Personal orienta sobre a prática de atividades físicas ao ar livre em período de altas temperaturas. Foto: Divulgação
A partir de junho, quem mora no Amazonas sabe que é o período em que começa o chamado verão amazônico, quando o termômetro marca altas temperaturas. Para quem tem o hábito de praticar atividades físicas ao ar livre, como corrida, caminhada, ciclismo, entre outros, alguns cuidados precisam ser redobrados, para evitar fadiga e até mesmo lesões. É o que orienta o personal Gabriel Souza.
Personal orienta sobre a prática de atividades físicas ao ar livre em período de altas temperaturas. Foto: Divulgação
“O calor extremo do verão amazônico acelera a desidratação, eleva os batimentos cardíacos e exige ajustes imediatos nos horários e nos cuidados de quem pratica atividades físicas em ambientes externos”, explica.
Gabriel Souza orienta que é importante manter a prática de caminhadas ou corridas por volta das 5h às 7h da manhã ou à noite, após às 18h.
Segundo o especialista, é importante priorizar áreas arborizadas e sempre se manter hidratado, aumentando o consumo de água e também cuidando da pele com uso de protetor solar.
Ele alerta ainda para o caso de idosos e pessoas com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares, que devem adotar cuidados ainda maiores.
“Eu oriento sempre a redobrar o consumo de água ou água de coco, que ajuda a repor os eletrólitos perdidos pelo suor e optar sempre por roupas mais leves para a prática das atividades. Já para quem pratica musculação, ou exercícios de grande intensidade, ou gasto calórico, sempre optar por lugares fechados e bem climatizados”, reforça.
Personal orienta sobre a prática de atividades físicas ao ar livre em período de altas temperaturas. Foto: Reprodução/Magnific
O personal da Bodytech Ponta Negra explica ainda que uma opção para se manter ativo, com a rotina de atividades físicas e cuidando da saúde é treinar em ambientes indoor.
“Hoje é super possível manter uma rotina de treinos dentro da academia, sendo uma opção mais segura e sem deixar de cumprir as atividades”, comenta.
Em um marco histórico para a sociobiodiversidade amazônica, a castanha-da-amazônia (Bertholletia excelsa) produzida por povos indígenas da Terra Indígena Rio Branco, em Rondônia, foi comercializada na safra 2025/2026 com pagamento por serviços ambientais (PSA) pela primeira vez. Além do valor comercial do produto, as comunidades receberam um adicional de 20% como reconhecimento pelo papel que desempenham na conservação da floresta, na proteção da biodiversidade e na manutenção dos ecossistemas.
O resultado é fruto da parceria entre a empresa Castanhas Ouro Verde Importação e Exportação Ltda. e a Cooperativa dos Povos Indígenas do Rio Branco (Coopirb), construída no âmbito do projeto “Novas soluções tecnológicas e ferramentas para agregação de valor à cadeia produtiva da castanha-da-amazônia (NewCast)”, coordenado pela Embrapa.
Segundo a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (SP) e coordenadora do NewCast, Patrícia da Costa, o projeto atua no desenvolvimento e na articulação de soluções tecnológicas para agregar valor à cadeia produtiva da castanha-da-amazônia. “A experiência demonstra que a integração entre tecnologia, organização social e mecanismos de valorização econômica é essencial para fortalecer as organizações locais e reconhecer os serviços ambientais prestados pelas comunidades que conservam a floresta”, destaca.
A União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) também apoiou as negociações junto à empresa Castanhas Ouro Verde, contribuindo para fortalecer o diálogo comercial e a representação da cooperativa indígena no processo de comercialização.
Produtores são orientados quanto a cuidados desde a coleta até o transporte, lavagem, seleção, pré-secagem e armazenamento das castanhas. Foto: Lucia Wadt
Boas práticas agregam qualidade e reduzem perdas
A adoção da tecnologia de Boas Práticas para a produção de castanha-da-amazônia, recomendada pela Embrapa contribuiu para a qualidade do produto comercializado. Ela orienta os produtores quanto a cuidados desde a coleta até o transporte, lavagem, seleção, pré-secagem e armazenamento das castanhas, contribuindo para reduzir perdas e evitar contaminações.
Segundo o extrativista indígena Dalton Tupari, a aplicação das boas práticas foi decisiva para a valorização da produção e a negociação com a empresa compradora.
“Essas recomendações nos ajudam ao longo de todo o processo, desde a coleta até a entrega do produto. É um diferencial a mais porque agrega qualidade à castanha, que já tem como vantagem o fato de estar associada à conservação da floresta”, afirma Dalton.
Os resultados demonstram a importância da integração entre pesquisa, conhecimento tradicional, organização social e mercado. Foto: Joze Medeiros
Nesta safra, por meio da Coopirb, foram comercializadas cerca de sete toneladas de castanha-da-amazônia, com pagamento adicional relacionado ao PSA. Para Tupari, o retorno econômico reforça a importância do trabalho realizado pelas comunidades indígenas. “É uma valorização do nosso trabalho. Nós coletamos, preservamos a natureza e recebemos um valor diferenciado por isso. Isso mostra que conservar a floresta também gera renda para as famílias”, enfatiza.
Para a pesquisadora da Embrapa Rondônia (RO) Lúcia Wadt, o resultado demonstra a importância da integração entre pesquisa, conhecimento tradicional, organização social e mercado.
“Desde 2015, a Embrapa vem apoiando os povos Tupari e Aruá da Terra Indígena Rio Branco com a tecnologia de Boas Práticas para a produção da castanha-da-amazônia, especialmente por meio de projetos que fazem parte do Pacto das Águas e mais recentemente, do NewCast. Na safra 2025/2026, colhemos os frutos desse trabalho, com a valorização do produto pela qualidade e pelo serviço ambiental prestado pelas comunidades”, frisa.
O contrato entre a Castanhas Ouro Verde e a Coopirb envolve comunidades indígenas de diferentes etnias em uma área de cerca de 236 mil hectares. Além do valor comercial da castanha, o acordo prevê pagamento adicional de 20% destinado à organização indígena, como reconhecimento pelos serviços ambientais prestados pelas comunidades.
Os recursos são geridos coletivamente e podem ser aplicados em ações comunitárias, como infraestrutura, saúde, educação, fortalecimento cultural e melhoria das condições de produção. O modelo contribui para que parte do valor gerado pela cadeia produtiva permaneça nos territórios e beneficie diretamente as famílias extrativistas.
Cooperativismo fortalece acesso a mercados
A experiência reforça o papel estratégico das cooperativas na organização da produção e na ampliação do acesso a mercados. No caso da Coopirb, a atuação coletiva permite reunir a produção das comunidades, padronizar procedimentos, fortalecer a gestão comercial e ampliar a capacidade de negociação.
A iniciativa também evidencia a importância de compradores comprometidos com práticas sustentáveis e com a valorização da origem dos produtos florestais. Ao reconhecer a qualidade da castanha produzida com boas práticas e remunerar os serviços ambientais associados à conservação da floresta, a empresa Castanhas Ouro Verde contribui para consolidar um modelo de comercialização que integra atividade econômica, inclusão produtiva e conservação ambiental.
A adoção da tecnologia contribui para a qualidade do produto comercializado. Foto: Ronaldo Rosa
NewCast fortalece a cadeia da castanha-da-amazônia
O projeto NewCast atua no desenvolvimento e na articulação de soluções tecnológicas, organizacionais e comerciais para agregar valor à cadeia produtiva da castanha-da-amazônia. A experiência na Terra Indígena Rio Branco demonstra que a combinação entre tecnologia, organização social, cooperativismo, mercado estruturado e pagamento por serviços ambientais pode ampliar a renda das comunidades, reduzir perdas, melhorar a qualidade do produto e valorizar os territórios indígenas da Amazônia.
Com validade para a safra 2025/2026, o acordo entre a empresa Castanhas Ouro Verde e a Coopirb representa um avanço concreto na construção de modelos de negócios sustentáveis para produtos da sociobiodiversidade. Mais do que comercializar castanha, a iniciativa reconhece o papel dos povos indígenas na conservação da floresta e mostra que produzir com qualidade e preservar a Amazônia podem caminhar juntos.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa
Garimpo ilegal na TI Sararé, do povo Nambikwara, em Mato Grosso, registrado durante sobrevoo realizado pelo Greenpeace Brasil em março de 2026. Foto: Bruno Kelly/Greenpeace Brasil
Em 2025, por mais um ano, os direitos territoriais dos povos indígenas estiveram sob ataque. Medidas legislativas e decisões judiciais contrárias aos direitos constitucionais dos povos originários somaram-se à vigência da Lei 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal e contestada desde sua promulgação.
O relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2025, publicado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), revela que esse contexto de insegurança se refletiu em ataques contra povos em luta pela terra, na vulnerabilidade de povos desterritorializados e na continuidade das invasões a terras indígenas em todo o país.
Em 2025, foram registrados aumentos nos três tipos de violência sistematizados na publicação – violência contra a pessoa, contra o patrimônio e por omissão do poder público – com crescimento, entre outras categorias, dos conflitos relativos a direitos territoriais, assassinatos, suicídios e da mortalidade na infância.
Nos primeiros dias de 2025, quatro indígenas do povo Avá-Guarani foram baleados durante um ataque armado contra uma comunidade na Terra Indígena (TI) Tekoha Guasu Guavirá, área em processo de demarcação e sob intensos conflitos possessórios no oeste do Paraná. Um dos indígenas, atingido na coluna, perdeu os movimentos das pernas.
Em março, o Pataxó Vitor Braz foi assassinado na TI Barra Velha do Monte Pascoal, no extremo sul da Bahia, no contexto da luta Pataxó pela demarcação de suas terras. Em novembro, o Guarani Kaiowá Vicente Fernandes foi assassinado no Tekoha Pyelito Kue, na TI Iguatemipegua I, em Mato Grosso do Sul, também em contexto de luta territorial.
Enquanto os povos indígenas em luta pela terra sofrem com a violência e a vulnerabilidade, em terras demarcadas as ações de invasores não cessaram, apesar de operações de desintrusão efetuadas pelo governo federal.
Os três casos, exemplos trágicos de situações registradas ao longo de todo o ano em diversas regiões do Brasil, ocorreram em Terras Indígenas já oficialmente delimitadas pelo Estado, mas cujos processos demarcatórios se estendem há mais de uma década. Uma longa espera prolongada, em 2025, por atos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Enquanto os povos indígenas em luta pela terra sofrem com a violência e a vulnerabilidade, em terras demarcadas as ações de invasores não cessaram, apesar de operações de desintrusão efetuadas pelo governo federal – grande parte delas por determinação judicial do Supremo Tribunal Federal (STF).
Não é possível desvincular as violências e violações registradas em 2025 dos ataques aos direitos territoriais indígenas ocorridos ao longo do ano e do impasse, no Poder Judiciário, em torno da Lei 14.701.
O caso da TI Sararé, em Mato Grosso, que se mantém entre as mais devastadas pelo garimpo desde 2024, é simbólico da incapacidade do Estado em manter os invasores fora das terras indígenas. A situação da terra do povo Nambikwara sintetiza os efeitos graves e sistêmicos do garimpo, que transforma florestas e rios em desertos de lama revolvida, desestrutura comunidades, amplia a exposição a doenças e drogas e instaura a insegurança dentro dos próprios territórios.
Em 1996, o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil trazia na capa uma enorme cratera aberta por garimpeiros na terra dos Nambikwara. Três décadas depois, a TI Sararé retorna à capa da publicação com uma nova intensificação garimpeira, evidenciando a persistência histórica da exploração ilegal.
Foto: Reprodução/CIMI
Não é possível desvincular as violências e violações registradas em 2025 dos ataques aos direitos territoriais indígenas ocorridos ao longo do ano e do impasse, no Poder Judiciário, em torno da Lei 14.701.
Em maio, o Senado Federal aprovou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 717/2024. A proposição, enviada à Câmara dos Deputados, susta os decretos homologatórios de duas terras indígenas e, ainda mais grave, parte do Decreto nº 1775/1996, que regulamenta o procedimento administrativo de demarcação de terras indígenas.
No STF, os pedidos para que a Corte analisasse as inconstitucionalidades da Lei 14.701 permaneceram sem julgamento até dezembro. No primeiro semestre, transcorreram reuniões da Câmara de Conciliação sobre o tema, da qual os povos indígenas haviam se retirado no ano anterior por considerá-la ilegítima. Além da tese do marco temporal, a Lei incorpora dispositivos que permitem a exploração de terras indígenas por terceiros e dificultam as demarcações.
Em dezembro, quando o julgamento foi finalmente retomado, o Senado Federal protagonizou nova agressão aos direitos indígenas. O plenário aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/2023, que busca alterar a Constituição para incluir a tese do chamado “marco temporal” como critério para as demarcações. A tese, que busca restringir o direito dos povos indígenas às suas terras, já havia sido declarada inconstitucional pela Suprema Corte no julgamento do Tema 1031, de repercussão geral, em 2023.
Em meio ao impasse, o STF absteve-se de resolver o tema e reafirmar sua própria decisão de repercussão geral, cujos embargos de declaração permaneceram sem análise durante todo o ano de 2025. Em dezembro, o relator das ações sobre a Lei 14.701, ministro Gilmar Mendes, apresentou seu voto. O ministro manteve muitos dos dispositivos mais graves da norma e propôs outros igualmente problemáticos, dificultando a efetivação da posse dos povos indígenas sobre suas terras tradicionalmente ocupadas.
Acampamento Terra Livre 2025. Foto: Guilherme Cavalli/Cimi
Soma-se a este contexto a pressão econômica, que encontra ressonância nos três Poderes da República, pela regulamentação da mineração em terras indígenas, pela realização de grandes obras de infraestrutura para o escoamento de grãos e minério e pela exploração de gás e petróleo em áreas com impacto direto sobre povos indígenas.
O número de conflitos por direitos territoriais registrou aumento em relação ao ano anterior. Os 169 casos ocorreram em 23 estados e atingiram 143 Terras Indígenas. Dois terços dos territórios afetados são áreas com pendência na sua regularização ou sem providência do Estado para sua demarcação.
Violência contra o Patrimônio
As “Violências contra o Patrimônio” dos povos indígenas são sistematizadas em três categorias e reunidas no primeiro capítulo do relatório. Em 2025, elas totalizaram 1.276 casos: 897 relacionados à omissão e morosidade na regularização de terras, 169 a conflitos relativos a direitos territoriais e 210 a invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio indígena.
Das 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas existentes no Brasil, 897 estão pendentes de alguma medida administrativa para sua regularização. Deste total, 582 ainda não tiveram nenhuma providência para iniciar seu processo demarcatório.
Em 2025, nove TIs tiveram seus Relatórios Circunstanciados de Identificação e Delimitação (RCIDs) publicados pela presidência da Funai, dez portarias declaratórias foram emitidas pelo Ministério da Justiça, sete terras foram homologadas e cinco foram registradas como patrimônio da União, concluindo o processo de regularização fundiária. Além disso, ao menos 16 Grupos Técnicos (GTs) para delimitação de TIs foram abertos e dez reservas indígenas foram constituídas pela Funai.
São avanços importantes, mas ainda muito aquém da demanda territorial dos povos indígenas, mantendo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a menor média de homologação de Terras Indígenas dentre seus governos.
Em muitas terras onde o avanço da demarcação é mais urgente, devido à gravidade dos conflitos e à vulnerabilidade das comunidades indígenas, a justificativa do governo para a estagnação do processo demarcatório foi o impasse jurídico em relação às demarcações.
Neste cenário, o número de conflitos por direitos territoriais registrou aumento em relação ao ano anterior. Os 169 casos ocorreram em 23 estados e atingiram 143 Terras Indígenas. Dois terços dos territórios afetados são áreas com pendência na sua regularização ou sem providência do Estado para sua demarcação.
Esta predominância reflete o contexto de morosidade na regularização e na efetivação da posse indígena, inclusive em terras já reconhecidas como de ocupação tradicional desses povos. Enquanto isso, grandes projetos de infraestrutura e exploração econômica avançam sem considerar adequadamente a presença indígena.
Os 210 casos de invasão possessória, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio registrados atingiram ao menos 151 Terras Indígenas em 20 estados. Nesta categoria, a maioria das TIs afetadas – 88, o equivalente a 58,3% – são áreas já regularizadas.
É o caso da TI Sararé, exemplar também de uma situação recorrente: muitas das terras que registraram invasões e danos ao patrimônio passaram recentemente por grandes operações de desintrusão. Tão logo concluídas as operações, invasores retornaram, levando medo e destruição aos povos e territórios.
Foi o caso dos Parakanã da TI Apyterewa, no Pará, que sofreram diversos ataques armados praticados por invasores, e da TI Karipuna, em Rondônia, onde muitos grileiros se restabeleceram meses depois do término oficial da desintrusão. Embora as operações de desintrusão e fiscalização representem importante diferença em relação ao governo anterior, esses casos evidenciam a falta de estruturas permanentes de fiscalização e proteção das terras indígenas.
A comunidade do tekoha Guyraroka retomou uma fazenda sobreposta à Terra Indígena para evitar pulverização de agrotóxicos próximos às moradias indígenas. Foi alvo de intensos e contínuos ataques de pistoleiros e de forças policiais. Foto: Renato Santana/Cimi
Além do garimpo e da mineração, foram registrados grande número de invasões por madeireiros, grileiros, caçadores e pescadores, muitas delas incentivadas ou viabilizadas por obras próximas a territórios indígenas, como a pavimentação de rodovias. Ao menos 46 territórios registraram danos a cursos d’água relacionados à drenagem de rios para irrigação de monocultivos, ao garimpo e à contaminação por agrotóxicos.
As TIs Guyraroka, no Mato Grosso do Sul, e Lago do Soares, no Amazonas, figuram nas três categorias deste capítulo e evidenciam como as diferentes violações se entrelaçam e potencializam.
Sem avanços no processo demarcatório, que aguarda julgamento no STF, a maior parte da TI Guyraroka permanece ocupada por fazendeiros, com recorrentes casos de intoxicação devido à pulverização de agrotóxicos próxima às moradias Guarani e Kaiowá. Em setembro, para evitar nova situação do tipo, os Guarani e Kaiowá decidiram retomar uma das fazendas sobrepostas à sua terra. Os meses seguintes foram marcados por violentos ataques de jagunços e forças policiais, com diversos feridos.
No Amazonas, justificando a ausência de delimitação oficial da TI Lago do Soares, cuja demarcação é reivindicada há décadas pelo povo Mura, o governo estadual concedeu a uma empresa multinacional licenças para a instalação de um megaprojeto de mineração de potássio dentro da TI. Em 2025, a empresa iniciou as obras, desmatando áreas dentro do território Mura, que corre risco, inclusive, de salinização de suas águas. O garimpo ilegal e os grandes projetos de mineração constituem, do ponto de vista das Terras Indígenas, ameaças semelhantes.
Violência contra a Pessoa
Os casos de “Violência contra a Pessoa” são sistematizados no segundo capítulo do relatório. Em 2025, foram registrados 258 assassinatos de indígenas, número consideravelmente maior do que os 211 casos registrados no ano anterior. Os estados que registraram maior número de casos foram, novamente, Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37).
Os dados de assassinatos foram compilados a partir de informações do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), das secretarias estaduais de saúde e da Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai), obtidas via Lei de Acesso à Informação (LAI) e por meio da consulta a bases públicas.
Foram registrados pelo Cimi, ainda, 19 casos de abuso de poder, 18 de ameaça de morte, 27 de ameaças várias, 33 casos de lesão corporal, 38 tentativas de assassinato, 46 casos de racismo e discriminação étnico-cultural e 25 casos de violências sexuais, além de 10 indígenas vítimas de homicídio culposo, totalizando 474 casos neste capítulo.
Acampamento Terra Livre 2025. Foto: Guilherme Cavalli/Cimi
O caso de um adolescente indígena que teve a pele marcada com ferro utilizado para a identificação de gado enquanto trabalhava para um pecuarista na Ilha do Bananal (TO) – segunda ocorrência do tipo em menos de um ano – simboliza de forma cruel a permanência e o enraizamento do racismo e da discriminação étnico-racial contra os povos originários no Brasil.
Muitas das situações registradas são recorrentes e referem-se à falta generalizada, em aldeias do país inteiro, de infraestrutura escolar e de saúde, assim como à ausência de saneamento básico e de água potável.
Violência por Omissão do Poder Público
O terceiro capítulo do relatório reúne sete categorias que sistematizam as “Violências por Omissão do Poder Público”.
As informações compiladas pelo Cimi a partir de dados obtidos junto ao SIM, às secretarias estaduais de saúde e à Sesai totalizaram 215 suicídios indígenas em 2025, superando os 208 registrados no ano anterior. Amazonas (77), Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (37) foram os estados com maior número de casos. Os suicídios mantiveram-se concentrados entre os jovens, com maior incidência entre indígenas de 20 a 29 anos (41%) e até 19 anos (34%).
Dados coletados das mesmas fontes totalizaram 1.024 óbitos de bebês e crianças indígenas até 4 anos de idade, aumento significativo em relação aos 922 casos contabilizados no ano anterior. Os maiores números foram registrados nos estados do Amazonas (306), Roraima (158) e Mato Grosso (123).
Do total de 1.024 óbitos, a maioria – 586, o equivalente a 57% – decorreu de causas consideradas evitáveis, com destaque para mortes decorrentes de gripe e pneumonia (104), doenças infecciosas intestinais (85) e desnutrição (32).
Foram registrados, ainda, 58 casos de desassistência geral, 111 de desassistência na educação e 121 na saúde, além de 62 mortes por desassistência na saúde e 14 casos envolvendo a disseminação de álcool e outras drogas entre povos indígenas, totalizando 366 registros.
Além da falta de infraestrutura nos territórios, profissionais e medicamentos, a categoria de desassistência na área da saúde registrou grande quantidade de casos de falta ou acesso precário à água potável e ao saneamento básico, com severos impactos sobre as condições de saúde de diversas populações indígenas.
Em muitos casos, a situação é agravada pela poluição de cursos d’água utilizados pelos indígenas por agrotóxicos ou pelo mercúrio utilizado nos garimpos. No Rio Grande do Sul, que registrou o maior número de casos nesta categoria, a desassistência atinge especialmente indígenas em luta pela terra, que vivem acampados à beira de estradas e sob vulnerabilidade extrema.
A educação indígena ganhou visibilidade, no início do ano, com a grande mobilização dos povos indígenas do Pará contra o desmonte do sistema de educação escolar indígena no estado. Em todo o país, os relatos sistematizados neste relatório evidenciam a falta de investimentos, escolas, merenda, material didático e manutenção mínima da infraestrutura existente.
Pavimentação da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), impacta Terras Indígenas e ameaça povos em isolamento que vivem entre as calhas dos rios Madeira e Purus, no Amazonas, e cuja presença não é reconhecida pela Funai. Foto: Nilmar Lage/Greenpeace Brasil
São diversos os relatos de falta de acesso à educação escolar específica e diferenciada e ao subsistema de saúde indígena, recorrentes especialmente entre indígenas em contexto urbano ou em processo de reafirmação étnica. Além da dificuldade de acesso a políticas públicas, alguns povos encontram barreiras até para o registro civil de nomes indígenas.
Ignorados pelo Estado, aqueles cujo registro ainda não foi confirmado pela Funai enfrentam risco ainda maior diante da expansão de atividades econômicas sobre as áreas de floresta que habitam.
Povos isolados
O quarto capítulo traz uma análise sobre a situação dos povos indígenas em isolamento voluntário, especialmente daqueles grupos que, sem reconhecimento oficial do Estado, permanecem sem nenhuma política de proteção e sob risco iminente de genocídio.
A Equipe de Apoio aos Povos Livres (Eapil) do Cimi lista 119 registros de Povos Isolados no Brasil, dos quais apenas 55 são confirmados pela Funai.
Garimpo ilegal na TI Sararé foi capa da edição de 1996 do Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, publicado pelo Cimi. Três décadas depois, situação se repete. Foto: José Medeiros/arquivo Cimi
Foram registrados casos de invasão e dano ao patrimônio em 20 TIs onde há a presença de 45 registros de Povos Isolados. Ignorados pelo Estado, aqueles cujo registro ainda não foi confirmado pela Funai enfrentam risco ainda maior diante da expansão de atividades econômicas sobre as áreas de floresta que habitam.
Memória
O quinto capítulo, voltado ao tema da Memória e da Justiça, traz o relato do jornalista e escritor Rubens Valente acerca de sua cobertura sobre o garimpo na TI Sararé três décadas atrás. Em 1996, Valente produziu reportagens sobre uma grande operação de desintrusão na TI e chegou a ir até o garimpo ilegal na companhia do fotógrafo José Medeiros. Em seu texto, o repórter rememora aquela cobertura e traça um paralelo entre os dois momentos históricos marcados pela exploração ilegal da terra Nambikwara.
Acampamento Terra Livre 2025. Foto: Hellen Loures/Cimi
Artigos e análises
As formas e a persistência do racismo contra os povos indígenas e os desafios para garantir o respeito aos direitos específicos e à identidade de indígenas encarcerados são dois dos temas abordados nos artigos que complementam os capítulos de sistematização dos dados.
A luta dos povos indígenas do Piauí por reconhecimento étnico e territorial, em um contexto marcado pela expansão da fronteira agrícola, também é destacada, assim como a análise da política indigenista no Brasil.
Foto: Reprodução/Caci
A plataforma Caci, mapa digital que reúne as informações georreferenciadas sobre os assassinatos de indígenas no Brasil, foi atualizada com as informações do relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2025. Caci, sigla para Cartografia de Ataques Contra Indígenas, também significa “dor” em Guarani.
*Com informações do Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
Área desmatada para garimpo ilegal cresce até 660% em áreas protegidas na bacia do Rio Juruena em MT. Foto: Reprodução/Instituto Centro de Vida
Localizado na região amazônica de Mato Grosso, o Parque Nacional do Juruena registrou um aumento de 660% da área desmatada pelo garimpo ilegal de ouro em oito meses. O dado consta em um estudo divulgado pela Amazon Conservation junto ao Instituto Centro de Vida (ICV) no dia 6 de agosto.
Além do levantamento sobre a Unidade de Conservação (UC) nacional, na categoria de Parque Nacional, o estudo também analisou o desmatamento para exploração minerária no Parque Estadual Igarapés do Juruena, no qual constatou um crescimento de 408% da área afetada.
Ambos os parques da bacia do Rio Juruena compõem um mosaico essencial para a preservação da porção sul da Amazônia brasileira, principalmente quanto à preservação dos serviços ecossistêmicos e à proteção contra o avanço do desmatamento na região.
Contudo, o estudo mostra que a pressão exercida pela mineração tem colocado em xeque os benefícios socioambientais gerados pelos parques e o poder de controle do Estado sobre as UCs, o que mostra desafios para a efetividade dos mecanismos de proteção legal dessas áreas.
Área desmatada para garimpo ilegal cresce até 660% em áreas protegidas na bacia do Rio Juruena em MT. Foto: Chico Batata
A análise considerou alertas de desmatamento por mineração disponibilizados pela iniciativa MAAP (Monitoring of the Andes Amazon Program), da Amazon Conservation, a partir da interpretação de imagens de altíssima resolução espacial. Além disso, o estudo cruzou as informações com plataformas de dados geoespaciais públicas, explica o coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, Vinícius Silgueiro.
“Os alertas de desmatamento para garimpo são validados com base em imagens de satélite com elevadíssimo nível de detalhe e as áreas desmatadas são mapeadas e têm suas extensões calculadas. Posteriormente, essas áreas são cruzadas com dados de autos de infração e embargos, emitidos pelo IBAMA, ICMBio e pela SEMA/MT, que permitem a identificação da ocorrência de ações de fiscalização e combate sobre esse garimpos ilegais”, disse Silgueiro.
Desmatamento para garimpo em alta
Os dados mostram que, no caso do Parque Nacional do Juruena, a exploração minerária tem se concentrado majoritariamente na porção sudoeste. De agosto de 2025 a abril de 2026, a área desmatada na UC pelo garimpo saltou de 10,5 hectares para 79,5 hectares.
O crescimento de 660% em um período de oito meses evidencia uma ação intensa, rápida e com alto potencial de degradação do parque, sobretudo pelo uso de maquinários, abertura de acessos e formação de acampamentos.
Área desmatada para garimpo ilegal cresce até 660% em áreas protegidas na bacia do Rio Juruena em MT. Foto: Divulgação
O estudo apresentou um cenário semelhante para o Parque Estadual Igarapés do Juruena, onde a área desmatada se concentra na região centro-sul da UC. De junho de 2025 a março de 2026, foi registrado um aumento de 8,6 hectares para 43,7 hectares desmatados no parque pela atividade garimpeira.
Esse cenário impacta diretamente o meio ambiente, provocando desmatamento, assoreamento, aumento da carga de sedimentos e matéria orgânica nos cursos d’água e a potencial contaminação por mercúrio, o que compromete a biodiversidade e a segurança alimentar das comunidades locais.
Recorrência expõe fragilidades
O aumento da atividade ilegal de garimpo não ocorreu fora do radar do poder público. Dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mostram que 15 operações de combate à mineração foram realizadas no Parque Nacional do Juruena desde 2010.
Já no Parque Estadual Igarapés do Juruena, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) registrou ações de fiscalização relacionadas ao combate a ilícitos ambientais em 2020, 2025 e 2026.
“O monitoramento por satélite já é uma ferramenta essencial no combate ao garimpo ilegal. O próximo passo é conectar esses alertas a informações atualizadas sobre concessões minerárias e aos limites de áreas protegidas, fortalecendo a capacidade de resposta das autoridades e tornando as ações de fiscalização ainda mais eficientes”, afirma Matt Finer, diretor da iniciativa MAAP (Monitoring of the Andes Amazon Project) e pesquisador sênior da Amazon Conservation.
Congresso tem 24 meses para editar lei sobre mineração em terras indígenas. Foto: Gustavo Moreno/STF
Na sessão desta quinta-feira (13), o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) referendou liminar do ministro Flávio Dino que deu prazo de 24 meses para que o Congresso Nacional edite lei sobre exploração mineral em terras indígenas, diante da falta de regulamentação da matéria. A decisão foi tomada no Mandado de Injunção(MI) 7516, apresentado pela Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta Larga (PATJAMAAJ).
Em fevereiro, Dino reconheceu a ausência de regulamentação e fixou condições provisórias para a atividade nas terras do Povo Cinta Larga. No voto apresentado hoje, reafirmou que, diante de 37 anos de omissão, cabe ao STF garantir aos indígenas a efetividade do direito previsto na Constituição Federal, até que a matéria seja regulamentada.
Congresso tem 24 meses para editar lei sobre mineração em terras indígenas, decide STF. Foto: Reprodução/Polícia Federal
Segundo o ministro, a Constituição e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) asseguram aos povos indígenas a posse permanente e o direito ao usufruto exclusivo das riquezas em seus territórios.
Esse direito, contudo, não impede a exploração de recursos hídricos e minerais, desde que sejam observadas as exigências constitucionais, como a autorização do Congresso Nacional e a escuta das comunidades afetadas.
O ministro lembrou que, em caso semelhante (MI 7490), o STF já havia reconhecido a omissão legislativa sobre a matéria.
Conflituosidade acentuada
Para o relator, a situação atual favorece o garimpo ilegal, o narcogarimpo e a crescente atuação de organizações criminosas, vinculadas a uma rede socioeconômica e política que impede a regulamentação da mineração.
O ministro ressaltou que a decisão não autoriza a exploração mineral em terras indígenas, que permanece sujeita às exigências previstas na Constituição e na legislação.
Cinta Larga
Especificamente em relação à Terra Indígena Cinta Larga, o Plenário, por maioria, acompanhou o relator para determinar ao governo federal que providencie a retirada de qualquer atividade de garimpo ilegal na área, inclusive com uso da força, se necessário. Também deve ser concluída a escuta no território indígena Cinta Larga, conforme determinado nos autos do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1425370.
Congresso tem 24 meses para editar lei sobre mineração em terras indígenas, decide STF. Foto: Reprodução/Funai
Ficou vencido neste ponto o ministro Edson Fachin, que se limitou a reconhecer a omissão e determinar a edição de lei. Enquanto não for editada a lei, foram fixadas as seguintes condicionantes para a mineração nessa terra:
Deve ser realizada consulta livre, prévia e informada às comunidades, conforme previsto na Convenção 169 da OIT.
A área explorada, caso a mineração venha a ser autorizada, não poderá exceder 1% do território indígena demarcado, assegurando a integridade da maior parte das terras.
Os indígenas terão preferência na exploração dos recursos de seu território.
Será instituída uma cooperativa para este fim, com outorga pelo Poder Executivo, a aprovação pelo Congresso Nacional e assistência técnica e financeira do poder público.
Caso não exerça seu direito de prioridade, mas autorize o empreendimento, o povo indígena terá direito a 50% do valor total devido aos estados, ao Distrito Federal, aos municípios e aos órgãos da administração direta da União.
A participação financeira das comunidades nos resultados da lavra deve ser integralmente direcionada para projetos de segurança territorial, produção sustentável, recuperação ambiental, saúde, educação e sustentabilidade.
A forma do repasse deve ser estabelecida em conjunto pelos indígenas e os ministérios envolvidos, com fiscalização do Ministério Público Federal.
É obrigatória a elaboração de estudos de impacto ambiental e planos de manejo sustentável, com medidas de recuperação de áreas degradadas e compensação ambiental, inclusive durante o período de exploração.
*Com informações do Supremo Tribunal Federal (STF)
Augusto Sampaio expõe artesanato feito com lixo reciclado no extremo Norte do Amapá. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP
O que antes seria descartado como lixo, vira fonte de renda e arte nas mãos do artesão Augusto Sampaio, morador de Oiapoque, no extremo Norte do Amapá. Após ficar desempregado, ele encontrou no reaproveitamento de materiais uma oportunidade de recomeçar.
O trabalho do artesão é destaque da 3ª Feira Internacional de Oiapoque, que começou nesta quinta-feira (30) e segue até domingo (2) no Estádio Municipal Natizão.
Artesanato de Augusto é feito a partir da reciclagem de lixo. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP
Ele, que já fazia parte de uma iniciativa na Guiana Francesa ensinando arte para crianças, decidiu focar no ramo do artesanato e da reciclagem a partir de 2023.
“Eu faço todo o reaproveitamento da matéria-prima e com isso eu produzo arte, eu dou vida na matéria-prima. Material que vai para o lixo, a gente reutiliza, fazendo arte e também ajuda o meio ambiente”, contou.
Artesanato de Augusto é feito a partir da reciclagem. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP
Para o empreendedor, o trabalho une a preservação ambiental à oportunidade de gerar renda extra na faixa de fronteira.
“Reutilizar, reciclar são muito importantes na vida do ser humano. O que vai para o lixo poderá afetar a nossa terra, afeta o nosso meio ambiente, e a gente pode tá transformando tudo isso em arte”, disse.
Cultura indígena
Além da reciclagem, a feira reúne mais de 80 expositores dos 16 municípios do Amapá, com forte presença da cultura dos povos originários. O artesão indígena Arilson Alexandre, que é um dos expositores do evento, apresenta a arte da mulher indígena, com obras que representam as etnias:
Karipuna
Galibi Marworno
Palikur
Galibi Kali’na
Arte indígena é valorizada na 3ª Feira Internacional de Oiapoque. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP
“Ela traz uma visibilidade em geral, que registra o nosso momento, que é super importante, porque cada arte, ela traz uma marca, ela traz um grafismo que representa a cultura, que representa o povo, que resiste, que estamos aqui, sempre estivemos aqui. Então, cada artesanato, ela carrega essa força, essa energia que é positiva”, destacou.
Arilson afirma ainda que o espaço é fundamental para dar visibilidade e reafirmar a ancestralidade indígena para visitantes brasileiros e franceses.
Arilson Alexandre expõe artesanato na Feira Internacional de Oiapoque. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP
3ª Feira Internacional de Oiapoque
Durante três dias evento busca ser um instrumento estratégico para o acesso a novos mercados.
Arte indígena é valorizada na 3ª Feira Internacional de Oiapoque. Foto: Francisco Pinheiro/g1
A oportunidade conecta pequenos negócios, promove o turismo, estimula trocas comerciais e fortalece os laços econômicos e culturais entre o Amapá, o Platô das Guianas, o Suriname e países do Caribe.
*Por Isadora Pereira e Francisco Pinheiro, da Rede Amazônica Amapá
JogaFeira conta com games gratuitos amapaenses. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP
Quem passa pela Expofeira 2026, no Parque de Exposições da Fazendinha, em até 16 de agosto, pode pegar o controle e testar de graça vários jogos produzidos no Amapá. A 2ª edição da JogaFeira transformou o espaço em uma grande sala de jogos independentes, onde a ideia é sentar, jogar e descobrir o que a cena local está produzindo.
Ao todo, o público encontra 11 games disponíveis nas telas. Oito foram feitos do zero por desenvolvedores locais, que atuam como programadores, desenhistas e roteiristas, e três são de convidados de fora do estado (Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal).
De acordo com o diretor do Coletivo Game Dev Amapaense, Leonardo Ferreira, o evento busca dar visibilidade e estimular o mercado local.
“A JogaFeira é um evento que é uma vitrine para os desenvolvedores do estado exporem seus jogos. Esse ecossistema está crescendo. Antes não existia nada, agora existe um grupo que quer fomentar esses desenvolvedores aqui”, afirma Leonardo.
Diretor do Coletivo Game Dev Amapaense, Leonardo Ferreira. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP
Ele destaca ainda a importância de apresentar a produção local para os visitantes da feira
“A gente tenta fazer o contato com o público amapaense para ver que os jogos não precisam ser só diversão. Existem jogos feitos aqui no estado e que podem ser a profissão do futuro”, pontua.
Para transformar a visita em uma jornada, a organização entrega um “cartão-passaporte” para quem entra no espaço.
A cada game testado em uma das estações, o visitante ganha um carimbo no papel. Ao completar o circuito e testar os títulos da feira, o jogador troca a cartela cheia por brindes como broches e pôsteres colecionáveis ilustrados por artistas amapaenses.
Jogadores podem adquirir pôsteres colecionáveis na feira. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP
Mudar a cor para mudar o tempo
Um dos títulos que mais chamam a atenção de quem passa pelo estande é o Cromalis, feito em dupla pelo casal Naylla Tenório e pelo programador Luis Sérgio.
No jogo, o mundo perdeu todas as cores e ficou em um cinza absoluto. Para devolver a vida ao cenário, o jogador precisa subir os andares de uma torre cheia de desafios.
“A gente se inspirou bastante no clássico Portal, que exige raciocínio para mover caixas e passar de fase. Usamos a paleta de cores para dar poderes ao personagem: o amarelo faz correr mais rápido, o magenta congela objetos no tempo e o ciano dá superpulos”, conta Naylla.
Jogadores podem adquirir pôsteres colecionáveis na feira. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP
Além do universo colorido de Cromalis, quem passa pelos controles encontra experiências para todos os gostos e idades:
Para quem gosta de mistério: títulos como Limbo Noir e Bob’s Fears apostam em atmosferas sombrias e desafios de suspense.
Para quem prefere ação rápida: games como VoidWorld, Outcity e Tellus 505 colocam o jogador no meio de combates, cenários futuristas e exploração espacial.
Para partidas mais leves: jogos como Date Colors e Blissaster trazem mecânicas focadas em estilo visual e raciocínio direto.
Demais jogos amapaenses:
VoidWorld – Yris (Ação e ficção científica) Em um “mundo morto”, o jogador explora o Vazio em busca de segredos. A dinâmica principal exige absorver poderes elementais para sobreviver aos perigos do cenário.
Game VoidWorld – Yris. Foto: Reprodução/Internet
Outcity – Vinicius Aguiar (Exploração urbana) O jogo acompanha quem decide trocar o estresse da cidade pela vida no campo. A missão é transformar terras selvagens e intocadas em um novo lar.
Game Outcity – Vinicius Aguiar. Foto: Reprodução/Internet
Date Colors – Anna Guedes (Estilo visual e cores) Com visual marcante, o título usa paletas de cores expressivas como elemento central. A estética guia a atmosfera da história e as interações do jogador.
Game Date Colors – Anna Guedes. Foto: Reprodução/Internet
Tellus 505 – SmockingCrow (Sobrevivência e espaço) O jogador investiga o mistério da extinção de uma antiga civilização controlando dois personagens ao mesmo tempo: um focado em combate e outro em quebra-cabeças.
Bob’s Fears – Irado Company (Aventura e suspense) Aventura de suspense e terror cômico onde a rotina se torna um pesadelo. Ao se mudar por causa do trabalho, o protagonista Bob descobre que a nova cidade é habitada por monstros.
Blissaster – Rat in a Cup (Estratégia e ação) Mistura de estratégia e ação que exige decisões rápidas. O desafio é gerenciar recursos e posicionar defesas em cenários intensos para conter grandes desastres.
Blissaster – Rat in a Cup. Foto: Reprodução/Internet
Limbo Noir – Luis Sérgio (Mistério em tom sombrio) No papel de um detetive em um clássico cenário noir, o jogador explora ambientes sombrios, junta pistas e interroga suspeitos para solucionar um crime.
Limbo Noir – Luis Sérgio. Foto: Reprodução/Internet
Convidados de fora:
Jiga no Mezame: Autism Core – Gabrielle Hensley (Narrativa e conscientização)
Ritmania – Igor Carneiro (Desafio de ritmo musical)
Dream Delirio’s – Felipe Borges (Plataforma e sonho)
O Forte de Samaipata é um sítio arqueológico localizado no departamento de Santa Cruz, na Bolívia, país da Amazônia Internacional, e um dos mais importantes patrimônios culturais da região andino-amazônica. Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1998, o local reúne vestígios de diferentes povos que ocuparam a região ao longo de mais de mil anos.
O sítio é formado por duas áreas principais: um grande centro cerimonial construído sobre uma enorme rocha de arenito vermelho e um setor administrativo e residencial, utilizado por diferentes culturas, entre elas os Mojocoyas e, posteriormente, os incas. O principal destaque de Samaipata é a gigantesca rocha monolítica, com aproximadamente 220 metros de comprimento por 60 metros de largura, considerada uma das maiores esculturas rupestres do mundo.
De acordo com as pesquisas arqueológicas, o forte começou a ser ocupado por volta do século III d.C., sendo trasnformado pelos incas, no século XIV, em uma importante capital provincial, construindo praças, edifícios públicos, terraços agrícolas e estruturas militares. Com a chegada dos espanhóis, no século XVI, o sítio tornou-se um ponto estratégico na rota entre Santa Cruz e as minas de prata de Potosí, mas acabou sendo abandonado após a fundação da atual cidade de Samaipata.
Jambu, uma das plantas medicinais cujas folhas e flores são usadas na culinária da Amazônia. Foto: Divulgação/Prefeitura de Belém
Muito além dos chás caseiros e das receitas transmitidas entre gerações, as plantas medicinais da Amazônia têm despertado cada vez mais o interesse da ciência. Encontradas com facilidade em Rondônia, espécies como copaíba, andiroba, unha-de-gato e jambu são estudadas por seus compostos naturais e pelas aplicações que podem auxiliar na promoção da saúde.
Segundo a doutora em Botânica e professora da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Osvanda Silva de Moura, as plantas medicinais são vegetais que possuem compostos capazes de produzir efeitos no organismo humano e que podem ser utilizados tanto na medicina tradicional quanto na produção de fitoterápicos.
“Plantas medicinais são vegetais que contêm substâncias ativas com propriedades terapêuticas capazes de prevenir, aliviar ou até mesmo tratar determinados problemas de saúde. Elas são a base da medicina natural e tradicional, podendo ser utilizadas em chás, compressas, emplastos e até mesmo como matéria-prima para medicamentos fitoterápicos e industrializados”, explica.
Essas características estão presentes naturalmente nos vegetais e são resultado do metabolismo da própria espécie. De acordo com a pesquisadora, quando esses compostos entram em contato com o corpo humano, podem desencadear diferentes respostas biológicas.
“As propriedades das plantas medicinais vêm dos princípios ativos, que são compostos químicos produzidos pelo metabolismo da planta. Quando entram em contato com o organismo humano, essas substâncias interagem com as células, promovendo efeitos analgésicos, anti-inflamatórios, calmantes, diuréticos, entre outros”, afirma.
Apesar de serem amplamente conhecidas pela população, essas espécies também despertam interesse da comunidade científica, que busca identificar quais compostos estão presentes em cada vegetal e de que forma eles atuam no organismo.
Amazônia reúne centenas de espécies de plantas medicinais
Osvanda explica que muitas espécies com potencial terapêutico são encontradas em Rondônia e que a Amazônia funciona como uma verdadeira farmácia viva.
Entre algumas das variedades presentes na região estão:
unha-de-gato;
copaíba;
andiroba;
crajiru;
quina;
pracaxi;
jambu;
aroeira;
terramicina;
capim-santo;
espinheira-santa;
mastruz;
diferentes variedades de boldo.
Além das espécies nativas da floresta, muitos exemplares cultivados nos quintais também fazem parte da rotina de quem busca alternativas naturais para aliviar sintomas e complementar tratamentos.
A especialista destaca que cada vegetal possui compostos próprios e, por isso, apresenta finalidades diferentes.
Açaí também é considerado uma planta medicinal
Embora seja conhecido principalmente como alimento, o açaí também possui propriedades terapêuticas investigadas pela ciência. Segundo a pesquisadora, a espécie Euterpe precatoria reúne pelo menos 89 usos descritos em estudos científicos, com aplicações que vão além da alimentação.
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
De acordo com a professora, a polpa do fruto é utilizada tanto na medicina humana quanto na veterinária e apresenta ação antioxidante, auxiliando no combate aos radicais livres. Pesquisas também indicam potenciais benefícios para os sistemas sanguíneo, cardiovascular, digestivo e urinário.
Copaíba, o ‘antibiótico da mata’
Entre as espécies mais conhecidas da Amazônia está a copaíba, utilizada há décadas por comunidades tradicionais e cada vez mais estudada por pesquisadores.
Segundo Osvanda, o óleo extraído da árvore concentra compostos naturais associados a diferentes aplicações terapêuticas.
“A copaíba é um poderoso extrato vegetal da Amazônia, bastante rico em sesquiterpenos e diterpenos, compostos associados a propriedades que podem auxiliar no tratamento de inflamações, infecções e processos de cicatrização”, explica.
De acordo com a docente, estudos realizados por universidades brasileiras já demonstraram atividades anti-inflamatórias, antioxidantes, cicatrizantes e antimicrobianas relacionadas à espécie.
Andiroba, tesouro da Amazônia
Mudas de andiroba no Horto de Macapá. Foto: Victor Vidigal/ Rede Amazônica AP
Outra espécie bastante utilizada na região é a andiroba, conhecida tanto na medicina popular quanto na indústria cosmética.
Segundo a professora, o óleo extraído da árvore possui diferentes aplicações e costuma ser empregado para aliviar dores musculares, contusões, inchaços e desconfortos associados ao reumatismo.
Além disso, pode contribuir para a regeneração da pele ao estimular a produção natural de colágeno. “Não devemos ingerir o óleo da andiroba, porque pode causar prejuízos ao estômago e ao fígado”, alerta.
Segundo ela, o uso tradicional ocorre principalmente de forma tópica. Já as folhas podem ser utilizadas no preparo de chás destinados ao alívio de alguns sintomas, desde que haja orientação adequada.
Unha-de-gato
De acordo com a pesquisadora, a unha-de-gato costuma ser utilizada para aliviar dores articulares, combater infecções e fortalecer o sistema imunológico.
Ela explica que um dos efeitos observados é o estímulo à produção de glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo.
Além disso, a espécie auxilia na proteção das células contra danos oxidativos e na redução de substâncias ligadas aos processos inflamatórios.
“O consumo, geralmente feito por meio de chá, exige atenção. O uso não é recomendado para mulheres grávidas ou lactantes, pessoas com doenças autoimunes ou pacientes que tenham passado por transplante de órgãos”, ressalta.
Conhecido por provocar uma sensação de dormência na boca, o jambu também é considerado uma planta medicinal. Segundo Osvanda, esse efeito é causado pela presença de uma substância chamada espilantol.
O composto pode auxiliar no alívio de dores de dente, gengivite e alguns problemas digestivos. Além da ação anestésica, pesquisas investigam o potencial anti-inflamatório da espécie e possíveis aplicações nas áreas farmacêutica, odontológica e cosmética.
Espinheira-santa e gastrite
Entre as espécies encontradas com frequência em Rondônia está a espinheira-santa. Segundo a professora, ela é bastante procurada por pessoas que buscam aliviar problemas relacionados ao sistema digestivo.
“A espinheira-santa é conhecida pela sua ação gastroprotetora e é muito procurada para auxiliar no tratamento da gastrite”, conta.
A pesquisadora afirma que a espécie integra a medicina popular há muitos anos e continua entre as mais utilizadas pela população.
Capim-santo e mastruz estão entre as espécies mais comuns nos quintais
Além das variedades nativas da Amazônia, muitos exemplares cultivados em casa também fazem parte da rotina de diversas famílias.
Segundo Osvanda, uma delas é o capim-santo, geralmente consumido na forma de chá. Já o mastruz possui diferentes aplicações na medicina popular.
“O capim-santo apresenta efeito calmante e analgésico, além de poder auxiliar no combate à insônia e à ansiedade. O mastruz apresenta ação vermífuga, anti-inflamatória, expectorante e cicatrizante”, afirma.
Segundo a especialista, o mastruz também costuma ser utilizada como remédio caseiro para aliviar sintomas relacionados a problemas respiratórios.
Eficácia e recomendações
A professora explica que pesquisadores buscam combater a botanofobia, termo utilizado para descrever o preconceito em relação ao estudo das espécies medicinais e a ideia de que elas não possuem comprovação científica.
Para ela, a produção acadêmica tem ampliado o conhecimento sobre os compostos presentes na flora amazônica e contribuído para fortalecer o uso seguro desses recursos na medicina complementar. Apesar dos benefícios associados a essas espécies, a professora alerta que o fato de serem naturais não significa que possam ser utilizadas sem orientação.
Segundo ela, todos os vegetais possuem princípios ativos que podem provocar reações no organismo, principalmente quando associados a medicamentos ou utilizados em excesso.
“Embora sejam naturais, as plantas possuem princípios ativos potentes, que podem alterar a absorção ou até mesmo a eficácia dos medicamentos sintéticos”, alerta.
Por isso, a recomendação é informar ao médico ou farmacêutico sobre o uso de qualquer espécie medicinal, especialmente em casos de tratamento para doenças crônicas.
Segundo a pesquisadora, alguns grupos exigem atenção redobrada antes do consumo, como gestantes, lactantes, crianças, idosos e pacientes com doenças como diabetes e hipertensão.
“O fato de a planta ser natural não significa que ela pode ser utilizada de qualquer forma ou todos os dias”, ressalta.
Ela também lembra que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda que produtos à base dessas espécies sejam adquiridos em locais confiáveis ou em farmácias autorizadas.
Leia também:
Foto: Divulgação/Sepror
Forma de preparo
Uma das formas mais comuns de utilização dessas espécies é por meio dos chás. No entanto, a pesquisadora explica que o preparo varia conforme a parte utilizada.
Quando são usadas folhas e flores, por exemplo, o método indicado é a infusão. Já raízes, cascas e outras partes mais resistentes devem ser preparadas por decocção.
“Na infusão, a gente ferve a água e depois despeja sobre as folhas ou flores da planta medicinal. Em seguida, abafa por cerca de 10 a 15 minutos. Na decocção, a gente ferve a água junto com a planta “, explica.
Segundo ela, um erro frequente é colocar folhas para ferver diretamente na água.
“Muitas vezes a pessoa coloca a água para ferver junto com as folhas. Não é a forma correta. Acaba virando apenas um chá sem a função esperada”, afirma.
Além dos chás, os vegetais também podem ser utilizados na forma de xaropes, pomadas, compressas, cataplasmas, tinturas, emplastos, inalações e lambedores.
Coleta e armazenamento
De acordo com a pesquisadora, os cuidados começam antes mesmo do preparo. Ela recomenda que a coleta seja realizada apenas em locais livres de contaminação.
Também é importante observar se o material apresenta sinais de fungos, manchas escuras ou presença de insetos e larvas. A professora explica que a secagem deve ocorrer logo após a colheita para evitar a proliferação de microrganismos. Depois de secas, as espécies devem ser armazenadas em recipientes apropriados.
“As plantas devem ser guardadas em potes de vidro escuro, com tampa hermética, em local fresco, arejado e protegido da luz”, orienta.
Ela também recomenda evitar panelas de alumínio durante o preparo, já que o material pode reagir com determinados compostos presentes nos vegetais.
Uso de plantas medicinais no SUS
A professora explica que o uso de plantas medicinais e fitoterápicos integra as políticas públicas brasileiras desde 2006.
Segundo ela, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares e a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos incentivam o uso seguro dessas espécies no Sistema Único de Saúde (SUS).
Ela destaca que existe uma relação nacional de espécies autorizadas para uso e que o Ministério da Saúde oferece capacitações gratuitas para profissionais interessados na área.
Incêndio deixa o céu vermelho em Porto Velho. Foto: João Alves
O céu de Porto Velho (RO) ficou “vermelho” durante o temporal que atingiu a capital rondoniense na noite do dia 11 de agosto. Segundo o Corpo de Bombeiros, o fenômeno foi provocado pelo clarão das chamas de um incêndio em uma área de vegetação.
O Corpo de Bombeiros explicou que o fogo atingiu uma grande área de braquiária (tipo de gramínea), usada como pasto. A chegada de ventos fortes, antes da chuva, ajudou a alimentar as chamas e fez com que elas ficassem mais intensas, provocando o clarão avermelhado que pôde ser visto de diferentes regiões da cidade.
Incêndio e ventos fortes criaram efeito. Foto: Reprodução
Momentos depois, a chuva atingiu a região e contribuiu para conter os focos de incêndio. Segundo os bombeiros, não foram registradas ocorrências relacionadas à chuva em Porto Velho.
Mas o temporal também provocou pontos de falta de energia e alagamentos em algumas áreas da capital. De acordo com a Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica (Redmet), foram registradas rajadas de vento de até quase 60 km/h.
Incêndio e ventos fortes deixam o céu vermelho em Rondõnia. Foto: Reprodução