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Tibira: conheça o primeiro caso documentado de morte de um indígena por homofobia do Brasil

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Tibira do Maranhão foi o primeiro caso relatado de morte por homofobia no Brasil. Foto: Reprodução/Gravura do livro de Claude Abbev

Tipificada como crime desde 2019 no Brasil, a homofobia é um dos problemas sociais mais graves do país. Mesmo com avanços na luta por direitos nas esferas políticas, acadêmicas e sociais, os números da violência contra a população LGBTQIAPN+ ainda são alarmantes e os registros de homicídios influenciados pela “LGBTfobia” (intolerância à comunidade LGBT) passam dos milhares desde o século passado.

Um desses casos é o do Tibira do Maranhão, assassinado em 1614 com anuência de religiosos da Igreja Católica em razão de sua orientação sexual e considerado o primeiro crime homofóbico documentado do Brasil. Cometido há mais de 410 anos, a morte de Tibira foi resgatada em 2014 pelo historiador brasileiro Luiz Mott, ao publicar o livreto chamado ‘São Tibira do Maranhão – Índio Gay Mártir’, com o relato da execução do indígena que hoje é reconhecido como símbolo de resistência pela causa gay.

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Com base no documentário Tibira do Maranhão, do canal no Youtube Museu da Transviada, conheça a história do indígena da etnia tupinambá que foi acusado de sodomia por missionários franceses e executado por um tiro de canhão em plena praça pública no Maranhão, o que se tornou o primeira caso registrado de morte por homofobia do Brasil.

Homofobia trazida pela colonização europeia

De acordo com o levantamento feito pela produção, o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo era comum entre os povos tradicionais. Indígenas como os guaicurus, potiguaras, guaranis e tupinambás viviam com múltiplas formas de viver o gênero e o desejo. Um dos exemplos eram as cudinas, indígenas do povo Mbayá-Guaicuru que mesmo nascidos do sexo masculino, se apresentavam e desempenhavam funções sociais femininas em suas comunidades.

Yves d’Évreux (1577-1632), frade capuchinho que integrou expedição francesa ao Brasil Colônia. Foto: Reprodução/ Youtube-Museu da Transviada

Porém, a chegada da colonização europeia no território brasileiro mudou a forma da vivência plural desses povos originários, classificando os indígenas como “pecadores, devassos, falsos, aberrações e desformes de alma”.

Tal forma de organização, segundo o audiovisual, aterrorizava tanto os missionários cristãos quanto a população europeia que começava a ocupar a região do Maranhão, que naquela ocasião se tornara o centro de uma tentativa francesa de colonizar o país, numa disputa entre holandeses e portugueses.

Em 1612, uma expedição com centenas de franceses chegou à ilha onde hoje fica São Luís, capital do Maranhão, e fundou o Forte de São Luís, em homenagem ao rei da França, Luis XIII.

A partir de então, os franceses iniciaram fortalecer as relações com os povos indígenas da região, aprendendo suas línguas, convivendo em comunidades e, ao mesmo tempo, convertendo-os ao cristianismo. Os missionários europeus passaram a batizar os indígenas, atribuindo nomes cristãos, redefinindo os comportamentos certos e errados, iniciando ali uma imposição religiosa, controle e transformação dos modos de vida.

Foi nesse contexto que a história de Tibira aconteceu, através dos escritos de Yves D’Évreux, frade franciscano que estava em posição de liderança na época da colonização. Em sua obra intitulada ‘Viagem ao Norte do Brasil’, ele detalha a captura, julgamento, batismo e o assassinato do indígena, durante sua expedição na região amazônica.

A captura e julgamento de Tibira

De acordo com registros, D’Évreux descreve Tibira de forma bruta: “Um pobre índio, bruto, mais cavalo que homem, fugiu para o mato por ouvir dizer que os franceses o procuravam, e ao seus semelhantes, para matá-los e purificar a terra de suas maldades, por meio do Evangelho e da religião católica”.

Relatos de Yves foram descritos em obra. Foto: Reprodução

Com a ajuda dos indígenas, Tibira foi encontrado, imediatamente amarrado e levado para o Forte de São Luís do Maranhão, “donde deitaram-lhe ferros aos pés; vigiaram-no bem até que chegassem os chefes principais de outras aldeias para assistirem ao seu processo e proferirem sua sentença e sua morte”, como descreve o relato.

O documentário mostra que, após o término do julgamento e a confirmação da sentença de execução, foi oferecido ao condenado a possibilidade de receber o batismo. E, segundo o relato, disseram que apesar de sua má vida passada, caso aceitasse o batismo, sua alma iria diretamente ao céu, no momento que se separasse do corpo. O indígena acreditou e pediu para ser batizado.

Antes do batismo, um outro padre francês, identificado como Louis de Pézieux e conhecido como “tatu-uaçu”, foi até o alojamento franciscano e perguntar ao Yves se o próprio padre iria realizar o batismo. A decisão, no entanto, foi negativa, pois de acordo com D’Évreux, batizar Tibira poderia reforçar entre os indígenas a ideia do que os franciscanos eram figuras misericordiosas e compassivas, capazes de interceder junto as autoridades para salvar condenados da morte e que isso abriria espaço para questionamentos.

Na ocasião, para Yves, preservar a autoridade era mais importante do que qualquer gesto público de compaixão. Decidiu-se, então, que o batismo de Tibira seria realizado pelo próprio Tatu-uaçu, que realizou o ato após brevemente instruí-lo na fé cristã por meio de intérpretes e sem as cerimônias formais da igreja. Segundo os escritos, Tibira recebeu o batismo com tranquilidade e sem demonstrar tristeza, na presença dos principais lideres indígenas de sua etnia.

Após o julgamento, Karawatapirã, um dos líderes indígenas, dirigiu-se a Tibira e, num discurso com elementos da cosmologia indígena com noções cristãs recém-introduzida, teria dito que “como filho de Deus, sua alma seguiria diretamente para o céu, livre da influência do diabo, para viver no céu junto com Tupã” (que significa ‘Deus’ para os povos originários). Acrescentou, ainda, que “caso desejasse, poderia pedir à Tupã para ter os cabelos compridos e o corpo de mulher antes que um corpo de homem, e que lá ficaria ao lado das mulheres”.

Ainda segundo os próprios relatos escritos de D’Évreux, ele demonstrou incômodo com a interpretação errônea da possibilidade de Tibira escolher um corpo de mulher após a ressureição. Para o padre, tratava-se de uma distorção da doutrina cristã, resultado da compreensão imperfeita de um líder indígena que não fora apropriadamente doutrinado na fé católica.

Leia também: Relatório do Cimi aponta que Amazonas é o estado com mais mortes de crianças indígenas no país

Execução de Tibira

Tibira do Maranhão
Tibira. Foto: Reprodução/ Youtube-Museu da Transviada

O diário de Yves relata que Tibira, antes da execução, teria dito: “Vou morrer, não mais vos verei. Já não temo o Diabo, pois agora sou filho de Deus. Não preciso mais levar comigo fogo, farinha, água, nem ferramentas para viagens além das montanhas, onde pensais que dançam nossos antepassados. Dai-me, porém, um pouco de petum, para que eu morra alegremente, com voz e sem medo”.

Petum seria um tipo de cigarro preparado a partir do tabaco, que era tradicionalmente utilizado pelos indígenas durante os rituais ligados à morte. Relatos descrevem que Tibira, de posse do cigarro, manteve-se sereno, cantava e ficou assim até o momento da execução. O condenado fora levado para a muralha do Forte de São Luís, em direção ao mar, onde foi amarrado na boca de um canhão.

Antes disso, porém, fez um pedido: que não lhe amarrasse o braço direito, para que pudesse continuar levando o petum à boca. E entre franceses e lideranças indígenas reunidos, coube a Karawatapirã acender a escorva do canhão. O disparo partiu o corpo de Tibira em duas partes: uma caiu junto à muralha e outra foi lançada ao mar e nunca mais foi encontrada. Segundo relatos, na mão que permaneceu junto à muralha, ainda estava o seu petum.

Após a execução, Yves descreveu Tibira como São Dimas, santo da igreja católica conhecido como o “bom ladrão da tradição cristã, aquele que, ao morrer na cruz ao lado de Cristo, recebe a promessa do paraíso”. Para o padre, a morte de Tibira seria, ao mesmo tempo, punição e salvação.

Significado de Tibira

Na íntegra dos relatos de D’Évreux, Tibira não foi citado com este nome, e sim como indígena. O termo Tibira, ou “Tivira”, deriva de Tevi, uma palavra que faz parte do tronco Tupi, grupo de línguas indígenas da América do Sul, utilizada para se referir ao ânus ou nádegas. Historicamente, a expressão era empregada entre os indígenas para designar indígenas associados a práticas homoafetivas.

Tibira, o primeiro mártir gay indígena das Américas

Monumento em homenagem à Tibira do Maranhão. Foto: Reprodução/Instagram-Symmylarrat_ofc

Leia também: Bar Patrícia, o primeiro reduto LGBTQIAP+ de Manaus nos anos 70

A historia de Tibira ganhou visibilidade a partir dos estudos do antropólogo e historiador brasileiro Luiz Mott. Ao investigar a perseguição aos chamados sodomitas (habitantes da cidade bíblica de Sodoma que passou a designar pessoas que praticaram atos sexuais considerados contrários à moral religiosa), que o pesquisador encontrou os escritos de D’Évreux com o relatos de execução do indígena.

Em 1993, durante uma conferência, Mott utilizou o termo Tibira para se referir ao indígena descrito pelo padre franciscano, passando a ser o nome da figura histórica. A partir de então, Tibira virou o personagem contra a homofobia no Brasil, fato que motivou o pesquisador a propor, em 2014, a canonização do indígena como um santo homossexual, em analogia ao São Dimas, referenciado por D’Évreux após a execução de Tibira. A iniciativa recebeu o apoio da Santa Igreja Celta do Brasil, denominação cristã independente.

No ano de 2016, a praça Marcílio Dias, localizada no centro de São Luís, no Maranhão, ganhou uma lápide do Tibira do Maranhão, numa reparação histórica do personagem. Mais do que um marco histórico, o monumento representa o resgate da memória de uma história que ficou mais de quatro séculos silenciada e que, segundo Mott, volta à tona para reforçar a luta pelo fim da LGBTfobia.

Confira o documentário sobre a história do Tibira do Maranhão, produzida pelo canal Museu da Transviada, no Youtube:

Entenda por que existe a divisão de Alto, Médio e Baixo Solimões e quais municípios do Amazonas pertencem à essas regiões

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Tabatinga é o principal polo do Alto Solimões. Foto: Divulgação/IBGE

Você que mora no Amazonas ou viaja para os municípios do estado, certamente já ouviu sobre as regiões Alto, Médio e Baixo Solimões. Essas divisões são normalmente utilizadas para referências de localização no território amazonense e se baseiam no Rio Solimões, curso d’água que atravessa o estado.

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Embora não constituem a regionalização administrativa oficial, as regiões do Alto, Médio e Baixo Solimões fazem parte da percepção popular e cultural dos amazonenses para fins de localização territorial no estado, composto de 62 municípios e de dimensões continentais. No entanto, tais expressões também são usadas por alguns órgãos, secretarias e instituições para situações de planejamento ou estudo em cidades do interior.

Entenda o que é Alto, Médio e Baixo Solimões e quais municípios pertencem às regiões
Imagem: Reprodução/IBGE

De modo geral, essa divisão funciona agrupando os municípios de acordo com sua posição ao longo do fluxo do rio, desde as áreas de fronteira internacional, associadas ao Alto Amazonas, passando pela região central, conhecida como Médio Amazonas, até as áreas próximas à divisa com o estado do Pará, no Baixo Amazonas.

Essa divisão informal pela localização dos municípios de acordo com o fluxo dos rios também acontece em outros estados da região, como forma de facilitar o entendimento para a população e até mesmo pesquisadores.

Alto Solimões

É a região mais ocidental do Amazonas, que fica próxima às fronteiras com Peru e Colômbia. É considerada a mais estratégica do estado, devido à presença da tríplice fronteira e possui Tabatinga como município-polo. As cidades que fazem parte da região são:

  • Amaturá
  • Atalaia do Norte
  • Benjamin Constant
  • Santo Antônio do Içá
  • São Paulo de Olivença
  • Tabatinga
  • Tonantins

Médio Solimões

É a região que compreende a parte central da calha do Rio Solimões, e tem Tefé como referência e principal polo urbano e de serviços. Os municípios tradicionalmente associados são:

  • Alvarães
  • Coari
  • Fonte Boa
  • Japurá
  • Jutaí
  • Maraã
  • Tefé
  • Uarini
Vista áerea de Tefé, principal polo urbano e de serviços do Médio Solimões. Foto: Newton Marcos Leone Porto/Catalinas no Brasil

Baixo Solimões

É a área mais próxima da capital do Amazonas, Manaus, e da confluência dos rios Solimões e Negro. É uma região fortemente integrada à capital, principalmente por transporte fluvial, comércio, agricultura e abastecimento. Tem Manacapuru como principal polo.

  • Anamã
  • Anori
  • Caapiranga
  • Careiro
  • Careiro da Várzea
  • Codajás
  • Iranduba
  • Manacapuru
  • Manaquiri
No Baixo Solimões, Manacapuru é considerado o município polo da região. Foto: Divulgação/Ministério Público do Estado do Amazonas – MPAM

Qual a divisão oficial do Estado?

De acordo com o governo estadual, a regionalização territorial do Amazonas adota um modelo de nove sub-regiões, definidas pelas características socioeconômicas e logísticas das calhas do rios amazônicos.

Fonte: Sedecti

As calhas são subdivisões das bacias hidrográficas compostas por um rio principal e seus afluentes. São elas:

  • Calha do Alto Rio Negro
  • Calha do Juruá
  • Calha do Purus
  • Calha do Alto Solimões
  • Calha do Madeira
  • Calha dos rios Negro e Solimões
  • Calha do Baixo Amazonas
  • Calha do Médio Amazonas
  • Calha do Triângulo

Leia também: Portal Amazônia responde: o que e quais são as calhas dos rios do Amazonas?

Em nota, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), explicou que a divisão adotada atende à critérios mais específicos e as particularidades de cada região de acordo com os 62 municípios amazonenses.

“Essa estrutura permite considerar, de forma mais específica, as características socioeconômicas e logísticas de cada calha de rio, evitando que suas particularidades fiquem diluídas dentro de uma classificação mais ampla. Enquanto a população e muitos estudos utilizam a divisão tradicional em três grandes regiões fluviais para fins de localização e referência territorial, a gestão pública trabalha com uma regionalização mais detalhada, voltada a assegurar que o planejamento e a alocação de recursos atendam de forma mais precisa às necessidades de cada região do estado”, explicou a secretaria.

Portal Amazônia responde: o veranico também afeta a Amazônia?

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

O Brasil encara um período, de 12 a 19 de agosto, com temperaturas acima da média em algumas cidades das cinco regiões do país. É o chamado veranico, fenômeno meteorológico caracterizado pelo calor anormal e tempo seco durante o outono ou inverno, dependendo da região. Embora não muito conhecido, o conceito foi sistematizado nos anos 1950 e é utilizado até hoje por meteorologistas do país para definir o “verão pequeno” ou verão fora de época, significado dado à origem do nome.

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O veranico de agosto, segundo especialistas, é o terceiro que acontece no Brasil em 2026 e promete ser o mais longo e abrangente do ano, afetando estados de todas as regiões brasileiras. No entanto, para Leonardo Vergasta, meteorologista do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o veranico terá uma atuação diferente na Amazônia em relação às outras partes do país.

“O veranico, no sentido técnico do termo, não se aplica bem à Amazônia neste momento do ano. Isso porque o conceito pressupõe uma anomalia, calor fora de época, dentro de uma estação que normalmente seria chuvosa. Só que, para a região amazônica, o período de junho a novembro é justamente a estação seca esperada, que a população daqui chama popularmente de “verão amazônico” e que tecnicamente chamamos de estiagem. Ou seja: calor e redução de chuvas agora não são, por si só, uma anomalia, são o comportamento climatológico normal da época”, frisa o especialista.

Veranico é o fenômeno meteorológico caracterizado pelo calor anormal e tempo seco num curto período de tempo.
Veranico é o fenômeno meteorológico caracterizado pelo calor anormal e tempo seco num curto período de tempo.

Vergasta explica que as características do veranico são diferentes de outros fenômenos como, por exemplo, as ondas de calor.

“O veranico tem critérios clássicos: duração mínima de cerca de 4 a 5 dias consecutivos, temperaturas máximas elevadas para o padrão da estação, céu limpo ou pouca nebulosidade, ventos fracos e baixa umidade relativa do ar. Um detalhe que costuma passar despercebido: diferente de uma onda de calor, o veranico normalmente não sustenta temperaturas altas durante a madrugada, as noites seguem frias, e o calor se concentra nas tardes”, explica o meteorologista.

Veranico tem relação com El Niño e La Niña?

Leonardo detalha que a relação entre os fenômenos climáticos El Niño, La Niña e veranico:

“El Niño e La Niña são padrões climáticos de grande escala, ligados ao aquecimento ou resfriamento das águas do oceano Pacífico, que se desenvolvem ao longo de meses e influenciam o clima em boa parte do planeta. Não são apenas um episódio de calor ou frio, apenas funcionam mais como um “terreno favorável” que pode deixar as condições mais propícias para calor e seca ou chuvas em excesso e cheias acontecerem. Então, em resumo, El Niño/La Niña são fenômenos de naturezas e escalas climáticas bem diferentes”, pontua Vergasta.

Leia também: Portal Amazônia responde: como El Niño e La Niña afetam a região amazônica?

Porque o nome veranico?

Por fim, o meteorologista explicou o que significa o termo veranico: “O nome vem de ‘verão pequeno’ ou ‘verão fora de época’, porque reproduz, em miniatura e no momento errado do calendário, as condições típicas do verão: calor, sol forte e tempo seco. É por isso que também se fala em ‘veranito’ ou ‘veranillo’ em países de língua espanhola, ‘Indian Summer’ nos países de língua inglesa, ‘Verão de São Martinho’ em Portugal, Espanha e Itália. Todos descrevem, essencialmente, a mesma ideia: um retorno breve e fora de hora do calor de verão”, finalizou.

#Série – Isso é Patrimônio Mundial: Suriname

Foto: Jorel Carter/Portal Amazônia

Considerado o menor país independente da América do Sul, o Suriname também está presente na Lista de Patrimônios Mundiais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Situada na fronteira entre Guiana, Brasil e Guiana Francesa, a nação conta com três patrimônios reconhecidos pela Unesco, todos eles pertencentes à Amazônia internacional: a Reserva Natural do Suriname Central, o Centro Histórico de Paramaribo e o Sítio Arqueológico de Jodensavanne.

Os locais foram reconhecidos pela Unesco por representarem bens culturais e naturais considerados de Valor Universal Excepcional, ou seja, locais cuja importância ultrapassa as fronteiras de um país e pertence à humanidade como um todo. Além disso, tal reconhecimentos reforçam o papel da Amazônia como um território de valor inestimável, cuja conservação é fundamental não apenas para o Brasil, mas para todo o planeta.

Adotada pela Unesco em 1972, a convenção do Patrimônio Mundial e Natural classifica os patrimônios culturais e naturais através de monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico, de conservação ou estético excepcional e universal.

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Patrimônios mundiais na Amazônia

Reserva Natural Suriname Central

Reserva Natural do Suriname Central - Patrimônio
Reserva Natural do Suriname Central. Foto: Reprodução/Unesco

Localizada no centro-oeste do Suriname, a Reserva Natural do Suriname Central é a maior área ambiental protegida do país, com aproximadamente 1,6 milhão de hectares de floresta tropical com cobertura vegetal preservada. O local abriga uma diversidade de fauna e flora amazônicas que inclui a onça-pintada, o tatu-canastra, a ariranha-gigante, a anta, a preguiça, espécies de primatas e cerca de 400 espécies de aves, como gavião-real, galo-da-Guiana e arara-vermelha.

Saiba mais: #Série – Isso é Patrimônio Mundial: Brasil 

Criada em 1998, o local tinha o objetivo inicial de unir três reservas pré-existentes: Raleigh Vallen, Eilerts de Haan e Tafelberg, florestas que carregavam um alta diversidade de vida vegetal e compostas de áreas pantanosas. Até hoje, a Reserva Natural do Suriname Central protege montanhas, rios, cachoeiras e ecossistemas pouco alterados pela ação humana, porém, é possível perceber comunidades quilombolas nas proximidades, sendo a maior parte descendente de escravos e indígenas. 

No ano de 2000, a Reserva Natural do Suriname Central foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco.

Centro histórico de Paramaribo 

Centro Histórico de Paramaribo. Foto: Reprodução/Ron Van Oers-Unesco

Capital do Suriname, Paramaribo fica localizada às margens da costa norte da América do Sul e a mais antiga cidade colonial holandesa datada dos séculos XVII e XVIII. O Centro Histórico de Paramaribo carrega uma fusão arquitetônica que mistura a cultura do povo holandês, com edificações de madeira que formam simetria, e influências europeias e americanas, o que acabou refletindo na sociedade multicultural da cidade.

Saiba mais: #Série – Isso é Patrimônio Mundial: Equador

A maioria das construções mais importantes para a paisagem urbana foram feitas entre 1667 e 1885. Dentre as construções históricas estão o Forte Zeelandia (1667) e o Garden of Palms, com ruas arborizadas e espaços abertos. Além disso, tem também o Palácio Presidencial (1730), construído em pedra e madeira. A cidade também conta com o Ministério da Fazenda, construído em 1841, uma monumental estrutura de tijolos com pórtico clássico e torre do relógio, a Igreja Reformada (1837) em estilo neoclássico e o Gótico Revival Católico Romano Catedral (1885) em madeira.

Por ser um dos maiores exemplos de cidade colonial preservada no Caribe e no norte do continente sul-americano, o Centro Histórico de Paramaribo foi reconhecido em 2002 como Patrimônio Mundial da Unesco.

Sítio Arqueológico de Jodensavanne: Assentamento de Jodensavanne e Cemitério Cassipora Creek

Ruína da fachada oeste da Sinagoga Beraha VeSalom. Foto: Reprodução Unesco/S.A. Fokké-Jodensavanne Foundation

Último patrimônio mundial do país reconhecido pela Unesco, o Sítio Arqueológico de Jodensavanne, no norte do Suriname, é uma propriedade com duas partes que ilustram as primeiras tentativas de colonização judaica no Mundo Atlântico. O Assentamento Jodensavanne, fundado na década de 1680, inclui as ruínas do que se acredita ser a sinagoga arquitetônica mais antiga das Américas, além de cemitérios e fundações de edifícios de tijolos, áreas de desembarque para barcos e um posto militar.

Saiba mais: #Série – Isso é Patrimônio Mundial: Venezuela

Já o Cemitério Cassipora Creek é um assentamento mais antigo fundado na década de 1650, que deixou de existir há três décadas após seus habitantes migrarem dois quilômetros rio abaixo para Jodensavanne. Essas primeiras colônias judaicas não estavam situadas em ambientes urbanos existentes e eram mais longas do que muitas outras. Localizados em meio a território indígena, tais assentamentos eram habitados, possuídos e governados por judeus que viviam ali junto com pessoas livres e escravizadas de descendência africana e indígena.

Sepulturas preservadas em Beth Haim Jodensavanne. Foto: Reprodução Unesco/S.A. Fokké-Jodensavanne Foundation

Devido a sua importância em preservar os vestígios da comunidade judaica fundada por refugiados da Inquisição Ibérica, a Unesco reconheceu em 2023 o Sítio Arqueológico de Jodensavanne na categoria Cultural.

Brasil pode liderar transição verde e gerar empregos e crescimento econômico no país, aponta estudo

Evento de lançamento do estudo sobre transição verde do Brasil contou com a participação de diversos especialistas, brasileiros e internacionais. Foto: Reprodução/Instituto Clima e a Sociedade

O Instituto Clima e a Sociedade (iCS), em parceria com a London School of Economics (LSE), lançaram o estudo “Brazil’s Investment-led Growth in the Ecological Transition”, que coloca o país como a principal referência na América Latina para liderar a transição verde, que é a mudança global rumo a energia de baixo carbono.

O relatório aponta os pontos fortes naturais e industriais da maior economia do continente sul-americano para impulsionar o crescimento econômico, criar empregos e expandir a inclusão social. De acordo com Maria Netto, diretora executiva do iCS, o intuito do documento é incentivar o país a utilizar suas vantagens para a transição verde.

“O relatório não propõe um afastamento da conservação, nem um modelo tradicional de industrialização pesada. Propõe que o Brasil faça melhor uso das vantagens que já possui: um sistema de energia elétrica em grande parte renovável, capacidade agrícola de classe mundial, experiência com biocombustíveis, potencial de restauração, capital natural e capacidades industriais relevantes”, explica Maria.

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Netto reforça que a proposta do estudo é mostrar que o Brasil possui todas as garantias para se tornar a principal liderança da transição verde.

“O Brasil pode oferecer segurança ao mundo em três áreas-chave: energia limpa, em larga escala e com previsibilidade, além de biocombustíveis sustentáveis para o transporte global; minerais críticos obtidos com responsabilidade social e ambiental; e segurança alimentar inovadora. Essas soluções apresentadas no estudo garantem resiliência nas cadeias produtivas, estabilidade de preços e mitigação dos riscos de conflitos associados aos recursos naturais”, completa Maria.

Evento reuniu diversas autoridades brasileiras e internacionais especialistas no tema. Foto: Reprodução/Instituto Clima e a Sociedade

Sobre o estudo da transição verde

Os especialistas autores do estudo são Luiz Awazu Pereira da Silva, professor visitante no Centre for Economic Transition Expertise (CETeX) da LSE e autor principal; Jorge Arbache, professor de Economia da Universidade de Brasília e senior fellow do iCS; Rodrigo C. A. Lima, sócio-diretor da Agroicone; Fernanda Gimenes, pesquisadora sênior líder em Mobilização de Capital Privado no Centre for Economic Transition Expertise (CETeX) da LSE; e Manoel de Castro Pires, pesquisador sênior do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE).

Os autores enfatizam ainda que o sucesso depende de fatores importantes: “para concretizar essas oportunidades, será necessário resolver gargalos de infraestrutura, reduzir riscos de investimento, fortalecer a capacidade de implementação, melhorar a segurança jurídica e dar continuidade aos esforços para combater o desmatamento ilegal”.

Luiz Awazu Pereira da Silva afirmou que as mudanças climáticas, a transformação tecnológica e a fragmentação geopolítica estão remodelando os padrões globais de investimento. “A questão é se o Brasil conseguirá converter suas vantagens estruturais em investimentos sustentáveis, crescimento da produtividade e desenvolvimento econômico”, avalia.

Para Jorge Arbache, o modelo da produção está mudando. “O mundo está saindo de uma era em que a energia era transportada para a indústria para uma em que a indústria buscará cada vez mais a energia limpa. Essa mudança pode redefinir as cadeias de valor globais nas próximas décadas.”

Fernanda Gimenes lembrou que, com muita frequência, as discussões sobre a transição ecológica se concentram nas lacunas de financiamento. “Esse artigo defende que, para países como o Brasil, a transição também deve ser entendida como uma oportunidade de investimento. O desafio é criar as condições que permitam que o capital nacional e internacional invista em grande escala nos setores que moldarão a economia global do futuro”.

Leia também: Caminhos sustentáveis: como a infraestrutura verde impulsiona a bioeconomia na região amazônica

Investimento e crescimento

O investimento global na transição climática ultrapassou US$ 4 trilhões em 2024 e deve crescer acentuadamente na próxima década. Estima-se que um montante entre US$ 600 bilhões e US$ 800 bilhões seja direcionado anualmente para setores nos quais o Brasil já possui forte potencial competitivo, incluindo aço verde, combustíveis sustentáveis, fertilizantes de baixo carbono, energia renovável, materiais industriais, agricultura regenerativa e produtos de base biológica. O estudo estima que captar mesmo uma parcela modesta do investimento global em transição poderia elevar o crescimento anual do PIB brasileiro em cerca de 1 a 1,5 ponto percentual, além de impulsionar as exportações, aumentar a arrecadação fiscal e ampliar a geração de empregos formais.

Mais do que apenas um fornecedor de commodities agrícolas ou minerais de margens mais baixas, o Brasil é hoje capaz de oferecer soluções estruturais para desafios globais, argumentam os autores do relatório. Esse debate envolve temas como a expansão de fertilizantes verdes e biofertilizantes; a reorganização industrial baseada em energia limpa; o fortalecimento de cadeias de valor mais resilientes; a cooperação entre países do Sul Global; e o avanço do Powershoring — um modelo no qual as indústrias se aproximam de regiões capazes de oferecer energia renovável, estabilidade e menor intensidade de carbono; entre outros.

“O Brasil tem uma oportunidade histórica de alinhar crescimento econômico, liderança climática e progresso social”, conclui o relatório. “A transição ecológica pode se tornar uma plataforma para a reindustrialização e para um novo ciclo de desenvolvimento inclusivo.”

O evento de lançamento do estudo foi transmitido no canal de Youtube do iCS e contou com a participação de diversos especialistas, brasileiros e internacionais, para discutir sobre o crescimento do Brasil e investimento na transição ecológica.

*Com informações do Instituto Clima e a Sociedade.

#Série – Isso é Patrimônio Mundial: Venezuela

Foto: Jorel Carter/Portal Amazônia

Na continuação da série Isso é Patrimônio Mundial, que lista os bens culturais e naturais localizados na Amazônia, a Venezuela, país da América do Sul e que compõe a Amazônia Internacional, possui três patrimônios mundiais reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). No entanto, apenas um fica localizado na região amazônica: o Parque Nacional de Canaima.

Reconhecido como bem natural em 1994, o local recebeu o aval da Unesco por seu Valor Universal Excepcional e sua importância para o planeta. Tal reconhecimento reforça o papel da Amazônia como um território inestimável, cuja conservação é fundamental não apenas para o Brasil, mas para todo o planeta.

Adotada pela Unesco em 1972, a convenção do Patrimônio Mundial e Natural classifica os patrimônios culturais e naturais através de monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico, de conservação ou estético excepcional e universal.

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Patrimônios mundiais na Amazônia

Parque Nacional Canaima

Parque Nacional Canaina- Patrimônio Mundial Venezuela

Localizado no estado de Bolívar, no sudeste da Venezuela quase na fronteira com o Brasil e a Guiana, o Parque Nacional Canaima é um dos maiores parques naturais do mundo, com mais de 30 mil quilômetros quadrados e uma rica biodiversidade que coloca o local como um dos mais importantes do planeta. É ali que se encontra a mais conhecida queda de água natura, o Salto Ángel (Angel Falls), com 979 metros de altura e vista como a cachoeira mais alta do mundo.

Auyan-tepui, localizado no Parque Nacional Canaima. Foto: Reprodução/ Blog Michele Christine

O parque abriga os famosos tepuis, que são um tipo de ‘montanhas tipo mesa ou meseta’ com paredes verticais e cume geralmente plano. Mais de 65% da área do Parque Nacional Canaima são ocupadas pelos tepuis, responsáveis por construir uma entidade biogeológica única. O local também outras áreas renomadas como o La Gran Sabana, formada por grandes planícies, rios, cachoeiras e diversos elementos da natureza.

Além de proteger ecossistemas únicos, o Parque Nacional Canaima é território ancestral do povo indígena Pémon, povo que habita a região da Gran Sabana, na Venezuela.

Leia também: A maior cachoeira do mundo fica na Amazônia internacional: Salto Ángel

Outros patrimônios mundiais na Venezuela

Coro e Seu Porto

Uma das primeiras cidades construídas durante a colonização espanhola da América do Sul, em 1527, Coro preserva um importante conjunto de arquitetura colonial construídas com técnicas tradicionais de terra, adobe e taipa, historicamente usadas por espanhóis e holandeses. Seu porto, o ‘La Vera de Coro’ chegou a desempenhar um papel estratégico nas rotas comerciais do Caribe.

Reconhecida como bem cultural pela Unesco em 1993, Coro foi a primeira capital da Capitania Geral da Venezuela e chegou a abrigar o primeiro bispado da América Continental estabelecido em 1531. Desde 2005, o Parque Nacional Canaima integra a Lista do Patrimônio Mundial em Perigo, devido à deteriorização causada por chuvas intensas, problemas de conservação e expansão urbana.

Cidade Universitária de Caracas

Localizada em Caracas, capital da Venezuela, América do Sul, o campus principal da Universidad Central de Venezuela foi estabelecido no período colonial por Simón Bolívar. Com uma área de 164 mil hectares, o local inclui obras-primas da arquitetura e da arte moderna construídas segundo o projeto do arquiteto Carlos Raúl Villanueva, entre 1940 e 1960.

A Universidade integra um grande número de edifícios, arte e natureza em um conjunto claramente articulado, onde as formas de arte se tornam parte essencial do local habitado. Tais estruturas expressam o espírito e o desenvolvimento tecnológico de sua época no uso do concreto armado como, por exemplo, a Aula Magna com as ‘Nuvens’ de Alexander Calder, o Estádio Olímpico e a Praça Coberta. O complexo constitui uma interpretação moderna dos conceitos e tradições urbanas e arquitetônicas, incorporando pátios e janelas em treliça como uma solução adequada para seu ambiente tropical.

Reconhecida em 2000, a Ciudad Universitária de Caracas é um exemplo notável do Movimento Moderno na arquitetura e é até hoje considerada uma das maiores obras do século XX.

Entenda o significado das siglas dos principais aeroportos da Amazônia Legal

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Sigla de três letras fazem parte da identificação do sistema global da aviação, padronizada pela IATA. Foto: Imagem criada por IA

Quem viaja de avião, é comum se deparar com três letrinhas estampadas em etiquetas de bagagem, cartões de embarque e até em letreiros nos aeroportos. Tais siglas fazem parte de um sistema criado pela IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), entidade que padronizou a identificação global dos aeroportos em todo o mundo.

A utilização desses códigos permite que companhias aéreas, passageiros, pilotos e controladores do tráfego aéreo possam identificar de forma precisa e eficiente sobre seus destinos, origem e escalas de voo em todo o planeta. As siglas geralmente têm relação direta com o nome ou referência da cidade, enquanto que outras foram criadas aleatoriamente para evitar duplicações.

Entenda como surgiu a origem dessa identificação que revolucionou a comunicação do sistema global de aviação.

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A origem dos códigos

Após a Segunda Guerra Mundial, a indústria da aviação comercial começou a crescer e os governos perceberam a necessidade de criar uma padronização para garantir a compatibilidade das operações aéreas no âmbito nacional e internacional. Assim, foram criadas duas grandes organização para dar conta desta demanda operacional da aviação: a Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) e a Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO).

Indústria da aviação civil expandiu na década de 1940 e motivou a criação de organizações para padronizar a identificação de aeroportos. Foto: Reprodução/Melhores Destinos

Cada entidade ficou responsável por criar a sua própria sigla obrigatória na aviação civil. Fundada em 1940 por um grupo de companhias aéreas, a IATA teve como principal responsabilidade identificar os aeroportos pelo mundo, por meio de uma sigla com três letras, enquanto que os códigos ICAO, compostos de quatro letras, são mais técnicos e voltados para documentos de planos de voo.

No caso da IATA, as siglas seguem uma lógica de criação mais fácil e voltada para os passageiros e geralmente se baseiam nas primeiras letras da cidade ou nas iniciais do nome do aeroporto. Já no sistema ICAO, as letras são definidas com base na localização geográfica dos aeroportos, em que a primeira letra representa o continente de origem, a segunda designa o país e as duas últimas representam o nome do aeroporto.

Exemplificando, o Aeroporto Internacional de Rio Branco, no Acre, é identificado pelo sistema IATA pelo código RBR, em referência às iniciais da capital acreana. Já no identificador ICAO, o aeroporto recebe a identificação SBRB, onde S indica América do Sul, B se refere ao Brasil e RB remete especificamente às iniciais do nome do aeródromo.

Leia também: Veja quais são as orientações para levar insumos da Amazônia para outros estados ou países em viagens de avião

Como as siglas são criadas?

Com mais de 17 mil códigos criados, a elaboração das siglas IATA segue três principais critérios que definem as lógicas de criação dessas siglas. A primeira delas é a abreviação direta do nome da cidade ou aeroporto com as três primeiras letras, como é o caso do Aeroporto Internacional Val-de-Cans, em Belém-PA, identificado como BEL.

IATA é a organização responsável por padronizar a identificação dos aeroportos em todo o mundo, por meio de siglas
Associação Internacional do Transporte Aéreo teve como principal responsabilidade identificar os aeroportos pelo mundo. Foto: Reprodução/Itaérea

Em caso de códigos já utilizados, a sigla então recebe alguns ajustes para adaptações fonéticas ou heranças históricas relacionadas ao local. Em São Luís, no Maranhão, o Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado recebe a abreviação SLZ, sendo SL relacionado às iniciais da capital e Z para diferenciar de outros aeroportos com letras semelhantes. Já em Manaus, o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes é identificado pela sigla MAO, que é uma abreviação histórica de Manaós, como era conhecida a capital amazonense antigamente.

Por último, a IATA atribui combinações livres e aleatórias apenas para evitar repetição de códigos em outras cidades do mundo como, por exemplo, o Aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues, em Palmas-TO, que não possui relação direta com as iniciais da cidade ou do aeroporto.

Conheça as siglas dos aeroportos da Amazônia Legal

Agora que você já sabe a origem e criação das siglas, o Portal Amazônia lista os códigos dos principais aeroportos dos nove estados que compõem a Amazônia Legal.

Processo de vazante dos rios amazônicos seguem regular, aponta SGB

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O 30º Boletim de Monitoramento Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indica que a Bacia do Rio Amazonas segue em processo regular de vazante. O documento, divulgado na última terça-feira, 28, registrou que os níveis na maioria das estações estão dentro da faixa de normalidade para o período.

Segundo o boletim, em Manaus, o rio Negro registrou descida de 30 cm na última semana e alcançou a cota de 27,60 metros. Já o rio Solimões, no município de Tabatinga (AM), marcou redução de 42 cm, na última semana, e alcançou a cota de 6,45 m. Em Manacapuru, o rio desceu 27 cm e registrou 18,37 m.

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Rio negro em processo de vazante regular
Rio Negro segue em processo de vazante regular em Manaus. Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Na bacia do rio Purus, a estação de Beruri (AM) registrou redução de 31 cm ao longo da semana, acompanhando a vazante do rio Solimões A cota observada e indicada no boletim foi de 19,58 m. O rio Madeira também segue em processo de vazante, no entanto, houve elevação temporária na estação de Porto Velho (RO) em resposta às chuvas ocorridas na parte alta da bacia. A cota registrada foi de 7,32 m.

No rio Amazonas, em Careiro (AM) ocorreu redução de 28 cm, enquanto em Itacoatiara (AM) a descida foi de 26 cm. As cotas observadas foram 15,27 m e 12,88 m, provavelmente.

Leia também: Portal Amazônia responde: como funcionam os processos de enchente e vazante dos rios?

Vazante fora da normalidade no Rio Branco

De acordo com o monitoramento do SGB, apenas rio Branco registra níveis abaixo da faixa de normalidade para a época do ano, mantendo a intensificação da recessão observada nas últimas semanas. Em Boa Vista (RR), o rio Branco registrou a cota de 2,23 m, após redução de 52 cm na última semana. Enquanto em Caracaraí (RR), a descida foi de 72 cm e a cota registrada foi 3,23 m.

Os dados hidrológicos são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), de responsabilidade da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), operada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e demais parceiros. As previsões apresentadas são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas inerentes aos mesmos.

Dados em tempo real e mapas de risco estão disponíveis no Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE).

*Com informações do Serviço Geológico do Brasil.

Portal Amazônia responde: o que é o Super El Niño?

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Projeções indicam que Super El Niño 2026 pode ser o mais intenso dos últimos 150 anos. Fonte: CPTEC/INPE

O El Niño é um fenômeno climático que causa o aquecimento acentuado das águas do Oceano Pacífico e que aumenta o risco de ondas de calor, tempestades e secas extremas. No entanto, as previsões para 2026 indicam a probabilidade do evento natural atingir uma intensidade muito forte entre o fim do ano e o início de 2027, o que os cientistas e alguns órgãos vêm tratando a eventual ocorrência de ‘Super El Niño‘.

Apesar de não ter uma confirmação sobre a intensidade máxima, o risco de formação do ‘Super El Niño’ tem preocupado especialistas, comunidade acadêmica e autoridades sobre os impactos do evento extremo nas cidades, estados ou países. Isso porque o aquecimento extremo e anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical altera padrões dos ventos e chuvas em escala global e produz efeitos opostos em diferentes regiões do planeta.

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O que seria o ‘Super El Niño’?

Um Super El Niño ocorre quando a anomalia de temperatura da superfície do mar ultrapassa +2°C em relação à média histórica. Nos últimos 150 anos, isso aconteceu apenas 4 vezes: 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16. De acordo com simulações analisadas por pesquisadores da Berkeley Earth e divulgadas pela revista científica New Scientist, existe cerca de 90% de probabilidade de que o evento previsto para 2026 seja o mais intenso já registrado.

As projeções divulgadas pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOOA) sinalizam 82% de probabilidade para a formação do Super El Niño entre maio e julho e 96% de chance de que o fenômeno se mantenha entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. Os modelos indicam que a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical poderá atingir 3,6°C acima da média, superando o recorde de 2,75°C observado durante o forte El Niño de 2015/2016.

O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Foto: NOAA

Caso se consolide, o Super El Niño 2026 reforçará a intensificação do aquecimento global e das mudanças climáticas do planeta das últimas décadas, além de um alerta preocupante sobre o curto intervalo de tempo entre os fenômenos climáticos. O El Niño de 2023/2024 não chegou a ser considerado ‘Super’ e sim como “Forte”, tendo em vista que o Brasil enfrentou sua maior seca com mais de 4,7 mil municípios, incêndios de grandes proporções na Amazônia e Pantanal e calor extremo.

Leia também: Entenda as previsões para o Super El Niño em 2026, que promete ser o mais intenso da década

Importante destacar que a expressão Super El Niño é informal e não faz parte das classificações adotadas por órgãos oficiais como a Organização Meteorológica Mundial (OMM). No entanto, o termo tem sido comumente utilizado para reforçar o risco da fase mais acentuada desse fenômeno climático.

Prováveis efeitos do Super El Niño no Brasil

Com base nas análises do Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN) divulgadas em 19 de maio, os padrões esperados para o próximo ciclo seguem o comportamento histórico dos Super El Niños anteriores. Os efeitos variam conforme a região:

Super El Niño
Impactos do fenômeno El Niño na América do Sul para os períodos de verão (dezembro a fevereiro) e inverno (junho a agosto) Fonte: BTR1/CPTEC/INPE

Região Norte (incluindo a Amazônia):

  • redução das chuvas;
  • seca mais intensa;
  • rios com níveis mais baixos;
  • aumento do risco de queimadas e incêndios florestais;
  • temperaturas acima da média.

Região Nordeste:

  • maior risco de estiagem, principalmente no interior.

Centro-Oeste:

  • calor intenso;
  • baixa umidade do ar;
  • atraso no início das chuvas em algumas áreas.

Sul:

  • aumento da frequência de chuvas intensas;
  • maior risco de enchentes e deslizamentos.

E para os estados amazônicos?

Se o Super El Niño 2026 se consolidar, os impactos podem incluir:

  • nova seca severa nos rios amazônicos;
  • dificuldades na navegação e no abastecimento de comunidades ribeirinhas;
  • aumento expressivo dos focos de incêndio;
  • prejuízos à pesca, agricultura e geração de energia em algumas localidades;
  • piora da qualidade do ar em razão da fumaça das queimadas.

Embora as projeções indiquem a possibilidade do Super El Niño, órgãos como INPE, INMET, Cemaden e NOAA ressaltam que ainda é cedo para afirmar que o evento alcançará intensidade extrema. No entanto, apesar da ocorrência ser considerada muito provável, a força exata dependerá da evolução das temperaturas do Pacífico nos próximos meses.

Veja quais são as orientações para levar insumos da Amazônia para outros estados ou países em viagens de avião

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Tradicionais da culinária amazônica, alimentos como cupuaçu, farinha e demais itens podem ser transportados de avião para outros estados. Imagem criada por IA

Quem é amazônida “da gema” e precisa mudar de estado ou país, sabe que deixar a gastronomia regional é um dos maiores desafios. Do famoso x-caboquinho até a popular frase “comeu jaraqui, não sai mais daqui”, a culinária amazonense tem um sabor tão marcante e única que muitos nortistas espalhados pelo Brasil e mundo afora recorrem a visitas de amigos ou familiares para matar a saudade de alguma fruta, bebida ou iguaria tradicional do região.

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Para amenizar a saudade, muitos viajantes de avião levam insumos da culinária amazônica em suas bagagens de mão ou despachadas para outros destinos nacionais ou internacionais, a fim de atender o pedido de quem está longe da Amazônia e sente aquela vontade de comer algo típico.

No entanto, existem algumas regras para o transporte correto de gêneros alimentícios nas viagens aéreas, tanto dentro do território brasileiro ou fora dele. O Portal Amazônia reuniu alguns pontos importantes sobre como funciona a permissão acerca do transporte de alimentos na bagagem em viagens de avião, seguindo as diretrizes tanto das companhias aéreas quanto da Agência Nacional de Aviação Civil(ANAC). Confira:

É permitido transportar alimentos no avião?

De forma geral, é permitido levar itens alimentícios nas viagens de avião, mas existem algumas regras que precisam ser respeitadas e dependem do local de destino e o tipo de alimento. De acordo com a ANAC, mesmo autorizado, as normas podem variar de acordo com as diretrizes da companhia aérea responsável, no caso de viagens domésticas, ou pelas exigências sanitárias determinadas pelas autoridades competentes nos países, em situações de deslocamentos internacionais.

O órgão recomenda que o passageiro sempre verifique junto à empresa aérea sobre a existência de alguma restrição específica sobre um determinado item alimentício no avião ou com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é o órgão responsável pela fiscalização e proteção da saúde pública nacional em voos para o exterior.

A ANAC é o órgão federal responsável por regular e fiscalizar a aviação civil no Brasil. Foto: Reprodução/Anac

Em casos de voos internacionais, a Anac orienta que os passageiros se atentem às regras alfandegárias e as condições estabelecidas pelo país de destino, e entre em contato com as autoridades sanitárias por meio de consulados. Algumas nações, por exemplo, podem confiscar alimentos não declarados ou proibidos em seus territórios antes do desembarque no avião.

“Algumas empresas aéreas são mais restritivas que a regulamentação vigente e podem optar por não permitir o embarque de determinados itens. A decisão final sobre a possibilidade de determinado item ser transportado é da empresa aérea ou do agente de proteção da aviação civil que atua no aeroporto e que está em contato direto com o objeto”, afirmou a ANAC em nota ao Portal Amazônia.

Em seu site, a Anac também disponibiliza uma lista exemplificativa de artigos que podem e não podem ser transportados em bagagem despachada.

Leia também: 6 pratos icônicos para se apaixonar pela culinária do Amazonas

O que dizem as companhias aéreas

avião da azul
Companhia aérea brasileira Azul permite transporte de alimentos em voos nacionais. Foto: Reprodução/Azul

Azul, Gol e Latam são as três principais companhias aéreas do Brasil, que dominam praticamente 95% de toda a demanda de voos domésticos no país.

A Azul permite o transporte de itens alimentícios na bagagem de mão, tanto para consumo durante o voo quanto para destinos nacionais.

Já a Gol informa que todos os produtos perecíveis e alimentos em geral precisam ser acomodados em embalagens à prova de vazamentos, abertura acidental ou mau cheiro. No caso de pescados como peixes, crustáceos e demais frutos do mar, a empresa orienta que as embalagens devem ser colocadas dentro de caixas de isopor revestidas interna e externamente com saco plástico resistente.

No caso da Latam, o transporte de alimentos é permitido tanto na bagagem pessoal quanto na despachada, no entanto, no último caso, os itens devem estar armazenados em embalagens herméticas, aquelas que possuem sistema de fechamento totalmente vedado e que impede a entrada ou saída de ar ou derramamento de líquidos.

Por tanto, vale ressaltar que o viajante deve verificar as condições de cada empresa aérea bem como o destino, para conseguir se preparar da forma correta para levar seus itens alimentícios, como o açaí, a farinha uarini, o tucumã ou até mesmo mesmo peixes como o tambaqui (e não deixar a saudade de casa aumentar).