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Eleições 2026: qual o papel da Amazônia nos planos de governo dos candidatos à presidência?

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Floresta amazônica. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A população brasileira vai às urnas, no dia 4 de outubro, para o primeiro turno das Eleições 2026. Os brasileiros irão votar para eleger quem será os próximos representantes nos cargos de presidente, senador, deputado federal e estadual. Além do voto, que é o principal instrumento da democracia, os planos de governo são fundamentais para que o eleitor conheça as propostas dos candidatos e tome a decisão de escolher quem ficará no mandato nos próximos anos.

Os planos de governo são documentos obrigatórios que os candidatos ao Poder Executivo (presidente, governador e prefeito) detalham suas ideias e propostas para a administração pública, além de permitirem que os cidadãos possam fiscalizar e cobrar os compromissos assumidos durante a campanha dos candidatos.

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O Portal Amazônia analisou os planos de governo dos candidatos à Presidência da República e filtrou as propostas dos presidenciáveis com foco para a realidade amazônica. O levantamento teve como base os documentos disponibilizados pelas 13 candidaturas aptas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Romeu Zema, Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Leonardo Avalanche, Rui Costa Pimenta, Samara Martins e Veterinário Wilson Grassi.

Amazonia está presente em quase todos os planos de governo  dos candidatos à presidência
Foto: Fabio Nascimento/Greenpeace

Leia também: Eleições 2026: novas regras incentivam participação dos povos indígenas no pleito

Amazônia nos planos de governo dos candidatos

Lula (PT)

Foto Oficial do Presidente Lula

Atual presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), destacou em seu plano de governo alguns resultados conquistados pela atual gestão em relação à Amazônia como a redução do desmatamento e a recuperação e restauração florestal do bioma, além das propostas para o próximo mandato, caso seja reeleito.

Na segurança pública, o governo Lula promete o fortalecimento das ações de segurança na Amazônia Legal, a manutenção das Forças Armadas presentes nas fronteiras amazônicas e na Pan-Amazônia, com patrulhamento fluvial e aéreo, inteligência policial e ambiental e a cooperação com os países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

As fronteiras, a Amazônia Legal e a Amazônia Azul continuarão em vigilância territorial constante, assim como os recursos naturais e o combate ao crime organizado transnacional. As regiões de fronteiras serão tratadas como espaços estratégicos de integração e desenvolvimento, com maior presença do Estado, infraestrutura, serviços públicos e cooperação com os países vizinhos, segundo a proposta.

Lula pretende fortalecer a pesquisa e o desenvolvimento de insumos farmacêuticos ativos (IFAS) a partir da biodiversidade brasileira, com potencial da Amazônia e a expansão das políticas públicas para estimular as atividades industriais, farmacêuticas, alimentares, de construção civil e da cosmética derivadas da biodiversidade e o reforço da política de regularização fundiária.

O Fundo Amazônia seguirá garantindo recursos para projetos de desenvolvimento sustentável.

Na saúde, o plano propõe o fortalecimento do Samu para atuação integrada com a Rede Alyne, as casas de gestantes próximas às maternidades, ambulância perinatal e enfermeiras obstétricas na Amazônia Legal.

Na política externa, o plano sugere a consolidação da Amazônia como eixo estratégico da integração regional com o fortalecimento da atuação da OTCA na bioeconomia, na ciência, no financiamento verde e no combate coordenado aos ilícitos transnacionais.

Confira, na íntegra, o Plano de Governo do candidato Luiz Inácio Lula da Silva:

Flávio Bolsonaro (PL)

O candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência, Flavio Bolsonaro, afirma em seu plano de Governo que a Amazônia é considerada uma área estratégica para o Brasil e o mundo, e que o foco das propostas visa a preservação do bioma através do fortalecimento da fiscalização ambiental, com prioridade para as áreas de maior pressão de desmatamento e queimadas, usando inteligência, satélite e atuação coordenada dos órgãos federais para identificar as áreas críticas com mais rapidez.

O programa também propõe a ampliação da cooperação com os países vizinhos contra os crimes ambientais transfronteiriços e o reforço no combate às organizações criminosas envolvidas em desmatamento, extração ilegal de madeira, garimpo ilegal e ocupação irregular de terras públicas.

O plano sugere o desenvolvimento da região Norte através da ampliação das alternativas de renda a partir da floresta preservada, apoiando cadeias produtivas sustentáveis, manejo responsável, bioeconomia e agregação de valor aos produtos da biodiversidade. Os povos indígenas e as comunidades quilombolas terão autonomia para decidir sobre as atividades produtivas em suas terras, e o morador da floresta, o ribeirinho e o extrativista serão tratados como parceiros do desenvolvimento, não como obstáculo, segundo descrito na proposta.

O mercado regulador de carbono com segurança jurídica, criação de mecanismos de incentivo econômico à preservação, a remuneração de produtores, comunidades e proprietários rurais que conservam a vegetação nativa também estão entre as metas do candidato.

Ainda sobre o meio ambiente, o plano de Governo também prevê zerar o desmatamento ilegal até 2029 e fiscalização aos crimes ambientais com o uso de inteligência artificial, ação coordenada das agências do Estado e aprimoramento dos sistemas e bases de dados já existentes.

Confira, na íntegra, o Plano de Governo do candidato Flávio Bolsonaro:

Escritor Augusto Cury (Avante)

O candidato Augusto Cury, do Avante, cita, em seu programa de governo, que o Brasil terá papel central nas negociações globais sobre clima e meio ambiente, defendendo um modelo de desenvolvimento sustentável que reconheça a importância da Amazônia e da biodiversidade como ativos estratégicos do país.

O plano também prevê a preservação integral dos regimes constitucionalmente assegurados à Zona Franca de Manaus (ZFM) às Áreas de Livre Comércio, garantindo previsibilidade aos investimentos já realizados na Amazônia.

Outra proposta voltada para região é a implementação de programas específicos para impulsionar o desenvolvimento na região amazônica, como o Programa Amazônia Viva com investimentos em infraestrutura, educação, tecnologia e geração de empregos.

Confira, na íntegra, o Plano de Governo do candidato Escritor Augusto Cury:

Ronaldo Caiado (PSD)

Em seu plano de governo, o candidato do Partido Social Democrático (PSD), Ronaldo Caiado, também sugere uma lista de propostas voltadas para a Amazônia. A primeira é a retomada da região e o fortalecimento das fronteiras, portos e aeroportos, através da implantação do Comando Nacional de Proteção de Fronteiras e Corredores Logísticos, reunindo Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, forças estaduais, órgãos ambientais e autoridades portuárias e aeroportuárias na defesa permanente das fronteiras brasileiras.

E a recuperação do controle territorial da Amazônia Legal pelo Estado brasileiro, e, de forma complementar, no apoio aos estados e do Distrito Federal (DF) em ações de reintegração de territórios ao Estado brasileiro.

A criação de zonas prioritárias de recuperação da soberania, a exemplo da Amazônia, visa a presença permanente do Estado após a retomada dos territórios, para assegurar o combate permanente ao tráfico de drogas e armas, ao garimpo ilegal, à grilagem, aos crimes ambientais, ao tráfico humano e à exploração sexual. Outra medida é a implantação de Centros Integrados de Comando e Controle nas regiões críticas do arco amazônico, da fronteira Oeste, da tríplice fronteira, do litoral e dos principais portos.

O programa de governo de Caiado também propõe: levar fibra e backhaul (ligação de alta capacidade entre as redes de acesso locais – como torres de celular ou roteadores Wi-Fi – e a rede central da operadora ou a internet) ao interior e à Amazônia, acelerar infovias, estimular satélites de observação, comunicações e defesa, consolidar Alcântara como espaçoporto e assegurar redundância de navegação e posicionamento sobre o território, a Amazônia Azul e a América do Sul.

Fortalecer a presença na Amazônia e nas fronteiras, reforçar os sistemas de vigilância como o controle do espaço aéreo, comunicação e mobilidade terrestre, aérea e fluvial; integrar Forças Armadas como inteligência, Polícias Federal, Rodoviária Federal, forças estaduais e órgãos de fiscalização em operações contra narcotráfico, tráfico de armas, garimpo ilegal, extração clandestina de madeira e organizações criminosas.

Ainda na região, Caiado pretende reconhecer a Amazônia Azul como estratégia nacional de longo prazo para proteção e aproveitamento científico, econômico e sustentável das águas sob jurisdição brasileira, ampliar a cooperação com o SUS, estados, municípios e universidades para alcançar comunidades indígenas, ribeirinhas e remotas; implantar sistema nacional integrado de risco, brigadas, manejo do fogo, equipamentos, alertas e responsabilização; e apoio aos estados, municípios, propriedades rurais e comunidades com prioridade a unidades de conservação da Amazônia.

O plano prevê, ainda, a adoção de políticas específicas para Amazônia, a regularização de unidades de manejo, ampliação de corredores, pesquisa, turismo e participação de comunidades, com financiamento estável e metas. Caiado também objetiva implantar uma Plataforma Integrada de Governança Fundiária da Amazônia, reunindo registros imobiliários, cadastros rurais e ambientais, georreferenciamento, terras públicas, assentamentos, unidades de conservação, terras indígenas e decisões judiciais.

Na saúde, Ronaldo indica a estruturação da atenção primária fluvial e itinerante, telemedicina, transporte sanitário aéreo e fluvial, diagnóstico remoto, redes de referência e provimento de profissionais. Integrar saúde indígena e ribeirinha, ampliar a cooperação logística com as Forças Armadas, universidades, estados e municípios para alcançar comunidades isoladas também estão entre as propostas.

Confira, na íntegra, o Plano de Governo do candidato Ronaldo Caiado:

Renan Santos (Missão)

Candidato do Missão, Renan Santos propõe um conjunto integrado de medidas de combate ao tráfico e ao crime de rua. Entre as sugestões estão a reconquista do controle estatal sobre portos, aeroportos e fronteiras secas com scanners tridimensionais e inteligência integrada; a implementação de sistemas de monitoramento aéreo, espacial e amazônico; e rigoroso mecanismos de asfixia financeira que cortam o oxigênio econômico das facções.

Outra medida do Governo Renan será a reavaliação da divisão político-administrativa de alguns territórios brasileiros.

Segundo o candidato, “territórios desproporcionais à capacidade administrativa do ente (como Altamira, no Pará, com 159 mil quilômetros quadrados, ou Barcelos, no Amazonas, ambos maiores que vários estados brasileiros) serão reavaliados quanto à racionalidade da divisão político-administrativa”.

O tema energia também terá uma proposta de governo voltada para a Amazônia, que é a exploração do hidrogênio verde com abertura para a bacia amazônica.

Confira, na íntegra, o Plano de Governo do candidato Renan Santos:

Zema (Novo)

Candidato do partido Novo, Romeu Zema terá o combate à mineração ilegal como política de segurança pública em seu governo, com intuito de integrar forças policiais e órgãos de fiscalização para proteger comunidades da Amazônia a reputação da mineração brasileira no exterior.

O plano também prevê recuperar o protagonismo do Brasil na América do Sul, através da retomada de parcerias estratégicas com os países da Mercosul, principalmente àqueles da Amazônia Internacional.

Outro ponto sugerido é o fortalecimento da cooperação entre os países da bacia amazônica para que o Brasil volte a liderar as agendas do meio ambiente e a ampliação do Estado brasileiro nos postos de fronteiras e na Amazônia.

Confira, na íntegra, o Plano de Governo do candidato Romeu Zema:

Clariana Barão (DC)

Em seu plano de governo, a candidata do Democracia Cristã (DC) Clariana Barão não cita nenhuma proposta específica voltada à Amazônia.

Confira, na íntegra, o Plano de Governo da candidata Clariana Barão:

Edmilson Costa (PCB)

O candidato do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Edmilson Costa, na seção sobre meio ambiente, cita que sua gestão focará no combate rigoroso do desmatamento em todos os ecossistemas, incluindo a região amazônica, no intuito de garantir plena proteção aos povos originários.

A defesa dos recursos naturais da biodiversidade e a construção de uma empresa pública para gerir e produzir de forma sustentável bens e serviços ambientais também é outra proposta do governo Edmilson Costa, caso seja eleito.

Confira, na íntegra, o Plano de Governo do candidato Edmilson Costa:

Hertz Dias (PSTU)

Em seu plano de governo, o candidato do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Hertz Dias, propõe que a questão ambiental será uma de suas principais bandeiras na gestão.

No caso da Amazônia, o candidato afirma que defenderá, caso eleito, a não privatização dos rios da Amazônia, a não exploração do petróleo na Margem Equatorial, a reparação e demarcação imediata das terras indígenas, titulação dos territórios quilombolas e proteção das comunidades tradicionais.

Confira, na íntegra, o Plano de Governo do candidato Hertz Dias:

Leonardo Avalanche (PRTB)

Candidato pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Leonardo Avalanche propõe, em seu plano de governo, a preservação da Amazônia para fins de pesquisa e desenvolvimento, a região como fonte rica para o agronegócio e reforço para a segurança pública em suas fronteiras.

Em suas propostas, o presidenciável incentiva que o Brasil pode desenvolver, produzir e exportar suas próprias vacinas e medicamentos, tendo o Amazonas como um dos principais polos de ciência e tecnologia devido a sua biodiversidade.

Outra sugestão são os investimentos para que o Brasil deixe de ser dependente de fertilizante, já que o país é hoje o maior importador do produto no mundo. Leonardo exemplificou o município de Autazes, no Amazonas, que possui uma reserva estimada de 225 milhões de toneladas de potássio e afirmou que sua gestão “vai investir pesado” na exploração dos minerais em território brasileiro.

Na área da segurança, o candidato propõe a instalação de rede de drones de vigilância cobrindo a Amazônia inteira, monitorando em tempo real desmatamento ilegal, garimpo clandestino, contaminação de rio e qualquer exploração estrangeira irregular de água, madeira e da biodiversidade. Além disso, o governo terá o aumento real e substancial do orçamento de defesa, equipamento moderno para as Forças Armadas e outras iniciativas para a segurança nacional.

Confira, na íntegra, o Plano de Governo do candidato Leonardo Avalanche:

Rui Costa Pimenta (PCO)

Em sua proposta de Governo, o candidato do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pinto, cita a não internacionalização da Amazônia e a toda política de ingerência na região, a defesa da soberania nacional, em especial com o controle das organizações populares e indígenas sobre as riquezas do território amazônico e da exploração em benefício do povo.

Confira, na íntegra, o Plano de Governo do candidato Rui Costa Pimenta:

Samara Martins (UP)

Em seu programa de governo, a candidata do Unidade Popular (UP) Samara Martins pretende realizar um programa de transição de matrizes energéticas e de extração de matérias-primas que respeite a conservação da natureza e evite catástrofes ambientais, desmatamento ilegal, garimpo, grilagem, contaminação por mercúrio e crimes ambientais de grandes empresas nos principais ecossistemas do Brasil, incluindo a Amazônia.

A gestão de Samara também prevê que, assim como a Amazônia, que o Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa tenha suas políticas próprias e a participação das populações que nela vivem, além de garantir que as decisões sobre terras, florestas, rios e riquezas minerais sejam submetidas ao interesse público e à participação das populações amazônicas e dos demais biomas.

A criação de frentes emergenciais de trabalho ambiental para recuperação e reflorestamento ambiental, proteção de nascentes, prevenção de incêndios, manejo de resíduos e adaptação urbana; a demarcação e posse imediata de todas as terras indígenas e quilombolas; escolas indígenas diferenciadas; o incentivo e apoio ao aprendizado das línguas indígenas e a defesa da cultura e direitos dos povos originários e tradicionais também estão entre as propostas da candidata.

Confira, na íntegra, o Plano de Governo da candidata Samara Martins:

Veterinário Wilson Grassi (Democrata)

Em seu plano de governo, o candidato do Democrata, Veterinário Wilson Grassi, possui propostas relacionadas à Amazônia como a permanência de bases policiais em trechos críticos das fronteiras brasileiras, a conclusão e ampliação do sistema integrado de monitoramento de fronteiras, o patrulhamento fluvial e aéreo permanente na Amazônia e Amazônia Azul e a cooperação operacional com os países vizinhos para fortalecimento da segurança nacional.

Confira, na íntegra, o Plano de Governo do candidato Veterinário Wilson Grassi:

Eleições 2026: cinco curiosidades sobre o processo eleitoral na Amazônia Legal

Foto: Divulgação/Roberto Jayme-TSE

A população brasileira vai às urnas no dia 4 de outubro para eleger seis representantes dos Poderes Executivo e Legislativo no primeiro turno das Eleições 2026. Mais de 158 milhões de eleitores e eleitoras, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estarão aptos a participarem do processo eleitoral para escolher os novos deputados federais e estaduais, senadores, governadores e o presidência do País.

Na Amazônia Legal, quase 21 milhões de brasileiros que moram nos estados que abrangem a região – Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins -, irão exercer o direito do voto em meio a diversas particularidades regionais que vão desde questões logísticas até locais com horários diferentes de votação.

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O Portal Amazônia procurou curiosidades sobre o processo eleitoral na região amazônica. Os dados foram extraídos dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de cada estado.

A viagem das urnas eletrônicas pelos rios amazônicos

“Na Amazônia, os rios são as nossas estradas”. No embalo da famosa frase regional, o direito ao voto navega pelos longos trajetos dos rios amazônicos para levar cidadania às comunidades remotas da região Norte. Em anos de eleição, a logística fluvial é a principal via de locomoção das urnas eletrônicas para locais de votação onde o acesso terrestre é bastante limitado ou até mesmo inexistente.

No Amazonas, por exemplo, aproximadamente 4 mil seções eleitorais dependem exclusivamente da navegação para receber os materiais necessários para a realização das eleições. A distância é outro desafio: para chegar em Tabatinga, no extremo oeste do estado, é necessário enfrentar 1,5 quilômetro de rios em viagens que podem durar até uma semana.

Leia também: Eleições 2026: qual o papel da Amazônia nos planos de governo dos candidatos à presidência?

Eleições 2026: urnas sendo embarcadas para viagem em rios amazonicos
Nas eleições, o transporte fluvial é o principal meio para garantir o direito ao voto em regiões de difícil acesso na Amazônia Legal. Foto: Junior Souza/TRE AM

Outro exemplo é no Pará, que conta com 22.072 seções eleitorais, sendo 1.691 consideradas ribeirinhas e, dessas, 622 só podem ser acessadas por via fluvial.

Além das urnas, cabines de votação, baterias, cabos, sacolas, cadernos e demais itens são transportados em embarcações, em operações logísticas que demandam planejamento, equipe de profissionais técnicos e de todo um aparato de segurança para garantir a proteção dos equipamento.

Horários diferenciados de votação

O horário de votação eleitoral é unificado em todo o país e tem como referência a hora oficial do Brasília, no entanto, alguns municípios do Amazonas e o estado do Acre possuem horários de abertura e encerramento das urnas diferentes conforme o fuso horário de cada município.

Portanto, o eleitorado dessas regiões precisam se atentar aos horários locais e se planejar para o dia da eleições, tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições gerais.

6h às 15h

Diferentemente do restante do país, o estado do Acre possui um horário diferenciado por ter duas horas a menos do que a de Brasília. No estado, a votação começa mais cedo, das 6h às 15h, horário local.

Já no Amazonas, onze municípios localizados no sul do estado, seguem o mesmo fuso horário do território acreano: Amaturá, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Eirunepé, Envira, Guajará, Ipixuna, Itamarati, Jutaí, São Paulo de Olivença e Tabatinga.

rio braco no acre - projeto cultural
Rio Branco, capital do Acre, e mais 11 municípios do Amazonas iniciam votação mais cedo devido ao fuso horário. Foto: Reprodução/Prefeitura de Rio Branco

7h às 16h

Com uma hora a menos em relação ao horário oficial de Brasília, os estados do Amazonas (com exceção das cidades citadas acima), Mato Grosso, Rondônia e Roraima seguem esta faixa de horário eleitoral.

8h às 17h

Seguindo a hora oficial de Brasília estão os estados do Maranhão, Amapá, Pará e Tocantins.

Norte lidera número de eleitores indígenas

Entre os estados da Amazônia Legal, o Amazonas é o principal colégio eleitoral indígena do Brasil. O estado possui 73.580 eleitores indígenas aptos a votar, segundo o TSE, aumento de 36 mil em relação à última eleição de 2024. O número representa 25,6% de todo o eleitorado indígena brasileiro e 53,7% dos eleitores na região Norte.

Além do Amazonas, Pará e Roraima também registraram crescimento no número de eleitores indígenas aptos a participaram das eleições deste ano.

Para garantir o direito de voto aos eleitores indígenas, ações como a disponibilização de veículos, embarcações e apoio com combustível são algumas das medidas oferecidas pelos estados para facilitar o deslocamento para o exercício do processo democrático.

Número de indígenas eleitores aptos cresceu na Amazônia Legal, em especial ao Amazonas que lidera como o estado com maior representatividade. Foto: Divulgação/Anaind-Org

Tecnologia a favor das eleições

Antenas Starlink ajudarão na transmissão de resultados nas eleições 2026. Foto: Divulgação/TRE-RR

Para driblar as dificuldades de conectividade em locais remotos e agilizar o processo de totalização dos votos, alguns estados da Amazônia Legal contarão com o apoio de antenas Starlink para transmissão dos resultados.

No Acre, 91 antenas terão a capacidade de ampliar a transmissão de arquivos em locais de difícil acesso, enquanto no Maranhão 66 pontos de votação localizados em 22 cidades terão os boletins de urna transmitidos via satélite.

A transmissão dos resultados será feita diretamente dos Postos Avançados de Transmissão (PATs), estruturas que servirão para que os equipamentos enviem os dados com segurança e agilidade, contribuindo assim, para o processo de totalização dos votos nas eleições deste ano.

Durante a operação, pessoas técnicas responsáveis terão uma antena Starlink Mini e um notebook para possibilitar o estabelecimento da conexão necessária para a transmissão dos resultados. 

Após o encerramento da votação e a emissão dos resultados pela urna eletrônica, as informações serão encaminhadas por meio dessa estrutura diretamente para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pela totalização dos votos.

Crescimento de eleitores x Menores colégios eleitorais

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados em julho deste ano apontaram que a região Norte foi a que mais cresceu proporcionalmente em número de eleitores aptos, em relação as outras partes do país. O eleitorado passou de 12.560.410 pessoas, em 2022, para 13.109.354 eleitores e eleitoras, um aumento de 4,37%.

No entanto, apesar do crescimento, três estados da Amazônia Legal apresentam os menores colégios eleitorais do Brasil: Acre (614 mil), Amapá (577 mil) e Roraima (401 mil). Somados, as unidades federativas representam cerca de 1% do eleitorado brasileiro.

Dados aponta que estados da Região Norte tiveram aumento no eleitorado aptos para as eleições deste ano. Foto: Divugalção/TSE

Moda afro-amazônica faz parte de projeto que busca transformar vida de mulheres no Amapá

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Foto: Divulgação/Sebrae

Uma sacola de retalhos, um banco de praça e uma mulher tentando construir o próprio caminho. Rejane Soares começou assim a trajetória da marca de moda afro-amazônica que nasceu no Amapá e, com o tempo, tornou-se também instrumento de transformação coletiva. Ela fundou, em 2013, o Instituto Zwanga Impacto Social, que atua na qualificação e no fortalecimento de mulheres pretas, pardas e periféricas, inclusive em comunidades quilombolas e ribeirinhas da Amazônia.

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A metodologia parte de uma escolha importante: não esperar que essas mulheres se desloquem até os centros urbanos para encontrar oportunidades. É a equipe que entra nos territórios para oferecer formações em atividades como corte e costura, tranças, maquiagem, biojoias e outros ofícios capazes de se transformar em fonte de renda.

Ao final, as participantes expõem e comercializam o que produziram dentro da própria comunidade e recebem ferramentas para começar a trabalhar. “Não somos mais um certificado que vai ficar empoeirado na gaveta”, afirma Rejane. “Elas recebem ferramentas para trabalhar e isso garante a continuidade do que aprenderam”.

Com uma metodologia já estruturada e parcerias construídas com diferentes organizações, o Instituto buscou no Sebrae um aliado local para ampliar e fortalecer sua atuação no Amapá. Desde então, segundo Rejane, a instituição tem acolhido projetos, contribuído para aprimorá-los e apontado novos caminhos para um modelo que combina negócio, impacto social e enfrentamento das desigualdades raciais.

Moda afro-amazônica faz parte de projeto que busca transformar vida de mulheres no Amapá
Foto: Divulgação/Sebrae

Leia também: Moda que vem da floresta: conheça marcas autorais com criações inspiradas na Amazônia

Mulheres dão apoio umas as outras

A vocação para atuar em rede, conta ela, veio de muito antes: Rejane é a segunda filha de uma família formada por seis mulheres negras, contando com a mãe, e cresceu vendo umas cuidarem das outras. Quando começou a vender suas criações, percebeu que outras mulheres enfrentavam as mesmas dificuldades para encontrar espaço e chegar ao mercado. “Venho dessa relação de afeto feminino coletivo. Sempre observei como estavam as outras que vinham do mesmo cenário de escassez que eu e como poderia somar com o crescimento delas”, conta.

É quando a renda começa a circular dentro das próprias comunidades, porém, que Rejane enxerga com mais clareza o alcance dessa rede. Uma mulher aprende um ofício, recebe ferramentas, conquista clientes e passa a comprar, vender e contratar perto de casa, fazendo o recurso permanecer no território e abrindo caminho para outras.

“Isso é economia preta periférica. Isso é dinheiro na mão das mulheres negras”, afirma Rejane. “É uma revolução silenciosa e necessária”, completa.

O impacto começa a aparecer antes mesmo de os cursos terminarem. Enquanto mães, filhas, tias e amigas espalham pela vizinhança a notícia das novas profissionais em formação, potenciais clientes passam a descobrir que já não precisam sair da comunidade para contratar uma costureira, maquiadora ou trancista. Segundo Rejane, cerca de 70% das mais de 360 mulheres qualificadas conseguiram abrir seus próprios negócios, resultado acompanhado pelo Instituto por meio de uma rede que permanece ativa após as formações.

Os sinais dessa mudança chegam em mensagens: uma comprou uma geladeira com o próprio dinheiro; outra passou a trabalhar com costura no Carnaval; há quem tenha começado a pagar o cursinho dos filhos, voltado para a faculdade ou conquistado condições financeiras para deixar uma relação abusiva.

Leia também: Estilista do povo Piratapuya, Sioduhi leva futurismo indígena amazônico para as passarelas

Para Rejane, gerar renda é apenas uma parte desse processo. A formação também passa pelo resgate da identidade e da autoestima de mulheres que convivem com barreiras impostas pelo racismo, pelas desigualdades territoriais, pela falta de acesso a oportunidades e, em alguns casos, pela violência doméstica. Na Zwanga, referências estéticas e culturais negras e amazônicas tornam-se parte da construção dos negócios.

Foto: Divulgação/Sebrae

“Quando você entende que faz parte de uma herança ancestral rica, passa a entender que muito do que é nosso também pode fazer parte do nosso negócio”, afirma. Para ela, recuperar o orgulho do cabelo, do corpo e das próprias referências culturais também têm dimensão econômica. “Autoestima e identidade resgatadas são gente preta sendo parte real da economia”.

Compre do Pequeno

Os pequenos negócios brasileiros são a grande força da economia brasileira. Com mais de 24,19 milhões de CNPJs – o que representa mais de 96% das empresas ativas -, o setor é responsável por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB). São mais de 13,5 milhões de microempreendedores individuais (MEI), 8,8 milhões de microempresas (ME) e 1,8 milhão de empresas de pequeno porte (EPP) atuando em todo o território nacional.

A força desse segmento é celebrada de forma especial em 5 de outubro, no Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa. Em comemoração à data, o Sebrae promove a campanha Compre do Pequeno, para valorizar o papel que esses empreendedores desempenham nas vidas das pessoas e de suas localidades.

Somente em 2026, o Brasil já registrou a abertura de mais de 4 milhões de novos pequenos negócios. A contribuição para a economia também se dá pela geração de empregos: em média, 80% dos empregos gerados estão no setor. Ao decidir comprar em um pequeno negócio, o consumidor contribui para a circulação de dinheiro dentro da própria comunidade, a geração de mais vagas de trabalho e o desenvolvimento da economia local.

*Com informações da Agência Sebrae

Brasil amplia Margem Equatorial com base em decisão da ONU; entenda

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Foto: Divulgação/Petrobras

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou que a Margem Equatorial, tida como promissora nova fronteira de produção de petróleo, ganhou mais 11 setores exploratórios, que somam 380 mil quilômetros quadrados (km²). A inclusão é baseada em uma decisão da Organização das Nações Unidas (ONU), que ampliou a plataforma continental brasileira.

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A decisão foi aprovada nesta sexta-feira (2) pela diretoria da ANP, agência reguladora da indústria do petróleo e vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

Os 11 novos setores incluem 501 blocos de exploração. Essa nova área é equivalente ao tamanho de um estado como o Mato Grosso do Sul (357 mil km²) ou a um país como a Alemanha.

Os novos setores foram classificados pela ANP como Nova Fronteira Exploratória.

Leia também: Petrobras faz nova descoberta de petróleo em poço na costa do Amapá

Plataforma continental

A plataforma continental compreende o leito e o subsolo das áreas submarinas, que se estendem além do mar territorial. Nessa área, o país exerce soberania para efeitos de exploração dos recursos naturais. 

Em 2025, um pleito do Estado brasileiro coordenado pela Marinha, o Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira, foi reconhecido pela Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU, e o país ampliou a extensão da plataforma brasileira.

Com base nessa decisão, a ANP pôde incluir os setores exploratórios na nova fronteira da Margem Equatorial.

Margem Equatorial

Tida como “novo pré-sal”, a Margem Equatorial tem atraído interesse de petroleiras e do governo brasileiro por causa do potencial promissor para produção de petróleo e gás.

Descobertas significativas recentes na Guiana e no Suriname reforçam a aposta nessa área ao norte das regiões Norte e Nordeste.

Nesta sexta-feira, a Petrobras anunciou uma segunda descoberta na bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá, fazendo parte da Margem Equatorial. 

A estatal afirma que a exploração no norte do país é caminho para reposição de reservas de petróleo da companhia, uma vez que o pré-sal, caso não haja mais descobertas, deve entrar em declínio em meados da década de 2030.

Leia também: Ambientalistas alertam que manguezais e corais podem sofrer impactos com avanço do petróleo na Foz do Amazonas

Bacia Sedimentar Foz do Amazonas fica localizada na Margem Equatorial brasileira, na costa do amapá. Busca por petróleo é realizada na área. Imagem: Petrobras
Imagem: Divulgação/Acervo Petrobras

Localização e contratos

Os 11 novos setores estão distribuídos nas bacias de Barreirinhas, Ceará, Foz do Amazonas, Potiguar e Pará-Maranhão. Os 501 blocos configurados nessas áreas estão localizados em lâmina d’água (distância entre a superfície do mar e o fundo do oceano) superior a 3 mil metros.

A nova plataforma continental levou também a ANP a ajustar os limites de três setores já existentes: SPAMA-AUP1 e SPAMA-AUP2.

A agência reguladora explicou que os 501 blocos não serão incluídos automaticamente no sistema de Oferta Permanente da ANP, espécie de leilão com participação das petroleiras.

“Uma eventual indicação de blocos para oferta dependerá de análise específica e deverá seguir o rito regulatório aplicável, incluindo as avaliações e manifestações previstas para essa finalidade, da ANP e de outros órgãos envolvidos”, afirma em comunicado.

A atualização da Margem Equatorial também não afeta contratos vigentes, uma vez que as novas áreas ainda não foram contratadas.

A ANP afirma que a análise socioambiental realizada para configuração das novas áreas considerou as unidades de conservação e não identificou “sobreposições ou proximidades que inviabilizassem os recortes propostos”.

Para o órgão regulador, a definição prévia dos setores e blocos proporciona maior previsibilidade para atividades que podem anteceder uma eventual contratação, como a aquisição de dados sísmicos, geoquímicos e multifísicos, além de ampliar as informações disponíveis para o planejamento e para futuras decisões da União.

Indústria comemora

Para o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), entidade privada que reúne empresas do setor, a expansão de novas áreas na Margem Equatorial representa um “passo estratégico” para a reposição das reservas brasileiras e a manutenção da segurança energética do país no longo prazo.

De acordo com o diretor executivo de Exploração e Produção do IBP, Cláudio Nunes, a ampliação é positiva e possibilita à indústria “buscar novas áreas e a avançar no conhecimento geológico da região”.

Ele contextualiza que a descoberta anunciada pela Petrobras na costa do Amapá mostra “sinais muito positivos em relação ao potencial de hidrocarbonetos [principais componentes do petróleo e do gás natural]”. “Sinalização positiva para a indústria, empresas e investidores”, disse.

Para ele, o país está no caminho certo no avanço de fronteiras exploratórias, reforçando a necessidade de ter novas reservas nos próximos anos “para evitar que o Brasil se torne importador de petróleo a partir de 2033/2035”.

Reservas e soberania

O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), um centro de estudos vinculado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), compartilha da visão de que a nova delimitação amplia o horizonte de exploração e representa nova frente de reposição de reservas.

Para o coordenador de pesquisas do Ineep, Francismar Ferreira, é necessário discutir a política energética e os marcos regulatórios vigentes de modo que os avanços exploratórios sejam articulados ao desenvolvimento produtivo e tecnológico nacional.

Leia também: Entenda o que é o ‘petróleo chique’ do Amapá, óleo leve que Lula comparou ao Pré-Sal

Ele aponta ainda caminhos para o uso dos recursos capturados com a exploração.

“Que a renda gerada seja apropriada e utilizada pelo Estado para fins estratégicos, como adaptação às mudanças climáticas, redução das desigualdades e da pobreza energética e financiamento da transição energética”, disse à Agência Brasil.

O pesquisador do Ineep chama atenção para o fato de que leilões passados da ANP têm mostrado apetite das petroleiras multinacionais e pede que esse modelo seja evitado na Margem Equatorial para não permitir “desnacionalização das reservas”.

Ele sustenta que a nova área exploratória precisa ser tratada como uma fronteira estratégica da política energética nacional.

“Isso implica ampliar a capacidade de coordenação do Estado sobre as reservas, o ritmo da exploração e da produção e a destinação da renda petrolífera, fortalecendo a Petrobras e articulando a atividade petrolífera a uma estratégia de desenvolvimento nacional de longo prazo”, conclui.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Bruno de Freitas Moura

Horários de votação na Amazônia Legal em 2026: saiba as diferenças de horário de cada estado

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A votação das Eleições 2026 seguem o fuso horário de cada estado no Brasil. Com a particularidade de estarem situados em áreas diferentes do país, segundo os quatro fusos horários oficiais brasileiros atrasados em relação ao Meridiano de Greenwich (GMT), os nove estados que compõem a Amazônia Legal precisam que os eleitores tenham atenção ao horário de votação.

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O Brasil adotou Greenwich como referência para a hora legal pelo Decreto n.º 2.784, de 18 de junho de 1913. Assim, o país tem quatro fusos horários, sendo: a hora de Brasília, UTC−03:00, usada no Distrito Federal, em todos os estados do Nordeste, Sudeste e Sul, além de Goiás, Tocantins, Pará e Amapá.

Mato Grosso, Rondônia, Roraima e a parte oriental do Amazonas usam UTC−04:00. O Acre e a parte ocidental do Amazonas usam UTC−05:00.

Leia também: Eleições 2026: qual o papel da Amazônia nos planos de governo dos candidatos à presidência?

votação de eleitores indígenas do brasil
Número de indígenas eleitores aptos cresceu na Amazônia Legal, em especial ao Amazonas que lidera como o estado com maior representatividade. Foto: Divulgação/Anaind-Org

Horário de votação eleitoral na Amazônia Legal

6h às 15h

Diferentemente do restante do país, o Acre possui um horário diferenciado por ter duas horas a menos do que a de Brasília, portanto a votação começa mais cedo, das 6h às 15h, no horário local.

Já no Amazonas, onze municípios localizados no sul do estado, seguem o mesmo fuso horário do território acreano:

  • Amaturá,
  • Atalaia do Norte,
  • Benjamin Constant,
  • Eirunepé,
  • Envira,
  • Guajará,
  • Ipixuna,
  • Itamarati,
  • Jutaí,
  • São Paulo de Olivença
  • e Tabatinga.

7h às 16h

Com uma hora a menos em relação ao horário oficial de Brasília, os estados do Amazonas (com exceção das cidades citadas acima), Mato Grosso, Rondônia e Roraima seguem esta faixa de horário eleitoral.

8h às 17h

Seguindo a hora oficial de Brasília estão os seguintes estados: Amapá, Pará, Maranhão e Tocantins.

IPAM apresenta calculadora de danos climáticos à PGR

Foto: Divulgação/IPAM

A CCAL, calculadora de emissões de carbono desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), foi apresentada a procuradores que atuam na área ambiental. Em cerimônia realizada na sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, a apresentação buscou explicar o funcionamento da plataforma e auxiliar na otimização da aplicação de multas e na condução de processos relacionados a danos ambientais e climáticos.

“A ferramenta foi desenvolvida com o objetivo de prever as emissões de dióxido de carbono associadas à perda da vegetação nativa e de fornecer subsídios técnicos para ações judiciais e políticas públicas, automatizando o cálculo e facilitando o uso por parte do poder público, universidades e pesquisadores, de modo gratuito”, explica Lívia Laureto, pesquisadora do IPAM que atua no desenvolvimento da calculadora.

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Desde seu lançamento, a CCAL já foi utilizada em mais de 50 casos de desmatamento ilegal. Em Boca do Acre, no Amazonas, os cálculos da plataforma embasaram um processo por danos climáticos e ambientais que resultou em uma multa de R$ 11 milhões.

“Hoje os danos climáticos e ambientais são socializados e quem paga somos todos nós. Com ferramentas assim, temos segurança para seguir com as multas e precificar essa reparação, ganhando tempo para seguir com a apuração adequada e os parâmetros mais atualizados de danos ambientais”, destaca Antônio Teixeira Diniz, procurador da Procuradoria da República no Município de Chapecó, em Santa Catarina.

Em 2023, a calculadora foi reconhecida pelo XI Prêmio República, organizado pela Associação Nacional de Procuradores da República, na categoria “Combate ao crime e a outros ilícitos”, pela contribuição na responsabilização por danos climáticos associados ao desmatamento na Amazônia.

Desmatamento ilegal no Amazonas — Foto: Divulgação / Polícia Federal
calculadora
Calculadora ajuda na atuação contra o desmatamento. Foto: Divulgação/Polícia Federal

Leia também: Estudo mapeia áreas prioritárias para efetivação do Código Florestal, divulga IPAM

Sobre a calculadora

A versão mais atualizada da calculadora CCAL fornece dados que apoiam a implementação de programas jurisdicionais de créditos de carbono e a otimização de processos judiciais por dano climático.

A plataforma é um mecanismo gratuito que calcula os estoques de carbono presentes na vegetação brasileira e segue as diretrizes do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) para calcular as emissões decorrentes do desmatamento. Para chegar a um valor estimado para a multa, a plataforma se baseia no consenso internacional de, no mínimo, US$ 5 por tonelada de dióxido de carbono.

A contribuição em processos judiciais de responsabilização por crimes ambientais se dá por meio da determinação da indenização em processos decorrentes do desmatamento ilegal. Calcula-se o valor monetário do impacto climático, também chamado de dano climático, estabelecido de acordo com a quantidade de carbono perdida com a supressão vegetal, medida pela CCAL. O carbono perdido é precificado seguindo o valor da tonelada determinado pelo Fundo Amazônia.

Lançada há dez anos, a CCAL foi criada para apoiar o monitoramento das políticas climáticas do país, que tem a maior parte de suas emissões de gases de efeito estufa provocadas pelo desmatamento, conforme dados do SEEG (Sistema de Estimativa de Gases de Efeito Estufa).

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM

Lenda da paxiúba

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Imagem gerada por IA

A história conta que Milomaqui, um jovem indígena da aldeia dos Kamayurás, tinha um canto tão bonito e poderoso que, quando cantava, os indígenas paravam o que estavam fazendo e adormeciam. Diz a lenda que sua música também era capaz de transformar os sentimentos de quem a ouvia, fazendo desaparecer a raiva e o ódio.

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O cacique, preocupado porque ninguém mais trabalhava quando o jovem cantava, proibiu Milomaqui de soltar a voz e ameaçou tirar sua sombra caso ele desobedecesse. Mesmo tentando se controlar, Milomaqui encontrou uma jovem indígena e cantou para ela, fazendo com que a moça adormecesse e nunca mais acordasse.

Assustado, Milomaqui se escondeu na floresta, mas os indígenas o encontraram. A lenda conta que sua sombra foi retirada e ele acabou sendo enterrado próximo à aldeia.

Depois das chuvas, uma planta diferente nasceu naquele lugar: uma palmeira de caule fino, folhas compridas e verdes, e os indígenas deram a ela o nome de Paxiúba. A história ainda conta que o pajé orientou que a madeira da palmeira fosse usada para fazer flautas, pois Jurupari, o feiticeiro da mata, teria revelado que as melodias de Milomaqui estavam dentro daqueles instrumentos.

Por isso, segundo a lenda, as flautas feitas de Paxiúba reproduzem os cantos do jovem. E existe ainda um alerta: somente os homens poderiam ouvi-las, porque, se uma mulher escutasse a música, cairia em um sono profundo para sempre.

*Com informações do Livro ‘A Lenda da Paxiúba’, de Terezinha Éboli.

Ministro do Meio Ambiente explica processo de criação de novas RDS próximas à rodovia BR-319, no Amazonas

Arte: Reprodução/Amazon Sat

A criação de quatro unidades de Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) no Amazonas foi um dos temas abordados pelo Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, no programa Entrevistas, exibido pelo canal Amazon Sat, iniciativa do Grupo Rede Amazônica voltada aos temas discutidos em Brasília que impactam diretamente a Amazônia.

Durante a conversa, comandada pelo jornalista e apresentador do programa, Wellinton Lopes, o secretário nacional da pasta deu mais detalhes sobre as novas áreas de conservação, que estão localizadas na área de influência da BR-319, única via terrestre que liga o Amazonas à Rondônia e o restante do Brasil.

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Capobianco explicou que a criação das novas RDS fazem parte de um conjunto de medidas ambientais que visam possibilitar o pavimentação do trecho do meio da BR-319, área que compreende os km 250 e km 655, totalizando 405 km de extensão. Ele reforça que as novas unidades de conservação poderá contemplar aproximadamente 68% de áreas protegidas no entorno da rodovia.

“O objetivo é garantir que o entorno da rodovia mantenha as condições naturais que se encontra, recuperar algumas áreas degradadas, no sentido de manter a integridade ambiental e também de permitir o uso sustentável. Como essas novas unidades de conservação, somando terras indígenas, unidades de conservação do estado e as federais, chegamos a 68% do entorno da rodovia BR-319 com algum status de proteção”, explicou o ministro.

O que é uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS)?

Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) são territórios destinados à conservação ambiental e ao uso sustentável dos recursos naturais por comunidades tradicionais que vivem nesses locais há gerações. Nesses espaços é permitido o manejo sustentável da fauna, flora e outros recursos, sempre respeitando regras estabelecidas para evitar danos ao ecossistema.

As novas Reservas de Desenvolvimento Sustentável totalizam cerca de 669 mil hectares e estão localizadas no entorno da BR-319. São elas:

  • RDS Tupana Igapó-Açu I, em Borba (AM), com 114.076 hectares;  
  • RDS Tupana Igapó-Açu II, em Beruri e Tapauá (AM), com 422.100 hectares;  
  • RDS Canaã, em Careiro e Autazes (AM), com 109.607 hectares;
  • RDS Mirari, em Humaitá (AM), com 22.775 hectares.

As RDS foram criadas após decretos assinados pelo presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, no último dia 5 de setembro. As unidades têm entre seus objetivos a conservação da biodiversidade e a proteção dos modos de vida das populações agroextrativistas, considerando atividades como pesca, extrativismo e agricultura de subsistência. 

Leia também: Decretos criam quatro reservas de desenvolvimento sustentável no Amazonas

Segundo o ministro, o intuito das novas unidades visa valorizar as condições e melhoria dos modos de vida das populações que já habitam essas regiões de forma sustentável.

“Assim como os povos indígenas, essas comunidades tradicionais já usam os recursos de forma equilibrada. A ideia é garantir que isso permaneça assim, fomentando a proteção e ao mesmo tempo garantindo a a geração de oportunidades, recursos e de empregos”, frisa.

Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) é referência em manejo do pirarucu. Foto: Divulgação
Reserva de Desenvolvimento Sustentável é referência em manejo do pirarucu. Foto: Divulgação

Núcleos de bioeconomia

Na ocasião, João Paulo também anunciou a implantação de Núcleos de Desenvolvimento de Bioeconomia no entorno da rodovia, como uma estratégia para promover alternativas econômicas sustentáveis e conter o avanço do desmatamento na região.

“No momento que o presidente Lula assinou o decreto instituindo as RDS, nós assinamos contratos para iniciar a implantação de seis núcleos para promover e estimular a bioeconomia, que nada mais é do que oferecer às comunidades da região insumos, capacitação técnica, informações e crédito subsidiado para que elas possam ampliar sua atividade produtiva”, afirmou.

Leia também: ‘Entrevistas’ debate preservação ambiental no entorno do trecho do meio da BR-319

Outro ponto citado por João Paulo foi a assinatura dos contratos de concessão das Unidades de Manejo Florestal (UMF) II e III da Floresta Nacional de Humaitá, no Amazonas, pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB). Os acordos têm prazo de 40 anos e abrangem cerca de 162 mil hectares.

Na entrevista, o ministro que as concessões de manejo florestal sustentável irão permitir que o desenvolvimento da região terá os mesmos critérios das RDS pela manutenção da floresta em pé.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT-4).

Paxiúba: conheça a lenda da palmeira que ‘anda’ pela floresta amazônica

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Imagem gerada por IA

Entre as histórias que atravessam gerações na Amazônia, algumas se misturam às características da própria floresta. É o caso da lenda da Paxiúba, que conta a história de Milomaqui, um jovem indígena que teria dado origem a uma das palmeiras mais curiosas da região.

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A história é apresentada no livro ‘A Lenda de Paxiúba’, da escritora Terezinha Éboli, com ilustrações da artista Graça Lima e lançado pela editora Universo dos Livros.

Capa do livro a lenda paxiúba
Capa do livro ‘A Lenda da Paxiúba’. Foto: Reprodução/Amazon Sat

A lenda 

Segundo a narrativa, Milomaqui era um jovem indígena, da aldeia dos Kamayurás, que cantava tão bonito que a tribo parava de trabalhar para ouvir o seu canto, capaz de provocar um sono profundo em quem estivesse por perto.

Além disso, o canto tornava puro os corações de quem o ouvisse, fazendo com que esquecessem os ódios e as iras que muitas vezes invadem os corações dos homens.

O poder do canto, no entanto, passou a ser visto como um problema pelo cacique, que mandou prender o menino e proibiu-o de cantar, já que seu canto adormecia os indígenas e ninguém mais trabalhava. 

conheça a lenda da palmeira que ‘anda’ pela floresta amazônica
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Leia também: Paxiúba, a palmeira que parece caminhar pela floresta

O cacique disse ao menino que se ele cantasse outra vez, mandaria tirar a sua sombra. Depois disso, ele soltou Milomaqui e o menino fugiu para a floresta, caminhando entre muitas árvores grandes da mata.

Milomaqui se pendurou nos cipós, comeu frutinhas silvestres, dormiu sobre folhas fresquinhas e banhou-se no rio. Mas se perguntava por que os pássaros podem cantar e ele não? Ele ouvia o canto do Uirapuru e tinha vontade de cantar igual a ele.

Apesar disso, Milomaqui se lembrava da ameaça do cacique, e fechava a boca bem fechada para o seu canto não sair e enfeitiçar os demais. Mas o indígena não conseguiu conter a própria voz, e em determinado momento, cantou para uma jovem indígena que encontrou, e que adormeceu e nunca mais acordou.

Triste e assustado, Milomaqui se escondeu na mata, em uma árvore bem alta onde ficou bem quietinho. Lá ele ficou até chegar o mês de agosto, quando desceu sobre a floresta uma bruma seca que escondia as coisas.

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Aproveitando a ocasião, o menino desceu da árvore e tentou se esconder na fumaça que envolvia tudo até o chão e quase não deixava ver nada. Mais tarde, foi encontrado pelos indígenas e, de acordo com a lenda, teve sua sombra retirada e foi enterrado numa terra bem escura e fofinha que havia perto da maloca, onde antes vivia aquela indígena que nunca mais tinha acordado.

Depois de um período de chuvas, uma planta diferente surgiu naquele local. Era uma palmeira alta, de caule fino e folhas compridas e verdes, e os indígenas, sem conhecer aquela espécie, deram a ela o nome de Paxiúba.

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Os indígenas que haviam enterrado Milomaqui naquele lugar ficaram desconfiados e foram contar ao cacique. A história chegou até o pajé que disse para cortarem a madeira da Paxiúba e fazerem flautas. 

A narrativa conta ainda que Jurupari, o feiticeiro da mata, disse em sonho que as músicas que Milomaqui cantava estão dentro das flautas. Os mais velhos daquela aldeia contam que as flautas feitas de Paxiúba tocam as mesmas melodias que Milomaqui cantava e que só os homens podem ouvir, porque se as mulheres ouvirem, elas caem em sono profundo para sempre. 

A palmeira que ‘anda‘

A Paxiúba pode ser encontrada na Amazônia e também chama atenção por uma característica que deu origem ao apelido de “palmeira andante”.

A espécie desenvolve raízes que ficam expostas acima do solo, e com o crescimento de novas raízes em diferentes pontos, a planta pode alterar gradualmente sua posição e por isso, popularmente, é conhecida como uma árvore que ‘anda’.

Esse deslocamento não significa que a palmeira caminhe de maneira literal. O que acontece é um processo de crescimento das raízes, que pode fazer com que o tronco se estabeleça progressivamente em outra direção, podendo chegar a alguns metros de distância do ponto inicial.

Paxiúba. Foto: Ty Sharrow/iNaturalist

Outra característica é a capacidade de se desenvolver em diferentes habitats, incluindo ambientes mais úmidos e outros com menor disponibilidade de água.

A Paxiúba permanece como uma das plantas que despertam curiosidade na floresta. Enquanto suas raízes ajudam a explicar o fenômeno da chamada ‘palmeira que anda’, a lenda de Milomaqui acrescenta à espécie uma narrativa que atravessa gerações e faz parte do imaginário amazônico.

Brasil, 4 de outubro: divisionismo interno e o Pacto de Moncloa

Em agosto deste ano o Tribunal Regional Eleitoral apresentou a estrutura e fez testes da urna eletrônica para as Eleições. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Brasil vive, certamente, momento crucial de sua história. Infelizmente as notícias não são boas, ao contrário, muito ruins, na verdade. Fundamentalmente em relação à conjuntura social, política e econômica e, sobretudo, ao estado de ódio que se avoluma entre as pessoas, os cidadãos e a sociedade. Sociólogos e cientistas políticos descrevem este momento marcado por acentuado divisionismo interno, como estado de clivagem social, termo empregado nas Ciências Sociais para se referir ao processo de fragmentação ou divisão das classes sociais existentes. Processo que leva a confrontos motivados especialmente por dissensões religiosas, ideológicas, étnicas, sociais, econômicas e culturais.

Independentemente do sentido, o Brasil está de forma tão radicalmente dividido que só uma agenda política de governabilidade, no padrão do espanhol Pacto de Moncloa poderia talvez aliviar as tensões acumuladas há décadas derivadas de arranjos políticos fracassados conduzidos, respeitadas as exceções de praxe, por sucessivos governos desde a Proclamação da República em 1889.

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E com efeito resolver os mais diversificados e graves problemas que sufocam o país, como a ilegitimidade de alguns setores dos poderes da República, a corrupção desenfreada, o baixo crescimento da economia, a insegurança institucional, o espectro das bolsas sociais como catalisadores da (falsa) percepção do combate à pobreza e geração de renda das famílias; a violência extremada, o brutal crescimento dos comandos do narcotráfico, hoje entranhado nos mais diversos setores da economia e da sociedade; a queda no padrão educacional, da saúde pública, da segurança, do transporte, do saneamento básico.

O Pacto de Moncloa (originário do Palacio de la Moncloa, sede do governo espanhol, em Madri, onde foi assinado), refere-se a um marco da redemocratização da Espanha. Pôs fim a um dos mais difíceis momentos da história política nacional que se seguiu à morte do ditador fascista Francisco Franco, em 1975. Integrante do golpe de Estado de julho de 1936 contra o governo da Segunda República, o qual deu início à Guerra Civil Espanhola (1936-1939), Franco, com apoio do nazismo alemão de Hitler e do fascismo italiano de Mussolini, governou com “puños de hierro” o país ibérico entre 1938 e 1973.

A Espanha de então se encontrava tão dividida ou mais quanto o Brasil contemporâneo. O pacto de governabilidade, após duras negociações e ameaças de golpe de Estado, foi assinado em 25 de outubro de 1977. Tinha três grandes objetivos: político, o mais importante, econômico e social. Participaram das negociações o governo, todos os partidos políticos criados ou autorizados pelo plebiscito e pela nova constituição, os sindicatos influenciados por comunistas (organizações obreras) e socialistas (a União Geral dos Trabalhadores, a UGT) e a poderosa associação de empresários do país: Confederação Espanhola das Organizações Empresariais, a CEOE.

Não é ocioso lembrar que o Brasil, com visão patriótica, boa vontade, discernimento e honestidade política também poderia chegar a tal “goodwill”, a um nível civilizado e democrático de entendimento, buscando combater o divisionismo, o ódio, a intolerância para trás, dando início a novos tempos de paz, justiça social, equilíbrio fiscal, progresso e crescimento econômico. As eleições de outubro próximo configuram um momento especialmente propício para a nação promover uma revolução política no Brasil.

eleitores indígenas do brasil
Número de indígenas eleitores aptos cresceu na Amazônia Legal, em especial ao Amazonas que lidera como o estado com maior representatividade. Foto: Divulgação/Anaind-Org

Leia também: BR-319, novas medidas de proteção essencialmente retardatárias da conclusão das obras de recuperação da rodovia

Nesse sentido, o eleitor, consciente, precisa passar a exigir dos candidatos que lavem suas roupas sujas em suas casas ou nas sedes de seus partidos, que promovam as acusações de rotina no boteco ou na rua, que se extingam os fundos partidário e eleitoral. Que respeitem o eleitor e, no plano local, promovam discussões no horário político sobre temas do interesse do país, de nossa região, do Amazonas, da Zona Franca de Manaus e as perspectivas que se afiguram em relação à 2073.

Mais ainda, o que esperar do planejamento de Estado em relação a medidas que favoreçam a correção dos monumentais déficits estruturais particularmente em relação ao equilíbrio dos agregados macroeconômicos expressos, principalmente, no equilíbrio das contas públicas, no controle da inflação e das taxas de juro; do sistema educacional e da saúde pública, da infraestrutura urbana, do saneamento básico, da segurança; do combate ao narcotráfico, que hoje corrói as entranhas sociais e familiares do povo brasileiro; sobre o futuro da ciência e tecnologia ajustada à revolução industrial 4.0 e à visão de país que leve em conta as assimetrias regionais e, que em última instância, seja capaz de transmitir à sociedade confiança e entendimentos substantivos sobre o que esperar da respeitabilidade do Brasil como parte do conjunto das nações desenvolvidas.

Ínsitos ao avanço social, tais conquistas expressam-se por meio da percepção da melhoria contínua das condições de vida, dos direitos, da equidade e do bem-estar geral de uma população, e que atuam como potencializadores dos indicadores mais representativos das conquistas do processo de desenvolvimento econômico das sociedades evoluídas, dentre os quais o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que mede o progresso com base em saúde, educação e renda; a Redução da Desigualdade pela diminuição da distância econômica e social entre classes e o Acesso à Cidadania, medida pelos índice de inclusão social, habitação digna e saúde pública de qualidade e saneamento básico.

Mudanças, avanços políticos e sociais, contudo, exigem protocolos simples, objetivos, de amplo alcance, mas definitivos: o sentimento, a convicção sobre os entendimentos de que o papel do político é fundamentalmente defender a nação, o povo, interesses comunitários, não seu bolso, conveniências e vantagens partidárias cartoriais e mesquinhas.

Fora desses parâmetros, a alternativa é o caos social.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista