Situação ocorre em meio ao aumento de queimadas na região. Foto: Aline Nascimento/Rede Amazônica AC
Rio Branco apareceu nesta terça-feira (6) como a terceira cidade do país com pior qualidade do ar entre as cidades brasileiras listadas pela plataforma IQAir. O ranking é composto por outras duas cidades da Amazônia: Manaus (AM) e Porto Velho (RO).
Segundo os dados da plataforma, o Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺) na capital acreana chegou em 59, com o PM2.5 como principal poluente. A previsão da plataforma é que o índice chegaria a 61 ao longo do dia.
Baseado nas recomendações da OMS sobre a exposição ao ar poluído, o Índice de Qualidade do Ar (AQI, na sigla em inglês) é uma escala internacional elaborada para auxiliar o monitoramento da poluição do ar em diversos países por órgãos e autoridades. O AQI tem seis níveis, que vão de “bom” a “perigoso”.
O PM2.5 é formado por partículas muito pequenas suspensas no ar, com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por causa do tamanho, essas partículas podem ser inaladas e chegar às partes mais profundas do sistema respiratório.
Entre as orientações da plataforma estão reduzir a prática de exercícios ao ar livre, manter as janelas fechadas para evitar a entrada de ar contaminado e, em ambientes externos, usar máscara. A IQAir também recomenda que grupos sensíveis utilizem purificador de ar.
Índice AQI de qualidade do ar
O AQI utiliza três medidas para classificar as concentrações:
Partes por milhão (ppm) por volume
Partes por bilhão (ppb) por volume
Micrograma por metro cúbico (µg/m3) de ar
Essas unidades de medida são utilizadas para expressar a concentração de soluções muito diluídas. Por meio da detecção delas, o AQI expressa os níveis de poluição, que começam em zero e podem ultrapassar 300.
Legenda com as cores associadas a cada nível de poluição do ar na escala AQI. Foto: Reprodução/World Air Quality Index
0 a 50 – bom
Qualidade do ar satisfatória, com pouco ou nenhum risco à saúde.
51 a 100 – moderado
Qualidade do ar aceitável, no entanto, para alguns poluentes, pode haver um problema moderado de saúde para um número muito pequeno de pessoas sensíveis à poluição atmosférica.
101 a 150 – não saudável para grupos sensíveis
Membros de grupos sensíveis podem sofrer efeitos na saúde. Entretanto, o público em geral não é afetado.
151 a 200 – pouco saudável
Todos podem começar a sentir efeitos na saúde. Membros de grupos sensíveis podem sofrer efeitos mais graves.
201 a 300 – muito prejudicial
Toda a população tem maior probabilidade de ser afetada.
A partir de 300 – perigoso
Todos podem sofrer efeitos mais graves para a saúde.
Queimadas em setembro
O cenário ocorre em meio ao aumento dos focos de queimadas no Acre. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o estado registrou 877 focos em setembro, número 80% maior que o registrado em agosto, quando foram contabilizados 487.
Na comparação com setembro de 2025, quando o estado teve 840 focos, houve aumento de 4,4%. Somente em setembro deste ano, o Acre registrou mais focos do que havia acumulado nos oito primeiros meses de 2026. Entre janeiro e agosto, foram 584 ocorrências.
O período de maior concentração de queimadas na região amazônica costuma ocorrer entre agosto e outubro, quando há redução das chuvas e aumento das práticas de limpeza de áreas com uso do fogo.
Entre os municípios acreanos, Rio Branco foi o terceiro com maior número de focos em setembro, com 84 registros. Feijó liderou o ranking, com 165, seguido por Tarauacá, com 153.
Os dois municípios juntos concentraram 318 focos, cerca de 36% do total registrado no estado naquele mês.
O aumento dos focos veio depois de meses com números baixos no Acre. Foram dois registros em janeiro, dois em fevereiro, nenhum em março e dois em abril. A partir de maio, os números começaram a subir: foram 15 focos naquele mês, 20 em junho, 56 em julho e 487 em agosto.
O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), instituto científico mais antigo da Amazônia e segundo maior museu de história natural do Brasil, completa 160 anos nesta terça-feira, 6 de outubro. Para celebrar esta trajetória histórica em prol da região amazônica, a instituição terá, de 6 a 15 de outubro, uma programação especial de atividades e eventos para marcar mais de um século e meio de atuação na produção científica e feitos voltados para a Amazônia.
Em uma longa trajetória, a instituição vem redesenhando a forma de fazer ciência na Amazônia, fortalecendo sobretudo, o diálogo e a parceria nas pesquisas científicas com os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, mostrando à sociedade como a integração entre o conhecimento tradicional e o científico pode – e deve – caminhar lado a lado na busca pela conservação da sociobiodiversidade amazônica.
Em seus “160 anos de Amazônia”, construiu um acervo com 4,5 milhões de registros, distribuídos em 19 coleções científicas. A trajetória do Museu está registrada na sua produção científica de mais de um século e meio.
A trajetória do Museu está registrada na sua produção científica de mais de um século e meio. Hoje, possui um acervo com 4,5 milhões de registros, distribuídos em 19 coleções científicas. Foto: Divulgação/MPEG
De acordo com publicações de Nelson Sanjad, a instituição foi fundada em 1866 pelo naturalista e secretário de governo da Província do Pará, Domingos Soares Ferreira Penna, o então “Museu Paraense” só se consolidou anos depois, em 1894, sob a direção do zoólogo suíço Emílio Goeldi, que promoveu uma profunda reforma na instituição, transformando a cara do Museu, de um antigo “gabinete de curiosidades” para um centro de pesquisa científica sobre a história natural e etnográfica da Amazônia, reconhecido internacionalmente.
Pesquisadores do Museu, como Lucia Hussack Van Velthem e Helena Pinto Lima, registram que, ao longo da sua trajetória institucional, o MPEG tem realizado mudanças na natureza das suas relações com povos e comunidades tradicionais e seus saberes, reconhecendo-os como fundamentais na salvaguarda, documentação, gestão de acervos e produção colaborativa de conhecimento científico sobre a região.
Na área das ciências humanas, por exemplo, pesquisas realizadas em parceria com povos indígenas têm ampliado os conhecimentos nas áreas de etnografia, linguística e arqueologia e suprido demandas por novos estudos, vindas dos próprios povos.
Polo científico na Amazônia
Ainda conforme os registros históricos da instituição, no século XIX, o conhecimento sobre Amazônia era produzido predominantemente por estrangeiros que levavam itens e suas observações para os museus europeus e norte-americanos. Com a estruturação de uma base científica sediada na Amazônia durante a gestão de Emílio Goeldi (1894 a 1907), foi possível organizar coleções e realizar pesquisas locais que contribuíram para o desenvolvimento regional.
Cientista manipula amostra em laboratório de herpetologia do Museu Emílio Goeldi. Foto: Woltaire Masaki/MPEG
Goeldi foi responsável pela ampliação da divulgação científica da instituição, a partir da criação do “Boletim do Museu Paraense”, em 1894, um dos primeiros periódicos do país. Ele também contratou um corpo técnico e científico qualificado para a realização das pesquisas científicas e estruturação das coleções. Figuras como o botânico Jacques Huber, o zoólogo Adolf Ducke e a ornitóloga Emília Snethlage contribuíram para a ampliar as coleções científicas do Museu.
O diretor do MPEG, Nilson Gabas Júnior, destaca a importância desses e de outros pesquisadores para a memória institucional do Museu Goeldi.
“Ferreira Penna, Goeldi, Huber e Snethlage representam alguns dos nomes fundadores de uma história muito maior. Ao longo desses 160 anos, inúmeros pesquisadores, técnicos, servidores, colaboradores e parceiros dedicaram suas trajetórias ao Museu, produziram conhecimento, formaram novas gerações e ampliaram seus acervos. É esse esforço coletivo e continuado que permitiu ao Museu Goeldi atravessar mais de um século e meio, mantendo sua relevância como instituto de pesquisa pioneiro na Amazônia e como museu de história natural comprometido com a salvaguarda e a compreensão da sociobiodiversidade amazônica”, cita Nilson.
Expansão e vocações das bases físicas estratégicas
Pesquisadores do Museu Goeldi mostram itens da Coleção Etnográfica. Foto: Woltaire Masaki/MPEG
Também foi na Era Goeldi que o Parque Zoobotânico (PZB) foi criado, no ano de 1895, como um centro de pesquisa focado na fauna e na flora amazônicas, integrando em um único espaço, o lazer da população paraense e a divulgação científica. Essa relação da população com o PZB perdura até hoje, 131 anos depois, sendo um dos pontos da cidade mais frequentados por moradores e turistas.
Com a expansão da instituição para o Campus de Pesquisa, no bairro de Terra Firme, em 1979, e a criação da Estação Científica Ferreira Penna, em 1993, na Floresta Nacional de Caxiuanã, o Museu consolidou bases para o monitoramento socioambiental de longo prazo.
Os dados gerados pelas equipes da instituição subsidiam diretamente políticas públicas, como o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), o planejamento de unidades de conservação, diagnósticos de impacto ambiental e a elaboração da lista de espécies ameaçadas.
Produção científica contínua e preservação do patrimônio
Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) desde 1985, enquanto unidade científica, o MPEG tem como missão institucional realizar pesquisas, promover inovação, formar recursos humanos, conservar acervos e comunicar conhecimentos sobre a Amazônia.
Dados da última avaliação de desempenho da instituição revelam que mesmo atravessando momentos desafiadores em sua história, como problemas orçamentários e redução no número de servidores, a produção científica do MPEG se manteve intensa ao longo dos anos. Em 2025, ano da última avaliação, foram publicados 224 artigos científicos, livros e capítulos de livros; as coleções científicas foram ampliadas, com a inserção de 7,9 mil itens nos acervos; e 53 novas espécies foram descobertas e incluídas nas coleções biológicas. Esses números avançam ano após ano.
No âmbito da formação acadêmica, o Museu Emílio Goeldi mantém programas de pós-graduação em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e a Embrapa Amazônia Oriental. E, a partir de 2015, de maneira autônoma, mantém o Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Evolução (PPGBE) e, mais recentemente, o Programa de Pós-Graduação em Diversidade Sociocultural (PPGDS).
Integrantes do Clube de Pesquisadores Mirins. Foto: Matheus Neves/MPEG
A formação de novos pesquisadores tem sido um ponto estratégico para a instituição e para o desenvolvimento da região. Desde o processo de federalização, em 1950, o Museu Goeldi tem qualificado pesquisadores para atuar na Amazônia. Essa formação abrange, inclusive, crianças e adolescentes por meio do Clube do Pesquisador Mirim, projeto que estimula e potencializa a participação e o interesse da juventude pela ciência. Outros programas, como os de estágio, de bolsas de iniciação científica e de capacitação institucional não apenas incentivam jovens e profissionais a produzirem ciência, como também são responsáveis por boa parte da produção científica da instituição atualmente.
Nilson Gabas Júnior, diretor do MPEG. Foto: Divulgação/MPEG
Além disso, os pesquisadores participam de inúmeras redes de pesquisa e programas científicos, nacionais e internacionais, formando verdadeiras alianças científicas com outras instituições públicas de pesquisa, fundamentais para criar uma agenda científica comum para entender a dinâmica socioambiental da Amazônia e seus impactos na economia e ecologia regional.
“Aos 160 anos, nosso compromisso não é apenas celebrar o caminho percorrido. É reconhecer aqueles que o construíram e assegurar que esse patrimônio científico e cultural continue produzindo conhecimento, formando pessoas e contribuindo para a compreensão, o futuro e o desenvolvimento da Amazônia”, afirma Nilson Gabas Júnior, diretor do MPEG.
Programação de aniversário
As comemorações do aniversário do Museu Goeldi começaram com uma atividade aberta ao público no seu Parque Zoobotânico (PZB), nesta terça-feira (6). No próximo dia 15, haverá um concerto comemorativo, no Theatro da Paz, em Belém, com a Amazônia Jazz Band. Em fase de preparativos finais, essa última atividade tem a parceria da Embaixada Suíça no Brasil, que mantém projetos colaborativos com o Museu Goeldi, e deverá ter seus detalhes divulgados em breve.
Pluma do rio Amazonas diminiu salinidade do mar em cerca de 9%, aponta estudo. Foto: European Space Agency / Wikimedia Commons
O Amazonas é o maior rio do planeta e responde por cerca de um quinto de toda a água doce que chega ao oceano. Essa descarga gera a pluma do rio Amazonas, que alcança até mesmo áreas a centenas de quilômetros da foz através das correntes marítimas. Um estudo publicado na revista científica internacional Global Biogeochemical Cycles no dia 30 de setembro por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) mostra que a água doce da pluma diminui a salinidade média do Atlântico Tropical Oeste em cerca de 9%. Isso favorece a absorção de dióxido de carbono da atmosfera, o CO₂, pelo oceano.
A influência da pluma é maior no período de chuvas na Amazônia, quando há descarga de água doce no oceano em maior volume. Como efeito, há redução da salinidade em até 11% e de diferentes componentes da química do carbono na região entre 8% e 10%.
Rica em nutrientes, a pluma também estimula o desenvolvimento do fitoplâncton, microrganismos que são a base da cadeia alimentar marinha e que realizam fotossíntese a partir da captura do CO₂, que é o gás mais associado ao efeito estufa. Já na estação seca, o fitoplâncton está menos abundante por conta da menor influência da pluma e, portanto, tende a absorver menos o CO₂.
A equipe analisou dados coletados entre 1991 e 2019 por pesquisadores de diferentes países e disponibilizados em bancos internacionais — obtidos por cruzeiros organizados pela comunidade científica e por equipamentos instalados em navios mercantes com rotas no Atlântico. A partir de parâmetros como salinidade, temperatura e quantidade de CO₂ na superfície do mar e na atmosfera, os cientistas estimaram a contribuição percentual da pluma sobre diferentes variáveis químicas do oceano, como alcalinidade, pH e concentração de carbono inorgânico dissolvido.
Mapa da Bacia da Foz do Amazonas. Imagem: Reprodução/Nasa
Eles compararam as médias das condições do Atlântico durante os quase 30 anos de dados com as médias da região diretamente influenciada pela pluma para identificar diferenças entre elas nos períodos seco e chuvoso.
O artigo é derivado da dissertação de mestrado de Matheus Batista sob orientação dos professores Eunice Machado e Rodrigo Kerr da FURG e conta com a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade de Sorbonne (França).
Batista e o pesquisador Thiago Monteiro, professor da UFBA e coautor da pesquisa, explicam que o trabalho é pioneiro em quantificar a contribuição da pluma do rio Amazonas sobre as variáveis químicas do oceano a partir de dados observacionais — estudos anteriores trabalharam a partir de modelos computacionais, que simulam como a região seria sem a existência do rio.
“Este trabalho mostra que o que acontece na foz do Amazonas e na margem equatorial gera impacto em uma área muito grande no oceano Atlântico”, frisa Monteiro.
Artigo é continuidade dos estudos sobre a pluma do rio Amazonas
O artigo dá continuidade às pesquisas da equipe, que já havia investigado as trocas de CO₂ na região da pluma, mas ainda não havia se debruçado sobre a influência das demais variáveis nesse processo. Batista observa que a salinidade é a primeira variável do oceano afetada pelo rio Amazonas, já que a água doce dilui a salgada. Apesar de o estudo não avaliar impactos diretos da química do carbono na vida marinha, a diminuição da salinidade está relacionada, por exemplo, ao aumento do pH, importante para a formação de conchas ou esqueletos em organismos como corais e moluscos.
A equipe pretende agora entender a influência da pluma ao longo da coluna d’água, para além da superfície, além de investigar a variação temporal dos parâmetros para além da média calculada na pesquisa atual. “Ainda não sabemos se o percentual de diminuição desses parâmetros varia ao longo do tempo. Então o próximo passo seria colocar essa informação em modelo para estimar as tendências”, detalha Monteiro.
A continuidade dos estudos pode ajudar a avaliar possíveis efeitos das mudanças climáticas no Atlântico, especialmente com a mudança do regime de chuvas na Amazônia.
“Já sabemos que o período chuvoso está ficando mais intenso, aumentando a influência da pluma, e no período seco está havendo menos chuva do que deveria, então há menos influência da pluma. E isso tem um impacto nos fluxos de CO₂ e nas variáveis do sistema carbonato”, conclui Batista.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) registrou 124 acionamentos para combater incêndios florestais no Amapá entre julho e setembro. O dado faz parte do balanço parcial divulgado pelo Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), que atua na contenção das queimadas em diferentes regiões do estado.
As equipes intensificaram os trabalhos nos municípios amapaenses devido ao período de estiagem prolongada e aos efeitos do fenômeno El Niño.
Brigadas e regiões mais afetadas
As unidades estão distribuídas nos extremos do estado — em Oiapoque e Laranjal do Jari — e no centro amapaense, em Tartarugalzinho e Amapá, locais que concentram a maior incidência de focos de incêndio e onde ocorreram os 124 acionamentos.
Ao todo, 60 brigadistas atuam na prevenção e no combate às queimadas no estado.
Seca propicia o aumento de focos de incêndio. Foto: Divulgação/CBM-AP
Diante do volume de ocorrências, a superintendente fez um alerta sobre o risco de queimadas urbanas no período de calor extremo.
“A gente pede para que a população faça o seu deverzinho de casa, não queimando lixo nos seus quintais, na frente de casa, não acionando esse fogo, por conta do período que nós vivemos. As temperaturas estão muito altas, então qualquer tipo de matéria pode virar um material de combustão”, disse a superintendente do Ibama no Amapá, Débora Thomaz.
Fogo subterrâneo e ações preventivas
No município de Amapá, a situação é mais crítica na região da Reserva Biológica do Lago Piratuba devido ao fogo subterrâneo. Em julho e agosto, o órgão intensificou ações preventivas, como a construção de aceiros, faixas de terra limpas de vegetação para conter o avanço das chamas.
Nos quatro municípios atendidos, o Ibama também realizou campanhas de educação ambiental, queimadas controladas e diálogos itinerantes com as comunidades para reduzir o surgimento de novos focos.
Foto: Divulgação/CBM-AP
Além do combate, o Prevfogo realiza atividades de recuperação ambiental e reflorestamento com apoio da empresa parceira Ansel, que doa mudas plantadas com a ajuda de moradores locais.
Alerta e canal de denúncias
Como as bases locais do Prevfogo não realizam monitoramento por satélite em tempo real, os atendimentos dependem de chamados diretos da comunidade assim que o fogo tem início. Débora Thomaz reforça a importância da prevenção:
“Mínimo sinal de fumaça, faça os acionamentos às brigadas de Prevfogo, ao Corpo de Bombeiros, a todos os órgãos que estão trabalhando no combate. Primeiro, não queimem nada. Segundo, façam o acionamento dos órgãos de prevenção e controle para que esse fogo seja debelado o mais rápido possível, para que nós todos consigamos impedir que a Amazônia pegue fogo”.
*Por Isadora Pereira e Manuelle Tavares, da Rede Amazônica Amapá.
Calor intenso pode chegar a sensação de 40ºC durante as procissões. Foto: Rogério Uchoa/Acervo Agência Pará
O meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) de Belém (PA), José Raimundo de Sousa, em entrevista para a coluna do Um Grau e Meio, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), explicou como o El Niño pode se refletir na capital paraense durante o Círio de Nazaré este ano.
O especialista, que atua no órgão desde 1982, falou sobre as condições climáticas previstas para o período do Círio, os efeitos do El Niño e os fatores que podem contribuir para a sensação de calor intenso durante as procissões.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém
Qual é a previsão climática para o Pará, especialmente para Belém, durante o período do Círio de Nazaré de 2026?
José Raimundo de Sousa: Para Belém, a previsão indica céu claro a parcialmente nublado entre 6h e 14h, com presença de sol entre poucas nuvens. O sol nasce às 6h20 e as temperaturas começam em torno de 24°C ao amanhecer, aumentando ao longo da manhã. A previsão é de que as temperaturas fiquem entre 24°C e 33°C durante esse período, com máxima de aproximadamente 38°C entre 11h e 14h30.
O El Niño está influenciando as condições climáticas previstas para o Círio deste ano? De que maneira?
José Raimundo de Sousa: Sim. O fenômeno El Niño tem como uma de suas características a redução das chuvas em Belém e, durante o período seco, pode contribuir para prolongar essa condição de menor ocorrência de precipitações. Com menos chuva e uma redução da cobertura de nuvens, uma quantidade maior de radiação solar consegue chegar diretamente à superfície. Esse processo favorece o aumento das temperaturas e pode tornar as condições de calor mais presentes durante o período do Círio. Dessa forma, a influência do El Niño ocorre tanto pela redução das chuvas quanto pelas condições que favorecem temperaturas mais elevadas na cidade.
Há tendência de temperaturas acima da média ou de redução/aumento das chuvas para o período do Círio?
José Raimundo de Sousa: As temperaturas máximas previstas para o período do Círio estão entre 1°C e 2°C acima da média. Há possibilidade de os termômetros atingirem 36°C, o que representa até 3°C acima da média histórica para o mês de outubro. Portanto, entre as condições previstas para o Círio deste ano, o destaque está justamente na ocorrência de temperaturas acima da média, especialmente nos horários de maior aquecimento.
Quais condições meteorológicas merecem maior atenção durante as procissões deste ano?
José Raimundo de Sousa:“As altas temperaturas merecem atenção, assim como a elevada umidade relativa do ar, que pode variar entre 80% e 94%. Com essas condições, a sensação térmica pode chegar a aproximadamente 40°C, provocando maior desconforto durante as procissões. Diante desse cenário, é importante que as pessoas mantenham a hidratação e tomem água para evitar os efeitos do calor”, ponderou o especialista.
Existe comparação possível com anos anteriores de Círio que tiveram condições climáticas semelhantes?
José Raimundo de Sousa: Nos últimos anos, não houve registros de chuva no período entre 6h e 12h durante o Círio. Esse comportamento já mostra que as condições observadas nas manhãs das procissões têm apresentado períodos mais secos. No entanto, neste ano, a previsão indica uma condição diferente em relação às temperaturas, com um cenário mais quente durante o período do Círio.
Portanto, embora seja possível observar que a ausência de chuva pela manhã também ocorreu em anos anteriores, as condições previstas para este ano apontam para uma experiência de maior calor durante as procissões.
O que explica a sensação de calor intenso que costuma ser percebida durante as procissões? Temperatura, umidade e radiação solar têm qual papel nessa percepção?
José Raimundo de Sousa: A aglomeração de pessoas causa maior desconforto e contribui para aumentar ainda mais a sensação térmica. Em relação às condições na superfície, é recomendável procurar áreas de sombra, especialmente sob árvores, e considerar locais mais descampados que permitam maior ventilação natural. No decorrer da manhã, o vento predominante estará de nordeste e leste, com algumas horas de vento vindo do norte na região da Boulevard Castilhos França. Essa circulação também é influenciada pelas brisas marítimas, com ventos originados da Baía do Guajará.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Suelen Padilha.
Belém (PA) se prepara para enfrentar um dos períodos mais intensos de calor previstos para 2026. Com a chegada de outubro e novembro, a capital paraense entra no nível 3 de alerta do Plano de Ação Municipal de Belém para o Enfrentamento ao El Niño 2026-2027. Nesta etapa, as temperaturas podem atingir 39°C ou mais, com sensação térmica de até 43°C.
Os efeitos das mudanças climáticas, provocados pelas emissões de combustíveis fósseis, queimadas, gases de efeito estufa e guerras internacionais que lançam poluentes na atmosfera, são apontados como fatores fundamentais para que o El Niño 2026-2027 seja o mais severo da história desde o início dos estudos sobre o fenômeno, em 1950.
O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Esse aquecimento altera os padrões de ventos e chuvas em escala global e produz efeitos diferentes nas regiões brasileiras.
No Norte, o fenômeno costuma provocar redução das chuvas e elevação das temperaturas. Já no Sul, os efeitos são inversos, com chuvas mais intensas e concentradas, aumentando o risco de enchentes e deslizamentos.
Plano Municipal envolve articulação institucional
O fenômeno começou no mundo em junho. Diante da previsão de intensificação dos efeitos, a Prefeitura Municipal de Belém elaborou o Plano de Ação Municipal de Belém para o Enfrentamento ao El Niño 2026-2027.
O planejamento envolve uma articulação entre as secretarias municipais, Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Pará e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Cada órgão elaborou estratégias para enfrentar os efeitos do El Niño, posteriormente reunidas no Protocolo de Alerta e Enfrentamento ao Calor Extremo, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belém (Semma).
O documento estabelece medidas para orientar a atuação da Prefeitura de Belém e a população sobre os cuidados necessários diante do avanço das temperaturas.
A titular da Semma, Juliana Nobre, explica que o Protocolo de Enfrentamento ao El Niño é muito importante para Belém, pois mostra como esse fenômeno pode trazer impactos importantes para a nossa região, principalmente o calor extremo.
“Precisamos estar preparados e esse protocolo tem justamente esse papel: integrar os diferentes órgãos e estabelecer ações de monitoramento, prevenção e resposta, permitindo que se antecipem cenários e se proteja principalmente as populações e os territórios mais vulneráveis”.
Essa é a primeira vez que a prefeitura produz um relatório tão completo sobre os fenômenos provocados pelo El Ninõ e como deve agir para mitigar os seus impactos.
Protocolo prevê quatro níveis de alerta
A assessora técnica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) Bárbara Paiva, uma das elaboradoras do Plano de Ação e do Protocolo de Calor Extremo, explica que o documento estabelece os níveis de alerta que a Prefeitura precisa emitir para a população.
“Nós estabelecemos níveis de alerta para orientar a população sobre como agir para mitigar os efeitos do calor e também para explicar quais são as ações da Prefeitura em cada nível. Isso envolve tanto as medidas que serão adotadas pelo poder público quanto aquilo que cada pessoa pode fazer, individualmente, para se proteger e contribuir para a mitigação dos efeitos do fenômeno”.
O protocolo municipal foi dividido em quatro níveis de alerta. Os níveis 1 e 2 foram registrados entre julho e setembro de 2026, período em que a Prefeitura intensificou uma série de ações preventivas.
Os níveis 1 e 2 foram registrados entre julho e setembro de 2026, período em que a Prefeitura intensificou uma série de ações preventivas voltadas à arborização da cidade. Foto: Paula Lourinho
Entre as medidas estão o plantio de mudas, a criação de corredores verdes e o transplantio de árvores, principalmente nas áreas periféricas de Belém. Também houve implantação de microflorestas e expansão dos jardins de chuva.
A Prefeitura passou ainda a incentivar a participação dos moradores na arborização da cidade por meio do programa Plante Aqui.
Outra medida foi o reforço na distribuição de água nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e nas escolas.
A preocupação também esteve voltada para os grupos considerados mais vulneráveis aos efeitos das ondas de calor. Por isso, a orientação foi reforçar a hidratação de crianças, idosos e pessoas com comorbidades, diante dos riscos de óbitos provocados pelas altas temperaturas.
Alerta máximo: Belém entra no nível 3 em outubro
A partir de outubro, Belém entra no nível 3, considerado de alerta máximo no planejamento apresentado pela Prefeitura para o período. A previsão é de temperaturas de 39°C ou mais, com sensação térmica podendo chegar a 43°C.
Nesta etapa, a gestão municipal vai decretar situação de emergência ambiental e proibir totalmente as queimadas.
Outubro e Novembro têm previsão de picos de calor extremos, com sensação térmica que podem chegar a 43°C. Foto: Paula Lourinho
O período também exige atenção especial por coincidir com o Círio de Nazaré, quando Belém recebe grande concentração de pessoas nas ruas durante as procissões.
Círio contará com ações especiais
Para enfrentar o calor durante as procissões do Círio, a população vai contar com jatos de água itinerantes, espaços para triagens médicas, fornecimento gratuito de água e instalação de pontos de hidratação.
A Prefeitura também prevê a climatização dos abrigos destinados às populações mais vulneráveis. Outra medida prevista no nível 3 é a suspensão de atividades e programações realizadas ao ar livre.
Orientação é evitar sair de casa
Com a intensificação do calor, a assessora técnica da Semma explica que a orientação do protocolo à população é evitar sair de casa, principalmente entre 10h e 16h, período em que a exposição às altas temperaturas deve ser reduzida. Também é recomendado diminuir o consumo de álcool e café, bebidas que podem contribuir para a desidratação.
No nível 3, a orientação é que a população evite sair de casa. Foto: Jader Paes
Os cuidados devem ser redobrados com idosos, crianças e pessoas com comorbidades, que necessitam de atenção especial durante os períodos de calor extremo.
Em caso de mal-estar provocado pelo calor, a orientação é procurar atendimento de emergência e acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.
Os cuidados devem ser redobrados com idosos, crianças e pessoas com comorbidades. Foto: Paula Lourinho
O nível 4 compreende os meses de dezembro de 2026 e janeiro de 2027, quando as temperaturas já estarão mais amenas. Nesse período, a gestão municipal irá avaliar o Plano de Ação Municipal de Belém para o Enfrentamento ao El Niño e o Protocolo de Calor para possíveis ajustes estruturais para 2027.
A Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Pará iniciou o processo de revalidação do Carimbó como Patrimônio Cultural do Brasil. O primeiro Encontro Territorial de Revalidação foi realizado no dia 26 de setembro, em Soure, no Marajó, reunindo também representantes de Salvaterra.
A atividade contou com a participação de mestres, mestras e representantes de grupos de carimbó dos dois municípios. Durante o encontro, os participantes realizaram uma avaliação conjunta dos efeitos do reconhecimento do Carimbó como Patrimônio Cultural do Brasil e das ações de salvaguarda desenvolvidas desde o registro.
Também foi analisada a execução do Plano de Salvaguarda do Carimbó, construído de forma participativa com os detentores entre 2015 e 2019 e composto por 45 ações. O encontro em Soure contou com o apoio do Laboratório de Etnobiologia e Educação Intercultural (LEEI), da Universidade Federal do Pará (UFPA), campus Soure-Marajó, por meio do projeto EduCarimbó.
Os Encontros Territoriais estão sendo planejados e articulados pelo Iphan em conjunto com integrantes do Comitê Gestor da Salvaguarda do Carimbó, administrações municipais e lideranças locais. A proposta é ampliar a escuta e garantir a participação dos detentores e instituições parceiras no processo de revalidação, em diferentes regiões do Pará.
Entre os objetivos dos encontros estão:
apresentar e esclarecer como funciona o processo de revalidação;
ouvir mestres, mestras, grupos, associações e instituições sobre as transformações ocorridas no Carimbó desde 2014;
identificar avanços, desafios, conflitos e novas demandas relacionadas à salvaguarda;
e construir coletivamente propostas e encaminhamentos que subsidiarão o Parecer de Revalidação.
Foto: Reprodução/Festas Populares Brasileiras
Processo de escuta para revalidação do carimbó
Até o momento, estão confirmados encontros em oito territórios:
31 de outubro – Capanema (participação de Capanema, Primavera e Quatipuru); 1º de novembro – Irituia (Irituia e São Miguel do Guamá); 7 de novembro – Parauapebas (Parauapebas, Marabá e Canaã dos Carajás); 14 de novembro – Marapanim (Marapanim e Terra Alta); 15 de novembro – Curuçá; 21 de novembro – Alter do Chão (Alter do Chão e Santarém); 28 de novembro – Santarém Novo; 29 de novembro – Salinópolis.
Outros encontros ainda estão sendo planejados e articulados em diferentes territórios.
Revalidação
O Decreto nº 3.551/2000 determina que os bens registrados como Patrimônio Cultural do Brasil sejam reavaliados pelo Iphan, pelo menos, a cada dez anos. O resultado desse processo é encaminhado ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, responsável por deliberar sobre a revalidação do título.
A reavaliação considera as transformações pelas quais o bem cultural passou desde o registro, faz um balanço das ações de salvaguarda realizadas e aponta recomendações para futuras iniciativas de apoio, promoção e fomento.
O processo não busca reavaliar o mérito do reconhecimento do Carimbó nem julgar o próprio bem cultural. Seu objetivo é atualizar informações, aperfeiçoar a atuação institucional e fortalecer o compromisso estabelecido entre o Iphan e as comunidades detentoras do patrimônio cultural.
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Equivocada e politicamente eleitoreira a decisão governamental de designar 20 municípios (18 no Amazonas e dois em Rondônia), ao longo da sub-região do entorno da BR-319, como área especial da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR). Além desse ponto, a medida desmoraliza, por absolutamente inócuo, o Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia – PRDA 2024-2027, cuja meta maior prevê “espelhar anseios dos governos e da sociedade regional, ao tempo em que oriente ações estratégicas do governo federal na região fundamentado nos princípios de sustentabilidade, inclusão social e governança compartilhada”.
A respeito da coluna da semana passada, recebi mensagem do pesquisador Jorge Porto, coordenador geral de Pesquisa, Capacitação e Extensão do Inpa, no qual salienta: “Senti falta no texto uma comparação que fundamentaria uma decisão estratégica que não seja apenas pavimentar ou não pavimentar”; mas, “quais resultados, cada combinação de infraestrutura e governança tende a produzir, para quem, onde e em que prazo”.
“O texto é convincente ao exigir atenção à segurança logística e ao cobrar que o governo não produza planos sem execução!”. Pondera: “É insuficiente ao atribuir às novas medidas uma finalidade protelatória e ao tratar a pavimentação imediata como consequência necessária dos dados de estiagem apresentados. Talvez uma posição tecnicamente defensável seria exigir, simultaneamente, um cronograma público para a solução de mobilidade, a integração explícita do novo plano ao PRDA e à AAE, salvaguardas territoriais com responsáveis, orçamento, marcos de implantação e indicadores verificáveis”.
“Se o plano anunciado não trouxer esses elementos, a crítica à sua utilidade ganhará fundamento. Se trouxer, tua avaliação deve recair sobre a execução e os resultados, e não sobre a presunção de que planejar o território seja, em si, atrasar a rodovia”, conclui.
No que tange à visão analítica do ponto de vista econômico e empresarial sobre a importância da BR-319 como eixo fundamental da integração rodoviária do Amazonas ao resto do Brasil, o empresário Antonio Azevedo, presidente do grupo TV Lar, considera de alta prioridade discutir meios de conciliar desenvolvimento econômico, segurança energética, preservação ambiental e melhoria efetiva da qualidade de vida da população amazônica.
Tenho a impressão, afirma, “de que estamos em uma verdadeira encruzilhada histórica. O mundo vive um período de profundas transformações impulsionadas pela inteligência artificial, pela transição energética e pela reorganização das cadeias produtivas globais. Nesse contexto, o Brasil precisa encontrar caminhos para desatar os nós que há décadas limitam o aproveitamento responsável de suas imensas potencialidades”.
Foto: William Magnussom/PPBio Cenbam
Para Azevedo, a Amazônia, em particular, “reúne ativos estratégicos que podem ser decisivos para o futuro do país. O desafio está em transformar essas riquezas em desenvolvimento sustentável, inovação, conhecimento e bem-estar para a população local, sem perder de vista os compromissos ambientais e de governança que você tão bem destacou no artigo”.
Modais de transporte, categorias de meios usados para mover cargas e pessoas, são fundamentais como suporte de integração e conciliação das atividades econômicas. Vale enfatizar que o transporte rodoviário é o principal pilar logístico do Brasil, responsável por movimentar cerca de 65% a 75% de todas as cargas e mercadorias do país.
Embora, na Amazônia, pela gigantesca malha fluvial da região, predomine o hidroviário, não há meio de assegurar eficiência do transporte local sem o suporte do modal rodoviário. Os dois não se excluem, ao contrário, complementam-se. A propósito, salienta o engenheiro Vladimir Paixão e Silva, professor da Ufam: “sem logística adequada, capacidade de armazenagem, integração dos modais de transporte, qualificação técnica e uma política consistente de desenvolvimento, fica muito difícil saber onde queremos chegar em 2073!”.
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Resultado da votação para presidente da República teve Flávio Bolsonaro com mais votos que Lula nos estados da região.
Após 100% das urnas eletrônicas apuradas, neste 4 de outubro, o resultado das votações para presidência da República nos estados da Amazônia Legal teve o candidato Lula (PT) como o mais votado em cinco unidades federativas, contra quatro de Flávio Bolsonaro (PL). Apesar do resultado, a disputa segue para o segundo turno das eleições 2026, previsto para o dia 25 de outubro.
Palácio do Planalto é a sede do Poder Executivo Federal, local de trabalho do Presidente da República do Brasil. Foto: Reprodução/Governo Federal
Confira o resultado da votação para presidente do Brasil na Amazônia Legal, que abrange nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Resultados da votação de presidente na Amazônia Legal
Acre
Flávio Bolsonaro (PL) venceu com 64,56% dos votos válidos.
Lula (PT) ficou com 28,73% dos votos válidos.
Amapá
Lula (PT) venceu com 45,71% dos votos válidos
Flávio Bolsonaro (PL) ficou com 45,67% dos votos válidos.
Amazonas
Lula (PT) venceu com 48,23% dos votos válidos.
Flávio Bolsonaro (PL) ficou com 45% dos votos válidos.
Maranhão
Lula (PT) venceu com 63,99% dos votos válidos.
Flávio Bolsonaro (PL) ficou com 30,90% dos votos válidos.
Mato Grosso
Flávio Bolsonaro (PL) venceu com 65,15% dos votos válidos.
Lula (PT) ficou com 29,18% dos votos válidos.
Pará
Lula (PT) venceu com 49,91% dos votos válidos.
Flávio Bolsonaro (PL) ficou com 44,50% dos votos válidos.
Rondônia
Flávio Bolsonaro (PL) venceu com 67,45% dos votos válidos.
Lula (PT) ficou com 25,89% dos votos válidos.
Roraima
Flávio Bolsonaro (PL) venceu com 71,06% dos votos válidos.
Lula (PT) ficou com 22,86% dos votos válidos.
Tocantins
Flávio Bolsonaro venceu com 50,44% dos votos válidos.
A cada quatro anos, a população brasileira vai às urnas para eleger os próximos representantes nos cargos de deputado federal, deputado estadual (ou distrital), senador, governador e presidente da República. Milhões de eleitores exercem o direito do voto para definir os que ocuparão os cargos no poder federal e estadual pelos próximos quatro anos.
Nas Eleições 2026, a votação é para duas vagas no senado para cada estado e o Distrito Federal. Este ano ocorre a renovação de dois terços da Casa, o que corresponde a 54 das 81 cadeiras. Os senadores têm mandato de oito anos e as vagas são renovadas de forma alternada a cada quatro anos, sendo uma vaga em um pleito e duas no seguinte. Assumem os cargos os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação.