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INPI reconhece Indicação Geográfica para cerâmica de Rosário, cidade maranhense na Amazônia Legal

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Foto: Divulgação

O Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI) publicou, na Revista da Propriedade Industrial (RPI) nº 2904, do dia 1º de setembro, o registro da Indicação Geográfica (IG) Rosário, no estado do Maranhão, na espécie Indicação de Procedência (IP), para a cerâmica produzida na região.

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Com esse reconhecimento, o Brasil passa a contar com 179 registros: 44 Denominações de Origem (34 nacionais e 10 estrangeiras) e 135 Indicações de Procedência (IP), sendo 134 nacionais e uma estrangeira.

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INPI reconhece Indicação Geográfica para cerâmica de Rosário, cidade maranhense na Amazônia Legal
Arte: Reprodução/INPI

A cerâmica de Rosário

O município de Rosário, no Maranhão, é reconhecido como um dos principais polos tradicionais de produção cerâmica do estado. A associação do nome geográfico à atividade é registrada em matérias de órgãos governamentais e plataformas oficiais, que destacam a excelência e a identidade da produção cerâmica artesanal e industrial local.

A relevância cultural e socioeconômica desse saber-fazer também é evidenciada por teses, dissertações e monografias que documentam os processos produtivos, da extração da argila à queima em fornos tradicionais.

Rosário consolidou-se como importante referência na produção de tijolos, telhas e outros produtos de argila no Maranhão. A tradição ceramista, transmitida entre gerações de artesãos e mestres oleiros, teve origem na fabricação de utensílios utilitários, como potes, e, ao longo do tempo, incorporou peças decorativas e destinadas ao turismo, como jarros, souveniers e objetos ornamentais produzidos com o barro local.

Leia também: Saiba quantos e quais municípios do Maranhão compõem a Amazônia Legal

As peças são confeccionadas manualmente a partir de dois tipos de matéria-prima local: o barro amarelo, de textura fina, utilizado em detalhes e acabamentos, e o barro cinzento, de textura mais espessa, empregado em peças maiores que exigem maior resistência. O processo tradicional inclui a preparação e o amassamento da argila, sem aditivos químicos, admitindo-se apenas a mistura proporcional dos dois tipos de barro ou a adição de até 10% de areia peneirada.

A modelagem é feita manualmente ou em tornos artesanais, seguida de secagem natural em duas etapas, polimento manual e queima em fornos tradicionais, dos tipos caieira ou abóbora, por 24 a 48 horas, a temperaturas de aproximadamente 800 °C a 900 °C. O resultado são produtos de alta resistência e forte identidade cultural.

Segundo a associação requisitante da IG, a tradição ceramista de Rosário é uma herança cultural profunda e centenária, transmitida de geração em geração por famílias de artesãos e mestres oleiros da região. Essa forte identidade territorial e a reputação de excelência dos artesãos rosarienses impulsionam a economia familiar local, preservando a autenticidade e o valor histórico desse patrimônio maranhense.

*Com informações do INPI e da UFMA

Gente do Norte Empresas: saiba quem é Izabel Itikawa

Foto: Reprodução/Amazon Sat

A empresária Izabel Itikawa é uma das convidadas do programa Gente do Norte – Empresas, exibido pelo canal Amazon Sat. Roraimense, filha de Antônio Ferreira de Souza e Clotilde Rocha Ferreira, Izabel construiu sua trajetória empresarial ao lado do marido, Nelson Massami Itikawa, e hoje atua como diretora administrativa da Itikawa Indústria e Comércio e presidente da Federação das Indústrias do Estado de Roraima.

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Para a empresária, a honestidade e a bondade são valores herdados dos pais e que orientam sua atuação profissional.

“O maior exemplo que eu trago dos meus pais é a honestidade, e hoje eu trago essa bagagem que eu diria que foi o caminho, o legado principal para que eu hoje solidificasse e atuasse dentro da minha atividade, dentro da minha empresa”, afirmou Izabel.

De um sonho ao empreendedorismo

A história da Itikawa Indústria e Comércio começou a partir do interesse do marido de Izabel pelo cultivo de arroz. 

O engenheiro agrônomo com especialização em arroz irrigado, Nelson Itikawa, já prestava assistência técnica para produtores da cultura por meio da Secretaria de Agricultura.

A experiência despertou nele o interesse de também produzir arroz, e o primeiro plantio foi realizado na fazenda do pai de Izabel, às margens do Rio Branco, em uma área de 10 hectares.

Izabel Itikawa
Foto: Reprodução/Amazon Sat

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O casal começou produzindo arroz irrigado da variedade agulhinha, e depois da colheita, toda a produção era repassada para empresários que possuíam indústrias de beneficiamento. Com o passar dos anos, Izabel e Nelson identificaram a oportunidade de iniciar o próprio processo de beneficiamento do produto que plantavam e colhiam, e foi então que a empresa entrou no mercado com o arroz Itikawa.

Nascimento da empresa 

A Itikawa Indústria e Comércio foi criada em 1993, e no início, o negócio enfrentou dificuldades para encontrar fornecedores e equipamentos necessários para a produção. Segundo Izabel, naquela época, até mesmo o acesso às informações sobre a fabricação de embalagens exigia pesquisas no mercado nacional e comunicação por fax.

“Mas nem por isso nos tirou o ânimo e a objeção, o foco, de estarmos colocando aquele produto produzido por nós. E foi quando nascemos, em 1993, com o arroz Itikawa”, declarou.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Apesar dos desafios, a empresa começou a comercializar seus produtos no mercado rural e, com o tempo, foi conquistando novos espaços. Atualmente, a indústria está habilitada para exportar e comercializar 80% da produção para o mercado do Amazonas e 20% para Roraima.

A empresa também possui cinco marcas no mercado e é filiada ao Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Grãos.

Do plantio à embalagem

Na indústria, o processo começa ainda no campo. A empresa possui frota própria e participa de diferentes etapas da produção: plantio, colheita, secagem, beneficiamento e empacotamento.

“Inicialmente, os grãos chegam através das carretas. Nossa frota é própria, então nós plantamos, nós colhemos, secamos, beneficiamos e empacotamos. E são descarregados em um lugar, que é chamado de moega”, explicou Izabel. 

Depois da limpeza, os grãos passam pelo processo de secagem, em que os secadores utilizam uma fornalha alimentada com lenha ou com a própria palha do arroz. A palha retirada durante o processo também é reaproveitada para a secagem de novos grãos, funcionando como uma forma de logística reversa.

Após a secagem, os grãos são armazenados em três silos, com capacidade de 44 mil toneladas.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

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O processo de beneficiamento começa com uma nova etapa de limpeza, em que os grãos passam pelo descascador, equipamento responsável por retirar a casca do arroz. A partir desse processo, são separados o arroz descascado, conhecido como arroz integral, a mistura de arroz descascado e não descascado e o arroz ainda com casca.

Na sequência, o arroz passa pelo brunidor, que utiliza pedras para retirar uma película do grão e proporcionar brilho. Com o arroz limpo, descascado, brunido e polido, começa a etapa de classificação, e os grãos são separados de acordo com tamanho e características. 

Depois de empacotados, os produtos são armazenados e seguem para a expedição. De lá, as carretas levam os produtos para o Amazonas, supermercados de Roraima e municípios do interior do estado.

Para Izabel, entretanto, o crescimento da empresa não depende apenas da produção, mas também da capacidade de compreender aquilo que o consumidor procura. “O cliente, ele não vem comprar teu produto e nem teu serviço. Ele vem comprar a necessidade dele”, explicou.

A partir dessa percepção, a empresária passou a dar maior importância à escuta dos consumidores para entender quais produtos deveriam chegar ao mercado.

“Porque não é o que eu quero, é o que o cliente demanda para que eu possa estar com o produto, para atender o gosto e o desejo”, afirmou.

Atuação empresarial

Além da atuação na administração da Itikawa Indústria e Comércio, Izabel Itikawa ocupa atualmente a presidência da Federação das Indústrias do Estado de Roraima. À frente da empresa, ela mantém os valores aprendidos com os pais como parte da maneira de conduzir os negócios e destaca a honestidade como um dos principais pilares de sua trajetória.

Com uma história que começou no cultivo de arroz às margens do Rio Branco e evoluiu para uma indústria que participa de diferentes etapas da produção, Izabel Itikawa construiu sua trajetória empresarial em Roraima ao lado da família e dos colaboradores.

A empresária é uma das convidadas do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista:

Obras em rodovia no Amapá revelam antigo cemitério indígena com urnas e ossos de até mil anos

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Obras em rodovia no Amapá revelam antigo cemitério indígena com urnas e ossos de até mil anos. Foto: Núcleo de Pesquisas de Arqueologia/Iepa

As obras de construção na Rodovia Josmar Chaves Pinto, via que liga Macapá a Santana, no Amapá, revelaram um antigo cemitério indígena pré-colonial. No local, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) resgataram urnas funerárias contendo ossos, além de ferramentas de pedra e utensílios de cerâmica estimados entre os anos 1000 e 1500.

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A descoberta aconteceu durante os serviços de terraplenagem para a construção de uma nova rotatória, perto do Bioparque da Amazônia e em frente à sede do próprio Iepa.

Obras em rodovia no Amapá revelam antigo cemitério indígena com urnas e ossos de até mil anos
Obras na Rodovia Josmar Chaves pinto revelou Sítio Arqueológico. Foto: Núcleo de Pesquisas de Arqueologia/Iepa

Leia também: Cemitério indígena é encontrado em sítio arqueológico de Itacoatiara, no Amazonas, durante escavações

Cemitério pode ter sido aldeia de grandes dimensões

“Os operários detectaram a existência de uma peça durante o trabalho. Nossa equipe foi acionada e, após os estudos, descobrimos um gigantesco campo contendo peças arqueológicas produzidas em cerâmica”, explicou Lúcio Costa Leite, do Núcleo de Pesquisas Arqueológicas do Iepa.

Além dos itens em cerâmica, foram encontradas ferramentas de pedra. Pela quantidade e variedade dos achados, os pesquisadores estimam que o local abrigava uma aldeia de grandes dimensões.

Toda a região da rodovia possui um histórico de ocupação indígena milenar.

Obras em rodovia no Amapá revelam antigo cemitério indígena com urnas e ossos de até mil anos. Foto: Núcleo de Pesquisas de Arqueologia/Iepa

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica Amapá

Giro de Saia Roraimense: movimento das quadrilhas vira patrimônio de Boa Vista

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O Giro de Saia Roraimense é Patrimônio Cultural Imaterial de Boa Vista, unindo tradição, inovação e identidade cultural. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

Movimentos altos e hipnotizantes, acompanhados pelo balanço de saias longas. Essas são características que marcam as quadrilhas roraimenses e encantam o público por onde passam. Ao unir tradição e inovação, o Giro de Saia Roraimense conquistou um novo reconhecimento e passou a integrar o Patrimônio Cultural Imaterial de Boa Vista.

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Diante de sua originalidade, o título vai além da beleza e da força do passo. O reconhecimento está ligado à valorização e à representatividade de uma expressão cultural nascida nas terras mais ao norte do país. O Giro de Saia está entre os 41 bens materiais e imateriais reconhecidos pelo município.

O movimento já existia nas coreografias juninas, mas a partir de Zenilton Ventura o passo recebeu novas características. Ao perceber o potencial das quadrilhas e se aproximar da cultura gaúcha, ele encontrou uma oportunidade para inovar e dar às apresentações juninas de Roraima uma marca própria. Pediu à mãe, que era costureira, uma saia longa e passou a treinar até aperfeiçoar a técnica.

Giro de Saia Roraimense: movimento das quadrilhas vira patrimônio de Boa Vista
“Queria mostrar toda a circunferência da saia e fazer com que ela se abrisse completamente, como uma espécie de arco”, disse Zenilton. Foto: Giovani Oliveira/ PMBV

“Comecei a frequentar o Centro de Tradições Gaúchas (CTG) e observei as prendas usando saias longas. Foi então que pensei: ‘Vou colocar isso nas quadrilhas daqui’. Vesti a saia feita pela minha mãe e comecei a experimentar. Queria mostrar toda a circunferência da saia e fazer com que ela se abrisse completamente, como uma espécie de arco. Dessa forma, fica mais bonito e único”, disse.

A partir daí, o passo ganhou os palcos de todo o país e o reconhecimento de importantes nomes da cultura, como Milton Cunha. O diretor de concurso das quadrilhas, Chiquinho Santos, acompanhou de perto a valorização dessa criação. Para ele, trata-se de uma joia da cultura local.

“Quando o Giro de Saia começa nas apresentações, a resposta da arquibancada é imediata. Eles ‘enlouquecem’. Os quadrilheiros de outros estados ficam curiosos e perguntam como é feito. Figuras culturais brasileiras consagradas reconhecem a singularidade do passo. Eu costumo dizer que o Giro de Saia é a jabuticaba de Roraima, algo que nasceu e se consolidou aqui”, disse.

Leia também: ‘Boa Vista Junina’ – Conheça as curiosidades do maior arraial da Região Norte

Eu costumo dizer que o Giro de Saia é a jabuticaba de Roraima, algo que nasceu e se consolidou aqui”, disse Chiquinho. Foto: Giovani Oliveira/ PMBV

Sinônimo de vitória

O ex-quadrilheiro Gilberto Garcia possui uma história especial com essa expressão das quadrilhas roraimenses. Para ele, o passo é sinônimo de vitória. Em 2015, Gilberto, com a personagem Gibrielly D’Bruxelas, ganhou o concurso de Rainha da Diversidade da Confederação Brasileira de Quadrilhas Juninas (CONFEBRAQ). O Giro de Saia foi o grande diferencial de sua performance e encantou quem assistiu.

“A coreografia foi pensada para surpreender e gerar expectativa no público. A apresentação aconteceu no Ceará e, para o público de lá, aquilo era algo inovador. Assim que eu comecei o Giro de Saia, os espectadores vibraram calorosamente e aplaudiram de pé aquele instante. Essa trajetória me levou a fazer história e ganhar o concurso”, completou.

O giro de saia alto se tornou patrimônio de Boa Vista por meio da LEI Nº 2.750, DE 03 DE NOVEMBRO DE 2025. Foto: PMBV.

Do Brasil para o mundo

Em 2014, as quadrilhas roraimenses representaram o Brasil em Nova York, quando 20 artistas do movimento junino levaram manifestações da cultura local para a divulgação da Copa do Mundo, a convite da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (EMBRATUR). A presença do Giro de Saia foi um dos diferenciais que contribuíram para a escolha de Boa Vista como representante do país na programação.

Estudo mostra o que tem influenciado a alimentação em comunidades ribeirinhas amazônicas

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Processamento da Mandioca. Foto: Daiane da Rosa

O que chega à mesa de comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia depende não apenas do que é produzido nos territórios. Um estudo mostra que fatores como a presença de mercados locais, renda da pesca, diversidade agrícola e características do ambiente influenciam diretamente a qualidade e a diversidade da alimentação dessas populações tradicionais. 

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A pesquisa foi conduzida pela pesquisadora Daiane Soares Xavier da Rosa, em parceria com pesquisadores de instituições brasileiras e portuguesas que atuam nas áreas de ecologia, sustentabilidade, ciências sociais e estudos sobre a Amazônia.

Participaram do trabalho pesquisadores do CE3C (Center for Ecology, Evolution and Environmental Changes & CHANGE), do Global Change and Sustainability Institute e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; do Grupo de Pesquisa em Territorialidades e Governança Socioambiental na Amazônia, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá; do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa; e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). 

O estudo foi realizado nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no estado do Amazonas. Somando mais de 34 mil km², as reservas estão entre as maiores áreas protegidas da Amazônia, abrigam ambientes de várzea (as florestas alagáveis), de paleovárzea e de terra firme, e são lar para centenas de comunidades tradicionais. A pesquisa foi desenvolvida em seis comunidades com diferentes distâncias aos centros urbanos, diferentes contextos socioeconômicos e ambientais. 

Nesse cenário diverso, os pesquisadores traçaram dois perfis de comunidades: as de paleovárzea (um ambiente de transição entre várzea e terra firme), baseadas na agricultura e na pesca e com limitada diversificação econômica; e as de várzea, mais conectadas aos centros urbanos e com maior variedade de fontes de renda. A existência de dois perfis comunitários distintos sugere uma alimentação diversificada, moldada pela relação entre produção local, integração aos mercados e variedade nas fontes de renda. 

“Os hábitos alimentares são construídos cultural e socialmente e são influenciados, para além de questões ambientais, por fatores socioeconômicos e de acesso”, explica Daiane da Rosa.

Entre esses fatores, ela destaca a presença de minimercados nas comunidades, que ampliam o acesso a alimentos industrializados e ultraprocessados, hoje também incorporados ao cotidiano alimentar de muitas dessas famílias. 

Leia também: Alimentação ‘industrializada’ ameaça saúde de ribeirinhos na Amazônia, aponta pesquisa

Estudo mostra como mercados locais, ambiente e modos de vida influenciam a alimentação em comunidades ribeirinhas amazônicas
Ultraprocessados mais consumidos dos mercados locais. Foto: Daiane da Rosa

Diversidade nos cultivos ampliam diversidade no consumo alimentar 

Os pesquisadores identificaram que comunidades com maior diversidade de cultivos agrícolas registraram melhores indicadores de diversidade da dieta domiciliar e qualidade dos alimentos consumidos, com maior consumo de alimentos in natura e menor consumo de produtos ultraprocessados. Por outro lado, comunidades com maior estrutura e presença de minimercados tendem a apresentar maior diversificação na aquisição de alimentos industrializados e ultraprocessados. 

Os resultados também revelaram diferenças importantes entre comunidades e famílias. Enquanto as formas de aquisição de alimentos nos mercados variam principalmente de uma comunidade para outra, o consumo alimentar apresentou maior diversificação entre as famílias.

 “Isso pode indicar que, enquanto as estratégias de aquisição são estruturadas socialmente e compartilhadas comunitariamente, o consumo alimentar reflete as diferentes formas e capacidades que cada família apresenta de converter essas estratégias em alimentação”, explica a pesquisadora Daiane da Rosa.

“Em uma das comunidades participantes do estudo, por exemplo, há um barco comunitário que realiza viagens mensais à cidade mais próxima para a compra de alimentos, além de um pequeno comércio local com itens básicos. Ao mesmo tempo, algumas famílias mantêm quintais com hortaliças e plantas medicinais, outras cultivam pequenas roças para produção de farinha e há ainda aquelas que criam galinhas, porcos ou gado. Isso mostra a grande diversidade de formas de acesso aos alimentos, tanto dentro de uma mesma comunidade quanto entre comunidades diferentes”.  

Segundo ela, essas diferenças no consumo alimentar entre as famílias estão relacionadas à diversidade de fontes de renda e às estratégias de subsistência (como os cultivos em roças, quintais e sítios, pesca, caça e extrativismo) desenvolvidas pelas famílias, evidenciando desigualdades no acesso físico e econômico aos alimentos. 

Uma dieta mais diversificada, porém, não significa necessariamente uma alimentação mais saudável. O estudo identificou que famílias com maior renda e maior diversidade alimentar também apresentaram maior aquisição de alimentos industrializados e maior consumo de produtos alimentares ultraprocessados de mercados. 

Alimentação depende da interação entre ambiente, contexto social e subsistência 

Segundo os autores, os resultados reforçam que os sistemas alimentares amazônicos precisam ser compreendidos a partir da interação entre ambiente, economia, cultura e organização social. Não existe, portanto, uma única realidade alimentar na região. 

A pesquisa também aponta que fatores como renda, acessibilidade e condições ambientais podem tanto reduzir quanto ampliar as diferenças entre comunidades no acesso aos alimentos. A análise integrada realizada pelos pesquisadores identificou diferentes perfis de vulnerabilidade e resiliência alimentar, indicando que políticas públicas voltadas à segurança alimentar precisam considerar as características específicas de cada território e sistema alimentar local. 

Leia também: Histórias das frutas de comunidades ribeirinhas revelam as “Amazônias”

Estudo mostra como mercados locais, ambiente e modos de vida influenciam a alimentação em comunidades ribeirinhas amazônicas. Foto: João Cunha

Políticas territorializadas para a Amazônia 

Os autores alertam que políticas de integração aos mercados devem ser planejadas com cautela e consideração aos contextos locais. Embora possam ampliar o acesso aos alimentos, essas políticas também podem favorecer a substituição de alimentos tradicionais por produtos ultraprocessados. 

Em contrapartida, estratégias que fortalecem atividades baseadas em recursos locais, como a pesca de pequena escala e a agricultura de subsistência, podem contribuir para dietas culturalmente adequadas e potencialmente mais saudáveis.

“Quanto maior a integração ao mercado, maior também tem se tornado o acesso físico e econômico aos produtos alimentares ultraprocessados”, afirma Daiane da Rosa. 

A pesquisadora ressalta que estudos anteriores já associam o maior consumo de ultraprocessados a riscos para a saúde, incluindo doenças crônicas não transmissíveis. A mudança no perfil alimentar também produz impactos que ultrapassam a saúde. O aumento da circulação desses produtos nos mercados significa maior entrada de embalagens nos territórios. “Não é incomum ver pacotes de salgadinhos, garrafas PET e embalagens diversas flutuando pelos rios amazônicos”, observa Daiane, apontando a destinação inadequada dos resíduos sólidos como um desafio crescente para comunidades e municípios do interior da Amazônia. 

Ao mesmo tempo, o estudo ressalta que estratégias de fortalecimento dos sistemas alimentares locais precisam vir acompanhadas de medidas capazes de reduzir vulnerabilidades associadas à sazonalidade e à instabilidade ambiental agravada pela crise climática. 

De acordo com Daiane, entre as prioridades estão o fortalecimento dos programas de alimentação escolar e de assistência alimentar durante períodos de seca severa, como os registrados em 2023 e 2024. “Essas políticas precisam estar em consonância com os hábitos alimentares locais, priorizando alimentos in natura e minimamente processados e evitando produtos alimentares ultraprocessados”, defende. 

No entanto, o estudo ressalta que essas estratégias precisam vir acompanhadas de medidas capazes de reduzir vulnerabilidades associadas à sazonalidade e à instabilidade ambiental agravada pela crise climática. 

Para a pesquisadora, fortalecer a segurança e a soberania alimentares na Amazônia passa por reconhecer que diferentes perfis territoriais exigem diferentes soluções. Ao mesmo tempo, os resultados podem contribuir para novas pesquisas e ações em outras populações que vivem em contextos socioecológicos semelhantes. 

Isso significa combinar conservação ambiental, valorização dos modos de vida tradicionais e políticas públicas capazes de ampliar o acesso a alimentos saudáveis sem enfraquecer os sistemas alimentares locais.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá, escrito por João Cunha

Festival inspirado em carta de Chico Mendes aos jovens lança programação no Acre

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Foto: Comitê Chico Mendes

Com uma programação voltada às discussões sobre a Amazônia, começa nesta quinta-feira (3) o Festival Jovens do Futuro, feito pelo Comitê Chico Mendes e pelo movimento que leva o mesmo nome do festival. A programação gratuita segue até domingo (6), em Rio Branco (AC).

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A programação inicia com a abertura da exposição Floresta de Expressões, uma floresta construída por muitas mãos, no Museu dos Povos Acreanos, no Centro da capital. A mostra permanece aberta para visitação até 10 de outubro.

O Festival Jovens do Futuro surgiu em 2020, durante a pandemia de Covid-19. Desde então, a iniciativa busca se consolidar como um espaço de ativismo, cultura e formação política na Amazônia, articulando discussões ambientais, sociais e culturais.

O tema deste ano é ‘Pertencer para Proteger’. A programação ocorre na mesma semana em que será celebrado o Dia da Amazônia, neste sábado (5).

Leia também: Chico Mendes: conheça a história do ambientalista acreano

Festival inspirado em carta de Chico Mendes aos jovens lança programação no Acre
Foto: Hannah Lydia/Comitê Chico Mendes

A inspiração é a proposta de aproximar as juventudes da cidade e da floresta e fortalecer a percepção de pertencimento ao território amazônico. Inspirado na carta-testamento deixada pelo ambientalista Chico Mendes em 1988, que convocava novas gerações para uma transformação.

Além das iniciativas culturais, o festival também será integrado à Conferência Estadual de Comunicação dos Povos da Floresta, a ComFloresta, que ocorre ao longo desta semana no estado.

“A gente está bem empolgado com expectativa bem grande de pessoas devido nossas parcerias”, afirmou Victor Manoel, do Comitê Chico Mendes, um dos organizadores da festividade.

Além da parceria com a conferência, haverá atividades em conjunto com o Cultura na Praça, evento organizado na Praça dos Povos da Floresta, também no Centro. Outras atrações incluem economia solidária e artesanato indígena e extrativista.

Desenvolvimento na Amazônia

Outro eixo do festival é a discussão sobre os modelos de desenvolvimento para a Amazônia e a necessidade de ampliar o debate sobre alternativas econômicas sustentáveis para as juventudes.

A proposta dos organizadores é questionar narrativas que apresentam o agronegócio como único ou principal caminho para o desenvolvimento social e econômico dos jovens da região.

Foto: Hannah Lydia/Comitê Chico Mendes

Neste contexto, o festival pretende estimular a participação dos próprios jovens na pesquisa e na construção de alternativas para o futuro do Acre, aproximando as discussões ambientais das questões vivenciadas nas periferias e nas comunidades tradicionais.

Confira a programação completa:

3 de setembro – quinta-feira

  • 14h: abertura da exposição “Floresta de Expressões, uma floresta construída por muitas mãos”
  • Local: Museu dos Povos Acreanos
  • Exposição aberta até 10 de outubro de 2026.

4 de setembro – sexta-feira

  • 15h: abertura da exposição Movimento Jovens do Futuro
  • Local: Parque Chico Mendes
  • Exposição aberta até 22 de dezembro de 2026.

5 de setembro – sábado | Dia da Amazônia

  • 14h: “Crias de Chico: Amazônia no centro das decisões”
  • Local: Anfiteatro Garibaldi Brasil, na Ufac.
  • Inscrições pela organização do evento.

6 de setembro – domingo

  • 16h: Festival Jovens do Futuro no Cultura na Praça
  • Local: Praça dos Povos da Floresta, no Centro de Rio Branco
  • Programação com apresentações de artistas locais, cultura e economia solidária.

*Por Walace Gomes, da Rede Amazônica Acre.

Em ano de El Niño, Embrapa apresenta 163 medidas para gestão de riscos climáticos no campo

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El Niño, Embrapa apresenta 163 medidas para gestão de riscos climáticos no campo. Foto: RRufino

A Embrapa entregou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) uma Nota Técnica contendo 163 medidas que podem ser adotadas na agropecuária brasileira com objetivo de reduzir riscos de perdas causadas pelo clima. Motivado pela ocorrência do El Niño na safra 2026/2027, o documento extrapola o fenômeno e enfatiza a necessidade de ações permanentes para gestão de riscos climáticos.

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Das 163 medidas propostas, 14 são transversais a todo o setor agropecuário, 139 são específicas por segmento produtivo e dez correspondem a ações viabilizadoras ou de apoio a programas de política pública. 

A Nota Técnica foi produzida no âmbito do Grupo de Trabalho sobre El Niño estabelecido pelo Mapa, com participação de especialistas da Embrapa e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Cerca de 50 profissionais da Embrapa participaram da elaboração das recomendações.

“Embora motivado pelo El Niño 2026/27, o documento adota uma perspectiva mais ampla de gestão de riscos agroclimáticos, reconhecendo que grande parte das ameaças, vulnerabilidades e medidas analisadas é aplicável também a outros eventos e condições climáticas recorrentes”, afirma a presidente da Embrapa Silvia Massruhá. 

Em ano de El Niño, Embrapa apresenta 163 medidas para gestão de riscos climáticos no campo
Em ano de El Niño, Embrapa apresenta 163 medidas para gestão de riscos climáticos no campo. Foto: Reprodução/Embrapa

Leia também: “El Niño não coloca fogo na vegetação; no Brasil, a ignição é humana”, declara diretora de Ciência do IPAM

O coordenador da Rede Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) e pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, Eduardo Monteiro, acrescenta que a nota técnica aponta para um desafio mais amplo para a agropecuária brasileira, que é a necessidade de se consolidar uma política permanente de gestão de riscos agroclimáticos. Isso inclui a capacidade de antecipar, monitorar e responder de forma organizada a secas, excesso de precipitação, ondas de calor, geadas, tempestades e incêndios. 

“O principal legado desse grupo de trabalho pode ser a transição de uma lógica predominantemente reativa de gestão de crises para uma cultura permanente de antecipação, preparação, adaptação, monitoramento e aprendizagem”, analisa Monteiro.

Impactos do El Niño 

O documento apresenta o histórico de efeitos causados no Brasil nos anos com ocorrência de El Niño, bem como as projeções para este ano. Entre elas está a maior probabilidade de precipitação abaixo da média em áreas do Centro-Norte do País e acima da média na região Sul. As projeções, destaca a nota técnica, indicam aumento do risco, mas não determinam antecipadamente os impactos sobre cada região, cultura ou sistema produtivo.

A nota técnica considera riscos climáticos como atraso ou irregularidade no início da estação chuvosa, chuvas abaixo da média e déficit hídrico prolongado, temperaturas elevadas, chuvas acima da média e tempestades convectivas severas. Os impactos negativos de cada um desses riscos, e positivos em alguns casos, são detalhados para as cadeias de grãos e fibras, fruticultura, silvicultura, olericultura, pastagens e pecuária, culturas industriais e aquicultura.

Foto: Fernando Malavazi

Tratamento dos riscos climáticos

Após fazer a identificação dos riscos e dos impactos que podem ter nas culturas e cadeias produtivas, a nota técnica aborda o tratamento dos riscos visando a prevenção, a redução do impacto, as medidas de transferência de riscos e de aceitação do risco remanescente.

As 163 medidas recomendadas estão estruturadas de forma a indicar o risco tratado, o horizonte para implementação (imediato, curto, médio e longo prazo) e as condições para adoção. 

Entre as medidas consideradas transversais, estão:

  • monitoramento de previsões meteorológicas; uso de dados meteorológicos locais;
  • utilização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc);
  • diversificação espacial e temporal da produção;
  • adoção de sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF);
  • avaliação constante dos riscos;
  • elaboração de plano de contingência para eventos climáticos adversos;
  • manutenção de infraestrutura da propriedade rural;
  • dimensionamento da capacidade operacional;
  • registro de eventos e impactos climáticos para melhor avaliação sobre as medidas adotadas;
  • avaliação econômica do nível de proteção para cada risco;
  • criação de reservas financeiras;
  • utilização de seguro rural e outros mecanismos de transferência de risco;
  • e capacitação de equipes.
Foto: Fernanda Birolo

Para cada uma das cadeias produtivas, são estabelecidas medidas específicas que passam pelo manejo do solo, escolha de cultivares, planejamento das operações, investimento em estruturas de proteção, drenagem, irrigação, entre outros. São 139 medidas. 

Por fim, a nota técnica traz dez medidas viabilizadoras e de apoio a instrumentos de política pública. São ações de caráter institucional, financeiro, científico, tecnológico e de assistência técnica, cuja implementação não depende do produtor rural.

Estão elencados:

  • o fortalecimento e o aperfeiçoamento de instrumentos de avaliação de risco, como o Zarc;
  • a ampliação de mecanismos de financiamento focados na adaptação climática;
  • a ampliação e aperfeiçoamento de instrumentos de transferência de riscos, como o seguro rural;
  • o fortalecimento da assistência técnica;
  • o fortalecimento da pesquisa e a validação de tecnologias para desenvolvimento de materiais adaptados;
  • o aperfeiçoamento de sistemas de monitoramento agrometeorológico;
  • o fortalecimento da gestão integrada de recursos hídricos;
  • o monitoramento das políticas e medidas de adaptação;
  • a ampliação da capacidade nacional de prevenção, detecção e combate a incêndios rurais e florestais;
  • a ampliação de programas de recuperação e recomposição da cobertura vegetal em áreas vulneráveis;
  • e estratégicas para a segurança hídrica. 

Recomendações regionais

As equipes da Embrapa estão trabalhando em notas técnicas com foco em recomendações regionalizadas. A previsão é de que até meados de setembro sejam publicadas notas de orientação para as regiões Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte.

O documento “Ações para mitigação dos efeitos do El Niño 2026/2027 na Agricultura do Sul do Brasil” já está disponível. 

 GT do Mapa terá relatório

A nota técnica desenvolvida pela Embrapa faz parte de uma das frentes de ação do Grupo de Trabalho instituído por meio da Portaria MAPA nº 928, de 30 de junho de 2026, para tratar de medidas de prevenção de riscos causados pelo El Niño na agropecuária brasileira.

Na próxima quinta-feira o GT entregará um relatório contendo informações de todas as frentes de atuação. Durante o período de atuação, o GT ouviu instituições como Agência Nacional de Águas (ANA), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), além da Embrapa, Inmet e secretarias do Mapa. 

De acordo com Bruno Leite, coordenador do grupo de trabalho, a nota técnica da Embrapa contribui com o dimensionamento dos impactos do El Niño e indica um padrão técnico na abordagem de redução de danos que deverá ser o norte para as ações futuras.  

“Nós já temos um cardápio bastante grande de tecnologias que ajudam a enfrentar o El Niño e eventos climáticos adversos. O desafio agora é fazer com que esse conhecimento chegue ao produtor rural”, diz.

Uma das recomendações do relatório final do GT, antecipa Leite, será a implantação de um plano de comunicação coordenado entre as instituições. Em paralelo ao desenvolvimento das ações do GT, a equipe de comunicação do Mapa já vem trabalhando na elaboração de uma página especial, na produção de vídeos informativos e outros materiais de divulgação. 

*Com informações da Embrapa Agricultura Digital

Gente do Norte Empresas: saiba quem é Ladislao Pedroso Monte

Ladislao Monte. Foto: Reprodução/Amazon Sat

O empresário Ladislao Pedroso Monte, fundador e administrador do Grupo Monte, é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, exibido pelo canal Amazon Sat. Sua trajetória é marcada pelo empreendedorismo, pela união familiar e pela atuação no desenvolvimento da região Amazônica.

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Natural do município de Afuá, no Pará, especificamente da região do rio Anajás, ele deixou a comunidade onde vivia ainda criança e, décadas depois, ajudou a transformar uma empresa familiar em um grupo com diferentes operações no Amapá.

Para Ladislao, pensar no desenvolvimento da Amazônia também significa olhar para as pessoas que vivem na região. Segundo ele, a preservação ambiental precisa caminhar junto com oportunidades para as populações amazônicas:

“Nós não podemos deixar também de esquecer o caboclo que vive aqui na Amazônia, que esse caboclo precisa viver, precisa se desenvolver”.

O empresário defende que os debates sobre preservação da floresta estejam conectados às necessidades de quem vive no território. “Os nossos governantes têm que sempre estar com essa agenda muito bem conectada com o pensamento do caboclo da Amazônia, das pessoas que vivem aqui”, afirma.

Da Ilha do Marajó para o Amapá

A história de Ladislao com a Amazônia começou ainda na infância, já que aos sete anos de idade, em 1964, deixou o arquipélago do Marajó. Dois anos depois, em 1966, retornou ao interior e, posteriormente, estabeleceu-se definitivamente na região onde construiria sua vida pessoal e profissional.

Ladislao Monte. Foto: Reprodução/Amazon Sat

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Casado e pai de três filhos, Ladislao passou décadas à frente dos negócios da família. Atualmente, integra o conselho de administração do Grupo Monte e também exerce a presidência da Federação do Comércio (Fecomércio) no Amapá, cargo para o qual foi escolhido para mais um mandato, após já ter comandado a entidade em outras duas oportunidades.

O nascimento do Grupo Monte

A história empresarial começou em 1º de dezembro de 1976, quando Ladislao e o irmão mais velho, Raimundo Pedroso do Monte, fundaram o que viria a se tornar o Grupo Monte. A iniciativa partiu de Raimundo, que convidou o irmão para trabalhar com ele. Inicialmente, o negócio funcionava como uma empresa individual, mas em 1978 Ladislao passou oficialmente a integrar a sociedade.

Raimundo morreu em 1980, mas deixou como legado a empresa que havia ajudado a criar, e a partir daquele momento, os demais irmãos começaram a participar da sociedade e da administração do negócio. Nos anos 1980, entraram Alice, Socorro, Tony e Isabel, e em 1991, os três irmãos mais novos, Walter, Teca e Silvia, também passaram a integrar a sociedade.

A participação de toda a família ajudou a construir uma das principais características do Grupo Monte: a continuidade da gestão entre diferentes gerações de irmãos. A década de 1980 foi marcada pela expansão da sociedade familiar, enquanto os anos 1990 também trouxeram mudanças importantes para os negócios.

Entre 1992 e 2003, a empresa passou por uma série de transformações, e em 2009, um novo momento começou com a contratação de uma consultoria especializada. A iniciativa tinha como objetivo profissionalizar ainda mais a gestão e preparar a empresa para garantir sua longevidade.

“Começamos um trabalho mais profissional, buscando a longevidade da empresa”, explica.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Em 2015, o Grupo Monte construiu o centro de distribuição, considerado outro marco na trajetória da empresa. Um dos momentos mais importantes da história recente do grupo ocorreu em 2019, quando depois de mais de três décadas de atuação na gestão, Ladislao decidiu deixar a presidência e a diretoria executiva.

Ao lado dele, outros três irmãos também deixaram a administração direta da empresa, e a gestão passou para os irmãos mais novos, enquanto Ladislao e os demais integrantes da família passaram a atuar no conselho de administração. A mudança marcou uma nova fase para o Grupo Monte: a continuidade do negócio pelas mãos dos irmãos que haviam entrado posteriormente na sociedade.

Para Ladislao, a transição representa uma conquista construída ao longo de décadas. “O que me dá mais felicidade é que, depois de 40 e poucos anos, eu resolvi sair da gestão da empresa e o comando da empresa hoje ficou exatamente com os três menores”.

Atualmente, Ladislao integra, ao lado dos sete irmãos, o conselho de administração do Grupo Monte. De uma empresa familiar a um grupo de negócios Hoje, o Grupo Monte reúne três operações principais: a Monte, a Tropical e os postos de combustíveis.

A Monte, empresa mais antiga do grupo, possui cinco lojas e um centro de distribuição, a Tropical conta com quatro lojas e também possui um centro de distribuição, e o grupo ainda mantém duas operações de postos de combustíveis. Ao todo, são nove operações de varejo e duas unidades de combustível.

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Um memorial para preservar a história

Com quase cinco décadas de trajetória, o Grupo Monte também decidiu preservar a própria história. Em 2024, junto à estrutura do novo centro de serviços compartilhados, foi criado um memorial dedicado à trajetória da empresa e da família.

O espaço reúne documentos, fotografias, equipamentos antigos, troféus e registros que contam a evolução do grupo desde sua fundação. Entre os objetos estão o primeiro computador utilizado pela empresa, calculadoras, máquinas, o primeiro relógio de ponto, um aparelho de Telex e equipamentos de fax.

O memorial também apresenta uma linha do tempo que percorre momentos importantes da história do Grupo Monte, desde 1976 até os dias atuais.

Além da história empresarial, o espaço conta a trajetória da família Monte. Fotografias e registros apresentam os pais de Ladislao e dos irmãos, além da participação de cada integrante na construção do negócio.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

A ideia é mostrar que o crescimento do grupo não aconteceu apenas por meio de investimentos e expansão comercial, mas também a partir da participação dos familiares ao longo das décadas.

“É uma história assim, de certa forma, um pouco inusitada, mas que traz muita alegria para nós em saber que a gente vem mantendo essa união dos irmãos”, destacou.

Outro espaço do memorial é dedicado aos colaboradores. Para Ladislao, os funcionários e gestores que passaram pela empresa também são responsáveis pela construção da trajetória do Grupo Monte.

O memorial reúne depoimentos de colaboradores que se aposentaram depois de anos de trabalho na empresa. A iniciativa busca reconhecer profissionais que ajudaram a construir o grupo ao longo das décadas e reforçar a importância das relações estabelecidas entre empresa e equipe.

A história continua

Ao olhar para quase cinco décadas de trajetória, Ladislao destaca que o crescimento do Grupo Monte foi resultado de uma combinação entre trabalho, responsabilidade e relações construídas ao longo dos anos.

Para ele, manter uma empresa familiar por tantas décadas exige mais do que administrar números e negócios. É necessário preservar a confiança entre os sócios, respeitar os colaboradores, fornecedores e clientes e manter os compromissos assumidos.

“Trabalhar com seriedade, respeitar muito a sua clientela, ter um respeito imenso também pela equipe de colaboradores e não esquecer todos os stakeholders que fazem parte do grupo”, afirmou e completou: “Ter um respeito muito grande por todas essas pessoas, ter humildade em tudo o que faz e procurar honrar todos os seus compromissos”.

Foi com esses princípios, segundo Ladislao, que o Grupo Monte conseguiu atravessar diferentes períodos econômicos, mudanças administrativas e gerações da família.

Ladislao Monte é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista:

Feira Pan-Amazônica do Livro espera receber 450mil visitantes em Belém

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Foto: Divulgação/Feira do Livro e Multivozes

A Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, em Belém (PA), é um dos principais eventos literários e culturais da Região Norte. A expectativa é receber 450 mil visitantes para atividades culturais, debates e lançamentos de livros no Hangar Centro de Convenções até o dia 6 de setembro.

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Os homenageados da 29ª edição da Feira são a cantora, compositora e atriz Nazaré Pereira e o Jabutigão, personagem criado pelo escritor, ator e ativista ambiental Luiz Peixoto Ramos.

Na programação, há dois totens do MEC Livros, plataforma digital que reúne quase 27 mil títulos contemporâneos licenciados e obras em domínio público e já soma mais de um milhão de usuários cadastrados.

Durante o evento, de dia, estão previstas apresentações artísticas e teatro de bonecos para crianças e estudantes. À noite, sempre às sete, a Arena das Multivozes recebe mesas de debate. Já no Ponto do Autor, os visitantes podem encontrar escritores em sessões de autógrafos.

Autores como Jeferson Tenório, de “O Avesso da Pele”, também participam da programação.

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Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes
Foto: Reprodução/Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes

Feira segue até domingo

Nesta quarta-feira (2), o tema é inclusão e acessibilidade na literatura e na arte. Na quinta (3), o destaque fica para jovens criadores, novas linguagens e mídias. Já na sexta (4), os debates abordam identidade, gênero, etnia e representatividade.

Até o encerramento, no domingo (6), a Feira Pan-Amazônica do Livro ainda promove discussões sobre diversidade e gênero na literatura, a Amazônia e a crise ecológica, além dos diálogos com o Sul Global.

A programação acontece no Hangar Centro de Convenções, no bairro do Marco, em Belém, das nove da manhã às nove da noite.

*Com informações da Rádio Agência Nacional

Países amazônicos buscam padronizar metodologia para monitorar saúde da floresta, informa OTCA

Cerca de 60 participantes estiveram no “Encontro Regional sobre Degradação Florestal na Amazônia: Metodologias e Ferramentas para a Cooperação no âmbito da Rede Amazônica de Autoridades Florestais (RAFO)”. Foto: Frida Montalvan/OTCA

Representantes dos oito Países Membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), especialistas e parceiros técnicos estão reunidos em Brasília, nos dias 27 e 28 de agosto, para avançar na construção de uma abordagem regional para compreender e monitorar a degradação florestal na Amazônia.

O evento, que reúne cerca de 60 participantes, é uma iniciativa da OTCA, no âmbito da Rede Amazônica de Autoridades Florestais (RAFO), com apoio técnica do Joint Research Center da Comissão Europeia (JRC) e suporte do Programa Amazônia+, financiado pela União Europeia e implementado pela Expertise France, Cooperação Italiana AICS e espanhola FIAP.

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O “Encontro Regional sobre Degradação Florestal na Amazônia: Metodologias e Ferramentas para a Cooperação no âmbito da Rede Amazônica de Autoridades Florestais (RAFO)” busca aproximar conceitos, metodologias e experiências desenvolvidas pelos países e identificar elementos comuns que possam fortalecer o monitoramento e apoiar decisões e políticas públicas na região.

Criada no âmbito da OTCA, a RAFO é um espaço de coordenação técnica entre as autoridades responsáveis pelas florestas nos Países Membros. Seu Plano de Trabalho 2025–2027 prioriza o fortalecimento das capacidades nacionais para o monitoramento do desmatamento e da degradação florestal e uma maior articulação regional.

Diferentemente do desmatamento, caracterizado pela remoção da cobertura florestal, a degradação envolve alterações na estrutura e no funcionamento da floresta que podem ser mais difíceis de identificar, medir e comparar. As diferenças conceituais e metodológicas entre países tornam a construção de uma visão regional um desafio técnico e, ao mesmo tempo, uma prioridade para a cooperação amazônica.

Na abertura do encontro, a diretora-executiva da OTCA, Vanessa Grazziotin, destacou que enfrentar esse desafio requer combinar o conhecimento já produzido pelos países com uma perspectiva regional.

“Temos que avançar não apenas no conceito de degradação, mas também nas metodologias que nos permitam fazer esse monitoramento. A expectativa é que possamos avançar juntos e construir um caminho comum para a região”, afirmou Grazziotin.

Também participaram da abertura a Presidência Pro tempore da RAFO e representantes da Delegação da União Europeia no Brasil.

Leia também: Entrevistas: secretária executiva Vanessa Grazziotin destaca atuação da OTCA na Amazônia

Países amazônicos buscam padronizar metodologia para monitorar saúde da floresta, informa OTCA
Foto: Frida Montalvan/OTCA

Experiências dos países amazônicos como ponto de partida

Os Países Membros apresentam suas experiências no monitoramento e enfrentamento da degradação florestal, permitindo comparar conceitos, metodologias, avanços, lacunas e desafios. O intercâmbio inclui também contribuições de instituições científicas, organizações da sociedade civil, Povos Indígenas e comunidades locais.

Para a Presidência pro Tempore da RAFO atualmente representado pelo Peru ressaltou que o intercâmbio é particularmente relevante porque a degradação florestal vem adquirindo importância crescente nas agendas dos países, mas ainda não conta com uma abordagem homogênea na região.

“Temos diferentes experiências e diferentes formas de abordar a degradação florestal. Este encontro nos permite conhecer o que cada país está fazendo, identificar pontos em comum e avançar em uma visão regional que respeite as particularidades nacionais”, ressaltou o presidente pro tempore.

A integração não significa substituir os sistemas nacionais por uma única metodologia. O objetivo é identificar convergências, compreender diferenças e ampliar a comparabilidade das informações, preservando as especificidades e capacidades de cada País Membro.

Para o Observatorio Regional Amazonico (ORA), a comparação entre as diferentes fontes e metodologias é fundamental para entender o que os dados efetivamente mostram sobre a degradação da floresta.

“A degradação é muito mais difícil de identificar e medir do que o desmatamento. Por isso, precisamos conhecer as metodologias utilizadas pelos países, compará-las com as ferramentas disponíveis em escala regional e entender como esses dados podem ser integrados. O ORA pode contribuir justamente para construir essa visão amazônica compartilhada”, afirmou.

*Com informações da OTCA