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Paixão de torcedor: manauara “pé-quente” sonha em ver o bicampeonato do Garantido no Festival de Parintins 2026

Uma das expressões populares mais utilizadas pelos brasileiros, o termo “pé-quente” é usado para designar alguém que tem sorte, atrai vitórias ou leva boas energias onde passa. Seja em partidas de futebol, apostas ou qualquer outro evento que tenha competição, o torcedor pé-quente geralmente acerta em cheio no vencedor e volta para casa feliz da vida.

Em Parintins (AM), palco do maior espetáculo folclórico à céu aberto do mundo, a manauara Lene Santos quer manter a fama de pé-quente. Pela segunda vez consecutiva, a empreendedora de 37 anos está na Ilha da Magia para prestigiar o Festival Folclórico de Parintins e torcer pelo bicampeonato do boi Garantido, atual campeão do festival.

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Torcedora do Garantido, Lene sonha em ver o bicampeonato do boi preferido em Parintins
Pela segunda vez em Parintins, Lene quer manter fama de pé-quente e ver a conquista do bicampeonato do Garantido no festival deste ano. Foto: Lene Santos/Arquivo pessoal

Perreché desde criança

Lene conta que a paixão pelo boi Garantido começou durante a infância por influência dos pais. Natural de Manaus, a torcedora conta que as cores vermelho e branco sempre se fizeram presente na rotina da família quando o assunto o festival de Parintins: “Eu escutava os meus pais ouvindo as toadas e desde então comecei a gostar né, isso incentivou e me fez gostar do Garantido”.

Já encantada pelo Boi da Baixa, Lene relembra que começou a frequentar os eventos promovidos pelo Garantido em Manaus como, por exemplo, os tradicionais currais, que servem como ensaios técnicos, apresentações dos itens oficiais, show da batucada e performances de dançarinos, além de marcar a contagem regressiva do festival, que acontece anualmente na última semana de junho.

“Para ser sincera, os meus pais escutavam as toadas, eles não eram de sair para as festas e currais de Manaus. Nunca me levaram para ver o boi, eu que já fui diferente deles, fui crescendo e gostando de curtir a festa, fui diferente deles”, relembra, aos risos, a torcedora.

Leia também: Paixão de torcedor: toada do Caprichoso motivou carioca a gostar de boi e vivenciar Festival de Parintins

Paixão de torcedor: manauara "pé-quente" sonha em ver o bicampeonato do Garantido no Festival de Parintins 2026
Fã do Garantido desde criança, Lene Santos se preparou por anos para ter a chance de viajar para Parintins, algo que só conseguiu em 2025. Foto: Lene Santos/Arquivo pessoal

Loucura para ver o Garantido campeão

Voltando ao tema pé-quente, Lene conta que a primeira vez que desembarcou em Parintins foi em 2025, justamente no ano que o Garantido conquistou o seu 33º título do festival, o que não acontecia desde 2019. Ela relembra que a emoção de ver o boi pela primeira vez no Bumbódromo foi indescritível.

“Nossa, foi maravilhoso e incrível. Logo de primeira ver o Garantido ser campeão depois de um tempo de espera é algo que jamais vou esquecer, está cravado na minha memória. E melhor ainda foi poder me sentir uma campeã aqui em Parintins, foi uma experiência inesquecível”, diz a torcedora.

Mas para prestigiar a festa da vitória vermelha e branca ‘in loco’ na Ilha da Magia, Lene admite que superou o medo e deixou até a sua empresa de lado para realizar o sonho de pisar na cidade tupinambarana.

“Eu já tinha muita vontade de ir, mas por conta do trabalho na loja, não dava. Os meus amigos me chamavam e tudo, eu dizia que não podia, não dava, e aí quando eu me dei conta já estava dentro do barco indo para Parintins. Essa, sem dúvida, foi uma loucura bem grande, pedi para uma amiga minha cuidar do meu trabalho e me mandei pra cá. E foi maravilhoso, tanto é que estou aqui de novo”, conta a empreendedora, que trabalha com a venda de roupas e acessórios.

Lene Santos visitando o curral Lindolfo Monteverde, na Cidade Garantido. Foto: Lene Santos/Arquivo pessoal

Expectativa para o festival

Pérreché e pé-quente, Lene acredita no bicampeonato do boi do coração e aproveita para mandar votos de coragem para quem nunca teve a oportunidade de conhecer Parintins.

“Esse ano eu creio que esse ano nós vamos ser campeões pela segunda vez, vamos sentir novamente essa sensação porque o Garantido é o melhor. E aproveito para dizer para você, que sonha um dia vir aqui: quem vem pra cá não se arrepende. Parintins realmente é a ilha da magia, você se apaixona, é uma energia surreal, energia maravilhosa, então quem quer vir pela primeira vez, não perde tempo. É uma sensação indescritível”, finaliza.

Parintins para todo mundo ver

O projeto Parintins para Todo Mundo Ver é uma realização do Grupo Rede Amazônica, com oferecimento de Mercado Livre, Neutrogena, Banco da Amazônia (Basa), Âmbar Energia e Sicredi.

Paixão de torcedor: toada do Caprichoso motivou carioca a gostar de boi e vivenciar Festival de Parintins

A toada ‘Ritmo Quente’, do Boi Caprichoso, é considerada um dos maiores fenômenos musicais da Região Norte do Brasil e que contribuiu para difundir a cultura do boi-bumbá de Parintins para o resto do Brasil e o mundo afora. No Rio de Janeiro, por exemplo, uma toada do contrário chamou a atenção do militar Ronaldo Chianelli, mas foi depois de uma missão em Tefé, no Amazonas, quando ouviu um trecho da toada composta por Alex Pontes, Mailzon Mendes e eternizada na voz do saudoso Arlindo Jr, que sentiu um verdadeiro “chamado” do Touro Negro.

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Natural da cidade fluminense, o carioca de 52 anos revela que uma parte da toada foi o principal motivo para gostar de boi bumbá e se tornar torcedor do Caprichoso e, para atender à escolha do boi da estrela, Ronaldo decidiu viajar à Ilha da Magia pela primeira vez para prestigiar o Festival Folclórico de Parintins em 2026.

Foi o boi que me escolheu

“Vim do Norte/
vim trazer alegria de viver/
Quero só você/
é muita emoção/
Juntos vamos nós/
em uma só voz/
Cantar pra você”.

Foi desta forma, com esse trecho da torada, que Ronaldo revela como foi seduzido pelo ritmo de boi-bumbá, especialmente pelo boi Caprichoso.

“Eu sou militar e quando fui para Tefé (município do Amazonas) em 2020, eu escutei a toada e fiquei encantado. Quando ouvi ‘vim do Norte, vim trazer alegria de viver’, aquilo ali me cativou, me fez gostar muito de boi e inclusive me fez escolher o boi Caprichoso. Ali eu decidi que eu precisava conhecer Parintins, o festival e o Caprichoso”, explica o militar.

Desde então, Ronaldo tratou de colocar a vinda à Parintins como uma das principais metas de vida. Porém, a pandemia da Covid-19 e a falta de oportunidades do trabalho adiaram os planos. No entanto, depois de seis anos de espera, o militar agarrou a chance de poder pisar na Ilha tupinambarana.

“Quando eu morava em Tefé, já tinha decidido que iria para Parintins, mas aconteceu a pandemia [de Covid-19] em 2020 e não deu certo. Quando soube que viria residir em Manaus à trabalho, não pensei duas vezes e comprei logo minha passagem. Eu falava que iria para Parintins conhecer o festival e agora estou aqui”, conta Chianelli, que chegou na capital amazonense em janeiro deste ano.

Leia também: Currais dos bois de Parintins: os lares de criatividade, cultura e memória

Paixão de torcedor: toada do Caprichoso motivou carioca a gostar de boi e vivenciar Festival de Parintins
Torcedor preparou as malas e partiu para a cidade parintinense na última quarta-feira (24) para vivenciar a emoção na Ilha da Magia. Foto: Ronaldo Chianelli/Arquivo pessoal

Sentimento inexplicável

Já em terras parintinenses, Ronaldo relata que a energia da cidade movida pelo festival é algo emocionante e confessa que a festa se compara ao Carnaval do Rio de Janeiro.

“Eu falo com convicção que o boi é emocionante. Sou do Rio de janeiro, cidade do carnaval, das escolas de samba, mas o boi não tem explicação, me emociona muito. Desde a primeira toada que escutei até conhecer o Caprichoso, tudo foi fantástico”, pontua o carioca.

Depois de seis anos, Ronaldo pôde, enfim, conhecer Parintins. Foto: Ronaldo Chianelli/Arquivo pessoal

Diante da emoção sentida pelo boi azul, Ronaldo preparou as malas e partiu para Parintins, onde desembarcou nesta quinta-feira (25). Ele aproveitou para descrever o clima da viagem para o município distante 369 quilômetros de Manaus.

“Sensacional, festa de Manaus até Parintins. Foi uma loucura ter chegado aqui, eu não imaginava como era viajar de barco, já tinha visto aquele monte de gente na rede, um perto do outro, mas está no meio disso tudo foi fantástico, incrível. O amazonense é um povo espetacular, receptivo e da paz.

Dúvida? “Só venha”!

Ronaldo afirma que vai aproveitar bastante a experiência inédita em Parintins e convida quem pensa em visitar a cidade e conhecer o festival:

“Eu vou falar que nem amazonense: ei, vem. Se está com dúvida, se pensa em conhecer, não pensa duas vezes não, compra sua passagem e conheça Parintins. Vale muito a pena, é a ilha da magia, uma energia incrível, vibe sensacional”.

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Saiba como não ser um torcedor ‘bumbá kids’ nas redes sociais; confira dicas de artistas dos bois Caprichoso e Garantido

O Festival Folclórico de Parintins, que acontece anualmente na última semana do mês de junho, é o ápice da temporada bovina protagonizada pela rivalidade histórica dos bois Caprichoso e Garantido, que duelam pelo título do maior evento folclórico à céu aberto do planeta.

O Bumbódromo de Parintins é o palco principal dessa disputa, e paralelo a isso, o ambiente digital também se torna um espaço em que torcedores dos bois da estrela e do coração usam as redes sociais para trocar opiniões pessoais, críticas e elogios sobre a performance dos 21 itens avaliados.

Porém, existem novos internautas que excedem os limites de uma rivalidade saudável, muitas vezes sem fundamentos: conhecidos como ‘bumbá kids‘.

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O termo, que surgiu na internet pelos próprios torcedores, denomina aqueles que não aceitam críticas contra o seu boi, não valorizam pontos positivos do contrário e estimulam discursos de ódio e ataques pessoais contra quem não concorda com seu ponto de vista. Em alguns casos, é contra até por quem simplesmente torce pelo rival.

O Portal Amazônia conversou com itens e ex-itens oficiais dos bois Caprichoso e Garantido, que comentaram sobre a importância da rivalidade saudável e deram dicas de como torcer e brincar de boi de forma coerente, responsável e sem violência no mundo virtual.

Caprichoso x Garantido: como surgiu essa rivalidade?

Antes de se tornar uma das principais expressões culturais do Brasil, a disputa entre Caprichoso e Garantido nasceu de uma brincadeira de rua, no início do século XIX, em que dois grupos (os bois) iam às ruas de Parintins para encenar a lenda da Mãe Catirina, uma mulher que estava grávida e com desejo de comer língua de boi. Para satisfazer a amada, o marido Pai Francisco sacrifica o boi favorito do seu patrão, que ameaça matá-lo.

Com fantasias, músicas e alegorias, a lenda que nasceu no Nordeste começou a ser ambientada com elementos da Amazônia como povos indígenas, criaturas e toda a mística sobre o maior bioma do planeta. Aí que entra a figura do Pajé, que ressuscita o boi do patrão, evita a tragédia e salva a vida do Pai Francisco.

Leia também: Festival de Parintins e o impacto da rivalidade histórica dos bois Caprichoso e Garantido

Rivalidade dos bois Caprichoso e Garantido é bem forte entre os torcedores dos dois bois
Rivalidade bovina do Festival de Parintins é protagonizada pela disputa entre os bois Caprichoso e Garantido no Bumbódromo. Foto: Aguilar Abecassis/SEC

A partir daí, toda aquela simples brincadeira de rua se transformou em apresentações mais produzidas para o público da Ilha da Magia, dando origem ao festival. Em 1966, acontece o primeiro Festival Folclórico de Parintins, com os bois disputando o título de melhor apresentação e o campeão definido a partir dos aplausos do público. É o que explica a historiadora parintinense Larice Butel, especialista da festa tupinambarana.

“O campeão da primeira edição do festival era decidido por aplausos e aí o boi Garantido é o vencedor. Daí surge a necessidade de se ter mais torcedores, já que a torcida contava pontos, o que se tornou primordial para o nascimento das galeras. Isso, inclusive, fez com que os outros bumbás que existiam na cidade não conseguissem permanecer”, explica a profissional.

A partir de então, a disputa entre Caprichoso e Garantido começou a ficar mais intensa e competitiva entre as torcidas, principalmente após a construção do Bumbódromo, no final dos anos 1980, para sediar o festival. À medida que a festa dos bumbás se consolidava como uma das maiores manifestações folclóricas do Brasil, a rivalidade entre os torcedores seguia o mesmo patamar até ganhar o ‘reforço’ das redes sociais.

Dono da ‘Voz da Amazônia’, David Assayag é considerado referência do festival e já atuou pelo Caprichoso. Foto: Reprodução/Instagram-davidassayagoficial

A chegada das redes sociais

Com a ampliação do acesso à internet no Brasil, em meados de 2010, as redes sociais começaram a fazer parte da rotina dos brasileiros. Isso fez com que os debates bovinos, que se restringiam aos encontros de torcedores nas ruas ou eventos dos bois, migrassem para o mundo virtual. E apesar de terem contribuído para a divulgação do festival, as plataformas digitais também abriram espaço para formadores da opinião pública, os chamados influenciadores digitais.

Considerado um dos artistas mais respeitados do festival, o levantador de toadas do boi Garantido, David Assayag, relata que as redes sociais trouxeram uma nova fase para a rivalidade bovina, porém, revelaram um lado negativo da internet: os ataques virtuais contra profissionais que atuam nas agremiações.

“A partir daí, a rede social entra com força no festival. Os torcedores começam a emitir opiniões pessoais, elogios e críticas em suas redes, mas infelizmente uma parte deles usam a internet para o mal. Ofendem os itens, atacam a honra dos profissionais, atacam a diretoria, tudo no intuito de diminuir as pessoas e as instituições também. E isso começou a ficar muito ruim para o festival”, conta o artista, que também já defendeu as cores do Caprichoso.

Daniela Assayag fez história como cunhã-poranga do Boi Caprichoso. Foto: Reprodução/Instagram-danielaassayag

Ex-Cunhã-Poranga do Boi da Estrela nos anos 90, Daniela Assayag afirma que o início do comportamento ofensivo no mundo virtual acabou distorcendo a essência da festa na Ilha da Magia. Para a artista, que atuou dos onze aos 21 anos de idade no Touro Negro – sendo os últimos cinco anos como item 9, ponderou que os artistas dos bois são as maiores vítimas dos discursos de ódio na internet.

“Esse comportamento violento nas redes sociais desvirtua o objetivo da festa. O que era para ser uma disputa de criatividade e genialidade do artista caboclo, as vezes acaba ganhando contornos de conflitos com essas atitudes criminosas dos ‘haters’. E as maiores vítimas, a meu ver, são os itens individuais, artistas que dedicam suas vidas à festa, mas que acabam desrespeitados de forma grosseira e inaceitável. As pessoas deveriam entender que por trás dos personagens existe gente de carne, osso e sentimento, a escolha pela exposição de quem aceita ser item dos bois não pode ser justificativa para a aceitação da prática do discurso de ódio contra si”, pondera Assayag.

Saiba mais: Você sabe qual a origem do Festival Folclórico de Parintins?

Brincar de boi perdeu a essência?

Inflamada com a expansão das redes sociais, a rivalidade bovina entre os torcedores cresceu consideravelmente no virtual e, paralelo a isso, os comportamentos ofensivos também. Ataques pessoais, discursos de ódio e a propagação de ‘fake news’ cometidos por uma pequena parte desses torcedores contra itens e dirigentes dos bois se tornaram mais frequentes.

Verena Ferreira atuou por quatro anos no Boi Garantido. Foto: Reprodução/Instagram-Dra.verenaferreira

Para Verena Ferreira, ex-cunhã-poranga do Garantido em 2015 e 2016, apesar do festival ter ganhado maior visibilidade com a internet, a violência virtual tirou um pouco a essência saudável dessa rivalidade entre os torcedores, algo que era comum antes das redes sociais.

“Antes das redes sociais, torcer pelo boi era muito mais vivido no corpo a corpo durante a temporada bovina. A rivalidade acontecia nas ruas, nos currais, nas filas de ensaio, nas rodas de conversa e dentro das famílias. Existia provocação, mas também tinha muito respeito pela história e cultura do boi contrário, o torcedor conhecia os itens, as toadas, acompanhava a evolução dos bois, enfim, ele conhecia a história do festival. O boi bumbá nasceu como manifestação cultural e popular, não como espaço para ódio e aí quando a rivalidade ultrapassa o limite da brincadeira para ataque pessoal, fake news e perseguição nas redes, quem perde é o próprio festival”, frisa Verena.

Ex-item de Caprichoso e Garantido, o cantor Edilson Santana também endossa o raciocínio. Para o artista, que já foi amo do boi e levantador de toadas no Bumbódromo, a brincadeira de boi bumbá que deu origem ao festival precisa ser valorizada pelos torcedores.

“Essas pessoas precisam entender que o festival é um legado do povo de Parintins que fomenta a vida de sua gente. Aprender a apreciar o festival é caminho, conhecer a sua história já é um começo, isso faz o torcedor olhar com mais respeito ao festival que chegou até aqui. A rivalidade dos bois era inocente como a brincadeira nas ruas, passando o festival todos se falavam e até davam os parabéns ao rival que vencia, jamais desrespeitavam um ao outro para mudar o sentido e o objetivo da brincadeira”, reforça Santana, que hoje defende as cores do Boi da Francesa.

Leia também: Amor e rivalidade: conheça histórias de casais que se apaixonaram pelo torcedor do contrário

Atualmente cantor de toadas do Caprichoso, Edilson Santana já foi item do boi Garantido e é um dos artistas mais respeitados do festival. Foto: Aguilar Abecassis/SEC

Dicas de como torcer de forma saudável nas redes

Apesar desse lado negativo representar apenas uma pequena parcela dos torcedores bovinos, ainda é comum encontrar publicações e comentários com conteúdo difamatório e ataques discriminatório contra artistas de Caprichoso e Garantido. Mesmo com leis voltados ao combate de crimes cibernéticos e de punições para quem comete, tais práticas ainda são frequentes no ambiente virtual.

No intuito de incentivar o debate saudável e a importância de torcer e brincar de boi, o Portal Amazônia reuniu algumas dicas de itens e ex-itens oficiais dos bois Caprichoso e Garantido de como saber opinar nas redes sociais de forma responsável e sem ataques no mundo virtual. Confira:

David Assayag, levantador de toadas do Garantido:

“O torcedor precisa entender mais sobre a história do festival e ser mais consciente na rede social. Agora, como item, eu sou muito tranquilo, já fui vítima dos ‘haters’, mas nunca fui para o embate. É só não responder as provocações”

Edilson Santana, ex-amo do boi e levantador de toadas do Caprichoso:

“Torça como quem torce por uma pessoa amada. Não faça com ninguém o que você não gostaria que fizessem com você. Vá em paz ao festival e volte em paz, pare de usar as redes sociais para insinuar uma guerra insana que não existe e nunca existirá”

Verena Ferreira, ex-cunhã-poranga do Garantido:

“Não transforme o boi em guerra de internet. Ser torcedor de verdade é defender o seu boi com paixão, cantar, brincar, estudar a cultura, respeitar a rivalidade e ajudar a manter viva a essência do Festival de Parintins para as próximas gerações”

Prince, ex-amo do boi do Caprichoso:

Não é uma dica, mas um estilo de vida para quem curte o boi-bumbá: Brinque, dance, tome sua bebida e seja feliz. Brincar de boi não é brigar de boi. Todo mundo é feliz, então venha ser feliz no Caprichoso”

Denison Piçanã, tripa do boi Garantido:

“Que os verdadeiros torcedores busquem conhecer todo o processo do nosso festival. Apoiem, critiquem e cobrem melhorias com carinho, sem peso nas palavras. Quem ganha com isso é o nosso festival

Daniela Assayag, ex-cunhã-poranga do Caprichoso:

“Os torcedores de Caprichoso e Garantido devem se reconhecer como rivais, nunca como inimigos e é uma responsabilidade de todos nós lutar para que haja respeito na rivalidade. Podem ter suas preferências, mas é preciso entender que nenhum existe sem o outro”

Conexão Amazonas-Escócia: amazonense explica como o futebol reacende ligação histórica entre o estado e o país do Reino Unido

Nove mil quilômetros. Essa é a distância aproximada em linha reta entre o Brasil e a Escócia, país constituinte do Reino Unido localizado no Norte da Grã-Bretanha. Os dois países, que já tiveram uma relação mais estreita no final do século XIX, durante o ciclo da borracha, também compartilham da mesma paixão nacional: o futebol.

Nesta sexta-feira, 24 de junho, as duas nações protagonizam um novo capítulo de suas histórias, agora tendo o esporte mais popular do mundo como fundo. Brasil e Escócia se enfrentam na Copa do Mundo 2026 e o confronto tem sido visto como algo histórico entre brasileiros e escoceses que vivem nos dois países.

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É o caso da amazonense Ester Moraes, brasileira de 26 anos que mora na cidade escocesa de Glasgow. Natural de Novo Aripuanã, município do Amazonas, a jornalista é a terceira personagem da série especial Amazônia na Copa, que traz a rotina de brasileiros nascidos na Amazônia Legal e que moram nos países que a Seleção Brasileira irá enfrentar no Mundial de 2026.

Há um ano e seis meses na Escócia, ela relata como o futebol faz parte do estilo de vida no país escocês, afirma que sente saudade da gastronomia amazonense e admite que terá o coração dividido durante a partida que vale uma vaga na próxima fase do Mundial.

Do interior do Amazonas para o Reino Unido

Uma história de amor com requintes aventurescos que motivou Ester Moraes a trocar o local de origem pela terra dos castelos. Nascida em Novo Aripuanã, munícipio distante 227 quilômetros de Manaus, capital do Amazonas, ela conta que trocou de continente após conhecer o atual namorado, o escocês Robin McGonigle.

“Conheci meu atual esposo em 2021, numa viagem à Albânia durante um ano sabático pelo mundo. Namoramos à distância por três anos e decidimos que seria a melhor opção residirmos na Escócia, já que ele não seria qualificado para um trabalho na área da ciência no Brasil, por não ser fluente no português. Ele fala o idioma no cotidiano e fluentemente, mas não o acadêmico”, explica Ester McGonigle, como carrega o nome após se casar com Robin.

Leia também: Conexão Amazonas-Marrocos: manauara conta como é torcer no país rival do Brasil na Copa do Mundo 2026

Conexão Amazonas-Escócia

Relação com o futebol

Já na Terra dos castelos, Ester relata que a relação entre o futebol e o povo escocês é mais intensa até os brasileiros. Torcedora do Flamengo, ela relata que os escocês tratam o esporte como um estilo de vida.

“O futebol na Escócia é mais amado que no Brasil, é como se fosse um estilo de vida. Algo que fazem toda semana, ir nos estáadios, ter coleções de tudo que é possível: broches, camisas. Os torcedores costumam viajar dias, das formas mais comuns às mais desconfortáveis, tudo para apoiarem seu time. E quando o assunto é torcer pela seleção, o orgulho é ainda maior. Eles são muito apaixonados”, salienta Ester.

Grande parte dessa paixão pelo futebol, segundo Ester, veio do marido que é fã de carteirinha do esporte jogado com os pés. E quando se trata de Copa do Mundo, a empolgação transcende as quatro linhas: isso porque a Escócia, depois de 28 anos, conquistou a classificação para o Mundial, o que para Ester é algo histórico e inédito na vida do marido.

“Sou casada com um escocês amante de futebol, vai em todos os jogos, sabe tudo do esporte, tem uma coleção com todas as camisas da Escócia, todos os álbuns de figurinhas, mascotes de todas as copas. Aqui, vamos torcer pelas duas seleções, o Brasil já é esperado que se saia bem, então oramos para que a Escócia também consiga ir adiante da fase de grupos. Seria algo histórico, já que são 28 anos desde a última classificação. Meu esposo tem 26 anos, então ele nunca viu a Escócia jogar uma Copa do Mundo, por isso, entendo que é bem mais especial para ele do que para mim”.

Saudades da terrinha

Há um ano e meio na Escócia, Ester confessa que a saudade pela região amazônica é grande. E quando se trata de culinária e gastronomia local, a nostalgia aumenta ainda mais.

“Eu sinto saudade de tudo. Tucumã, um x-caboquinho e peixe igual ao nosso não existe no mundo. Já rodei o mundo e países famosos por gastronomia, mas nenhum se compara ao sabor que tem em solo amazonense. Sinto falta de estar mais próxima das minhas raízes, sotaques e costumes. Dar uma depressão ir aí e ter que ir embora, eu chorei muito no avião. E chorava toda vez que comia tucumã e tambaqui, parecia que estava em cativeiro e não comida há anos. Em três dias, matei toda minha saudade”, relembra Ester, que recentemente visitou o estado junto com o marido.

Na ocasião, ela frisa que o amado também ficou encantado pelas belezas naturais e culinária da região amazônica e reiterou o admiração proporcionada pelo estado em outras partes do mundo.

“Foi incrível poder vê-lo se conectar com cada aspecto do ambiente que construiu quem eu sou, me fez ver o mundo, Deus e a natureza com o olhar que tenho hoje. Não há comida mais saborosa, mais real, não há nascer e pôr-do-sol mais lindo, a exuberância das nossas matas e animais são extraordinários. Era impossível não perceber o quão grato ele estava de poder viver algo único, que só a Amazônia e somente o nosso povo pode proporcionar. Acho que nunca o vi tão feliz, me emociona pensar o quanto somos abençoados em poder chamar o Amazonas de casa. Ser amazonense desperta curiosidade e admiração nas pessoas”, recorda a jornalista.

Leia também: Conexão Amazonas-Haiti: manauara relata como a paixão pelo esporte une os países rivais na Copa do Mundo 2026

Brasil ou Escócia?

O confronto entre Brasil e Escócia praticamente define os classificados do grupo C para a próxima fase da Copa do Mundo. Enquanto que a vaga da Seleção Brasileira está praticamente encaminhada com uma vitória e um empate, os escoceses avançam com um empate ou até em caso de derrota, porém, dependeria de uma combinação de resultados.

Ester admite que torce pelo Brasil, mas que confia na classificação do país escocês.

“Eu vou torcer para que o Brasil passe em primeiro e Escócia em segundo, é um país gentil e acolhedor. As pessoas aqui têm um amor genuíno pelo esporte e já que meu marido nasceu aqui, seria incrível ver eles podendo desfrutar das vitórias e também pela classificação. Para mim, será 3 a 1 para o Brasil”, palpita.

Conexão Amazonas-Haiti: manauara relata como a paixão pelo esporte une os países rivais na Copa do Mundo 2026

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A cada quatro anos, o futebol une nações e bilhões de torcedores para acompanhar a disputa da Copa do Mundo, a competição que promove uma verdadeira integração global dentro e fora das quatro linhas por meio da bola. No entanto, existe uma relação entre dois países em que o esporte popular representa mais que uma modalidade, representa uma forte conexão formada pela paixão, solidariedade e já exerceu até função social: Brasil e Haiti.

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Nas últimas décadas, os dois territórios construíram uma ligação praticamente umbilical nutrida por uma onda de solidariedade, acolhimento e ajuda humanitária, mas é o amor pelo futebol que representa uma parcela significativa da admiração do povo caribenho pelo Brasil. Tal vínculo, inclusive, faz parte da vivência de quem mora entre os dois países, como é o caso do amazonense José Aurélio.

Na segunda reportagem da série especial ‘Amazônia na Copa’, com histórias de brasileiros nascidos na Amazônia Legal que moram nos países adversários do Brasil no Mundial deste ano, o manauara de 41 anos que vive no Haiti relata como o futebol e a cultura brasileira influenciam a rotina de quem vive no país da América Central e detalha a relação de respeito e apreço do povo haitiano pela seleção verde e amarela pentacampeã do mundo.

Leia também: Conexão Amazonas-Marrocos: manauara conta como é torcer no país rival do Brasil na Copa do Mundo 2026

José admite que não é fã do futebol, mas que vira torcedor do Brasil durante a disputa da Copa do Mundo. Foto: José Aurélio/Arquivo Pessoal

Torcedor? Só durante a Copa

Apesar de ser o esporte mais popular do mundo, o futebol não está entre as preferências de José Aurélio. Morando há cinco anos em Porto Príncipe, capital do Haiti, o amazonense conta que sua rotina se resume a ir para o trabalho e voltar para casa na capital haitiana, local que escolheu viver após aceitar uma oportunidade para atuar como técnico operacional em máquinas de fabricação de termoplásticos.

Mas quando se trata de Copa de Mundo, o brasileiro admite que muda sua rotina e troca a farda pela camisa da Seleção para torcer a favor do time canarinho no maior torneio do futebol.

“Em relação ao futebol, para ser sincero, confesso que não sou muito fã. Minha família toda torce para o Vasco, se for para sofrer vendo o time carioca jogar, é melhor eu esperar a Copa a cada quatro anos e torcer pelo Brasil (risos). Época de Mundial é o período que eu mais gosto de assistir futebol e de torcer pela nossa seleção”, explica Aurélio.

Preferências à parte, o manauara relembra que o futebol foi o responsável por um dos momentos mais marcantes da sua vida já vivendo em Porto Príncipe, quando sentiu de perto a idolatria dos haitianos pelo povo brasileiro.

“A Copa de 2022 foi a primeira que eu pude acompanhar fora do Brasil e dentro de um país que ama o nosso futebol. Eles idolatram a nossa seleção, a nossa cultura, eu me senti em casa, então, foi marcante e satisfatório ver que uma outra nação gosta tanto do Brasil e do nosso futebol”, recorda.

Paixão haitiana pelo futebol

População do Haiti é fanática pelo Brasil, principalmente pelo futebol canarinho
Uma multidão acompanhou a Seleção Brasileira durante a passeata dos jogadores em Porto Príncipe, para o Jogo da Paz. Foto: Arquivo CBF
Amazonense reforça que relação entre brasileiros e haitianos é de muito respeito. Foto: José Aurélio/Arquivo pessoal

O amor do povo de Haiti pelo futebol, em especial o brasileiro, tem explicação. Em 18 de agosto de 2004, uma partida amistosa entre Brasil e a seleção local realizada em Porto Príncipe marcou a história do país caribenho, que vivia naquela época uma guerra civil instalada por crises políticas e um cenário de violência urbana extrema.

Conhecido como o Jogo da Paz, o duelo contou com craques brasileiros como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos e foi capaz de paralisar os conflitos armados durante noventa minutos na cidade haitiana.

Na ocasião, a seleção canarinha venceu por 6 a 0, mas o cenário de paz, alegria e esperança que pairou naquele dia histórico foi a vitória mais importante comemorada por milhares de haitianos que puderam assistir de perto a única seleção pentacampeã do mundo. Daí a relação de respeito e admiração do povo caribenho em relação ao Brasil.

“No Haiti, a relação entre brasileiros e haitianos é de muito respeito, não temos problemas com eles e eles não têm problemas com a gente. É perceptível ver o carinho especial que eles sentem pela gente, digo que mais de 80% da população haitiana torce para o Brasil, isso mostra o quanto essa nação tem apreço pela nossa”, reforça José.

Classificação para Copa

E como se não bastassem os bons frutos da relação entre Haiti e o futebol, quis o destino que o esporte reservasse mais uma capítulo histórico: a classificação do país para disputar a Copa do Mundo de 2026.

A conquista da vaga, algo que não acontecia desde 1974, ainda teria um ingrediente especial: a seleção caribenha está no mesmo grupo que o Brasil na competição mundial, o que garante o duelo entre os países na maior evento de futebol do planeta.

José conta que a classificação do Haiti para o Mundial foi bastante comemorada pelo povo caribenho com muita festa e celebrações que pararam o país.

“Eu lembro que no dia que o Haiti garantiu a participação na Copa, eu não estava bem de saúde e fui na farmácia comprar um remédio. Quando eu entrei no carro, só vi aquela multidão na avenida principal de Porto Príncipe. Nessa noite, todos os haitianos saíram de casa para comemorar na rua, eu tive que esperar uns cinquenta minutos, deram até ponto facultativo no outro dia porque ninguém foi trabalhar. Então, foi outro momento que me marcou bastante no Haiti com relação à Copa”, relata.

Expectativas para o duelo

Nesta sexta-feira, 19 de junho, Brasil e Haiti entram em campo em partida válida pela segunda rodada do grupo C do Mundial. Aurélio frisa que vai torcer pelo seu país de origem, mas que ficará dividido durante o confronto. O manauara, que assistirá o duelo junto com a família em Manaus, aproveitou para cravar o seu palpite:

“Vou torcer pelo Brasil porque sou brasileiro, é claro, mas meu coração vai ficar bem dividido porque o Haiti foi um país bem acolhedor da mesma forma que nós fomos e somos com eles. Mas a minha torcida será pela seleção brasileira e acredito na vitória por 3 a 1 pra cima do Haiti”.

Matando a saudade da família

Há dois meses, José Aurélio desembarcou em Manaus para aproveitar as férias e rever a família. Ele revela que tem aproveitado o seu retorno para matar a saudade da terrinha, principalmente da culinária e dos pontos turísticos da capital amazonense.

Há dois meses em Manaus, José Aurélio tem aproveitado para ficar com a família e também matar a saudade da culinária amazonense. Foto: José Aurélio/Arquivo pessoal

“A nossa região é vasta e única né, eu sentia muita falta do tambaqui, do nosso açaí, a culinária amazonense, a cultura, tudo isso é muito rico. A minha vida é muito ligada à família, de ir à igreja aos domingos, caminhar na Ponta Negra, visitar pontos turísticos, aproveitar os feriados prolongados, andar de bicicleta e, claro, estar perto das pessoas que a gente ama”, frisa o amazonense, que aproveitou para revelar os próximos planos:

“Até então, eu não tenho nenhum plano para retornar para o Haiti. Primeiro porque eu já estou até trabalhando aqui em Manaus e segundo porque estou analisando uma proposta que surgiu do Paraguai. Então, no momento, não penso em voltar para lá”, finalizou.

Conexão Amazonas-Marrocos: manauara conta como é torcer no país rival do Brasil na Copa do Mundo 2026

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Natural de Manaus (AM), Paula Pereira escolheu a cidade de Marrakech, em Marrocos, para viver profissionalmente na área de turismo há 12 anos. Foto: Paula Pereira/Arquivo pessoal

Os quatro cantos do planeta se concentram, desde 11 de junho, para a maior competição de futebol: a Copa do Mundo de 2026. Quarenta e oito seleções entram em campo para disputa do título mais importante do esporte, mobilizando bilhões de torcedores que se unem para incentivar suas respectivas nações no torneio mundial.

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No meio desse universo, milhares de brasileiros espalhados nos países mundo afora aproveitam o Mundial para se reconectar com suas raízes e fortalecer a torcida verde e amarela pela Seleção Brasileira, que vai em busca do hexacampeonato.

Nesse clima de Copa, o Portal Amazônia preparou a série especial Amazônia na Copa, para falar sobre a torcida de brasileiros nascidos na Amazônia Legal que vivem nos países que serão adversários do Brasil na fase de grupos do Mundial: Marrocos, Haiti e Escócia.

Na primeira reportagem, a amazonense Paula Pereira, natural de Manaus, conta que há mais de 10 anos mora na cidade marroquina de Marrakech e detalha como é torcer pela seleção brasileira no país africano. A empresária de 67 anos aproveitou para contar também o que mais sente falta da terrinha baré e o que faz apaziguar a saudade na Cidade Vermelha.

Leia também: Saiba quem são os dois jogadores nascidos na Amazônia Legal que vão para a Copa do Mundo 2026 pela Seleção

Conexão Amazonas-Marrocos

Paula conta que sua relação com Marrocos começou em 2014. Apaixonada por turismo, a amazonense trabalhava como servidora pública e também ajudava a administrar um hostel, tipo de hospedagem voltada para serviços de quartos compartilhados. Apaixonada pelo país africano, a manauara decidiu se aposentar do funcionalismo público para se dedicar a conhecer a cultura marroquina.

“Depois da aposentadoria, criei uma agência com foco no turismo para brasileiros. Por conta disso que essa experiência despertou o desejo de conhecer o país mais profundamente”, explicou Paula ao Portal Amazônia.

Amazônia na copa - Conexão Amazonas-Marrocos: manauara conta como é torcer no país rival do Brasil na Copa do Mundo 2026
Paula é dona de uma agência de turismo especializada em tours e roteiros personalizados em Marrocos exclusivos para o público brasileiro. Foto: Paula Pereira/Acervo pessoal

Encantada com o país considerado ‘porta de entrada’ da África, Paula preparou a mala e enfrentou mais de 7 mil quilômetros – distância em linha reta entre Manaus e Marrocos – para residir em Marrakech, cidade localizada no centro-oeste do país.

Lá, a manauara administra uma agência de turismo especializada em roteiros personalizados e tours voltados exclusivamente para famílias, casais e grupos de pessoas do público brasileiro em Marrocos.

“Trabalhamos com guias marroquinos, inclusive com opção em português, espanhol ou inglês, na produção de roteiros exclusivos de acordo com as necessidades e preferências dos clientes: pessoas 60+, famílias com crianças, casais, grupos de amigos, tudo voltado para o público brasileiro. Já são mais de cinco mil atendimentos em grupo e privativos”, explica a empresária.

Relação com futebol

Amazonense torce pelo Brasil, mas gosta da seleção marroquina. Foto: Paula Pereira/Acervo pessoal

Além do turismo, o futebol também figura na lista dos hobbies de Paula. Torcedora do Botafogo, a empresária conta que acompanha o esporte desde criança e que essa ligação se intensifica ainda mais durante o período de Copa do mundo.

Ao Portal Amazônia, ela contou os detalhes de como é torcer pelo Brasil em pleno território marroquino, país que será o primeiro adversário da seleção canarinha no Mundial deste ano. As equipes se enfrentam neste sábado, 13 de maio, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

“Gosto muito de futebol, desde pequena eu assisto e torço pela Seleção Brasileira nos jogos. Eu só não posso torcer de forma eufórica aqui, né, porque a torcida marroquina é bem inflamada e, apesar dos dois países terem uma relação diplomática muito próxima, quando se trata de futebol é meio complicado brasileiro torcer contra eles”, revela Paula.

A empresária relata que os marroquinos, a exemplo dos brasileiros, também são apaixonados pelo futebol e que esse amor pelo esporte cresceu ainda mais desde a Copa de 2022, no Catar, quando a equipe africana foi a quarta melhor seleção da competição, algo histórico no país.

Além disso, os ‘Leões do Atlas’ irão participar pela terceira vez consecutiva do Mundial, o que vem colocando a seleção marroquina entre os times mais fortes do mundo.

“Em 2022, estava aqui em Marrocos e após a eliminação do Brasil, eu torci a favor deles aqui em Marrakech e foi uma experiência muito eletrizante porque eles são muito fervorosos com o futebol e a seleção de Marrocos está ganhando notoriedade nos últimos anos. Atualmente, eu gosto muito do goleiro Bonno. E eles também admiram e respeitam muito o futebol brasileiro, torciam por nós também”, relembra a empresária.

Expectativa para Copa

Para o Mundial deste ano, Paula afirma que irá torcer pela Seleção Brasileira na busca pelo hexa, mas admite que também dividirá as atenções para apoiar a seleção marroquina. Para o duelo entre brasileiros e marroquinos, jogo que marca a estreia das seleções no Mundial, Paula já cravou o seu palpite:

“Sem sombra de dúvidas, eu vou torcer pelo Brasil! Mas se o Marrocos ganhar, não ficarei triste porque eles têm uma ótima seleção. Creio que será uma partida difícil e eu chutaria o placar de 2 a 1 para o Brasil”, palpita a brasileira.

Morando há 12 anos no país marroquino, Paula também gosta de torcer pela seleção local. Foto: Paula Pereira/Acervo pessoal

Saudades das terras manauaras

Apesar da experiência de conhecer outros lugares e culturas diferentes ao redor do planeta, Paula admite que sente falta do seu lugar de origem.

Há 12 anos em Marrocos, a ex-servidora pública afirma que todos os anos retorna à Manaus para matar a saudade da família e da gastronomia regional. Ao Portal Amazônia, a manauara ‘escalou’ as coisas que pretende “dar fim à nostalgia “reencontrar” e aproveitar bastante na vinda à capital amazonense.

“Sinceramente, depois da família, a primeira coisa que sinto falta é das nossas chuvas, aqui chove pouco. Depois vem o peixe, as cachoeiras, os igarapés, o tucumã, a nossa floresta amazônica, o meu boi Garantido, o termo ‘mana’, os maritacas e, claro, o x-caboquinho”, pontua Pereira.

Paula Pereira com a família. Foto: Paula Pereira/Acervo pessoal

O calor intenso, inclusive, é um dos motivos para Paula visitar a família em Manaus. De junho até setembro, as temperaturas na cidade marroquina chegam a ultrapassar 40ºC, o que levou Paula a decidir viajar para a capital amazonense.

De quebra, Paula vai poder acompanhar a Copa do Mundo no bairro Parque Dez de Novembro, zona centro-sul da capital, onde sua família mora .

“Vou passar quatro meses em Manaus, visitar minhas duas filhas e netas. Já aviso que a primeira coisa que irei fazer é tomar um banho de cachoeira e comer uma caldeirada de tambaqui”, comemora Paula.

Perfumaria Phebo: você sabe a história da empresa paraense que revolucionou o setor de cosméticos?

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Foto: Reprodução/Phebo

Há 96 anos, na Amazônia, uma simples oportunidade de negócio se transformou numa das marcas mais famosas do setor de cosméticos no mundo: a Perfumaria Phebo. Fundada em Belém (PA), a empresa nasceu em 1930 pelas mãos de imigrantes portugueses, que enxergaram em uma dívida a chance de mercado que revolucionou o setor de cosméticos brasileiro e a colocou numa das posições mais prestigiadas do país.

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Tudo começou com um sabonete inspirado nos produtos ingleses e que, rapidamente, tornou-se o pontapé de um dos maiores cases de sucesso do setor cosmético do Brasil. De acordo com o artigo ‘Indústria e Desenvolvimento Regional: a trajetória da perfumarias Phebo em Belém’, de Marcílio Alves Chiacchio, a empresa paraense entrou para a história brasileira com fragrâncias da Amazônia.

fachada phebo belém
Foto: Reprodução/Facebook-Nostalgia Belém

Como tudo começou

A origem da Perfumaria Phebo começou no fim do século XVIII e início do século XIX, quando a crise da borracha já afetava a economia brasileira, segundo registros do artigo. A queda drástica na comercialização do produto fez com que diversas empresas instaladas em Belém no período áureo do ciclo da borracha migrassem seus investimentos para outras atividades.

Uma delas foi a Fábrica de Fumos Minerva Ltda, administrada pela família Santiago, composta por imigrantes portugueses que se instalaram em uma cidade paraense. Em plena crise mundial, a empresa procurou novos negócios e, em parceria com A. L. Silva Companhia Limitada, entrou no mercado da fabricação de chapéus.

Leia também: Leite de Colônia: produto popular nacionalmente teve origem em Manaus

Mesmo atuando no ramo chapeleiro e do fumo, o mercado mudou repentinamente e tanto o acessório quanto o item de consumo caíram em desuso, o que motivou novamente a família Santiago a pensar em novas alternativas. A solução foi a produção de produtos de perfumaria e o primeiro teste, sem muito sucesso, foi a produção de uma loção chamada ‘Estrela’.

Rótulos de alguns produtos da perfumaria Lusitana. Foto: Sônia Santiago/Arquivo pessoal

A dívida que mudou os rumos da família

A mudança de chave aconteceu quando a A. L. Silva recebeu como pagamento de uma dívida o gerenciamento da Perfumaria Lusitana. A partir dessa aquisição, a empresa passou a concentrar seus esforços na produção de produtos de higiene pessoal, especialmente sabonetes.

Naquele período, os sabonetes ingleses dominavam o mercado e eram considerados superiores aos nacionais.

A principal inspiração da família Santiago foi o sabonete inglês Pears Soap, de característica translúcida, oval e bastante sofisticada.

Mas, para se diferenciar do produto europeu, Antônio Santiago, um dos integrantes da empresa familiar, teve a ideia de criar um sabonete com a mesma qualidade dos ingleses, mas usando essências da Amazônia. Nascia ali a ideia que revolucionaria a indústria de cosméticos no Brasil.

O primeiro sabonete da Phebo

Para fugir dos tradicionais sabonetes brasileiros, que eram quadrados, feitos de côco e bastante rústicos, a família Santiago criou o London Otto Rosa, bem semelhante ao Pears Soap, mas com um diferencial único: uma fragrância com essência derivada do pau-rosa, árvore nativa da Amazônia.

Leia também: Pau-rosa: o fixador de perfume da floresta amazônica

Empresa lançou o sabonete Phebo, em 1930. Foto: Reprodução/Youtube-Raphael Alves

Com a fórmula e o nome prontos, a empresa familiar lançou o produto no mercado, mas ao registrar a marca, descobriu que já existia uma outra empresa com o mesmo título. Foi de Antônio que surgiu a sugestão de uso do nome ‘Phebo’, em referência ao deus grego do sol.

Ali começava a escolha que foi decisiva para o sucesso do primeiro sabonete: o Phebo Odor de Rosas.

O início das vendas foi bem desafiador, uma vez que o sabonete era caro e considerado artigo de luxo. Só para se ter ideia, o sabonete Phebo custava cinco vezes mais que os populares disponíveis no mercado brasileiro.

Além disso, produtos importados eram vistos como superiores aos nacionais, isso sem falar do custo logístico de transportar, de navio, sabonetes de Belém para cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

Em 1932, a farmácia J.G. de Araújo, de Manaus (AM), encomendou seis dúzias de sabonetes. Apesar de ser considerada pífia na época, a quantidade foi considerada o primeiro grande passo da família, que logo depois pôde comemorar de fato uma grande transação: a Mappin Store, famosa loja de departamentos de São Paulo e uma mais sofisticadas do Brasil, solicitou 25 dúzias do sabonete Phebo Odor de Rosas, tornando-se a principal cliente da empresa.

Foto: Reprodução/Phebo

Aos poucos, a marca foi se consolidando como uma das mais importantes da perfumaria brasileira, conquistando o público da elite urbana. Em 1936, a empresa mudou oficialmente de nome: deixou de ser A. L. Silva Ltda e passou a se chamar Perfumaria Phebo.

Foto: Reprodução/Youtube-Raphael Alves

Pausa para guerra e lançamento de novos produtos

Porém, na década de 1940, quando estava iniciando o auge, a Segunda Guerra Mundial ocasionou uma crise na empresa por falta de matérias-primas que até então eram importadas. Isto fez com que houvesse a paralisação da produção da empresa, que se flexibilizou e atuou no mercado de embalagens, com a fabricação de vasilhames para coleta de látex nos seringais.

Passada a guerra, a empresa voltou ao pleno funcionamento e, de quebra, inovou em mais um produto que definitivamente consolidou a Phebo no mercado da perfumaria: a Seiva de Alfazema.

A ideia do produto foi de Mário Santiago, um dos sócios da Phebo, que aproveitou a volta das atividades comerciais para viajar aos Alpes Suíços, em que, na ocasião, acabou conhecendo o perfume da flor roxa Alfazema (Lavandula angustifolia), também conhecida como lavanda.

O lançamento da ‘Seiva de Alfazema’ foi um sucesso absoluto. Comercializada em garrafas de meio litro, a novidade acabou expandindo o portfólio da Perfumaria Phebo, que já contava com outras linhas como ‘Madeiras da Amazônia’, o ‘Pó do Arroz Phebo’, a ‘Coleção Narcísio’, o sabonete ‘Pará’ e o ‘Oxford’ para os cabelos.

Além dos produtos, a empresa investia em qualidade e apresentação, mantendo o padrão das embalagens luxuosos, com os produtos que era comercializados, por exemplo, em caixas de madeira, vistos como “chiques” à época.

Para dar ainda mais visibilidade à marca, a Phebo apoiou diversos concursos de beleza nos anos 1950 ao redor do país, com direito a ganhar visita da então Miss Brasil Martha Rocha na fábrica em Belém.

Leia também: Sete sabonetes com o cheirinho da Amazônia que auxiliam no tratamento de doenças

Parte do catálogo de produtos da perfumaria Phebo nos anos 50 e 60. Foto extraída do artigo de Marcílio Alves Chiacchio.

Do auge ao declínio

Na década de 1960, a Phebo estava no auge, era uma das maiores perfumarias do Brasil, mas enquanto a empresa brilhava, os conflitos familiares começaram a estremecer a empresa. Antônio, Mário e Sílvio, os três primos fundadores, tinham visões completamente diferentes de como era gerenciado o negócio, e promoviam discussões sobre o futuro da empresa.

O primeiro que saiu foi Sílvio, pois não concordava com os altos investimentos feitos por Mário. Ele retornou para Portugal. Já a relação entre Mário e Antônio estremeceu quando o primeiro propôs abrir uma filial em São Paulo, sugestão essa que foi reprovada pelo segundo. Mesmo com opiniões divergentes, ambos se mudaram para capital paulista para inaugurar a nova unidade da empresa, em 1961.

Já em São Paulo, mais problemas surgiram. Antônio e Mário não tinham filhos para gerenciar a empresa. Nos anos 1970, mulheres em cargos de chefia não eram bem aceitas. A solução foi empregar os maridos das filhas para as funções de gerentes, diretores e vice-presidentes, porém, a proposta aumentou ainda mais as disputas pelo poder na empresa.

Troca de comando

Além da crise familiar, o congelamento de preços do governo nos anos 80 causou o aumento nos custos de produção da empresa, que ao mesmo tempo não podia reajustar os preços dos produtos. Isso fez com quem os lucros da Phebo despencassem e, diante do cenário crítico, a família decidiu vender a empresa para a multinacional P&G, em 1988.

À época, a aquisição foi considerada como uma mudança de patamar da marca no mercado mundial, que passou a ser distribuída em diversos países. Dez anos depois, a multinacional vendeu a Phebo para a Sara Lee, outra multinacional. Porém, diferente da P&G, a fórmula mudou, os produtos perderam qualidade e os clientes começaram a reclamar bastante da marca.

Tal insatisfação levou a Phebo a passar por outra mudança administrativa: em 2004, a empresa foi comprada pela tradicional marca brasileira Granado, que tinha a especialidade em valorizar produtos naturais e de alta qualidade, além de respeitar fórmulas tradicionais. Com isso, o sabonete Phebo voltou a ser um produto de peso no mercado de cosméticos.

Granado adquiriu a Phebo em 2004 e as duas marcas brasileiras passaram a integrar o mesmo grupo. Foto: Reprodução/Granado

Da retomada ao sucesso global

A presença da Phebo no catálogo de produtos da Granado recolocou a marca paraense na primeira prateleira do setor de cosméticos. Em 2007, um reposicionamento de mercado aproximou a empresa no mundo da moda, criando novas fragrâncias e cores vibrantes que reavivaram a forte conexão com a Amazônia.

Essa estratégia aumentou o portfólio, que além dos sabonetes, criou novas colônias, velas perfumadas, difusores, hidratantes, cremes para mãos, shampoos, condicionadores e até maquiagem.

A partir de 2010, a expansão da marca continuou com a reformulação de toda a sua identidade visual, a inauguração da primeira loja conceito no Rio de Janeiro e a presença das marcas Phebo e Granado na Le Bon Marché, a mais antiga loja de departamentos e uma das mais luxuosas do mundo, localizada em Paris, na França.

Em 2016, o grupo Puig, multinacional espanhola do setor de moda, perfumes e cosméticos de luxo – e dona de marcas famosas como Carolina Herrera, Rabanne e Jean Paul Gaultier – comprou uma fatia de 35% da Granado por R$ 500 milhões, o que validou o potencial da Phebo à nível global. Já no cenário nacional, o crescimento da empresa motivou a inauguração da primeira loja conceito da Phebo no Leblon, Rio de Janeiro.

Desde então, os produtos da Phebo estão presentes nos quatro cantos do mundo, exalando as essências da Amazônia no público de elite. Não é a toa que a marca é reconhecida mundialmente por valorizar a biodiversidade brasileira em suas fragrâncias e manter o elo afetivo com a Amazônia.

produtos phebo
Linha de produtos da Phebo reúne fragrâncias inspiradas em elementos naturais e culturais do Brasil. Foto: Reprodução/Phebo

Novas mudanças

No ano de 2019, o grupo Granado anunciou a desativação da fábrica original da Phebo em Belém, sob justificativa de questões logísticas e demandas de licenciamento, já que o local ficava no centro da cidade. O anúncio pegou muita gente de surpresa, principalmente os moradores de Reduto, bairro localizado na área central belenense, e que acompanharam a indústria que revolucionou a perfumaria nacional.

Recentemente, um shopping local anunciou que o espaço onde ficava a antiga fábrica da Phebo será transformado num espaço de eventos e cultura de Belém, que visa promover a valorização da recente história urbana da cidade, desenvolvimento econômico e promoção cultural.

Já em abril de 2026, os produtos da Phebo deixaram as prateleiras das lojas Granado, em um movimento estratégico que visa fortalecer identidades próprias e crescimento das marcas. A decisão de separar as operações vai na contramão de parte do varejo, que tem apostado cada vez mais na concentração de marcas num mesmo espaço.

Apesar de todas as mudanças ao longo de quase uma década, a Phebo mantém a tradição de carregar a essência da Amazônia para o Brasil e o mundo e de reproduzir uma relação de fidelidade entre os brasileiros passada de geração em geração.

Fundada em Belém, perfumes da Phebo carregam diversas fragrâncias que exalam a Amazônia. Foto: Reprodução/Phebo

Debates sobre desafios da logística e história do transporte marcam a TranspoAmazônia 2026

Cerimônia de abertura da TranspoAmazônia contou com personalidades políticas, empresários e representantes do setor logístico do Brasil. Foto: Divulgação/Teaser Agência

A III TranspoAmazônia — Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística começou nesta quarta-feira (27), em Manaus (AM). O evento reúne debates sobre logística, navegação, indústria naval, comércio eletrônico e reforma tributária. A programação vai até esta sexta-feira (29), no Centro de Convenções Vasco Vasques.

Promovida pela Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia, a feira como objetivo reforçar Manaus como polo de transporte e logística no Brasil e na América Latina.

Entidades como a Confederação Nacional do Transporte (CNT), a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac) e a Câmara Internacional da Indústria de Transporte (CIT), entre outras, estiveram presentes na solenidade de abertura da TranspoAmazônia 2026, no dia 27. O encontro também reúne representantes de mais de 60 países durante os três dias do evento.

Leia também: Desafios e soluções da mobilidade urbana na Amazônia são debatidos na TranspoAmazônia 2026

Iranir Bertolini, presidente da Fetramaz e idealizador da TranspoAmazônia: Foto: Divulgação/Teaser Agência

Durante a abertura, Irani Bertolini destacou a importância da TranspoAmazônia para o cenário logístico da região amazônica.

“Vejo aqui mais que um encontro, e sim o futuro da nossa região sendo construído. A TranspoAmazônia não é apenas uma feira de negócios, é uma grande oportunidade de mostrar para o mundo que desenvolvimento, inovação, sustentabilidade e preservação ambiental podem caminhar lado a lado. Há alguns anos, falar em integrar a Amazônia por meio do transporte e logística parecia um sonho distante, mas quem vive aqui, sabe que o impossível para nós é apenas o ponto de partida. Conectaremos ideias, negócios, investimentos, experiências e decisões que impactarão o presente e o futuro da logística na Amazônia”, afirmou Bertolini.

O presidente da Fetramaz aproveitou para agradecer a presença de empresários, autoridades e especialistas do setor logístico e de transportes tanto da região amazônica quanto do restante do país.

“É uma grande satisfação ver este auditório cheio com tantos amigos e colegas de várias transportadoras dos quatro cantos do Brasil. Vejo mulheres e homens que não temem distâncias, enfrentam estradas de terras, rios imensos e os desafios de uma região única, sem recuar diante das dificuldades impostas pela geografia ou estiagem. Não transportamos apenas cargas, alimentos ou combustíveis e sim a esperança para comunidades isoladas, desenvolvimento para a maior floresta do mundo e riquezas para o Brasil. Sintam orgulho do setor que vocês representam e da força que move a nossa região”, finalizou Irani.

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Programação da TranspoAmazônia 2026

A programação da TranspoAmazônia 2026 conta com palestras, painéis, lançamento de livros, exposições e rodadas de debates sobre logística, navegação, indústria naval, e-commerce e reforma tributária, num espaço estratégico para a promoção e fortalecimento da cadeia logística e ao desenvolvimento do transporte na Amazônia.

Nesta quarta-feira (27), por exemplo, ocorreu o lançamento do livro ‘A História do Transporte na Amazônia’, do presidente da Fundação Memória do Transporte (Fumtran), Antônio Leite.

Logo depois, representantes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e setor comercial participaram de um painel sobre ‘Os desafios da logística na Amazônia’.

O evento também contou com a palestra ‘A importância da cabotagem para a região amazônica – números e fatos’, ministrada por Luis Fernando Resano, diretor executivo da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), e finalizou o primeiro dia com o painel ‘Cenários futuros e desafios para construção naval na Amazônia’, realizada por representantes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Bertolini e Juruá Estaleiros.

Leia também: TranspoAmazônia 2026: confira a programação e saiba como se inscrever na maior feira de logística do Norte

TranspoAmazônia
Evento conta com mais de 350 expositores de marcas nacionais e internacionais do setor logístico e de transportes. Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia

Nesta quinta (28), segundo dia do evento, o painel ‘O e-commerce na região Norte do Brasil’, reuniu representantes da Bemol, TV Lar e Associação Comercial do Amazonas (ACA).

Além disso, palestras como ‘Segurança das operações de transporte aquaviário’, com Cássio Guimarães, gerente geral da Transpetro, e ‘Como usar tecnologia a favor da lucratividade – soluções básicas de empresário para empresário’, com executivos do Urbano Bank e Grupo Braspress, fizeram parte da programação.

O painel ‘A multimodalidade e seus impactos no Polo Industrial de Manaus (PIM)’, encerrou os debates do dia com representantes do Grupo Chibatão, Sindarma, Braspress e Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). O evento também disponibiliza uma área de expositores que abrange dois pavilhões do centro de convenções.

Sobre a TranspoAmazônia

A TranspoAmazônia é um espaço estratégico para exposição de produtos e serviços para promover negócios, estabelecer conexões, discutir desafios e apresentar inovações, reunindo a cadeia multimodal do transporte, logística, agenciamento de cargas e construção naval, conectando a região amazônica ao Brasil e ao mundo.

A realização da TranspoAmazônia 2026 é essencial para viabilizar soluções dos desafios logísticos na Amazônia, impulsionar investimentos e gerar negócios para a região Norte do país. Mais informações sobre o evento, podem ser obtidas AQUI.

São esperados mais de 15 mil visitantes durante os três dias da TranspoAmazônia 2026. Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia

*Com informações da assessoria

Mineração ilegal ameaça atividades sustentáveis de famílias na região Madre de Dios, na Amazônia peruana

Além do desmatamento e poluição do mercúrio nas águas, prática da mineração ilegal também coloca em risco a produção sustentável das famílias residentes na região Madre de Dios. Foto: Divulgação/Agência Andina

Dona da maior biodiversidade da Amazônia peruana, a região Madre de Dios, localizada no sudeste do Peru, tem sofrido com a mineração ilegal. A atividade irregular, além de causar desmatamento e poluição por mercúrio, tem colocado em risco as atividades econômicas sustentáveis de milhares de famílias que moram no local, afetando diretamente o desenvolvimento e a segurança da região.

A informação é do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado (Sernanp), agência vinculada ao Ministério do Meio Ambiente peruano, que publicou uma nota informativa sobre as ações do órgão contra mineração ilegal implantadas na região de Madre de Dios.

Segundo o Sernanp, até agora, em 2026, o Estado realizou 75 ações de interdição terrestre e fluvial contra mineração ilegal na região, com resultados importantes e avanços no controle territorial e na luta contra organizações criminosas.

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Produtores de castanha-do-brasil da região Madre de Dios, na Amazônia Peruana. Foto: Divulgação/Agência Andina

As medidas incluíram a destruição de 370 acampamentos de mineração ilegal, 16.000 galões de diesel, 211 botes, 202 motores, 130 bombas de sucção, 71 triargueros, 170 motocicletas, 33 geradores elétricos e 40 motores.

Da mesma forma, 30 barcos, 10 motores de popa, 95 funis, 24 bombas motoras e 40 motosserras, além de outros equipamentos e suprimentos usados em atividades relacionadas à mineração ilegal, foram destruídos pela agência.

Essas ações são realizadas no âmbito da ‘Estratégia Nacional para a Redução e Proibição da Mineração Ilegal no Peru até 2030’, aprovada pelo DS nº 003-2025-IN.

A Polícia Nacional, o Exército Peruano, a Diretoria Geral de Capitanias e Guardas Costeiras (Dicapi) e o Procurador Especializado para Assuntos Ambientais atuam de maneira articulada, com o apoio técnico e logístico do Sernanp e do Alto Comissariado para a ‘Luta contra a Mineração Ilegal’.

Leia também: Madre de Dios, a ‘Capital da Biodiversidade’ do Peru

Sernanp contribui com apoio logístico

Como parte da estratégia, o Sernanp fornece suporte logístico permanente nos postos de vigilância e controle (PVC) Otorongo, Azul, Malinoswki e Yarinal, “onde policiais, pessoal da Dicapi e guardas florestais especializados trabalham continuamente”.

Atualmente, mais de 70 guardas florestais e técnicos monitoram e vigiam 10 PVC dentro da Reserva Nacional de Tambopata, gerando informações em tempo real sobre o progresso de atividades ilícitas e permitindo uma rápida capacidade de resposta operacional.

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Mineração ilegal na região de Madre de Dios, no Peru
Ações do Estado buscam proteger a biodiversidade e segurança ambiental da Amazônia e reduzir as atividades ilegais de garimpo na região Madre de Dios. Foto: Divulgação/Agência Andina

Combate à mineração ilegal

Além disso, o Estado reforçou as ações de intervenção com monitoramento por satélite e sobrevoo por drones, ferramentas que permitem identificar novas fontes de invasão de mineração, antecipar deslocamentos de atividades ilegais e proteger setores vulneráveis dessa área natural protegida. As operações foram realizadas em áreas chave como Correntada, Isla Córdova, Playa Vilma, Rio Malinowski, Filadelfia, Valle Dorado, La Cumbre e Aguas Negras.

Leia também: Madre de Dios: região no Peru busca proteger mais de 500 mil hectares de bosques de castanheiras

“As ações do Estado buscam conter permanentemente a pressão sobre ecossistemas altamente vulneráveis e reafirmar o compromisso com a proteção da Amazônia, a biodiversidade e a segurança ambiental”, cita o Sernanp, em nota.

Entre 2024 e 2026, o Sernanp forneceu apoio logístico para 256 ações de interdição realizadas em coordenação com a PNP, o Exército, Dicapi e o Ministério Público Especializado para Assuntos Ambientais, “consolidando uma resposta articulada à mineração ilegal em Madre de Dios”.

*Com informações da Agência Andina

Tradição vermelha: conheça a história da ‘Alvorada do Boi Garantido’

Foto: Aguilar Abecassis/Cedida

A cidade de Parintins (AM) é o lar dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido, que disputam o título de campeão no Festival Folclórico, em junho. Mas a temporada bovina começa muito antes, logo após o Carnaval e é composta por diversos eventos que mostram a força de uma das maiores manifestações culturais e simbólicas da Amazônia. Um exemplo é a Alvorada do Boi Garantido.

Realizada entre o dia 30 de abril e 1º de maio, a tradicional festa avermelhada reúne milhares de torcedores que acompanham o cortejo do boi e uma programação de shows dos itens oficiais num trajeto de 2,5 quilômetros pelas ruas parintinenses.

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O evento inicia no Curral Lindolfo Monteverde, na Cidade Garantido, e se encerra ao amanhecer na Catedral de Nossa Senhora do Carmo, numa grande passeata que transforma a Ilha da Magia num verdadeiro mar vermelho e branco. A concentração dos torcedores acontece no dia 30, com a marcha iniciando na madrugada do dia 1º e indo até o amanhecer, dando jus ao nome devido a festa ir até ao ‘alvorecer’ do dia.

Alvorada garantido
Foto: Aguilar Abecassis/Cedida

Com base em registros históricos, o Portal Amazônia conversou com historiador parintinense Mencius Melo, que explicou as origens da Alvorada do Boi Garantido e a evolução dessa grande festa avermelhada que se tornou, em 2018, Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado do Amazonas.

A origem da Alvorada do Boi Garantido

A Alvorada do Garantido foi uma criação de Lindolfo Monteverde, cuja ideia surgiu devido à falta de comunicação na época e Lindolfo, com sua família, saía nas ruas anunciando os primeiros ensaios do boi da baixa.

“O boi de Parintins é uma brincadeira de rua e de quintais. A Alvorada é uma herança das saídas de rua, quando nos anos 1930, 1940, 1950, 1960, 1970, eram comandadas por Lindolfo Monteverde que levava o Garantido da então distante Baixa da Xanda, para as casas dos abastados de Parintins. Essas saídas eram geralmente nas noites de santos: São Antônio, São João, São Pedro e São Marçal. Lindolfo era devoto de São João Batista. As saídas eram à noite e Lindolfo Monteverde voltava com seu cordão de brincantes para a Baixa antes do sol raiar. Em 1975, por ideia de Paulinho Faria, Zezinho Faria e Jair Mendes, o boi fez o inverso! Saiu de madrugada para amanhecer nas ruas de Parintins, anunciando que os ensaios iam começar no antigo Curral do Garantido, hoje Curralzinho da Baixa de São José”, conta Melo.

Dona Maria Monteverde, filha de Lindolfo, conta que sua avó Alexandrina, conhecida como “Xanda”, era quem produzia a roupa dos brincantes: as meninas com uma saia branca e blusa vermelha e os rapazes com calça branca e camisa vermelha. Todos saiam para anunciar a grande festa cantando toadas, sendo a mais popular ‘Urrou Meu Novilho’.

Alvorada garantido
Foto: Aguilar Abecassis/Cedida

Os caminhos até o alvorecer junto à Nossa Senhora do Carmo

A Alvorada une vários pontos que fazem com que a tradição se mantenha durante o decorrer dos anos, como o dos itens oficiais, a passeata nas ruas e a visita do boi às casas.

“A ideia era festejar o boi e garantir a continuidade da farra dos brincantes. Em 1975 saiu do antigo clube de festas, o Recanto Tropical (popular Retropi) que hoje não existe mais, na atual Av. Nações Unidas. A partir da inauguração do Show Clube Ilha Verde, em 1987, na Av. Amazonas, o Baile Vermelho & Branco passou a ser realizado nas dependências do clube que era e é da Família Faria, a segunda mais importante família na história do Garantido. A partir de então a Alvorada passou a sair do Ilha Verde”, lembra Melo.

Ainda segundo o historiador, “a cultura é algo em movimento”. E foi nesse movimento que, em 1991, o compositor Chico da Silva entregou ao Garantido a toada ‘Boi do Carmo’, que motivou uma mudança na rota.

“Paulinho Faria, então apresentador do Boi do Povão e um gênio acidental do marketing, decidiu guiar a Alvorada até a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. Lá, diante de uma multidão ele entoou: ‘Minha santa, paz e amor… Nossa Senhora, proteção de Parintins… Boi Garantido numa forma de oração, pela fé e gratidão, lhe traz rosas e jasmins’. A multidão veio às lágrimas. Estava ali sacramentada uma tradição que unia o profano da festa, com a homenagem à Flor do Carmelo, Nossa Senhora do Carmo. Com a construção da Cidade Garantido em meados dos anos 1990, a Alvorada passou a sair daquele espaço, sempre em direção da Catedral de Parintins”, explica.

Alvorada garantido
Foto: Aguilar Abecassis/Cedida

Como citado, entre os momentos que marcam o trajeto é a passagem do boi pelas casas dos moradores mais antigos da Baixa do São José, para saudá-los como forma de respeito.

O boi segue até a rotatória da igreja de São Benedito, na qual, vai para frente da igreja e tradicionalmente faz sua evolução, logo após segue pela Avenida Amazonas até chegar a catedral de Nossa Senhora do Carmo. Após a chegada, vai em direção à igreja fazendo reverência a pedido de proteção à padroeira.

“A ideia de festejar na madrugada até o sol raiar é o cerne da manifestação e como o amanhecer do dia é um alvorecer, vem daí o nome ‘Alvorada do Garantido'”, completa Mencius Melo.

Fotos: Élcio Farias/Boi Garantido

Com o passar dos anos, a celebração ganhou proporções grandiosas, sem perder o caráter comunitário. Casas são decoradas, moradores recebem o boi, e o percurso se transforma em um espetáculo coletivo, marcado por toadas, fogos, bandeiras e, claro, muita emoção.

“A Alvorada está se tornando e ainda pode se tornar mais ainda, em um produto “extra-arena” do Festival de Parintins. É uma manifestação que leva turistas à Parintins antes mesmo da semana do festival e sua relevância está em mostrar ou apresentar uma Parintins para além da indústria cultural que hoje marca a arena de disputa entre o Garantido e o Contrário. É uma manifestação humanizante, que resgata o boi de rua, o boi romântico dos tempos da lamparina. Um bem imaterial necessário que ajuda a explicar o fenômeno cultural que é Parintins”, conclui o historiador.

*Com informações do artigo Alvorada do Garantido como Fenômeno.