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#Série – Isso é Patrimônio Mundial: Suriname

Foto: Jorel Carter/Portal Amazônia

Considerado o menor país independente da América do Sul, o Suriname também está presente na Lista de Patrimônios Mundiais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Situada na fronteira entre Guiana, Brasil e Guiana Francesa, a nação conta com três patrimônios reconhecidos pela Unesco, todos eles pertencentes à Amazônia internacional: a Reserva Natural do Suriname Central, o Centro Histórico de Paramaribo e o Sítio Arqueológico de Jodensavanne.

Os locais foram reconhecidos pela Unesco por representarem bens culturais e naturais considerados de Valor Universal Excepcional, ou seja, locais cuja importância ultrapassa as fronteiras de um país e pertence à humanidade como um todo. Além disso, tal reconhecimentos reforçam o papel da Amazônia como um território de valor inestimável, cuja conservação é fundamental não apenas para o Brasil, mas para todo o planeta.

Adotada pela Unesco em 1972, a convenção do Patrimônio Mundial e Natural classifica os patrimônios culturais e naturais através de monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico, de conservação ou estético excepcional e universal.

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Patrimônios mundiais na Amazônia

Reserva Natural Suriname Central

Reserva Natural do Suriname Central - Patrimônio
Reserva Natural do Suriname Central. Foto: Reprodução/Unesco

Localizada no centro-oeste do Suriname, a Reserva Natural do Suriname Central é a maior área ambiental protegida do país, com aproximadamente 1,6 milhão de hectares de floresta tropical com cobertura vegetal preservada. O local abriga uma diversidade de fauna e flora amazônicas que inclui a onça-pintada, o tatu-canastra, a ariranha-gigante, a anta, a preguiça, espécies de primatas e cerca de 400 espécies de aves, como gavião-real, galo-da-Guiana e arara-vermelha.

Saiba mais: #Série – Isso é Patrimônio Mundial: Brasil 

Criada em 1998, o local tinha o objetivo inicial de unir três reservas pré-existentes: Raleigh Vallen, Eilerts de Haan e Tafelberg, florestas que carregavam um alta diversidade de vida vegetal e compostas de áreas pantanosas. Até hoje, a Reserva Natural do Suriname Central protege montanhas, rios, cachoeiras e ecossistemas pouco alterados pela ação humana, porém, é possível perceber comunidades quilombolas nas proximidades, sendo a maior parte descendente de escravos e indígenas. 

No ano de 2000, a Reserva Natural do Suriname Central foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco.

Centro histórico de Paramaribo 

Centro Histórico de Paramaribo. Foto: Reprodução/Ron Van Oers-Unesco

Capital do Suriname, Paramaribo fica localizada às margens da costa norte da América do Sul e a mais antiga cidade colonial holandesa datada dos séculos XVII e XVIII. O Centro Histórico de Paramaribo carrega uma fusão arquitetônica que mistura a cultura do povo holandês, com edificações de madeira que formam simetria, e influências europeias e americanas, o que acabou refletindo na sociedade multicultural da cidade.

Saiba mais: #Série – Isso é Patrimônio Mundial: Equador

A maioria das construções mais importantes para a paisagem urbana foram feitas entre 1667 e 1885. Dentre as construções históricas estão o Forte Zeelandia (1667) e o Garden of Palms, com ruas arborizadas e espaços abertos. Além disso, tem também o Palácio Presidencial (1730), construído em pedra e madeira. A cidade também conta com o Ministério da Fazenda, construído em 1841, uma monumental estrutura de tijolos com pórtico clássico e torre do relógio, a Igreja Reformada (1837) em estilo neoclássico e o Gótico Revival Católico Romano Catedral (1885) em madeira.

Por ser um dos maiores exemplos de cidade colonial preservada no Caribe e no norte do continente sul-americano, o Centro Histórico de Paramaribo foi reconhecido em 2002 como Patrimônio Mundial da Unesco.

Sítio Arqueológico de Jodensavanne: Assentamento de Jodensavanne e Cemitério Cassipora Creek

Ruína da fachada oeste da Sinagoga Beraha VeSalom. Foto: Reprodução Unesco/S.A. Fokké-Jodensavanne Foundation

Último patrimônio mundial do país reconhecido pela Unesco, o Sítio Arqueológico de Jodensavanne, no norte do Suriname, é uma propriedade com duas partes que ilustram as primeiras tentativas de colonização judaica no Mundo Atlântico. O Assentamento Jodensavanne, fundado na década de 1680, inclui as ruínas do que se acredita ser a sinagoga arquitetônica mais antiga das Américas, além de cemitérios e fundações de edifícios de tijolos, áreas de desembarque para barcos e um posto militar.

Saiba mais: #Série – Isso é Patrimônio Mundial: Venezuela

Já o Cemitério Cassipora Creek é um assentamento mais antigo fundado na década de 1650, que deixou de existir há três décadas após seus habitantes migrarem dois quilômetros rio abaixo para Jodensavanne. Essas primeiras colônias judaicas não estavam situadas em ambientes urbanos existentes e eram mais longas do que muitas outras. Localizados em meio a território indígena, tais assentamentos eram habitados, possuídos e governados por judeus que viviam ali junto com pessoas livres e escravizadas de descendência africana e indígena.

Sepulturas preservadas em Beth Haim Jodensavanne. Foto: Reprodução Unesco/S.A. Fokké-Jodensavanne Foundation

Devido a sua importância em preservar os vestígios da comunidade judaica fundada por refugiados da Inquisição Ibérica, a Unesco reconheceu em 2023 o Sítio Arqueológico de Jodensavanne na categoria Cultural.

Brasil pode liderar transição verde e gerar empregos e crescimento econômico no país, aponta estudo

Evento de lançamento do estudo sobre transição verde do Brasil contou com a participação de diversos especialistas, brasileiros e internacionais. Foto: Reprodução/Instituto Clima e a Sociedade

O Instituto Clima e a Sociedade (iCS), em parceria com a London School of Economics (LSE), lançaram o estudo “Brazil’s Investment-led Growth in the Ecological Transition”, que coloca o país como a principal referência na América Latina para liderar a transição verde, que é a mudança global rumo a energia de baixo carbono.

O relatório aponta os pontos fortes naturais e industriais da maior economia do continente sul-americano para impulsionar o crescimento econômico, criar empregos e expandir a inclusão social. De acordo com Maria Netto, diretora executiva do iCS, o intuito do documento é incentivar o país a utilizar suas vantagens para a transição verde.

“O relatório não propõe um afastamento da conservação, nem um modelo tradicional de industrialização pesada. Propõe que o Brasil faça melhor uso das vantagens que já possui: um sistema de energia elétrica em grande parte renovável, capacidade agrícola de classe mundial, experiência com biocombustíveis, potencial de restauração, capital natural e capacidades industriais relevantes”, explica Maria.

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Netto reforça que a proposta do estudo é mostrar que o Brasil possui todas as garantias para se tornar a principal liderança da transição verde.

“O Brasil pode oferecer segurança ao mundo em três áreas-chave: energia limpa, em larga escala e com previsibilidade, além de biocombustíveis sustentáveis para o transporte global; minerais críticos obtidos com responsabilidade social e ambiental; e segurança alimentar inovadora. Essas soluções apresentadas no estudo garantem resiliência nas cadeias produtivas, estabilidade de preços e mitigação dos riscos de conflitos associados aos recursos naturais”, completa Maria.

Evento reuniu diversas autoridades brasileiras e internacionais especialistas no tema. Foto: Reprodução/Instituto Clima e a Sociedade

Sobre o estudo da transição verde

Os especialistas autores do estudo são Luiz Awazu Pereira da Silva, professor visitante no Centre for Economic Transition Expertise (CETeX) da LSE e autor principal; Jorge Arbache, professor de Economia da Universidade de Brasília e senior fellow do iCS; Rodrigo C. A. Lima, sócio-diretor da Agroicone; Fernanda Gimenes, pesquisadora sênior líder em Mobilização de Capital Privado no Centre for Economic Transition Expertise (CETeX) da LSE; e Manoel de Castro Pires, pesquisador sênior do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE).

Os autores enfatizam ainda que o sucesso depende de fatores importantes: “para concretizar essas oportunidades, será necessário resolver gargalos de infraestrutura, reduzir riscos de investimento, fortalecer a capacidade de implementação, melhorar a segurança jurídica e dar continuidade aos esforços para combater o desmatamento ilegal”.

Luiz Awazu Pereira da Silva afirmou que as mudanças climáticas, a transformação tecnológica e a fragmentação geopolítica estão remodelando os padrões globais de investimento. “A questão é se o Brasil conseguirá converter suas vantagens estruturais em investimentos sustentáveis, crescimento da produtividade e desenvolvimento econômico”, avalia.

Para Jorge Arbache, o modelo da produção está mudando. “O mundo está saindo de uma era em que a energia era transportada para a indústria para uma em que a indústria buscará cada vez mais a energia limpa. Essa mudança pode redefinir as cadeias de valor globais nas próximas décadas.”

Fernanda Gimenes lembrou que, com muita frequência, as discussões sobre a transição ecológica se concentram nas lacunas de financiamento. “Esse artigo defende que, para países como o Brasil, a transição também deve ser entendida como uma oportunidade de investimento. O desafio é criar as condições que permitam que o capital nacional e internacional invista em grande escala nos setores que moldarão a economia global do futuro”.

Leia também: Caminhos sustentáveis: como a infraestrutura verde impulsiona a bioeconomia na região amazônica

Investimento e crescimento

O investimento global na transição climática ultrapassou US$ 4 trilhões em 2024 e deve crescer acentuadamente na próxima década. Estima-se que um montante entre US$ 600 bilhões e US$ 800 bilhões seja direcionado anualmente para setores nos quais o Brasil já possui forte potencial competitivo, incluindo aço verde, combustíveis sustentáveis, fertilizantes de baixo carbono, energia renovável, materiais industriais, agricultura regenerativa e produtos de base biológica. O estudo estima que captar mesmo uma parcela modesta do investimento global em transição poderia elevar o crescimento anual do PIB brasileiro em cerca de 1 a 1,5 ponto percentual, além de impulsionar as exportações, aumentar a arrecadação fiscal e ampliar a geração de empregos formais.

Mais do que apenas um fornecedor de commodities agrícolas ou minerais de margens mais baixas, o Brasil é hoje capaz de oferecer soluções estruturais para desafios globais, argumentam os autores do relatório. Esse debate envolve temas como a expansão de fertilizantes verdes e biofertilizantes; a reorganização industrial baseada em energia limpa; o fortalecimento de cadeias de valor mais resilientes; a cooperação entre países do Sul Global; e o avanço do Powershoring — um modelo no qual as indústrias se aproximam de regiões capazes de oferecer energia renovável, estabilidade e menor intensidade de carbono; entre outros.

“O Brasil tem uma oportunidade histórica de alinhar crescimento econômico, liderança climática e progresso social”, conclui o relatório. “A transição ecológica pode se tornar uma plataforma para a reindustrialização e para um novo ciclo de desenvolvimento inclusivo.”

O evento de lançamento do estudo foi transmitido no canal de Youtube do iCS e contou com a participação de diversos especialistas, brasileiros e internacionais, para discutir sobre o crescimento do Brasil e investimento na transição ecológica.

*Com informações do Instituto Clima e a Sociedade.

#Série – Isso é Patrimônio Mundial: Venezuela

Foto: Jorel Carter/Portal Amazônia

Na continuação da série Isso é Patrimônio Mundial, que lista os bens culturais e naturais localizados na Amazônia, a Venezuela, país da América do Sul e que compõe a Amazônia Internacional, possui três patrimônios mundiais reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). No entanto, apenas um fica localizado na região amazônica: o Parque Nacional de Canaima.

Reconhecido como bem natural em 1994, o local recebeu o aval da Unesco por seu Valor Universal Excepcional e sua importância para o planeta. Tal reconhecimento reforça o papel da Amazônia como um território inestimável, cuja conservação é fundamental não apenas para o Brasil, mas para todo o planeta.

Adotada pela Unesco em 1972, a convenção do Patrimônio Mundial e Natural classifica os patrimônios culturais e naturais através de monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico, de conservação ou estético excepcional e universal.

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Patrimônios mundiais na Amazônia

Parque Nacional Canaima

Parque Nacional Canaina- Patrimônio Mundial Venezuela

Localizado no estado de Bolívar, no sudeste da Venezuela quase na fronteira com o Brasil e a Guiana, o Parque Nacional Canaima é um dos maiores parques naturais do mundo, com mais de 30 mil quilômetros quadrados e uma rica biodiversidade que coloca o local como um dos mais importantes do planeta. É ali que se encontra a mais conhecida queda de água natura, o Salto Ángel (Angel Falls), com 979 metros de altura e vista como a cachoeira mais alta do mundo.

Auyan-tepui, localizado no Parque Nacional Canaima. Foto: Reprodução/ Blog Michele Christine

O parque abriga os famosos tepuis, que são um tipo de ‘montanhas tipo mesa ou meseta’ com paredes verticais e cume geralmente plano. Mais de 65% da área do Parque Nacional Canaima são ocupadas pelos tepuis, responsáveis por construir uma entidade biogeológica única. O local também outras áreas renomadas como o La Gran Sabana, formada por grandes planícies, rios, cachoeiras e diversos elementos da natureza.

Além de proteger ecossistemas únicos, o Parque Nacional Canaima é território ancestral do povo indígena Pémon, povo que habita a região da Gran Sabana, na Venezuela.

Leia também: A maior cachoeira do mundo fica na Amazônia internacional: Salto Ángel

Outros patrimônios mundiais na Venezuela

Coro e Seu Porto

Uma das primeiras cidades construídas durante a colonização espanhola da América do Sul, em 1527, Coro preserva um importante conjunto de arquitetura colonial construídas com técnicas tradicionais de terra, adobe e taipa, historicamente usadas por espanhóis e holandeses. Seu porto, o ‘La Vera de Coro’ chegou a desempenhar um papel estratégico nas rotas comerciais do Caribe.

Reconhecida como bem cultural pela Unesco em 1993, Coro foi a primeira capital da Capitania Geral da Venezuela e chegou a abrigar o primeiro bispado da América Continental estabelecido em 1531. Desde 2005, o Parque Nacional Canaima integra a Lista do Patrimônio Mundial em Perigo, devido à deteriorização causada por chuvas intensas, problemas de conservação e expansão urbana.

Cidade Universitária de Caracas

Localizada em Caracas, capital da Venezuela, América do Sul, o campus principal da Universidad Central de Venezuela foi estabelecido no período colonial por Simón Bolívar. Com uma área de 164 mil hectares, o local inclui obras-primas da arquitetura e da arte moderna construídas segundo o projeto do arquiteto Carlos Raúl Villanueva, entre 1940 e 1960.

A Universidade integra um grande número de edifícios, arte e natureza em um conjunto claramente articulado, onde as formas de arte se tornam parte essencial do local habitado. Tais estruturas expressam o espírito e o desenvolvimento tecnológico de sua época no uso do concreto armado como, por exemplo, a Aula Magna com as ‘Nuvens’ de Alexander Calder, o Estádio Olímpico e a Praça Coberta. O complexo constitui uma interpretação moderna dos conceitos e tradições urbanas e arquitetônicas, incorporando pátios e janelas em treliça como uma solução adequada para seu ambiente tropical.

Reconhecida em 2000, a Ciudad Universitária de Caracas é um exemplo notável do Movimento Moderno na arquitetura e é até hoje considerada uma das maiores obras do século XX.

Entenda o significado das siglas dos principais aeroportos da Amazônia Legal

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Sigla de três letras fazem parte da identificação do sistema global da aviação, padronizada pela IATA. Foto: Imagem criada por IA

Quem viaja de avião, é comum se deparar com três letrinhas estampadas em etiquetas de bagagem, cartões de embarque e até em letreiros nos aeroportos. Tais siglas fazem parte de um sistema criado pela IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), entidade que padronizou a identificação global dos aeroportos em todo o mundo.

A utilização desses códigos permite que companhias aéreas, passageiros, pilotos e controladores do tráfego aéreo possam identificar de forma precisa e eficiente sobre seus destinos, origem e escalas de voo em todo o planeta. As siglas geralmente têm relação direta com o nome ou referência da cidade, enquanto que outras foram criadas aleatoriamente para evitar duplicações.

Entenda como surgiu a origem dessa identificação que revolucionou a comunicação do sistema global de aviação.

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A origem dos códigos

Após a Segunda Guerra Mundial, a indústria da aviação comercial começou a crescer e os governos perceberam a necessidade de criar uma padronização para garantir a compatibilidade das operações aéreas no âmbito nacional e internacional. Assim, foram criadas duas grandes organização para dar conta desta demanda operacional da aviação: a Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) e a Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO).

Indústria da aviação civil expandiu na década de 1940 e motivou a criação de organizações para padronizar a identificação de aeroportos. Foto: Reprodução/Melhores Destinos

Cada entidade ficou responsável por criar a sua própria sigla obrigatória na aviação civil. Fundada em 1940 por um grupo de companhias aéreas, a IATA teve como principal responsabilidade identificar os aeroportos pelo mundo, por meio de uma sigla com três letras, enquanto que os códigos ICAO, compostos de quatro letras, são mais técnicos e voltados para documentos de planos de voo.

No caso da IATA, as siglas seguem uma lógica de criação mais fácil e voltada para os passageiros e geralmente se baseiam nas primeiras letras da cidade ou nas iniciais do nome do aeroporto. Já no sistema ICAO, as letras são definidas com base na localização geográfica dos aeroportos, em que a primeira letra representa o continente de origem, a segunda designa o país e as duas últimas representam o nome do aeroporto.

Exemplificando, o Aeroporto Internacional de Rio Branco, no Acre, é identificado pelo sistema IATA pelo código RBR, em referência às iniciais da capital acreana. Já no identificador ICAO, o aeroporto recebe a identificação SBRB, onde S indica América do Sul, B se refere ao Brasil e RB remete especificamente às iniciais do nome do aeródromo.

Leia também: Veja quais são as orientações para levar insumos da Amazônia para outros estados ou países em viagens de avião

Como as siglas são criadas?

Com mais de 17 mil códigos criados, a elaboração das siglas IATA segue três principais critérios que definem as lógicas de criação dessas siglas. A primeira delas é a abreviação direta do nome da cidade ou aeroporto com as três primeiras letras, como é o caso do Aeroporto Internacional Val-de-Cans, em Belém-PA, identificado como BEL.

IATA é a organização responsável por padronizar a identificação dos aeroportos em todo o mundo, por meio de siglas
Associação Internacional do Transporte Aéreo teve como principal responsabilidade identificar os aeroportos pelo mundo. Foto: Reprodução/Itaérea

Em caso de códigos já utilizados, a sigla então recebe alguns ajustes para adaptações fonéticas ou heranças históricas relacionadas ao local. Em São Luís, no Maranhão, o Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado recebe a abreviação SLZ, sendo SL relacionado às iniciais da capital e Z para diferenciar de outros aeroportos com letras semelhantes. Já em Manaus, o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes é identificado pela sigla MAO, que é uma abreviação histórica de Manaós, como era conhecida a capital amazonense antigamente.

Por último, a IATA atribui combinações livres e aleatórias apenas para evitar repetição de códigos em outras cidades do mundo como, por exemplo, o Aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues, em Palmas-TO, que não possui relação direta com as iniciais da cidade ou do aeroporto.

Conheça as siglas dos aeroportos da Amazônia Legal

Agora que você já sabe a origem e criação das siglas, o Portal Amazônia lista os códigos dos principais aeroportos dos nove estados que compõem a Amazônia Legal.

Processo de vazante dos rios amazônicos seguem regular, aponta SGB

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O 30º Boletim de Monitoramento Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indica que a Bacia do Rio Amazonas segue em processo regular de vazante. O documento, divulgado na última terça-feira, 28, registrou que os níveis na maioria das estações estão dentro da faixa de normalidade para o período.

Segundo o boletim, em Manaus, o rio Negro registrou descida de 30 cm na última semana e alcançou a cota de 27,60 metros. Já o rio Solimões, no município de Tabatinga (AM), marcou redução de 42 cm, na última semana, e alcançou a cota de 6,45 m. Em Manacapuru, o rio desceu 27 cm e registrou 18,37 m.

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Rio negro em processo de vazante regular
Rio Negro segue em processo de vazante regular em Manaus. Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Na bacia do rio Purus, a estação de Beruri (AM) registrou redução de 31 cm ao longo da semana, acompanhando a vazante do rio Solimões A cota observada e indicada no boletim foi de 19,58 m. O rio Madeira também segue em processo de vazante, no entanto, houve elevação temporária na estação de Porto Velho (RO) em resposta às chuvas ocorridas na parte alta da bacia. A cota registrada foi de 7,32 m.

No rio Amazonas, em Careiro (AM) ocorreu redução de 28 cm, enquanto em Itacoatiara (AM) a descida foi de 26 cm. As cotas observadas foram 15,27 m e 12,88 m, provavelmente.

Leia também: Portal Amazônia responde: como funcionam os processos de enchente e vazante dos rios?

Vazante fora da normalidade no Rio Branco

De acordo com o monitoramento do SGB, apenas rio Branco registra níveis abaixo da faixa de normalidade para a época do ano, mantendo a intensificação da recessão observada nas últimas semanas. Em Boa Vista (RR), o rio Branco registrou a cota de 2,23 m, após redução de 52 cm na última semana. Enquanto em Caracaraí (RR), a descida foi de 72 cm e a cota registrada foi 3,23 m.

Os dados hidrológicos são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), de responsabilidade da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), operada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e demais parceiros. As previsões apresentadas são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas inerentes aos mesmos.

Dados em tempo real e mapas de risco estão disponíveis no Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE).

*Com informações do Serviço Geológico do Brasil.

Portal Amazônia responde: o que é o Super El Niño?

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Projeções indicam que Super El Niño 2026 pode ser o mais intenso dos últimos 150 anos. Fonte: CPTEC/INPE

O El Niño é um fenômeno climático que causa o aquecimento acentuado das águas do Oceano Pacífico e que aumenta o risco de ondas de calor, tempestades e secas extremas. No entanto, as previsões para 2026 indicam a probabilidade do evento natural atingir uma intensidade muito forte entre o fim do ano e o início de 2027, o que os cientistas e alguns órgãos vêm tratando a eventual ocorrência de ‘Super El Niño‘.

Apesar de não ter uma confirmação sobre a intensidade máxima, o risco de formação do ‘Super El Niño’ tem preocupado especialistas, comunidade acadêmica e autoridades sobre os impactos do evento extremo nas cidades, estados ou países. Isso porque o aquecimento extremo e anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical altera padrões dos ventos e chuvas em escala global e produz efeitos opostos em diferentes regiões do planeta.

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O que seria o ‘Super El Niño’?

Um Super El Niño ocorre quando a anomalia de temperatura da superfície do mar ultrapassa +2°C em relação à média histórica. Nos últimos 150 anos, isso aconteceu apenas 4 vezes: 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16. De acordo com simulações analisadas por pesquisadores da Berkeley Earth e divulgadas pela revista científica New Scientist, existe cerca de 90% de probabilidade de que o evento previsto para 2026 seja o mais intenso já registrado.

As projeções divulgadas pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOOA) sinalizam 82% de probabilidade para a formação do Super El Niño entre maio e julho e 96% de chance de que o fenômeno se mantenha entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. Os modelos indicam que a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical poderá atingir 3,6°C acima da média, superando o recorde de 2,75°C observado durante o forte El Niño de 2015/2016.

O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Foto: NOAA

Caso se consolide, o Super El Niño 2026 reforçará a intensificação do aquecimento global e das mudanças climáticas do planeta das últimas décadas, além de um alerta preocupante sobre o curto intervalo de tempo entre os fenômenos climáticos. O El Niño de 2023/2024 não chegou a ser considerado ‘Super’ e sim como “Forte”, tendo em vista que o Brasil enfrentou sua maior seca com mais de 4,7 mil municípios, incêndios de grandes proporções na Amazônia e Pantanal e calor extremo.

Leia também: Entenda as previsões para o Super El Niño em 2026, que promete ser o mais intenso da década

Importante destacar que a expressão Super El Niño é informal e não faz parte das classificações adotadas por órgãos oficiais como a Organização Meteorológica Mundial (OMM). No entanto, o termo tem sido comumente utilizado para reforçar o risco da fase mais acentuada desse fenômeno climático.

Prováveis efeitos do Super El Niño no Brasil

Com base nas análises do Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN) divulgadas em 19 de maio, os padrões esperados para o próximo ciclo seguem o comportamento histórico dos Super El Niños anteriores. Os efeitos variam conforme a região:

Super El Niño
Impactos do fenômeno El Niño na América do Sul para os períodos de verão (dezembro a fevereiro) e inverno (junho a agosto) Fonte: BTR1/CPTEC/INPE

Região Norte (incluindo a Amazônia):

  • redução das chuvas;
  • seca mais intensa;
  • rios com níveis mais baixos;
  • aumento do risco de queimadas e incêndios florestais;
  • temperaturas acima da média.

Região Nordeste:

  • maior risco de estiagem, principalmente no interior.

Centro-Oeste:

  • calor intenso;
  • baixa umidade do ar;
  • atraso no início das chuvas em algumas áreas.

Sul:

  • aumento da frequência de chuvas intensas;
  • maior risco de enchentes e deslizamentos.

E para os estados amazônicos?

Se o Super El Niño 2026 se consolidar, os impactos podem incluir:

  • nova seca severa nos rios amazônicos;
  • dificuldades na navegação e no abastecimento de comunidades ribeirinhas;
  • aumento expressivo dos focos de incêndio;
  • prejuízos à pesca, agricultura e geração de energia em algumas localidades;
  • piora da qualidade do ar em razão da fumaça das queimadas.

Embora as projeções indiquem a possibilidade do Super El Niño, órgãos como INPE, INMET, Cemaden e NOAA ressaltam que ainda é cedo para afirmar que o evento alcançará intensidade extrema. No entanto, apesar da ocorrência ser considerada muito provável, a força exata dependerá da evolução das temperaturas do Pacífico nos próximos meses.

Veja quais são as orientações para levar insumos da Amazônia para outros estados ou países em viagens de avião

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Tradicionais da culinária amazônica, alimentos como cupuaçu, farinha e demais itens podem ser transportados de avião para outros estados. Imagem criada por IA

Quem é amazônida “da gema” e precisa mudar de estado ou país, sabe que deixar a gastronomia regional é um dos maiores desafios. Do famoso x-caboquinho até a popular frase “comeu jaraqui, não sai mais daqui”, a culinária amazonense tem um sabor tão marcante e única que muitos nortistas espalhados pelo Brasil e mundo afora recorrem a visitas de amigos ou familiares para matar a saudade de alguma fruta, bebida ou iguaria tradicional do região.

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Para amenizar a saudade, muitos viajantes de avião levam insumos da culinária amazônica em suas bagagens de mão ou despachadas para outros destinos nacionais ou internacionais, a fim de atender o pedido de quem está longe da Amazônia e sente aquela vontade de comer algo típico.

No entanto, existem algumas regras para o transporte correto de gêneros alimentícios nas viagens aéreas, tanto dentro do território brasileiro ou fora dele. O Portal Amazônia reuniu alguns pontos importantes sobre como funciona a permissão acerca do transporte de alimentos na bagagem em viagens de avião, seguindo as diretrizes tanto das companhias aéreas quanto da Agência Nacional de Aviação Civil(ANAC). Confira:

É permitido transportar alimentos no avião?

De forma geral, é permitido levar itens alimentícios nas viagens de avião, mas existem algumas regras que precisam ser respeitadas e dependem do local de destino e o tipo de alimento. De acordo com a ANAC, mesmo autorizado, as normas podem variar de acordo com as diretrizes da companhia aérea responsável, no caso de viagens domésticas, ou pelas exigências sanitárias determinadas pelas autoridades competentes nos países, em situações de deslocamentos internacionais.

O órgão recomenda que o passageiro sempre verifique junto à empresa aérea sobre a existência de alguma restrição específica sobre um determinado item alimentício no avião ou com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é o órgão responsável pela fiscalização e proteção da saúde pública nacional em voos para o exterior.

A ANAC é o órgão federal responsável por regular e fiscalizar a aviação civil no Brasil. Foto: Reprodução/Anac

Em casos de voos internacionais, a Anac orienta que os passageiros se atentem às regras alfandegárias e as condições estabelecidas pelo país de destino, e entre em contato com as autoridades sanitárias por meio de consulados. Algumas nações, por exemplo, podem confiscar alimentos não declarados ou proibidos em seus territórios antes do desembarque no avião.

“Algumas empresas aéreas são mais restritivas que a regulamentação vigente e podem optar por não permitir o embarque de determinados itens. A decisão final sobre a possibilidade de determinado item ser transportado é da empresa aérea ou do agente de proteção da aviação civil que atua no aeroporto e que está em contato direto com o objeto”, afirmou a ANAC em nota ao Portal Amazônia.

Em seu site, a Anac também disponibiliza uma lista exemplificativa de artigos que podem e não podem ser transportados em bagagem despachada.

Leia também: 6 pratos icônicos para se apaixonar pela culinária do Amazonas

O que dizem as companhias aéreas

avião da azul
Companhia aérea brasileira Azul permite transporte de alimentos em voos nacionais. Foto: Reprodução/Azul

Azul, Gol e Latam são as três principais companhias aéreas do Brasil, que dominam praticamente 95% de toda a demanda de voos domésticos no país.

A Azul permite o transporte de itens alimentícios na bagagem de mão, tanto para consumo durante o voo quanto para destinos nacionais.

Já a Gol informa que todos os produtos perecíveis e alimentos em geral precisam ser acomodados em embalagens à prova de vazamentos, abertura acidental ou mau cheiro. No caso de pescados como peixes, crustáceos e demais frutos do mar, a empresa orienta que as embalagens devem ser colocadas dentro de caixas de isopor revestidas interna e externamente com saco plástico resistente.

No caso da Latam, o transporte de alimentos é permitido tanto na bagagem pessoal quanto na despachada, no entanto, no último caso, os itens devem estar armazenados em embalagens herméticas, aquelas que possuem sistema de fechamento totalmente vedado e que impede a entrada ou saída de ar ou derramamento de líquidos.

Por tanto, vale ressaltar que o viajante deve verificar as condições de cada empresa aérea bem como o destino, para conseguir se preparar da forma correta para levar seus itens alimentícios, como o açaí, a farinha uarini, o tucumã ou até mesmo mesmo peixes como o tambaqui (e não deixar a saudade de casa aumentar).

Saiba quantas e quais cidades da Região Norte possuem nomes que homenageiam personalidades

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O Brasil possui uma tradição de homenagear personalidades históricas por meio dos nomes de suas cidades. Essa prática, tão comum no país, contribui para a construção da identidade cultural e a preservação histórica de diversas localidades do território brasileiro, além de reconhecer os feitos dessas figuras.

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Na região Norte do país, por exemplo, dezenas de 450 municípios espalhados pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins carregam o nome de figuras históricas e culturais em suas identificações e que ajudam a entender o processo de construção daquela cidade.

Mais do que simples denominações, essas homenagens também criam uma conexão simbólica entre o espaço geográfico e a memória coletiva desses municípios.

Leia também: 10 cidades da Região Norte com nomes curiosos e engraçados

Com base no Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Portal Amazônia buscou e separou por estado todos os municípios da região Norte que possuem nomes ligados à figuras e personalidades históricas e culturais. Confira:

Acre

Dos 22 municípios que compõem o estado acreano, 11 deles carregam nomes de pessoas. São eles:

  1. Assis Brasil – homenagem à Francisco de Assis Brasil, político e diplomata que negociou juntamente com o Ministro de Estado das Relações Exteriores, Barão de Rio Branco, a compra do Acre do governo boliviano.
  2. Epitaciolândia – homenagem ao presidência da República, Epitácio Pessoa, que governou o país de 1919 a 1922.
  3. Feijó – Homenagem ao padre, filósofo, sacerdote, estadista e regente do Império Brasileiro, Diogo Antônio Feijó, que teve forte influência política imperial do Brasil.
  4. Manoel Urbano – homenagem ao explorador Manoel Urbano da Encarnação, pioneiro e sertanista da região amazônica no século XIX que ficou famoso por desbravar o Rio Purus e seus afluentes.
  5. Marechal Thaumaturgo – Homenagem ao militar e seringalista Gregório Thaumaturgo de Azevedo, que atuou como prefeito do Alto Juruá e liderou forças brasileiras na região durante a Questão do Acre, conflito diplomático que ocorreu entre Brasil e Bolívia pelo controle do território acreano.
  6. Mâncio Lima – homenagem a Mâncio Agostinho Rodrigues de Lima, seringalista cearense que chegou à região em 1899 e chegou a liderar um grupo de nordestino até fundar o povoado original chamado Vila Jardim, às margens do Rio Moa.
  7. Plácido de Castro – homenagem ao militar e seringalista gaúcho José Plácido de Castro, principal líder da Revolução Acreana (1899-1903) e teve papel fundamental na incorporação do território ao Brasil.
  8. Porto Walter – homenagem ao senhor Walter de Carvalho, um dos primeiros moradores da região localizada no Vale do Juruá, no Acre.
  9. Rodrigues Alves – alusão ao ex-presidente da República, Francisco de Paula Rodrigues Alves, que foi fundamental no Tratado de Petrópolis que ajudou na anexação do território ao Brasil, encerrando a disputa entre o país e a Bolívia.
  10. Sena Madureira – recebeu esse nome em homenagem ao Coronel Antônio Sena Madureira, em reconhecimento e admiração pela atuação do militar que lutou na Guerra do Paraguai.
  11. Senador Guiomard – homenagem à José Guiomard dos Santos, político responsável pelo projeto de lei que elevou o antigo Território do Acre à categoria de Estado.

★ Rio Branco (capital)

AMAPÁ

Com 16 municípios, o estado amapaense possui apenas uma cidade com nome de personalidade: Ferreira Gomes. O município carrega o nome do Major João Ferreira Gomes, militar responsável por implantar a Colônia Militar Pedro II em 1840, região em que surgiu a atual sede da cidade.

★ Macapá (capital)

AMAZONAS

O maior estado da região Norte conta com quatro municípios, de um total de 62, com nomes ligados à pessoas. São eles:

  1. Benjamin Constant – homenagem ao general e político brasileiro Benjamin Constant Botelho de Magalhães, um dos principais líderes e articuladores da Proclamação da República, ocorrido em 1889.
  2. Borba – homenagem feita a Francisco Xavier de Mendonça Furtado, que foi governador da capitania do Grão-Pará e Maranhão e que tinha até título nobiliárquico (título de nobreza) de Conde de Borba.
  3. Lábrea – nome dado em homenagem ao Coronel Antônio Rodrigues Pereira Labre, que liderou uma expedição às margens do Rio Purus até fundar o povoado de Terra Firme do Amaciary, em 1871. O local passou a se chamar Labria, sendo posteriormente elevado à categoria de vila com o nome de Lábrea dez anos depois.
  4. Presidente Figueiredo – homenagem a João Baptista de Figueiredo Tenreiro Aranha, primeiro presidente da Província do Amazonas após a sua criação, no século XIX.

★ Manaus (capital)

PARÁ

Estado com maior número de municípios da região, 144, o Pará dispõe de 15 cidades com nomes de personalidades:

  1. Abel Figueiredo – nome dado em homenagem ao ex-político que foi deputado de São João de Araguaia, região que detinha o território de Abel Figueiredo até 1968. O local chegou a ser distrito de Bom Jesus do Tocantins até se emancipar município em 1991.
  2. Augusto Corrêa – homenagem ao político paraense Augusto Corrêa da Rocha, figura influente e líder na região.
  3. Baião – homenagem ao português Antônio Baião, que em 1694 recebeu uma vasta sesmaria (principal sistema oficial de doação de terras da Coroa) para fundar um povoado às margens do rio Tocantins.
  4. Bannach – homenagem à família pioneira que era dona da fazenda onde o povoado começou. A região iniciou seu desenvolvimento com a instalação de uma serraria na propriedade da família, a área foi elevada a município e herdou o sobrenome “Bannach”.
  5. Benevides – recebeu esse nome em homenagem ao governador da província do Pará na época, Francisco de Sá e Benevides. Ele foi o responsável por incentivar o desenvolvimento e a fundação do núcleo agrícola primitivo (criado em 1875) que deu origem à cidade.
  6. Breves – é uma homenagem aos irmãos e colonizadores portugueses Manoel Maria Fernandes Breves e Ângelo Fernandes Breves. Eles se estabeleceram na região no século XVIII e fundaram um engenho às margens do rio Parauaú, fazendo com que o local ficasse conhecido como “Engenho dos Breves”.
  7. Capanema – homenagem ao engenheiro, naturalista e físico mineiro Guilherme Schüch, conhecido como o Barão de Capanema. A denominação foi dada na época da construção da rede telegráfica no local, região onde o barão e sua equipe costumavam descansar às margens do rio.
  8. Capitão Poço – Nome dado para homenagear o explorador Capitão Possolo, que integrou a primeira caravana de pioneiros a chegar à região na década de 1950. Devido à dificuldade de pronúncia popular, o sobrenome “Possolo” acabou sendo adaptado e transformado em “Poço”.
  9. Chaves – homenagem a Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador da capitania do Grão-Pará e Maranhão. O nome é uma referência ao sobrenome “Xavier”
  10. Curionópolis – nome alusivo ao militar Sebastião Rodrigues de Moura, conhecido como Major Curió, que foi responsável por coordenar e impor forte liderança no Garimpo de Serra Pelada entre 1981 e 1982.
  11. Dom Eliseu – homenagem ao bispo italiano Dom Eliseu Corolli, da Diocese de Bragança, e um dos missionários do catolicismo em terras amazônicas.
  12. Magalhães Barata – homenagem a Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, líder político e ex-governador paraense do período republicano.
  13. Medicilândia – referência ao ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, que governou o Brasil na época da criação do Programa de Integração Nacional (PIN) e da Rodovia Transamazônica nos anos 1970.
  14. Senador José Porfírio – homenagem ao político José Porfírio de Miranda Júnior, militar paraense na época da República Velha.
  15. Ulianópolis – homenagem feita à família Uliana, uma das pioneiras a se estabelecer na região na década de 1960, durante os projetos de colonização.

★ Belém (capital)

RONDÔNIA

De seus 52 municípios, Rondônia possui oito cidades que carregam nomes de ex-autoridades políticas:

  1. Costa Marques – homenagem ao engenheiro e militar mato-grossense Manoel Esperidião da Costa Marques, que se destacou como político e participou da redação da Lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil.
  2. Governador Jorge Teixeira – Em homenagem ao Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, conhecido como “Teixeirão”, o último governador do antigo Território Federal e o primeiro do estado de Rondônia, sendo fundamental pela criação e elevação a estado em 1981.
  3. Ministro Andreazza – homenagem ao coronel e ex-ministro Mário Andreazza, além do reconhecimento dado por sua participação direta nos investimentos de infraestrutura que viabilizaram a elevação de Rondônia da categoria de Território Federal para Estado.
  4. Pimenta Bueno – a homenagem, segundo registros históricos, possui duas versões: a mais aceita é o reconhecimento à José Antônio Pimenta Bueno, jurista e estadista do Brasil Imperial. A segunda versão aponta para o cabo Francisco Pimenta Bueno, comandante do posto telegráfico instalado na região por Marechal Rondon, em 1912.
  5. Presidente Médici – homenagem ao ex-político Emílio Garrastazu Médici, que governou a presidência do Brasil entre 1969 e 1974.
  6. Rolim de Moura – homenageia Dom Antônio Rolim de Moura Tavares, segundo governador da Capitania de Mato Grosso no século XVIII e teve papel fundamental na defesa e ocupação da região amazônica.
  7. Teixeirópolis – à exemplo do município Governador Jorge Teixeira, é uma homenagem ao Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, responsável por preparar o então Território Federal para sua elevação à categoria de estado em 1981. ‘Teixeirão’, como era conhecido, também foi o primeiro governador do Estado de Rondônia.
  8. Vilhena – homenagem ao engenheiro maranhense Álvaro Coutinho de Melo Vilhena, que chefiava a Organização da Carta Telegráfica e a Diretoria Geral dos Telégrafos na época.

★ Porto Velho (capital)

RORAIMA

Com 15 municípios, o estado de Roraima tem apenas uma cidade com nome de personalidade. É o município de Iracema, localizado no sul do território roraimense, que é uma homenagem a Iracema Machado Costa, esposa do pioneiro Militão Pereira da Costa, um dos primeiros colonizadores e fundadores da região que deu origem à cidade.

★ Boa Vista (capital)

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TOCANTINS

O segundo maior estado em números de cidades, com 139 municípios, Tocantins conta com 25 cidades com nomes de personalidades históricas e locais. São eles:

  1. Abreulândia – homenagem à família Abreu, em referência ao pioneiro João Francisco de Abreu, responsável pela construção da primeira casa comercial da região e representante do povoado.
  2. Augustinópolis – homenageia o pioneiro e fundador do local, Augusto Pereira Costa, que inicialmente era chamado de “Centro do Augusto”.
  3. Barrolândia – homenagem ao seu fundador, Elvécio Cabral Barros, responsável pela criação do povoado, em julho de 1958.
  4. Bernardo Sayão – homenagem em alusão à Bernando Sayão, engenheiro agrônomo que liderou o projeto de colonização na região da rodovia Belém-Brasília, obra que ajudou no surgimento da cidade.
  5. Cariri do Tocantins – homanagem à Sebastião Rodrigues Nepomuceno, mais conhecido como “Cariri”, responsável por fundar a cidade.
  6. Carmolândia – homenagem ao seu fundador, Carmo Pedro de Oliveira, responsável pela origem da cidade.
  7. Caseara – homenagem à Raimundo Nonato Casé, fundador e primeiro morador da cidade.
  8. Couto de Magalhães – homenagem ao General José Vieira Couto de Magalhães, em referência às contribuições do militar, escritor, folclorista e político brasileiro que foi pioneiro na navegação do Rio Araguaia e grande desbravador da região.
  9. Darcinópolis – homenagem a Darcy Gomes Marinho, político e pioneiro da região de Tocantinópolis.
  10. Dianópolis – homenagem às “Dianas”, apelido carinhoso das tradicionais irmãs Custodianas, que eram membros das famílias influentes da região na época da elevação do povoado.
  11. Divinópolis do Tocantins – referência ao comerciante Divino Luiz Costa, o primeiro habitante da região, onde se instalou na década de 1950.
  12. Figueirópolis – homenagem ao seu fundador, Cândido dos Santos Figueira, que adquiriu terras na região em meados de 1959 e deu início ao desenvolvimento da cidade às margens da rodovia BR-153.
  13. Filadélfia – homenagem ao seu fundador, o senhor Filadélfio Antônio de Noronha, um dos primeiros fazendeiros a se estabelecer na região às margens do Rio Tocantins.
  14. Lizarda – Referência comemorativa ao nome de uma antiga moradora da região, dona Lizarda, que se destacou na comunidade e batizou o local que futuramente se tornaria a cidade.
  15. Luzinópolis – homenagem a Luiz do Alho, um líder comunitário que teve papel fundamental no desenvolvimento da cidade.
  16. Marianópolis do Tocantins – homenagem ao fundador do povoado original, Mariano Cavalcante.
  17. Maurilândia do Tocantins – homenagem ao ex-vereador e pioneiro da cidade, Maurílio Alves Bandeira.
  18. Nova Rosalândia – homenagem à “Rosalândia Velha”, antiga vila batizada em referência ao senhor Otacílio Marques Rosal, que era prefeito de Cristalândia na época da criação do povoado.
  19. Oliveira de Fátima – o nome “Oliveira” foi adotado em homenagem ao então prefeito de Porto Nacional na década de 1970, Olegário José de Oliveira, que negociou a compra de terras da antiga Fazenda Oliveira para criar o povoado.
  20. Pedro Afonso – homenagem ao príncipe Pedro Afonso de Orleans e Bragança, o filho caçula e herdeiro presuntivo do Imperador Dom Pedro II.
  21. Presidente Kennedy – homenagem ao ex-presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, em reconhecimento ao líder norte-americano e seu histórico ideal de progresso, inspirado pelo período de otimismo e abertura gerado pela construção da rodovia BR-153.
  22. Sampaio – homenagem ao seu primeiro morador e fundador, um pioneiro conhecido como José Sampaio.
  23. Sandolândia – homenagem a Sandoval Lopes Nogueira, que chegou ao local em 1963 e foi o fundador do povoado.
  24. Silvanópolis – referência à família Silva Guimarães, que fundou a região a partir do povoado “Extrema”, hoje município de Porto Nacional, de propriedade do patriarca Januário da Silva Guimarães e seus familiares.
  25. Wanderlândia – homenagem à família Wanderley, um dos primeiros grupos de moradores a se estabelecer na região.

★ Palmas (capital)

Toponímia, a ciência que estuda nomes de lugares

A Toponímia ou Toponomástica, ramo da Onomástica, ocupa-se do estudo dos nomes próprios de lugares, enquanto signos linguísticos, e pode desempenhar um papel importante na compreensão da história, da cultura, do modo de vida de grupos humanos de uma região.

Por isso, nomes de lugares não são apenas denominações, mas testemunhos vivos do passado e, com frequência, carregados de significado e simbolismo. E aí? Já conhecia?

Universidades brasileiras perdem espaço no mundo comprometendo o futuro da inovação no país

Das 52 universidades brasileiras avaliadas, 45 perderam posições em relação à 2025. Universidade de São Paulo (USP) manteve a liderança nacional, ocupando a 119ª posição. Foto: Reprodução-Cecília Bastos/USP Imagens

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O ranking CWUR 2026 (Center for World University Rankings), organização focada em consultoria de políticas públicas e estratégias educacionais para governos e instituições de ensino ao redor do mundo, avaliou mais de 21 mil instituições globalmente. No topo mundial, Harvard (1ª), MIT (2ª) e Stanford (3ª) dominam o pódio. No Brasil, a USP manteve a liderança nacional, ocupando a 119ª posição global, seguida da UFRJ (346ª posição) e Unicamp (361ª posição).

De acordo com estudos divulgados em junho pelo Centro, das 52 universidades brasileiras examinadas, 45 perderam posições em relação ao ano anterior, o equivalente a 87% das instituições do país presentes na lista. Apenas cinco avançaram e duas permaneceram estáveis. Os orçamentos das principais universidades líderes mundiais, movimentados por fundos patrimoniais (endowments) e receitas operacionais complexas, a Universidade Harvard (1º lugar) dispõe de fundo patrimonial avaliado em US$ 56,9 bilhões e um orçamento operacional de aproximadamente US$ 6,7 bilhões/ano.

Seguem a Universidade Yale (orçamento de receitas na faixa de US$ 6,37 bilhões/ano e um fundo patrimonial de US$ 44,1 bilhões), Universidade Stanford (receita operacional de US$ 10,3 bilhões e um fundo patrimonial de US$ 40,8 bilhões) e o MIT (Massachusetts Institute of Technology) com um fundo patrimonial de US$ 27,3 bilhões.

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Universidades brasileiras perdem espaço no mundo
Universidades de Harvard, nos EUA, segue na liderança global do ranking CWUR 2026. Foto: Reprodução/Harvard.edu

Para uma breve ideia comparativa, a USP tem um orçamento previsto para 2026 de R$ 9,41 bilhões, em torno de US$ 1,8 bilhão (cota-parte do ICMS paulista + recursos próprios). UFRJ: o orçamento/2026 total é de aproximadamente R$ 4,6 bilhões. A Universidade Federal do Amazonas – UFAM conta com um orçamento discricionário projetado para custeio no exercício 2026 de cerca de R$ 32,1 milhões.

O Brasil registrou um dos piores desempenhos entre os grandes sistemas de ensino superior do mundo. A deterioração ocorre em um momento de forte competição internacional por pesquisa, inovação e formação de talentos. Enquanto universidades brasileiras recuam, países como a China, a Coreia do Sul e Singapura ampliam investimentos em ciência, tecnologia e desenvolvimento acadêmico, consolidando posições cada vez mais relevantes nos rankings globais.

Nesse contexto, chama a atenção a pobreza do orçamento anual da EMBRAPA (Central), previsto para 2026 em R$ 4,84 bilhões (mais ou menos 0,38% do PIB brasileiro) para custeio geral, com cerca de R$ 600 milhões destinados à pesquisa. A dotação orçamentária do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) para custeio, cobertos com recursos diretos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), gira em torno de R$ 38 milhões a R$ 41 milhões (valor sem representatividade em relação ao PIB Brasil).

Universidades de Harvard, nos EUA, segue na liderança global do ranking CWUR 2026. Foto: Reprodução/Fundação estudar

Os investimentos do Brasil em C,T&I gira em torno de R$ 160 bilhões (US$ 800 milhões), próximo a 1,25% do PIB e aproximadamente 11,9% do orçamento anual de Harvard. Enquanto isso a China ultrapassou US$ 569 bilhões, cerca de 2,8% do PIB (chegou a 4% na fase inicial do arranque econômico do país) investidos em pesquisa e desenvolvimento.

Leia também: Amazônia: centro de controvérsias sobre a questão energética nacional

Em Inteligência Artificial (IA), tem gatos programados entre US$ 84 a US$ 98 bilhões/ano, consolidando-se entre as 10 economias mais inovadoras do mundo, destacadamente como maior polo global de pesquisa científica e patentes nos setores de nanotecnologia e biomedicina. O Japão manteve-se no topo dos investimentos globais em P&D da ordem de US$ 186 bilhões/ano. O país continua liderando investimentos corporativos voltados para a robótica, materiais avançados e inteligência artificial. A Coreia do Sul mantém investimentos em P&D da ordem de US$ 139 bilhões/ano. Anunciou recentemente um um super-pacote tecnológico que prevê investimentos em mega-projetos estatais de curto/médio prazo estimados em US$ 570 bilhões destinados a dobrar a produção nacional de semicondutores e expandir data centers voltados para inteligência artificial.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Estudo indica que Amazônia pode entrar em ‘morte lenta’ devido alta emissão de efeito estufa

Estudo publicado no grupo Nature aponta que alta emissão de gases do efeito estuda pode levar a Amazônia ao processo de ‘morte lenta’ até o fim do século XXI. Foto: Reprodução/Getty Images

Considerado o bioma de maior biodiversidade do mundo, a Amazônia pode enfrentar um processo de degradação irreversível até o fim do século XXI, caso o mundo mantenha a alta emissão de gases de efeito estufa. É o que alerta um estudo publicado pela revista científica Communications Earth & Environment, do grupo Nature, que analisou projeções sobre o cenário climático que assola a floresta amazônica.

A pesquisa, realizada de forma conjunta por oito cientistas, mostra que nove de 12 Modelos do Sistema Terrestre (ESMs) apontam para o início do processo chamado ‘dieback‘ da Amazônia, que é o termo utilizado para descrever a perda progressiva da capacidade da floresta de se manter como um ecossistema tropical. Alem disso, o estudo frisa que o colapso tende a ocorrer de forma lenta e não repentina, podendo levar décadas ou até séculos.

Os ESMs são ferramentas computacionais que integram dados de diferentes áreas científicas, como física, química e biologia, para simular processos ambientais complexos.

A pesquisa investigou o impacto do aumento contínuo da temperatura global e da exploração desmedida do solo sobre a floresta amazônica.

As análises realizadas revelaram que, em nove dos doze cenários modelados, a Amazônia poderá enfrentar um colapso acentuado (superior a 80% na produtividade) antes do ano 2100. Essa transformação desencadeará efeitos em cadeia, como secas prolongadas e incêndios florestais, exacerbando a situação climática.

Saiba mais: Ponto de não retorno: a Amazônia não tem tempo a perder

projeções feitas em estudo aponta que Amazônia pode entrar em processo de morte lenta até o fim do século XXI, devido à alta emissão de gases do efeito estufa
Nove dos 12 Modelos do Sistema Terrestre (ESMs) projetaram indídios do processo ‘dieback’ da Amazônia. Fonte: Reprodução do artigo

Temperatura e seca são os principais fatores

O estudo pontua que o aumento da temperatura é o principal gatilho para a degradação da floresta na maioria dos modelos climáticos. A redução das chuvas também exerce papel importante, principalmente em regiões já afetadas pelo desmatamento.

Os pesquisadores identificaram que, em média, o processo começa quando determinadas áreas da Amazônia passam a registrar temperaturas superiores a aproximadamente 32°C e precipitação anual inferior a 1.394 milímetros. Esses valores variam entre os diferentes modelos climáticos, mas servem como referência para identificar condições críticas para a floresta.

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Desmatamento na Amazônia também pode contribuir para a degradação lenta do ecossistema. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Além das mudanças climáticas, o estudo mostra que o desmatamento acelera a perda de resiliência da Amazônia. A substituição da floresta por áreas de pastagem e agricultura reduz a reciclagem de umidade responsável por grande parte das chuvas da própria região. Com isso, a diminuição da formação de nuvens favorece reduz a evapotranspiração, aumentando o aquecimento local e criando um ciclo que possibilita secas mais intensas.

Os pesquisadores destacam que, em alguns modelos, mesmo áreas sem desmatamento podem sofrer degradação apenas pelo efeito das mudanças climáticas. Em outros, a combinação entre aquecimento global e mudanças no uso da terra acelera significativamente esse processo.

Leia também: Revista científica alerta que desmatamento pode acabar com a Floresta Amazônica

Mudanças podem a América do Sul

Outro resultado importante é que a degradação da Amazônia não afetaria apenas a floresta. Os modelos indicam alterações na circulação atmosférica, redução das chuvas em parte da bacia amazônica e mudanças na distribuição das precipitações em outras regiões do continente sul-americano.

Durante parte do processo, a Amazônia também deixaria de atuar como um importante sumidouro de carbono e passaria temporariamente a emitir mais carbono para a atmosfera, contribuindo para intensificar o aquecimento global.

Ainda há tempo para evitar esse cenário

Apesar do alerta, os autores do estudo afirmam que o quadro apresentado corresponde aos chamados cenários de altas emissões, considerados os mais pessimistas utilizados pela comunidade científica. Portanto, o grupo frisa que existem políticas governamentais que são capazes de reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa, conter o desmatamento e preservar a floresta, contribuindo significativamente para que a Amazônia não atinja o risco do ‘ponto de não retorno’, que é o limite crítico que as mudanças climáticas desencadeiam um colapso irreversível no ecossistema.

Os pesquisadores também defendem o aprimoramento dos modelos climáticos e afirmam que proteger a Amazônia é fundamental não apenas para conservar sua biodiversidade, mas também para manter o equilíbrio climático e o ciclo global do carbono.

“O estudo destaca a maior vulnerabilidade da Amazônia às mudanças climáticas, especialmente em cenários de aquecimento que elevam as condições climáticas locais além da tolerância fisiológica dos ecossistemas das florestas tropicais. Diante dos resultados do ESM, é necessária uma ação política urgente para limitar o aquecimento e o desmatamento, reduzindo o risco de pontos de inflexão e colapsos em larga escala. Proteger a Amazônia não é apenas crucial para preservar a biodiversidade, mas também para estabilizar o sistema climático global e garantir o equilíbrio global de carbono”, diz um trecho do estudo.

O estudo completo pode ser acessado aqui.