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Equipe resgata ossos de baleia de 14 metros e prepara coleção científica no Amapá

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Ossada de baleia-de-bryde é resgatada para estudos científicos. Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA) participaram do resgate dos ossos de uma baleia-de-bryde (Balaenoptera brydei) que encalhou no final de julho de 2025, na Ilha da Viçosa, em Chaves (PA), distante 4 horas de barco de Macapá (AP).

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O animal que era um macho de 14 metros, foi descarnado em agosto do mesmo ano, e desde então a operação de retirada estava sendo planejada A ação começou na quarta-feira (25) e terminou no domingo (29). O trabalho envolveu logística complexa, com transporte de estruturas pesadas como o crânio e a mandíbula, além da colaboração de moradores locais.

Após os processos, material deve passar por uma limpeza e em seguida será incorporado à coleção osteológica do Iepa. A equipe estuda a possibilidade de montar o esqueleto da baleia para fins científicos e educativos.

Ação de resgate

O barqueiro Alcindo Farias, conhecido como Chinoá, foi responsável por desenterrar parte dos ossos e ajudar no deslocamento até Macapá, onde o material será estudado. O acesso ao local exigiu planejamento cuidadoso. O biólogo e piloto de barco José Roberto Pantoja explicou que a profundidade do canal é muito baixa, o que limita o tempo de entrada e saída das embarcações.

“A gente tem um tempo bastante curto para entrar no canal e sair. A profundidade chega a apenas 50 cm, o que limita o transporte de materiais. Se perder o horário, só é possível voltar no dia seguinte”, explicou

Leia também: Crânio de baleia cachalote encontrado no Bailique integra coleção científica do Iepa no Amapá

José Roberto Pantoja, biólogo e piloto de barco esteve na missão de resgate dos ossos. Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP

Além das dificuldades de navegação, o trabalho de escavação também foi intenso. Segundo Alcindo, a equipe era pequena e precisou lidar com ossos frágeis, que exigiam cuidado redobrado.

“Foi um trabalho pesado, com equipe reduzida. Os ossos estavam frágeis e exigiram cuidado redobrado. Ainda bem que não choveu, conseguimos retirar todos”, afirmou Chinoá.

Entre as estruturas resgatadas, o destaque foi o crânio da baleia, que mede cerca de 3 metros de comprimento. O tamanho impressiona e reforça a importância científica do material. A médica veterinária Larissa Sacramento ressaltou que o registro é fundamental para ampliar o conhecimento sobre a espécie.

“Buscamos informações sobre a anatomia desses animais e percebemos que são escassas. Por isso, registramos e contamos os ossos para verificar se estão completos e se será possível montar o esqueleto posteriormente”, falou.

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Ossos de baleia encontrados no Amapá
Ossada de baleia-de-bryde é resgatada para estudos científicos. Foto: Alcindo Farias

O Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC) também esteve presente e realizou a contagem dos ossos, além de auxiliar no transporte das estruturas mais pesadas.

A baleia-de-bryde

Medindo cerca de 15 metros e pesando até 40 toneladas, a baleia-de-Bryde (Balaenoptera edeni) é a única espécie de baleia que vive exclusivamente em regiões temperadas e tropicais do planeta e, diferentemente das outras, não realiza migrações para regiões polares.

Baleia-de-bryde pode chegar a 15 metros. Foto: Julio Cardoso/Projeto Baleia à Vista

Geralmente, são vistas sozinhas ou em pares, mas se agregam em grupos de até 20 animais, nas regiões onde se alimentam. São capazes de nadar a velocidades de até 25 km/h, e podem mergulhar a cerca de 300 metros de profundidade.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

BR-319 deve impulsionar chegada de novas fábricas ao PIM, diz superintendente da Suframa

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A BR-319 deve ampliar a capacidade de transporte de insumos e produtos do Polo Industrial de Manaus, segundo o novo superintendente da Suframa, Leopoldo Augusto Melo Montenegro Junior. Foto: Divulgação/Suframa

A BR-319 deve ampliar a capacidade de transporte de insumos e produtos do Polo Industrial de Manaus e impulsionar a chegada de novas fábricas à capital. A avaliação é do superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Leopoldo Montenegro, em entrevista ao Grupo Rede Amazônica, realizada nesta quarta-feira (1º). Segundo ele, a rodovia será mais uma alternativa logística para fortalecer a competitividade do modelo.

Leia também: Licitação para pavimentação do trecho do meio da BR-319 é anunciada em Brasília

A declaração ocorre após o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) autorizar novas obras e abrir licitação para pavimentação de trechos da BR-319, entre o Igarapé Atií e o Igarapé Realidade, no Amazonas. A liberação foi assinada na terça-feira (31), em Brasília.

De acordo com Montenegro, a BR-319 pode facilitar tanto a entrada de matérias-primas quanto a saída da produção industrial. Ele destacou que o polo foi criado com foco no abastecimento do mercado interno e que a diversificação de modais é estratégica.

“A BR-319 vem muito a contribuir com isso porque é mais um modal que tanto escoa a mercadoria para dentro da Zona Franca de Manaus quanto a saída da Zona Franca de Manaus também pode ser utilizada por meio da BR-319”, destacou.

Leopoldo Augusto Melo Montenegro Junior assumiu o comando da Suframa no dia 20 de março no dia 20 de março. A solenidade marcou a despedida de João Bosco Gomes Saraiva e reuniu servidores e colaboradores no auditório do órgão.

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Falta de espaço para novas indústrias

O cenário logístico mais favorável se soma a um novo ciclo de expansão, segundo Leopoldo. Ao todo, 38 fábricas devem ser instaladas nos próximos três anos, além de outras 195 já aprovadas recentemente.

“Essas 38 fábricas que vão ser instaladas nos próximos três anos se somam a 195 fábricas que também foram aprovadas nos últimos três anos”, afirmou.

Segundo o superintendente, o avanço é impulsionado pela reforma tributária, que manteve as vantagens da Zona Franca de Manaus e aumentou a segurança para novos investimentos.

Desafio com a BR-319

Com a chegada de novas indústrias, a falta de áreas disponíveis para instalação se tornou um desafio. Os distritos industriais existentes já estão praticamente ocupados.

“Hoje eu diria que a gente tem um problema bom para resolver, porque é um problema que vai trazer investimentos para a Zona Franca de Manaus”, disse.

Para ampliar a capacidade, de acordo com Leopoldo Montenegro, a Suframa iniciou conversas com a Prefeitura de Manaus para revisar o plano diretor e permitir a instalação de indústrias em outras áreas da cidade.

Obras de pavimentação da BR-319
Foto: Reprodução/DNIT

Demanda por mão de obra qualificada

O crescimento também aumenta a necessidade de profissionais qualificados, segundo o superintendente da Suframa. Um estudo aponta que o polo vai precisar de mais de 3 mil engenheiros e 3,5 mil técnicos de nível médio nos próximos três anos.

“A demanda do polo industrial de Manaus para os próximos três anos, com relação a engenheiros, é de mais de três mil engenheiros. Com relação ao nível médio técnico, mais de 3.500 profissionais”, afirmou.

Montenegro informou que a Suframa tem buscado parcerias com instituições de ensino para incentivar a formação desses profissionais.

Faturamento recorde e projeção

O Polo Industrial de Manaus registrou faturamento recorde de R$ 227,7 bilhões em 2025, com 132.950 empregos diretos. Para 2026, a expectativa é manter o crescimento.

A projeção indica que o faturamento pode ultrapassar R$ 240 bilhões neste ano, dependendo do cenário econômico.

Leia também: Zona Franca de Manaus completa 59 anos como principal motor econômico na Amazônia

Monitoramento de eventos climáticos

A autarquia também acompanha os impactos de eventos como seca e cheia dos rios, que afetam o transporte. Mesmo com previsão de menor impacto, empresas já antecipam a compra de insumos para evitar prejuízos.

O monitoramento é feito em conjunto com órgãos de controle e com apoio de estudos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Metas da gestão

Entre as prioridades da Suframa estão a modernização dos sistemas, a regularização fundiária e a ampliação da atração de investimentos.

“Se a gente tem fábricas chegando, nós temos que fazer o nosso dever de casa e oferecer a infraestrutura necessária”, disse Montenegro.

A autarquia também se prepara para as mudanças da reforma tributária. A expectativa é que, a partir de 2033, a Zona Franca de Manaus se consolide como principal política de incentivo fiscal do país.

O Dia da Mentira: da Independência às fake news históricas de Rondônia

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General Cândido da Silva Rondon; obra de barro do escultor Bruno Souza. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Quando se fala em 1º de abril, o Dia da Mentira, a memória do brasileiro costuma vagar pelos corredores da política — um cenário onde a realidade frequentemente supera a ficção. No entanto, a “arte” de omitir ou florear fatos não é exclusividade dos palanques contemporâneos; ela está impregnada nos livros escolares e em telas famosas que moldaram nossa identidade nacional.

O grito que não foi bem assim

Um dos maiores exemplos de “idealização heroica” é o quadro Independência ou Morte, pintado por Pedro Américo em 1888. A obra, que está no Museu do Ipiranga, foi concebida 66 anos após o evento e está longe de ser um registro fiel.

Enquanto a tela mostra cavalos imponentes e uniformes de gala, a realidade de 7 de setembro de 1822 era bem menos glamourosa: Dom Pedro I viajava à paisana, montado em uma mula (animal mais adequado para longas subidas) e enfrentava uma severa indisposição intestinal (disenteria).

O riacho do Ipiranga e a tropa heroica foram ampliações artísticas para conferir ao vilarejo de São Paulo uma importância que ele só ganharia décadas depois.

Cartas falsas e a República

Já na fase republicana, o Brasil experimentou uma das primeiras grandes fake news eleitorais: as “Cartas Falsas de Artur Bernardes”. Em 1921, durante uma campanha presidencial acirrada, o jornal Correio da Manhã publicou correspondências supostamente escritas por Bernardes com ofensas pesadas ao Exército e ao marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente do país.

O escândalo quase custou a eleição ao candidato da elite cafeeira. Mais tarde, comprovou-se que as cartas eram falsificações grosseiras, forjadas por opositores para desestabilizar a candidatura de Bernardes — provando que o uso de desinformação como arma política é um vício antigo no país.

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Reconstruindo o “Marechal” Rondon

Trazendo a lupa para o cenário regional, o próprio patrono do estado de Rondônia não escapa das imprecisões históricas. O nome de batismo de Rondon era Cândido Mariano da Silva. O “Rondon” foi um nome de guerra adotado posteriormente em homenagem à genealogia de sua mãe, mas nunca constou oficialmente em seu sobrenome original.

Outra “meia verdade” consolidada é a sua patente. Rondon nunca foi marechal de fato, pelas regras das forças armadas. No Brasil, esse posto só é provido em tempos de guerra. Em 1955, quando recebeu a insígnia, o país vivia em paz e Rondon já era general na reserva desde 1930. A homenagem foi um título honorífico e simbólico entregue pela Câmara dos Deputados em seu aniversário de 90 anos, como gratidão pelos serviços prestados. General de Exército era, tecnicamente, o topo de sua carreira.

Vilhena, em Rondônia
Vilhena (RO). Foto: Daniel Belem Pereira via Wikipédia – Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional

O ouro fantasma de Vilhena

Na década de 1970, Vilhena (Sul de Rondônia) foi cenário de uma das lendas mais curiosas da região: o suposto “Tesouro de Rondon”. Dizia-se que a Comissão Rondon havia enterrado toneladas de ouro nas proximidades do Posto Telegráfico Álvaro Vilhena (a Casa de Rondon).

“Eu era criança no final dos anos 70 e ia lá cavoucar. As histórias variavam de 6 quilos a 6 toneladas de ouro”, recorda o comerciante Luiz Basílio, ex-proprietário do Cine São Luiz. A lenda era alimentada por um indígena local que guiava caravanas de “caçadores de tesouros” para escavações que nunca rendiam um grama sequer do metal precioso.

O Dia da Mentira: da Independência às fake news históricas de Rondônia
General Cândido da Silva Rondon; obra de barro do escultor Bruno Souza. Foto: Divulgação

O coronel Antônio Marialva, neto de Rondon e hoje residente em Manaus, lembra com bom humor das histórias bizarras que ouviu ao chegar em Vilhena em 1976. “Pessoas que não sabiam do meu parentesco diziam que meu avô mandava enterrar o ouro e depois matava as testemunhas, inclusive as cozinheiras. O detalhe é que a expedição nunca teve cozinheiras ou mulheres”, narra sorrindo.

Entre o mito e o afeto

Se na história e na política as mentiras servem para criar heróis ou esconder tesouros, no cotidiano elas assumem tons mais íntimos. Para a cabeleireira Janete Domingos, a maior mentira que já ouviu é clássica e universal: “A frase ‘eu te amarei para sempre’ é a que mais ouço até hoje”, diverte-se.

Seja por estratégia militar, ufanismo histórico ou promessas de amor, o 1º de abril nos lembra que a verdade, muitas vezes, é apenas uma questão de perspectiva.

Por que 1º de abril?

A tradição de pregar peças surgiu no século XVI, na França. Em 1564, o rei Carlos IX adotou o calendário gregoriano, movendo o Ano Novo de março para 1º de janeiro. Aqueles que, por distração ou resistência, continuaram celebrando na data antiga, passaram a ser zombados como os “Tolos de Abril”.

No Brasil: A prática ganhou força em 1828, ironicamente através da imprensa. O jornal mineiro A Mentira publicou, em sua primeira edição de 1º de abril, a falsa notícia da morte de Dom Pedro I. Desde então, a data se consolidou como um dia para descontrair com histórias fictícias e pegadinhas inofensivas.

Leia também: Mudo e em movimento: Rondônia pelas lentes de Thomaz Reis

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

‘Sementes da Resistência’: documentário mostra como mulheres sustentam a agricultura familiar no Acre

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

Um documentário que reúne histórias de mulheres agricultoras da região da Transacreana, em Rio Branco, evidencia o protagonismo feminino na agricultura familiar e na preservação de saberes tradicionais no Acre: ‘Sementes da Resistência’.

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A produção apresenta o cotidiano, os desafios e as conquistas de quem atua diretamente no cultivo de alimentos, no uso de plantas medicinais e na conservação de práticas passadas de geração em geração e foi lançada no dia 26 de março.

A obra, construída de forma colaborativa com mais de 300 integrantes do movimento de mulheres camponesas, mostra como essas agricultoras contribuem para a segurança alimentar e a manutenção da agrobiodiversidade na região.

Leia também: Documentário resgata mitologia Munduruku: mulheres usam câmeras de cinema para proteger a Amazônia

Maria Oliveira, produtora rural, documentário ‘Sementes da Resistência’. Foto: Reprodução/Documentário ‘Sementes da Resistência’

Uma das participantes é a agricultora Maria Oliveira, que viu sua rotina ganhar visibilidade a partir da produção. Ela conta que a experiência trouxe um sentimento de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no campo.

“Me sinto realizada, né, que nunca tinha aparecido a minha produção na televisão”, afirmou.

Maria também espera que a repercussão do documentário contribua para valorizar ainda mais o que é produzido na região. “Agora as pessoas vão poder ver os os produtos e reconhecer”, completou.

Documentário ‘Sementes da Resistência’, mostra como mulheres sustentam a agricultura familiar no Acre. Foto: Reprodução / Rede Amazônica

Leia também: Agricultura familiar é 8ª maior produtora de alimentos do mundo; Região Norte representa 15,4% do país

A idealizadora do projeto, Rosana Cavalcante, explica que a iniciativa surgiu inicialmente como parte de um estudo acadêmico voltado à compreensão do papel das mulheres na preservação da agrobiodiversidade. Segundo ela, a proposta era investigar os quintais produtivos, os cultivos e a transmissão de conhecimentos entre gerações.

“No começo, era um projeto de pós-doutorado para entender o que elas cultivavam, o que vinha das mães e avós e como isso chegava até elas hoje”, disse.

‘Sementes da Resistência’

No entanto, durante o processo, o foco mudou a partir das próprias agricultoras. “Quando eu cheguei para conversar, elas queriam contar as histórias. Aí eu parei tudo e, durante seis meses, eu só escutei”, relatou.

A partir dessa escuta, surgiu a ideia de transformar o conteúdo em um documentário. Para Rosana, não fazia sentido que as narrativas ficassem restritas ao meio acadêmico.

“Eu disse: não é justo que isso fique só para mim. Foi daí que surgiu o Sementes de Resistência”, explicou.

Rosana destaca que o título, ‘Sementes da Resistência’, faz referência às iniciativas de preservação de sementes agrícolas e práticas agroecológicas desenvolvidas pelas mulheres da região.

Leia também: Mulheres que cultivam: a força das agricultoras familiares na zona rural e comunidades indígenas de Boa Vista

O trabalho mostra ainda como essas ações garantem a soberania alimentar e contribuem para a conservação da biodiversidade.

Além de registrar o cotidiano das agricultoras, o documentário também ressalta o papel fundamental das mulheres na sustentabilidade das comunidades rurais e na continuidade de práticas tradicionais na Amazônia.

*Por Jhenyfer de Souza e Júnior Andrade, da Rede Amazônica AC

‘Redário’ é ponto de descanso e convivência para estudantes em Parintins

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Foto: Jean Beltrão/Rede Amazônica AM

Após um dia de aulas e provas, estudantes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Parintins, ganharam um espaço para descansar: um redário instalado no campus. Encontrar um momento para descansar pode fazer toda a diferença na rotina universitária.

O espaço foi inaugurado nesta semana e tem um detalhe curioso: a estrutura foi feita com madeira apreendida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e doada à universidade.

Nos intervalos das aulas, o redário virou ponto de encontro e descanso. O sucesso foi tão rápido que já há fila para conseguir alguns minutos nas redes. O redário tem espaço para seis redes.

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Com a rotina intensa de estudos, muitos alunos veem o redário como uma forma de recarregar as energias sem sair do campus.

Segundo estudantes, o espaço tem sido utilizado não apenas para descanso, mas também como ponto de encontro. Além de descansar, os universitários usam o espaço para conversar e se reunir.

“Geralmente eu ia muito para dentro das salas, me deitava no chão no tempo livre para descansar. Agora, os professores tiveram a ideia de fazer isso aqui, foi muito bom”, relatou o universitário Raí dos Santos.

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Redário busca proporcionar qualidade de vida

De acordo com a diretora da Ufam em Parintins, Maria Eliane Vasconcelos, a proposta é oferecer mais qualidade de vida aos estudantes dentro da universidade. A ideia, segundo ela, é ampliar o espaço para atender um número maior de alunos.

“Poder deitar na nossa rede, se embalar, descansar, conversar. As vezes dar aquele cochilo de 10, 15 minutos, renova pra continuar com esforço os estudos”, afirmou a diretora.

Além do descanso, o local também tem sido usado para estudos e socialização. Muitos estudantes aproveitam o ambiente para revisar conteúdos, conversar após o almoço ou simplesmente relaxar entre uma aula e outra.

“Basicamente entramos 7 horas nas nossas aulas e vamos aí até umas 11h, 11h30 mais ou menos, aí já pegamos almoço. Às 14h começam, pegamos aquela aula que às vezes vai até umas 18h. Ter esse momento aqui pós-almoço é muito bom pra relaxar, pra uma descansada, pra carregar um pouco a energia, pra voltar pra sala de aula”, destacou o universitário Elderfonso Oliveira.

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Redário vira ponto de descanso e convivência entre estudantes da UFAM em Parintins. Foto: Jean Beltrão/Rede Amazônica AM

A estudante Yanne Rufino contou que conheceu o redário e aprovou a iniciativa. Para ela, o ambiente contribui para tornar a rotina acadêmica mais leve. “A gente espairece olhando as árvores, a natureza. É incrível”, afirmou.

Entre livros e cadernos, a rede já começa a ser vista como item essencial na rotina universitária.

*Por Jean Beltrão, da Rede Amazônica AM

4º Dia de Campo em Hortifrúti apresenta novas técnicas de cultivo em Boa Vista

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A população encontrou diversas culturas plantadas por técnicos do município, entre elas a melancia. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

Os canteiros do Centro de Difusão Tecnológica (CDT), localizado na região do Bom Intento, zona rural do município, são um dos principais atrativos do 4º Dia de Campo em Hortifrúti da Prefeitura de Boa Vista. Os espaços foram planejados por técnicos da Secretaria de Agricultura e Assuntos Indígenas (SMAAI) para receber visitantes interessados em conhecer diferentes culturas e técnicas de manejo.

Antes do plantio, a área passou por um processo criterioso de preparação, incluindo limpeza, nivelamento e adubação do solo. Esse cuidado garantiu o desenvolvimento saudável das plantações e possibilitou as demonstrações durante as visitas guiadas.

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Centro de Difusão Tecnológica é símbolo de sustentabilidade e fomento da agricultura familiar. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

O evento reuniu um público diversificado, incluindo empresas fornecedoras de insumos, especialistas da Embrapa, produtores, cooperativas, associações da agricultura familiar, além de estudantes e acadêmicos de ciências agrárias.

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Os visitantes encontraram grande diversidade de culturas lado a lado, como quiabo, melão, batata-doce, berinjela, tomate, cenoura, abobrinha, macaxeira, pepino, brócolis, feijão-verde, repolho, cebolinha, coentro, amendoim e melancia. A variedade permitiu comparar técnicas, observar o comportamento de cada cultivo e esclarecer dúvidas diretamente com os técnicos.

Vitrine tecnológica da prefeitura, o CDT testa e valida cultivares para apoiar produtores rurais. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

“É muito difícil o agricultor investir na sua propriedade, gastar tempo e dinheiro e depois não ter resultado. Aqui no CDT, ele encontra uma fórmula já testada. Quando indicamos como plantar determinada cultura, é porque já realizamos ensaios e temos a forma mais eficiente e acessível para garantir bons resultados”, disse o secretário de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva.

A estudante de agronomia, Joádila Almeida de Melo Barros, participou pela primeira vez. “É fascinante ver como esse trabalho é desenvolvido. Assistir às palestras e depois acompanhar tudo na prática torna o aprendizado ainda mais completo”, destacou.

Os visitantes conheceram diferentes técnicas de manejo. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

Produtora há 10 anos, Mirlene Marques aproveitou para conhecer alternativas que podem ser aplicadas em sua propriedade, com foco em eficiência e sustentabilidade.

“Esses eventos ajudam a gente a aprender novas técnicas, conhecer produtos e sementes. Aqui, por exemplo, já aprendi sobre aplicação de insumos e passei a substituir produtos químicos por biológicos”, contou.

Agricultora cria pudim de melancia e vira sucesso em festival em Roraima

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica RR

Uma novidade criada pela agricultora Maria Ângela Viana de Araújo, de 63 anos, virou destaque na edição deste ano do Festival da Melancia: o pudim de melancia. O produto foi um diferencial para atrair clientes na tradicional festa realizada em Normandia, ao norte de Roraima, no fim de março. “Todo mundo quer saborear, é delicioso”, diz, orgulhosa da novidade que levou para a festa.

Produtora do fruto desde 1984, há 42 anos, Maria mora no Sítio Deus Me Deu, a cerca de 3 quilômetros da sede de Normandia, onde ocorre o festejo. A ideia de criar novos produtos surgiu a partir da própria produção.

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Além do pudim, ela também faz geleia, cocada, pão e doce em cubos — todos derivados do fruto. Segundo a agricultora, a iniciativa surgiu ao perceber o potencial da fruta cultivada na região. A receita do pudim não é compartilhada e é mantida em segredo pela agricultora.

“Sei fazer tudo que é derivado da melancia”, diz. Desde o início da festa, ela vendeu ao menos 150 doces. O famoso pudim custa R$ 7.

Leia também: Agricultora indígena cultiva melancias gigantes debaixo de ‘sombra e água fresca’ em Roraima

Melancias cultivadas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, ao Norte de Roraima.
Fruto é cultivado também na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, ao Norte de Roraima. Foto: Yara Ramalho/Acervo Rede Amazônica RR

Mãe de seis filhos, Maria conta que todos foram criados com o trabalho na agricultura. Ela segue na atividade, que gera renda e mantém a tradição local. Normandia é chamada de “Capital Roraimense da Festa da Melancia”.

Festival da Melancia

O Festival da Melancia chegou à 20ª edição este ano. A festa ocorreu de 26 a 28 de março. O evento reúne competições, feira de agronegócios, atividades culturais e shows. Entre os destaques estão os concursos da melancia mais pesada, da mais bonita e o desafio do maior comedor da fruta.

*Por Ester Arruda, da Rede Amazônica RR

Pesquisa analisa uso do pó de rocha como fertilizante em Rondônia

Foto: Reprodução/Site Agro 2.0

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) investiga o potencial do pó de rocha (de pedra brita) como alternativa sustentável e de baixo custo para a adubação de pastagens. O estudo é coordenado pela professora pesquisadora Elaine Delarmelinda, do curso de Zootecnia e do Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas Amazônicos.

O objetivo da pesquisa é avaliar o uso do pó de rocha como fertilizante para plantas forrageiras cultivadas em pastagens. Atualmente, esse material é gerado como resíduo no beneficiamento da brita no estado e não possui valor econômico.

Segundo a pesquisadora, transformar esse resíduo em insumo agrícola pode trazer benefícios econômicos, sociais e ambientais: 

“O pó de rocha pode se tornar uma alternativa muito mais barata em comparação aos fertilizantes comerciais, além de permitir o aproveitamento de um resíduo que hoje não tem destinação produtiva”.

Leia também: Pesquisa procura popularizar uso do ‘pó de rocha’ na produção agrícola e em pastagens

Etapas da pesquisa

Na primeira fase do estudo, os experimentos foram conduzidos em casa de vegetação, com o cultivo de plantas forrageiras em vasos para identificar as doses de pó de rocha com maior eficiência econômica.

Os pesquisadores também testaram o uso do material associado ao digestato, resíduo proveniente de biodigestores instalados em propriedades rurais.

Além da produção de biogás, esses equipamentos geram um subproduto rico em nutrientes, especialmente nitrogênio, que pode ser utilizado para melhorar a fertilidade do solo.

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Experimentos estão sendo feitos no cultivo de plantas forrageiras em casa de vegetação. Foto: Divulgação/UNIR

Com base nos resultados iniciais, a pesquisa entra agora em uma nova etapa: experimentos em campo, onde as forrageiras mais utilizadas na formação de pastagens na região serão avaliadas em condições reais de cultivo.

Avaliação do desenvolvimento das pastagens

O pó de rocha pode ser aplicado de duas formas nas áreas de pastagem: incorporado ao solo durante a implantação da pastagem ou distribuído a lanço ao longo do ciclo de produção, como adubação de manutenção.

Para avaliar os resultados, os pesquisadores analisam indicadores como altura das plantas, diâmetro do colmo, número de perfilhos e produtividade, medida em toneladas por hectare.

Rochas estudadas

O estudo investiga o potencial do pó de rocha, um resíduo gerado no beneficiamento da brita produzida principalmente a partir de granitos, rochas abundantes na região central de Rondônia e com potencial de fornecer potássio, nutriente essencial para o desenvolvimento das plantas e um dos componentes mais caros dos fertilizantes comerciais.

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Os primeiros resultados obtidos em casa de vegetação indicam que plantas cultivadas com pó de rocha apresentaram desenvolvimento igual ou superior às cultivadas com fertilizantes convencionais.

Esses dados apontam para a possibilidade de reduzir custos de produção na pecuária e, ao mesmo tempo, ampliar o aproveitamento de resíduos minerais.

Impacto regional

Pesquisa sobre o uso do pó de rocha como adubo foi premiada
Pesquisa desenvolvida na UNIR foi reconhecida como a melhor dissertação. Foto: Divulgação/UNIR

Além de contribuir para soluções agrícolas sustentáveis, o projeto também fortalece a formação acadêmica na universidade. A iniciativa, desenvolvida no campus de Presidente Médici da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), já resultou em quatro monografias do curso de Zootecnia e uma dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas Amazônicos da UNIR. E a dissertação vinculada ao projeto foi reconhecida no III Prêmio UNIR de Melhor Dissertação e Tese – Edição 2025, recebendo o título de melhor dissertação do programa.

Para a coordenadora do estudo, a pesquisa desenvolvida na UNIR tem potencial de gerar impacto direto na produção agropecuária de Rondônia. Ao propor o uso de insumos alternativos e mais acessíveis, o estudo pode contribuir para reduzir custos para produtores rurais, incentivar práticas sustentáveis e valorizar recursos disponíveis na própria região.

Se confirmados em campo, os resultados poderão ampliar o uso do pó de rocha como fertilizante em pastagens, fortalecendo a relação entre pesquisa universitária, inovação agrícola e desenvolvimento regional.

*Com informações da UNIR

1º Alerta de Cheias do Amazonas 2026: rio deve ficar acima da cota de inundação em Manaus e Manacapuru

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Rio Negro. Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) apresentou, nesta terça-feira (31), o 1º Alerta de Cheias do Amazonas de 2026, com 75 dias de antecedência para o pico das cheias. De acordo com as projeções, Manaus e Manacapuru podem registrar níveis acima da cota de inundação.

Há baixa probabilidade de um cenário de inundação nas estações de Itacoatiara e Parintins. As informações são essenciais para que as Defesas Civis municipais e estadual possam se preparar e tomar medidas para reduzir os impactos de eventos extremos.

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De acordo com o pesquisador do SGB Andre Martinelli, gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA), o cenário indica que será uma cheia com níveis próximos à média.

“O ciclo 2025/2026 tem mostrado forte variabilidade, no início do processo houve a influência do La Niña, que refletiu em níveis no limite superior da faixa de normalidade. A partir de janeiro de 2026 iniciou-se uma transição para a neutralidade ESNO, trazendo os níveis para valores muito próximos da média nas principais estações monitoradas”, afirmou.

Os dados em tempo real sobre os níveis na bacia estão disponíveis na plataforma do Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE).

Previsões das cheias

Segundo os dados divulgados, para Manaus, a previsão é que o rio Negro atinja cerca de 28,3 m, com um intervalo variando entre 27,55 m e 29,07 m (considerando 80% de intervalo de confiança). A probabilidade de que o rio venha atingir a cota de inundação na capital (27,50 m) é de 92%. Para a cota de inundação severa (29 m) essa probabilidade é de 12%, e para a cota máxima (30,02 m em 2021) é de apenas 1%.

Já em Manacapuru, a previsão é que o Solimões atinja, aproximadamente, 19,40 m, com um intervalo provável de 18,59 m a 20,21 m (considerando 80% de intervalo de confiança). Segundo o modelo utilizado, a probabilidade de que o rio venha atingir a cota de inundação em Manacapuru (18,20 m) é de 98%, mas para a cota de inundação severa (19,60 m) essa probabilidade é de 37%, já a cota máxima registrada em 2021 (20,86m) a probabilidade é abaixo de 1%.

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1º Alerta de Cheias do Amazonas 2026: rio deve ficar acima da cota de inundação em Manaus e Manacapuru
Cheia em Manacapuru. Foto: Reprodução/Defesa Civil do Amazonas

Em Itacoatiara, o rio Amazonas pode chegar a 13,90 m, com intervalo provável entre 13,42 e 14,39 m (considerando 80% de intervalo de confiança). Segundo o modelo utilizado, a probabilidade de que o rio venha atingir a cota de inundação (de 14 m) é de 39%, já a probabilidade de atingir cota de inundação severa (14,20 m) é de 20%. Para superar a cota máxima (15,20 m em 2021), a probabilidade é menor que 1%.

Em Parintins, a previsão é que o rio Amazonas atinja um valor em torno de 8,16 m, com um intervalo provável entre 7,65 e 8,67 m (considerando 80% de intervalo de confiança). Segundo as projeções do SGB, a probabilidade de que o rio venha atingir a cota de inundação em Parintins (8,43 m) é de 24% e de superar a cota de inundação severa (9,30 m) ou a cota máxima ( (9,47 m) é menor que 1%.

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Rio Negro invadindo centro de Manaus, durante cheias do rio. Foto: Reprodução/Defesa Civil do Amazonas

O evento do 1º Alerta de Cheias do Amazonas contou também com a participação do pesquisador Renato Sena do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); do Secretário Adjunto de Operações de Defesa Civil do Estado do Amazonas, coronel Erick de Melo Barbosa; e do Secretário Executivo da Defesa Civil de Manaus, tenente-coronel Agnelo Lima Júnior. Os próximos eventos do Alerta de Cheias 2026 serão realizados nos dias 30 de abril e 29 de maio.

*Com informações do Serviço Geológico do Brasil

Vulcão Amazonas: estudos detalham formação, idade e importância geológica do vulcão mais antigo do planeta

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Foto: Reprodução/ Youtube/ Data Science Brasil

O Vulcão Amazonas tem sido objeto de interesse de diversos grupos de pesquisa nacionais e internacionais. Localizado na região noroeste da Amazônia brasileira, ele ganhou destaque após estudos recentes apontarem que sua formação remonta a bilhões de anos.

Descoberto no início dos anos 2000 e divulgado através de uma pesquisa publicada na Revista Científica Scienc Direct, as análises reforçam que se trata do mais antigo vulcão conhecido do planeta – cerca de 1,9 bilhão de anos -, localizado na região de Uatumã, no sul do Pará. Desde então, pesquisadores seguem ampliando levantamentos para compreender o papel da formação na evolução geológica da área e na configuração atual da floresta.

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O anúncio sobre a idade do vulcão Amazonas surgiu a partir de investigações conduzidas por universidades brasileiras em colaboração com instituições estrangeiras. As escavações e análises de rochas permitiram identificar assinaturas químicas e minerais que indicam uma origem extremamente remota. O conjunto de características encontradas sugere que sua atividade inicial teria ocorrido em um período anterior ao surgimento de grande parte das cadeias montanhosas conhecidas atualmente.

Outro ponto que tem motivado estudos (estudo 1/ estudo 2) é a preservação das estruturas internas do vulcão Amazonas. Mesmo após bilhões de anos de erosão e mudanças ambientais, pesquisadores afirmam que marcas visíveis do antigo sistema magmático permanecem intactas o suficiente para permitir reconstruções detalhadas do processo de formação. Esse cenário favorece análises sobre dinâmicas geotectônicas antigas e oferece referências para compreender como ambientes primitivos influenciaram a modelagem do território amazônico.

A expedição que revelou dados mais recentes foi conduzida mediante coleta de amostras em profundidade, possibilitada por equipamentos de perfuração de alta precisão. As rochas encontradas carregam indícios de cristalização profunda e de fluxos magmáticos associados ao início da crosta terrestre. Estudos anteriores já apontavam a existência de um sistema vulcânico fossilizado na região, mas os novos resultados consolidaram a classificação do Vulcão Amazonas como o mais antigo registro vulcânico preservado.

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Formação e características geológicas da região

A formação do vulcão está vinculada a processos geológicos primordiais que ocorreram quando o planeta ainda desenvolvia seus primeiros continentes estáveis. As evidências coletadas indicam que o vulcão surgiu a partir de fissuras na crosta primitiva, por onde o magma ascendeu repetidamente. Esse tipo de formação é característico de ambientes tectônicos antigos, anteriores à configuração dos atuais limites de placas conhecidas.

Segundo a pesquisa publicada em 2021, o complexo vulcânico é composto majoritariamente por rochas ígneas profundas, como basaltos e andesitos modificados ao longo de milhões de anos. A ausência de estruturas superficiais completas — como crateras e cones — ocorre devido ao intenso desgaste provocado por ciclos climáticos e processos erosivos.

Ainda assim, análises estratigráficas identificam vestígios claros de condutos internos, alimentadores de lava e depósitos minerais associados a antigas erupções.

“Como estamos trabalhando com rochas muito antigas, não temos todas as evidências dessa formação. Coletamos pistas para desvendar o que ocorreu no passado”, detalhou André Massanobu Ueno Kunifoshita, um dos autores do estudo, em entrevista à Unicamp em 2024, sobre as formações amazônicas.

Modelagens realizadas a partir de sensoriamento remoto mostram que o sistema vulcânico se estende por uma vasta área, embora grande parte permaneça soterrada por sedimentações posteriores. Esse cenário levou pesquisadores a desenvolverem métodos específicos de mapeamento estrutural, combinando geofísica, geocronologia e geoquímica para reconstituir o formato original do vulcão.

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Importância científica e impacto para pesquisas na Amazônia

O reconhecimento do Vulcão Amazonas como o mais antigo do planeta amplia a compreensão sobre a origem geológica da região amazônica. Estudos indicam que parte da superfície atual da floresta foi moldada pela atividade deste antigo sistema magmático, que influenciou o relevo e as formações rochosas que serviram de base para a evolução posterior da vegetação.

Pesquisadores destacam que os minerais encontrados nas amostras do vulcão Amazonas contribuem para investigações sobre a evolução química do planeta. Elementos preservados nas rochas revelam informações sobre a atmosfera primitiva, o comportamento térmico do interior terrestre e as condições em que os primeiros blocos continentais se consolidaram.

A identificação desses registros em território brasileiro impulsiona novas expedições para mapear zonas ainda pouco exploradas da Amazônia. “Há várias coisas em jogo ao se estudar este período”, avalia a professora orientadora de André Kunifoshita, Maria José Mesquita.

Além disso, o estudo do Vulcão Amazonas auxilia na compreensão de antigas dinâmicas tectônicas presentes no escudo das Guianas, uma das estruturas geológicas mais antigas da América do Sul. A presença de rochas muito antigas fortalece hipóteses sobre a existência de um grande arco vulcânico que teria desempenhado papel importante na formação da crosta continental da região.

Linha do tempo e perspectivas para novas pesquisas

A linha do tempo construída a partir dos dados atuais indica que a atividade vulcânica do Vulcão Amazonas ocorreu em períodos muito anteriores ao registro de outros sistemas conhecidos. Os resultados de datação situam a formação em épocas que ultrapassam bilhões de anos, permitindo comparações com alguns dos primeiros eventos magmáticos da Terra.

Mosaico mostra descobertas sobre o vulcão Amazonas. Arte: Alex Calixto/ Unicamp

Os cientistas envolvidos nos estudos afirmam que ainda existem áreas que necessitam de exploração mais profunda. Instrumentos de geofísica avançada estão sendo utilizados para identificar camadas ocultas, enquanto novas amostras continuarão sendo submetidas a processos de datação de alta precisão para confirmar e ampliar as conclusões já divulgada,

As pesquisas sobre o Vulcão Amazonas seguem em expansão e têm ampliado o conhecimento sobre a história geológica da região amazônica e do planeta como um todo. A caracterização da formação como o vulcão mais antigo conhecido abre espaço para novas investigações e reforça a importância científica da Amazônia em estudos sobre a origem da crosta terrestre. As equipes permanecem em campo e em laboratórios, aprofundando análises que devem revelar novos detalhes sobre esse marco geológico preservado ao longo de bilhões de anos.