Em 2026 o Portal Amazônia celebra 25 anos de história divulgando a Amazônia para o mundo. Desde sua criação, o portal de notícias temático do Grupo Rede Amazônica busca mostrar ao mundo detalhes, curiosidades e tudo aquilo que faz da região única.
Durante o mês de julho, vamos celebrar esse marco de diversas formas e, para começar, separamos cinco curiosidades sobre o próprio portal que marcam sua história.
1. No ar desde 2001
O lançamento do portalamazonia.com ocorreu em 5 de julho de 2001 e está entre as principais referências sobre o tema Amazônia na internet. O objetivo de sua criação, à época, era marcar a presença do Grupo Rede Amazônica também na internet, que começava a ganhar popularidade e se tornar mais acessível.
Na comemoração de 21 anos, nossa equipe entrevistou antigos repórteres e líderes para descobrir os destaques da cobertura desde os primórdios do site. Leia AQUI. Além disso, você sabia que também já tivemos uma versão em inglês?
2. Reformulações?
Sim. O portal já passou por mais de 10 reformulações, seja de identidade ou até de editorias, para melhor se adaptar às novas tecnologias e, claro, às buscas do público sobre a assuntos pertinentes à região. Confira AQUI como foram essas mudanças.
Arte: Grupo Rede Amazônica
3. Abrangência internacional
A Amazônia Legal é uma área brasileira instituída pela Lei 1.806, de 06/01/1953, com o objetivo de definir a delimitação geopolítica com fins de aplicação de políticas de soberania territorial e econômica para a promoção de seu desenvolvimento. A nomenclatura designa nove estados brasileiros que possuem em sua geografia o bioma amazônico. Por isso, estados como Mato Grosso e Maranhão também são considerados da Amazônia e o portal divulga notícias sobre eles que envolvam, de alguma forma, a região como um todo.
Além disso, falando em bioma, o amazônico se estende por nove países, que fazem parte da Amazônia internacional, e que também são divulgados pelo portal.
4. Pioneiro desde o começo
O Portal Amazônia, além de ser um dos primeiros sites à trabalharem a Amazônia como tema focal, também foi pioneiro em outros momentos, como na produção de um programa para televisão feito completamente por sua equipe jornalística em parceria com o canal Amazon Sat: o Amazônia Interativa. Há cerca de 10 anos, o programa ia ao ar todos os sábados pela manhã, ao vivo, com entrevistas sobre os temas que mais foram acessados no portal durante a semana. Parceria essa que se estende até hoje, com novas produções como o videocast Igarapod.
5. Coberturas inesquecíveis, assuntos que rendem
Nos últimos cinco anos ganhou visibilidade com matérias que esclarecem dúvidas sobre a Amazônia, como a história da cidade perdida de Ratanabá, em Rondônia; desdobramentos sobre a construção do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas; acompanhamento do Círio de Nazaré, no Pará; além de diversas outras coberturas que destacam as curiosidades culturais e tradições da região.
Além disso, algumas matérias não saem do topo de mais acessadas. Em 2025, essas três foram as que mais receberam cliques:
Nós, do portalamazonia.com, agradecemos sua visita e contribuição nesses anos e também para que possamos seguir mostrando a Amazônia ao mundo. E reforçamos a pergunta: o que você quer saber sobre a Amazônia?
O estudo também reforça variações morfológicas do peixe considerado potência bioeconômica da região. Foto: Valdenor Magalhães
Ao contrário de estudos anteriores que apontavam para diversas espécies de pirarucu no sistema Amazonas-Solimões, o levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), publicado nesta sexta-feira (3) na revista Neotropical Ichthyology, revela que a espécie Arapaimagigas é a única na região.
Para a análise, foram recolhidos 90 espécimes em quatro regiões: Alto rio Solimões, rio Juruá, rio Purus, e baixo rio Amazonas, cobrindo mais de mil quilômetros do sistema Solimões-Amazonas. Deste total, 82 peixes foram fotografados e 70 foram analisados geneticamente.
Considerado o maior peixe de água doce da América do Sul, o pirarucu se encaixa em um paradoxo ambiental por ser considerado vulnerável na região natural onde costuma viver, e em outras áreas é reconhecido como um predador que ameaça a biodiversidade, como por exemplo nas bacias dos rios São Francisco e Paraná.
Maior peixe de água doce da América do Sul tem só uma espécie na Amazônia, diz pesquisa. Foto: Valdenor Magalhães
Pirarucu tem importância econômica na região
Além disso, o peixe é uma importante fonte de renda e subsistência de comunidades amazônidas. Daí a relevância da avaliação do estado de conservação da espécie e da análise genética e morfológica que é feita conjuntamente pela primeira vez neste estudo.
O autor do artigo e pesquisador Valdenor Magalhães explica que a indicação de apenas uma espécie de pirarucu na região vai na contramão de outros dois artigos publicados em 2013, que sugeriam a existência de quatro espécies adicionais além do Arapaima gigas, com base na variação das características morfológicas. Segundo Magalhães, essas diferenças são entendidas como uma variação natural de uma única espécie distribuída pela Amazônia.
“Essas variações individuais que vão desde tamanho olho, quantidade de dentes, comprimento e formato de nadadeiras, altura do corpo e até mesmo a quantidade de vértebras, não seguem um padrão que nos permita agrupar ou identificar outras espécies morfológicas”, explica.
O autor destaca ainda que devido à relevância do pirarucu na região, o estudo aponta para quais cuidados e medidas devem ser tomados para evitar o esgotamento do pirarucu.
“Por ser uma espécie de topo de cadeia alimentar, o pirarucu desempenha um papel ecológico fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas onde ocorre naturalmente, principalmente predando e controlando a população de outras espécies. Preservar a espécie explorando-a de modo sustentável, como ocorre no sistema de manejo é uma forma de preservar também o seu papel ecológico”, conclui.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori
Comunidade Fuduuwaaduinha, em Awaris, na TI Yanomami, continua sofrendo com a malária Foto: Fabrício Marinho/Platô Filmes/ISA
Lideranças da Terra Indígena Yanomami demandaram ao governo brasileiro a adoção de uma estratégia de cooperação com a Venezuela para fiscalização do garimpo ilegal e atendimentos de saúde na fronteira. Os indígenas produziram duas cartas no Encontro Binacional de Awaris e na III Assembleia Geral da Urihi Associação Yanomami.
Acesse a carta escrita durante a III Assembleia Geral da Urihi Associação Yanomami aqui.
Acesse a carta escrita no Encontro Binacional de Awaris aqui.
Além disso, dados preliminares do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (Sivep-Malária) apontam o registro de 25.861 casos positivos da doença na Terra Indígena Yanomami em 2025, sendo que, no Brasil, a maior concentração ocorreu em Awaris. Do lado venezuelano sequer há a contabilização dos casos.
Segundo os documentos, indígenas de ambos os países cruzam a fronteira com frequência em razão de visita a familiares, busca por suprimentos ou por atendimento médico. Esse movimento facilita a transmissão de malária.
“Embora essas comunidades sejam acolhidas pelos parentes e lideranças locais, a região de Awaris – atualmente com população superior a três mil habitantes — encontra-se sob forte pressão em relação à disponibilidade de recursos naturais indispensáveis à subsistência, como caça, pesca, terras agricultáveis e materiais tradicionais utilizados na construção das moradias”, diz trecho da carta do Encontro Binacional.
Foto: Guilherme Gnipper/ Funai
Carta de indígenas destaca ameaças
A carta da III Assembleia Geral da Urihi Associação Yanomami aponta que as comunidades brasileiras Homoxi e Xitei, ambas parte da Terra Indígena Yanomami, ainda estão sob as ameaças do garimpo ilegal por estarem situadas próximas a fronteira com a venezuela.
“Na região do Homoxi, por exemplo, opera do lado venezuelano o garimpo conhecido como Taboca, mantido principalmente por brasileiros que recebem suporte logístico a partir de Boa Vista. As comunidades yanomami do lado venezuelano e próximas a essa área sofrem com a severa degradação ambiental, com a violência dos garimpeiros e com graves problemas de saúde, destacando-se o surto de malária”, exemplifica parte do texto do documento elaborado pela Urihi.
Já o documento derivado do Encontro Binacional propõe a criação de uma Câmara Técnica Binacional entre Brasil e Venezuela. O conteúdo foi encaminhado para o Ministério das Relações Exteriores, bem como ao Ministério da Saúde, Ministério dos Povos Indígenas e órgãos do governo venezuelano.
Para o Itamaraty, o povo encaminhou a carta da Urihi que pede a elaboração de um Plano Binacional de Combate ao Garimpo Ilegal e um programa estruturado de controle da malária e fortalecimento da assistência à saúde na fronteira.
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) realizou a cerimônia de anúncio do recebimento de um supercomputador voltado ao desenvolvimento de pesquisas em inteligência artificial no início de julho. O evento ocorreu no Auditório do Instituto de Computação (IComp), localizado no setor Norte do campus sede.
A iniciativa é resultado da parceria entre a Ufam, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Intel, que disponibilizou o equipamento em doação para apoiar a pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico e a formação de recursos humanos em inteligência artificial no Brasil.
O equipamento, um servidor de alto desempenho baseado na plataforma Intel Gaudi 3, ampliará a infraestrutura computacional da Ufam e permitirá o desenvolvimento de pesquisas que demandam grande capacidade de processamento de dados, especialmente, inteligência artificial (IA), aprendizado de máquina (machine learning), computação de alto desempenho (HPC).
De acordo com a reitora da Ufam, professora Tanara Lauschner, esta é uma grande conquista não apenas para a Ufam, mas também para o desenvolvimento da ciência e tecnologia na região.
“Hoje, a pesquisa e a inovação dependem fortemente da inteligência artificial. É crucial que a Ufam possua uma infraestrutura que permita ajustar modelos à nossa realidade e aos nossos desafios específicos. Pesquisas de pós-graduação em bioeconomia, saúde, biodiversidade, clima, hidrologia, entre outras, terão impactos significativos com a chegada desse supercomputador. Essa infraestrutura terá capacidade de treinar modelos e obter resultados que seriam difíceis de alcançar com modelos não adaptados à nossa região”, explicou.
Supercomputador ajudará em pesquisas. Foto: Divulgação/Ufam
Durante a solenidade, o coordenador geral de Programas e Projetos Para Amazônia da Subsecretaria de Ciência e Tecnologia para a Amazônia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Eliomar Mota Da Cunha, falou que a incorporação dessa infraestrutura de ponta à Ufam impulsionará a pesquisa, a inovação tecnológica e a formação de recursos humanos qualificados.
“É crucial que desenvolvamos nossa própria definição e estrutura de inteligência artificial nacional para evitar a dependência de estruturas externas e asseguramos a soberania nacional”, destacou.
O representante do Ministério da Educação (MEC) e coordenador-geral de políticas para a juventude do MEC, Yann Evanovick, falou da satisfação de participar deste momento que simboliza o compromisso do Governo Federal com a educação, a ciência e a tecnologia como pilares para o desenvolvimento do país.
“O Ministério da Educação trabalha para fortalecer parcerias com as universidades e institutos federais, promovendo a equidade e ampliando oportunidades, especialmente para a Amazônia e o Nordeste. Que este novo supercomputador represente mais um passo rumo à soberania científica e tecnológica do Brasil”, ressaltou.
Supercomputador tem alto desempenho em IA
O servidor do supercomputador é um Dell PowerEdge XE9680, desenvolvido para processamento de aplicações de alto desempenho em IA. A configuração inclui dois processadores Intel Xeon de 5ª geração, oito aceleradores Intel Gaudi 3, interligados por rede Ethernet de alta velocidade (RoCE), 1 terabyte (TB) de memória DDR5 e até 1,5 TB de memória HBM integrada aos aceleradores. O equipamento possui formato de servidor em rack de 6U, peso líquido de 110 quilos e peso bruto de 114 quilos.
Segundo o diretor do Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação (CTIC/Ufam), Diogo Soares Moreira, a chegada de um supercomputador desse porte além do ensino e da pesquisa fortalecerá iniciativas estratégicas institucionais da Universidade, entre elas o desenvolvimento de um chat institucional baseado em LLMs, agentes pedagógicos integrados à IA do Sistema Sauim e outras pesquisas voltadas à transformação digital e à inovação na Ufam.
“A estrutura fortalece a autonomia da Instituição no desenvolvimento e uso de soluções baseadas em inteligência artificial, além de ampliar o suporte a projetos acadêmicos, sistemas institucionais e iniciativas de pesquisa e inovação. Compartilhada entre as unidades da Ufam e parceiros, essa infraestrutura cria novas oportunidades para o desenvolvimento de aplicações voltadas ao contexto institucional, consolidando a universidade como referência em inovação tecnológica na região”, ressaltou.
Pesquisa e desenvolvimento tecnológico
Para a representante do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Andréa Correia, o anúncio do recebimento de um supercomputador de alto desempenho da Intel representa a ampliação da capacidade científica e tecnológica instalada na Amazônia e a criação de novas possibilidades para o desenvolvimento de pesquisas avançadas.
“A Amazônia gera diariamente uma quantidade extraordinária de informações científicas, dados sobre biodiversidade, clima, florestas, saúde, bioeconomia, recursos naturais e dinâmicas sociais. Transformar esses dados em conhecimento, soluções e políticas públicas exige infraestrutura computacional, equipes qualificadas e, sobretudo, cooperação entre as instituições. Nesse sentido, essa iniciativa beneficia não apenas a Ufam, mas todo o ecossistema regional de ciência, tecnologia e inovação. Abre oportunidades para projetos colaborativos e formação de profissionais altamente especializados em desenvolvimento de soluções para os desafios concretos da Amazônia”, finalizou.
Um estudo liderado por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém (PA), e da Frankfurt Zoological Society (FZS), organização internacional com atuação no Peru, reconstruiu seis décadas de história, saúde e transição demográfica de uma comunidade na Amazônia peruana.
“Sociodemografia da população Matsiguenka que habita no Parque Nacional do Manu” retrata a mortalidade, o crescimento populacional e os padrões de assentamento e de migração desse povo, desde os primeiros contatos com grupos missioneiros, nos anos de 1960, passando pelo estabelecimento do Parque, em 1973, até as mudanças sociais motivadas pelos mercados globais, em anos mais recentes.
O primeiro estudo a analisar sistematicamente a evolução sociodemográfica dessas comunidades indígenas teve seus resultados divulgados no dia 2 de julho, pelo Serviço Nacional de Áreas Protegidas (Sernanp) do Peru e pela FZS. Eles constatam que o crescimento populacional está começando a desacelerar, marcando o início de uma transição demográfica pouco documentada na Amazônia peruana.
Os dados também apontam para mudanças nas condições de vida dessas populações. A taxa de mortalidade geral caiu 75%, em seis décadas, e a expectativa de vida ao nascer aumentou 30 anos, de 22,6 para 53,8 anos.
Diferente do Brasil, a legislação ambiental peruana permite a permanência de populações indígenas em parques nacionais. Nesse contexto, a pesquisa considera que compreender a dinâmica demográfica, social e territorial da população Matsigenka é fundamental para fortalecer as estratégias de conservação, a gestão intercultural e o acesso aos serviços públicos nesse parque nacional de importância global.
A pesquisa também identificou um aumento na mobilidade populacional: 33% das pessoas nascidas nas comunidades do Manu migraram para fora da área protegida em anos recentes, principalmente por motivos educacionais e em busca de novas oportunidades. Atualmente, 51% da população tem menos de 20 anos, e mais de 30% dos jovens tiveram acesso ao ensino superior, desde 2018.
Pesquisa contou com trabalho de pesquisadores indígenas nas atividades de campo. Foto: Glenn Shepard/MPEG
Pesquisas de longa data, colaboração indígena e tecnologias digitais
A investigação atualiza e consolida uma base de dados construída ao longo das últimas quatro décadas pelo antropólogo Glenn Shepard, pesquisador do Museu Goeldi. Ele realizou levantamentos de árvores genealógicas nessas comunidades em diferentes expedições a campo, entre 1987 e 2012. A partir de 2005, os dados foram sistematizados usando a plataforma digital Community Express, desenvolvida pelo antropólogo australiano John Burton, facilitando as análises demográficas.
A colaboração com a FZS – uma organização não governamental que trabalha com conservação da biodiversidade e educação ambiental no Parque Manu – possibilitou a atualização desses dados em um trabalho de campo realizado nos anos de 2024 e 2025. A equipe de pesquisa foi liderada por Shepard e pelo antropólogo peruano Enrique Herrera, gerente de Educação Ambiental da FZS. A equipe incluiu a antropóloga Mayra Huamán, o demógrafo Bernardo Céspedes e os pesquisadores indígenas Amador Mambiro e Yaneli Cabrera.
O estudo incorporou métodos da demografia antropológica para documentar processos históricos que fazem parte da memória coletiva, como epidemias, evolução dos serviços de saúde e transformações nas dinâmicas familiares. O processo incluiu consolidar censos populacionais históricos, validação comunitária e o uso de ferramentas especializadas em demografia antropológica para analisar natalidade, mortalidade, migração e padrões de assentamento ao longo do tempo, nas comunidades indígenas de Yomibato, Tayakome, Sarigueminiki y Tsirerishi.
“Em agosto passado, a análise foi entregue à administração do Parque e aos órgãos locais responsáveis pelas áreas protegidas do Peru. Em fevereiro deste ano, voltamos às comunidades que participaram do estudo e apresentamos o relatório, mostrando o seu significado para entender o passado e projetar o futuro delas. As comunidades, então, autorizaram a divulgação dos dados preliminares”, contextualizou o pesquisador do Museu Goeldi.
A devolução dos resultados às comunidades gerou uma reação significativa. Segundo Glenn Shepard, as famílias compreenderam rapidamente o valor das informações apresentadas.
“Durante muitos anos, falava-se principalmente do número de pessoas que vivem nessas comunidades. Esse estudo, porém, permite entender também as mudanças na saúde, na mortalidade e nas trajetórias familiares ao longo do tempo. Ou seja, não apenas identifica a realidade demográfica contemporânea, como também ajuda a compreender como as pessoas viviam antes e como vivem hoje”, explica Shepard.
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O Parque Nacional do Manu é um Sítio de Patrimônio da Humanidade da Unesco e, segundo pesquisas científicas, é considerado a área protegida com a mais alta biodiversidade terrestre do mundo. A presença de populações indígenas dentro de uma área natural protegida na Amazônia é uma realidade pouco comum e representa um desafio de gestão. Por isso, os pesquisadores observam que compreender as dinâmicas demográficas – tamanho da população, migração, fecundidade, mortalidade e escolaridade – é fundamental para projetar o impacto dos modos de vida sobre os ecossistemas e planejar ações sustentáveis.
“Entender os padrões demográficos é crucial para a gestão do Parque Nacional do Manu. Este estudo oferece insumos fundamentais para aperfeiçoar o modelo de gestão e articular melhor a conservação com o bem-estar da população”, afirma Enrique Herrera, pesquisador e gerente de Educação Ambiental da FZS.
Glenn Shepard é recebido por mulher em comunidade, durante atividade de campo com a FZS, em 2024. Foto: Amador Mambiro/pesquisador indígena
Mulheres adiam maternidade
De acordo com o estudo, a população Matsigenka que vivia no Parque passou de 142 pessoas (em 1964) para 1.035 (em 2024), um aumento de 628%, ou seja, em seis décadas, a população se multiplicou quase oito vezes. No entanto, também foi observado uma desaceleração desse crescimento nos últimos anos.
Shepard observa: “Há 30 anos, a mulher Matsigenka tinha 13, 14 filhos, em média, dos quais frequentemente morriam vários. Hoje, a natalidade baixou, as mulheres têm, em média, seis filhos, ou seja, a taxa de natalidade baixou em mais de 50%. Isso é um dado importante, porque as mulheres estão indo para a escola, estão estudando, em vez de começar a ter crianças com 14 ou 15 anos de idade. Agora, estão começando a ter filhos depois que terminam os estudos”.
Herrera também explica a mudança: “O declínio da natalidade ocorre ao mesmo tempo em que aumentam a escolaridade e a expectativa de vida, especialmente entre as mulheres. Estamos diante de uma transição demográfica que desmonta certas percepções sobre um crescimento descontrolado”.
Educação influencia migração
O estudo também mostra que a educação exerce um efeito migratório. “Com programas de educação, com concessão de bolsas, muitos alunos estão indo estudar no entorno do Parque e abrindo possibilidades de emprego fora das aldeias. Então, mais de 30% da população dessas quatro aldeias moram atualmente fora da área protegida – principalmente jovens entre 15 e 35 anos – e trabalham na economia local, em diferentes lugares e ocupações. São desde empregados domésticos ou professores, até trabalhadores em atividades ilegais como garimpo e madeireira. O fato é que há um movimento e uma grande migração. Indígenas isolados também estão saindo do isolamento para aproveitar a educação, a saúde e o projeto de água, o trabalho”, relata Shepard.
Em 2024, cerca de 40% dos estudantes do ensino secundário frequentavam uma das duas residências estudantis que funcionam no entorno do PNMNU. De modo geral, a oferta educacional insuficiente afeta sobretudo o acesso ao ensino médio: apenas 64 de cada 100 crianças conseguem cursar esse nível.
Ao mesmo tempo que há uma migração de jovens para fora da área protegida, procurando oportunidades econômicas e educativas, também existe um movimento da população de recente contato, de assentamentos isolados nas cabeceiras do Rio Manu, em direção às comunidades assentadas para aproveitar as oportunidades educativas, os serviços de saúde e sistemas de água potável. Na comunidade de Yomibato, por exemplo, cerca de um quarto da população são migrantes de recente contato das cabeceiras remotas.
Rainforest Flow desenvolve projetos de saneamento em comunidades indígenas. Foto: Glenn Shepard/MPEG
Saúde: padrões históricos, avanços e novos alertas
Na década depois da criação do Parque Nacional do Manu, que ocorreu em 1973, a mortalidade infantil quase dobrou devido à remoção dos missionários evangélicos, que ofertavam serviços de saúde nas comunidades, e à falta de políticas públicas em saúde indígena para substituir os missionários.
Na década seguinte, houve uma alta taxa de fecundidade e natalidade entre as mulheres Matsigenka. Com a chegada cada vez mais marcante de serviços de saúde nas comunidades Matsigenka, a partir dos anos 80, e a chegada de programas de planejamento familiar nos anos 90, a mortalidade infantil começa a cair gradativamente, chegando próximo da média nacional peruana, no ano 2014.
A chegada de um projeto de água potável e de saneamento, liderado pela ONG Rainforest Flow, para o qual o pesquisador Glenn Shepard colabora há mais de 20 anos, tem diminuído as taxas de mortalidade por doenças diarreicas em duas comunidades (Tayakome e Yomibato) que recebem esse benefício.
“Por meio da Rainforest Flow, trabalhamos, desde 2011, saneamento e purificação da água em duas aldeias indígenas, usando uma tecnologia muito simples construída com pedra e areia e manejada pelos próprios indígenas. Nessas duas comunidades, a mortalidade de crianças por diarreia baixou 74%. Nas outras duas comunidades que não têm essa mesma tecnologia, a mortalidade infantil por diarreia se manteve igual”, destaca o pesquisador do Museu Goeldi, acrescentando que o projeto recebeu destaque da imprensa do Peru.
Apesar dos resultados apontarem para uma melhora da saúde nessas comunidades, o estudo também aponta sinais de alerta. Em 2024, a mortalidade infantil alcançou 139,1 por mil nascidos vivos, número significativamente superior à média nacional. Isso ocorreu, segundo Glenn Shepard, não mais em função de doenças de veiculação hídrica, mas por infecções respiratórias, a exemplo da covid-19 e das novas gripes, como a H1N1, que estão chegando às comunidades, especialmente entre a população de recente contato. Esses fatores explicam o incremento em 150% de mortes por infecções respiratórias agudas, entre 2014 e 2024.
Entender o passado para projetar o futuro
O estudo demográfico não serve somente para entender o passado. As projeções demográficas mostram que a população continuará crescendo, porém em um ritmo mais moderado do que nas décadas anteriores. Para os pesquisadores, o estudo produziu uma base sólida para planejar o futuro do território, integrando conservação, gestão pública e interculturalidade.
A pesquisa aponta, de forma mais precisa, os fatores que influenciam a mortalidade, a fim de orientar intervenções oportunas em saúde coordenadas pelas autoridades competentes. Também ressalta a necessidade de fortalecer outros serviços essenciais como a oferta de água potável, de saneamento, de educação, bem como o apoio tanto para jovens que migram para estudar, quanto para a população de recente contato que chegam nas comunidades com vulnerabilidade epidemiológica.
“Agora contamos com dados que permitem identificar tendências e orientar melhor as respostas”, afirma Glenn Shepard. “Entender os padrões demográficos é crucial para a gestão do Parque Nacional do Manu. Esse estudo oferece insumos para articular melhor a conservação com o bem-estar da população”, conclui Herrera.
Psoríase é uma das doenças que podem agravar com o calor. Foto: Divulgação
Depois de enfrentar secas históricas nos últimos anos, com rios em níveis mínimos, interrupções no transporte fluvial e períodos de fumaça, a população amazônica pode voltar a conviver com condições climáticas extremas em 2026. Além dos impactos sobre a economia e a rotina das comunidades, médicos alertam para reflexos na saúde, especialmente entre pessoas que convivem com doenças crônicas, como a psoríase.
Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) indicam que a doença afeta cerca de 5 milhões de brasileiros. Caracterizada por lesões avermelhadas e descamativas na pele, a psoríase é uma doença inflamatória crônica que também pode estar associada a hipertensão, obesidade, diabetes, ansiedade, depressão e doenças cardiovasculares.
Segundo a médica Angela Carolina Nascimento, professora da Pós-Graduação em Dermatologia da Afya Educação Médica de Manaus, embora as mudanças climáticas não sejam responsáveis pelo surgimento da doença, alguns fatores presentes durante períodos de seca e calor intenso podem contribuir para o agravamento dos sintomas.
“O calor excessivo, a desidratação, a exposição prolongada à fumaça e até o estresse provocado por situações extremas podem interferir no controle da doença. Não acontece da mesma forma com todos os pacientes, mas é comum observarmos piora dos sintomas em alguns casos”, explica.
Mudanças climáticas influenciam na saúde de quem convive com a psoríase
Nos últimos anos, o Amazonas registrou uma sequência de eventos climáticos que alteraram a rotina da população. Em diversas regiões, a estiagem dificultou o acesso a serviços básicos, reduziu a navegabilidade dos rios e aumentou a concentração de fumaça causada por queimadas. Para Angela, esse cenário reforça a necessidade de atenção aos pacientes com doenças inflamatórias crônicas.
“Quando falamos dos efeitos das mudanças climáticas, normalmente pensamos nos impactos ambientais. Mas existe também um reflexo importante sobre a saúde. Quem convive com doenças crônicas precisa estar atento porque alterações ambientais podem influenciar diretamente o bem-estar e a qualidade de vida”, afirma.
Entre os principais sintomas da psoríase estão manchas avermelhadas cobertas por escamas esbranquiçadas, coceira, ressecamento da pele e alterações nas unhas. Em alguns casos, a doença também pode atingir as articulações, provocando dores e limitações nos movimentos.
Apesar de não ter cura, a doença possui tratamento e pode ser controlada com acompanhamento médico adequado. As opções terapêuticas incluem medicamentos tópicos, fototerapia e medicamentos imunobiológicos.
Calor pode agravar sintomas de psoríase. Foto: Divulgação
Durante períodos de calor intenso e baixa umidade, a orientação é reforçar os cuidados com a hidratação do organismo e da pele. Segundo a dermatologista, banhos muito longos, água quente e o uso excessivo de sabonetes podem contribuir para o ressecamento, favorecendo o agravamento dos sintomas.
“Quem tem uma pele mais sensível ou doenças inflamatórias, como a psoríase, deve preferir banhos curtos, em temperatura ambiente ou fria. O sabonete deve ser usado apenas nas áreas de maior transpiração, como axilas, pés e região genital. E, principalmente nesse período de seca, é fundamental aplicar hidratante logo após o banho”, orienta Angela.
A médica explica que uma alternativa aos sabonetes convencionais são os syndets, produtos de limpeza mais suaves, com pH próximo ao da pele e menor potencial de ressecamento. Diferentemente dos sabonetes comuns, que removem parte da camada de proteção natural da pele, os syndets ajudam a preservar a barreira cutânea e a manter a hidratação.
“Eles são especialmente indicados para pessoas com doenças de pele, como psoríase, dermatite atópica e rosácea. Mas, para quem não tem acesso a esse tipo de produto, a recomendação é evitar o uso de sabonete em todo o corpo e priorizar a hidratação após o banho”, destaca.
A médica reforça, ainda, que manter a hidratação adequada durante a estiagem pode ajudar a evitar a descompensação da doença. Caso os sintomas se agravem, a recomendação é procurar avaliação especializada. “A informação e o acompanhamento regular continuam sendo as melhores ferramentas para controlar a doença e evitar complicações”, conclui a especialista.
Cursos
A Afya, maior hub de educação e tecnologia para a prática médica do país, oferece 12 cursos de pós-graduação voltados à especialização de médicos no Amazonas, com foco na prática clínica e na atualização profissional. Entre as áreas disponíveis estão Dermatologia, Endocrinologia, Gastroenterologia, Geriatria, Nutrologia, Pediatria Geral, Medicina Intensiva Adulto, Ginecologia Ambulatorial, Neuropediatria, Clínica da Dor, Medicina do Exercício e do Esporte e Medicina de Emergência, abrangendo desde a atenção básica até a alta complexidade. Os cursos priorizam a formação prática, com corpo docente especializado e conteúdo baseado nas diretrizes mais atualizadas da medicina.
A instituição também mantém um programa de atendimento gratuito à comunidade. As consultas integram as atividades práticas dos cursos de pós-graduação e são realizadas mensalmente, de acordo com o calendário acadêmico. Os interessados podem agendar atendimento pelo telefone (92) 99379-9297.
A unidade da Afya Educação Médica está localizada na avenida André Araújo, nº 2767, bairro Aleixo, em Manaus, e conta com estrutura composta por sete salas de aula, 18 ambulatórios e duas salas para pequenos procedimentos. Mais informações podem ser obtidas no site educacaomedica.afya.com.br.
O governo de Rondônia promoveu, no final de junho, uma reunião estratégica com representantes de órgãos de segurança pública do estado e do Amazonas, instituições federais, empresas de navegação e operadores portuários visando ampliar as articulações integradas para atuação no Rio Madeira, consolidando ações de segurança da navegação e das operações portuárias.
A iniciativa da Sociedade de Portos e Hidrovias do Estado de Rondônia (Soph) reforça o propósito da gestão estadual com a segurança do transporte hidroviário e o desenvolvimento da infraestrutura logística sustentável da região.
Durante a reunião, foram debatidas ações conjuntas para ampliar a cooperação entre os órgãos públicos e a iniciativa privada, promovendo mais eficiência e segurança nas operações ao longo da hidrovia.
Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, a atuação integrada entre as forças de segurança, os órgãos federais e o setor produtivo amplia a proteção das operações na hidrovia, contribui para o combate à criminalidade e garante mais eficiência à logística, um dos pilares do desenvolvimento econômico do estado.
Representando a Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), o gerente de Integração e Fronteira, Leandro Machado, destacou que foi firmado um acordo que garante a atuação integrada das forças de segurança nas regiões de divisa entre Porto Velho (RO) e Humaitá (AM), sem restrições às operações policiais. O oficial também ressaltou durante a reunião a importância da parceria entre o poder público e as empresas privadas para ampliar as ações de prevenção e combate à criminalidade na hidrovia.
Reunião contou com representantes de órgãos de segurança pública de Rondônia e do Amazonas. Foto: Elaine Barbosa/ Governo de Rondônia
O delegado da Polícia Federal (PF), Allan de Souza Ferreira Mattos, apresentou as ações desenvolvidas pela instituição na região de fronteira e, informou que uma unidade da Polícia Federal será instalada em Humaitá (AM), reforçando a segurança no eixo logístico entre Rondônia e Amazonas.
O delegado também destacou o uso de ferramentas de inteligência artificial nas investigações e solicitou a colaboração das empresas de navegação, por meio do compartilhamento de imagens das câmeras instaladas nas embarcações para agilizar a apuração de ocorrências e reforçar o trabalho integrado.
Como um dos encaminhamentos da reunião, ficou acordado que a Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária (Fenavega) vai consultar as empresas associadas sobre o interesse em aderir a uma parceria para apoiar as ações de segurança na hidrovia. A proposta prevê, inicialmente, a disponibilização de 3 mil litros de combustível por mês para dar suporte às operações terrestres e fluviais das forças de segurança.
No decorrer das ações, será avaliada a ampliação desse apoio, conforme a adesão e o interesse das empresas, intensificando a atuação integrada no Rio Madeira. A iniciativa será formalizada após a manifestação de interesse das empresas participantes, por meio da Fenavega.
O presidente da Fenavega, Raimundo Holanda, saudou a iniciativa por reunir as forças de segurança e as empresas de navegação em torno de um trabalho integrado voltado à segurança da navegação no Rio Madeira.
“A entidade está à disposição para apoiar as ações e ampliar a participação do setor nas iniciativas conjuntas. A Fenavega está à disposição das empresas para apoiar e impulsionar essa iniciativa, promovendo a integração entre o setor de navegação e os órgãos de segurança em benefício da navegação no Rio Madeira”, declarou.
Reunião destacou melhores condições de navegabilidade
Além das estratégias voltadas à segurança no Rio Madeira, a reunião também abordou o planejamento da campanha de dragagem da hidrovia para 2026, apresentado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A analista de infraestrutura, Acácia Lustosa, informou que o trecho contemplado será ampliado, abrangendo o percurso entre Porto Velho e a foz do Rio Madeira. A medida beneficiará os estados de Rondônia e Amazonas, proporcionando melhores condições de navegabilidade durante o período de estiagem.
A reunião também abordou o planejamento da campanha de dragagem da hidrovia para 2026. Foto: Elaine Barbosa/ Governo de Rondônia
A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) também participou do encontro. O meteorologista Fábio Adriano Monteiro Saraiva apresentou uma análise do comportamento hidrológico do Rio Madeira, comparando o cenário atual com o registrado em 2024, expondo ainda, as projeções para o segundo semestre de 2026.
Durante a apresentação alertou para os possíveis impactos do fenômeno El Niño e reforçou a importância do planejamento antecipado e da adoção de medidas preventivas para minimizar os efeitos sobre a navegação.
Para o diretor-presidente da Soph, Fernando Parente, a reunião representa mais um avanço na construção de uma atuação integrada em defesa da hidrovia. “Conseguimos reunir representantes da segurança pública de Rondônia e do Amazonas, além de instituições e empresas que compartilham o mesmo objetivo: tornar o transporte hidroviário cada vez mais seguro. Esse é um passo importante para formalizar essa parceria e colocar em prática ações efetivas que tragam resultados positivos para a navegação no Rio Madeira”,
Em um ano, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) inseriu 1,5 milhão de registros digitalizados de suas coleções biológicas em plataformas de dados abertos; acrescentou 7,9 mil itens nos seus acervos de zoologia e botânica; liderou 53 descobertas de espécies de animais e plantas; e foi responsável por 224 publicações científicas.
Estes são alguns destaques da última avaliação de desempenho conduzida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), órgão do Governo Federal ao qual a instituição está vinculada.
Prestes a completar 160 anos de produção científica na Amazônia, o MPEG conquistou status próximo de excelente, após calculados os índices de cumprimento das metas. Devido às várias áreas em que atua, o Museu Goeldi é o instituto, entre 16 avaliados, com o maior número de indicadores pactuados: 23 no total.
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O diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, falou sobre o desempenho da instituição e disse que a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA), no ano passado, influenciou a nota, ora positivamente, ora causando leve declínio em alguns índices, como o de visitação no Parque Zoobotânico, devido ao período em que ficou fechado para obras de manutenção.
“A nota do Museu Goeldi foi 8,53, uma nota muito boa. Por pouco, não atingimos o grau excelente. A nossa participação na COP30, apesar de ter ajudado a projetar a instituição no cenário nacional e internacional, impactou alguns resultados. Tivemos que dispor de servidores para planejar a nossa participação e atuar no evento, reduzindo pessoal e recursos em outras ações. Mas nossa avaliação atingiu o objetivo institucional e continuamos trabalhando para que em 2026 a gente consiga o índice excelente”, frisou.
Contrato de desempenho
Em conformidade com a Lei n° 13.934, de 2019, as unidades de pesquisa vinculadas ao MCTI assinam um “contrato de desempenho”, com metas a serem atingidas ao longo de um ano, definidas no Termo de Compromisso de Gestão (TCG). De acordo com o coordenador de Planejamento e Acompanhamento de Projetos do MPEG, Amílcar Mendes, com a avaliação, a instituição mostra para a sociedade sua eficiência, eficácia e efetividade.
“Somos, em essência, um museu de história natural, um centro de formação de recursos humanos, sobretudo na pós-graduação, temos ações educativas e museais. Nosso caráter é multifacetado. Colocamos tudo isso em, pelo menos, seis linhas estratégicas de atuação. Os indicadores, além de mostrar para a sociedade o que é feito no Museu, internamente, são instrumentos de redirecionamento das nossas políticas de pesquisa, de inovação, de gestão de pessoal, de educação, de comunicação, entre outras”, explicou.
Os principais resultados da última avaliação de desempenho institucional serão apresentados nesta reportagem, numa espécie de passeio pelo “Museu Goeldi em números”.
Mais conhecido pela população de Belém (PA), por causa do afeto e das ações que promove a partir do seu Parque Zoobotânico, instalado desde o século 19, no bairro de São Brás, o MPEG alimenta uma produtividade, dia após dia, muitas vezes pouco conhecida do grande público, que geralmente circula distante do meio acadêmico e das comunidades ribeirinhas da Floresta Nacional de Caxiuanã, onde está instalada a sua Estação Científica Ferreira Penna, com projetos de pesquisa e de extensão consolidados em sua história. A ideia é apresentar essa produção, no contexto desafiador em que a ciência brasileira permanece ativa, apesar dos cortes no orçamento público e do quadro funcional ainda insuficiente.
Em um ano: 1,5 milhão de registros digitalizados no Museu
Um dos indicadores medidos a partir do TCG é o Índice de Uso Anual das Coleções Científicas. Entre outros números que o compõem, um salta aos olhos: apenas no ano passado, 1.499,785 registros das coleções biológicas do Museu Goeldi foram digitalizados e disponibilizados em plataformas de dados abertos, sendo mais da metade no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), desenvolvido pelo MCTI com suporte técnico da ONU Meio Ambiente (Unep) e apoio financeiro do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
Coordenadora de Pesquisa e Pós-graduação do Museu Goeldi, Marlúcia Martins celebra o resultado, enfatizando que o patrimônio salvaguardado pela instituição é da população brasileira e deve estar, cada vez mais, acessível.
“É óbvio que o primeiro beneficiário dessa popularização da informação é a própria academia porque permite intercâmbios, visitas de estudantes que estudam as espécies. Isso aumenta a nossa visibilidade acadêmica e institucional. Mas, a própria sociedade também se beneficia, sabendo onde encontrar as espécies, principalmente quando o nosso acervo digitalizado, além dos nomes das espécies, também se constitui como um repositório de imagens. É uma forma das pessoas reconhecerem quem são os animais, as plantas que estão guardadas no Museu. E isso também ajuda a sociedade a valorizar os museus como repositórios de informações”.
7,9 mil novos itens nos acervos e 53 descobertas de espécies
Além do aumento da informatização de dados das espécies, as coleções do MPEG continuam crescendo com novos itens integrados aos acervos. Em toda a instituição, já são mais de 4,5 milhões de itens salvaguardados em 19 coleções, incluindo dados de fósseis, plantas, animais, cerâmicas arqueológicas, objetos de povos originários, registros de línguas indígenas, entre outros.
Em 2025, as coleções biológicas tiveram um incremento de 7.964 novos itens, sendo 4.804 referentes à zoologia e 3.160 relacionados à botânica. Já nas coleções de ciências humanas, formada pelas áreas da etnografia, da linguística e da arqueologia, no mesmo período, foram acrescentados 12 novos artefatos indígenas, 200 gigabytes de áudios em línguas indígenas e 131 novos artefatos arqueológicos.
O Museu Goeldi é referência na salvaguarda desse tipo de patrimônio, não apenas pelo número crescente de novos itens nas coleções, mas, sobretudo, por um conjunto de critérios qualitativos que passam, entre outros aspectos, pela conservação, infraestrutura, organização dos itens, informatização dos dados e pela capacidade de receber visitas de pesquisadores de outras instituições. Na avaliação desse último critério, foram registradas 337 visitas presenciais nas coleções biológicas e 500 visitas presenciais nas coleções de ciências humanas, para fins didáticos e de pesquisa.
Referente às coleções biológicas, outro dado curioso é sobre a descoberta de novas espécies. Na zoologia e na botânica, foram registrados 53 achados até então desconhecidos da ciência, superando as 42 descobertas em 2024. Os novos registros incluem: um gênero de aranha; quatro espécies de microfósseis; 18 espécies de aranhas; 19 de insetos; uma de serpentes, seis de peixes e quatro espécies de angiospermas (Myrtaceae e Cyperaceae) – plantas caracterizadas por apresentarem flores e sementes protegidas por frutos.
Segundo o relatório final do TCG 2025, “o investimento em biotecnologia e genética aplicada tem permitido novas descobertas sobre espécies nativas e suas interações ecossistêmicas, enquanto que a incorporação de tecnologias como inteligência artificial e modelagem computacional amplia o escopo das investigações e potencializa resultados essenciais para a preservação ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais”.
224 publicações: mais de uma a cada dois dias
Está na missão institucional do Museu Goeldi: construir e comunicar conhecimentos sobre os ambientes, a biodiversidade e as culturas amazônicas, em benefício da qualidade de vida do planeta. Para isso, a publicação dos resultados das pesquisas realizadas pela instituição torna-se essencial. Em 2025, o MPEG colocou em circulação 224 publicações, incluindo artigos científicos, livros e capítulos de livros.
A proporção é superior a uma publicação lançada a cada dois dias. Em outra frente, o conhecimento é disponibilizado a partir de eventos técnico-científicos. No ano passado, 127 eventos foram promovidos pelo MPEG, mais do que o dobro ocorrido em 2024, cuja soma foi 67.
Para além de publicar um número relevante de artigos em revistas científicas, o Museu Goeldi também ganha destaque porque marca presença em periódicos de reconhecida qualificação, conforme parâmetros acadêmicos validados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação do Ministério da Educação.
Chamados de “qualis”, os indicadores mais valorizados no meio acadêmico são os B1 e B2, que classificam as revistas de alta relevância; e os A1 e A2, que indicam as publicações de excelência internacional. Dos 194 artigos científicos publicados pelo MPEG em 2025, mais de 90% foram publicados em revistas científicas com qualificação igual ou superior à B2, representando o total de 176.
“A sociedade tem pouco conhecimento, de modo geral, sobre os artigos científicos. Mas quando eles são publicados em revistas internacionais, têm um efeito positivo na percepção da sociedade frente à importância da ciência que fazemos para o mundo. Isso torna a população brasileira mais orgulhosa de si mesma”, afirmou a coordenadora de Pesquisa e Pós-graduação do MPEG, Marlúcia Martins.
Para ela, a repercussão internacional dos artigos científicos provoca a imprensa, que colabora com a divulgação científica. “O artigo, quando colocado em revista de alta repercussão internacional, atrai o interesse do jornalismo que, por sua vez, decodifica aquela informação, dando um contexto mais social à contribuição do cientista. Isso também acaba se transformando em uma maior interlocução entre a ciência e a sociedade, o que é muito importante”, concluiu.
Cresce número de pesquisadores formados e de cooperações institucionais
Com dois programas próprios de pós-graduação – Biodiversidade e Evolução (PPGBE), implantado em 2015, e Diversidade Sociocultural (PPGDS), iniciado em 2019 –, o Museu Goeldi atua, desde 1985, em parceria com instituições de ensino superior locais, como a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), cumprindo o objetivo de intensificar a formação de pesquisadores na Região Norte.
Nos dois programas próprios, mais de 100 alunos de mestrado e de doutorado produziram suas pesquisas em 2025, ano em que o MPEG registrou avanço na formação de pesquisadores, com 44 teses, dissertações e especializações concluídas, cinco a mais do que em 2024.
Para intensificar a produção científica e expandir o alcance dos resultados para públicos diversos, localizados fora da região Norte e até em outros países, no último ano, o Museu Goeldi também registrou avanços nas parcerias institucionais, formalizando novas cooperações nacionais e internacionais. Com instituições atuantes no Brasil, o MPEG ampliou as parcerias de 24 para 31, entre 2024 e 2025.
No mesmo período, as cooperações internacionais dobraram, passando de três para seis, estando atualmente em vigor parcerias com as seguintes instituições estrangeiras: Universidade de Oslo (Noruega), Embaixada da Suíça, Embaixada da França, Muséum National d’Histoire Naturelle (França), Creative Connections (Estados Unidos) e Rede Bioamazônia, iniciativa que reúne institutos de pesquisa de cinco países, sendo eles: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru.
Inovação: carrapaticida pet e fibra natural na fila de patentes
Em sua produtividade, o Museu Goeldi também gera inovação tecnológica, transformando pesquisas de ponta em aplicações práticas de produtos, processos, serviços e tecnologias sociais. Isso pode ser observado nos processos de patentes mobilizados pela instituição.
Em 2025, dois novos pedidos de patente foram solicitados ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI): um para o compósito termorrígido e seu respectivo método de fabricação, e outro para o carrapaticida natural à base de extratos e óleos essenciais, ambos baseados na espécie vegetal Montrichardia spp., popularmente conhecida como aninga, planta aquática nativa da Amazônia, cujas propriedades foram originalmente identificadas a partir de observações da população ribeirinha.
O compósito termorrígido reforçado com as fibras da aninga é um material altamente resistente, considerado economicamente viável para ser usado em componentes estruturais, substituindo materiais sintéticos caros na indústria, como a fibra de vidro. Já o carrapaticida foi desenvolvido para aplicação em produtos veterinários do mercado pet, como xampus, sabonetes (líquidos e em barras), sprays, coleiras, talcos e outras formulações tópicas para limpeza de ambientes frequentados por pets. Sua eficácia já foi comprovada, em especial contra o Rhipicephalus sanguineus, conhecido como carrapato-vermelho-do-cão ou carrapato-marrom.
Os pedidos de registro das novas patentes foram solicitados pelo Núcleo de Proteção ao Conhecimento, Inovação e Transferência de Tecnologia (NITT) do MPEG, que também atua para registrar novos softwares, desenhos industriais, marcas e outros projetos que envolvam mecanismos de proteção da propriedade intelectual.
A análise dos pedidos de patente, no entanto, pode demorar anos até a aprovação pelo INPI. Atualmente, o MPEG apresenta um portfólio com uma patente deferida (armadilha de insetos para favorecer coletas científicas, patenteada em 2017), 14 solicitações de patentes – sendo três em cotitularidade com outras instituições –, dois registros de marca e quatro registros de softwares.
Na trajetória de resultados alcançados pelo NIIT, um dos destaques é a incubação da primeira startup deep tech em uma unidade de pesquisa na Amazônia vinculada ao MCTI, em 2024. A Iasauatec Amazon é uma startup de base científica criada a partir das pesquisas desenvolvidas no MPEG sobre a Terra Preta Arqueológica (TPA). Das pesquisas, surgiu o Tecnossolo Ancestral, um biofertilizante que reproduz as propriedades milenares da TPA, com grande potencial de revolucionar a agricultura livre de agrotóxicos.
Mais de 230 mil pessoas no parque e em projetos com comunidades
Comunicar a ciência para o grande público é um dos desafios cotidianos do Museu Goeldi. Seu Parque Zoobotânico, instalado há 130 anos no bairro de São Brás, na capital paraense, continua sendo um dos destinos mais procurados por quem deseja experimentar o contato com a natureza dentro de uma metrópole. Nele, além da coleção viva da botânica, que divide a morada com os animais, são realizadas exposições temáticas e projetos de extensão com o objetivo de popularizar a ciência produzida pela instituição. Além do público formado por visitantes locais e por turistas, o parque recebe escolas públicas e privadas, que organizam, em parceria com o Serviço de Educação do MPEG, trilhas orientadas, entre outras atividades.
Embora expressivo, o total de 205.926 visitantes no parque em 2025 seria maior, caso o espaço não tivesse fechado para obras de manutenção, durante os preparativos para a COP30. Conforme a coordenadora de Comunicação e Extensão do MPEG, Sue Costa, no primeiro semestre, o parque teve o horário de visitação reduzido até às 14h e, entre os meses de agosto e novembro, permaneceu fechado completamente para visitação.
“Se fizermos o cálculo considerando apenas o tempo do parque disponível para o público, perceberíamos que, na verdade, a visitação foi até maior, pois, só no período da COP, tivemos visitação máxima, chegando a registrar um pico de 8 mil pessoas em um dia”, afirmou.
Mesmo com a redução do tempo para visitas públicas, 204 escolas foram recepcionadas no parque, em 2025, registrando a presença de 9.155 estudantes.
Analisando os projetos desenvolvidos em comunidades, o número de pessoas atendidas chegou a 25.131 no ano passado, envolvendo 315 participações de pesquisadores e de professores da instituição. No total, 69 materiais didático-pedagógicos foram confeccionados, como produtos dos projetos realizados.
“O Museu Goeldi tem uma forte relação com as comunidades, a partir de programas consolidados. Como exemplo, posso citar as ações educativas em Caxiuanã, que respondem por grande parte das atividades de extensão. O parque é o local mais conhecido, entretanto, atuamos com as comunidades em todas as nossas bases físicas, reforçando o papel institucional de espaço para diálogos e transformações sociais”, avaliou Sue Costa.
Somado com os 205.926 visitantes no parque, o número de pessoas diretamente incluídas nas atividades de popularização da ciência ultrapassa 230 mil. Além disso, o MPEG organizou nove feiras e exposições em 2025 e participou de outras oito, promovidas por outras instituições. Nesses eventos, o Museu registrou 87 participações de servidores, bolsistas e outros integrantes vinculados às suas equipes, com objetivo de divulgar a ciência que produz.
Resiliência científica: alta produtividade apesar de orçamento e pessoal insuficientes
O que muita gente pode não saber é que mesmo com a produção científica intensa, o Museu Goeldi enfrenta um descompasso em relação à força de trabalho. Nos últimos oito anos, por exemplo, a instituição sofreu uma redução de 27% no número de servidores efetivos, entre pesquisadores, tecnologistas e analistas. Porém, a defasagem é histórica. No início dos anos 1990, o MPEG contava com 333 servidores. Em 2017, esse número caiu para 237.
Em dezembro de 2025, o quadro totalizava 173 servidores, correspondendo a apenas 59% da lotação autorizada. Ou seja, o Museu, até o final do ano passado, atuou com a lacuna de 41% da sua força de trabalho. Nesse contexto, 59 servidores estão prestes a se aposentar. Tudo isso indica alta produtividade, mesmo com escassez de pessoal.
Para amenizar a defasagem, um passo importante foi dado em 2025, com a conclusão de concursos públicos com vagas para 39 novos servidores, sendo 17 pesquisadores, 12 analistas e 10 tecnologistas, cujas nomeações seguem em andamento.
Mesmo com a chegada dos novos servidores efetivos, os bolsistas do MPEG continuam sendo parte fundamental para dar sustentação à engrenagem da produção científica na instituição. Orientados por pesquisadores, os bolsistas atuam em pesquisas desenvolvidas em campo e nos laboratórios, como também nos projetos de inovação tecnológica.
Em 2025, a força de trabalho dedicada à pesquisa contou com 290 colaboradores, sendo 39 pesquisadores, sete tecnologistas e 29 técnicos de nível superior, enquanto que os bolsistas totalizaram 215, representando 74% da força de trabalho implementada nos estudos. Atualmente, após as nomeações de novos concursados este ano, o quadro funcional efetivo do Museu Goeldi conta com 202 servidores e empregados externos. Considerando servidores efetivos (173) e bolsistas (215), no final do ano passado, a instituição contava com 388 profissionais e estudantes em seu quadro funcional, segundo os números do TCG.
Mesmo em um contexto de contenção orçamentária e de equipe defasada, o Museu Goeldi conseguiu destaque na avaliação de desempenho também no indicador de alavancagem de recursos. Enquanto o orçamento da União havia reservado para a instituição o valor de R$ 19.156.638,00 para 2025, no mesmo ano, o MPEG conseguiu captar, por meio de parcerias institucionais, o total de R$ 32.179.709,71, montante que representa 167% (quase o dobro) do valor que recebeu do Governo Federal. Os recursos extraorçamentários viabilizam a execução de 55 projetos na instituição.
O diretor Nilson Gabas Júnior avalia a capacidade produtiva do Museu Goeldi, apesar das dificuldades.
“Fazemos pesquisa básica, produzimos inovação, produzimos desenvolvimento tecnológico. Com o conhecimento gerado, influenciamos as políticas públicas, somos muito fortes em comunicação científica. Isso precisa ser reconhecido. Ainda precisamos preencher lacunas para conseguir executar mais e melhor aquilo que a gente faz, que é produzir pesquisa, comunicar conhecimento, preservar acervo, formar recursos humanos, inovar e ter imbricação com os tomadores de decisão para elaboração de políticas públicas. Isso, no nosso dia a dia, é muita coisa. Sem dúvidas, precisamos de mais orçamento e de mais gente para continuar cumprindo a nossa missão a contento”, finalizou.
As histórias de quem mantém viva a tradição do Festival Folclórico de Parintins ganham espaço no projeto Vamos brincar de boi com a produção dos vídeos ‘Vozes da Memória Popular’, que estreiam neste sábado (4) nas plataformas do Grupo Rede Amazônica. Com episódios de um minuto e meio, a produção apresenta relatos de moradores, torcedores e personagens que ajudam a construir, ano após ano, uma das maiores manifestações culturais do país.
Gravado durante a semana do Festival Folclórico de Parintins 2026, entre os dias 26 e 28 de junho, o conteúdo foi produzido pelas equipes do Portal Amazônia e da Amazon Sat. As gravações percorreram as ruas da Ilha Tupinambarana, acompanharam as filas dos bois Caprichoso e Garantido e registraram histórias que revelam a relação afetiva da população com o festival.
Mais do que retratar o espetáculo apresentado na arena, o minidocumentário destaca as memórias, tradições e experiências de quem vive o festival no cotidiano. Os episódios mostram como a cultura do boi é transmitida entre gerações, fortalece o sentimento de pertencimento, impulsiona a economia criativa e contribui para preservar a identidade cultural amazônica.
Foto: Divulgação
Vozes da Memória: relatos reais de quem vive a cultura o ano inteiro
Para o especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica, Denis Carvalho, o projeto amplia o olhar sobre o Festival de Parintins ao destacar as pessoas, os saberes e as tradições que mantêm viva essa manifestação cultural.
“O ‘Vamos Brincar de Boi’ foi pensado para aproximar ainda mais o público da riqueza cultural de Parintins. Queremos valorizar as histórias, os saberes e as pessoas que mantêm viva essa manifestação cultural, além de contribuir para a preservação da memória e o fortalecimento da identidade amazônica”, afirmou.
A supervisora multimídia do Amazon Sat, Deborah Oliveira, destaca que a série busca dar protagonismo às pessoas que fazem o festival acontecer:
“Os vídeos dão voz a quem faz o Festival de Parintins pulsar. Cada relato revela memórias, tradições e o orgulho de viver essa manifestação cultural, mostrando como o festival fortalece a identidade do povo e preserva histórias que atravessam gerações”.
Os episódios começam a ser exibidos neste sábado (4) e fazem parte da estratégia de comunicação do projeto, que busca ampliar o acesso do público a conteúdos educativos, culturais e informativos sobre o patrimônio cultural imaterial amazônico.
A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.
Rio Negro durante a seca de 2023 em Manaus (AM). Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) participou da elaboração do primeiro Boletim de Monitoramento do El Niño 2026, divulgado no dia 29 de junho. No documento, são apresentadas previsões climáticas e hidrológicas para subsidiar a gestão de riscos e apoiar a tomada de decisão pelos órgãos públicos diante dos impactos previstos do fenômeno.
A iniciativa é uma parceria entre o SGB, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC).
Boletim sobre o El Niño 2026 apresenta projeções do SGB. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM
Com a divulgação do primeiro boletim conjunto, os órgãos alertam que o fenômeno já apresenta mais de 90% de probabilidade de persistir até o início de 2027, com chances elevadas de atingir uma intensidade muito forte entre a primavera e o verão de 2026.
De acordo com os dados do SGB apresentados no boletim, na Amazônia, o rio Negro, em Manaus (AM), permanece dentro da faixa de normalidade, embora a provável intensificação do El Niño possa agravar a estiagem durante o segundo semestre.
No Nordeste, o rio São Francisco, em Bom Jesus da Lapa (BA), apresenta níveis na faixa inferior da normalidade, e a previsão de chuvas abaixo da média associadas ao fenômeno pode dificultar a recuperação das vazões.
Boletim sobre o El Niño 2026 apresenta projeções do SGB. Foto: Rui Faquini / Banco de Imagens ANA
Já na Região Sul, o rio Uruguai, em Uruguaiana (RS), mantém níveis dentro da normalidade histórica, mas próximos do limite inferior, o que exige monitoramento contínuo diante da possibilidade de mudanças rápidas nas condições climáticas.
O SGB atua de forma estratégica no monitoramento das bacias hidrográficas e dos níveis dos rios em todo o território nacional. Essa análise técnica é fundamental para mitigar os impactos hidrológicos previstos, como o risco de chuvas acima da média e inundações na Região Sul, além dos cenários de estiagem e baixas vazões no Centro-Norte do país.
O objetivo dessa força-tarefa interinstitucional é fornecer dados precisos e integrados para subsidiar a Defesa Civil e os gestores públicos, garantindo ações rápidas de prevenção, mitigação de desastres e proteção da população.