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Portal Amazônia responde: o que é herbário?

Coleções de plantas desidratadas são fundamentais para catalogação da diversidade biológica das espécies de plantas. Foto: UFSC

País com maior biodiversidade do mundo, o Brasil possui atualmente cerca de 46 mil espécies de plantas espalhadas pelos seus diversos biomas. Muitas delas foram identificadas através dos herbários, que são locais onde são preservados exemplares de plantas para estudos das espécies.

A coleção, além de fundamental para o meio acadêmico especialmente na área da botânica, visa o estudo e preservação das plantas existentes no planeta. O Portal Amazônia conversou com Vilany Matilla Colares, bióloga e mestre em Botânica, para explicar sobre a importância dos herbários.

O que é herbário?

Herbários são coleções de plantas desidratadas (secas) colhidas na natureza para conhecimento, estudo e registro das espécies. De acordo com Vilany, as amostras são fundamentais para a catalogação da diversidade biológica das plantas e essenciais para fins de pesquisa e estudos acadêmicos.

Armário aberto mostrando as divisórias com exsicatas. Foto: USP

“O herbário é um local de referência sobre a flora de uma região. Uma coleção de plantas ou parte delas desidratadas, o que chamamos de exsicatas, com o objetivo de estudar, identificar e classificar espécies de plantas. Vale ressaltar que o registro das coletas de plantas estudadas são obrigatórias em dissertações de mestrado e teses de doutorado para validação dos resultados de pesquisa e publicações científicas”, explicou Vilany, que possui doutorado e mestrado em botânica pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

Além do conhecimento e identificação das espécies de plantas, uma das principais funções dos locais é a conscientização da população acerca da flora presente no planeta, para o uso racional da vegetação por parte do homem.

“Por meio dos herbários, é possível trabalhar na identificação de novas espécies ou até mesmo desconhecidas, na conservação das espécies ameaçadas ou extintas, além da busca de informações valiosas através de pesquisas científicas. Com isso, os herbários contribuem para o avanço da ciência e conscientização pela preservação da biodiversidade”, pontua Colares.

Saiba mais: Conheça 4 herbários existentes na Amazônia Legal

Como funciona a criação de um herbário?

A formação de um herbário passa por algumas etapas, que vão desde o objetivo inicial da coleção até o início do processo de coleta das plantas na natureza, dando início a uma nova fase da amostra.

“Primeiramente, é necessário definir o propósito, o objetivo do herbário, se é para ensino, pesquisa, conservação, entre outros. Logo depois, se define o local onde vai se instalar o herbário, que podem ser universidades, museus, escolas, entre outros, e a captação de recursos financeiros para criação e manutenção. A partir daí é que avançamos para a próxima etapa, que é a coleta de plantas”, explicou Vilany.

A segunda etapa consiste na coleta de plantas, onde são retiradas as amostras do ambiente natural. Nesta fase, a cientista reforça que o planejamento é crucial durante a seleção das espécies.

Etapa de coleta de plantas para formação de um herbário. Foto: Divulgação/IMA

“É fundamental o planejamento para a coleta de plantas, incluindo a escolha das espécies e locais de coleta. As anotações sobre a coleta são necessárias como localização, data, hora, tamanho da planta, cores, cheiros, entre outras características”, explica a bióloga.

Registro de uma planta no herbário da Embrapa. Foto: Divulgação/Embrapa

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A próxima etapa consiste na preparação e secagem das plantas, num método chamado de herborização, que é o processo de prensagem e desidratação de amostras das espécies, para estudos posteriores.

“Nesta fase, existe a limpeza e identificação das plantas coletadas, e a secagem das plantas em estufa ou ar livre, para evitar a decomposição. Depois acontece a montagem das exsicatas, que é a catalogação para criação de um banco de dados e armazenamento em local fresco, seco e protegido da luz, com controle de temperatura e umidade”, ressaltou Vilany, que já atuou no inventário florístico da Amazônia.

Importância dos herbários

A partir das amostras preservadas nas coleções, é possível pesquisar a vegetação de diferentes regiões e entender quantas espécies temos e como elas se distribuem nos diferentes ambientes. É a partir destes dados que podemos estimar a diversidade de plantas em diferentes biomas, nos municípios, estados, países, em ecorregiões ou nas Unidades de Conservação.​ 

Herbário
Exemplo de herbário. Foto: Museu Virtual da Universidade de Brasília

Conheça 4 herbários existentes na Amazônia Legal

Herbário é uma coleção científica, composta por amostras de plantas secas, provenientes de diferentes ecossistemas, servindo como registro e referência sobre a vegetação e flora de uma determinada região. Os herbários são essenciais tanto para o meio acadêmico quanto para a conservação e preservação de espécies.

O Portal Amazônia listou os principais herbários localizados nos estados da Amazônia Legal, que abrigam maior parte da flora existente na região amazônica.

Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Amazonas)

Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI)
Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). Foto: Camila Barbosa/Ascom Inpa

Com o maior acervo de coletas de plantas da Amazônia brasileira, é um dos mais importantes centros científicos sobre a biodiversidade da floresta amazônica. Criado pelo criado pelo Decreto 31.672 de 29 de outubro de 1952 e instalado em 27 de julho de 1954, armazena 300 mil exemplares de plantas da flora amazônica, incluindo também espécies de outras regiões do Brasil e de 70 países.

Desse montante, 91,6% dos exemplares (274.998) são da flora brasileira, enquanto que 50,6% dos espécimes coletados (151.998) são do Amazonas. É considerado o quinto maior do Brasil.

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Herbário IAN – Instituto Agronômico do Norte (Pará)

Sede da Embrapa Amazônia Oriental, no Pará. Foto: Divulgação/Embrapa

Fundado em 1945, fica localizado em Belém é uma das principais referências botânicas da Amazônia. Sob responsabilidade da Embrapa Amazônia Oriental, possui um acervo de 194 mil exemplares de plantas desidratadas e a elas estão associadas amostras de madeiras, frutos, flores, sementes e plântulas.

Com o propósito de otimizar os trabalhos desenvolvidos nas coleções existentes, foi criado o Herbário Virtual IAN, com aproximadamente 10% de sua coleção principal já disponibilizada na Internet, com os dados e imagens das exsicatas rigorosamente verificados.

Herbário da Amazônia Meridional (Mato Grosso)

Herbário da Amazônia Meridiona, vinculado à Universidade do Estado de Mato Grosso. Foto: Reprodução/Instagram-herman.unemat

Localizado no campus da Universidade do Estado do Mato Grosso (UNEMAT), engloba o maior acervo da Amazônia matogrossense. Possui cerca de 13 mil registros de plantas da flora regional, especialmente das regiões norte do estado e sul do Pará.

Herbário do Museu Goeldi (Pará)

Com mais de 130 anos de história, Herbário João Murça Pires é referência nacional e internacional da preservação da diversidade vegetal da Amazônia. Divulgação Museu Goeldi

Mais antigo da região Norte do Brasil e o terceiro do país, é referência nacional e internacional no registro e preservação da diversidade vegetal da Amazônia. O acervo da unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) reúne cerca de 255 mil amostras, sobretudo amazônicas.

Localizado em Belém, contempla cerca de 3 mil tipos nomenclaturais da Amazônia, bem como milhares de coletas históricas de renomados botânicos como Jacques Huber, Ernst Ule, Richard Spruce e Adolpho Ducke.

Saiba mais: Planta misteriosa descoberta há quase 50 anos, finalmente é identificada. Confira:

É festa na Cidade Verde: Cuiabá, capital do Mato Grosso, completa 307 anos; confira fotos

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Com uma história marcada por profundas transformações históricas e sociais, a cidade de Cuiabá comemora nesta quarta-feira (8) seu aniversário de 307 anos. Fundada em 1719 às margens do rio que leva o seu nome, a capital de Mato Grosso carrega até hoje uma identidade ligada ao descobrimento do ouro, fato ligado à sua origem e que foi essencial para a formação urbana, social e econômica da cidade referência do Centro-Oeste brasileiro.

Ao longo dos séculos, Cuiabá se transformou num grande polo urbano, numa evolução que uniu o desenvolvimento e avanços em infraestrutura com a preservação da identidade cultural da cidade. Esse cenário de valorização da capital mato-grossense é visível em diversos pontos da cidade, através de elementos históricos, culturais e humanos: monumentos, museus e demais espaços que traduzem a história de Cuiabá.

Leia também: Conheça quatro curiosidades sobre a cidade de Cuiabá, capital do Mato Grosso

Prova disso é a galeria de fotos produzida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) reunindo fotografias da cidade. A iniciativa reforça o papel da imagem como instrumento de preservação da história e valorização da identidade cuiabana, por meio de registros que revelam o crescimento e as transformações da capital mato-grossense ao longo dos anos.

“Buscamos ir além da paisagem urbana, mostrando um pouco da história, da cultura e das pessoas. Cuiabá é essa mistura, essa diversidade que a nossa equipe procurou retratar nas imagens, unindo passado e presente”, explica o gerente de fotografia da Secretaria de Comunicação da ALMT, Marcos Lopes.

Os registros fazem parte do Instituto Memória da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, responsável por guardar e organizar documentos e acervos fotográficos da Casa desde 1835. O Instituto reúne registros de parlamentares, eventos históricos e contribuições para a formação do estado, sendo considerado uma fonte única de pesquisa.

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Confira alguma das fotografias que oferecem ao público uma viagem ao tempo através de registros que revelam o crescimento e as transformações de Cuiabá durante esses 307 anos.

Você pode conferir a galeria de fotos completa produzid por fotógrafos da Casa Legislativa aqui.

História de Cuiabá

A cidade de Cuiabá foi fundada oficialmente no dia 08 de Abril de 1719. A história registra que os primeiros indícios de Bandeirantes paulistas na região, onde hoje fica a cidade, datam de 1673 e 1682, quando da passagem do bandeirante Manoel de Campos Bicudo pela região.

Ele fundou o primeiro povoado da região, no ponto onde o rio Coxipó deságua no rio Cuiabá, localidade batizada de São Gonçalo. Em 1718, chega ao local, já abandonado, a bandeira do paulista de Sorocaba, Pascoal Moreira Cabral, que depois de uma batalha perdida para os índios coxiponés, viu-se compensado pela descoberta de ouro, passando a se dedicar ao garimpo.

Em 08 de Abril de 1719, Pascoal Moreira Cabral assina a ata da fundação de Cuiabá, no local conhecido como Forquilha, às margens do rio Coxipó. Foi a forma encontrada para garantir os direitos pela descoberta à Capitania de São Paulo. Em 1726, chega à região o capitão-general governador da Capitania de São Paulo, Rodrigo César de Menezes, como representante do Reino de Portugal.

No dia 1º de janeiro de 1727, Cuiabá é elevada à categoria de vila, com o nome de Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Rapidamente, contudo, as lavras de ouro se mostraram menores que o esperado, o que acarretou o abandono do local por parte da população. Mas, um século depois de sua fundação, Cuiabá foi alçada à condição de cidade em 17 de setembro de 1818, e tornou-se a capital da então província de Mato Grosso no dia 28 de agosto de 1835 (antes a capital da província era Vila Bela da Santíssima Trindade).

Há várias versões para a origem do nome Cuiabá. Uma delas é de que o nome tem origem na palavra bororo Ikuiapá que significa “lugar da Ikuia” (ikuia: flecha-arpão, flecha para pescar, feita de uma espécie de cana brava; pá: lugar), o nome designa uma localidade onde os índios bororos costumavam caçar e pescar, no córrego da Prainha (que corta a área central de Cuiabá).

Outra explicação possível é a de que Cuiabá seria uma aglutinação de Kyyaverá (que em guarani significa ‘rio de lontra brilhante’). Uma terceira hipótese conta que a origem da palavra está no fato de existirem árvores produtoras de cuia à beira do rio e que Cuiabá significaria “rio criador de vasilha”.

Há ainda outras versões menos embasadas historicamente, que mais se aproximam de lenda do que de fatos.

Projetos sociais em Boa Vista mudam histórias por meio da inclusão

No Projeto Crescer, Maria Vitória transformou linhas em oportunidades e sonhos em futuro. Foto: Prefeitura Municipal de Boa Vista

A linha que passava pelo tecido, aos poucos, foi tecendo uma nova história. Quando Maria Vitória entrou no Projeto Crescer e, pela primeira vez, segurou uma agulha, não imaginava que também estava costurando os próprios sonhos. Aos 17 anos, ela olha para trás e vê um tear de oportunidades: o que começou como uma curiosidade na oficina de Corte e Costura se transformou em um estágio na área administrativa, mudando completamente a forma como enxerga o próprio futuro.

Antes de chegar ao Crescer, ela deu os primeiros passos em outro projeto da Prefeitura de Boa Vista. Em 2017, participou do Conviver, no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do bairro União. Depois, recebeu convites para integrar o Dedo Verde e o Artcanto, mas optou pelo Crescer em 2024, por meio da irmã. “Ela participava na época que o Crescer era no Calungá. Foi assim que eu descobri esse universo. Eu nem imaginava que existiam projetos sociais”.

Foi na oficina de Corte e Costura que Maria encontrou um novo mundo. Ela destacou a paciência e o cuidado dos ensinamentos por parte dos servidores. “Eles me guiaram desde o começo, passo a passo. Eu não sabia costurar, não sabia fazer nada. E olha só: já fiz bolsa, tapete, pochete, lacinho, turbante. Até vendi os produtos na AgroBV”.

Leia também: Novos alunos iniciam curso de Robótica Educacional em Boa Vista

Do zero à renda própria: Maria Vitória aprendeu a produzir e vender suas criações. Crédito: PMBV.
Do zero à renda própria: Maria Vitória aprendeu a produzir e vender suas criações. Foto: Prefeitura Municipal de Boa Vista

Essa base foi apenas o início. Em 2025, uma nova porta se abriu: ela conquistou uma bolsa no Programa Rumo Certo, também da prefeitura, e ingressou no setor administrativo do próprio Crescer. “Eu deixei de enxergar como integrante e passei a me ver como estagiária mesmo. Foi uma ‘virada de chave’. Eu não sabia ligar um computador. Uma servidora antiga, com toda a paciência, ensinou os primeiros passos e hoje eu mesma faço declarações e ofícios para outros departamentos”.

Maria destacou o quanto a visão sobre o projeto mudou. “Quando somos integrantes, vemos de um jeito. Mas, pelo lado da gerência, é totalmente diferente. Eles dedicam muito tempo para preparar cada palestra, cada evento. É difícil. Exige esforço, mas eu passei a enxergar todo o trabalho que há por trás”.

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De integrante a estagiária: hoje, Maria Vitória produz declarações e ofícios para outros departamentos do município. Foto: Prefeitura Municipal de Boa Vista
De integrante a estagiária: hoje, Maria Vitória produz declarações e ofícios para outros departamentos do município. Foto: Prefeitura Municipal de Boa Vista

A chegada ao Rumo Certo foi motivo de pura emoção. “O programa coloca a gente para estagiar em vários lugares, mas nunca imaginei que um projeto pudesse estagiar dentro do outro projeto. Quando soube que seria aqui mesmo, pulei de alegria e abracei a ‘Rosinha’ [Roseneide Rodrigues, gerente do Crescer]. Foi uma felicidade genuína”.

Maria Vitória ainda ressalta que as lições foram além das tarefas técnicas. “Mudou muita coisa na minha vida. Aprendi a lidar com as pessoas, a escutar os pais que vêm até aqui resolver alguma situação. Isso me proporcionou maturidade, totalmente diferente da visão que eu tinha quando era apenas integrante”.

Conselho para as futuras gerações

Ao olhar para trás e ver o quanto cresceu, Maria deixa um recado especial para os jovens que estão chegando ao Crescer, talvez cheios de dúvidas ou receios. “Aproveitem cada oportunidade, pois ela pode não aparecer duas vezes. Todos os dias chegam solicitações de inclusão do CREAS e dos CRAS para trazer novos integrantes para cá e muita gente deixa passar, seja por medo, por vergonha ou por achar que não é para si”.

Portal Amazônia responde: Como funciona o modelo Zona Franca de Manaus?

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Zona Franca de Manaus. Foto: Divulgação/Suframa

Considerado um dos maiores parques industriais do Brasil, a Zona Franca de Manaus é um modelo de desenvolvimento econômico e sustentável com regime especial que garante incentivos fiscais e abriga quase 600 empresas no meio da região amazônica.

Criada em 1967, a ZFM tinha o objetivo de integrar a Amazônia com o restante do país através dos incentivos fiscais às empresas, mas acabou se tornando um exemplo de preservação do ambiente capaz de proteger 97% da cobertura vegetal da floresta amazônica.

Mas como funciona esse modelo? O Portal Amazônia conversou com o ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Econõmico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Serafim Corrêa, que explicou de forma objetiva o parque industrial, que hoje que é o pilar da economia local e um dos responsáveis por grande parte do Produto Interno Bruno (PIB) do Amazonas.

Leia também: Zona Franca de Manaus completa 59 anos como principal motor econômico na Amazônia

O que é o modelo Zona Franca de Manaus?

A Zona Franca de Manaus é um regime especial de incentivos fiscais criado em 1967 com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento econômico da região Norte do país. A ideia era compensar a desvantagem logística e promover a industrialização da Amazônia por meio de benefícios tributários federais, estaduais e municipais.

Para fazer parte do modelo, as indústrias interessadas precisam apresentar incialmente o Processo Produtivo Básico (PPB), que consiste num conjunto de regras que determinam as etapas para a fabricação de um determinado produto.

“As empresas que se instalam aqui têm redução de impostos federais e estaduais. Em troca, elas devem produzir com agregação local de valor, com regras rígidas de produção local, chamadas de Processo Produtivo Básico”, explicou Serafim.

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O que é o Processo Produtivo Básico (PPB)?

O PPB é o conjunto mínimo de operações fabris que as empresas instaladas na Zona Franca de Manaus precisam cumprir para caracterizar a industrialização de um produto. Formalizado em 30 de dezembro de 1991 pela Lei nº 8.387, o conceito tem como principal objetivo assegurar que determinados produtos sejam efetivamente industrializados no Brasil, em vez de apenas montados com componentes importados.

PPB de uma empresa precisa detalhar as etapas fabris de um determinado produto. Foto: Emballage Cartier

O PPB surgiu na década de 1990, em substituição à antiga política de reserva de mercado da informática. Enquanto o modelo anterior restringia a entrada de produtos estrangeiros, o novo sistema buscou integrar o Brasil ao comércio global, mas preservando incentivos para a produção nacional.

Com o passar dos anos, esse mecanismo foi sendo atualizado para acompanhar as transformações tecnológicas. Hoje, ele é aplicado a diversos segmentos e continua sendo uma das principais ferramentas de estímulo à indústria de alta tecnologia no país.

Leia também: Polo Industrial de Manaus tem maior faturamento da história: setembro bate recorde com R$ 20,07 bilhões

Todo processo é instituído através de portarias interministeriais, emitidas pelos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), que detalham as exigências para cada tipo de produto, para que haja um nível mínimo de valor agregado local.

Suframa é uma artarquia federal que administra a Zona Franca de Manaus. Foto: Divulgação/Suframa

O PPB de uma empresa é avaliado durante reuniões do Conselho de Administração da Suframa – CAS, que analisa e aprova pedidos de implantação de indústrias na Zona Franca de Manaus. A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) é quem fiscaliza o cumprimento das exigências.

Em suma, o PPB incentiva a produção local, gera empregos, promove o desenvolvimento tecnológico com a adoção de tecnologias e fortalece a economia regional de forma sustentável.

Incentivos fiscais

No entanto, o PPB também funciona como uma espécie de contrato entre a indústria fixada na Zona Franca de Manaus e o Poder Público. A empresa é obrigada a produzir o que determina seu PPB, enquanto que, em contrapartida, o Governo oferece uma série de incentivos fiscais.

Na Zona Franca de Manaus, os produtos fabricados de acordo com o Processo Produtivo Básico recebem os seguintes incentivos:

  • Redução de 88% do Imposto de Importação (II) dos insumos importados;
  • Isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do bem final;
  • Isenção da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nas operações internas na Zona Franca de Manaus;
  • Alíquota e crédito diferenciados de PIS/PASEP e COFINS para venda em outras regiões do País.

“Isso garante que o Polo Industrial de Manaus não seja um centro de montagem superficial, onde a maior parte das empresas faz etapas industriais completas, gera tecnologia, capacitação e milhares de empregos”, frisou o ex-secretário.

Investimentos

Em 1993, a Lei de Informática (nº 8.248/91) incluiu a obrigatoriedade de aplicação de 5% do faturamento bruto obtido da venda dos bens incentivados em atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Com a publicação da Lei nº 10.176, de 11 de janeiro de 2001, o PPB e a aplicação de recursos em P&D passaram a ser estabelecidos como contrapartidas aos benefícios fiscais.

A utilização dos incentivos fiscais vinculados ao PPB é responsável pela permanência ou instalação, no Brasil, de muitos empreendimentos industriais, tanto no Polo Industrial de Manaus, como em outras localidades do País, por meio da Lei de Informática.

Leia também: Entenda porque a Zona Franca de Manaus é importante para a economia na Região Norte

Faturamento pim teve maior participação de bens de informática
Lei da Informática determina que empresas instaladas na ZFM invistam 5% do seu faturamento em atividades de pesquisa. Foto: Divulgação/Suframa

“O resultado é um parque industrial moderno, que hoje produz desde eletroeletrônicos, motocicletas e bens de informática até insumos químicos, termoplásticos e concentrados de bebidas. Gera mais de meio milhão de empregos diretos e indiretos e garante uma arrecadação substancial que financia políticas públicas no Amazonas”, reforça Corrêa.

Preservação da floresta amazônica

Um dos maiores benefícios da Zona Franca de Manaus é a sua atuação na harmonia e conservação ambiental da Amazônia. Criada originalmente para ser um centro industrial, comercial e agropecuário e um vetor de integração nacional, o modelo acabou exercendo uma influência decisiva na preservação da floresta amazônica desde sua implementação, em 1967.

Isso porque, segundo estudos de impacto realizado ao longo das últimas décadas, ficou comprovado que a existência do Polo Industrial de Manaus ajudou a diminuir a pressão sobre os recursos ambientais e evitar o desmatamento da floresta amazônica.

Zona Franca de Manaus contribui para a preservação de 97% da cobertura vegetal nativa da Floresta Amazônica. Foto: Acervo/MMA

Com isso, o modelo ZFM se tornou um exemplo bem sucedido de desenvolvimento e conservação ambiental nos estados da Amazônia Ocidental. Por exemplo, no Amazonas, o parque industrial mantém preservada 97% da cobertura vegetal, mesmo com quatro décadas de intensas atividades industriais.

Principal agente da preservação do patrimônio natural da humanidade, a Zona Franca de Manaus também garante uma contrapartida ambiental mundial em garantir a biodiversidade amazônica.

“A Zona Franca funciona, gera resultados e cumpre seu papel estratégico. O que precisamos é que o Brasil a reconheça como um instrumento de desenvolvimento e conservação, e não como problema”, finalizou.

Grupo Rede Amazônica recebe homenagem em evento de 31 anos do Bosque da Ciência

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Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia

O Grupo Rede Amazônica foi homenageada nesta quarta (1º) durante evento de comemoração ao aniversário de 31 anos do Bosque da Ciência. O reconhecimento homenageou profissionais da imprensa e gestores que contribuíram na trajetória da instituição vinculada ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI).

Durante a cerimônia, o diretor do Inpa, Henrique Pereira, entregou certificados aos profissionais da comunicação amazonense. Na ocasião, receberam as homenagens pelas contribuições da emissora na consolidação na trajetória das mais de três décadas do Bosque da Ciência:

  • o diretor da programação do Grupo Rede Amazônica, Silvério Machado, representando o CEO do Grupo Phelippe Daou Júnior;
  • o diretor de jornalismo Paulo Fernandes;
  • a supervisora de jornalismo do Portal Amazônia, Clarissa Bacellar;
  • a coordenadora do G1 Amazonas, Jacqueline Nascimento;
  • e Luciane Marques e Ruthiene Bindá, da TV Globo na afiliada.

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“Ter a Rede Amazônica homenageada é o reconhecimento do nosso propósito de integrar e desenvolver a nossa região, através de um jornalismo responsável, de credibilidade e conteúdos de qualidade. E o Bosque da Ciência é um dos principais atores dessa democratização da ciência, uma instituição que desenvolve e garante acesso a população de forma aberta à população. Feliz pela homenagem”, afirmou Silvério Machado.

Representando o Portal Amazônia, a supervisora de jornalismo multimídia Clarissa Bacellar destacou a atuação do Bosque da Ciência no papel de fortalecimento da região amazônica.

“O Portal Amazônia e o Amazon Sat têm como missão falar sobre a Amazônia. Nós queremos mostrar o que é a nossa realidade, o que o povo amazônida vive, então, se a nossa missão é essa, nada melhor do que estar com pessoas que também buscam isso. O Bosque da Ciência aplica isso na prática, em conjunto com as pesquisas do Inpa. Então é muito satisfatório ter esse reconhecimento, de quem trabalha diretamente para transformar a vida das pessoas, assim como o Grupo Rede Amazônica também trabalha”, declarou Clarissa.

Leia também: Bosque da Ciência é opção de lazer e contato com a natureza, em Manaus; conheça

Imagem colorida mostra a supervisora de jornalismo do Portal Amazônia, Clarissa Bacellar, recebendo certificado do Inpa na cerimônia de 31 anos do Bosque da Ciência
Portal Amazônia foi homenageado durante cerimônia de aniversário dos 31 anos do Bosque da Ciência. Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia

Segundo o diretor do Inpa, Henrique Pereira, as homenagens visam reconhecer a contribuição de várias personalidades que ajudaram a consolidar a história do Bosque da Ciência.

“Nós nos encontramos neste dia para celebrar o sucesso da sua iniciativa e sua longevidade. Reunir aqueles que chamamos de amigos e amigas do Bosque da Ciência. São comunicadores, empresários, políticos da nossa região, que ao longo desses 31 anos prestaram apoio e incentivaram a continuidade dessa iniciativa do Inpa. O Bosque da Ciência é um pedaço do Inpa aberto à visitação pública, com mais de 140 mil visitantes, e é a nossa maior aposta na educação ambiental, na educação científica e na popularização da ciência na Amazônia”, enfatizou.

Bosque da Ciência

Primeiro parque verde urbano de Manaus, o Bosque da Ciência completa 31 anos de funcionamento neste 1º de abril. Para celebrar a data, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) preparou uma programação especial com exposições, oficinas e jogos, além da cerimônia de homenagens a personalidades que contribuem para a trajetória do Bosque.

Criado para estreitar os laços com a comunidade, oferecendo contato direto com a natureza e a ciência produzida pelo Inpa, o Bosque é referência no Amazonas como espaço de lazer, educação ambiental, popularização da ciência e de turismo de natureza.

Em três décadas de funcionamento, o parque recebeu mais de 2 milhões de visitantes. Em 2025, bateu o recorde de público dos últimos anos, com 140.554 visitantes, a maioria deles moradores locais, grupos escolares e turistas nacionais e estrangeiros.

Bosque da Ciência completou 31 anos de história
Bosque da Ciência fica localizado na rua Bem-te-vi, s/nº, bairro Petrópolis, em Manaus. Foto: Reprodução/Acervo Inpa

Leia também: 5 bosques para se aproximar da natureza na região amazônica

Neste ano, as atividades comemorativas no parque foram concentradas no próprio dia 1º de abril (quarta-feira). Vários grupos de pesquisa, laboratórios, projetos e setores do Inpa estiveram envolvidos na programação.

“O Bosque da Ciência, como educador por natureza, tem cumprido o seu papel de oferecer à população uma opção de lazer, de caráter científico e cultural, despertando nos visitantes a curiosidade e o interesse pela ciência e pelo meio ambiente”, destaca o chefe do Bosque, Jorge Lobato.

O Bosque funciona das 9h às 17h, com entrada gratuita, basta agendar pelo site AQUI.

Licitação para pavimentação do trecho do meio da BR-319 é anunciada em Brasília

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Foto: Reprodução/DNIT

A tão aguardada pavimentação da BR-319 ganhou um passo importante, nesta terça-feira (31), com o anúncio da licitação para a recuperação do trecho do meio da rodovia federal. Em ato que reuniu os senadores do Amazonas Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB) em Brasília, o ministro dos Transportes Renan Filho assinou o pregão eletrônico que autoriza o plano de melhoramento e pavimentação de 339,4 quilômetros da via, área crítica que compreende o trecho entre os igarapés Ati e Realidade.

De acordo com o documento, a publicação do edital para contratação das empresas será no próximo dia 10 de abril no Diário Oficial da União, e a abertura de proposta está prevista para o dia 30 de abril. A obra está orçada em R$ 678 milhões e o prazo de execução será de três anos.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o ‘trecho do meio’ da BR-319?

Licitação para pavimentação do trecho do meio da BR-319 é anunciada em Brasília
Foto: Divulgação/Instagram-Omar Aziz

Durante a solenidade, o senador Omar Aziz (PSD) afirmou que o momento é histórico para o Amazonas.

“Realmente, é um momento histórico para todos nós. Agora, no dia 10, o edital vai para a rua, depois vem o processo de licitação e, se Deus quiser, no início de maio já teremos o trecho do meio sendo asfaltado. Essa é uma luta histórica nossa”, afirmou Aziz.

Além deste edital, foi assinada a ordem de início para a construção da ponte sobre o rio Igapó Açu no quilômetro 260 da BR-319. A construtora Etam LTDA será a responsável pela obra, que terá cerca de 320 metros de extensão e custará R$ 44 milhões, com prazo de conclusão de 23 meses.

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Já o senador Eduardo Braga (MDB) enalteceu os investimentos na rodovia com o objetivo de dar dignidade para aqueles que dependem da BR-319.

“Serão mais de 430 quilômetros de pavimentação da BR-319, estamos entrando num ciclo de investimentos que vai nos tirar da lama e da poeira. Mais de dois bilhões de reais investidos nos próximos três anos”, reforçou o parlamentar.

Durante a solenidade, o ministro Renan Filho também assinou a ordem para início dos serviços de recuperação BR-174, rodovia que liga Manaus à Itacoatiara. As obras compreendem 255 quilômetros da rodovia, que será executada em dois lotes, sob valor total de R$ 366 milhões, divididos em dois lotes, com prazo de execução em 41 meses.

Leia também: BR-319: A história e a realidade da rodovia que liga o Amazonas ao Brasil

BR-319

Com 885 quilômetros de extensão, a BR-319 é a única ligação terrestre entre Manaus e o restante do país. A rodovia conecta a capital amazonense a Porto Velho (RO) e é considerada essencial para o abastecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos, principalmente em períodos de seca dos rios.

Atualmente, cerca de 400 quilômetros da estrada seguem sem pavimentação, comprometendo o transporte de cargas e passageiros.

Chef apresenta pratos adaptados com ingredientes amazônicos no Canadá: “eu trago aqui o coração da Amazônia”

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Foto: Reprodução/Instagram-banzeiromanaus.oficial

A culinária amazônica ultrapassou as fronteiras brasileiras e foi parar no Canadá. No último dia 12 de março, o chef Felipe Schaedler participou do programa de televisão canadense Breakfast Television e apresentou uma variedade de pratos gastronômicos com ingredientes típicos da floresta amazônica.

O chef brasileiro foi convidado para apresentar opções de jantar no Global Chef Series, um dos maiores eventos gastronômicos do mundo que acontece no Park Hyatt Toronto e reúne chefs renomados de todo o planeta. Na ocasião, Schaedler produziu uma variedades de pratos com insumos amazônicos como, por exemplo, tucumã, puxuri e farinha uarini.

Durante o programa, o chef mostrou o ‘Black Tucupi’, prato com Black Cod (peixe bacalhau popular das águas frias do Oceano Pacífico), purê de tucumã e farinha uarini.

Outro item apresentado foi o ‘Vieras’, prato que contém molusco de carne branca grelhado com molho de leite de castanha e puxuri, espécie de ‘noz-moscada da Amazônia’ que dá um aroma diferente e único.

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Na ocasião, o chef destacou que a região amazônica possui uma imensidão de itens alimentícios que podem ser utilizados em pratos gastronômicos.

“Talvez algumas pessoas não saibam sobre este ingrediente porque a Amazônia é muito grande, e eu trago aqui o coração da Amazônia. Estou usando alguns ingredientes daqui, mas temos muitos sabores diferentes nos pratos como o tucumã, que é uma fruta de uma palmeira que nós só temos na Amazônia, o puxuri que é uma semente aromática espetacular e a conhecida farinha uarini”, explicou o chef em sua participação no programa canadense.

Chef Felipe Schaedler apresentando pratos com iguarias amazônicas em programa da televisão canadense
Chef Felipe Schaedler participou do programa matinal da televisão canadense e apresentou pratos com iguais amazônicas. Foto: Reprodução/Instagram-banzeiromanaus.oficial

Da Amazônia para o mundo

Apaixonado pela culinária local, Felipe Schaedler afirmou que apresentar pratos gastronômicos com itens da região é uma forma de apresentar a rica diversidade da floresta amazônica para o mundo.

“A Amazônia é um lugar ímpar no mundo e quando ela vira notícia por qualquer motivo, nós chamamos a atenção da imprensa. Dentro da gastronomia, eu gosto dessa provocação, de mostrar tudo sobre a Amazônia, o cuidado que devemos ter com ela e como a gente precisa respeitar a floresta. Então, além da comida e pratos gastronômicos, eu trago essa reflexão profunda do que ela significa para o mundo. Isso sem falar que os ingredientes são produzidos de maneira sustentável, ou seja, de cadeias que não precisam derrubar a floresta”, frisou Schaedler ao Portal Amazônia, que contou ainda sobre sua maior ambição:

“Estamos trabalhando para que a Amazônia seja relevante no mundo assim como outras culturas, como a cozinha japonesa, a comida peruana, a culinária coreana, asiática. Espero muito que um dia a gente também possa olhar restaurantes da Amazônia em vários lugares do mundo”, finalizou.

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Chef Felipe Schaedler.
Chef Felipe Schaedler, durante a participação no Global Chef Series, um dos maiores eventos gastronômicos do mundo. Foto: Felipe Schaedler/Acervo pessoal

Quem é Felipe Schaedler

Catarinense de nascença, mas amazonense de alma, Felipe Elias Schaedler é um chef brasileiro natural de Maravilha (SC) e que se mudou para Manaus (AM) em 2004, com a família, na intenção de cursar Direito.

No entanto, acabou se encantando pela riqueza dos produtos locais nas feiras, interesse que o fez desistir da área jurídica e migrar para a gastronomia.

Foi no ramo da culinária que Schaedler se destacou no cenário nacional e internacional, através da gastronomia amazônica. Desde 2009, é dono do Restaurante Banzeiro, em Manaus, e também comanda o Moquém do Banzeiro, estabelecimento reconhecido do cenário gastronômico nacional e vencedor de vários concursos e premiações.

Em 2014, Schaedler foi eleito pela Revista Forbes como um dos 30 brasileiros mais influentes do mundo com menos de 30 anos de idade.

Guyalna chlorogena, a cigarra que constrói torres na Amazônia

Foto: Rogério Dias e Lorena Jesus

Conhecidas pelos seus sons marcantes, as cigarras somam em torno de 3 mil espécies diferentes em todo o planeta, sendo 150 delas espalhadas pelo Brasil. Mas na região amazônica, uma espécie tem chamado atenção por um comportamento no mínimo curioso: a cigarra Guyalna chlorogena.

Típica da região, a cigarra constrói pequenas torres de barro no solo durante a transição da fase ninfa para inseto adulto. Com tamanhos que variam entre 8 a 17 centímetros de altura, as estruturas envolvem a proteção e a troca gasosa dessas cigarras durante o período da metamorfose, segundo pesquisadores.

A descoberta, no entanto, nasceu também de um experimento bem inusitado: um grupo de cientistas utilizou camisinhas – os preservativos masculinos – para tentar entender a finalidade das torres. E deu certo!

O Portal Amazônia conversou com Izadora Nardi, uma das cientistas do grupo responsável pelo experimento, cujo tema virou artigo científico publicado no último dia 23 de fevereiro.

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Guyalna chlorogena, a ‘cigarra construtora’

Torres construídas pela cigarra Guyalna chlorogena variam de tamanho.
Estruturas variam de tamanho, entre três até 47 centímetros. Foto: Vanessa Gama/Musa

Izadora conta que os estudos das torres construídas pela cigarra Guyalna chlorogena começaram por meio dos seus orientadores.

“Os nossos orientadores mostraram as torres e ficamos muito animados porque não conhecíamos muito sobre elas. Pesquisamos artigos sobre as cigarras e vimos que não havia tanta coisa assim, e aí descobrimos que as ninfas da cigarra passam anos em túneis subterrâneos no solo e no último ano como ninfa constroem suas torres. As alturas das torres são bem variáveis, algumas bem pequenas e outras alcançam 40 centímetros, esse foi um dos motivos que nos fez questionar como o tamanho das torres está relacionado com o ajuste em resposta às variações no ambiente”, explica a pesquisadora.

Instigado pela curiosidade das torres, um grupo de pesquisadores do curso de Campo do Programa de Ecologia Quantitativa do Instituto Serrapilheira, do qual Izadora era integrante, partiu rumo à Amazônia para entender melhor sobre a função desenvolvida pelas cigarras. Durante a expedição, os cientistas observaram como elas construíam as torres de argila.

“A cigarra constrói a torre a partir da urina e da argila presente no solo. Vimos que elas aumentam o tamanho das torres em cerca de três centímetros durante o período noturno, mas que podem reconstruir até 7 centímetros em uma noite após danos estruturais. Durante a construção, as ninfas não saem das torres. O único momento em que a ninfa se encontra no lado exterior das torres é durante a metamorfose, que ocorre entre o crepúsculo [do anoitecer] às 2 horas, aproximadamente”, detalha Nardi.

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Grupo de cientistas utilizaram camisinhas para entender finalidade das torres construídas pela cigarra Guyalna chlorogena.
Grupo de cientistas veio para Amazônia para estudar a finalidade das torres construídas pelo inseto. Foto: Reprodução/Instituto Serrapilheira

Experimento das camisinhas

Em meio às observações, Izadora explica que a ideia de usar camisinhas nas torres surgiu para descobrir se havia troca gasosa na estrutura.

“Descobrimos que, após chuvas na Amazônia, as cigarras abrem o topo das torres. Pensamos que, em situações de variações ambientais, as cigarras ajustam as torres em resposta às mudanças. A partir disso, surgiu a ideia de utilizar as camisinhas nas torres para vedar e impedir as trocas gasosas”, conta Izadora.

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Grupo de cientistas utilizaram camisinhas para entender finalidade das torres construídas pela cigarra Guyalna chlorogena.
Grupo de cientistas constatou a troca gasosa das cigarras nas estruturas em observações noturnas. Foto: Reprodução/Instituto Serrapilheira

Com as torres cobertas, o grupo aponta que elas servem tanto para proteção das espécies contra possíveis predadores, quanto para a troca gasosa – para que as cigarras pudessem respirar dentro das estruturas.

“Possivelmente, as torres protegem as ninfas contra a predação durante a metamorfose e auxiliam na regulação de trocas gasosas. O único momento em que as ninfas ficam expostas no lado exterior das torres é durante a metamorfose. Utilizamos iscas de formigas e observamos que praticamente não houve predação das iscas que estavam dispostas no topo das torres. Em relação à regulação de trocas gasosas, nós observamos que as ninfas de torres maiores construíram maiores tamanhos de torres após o tratamento de vedação com camisinhas. Isso sugere que as torres maiores possibilitam a atenuação dos efeitos da vedação gasosa”, salientou a cientista.

Experimento de camisinhas em torres construídas pela cigarra Guyalna chlorogena, da Amazônia.
Experimento com camisinha evidenciou que torres servem de proteção e troca gasosa para a cigarra Guyalna chlorogena. Foto: Reprodução/Instituto Serrapilheira

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Cigarra Guyalna Chlorogena, a espécie que ‘constrói’ torres na Amazônia. Foto: Vanessa Gama/Musa

Novos estudos

Para Izadora, a descoberta abre a possibilidade de novos estudos sobre o comportamento de outras espécies de cigarras no mundo.

A cientista destacou, ainda, a importância da pesquisa para melhor compreensão da biodiversidade na Amazônia.

“Uma vez que algo curioso é divulgado, outros cientistas se interessam em tentar descobrir algo novo sobre isso também. Nosso estudo foi um trabalho de campo que conseguiu estas novas informações com pouco tempo para estudo. Se diferentes pesquisadores se interessarem após lerem sobre nosso trabalho, eles poderão dedicar mais tempo e investigar outras questões sobre estas cigarras. Somos um dos países com maior diversidade de insetos do mundo, muitos ainda para serem descobertos. Então, com certeza, há muito a ser feito e muitos estudos que ainda virão a respeito deles”, frisou Izadora.

A publicação do artigo científico sobre o experimento foi realizada no final de fevereiro deste ano e pode ser conferida na íntegra AQUI.

Zona Franca de Manaus completa 59 anos como principal motor econômico na Amazônia

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Às vesperas de seis décadas, a Zona Franca de Manaus (ZFM) é exemplo mundial de modelo econômico e preservação ambiental. Foto: Reprodução/Suframa

Considerado o maior modelo econômico sustentável do Brasil, a Zona Franca de Manaus (ZFM) completa 59 anos de história neste sábado, 28 de fevereiro. A data celebra a publicação do Decreto-Lei nº 288/1967, que instituiu a criação do parque industrial e transformou a capital amazonense num dos principais polos industriais do Brasil e exemplo mundial de preservação do meio ambiente.

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Saiba o que é a ZFM, desde seu surgimento até o papel essencial que o centro industrial exerce para o desenvolvimento industrial, econômico e sustentável da Amazônia nos dias de hoje:

O que é a Zona Franca de Manaus?

Localizada em Manaus, capital do Amazonas, a Zona Franca de Manaus é um parque industrial brasileiro criado pelo governo brasileiro com intuito de viabilizar o desenvolvimento sustentável da região amazônica e a geração de benefícios socioeconômicos para toda a população brasileira.

Responsável por um dos maiores PIBs da indústria brasileira, a ZFM fabrica produtos que fazem parte do dia a dia de todos os brasileiros, tais como tablets, smartphones, videogames, televisores, notebooks, semicondutores, motocicletas, canetas esferográficas e barbeadores, entre outros, chegando a cobrir cerca de 95% do mercado nacional.

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Parque industrial abriga mais de 500 empresas e gera meio milhão de empregos diretos e indiretos. Foto: Reprodução/Suframa

Como nasceu a ZFM?

Inicialmente, a criação da ZFM tinha dois objetivos: o primeiro era integrar a Amazônia com o restante do país, com intuito de reduzir as disparidades socioeconômicas em relação às outras metrópoles brasileiras. O segundo era justamente ocupar a região, considerada área estratégica do país tanto do ponto de vista geopolítico quanto ambiental, devido suas fronteiras internacionais e riquezas naturais.

Inauguração do então Distrito Industrial de Manaus, na década de 1970. Foto: Corrêa Lima. Foto: Acervo de Eduardo Braga via Instituto Durango Duarte

Na época, o cenário da região era frágil econômica e socialmente, com baixa densidade populacional e dependente de atividades extrativistas como a exploração da borracha, castanha e madeira. O processo de industrialização que avançava no país se encontrava distante da Amazônia e a ausência de infraestrutura da região dos grandes centros.

Por conta disso, o governo brasileiro, motivado pelas profundas transformações políticas, econômicas e sociais durante o regime militar instaurado no país, promulgou em 1967 o Decreto-Lei nº 288, que reformulou o modelo inicial da Zona Franca de Manaus, que já havia sido criado há 10 anos.

Começava ali, em 28 de fevereiro daquele ano, o projeto Zona Franca de Manaus concebido para promover o desenvolvimento econômico, a integração territorial e a preservação da soberania nacional da Amazônia.

Primeiras discussões

Apesar da data 28 de fevereiro marcar o aniversário da ZFM, a discussão pela sua criação iniciou em 1951, quando o então deputado federal Francisco Pereira da Silva apresentou, na Câmara dos Deputados, o projeto de lei nº 1.310 para a criação de um porto franco na capital amazonense.

Comemoração do então primeiro aniversário da Lei nº 288, que reformulou a Zona Franca de Manaus. Foto: Reprodução/O Jornal, 29 de fevereiro de 1968.

A sugestão do parlamentar se baseou nos ideais de Aureliano Tavares Bastos, advogado, político e jornalista alagoano que defendia o livre comércio e a navegação de navios comerciais pelo Rio Amazonas e seus afluentes. Em 1865, segundo publicações de jornais da época, Tavares teria visitado a então província do Amazonas e dito que “Manaus, Porto Franco, seria o empório dos países amazônicos”.

A Zona Franca de Manaus (ZFM), porém, só saiu do papel seis anos depois, mediante a Lei nº 3.173, sancionada pelo presidente Juscelino Kubitschek em 1957, com objetivo de ser um porto livre destinado ao armazenamento, beneficiamento e retirada de produtos do exterior.

A regulamentação veio em 3 de fevereiro de 1960, com o Decreto 47.757, e, sete anos depois, em 28 de fevereiro de 1967, o governo federal ampliou a legislação com o novo Decreto-Lei nº 288, reformulando o modelo criado em 1957 e estabelecendo incentivos fiscais por 30 anos para implantação de um polo de desenvolvimento na Amazônia. Junto com a data, foi criada a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), para administrar a área de atuação e prestação dos serviços referentes à ZFM.

Implementação

A ZFM passou a contar com uma área de 10 mil quilômetros quadrados, centralizada em Manaus, para se tornar um “centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatores locais e da grande distância a que se encontram os centros consumidores de seus produtos”.

Seu limite ficou estabelecido como “do vértice do paredão do Porto de Manaus, onde estão assinaladas as cotas das cheias máximas, pelas margens esquerdas dos rios Negros e Amazonas, até o promontório frente à Ilha das Onças; deste ponto, pelo seu paralelo, até encontrar o rio Urubu; desta intercessão, pela margem direita do mencionado rio, até a confluência do rio Urubuí; daí, em linha reta, até a nascente do rio Cuieiras; deste ponto, pela margem esquerda do citado rio, até sua confluência com o rio Negro; daí, pela margem esquerda deste rio, até o vértice do paredão do Porto de Manaus”.

Início da construção da infraestrutura do Distrito Industrial, no começo da década de 1970. Foto: Corrêa Lima. Foto: Acervo de Eduardo Braga via Instituto Durango Duarte

Em 1968, o governo federal por meio do Decreto-lei nº 356, estendeu os benefícios concedidos à Zona Franca para a Amazônia Ocidental, ampliando o raio da política de desenvolvimento da região. A partir de 1989, a Suframa passou a abrigar em sua área de jurisdição sete Áreas de Livre Comércio (ALCs), criadas com objetivo promover o desenvolvimento de municípios que são fronteiras internacionais na Amazônia e integrá-los ao restante do País. 

Em 1991, o Amapá entrou no modelo Zona Franca através da Lei nº 8.387/1991, que ficou conhecida como Lei de Informática da Zona Franca de Manaus. Naquele momento o estado passou a integrar a área da Suframa com a criação da ALC de Macapá e Santana (municípios na fronteira com a Guiana Francesa). A partir daquele ano, a área de abrangência da Suframa passou a ser informada como “estados da Amazônia Ocidental e municípios de Macapá e Santana, no Amapá”.

Ainda no mesmo ano, foi criada a ALC de Guajará-Mirim, em Rondônia, e as ALCs de Pacaraima e Bonfim, em Roraima. Depois vieram as ALCs de Cruzeiro do Sul e Brasileia, com extensão para Epitaciolândia, no Acre. Em 2025, a ALC de Boa Vista passou a incluir, oficialmente, toda a superfície territorial do município de Pacaraima.

Como funciona o modelo?

O modelo de incentivos fiscais e tributários da Zona Franca de Manaus foi concebido como um instrumento estratégico para promover o desenvolvimento econômico da Amazônia, compensando as desvantagens logísticas e estruturais decorrentes de sua localização geográfica.

Esse sistema estabeleceu um regime diferenciado de tributação, com o objetivo de atrair investimentos e viabilizar a instalação de um parque industrial moderno e competitivo em uma região historicamente marcada pelo isolamento e pela baixa infraestrutura.

Entre os benefícios mais relevantes, destacam-se as isenções de impostos federais como:

  • Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
  • Imposto de Importação (II);
  • Programa de Integração Social (PIS);
  • Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

No âmbito estadual, há a aplicação de mecanismos como o crédito estímulo do ICMS, que reduz a carga tributária e aumenta a competitividade das empresas instaladas na região. Tais incentivos abrangem tanto a importação de insumos, máquinas e equipamentos, quanto a produção e comercialização de bens dentro do território nacional.

O funcionamento desse modelo baseia-se na lógica de que a redução de tributos compensa os custos adicionais de produção e transporte, permitindo que a indústria local concorra em igualdade de condições com empresas situadas em regiões mais próximas dos grandes centros consumidores e fornecedores. Essa estratégia também favorece a diversificação produtiva, atraindo empresa de diferentes setores, como eletroeletrônicos, motocicletas, produtos químicos, plásticos, informática e bens de consumo duráveis.

Leia também: Zona Franca de Manaus se beneficia de isenção de tributo para cargas do Norte e Nordeste

Polos

A Zona Franca de Manaus compreende três polos econômicos: 

  • Comercial, com ascensão até o final da década de 80, quando o Brasil adotava o regime de economia fechada;
  • Industrial, considerado a base de sustentação da ZFM, abrigando aproximadamente 500 indústrias de alta tecnologia que geram mais de meio milhão de empregos, diretos e indiretos, principalmente nos segmentos eletroeletrônico, bens de informática e duas rodas;
  • Agropecuário, que abriga projetos voltados a atividades de produção de alimentos, agroindústria, piscicultura, turismo, beneficiamento de madeira, entre outras.
Produção de motocicletas na Zona Franca de Manaus
Produção de motocicletas na Zona Franca de Manaus — Foto: Abraciclo

Prorrogações

Com prazo original até 1997, a Zona Franca de Manaus conseguiu sua primeira prorrogação, por mais 10 anos, em 1986. Já em 1988, reconhecida como modelo de desenvolvimento regional, a ZFM ganhou novo fôlego com uma prorrogação por mais 25 anos.

Em 5 de agosto de 2014, a Emenda Constitucional 83/2014 permitiu a prorrogação dos benefícios da Zona Franca de Manaus por mais 50 anos, até 2073. No mesmo ano, também foi aprovada a extensão do prazo dos incentivos de todas as Áreas de Livre Comércio (ALCs) da área de abrangência da Suframa até 31 de dezembro de 2050.

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Números

Em 59 anos de história, a Zona Franca de Manaus possui uma trajetória repleta de contribuições em prol do desenvolvimento sustentável da região amazônica e da geração de benefícios socioeconômicos para toda a população brasileira.

De acordo com dados da Suframa, até o momento, 516 empresas estão instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM), e responsáveis por gerar uma cadeia de 500 mil empregos diretos e indiretos em todo o país, sendo mais de 131 mil postos formais de trabalho, contribuindo decisivamente na economia do Amazonas e reduzindo a pressão sobre atividades humanas na floresta.

Faturamento pim teve maior participação de bens de informática
Bens de Informática lideram faturamento recorde da Zona Franca de Manaus. Foto: Reprodução/Acervo Suframa

Em 2025, a ZFM registrou o maior faturamento da história, com R$ 227,6 bilhões, um aumento de 11,6% em relação ao ano anterior. Os segmentos de Bens de Informática, Duas Rodas e Eletroeletrônicos concentraram a maior parte deste número recorde.

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De acordo com a Suframa, mais de 170 novas empresas estão com projetos de implantação no Polo Industrial de Manaus, o que reforça a segurança jurídica proporcionada pelo modelo industrial.

Região da Floresta Amazônica. Foto: Rodolfo Pongelupe

Além da economia, a ZFM exerce um importante papel ambiental: é responsável pela preservação de 97% da cobertura florestal nativa. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, o aumento no número de empregos gerados pela Zona Franca de Manaus está relacionada à diminuição das taxas de desmatamento na Amazônia.

Investimentos

Além dos resultados, a Zona Franca de Manaus também possibilita o investimento de recursos em ciência e tecnologia, isso porque as empresas de bens de informática instaladas no Polo Industrial de Manaus têm a obrigação de investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Por meio da Lei 8.387/1991, a Lei da Informática, as empresas devem reinvestir anualmente uma parte do seu faturamento bruto no mercado interno em atividades de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) realizadas na Amazônia Ocidental e no estado do Amapá.

Desconhecimento gera críticas

Mesmo com o leque de benefícios econômicos, ambientais e sociais gerados, a Zona Franca de Manaus ainda é alvo de críticas por parte de brasileiros ao redor do país. O custo fiscal e a particularidade dos incentivos cedidos são alguns dos questionamentos enfrentado pelo modelo econômico.

Para o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, o desconhecimento da importância da Zona Franca de Manaus é o principal fator ligado às críticas direcionadas ao modelo.

Bosco Saraiva, superintendente da Suframa. Foto: Reprodução/Suframa

“Isso acontece por profundo desconhecimento do que de fato é a ZFM. A maior parte das críticas se concentra no elevado custo fiscal da ZFM, o que eu considero um grande equivoco. A renúncia fiscal da Zona Franca não alcança nem 7% do valor total renunciado, e a maior parte deste montante está concentrado nas regiões sul e sudeste, não na região Norte. Além disso, é importante ter em mente que sem os incentivos fiscais, a grande maioria das empresas que operam aqui atualmente não estariam em outras regiões do país, mas sim em outros países”, ponderou Saraiva.

Reforma tributária

Nos últimos anos, os avanços nas discussões sobre a reforma tributária brasileira colocaram o diferencial da competitividade da Zona Franca de Manaus em xeque. No entanto, a bancada parlamentar do Amazonas no Senado, juntamente o governo estadual e entidades das classes de serviços e indústrias garantiram o entendimento que a manutenção do modelo oferece segurança jurídica para o centro industrial.

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Plenário da Câmara dos Deputados — Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O que dizem especialistas

Bosco Saraiva, superintendente da Zona Franca de Manaus:

“Costumo dizer que a Zona Franca de Manaus é o motor da economia da Amazônia. Além de produzirmos produtos de alto valor agregado de qualidade, geramos empregos, renda, oferecemos dinâmica econômica para outras atividades e, sobretudo, conhecimento”.

Serafim Corrêa, secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti):

“Antes de tudo, a Zona Franca de Manaus é um grande programa de desenvolvimento regional. Gera mais de meio milhão de empregos diretos e indiretos, uma arrecadação que financia políticas públicas no Amazonas e valoriza a floresta em pé, com 97% do território preservado. Portanto, a ZFM funciona, gera resultados e cumpre seu papel estratégico, o que precisamos é que o Brasil a reconheça como instrumento de desenvolvimento e conservação, não como problema“.

Wilker Barreto, deputado estadual e presidente da Comissão de Indústria, Comércio e Zona Franca da Assembleia Legislativa do Amazonas:

“A manutenção da ZFM para os próximos 50 anos é a certeza que nós teremos a vida preservada. Quando o Sul e o Sudeste atacam o modelo Zona Franca de Manaus, esquecem que é graças a este modelo que o ciclo das chuvas acontece. Sem a floresta em pé, o agronegócio e as chuvas do país seriam todas afetadas. E sem água, não há vida. É uma visão míope, portanto, é um modelo que não beneficia apenas 4 milhões de amazonenses, e sim todo um país”.