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Pesquisadores indígenas do Rio Negro fortalecem registros sobre o território com uso de celular

Cerca de 20 pessoas, entre AIMAs, professores, lideranças, conhecedores e estudantes da região, participaram da atividade com o celular. Foto: Mauro Pedrosa/AIMA

Durante três dias, os Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs) do rio Tiquié participaram de uma oficina de produção de conteúdo com celular, realizada na comunidade Serra de Mucura, durante o encontro semestral de pesquisadores da região localizada no município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, que aconteceu de 6 a 16 de agosto. 

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Conduzida pela Assessoria de Comunicação do Instituto Socioambiental (ISA) e pela coordenação da Rede Wayuri, a oficina foi pensada para aprimorar os registros que os agentes já realizam durante suas atividades de monitoramento e no dia a dia, fortalecendo a comunicação a partir do território.

Cerca de 20 participantes, entre AIMAs, professores, lideranças, conhecedores e estudantes da região, participaram da atividade. A proposta foi partir de algo que já faz parte do cotidiano dos pesquisadores – o uso do celular para fotografar, filmar e se comunicar – para desenvolver um olhar mais atento sobre como registrar uma história, uma paisagem, uma prática ou um conhecimento.

Pesquisadores indígenas do Rio Negro fortalecem registros sobre o território com uso de celular
AIMAs entrevistaram conhecedores durante atividade prática de produção de vídeo com celular. Foto: Vanessa Fernandes/ISA

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No primeiro dia, os participantes aprenderam noções básicas de enquadramento, estabilidade da imagem, escolha da orientação do celular, uso da luz natural e cuidados com o áudio. Em uma atividade prática, foram convidados a sair pela comunidade e contar uma história utilizando apenas a fotografia, experimentando diferentes formas de observar e registrar o território.

No segundo dia, o foco foi a produção de áudios com qualidade utilizando apenas o celular. Os participantes aprenderam técnicas para gravar a própria voz e, em seguida, fizeram um primeiro exercício de edição, organizando imagens e sons em uma sequência nos aplicativos de edição para celular. A proposta foi trabalhar com ferramentas simples para transformar os registros em uma narrativa, combinando imagens, sons e locução.

Durante a oficina, também foi trabalhada uma etapa fundamental de qualquer produção: planejar antes de gravar ou fotografar. Para isso, os participantes foram convidados a responder perguntas simples, como: qual é o tema do conteúdo? Quem pode contar essa história? Onde ela será gravada ou fotografada? O que será mostrado? O que será dito na locução? E para qual público aquele conteúdo será produzido?

Esse planejamento é especialmente importante quando os registros envolvem conhecimentos tradicionais, como locais sagrados, benzimentos, medicinas tradicionais ou outros conhecimentos específicos. Nesses casos, é necessário conversar previamente com os conhecedores e os mais velhos para definir o que pode ou não ser mostrado, registrado e compartilhado.

Aimas durante prática de enquadramento para fotografia e vídeo com o celular. Foto: Vanessa Fernandes/ISA

No último dia da oficina, divididos em grupos, os participantes colocaram em prática todas as etapas aprendidas: escolheram o que contar, organizaram o roteiro, fizeram os registros, gravaram as locuções, editaram e finalizaram os vídeos.

Entre os temas escolhidos estavam a produção e o uso de instrumentos da maloca, narrativas de criação e aves semeadoras. Para construir as narrativas, conhecedores e os próprios pesquisadores indígenas foram entrevistados, compartilhando conhecimentos e histórias relacionados aos temas escolhidos.

À noite, no encerramento da oficina, todos se reuniram para assistir e comentar as produções. A exibição também se transformou em um momento de troca entre diferentes gerações. Os conhecedores presentes compartilharam outras histórias sobre a origem e a importância de instrumentos rituais, como o tambor e o uhpitu – um apito, cuja forma se assemelha a um jarro, produzido em argila –, ampliando as narrativas apresentadas nos vídeos e aproximando diferentes formas de transmissão de conhecimento.

Fortalecendo narrativas

Para Claudia Ferraz, coordenadora da Rede Wayuri e uma das facilitadoras da oficina, a atividade reforçou a importância de uma comunicação produzida pelos próprios povos indígenas e voltada, sobretudo, para a circulação de informações entre os próprios parentes. Além de ser uma ferramenta para o registro de suas histórias, cotidianos e realidades, o celular também contribui para o combate às fake news sobre os territórios.

“O mais importante é essa produção dos próprios parentes, de nós mesmos, trazendo informações nas nossas línguas. A maior parte das narrações, dos relatos e das informações aqui na oficina foi feita nas línguas maternas da comunidade”, destaca Claudia.

Roberval Pedrosa é liderança e AIMA há mais de 20 anos. Para ele, aprender a utilizar o celular para produzir fotos, vídeos e áudios representa uma ferramenta complementar aos registros que os pesquisadores já fazem em seus diários de campo. “Isso será uma ferramenta que a gente terá que usar diariamente, acompanhar com os diários, e vai fortalecer bastante as nossas pesquisas”.

Ainda segundo a liderança, também é uma forma de divulgar o trabalho dos pesquisadores indígenas e trocar conhecimentos com pesquisadores de outras regiões. “Com o tempo, a gente vai praticando, mandando as fotos para a Rede Wayuri ou para o ISA, para mostrar diretamente o que está acontecendo, acompanhar a realidade do clima e aprender com outros colegas”, explica.

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Conhecedores contam histórias sobre instrumentos sagrados durante apresentação das produções feitas com o celular e encerramento da atividade de comunicação. Foto: Claudia Ferraz/Rede Wayuri

Para Ismael dos Santos, pesquisador desde 2009, a oficina também abriu possibilidades que ainda não faziam parte de sua experiência. Ele destaca principalmente os aprendizados sobre produção de áudio e aplicativos de edição.

“Ninguém tinha tido esse tipo de oficina antes. Eu aprendi bastante. Isso vai ajudar muito para divulgar alguns videozinhos, tirar fotos, enviar e compartilhar com meus colegas do nosso grupo”, finaliza.

Essa foi a primeira oficina de comunicação direcionada aos pesquisadores indígenas. De acordo com Aloísio Cabalzar, antropólogo do ISA e analista de pesquisa intercultural do Programa Rio Negro, a realização é parte de um desejo antigo de fortalecer a colaboração entre a rede de pesquisadores e a rede de comunicadores, a fim de compartilhar os resultados dos registros dos AIMAs, realizados há mais de 20 anos, especialmente sobre o clima e suas mudanças, além do registro das narrativas tradicionais.

As oficinas dos AIMAs são realizadas duas vezes ao ano nas diferentes regiões do Alto Rio Negro onde os pesquisadores estão presentes, com o objetivo de promover a troca de conhecimentos e aprofundar temas específicos relacionados ao monitoramento e à pesquisa no território. Nesta edição no Tiquié, além da comunicação, os participantes trabalharão conhecimentos sobre o manejo de capoeira, dando continuidade à primeira etapa da formação, realizada em novembro de 2025, na comunidade Boca da Estrada.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo ISA, escrito por Vanessa Fernandes

Ingredientes da Amazônia levam foodtech ao pódio de desafio de inovação da América do Sul

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Produto da Mahta, integrante do portfólio da AMAZ Aceleradora de Impacto, ficou em 2º lugar no Fi South America 2026. Foto: Divulgação

Integrante do portfólio da AMAZ Aceleradora de Impacto desde 2021, a foodtech brasileira Mahta conquistou o 2º lugar no Startup Innovation Challenge 2026, na categoria ‘Produto Mais Inovador em Saudabilidade’, durante o principal evento de ingredientes da América do Sul, o Fi South America 2026, em São Paulo.

O reconhecimento foi obtido pela Mahta Bar Açaí e Camu-Camu, produto desenvolvido a partir de ingredientes da floresta amazônica para combinar proteína vegetal, fibras, textura e densidade nutricional em uma formulação limpa e prática.

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A premiação destaca um processo de desenvolvimento que buscou responder a um desafio definido pela equipe da Mahta desde o início: criar uma barra proteica saborosa, macia e de alta densidade nutricional a partir de superalimentos amazônicos.

O trabalho foi liderado pela área de Pesquisa e Desenvolvimento da foodtech, comandada pela cientista Dra. Larissa Bueno, e envolveu uma série de desafios tecnológicos relacionados à formulação, textura, sabor e estabilidade do produto.

“A gente sabia tudo que queria alcançar com essa barrinha. A gente queria uma barrinha super saborosa, limpa e macia”, afirma a pesquisadora. 

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Ingredientes da Amazônia 

Uma das principais questões, durante o desenvolvimento foi chegar à maciez característica da barra sem depender dos mesmos recursos utilizados em diversas formulações da categoria. A solução passou pela escolha e combinação dos próprios ingredientes.

A manteiga de cupuaçu, por exemplo, foi incorporada à formulação e à cobertura como parte importante da construção da textura. Segundo Larissa, cada obstáculo técnico encontrado durante o desenvolvimento levou a equipe a buscar uma alternativa alinhada à proposta do produto.

“A gente foi quebrando essas barreiras técnicas”, conta. “Acabou ficando uma barrinha super macia por conta da presença da manteiga de cupuaçu”, completa.

Além dela, ingredientes como castanha-do-Brasil, cacau, nibs de cacau, cupuaçu e frutas amazônicas ajudam a construir sabor, textura e densidade nutricional. A barra também utiliza proteína de levedura e fibras prebióticas. 

Ingredientes da Amazônia levam foodtech ao pódio de desafio de inovação da América do Sul
Foto: Divulgação

Matriz alimentar mais ampla 

A Mahta Bar foi concebida seguindo um princípio que orienta o desenvolvimento dos produtos da marca: não olhar apenas para nutrientes isolados, mas para a combinação de proteínas, fibras, micronutrientes e compostos bioativos presentes nos alimentos.

Na barra, a proteína está inserida em uma matriz composta por ingredientes da floresta. As frutas amazônicas utilizadas passam por liofilização, processo que retira a água sem processo térmico e busca preservar nutrientes, compostos bioativos, cor e sabor.

Essa diversidade também trouxe complexidade ao desenvolvimento. “A barrinha é um produto denso. Ela tem que compactar um monte de coisa diferente em um lugar pequenininho”, explica Larissa. O objetivo, segundo ela, era chegar a um produto que “tem gosto de comida de verdade, tem gosto de ingrediente natural. Não é muito doce, é macia”, descreve. 

Fibras como parte central 

Cada Mahta Bar de 40 gramas oferece 12g de proteína e 11g de fibras, além de ter zero açúcar adicionado e zero polióis, carboidratos usados como substitutos do açúcar comum . Mais do que um número no rótulo, as fibras ocupam papel central na concepção do produto e fazem parte da estratégia da empresa de combinar praticidade com uma alimentação de maior densidade nutricional. 

Para Larissa, esse olhar deve ganhar cada vez mais espaço na discussão sobre alimentação e bem-estar. “As fibras são as novas proteínas. A gente vai chegar a uma maturidade de entender que fibra é tão importante quanto proteína e tão importante quanto micronutrientes”, afirma. 

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A Mahta Bar está disponível nos sabores Cacau Selvagem e Açaí e Camu-Camu. No portfólio da empresa, ela foi criada como uma alternativa prática entre refeições, levando para o formato de barra a proposta da Mahta de transformar a biodiversidade amazônica em alimentos para o dia a dia. 

A medalha de Prata conquistada pela versão Açaí e Camu-Camu no Fi South America 2026 reforça justamente esse percurso de desenvolvimento: utilizar ciência e tecnologia de alimentos para transformar ingredientes da floresta em uma solução contemporânea, prática e nutricionalmente densa. 

“A Mahta vem reforçando a tese de que negócios podem, ao mesmo tempo, promover inovação, acessar novos mercados e gerar valor agregado à conservação florestal em termos de renda no território. Isso é possível através de parcerias com as comunidades locais e P&D como fatores essenciais de sua estratégia” , pontua Gabriela Souza Líder de Novos Negócios do idesam, que coordena a AMAZ Aceleradora de Impacto.

*Com informações da assessoria

Para o verão amazônico, tendência é uma maquiagem que remeta a uma pele saudável, diz empresária da beleza

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Maquiagem com pele saudável é tendência para o verão amazônico. Foto: Divulgação

O verão amazônico chegou e as altas temperaturas também. Para quem gosta e usa maquiagem diária, esse período do ano é sempre um desafio: como deixar a make intacta na correria do dia a dia?

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Para a empresária da beleza Thania Sousa, representante no Amazonas da Farmasi, transpirar não é problema quando se está com uma maquiagem com produtos bons. O segredo, afirma, é o cuidado com a pele, com uma hidratação para prepará-la para a maquiagem. “É onde tudo começa”.

“O produto precisa deixar a pele transpirar, o que não dá é sair levando a base, como se estivesse derretendo com a transpiração. Muita gente acredita que, por estar maquiada, não vai transpirar, mas vai, sim. Esse é o primeiro mito que precisamos derrubar”, explica Thania.

Para o verão amazônico, a tendência é uma maquiagem que remeta a uma pele saudável, diz empresária da beleza
A tendência é uma maquiagem que remeta a uma pele saudável, diz empresária Thania Sousa. Foto: Divulgação

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Para atravessar o verão amazônico com uma maquiagem diária que dure, a empresária dá algumas dicas: primeiro, uma boa hidratação, porque pele ressecada e sem água não segura o produto.

“Depois vem o skin care [cuidados com a pele], que é o que vai fazer a diferença na maquiagem final. Um sabonete adequado para a pele, principalmente para a pele da mulher amazonense que é mais oleosa em função do nosso clima. Então é preciso usar produtos que vão ajudar a balancear a pele”, ressalta.

Maquiagem com pele saudável é tendência para o verão amazônico. Foto: Reprodução/Magnific

Maquiagem vem depois da skin care

Representante da marca turca Farmasi, Thania destaca o sabonete líquido que possui em sua composição a melaleuca, que é adstringente, anti fúngico e anti-inflamatório e que vai fazer todo esse tratamento na pele.

Para finalizar a skin care, ela recomenda a aplicação de um tônico para fechar os poros da pele, que foram abertos com o uso do sabonete.

“Aí é que você passa o hidratante para balancear a oleosidade da pele e finaliza com o protetor solar, de preferência o que seja gel em creme ou loção. Esses são os mais adequados para esse tipo de pele e para o verão amazônico”, acrescenta.

Após todo esse skin care, Thania afirma que a pele está preparada para receber a maquiagem, que ficará firme por mais tempo.

Quanto à base, Thania Sousa explica que há uma ciência na escolha da melhor tonalidade: precisa ter harmonia do rosto com o colo. “Se eu tenho um rosto escuro e um colo claro, eu vou subir o claro do colo para o meu rosto, então, a minha base vai ser de tom claro. Se eu tenho um rosto claro e um colo escuro, aí eu vou pegar uma base escura e trazer para o meu rosto”, orienta, se referindo ao teste de base que as mulheres costumam fazer para escolher a mais adequada.

Com a base certa, acrescenta a empresária, a maquiagem vai ficar mais harmonizada no rosto. “Porque a maquiagem, ela é feita para a gente ter harmonia. O cérebro da gente compra, ele gosta dessa harmonia”, finaliza.

*Com informações da assessoria

Pesquisa destaca importância da bacia hidrográfica onde estão lagos Bolonha e Água Preta, em Belém

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Foto: Geovani Luz

Se vives na Região Metropolitana de Belém (PA), com certeza, já ouviste falar dos lagos Bolonha e Água Preta, principalmente durante aquele passeio de domingo no Parque Ambiental do Utinga. Isso porque é nessa localidade que estão situados esses dois mananciais responsáveis pelo abastecimento de cerca de 70% das torneiras em toda a capital paraense.

Mas, apesar de sua importância, os lagos enfrentam desafios ambientais devido ao crescimento urbano e à falta de saneamento básico, o que pode levar à degradação da qualidade da água e à diminuição da biodiversidade local.

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Essa constatação vem da pesquisa Análise da dinâmica da cobertura e uso do solo na bacia hidrográfica dos lagos Bolonha e Água Preta, Belém, Pará, de Jackison Mateus Lopes Barros. O trabalho analisa as mudanças no uso e na cobertura da terra ao longo dos anos, a forma como ocorreu a gestão da bacia hidrográfica em que estão localizados e a importância da manutenção das áreas de vegetação para a conservação dos seus recursos hídricos.

Nesse contexto, a criação de unidades de conservação, como o Parque Ambiental do Utinga e a Área de Proteção Ambiental (APA), se faz fundamental para a recuperação da vegetação local. Ainda assim essas áreas precisam ser constantemente monitoradas e preservadas.

Os lagos Bolonha e Água Preta constituem importantes mananciais utilizados no sistema de captação e tratamento que atende a uma parcela significativa da população da Região Metropolitana de Belém. Eles se caracterizam como microbacias pertencentes à Bacia Hidrográfica do Murutucum, onde estão as nascentes dos mananciais “Buiussuquara”, “Catu” e “Utinga”. Obras de engenharia deram origem aos lagos nos anos de 1945 a 1951.

“Esta bacia possui uma importância histórica, pois é usada para o abastecimento da Região Metropolitana de Belém desde 1887, quando as águas dos mananciais “Aureliano”, “Buiussuquara” e “Antão” eram extraídas da mata do Utinga por um sistema de canalização”, explica o pesquisador.

Considerando que a bacia abriga os principais mananciais utilizados no abastecimento de água de Belém, o estudo mostra que, ao longo do tempo, grande parte das bacias urbanas sofreu aterro de áreas alagadas, canalização de igarapés, supressão de vegetação ciliar e ocupação de várzeas e planícies de inundação. Além disso, o aumento populacional nas áreas de bacias hidrográficas também afeta diretamente o sistema público de abastecimento de água, tanto em termos de quantidade, quanto de qualidade da água disponível.

Urbanização desenfreada traz consequências

Com o crescimento populacional na Região Metropolitana de Belém, cresce também o consumo de água para uso doméstico e industrial, o que exige maior captação de água dos mananciais que abastecem a cidade, acarretando o aumento da pressão sobre a infraestrutura de captação, tratamento e distribuição. O crescimento urbano frequentemente resulta, ainda, no lançamento de esgoto doméstico, descarte inadequado de resíduos sólidos e ocupação irregular de áreas de proteção.

“Esses processos podem contaminar igarapés, lagos e aquíferos que contribuem para o abastecimento público. Quando a água captada apresenta pior qualidade, as estações de tratamento precisam utilizar mais produtos químicos e processos adicionais para torná-la própria para consumo”, continua Jackison Mateus.

Na pesquisa, o aumento populacional em Belém foi registrado de forma indireta por meio da análise multitemporal de imagens de sensoriamento remoto utilizando a abordagem Geographic Object-Based Image Analysis (Geobia), por meio da qual foram observadas imagens coletadas entre os anos de 1984 a 2023 (missão Landsat). A técnica consiste em segmentar as imagens em diferentes partes homogêneas em cor, textura e forma.

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bacia hidrográfica onde estão lagos Bolonha e Água Preta, em Belém
Foto: Reprodução/Cosanpa

Com base nas respostas espectrais dos pixels das imagens, cada segmento foi classificado de acordo com as classes analisadas, entre as quais: Lagos (corpos hídricos em geral), Macrófitas (conjunto de plantas aquáticas desenvolvidas nas superfícies dos lagos), Floresta (floresta ombrófila, nativa e secundária), Pastagem (vegetação herbácea com pequenos arbustos) e Ocupação urbana (assentamentos urbanos).

Os resultados indicam que, considerando a bacia hidrográfica dos lagos estudados, a classe florestal representou o maior aumento, de 1.589 hectares (ha), em 1984 (39,6%), para 2.143,8 ha, em 2023 (53,4%). “Uma comparação para o leitor ter uma noção dessa mudança, um hectare equivale a mais ou menos um campo de futebol, então uma perda de vegetação, por exemplo, de 200 hectares equivale aproximadamente a 200 campos de futebol”, explica o autor.

Já a pastagem teve o maior declínio, caindo de 1.315 ha, em 1984 (32,7%), para 714,2 ha, em 2023 (17,7%). A área urbana apresentou um leve aumento, de 703,1 ha, em 1984 (17,5%), para 836,4 ha, em 2023 (20,2%), semelhante ao aumento de macrófitas aquáticas, de 57,5 ​​ha, em 1984 (1,4%), para 134,5 ha, em 2023 (3,3%). Consequentemente, a cobertura lacustre diminuiu de 8,9% para 5,3%, sendo este último caracterizado pelo ambiente com presença de água doce em interação com vegetação, animais e minerais. Em contraste com a expansão das macrófitas aquáticas, as classes de lagos perderam área, diminuindo de 357 ha, em 1984 (8,9%), para 210,6 ha, em 2023 (5,2%).

Bacias hidrográficas auxiliam na regulação climática

As bacias hidrográficas de Belém são compostas principalmente por igarapés, canais naturais, canais retificados ou urbanizados. Uma bacia hidrográfica é uma área da superfície terrestre delimitada por divisores de água (geralmente áreas mais elevadas do relevo de solo). Outro aspecto relevante é a atuação da bacia na regulação climática local. As áreas vegetadas auxiliam na manutenção da umidade do ar, no sequestro de carbono e na mitigação dos efeitos das ilhas de calor urbanas, desempenhando papel importante no equilíbrio ambiental da cidade. Entretanto a crescente expansão urbana no entorno da bacia representa um desafio para sua conservação.

Sob a perspectiva ambiental, a área está inserida no entorno do Parque Estadual do Utinga, um dos mais importantes remanescentes de vegetação da Amazônia urbana. A cobertura florestal presente na bacia contribui para a proteção dos recursos hídricos e manutenção da qualidade da água. Além disso, a área abriga significativa biodiversidade, funcionando como refúgio para diversas espécies da fauna e flora amazônicas.

“Vale ressaltar que este estudo foi finalizado antes da construção da Avenida Liberdade, então a quantidade de área vegetada que foi perdida não foi quantificada”, observa Barros.

Como exemplo, em Maine, nos Estados Unidos, estudos observaram que o Lago Sebago necessita de aproximadamente 79% de cobertura por vegetação permanente para manter a qualidade da água e sustentar seus serviços ecossistêmicos. No caso da bacia dos lagos Bolonha e Água Preta, a área de vegetação permanente hoje está em torno de 53%. Embora esse percentual ainda seja inferior ao observado no exemplo norte-americano, ele representa uma melhora significativa em relação ao primeiro ano analisado, quando a cobertura vegetal era inferior a 40%.

Considerando as variáveis analisadas no estudo, o pesquisador elenca como principais medidas para melhorar as condições socioambientais das bacias da Região Metropolitana de Belém: ampliar o saneamento básico, controlar a expansão urbana desordenada, recuperar áreas de preservação permanente, proteger os mananciais de abastecimento, aumentar as áreas verdes urbanas e fortalecer o monitoramento ambiental por sensoriamento remoto. “Essas ações contribuem para reduzir a poluição, preservar a qualidade da água e garantir maior segurança hídrica para a população”. conclui.

Sobre a pesquisa

A dissertação Análise da dinâmica da cobertura e uso do solo na bacia hidrográfica dos lagos Bolonha e Água Preta, Belém, Pará” foi defendida por Jackison Mateus Lopes Barros, em 2024, no Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica (PPGG/IG), da Universidade Federal do Pará (UFPA), sob orientação do professor Pedro Walfir Martins e Souza Filho.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, da UFPA, edição 178, escrito por Jéssica Souza

Embrapa atualiza orientações para cultivo de abacaxi no Amazonas

O abacaxi figura entre as culturas tropicais mais relevantes no cenário econômico e social do Brasil. Foto: Marcos Garcia/Embrapa

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) disponibilizou a edição 2026 do Sistema de Produção de Abacaxi para o Estado do Amazonas. O documento reúne recomendações para o manejo da cultura, desde as exigências climáticas e a adubação do solo até o controle de pragas e doenças, a colheita, a pós-colheita, os coeficientes econômicos e a comercialização.

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A publicação foi elaborada em conjunto por pesquisadores e técnicos da Embrapa Amazônia Ocidental (AM), Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror). É voltada a produtores rurais, agricultores familiares e extensionistas.

O território do Amazonas integra o centro de origem e diversidade genética do gênero Ananas, abrigando variedades tradicionais locais, também conhecidas como crioulas, que são cultivadas em pequena escala. Entre essas variedades, se encontra o abacaxizeiro “Turiaçu Amazonas”, cultivado no município de Itacoatiara, que é resultado da seleção realizada por produtores locais ao longo do tempo. A cultivar foi registrada pela associação de produtores da região de Novo Remanso junto ao Registro Nacional de Cultivares (RNC), sob o nº 57.085, em agosto de 2024.

“O sistema de produção foi estruturado a partir da avaliação agronômica da cultivar em áreas experimentais e comerciais de Itacoatiara (Novo Remanso e Vila do Engenho) e Manaus (São Francisco de Caramuri), com base no Relatório de Atividades Trimestrais do Idam (RAT/2025)”, explica Marcos Vinícius Garcia, pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, coeditor técnico e coautor do trabalho. A obra conta, ao todo, com 16 autores.

Leia também: Curauá: fibra do “mini-abacaxi” é usada até na indústria automobilística

O abacaxi figura entre as culturas tropicais mais relevantes no cenário econômico e social do Brasil, atuando como gerador de renda no meio rural.
O abacaxi figura entre as culturas tropicais mais relevantes no cenário econômico e social do Brasil. Foto: Marcos Garcia/Embrapa

O abacaxi e a sua importância para a agricultura tropical

Região de Novo Remanso, no Amazonas, registra bom rendimento com a cultivar Turiaçu Amazonas, a partir da adoção de plantios adensados e boas práticas de manejo. Foto: Marcos Garcia

O abacaxi figura entre as culturas tropicais mais relevantes no cenário econômico e social do Brasil, atuando como gerador de renda no meio rural. O País ocupa a quarta posição no ranking mundial de produção, atrás da Indonésia, Filipinas e Costa Rica, e a maior parte das frutas colhidas atende ao mercado interno para o consumo in natura, com relevância na região Norte.

No panorama local, o abacaxi compõe a economia agrícola de curto ciclo do Amazonas, ao lado de culturas como a mandioca, a banana e a cana-de-açúcar. O cultivo comercial concentra-se em municípios como Manaus, Careiro, Rio Preto da Eva, Careiro da Várzea e Itacoatiara, favorecidos pelas rotas de escoamento e proximidade com o mercado consumidor da capital. O município de Itacoatiara responde por mais da metade do abacaxi produzido no estado.

Leia também: Cultivo de Abacaxi de Novo Remanso é declarado Patrimônio Cultural Imaterial do AM

A produção de abacaxi no Amazonas apresenta no sistema de cultivo desafios que elevam o custo de produção, como o controle de plantas daninhas, pragas e uso de fertilizantes. Em contrapartida, a região de Novo Remanso registra bom rendimento com a cultivar Turiaçu Amazonas (foto abaixo) a partir da adoção de plantios adensados e boas práticas de manejo.

O histórico da cultura em Itacoatiara também indica a influência do equilíbrio econômico: após período de crescimento na produção anual, a atividade registrou retração causada pela variação nos preços dos fertilizantes, o que reduziu a área cultivada e direcionou a demanda por tecnologias focadas na moderação de custos.

Variedades crioulas podem abrir novos mercados

Além da cultivar “Turiaçu Amazonas”, o estado apresenta outras variedades crioulas em plantios de agricultores familiares, mas de comercialização restrita aos mercados locais nos municípios. Para estimular o cultivo de outras variedades tradicionais, serão necessários estudos para avaliar a produtividade e qualidade dos frutos dessas variedades.

Estudos recentes foram realizados com duas variedades tradicionais locais que foram denominadas “São Gabriel” e “Jucá”, indicando o potencial de cultivo e contribuição para a diversificação da base genética dos plantios no Amazonas. Composta por pequenos e médios produtores que utilizam a mão de obra familiar, a cultura do abacaxi na Amazônia apresenta potencial para novos mercados.

O desenvolvimento da atividade combina o manejo integrado ao aproveitamento de resíduos vegetais para a alimentação de rebanhos ou enriquecimento do solo, além da combinação do cultivo com a pecuária em sistemas integrados.

Desenvolvimento da atividade combina o manejo integrado ao aproveitamento de resíduos vegetais para a alimentação de rebanhos ou enriquecimento do solo. Foto: Aristóteles Matos/Embrapa
Documento está disponível para download. Foto: Reprodução/Embrapa

Sistema de produção: orientação nas etapas da lavoura

Na prática, um sistema de produção orienta o planejamento integrado das etapas da lavoura, abrangendo desde a escolha da semente e o preparo do solo até a colheita, o armazenamento e a comercialização. Essa organização confere previsibilidade à atividade, auxiliando o produtor rural no planejamento para o acesso a linhas de crédito e financiamentos bancários ao mapear riscos inerentes à agricultura, como variações climáticas, pragas e oscilações de mercado.

O Sistema de Produção de Abacaxi para o Estado do Amazonas alinha suas informações técnicas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) preconizados na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que abrangem metas voltadas à agricultura sustentável, crescimento econômico e preservação ambiental.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Publicação reúne técnicas para o combate ao fogo em florestas tropicais úmidas da Amazônia

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Foto: Erika Berenguer

As mudanças climáticas tem modificado a dinâmica do fogo na região amazônica. Com secas extremas cada vez mais frequentes, o fogo consegue entrar nas florestas e causar incêndios que exigem novas estratégias para proteger um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta.

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Frente a esse desafio, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), em parceria com a Universidade de Oxford, a Universidade de Lancaster e a Rede Amazônia Sustentável, lançou o livreto Combate aos Incêndios Florestais da Amazônia: Florestas Ombrófilas Densas, primeira publicação voltada às técnicas de combate a incêndios em florestas tropicais úmidas da Amazônia.

Desenvolvido para apresentar as técnicas de combate, os desafios e as soluções encontradas pelos brigadas que atuam na linha de frente, o livreto é o número um da coleção Combate aos Incêndios Florestais da Amazônia, composta por quatro volumes dedicados às florestas ombrófilas densas, florestas ombrófilas abertas, florestas alagadas e florestas degradadas. A previsão é de que as outras edições sejam lançadas até o fim de 2026.

Leia também: El Niño testará avanços na integração da gestão do fogo, alertam pesquisadores

Publicação inédita reúne técnicas para o combate ao fogo na Amazônia
Foto: Reprodução/ livreto ‘Combate aos Incêndios Florestais da Amazônia: Florestas Ombrófilas Densas

Resultado de um processo colaborativo com cerca de 60 autores, o material sistematiza conhecimentos construídos por brigadistas voluntários e institucionais, pesquisadores e representantes do PrevFogo, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além de Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Segundo Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM, a publicação representa um avanço inédito para o combate aos incêndios em florestas tropicais.

“Essas florestas não deveriam estar queimando. Mas, diante das mudanças climáticas e dos eventos extremos, tornou-se fundamental construir conhecimento específico sobre como combater incêndios nesse ambiente. O livreto parte desse pressuposto e constrói essas técnicas de baixo para cima, incorporando a experiência de brigadistas, pesquisadores e gestores”, reforçou.

Florestas Ombrófilas Densas

As florestas ombrófilas densas são o tipo de vegetação predominante na Amazônia. Caracterizam-se pela copa fechada das árvores, elevada umidade e grande diversidade de espécies.

Essas características fizeram com que, durante muito tempo, fossem consideradas ambientes pouco suscetíveis ao fogo. No entanto, os efeitos cada vez mais extremos da crise climática tornou essas florestas inflamáveis, exigindo medidas específicas para impedir os danos ambientais e o aumento da segurança das equipes em campo.

A publicação segue a organização estabelecida pelos órgãos de comando e controle nas operações de combate dos incêndios florestais, com o diferencial de considerar as características da vegetação amazônica. O livreto destaca a construção das linhas de defesa como principal método de combate: a remoção de todo o combustível do solo, como folhas, galhos, troncos e raízes, em formato de linha para impedir que a chama continue avançando na floresta.

A publicação também destaca o papel das comunidades nesse processo, cujo conhecimento do território contribui, por exemplo, para identificar trilhas, rios, áreas prioritárias para proteção e riscos relacionados ao garimpo, mineração e conflitos fundiários.

Foto: João Stangherlin

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O livreto também instrui métodos de identificação e diminuição de riscos, como a localização de árvores ocas, troncos e outros materiais em brasa com potencial de reignição. Essas informações permitem acompanhar a evolução da operação e são fundamentais para garantir o fim do incêndio florestal.

Na avaliação do brigadista voluntário João Romano, da Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão, a publicação preenche uma lacuna histórica na formação das equipes que atuam no bioma.

“A gente não tinha nenhuma publicação que tratasse do combate a incêndios na Amazônia. Para nós, é muito interessante a gente olhar e colocar isso nesse livreto, mostrando as técnicas, as ferramentas que são utilizadas e olhando dessa perspectiva dos diferentes tipos de florestas que temos na Amazônia”, concluiu.

Redução não elimina riscos

O livreto foi lançado no mesmo dia em que o Relatório Anual do Fogo no Brasil revelou redução de 58% na área queimada no país em 2025, na comparação com o mesmo calendário anterior. No total, 12,7 milhões de hectares foram atingidos, o menor registrado desde 2018 e um resultado 31% abaixo da média histórica anual.

Na Amazônia, as chamas atingiram 3,1 milhões de hectares, a menor área queimada registrada nos 41 anos da série histórica e uma redução de 80% em relação a 2024. A queda ocorreu após o retorno das chuvas regulares, que elevaram a umidade da vegetação depois das secas extremas provocadas pelo El Niño em 2023 e 2024.

Foto: Marizilda Cruppe/Rede Amazônia Sustentável

Apesar da melhora, o cenário requer atenção. O aumento da vegetação durante o período mais úmido pode gerar acúmulo de biomassa, que funciona como combustível em caso de novas estiagens associadas ao uso indiscriminado do fogo. Além disso, a reincidência de incêndios na Amazônia intensifica a degradação, torna as florestas mais inflamáveis e reforça a necessidade de prevenção, monitoramento e técnicas de combate adaptadas às características do bioma.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Mayara Subtil

Nharamaã e o grito pela memória de Rondônia

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O palestrante no auditório da UNIR. Foto: Raíssa Dourado/Eldorado Filmes

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O fotojornalista paulista Marcos Santilli esteve em Porto Velho nesta semana para registrar algo que vai além de imagens: a urgência de preservar a memória. Na quarta-feira, dia 12, na Universidade Federal de Rondônia, ele ministrou a palestra Nharamaã — palavra que, no idioma paiter suruí, significa “apropriação da terra”.

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Santilli é quem documentou, em 1977, o ápice da transformação territorial de Rondônia. Foram suas lentes que acompanharam o surgimento de cidades ao longo da BR-364 e o cotidiano do antigo território federal tomado por migrantes, culminando na instalação do Estado. Quase 50 anos depois, esse mesmo olhar continua vivo no projeto.

Nharamaã, uma documentação áudio-fotográfica sobre as transformações humanas e ambientais na Amazônia.

São 49 anos de trabalho ininterrupto que já resultaram em três livros, discos, espetáculos, audiovisuais e filmes. Do encontro desta semana participaram acadêmicos, historiadores e jornalistas. Para todos, ficou claro: o acervo de Santilli é referência indispensável para quem estuda a Amazônia.

Nharamaã e o grito pela memória de Rondônia
O palestrante no auditório da UNIR. Foto: Eldorado Filmes/Raíssa Dourado

Além de fotógrafo, Santilli é escritor — autor de Madeira-Mamoré — e produtor do long-play Paiter Metewá, com cantos dos suruís de Rondônia. Estudou em Londres e Nova York, dirigiu o Museu da Imagem e do Som de São Paulo entre 1995 e 2003 e promoveu mais de 700 eventos. Fez parte do staff da Editora Abril e tem fotos publicadas em centenas de jornais no mundo.

O alerta

Durante a palestra, Santilli fez um apelo: Rondônia precisa de um espaço para preservar sua memória audiovisual.

Hoje, não existe nenhum arquivo organizado pelo governo do estado com imagens, vídeos e fotos. E o mesmo vale para a prefeitura da capital: a hemeroteca da Biblioteca Municipal Francisco Meirelles está abandonada. O único acervo de imagens e documentos bem cuidado no estado é o do Centro de Memória do Poder Judiciário.

Público atento às histórias de quem testemunhou e registrou a memória da história. Foto: Eldorado Filmes/Raíssa Dourado

Em 2017, a Superintendência de Turismo criou, de forma virtual, o Museu de Gente de Rondônia, com mais de 400 depoimentos audiovisuais. Em 2019, o projeto foi extinto. E, ao contrário da maioria dos estados, Rondônia sequer tem um Instituto Histórico e Geográfico ativo.

Ano eleitoral, hora de cobrar

Estamos em 2026, ano eleitoral. É o momento para que Unir, academias de letras e os militantes da cultura se unam e cobrem compromisso dos candidatos.

Que assinem, em cartório, o compromisso de resgatar a cultura e a história regionais. Até agora, nenhum candidato a governador tocou no assunto. E poucos demonstram afinidade real com o tema.

Se não cuidarmos da nossa memória, quem vai contar a história de Rondônia amanhã?

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Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Nanofertilizante produzido com caroço de açaí estimula crescimento de milho e sorgo

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Para cada tonelada de frutos utilizada na extração da polpa, são gerados cerca de 700 quilos de caroços, que normalmente são descartados. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um nanofertilizante a partir do caroço do açaí, capaz de estimular o crescimento de milho e sorgo. Em testes experimentais, a aplicação de baixas doses do produto (10 miligramas por litro) aumentou o crescimento relativo das plantas em 24% no milho e 164% no sorgo. O volume das raízes também cresceu 23% e 59%, respectivamente, em comparação com os controles não tratados.

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O caroço do açaí é um coproduto pouco aproveitado no processamento agroindustrial. Para cada tonelada de frutos utilizada na extração da polpa, são gerados cerca de 700 quilos de caroços, que normalmente são descartados ou usados como combustível em caldeiras. Foram utilizadas nos testes, as variedades de milho BRS-Gorutuba e sorgo 2502, ambas com ciclo curto de produção e recomendadas para o plantio no semiárido.

Caroços de açaí
Caroços de açaí são coprodutos pouco aproveitados no processamento agroindustrial. Foto: Ronaldo Rosa

O aumento das raízes, especialmente no sorgo, permite que as plantas explorem o solo com maior eficiência, favorecendo sua sobrevivência.

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O novo nanofertilizante é produzido a partir do pó de semente do açaí em um processo chamado síntese hidrotermal. O resultado são nanopartículas fluorescentes, conhecidas como pontos quânticos de carbono (carbon quantum dots), que medem aproximadamente quatro nanômetros.

Essas partículas penetram com grande eficiência nos tecidos das folhas. Dentro da planta, além de entregar nutrientes minerais essenciais, funcionam como antenas que captam a radiação ultravioleta e, a partir dela, emitem uma luz azul capaz de estimular o sistema fotoquímico da planta e aumentar a eficiência da fotossíntese.

O pesquisador Cláudio Carvalho, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), explica que, devido ao tamanho reduzido das partículas, os nanofertilizantes penetram com eficiência nos tecidos vegetais e entregam nutrientes diretamente no nível celular, aumentando a absorção em relação aos fertilizantes foliares convencionais. Eles também participam dos processos de transferência de energia dentro das células e fornecem compostos bioativos, que podem estimular a atividade de enzimas, como aquelas envolvidas nos estresses oxidativos.

Cláudio Carvalho, pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical (CE). Foto: Arquivo pessoal/Cláudio Carvalho

Carvalho acrescenta que os nanofertilizantes podem alcançar resultados superiores com doses menores, reduzindo custos de aplicação e possíveis impactos ao meio ambiente. “Em comparação com os fertilizantes convencionais, os nanofertilizantes geralmente resultam em menos escoamento superficial e menor contaminação dos solos e corpos d’água, tornando-os potencialmente mais sustentáveis”, completa.

Caroço de açaí: de resíduo a riqueza

“Apesar de existirem poucos estudos sobre o uso do caroço de açaí em pequena escala como biochar (biocarvão), produção de bioenergia ou desenvolvimento de materiais compósitos, esse resíduo geralmente se acumula nos centros urbanos das regiões produtoras e em grandes cidades”, diz o pesquisador.

Ele explica que a semente do açaí é um “kit de sobrevivência natural” contendo nutrientes necessários para a planta se estabelecer em ambientes hostis. Essa riqueza torna o caroço do açaí o precursor ideal para o nanofertilizante. “Esse é um destino nobre, que agrega valor à biomassa e, ao mesmo tempo, devolve pelo menos parte dos nutrientes minerais, principalmente micronutrientes, às áreas de produção, economizando em fertilizantes”, afirma.

Conforme o cientista, o grupo pretende testar o produto em outras espécies como feijão, batata doce, abóbora, hortaliças, além de mudas de açaizeiro. “Após a finalização e escalonamento do processo de produção, o nanofertilizante poderá se tornar uma grande e segura oportunidade de retorno dos nutrientes ao sistema produtivo, quer na própria cultura do açaizeiro, nos viveiros de mudas, em cultivo protegido, e em outras aplicações”, complementa.

“No Brasil são geradas grandes quantidades de resíduos agroindustriais, especialmente na região amazônica, o que representa uma matéria-prima abundante e de baixo custo”, observa o professor Pierre Fechine, coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC, parceiro nesse trabalho. Ele acrescenta que também será necessário avançar nos estudos regulatórios e de segurança para uso agrícola em larga escala.

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Professor Pierre Fechine, coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC. Foto: Arquivo pessoal/Pierre Fechine

Avanço científico

Os resultados foram publicados no artigo Carbon-based nanopigments derived from açaí seed residues with tunable optical properties and biofunctional performance na revista internacional Dyes and Pigments.

“Mostramos que um resíduo que normalmente seria descartado pode ser convertido em um material inteligente, capaz de interagir com sistemas biológicos e produzir efeitos mensuráveis no crescimento vegetal”, conta o professor.

Ele explica que, até chegar ao produtor rural, ainda é preciso vencer alguns desafios. O principal deles é manter a qualidade e a reprodutibilidade do material ao passar da escala de laboratório para a escala industrial. “Em laboratório, trabalhamos com pequenas quantidades e controle rigoroso das condições de síntese. Em uma fábrica, é necessário garantir que cada lote apresente as mesmas propriedades químicas, ópticas e biológicas”, esclarece.

Outro desafio é a otimização dos custos de produção, incluindo consumo de energia, purificação do material e logística de coleta da biomassa.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Docente do Inpa recebe prêmio internacional de botânica na Suíça

Para Catarina Carvalho, prêmio foi um reconhecimento mundial importante para sua carreira. Foto: Reprodução/Instagram-Inpa

A docente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a pesquisadora Catarina Silva de Carvalho foi agraciada com o Prêmio Augustin-Pyramus de Candolle 2026, concedido pela Société de Physique et d’Histoire Naturelle de Genève (SPHN), na Suíça. A cerimônia de entrega da premiação ocorreu no Jardim Botânico de Genebra, após a pesquisadora apresentar palestra sobre os estudos sistemáticos sobre a planta Cubarus, planta muito comum na Amazônia.

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Para a Catarina, a conquista representa um importante reconhecimento de sua trajetória acadêmica.

“Ter sido laureada com o prêmio De Candolle é uma honra para mim. A cerimônia foi emocionante, me senti muito reconhecida. Foi o reconhecimento do trabalho que venho fazendo em taxonomia integrativa. Senti que estou indo no caminho certo”, afirma.

O caminho na botânica

Pesquisadora Catarina. Foto: Reprodução/Instagram-Inpa

A trajetória científica que resultou na prêmio teve início durante o doutorado de Catarina na Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT/JBRJ), sob orientação dos pesquisadores Haroldo Cavalcante de Lima e Domingos Cardoso.

Desde então, seus estudos sobre a sistemática da tribo Dipterygeae vêm sendo aprofundados por meio de abordagens em taxonomia integrativa e filogenia molecular de Leguminosae. O trabalho tem contribuído para o avanço do conhecimento científico sobre a diversidade vegetal, além de fomentar novas colaborações e aplicações em outros grupos taxonômicos de relevância, especialmente na região amazônica.

Hoje, seu trabalho segue sob supervisão de Domingos Cardoso, na Diretoria de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Dipeq/JBRJ). Parte desse projeto é desenvolvido no Inpa, onde participa de projetos colaborativos voltados à filogenia molecular e à genômica populacional de plantas e fungos amazônicos, em parceria com as pesquisadoras do Instituto: Maristerra Rodrigues Lemes e Noemia Kazue Ishikawa, da Coordenação de Biodiversidade (COBIO). Além da pesquisa, Catarina atua como docente e orientadora no PPG-Botânica do INPA, contribuindo para a formação de novos pesquisadores na área da Botânica Tropical.

Segundo a coordenadora do Laboratório de Genética e Biologia Reprodutiva de Plantas (LabGen/INPA), a pesquisadora Maristerra R. Lemes, a premiação evidencia a relevância da contribuição científica da docente para a Botânica brasileira. “Este prêmio é um justo reconhecimento à dedicação e à qualidade do trabalho desenvolvido pela Catarina. Tem sido muito gratificante acompanhar sua trajetória e contar com sua participação e expertise em projetos de pesquisa que visam ampliar o conhecimento sobre a diversidade genética e a história evolutiva de espécies arbóreas de importância ecológica e econômica para a Amazônia, contribuindo para a conservação e uso sustentável desses recursos florestais”, destaca.

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Para a líder do Grupo de Pesquisa Cogumelos da Amazônia (GP-CA/INPA), a pesquisadora Noemia K. Ishikawa, “os conhecimentos sobre as plantas trazidos pela Catarina são fundamentais às pesquisas de cogumelos. Tem sido um privilégio tê-la nos nossos projetos. Saber que ela conquistou tão prestigiado prêmio, e ser a segunda brasileira a receber esta honraria em 185 anos deixou toda equipe muito feliz”, comemora.

A pesquisadora do Inpa, Tiara Sousa Cabral, esteve presente à cerimônia em Genebra, para acompanhar a entrega do Prêmio Augustin-Pyramus de Candolle e afirma que o momento foi emocionante.

“Foi inspirador presenciar o reconhecimento internacional do trabalho da Catarina e perceber a dimensão de sua contribuição para a Botânica em nível mundial. Ver uma pesquisadora brasileira receber uma das mais importantes distinções da área reforça a importância da ciência que produzimos e inspira novas gerações de mulheres e meninas a seguirem carreira científica”, afirma a pesquisadora, reforçando a representatividade feminina na ciência.

Para Catarina, prêmio foi um reconhecimento mundial importante para sua carreira. Foto: Reprodução/Instagram-Inpa

O Prêmio

Instituído em 1841, o Prêmio Augustin-Pyramus de Candolle figura entre as mais tradicionais e prestigiadas distinções internacionais da Botânica. A honraria reconhece autores ou coautores da melhor monografia dedicada a um gênero ou família de plantas, valorizando a excelência científica, a profundidade taxonômica e a contribuição sistemática dos trabalhos premiados. Ao longo de sua história, destacou importantes avanços para a sistemática vegetal e consolidou-se como uma referência de excelência na comunidade botânica internacional.

*Com informações do Inpa

Estudo defende proteção legal para áreas ao redor de terras indígenas na Amazônia

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Estudo defende proteção legal para áreas ao redor de terras indígenas na Amazônia. Foto: Gabriel de Oliveira & Erin Koster / Acervo dos pesquisadores

A Terra Indígena (TI) Vale do Javari evidencia uma dinâmica preocupante na Amazônia: enquanto a floresta permanece preservada dentro do território demarcado, o desmatamento avança rapidamente em seu entorno. Em 2022, a perda florestal na zona de amortecimento (uma faixa de 200 km ao redor da TI) foi 187,5 vezes maior do que o observado dentro da TI.

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Ainda que o desmatamento anual tenha diminuído no entorno do Vale do Javari em 2023 e 2024, os níveis ainda são superiores aos das décadas anteriores. Por isso, a proteção legal para zonas de amortecimento, aplicada para limitar as atividades humanas nas proximidades das unidades de conservação em geral — como os parques nacionais e reservas extrativistas — deve ser estendida também às terras indígenas.

O estudo está em publicação na revista Nature Sustainability, assinada por pesquisadores de instituições nacionais, como Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e internacionais, além do líder indígena Beto Marubo. Os autores reúnem dados de desmatamento do PRODES/INPE (Programa de Cálculo do Desmatamento na Amazônia Legal) e de cobertura florestal e mudanças de uso da terra a partir da plataforma MapBiomas.

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Estudo defende proteção legal para áreas ao redor de terras indígenas na Amazônia
Vista aérea do rio Verde, na divisa da Terra Indígena Utiariti. Foto: André Dib/Mongabay-Ambiental Media

O estudo observa que mudanças na legislação e a invasão de territórios para atividades como mineração, tráfico de animais silvestres e exploração ilegal de madeira e pesca ameaçam a integridade dos povos indígenas e seus modos de vida. Porém, mesmo com essas ameaças, as TIs da Amazônia prestam serviços ecossistêmicos e garantem a subsistência tanto de povos que interagem com grupos externos como daqueles que decidiram viver isolados em suas comunidades.

Localizada em 8.544.482 hectares no oeste do Amazonas, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, a TI Vale do Javari é a segunda maior do Brasil. É lar de cinco povos que mantêm contato com a sociedade ao redor — Marubo, Mayoruna, Matis, Kanamari e Kulina –, dois de contato recente — Korubo e Tsohóm-Djapá –, além de pelo menos 14 grupos em isolamento voluntário, a maior concentração mundial de povos isolados. Demarcada em 2001, ganhou atenção internacional em 2022 por conta do assassinato do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira.

Iniciativa investe no enfrentamento à violência de gênero no Marajó e no território Yanomami
Comunidade indígena na Terra Yanomami. Foto: Bruno Mancinelle/Arquivo Casa de Governo

Estudo aponta ações de proteção

Para os autores, a criação de proteção legal para as zonas de amortecimento deve ser acompanhada do fortalecimento da fiscalização e do combate à ocupação irregular de terras públicas, especialmente nas áreas vizinhas às terras indígenas. No Vale do Javari, a prioridade, afirmam, é conter novas ocupações e atividades ilegais, como caça comercial e pesca predatória.

“Coibir a ocupação irregular, inclusive removendo os ocupantes ilegais, é importante em toda a Amazônia brasileira. Como há limitações de orçamento, pessoal e capacidade de fiscalização, essa atuação deve ter prioridade nas áreas próximas às terras indígenas”, afirma Philip Fearnside, pesquisador do INPA e um dos autores do estudo, liderado por Gabriel de Oliveira, da Universidade do Sul do Alabama (EUA).

Essa proteção, observam, é ainda mais importante para os povos isolados, que não conseguem acionar autoridades, organizações da sociedade civil ou a imprensa quando seus territórios são invadidos.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori