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Dia do Chocolate: cacau amazônico apresenta potencial de retomar protagonismo 

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Foto: Alberto Monteiro

Um dos alimentos mais prósperos e consumidos do mundo, o chocolate é celebrado em todos os hemisférios no dia 07 de julho. A data, segundo os historiadores, remonta a chegada do produto na Europa em 1550, onde ganhou popularidade e se transformou no doce mais amado do planeta. Mas, antes de ter a forma e o sabor que conhecemos, o chocolate percorreu um caminho milenar desde a sua origem até os avanços da industrialização. 

Com surgimento datado há mais de 4000 anos, foi na atual América que o fruto, o cacau, se desenvolveu entre as antigas civilizações. Só em meados do século XVI, durante a colonização europeia, a semente que era usada como bebida sagrada pelos maias e astecas (xocoatl), chegou ao continente e foi apreciada pela elite. Só mais tarde, durante a Revolução Industrial no século XIX, o chocolate ganhou o famoso formato em barra,  sabor adoçado e ao leite, e na Segunda Guerra Mundial, ultrapassou fronteiras e transformou o mercado global.

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Com o boom do capitalismo e as inovações tecnológicas, o chocolate deixou de ser exclusivo da nobreza para se tornar um produto de massa. O cacau se adaptou bem ao solo brasileiro e o país chegou a se tornar um dos mais importantes produtores e exportadores do mundo no século XX, com a Bahia despontando nesse cenário. A produção nacional chegou a superar 450 mil toneladas – ciclo de ouro interrompido pela vassoura-de-bruxa na década de 80.

Após o surto, o Brasil não retomou o topo da cacauicultura, ocupando o sexto lugar no ranking mundial, produzindo cerca de 250 mil toneladas por ano. A Bahia passou a dividir o protagonismo com o Pará, que agora assume a liderança como maior produtor. Mas o país virou a chave e aprendeu a transformar a sua amêndoa em chocolates premium e de origem.

Leia também: Festival Internacional apresenta tendências do ‘mundo’ do chocolate no Pará

Com a revolução do setor, que deixou de focar apenas no volume de commodities e passou a investir na qualidade, o cacau e o chocolate brasileiro se tornaram reconhecidos internacionalmente. Nesse cenário, surge o empresário Marco Lessa, criador do Chocolat Festival e Origem Week, eventos que ajudaram a projetar as produções “Made in Brazil” na Europa, especialmente o cacau e o chocolate. 

Desde seu primeiro contato profissional com o fruto – quando produziu a primeira versão da telenovela Renascer (1993), ambientada nas fazendas de cacau do sul baiano – até se tornar referência no setor com o título de “Embaixador do Cacau”, Lessa acompanhou as mudanças ambientais, econômicas e políticas da cacauicultura, como o colapso nas lavouras, volatilidade dos preços e mudança no consumo de chocolate. 

Uma roça de cacau é seis vezes mais rentável do que a de gado. Não precisa desmatar para plantar cacau. Somos um dos países que mais consome chocolate no mundo, portanto, se considerarmos que estamos falando de uma cultura que cuida do meio ambiente e de um produto que é saudável, o cacau será o alimento do futuro”, disse. 

Dia do Chocolate: cacau amazônico apresenta potencial de retomar protagonismo 
Foto: Alberto Monteiro

Órgãos e premiações internacionais reconhecem a qualidade da matéria-prima cultivada no Brasil. A Organização Internacional do Cacau (ICCO) categorizou o país com o status de exportador de 100% de cacau fino e de aroma. Isso se reflete no desempenho da produção brasileira no mercado externo, de acordo com a ApexBrasil, o país somou US$ 1 bilhão em exportações de chocolate, cacau e derivados entre 2021 e 2025. 

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No campo legislativo, o país faz a sua parte endurecendo regras para manter a qualidade do cacau nacional. Sancionada pelo presidente Lula, a Lei 15.404/2026 mudou as regras de composição e embalagem dos produtos derivados do cacau. O chocolate, por exemplo, agora deve conter ao menos 35% de sólidos totais de cacau, e o tipo ao leite 25%, dispensando termos como “amargo” e “meio amargo” nas rótulos, priorizando a concentração do produto em destaque. Para Lessa, a medida é uma vitória para o setor.

Até 2009 nenhuma embalagem de chocolate no Brasil tinha o nome, percentual ou desenho do cacau, deixando a matéria-prima como coadjuvante. Hoje, graças ao movimento Pró-Cacau e ao engajamento de produtores e instituições, conseguimos ajudar a mudar profundamente esse cenário”.

Além de oferecer uma melhor qualidade nutricional, a transparência na rotulagem deve aumentar a reputação do Brasil no mercado externo, com uma indústria mais competitiva com chocolate de maior valor agregado, valorização dos produtores rurais e reposicionamento do país no segmento Bean-to-Bar “da amêndoa à barra”. 

Em dezembro de 2026, os olhares do mercado global de cacau e chocolate se volta ao Brasil com a chegada do Salon du Chocolat, maior evento mundial do setor. Salvador vai sediar a primeira edição completa do evento que nasceu em Paris e passou por capitais como Tóquio, Dubai e Nova York. 

Leia também: Região do Médio Xingu ganha novo chocolate indígena: Kunhã Arã

Foto: Alberto Monteiro

Com investimento de R$8 milhões, a franquia do evento é da MVU Empreendimentos, mesma empresa responsável pelo Chocolat Festival, e vai reunir produtores, chocolateiros, chefs e autoridades nacionais e internacionais. Com o evento, o Brasil pode voltar a reescrever a sua incursão no competitivo mercado internacional e sonhar em voltar a ser maior referência mundial do cacau e chocolate. 

“Queremos diminuir a dependência do modelo de commodity, que é tão prejudicial ao produtor. Somos o único país do circuito que produz cacau, consome cacau, produz chocolate e consome chocolate, queremos explorar esse potencial e expandir pelos estados”, finalizou Lessa.

Neste Dia Mundial do Chocolate, os brasileiros têm mais motivos para comemorar e saborear. Com a lei do percentual mínimo, os tabletes, bombons e ovos terão mais cacau, maior valor nutritivo e fará jus à força do campo produtivo de um gigante da cacauicultura.

Mesmo em 44° no ranking de países que mais consomem chocolate, com 3,9 Kg por pessoa por ano, o Brasil tem um futuro promissor, com chances de competir de igual para igual com as potências industriais como Alemanha, Suíça e Bélgica, e reafirmar o fruto como símbolo de pertencimento, mais presente nas mesas, nos momentos e na memória afetiva dos consumidores.

*Com informações da assessoria

Pesquisa aponta estratégia de proteção do cacau amazônico contra a vassoura-de-bruxa

Escolha de cultivares de cacau capazes de manter o equilíbrio nutricional mesmo em solos desafiadores como os da Amazônia garante aumento de produtividade sem o uso excessivo de defensivos agrícolas. Foto: Thin Hoang Van/Pixabay

A vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa) é um fungo que dizimou lavouras de cacau no sul da Bahia nos anos 1990, foi tema de novela da Globo e continua sendo um problema para a cadeia produtiva do chocolate na Amazônia. Um estudo publicado na revista Scientific Reports mostra que é possível garantir aumento na produtividade sem depender tanto do uso de fungicidas e fertilizantes, desde que se escolham cultivares com a genética certa: mais resistentes ao fungo e capazes de manter o equilíbrio nutricional mesmo em solos desafiadores.

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Conduzida na Estação Experimental Frederico Afonso (Ceplac), em Rondônia, a pesquisa avaliou 25 cultivares de cacau e identificou dois com desempenho superior. Ambos demonstraram maior capacidade de manter alta produtividade mesmo em solos pobres de minerais e sob ataque da vassoura‑de‑bruxa, que na região é conhecida como lagartão. O resultado foi um aumento de até 32% na produção em comparação a variedades mais suscetíveis ao fungo.

A investigação, apoiada pela FAPESP e liderada por pesquisadores da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), contou com a colaboração de grupos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Porto Velho, Universidade Federal de Rondônia (Unir, campus Rolim de Moura) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam, campus Humaitá).

“Os resultados demonstram, na prática, que combinar melhoramento genético e manejo nutricional é a estratégia mais sustentável e perene para a produção de cacau. Como não é possível modificar o ambiente [o clima quente e úmido da Amazônia, que favorece a ação do fungo], a solução é colocar em campo variedades com alta capacidade de adaptação, fortalecidas por uma nutrição que garante vigor e resistência às plantas”, afirma Renato de Mello Prado, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp, em Jaboticabal, que coordenou a pesquisa.

Leia também: O que é vassoura-de-bruxa? Veja a importância da produção do cacau no desenvolvimento da Região Norte

Entre os clones avaliados, dois se destacaram por combinar alta produtividade de sementes com maior equilíbrio nutricional e maior tolerância à vassoura-de-bruxa sob as condições climáticas da Amazônia: o EEOP 63 e o EEOP 65. Um clone, no contexto agrícola, é uma população de plantas geneticamente idênticas entre si, pois foram todas originadas de um único indivíduo (planta-matriz) exclusivamente por meio de reprodução assexuada (vegetativa).

Segundo os pesquisadores, é necessário investir em estudos semelhantes e mais amplos na região amazônica para a obtenção de novos clones que tenham as três características: alta eficiência nutricional, alta produtividade e resistência a doenças. “Isso é importante, pois só assim o produtor rural poderá ter diferentes opções de clones para cultivar em sua propriedade. E essa é uma estratégia essencial para enfrentar os desafios atuais da cultura do cacau de forma sustentável”, diz Prado.

Pesquisa aponta estratégia de proteção do cacau amazônico contra a vassoura-de-bruxa
Cogumelo de Moniliophtora perniciosa, o fungo que provoca a doença. Imagem: ARS/USDA

Dilema biológico

Tanto o cacau quanto o lagartão são originários da região amazônica e é no clima característico da floresta, de chuvas intensas e muito calor e umidade, que o fungo encontra o cenário propício para se desenvolver. Além disso, em algumas áreas da região, o solo tem desequilíbrio mineral, tornando-se ácido e com baixa proporção de nutrientes essenciais prontamente disponíveis para as raízes (como cálcio, magnésio e potássio), o que molda o desempenho das plantas.

“O estudo confirma que a tolerância à vassoura-de-bruxa na Amazônia não é uma característica isolada e pode ser modulada pelo equilíbrio nutricional e pela capacidade produtiva sob estresse de um cultivar”, explica Edilaine Istéfani Franklin Traspadini, bolsista de pós-doutorado da FAPESP e primeira autora do artigo.

O diferencial dos dois clones selecionados está na qualidade dos perfis minerais presentes nas plantas, especialmente as altas concentrações de fósforo, potássio, cálcio e magnésio.

“Diante de um ataque, a planta enfrenta um dilema biológico: depositar energia no crescimento ou na resistência ao patógeno. Quando recebe a nutrição adequada e tem a genética certa, consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo e supera essa limitação”, complementa Prado.

Cacau no solo amazônico

Outro aspecto determinante para o desempenho dos clones de cacau está relacionado às condições naturais dos solos amazônicos. Como ressalta Traspadini, eles são altamente intemperizados (sujeitos a processos severos de degradação física e química causados pelo excesso de chuvas) e naturalmente pobres em nutrientes. E isso impacta diretamente na saúde da planta.

Ao analisar o estado nutricional das plantas amostradas, os pesquisadores identificaram padrões claros de desequilíbrio, com destaque para o excesso de nitrogênio e a deficiência de boro. Traspadini alerta que o acúmulo de nitrogênio não metabolizado na planta gera compostos que funcionam como alimento para o fungo da vassoura-de-bruxa. Por outro lado, a falta de boro enfraquece a estrutura do cacaueiro.

“Observamos uma tendência consistente de deficiência desses elementos nos clones avaliados, especialmente de boro, que é fundamental tanto para a integridade das paredes celulares quanto para processos reprodutivos”, afirma a pesquisadora.

Diante desse cenário, o estudo demonstra que o equilíbrio nutricional não apenas reduz a vulnerabilidade à vassoura-de-bruxa, mas garante que a planta mantenha sua capacidade produtiva mesmo sob estresse. “Isso reforça a importância da adubação equilibrada, com atenção também aos micronutrientes, que muitas vezes são negligenciados, para sustentar a produtividade e a resistência”, destaca Traspadini.

Com o manejo adequado, a planta não precisa escolher entre produzir ou se defender: “O equilíbrio nutricional fortalece o sistema de defesa, permitindo que crescimento e resistência ocorram simultaneamente, sem dependência excessiva de agroquímicos”, conclui.

O artigo Cacao clones modulate pod tolerance to witches’ broom and nutritional imbalances, enhancing cocoa production in the Amazon pode ser lido em: nature.com/articles/s41598-026-40483-w.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por Maria Fernanda Ziegler

Brasil e França assinam acordo que acaba com exigência de visto para brasileiros na Guiana Francesa; entenda

O Amapá abriga a cidade de Oiapoque, ligada à vizinha Saint Georges, na Guiana Francesa, por uma ponte binacional. Foto: Divulgação/Préfecture de la Guyane

Brasileiros não precisam de visto para viajar à França, mas, até agora, o documento era obrigatório para entrar na Guiana Francesa. Embora seja um departamento ultramarino francês, o território localizado na América do Sul adota regras próprias de imigração para controlar a entrada na região de fronteira.

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Na quarta-feira (1º), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o chanceler francês, Jean-Noël Barrot, assinaram um acordo que acaba com a exigência de visto para brasileiros na Guiana Francesa. A medida passa a valer em agosto e beneficia quem viaja para o território que faz fronteira com o Amapá.

A Guiana Francesa ainda mantinha a exigência de visto para brasileiros, mesmo com regras diferentes da França.

Relembre: Guiana Francesa passa a ter isenção de visto para brasileiros; autoridades do Amapá comemoram

Imigração

O analista de relações internacionais Fabrício Penafort lembra que, nas décadas de 1960 e 1970, a França incentivou a entrada de brasileiros para trabalhar em obras no país, como a Base Espacial de Kourou.

Nos anos 1990, após o fechamento de grandes garimpos no Brasil, cresceu a migração de brasileiros para o garimpo ilegal na Guiana Francesa. O trabalho era impulsionado pela valorização da moeda local, o euro.

“Hoje, cerca de um terço da população da Guiana Francesa é formada por brasileiros. Muitos deles foram associados ao garimpo ilegal e a outras atividades informais, o que contribuiu para uma imagem negativa da comunidade brasileira na região”, afirma o internacionalista.

Brasil e França assinam acordo que acaba com exigência de visto para brasileiros na Guiana Francesa; entenda
Foto: Divulgação/Ministério das Cidades

Espaço Schengen

A Guiana Francesa é um território francês, mas não integra o Espaço Schengen. Por isso, mantém regras próprias de imigração. O Espaço Schengen reúne 29 países da Europa que aboliram o uso de passaporte nas fronteiras. Na prática, funciona como um único território, sem barreiras alfandegárias.

O Brasil tem acordo diplomático com o bloco. Com isso, brasileiros podem viajar para esses países apenas com passaporte, sem visto, em estadias de até 90 dias para turismo ou negócios.

Apesar de ser parte da França, a Guiana Francesa ficou fora do acordo, restrito apenas ao território do continente europeu. O território manteve regras próprias de visto, diferentes das facilidades oferecidas aos brasileiros que viajam para a Europa.

Política interna

Penafort explica que a exigência do visto também esteve relacionada a fatores geopolíticos e de segurança. Segundo ele, a França buscava manter maior controle sobre a fronteira e preservar a soberania do território diante do crescimento da população brasileira na região.

“Em geral, o Ministério das Relações Exteriores via com bons olhos uma maior aproximação com o Brasil, enquanto o Ministério do Interior adotava uma posição mais conservadora, priorizando questões ligadas à segurança e ao controle migratório”, pontua.

Economia

A secretária de Turismo do Amapá, Syntia Lamarão, avalia que o fim da exigência de visto é positivo para o comércio, o turismo e as relações culturais.

“O fortalecimento dessa integração deve ampliar a cooperação entre os dois lados da fronteira e impulsionar o desenvolvimento regional. Isso também pode acelerar investimentos em infraestrutura e na economia do município que já estava crescente”, afirma.

Leia também: 3 lugares diferentes para conhecer na Guiana Francesa

Fim da exigência

O acordo foi oficializado na quarta-feira (1°) e acaba com a obrigatoriedade do visto para brasileiros entrarem no território francês que faz fronteira com o Amapá. O anúncio inicial foi feito em maio de 2025, em Paris, pelo presidente francês Emmanuel Macron.

O pedido de isenção foi feito com base no princípio da reciprocidade, já que turistas franceses entram no Brasil sem visto. Até agora, brasileiros precisavam ir até a embaixada da França em Brasília para obter o documento. Com a medida, basta a apresentação do passaporte válido.

A fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa concentra cerca de 32 mil moradores. Em Oiapoque, no extremo norte do estado, vivem 26,6 mil pessoas.

Do lado francês, em Saint Georges, vivem cerca de 3 mil pessoas. As duas cidades são separadas pelo rio Oiapoque e ligadas pela Ponte Binacional, construída em parceria entre Brasil e França.

*Por Crystofher Andrade, da Rede Amazônica AP

Frigoríficos da Amazônia habilitados a exportar têm baixo controle contra o desmatamento

Gado em Roraima. Foto: Reprodução/Ascom Aderr

Uma nova análise feita pelo Radar Verde mostra que plantas frigoríficas da Amazônia Legal habilitadas a exportar carne bovina para importantes mercados do Oriente Médio e do Norte da África, conhecida como região do MENA (Middle East and North Africa), ainda apresentam fragilidades relevantes para evitar a associação de suas cadeias de fornecimento ao desmatamento. O levantamento identificou 72 plantas frigoríficas e 32 empresas de carne habilitadas a exportar para países como Argélia, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Líbano e Marrocos. Juntas, essas plantas representam cerca de 58% da capacidade total de abate na Amazônia Legal.

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Apesar da relevância comercial desses mercados, nenhuma das plantas analisadas demonstrou controle sobre fazendas fornecedoras indiretas, etapa considerada um dos principais desafios para impedir que gado associado ao desmatamento entre na cadeia da carne bovina. No resultado geral do Radar Verde, 43 das 72 plantas frigoríficas habilitadas a exportar para esses mercados apresentam baixo nível de controle da cadeia, enquanto 29 têm controle muito baixo, o equivalente a 60% e 40%, respectivamente.

A análise é baseada nos resultados de 2025 do Radar Verde, que avalia em que medida empresas frigoríficas adotam e implementam políticas de desmatamento zero capazes de prevenir vínculos entre a carne bovina e o desmatamento na Amazônia.

Entre as plantas analisadas, 39 das 72 demonstram alto nível de controle sobre as fazendas fornecedoras diretas, o que corresponde a 35% da capacidade total de abate da Amazônia Legal. O problema, segundo o levantamento, é que esse controle não se estende aos fornecedores indiretos, pois mesmo quando há avanços no monitoramento das fazendas que vendem diretamente aos frigoríficos, ainda não há evidências públicas suficientes de controle sobre etapas anteriores da produção.

Leia também: Conheça o único frigorífico do país com liberação para manejo de jacarés em área de reserva

Análise verifica relação com desmatamento. Imagem: Divulgação

A fragilidade ocorre em um momento de maior relevância do Oriente Médio e do Norte da África para a carne bovina brasileira. Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina para esses países chegaram a US$ 1,79 bilhão, o equivalente a aproximadamente 10% do total exportado pelo Brasil no ano. O estudo também aponta que, em 2026, esses mercados passaram a ganhar importância como alternativa para parte da carne brasileira que seria destinada à China, após a introdução de cotas tarifárias chinesas.

Nos países do Oriente Médio e do Norte da África, a certificação halal é uma condição básica de acesso ao mercado de carne bovina. No entanto, a análise destaca que a confiança na integridade da cadeia não deve se limitar ao cumprimento religioso e sanitário. Ela também depende de padrões, rastreabilidade e evidências de controle socioambiental.

Exposição ao desmatamento reforça necessidade de maior transparência

O Radar Verde também avaliou a exposição das plantas ao risco de desmatamento a partir de suas zonas potenciais de compra de gado. A análise mostra que plantas com zonas de compra mais amplas, especialmente no Pará, Mato Grosso, Rondônia e Acre, e com baixo controle sobre as fazendas fornecedoras indiretas, enfrentam maior exposição ao risco. Entre as plantas analisadas, o nível de exposição varia de 31,3 mil hectares a 4,79 milhões de hectares.

Para reduzir esse risco sem romper relações comerciais estratégicas com o Brasil, o estudo recomenda que compradores, importadores, distribuidores, operadores halal, varejistas, fundos soberanos e agências públicas dos países da região usem o Radar Verde como ferramenta de diferenciação de fornecedores.

Na prática, isso significa priorizar empresas que combinem quatro características: política pública de desmatamento zero, controles mais fortes sobre as fazendas fornecedoras diretas, divulgação de resultados de implementação e zonas de compra com menor exposição ao risco de desmatamento. Empresas com desempenho inferior poderiam permanecer em diálogo comercial, desde que apresentem planos de melhoria, metas anuais de transparência e prazos para ampliar o controle sobre as fazendas fornecedoras indiretas.

A análise também aponta medidas que poderiam fortalecer a credibilidade da cadeia brasileira, como melhorar o acesso às Guias de Trânsito Animal, integrar gradualmente o SISBOV ao Cadastro Ambiental Rural e a dados de desmatamento, além de direcionar incentivos financeiros a produtores e frigoríficos localizados em áreas com menor exposição ao risco e melhores condições de governança.

Com isso, o Radar Verde afirma que a expansão da carne bovina brasileira para mercados do Oriente Médio e do Norte da África pode ser acompanhada de critérios mais claros de transparência e controle socioambiental, fortalecendo tanto a segurança do abastecimento quanto a credibilidade da cadeia da carne brasileira.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon

Árvores gigantes de florestas tropicais superam limites físicos para transportar água até o topo, mostra estudo

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O pesquisador Arne Scheire, um dos autores do artigo, escala um dipterocarpo de 67 metros na Malásia. Foto: Arne Scheire/University Exeter

Contrariando um paradigma da botânica, uma pesquisa divulgada no dia 2 de julho na revista Science revelou que as árvores gigantes das florestas tropicais – com altura equivalente à de prédios de 20 ou 30 andares – não têm dificuldade em transportar água da raiz até o topo e tampouco são mais vulneráveis à seca do que as menores. O trabalho detalha o mecanismo de sobrevivência dessas espécies ainda pouco compreendidas pela ciência, embora essenciais para a regulação do clima por sua capacidade de armazenar carbono.

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Pesquisas anteriores sugeriam que, conforme as árvores ganham altura, a capacidade de mover água até o alto poderia ser prejudicada pela maior distância entre raízes e folhas e pelos efeitos da gravidade. Isso reduziria a fotossíntese, limitaria o crescimento e aumentaria a vulnerabilidade à seca.

Mas, de acordo com o novo artigo, as árvores gigantes desenvolveram adaptações internas que compensam os desafios de transportar água até os galhos mais altos. Além disso, testes realizados durante secas severas mostraram que elas não tiveram declínio acentuado de crescimento em comparação com árvores menores, contrariando a hipótese de que espécimes muito altos seriam mais suscetíveis ao estresse hídrico.

Os pesquisadores descobriram que ajustes dos conduítes do xilema (“tubos” microscópicos que a planta usa para conduzir água e nutrientes até as folhas), com diâmetros maiores conforme fica mais alta, compensaram o aumento da resistência ao fluxo de água durante o trajeto. Na prática, é como se a árvore precisasse de uma mangueira maior para levar água mais longe. Essas adaptações complexas são capazes de reduzir a chance de falhas no transporte hídrico quando a planta está em situações de seca.

Leia também: Árvores gigantes da Amazônia podem ajudar cientistas

No caso das folhas, o efeito da gravidade as obriga a funcionar com menor hidratação (potencial hídrico mais negativo), levando-as a ficar murchas e ter que fechar o estômato (estrutura microscópica que funciona como “poros”) mais cedo, reduzindo sua fotossíntese. O estudo mostra, porém, que as árvores gigantes aumentam a tolerância a essas condições, sem prejuízo ao seu funcionamento.

Esses achados avançam na biologia das árvores gigantes, ajudando a explicar como conseguem superar limitações físicas e fisiológicas para conduzir água e continuar crescendo; aprimoram olhares sobre o papel das florestas nas mudanças climáticas e geram evidências para orientar ações de conservação, visando manter o equilíbrio do ciclo de carbono, de chuvas e da biodiversidade.

“Existem poucos dados sobre como as funções hidráulicas de uma planta mudam conforme ela cresce. É aceito que árvores maiores têm dificuldade em transportar água e, por isso, podem morrer mais em função de secas. Ficamos muito surpresos com o resultado do nosso estudo, verificando que elas têm um mecanismo interno de ajuste”, diz à Agência FAPESP o autor correspondente do artigo, Paulo Bittencourt, professor da Escola de Ciências da Terra e Ambiente da Universidade Cardiff (Reino Unido) e pesquisador colaborador do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp).

Segundo o ecólogo, 1% das maiores árvores do planeta armazena mais da metade do carbono em ecossistemas florestais tropicais, além de contribuir com o ciclo de chuvas pela evapotranspiração.

O trabalho teve apoio da FAPESP por meio de um projeto Jovem Pesquisador concedido ao biólogo Peter Groenendijk, que assina o artigo com Rafael Oliveira, ambos do Centro de Ecologia Integrativa do IB-Unicamp.

Árvores gigantes de florestas tropicais superam limites físicos para transportar água até o topo, mostra estudo

(Esquerda) Palasiah Jotan, pesquisadora, usa câmara de pressão para medir o potencial hídrico de folhas de dipterocarpo antes do nascer do sol, quando as árvores estão bem hidratadas; (centro) vista de um dipterocarpo de grande porte; (direita) autores do artigo diante de um dipterocarpo: da esquerda para a direita Arne Scheire, Palasiah Jotan, Martin Svátek, David Burslem e Paulo Bittencourt (créditos: Palasiah Jotan/Czech University of Life Sciences Prague e  Lindsay Banin /UK Centre for Ecology & Hydrology))

‘Escalando a floresta’

Para realizar o estudo, que levou mais de dois anos, o grupo utilizou uma amostra de 38 árvores da família Dipterocarpaceae, de cinco espécies, localizadas na Reserva Florestal Kabili-Sepilok (Malásia), na ilha asiática de Bornéu. A reserva é mundialmente conhecida por abrigar centros de conservação, inclusive o primeiro criado no mundo para reabilitação de orangotangos.

Essas árvores, variando de 7,1 a 71 metros, são consideradas as mais altas com flores dos trópicos.

O trabalho de campo foi possível com a contribuição de escaladores treinados por Jamiludding Jami, arborista ligado à Parceria de Pesquisa da Floresta Tropical do Sudeste Asiático (SEARPP, na sigla em inglês). Jami foi responsável, em 2018, por escalar e medir um dipterocarpo (meranti amarelo, Shorea faguetiana) de 100,8 metros, considerado a árvore tropical mais alta encontrada até agora.

“Escalar uma árvore de mais de 70 metros é um trabalho muito especial, que pouquíssimos fazem no mundo. São pessoas que conseguem, no meio da floresta, passar uma corda em uma árvore da altura de um prédio de 20 a 30 andares, subir e coletar galhos, por exemplo. Algumas coletas tiveram de ser sem sol, à noite. Não é só saber passar a corda e ter condicionamento físico. Precisa ver se tem vespeiro, saber se aquele galho é bom, se a madeira é forte, não é uma coisa trivial”, relata Bittencourt.

Essa expertise foi levada a escaladores no Amapá, pertencentes a comunidades ribeirinhas no Estado, que, após o treinamento, contribuíram com a coleta de material para pesquisa semelhante na floresta amazônica. Parte desses resultados deve ser divulgada até o final de 2026.

Há alguns anos, esse grupo de cientistas vem estudando gigantes da Amazônia na região do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e da Floresta Nacional do Amapá, para onde já foram realizadas algumas expedições. O projeto busca entender reações fisiológicas da floresta amazônica às mudanças climáticas. É liderado pela ecóloga britânica Lucy Rowland, da Universidade de Exeter, com quem Bittencourt trabalhou diretamente quando estava na instituição e que também é autora da pesquisa publicada na Science.

Estimativa apresentada em outro estudo liderado por Robson Borges de Lima, da Universidade do Estado do Amapá, e do qual Bittencourt e Groenendijk fizeram parte, indica que a Amazônia brasileira tem cerca de 55,5 milhões de árvores gigantes, mas a distribuição geográfica é desigual. Apenas 1% da área de floresta concentra 14% delas e metade está localizada em aproximadamente 11% do bioma. Ficam principalmente em Roraima e no Escudo das Guianas (formação geológica que inclui parte do Amapá), onde a disponibilidade de água é alta.

Impactos das mudanças climáticas

Para analisar como os dipterocarpos reagem ao estresse hídrico, os pesquisadores mediram as taxas de crescimento dos troncos antes, durante e depois do forte período de seca associado ao El Niño em 2023-2024. Fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial, o El Niño de 2023-2024 foi considerado um dos cinco mais intensos já medidos. Classificado no limite da categoria “muito forte”, elevou as temperaturas em cerca de 2 °C acima da média, com diferentes impactos no clima de vários países.

No estudo, os resultados da comparação entre os períodos não mostraram declínios na taxa de crescimento associada à altura das árvores durante a seca severa. Ou seja, as maiores foram tão afetadas quanto as menores, sofrendo impactos semelhantes das mudanças climáticas.

“Nossos achados demonstram que os sistemas hidráulicos de dipterocarpos muito altos evoluíram de forma a se adequar perfeitamente à sua altura, não devendo sofrer mais do que os de menor porte expostos às mesmas condições de seca”, afirma Rowland, por meio de comunicado à imprensa.

Nesse sentido, a pesquisa sugere que diferenças na capacidade das árvores de evitar bolhas de ar (embolia) que interrompem a circulação interna de água durante a seca podem estar mais relacionadas ao microclima da copa e ao sombreamento do que à altura.

Para Oliveira, os resultados sinalizam a necessidade de entender melhor os mecanismos que determinam a mortalidade das árvores gigantes durante secas extremas.

“Em vez de assumir que a altura por si só aumenta a vulnerabilidade hidráulica, os achados apontam que existem outros mecanismos fisiológicos e anatômicos que podem ser igualmente ou mais importantes para explicar a sobrevivência dessas árvores às mudanças climáticas. Essa nova perspectiva pode ajudar o desenvolvimento de modelos mais realistas sobre o funcionamento das florestas e suas respostas a climas cada vez mais secos”, afirma Oliveira à Agência FAPESP.

Groenendijk reforça a importância de compreender as taxas de crescimento dessas espécies. “Entender quais idades as gigantes atingem, como crescem e como se comportam frente à variabilidade climática são questões cruciais que estamos tentando responder usando sensores automatizados e a análise de anéis de crescimento”, completa.

No Brasil, um grupo internacional de cientistas está coletando dados na Reserva Florestal Adolfo Ducke, em Manaus (AM), para quantificar e mapear as causas e os fatores de morte de árvores tropicais altas. O “Projeto Gigante” vem sendo desenvolvido por integrantes do Cary Institute of Ecosystem Studies Millbrook (Estados Unidos) em cooperação com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Oliveira destaca que, provavelmente, um mecanismo que compensa a resistência a secas está ligado à capacidade das folhas mais altas de absorver orvalho e neblina. “Pesquisas anteriores que fizemos mostraram que fontes atmosféricas podem ser importantes para manter a hidratação de plantas em geral, mesmo as de folhas muito grandes”, conclui.

O artigo Height does not impair the hydraulic system of the tallest tropical Dipterocarp trees pode ser lido AQUI.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Luciana Constantino  

Boa Vista celebra 136 anos com espaços que fortalecem a cultura

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Em Boa Vista, a cultura ganha vida e transforma espaços públicos em encontros entre artistas e a comunidade. Foto: Divulgação/PMBV

Em Boa Vista, a cultura ganha vida nos palcos, nas praças, nos arraiais, nos festivais e nos espaços públicos que, ao longo dos anos, se transformaram em pontos de encontro entre artistas e a comunidade. Prestes a celebrar 136 anos, a capital reafirma o compromisso de valorizar a produção artística, preservar tradições e criar oportunidades para novos talentos por meio de políticas públicas que fortalecem a identidade boa-vistense.

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O Teatro Municipal, o Parque do Rio Branco e as diversas praças se consolidaram como cenários para apresentações, espetáculos e manifestações artísticas, aproximando a população da arte e fortalecendo o sentimento de pertencimento à cultura local. Para o presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (Fetec), Dyego Monnzaho, a cultura é um dos pilares do desenvolvimento da capital, influenciando diferentes áreas e fortalecendo a identidade da cidade.

Boa Vista celebra 136 anos com espaços que fortalecem a cultura
O Teatro aproxima a população da cultura local. Foto: Will Manauima/PMBV

“Boa Vista tem a cultura como matéria-prima de diversas áreas do desenvolvimento. Ela impulsiona o turismo, gera oportunidades de trabalho e, ao longo desses 136 anos, contribuiu para o amadurecimento artístico e profissional das pessoas envolvidas no setor. Esse processo fortaleceu não apenas os grandes eventos, mas também consolidou uma identidade própria para a cidade”, disse.

Nossa história e nossas tradições

Essa identidade ganha força nos grandes eventos promovidos ao longo do ano. O Boa Vista Junina, reconhecido como o Maior Arraial da Amazônia, celebra as tradições populares e reúne milhares de pessoas em torno da cultura regional. Na edição de 2026, o evento se consolidou, mais uma vez, como uma das maiores manifestações culturais da Região Norte.

A tradição quadrilheira ganha ainda mais destaque durante o Boa Vista Junina. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

Além de preservar tradições, a cidade também abre espaço para diferentes linguagens. O Festival Mormaço Cultural promove encontros entre artistas locais e nacionais, levando música, teatro, dança e outras expressões artísticas para espaços públicos. Em sua última edição, reuniu mais de 200 mil pessoas no maior cartão-postal de Boa Vista, o Parque do Rio Branco.

No fim do ano, a cultura ocupa a cidade com outra proposta. O Natal da Paz envolve famílias em uma programação que une arte, fé, lazer e confraternização. Em 2025, o maior espetáculo natalino a céu aberto da capital bateu recorde de público, levando mais de 38 mil pessoas ao Palco Aderval da Rocha, no bairro Pintolândia.

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O Natal da Paz é o maior espetáculo natalino a céu aberto. Foto: Rebeca Lima/PMBV

Investimento contínuo nos talentos locais

Os grandes eventos são apenas uma parte da política cultural de Boa Vista. Durante o ano, a Prefeitura investe em editais e ações de fomento que fortalecem artistas, grupos, produtores e coletivos culturais. Além de ampliar as oportunidades para quem vive da cultura, os incentivos estimulam a criação de novos projetos, movimentam a economia criativa e contribuem para o desenvolvimento do setor.

“Pensar a cultura é investir na projeção de Boa Vista. Ao comemorar os 136 anos da cidade, celebramos também a evolução artística e cultural dos profissionais, dos projetos e de todas as pessoas que ajudam a construir essa identidade todos os dias”, destacou Dyego.

Degradação amazônica impacta mais cadeia alimentar dos pobres

Impacto da degradação da floresta amazônica reflete na segurança alimentar. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil 

Pesquisadores do programa AmazonFACE realizaram um estudo socioambiental com moradores – dentre os quais, ribeirinhos e indígenas – dos municípios amazonenses de Manaus, Tabatinga e Carauari para investigar como a insegurança alimentar molda a percepção humana sobre serviços ecossistêmicos, isto é, os benefícios gratuitos que o ser humano obtém da natureza, tais quais água potável, alimentos, lazer e regulação climática.

Encontraram um cenário de dependência crítica: enquanto famílias em segurança alimentar valorizam a floresta por serviços ecossistêmicos de cunho cultural e de lazer, aquelas que estão em situação de vulnerabilidade extrema veem o meio ambiente como uma “rede de segurança” vital.

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A dependência direta de serviços de provisão como coleta de alimentos silvestres e pesca de subsistência é significativamente maior entre grupos que enfrentam fome – uma evidência de que a degradação dos ecossistemas impacta em primeiro lugar, e de forma mais severa, a base da pirâmide socioeconômica do país.

Os resultados da pesquisa na floresta amazônica, que envolveu a realização de 216 entrevistas semiestruturadas, foram publicados em janeiro no periódico científico Ecosystem Services, em artigo intitulado “Ecosystem services and food security: Local perception aligning with demands in the state of Amazonas, Brazil” (Serviços ecossistêmicos e segurança alimentar: percepção local alinhada às demandas no estado do Amazonas, Brasil).

Cada local pesquisado na região amazônica apresentou um nível diferente de vulnerabilidade alimentar, sendo que a situação mais grave foi observada em Tabatinga (muito alta). Na capital amazonense, a situação foi classificada como média, e em Carauari, como média-alta.

A comparação dos resultados permitiu aos pesquisadores observar como as necessidades básicas influenciam a relação das pessoas com o ambiente. Populações mais expostas à fome tendem a ter uma percepção mais limitada dos benefícios do bioma, restringindo-se àqueles diretamente conectados à segurança alimentar (como a disponibilidade de peixe ou de um fruto da floresta).

“O estudo mostrou quais são os benefícios de que as pessoas mais precisam. Esse tipo de pesquisa ajuda a tornar políticas públicas mais eficazes, mais justas”, afirma a ecóloga Ana Luísa de Carvalho Cruz, que assina o artigo com outros sete autores.

Iniciativa pioneira

Estabelecido em 2015 pelo governo federal brasileiro em parceria com o Reino Unido, o AmazonFACE é um programa científico liderado pela Unicamp, pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e pelo MetOffice (instituto público britânico de meteorologia). Traz, entre seus coordenadores, o ecólogo David Lapola, também coordenador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade. Marko Synesio Monteiro, professor do Instituto de Geociências (IG), e Maíra Padgurschi, pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), compõem seu comitê científico.

O objetivo principal da iniciativa é investigar como o aumento do gás carbônico (CO2) – principal vetor das mudanças climáticas – na atmosfera da Amazônia afeta a floresta, sua biodiversidade e até mesmo o clima global. FACE (“enriquecimento de carbono ao ar livre”, na sigla em inglês) é o nome da tecnologia que torna possível simular esse cenário.

Trata-se de um sistema de torres de alumínio de 35 metros de altura, instaladas em uma configuração circular e ligadas a um tanque de gás carbônico puro. Por um complexo sistema de sensores e válvulas, essas torres liberam ar enriquecido com CO2 no perímetro do círculo, de maneira controlada.

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O experimento está localizado no meio da floresta amazônica, a cerca de 85 km de Manaus, e é realizado enquanto o planeta sofre as consequências das mudanças climáticas, pontua Lapola, que também assina o artigo. Essa combinação causa diversos impactos. “Queremos saber como a floresta, afetada por CO2 elevado, atinge as pessoas que dependem dela, direta ou indiretamente. Como essa relação muda”, diz.

O setor de pesquisa socioambiental do AmazonFACE foi estabelecido em 2019, expandindo a investigação do programa brasileiro sobre os impactos do aumento de CO2 e da degradação da floresta amazônica sobre as populações locais. Trata-se de uma inovação em relação a outros projetos realizados pelo mundo com a mesma tecnologia. Alguns deles, inclusive, revelam um padrão preocupante: o distanciamento entre a alta tecnologia de monitoramento ambiental e o engajamento socioeducativo.

Os experimentos Oak Ridge e Aspen (ambos nos Estados Unidos), por exemplo, acumularam décadas de dados cruciais sobre o comportamento das florestas temperadas, porém suas ações de extensão foram descritas como quase inexistentes. Apenas em projetos mais recentes se observa uma tentativa estruturada de integrar a sociedade – por meio de workshops e medidas que focam em educação pública –, sinalizando uma evolução na forma como a ciência climática é comunicada.

Pesquisador principal do programa sediado na floresta de Duke, na Carolina do Norte (EUA), Ram Oren conta que não há no local registro de atividades de envolvimento social ou formal da comunidade, nem visitas públicas de escolas no local, situado no interior de uma floresta de coníferas.

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Pesquisa analisa evolução da floresta amazônica. Foto: Lúcio Camargo 

Em busca dos saberes tradicionais na região amazônica

Colíder da área socioambiental e integrante do comitê-científico do AmazonFACE, Monteiro reconhece que incorporar saberes locais ao programa é um desafio, porque não são vistos como conhecimento sistematizado. “Ninguém sabe ainda como integrá-los”, diz.

Em fevereiro, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organização científico-política criada no âmbito das Nações Unidas, realizou uma oficina no Reino Unido para discutir a incorporação de conhecimentos indígenas, locais e de profissionais em relatórios técnicos e científicos sobre o comportamento do clima.

A iniciativa, segundo o professor, mostrou que a comunidade científica internacional está atenta à relevância da aliança entre as diferentes formas de conhecimento para a governança climática.

Sediado em uma floresta com espécies nativas do Reino Unido, o Instituto de Pesquisas Florestais de Birmingham (BIFoR) mantém como atividade social do seu projeto FACE uma série de programas educacionais, para envolver alunos dos ensinos fundamental e médio, conforme explicou Samantha Dobbie, pesquisadora-líder da área de aprendizagem e engajamento da iniciativa.

Suas atividades, apresentadas no ano passado em Belém, durante a conferência climática global COP30, são realizadas em colaboração com escolas e universidades em todo o Reino Unido e no exterior.

O objetivo é “amplificar a voz dos jovens em torno do impacto das mudanças climáticas nas paisagens florestais, globalmente”, explica Dobbie, professora da Universidade de Birmingham.


*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unicamp, escrito por Janes Rocha e Maria Cristina Oliveira Souza

Reportagem produzida por estudantes do curso de especialização em Jornalismo Científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp, sob a supervisão do jornalista Guilherme Gorgulho


O esplendor do petróleo na Amazônia pode estar próximo

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Foz do Amazonas, no Amapá. Foto: Enrico Marone/Greenpeace

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A Amazônia concentra grande parte das descobertas recentes de petróleo e gás no mundo, consolidando-se como uma nova fronteira global para a indústria fóssil. Quase um quinto das reservas mundiais encontradas entre 2022 e 2024 está na região, principalmente na costa do extremo norte da América do Sul, entre Guiana e Suriname. Essa riqueza tem atraído crescente interesse internacional, tanto de empresas da cadeia petrolífera quanto de países vizinhos como o Brasil, que busca explorar sua própria margem.

No total, a região amazônica acumula em torno de 5,3 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) dos cerca de 25 bilhões descobertos globalmente no período, segundo informações do Global Energy Monitor (GEM), que coleta dados sobre infraestrutura energética ao redor do mundo. O “boe” é uma unidade de medida que padroniza diferentes tipos de energia derivados de petróleo e gás natural, equivalente, em média, à energia contida em um barril de petróleo bruto, padrão que permite comparar a produção e as reservas de óleo e gás de forma unificada.

“A Amazônia e os blocos offshore adjacentes representam uma grande parcela das recentes descobertas de petróleo e gás no mundo” de acordo com dados do Portal Energético para a América Latina, plataforma ligada ao Monitor de Energia Global. O avanço, porém, “é incompatível com as metas internacionais de redução de emissões e traz consequências ambientais e sociais significativas, tanto em escala global quanto local”. Além das reservas já identificadas, a Amazônia concentra uma grande proporção de áreas sub-exploradas na América do Sul.

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A região abriga 794 blocos de petróleo e gás — áreas oficialmente delimitadas para a exploração, sem a garantia da existência de recursos. Quase 70% desses blocos na Amazônia estão em fase de estudo. Dados da Petrobras estimam que só a Margem Equatorial brasileira abriga um volume superior a 30 bilhões de barris de petróleo, representando a principal nova fronteira exploratória de óleo e gás do país. A região abrange cinco bacias sedimentares (Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar) e é apontada como o “novo pré-sal”.

Ressalte-se, a propósito, que 60% dos cerca de 3.800 blocos sul-americanos fora do bioma já estão concedidos. Blocos concedidos são áreas adquiridas por empresas ou consórcios, que recebem o direito de exploração (busca de reservas com perfurações e outros procedimentos, dependendo de licenciamento ambiental) e produção (extração de petróleo e/ou gás natural para comercialização) – liberados para a busca de reservas e a extração de recursos -, consolidando a Amazônia como um caminho promissor de expansão da indústria.

Conclusões determinadas sobre dados compilados até julho de 2024 pelo Instituto Internacional Arayara, que monitora atividades petrolíferas na região. De todo o território amazônico, apenas não existem blocos petrolíferos na Guiana Francesa, onde os contratos são proibidos por lei desde 2017.

Segundo o Arayara, enquanto metade do óleo sul-americano é destinado a economias estrangeiras e seus royalties geram mais desigualdades que progresso local. Permanecem na região o desmatamento e as águas contaminadas por suas operações. O estudo levanta uma questão transcendental: abundante em recursos naturais, a Amazônia raramente colhe os frutos da exploração. Os royalties hoje recebidos pelo Amazonas – algo em torno de R$238 milhões em 2025 – ainda são insignificantes diante do potencial exploratório do combustível no estado.

A produção de petróleo e de gás na Amazônia brasileira teve início a partir do primeiro poço que jorrou petróleo em 13 de março de 1955, no município de Nova Olinda do Norte. Entretanto, somente em 1978 as pesquisas exploratórias e os levantamentos realizados pela Petrobras apontaram para a existência de reservas com potencialidade de exploração comercial na bacia do Solimões, na província petrolífera e gasífera do Urucu, iniciando as explorações comerciais em 1988.

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Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

El Niño testará avanços na integração da gestão do fogo, alertam pesquisadores

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Foto: Divulgação

Com a previsão de um forte El Niño, que pode provocar secas e temperaturas recordes na Amazônia, cientistas destacam a importância de uma gestão integrada do fogo, capaz de coordenar ações e fortalecer o apoio técnico entre todas as esferas de governo.

O tema foi debatido no painel “Incêndios florestais e mudanças climáticas na Amazônia: políticas públicas e ações de prevenção, controle e capacidade de resposta”, organizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) durante a II Semana do Clima da Amazônia, realizada em Belém, em 1º de julho.

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O encontro reuniu cientistas, representantes da sociedade civil, bombeiros e gestores públicos para discutir os desafios do combate aos incêndios florestais e os avanços técnicos na área.

“A política de fogo no Brasil, historicamente, foi muito reativa, agindo quando ocorriam grandes queimadas. Mas ter políticas preventivas para o fogo é fundamental porque é um tema que envolve muitos setores e afeta diretamente a vida de todos nós. É um assunto ligado à própria história da humanidade, mas sem a devida atenção, a vida de milhões de pessoas está em risco e é só entendendo de onde vem o fogo e trabalhando junto com várias organizações que conseguiremos mitigar seus riscos”, destaca Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM.

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Apesar da redução significativa da área queimada em 2025, 58% menor do que a registrada no ano anterior, o Brasil ainda registrou mais de 12 milhões de hectares queimados ao longo do ano. Em 2024, quando os efeitos do fenômeno climático foram mais intensos, mais de 30 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo, cobrindo cidades amazônicas com fumaça tóxica, ameaçando comunidades tradicionais e populações do interior e afetando, sobretudo, áreas nativas e conservadas da floresta.

“Eventos como esse são  muito importantes porque conseguem unir boa parte dos atores envolvidos na gestão do fogo para discutir os vários aspectos desse tema complexo”, afirma Jarlene Gomes, pesquisadora e coordenadora técnica do IPAM.

Nesse contexto, a Lei do Manejo Integrado do Fogo (MIF), aprovada em 2024 após a temporada histórica de incêndios, estabelece diretrizes para o uso planejado e controlado do fogo como ferramenta de manejo e prevenção. Além de prever a realização de queimas prescritas para reduzir o acúmulo de material combustível, a legislação fortalece a coordenação entre órgãos públicos e incorpora conhecimentos e práticas tradicionais às políticas de gestão do fogo.

“O foco agora deve ser na parte da integração do MIF. Cada grupo tem sua contribuição, seja no combate efetivo, na pesquisa, nas políticas públicas, e só conseguiremos fazer funcionar se todos estivermos empenhados e trocando informações. Não tem como a política de MIF funcionar se não estivermos integrados e cooperando”, pontua Lawrence Nóbrega, coordenador de Monitoramento e Combate aos Incêndios Florestais do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Linha de frente

Segundo o diagnóstico Gestão do Fogo na Amazônia, que mapeou a estrutura de governança, os recursos disponíveis e as estratégias de manejo do fogo nos nove estados da Amazônia Legal, a resposta aos incêndios deve priorizar a integração entre diferentes níveis de governo e setores da sociedade. As pesquisadoras responsáveis pelo estudo também destacaram a necessidade de ampliar o efetivo de brigadistas e bombeiros militares na região, além de investir em equipamentos e infraestrutura para que áreas cada vez maiores possam ser monitoradas e protegidas.

“Temos criado sistemas que forneçam equipamentos para todos os níveis de governo. Essa coordenação de atividades em diferentes esferas regionais é muito difícil, mas muito importante. Porque se conseguimos combater esse fogo efetivamente em todas as frentes, quem tem mais a ganhar é a sociedade”, explica Jusciery Marques, tenente-coronel do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Bombeiros Militares e especialista em operações de combate ao fogo.

Na Amazônia, os Corpos de Bombeiros Militares utilizam sistemas de monitoramento e gestão para detectar focos de calor, acompanhar o risco de incêndios e coordenar as operações em campo. Essas ferramentas integram imagens de satélite, dados meteorológicos e informações geográficas, mas sua efetividade depende da integração com bases de dados produzidas por outros órgãos e instituições. Para os especialistas, fortalecer essa articulação e ampliar os investimentos em equipamentos, aeronaves, veículos e tecnologias adaptadas às grandes distâncias da Amazônia é fundamental para tornar as ações de combate mais rápidas e eficientes.

“Um exemplo de como a integração tem mudado a gestão do fogo é que temos aumentado o número de ações interestaduais de combate às queimadas. Quando um Estado não tem capacidade para lidar com uma situação, agora temos mecanismos que aceleram a capacidade de outras regiões atuarem conjuntamente nesse combate com mais velocidade”, completa Marques.

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El Niño pode aumentar calor e fogo na Amazônia. Foto: Christian Braga/Greenpeace

Cooperação entre Estados contra impactos do El Niño

Também participaram do painel representantes do Consórcio da Amazônia Legal, organização que reúne os nove estados da Amazônia Legal para promover ações conjuntas de desenvolvimento sustentável, conservação ambiental e enfrentamento das mudanças climáticas. O grupo tem atuado na elaboração dos planos estaduais de Manejo Integrado do Fogo, articulando a captação de recursos e a cooperação técnica entre secretarias estaduais e organizações da sociedade civil, como o IPAM.

Para Beatriz Casado, assessora técnica da Coordenação de Parcerias e Câmaras Setoriais do Consórcio da Amazônia Legal, a construção de espaços interestaduais de cooperação é fundamental para lidar com as diferentes capacidades institucionais e necessidades de manejo de cada estado.

“Ouvir essa variedade de pessoas e territórios é sempre muito rico porque ventila nossas ideias e permite a troca de informações e que a gente conheça as dificuldades e forças de cada região, conseguindo ajustar da melhor forma as ações de gestão do fogo”, ressalta Casado.

A discussão ganha ainda mais relevância diante das previsões de um novo episódio de El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027. Menos de três anos após o último evento, o fenômeno, potencializado pelo aquecimento dos oceanos, pode provocar secas prolongadas e temperaturas recordes na Amazônia, reduzindo a umidade da floresta e aumentando o risco de incêndios de grandes proporções.

“A gente tem oficializado caminhos para que todos os atores envolvidos com a gestão do fogo possam enviar informações diretamente para o Governo Federal. Isso faz com que a resposta nesses momentos de crise seja ainda mais rápida e pode agir de forma mais acertiva”, completa João Paulo Sotero, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

*Com informações do IPAM Amazônia

Chamada pública ‘Florestas e Comunidades: Amazônia Viva’ divulga resultado final

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

As organizações que enviaram propostas para a chamada pública ‘Florestas e Comunidades: Amazônia Viva‘ já podem consultar o resultado final da seleção.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgam, no dia 30 de junho, a lista com o resultado final dos projetos.

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A lista foi divulgada após a análise dos recursos apresentados pelas organizações de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares da região amazônica.

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Leia também: Projeto ‘Florestas e Comunidades: Amazônia Viva’ conta com R$ 96,5 milhões do Fundo Amazônia

Amazônia Viva

O projeto é resultado de  uma parceria entre a Companhia e o BNDES e visa servir à produção sustentável de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na região, enfrentando gargalos que limitam a geração de renda dessas populações, como dificuldades de logística, beneficiamento, armazenamento, adequação sanitária e acesso a mercados.

A iniciativa busca transformar uma realidade comum na região: comunidades que produzem de forma sustentável, mas perdem renda por falta de infraestrutura básica, enfrentando altos custos de transporte, perdas na produção, dificuldades para cumprir exigências sanitárias e pouco acesso a políticas públicas e mercados consumidores.

Acesse o resultado final da Chamada Pública AQUI.

Mais informações sobre o projeto estão disponíveis na página oficial do programa.

*Com informações da Conab