Encontro anual de famílias acontece de 11 a 13 de setembro, na Casa de Retiros Maria de Loreto, no km 26 da AM-010. Foto: Divulgação/Sementes do Verbo
No intuito de proporcionar uma experiência familiar única, a Comunidade Católica Sementes do Verbo realiza em Manaus (AM), de 11 a 13 de setembro, a quarta edição do ‘Festival das Famílias‘, um encontro anual que une fé, espiritualidade e vivência coletiva. O evento acontece na Casa de Retiros Maria de Loreto, localizada no quilômetro 26 da AM 010, na Zona Rural da capital amazonense.
Com o tema ‘Curados em suas Feridas’, o retiro acontece de forma simultânea em outras três cidades: Belém (PA), Palmas (TO) e Rio de Janeiro (RJ).
De acordo com o Padre João Batista, responsável pelo evento em Manaus, o festival busca promover um encontro de famílias para momentos de fé, alegria e comunhão durante um fim de semana.
“O principal objetivo do Festival é proporcionar às famílias um tempo de qualidade, um tempo para estar junto, para sair um pouco da rotina e, sobretudo, para fazer uma experiência de encontro com Deus através da sua Palavra. A gente sabe que, muitas vezes, as famílias estão juntas, mas não conseguem ter tempo de qualidade para conversar, rezar, brincar e simplesmente estar uns com os outros. Então, o Festival quer justamente favorecer esse encontro”, explicou o padre.
Foto: Divulgação/Sementes do Verbo
A programação contará com atividades para todas as faixas etárias como evangelização, catequeses, oficinas artísticas, gincanas em famílias e apresentações culturais, além do apoio de voluntários para a realização de vários serviços. Segundo João, a expectativa é de reunir aproximadamente 200 pessoas para o Festival das Famílias.
“Ao longo dos três dias, teremos momentos de formação e espiritualidade, atividades para as diferentes faixas etárias, espetáculos de teatro e música e também muitos momentos de convivência familiar. A programação contempla todas as faixas etárias: crianças, jovens e adultos, com momentos de formação, espiritualidade, atividades lúdicas e artísticas. Nós temos a expectativa de reunir aproximadamente 200 pessoas, em torno de 50 famílias”, frisou o organizador.
Foto: Divulgação/Sementes do Verbo
Como participar
Para participar do Festival das Famílias, é necessário fazer a inscrição de toda família no site do evento. Existem várias modalidades de inscrição, de acordo com número de membros da família: individual, casal, casal com filhos, entre outras possibilidades.
A inscrição já inclui a hospedagem, a alimentação completa durante os três dias, um kit formativo e a participação em toda a programação. Informações sobre os valores dos pacotes estão disponíveis na página.
“O Festival é mais do que participar de uma programação, é uma oportunidade de viver uma experiência: uma experiência de encontro com Deus e também de encontro dentro da própria família. Se a sua família está precisando de um tempo para parar, rezar, conviver, fortalecer os vínculos e simplesmente estar junto, esse Festival é para vocês. Por isso, eu faço este convite: venham participar conosco do Festival das Famílias”, convidou o padre.
O Festival das Famílias é o maior encontro anual que promove um retiro de cinco dias com uma profunda vivência familiar e espiritual, com programações para todas as idades: crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. O evento acontece simultaneamente em Manaus (AM), Belém (PA), Palmas (TO) e Rio de Janeiro (RJ), e cada cidade adapta a programação de atividades de acordo com a realidade local.
Foto: Divulgação/Sementes do Verbo
O Festival das Famílias é organizado pela Comunidade Católica Sementes do Verbo, associação privada de fieis da Igreja Católica, de natureza contemplativa e missionária. Em julho de 2018, a convite do então Arcebispo Metropolitano de Manaus, Dom Sérgio Castriani, a instituição assumiu à Fazenda da Esperança de Manaus, para colaboração na formação humana e espiritual dos internos.
Em dezembro do mesmo ano, a associação assumiu a Casa de Retiros Maria de Loreto, localizada na AM-010, Km 26, Zona Rural de Manaus, com uma equipe de aproximadamente 30 missionários e voluntários em tempo integral, dedicados ao acolhimento de grupos e atividades missionárias.
Na capital amazonense, a Associação Sementes do Verbo tem uma atuação voltada ao desenvolvimento de trabalhos missionários e sociais junto às comunidades da região, através de visitas às famílias, prevenção ao uso de drogas, fortalecimento familiar e proteção de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social.
Dia da Amazônia é comemorado nacionalmente no dia 5 de setembro. Foto: Reprodução/BNDS
Considerada a região de maior biodiversidade do planeta, a Amazônia é o bioma mais importante para a manutenção do equilíbrio ambiental do globo terrestre. Dona de uma área de aproximadamente 7 milhões de quilômetros quadrados na América do Sul, sendo 60% desse território dentro do Brasil, a Amazônia abriga a maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica, e também a maior bacia hidrográfica, além de uma rica fauna e flora que ultrapassa mais de 40 mil espécies vegetais e animais.
No Brasil, o dia 5 de setembro é conhecido como o Dia da Amazônia. A data visa celebrar nacionalmente a importância do bioma e também conscientizar a sociedade acerca da importância pela preservação e seu papel vital para a regulação climática do planeta.
Mas qual a explicação por trás da escolha dessa data? O Portal Amazônia buscou entender a escolha desta data, que até hoje é vista como um marco para reflexão sobre a conservação do maior bioma tropical do planeta.
Amazônia. Foto: Fabio Nascimento/Greenpeace
Origem da lei
O Dia da Amazônia foi instituído pela Lei 11.621, de 19 de dezembro de 2007, por meio de um projeto de lei de autoria do então deputado federal pelo Amazonas, Humberto Michiles. Apresentada em 2003, a propositura foi aprovada por unanimidade na Câmara Federal.
Ex-deputado federal do Amazonas, Humberto Michiles, autor da lei. Foto: Reprodução/G1 Amazonas
“O Dia da Amazônia instituído por esta proposição cria para todos os brasileiros a oportunidade de refletir sobre todos esses aspectos e peculiaridades. Pretende-se, assim, conscientizar a Nação a respeito de um dos seus mais valiosos patrimônios. Além disso, o Dia da Amazônia certamente servirá para orientar de modo correto as ações públicas e privadas concernentes ao desenvolvimento socioeconômico de toda a região”, justificou Humberto, no projeto.
O autor cita que a escolha do dia 5 de setembro “é uma homenagem à data em que foi criada, em 1850, por D. Pedro II, a Província do Amazonas”, em alusão a quando o imperador sancionou a Lei nº 582, que celebrou a elevação do estado à categoria de província e marcou a desvinculação do território ao Grão-Pará e a conquista da autonomia administrativa.
Em sua propositura, Michiles destacou as particularidades da Amazônia e suas funções ambientais para a manutenção da vida no planeta, além de reforçar a importância da proteção ambiental e as políticas de desenvolvimento sustentável na região.
“O solo, a água, o clima, a flora, a fauna e as populações humanas da Amazônia são estreitamente interdependentes, o que cria um complexo ecossistêmico sujeito a grandes instabilidades, sobretudo diante das atividades desenvolvimentistas na região. Daí a necessidade de se adotar no Brasil uma estrita política de desenvolvimento sustentável para a região amazônica, aliada a severa fiscalização ambiental, se pretender harmonizar e compatibilizar conservação da natureza e proteção ambiental com as necessidades de desenvolvimento socio-econômico dos Estados que integram a Amazônia”, frisou o autor.
Sancionada pelo presidente Lula em 2007, a lei entrou em vigor e tornou o dia 5 de setembro como o Dia da Amazônia.
Olhos d’água são locais onde fontes naturais de água subterrânea aparecem na superfície do solo. Foto: Reprodução/Youtube-Adeilton Lima
Sabe quando uma água simplesmente “brota” do chão e que dá origem a um rio, córrego ou ribeirão? O local exato onde o líquido aparece na superfície é chamado de olho d’água, termo que descreve o ponto em que o lençol freático surge no solo e se manifesta em forma de poças. Consideradas fontes naturais, os olhos d’água são essenciais para a formação de cursos de água e o equilíbrio ecológico da natureza.
Também chamado como cabeceira, fio d’água ou fonte, o olho d’água geralmente é encontrado no meio rural, em áreas úmidas ou próximas à cursos de água, e sua formação depende de processos geológicos e hidrológicos de determinados ambientes.
De acordo com a engenheira florestal Fabiana Rocha, a formação do olho d’água ocorre quando a água subterrânea encontra uma abertura na camada do solo ou rocha, normalmente em áreas mais baixas, que permite o afloramento da água para superfície.
O olho d’água geralmente é encontrado no meio rural, em áreas úmidas ou próximas à cursos de água, e sua formação depende de processos geológicos e hidrológicos de determinados ambientes. Foto: Reprodução/Youtube-Sagwi TV
“São pontos em que a água subterrânea aflora na superfície do solo, normalmente quando o lençol freático acaba encontrando uma pequena abertura ou qualquer tipo de mobilidade do terreno como uma depressão. Isso faz com que ela volte para superfície, e essa água subterrânea quando vem para cima do solo, vira um olho d’água. É como se ela devolvesse parte da água da chuva que foi infiltrada, armazenada no subsolo para aquele ambiente que a gente realmente consegue reconhecer a olhos visíveis”, explicou a especialista.
Rocha também explica que o aparecimento dos olhos d’água dependem de uma série de combinações naturais do ambiente: “Dependem da combinação entre chuva, as características de revelo, os tipos de solo, de rocha e, de alguma forma, da profundidade do lençol freático e a formação geológica. Normalmente, esse aparecimento dá em partes mais baixas, em determinadas áreas com depressões ou basicamente acontecer em áreas de fraturas de rocha como em Presidente Figueiredo [município no Amazonas], por exemplo”.
Olho d’água. Foto: Reprodução/Instituto Água Sustentável
Diferença entre olho d’água e nascente
Rocha frisa, ainda, que as características de um olho d’água são diferentes em relação à nascente, que é o afloramento natural do lençol freático que apresenta perenidade, ou seja, abundância e continuidade.
“Normalmente, o olho d’água faz o processo de escoamento, essa água às vezes pode permanecer parada, a partir daí que precisa considerar a diferença entre nascente e olho d’água. Nascente é o afloramento natural do lençol freático que tem perenidade, que dá início a um curso de água, e o olho d’água, de fato, é o afloramento natural do lençol freático, e mesmo que aconteça, ele é intermitente (algo que não é contínuo)”, pontuou a engenheira.
A importância do olho d’água para o meio ambiente
A especialista reforça que os olhos d’água exerce diversas ‘funções naturais’ para o meio ambiente e que tais contribuições são fundamentais para o equilíbrio do ecossistema.
Já para sociedade, a doutora completa: “A importância do olho d’água está associada principalmente no abastecimento da própria água, na produção agrícola, já que os solos próximos dessa fonte acabam tendo uma condição melhor de disponibilidade, segurança hídrica, a questão do equilíbrio climático global e até a produção das chuvas. Então, a gente tem que entender que a água não começa na torneira de casa, e sim na chuva, no processo de infiltração do solo e nos pontos de afloramento dos olhos d’água”.
“O olho d’água só é pequeno na aparência, mas ecologicamente ele tem muitas representações. Eles ajudam a manter a vazão dos igarapés e dos rios, principalmente no período de menor precipitação, que é o caso agora, fornecem água para fauna e flora, mantém a umidade do solo, favorecem o crescimento de vegetações, criam ambientes específicos para plantas, animais, insetos e inúmeros microrganismos que a gente não consegue ver a olho nu. Então, o olho d’água acaba cumprindo muitas funções dentro do sistema como um todo”, explicou Rocha.
Por fim, a engenheira florestal reforçou: “Se a gente protege um olho d’água, a gente protege uma rede hídrica. Precisamos entender que essas fontes naturais de água são vulneráveis, se a gente enterra ou abandona resíduos próximo a essas áreas, até mesmo porque o chorume pode infiltrar no solo e atingir essa água subterrânea, isso pode gerar uma série de problemas”, finalizou.
Tibira do Maranhão foi o primeiro caso relatado de morte por homofobia no Brasil. Foto: Reprodução/Gravura do livro de Claude Abbev
Tipificada como crime desde 2019 no Brasil, a homofobia é um dos problemas sociais mais graves do país. Mesmo com avanços na luta por direitos nas esferas políticas, acadêmicas e sociais, os números da violência contra a população LGBTQIAPN+ ainda são alarmantes e os registros de homicídios influenciados pela “LGBTfobia” (intolerância à comunidade LGBT) passam dos milhares desde o século passado.
Um desses casos é o do Tibira do Maranhão, assassinado em 1614 com anuência de religiosos da Igreja Católica em razão de sua orientação sexual e considerado o primeiro crime homofóbico documentado do Brasil. Cometido há mais de 410 anos, a morte de Tibira foi resgatada em 2014 pelo historiador brasileiro Luiz Mott, ao publicar o livreto chamado ‘São Tibira do Maranhão – Índio Gay Mártir’, com o relato da execução do indígena que hoje é reconhecido como símbolo de resistência pela causa gay.
Com base no documentário Tibira do Maranhão, do canal no Youtube Museu da Transviada, conheça a história do indígena da etnia tupinambá que foi acusado de sodomia por missionários franceses e executado por um tiro de canhão em plena praça pública no Maranhão, o que se tornou o primeira caso registrado de morte por homofobia do Brasil.
Homofobia trazida pela colonização europeia
De acordo com o levantamento feito pela produção, o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo era comum entre os povos tradicionais. Indígenas como os guaicurus, potiguaras, guaranis e tupinambás viviam com múltiplas formas de viver o gênero e o desejo. Um dos exemplos eram as cudinas, indígenas do povo Mbayá-Guaicuru que mesmo nascidos do sexo masculino, se apresentavam e desempenhavam funções sociais femininas em suas comunidades.
Yves d’Évreux (1577-1632), frade capuchinho que integrou expedição francesa ao Brasil Colônia. Foto: Reprodução/ Youtube-Museu da Transviada
Porém, a chegada da colonização europeia no território brasileiro mudou a forma da vivência plural desses povos originários, classificando os indígenas como “pecadores, devassos, falsos, aberrações e desformes de alma”.
Tal forma de organização, segundo o audiovisual, aterrorizava tanto os missionários cristãos quanto a população europeia que começava a ocupar a região do Maranhão, que naquela ocasião se tornara o centro de uma tentativa francesa de colonizar o país, numa disputa entre holandeses e portugueses.
Em 1612, uma expedição com centenas de franceses chegou à ilha onde hoje fica São Luís, capital do Maranhão, e fundou o Forte de São Luís, em homenagem ao rei da França, Luis XIII.
A partir de então, os franceses iniciaram fortalecer as relações com os povos indígenas da região, aprendendo suas línguas, convivendo em comunidades e, ao mesmo tempo, convertendo-os ao cristianismo. Os missionários europeus passaram a batizar os indígenas, atribuindo nomes cristãos, redefinindo os comportamentos certos e errados, iniciando ali uma imposição religiosa, controle e transformação dos modos de vida.
Foi nesse contexto que a história de Tibira aconteceu, através dos escritos de Yves D’Évreux, frade franciscano que estava em posição de liderança na época da colonização. Em sua obra intitulada ‘Viagem ao Norte do Brasil’, ele detalha a captura, julgamento, batismo e o assassinato do indígena, durante sua expedição na região amazônica.
A captura e julgamento de Tibira
De acordo com registros, D’Évreux descreve Tibira de forma bruta: “Um pobre índio, bruto, mais cavalo que homem, fugiu para o mato por ouvir dizer que os franceses o procuravam, e ao seus semelhantes, para matá-los e purificar a terra de suas maldades, por meio do Evangelho e da religião católica”.
Relatos de Yves foram descritos em obra. Foto: Reprodução
Com a ajuda dos indígenas, Tibira foi encontrado, imediatamente amarrado e levado para o Forte de São Luís do Maranhão, “donde deitaram-lhe ferros aos pés; vigiaram-no bem até que chegassem os chefes principais de outras aldeias para assistirem ao seu processo e proferirem sua sentença e sua morte”, como descreve o relato.
O documentário mostra que, após o término do julgamento e a confirmação da sentença de execução, foi oferecido ao condenado a possibilidade de receber o batismo. E, segundo o relato, disseram que apesar de sua má vida passada, caso aceitasse o batismo, sua alma iria diretamente ao céu, no momento que se separasse do corpo. O indígena acreditou e pediu para ser batizado.
Antes do batismo, um outro padre francês, identificado como Louis de Pézieux e conhecido como “tatu-uaçu”, foi até o alojamento franciscano e perguntar ao Yves se o próprio padre iria realizar o batismo. A decisão, no entanto, foi negativa, pois de acordo com D’Évreux, batizar Tibira poderia reforçar entre os indígenas a ideia do que os franciscanos eram figuras misericordiosas e compassivas, capazes de interceder junto as autoridades para salvar condenados da morte e que isso abriria espaço para questionamentos.
Na ocasião, para Yves, preservar a autoridade era mais importante do que qualquer gesto público de compaixão. Decidiu-se, então, que o batismo de Tibira seria realizado pelo próprio Tatu-uaçu, que realizou o ato após brevemente instruí-lo na fé cristã por meio de intérpretes e sem as cerimônias formais da igreja. Segundo os escritos, Tibira recebeu o batismo com tranquilidade e sem demonstrar tristeza, na presença dos principais lideres indígenas de sua etnia.
Após o julgamento, Karawatapirã, um dos líderes indígenas, dirigiu-se a Tibira e, num discurso com elementos da cosmologia indígena com noções cristãs recém-introduzida, teria dito que “como filho de Deus, sua alma seguiria diretamente para o céu, livre da influência do diabo, para viver no céu junto com Tupã” (que significa ‘Deus’ para os povos originários). Acrescentou, ainda, que “caso desejasse, poderia pedir à Tupã para ter os cabelos compridos e o corpo de mulher antes que um corpo de homem, e que lá ficaria ao lado das mulheres”.
Ainda segundo os próprios relatos escritos de D’Évreux, ele demonstrou incômodo com a interpretação errônea da possibilidade de Tibira escolher um corpo de mulher após a ressureição. Para o padre, tratava-se de uma distorção da doutrina cristã, resultado da compreensão imperfeita de um líder indígena que não fora apropriadamente doutrinado na fé católica.
O diário de Yves relata que Tibira, antes da execução, teria dito: “Vou morrer, não mais vos verei. Já não temo o Diabo, pois agora sou filho de Deus. Não preciso mais levar comigo fogo, farinha, água, nem ferramentas para viagens além das montanhas, onde pensais que dançam nossos antepassados. Dai-me, porém, um pouco de petum, para que eu morra alegremente, com voz e sem medo”.
Petum seria um tipo de cigarro preparado a partir do tabaco, que era tradicionalmente utilizado pelos indígenas durante os rituais ligados à morte. Relatos descrevem que Tibira, de posse do cigarro, manteve-se sereno, cantava e ficou assim até o momento da execução. O condenado fora levado para a muralha do Forte de São Luís, em direção ao mar, onde foi amarrado na boca de um canhão.
Antes disso, porém, fez um pedido: que não lhe amarrasse o braço direito, para que pudesse continuar levando o petum à boca. E entre franceses e lideranças indígenas reunidos, coube a Karawatapirã acender a escorva do canhão. O disparo partiu o corpo de Tibira em duas partes: uma caiu junto à muralha e outra foi lançada ao mar e nunca mais foi encontrada. Segundo relatos, na mão que permaneceu junto à muralha, ainda estava o seu petum.
Após a execução, Yves descreveu Tibira como São Dimas, santo da igreja católica conhecido como o “bom ladrão da tradição cristã, aquele que, ao morrer na cruz ao lado de Cristo, recebe a promessa do paraíso”. Para o padre, a morte de Tibira seria, ao mesmo tempo, punição e salvação.
Significado de Tibira
Na íntegra dos relatos de D’Évreux, Tibira não foi citado com este nome, e sim como indígena. O termo Tibira, ou “Tivira”, deriva de Tevi, uma palavra que faz parte do tronco Tupi, grupo de línguas indígenas da América do Sul, utilizada para se referir ao ânus ou nádegas. Historicamente, a expressão era empregada entre os indígenas para designar indígenas associados a práticas homoafetivas.
Tibira, o primeiro mártir gay indígena das Américas
A historia de Tibira ganhou visibilidade a partir dos estudos do antropólogo e historiador brasileiro Luiz Mott. Ao investigar a perseguição aos chamados sodomitas (habitantes da cidade bíblica de Sodoma que passou a designar pessoas que praticaram atos sexuais considerados contrários à moral religiosa), que o pesquisador encontrou os escritos de D’Évreux com o relatos de execução do indígena.
Em 1993, durante uma conferência, Mott utilizou o termo Tibira para se referir ao indígena descrito pelo padre franciscano, passando a ser o nome da figura histórica. A partir de então, Tibira virou o personagem contra a homofobia no Brasil, fato que motivou o pesquisador a propor, em 2014, a canonização do indígena como um santo homossexual, em analogia ao São Dimas, referenciado por D’Évreux após a execução de Tibira. A iniciativa recebeu o apoio da Santa Igreja Celta do Brasil, denominação cristã independente.
No ano de 2016, a praça Marcílio Dias, localizada no centro de São Luís, no Maranhão, ganhou uma lápide do Tibira do Maranhão, numa reparação histórica do personagem. Mais do que um marco histórico, o monumento representa o resgate da memória de uma história que ficou mais de quatro séculos silenciada e que, segundo Mott, volta à tona para reforçar a luta pelo fim da LGBTfobia.
Confira o documentário sobre a história do Tibira do Maranhão, produzida pelo canal Museu da Transviada, no Youtube:
Tabatinga é o principal polo do Alto Solimões. Foto: Divulgação/IBGE
Você que mora no Amazonas ou viaja para os municípios do estado, certamente já ouviu sobre as regiões Alto, Médio e Baixo Solimões. Essas divisões são normalmente utilizadas para referências de localização no território amazonense e se baseiam no Rio Solimões, curso d’água que atravessa o estado.
Embora não constituem a regionalização administrativa oficial, as regiões do Alto, Médio e Baixo Solimões fazem parte da percepção popular e cultural dos amazonenses para fins de localização territorial no estado, composto de 62 municípios e de dimensões continentais. No entanto, tais expressões também são usadas por alguns órgãos, secretarias e instituições para situações de planejamento ou estudo em cidades do interior.
Imagem: Reprodução/IBGE
De modo geral, essa divisão funciona agrupando os municípios de acordo com sua posição ao longo do fluxo do rio, desde as áreas de fronteira internacional, associadas ao Alto Amazonas, passando pela região central, conhecida como Médio Amazonas, até as áreas próximas à divisa com o estado do Pará, no Baixo Amazonas.
Essa divisão informal pela localização dos municípios de acordo com o fluxo dos rios também acontece em outros estados da região, como forma de facilitar o entendimento para a população e até mesmo pesquisadores.
Alto Solimões
É a região mais ocidental do Amazonas, que fica próxima às fronteiras com Peru e Colômbia. É considerada a mais estratégica do estado, devido à presença da tríplice fronteira e possui Tabatinga como município-polo. As cidades que fazem parte da região são:
Amaturá
Atalaia do Norte
Benjamin Constant
Santo Antônio do Içá
São Paulo de Olivença
Tabatinga
Tonantins
Médio Solimões
É a região que compreende a parte central da calha do Rio Solimões, e tem Tefé como referência e principal polo urbano e de serviços. Os municípios tradicionalmente associados são:
Alvarães
Coari
Fonte Boa
Japurá
Jutaí
Maraã
Tefé
Uarini
Vista áerea de Tefé, principal polo urbano e de serviços do Médio Solimões. Foto: Newton Marcos Leone Porto/Catalinas no Brasil
Baixo Solimões
É a área mais próxima da capital do Amazonas, Manaus, e da confluência dos rios Solimões e Negro. É uma região fortemente integrada à capital, principalmente por transporte fluvial, comércio, agricultura e abastecimento. Tem Manacapuru como principal polo.
Anamã
Anori
Caapiranga
Careiro
Careiro da Várzea
Codajás
Iranduba
Manacapuru
Manaquiri
No Baixo Solimões, Manacapuru é considerado o município polo da região. Foto: Divulgação/Ministério Público do Estado do Amazonas – MPAM
Qual a divisão oficial do Estado?
De acordo com o governo estadual, a regionalização territorial do Amazonas adota um modelo de nove sub-regiões, definidas pelas características socioeconômicas e logísticas das calhas do rios amazônicos.
Fonte: Sedecti
As calhas são subdivisões das bacias hidrográficas compostas por um rio principal e seus afluentes. São elas:
Em nota, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), explicou que a divisão adotada atende à critérios mais específicos e as particularidades de cada região de acordo com os 62 municípios amazonenses.
“Essa estrutura permite considerar, de forma mais específica, as características socioeconômicas e logísticas de cada calha de rio, evitando que suas particularidades fiquem diluídas dentro de uma classificação mais ampla. Enquanto a população e muitos estudos utilizam a divisão tradicional em três grandes regiões fluviais para fins de localização e referência territorial, a gestão pública trabalha com uma regionalização mais detalhada, voltada a assegurar que o planejamento e a alocação de recursos atendam de forma mais precisa às necessidades de cada região do estado”, explicou a secretaria.
O Brasil encara um período, de 12 a 19 de agosto, com temperaturas acima da média em algumas cidades das cinco regiões do país. É o chamado veranico, fenômeno meteorológico caracterizado pelo calor anormal e tempo seco durante o outono ou inverno, dependendo da região. Embora não muito conhecido, o conceito foi sistematizado nos anos 1950 e é utilizado até hoje por meteorologistas do país para definir o “verão pequeno” ou verão fora de época, significado dado à origem do nome.
O veranico de agosto, segundo especialistas, é o terceiro que acontece no Brasil em 2026 e promete ser o mais longo e abrangente do ano, afetando estados de todas as regiões brasileiras. No entanto, para Leonardo Vergasta, meteorologista do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o veranico terá uma atuação diferente na Amazônia em relação às outras partes do país.
“O veranico, no sentido técnico do termo, não se aplica bem à Amazônia neste momento do ano. Isso porque o conceito pressupõe uma anomalia, calor fora de época, dentro de uma estação que normalmente seria chuvosa. Só que, para a região amazônica, o período de junho a novembro é justamente a estação seca esperada, que a população daqui chama popularmente de “verão amazônico” e que tecnicamente chamamos de estiagem. Ou seja: calor e redução de chuvas agora não são, por si só, uma anomalia, são o comportamento climatológico normal da época”, frisa o especialista.
Veranico é o fenômeno meteorológico caracterizado pelo calor anormal e tempo seco num curto período de tempo.
Vergasta explica que as características do veranico são diferentes de outros fenômenos como, por exemplo, as ondas de calor.
“O veranico tem critérios clássicos: duração mínima de cerca de 4 a 5 dias consecutivos, temperaturas máximas elevadas para o padrão da estação, céu limpo ou pouca nebulosidade, ventos fracos e baixa umidade relativa do ar. Um detalhe que costuma passar despercebido: diferente de uma onda de calor, o veranico normalmente não sustenta temperaturas altas durante a madrugada, as noites seguem frias, e o calor se concentra nas tardes”, explica o meteorologista.
Veranico tem relação com El Niño e La Niña?
Leonardo detalha que a relação entre os fenômenos climáticos El Niño, La Niña e veranico:
“El Niño e La Niña são padrões climáticos de grande escala, ligados ao aquecimento ou resfriamento das águas do oceano Pacífico, que se desenvolvem ao longo de meses e influenciam o clima em boa parte do planeta. Não são apenas um episódio de calor ou frio, apenas funcionam mais como um “terreno favorável” que pode deixar as condições mais propícias para calor e seca ou chuvas em excesso e cheias acontecerem. Então, em resumo, El Niño/La Niña são fenômenos de naturezas e escalas climáticas bem diferentes”, pontua Vergasta.
Por fim, o meteorologista explicou o que significa o termo veranico: “O nome vem de ‘verão pequeno’ ou ‘verão fora de época’, porque reproduz, em miniatura e no momento errado do calendário, as condições típicas do verão: calor, sol forte e tempo seco. É por isso que também se fala em ‘veranito’ ou ‘veranillo’ em países de língua espanhola, ‘Indian Summer’ nos países de língua inglesa, ‘Verão de São Martinho’ em Portugal, Espanha e Itália. Todos descrevem, essencialmente, a mesma ideia: um retorno breve e fora de hora do calor de verão”, finalizou.
Considerado o menor país independente da América do Sul, o Suriname também está presente na Lista de Patrimônios Mundiais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Situada na fronteira entre Guiana, Brasil e Guiana Francesa, a nação conta com três patrimônios reconhecidos pela Unesco, todos eles pertencentes à Amazônia internacional: a Reserva Natural do Suriname Central, o Centro Histórico de Paramaribo e o Sítio Arqueológico de Jodensavanne.
Os locais foram reconhecidos pela Unesco por representarem bens culturais e naturais considerados de Valor Universal Excepcional, ou seja, locais cuja importância ultrapassa as fronteiras de um país e pertence à humanidade como um todo. Além disso, tal reconhecimentos reforçam o papel da Amazônia como um território de valor inestimável, cuja conservação é fundamental não apenas para o Brasil, mas para todo o planeta.
Adotada pela Unesco em 1972, a convenção do Patrimônio Mundial e Natural classifica os patrimônios culturais e naturais através de monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico, de conservação ou estético excepcional e universal.
Reserva Natural do Suriname Central. Foto: Reprodução/Unesco
Localizada no centro-oeste do Suriname, a Reserva Natural do Suriname Central é a maior área ambiental protegida do país, com aproximadamente 1,6 milhão de hectares de floresta tropical com cobertura vegetal preservada. O local abriga uma diversidade de fauna e flora amazônicas que inclui a onça-pintada, o tatu-canastra, a ariranha-gigante, a anta, a preguiça, espécies de primatas e cerca de 400 espécies de aves, como gavião-real, galo-da-Guiana e arara-vermelha.
Criada em 1998, o local tinha o objetivo inicial de unir três reservas pré-existentes: Raleigh Vallen, Eilerts de Haan e Tafelberg, florestas que carregavam um alta diversidade de vida vegetal e compostas de áreas pantanosas. Até hoje, a Reserva Natural do Suriname Central protege montanhas, rios, cachoeiras e ecossistemas pouco alterados pela ação humana, porém, é possível perceber comunidades quilombolas nas proximidades, sendo a maior parte descendente de escravos e indígenas.
No ano de 2000, a Reserva Natural do Suriname Central foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco.
Centro histórico de Paramaribo
Centro Histórico de Paramaribo. Foto: Reprodução/Ron Van Oers-Unesco
Capital do Suriname, Paramaribo fica localizada às margens da costa norte da América do Sul e a mais antiga cidade colonial holandesa datada dos séculos XVII e XVIII. O Centro Histórico de Paramaribo carrega uma fusão arquitetônica que mistura a cultura do povo holandês, com edificações de madeira que formam simetria, e influências europeias e americanas, o que acabou refletindo na sociedade multicultural da cidade.
A maioria das construções mais importantes para a paisagem urbana foram feitas entre 1667 e 1885. Dentre as construções históricas estão o Forte Zeelandia (1667) e o Garden of Palms, com ruas arborizadas e espaços abertos. Além disso, tem também o Palácio Presidencial (1730), construído em pedra e madeira. A cidade também conta com o Ministério da Fazenda, construído em 1841, uma monumental estrutura de tijolos com pórtico clássico e torre do relógio, a Igreja Reformada (1837) em estilo neoclássico e o Gótico Revival Católico Romano Catedral (1885) em madeira.
Por ser um dos maiores exemplos de cidade colonial preservada no Caribe e no norte do continente sul-americano, o Centro Histórico de Paramaribo foi reconhecido em 2002 como Patrimônio Mundial da Unesco.
Sítio Arqueológico de Jodensavanne: Assentamento de Jodensavanne e Cemitério Cassipora Creek
Ruína da fachada oeste da Sinagoga Beraha VeSalom. Foto: Reprodução Unesco/S.A. Fokké-Jodensavanne Foundation
Último patrimônio mundial do país reconhecido pela Unesco, o Sítio Arqueológico de Jodensavanne, no norte do Suriname, é uma propriedade com duas partes que ilustram as primeiras tentativas de colonização judaica no Mundo Atlântico. O Assentamento Jodensavanne, fundado na década de 1680, inclui as ruínas do que se acredita ser a sinagoga arquitetônica mais antiga das Américas, além de cemitérios e fundações de edifícios de tijolos, áreas de desembarque para barcos e um posto militar.
Já o Cemitério Cassipora Creek é um assentamento mais antigo fundado na década de 1650, que deixou de existir há três décadas após seus habitantes migrarem dois quilômetros rio abaixo para Jodensavanne. Essas primeiras colônias judaicas não estavam situadas em ambientes urbanos existentes e eram mais longas do que muitas outras. Localizados em meio a território indígena, tais assentamentos eram habitados, possuídos e governados por judeus que viviam ali junto com pessoas livres e escravizadas de descendência africana e indígena.
Sepulturas preservadas em Beth Haim Jodensavanne. Foto: Reprodução Unesco/S.A. Fokké-Jodensavanne Foundation
Devido a sua importância em preservar os vestígios da comunidade judaica fundada por refugiados da Inquisição Ibérica, a Unesco reconheceu em 2023 o Sítio Arqueológico de Jodensavanne na categoria Cultural.
Evento de lançamento do estudo sobre transição verde do Brasil contou com a participação de diversos especialistas, brasileiros e internacionais. Foto: Reprodução/Instituto Clima e a Sociedade
O Instituto Clima e a Sociedade (iCS), em parceria com a London School of Economics (LSE), lançaram o estudo “Brazil’s Investment-led Growth in the Ecological Transition”, que coloca o país como a principal referência na América Latina para liderar a transição verde, que é a mudança global rumo a energia de baixo carbono.
O relatório aponta os pontos fortes naturais e industriais da maior economia do continente sul-americano para impulsionar o crescimento econômico, criar empregos e expandir a inclusão social. De acordo com Maria Netto, diretora executiva do iCS, o intuito do documento é incentivar o país a utilizar suas vantagens para a transição verde.
“O relatório não propõe um afastamento da conservação, nem um modelo tradicional de industrialização pesada. Propõe que o Brasil faça melhor uso das vantagens que já possui: um sistema de energia elétrica em grande parte renovável, capacidade agrícola de classe mundial, experiência com biocombustíveis, potencial de restauração, capital natural e capacidades industriais relevantes”, explica Maria.
Netto reforça que a proposta do estudo é mostrar que o Brasil possui todas as garantias para se tornar a principal liderança da transição verde.
“O Brasil pode oferecer segurança ao mundo em três áreas-chave: energia limpa, em larga escala e com previsibilidade, além de biocombustíveis sustentáveis para o transporte global; minerais críticos obtidos com responsabilidade social e ambiental; e segurança alimentar inovadora. Essas soluções apresentadas no estudo garantem resiliência nas cadeias produtivas, estabilidade de preços e mitigação dos riscos de conflitos associados aos recursos naturais”, completa Maria.
Evento reuniu diversas autoridades brasileiras e internacionais especialistas no tema. Foto: Reprodução/Instituto Clima e a Sociedade
Sobre o estudo da transição verde
Os especialistas autores do estudo são Luiz Awazu Pereira da Silva, professor visitante no Centre for Economic Transition Expertise (CETeX) da LSE e autor principal; Jorge Arbache, professor de Economia da Universidade de Brasília e senior fellow do iCS; Rodrigo C. A. Lima, sócio-diretor da Agroicone; Fernanda Gimenes, pesquisadora sênior líder em Mobilização de Capital Privado no Centre for Economic Transition Expertise (CETeX) da LSE; e Manoel de Castro Pires, pesquisador sênior do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE).
Os autores enfatizam ainda que o sucesso depende de fatores importantes: “para concretizar essas oportunidades, será necessário resolver gargalos de infraestrutura, reduzir riscos de investimento, fortalecer a capacidade de implementação, melhorar a segurança jurídica e dar continuidade aos esforços para combater o desmatamento ilegal”.
Luiz Awazu Pereira da Silva afirmou que as mudanças climáticas, a transformação tecnológica e a fragmentação geopolítica estão remodelando os padrões globais de investimento. “A questão é se o Brasil conseguirá converter suas vantagens estruturais em investimentos sustentáveis, crescimento da produtividade e desenvolvimento econômico”, avalia.
Para Jorge Arbache, o modelo da produção está mudando. “O mundo está saindo de uma era em que a energia era transportada para a indústria para uma em que a indústria buscará cada vez mais a energia limpa. Essa mudança pode redefinir as cadeias de valor globais nas próximas décadas.”
Fernanda Gimenes lembrou que, com muita frequência, as discussões sobre a transição ecológica se concentram nas lacunas de financiamento. “Esse artigo defende que, para países como o Brasil, a transição também deve ser entendida como uma oportunidade de investimento. O desafio é criar as condições que permitam que o capital nacional e internacional invista em grande escala nos setores que moldarão a economia global do futuro”.
O investimento global na transição climática ultrapassou US$ 4 trilhões em 2024 e deve crescer acentuadamente na próxima década. Estima-se que um montante entre US$ 600 bilhões e US$ 800 bilhões seja direcionado anualmente para setores nos quais o Brasil já possui forte potencial competitivo, incluindo aço verde, combustíveis sustentáveis, fertilizantes de baixo carbono, energia renovável, materiais industriais, agricultura regenerativa e produtos de base biológica. O estudo estima que captar mesmo uma parcela modesta do investimento global em transição poderia elevar o crescimento anual do PIB brasileiro em cerca de 1 a 1,5 ponto percentual, além de impulsionar as exportações, aumentar a arrecadação fiscal e ampliar a geração de empregos formais.
Mais do que apenas um fornecedor de commodities agrícolas ou minerais de margens mais baixas, o Brasil é hoje capaz de oferecer soluções estruturais para desafios globais, argumentam os autores do relatório. Esse debate envolve temas como a expansão de fertilizantes verdes e biofertilizantes; a reorganização industrial baseada em energia limpa; o fortalecimento de cadeias de valor mais resilientes; a cooperação entre países do Sul Global; e o avanço do Powershoring — um modelo no qual as indústrias se aproximam de regiões capazes de oferecer energia renovável, estabilidade e menor intensidade de carbono; entre outros.
“O Brasil tem uma oportunidade histórica de alinhar crescimento econômico, liderança climática e progresso social”, conclui o relatório. “A transição ecológica pode se tornar uma plataforma para a reindustrialização e para um novo ciclo de desenvolvimento inclusivo.”
O evento de lançamento do estudo foi transmitido no canal de Youtube do iCS e contou com a participação de diversos especialistas, brasileiros e internacionais, para discutir sobre o crescimento do Brasil e investimento na transição ecológica.
*Com informações do Instituto Clima e a Sociedade.
Na continuação da série Isso é Patrimônio Mundial, que lista os bens culturais e naturais localizados na Amazônia, a Venezuela, país da América do Sul e que compõe a Amazônia Internacional, possui três patrimônios mundiais reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). No entanto, apenas um fica localizado na região amazônica: o Parque Nacional de Canaima.
Reconhecido como bem natural em 1994, o local recebeu o aval da Unesco por seu Valor Universal Excepcional e sua importância para o planeta. Tal reconhecimento reforça o papel da Amazônia como um território inestimável, cuja conservação é fundamental não apenas para o Brasil, mas para todo o planeta.
Adotada pela Unesco em 1972, a convenção do Patrimônio Mundial e Natural classifica os patrimônios culturais e naturais através de monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico, de conservação ou estético excepcional e universal.
Localizado no estado de Bolívar, no sudeste da Venezuela quase na fronteira com o Brasil e a Guiana, o Parque Nacional Canaima é um dos maiores parques naturais do mundo, com mais de 30 mil quilômetros quadrados e uma rica biodiversidade que coloca o local como um dos mais importantes do planeta. É ali que se encontra a mais conhecida queda de água natura, o Salto Ángel (Angel Falls), com 979 metros de altura e vista como a cachoeira mais alta do mundo.
Auyan-tepui, localizado no Parque Nacional Canaima. Foto: Reprodução/ Blog Michele Christine
O parque abriga os famosos tepuis, que são um tipo de ‘montanhas tipo mesa ou meseta’ com paredes verticais e cume geralmente plano. Mais de 65% da área do Parque Nacional Canaima são ocupadas pelos tepuis, responsáveis por construir uma entidade biogeológica única. O local também outras áreas renomadas como o La Gran Sabana, formada por grandes planícies, rios, cachoeiras e diversos elementos da natureza.
Além de proteger ecossistemas únicos, o Parque Nacional Canaima é território ancestral do povo indígena Pémon, povo que habita a região da Gran Sabana, na Venezuela.
Uma das primeiras cidades construídas durante a colonização espanhola da América do Sul, em 1527, Coro preserva um importante conjunto de arquitetura colonial construídas com técnicas tradicionais de terra, adobe e taipa, historicamente usadas por espanhóis e holandeses. Seu porto, o ‘La Vera de Coro’ chegou a desempenhar um papel estratégico nas rotas comerciais do Caribe.
Reconhecida como bem cultural pela Unesco em 1993, Coro foi a primeira capital da Capitania Geral da Venezuela e chegou a abrigar o primeiro bispado da América Continental estabelecido em 1531. Desde 2005, o Parque Nacional Canaima integra a Lista do Patrimônio Mundial em Perigo, devido à deteriorização causada por chuvas intensas, problemas de conservação e expansão urbana.
Cidade Universitária de Caracas
Localizada em Caracas, capital da Venezuela, América do Sul, o campus principal da Universidad Central de Venezuela foi estabelecido no período colonial por Simón Bolívar. Com uma área de 164 mil hectares, o local inclui obras-primas da arquitetura e da arte moderna construídas segundo o projeto do arquiteto Carlos Raúl Villanueva, entre 1940 e 1960.
A Universidade integra um grande número de edifícios, arte e natureza em um conjunto claramente articulado, onde as formas de arte se tornam parte essencial do local habitado. Tais estruturas expressam o espírito e o desenvolvimento tecnológico de sua época no uso do concreto armado como, por exemplo, a Aula Magna com as ‘Nuvens’ de Alexander Calder, o Estádio Olímpico e a Praça Coberta. O complexo constitui uma interpretação moderna dos conceitos e tradições urbanas e arquitetônicas, incorporando pátios e janelas em treliça como uma solução adequada para seu ambiente tropical.
Reconhecida em 2000, a Ciudad Universitária de Caracas é um exemplo notável do Movimento Moderno na arquitetura e é até hoje considerada uma das maiores obras do século XX.
Sigla de três letras fazem parte da identificação do sistema global da aviação, padronizada pela IATA. Foto: Imagem criada por IA
Quem viaja de avião, é comum se deparar com três letrinhas estampadas em etiquetas de bagagem, cartões de embarque e até em letreiros nos aeroportos. Tais siglas fazem parte de um sistema criado pela IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), entidade que padronizou a identificação global dos aeroportos em todo o mundo.
A utilização desses códigos permite que companhias aéreas, passageiros, pilotos e controladores do tráfego aéreo possam identificar de forma precisa e eficiente sobre seus destinos, origem e escalas de voo em todo o planeta. As siglas geralmente têm relação direta com o nome ou referência da cidade, enquanto que outras foram criadas aleatoriamente para evitar duplicações.
Entenda como surgiu a origem dessa identificação que revolucionou a comunicação do sistema global de aviação.
Após a Segunda Guerra Mundial, a indústria da aviação comercial começou a crescer e os governos perceberam a necessidade de criar uma padronização para garantir a compatibilidade das operações aéreas no âmbito nacional e internacional. Assim, foram criadas duas grandes organização para dar conta desta demanda operacional da aviação: a Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) e a Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO).
Indústria da aviação civil expandiu na década de 1940 e motivou a criação de organizações para padronizar a identificação de aeroportos. Foto: Reprodução/Melhores Destinos
Cada entidade ficou responsável por criar a sua própria sigla obrigatória na aviação civil. Fundada em 1940 por um grupo de companhias aéreas, a IATA teve como principal responsabilidade identificar os aeroportos pelo mundo, por meio de uma sigla com três letras, enquanto que os códigos ICAO, compostos de quatro letras, são mais técnicos e voltados para documentos de planos de voo.
No caso da IATA, as siglas seguem uma lógica de criação mais fácil e voltada para os passageiros e geralmente se baseiam nas primeiras letras da cidade ou nas iniciais do nome do aeroporto. Já no sistema ICAO, as letras são definidas com base na localização geográfica dos aeroportos, em que a primeira letra representa o continente de origem, a segunda designa o país e as duas últimas representam o nome do aeroporto.
Exemplificando, o Aeroporto Internacional de Rio Branco, no Acre, é identificado pelo sistema IATA pelo código RBR, em referência às iniciais da capital acreana. Já no identificador ICAO, o aeroporto recebe a identificação SBRB, onde S indica América do Sul, B se refere ao Brasil e RB remete especificamente às iniciais do nome do aeródromo.
Com mais de 17 mil códigos criados, a elaboração das siglas IATA segue três principais critérios que definem as lógicas de criação dessas siglas. A primeira delas é a abreviação direta do nome da cidade ou aeroporto com as três primeiras letras, como é o caso do Aeroporto Internacional Val-de-Cans, em Belém-PA, identificado como BEL.
Associação Internacional do Transporte Aéreo teve como principal responsabilidade identificar os aeroportos pelo mundo. Foto: Reprodução/Itaérea
Em caso de códigos já utilizados, a sigla então recebe alguns ajustes para adaptações fonéticas ou heranças históricas relacionadas ao local. Em São Luís, no Maranhão, o Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado recebe a abreviação SLZ, sendo SL relacionado às iniciais da capital e Z para diferenciar de outros aeroportos com letras semelhantes. Já em Manaus, o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes é identificado pela sigla MAO, que é uma abreviação histórica de Manaós, como era conhecida a capital amazonense antigamente.
Por último, a IATA atribui combinações livres e aleatórias apenas para evitar repetição de códigos em outras cidades do mundo como, por exemplo, o Aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues, em Palmas-TO, que não possui relação direta com as iniciais da cidade ou do aeroporto.
Conheça as siglas dos aeroportos da Amazônia Legal
Agora que você já sabe a origem e criação das siglas, o Portal Amazônia lista os códigos dos principais aeroportos dos nove estados que compõem a Amazônia Legal.