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Sete noites de dança e tradição reúnem 28 quadrilhas na Praça Fábio Marques Paracat no Boa Vista Junina 2026

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Maior Arraial da Amazônia chega à 26ª edição com disputas em quatro categorias e atrações culturais. Foto: Divulgação/Semuc BV

O som da sanfona, o colorido dos figurinos e a energia dos passos sincronizados vão tomar conta da Praça Fábio Marques Paracat entre os dias 13 e 19 de junho. Em sua 26ª edição, o Boa Vista Junina transformará mais uma vez a Arena Junina no grande palco do Maior Arraial da Amazônia.

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Serão sete noites de celebração da cultura popular, reunindo 28 grupos juninos distribuídos nas categorias Diamante, Especial, Acesso e Infantil. A programação também contará com as apresentações das quadrilhas Cabelos de Prata e Crescer e Conviver.

Além das disputas que prometem emocionar o público, o evento reforça a valorização das tradições juninas, levando à arena espetáculos marcados por criatividade, música, dança e identidade cultural.

A programação se estende até a grande apuração dos resultados e a consagrada Noite dos Campeões.

Leia também: ‘Boa Vista Junina’ – Conheça as curiosidades do maior arraial da Região Norte

Confira a programação de cada noite do Boa Vista Junina 2026:

Sábado, 13 de junho

  • 20h30 – Quadrilha Coraçãozinho (Infantil)
  • 21h – Namoro Caipira (Acesso), Arrasta Pé (Acesso), Joaninha (Acesso), Estrela Junina (Acesso)

Domingo, 14 de junho

  • 19h – Quadrilha Castelo Junino (Infantil)
  • 19h25 – Quadrilha Cabelos de Prata
  • 20h – Explosão Caipira (Especial), Furacão Caipira (Especial), Tradição Macuxi (Especial), Coração de Estudante (Especial), Escola Forrozão (Especial)

Segunda-feira, 15 de junho

  • 19h – Quadrilha Forrozinho (Infantil)
  • 19h25 – Quadrilha Criança Caipira (Infantil)
  • 20h – Xamego na Roça (Especial), Filhos de Macunaima (Especial), Evolução Junina (Especial), Matuta Encantá (Especial), Espantalho Junino (Especial)

Terça-feira, 16 de junho

  • 19h – Quadrilha Xameguinho (Infantil)
  • 19h25 – Quadrilha Conviver
  • 20h – Garranxê (Diamante), Amor Caipira (Diamante), Agitação (Diamante)

Quarta-feira, 17 de junho

  • 18h – Quadrilha Juventude na Roça (Projeto Crescer)
  • 19h – Coração Caipira (Diamante), Zé Monteirão (Diamante), Eita Junino (Diamante)

Quinta-feira, 18 de junho

  • 19h – Apuração e premiação
  • 21h – Apresentação do Cangaço

Sexta-feira, 19 de junho

  • 18h – Apresentação da quadrilha vencedora do Grupo Especial
  • 19h – Apresentação da quadrilha vencedora do Grupo Diamante

*Com informações da Semuc BV

Escolas do Maranhão recebem material sobre educação climática e prevenção de riscos de desastres

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Foto: Divulgação

Eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, enchentes e ondas de calor, têm se tornado cada vez mais frequentes no Brasil e no mundo, impactando diretamente as comunidades mais vulneráveis e as crianças. Um dos maiores desafios é preparar crianças, adolescentes e educadores para compreender, prevenir e agir frente aos riscos associados às crises climáticas.

Diante disso, o ChildFund lançou o ‘Kit Missão Clima‘, material formado por uma Cartilha explicativa e pelo Plano Pedagógico denominado “Uma jornada para a prevenção, mitigação e adaptação às mudanças do clima e aos desastres socioambientais”. 

O material contém várias missões práticas, que integram o projeto Comunidades Parceiras do Meio Ambiente, realizado pelo ChildFund, em parceria com o programa de investimento social corporativo ADM Cares, da ADM, líder global em comercialização de grãos, insumos, nutrição humana e animal.

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O material é voltado à educação ambiental climática e à redução de riscos de desastres naturais no ambiente escolar, e busca preparar estudantes, professores e comunidades para os desafios trazidos pelas crises ambientais globais que estamos vivendo. A escola é um espaço privilegiado para a construção de valores e atitudes voltados à sustentabilidade. Quando a educação ambiental é trabalhada de forma contextualizada e interdisciplinar, o impacto se multiplica: a escola transforma não só o presente dos alunos, mas também o futuro.

A iniciativa também contribui para a implementação da Lei 14.926/24,  que exige que as escolas trabalhem clima, biodiversidade e riscos ambientais de forma integrada e prática. A metodologia utilizada no Plano Pedagógico Missão Clima oferece aos educadores e estudantes recursos práticos para avaliar riscos, fortalecer a resiliência da comunidade escolar e implementar medidas preventivas que minimizem os efeitos de desastres climáticos no espaço escolar. Ao final de cada jornada, as escolas criam o seu próprio Observatório do Clima. 

“A produção e a veiculação deste material representam um passo significativo do ChildFund e da ADM na conscientização de crianças e adolescentes sobre a importância do meio ambiente. Acreditamos que eles são parte fundamental do futuro e que a construção de um planeta mais saudável, com menos riscos e danos ambientais, passa pela formação de cidadãos conscientes. Por isso, investir em educação ambiental é importante”, destaca Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund, organização com cerca de 60 anos de atuação pela promoção e defesa dos direitos de crianças, adolescentes e jovens no Brasil.

Metodologia aposta em atividades práticas

A humanidade enfrenta uma tripla crise planetária, composta pela degradação ambiental, pela perda de biodiversidade e pela poluição, que avança de forma interligada e se retroalimenta. Com isso, tem ampliado os impactos sobre o meio ambiente e a qualidade de vida, com efeitos já perceptíveis no cotidiano da população. Crianças estão entre os grupos mais vulneráveis, expostas a eventos extremos cada vez mais frequentes, como secas prolongadas, enchentes e ondas de calor. Por isso, é necessário preparar as novas gerações para lidar com esses desafios, com acesso à informação e estímulo ao engajamento em práticas voltadas à prevenção, mitigação e adaptação aos impactos ambientais.

Kit Missão Clima é formado por uma Cartilha e um Plano Pedagógico. A Cartilha Missão Clima oferece conteúdos sobre educação ambiental climática que podem ser trabalhados em sala de aula de forma complementar ao Plano Pedagógico. Os estudantes vão aprender o que está acontecendo com o nosso planeta, compreender como essas mudanças impactam suas próprias vidas e descobrir, de forma prática, como cuidar da natureza. A cartilha apresenta explicações simples para termos e conceitos fundamentais, ampliando o repertório das crianças e ajudando a construir uma consciência ambiental cidadã desde cedo.

Leia também: Ciência e saberes tradicionais são reunidos em cartilha interativa produzida no Pará 

Escolas do Maranhão recebem material inovador sobre educação climática e prevenção de riscos de desastres
Material reúne informações sobre as mudanças ambientais. Foto: Divulgação

Já o Plano Pedagógico, uma jornada para a prevenção, mitigação e adaptação às mudanças do clima e aos desastres socioambientais, nasce do desejo de apoiar corpos escolares, educadores, estudantes e comunidades na tarefa urgente de preparar crianças e adolescentes para os desafios trazidos pelos extremos climáticos e pelos desastres socioambientais. O material incentiva o engajamento coletivo e entende que a segurança climática depende da participação de todos, incentivando a aprendizagem ativa e participativa, trabalhos em grupos e conexão com a realidade local. 

As aulas orientadas pelo Plano Pedagógico acontecem por meio de uma jornada com cinco missões pedagógicas, sendo feito um diagnóstico climático, um mapa de riscos, a detecção de caminhos seguros, um Plano de Segurança Climática Escolar e um Observatório do Clima.

A estrutura das atividades conta com dois momentos, um de estudo, planejamento e reflexão; e o outro com atividades práticas no território da escola. Entre os recursos sugeridos, estão jogos e dinâmicas, materiais visuais, entrevistas e pesquisas, experimentos e construção de instrumentos e produção de mapas, planos e registros. O objetivo é oferecer aos educadores e estudantes recursos práticos para avaliar riscos, fortalecer a resiliência da comunidade escolar e implementar medidas preventivas que minimizem os efeitos de desastres climáticos no espaço escolar. 

“Acreditamos que a educação é uma das ferramentas mais poderosas para enfrentar os desafios das mudanças climáticas. Por meio do ADM Cares, temos o compromisso de apoiar iniciativas que fortaleçam o conhecimento e a capacidade de ação de estudantes e educadores, contribuindo para comunidades mais resilientes e mais preparadas para os riscos ambientais. O Kit Missão Clima é um exemplo de como as parcerias podem gerar impacto positivo e duradouro nas novas gerações”, comenta Paloma Carrili, Gerente de Sustentabilidade para o Brasil da ADM.   

Os estudantes vão adquirir conhecimento ambiental e climático, compreender as causas da crise climática, especialmente as relacionadas às ações humanas; as consequências, como os eventos extremos, chuvas intensas e compreender a relação entre clima, meio ambiente e sociedade. Além de identificar riscos ambientais na escola e os impactos dos desastres no cotidiano escolar. 

Material destinado a escolas de Balsas e Porto Franco

Em um primeiro momento, o material foi destinado ao público das escolas públicas de Balsas e Porto Franco, no Maranhão. Para que os professores e toda a equipe pedagógica estejam aptas a trabalhar os temas abordados no Kit Missão Clima, o ChildFund realizou uma capacitação de 4 horas em cada escola e distribuiu o Kit para os participantes. O conteúdo também está sendo disponibilizado às Secretarias de Educação e Meio Ambiente, ampliando o alcance da iniciativa e fortalecendo a disseminação do conhecimento nos municípios. 

*Com informações da assessoria

Sociedade lusa em Manaus: lazer e laços comunitários

Sede definitiva do Luso Sporting Club, em 1938. Foto: Silvino Santos (cedida)

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

A vontade pela prática do futebol foi o motivo que levou, no dia 1º de maio de 1912, os portugueses: Francisco Gomes Rodrigues, Antonio Lameirão, Francisco Ferreira de Carvalho, José Aguiar Sobral, Avelino Nunes Batista, Antonio Leitão Melita, Augusto Ornellas, Salvador de Castro Amorim, João Rodrigues, Joaquim José Pereira e Joaquim A. Lima Crispim, na rua Monsenhor Coutinho (residência do sócio Francisco Gomes Rodrigues), a fundarem o clube, que no ato de sua fundação foi batizado com o nome de Luso Football Club.

O primeiro nome dado ao clube (Luso Football Club), tinha relação com seu principal objetivo que era a prática do futebol. Apesar de serem homens de pouca renda, carregavam consigo ideias trazidas de Portugal e passaram a pôr em prática os exemplos de respeito mútuo e amor à tradição que foi o principal alicerce da construção da agremiação que naquele momento havia acabado de nascer.

O clube passou a servir naquela época de ponto de encontro nos fins de semana. Nele propagavam a cultura física, a educação moral e cívica. Nascia então uma sociedade que ostentava as lembranças das tradições e as lembranças que deixaram para traz na terra de origem.
Segundo consta na Ata do Clube, o líder do grupo e primeiro presidente, Francisco Gomes Rodrigues, transferiu a sede para sua residência na rua Jorge de Moraes, n.º 14, (hoje rua Rui Barbosa).

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Sociedade lusa em Manaus: lazer e laços comunitários
Rua Dr. Jorge de Moraes, aspecto da centenária. Fonte: Álbum Manaus na Administração do Dr. Jorge de Moraes (1911-1913)

O clube foi consolidando sua participação no cenário esportivo do Amazonas e havia necessidade de mais espaço físico. A partir daí, os fundadores tomam a iniciativa de alugar um espaço maior para promover suas reuniões. Nessa ocasião, transferiam sua sede para a rua São Vicente, nº 7, e depois, novamente a sede mudou para a mesma rua, nº 16.

O maior problema enfrentado pelos fundadores e sócios do clube, era a falta de recursos financeiros que pudessem lhes oferecer uma sede, ou até mesmo uma sede própria para as reuniões dos sócios. Assim outra vez, seus fundadores estavam em busca de melhores acomodações para a sua sede social e novamente a diretoria a transferiu para a rua da Instalação, nº 17.

Segundo Zamith:

“Embora timidamente, Manaus já respirava o processo organizacional da partida do futebol. O primeiro campeonato oficial disputado em Manaus foi em 1914. Praticamente nesse primeiro momento, na pri-meira divisão, os times do Atlético Rio Negro Clube, Nacional, Vasco da Gama, Manáos Sporting Club e Manáos Atlétic Club, cuja compe-tição foi iniciada no dia 8 de fevereiro com o jogo Nacional X Manáos Sporting Club, sob a organização da Liga Amazonense de Foot-Ball. Na segunda divisão, participaram as agremiações Manáos Sporting Club, Onze Português, Satélite Foot-Ball Club, Vasco da Gama, Atlético, Luso Foot-Ball Club, Naval Foot-Ball Club e Nacional Foot-Ball Club, que era formado por atletas de nacionalidade inglesa.

A organização do primeiro campeonato de futebol foi uma das primeiras, e mais importantes conquistas do Luso Sporting Club, assim como sua fundação. Pois parte da população de classe baixa passou a ter acesso ao esporte, e principalmente, ao futebol, que ainda era um jogo voltado para as classes sociais mais elevadas.

Foto: Abrahim Baze/acervo pessoal

Segundo consta na ata do clube, transcorria o mês de março do ano de 1917, e nessa oportunidade, assumia a presidência do clube o empresário Virgílio M. Goulart, cuja administração prosseguiu até 1922. No período em que tal presidente esteve na direção do clube, o Luso vivenciou a fase mais importante de sua trajetória social e cultural, pois, durante aquele período o Luso Sporting Club se tornou o mais importante clube português do Amazonas.

Sua primeira apresentação oficial ocorreu no campo do Parque Municipal, realizando na oportunidade seu embate futebolístico contra o Manáos Sporting Club, tendo sido um dos primeiros clubes a fazer parte da “Liga Amazonense de Desporto Atlético”. Durante o período de 1912 a 1914, suas atividades limitaram-se à prática do futebol, conforme dito anteriormente, essa foi a inicial razão de sua fundação. Esse primeiro momento foi como se abrissem a cortina que ocultava o anseio por lazer dos jovens fundadores.

Outro fato importante, é que naquele momento, o clube já alcançava as culminâncias dos desportos no Amazonas, e era ao lado de outros, uma completa organização existente no gênero. Será que os fundadores criaram uma sociedade cujo pensamento era realmente da prática desportiva, muito embora já tivessem ideias avançadas sobre as grandes competições? Ou teriam outros interesses, pois alicerçam-se naquela época, os encontros dos fins de semana para a prática do futebol e a cultura da educação física, promovendo sociabilidades e outras relações que poderiam trazer-lhes bons negócios?

Primeiro time do Luso, em 1912. Foto: Abrahim Baze/acervo pessoal

A iniciativa da fundação teve como motivo principal a prática do futebol de campo, vivendo a apogeu dessa prática de esporte, que nessa época dava seus primeiros passos em Manaus. Os fundadores não fizeram, no período de dois anos, nenhum registro escrito em livro.
A ideia de fundação de um clube de futebol era o suficiente para os fundadores, e era isso que os unia. O grande mérito era a união, que se desenvolvia juntamente com a prática do esporte bretão, cujas reuniões eram apenas para decidir a escalação do time, (quem participava como titular, quem se fazia necessário). Apesar do não registro em livro de atas, a tentativa de fundação não fracassou, e acredito, provocou mais entusiasmo com a espera do domingo – dia marcado para os grandes embates.

Na primeira foto, Troféu da Independência, em 6 de dezembro de 1931. Na segunda, primeiro Troféu do Luso conquistado em 1912. Fotos: Acervo do autor

O primeiro campeonato oficial disputado em Manaus foi em 1914. Participaram nesse primeiro momento do Atlético Rio Negro Clube, Nacional Futebol Clube, Vasco da Gama, Manáos Sporting Club e Manáos Atlético Club, cuja competição ficou sob a organização da liga Amazonense de Foot Ball. Na segunda divisão participaram as agremiações: Manáos Sporting Club, Auze português, Satélite Foot Ball Club, Vasco da Gama, Atlético Rio Negro Club, Luso Foot Ball Club, naval Foot Ball Club e Nacional Foot Ball Club. O primeiro campeão do Amazonas foi o Manáos Atlético Club, que era formado por atletas de nacionalidade inglesa. Esse mesmo time repetiu o feito no ano seguinte, o que o tornou Bicampeão.

Zamith descreve que: “a prática desse esporte teve início no campo do bosque Municipal, na Avenida Constantino Nery, próximo hoje ao Bosque Club, mais tarde surgiu o campo do Floriano Peixoto, na Cachoeirinha”, posteriormente, o Parque Amazonense.

Parque Amazonense foi o primeiro estádio do Amazonas a sediar partidas do Campeonato Amazonense. Foto: Baú Velho: histórias do futebol de Manaus e personagem, de Carlos Zamith

Em busca de conforto aos associados, a diretoria resolveu transferir outra vez a sede social do clube, dessa vez para a rua Marechal Deodoro, nº 6. Este local foi um marco muito importante na história da agremiação. Foi naquela época que surgiram os momentos principais da atividade social e cultural, como os importantes bailes de Carnaval, que marcaram uma época de ouro.

A sede do clube, em espaço maior, primava por uma ornamentação belíssima, produzida por grandes artistas que militavam no clube. Nasceu assim um marco no Carnaval do Luso, o baile “Viva o Zé Pereira”, (o qual tratava-se de um boneco enorme vestido de traje lusitanos, de enorme bigode), que puxava os grandes bailes carnavalescos, conduzindo na rua, ou na sede, sócios e simpatizantes.

Naquela época, o Carnaval de rua já se fazia presente, cuja principal artéria era a avenida Eduardo Ribeiro – entre as ruas Municipal, hoje Sete de Setembro, e a Dez de Julho – mais tarde prosseguindo até a frente do Ideal Clube. Dois coretos armados, um deles defronte da sede do centenário Jornal do Commercio e o outro quase chegando na rua Henrique Martins, defronte do antigo Café da Paz, mantinham os foliões eletrizados ao som de marchinhas populares.

O presidente Virgílio M. Goulart transformou a nova sede em algo mais atraente para a sociedade lusitana. Nos finais de tardes, era ponto de encontro regado a chás e biscoitos, e quase sempre embalado ao som de orquestra de pau e corda que executava músicas para o deleite de todos, entremeados por valsas. Esse ambiente promovia assim um novo momento na história do clube, nascendo a escola de dança para sócios e simpatizantes.

Embora seus fundadores promovessem a prática do futebol, falava mais forte o sentimento de cultura trazida da Europa. O que aderiram ao viés de promover uma sociedade não somente para a prática do esporte, mas que atendesse toda a camada social lusitana residente em Manaus, e com isso abria-se a conquista de novos sócios. Conforme consta na Ata do Clube, “no dia 30 de abril de 1917, em solenidade de gala para a colônia portuguesa no Amazonas, inaugura-se a Escola de Dança”.

Esse acontecimento social fez eco na cidade de Manaus, uma vez que pela primeira vez o clube abria suas portas para receber grande número de sócios, simpatizantes e convidados, para dança de salão. A escola de dança marcou época, de tal sorte que inúmeros casais buscavam esses momentos para encontros com belas jovens portuguesas; e muitos casaram-se nesse ambiente social que tinha a arte de ensinar, e também de aproximar pessoas.

O Luso Foot Ball Club, com suas múltiplas atividades administrativas, esportivas, sociais e cívicas, caminhou até 1917, como os outros clubes que já haviam sido constituídos naquele período, com nomes que personalizavam a escrita em inglês, (talvez pela forte presença da colônia inglesa, ou talvez pela razão do futebol ter sido criado na Inglaterra).

Mesmo depois de haver transcorrido cinco anos de sua fundação, os administradores dessa agremiação – aqueles pioneiros da fundação, agora também acompanhados de outros sócios que abraçaram a administração do Club – tomaram em reunião da diretoria, e mais tarde, da assembleia geral, a decisão de mudar o nome.

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Grupo de teatro com produção e cenário de Faustiniano Fonseca, apresentando-se no Luso Sporting Club. Foto: Acervo do autor.
Alfredo da Silva Fernandes e Antônio Martinho. Fotos: Acervo do autor
Apresentação no Luso Sporting Club. Fotos: Acervo do autor.
Corpo cênico: Arminda Dias, Rossiclé Brasil, Lola Rodrigues, Ida Rollo (senhoritas) e Augusto Reis, Antonio Figueiredo, Constantino Machado, Miguel Martinho, Vitoriano Barreto, Custódio
Rodrigues (senhores). Fonte: Jornal O Luso, ano 4, edição especial.

O Luso Foot Ball Club, passou a se chamar Luso Sporting Club, por vontade de seus dirigentes e também pela prática variada de esportes (não somente mais o futebol), bem como as festas promovidas por este clube, e o corpo cênico que mais tarde surgiria na associação.

Naquele mesmo ano, segundo o que consta também na Ata, o corpo cênico do Luso Sporting Club nasceu em 1917, como resultado da produção coletiva, alimentada pela vontade de fazer teatro; dando vida a inúmeros personagens que levaram a efeito, no palco, ao som de voz e de luzes, em preto-e-branco, ou em cores, sob o olhar das plateias.

Todo aquele cenário alimentava a época da juventude dos imigrantes lusos, todos possuidores de uma história individual, trazida com eles de Portugal. Após a criação da escola de dança, o clube começou a inserir, no seu contexto cultural, outras atividades, e o teatro tomou forma como uma montagem que produzia cenários, iluminação e figurinos.

Destaca Vale e Azancoth:

Entre tantos nomes que deram vida ao teatro do Luso destacamos: Arminda Dias, Rossiclé Gomes Brasil, Lola Rodrigues, Ida da Silva Rollo, Augusto Reis, Antônio Aurélio de Figueiredo, Lídia Pontes, Nice Oliveira Solano, Graziela Pontes, Tereza Matos, Miriam, Tarcila Coutinho, Rosália Castanheira, Maria de Lourdes Lima, Manuelina Carvalho, Antonio Nogueira de Sá, José Campos, Fernando Maravilhas.

Era a edificação da arte dramática, pois, vivenciaram o mesmo tom da emoção da arte de representar, e pisar no solo, onde eram representadas as grandes peças: o Teatro Amazonas. Foi nele onde germinaram tantas óperas, e peças trazidas dos países estrangeiros, como consta na Ata do Clube:

Foi assim no dia 1º de dezembro de 1917, com a presença do cônsul de Portugal, autoridade do Governo do Estado e a presença da colônia portuguesa, o corpo Cênico do Luso Sporting Club se apresenta no Teatro Amazonas, cuja renda foi destinada à Cruz Vermelha Brasileira em benefício dos flagelados da guerra.

Senhor José Augusto de Magalhães, cônsul de Portugal e sua esposa senhora Alice Magalhães. Foto: Acervo do autor.

Segundo os autores, em meio a toda essa trajetória teatral produzida pelo Luso, também ainda havia espaço para a caridade, onde o dinheiro arrecadado em algumas apresentações, eram direcionados às vítimas da guerra. Para o Luso, o futebol, o carnaval, e o teatro foram fundamentais pois, dentro dessa diversidade, os lusos mostravam, e ao mesmo tempo estabeleciam um pouco da cultura Lusitana em Manaus; fortalecendo seus laços, o que resultava do próprio processo de vivência coletiva trazida de seu país de origem.

Para Barth, um grupo étnico não se define por seu estofo cultural (que se modifica no tempo e varia de acordo com ajustamentos ecológicos), mas através de critérios pelos quais ele mesmo estabelece as suas fronteiras (critério de pertencimento e exclusão), e pela tentativa de normatização da interação entre os membros do grupo e as pessoas de fora. Nesta concepção, a homogeneidade cultural é uma resultante de um processo de criação coletiva e a constituição de um sujeito coletivo, fator determinante no estabelecimento de um grupo étnico.

Em Grupos Étnicos e suas Fronteiras, Barth objetiva entender a constituição dos grupos étnicos e os mecanismos de manutenção de suas fronteiras, chamando atenção para as características empíricas que as constituem. Segundo ele, o isolamento geográfico não pode ser representado como um fator decisivo para a existência da diversidade cultural, posto que as fronteiras – definidas nas situações de interação – persistem, apesar do fluxo de pessoas que as cruzam constantemente e que, portanto, segundo Barth: as distinções de categorias étnicas não dependem da ausência de mobilidade para existirem.

O estudo sobre etnicidade passa da pesquisa de grupos fechados às propriedades de um processo social. A etnicidade relaciona-se, então, com os processos sociais de exclusão ou incorporação de elementos propiciadores de significados simbólicos (uma identidade), tanto a nível coletivo como individual. Em sua definição: os grupos étnicos são categorias de atribuição e identificação realizados pelos próprios atores sociais, e assim, têm a característica de organizar a interação entre as pessoas.

Pastorinhas, apresentação com produção e cenário do artista Faustiniano Fonseca. Foto: Acervo do autor.

Assim, para se concentrar no que o autor considera relevante, os grupos étnicos devem ser vistos como uma forma de organização social, cujo aspecto fundamental seria a já clássica característica da atribuição étnica, identidade étnica categorizada por si mesmo e pelos outros, um tipo de organização baseada na autoatribuição dos indivíduos à categorias étnicas. Embora Barth destaque que as categorias étnicas tomam em consideração as diferenças culturais, acentua que as características que são levadas em consideração não são a soma das diferenças “objetivas”, mas somente aquelas que os atores consideram significantes. Daí a importância de se trabalhar com os dados empíricos, as representações coletivas.

A etnicidade consegue, então, assegurar uma unidade grupal, visto que possui caráter organizacional. A organização social, por sua vez, encontra-se ligada aos processos de identificação étnica, e estes (processos de identificação) não derivam da psicologia dos indivíduos (não são por si só conscientes ou inconscientes), mas da constituição de espaços de visibilidade e das formas de interação com o “mundo externo”.

Apresentação das pastorinhas, 1950. Acervo do autor.

Nos espaços de interação, os atributos culturais adquirem expressividade (podendo ser altamente seletivos ou estereotipados), não meramente como revelador de uma realidade subjetiva ou inefável, mas como uma seleção, reivindicação pública que necessita ser validada neste contato. A análise de Barth nos ajuda a pensar os membros dos grupos étnicos não como meros estrategistas motivados unicamente pela realização de seus interesses, ou como atores criando e recriando ao sabor das situações de interação manipuláveis. Pois, o autor busca mostrar como a etnicidade pode ser acionada para a compreensão do processo de interação social, extremamente importante na construção de atribuições e autoatribuições. A explicitação de pressupostos teóricos mostra-se como um caminho viável para quem trabalha em contextos que envolvem emigrantes estrangeiros.

Deste modo, seguindo a trilha de Barth, penso que baseados na identidade coletiva, os emigrantes portugueses que aqui viviam, buscaram na construção do Luso Sporting Club, não apenas um meio para seu lazer ou diversão, tão pouco este clube serviria apenas como um meio para embelezamento de seus corpos. É claro, que nesse bojo estavam introduzidos seus valores étnicos, fazendo da prática desportiva trazida de Portugal, um meio de manter aqui sua cultura, e reforçar, provavelmente, os laços comunitários.

Pois o grande passo para a consolidação de um clube português em Manaus naquele período, não estava baseado apenas em proporcionar uma atividade esportiva que trouxesse benefícios físicos para o corpo, objetivados na ideia da beleza, que estava ligada à cultura do corpo; muito embora ela fizesse parte do contexto social. Porém, havia também uma vontade de reforçar os laços comunitários lusitanos em Manaus.

Percebemos essa busca por uma maior aproximação entre a comu-nidade de portugueses e descendentes que aqui viviam, devido o Luso Sporting Club diversificar suas atividades esportivas e culturais, pois além da criação de um teatro no interior do próprio clube, exibia peças trazidas de Portugal, ou escritas por seus descendentes, aqui mesmo em Manaus.

Essas peças, como a “Pátria”, que expressava o amor de um português pela sua nação e que, mesmo longe de sua amada terra, ainda a mantinha dentro de seu coração. É notório devido tal fator, que tais dramas apresentados eram direcionados especialmente ao público luso-descendente.

Segundo Selda Vale:

Em 1917, o teatro do Luso apresentava autos de Natal e as famosas pastorinhas, além de realizar, no Teatro Amazonas e no Teatro Alcazar, festas de arte pelas vítimas da guerra. Em 1918, é fundada uma escola primária, “João de Deus” fonte de onde provinham quase todos os atores.

Maria Belém e Ceci Figueiredo. Fotos: Acervo do autor

Segundo a autora, o teatro formado pelo luso também tinha como compromisso, a caridade aos necessitados que sofriam naquele momento, como vítimas da guerra. “As pastorinhas” foi uma peça teatral que expressava também uma forte religiosidade dos imigrantes luso-descendentes. Ainda, segundo a autora, “As Pastorinhas”, antes apresentadas nos bairros, em tablados armados nas ruas, subiam ao palco do clube português Luso Sporting Club com uma montagem que envolvia cenários, iluminação, figurinos mais bem cuidados e cenas devidamente ensaiadas.

Observando a Ata do clube, da rua para o palco foi apenas uma figura de retórica, pois as pastorinhas de rua (Cachoeirinha, São Raimundo e Aparecida) continuaram até aproximadamente a década de 70. Entretanto, é essa brincadeira das pastorinhas de rua que serve de inspiração para a criação, no palco, do espetáculo de “A Grande Pastoral”.

Afirma Selda Vale que:

Ao subir à Ribalda, as pastorinhas perderam muito daquela espontaneidade de criação coletiva, quase religiosa, que envolvia famílias, donas da brincadeira que envolvia e aproximava toda a comunidade portuguesa em Manaus.

As Pastorinhas, apresentação com produção e cenário do artista Faustiniano Fonseca. Foto: Acervo do autor

“As Pastorinhas”, ou “Autos de Natal”, do Luso, naquele período, segundo o que expõe a autora, tomava conta do sentimento da cidade. Não havia quase uma só família que não levasse suas crianças para assistirem. O anúncio das pastorinhas era feito pelas próprias personagens que desfilavam pela cidade de Manaus em cima de um velho caminhão, todo enfeitado, como se fosse um palco. Assim se anunciava à comunidade luso-descendente em Manaus, o Teatro do Luso, que além desse espetáculo natalino, marcou sua presença no teatro amazonense com um extenso respeito que incluía dramas, comédias e até mesmo a montagem de Deus lhe pague.

Outras peças também foram apresentadas no Teatro do Luso como, “O Ciúme do Mascarado”, que além de entreter o público, tinha ainda o objetivo de divulgar os bailes de Carnaval promovidos, não só pelo Luso. A peça cômica, contava a história de uma família, onde a esposa saía de casa escondida do marido para um baile de Carnaval no próprio clube. Porém, o marido já estava escondido dela naquele mesmo baile, e foi necessário ele colocar uma máscara para observar o que fazia sua esposa, e ele nunca deixava que outro homem se aproximasse dela. Por isso o nome “O Ciúme do Mascarado”.

Mas naquele período não foi apenas o teatro que servia para informar e aproximar a comunidade portuguesa em Manaus. Em 1924, logo após o Luso construir seu teatro – trazendo tanto as encenações de Portugal, quanto as produzidas em nossa própria cidade para seu palco – a comissão organizada dos festejos de Mi-Carême lança o Jornal do Luso, que também se propôs a divulgar todas as atividades sociais do clube.

Segundo a Ata, o pequeno jornal tinha o compromisso de cumprir o papel de divulgador, e era um órgão da mocidade lusitana que se traduzia em informações voltadas para todos aqueles que viviam em Manaus, mas que tinham seus corações voltados para Portugal. Fazia parte de suas informações, notícias alegres, e ainda as que mostravam a aventura dos portugueses e seus empreendimentos no estado do Amazonas, bem como, política, músicas, poesias, enfim, tudo que acontecia em Portugal terra e que estava ligado às suas origens.

A diretoria do Clube buscava transmitir as informações dos fatos da época destacando o Carnaval, (de colombinas, pierrôs, que sabiam festejar galhardamente a estadia do Rei Momo). Assim, o pequeno jornal “O Luso”, circulou por muito tempo na busca e publicação das mais variadas notícias da vida do Luso Sporting Club.

Segundo a Ata do clube:

Na décima primeira sessão ordinária do Luso Sporting Club, realizada aos dezoito dias do mês de junho, ainda sob a presidência de Virgílio
M. Goulart, o diretor João Maria Adrião, primeiro secretário, propõe à mesa diretora a criação de uma escola de instrução primária, sendo sua proposta aceita por unanimidade e aprovada na mesma ocasião.

Jornal O Luso, edição especial de 29 de março de 1924. Foto: Acervo do autor

Dessa forma, surgiu a Escola João de Deus, onde a princípio era mantida financeiramente por alguns fundadores e sócios do Luso, dentre eles: João Maria Adrião, Madeira Diniz, Alberto R. de Andrade, João Mendes, Manoel da Costa Santos, José da Costa Novo e Cezar Augusto de Magalhães, como consta na ata de reuniões.

Grupo de alunos da Escola João de Deus. Foto: Acervo do autor

Aqueles lusitanos que se aglutinaram para fundar o Luso Sporting Club, também tinham a preocupação de criar um movimento que ficasse de forma duradoura na memória dos que perdurassem para testemunhar. Na verdade, esses portugueses patriotas além da preocupação com o esporte, também cuidaram da formação intelectual de seus descendentes. Pois, aquela escola atendia somente os filhos dos diretores e sócios da comunidade Luso em Manaus.

Embora todos esses eventos culturais, como o teatro e o carnaval, tenham dado um pouco de sua contribuição para destacar a sociedade portuguesa no Amazonas, através do Luso Sporting Club, a prática dos esportes não ficou relegada ao segundo plano. Pelo contrário, o esporte continuava sendo o principal destaque no Clube.

Suzete Gonçalves D’ Oliveira (Diretora); Adelaide Tavares de Macêdo (Professora); José Madeira Diniz (Benfeitor), escola João de Deus; Foto: Acervo do autor
Diretores do Luso Sporting Club
Presidente José Bernardo Lameiras, em companhia de professoras da escola, 1954. Foto: Acervo do autor

Segundo destaca Anjos:

O Luso Sporting Club com sua riqueza cultural, social e esportiva marcava também sua história com uma das mais importantes modalidades de esporte na época praticado em Manaus. Uma das maiores emoções dos amazonenses, até o final dos anos trinta, eram as chegadas de navios do Lloyd Brasileiro e da Booth Line, com os seus Linrs, Boniface, Hilary, Anselm, Hildebrand, Policarp e os da Amazon River, confortáveis vaticanos, além de gaiolas e chatinhas, cuja chegada normalmente no amanhecer ou final de tarde eram recepcionados pelos remadores ao largo.

A importância do Luso Sporting Club

Estandarte de seda bordado à ouro, obra do artista Branco e Silva em Manaus, 3 de abril de 1943. Foto: Acervo do autor

Assim, o Luso escreveu sua história no remo, construída num mural de conquistas às margens do Rio Negro. Tempos depois, o Luso desfaz essa modalidade esportiva e os homens que promoviam o esporte resolveram criar outro clube exclusivamente para o remo: O grêmio Náutico Portugal, criado em 1939.

Assim, na Manaus de outrora, os portugueses e descendentes que assim viveram, conseguiram manter suas culturas através da fundação de um clube. Escreveram sua história através de seus ideais culturais, trazidos de sua pátria. São alguns ângulos de um passado memorável, panorama que se altera nas fases de expansão da sociedade luso-brasileira no Amazonas. Imigrantes que em fases distintas de nosso passado, não muito remoto, pisaram as nossas terras e banharam o rosto nas águas negras do nosso rio. O Carnaval do Luso hoje é mais que uma pálida lembrança de cultura nas gerações atuais. São marcas indestrutíveis de um Carnaval de uma geração, de um tempo marcado na história dos imigrantes portugueses no Amazonas.

Dentro do que pudemos perceber, a comunidade portuguesa instalada em Manaus, teve, sem dúvida, seus laços reforçados, através das atividades promovidas pelo clube que trazia como bandeira sua cultura. Pois, ainda nos dias de hoje, os remanescentes dessa sociedade fundadora do Luso Sporting Club se reúnem para rememorar suas lembranças.

Manoel Teixeira de Macêdo (Diretor); José Tavares de Macêdo (Professor e aluno); Orlando Teixeira de Macêdo (Professor), escola João de Deus. Foto: Acervo do autor.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Prefeitura trabalha na solução do 50º ponto crítico de alagamento em Boa Vista

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A obra contempla a implantação de 305 metros de drenagem na rua João Batista Sobreiro. Foto: Francisco Sena/PMBV

A infraestrutura de Boa Vista segue fortalecida com os investimentos da prefeitura, que agora atua na solução do 50º ponto crítico de alagamento da capital. A obra contempla a implantação de 305 metros de drenagem na rua João Batista Sobreiro, no bairro Cidade Satélite, proporcionando mais segurança e eficiência ao sistema de escoamento das águas pluviais.

Executado pela Secretaria Municipal de Conservação Pública (SMCP), o serviço teve início pela rua Sebastião Corrêa, com a escavação e a implantação da tubulação principal. Em seguida, foi feita a interligação de 13 bocas de lobo no entorno.

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Intervenção começou pela rua Sebastião Corrêa, com a implantação da tubulação principal e a interligação de 13 bocas de lobo para reforçar o sistema de drenagem da região. Foto: Francisco Sena/PMBV

Moradores destacam benefícios para a região

O comerciante Roberto Silva de Sá, de 53 anos, proprietário de um restaurante próximo ao local onde os serviços ocorrem, avalia a intervenção de forma positiva. “Com essa drenagem, a situação vai melhorar bastante. Para mim, essa melhoria é muito bem-vinda”, afirmou.

A aposentada Maria da Penha Oliveira, de 67 anos, passa frequentemente pela rua João Batista Sobreiro com o neto, Miguel Mendonça, de 4 anos, e tem acompanhado o andamento dos serviços.

“Está ficando muito bom esse trabalho da prefeitura, além de trazer mais segurança para eu poder andar pelas ruas com meu neto”, frisou.

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Ao lado do neto Miguel, Maria da Penha acompanha de perto as melhorias no Cidade Satélite. Foto: Francisco Sena/PMBV

Investimentos em drenagem avançam para reduzir alagamentos na cidade

Desde 2021, a prefeitura já concluiu os serviços em 45 pontos críticos de alagamento distribuídos por 26 bairros da capital. Outros cinco seguem com obras em andamento: a avenida São Sebastião, no bairro Santa Teresa; a avenida Major Willams, no São Pedro; a rua Austrália, no Cauamé; a rua Abdalla, no bairro Jóquei Clube; e, agora, a rua João Batista Sobreiro, no bairro Cidade Satélite.

Livro ‘Amazônia Negra’ reúne fotografias dos povos, costumes e influências na floresta

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Livro ‘Amazônia Negra: as imagens da cor do (in) visível’- Resistência, Quilombo de Vila Bela, Oiapoque, Amapá, 2015. Foto: Marcela Bonfim

“Sendo a imagem da Cor pano de fundo das relações de privilégio ainda vigentes no Brasil, além das aflições físicas vinculadas às péssimas condições de sobrevivência das populações escravizadas, a Cor escura foi condicionada como espectro (psicológico), peça-chave da máquina de exploração europeia”. – Marcela Bonfim

Contemplado pelo Edital Funarte Retomada 2023 – Artes Visuais, ‘Amazônia Negra: as imagens da cor do (in) visível‘, primeiro livro de Marcela Bonfim, aborda deslocamentos reflexivos, físicos e subjetivos da autora ao migrar para Rondônia e descobrir a presença negra em território amazônico.

Marcela Bonfim é fotógrafa, economista formada pela PUC-SP e especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública pela Universidade Federal de Rondônia. Já atuou como fotojornalista, colunista, palestrante, júri em concursos fotográficos e curadora de exposições em todo o país.

Livro 'Amazônia Negra' reúne fotografias dos povos, costumes e influências na floresta
Foto: Divulgação

Paulista de Jaú, chegou em Porto Velho em 2010 para trabalhar e, nos momentos livres, em caminhadas aleatórias desvendando seu novo lugar, passou a fotografar as comunidades locais de origem caribenha, quilombolas e indígenas da região, vivência que afirma despertar nela “um processo de se expressar pelo seu corpo, sobre o seu corpo e outros corpos de identidades análogas e assim se reconhecer como mulher negra”.

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Na trajetória desta descoberta, sombras se dissipam perante estigmas, trazendo movimentos de uma distinta Amazônia Negra, entre eles uma potente visualidade que passa a estruturar uma árdua tarefa: entender onde o seu e os outros corpos negros residem e se encaixam nos pilares do sistema dominante, com sua profusão de lugares e elementos exploratórios que foram brutalmente criados e impostos pela história, supostamente civilizatória.

A pesquisa regular de Marcela, torna-se um campo de produção de conhecimento sobre a pele escura, provocando uma travessia para uma imagem-corpo-continente impactada no cenário de violações, expropriações e estratégias mercantis que forjaram uma inferiorização inexistente para explorá-los comercialmente.

Fotógrafa que lançou o livro ‘Amazônia Negra: as imagens da cor do (in) visível’. Foto: Divulgação

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Livro reflete vivências

Em um intenso exercício de ‘pensar por imagens’, Marcela apresenta em seu livro um imaginário de considerações, como ela descreve, sobre corpos escuros – classificados e detidos a partir de uma categorização visual, que foram colocados em uma circunstância imagética propositalmente deformada, onde a existência, física e abstrata, sem mínimo direito a humanidade, foi subjugada com martírios e apagamentos e passou a existir como um mero produto rentável.

O livro também é composto por fotografias de Marcela que fazem parte de seu projeto ‘(Re) conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências na floresta’, plataforma multi artística, que envolve produção fotográfica, musical, audiovisual e, agora, também textual. Lançado no final de 2025, o livro é pela Editora Igrá Kniga.

*Com informações da assessoria

19ª edição do CINEAMAZÔNIA em Rondônia abre inscrições; saiba como participar

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Foto: Divulgação

As inscrições para a 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental, em Rondônia, estão abertas até o dia 20 de junho. Podem se inscrever produções audiovisuais de curta e médio metragem, de até 26 minutos, produzidos no estado, nos gêneros de ficção, documentário, animação e experimental, bem como, longas metragens no gênero documentário.

As produções serão exibidas na edição deste ano, que será realizada entre 3 a 7 de agosto de 2026, nas cidades de Porto Velho, Candeias do Jamari e Itapuã do Oeste.

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As produções farão parte da Mostra não competitiva do festival audiovisual, e serão exibidas em escolas da rede pública de ensino, de forma gratuita, ampliando a oportunidade que os trabalhos possam ser conhecidos por estudante e educadores de Rondônia.

De acordo com o diretor da Acapulco Filmes, responsável pela Décima Nona Edição do CineAmazônia, cineasta José Jurandir da Costa: “é uma oportunidade para que o audiovisual rondoniense possa ampliar seu público e uma forma de democratizar o acesso à produção cultural realizada no Estado”.

19ª edição do CINEAMAZÔNIA em Rondônia abre inscrições; saiba como participar
Foto: Divulgação

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Com atividade totalmente gratuitas, além da exibição de filmes voltado para estudantes da rede pública, serão também desenvolvidas atividades como duas oficinas para os estudantes e debate com a discussão sobre a importância da preservação e recuperação de arquivo audiovisual, principalmente e produção realizada na Amazônia

A Décima Nona Edição do CINEAMAZÔNIA tem patrocínio da Lei Paulo Gustavo, selecionado no EDITAL Nº 06/2024/SEJUCEL-SIEC – FOMENTO PARA FORMAÇÃO, DIFUSÃO E APOIO A SALA DE CINEMA – Categoria: I: Difusão, do Governo do Estado de Rondônia, através da Secretaria do Esporte, Cultura e Lazer.

O CINEAMAZÔNIA

O CINEAMAZONIA acontece desde 2003 e já teve sua versão itinerante em cinco países distintos, já tendo percorrido mais de 190.000 km. Considerando as atividades do CINEAMAZONIA voltadas a cinema e meio ambiente, o mesmo integra o Green Films Network, maior rede mundial de festivais ambientais de todo o mundo.

O CINEAMAZONIA alia seu trabalho de difusão do cinema nacional, ao desejo de pensar o meio ambiente, integrando-se populações tradicionais e latino americanas a realidade vivenciada na Amazônia, através da tela de cinema. A Amazônia está focada prioritariamente na grade de exibição dos filmes, tanto na 19a Edição, quanto em seu formato Itinerante em Candeias do Jamari e Itapuã do Oeste.Regulamento disponível AQUI

Inscrição disponível AQUI.

*Com informações da assessoria

Pesquisa com nanotecnologia biodegradável aponta compostos da Amazônia com potencial contra Zika

Foto: Gemilson Soares Pontes/Acervo pessoal

Uma nova estratégia contra o Zika foi descrita por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Fiocruz Amazônia e L’ Istituto per i Polimeri, Compositi e Biomateriali (IPCB), da Itália. O estudo mostra que compostos naturais da Amazônia, combinados com nanotecnologia, conseguem inibir a replicação do vírus Zika e modular a resposta imune em células humanas infectadas. 

A publicação recebeu o título ‘PEG-PCL nanoparticles loaded with amazonian compounds inhibit Zika virus replication and modulate host immune responses’ e mostra a análise do óleo essencial da espécie Piper alatipetiolatum (Pau de Angola) e o composto Zerumbona, extraído do gengibre-amargo (Zingiber zerumbet), combinados a nanopartículas biodegradáveis. 

“A ideia central é aproveitar a biodiversidade amazônica e pesquisar o potencial antiviral   de bioativos com atividade biológica contra esse tipo de vírus. O objetivo foi entender de que forma esses compostos poderiam ter ação antiviral para que, no futuro, a gente possa avançar para estudos mais complexos”, explica o pesquisador Gemilson Soares Pontes, do Laboratório de Virologia e Imunologia do Inpa.

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Pesquisa do Inpa com nanotecnologia biodegradável aponta compostos da Amazônia com potencial contra Zika
Foto: Gemilson Soares Pontes/Acervo pessoal

Pontes destaca que a utilização de nanopartículas biodegradáveis foi o diferencial. Ao nanoencapsular os compostos, os cientistas aumentam a biodisponibilidade e, consequentemente, a ação antiviral. “Isso é inovador, porque melhora a entrega do bioativo para a célula infectada”, reforça o pesquisador. 

O trabalho faz parte do projeto ‘Nanoarbo – Nanoencapsulamento de compostos bioativos para arboviroses’, iniciado em 2022 e financiado pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália (MAECI) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam).

Leia também: Extrato de própolis mostra ação antiviral contra zika, chikungunya e mayaro

Sobre o Zika

O Zika é transmitido principalmente pelo Aedes aegypti e deixou o país em alerta após o surto ocorrido em 2015 e 2016, quando o Brasil registrou até 1,3 milhão de casos de associação com microcefalia e síndrome de Guillain-Barré. Até hoje não existe antiviral específico licenciado para Zika, o tratamento é apenas sintomático.

Para os pesquisadores que publicaram o artigo, a estratégia também é relevante diante das mudanças climáticas, que expandem a circulação de arbovírus para outras regiões do Brasil e do mundo. 

Leia também: Dengue, Zika e Chikungunya: como identificar e se prevenir das doenças que aumentam no período chuvoso na Amazônia

A pesquisa utilizou uma abordagem multidisciplinar integrada envolvendo químicos, biomédicos, farmacêuticos, biólogos e médicos, que fizeram desde a extração e purificação dos compostos até as análises in silico e a avaliação de suas atividades biológicas.

O artigo completo foi publicado e está disponível na revista Biomedicine & Pharmacotherapy. A próxima etapa é avançar para estudar as atividades antivirais contra outras arboviroses de importância em saúde pública, como Dengue, CHIKV e Mayaro, além de avançar para ensaios pré-clínicos mais robustos e translacionais com os compostos mais promissores.

*Com informações do Inpa

MC do Pará, Jon da Rima faz do freestyle um ato de justiça climática 

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Jon da Rima apresentando a Batalha do Marex, em Belém. Registro de 2022. Foto: Jon da Rima/Acervo pessoal

Diferente de muitos outros passageiros, Jonatha Francisco, 26 anos, sobe no barco com a caixinha de som na mão. Como artista rimador ambulante, ele percorre ônibus e embarcações da região metropolitana de Belém (PA) rimando para garantir parte do sustento.

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É nesse mesmo movimento de quem transita entre periferias e rios que Jon da Rima, nome artístico de Jonatha, construiu uma visão de mundo onde Hip Hop e justiça climática são passos de um só caminho.

Carioca de nascença, ele se mudou para Ananindeua em 2017 e nunca mais desapareceu da cena. Hoje integra a Conexão das Batalhas de Rimas de Ananintuba, organiza o Duelo de Mc’s Revolução Cabana e milita no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, um movimento social que atua nacionalmente pela reforma urbana e pelo direito à moradia digna.

Leia também: Hip Hop: mais que cultura popular, um estilo de vida

Foi com essa bagagem que ele inscreveu sua rima na batalha virtual Corre na Rima, parceria entre o Greenpeace Brasil, pelo projeto Corre de Quebrada, e a Batalha da Matrix, e que você pode ouvir a seguir:

A rima que Jon fez para o concurso condensa em menos de um minuto sua bagagem de uma construção de anos nas ruas. “Justiça climática é justiça ambiental e justiça social, visando a derrubada do capitalismo e a luta contra o marco temporal”, diz em um trecho.

Da referência ao geógrafo Milton Santos à memória dos que “partiram, porém lutaram”, cada verso carrega uma escolha política deliberada.

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“Justiça social é fazer ocupação, como os povos indígenas ocuparam a Cargill. Enquanto isso, Belém debaixo d’água, Pernambuco debaixo d’água, Minas Gerais debaixo da terra, e eu falo daqui do Pará”, complementa. Nesse trecho da rima, Jon cita também tragédias e crimes que escancaram a disputa sobre o modelo de desenvolvimento imposto não só à Amazônia e quem decide seu destino, mas que se repete na realidade de comunidades periféricas de outras regiões do país. 

Hip Hop como escola

Antes disso tudo, havia um adolescente que vivenciava as consequências de um modelo de sociedade e de escola que desconsidera as muitas formas de viver e pensar.

O encontro com o Hip Hop mudou sua forma de encarar esse caminho:

Minha relação com o Hip Hop é algo extremamente íntimo, pois foi através dele que comecei a ter autodeterminação, ganhei autoestima, fui compreendendo o mundo em sua complexidade e aonde eu estava encaixado dentro da sociedade. Mudou radicalmente a forma de eu me ver e enxergar as coisas ao meu redor, me ajudou a combater bullying contra mim e contra pessoas que eram próximas“, afirmou.

Suas notas na escola oscilavam entre quatro e sete, e tinha reprovado duas vezes antes de descobrir o Rap.

O Hip Hop me ajudou a entender que eu não era burro, mas sim que a forma como eu estava inserido na escola, a forma como eu tentava aprender não era compatível com a minha vivência”, declarou. 

Jon da Rima: MC do Pará que faz do freestyle um ato de justiça climática
Batalha de Cristo. Foto: Acervo pessoal

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A partir daí, passou a gabaritar as provas.

Aos 16 anos, já frequentava rodas culturais de Hip Hop no Rio. Em 2021, de volta ao Pará, fundou a Batalha de Cristo no próprio bairro, em Ananindeua, que revelou nomes como Mc Láindia, Mc Afrotonni e Mc Félix. “Vi que no meu bairro precisava ter uma roda cultural de Hip Hop para ser uma alternativa para a juventude da nossa área”.

Foi o Rap também que o levou a Malcolm X, Che Guevara e ao Partido dos Panteras Negras, e dali ao socialismo.

“Quando me apresento como hip hopper, trago comigo todos esses nomes que viveram e se dedicaram por uma sociedade onde as riquezas fossem para todos”, afirma.

A Amazônia como território de rima

No Norte, Jon entende que fazer Rap implica necessariamente falar de terra, de rios e de povos.

“Quem produz Hip Hop nessa região tem que falar sobre a questão da luta pela terra, a questão da natureza, a crise climática, falar sobre a soberania dos povos originários, quilombolas e ribeirinhos”, explica.

Para ele, esses povos carregam uma cultura de “harmonia com a natureza, consumir de forma necessária e não para gerar lucro”, cultura que entra diretamente em choque com a lógica extrativista.

Expo Favela Ananindeua. Foto: Acervo pessoal

Ele cita em nossa conversa uma luta atual em que está envolvido pelo Pedral do Lourenço, formação rochosa no rio Tocantins que grupos empresariais querem remover para viabilizar a hidrovia Araguaia-Tocantins, favorecendo o agronegócio e a mineração. “Vai afetar pescadores e populações ribeirinhas, que usam do rio para se alimentar e se sustentar”, alerta.

O contexto é o mesmo que alimenta outro front de denúncia: uma investigação recente do Greenpeace Brasil apontou que esquemas de lavagem de ouro na Amazônia, usando permissões de garimpo como fachada, são responsáveis pela comercialização ilegal de toneladas do metal extraído de terras indígenas e unidades de conservação. Para Jon, é a mesma lógica:

“O agronegócio, a mineração, exploração das florestas e dos rios é um retrocesso, coloca em risco toda a humanidade”, afirma.

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Em sua rima feita para o Corre na Rima, Jon canta sobre a “população negra, indígena e periférica” forçada a morar em “área de risco”, e não é figura de linguagem. Durante as obras de saneamento para a COP30 em Belém, os resíduos foram direcionados para a Vila da Barca, bairro periférico. O projeto que deveria tratar o esgoto da Avenida Visconde de Souza Franco, cartão-postal da cidade, transferiu o problema para o mesmo bairro.

Batalha de rima na ocupação da Seduc feita pelos povos indígenas para revogação da Lei estadual 10.820/2024 – Belém do Pará, 2025. Foto: Acervo pessoal

“Todo esse dinheiro não mudou em nada a vida do pobre aqui. Pelo contrário, piorou em vários aspectos”, afirma Jon. Depois das chuvas que deixaram bairros de Belém debaixo d’água este ano, ele e coletivos como a Conexão das Batalhas de Ananintuba e a Kabanagem Produções levaram para as redes e para as rodas de rua a pergunta que a grande mídia não fez: onde foi parar o mais de um bilhão investido em drenagem e saneamento para a COP30?

O Norte não é margem

Jon também aponta o que chama de “lógica do centro-periferia dentro do capital”:

“Assim como o Brasil é periferia do mundo, o Norte é periferia dentro do Brasil. Invisibilizam as pessoas daqui para que a narrativa delas não seja contada, para não expor a contradição do capitalismo”.

O Hip Hop regional, para ele, tem a missão de combater essa invisibilização, e foi exatamente isso que a cena paraense fez durante as ocupações indígenas da Cargill em 2026 e da Seduc em 2025, em que 20 povos diferentes ocuparam a Secretaria exigindo a revogação da Lei 10.820/2024. A lei alterava a carreira do magistério e abria caminho para substituir o ensino presencial por EAD em áreas remotas, como comunidades quilombolas e terras indígenas. Na ocasião, artistas estiveram na linha de frente desmentindo a versão que muitos canais de TV propagaram, colocando os povos indígenas como os errados da história. 

“O Hip Hop vai se unir com qualquer cultura que é oprimida no mundo, se adaptar pra caminhar junto a essa cultura para combater aqueles que estão oprimindo”.

A rima que Jon enviou para o Corre na Rima cumpre o que o Rap do Norte propõe: nomear o que a mídia encobre, honrar quem luta e fazer do verso um ato político.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Greenpeace, escrito por Camila Doretto.

Conhecimento indígena orienta ações de combate a incêndios em TI do Xingu, no Mato Grosso

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Equipes do Prevfogo, do Ibama, trabalham para controlar incêndio florestal no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, em 2016. Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Resultado de cinco anos de trabalho na região do Alto Xingu, Território Indígena do Xingu (MT), o Instituto Socioambiental (ISA) entregou ao Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), do Ibama, um total de 15 Planos de Manejo Comunitários do Fogo. A entrega foi realizada no dia 13 de maio em assembleia do Instituto Aritana, no Polo Leonardo.

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O fogo é uma tecnologia milenar de manejo da paisagem, utilizado na roça de coivara, na limpeza de caminhos e aldeamentos, no preparo da comida, na coleta do mel, no aquecimento das casas, em técnicas de caça e em inúmeras outras atividades. No entanto, nos últimos anos, os incêndios florestais se tornaram um dos principais desafios enfrentados pelos povos xinguanos. 

A entrega dos Planos de Manejo Comunitário do Fogo para o PrevFogo marca um novo momento na prevenção de incêndios dentro do Território Indígena do Xingu: a possibilidade de a política pública ser aperfeiçoada a partir do conhecimento e necessidades específicas dos povos indígenas.

“Os Planos de Manejo Integrado do Fogo, frutos do Mapeamento da Cultura do Fogo, que são produzidos de maneira participativa, revelam os saberes e fazeres das comunidades do Alto Xingu, quanto ao conhecimento tradicional associado ao uso, ou não uso, do fogo no território”, explica Marcos Guedes, técnico especialista em Manejo Integrado do Fogo do PrevFogo.

Para ele, a abordagem é muito exitosa em trazer o protagonismo comunitário como base para a efetiva promoção da gestão do fogo nos territórios. “Os Planos de Manejo Integrado do Fogo do Alto Xingu servirão de bússolas a apontar caminhos e soluções na árdua missão de conservação do território e prevenção aos incêndios florestais”, afirma.

Leia também: Terras Indígenas são as áreas mais preservadas do Brasil, aponta estudo

Mudanças climáticas e adaptação

O trabalho começou em diálogo com aldeias do Rio Kuluene, principal rio formador do Xingu, onde moram indígenas dos povos Kalapalo e Kuikuro, principalmente. A região é caracterizada pela presença de campos naturais, uma vegetação adaptada ao fogo. No entanto, os indígenas têm sofrido com incêndios que começam nos campos, mas se descontrolam e queimam áreas de floresta.

Preocupados com a manutenção das condições de vida em suas comunidades, os xinguanos passaram a procurar o ISA para pensar novas estratégias de manejo do fogo. O trabalho resultou na elaboração dos mapas.

Desenho do Plano de Manejo Comunitário da Aldeia Tangurinho. Foto: Emilton Paixão

“Estes planos abrange as diretrizes dos povos nativos que vivem no Território Indígena do Xingu. É gerido coletivamente por diversas etnias, como Kuikuro, Naruvotu, Tapayuna, Wauja, Kalapalo e Yudja. Suas frentes prioritárias incluem executar os planos de manejo comunitário do Xingu e mitigar os impactos das mudanças climáticas na região, com foco na restauração ecológica, manejo tradicional de roçados, recuperação de cultivos nativos, manejo sustentável e fomento a sistemas agroflorestais”, explica Emilton Paixão, técnico do ISA que apoiou a elaboração dos Planos de Manejo.

O desmatamento crescente no entorno do território, o uso intensivo de agrotóxicos “secantes” nas lavouras de soja e milho e o secamento de nascentes e diminuição das águas fluviais tornaram a floresta mais seca e vulnerável ao fogo.

Antes, o fogo era mais brando, queimava lentamente uma pequena área e apagava naturalmente ao anoitecer ou ao encontrar uma porção de mata mais úmida. Agora, o fogo está “bravo” e avança descontroladamente sobre a floresta, degradando imensas áreas de mata. A floresta degradada pelo fogo se torna mais seca e mais suscetível à incêndios no ano seguinte, gerando um ciclo perverso de savanização da floresta amazônica. 

Recursos estratégicos para a construção de casas, confecção de utensílios e artesanatos, coleta de frutas e plantas medicinais são destruídos, gerando prejuízos para as aldeias.

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Gráfico de área queimada no TIX ano a ano, com dados do Mapbiomas – Coleção 10. Foto: Ricardo Abad

“Este ano de 2026 será extremamente desafiador. O Xingu se prepara para um El Niño de seca intensa e altas temperaturas. O ISA seguirá junto com os povos do Xingu e suas instituições representativas, como a Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX) e o Instituto Aritana, monitorando, avaliando e colaborando com o manejo do fogo e combate aos incêndios, ao lado dos agentes públicos do PrevFogo”, afirma Ivã Bocchini, coordenador-adjunto do programa Xingu do ISA.

A atuação do PrevFogo no Território Indígena do Xingu se caracteriza por duas estratégias fundamentais: ações de manejo e ações de combate. As primeiras, orientadas pelo Plano Nacional de Manejo Integrado do Fogo, ocorrem no período de maio a julho, quando a chuva diminui, mas a mata ainda está úmida, momento ideal para realizar queimas controladas, onde o fogo é tecnologia ancestral de manejo e conservação da floresta. s ações de combate a incêndios se estendem de agosto a outubro, no auge da estiagem, quando qualquer fogo precisa ser rapidamente detectado e apagado.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Socioambiental

Com acervo de 20 mil itens, Arquivo do Museu Goeldi apresenta pesquisas em coleções documentais

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Foto: Daniel Magno/ MPEG

Com um acervo de mais de 20 mil documentos, o Arquivo Guilherme de La Penha, mantido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), aderiu à 10ª Semana Nacional de Arquivos, entre 8 e 12 de junho. Para marcar a data, será realizada a mesa-redonda “Novos olhares sobre os arquivos: gênero, raça e etnia”, nesta terça-feira (9), das 9h às 12h, no Auditório Paulo Cavalcante, no Campus de Pesquisa do MPEG, em Belém (PA).

O evento se conecta com o tema proposto pelo Arquivo Nacional, “Arquivos, democracia e justiça social”, e traz temáticas atuais relacionadas a pesquisas em coleções documentais, como a mantida pelo Museu Goeldi.  

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O Arquivo Guilherme de La Penha integra a estrutura do Serviço de Arquivo e Memória (Searm), vinculado à Coordenação de Comunicação e Extensão (Cocex) e chefiado pela jornalista e doutora em museologia Lílian Bayma de Amorim. Ela será uma das participantes da mesa-redonda junto aos pesquisadores Nelson Sanjad, Márcio Couto Henrique, Iane Maria Batista, Cássia Moraes e Emílio Ribeiro, vinculados ao Museu Goeldi e à Universidade Federal do Pará (UFPA).

“A semana é um evento promovido pelo Arquivo Nacional, ao qual o Museu Goeldi aderiu, cadastrando como evento, este ano, a mesa-redonda. Nossa proposta é dar um enfoque maior na divulgação de pesquisas sobre esse olhar do arquivo como um lugar de pesquisa histórica relacionada a gênero, raça e etnia”, disse Lilian Bayma.

Não haverá inscrição prévia para o evento. O acesso é liberado a qualquer pessoa interessada, bastando que se identifique na portaria do Campus, apresentando documento de identificação.

Democratizando o acervo

Em relação à aderência da atividade e do cotidiano do Arquivo Guilherme de La Penha ao tema nacional, Lilian Bayma ressalta o caráter democrático do setor, que está acessível para consultas da população, sendo mantidos os cuidados necessários para a conservação do acervo. “Está aberto a estudantes de nível médio, universitários e demais pesquisadores que queiram fazer pesquisa na região amazônica. Nós temos um acervo enorme sobre trabalhos desenvolvidos na região e fazemos essa abertura para toda a sociedade”, disse.

Lilia Bayma consulta um dos 1420 negativos de vidro da coleção fotográfica. Foto: Daniel Magno/MPEG

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Nelson Sanjad, curador das coleções documentais históricas do Museu Goeldi, ressalta que a política de acesso da instituição também inclui a visibilidade a coleções pouco conhecidas:

“Temos, atualmente, uma política bem definida no sentido de adquirir, conservar e incentivar pesquisas em coleções documentais relacionadas a povos indígenas, populações tradicionais e mulheres. Estamos, por exemplo, organizando coleções especiais relacionadas a uma pioneira da ciência amazônica, Emília Snethlage, e a um dos poucos indígenas que deixaram um arquivo pessoal, o Sabino Munduruku”.

Na Brasiliana Fotográfica

Ainda em relação à democratização do arquivo do Museu Goeldi, Lilian lembra que parte do acervo fotográfico já está na Brasiliana Fotográfica, ao alcance de qualquer pessoa que tenha acesso à internet.

A instituição de pesquisa foi a 15ª a aderir à plataforma, no final do ano passado, sendo a primeira da Amazônia a manter acervo nesse ambiente digital. No início deste ano, foi lançado um álbum sobre a cidade de Belém (em comemoração ao aniversário da cidade).

Logo depois, foi divulgada, dentro da série “Feministas, graças a Deus”, o álbum sobre Emília Snethlage, ex-diretora do Museu Goeldi, acompanhado do artigo Uma alemã que amava a Amazônia, do historiador Nelson Sanjad. 

Consulta presencial

Quem desejar pesquisar no acervo do Arquivo Guilherme de La Penha deve solicitar o agendamento da visita direto no Searm, por meio do e-mail arquivo@museu-goeldi.br. A pessoa deve dar informações básicas sobre o que deseja pesquisar, como tema, período, tipo de documentação.

O Searm faz uma busca no acervo e, caso exista o material solicitado, faz o agendamento da consulta presencial. De acordo com a chefe do setor, Lilian Bayma, há um esforço para digitalizar documentos, de maneira a torná-los mais acessíveis e também para garantir a preservação do acervo. “Em casos específicos, como quando a solicitação é de pesquisadores do exterior, digitalizamos o documento e enviamos”, disse. 

Um dos 1420 negativos em vidro que integra o acervo do Arquivo Guilherme de La Penha. Foto: Daniel Magno/MPEG

Fragmentos de uma memória de quase 160 anos

Pela capacidade de reunir diferentes materiais e temas, o acervo tem sido fonte para diversas pesquisas científicas, jornalísticas e educativas. O acervo de mais de 20 mil itens – entre documentos institucionais, cartas e imagens reproduzidas em papel, fototipias, diapositivos (slides), contatos e fotos digitais, em negativos de vidro e flexíveis – guarda fragmentos de uma história de quase 160 anos do Museu Goeldi, criado em 1866. Além disso, o acervo extrapola o caráter institucional, reunindo uma memória do processo de institucionalização da ciência na Amazônia, suas cidades, paisagens e habitantes. 

O servidor técnico Pablo Borges, formado em administração com especialização na área arquivística, é uma das pessoas que trabalham no arquivo. Ele explica que o Arquivo Guilherme de La Penha exerce a função de um arquivo central dentro da instituição, responsável pela implementação da gestão documental no MPEG (arquivos corrente e intermediário – documentos institucionais em uso), além de guardar o arquivo permanente (a coleção histórica).

Mas nem sempre foi assim. Pablo Borges lembra que o arquivo, durante os primeiros anos da instituição, era um local de apoio à administração que fazia a guarda dos documentos administrativos. A documentação tem sido guardada desde os anos 1890, mas só veio a receber um tratamento arquivístico na década de 1980. Foi nesse momento que, segundo o técnico, o então diretor Guilherme de La Penha começa a estruturar o espaço como uma unidade de documentação que passa a, além de dar um apoio à administração, servir como apoio à pesquisa científica.

Além de servidores capacitados no campo arquivístico, o setor ganha um novo status, passando a ser um departamento no organograma da instituição e não mais apenas uma sala que guarda documentos administrativos (arquivo corrente). Pela quantidade de registros históricos mantidos durante décadas, nota-se que havia um trabalho de documentar a memória da instituição. No entanto, a preocupação com a preservação dessa memória nos moldes atuais se manifestou a partir da gestão de Guilherme de La Penha e, por isso, o arquivo recebeu o seu nome.

No caso da coleção fotográfica, Pablo informa que ela ganhou destaque com a chegada de Emílio Goeldi ao museu.  “Algumas fotografias foram tiradas pelo próprio Goeldi, outras por Jacques Huber. Em 1897, Goeldi contrata um profissional da área, o fotógrafo alemão Ernst Lohse. Então, a partir daí, há vários registros fotográficos, tanto do entorno da cidade, quanto das atividades que eram desenvolvidas no Museu. Hoje, parte desses registros estão salvaguardados aqui no arquivo, e compõe a coleção fotográfica”, disse.

De acordo com o servidor do Arquivo, a coleção fotográfica inclui 1.420 negativos em vidro, que era a tecnologia usada entre final do século XIX e meados do século XX. Eles tratam de diversos temas.

“Nós temos registros da cidade de Belém, registros das coleções científicas, do Parque Zoobotânico, em diversas ocasiões, entre outros. Hoje o Arquivo Guilherme de La Penha, é um dos serviços do Museu Goeldi que salvaguarda uma das coleções científicas da instituição, que são as coleções históricas documentais. Além da gestão de toda a documentação institucional, nós temos o compromisso de preservar essa documentação e de trabalhar na divulgação desse acervo”, ressaltou.

*Com informações do Museu Paraense Emilio Goeldi