O fotógrafo oficial da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, Dana Merrill (caracterizado como caubói), posa ao lado de um grupo de indígenas. Ao centro, um deles com um rifle. Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal
Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com
Em 1909, o fotógrafo estadunidense Dana Merrill, então com 32 anos de idade, desembarcou em Porto Velho (atual capital de Rondônia e, à época, parte do território de Humaitá/AM) com a missão de registrar a grande e derradeira parte da aventura que foi a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, encerrada em 1912. Quando ele aportou no canteiro de obras, a ferrovia contava com apenas 74 quilômetros de trilhos assentados.
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Apesar de Merrill ser o nome mais festejado e reconhecido quando se pensa na iconografia da EFMM, é preciso fazer uma justiça histórica: antes de sua chegada, o engenheiro Percy Herbert Ashmead (1867–1919) já havia produzido cerca de 200 imagens a serviço da companhia. Ashmead só deixou o ofício paralelo de documentar o cotidiano ferroviário quando o profissional contratado assumiu as funções.
Pouco se sabe sobre a biografia de Dana Merrill, mas seu legado é monumental: são mais de 2.000 imagens produzidas entre 1909 e 1912, que capturaram uma das maiores e mais diversas ondas migratórias do planeta. Seus registros revelam o olhar de um verdadeiro documentarista, alguém que parecia compreender com exatidão a importância e a complexidade de seu tempo.
Mesmo trabalhando a serviço da cidade-empresa, suas fotografias também circulavam de forma independente, sendo vendidas como souvenirs nos classificados do jornal em língua inglesa The Porto Velho Times, que circulava entre os trabalhadores.
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Sobre o autor
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
