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Estudo indica que Amazônia pode entrar em ‘morte lenta’ devido alta emissão de efeito estufa

Estudo publicado no grupo Nature aponta que alta emissão de gases do efeito estuda pode levar a Amazônia ao processo de ‘morte lenta’ até o fim do século XXI. Foto: Reprodução/Getty Images

Considerado o bioma de maior biodiversidade do mundo, a Amazônia pode enfrentar um processo de degradação irreversível até o fim do século XXI, caso o mundo mantenha a alta emissão de gases de efeito estufa. É o que alerta um estudo publicado pela revista científica Communications Earth & Environment, do grupo Nature, que analisou projeções sobre o cenário climático que assola a floresta amazônica.

A pesquisa, realizada de forma conjunta por oito cientistas, mostra que nove de 12 Modelos do Sistema Terrestre (ESMs) apontam para o início do processo chamado ‘dieback‘ da Amazônia, que é o termo utilizado para descrever a perda progressiva da capacidade da floresta de se manter como um ecossistema tropical. Alem disso, o estudo frisa que o colapso tende a ocorrer de forma lenta e não repentina, podendo levar décadas ou até séculos.

Os ESMs são ferramentas computacionais que integram dados de diferentes áreas científicas, como física, química e biologia, para simular processos ambientais complexos.

A pesquisa investigou o impacto do aumento contínuo da temperatura global e da exploração desmedida do solo sobre a floresta amazônica.

As análises realizadas revelaram que, em nove dos doze cenários modelados, a Amazônia poderá enfrentar um colapso acentuado (superior a 80% na produtividade) antes do ano 2100. Essa transformação desencadeará efeitos em cadeia, como secas prolongadas e incêndios florestais, exacerbando a situação climática.

Saiba mais: Ponto de não retorno: a Amazônia não tem tempo a perder

projeções feitas em estudo aponta que Amazônia pode entrar em processo de morte lenta até o fim do século XXI, devido à alta emissão de gases do efeito estufa
Nove dos 12 Modelos do Sistema Terrestre (ESMs) projetaram indídios do processo ‘dieback’ da Amazônia. Fonte: Reprodução do artigo

Temperatura e seca são os principais fatores

O estudo pontua que o aumento da temperatura é o principal gatilho para a degradação da floresta na maioria dos modelos climáticos. A redução das chuvas também exerce papel importante, principalmente em regiões já afetadas pelo desmatamento.

Os pesquisadores identificaram que, em média, o processo começa quando determinadas áreas da Amazônia passam a registrar temperaturas superiores a aproximadamente 32°C e precipitação anual inferior a 1.394 milímetros. Esses valores variam entre os diferentes modelos climáticos, mas servem como referência para identificar condições críticas para a floresta.

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Desmatamento na Amazônia também pode contribuir para a degradação lenta do ecossistema. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Além das mudanças climáticas, o estudo mostra que o desmatamento acelera a perda de resiliência da Amazônia. A substituição da floresta por áreas de pastagem e agricultura reduz a reciclagem de umidade responsável por grande parte das chuvas da própria região. Com isso, a diminuição da formação de nuvens favorece reduz a evapotranspiração, aumentando o aquecimento local e criando um ciclo que possibilita secas mais intensas.

Os pesquisadores destacam que, em alguns modelos, mesmo áreas sem desmatamento podem sofrer degradação apenas pelo efeito das mudanças climáticas. Em outros, a combinação entre aquecimento global e mudanças no uso da terra acelera significativamente esse processo.

Leia também: Revista científica alerta que desmatamento pode acabar com a Floresta Amazônica

Mudanças podem a América do Sul

Outro resultado importante é que a degradação da Amazônia não afetaria apenas a floresta. Os modelos indicam alterações na circulação atmosférica, redução das chuvas em parte da bacia amazônica e mudanças na distribuição das precipitações em outras regiões do continente sul-americano.

Durante parte do processo, a Amazônia também deixaria de atuar como um importante sumidouro de carbono e passaria temporariamente a emitir mais carbono para a atmosfera, contribuindo para intensificar o aquecimento global.

Ainda há tempo para evitar esse cenário

Apesar do alerta, os autores do estudo afirmam que o quadro apresentado corresponde aos chamados cenários de altas emissões, considerados os mais pessimistas utilizados pela comunidade científica. Portanto, o grupo frisa que existem políticas governamentais que são capazes de reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa, conter o desmatamento e preservar a floresta, contribuindo significativamente para que a Amazônia não atinja o risco do ‘ponto de não retorno’, que é o limite crítico que as mudanças climáticas desencadeiam um colapso irreversível no ecossistema.

Os pesquisadores também defendem o aprimoramento dos modelos climáticos e afirmam que proteger a Amazônia é fundamental não apenas para conservar sua biodiversidade, mas também para manter o equilíbrio climático e o ciclo global do carbono.

“O estudo destaca a maior vulnerabilidade da Amazônia às mudanças climáticas, especialmente em cenários de aquecimento que elevam as condições climáticas locais além da tolerância fisiológica dos ecossistemas das florestas tropicais. Diante dos resultados do ESM, é necessária uma ação política urgente para limitar o aquecimento e o desmatamento, reduzindo o risco de pontos de inflexão e colapsos em larga escala. Proteger a Amazônia não é apenas crucial para preservar a biodiversidade, mas também para estabilizar o sistema climático global e garantir o equilíbrio global de carbono”, diz um trecho do estudo.

O estudo completo pode ser acessado aqui.

Como será a nova bandeira do Amazonas? Proposta de lei aprovada permite mudança histórica

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Foto: Reprodução

Depois de 129 anos, a bandeira do Amazonas está prestes a ganhar uma nova identidade. Um projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) visa alterar de 25 para 62 o número de estrelas estampadas na bandeira. A proposta, de autoria do governo estadual, visa atualizar o símbolo oficial para representar o quantidade de municípios amazonenses existentes atualmente.

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A emenda propõe a atualização da Lei nº 1.513/1982, que dispõe sobre a forma da Bandeira Estadual, com a inclusão de mais 37 estrelas, para representarem as cidades do Amazonas que ainda não existiam quando foi criada – até então a bandeira possui 25 estrelas, número de municípios existentes em 1897.

A mudança também atende a um modelo semelhante ao da bandeira do Brasil, que é atualizada conforme alterações na organização territorial brasileira. Com isso, ao entrar em vigor, a emenda permitirá que a bandeira do Amazonas passe a ser atualizada sempre que houver criação, extinção ou fusão de municípios ao longo da história.

Aprovada pelo parlamento estadual, a proposta aguarda pela sanção governamental para começar a vigorar. Confira a proposta de como deve ficar a nova bandeira do Amazonas:

Nova bandeira do Amazonas terá a inclusão de 37 novas estrelas, totalizando o número de 62 para representar a quantidade de municípios existentes no Estado. Foto: Reprodução

Críticas, elogios e sugestões

jornal do commercio sobre bandeira
Jornal do Commercio. Manaus, 25 setembro 1970. Foto: Reprodução/Blog do Coronel Roberto

A decisão de mudança na bandeira do Amazonas repercutiu nas redes sociais. Vários internautas reagiram à Proposta de Emenda Parlamentar (PEC) e opinaram sobre o pedido de alteração histórica no símbolo oficial do estado.

Entre críticas e elogios, muitos usuários deram outras sugestões de mudanças da bandeira amazonense e uma delas relembrou uma indicação do poeta amazonense Luiz Bacellar durante a gestão do governador Danilo Areosa (1967-1971).

Leia também: Conheça a história das bandeiras dos Estados da Amazônia Legal

Segundo a página Blog do Coronel Roberto, baseado em registros do Jornal do Commercio à época, o então governador Areosa encomendou ao Conselho de Cultura um estudo sobre a Bandeira do Amazonas, já que a existente era alvo de chacota pela semelhança com a bandeira americana.

De acordo com a página, “Bacellar – poeta e heraldista – estudioso do assunto, apresentou uma nova bandeira na mesma dimensão da anterior, porém, em fundo verde com uma faixa ondulada branca no meio, ladeada por 44 estrelas, representando os municípios”.

Porém, segundo o blog, uma ala conservadora preferia o modelo em referência à Batalha de Canudos, com as cores em alusão ao batalhão militar amazonense que se integrou às forças dos demais Estados no conflito.

História da bandeira do Amazonas

Atual bandeira do Amazonas contém 25 estrelas, que simboliza os municípios existentes em 1897. Foto: Reprodução

A bandeira amazonense apresenta as cores branca, azul e vermelha (que pode ser interpretado em relação à época de preparação da bandeira), exatamente para que fosse levada aos campos de combate em Canudos, no ano de 1897, pelo batalhão militar amazonense, que se integrou às forças dos demais estados naquela luta.

No retângulo azul da bandeira do Amazonas são aplicadas 25 estrelas em prata, simbolizando o número de municípios existentes em 4 de agosto de 1897 e indicando o momento histórico do embarque das tropas para Canudos, tal como se recolhe das pesquisas históricas, e foi depois lançado no artigo 7.º, inciso VI da lei respectiva. No centro do retângulo azul há uma estrela de primeira grandeza, representando Manaus.

Da esquerda para a direita as estrelas simbolizam os municípios de Borba, Silves, Barcelos, Maués, Tefé, Parintins, Itacoatiara, Coari, Codajás, Manicoré, Barreirinha, São Paulo de Olivença, Urucará, Humaitá, Boa Vista (atual capital de Roraima), Moura, Fonte Boa, Lábrea, São Gabriel da Cachoeira, Canutama, Manacapuru, Urucurituba, Carauari e São Felipe do Juruá. A bandeira do Estado do Amazonas foi consolidada pela Lei n.º 1.513, de 14 de janeiro de 1982 e seu uso foi regulamentada pelo Decreto n.º 6.189, de 10 de março de 1982.

Confira este vídeo produzido pela TV Senado sobre a história da bandeira amazonense:

Paixão de torcedor: “escolhido” pelo Garantido no ventre da mãe, amazonense retorna à Parintins depois de 17 anos

Na mesma prateleira da frase “Quem come jaraqui, não sai mais daqui!”, quem visita Parintins para prestigiar o Festival Folclórico da ilha tupinambarana escolhe um caminho sem volta. Vivenciar a grande festa protagonizada pelos bois Caprichoso e Garantido acaba se tornando uma parada quase obrigatória na cidade localizada no interior do Amazonas.

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Seja no próprio estado ou em qualquer região do Brasil, a paixão dos torcedores dos bois, as ‘galeras’, é colocada à prova desde o início da temporada bovina, com os eventos tradicionais dos bois da estrela e do coração. É nesse período que é comum encontrar azulados e encarnados realizando atos de amor para ter a oportunidade de apoiar o boi favorito dentro do Bumbódromo.

É o caso do amazonense Giuliano Dino, mais conhecido como Giu Maué, que pisou pela quarta vez em Parintins para torcer pelo Garantido na arena do Bumbódromo. O artista saiu do Rio de Janeiro, onde mora atualmente, para retornar à Ilha depois de 17 anos desde a sua última visita, em 2009. Agora em terras parintinenses, o dançarino espera comemorar pela terceira vez a vitória do boi da Baixa.

Leia também: Paixão de torcedor: toada do Caprichoso motivou carioca a gostar de boi e vivenciar Festival de Parintins

torcedor garantido
Giu Maué com Maria do Carmo Monteverde, única filha viva de Lindolfo Monteverde, criador do Garantido. Foto: Giu Maué/Arquivo pessoal

Relação umbilical com Garantido

Giu Maué conta que a relação dele com o Boi Garantido é umbilical. O artista de 41 anos afirma que se tornou torcedor encarnado ‘antes’ pelo seu finado pai.

“A paixão pelo garantido começou no ventre da minha mãe. Meu finado pai, Geraldo Adolfo Monteiro, era torcedor fanático, e minha mãe era pelo contrário. E desde quando eu ainda estava na barriga da minha mãe, ele já ficava perto de mim cantando as toadas. A minha mãe ali torcia pelo boi dela, mas o meu pai que me fez ser apaixonado pelo Garantido antes de chegar no mundo”, relembra Maué.

A ligação entre Giu e o Garantido foi tão verdadeira que o destino reservou uma oportunidade especial para essa relação de amor entre o torcedor e o seu boi. Em 1995, em seu segundo ano na Ilha da Magia, Maué agarrou a chance de dançar no Bumbódromo integrando o corpo de dança do Garantido.

Depois de 17 anos, Giu Maué revive experiência de voltar a assistir o boi Garantido no Bumbódromo. Foto: Giu Maué/Arquivo pessoal

“Naquele ano, realizei o sonho encarnado de me apresentar no festival pelo meu boi. No entanto, na segunda noite, caiu uma tempestade e o nosso boi foi impedido de se apresentar por completo. Entraram debaixo de muita chuva apenas o Amo, o Apresentador e o Levantador. Eu e o meu amigo, que estava responsável por mim, subimos para a arquibancada embaixo de muita chuva, frio, tudo isso para torcer pelo meu boi. Foi inesquecível, foi uma das minhas maiores loucuras. O Garantido permite o torcedor apaixonado a vivenciar episódios marcantes na vida como esse”, afirmou o artista.

Leia também: Paixão de torcedor: manauara “pé-quente” sonha em ver o bicampeonato do Garantido no Festival de Parintins 2026

Retorno à Ilha

Pela quarta vez em Parintins, Giu conta que viveu experiências diferentes em todas as oportunidades, mas sempre movido pela paixão vermelha e branca. Além de 1995, quando também atuou como dançarino, o artista amazonense relembra que já foi sem nenhum centavo para Ilha da Magia.

“Em 1993, fui pela primeira vez e aos 13 anos de idade tive a experiência maravilhosa de ver de perto o Garantido. A minha memória afetiva de quando eu era criança é indescritível, ali só confirmou e aumentou a minha paixão pelo boi vermelho. Já em 2009, foi uma das minhas maiores loucuras, eu estava desempregado e era dançarino num grupo. Fui convidado e eu e um amigo fomos para Parintins sem nada no bolso, a gente se virou vendendo macaquinhas para arrecadar dinheiro. No fim, a experiência foi maravilhosa, até porque o Garantido foi campeão na ocasião, então valeu muito a pena”, recorda Giuliano.

Conexão Perreché MAO-RJ

Morando há 14 anos no Rio de Janeiro, Maué não deixou de ser Garantido na Cidade Maravilhosa e tampouco de brincar de boi bumbá. Há dois anos, o artista criou o RJ Encarnado, torcida organizada do Garantido na capital fluminense, em que divulga e expande a cultura popular do boi bumbá e, claro, a história do Boi de São José.

Leia também: Paixão de torcedor: paixão pela cor azul e álbum de toadas inspiraram manauara a torcer pelo boi Caprichoso

No Rio de Janeiro, Giu Maué criou o RJ Encarnado, torcida organizada do Garantido na cidade fluminense. Foto: Giu Maué/Arquivo pessoal

“O RJ Encarnado é a torcida do Garantido no Rio de Janeiro, com intuito de divulgar a cultura do nosso boi e é um sucesso. Recentemente, fizemos um evento e não esperávamos tanta gente, mais de 200 pessoas estiveram presentes, isso mostra a força de Parintins e também do Garantido pelo Brasil afora”, frisa.

Longe da terra natal, o dançarino amazonense afirma que o Festival de Parintins é uma experiência única e reforça para quem ainda não conhece a grande festa da Ilha, que visite pelo menos uma vez.

“É algo indescritível, não existe em nenhum lugar do mundo. Eu moro no sudeste do Brasil desde 2012 e não tem nada igual, quem não conhece e escuta sobre o festival fica curioso, e quem vai pela primeira vez fica deslumbrado. Então, quem ainda não foi, vá, é algo único”, finalizou.

Parintins para todo mundo ver

O projeto Parintins para Todo Mundo Ver é uma realização do Grupo Rede Amazônica, com oferecimento de Mercado Livre, Neutrogena, Banco da Amazônia (Basa), Âmbar Energia e Sicredi.

Projeto ‘Parintins, Galeria Cidade Aberta’ incentiva novas gerações de artistas e amplia acesso à arte local

Foto: Tayrá Sateré

Conhecida por ser o palco da grande festa protagonizada pelos bois Caprichoso e Garantido, a cidade de Parintins reúne arte, cultura e talento com as alegorias e composições artísticas dentro do bumbódromo, durante o maior espetáculo folclórico à céu aberto do planeta. No entanto, o município do interior do Amazonas detém um celeiro de talentos e revela, todos os anos, dezenas de artistas e produtores culturais que levam a força da cultura amazônida para o restante do Brasil e do Mundo.

Grande parte desses talentos são revelados durante o projeto ‘Parintins, Galeria Cidade Aberta‘, iniciativa que transforma muros e fachadas da Ilha Tupinambarana em obras de artistas parintinenses. Com intuito de descentralizar a arte e ampliar o acesso à cultura local, o projeto chegou à quinta edição este ano e já revelou mais de 400 artistas locais, o que reforça Parintins como um grande produtor nacional de artistas internacionais.

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Em 2026, foram produzidos 16 novos murais na cidade, totalizando 60 espaços de arte em toda a cidade de Parintins. Além disso, o projeto ‘Parintins, Galeria Cidade Aberta’ já contempla mais de 9 mil metros cúbicos de muros pintados, o que consolida a importância do projeto tanto para a geração de novos artistas parintinenses quanto para a arte urbana.

“O Parintins, Galeria Cidade Aberta hoje é visto como um dos principais portfólios da arte parintinense da nova geração para o Brasil e o mundo. É a oportunidade de mostrar o talento dos nossos artistas visuais locais que retratam, através da arte, o nosso cotidiano, a realidade dos ribeirinhos, a cultura dos povos originários e, principalmente, o nosso boi bumbá e as lendas amazônicas. Os números deste ano comprovam que nossa cidade é um celeiro de talentos que inspiraram de geração em geração”, explica Tiago Costa, um dos diretores responsáveis do projeto.

Talento de geração para geração

arte
Homenageado deste ano no projeto foi o artista Evanil Maciel, um dos maiores nomes da arte local. Foto: Gabi Vitim

Para este ano, o projeto celebrou a trajetória de Evanil Maciel, artista plástico parintinense e um dos maiores nomes das artes visuais da Amazônia. Aos 72 anos, Maciel é referências para artistas de diferentes gerações e acumula mais de mil obras produzidas e participações em exposições nacionais e internacionais.

Um dos talentos revelados pelo projeto, o artista Pito Silva destaca que o projeto valoriza a carreira de quem trabalha em prol da arte local.

“É um projeto que fomenta e dá visibilidade para aquilo que já existe e tem força em Parintins, que é a arte. Muita gente acha que Parintins se resume apenas à arena, mas tem muitos talentos das mais diversas linguagens artísticas na cidade. Eu sou um deles, artista parintinense que ultrapassei as fronteiras da Ilha e já fiz e faço coleções para várias empresas multinacionais e internacionais. Então, o projeto Parintins Galeria Cidade Aberta permite que o talento daqui seja visto, projetado e valorizado para o mundo todo”, afirmou o artista de 38 anos, que neste ano assinou o Mural Matriarcas da Floresta.

Pito Silva, artista parintinense. Foto: Gabi Vitim

Nova geração da arte parintinense

Uma das artistas da nova geração, Day Cruz participou do projeto neste ano e teve a oportunidade de assinar um mural pela primeira vez. Ela e a artista Kamy Wará, produziram a obra ‘Yube e o Ventre da Sabedoria: a trama da mulher’, que retrata a força da ancestralidade feminina. O novo talento artístico aproveitou para enaltecer a força do projeto.

“Foi um prazer muito grande assinar o mural pela primeira vez, o projeto da galeria eu acompanho como assistente de muralista desde 2023, criamos o mural com intuito de reforçar sobre a ancestralidade feminina e mostrar todos os saberes que nós carregamos a partir dos conhecimentos ancestrais que herdamos das nossas mães e avós. Jamais deixaremos de falar sobre a arte parintinense, é sobre pertencimento, identidade cultural e memória. Para nós, como artistas jovens, é fundamental poder deixar um pouco de nossos traços para quem mora aqui e também para quem pretende conhecer a ilha”, finalizou.

‘Obra ‘Yube e o Ventre da Sabedoria: a trama da mulher’, mural assinado por Kamy Wará e Day Cruz. Foto: Tayrá Sateré

Vamos Brincar de Boi

O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.

A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.

Paixão de torcedor: cor azul e álbum de toadas inspiraram manauara a torcer pelo boi Caprichoso

Considerada uma das três cores primárias, o azul está associado à vários significados e é amplamente utilizado em diversas áreas, dependendo do contexto. Na psicologia, por exemplo, o azul representa tranquilidade, serenidade e confiança, enquanto que na saúde a cor indica prevenção e tratamento de doenças e até diagnóstico da situação hospitalar de um determinado paciente.

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Quando se fala em cultura, o azul faz parte de uma das maiores celebrações culturais do Brasil: o Festival Folclórico de Parintins. O boi Caprichoso, feito na cor azul e branco, e o boi Garantido, de cor vermelha e branca, ditam as cores da rivalidade bovina que protagoniza a festa na Ilha da Magia.

E foi assim, encantada pela cor azul que Andreia Nunes justifica a escolha de torcer pelo Caprichoso no festival. A manauara de 41 anos desembarcou em Parintins nesta semana para prestigiar as apresentações do boi da estrela na 59º edição do maior espetáculo à céu aberto do planeta.

Leia também: Paixão de torcedor: toada do Caprichoso motivou carioca a gostar de boi e vivenciar Festival de Parintins

Paixão pelo azul do Caprichoso

Apaixonado pelo azul, Andreia conta que sua admiração pela cor começou desde a infância. Na ocasião, ela relembra que isso ajudou a tomar gosto pelo boi Caprichoso, que detém as cores azul, preto e branco. A preferência, somado ao álbum Luz e Mistérios da Floresta, lançado pelo Boi Caprichoso em 1995, que ajudou Andreia e escolher o seu boi.

“Eu sempre achei o azul lindo, desde criança eu gostei da cor, que dali se tornou uma forma natural de expressão dos meus gostos. Aí em 1995, quando foi lançado o álbum do Caprichoso, foram toadas que mexeu com todo mundo, mexeu comigo e com toda a nação azulada. Aos 10 anos, gostando do azul e já entendendo o que era boi bumbá comecei a admirar o boi Caprichoso, começou daí a minha paixão pelo Touro Negro”, recorda Nunes.

Já com o boi escolhido, Andreia relembra que começou a frequentar o tradicional Bar do Boi, evento tradicional do Caprichoso que conta com ensaios técnicos, apresentações dos itens oficiais, show da Marujada de Guerra e performances de dançarinos, além de marcar a contagem regressiva do festival, que acontece anualmente na última semana de junho.

Leia também: Paixão de torcedor: manauara “pé-quente” sonha em ver o bicampeonato do Garantido no Festival de Parintins 2026

Torcedora caprichoso
Paixão pela cor azul e álbum nostálgico motivaram Andreia Nunes a escolher torcer pelo Boi Caprichoso. Foto: Andreia Nunes/Arquivo pessoal

Foi nessa ocasião, inclusive, que Andreia teve a oportunidade de presenciar o Touro Negro pela primeira vez na vida.

torcedora caprichoso
Andreia na galera do Bumbódrom. Foto: Andreia Nunes/Arquivo pessoal

“O Bar do Boi acontecia geralmente no antigo TV Lândia Mall, lá nos anos 1990. Foi lá que eu comecei a frequentar os currais, a minha adolescência toda eu aproveitava indo aos finais de semana para brincar de boi. Foi lá que eu conheci o boi pela primeira vez, as pessoas falam que o boi escolhe a gente, mas eu que escolhi o meu boi Caprichoso”.

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Experiência única em Parintins

Pela décima quinta vez em Parintins, Andreia afirma que todas as vezes que decide vir para a Ilha da Magia representa uma loucura para assistir de perto o seu boi favorito.

“A maior loucura que eu fiz e faço pelo Caprichoso é ter a oportunidade de vir para Parintins e torcer para ele ser campeão. A gente sai de Manaus, larga tudo, emprego, trabalho, família, enfrenta horas de barco, rede, tudo para chegar em Parintins e aproveitar o momento do festival, o que acontece uma vez por ano. Mas viver isso é magnífico, lindo e inesquecível”, pontua a amazonense.

Por fim, a manauara afirma que viajar para a Ilha tupinambarana e aproveitar o festival torcendo pelo seu boi favorito é algo inesquecível.

Vir para Parintins é deixar você se permitir viver uma das maiores experiências da vida. Você conhece a cultura da cidade, a festa de Parintins, conhece pessoas e o melhor, você vai deixar o boi te escolher. Tudo isso vale muito a pena, então se você pretender conhecer mesmo a Ilha da Magia, então venha, você não vai se arrepender”, finalizou.

Parintins para todo mundo ver

O projeto Parintins para Todo Mundo Ver é uma realização do Grupo Rede Amazônica, com oferecimento de Mercado Livre, Neutrogena, Banco da Amazônia (Basa), Âmbar Energia e Sicredi.

Paixão de torcedor: manauara “pé-quente” sonha em ver o bicampeonato do Garantido no Festival de Parintins 2026

Uma das expressões populares mais utilizadas pelos brasileiros, o termo “pé-quente” é usado para designar alguém que tem sorte, atrai vitórias ou leva boas energias onde passa. Seja em partidas de futebol, apostas ou qualquer outro evento que tenha competição, o torcedor pé-quente geralmente acerta em cheio no vencedor e volta para casa feliz da vida.

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Em Parintins (AM), palco do maior espetáculo folclórico à céu aberto do mundo, a manauara Lene Santos quer manter a fama de pé-quente.

Pela segunda vez consecutiva, a empreendedora de 37 anos está na Ilha da Magia para prestigiar o Festival Folclórico de Parintins e torcer pelo bicampeonato do boi Garantido, atual campeão do festival.

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Torcedora do Garantido, Lene sonha em ver o bicampeonato do boi preferido em Parintins
Pela segunda vez em Parintins, Lene quer manter fama de pé-quente e ver a conquista do bicampeonato do Garantido no festival deste ano. Foto: Lene Santos/Arquivo pessoal

Perreché desde criança

Lene conta que a paixão pelo boi Garantido começou durante a infância por influência dos pais. Natural de Manaus, a torcedora conta que as cores vermelho e branco sempre se fizeram presente na rotina da família quando o assunto o festival de Parintins: “Eu escutava os meus pais ouvindo as toadas e desde então comecei a gostar né, isso incentivou e me fez gostar do Garantido”.

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Já encantada pelo Boi da Baixa, Lene relembra que começou a frequentar os eventos promovidos pelo Garantido em Manaus como, por exemplo, os tradicionais currais, que servem como ensaios técnicos, apresentações dos itens oficiais, show da batucada e performances de dançarinos, além de marcar a contagem regressiva do festival, que acontece anualmente na última semana de junho.

“Para ser sincera, os meus pais escutavam as toadas, eles não eram de sair para as festas e currais de Manaus. Nunca me levaram para ver o boi, eu que já fui diferente deles, fui crescendo e gostando de curtir a festa, fui diferente deles”, relembra, aos risos, a torcedora.

Paixão de torcedor: manauara "pé-quente" sonha em ver o bicampeonato do Garantido no Festival de Parintins 2026
Fã do Garantido desde criança, Lene Santos se preparou por anos para ter a chance de viajar para Parintins, algo que só conseguiu em 2025. Foto: Lene Santos/Arquivo pessoal

Loucura para ver o Garantido campeão

Voltando ao tema pé-quente, Lene conta que a primeira vez que desembarcou em Parintins foi em 2025, justamente no ano que o Garantido conquistou o seu 33º título do festival, o que não acontecia desde 2019. Ela relembra que a emoção de ver o boi pela primeira vez no Bumbódromo foi indescritível.

“Nossa, foi maravilhoso e incrível. Logo de primeira ver o Garantido ser campeão depois de um tempo de espera é algo que jamais vou esquecer, está cravado na minha memória. E melhor ainda foi poder me sentir uma campeã aqui em Parintins, foi uma experiência inesquecível”, diz a torcedora.

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Mas para prestigiar a festa da vitória vermelha e branca ‘in loco’ na Ilha da Magia, Lene admite que superou o medo e deixou até a sua empresa de lado para realizar o sonho de pisar na cidade tupinambarana.

“Eu já tinha muita vontade de ir, mas por conta do trabalho na loja, não dava. Os meus amigos me chamavam e tudo, eu dizia que não podia, não dava, e aí quando eu me dei conta já estava dentro do barco indo para Parintins. Essa, sem dúvida, foi uma loucura bem grande, pedi para uma amiga minha cuidar do meu trabalho e me mandei pra cá. E foi maravilhoso, tanto é que estou aqui de novo”, conta a empreendedora, que trabalha com a venda de roupas e acessórios.

Lene Santos visitando o curral Lindolfo Monteverde, na Cidade Garantido. Foto: Lene Santos/Arquivo pessoal

Expectativa para o festival

Pérreché e pé-quente, Lene acredita no bicampeonato do boi do coração e aproveita para mandar votos de coragem para quem nunca teve a oportunidade de conhecer Parintins.

“Esse ano eu creio que esse ano nós vamos ser campeões pela segunda vez, vamos sentir novamente essa sensação porque o Garantido é o melhor. E aproveito para dizer para você, que sonha um dia vir aqui: quem vem pra cá não se arrepende. Parintins realmente é a ilha da magia, você se apaixona, é uma energia surreal, energia maravilhosa, então quem quer vir pela primeira vez, não perde tempo. É uma sensação indescritível”, finaliza.

Parintins para todo mundo ver

O projeto Parintins para Todo Mundo Ver é uma realização do Grupo Rede Amazônica, com oferecimento de Mercado Livre, Neutrogena, Banco da Amazônia (Basa), Âmbar Energia e Sicredi.

Paixão de torcedor: toada do Caprichoso motivou carioca a gostar de boi e vivenciar Festival de Parintins

A toada ‘Ritmo Quente’, do Boi Caprichoso, é considerada um dos maiores fenômenos musicais da Região Norte do Brasil e que contribuiu para difundir a cultura do boi-bumbá de Parintins para o resto do Brasil e o mundo afora. No Rio de Janeiro, por exemplo, uma toada do contrário chamou a atenção do militar Ronaldo Chianelli, mas foi depois de uma missão em Tefé, no Amazonas, quando ouviu um trecho da toada composta por Alex Pontes, Mailzon Mendes e eternizada na voz do saudoso Arlindo Jr, que sentiu um verdadeiro “chamado” do Touro Negro.

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Natural da cidade fluminense, o carioca de 52 anos revela que uma parte da toada foi o principal motivo para gostar de boi bumbá e se tornar torcedor do Caprichoso e, para atender à escolha do boi da estrela, Ronaldo decidiu viajar à Ilha da Magia pela primeira vez para prestigiar o Festival Folclórico de Parintins em 2026.

Foi o boi que me escolheu

“Vim do Norte/
vim trazer alegria de viver/
Quero só você/
é muita emoção/
Juntos vamos nós/
em uma só voz/
Cantar pra você”.

Foi desta forma, com esse trecho da torada, que Ronaldo revela como foi seduzido pelo ritmo de boi-bumbá, especialmente pelo boi Caprichoso.

“Eu sou militar e quando fui para Tefé (município do Amazonas) em 2020, eu escutei a toada e fiquei encantado. Quando ouvi ‘vim do Norte, vim trazer alegria de viver’, aquilo ali me cativou, me fez gostar muito de boi e inclusive me fez escolher o boi Caprichoso. Ali eu decidi que eu precisava conhecer Parintins, o festival e o Caprichoso”, explica o militar.

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Desde então, Ronaldo tratou de colocar a vinda à Parintins como uma das principais metas de vida. Porém, a pandemia da Covid-19 e a falta de oportunidades do trabalho adiaram os planos. No entanto, depois de seis anos de espera, o militar agarrou a chance de poder pisar na Ilha tupinambarana.

“Quando eu morava em Tefé, já tinha decidido que iria para Parintins, mas aconteceu a pandemia [de Covid-19] em 2020 e não deu certo. Quando soube que viria residir em Manaus à trabalho, não pensei duas vezes e comprei logo minha passagem. Eu falava que iria para Parintins conhecer o festival e agora estou aqui”, conta Chianelli, que chegou na capital amazonense em janeiro deste ano.

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Paixão de torcedor: toada do Caprichoso motivou carioca a gostar de boi e vivenciar Festival de Parintins
Torcedor preparou as malas e partiu para a cidade parintinense na última quarta-feira (24) para vivenciar a emoção na Ilha da Magia. Foto: Ronaldo Chianelli/Arquivo pessoal

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Sentimento inexplicável

Já em terras parintinenses, Ronaldo relata que a energia da cidade movida pelo festival é algo emocionante e confessa que a festa se compara ao Carnaval do Rio de Janeiro.

“Eu falo com convicção que o boi é emocionante. Sou do Rio de janeiro, cidade do carnaval, das escolas de samba, mas o boi não tem explicação, me emociona muito. Desde a primeira toada que escutei até conhecer o Caprichoso, tudo foi fantástico”, pontua o carioca.

Depois de seis anos, Ronaldo pôde, enfim, conhecer Parintins. Foto: Ronaldo Chianelli/Arquivo pessoal

Diante da emoção sentida pelo boi azul, Ronaldo preparou as malas e partiu para Parintins, onde desembarcou nesta quinta-feira (25). Ele aproveitou para descrever o clima da viagem para o município distante 369 quilômetros de Manaus.

“Sensacional, festa de Manaus até Parintins. Foi uma loucura ter chegado aqui, eu não imaginava como era viajar de barco, já tinha visto aquele monte de gente na rede, um perto do outro, mas está no meio disso tudo foi fantástico, incrível. O amazonense é um povo espetacular, receptivo e da paz.

Dúvida? “Só venha”!

Ronaldo afirma que vai aproveitar bastante a experiência inédita em Parintins e convida quem pensa em visitar a cidade e conhecer o festival:

“Eu vou falar que nem amazonense: ei, vem. Se está com dúvida, se pensa em conhecer, não pensa duas vezes não, compra sua passagem e conheça Parintins. Vale muito a pena, é a ilha da magia, uma energia incrível, vibe sensacional”.

Parintins para todo mundo ver

O projeto Parintins para Todo Mundo Ver é uma realização do Grupo Rede Amazônica, com oferecimento de Mercado Livre, Neutrogena, Banco da Amazônia (Basa), Âmbar Energia e Sicredi.

Saiba como não ser um torcedor ‘bumbá kids’ nas redes sociais; confira dicas de artistas dos bois Caprichoso e Garantido

O Festival Folclórico de Parintins, que acontece anualmente na última semana do mês de junho, é o ápice da temporada bovina protagonizada pela rivalidade histórica dos bois Caprichoso e Garantido, que duelam pelo título do maior evento folclórico à céu aberto do planeta.

O Bumbódromo de Parintins é o palco principal dessa disputa, e paralelo a isso, o ambiente digital também se torna um espaço em que torcedores dos bois da estrela e do coração usam as redes sociais para trocar opiniões pessoais, críticas e elogios sobre a performance dos 21 itens avaliados.

Porém, existem novos internautas que excedem os limites de uma rivalidade saudável, muitas vezes sem fundamentos: conhecidos como ‘bumbá kids‘.

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O termo, que surgiu na internet pelos próprios torcedores, denomina aqueles que não aceitam críticas contra o seu boi, não valorizam pontos positivos do contrário e estimulam discursos de ódio e ataques pessoais contra quem não concorda com seu ponto de vista. Em alguns casos, é contra até por quem simplesmente torce pelo rival.

O Portal Amazônia conversou com itens e ex-itens oficiais dos bois Caprichoso e Garantido, que comentaram sobre a importância da rivalidade saudável e deram dicas de como torcer e brincar de boi de forma coerente, responsável e sem violência no mundo virtual.

Caprichoso x Garantido: como surgiu essa rivalidade?

Antes de se tornar uma das principais expressões culturais do Brasil, a disputa entre Caprichoso e Garantido nasceu de uma brincadeira de rua, no início do século XIX, em que dois grupos (os bois) iam às ruas de Parintins para encenar a lenda da Mãe Catirina, uma mulher que estava grávida e com desejo de comer língua de boi. Para satisfazer a amada, o marido Pai Francisco sacrifica o boi favorito do seu patrão, que ameaça matá-lo.

Com fantasias, músicas e alegorias, a lenda que nasceu no Nordeste começou a ser ambientada com elementos da Amazônia como povos indígenas, criaturas e toda a mística sobre o maior bioma do planeta. Aí que entra a figura do Pajé, que ressuscita o boi do patrão, evita a tragédia e salva a vida do Pai Francisco.

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Rivalidade dos bois Caprichoso e Garantido é bem forte entre os torcedores dos dois bois
Rivalidade bovina do Festival de Parintins é protagonizada pela disputa entre os bois Caprichoso e Garantido no Bumbódromo. Foto: Aguilar Abecassis/SEC

A partir daí, toda aquela simples brincadeira de rua se transformou em apresentações mais produzidas para o público da Ilha da Magia, dando origem ao festival. Em 1966, acontece o primeiro Festival Folclórico de Parintins, com os bois disputando o título de melhor apresentação e o campeão definido a partir dos aplausos do público. É o que explica a historiadora parintinense Larice Butel, especialista da festa tupinambarana.

“O campeão da primeira edição do festival era decidido por aplausos e aí o boi Garantido é o vencedor. Daí surge a necessidade de se ter mais torcedores, já que a torcida contava pontos, o que se tornou primordial para o nascimento das galeras. Isso, inclusive, fez com que os outros bumbás que existiam na cidade não conseguissem permanecer”, explica a profissional.

A partir de então, a disputa entre Caprichoso e Garantido começou a ficar mais intensa e competitiva entre as torcidas, principalmente após a construção do Bumbódromo, no final dos anos 1980, para sediar o festival. À medida que a festa dos bumbás se consolidava como uma das maiores manifestações folclóricas do Brasil, a rivalidade entre os torcedores seguia o mesmo patamar até ganhar o ‘reforço’ das redes sociais.

Dono da ‘Voz da Amazônia’, David Assayag é considerado referência do festival e já atuou pelo Caprichoso. Foto: Reprodução/Instagram-davidassayagoficial

A chegada das redes sociais

Com a ampliação do acesso à internet no Brasil, em meados de 2010, as redes sociais começaram a fazer parte da rotina dos brasileiros. Isso fez com que os debates bovinos, que se restringiam aos encontros de torcedores nas ruas ou eventos dos bois, migrassem para o mundo virtual. E apesar de terem contribuído para a divulgação do festival, as plataformas digitais também abriram espaço para formadores da opinião pública, os chamados influenciadores digitais.

Considerado um dos artistas mais respeitados do festival, o levantador de toadas do boi Garantido, David Assayag, relata que as redes sociais trouxeram uma nova fase para a rivalidade bovina, porém, revelaram um lado negativo da internet: os ataques virtuais contra profissionais que atuam nas agremiações.

“A partir daí, a rede social entra com força no festival. Os torcedores começam a emitir opiniões pessoais, elogios e críticas em suas redes, mas infelizmente uma parte deles usam a internet para o mal. Ofendem os itens, atacam a honra dos profissionais, atacam a diretoria, tudo no intuito de diminuir as pessoas e as instituições também. E isso começou a ficar muito ruim para o festival”, conta o artista, que também já defendeu as cores do Caprichoso.

Daniela Assayag fez história como cunhã-poranga do Boi Caprichoso. Foto: Reprodução/Instagram-danielaassayag

Ex-Cunhã-Poranga do Boi da Estrela nos anos 90, Daniela Assayag afirma que o início do comportamento ofensivo no mundo virtual acabou distorcendo a essência da festa na Ilha da Magia. Para a artista, que atuou dos onze aos 21 anos de idade no Touro Negro – sendo os últimos cinco anos como item 9, ponderou que os artistas dos bois são as maiores vítimas dos discursos de ódio na internet.

“Esse comportamento violento nas redes sociais desvirtua o objetivo da festa. O que era para ser uma disputa de criatividade e genialidade do artista caboclo, as vezes acaba ganhando contornos de conflitos com essas atitudes criminosas dos ‘haters’. E as maiores vítimas, a meu ver, são os itens individuais, artistas que dedicam suas vidas à festa, mas que acabam desrespeitados de forma grosseira e inaceitável. As pessoas deveriam entender que por trás dos personagens existe gente de carne, osso e sentimento, a escolha pela exposição de quem aceita ser item dos bois não pode ser justificativa para a aceitação da prática do discurso de ódio contra si”, pondera Assayag.

Saiba mais: Você sabe qual a origem do Festival Folclórico de Parintins?

Brincar de boi perdeu a essência?

Inflamada com a expansão das redes sociais, a rivalidade bovina entre os torcedores cresceu consideravelmente no virtual e, paralelo a isso, os comportamentos ofensivos também. Ataques pessoais, discursos de ódio e a propagação de ‘fake news’ cometidos por uma pequena parte desses torcedores contra itens e dirigentes dos bois se tornaram mais frequentes.

Verena Ferreira atuou por quatro anos no Boi Garantido. Foto: Reprodução/Instagram-Dra.verenaferreira

Para Verena Ferreira, ex-cunhã-poranga do Garantido em 2015 e 2016, apesar do festival ter ganhado maior visibilidade com a internet, a violência virtual tirou um pouco a essência saudável dessa rivalidade entre os torcedores, algo que era comum antes das redes sociais.

“Antes das redes sociais, torcer pelo boi era muito mais vivido no corpo a corpo durante a temporada bovina. A rivalidade acontecia nas ruas, nos currais, nas filas de ensaio, nas rodas de conversa e dentro das famílias. Existia provocação, mas também tinha muito respeito pela história e cultura do boi contrário, o torcedor conhecia os itens, as toadas, acompanhava a evolução dos bois, enfim, ele conhecia a história do festival. O boi bumbá nasceu como manifestação cultural e popular, não como espaço para ódio e aí quando a rivalidade ultrapassa o limite da brincadeira para ataque pessoal, fake news e perseguição nas redes, quem perde é o próprio festival”, frisa Verena.

Ex-item de Caprichoso e Garantido, o cantor Edilson Santana também endossa o raciocínio. Para o artista, que já foi amo do boi e levantador de toadas no Bumbódromo, a brincadeira de boi bumbá que deu origem ao festival precisa ser valorizada pelos torcedores.

“Essas pessoas precisam entender que o festival é um legado do povo de Parintins que fomenta a vida de sua gente. Aprender a apreciar o festival é caminho, conhecer a sua história já é um começo, isso faz o torcedor olhar com mais respeito ao festival que chegou até aqui. A rivalidade dos bois era inocente como a brincadeira nas ruas, passando o festival todos se falavam e até davam os parabéns ao rival que vencia, jamais desrespeitavam um ao outro para mudar o sentido e o objetivo da brincadeira”, reforça Santana, que hoje defende as cores do Boi da Francesa.

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Atualmente cantor de toadas do Caprichoso, Edilson Santana já foi item do boi Garantido e é um dos artistas mais respeitados do festival. Foto: Aguilar Abecassis/SEC

Dicas de como torcer de forma saudável nas redes

Apesar desse lado negativo representar apenas uma pequena parcela dos torcedores bovinos, ainda é comum encontrar publicações e comentários com conteúdo difamatório e ataques discriminatório contra artistas de Caprichoso e Garantido. Mesmo com leis voltados ao combate de crimes cibernéticos e de punições para quem comete, tais práticas ainda são frequentes no ambiente virtual.

No intuito de incentivar o debate saudável e a importância de torcer e brincar de boi, o Portal Amazônia reuniu algumas dicas de itens e ex-itens oficiais dos bois Caprichoso e Garantido de como saber opinar nas redes sociais de forma responsável e sem ataques no mundo virtual. Confira:

David Assayag, levantador de toadas do Garantido:

“O torcedor precisa entender mais sobre a história do festival e ser mais consciente na rede social. Agora, como item, eu sou muito tranquilo, já fui vítima dos ‘haters’, mas nunca fui para o embate. É só não responder as provocações”

Edilson Santana, ex-amo do boi e levantador de toadas do Caprichoso:

“Torça como quem torce por uma pessoa amada. Não faça com ninguém o que você não gostaria que fizessem com você. Vá em paz ao festival e volte em paz, pare de usar as redes sociais para insinuar uma guerra insana que não existe e nunca existirá”

Verena Ferreira, ex-cunhã-poranga do Garantido:

“Não transforme o boi em guerra de internet. Ser torcedor de verdade é defender o seu boi com paixão, cantar, brincar, estudar a cultura, respeitar a rivalidade e ajudar a manter viva a essência do Festival de Parintins para as próximas gerações”

Prince, ex-amo do boi do Caprichoso:

Não é uma dica, mas um estilo de vida para quem curte o boi-bumbá: Brinque, dance, tome sua bebida e seja feliz. Brincar de boi não é brigar de boi. Todo mundo é feliz, então venha ser feliz no Caprichoso”

Denison Piçanã, tripa do boi Garantido:

“Que os verdadeiros torcedores busquem conhecer todo o processo do nosso festival. Apoiem, critiquem e cobrem melhorias com carinho, sem peso nas palavras. Quem ganha com isso é o nosso festival

Daniela Assayag, ex-cunhã-poranga do Caprichoso:

“Os torcedores de Caprichoso e Garantido devem se reconhecer como rivais, nunca como inimigos e é uma responsabilidade de todos nós lutar para que haja respeito na rivalidade. Podem ter suas preferências, mas é preciso entender que nenhum existe sem o outro”

Conexão Amazonas-Escócia: amazonense explica como o futebol reacende ligação histórica entre o estado e o país do Reino Unido

Nove mil quilômetros. Essa é a distância aproximada em linha reta entre o Brasil e a Escócia, país constituinte do Reino Unido localizado no Norte da Grã-Bretanha. Os dois países, que já tiveram uma relação mais estreita no final do século XIX, durante o ciclo da borracha, também compartilham da mesma paixão nacional: o futebol.

Nesta sexta-feira, 24 de junho, as duas nações protagonizam um novo capítulo de suas histórias, agora tendo o esporte mais popular do mundo como fundo. Brasil e Escócia se enfrentam na Copa do Mundo 2026 e o confronto tem sido visto como algo histórico entre brasileiros e escoceses que vivem nos dois países.

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É o caso da amazonense Ester Moraes, brasileira de 26 anos que mora na cidade escocesa de Glasgow. Natural de Novo Aripuanã, município do Amazonas, a jornalista é a terceira personagem da série especial Amazônia na Copa, que traz a rotina de brasileiros nascidos na Amazônia Legal e que moram nos países que a Seleção Brasileira irá enfrentar no Mundial de 2026.

Há um ano e seis meses na Escócia, ela relata como o futebol faz parte do estilo de vida no país escocês, afirma que sente saudade da gastronomia amazonense e admite que terá o coração dividido durante a partida que vale uma vaga na próxima fase do Mundial.

Do interior do Amazonas para o Reino Unido

Uma história de amor com requintes aventurescos que motivou Ester Moraes a trocar o local de origem pela terra dos castelos. Nascida em Novo Aripuanã, munícipio distante 227 quilômetros de Manaus, capital do Amazonas, ela conta que trocou de continente após conhecer o atual namorado, o escocês Robin McGonigle.

“Conheci meu atual esposo em 2021, numa viagem à Albânia durante um ano sabático pelo mundo. Namoramos à distância por três anos e decidimos que seria a melhor opção residirmos na Escócia, já que ele não seria qualificado para um trabalho na área da ciência no Brasil, por não ser fluente no português. Ele fala o idioma no cotidiano e fluentemente, mas não o acadêmico”, explica Ester McGonigle, como carrega o nome após se casar com Robin.

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Conexão Amazonas-Escócia

Relação com o futebol

Já na Terra dos castelos, Ester relata que a relação entre o futebol e o povo escocês é mais intensa até os brasileiros. Torcedora do Flamengo, ela relata que os escocês tratam o esporte como um estilo de vida.

“O futebol na Escócia é mais amado que no Brasil, é como se fosse um estilo de vida. Algo que fazem toda semana, ir nos estáadios, ter coleções de tudo que é possível: broches, camisas. Os torcedores costumam viajar dias, das formas mais comuns às mais desconfortáveis, tudo para apoiarem seu time. E quando o assunto é torcer pela seleção, o orgulho é ainda maior. Eles são muito apaixonados”, salienta Ester.

Grande parte dessa paixão pelo futebol, segundo Ester, veio do marido que é fã de carteirinha do esporte jogado com os pés. E quando se trata de Copa do Mundo, a empolgação transcende as quatro linhas: isso porque a Escócia, depois de 28 anos, conquistou a classificação para o Mundial, o que para Ester é algo histórico e inédito na vida do marido.

“Sou casada com um escocês amante de futebol, vai em todos os jogos, sabe tudo do esporte, tem uma coleção com todas as camisas da Escócia, todos os álbuns de figurinhas, mascotes de todas as copas. Aqui, vamos torcer pelas duas seleções, o Brasil já é esperado que se saia bem, então oramos para que a Escócia também consiga ir adiante da fase de grupos. Seria algo histórico, já que são 28 anos desde a última classificação. Meu esposo tem 26 anos, então ele nunca viu a Escócia jogar uma Copa do Mundo, por isso, entendo que é bem mais especial para ele do que para mim”.

Saudades da terrinha

Há um ano e meio na Escócia, Ester confessa que a saudade pela região amazônica é grande. E quando se trata de culinária e gastronomia local, a nostalgia aumenta ainda mais.

“Eu sinto saudade de tudo. Tucumã, um x-caboquinho e peixe igual ao nosso não existe no mundo. Já rodei o mundo e países famosos por gastronomia, mas nenhum se compara ao sabor que tem em solo amazonense. Sinto falta de estar mais próxima das minhas raízes, sotaques e costumes. Dar uma depressão ir aí e ter que ir embora, eu chorei muito no avião. E chorava toda vez que comia tucumã e tambaqui, parecia que estava em cativeiro e não comida há anos. Em três dias, matei toda minha saudade”, relembra Ester, que recentemente visitou o estado junto com o marido.

Na ocasião, ela frisa que o amado também ficou encantado pelas belezas naturais e culinária da região amazônica e reiterou o admiração proporcionada pelo estado em outras partes do mundo.

“Foi incrível poder vê-lo se conectar com cada aspecto do ambiente que construiu quem eu sou, me fez ver o mundo, Deus e a natureza com o olhar que tenho hoje. Não há comida mais saborosa, mais real, não há nascer e pôr-do-sol mais lindo, a exuberância das nossas matas e animais são extraordinários. Era impossível não perceber o quão grato ele estava de poder viver algo único, que só a Amazônia e somente o nosso povo pode proporcionar. Acho que nunca o vi tão feliz, me emociona pensar o quanto somos abençoados em poder chamar o Amazonas de casa. Ser amazonense desperta curiosidade e admiração nas pessoas”, recorda a jornalista.

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Brasil ou Escócia?

O confronto entre Brasil e Escócia praticamente define os classificados do grupo C para a próxima fase da Copa do Mundo. Enquanto que a vaga da Seleção Brasileira está praticamente encaminhada com uma vitória e um empate, os escoceses avançam com um empate ou até em caso de derrota, porém, dependeria de uma combinação de resultados.

Ester admite que torce pelo Brasil, mas que confia na classificação do país escocês.

“Eu vou torcer para que o Brasil passe em primeiro e Escócia em segundo, é um país gentil e acolhedor. As pessoas aqui têm um amor genuíno pelo esporte e já que meu marido nasceu aqui, seria incrível ver eles podendo desfrutar das vitórias e também pela classificação. Para mim, será 3 a 1 para o Brasil”, palpita.

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A cada quatro anos, o futebol une nações e bilhões de torcedores para acompanhar a disputa da Copa do Mundo, a competição que promove uma verdadeira integração global dentro e fora das quatro linhas por meio da bola. No entanto, existe uma relação entre dois países em que o esporte popular representa mais que uma modalidade, representa uma forte conexão formada pela paixão, solidariedade e já exerceu até função social: Brasil e Haiti.

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Nas últimas décadas, os dois territórios construíram uma ligação praticamente umbilical nutrida por uma onda de solidariedade, acolhimento e ajuda humanitária, mas é o amor pelo futebol que representa uma parcela significativa da admiração do povo caribenho pelo Brasil. Tal vínculo, inclusive, faz parte da vivência de quem mora entre os dois países, como é o caso do amazonense José Aurélio.

Na segunda reportagem da série especial ‘Amazônia na Copa’, com histórias de brasileiros nascidos na Amazônia Legal que moram nos países adversários do Brasil no Mundial deste ano, o manauara de 41 anos que vive no Haiti relata como o futebol e a cultura brasileira influenciam a rotina de quem vive no país da América Central e detalha a relação de respeito e apreço do povo haitiano pela seleção verde e amarela pentacampeã do mundo.

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José admite que não é fã do futebol, mas que vira torcedor do Brasil durante a disputa da Copa do Mundo. Foto: José Aurélio/Arquivo Pessoal

Torcedor? Só durante a Copa

Apesar de ser o esporte mais popular do mundo, o futebol não está entre as preferências de José Aurélio. Morando há cinco anos em Porto Príncipe, capital do Haiti, o amazonense conta que sua rotina se resume a ir para o trabalho e voltar para casa na capital haitiana, local que escolheu viver após aceitar uma oportunidade para atuar como técnico operacional em máquinas de fabricação de termoplásticos.

Mas quando se trata de Copa de Mundo, o brasileiro admite que muda sua rotina e troca a farda pela camisa da Seleção para torcer a favor do time canarinho no maior torneio do futebol.

“Em relação ao futebol, para ser sincero, confesso que não sou muito fã. Minha família toda torce para o Vasco, se for para sofrer vendo o time carioca jogar, é melhor eu esperar a Copa a cada quatro anos e torcer pelo Brasil (risos). Época de Mundial é o período que eu mais gosto de assistir futebol e de torcer pela nossa seleção”, explica Aurélio.

Preferências à parte, o manauara relembra que o futebol foi o responsável por um dos momentos mais marcantes da sua vida já vivendo em Porto Príncipe, quando sentiu de perto a idolatria dos haitianos pelo povo brasileiro.

“A Copa de 2022 foi a primeira que eu pude acompanhar fora do Brasil e dentro de um país que ama o nosso futebol. Eles idolatram a nossa seleção, a nossa cultura, eu me senti em casa, então, foi marcante e satisfatório ver que uma outra nação gosta tanto do Brasil e do nosso futebol”, recorda.

Paixão haitiana pelo futebol

População do Haiti é fanática pelo Brasil, principalmente pelo futebol canarinho
Uma multidão acompanhou a Seleção Brasileira durante a passeata dos jogadores em Porto Príncipe, para o Jogo da Paz. Foto: Arquivo CBF
Amazonense reforça que relação entre brasileiros e haitianos é de muito respeito. Foto: José Aurélio/Arquivo pessoal

O amor do povo de Haiti pelo futebol, em especial o brasileiro, tem explicação. Em 18 de agosto de 2004, uma partida amistosa entre Brasil e a seleção local realizada em Porto Príncipe marcou a história do país caribenho, que vivia naquela época uma guerra civil instalada por crises políticas e um cenário de violência urbana extrema.

Conhecido como o Jogo da Paz, o duelo contou com craques brasileiros como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos e foi capaz de paralisar os conflitos armados durante noventa minutos na cidade haitiana.

Na ocasião, a seleção canarinha venceu por 6 a 0, mas o cenário de paz, alegria e esperança que pairou naquele dia histórico foi a vitória mais importante comemorada por milhares de haitianos que puderam assistir de perto a única seleção pentacampeã do mundo. Daí a relação de respeito e admiração do povo caribenho em relação ao Brasil.

“No Haiti, a relação entre brasileiros e haitianos é de muito respeito, não temos problemas com eles e eles não têm problemas com a gente. É perceptível ver o carinho especial que eles sentem pela gente, digo que mais de 80% da população haitiana torce para o Brasil, isso mostra o quanto essa nação tem apreço pela nossa”, reforça José.

Classificação para Copa

E como se não bastassem os bons frutos da relação entre Haiti e o futebol, quis o destino que o esporte reservasse mais uma capítulo histórico: a classificação do país para disputar a Copa do Mundo de 2026.

A conquista da vaga, algo que não acontecia desde 1974, ainda teria um ingrediente especial: a seleção caribenha está no mesmo grupo que o Brasil na competição mundial, o que garante o duelo entre os países na maior evento de futebol do planeta.

José conta que a classificação do Haiti para o Mundial foi bastante comemorada pelo povo caribenho com muita festa e celebrações que pararam o país.

“Eu lembro que no dia que o Haiti garantiu a participação na Copa, eu não estava bem de saúde e fui na farmácia comprar um remédio. Quando eu entrei no carro, só vi aquela multidão na avenida principal de Porto Príncipe. Nessa noite, todos os haitianos saíram de casa para comemorar na rua, eu tive que esperar uns cinquenta minutos, deram até ponto facultativo no outro dia porque ninguém foi trabalhar. Então, foi outro momento que me marcou bastante no Haiti com relação à Copa”, relata.

Expectativas para o duelo

Nesta sexta-feira, 19 de junho, Brasil e Haiti entram em campo em partida válida pela segunda rodada do grupo C do Mundial. Aurélio frisa que vai torcer pelo seu país de origem, mas que ficará dividido durante o confronto. O manauara, que assistirá o duelo junto com a família em Manaus, aproveitou para cravar o seu palpite:

“Vou torcer pelo Brasil porque sou brasileiro, é claro, mas meu coração vai ficar bem dividido porque o Haiti foi um país bem acolhedor da mesma forma que nós fomos e somos com eles. Mas a minha torcida será pela seleção brasileira e acredito na vitória por 3 a 1 pra cima do Haiti”.

Matando a saudade da família

Há dois meses, José Aurélio desembarcou em Manaus para aproveitar as férias e rever a família. Ele revela que tem aproveitado o seu retorno para matar a saudade da terrinha, principalmente da culinária e dos pontos turísticos da capital amazonense.

Há dois meses em Manaus, José Aurélio tem aproveitado para ficar com a família e também matar a saudade da culinária amazonense. Foto: José Aurélio/Arquivo pessoal

“A nossa região é vasta e única né, eu sentia muita falta do tambaqui, do nosso açaí, a culinária amazonense, a cultura, tudo isso é muito rico. A minha vida é muito ligada à família, de ir à igreja aos domingos, caminhar na Ponta Negra, visitar pontos turísticos, aproveitar os feriados prolongados, andar de bicicleta e, claro, estar perto das pessoas que a gente ama”, frisa o amazonense, que aproveitou para revelar os próximos planos:

“Até então, eu não tenho nenhum plano para retornar para o Haiti. Primeiro porque eu já estou até trabalhando aqui em Manaus e segundo porque estou analisando uma proposta que surgiu do Paraguai. Então, no momento, não penso em voltar para lá”, finalizou.