estratégico do projeto também para a proteção de territórios de povos indígenas isolados.

“Esse território impacta diretamente, de forma positiva, os territórios dos nossos parentes isolados. Junto com a Gerência de Povos Indígenas Isolados, estamos fazendo uma frente para ter esse cuidado a mais com nossos parentes que estão nesse território de passagem ou que vivem nessa localidade”, disse. 

A cerimônia reuniu equipes do Inpa, setores de Projetos, Relações Internacionais, Comunicação e Monitoramento, além do Centro Amazônico de Formação Indígena – CAFI da Coiab, com participação remota de lideranças Jaminawa e Manchineri.

*Com informações do Inpa e da Coiab

Gente do Norte Empresas: saiba quem é Maria Adelaide Feitosa

Foto: Reprodução/Amazon Sat

A empresária Maria Adelaide Martins de Souza Feitosa, CEO e proprietária das Lojas Jumbinha, é uma das convidadas do programa Gente do Norte – Empresas, exibido pelo Amazon Sat. Nascida no município de Gurupá, no Pará, às margens de um igarapé chamado Rio Baquia Preto, ela chegou ao Amapá no final dos anos 1970 e encontrou na região Norte o caminho para construir sua trajetória no empreendedorismo.

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Hoje, o Grupo Jumbinha possui duas unidades no segmento de varejo e lojas de departamentos. Para Adelaide, a possibilidade de empreender na Amazônia é motivo de orgulho.

“Eu me sinto, assim, abençoada de poder empreender aqui no Norte, aqui na Amazônia, desse Brasilzão. Eu amo viver aqui, aqui que eu cheguei, que eu prosperei, aqui eu quero viver e aqui eu quero terminar meus dias”, afirma.

Infância às margens do rio

Filha de Manuel Guimarães de Souza, conhecido como seu Manduquinha, e Adelaide Martins da Silva, dona Dedé, Maria Adelaide cresceu em uma família que tinha na floresta e nos rios parte fundamental do sustento. O pai trabalhava como seringueiro, e saía de madrugada para riscar a seringa e retornar com o látex, que era vendido aos regatões. 

Além disso, trazia para casa produtos da floresta, como caça e açaí, que eram preparados pela mãe para as refeições da família. Segundo a empresária, a mãe também foi uma das principais referências, já que era uma mulher de muita fé e ensinou aos filhos a importância da religiosidade.

Maria Adelaide Feitosa
Foto: Reprodução/Amazon Sat

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Ainda criança, Maria Adelaide teve os primeiros contatos com o comércio, já que aos sete anos, catava caroços de ucuuba para vender quando os regatões passavam pela região. 

Nesse tempo eu já gostava de dinheiro. E eu, antes de 10 anos de idade, eu fui em Gurupá, na festa de São Benedito, tinha uma quermesse, e lá nessa comemoração, nessa celebração, eu vi o primeiro sorvete da minha vida e eu tive dinheiro pra comprar esse sorvete”, relembra Adelaide. 

Do desejo de independência ao empreendedorismo

Já adolescente, Maria Adelaide começou a vender semijoias, um produto fácil de transportar e que podia ser levado em uma bolsa para diferentes lugares. A experiência com as vendas ajudou a construir o caminho que levaria ao grupo Jumbinha.

O sonho, porém, era maior, e Maria Adelaide não queria apenas uma pequena loja, ela queria um grande estabelecimento comercial. “Eu tinha muita coragem, muita vontade de crescer, muita vontade de ter uma loja, mas era uma loja grande, eu não queria ter uma loja, uma lojinha, eu queria ter um lojão”, conta.

A vontade de conquistar independência financeira também estava relacionada à família. Ela queria ter condições de ajudar os pais, que continuavam morando no interior. 

“Nosso acesso sempre foi muito pouco lá no interior, então eu sempre tive muita vontade de oferecer algo diferente do que eu tinha acesso na minha infância para os meus pais”, explica Adelaide.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

O início da Jumbinha aconteceu de maneira simples, dentro do quarto da casa de Maria Adelaide. As primeiras roupas eram colocadas em um fio de nylon preso na parede, que funcionava como expositor.

Foi também no comércio de Santana que ela encontrou pessoas que contribuíram para o começo da trajetória empresarial. Entre elas estava a dona Anunciação e seu Sebastião Lobato Nunes, comerciantes que, segundo Maria Adelaide, foram responsáveis por sua primeira oportunidade de trabalho no comércio.

“Eu sou muito grata a ela, ao casal, que o seu Sebastião hoje já não está mais entre nós, mas eles me ensinaram a trabalhar no comércio, a primeira oportunidade de trabalho no comércio que eu tive foi através deles. E a dona Anunciação sempre me incentivou, ela dizia: ‘coloca seu comércio aqui, menina’. Então, eu tenho essa gratidão, eu tenho muita gratidão a dona Anunciação, porque ela me ajudou muito a construir o que nós conseguimos construir até hoje”, relembra a empresária.

Anos depois, surgiu a oportunidade de conseguir um ponto comercial em Santana, e para viabilizar o negócio, Maria Adelaide buscou uma negociação que permitisse pagar parte do valor do imóvel em mercadorias. A estratégia deu certo e ajudou a empresária a avançar na construção da empresa.

Produtos para diferentes públicos

Atualmente, o Grupo Jumbinha possui um amplo mix de produtos. A empresa trabalha com papelaria, calçados, produtos infantis, acessórios, utilidades e diferentes marcas.

Segundo Maria Adelaide, a estratégia é acompanhar as necessidades dos consumidores e oferecer diferentes produtos no mesmo espaço. Além disso, o grupo conta com duas unidades no segmento de varejo e lojas de departamentos, uma em Santana e outra em Macapá.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

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As lojas possuem mais de 5 mil metros quadrados de área construída e geram mais de 200 empregos diretos e indiretos. Para Adelaide, a estrutura da empresa busca atender diferentes necessidades dos consumidores em um mesmo espaço.

“Nós pensamos assim, nós queremos espaços grandiosos para que a gente tenha vários segmentos no mesmo local, ou seja, que com o mesmo serviço a gente atenda “N” [diversas] necessidades. Não é aumentar unidades, é agregar sempre mais segmentos nos espaços que nós já temos”, explica a empresária.

História construída em família

A relação com a família também aparece como uma das bases da trajetória empresarial. Para Junior Feitosa, filho de Maria Adelaide, a mãe e o pai são referências na construção de um negócio que possa permanecer por gerações.

A inspiração vem principalmente da maneira como Adelaide se dedicou ao trabalho e transformou um pequeno empreendimento em uma empresa de grande porte.

“A minha mãe foi a maior inspiração para que eu me tornasse um grande empreendedor. Eu e meu irmão, a gente cresceu vendo a minha mãe se dedicando muito ao trabalho e fazendo um negócio se tornar grande de verdade, igual a Jumbinha é hoje. A dona Adelaide e o seu Arnaldo, eles são essa inspiração pra gente conseguir fazer algo bem feito, perene, que dure por gerações e que possa gerar um bom resultado na nossa sociedade”, declarou Junior.

Junior Feitosa. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Para Elba Silva, Supervisora Operacional de estoque, com 22 anos de atuação na Jumbinha, define a empresa como um espaço de acolhimento, tanto para funcionários quanto para clientes e amigos. “É uma empresa onde nós nos sentimos família. Foi nessa empresa que eu fui acolhida, é nessa empresa que hoje eu me sinto parte dela, com muito prazer”, afirma.

Empreender na Amazônia

A história de Adelaide também é marcada pela relação com a Amazônia. Para ela, empreender na região Norte exige coragem, disposição para renunciar e capacidade de enfrentar desafios.

A empresária acredita que a região possui grande potencial e defende a criação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da Amazônia.

“A Amazônia é a maior riqueza do mundo, nós estamos num lugar produtivo, onde as pessoas são raçudas. O empreendedor aqui do Norte, ele é diferente dos outros empreendedores”, afirma a empresária.

Para Adelaide, a preservação precisa caminhar junto com o desenvolvimento econômico da população que vive na região. Ela defende que os recursos naturais sejam utilizados com compromisso e responsabilidade, destacando que os próprios moradores da Amazônia conhecem a realidade e vivem diariamente em contato com esse patrimônio.

“Se nós não preservarmos, se nós não cuidarmos da Amazônia como cuidamos da nossa casa, da nossa família, nós não estamos fazendo o nosso dever de casa”, conclui.

Maria Adelaide Feitosa é uma das convidadas do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista:

SGB e Marinha realizam expedição científica para investigar origem e dinâmica das águas amazônicas

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Missão percorreu aproximadamente 1,7 mil quilômetros do rio Solimões, entre Tabatinga e Manaus (AM), de 13 de julho a 27 de agosto. Foto: Divulgação/Arquivo SGB

A Bacia Amazônica concentra o maior volume de água doce superficial do planeta e reúne rios que atravessam diferentes ambientes e territórios. Essa dimensão levanta questões importantes para a ciência: de onde vêm as águas que alimentam os rios amazônicos?

Como diferentes fontes contribuem para suas vazões? Como essas águas circulam pela bacia?  Para encontrar as respostas, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Marinha do Brasil realizaram, entre 13 de julho e 27 de agosto, uma expedição científica, que percorreu aproximadamente 1,7 mil quilômetros pelo rio Solimões, entre Tabatinga e Manaus (AM).

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O objetivo foi coletar amostras para análise isotópica, que permite identificar características das águas e definir uma espécie de “assinatura” da água. Os resultados poderão ajudar a investigar a origem da umidade e da precipitação que alimentam a bacia e  que contribuem para a formação dos rios, estimar a participação do escoamento de base e de outras fontes de água e ampliar o conhecimento sobre o ciclo hidrológico da Amazônia.

Coletas de água no Rio Solimões

A campanha foi conduzida pelo SGB, por meio da Divisão de Hidrologia Aplicada (DIHAPI), no âmbito do Programa Nacional de Aplicações Isotópicas na Hidrologia, a bordo do Navio Hidroceanográfico Fluvial “Rio Branco”, da Marinha do Brasil, com a participação de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Essa missão deu continuidade ao trabalho iniciado em setembro de 2025, quando foram percorridos trechos dos rios Negro, Solimões, Purus, Madeira e Amazonas. 

Leia também: Nova fase de pesquisa: cientistas partem para Loreto, no Peru, em busca da origem da biodiversidade amazônica

O foco da expedição foi o rio Solimões, com coletas de água em diferentes profundidades e pontos do curso do rio, com intervalos de 25 quilômetros, além de amostras de águas subterrâneas em comunidades ribeirinhas e de chuva registrada durante o período. Foram também coletadas amostras de sedimentos em suspensão e depositados nos bancos, leitos e margens do rio, além de fragmentos de vegetação. 

A expectativa é que os dados também componham uma base para o monitoramento de longo prazo e possam subsidiar futuras pesquisas nacionais e internacionais. 

SGB e Marinha realizam expedição científica para investigar origem e dinâmica das águas amazônicas
Foto: Divulgação/Arquivo SGB

Hidrologia isotópica

O Programa Nacional de Aplicações Isotópicas na Hidrologia do SGB é parte da Global Network of Isotopes in Rivers (GNIR), da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e conta com apoio técnico do Centro de Estudos Ambientais da UNESP de Rio Claro (SP).  A hidrologia isotópica é utilizada para investigar o ciclo da água e pode contribuir para estudos relacionados à gestão de recursos hídricos, origem e circulação da água, interação água superficial–subterrânea, recarga, evaporação e estudos climáticos. 

*Com informações do SGB

Casa d’Arraia: Inpa inaugura espaço que integra arte, biologia e educação em Manaus

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Foto: Marcela Orquiz/Rede Amazônica AM

A Casa d’Arraia, no Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), em Manaus (AM), é um espaço que vai abrigar as atividades do projeto de extensão “Arraias do Bosque: Um Mergulho Profundo na Biologia das Arraias Amazônicas”, coordenado pelo docente Lucas Castanhola Dias, com apoio do Inpa e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A inauguração do novo espaço ocorreu nesta quinta-feira (3).

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O espaço está sendo preparado para receber os visitantes, que darão início a uma experiência imersiva logo na entrada. Os artistas Juliana Lama e Alessandro Hipz realizaram a pintura de um mural com elementos que remetem ao universo das arraias na fachada da Casa.

Mais do que um elemento estético, a intervenção artística faz parte da proposta de comunicação do projeto: por meio de cores, formas e representações visuais, a arte se torna uma ferramenta para despertar a curiosidade e aproximar diferentes públicos do conhecimento científico.

Em espaços de educação não formal, essa integração permite que temas relacionados à biodiversidade, ecologia e conservação sejam apresentados de maneira mais acessível e conectada à experiência do visitante.

Leia também: Biólogo explica o que fazer em caso de ferroada de arraia em rios na Amazônia

Casa d’Arraia: Inpa inaugura espaço que integra arte, biologia e educação em Manaus
Casa d’Arraia será espaço destinado a estimular visitantes do Bosque da Ciência a aprender sobre as arraias da Amazônia. Foto: Marcela Orquiz/Rede Amazônica AM

Para o docente do Inpa, Lucas Castanhola Dias, a integração entre diferentes linguagens é fundamental para aproximar a população da ciência.

“A arte consegue despertar a curiosidade antes mesmo de apresentarmos o conteúdo científico. Na Casa d’Arraia, queremos que o visitante seja atraído pelo muralismo, observe os animais e, a partir dessa experiência, queira entender quem são essas espécies, como vivem e por que são importantes para os ecossistemas amazônicos”, destaca o coordenador.

Em seu interior, a Casa d’Arraia contará com aquários expositivos e recursos educativos voltados à divulgação da ciência. O projeto também prevê materiais de apoio e atividades de extensão, envolvendo estudantes de graduação e pós-graduação na mediação científica e em ações de educação ambiental. A iniciativa busca ainda contribuir para reduzir estigmas relacionados às arraias e mostrar que prevenção de acidentes e conservação da biodiversidade são objetivos complementares.

A proposta da Casa d’Arraia é justamente fazer com que o público enxergue esses animais para além dos acidentes e do medo, para isso a exposição abordará aspectos de sua biologia, ecologia, conservação e toxinologia, além de informações sobre prevenção de acidentes e convivência segura com esses animais nos ambientes amazônicos.

“Do trabalho artístico ao conhecimento produzido por pesquisadores e estudantes, a Casa d’Arraia propõe diferentes maneiras de comunicar a ciência amazônica. Das pinturas nas paredes aos animais nos aquários, cada elemento passa a integrar uma experiência voltada à descoberta, à educação ambiental e à valorização da biodiversidade regional”, completa o coordenador.

Mais do que receber uma nova exposição, o espaço busca estabelecer uma ponte entre arte, ciência e sociedade, mostrando que popularizar o conhecimento também significa encontrar novas linguagens para contar as histórias da biodiversidade amazônica.

Projeto Arraias do Bosque

O projeto é coordenado pelo pesquisador Lucas Castanhola Dias, docente dedicado ao estudo da biologia e toxinologia de arraias amazônicas. Sua trajetória científica inclui pesquisas sobre a estrutura dos ferrões, produção e ação das toxinas e respostas biológicas associadas ao envenenamento.

No projeto, esse conhecimento acumulado é levado para além dos laboratórios e publicações científicas, transformando resultados de pesquisa em conteúdos acessíveis à sociedade.

*Com informações do INPA

Prefeitura inicia campanha para manter praias limpas durante estiagem em Boa Vista

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A iniciativa busca sensibilizar os banhistas sobre a importância da preservação dos espaços naturais durante o período de seca. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Para reduzir os impactos da estiagem sobre o meio ambiente, intensificados pelo fenômeno El Niño, a Prefeitura de Boa Vista iniciou, neste mês de setembro, a campanha “Praia Limpa – Essa é a Nossa Onda!”. A iniciativa busca sensibilizar os banhistas sobre a importância da preservação dos espaços naturais durante o período de seca. Nesta quinta-feira, 3, o nível do Rio Branco chegou a 1,28 m, segundo dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

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Como parte da ação, coordenada pela Secretaria Municipal de Conservação Pública (SMCP), estão sendo instaladas placas com a mensagem “Proibido Jogar Lixo na Praia”, além de tambores de 200 litros para o descarte adequado de resíduos.

Prefeitura inicia campanha para manter praias limpas durante estiagem em Boa Vista
Nesta quinta-feira, 03, o nível Rio Branco chegou a 1,28 m. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

De acordo com o superintendente municipal de Conservação Pública, Rômulo Almeida, a Praia do Caçari foi a primeira a receber os equipamentos por concentrar um grande fluxo de banhistas. Na sequência, a ação será implantada na Praia do Cauamé e, posteriormente, ampliada para outros pontos da cidade, como as praias Polar e Curupira, além da praia do Parque do Rio Branco.

“Implantamos quatro placas e oito tambores na Praia do Caçari. A campanha busca orientar os banhistas e os vendedores ambulantes sobre a importância de descartar os resíduos de forma correta. A proposta é manter nossas praias limpas, evitando que o lixo seja descartado de maneira inadequada e chegue aos nossos rios, poluindo os mananciais. Por isso, pedimos o apoio de toda a população”, explicou o superintendente.

Rômulo destaca ainda que mais de 10 toneladas de resíduos são recolhidas mensalmente nas praias de Boa Vista. Segundo ele, parte significativa desse material é descartada de forma irregular pelos próprios banhistas às margens de rios e igarapés.

Leia também: Giro de Saia Roraimense: movimento das quadrilhas vira patrimônio de Boa Vista

A Praia do Caçari foi a primeira a receber os equipamentos por concentrar um grande fluxo de banhistas. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Coleta acontece três vezes por semana

Ainda segundo o superintendente, a coleta de resíduos nas praias ocorre três vezes por semana. Nas praias do Caçari, Polar, Curupira, Cauamé, Caranã, Cachoeirinha e Anel Viário, os serviços acontecem às segundas, terças e sextas-feiras, com reforço das equipes após os feriados.

Já a coleta fluvial ocorre de segunda a sexta-feira, inclusive durante o período de estiagem. As equipes percorrem as margens dos rios Branco e Cauamé para recolher resíduos e contribuir para a preservação dos mananciais.

Mais de duas mil localidades da Amazônia estiveram altamente expostas à seca durante o El Niño em 2024

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Comunidade do Catalão, em Iranduba, no Amazonas. Foto: Gato Júnior/Rede Amazônica AM

Mais de um terço das localidades existentes na Amazônia esteve altamente exposto à seca durante a última ocorrência do El Niño, em 2024. Cruzamento de dados de redução da superfície de água e da precipitação gerados por pesquisadores da rede MapBiomas identificou que 2.172 das 5.673 localidades registradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no bioma (38%) foram classificadas com alta exposição à seca no trimestre de setembro a novembro de 2024.

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Na véspera do Dia da Amazônia, celebrado neste sábado (5), os dados ajudam a dimensionar o cenário do bioma diante da perspectiva de uma nova ocorrência do fenômeno El Niño. Previsões de centros nacionais e internacionais de meteorologia indicam alta probabilidade do fenômeno atingir a categoria muito forte no último trimestre de 2026. 

“Frente à perspectiva de um El Niño intenso, diversos modelos climáticos preveem chuva abaixo da média para o bioma Amazônia no trimestre de setembro a novembro de 2026, com temperaturas até 1 °C acima do normal”, afirma a professora Luciana Rizzo, da USP e coordenadora da iniciativa MapBiomas Atmosfera.

Mais de 2 mil localidades da Amazônia estiveram altamente expostas à seca durante o El Niño em 2024. Infográfico: Divulgação/Mapbiomas

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O levantamento do MapBiomas considerou diferentes tipos de ocupação humana registrados pelo IBGE. Entre as localidades analisadas estão cidades, vilas, núcleos urbanos, povoados, lugarejos, núcleos rurais, localidades indígenas e quilombolas, agrovilas de projetos de assentamento e outras categorias.

A proximidade de áreas que perderam superfície de água ajuda a dimensionar a extensão da seca sobre os locais onde vivem essas populações. Em 2024, 5.273 localidades, equivalentes a 93% do total analisado, estavam a uma distância de até 5 quilômetros de áreas com redução da superfície de água.

Entre setembro e novembro de 2024, a superfície de água na Amazônia ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica registrada entre 1985 e 2025. No mesmo trimestre, a temperatura máxima ficou 2,6 °C acima da média histórica, e o volume de chuva foi 27% inferior à média histórica do bioma. 

Mais de 2 mil localidades da Amazônia estiveram altamente expostas à seca durante o El Niño em 2024
Seca extrema no município de Benjamin Constant, no Alto Solimões. Foto: Reprodução/Defesa Civil AM

“A redução da disponibilidade de água é um dos efeitos associados ao conjunto de condições observadas durante o El Niño na Amazônia. Menos chuva e temperaturas mais elevadas aumentam a  demanda evaporativa na atmosfera, favorecendo a perda de água do solo e o estresse hídrico da vegetação. A seca também se manifesta na redução dos níveis dos rios, com consequências para o transporte, o acesso à água, a pesca e outras atividades que dependem dos sistemas fluviais”, comenta Bruno Ferreira, do IMAZON e da equipe da Amazônia do MapBiomas.

Os dados de longo prazo sobre cobertura e uso da terra ajudam a contextualizar essa exposição. A Amazônia é o bioma brasileiro com a maior proporção de vegetação nativa, que ocupa 81,3% de sua área. Ao mesmo tempo, entre 1985 e 2025, perdeu 53,9 milhões de hectares de vegetação nativa, redução equivalente a 14% da cobertura existente no início da série.

A área de floresta passou de 381,4 milhões de hectares em 1985 para 328,1 milhões de hectares em 2025. As formações de vegetação herbácea e arbustiva passaram de 16,2 milhões para 14,8 milhões de hectares. No mesmo intervalo, a área ocupada pela agropecuária passou de 12,1 milhões para 65,3 milhões de hectares.

Fontes de dados

Os dados utilizados foram obtidos a partir de diferentes fontes. As informações relativas às localidades têm como base os dados do IBGE, que categoriza as localidades em: Cidades (compreendendo a Capital Federal, o Distrito Estadual de Fernando de Noronha, as Capitais Estaduais, as Sedes Municipais e as Regiões Administrativas do Distrito Federal), Vilas (Sedes Distritais), Núcleos Urbanos, Povoados, Lugarejos, Núcleos Rurais, Localidades Indígenas (Agrupamentos Indígenas e Outras Localidades Indígenas), Localidades Quilombolas (Agrupamentos Quilombolas e Outras Localidades Quilombolas), Agrovilas do PA e “Outras Localidades”.

Foto: Reprodução/Nota técnica do CPTEC

Os dados relacionados à cobertura e uso da terra, à redução de superfície de água e às variáveis atmosféricas de temperatura e precipitação no Brasil foram extraídos da plataforma MapBiomas, por meio das coleções MapBiomas Água (Coleção 5), MapBiomas Cobertura e Uso da Terra (Coleção 11) e MapBiomas Atmosfera (Beta), esta última construída a partir dos produtos ERA5-Land, GPM e GPCC. Entre os critérios considerados para classificar a exposição à seca está a distância de até 5 quilômetros de áreas que apresentaram redução da superfície de água. Outro componente é a anomalia de precipitação registrada no trimestre de setembro a novembro de 2024. 

Complementarmente, foram consultadas outras fontes de apoio à análise climática, como o Painel El Niño, referente ao Boletim Mensal n. 4 do INMET/INPE, e a Nota Técnica do CPTEC referente à Estação SON de 2026.

Sobre MapBiomas

Iniciativa multi-institucional, que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em mapear as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil, para contribuir com a  conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais, como forma de combate às mudanças climáticas. Esta plataforma é hoje a mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Todos os dados, mapas, métodos e códigos do MapBiomas são disponibilizados de forma pública e gratuita no site da iniciativa. A rede MapBiomas já ampliou-se para outros 17 países e também gera outros produtos como MapBiomas Alerta, MapBiomas Fogo, MapBiomas Água, MapBiomas Degradação e MapBiomas Solo.

*Com informações da assessoria