O 30º Boletim de Monitoramento Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indica que a Bacia do Rio Amazonas segue em processo regular de vazante. O documento, divulgado na última terça-feira, 28, registrou que os níveis na maioria das estações estão dentro da faixa de normalidade para o período.
Segundo o boletim, em Manaus, o rio Negro registrou descida de 30 cm na última semana e alcançou a cota de 27,60 metros. Já o rio Solimões, no município de Tabatinga (AM), marcou redução de 42 cm, na última semana, e alcançou a cota de 6,45 m. Em Manacapuru, o rio desceu 27 cm e registrou 18,37 m.
Rio Negro segue em processo de vazante regular em Manaus. Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Na bacia do rio Purus, a estação de Beruri (AM) registrou redução de 31 cm ao longo da semana, acompanhando a vazante do rio Solimões A cota observada e indicada no boletim foi de 19,58 m. O rio Madeira também segue em processo de vazante, no entanto, houve elevação temporária na estação de Porto Velho (RO) em resposta às chuvas ocorridas na parte alta da bacia. A cota registrada foi de 7,32 m.
No rio Amazonas, em Careiro (AM) ocorreu redução de 28 cm, enquanto em Itacoatiara (AM) a descida foi de 26 cm. As cotas observadas foram 15,27 m e 12,88 m, provavelmente.
De acordo com o monitoramento do SGB, apenas rio Branco registra níveis abaixo da faixa de normalidade para a época do ano, mantendo a intensificação da recessão observada nas últimas semanas. Em Boa Vista (RR), o rio Branco registrou a cota de 2,23 m, após redução de 52 cm na última semana. Enquanto em Caracaraí (RR), a descida foi de 72 cm e a cota registrada foi 3,23 m.
Os dados hidrológicos são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), de responsabilidade da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), operada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e demais parceiros. As previsões apresentadas são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas inerentes aos mesmos.
Projeções indicam que Super El Niño 2026 pode ser o mais intenso dos últimos 150 anos. Fonte: CPTEC/INPE
O El Niño é um fenômeno climático que causa o aquecimento acentuado das águas do Oceano Pacífico e que aumenta o risco de ondas de calor, tempestades e secas extremas. No entanto, as previsões para 2026 indicam a probabilidade do evento natural atingir uma intensidade muito forte entre o fim do ano e o início de 2027, o que os cientistas e alguns órgãos vêm tratando a eventual ocorrência de ‘Super El Niño‘.
Apesar de não ter uma confirmação sobre a intensidade máxima, o risco de formação do ‘Super El Niño’ tem preocupado especialistas, comunidade acadêmica e autoridades sobre os impactos do evento extremo nas cidades, estados ou países. Isso porque o aquecimento extremo e anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical altera padrões dos ventos e chuvas em escala global e produz efeitos opostos em diferentes regiões do planeta.
Um Super El Niño ocorre quando a anomalia de temperatura da superfície do mar ultrapassa +2°C em relação à média histórica. Nos últimos 150 anos, isso aconteceu apenas 4 vezes: 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16. De acordo com simulações analisadas por pesquisadores da Berkeley Earth e divulgadas pela revista científica New Scientist, existe cerca de 90% de probabilidade de que o evento previsto para 2026 seja o mais intenso já registrado.
As projeções divulgadas pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOOA) sinalizam 82% de probabilidade para a formação do Super El Niño entre maio e julho e 96% de chance de que o fenômeno se mantenha entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. Os modelos indicam que a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical poderá atingir 3,6°C acima da média, superando o recorde de 2,75°C observado durante o forte El Niño de 2015/2016.
O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Foto: NOAA
Caso se consolide, o Super El Niño 2026 reforçará a intensificação do aquecimento global e das mudanças climáticas do planeta das últimas décadas, além de um alerta preocupante sobre o curto intervalo de tempo entre os fenômenos climáticos. O El Niño de 2023/2024 não chegou a ser considerado ‘Super’ e sim como “Forte”, tendo em vista que o Brasil enfrentou sua maior seca com mais de 4,7 mil municípios, incêndios de grandes proporções na Amazônia e Pantanal e calor extremo.
Importante destacar que a expressão Super El Niño é informal e não faz parte das classificações adotadas por órgãos oficiais como a Organização Meteorológica Mundial (OMM). No entanto, o termo tem sido comumente utilizado para reforçar o risco da fase mais acentuada desse fenômeno climático.
Prováveis efeitos do Super El Niño no Brasil
Com base nas análises do Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN) divulgadas em 19 de maio, os padrões esperados para o próximo ciclo seguem o comportamento histórico dos Super El Niños anteriores. Os efeitos variam conforme a região:
Impactos do fenômeno El Niño na América do Sul para os períodos de verão (dezembro a fevereiro) e inverno (junho a agosto) Fonte: BTR1/CPTEC/INPE
Região Norte (incluindo a Amazônia):
redução das chuvas;
seca mais intensa;
rios com níveis mais baixos;
aumento do risco de queimadas e incêndios florestais;
temperaturas acima da média.
Região Nordeste:
maior risco de estiagem, principalmente no interior.
Centro-Oeste:
calor intenso;
baixa umidade do ar;
atraso no início das chuvas em algumas áreas.
Sul:
aumento da frequência de chuvas intensas;
maior risco de enchentes e deslizamentos.
E para os estados amazônicos?
Se o Super El Niño 2026 se consolidar, os impactos podem incluir:
nova seca severa nos rios amazônicos;
dificuldades na navegação e no abastecimento de comunidades ribeirinhas;
aumento expressivo dos focos de incêndio;
prejuízos à pesca, agricultura e geração de energia em algumas localidades;
piora da qualidade do ar em razão da fumaça das queimadas.
Embora as projeções indiquem a possibilidade do Super El Niño, órgãos como INPE, INMET, Cemaden e NOAA ressaltam que ainda é cedo para afirmar que o evento alcançará intensidade extrema. No entanto, apesar da ocorrência ser considerada muito provável, a força exata dependerá da evolução das temperaturas do Pacífico nos próximos meses.
Tradicionais da culinária amazônica, alimentos como cupuaçu, farinha e demais itens podem ser transportados de avião para outros estados. Imagem criada por IA
Quem é amazônida “da gema” e precisa mudar de estado ou país, sabe que deixar a gastronomia regional é um dos maiores desafios. Do famoso x-caboquinho até a popular frase “comeu jaraqui, não sai mais daqui”, a culinária amazonense tem um sabor tão marcante e única que muitos nortistas espalhados pelo Brasil e mundo afora recorrem a visitas de amigos ou familiares para matar a saudade de alguma fruta, bebida ou iguaria tradicional do região.
Para amenizar a saudade, muitos viajantes de avião levam insumos da culinária amazônica em suas bagagens de mão ou despachadas para outros destinos nacionais ou internacionais, a fim de atender o pedido de quem está longe da Amazônia e sente aquela vontade de comer algo típico.
No entanto, existem algumas regras para o transporte correto de gêneros alimentícios nas viagens aéreas, tanto dentro do território brasileiro ou fora dele. O Portal Amazônia reuniu alguns pontos importantes sobre como funciona a permissão acerca do transporte de alimentos na bagagem em viagens de avião, seguindo as diretrizes tanto das companhias aéreas quanto da Agência Nacional de Aviação Civil(ANAC). Confira:
É permitido transportar alimentos no avião?
De forma geral, é permitido levar itens alimentícios nas viagens de avião, mas existem algumas regras que precisam ser respeitadas e dependem do local de destino e o tipo de alimento. De acordo com a ANAC, mesmo autorizado, as normas podem variar de acordo com as diretrizes da companhia aérea responsável, no caso de viagens domésticas, ou pelas exigências sanitárias determinadas pelas autoridades competentes nos países, em situações de deslocamentos internacionais.
O órgão recomenda que o passageiro sempre verifique junto à empresa aérea sobre a existência de alguma restrição específica sobre um determinado item alimentício no avião ou com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é o órgão responsável pela fiscalização e proteção da saúde pública nacional em voos para o exterior.
A ANAC é o órgão federal responsável por regular e fiscalizar a aviação civil no Brasil. Foto: Reprodução/Anac
Em casos de voos internacionais, a Anac orienta que os passageiros se atentem às regras alfandegárias e as condições estabelecidas pelo país de destino, e entre em contato com as autoridades sanitárias por meio de consulados. Algumas nações, por exemplo, podem confiscar alimentos não declarados ou proibidos em seus territórios antes do desembarque no avião.
“Algumas empresas aéreas são mais restritivas que a regulamentação vigente e podem optar por não permitir o embarque de determinados itens. A decisão final sobre a possibilidade de determinado item ser transportado é da empresa aérea ou do agente de proteção da aviação civil que atua no aeroporto e que está em contato direto com o objeto”, afirmou a ANAC em nota ao Portal Amazônia.
Em seu site, a Anac também disponibiliza uma lista exemplificativa de artigos que podem e não podem ser transportados em bagagem despachada.
Companhia aérea brasileira Azul permite transporte de alimentos em voos nacionais. Foto: Reprodução/Azul
Azul, Gol e Latam são as três principais companhias aéreas do Brasil, que dominam praticamente 95% de toda a demanda de voos domésticos no país.
A Azul permite o transporte de itens alimentícios na bagagem de mão, tanto para consumo durante o voo quanto para destinos nacionais.
Já a Gol informa que todos os produtos perecíveis e alimentos em geral precisam ser acomodados em embalagens à prova de vazamentos, abertura acidental ou mau cheiro. No caso de pescados como peixes, crustáceos e demais frutos do mar, a empresa orienta que as embalagens devem ser colocadas dentro de caixas de isopor revestidas interna e externamente com saco plástico resistente.
No caso da Latam, o transporte de alimentos é permitido tanto na bagagem pessoal quanto na despachada, no entanto, no último caso, os itens devem estar armazenados em embalagens herméticas, aquelas que possuem sistema de fechamento totalmente vedado e que impede a entrada ou saída de ar ou derramamento de líquidos.
Por tanto, vale ressaltar que o viajante deve verificar as condições de cada empresa aérea bem como o destino, para conseguir se preparar da forma correta para levar seus itens alimentícios, como o açaí, a farinha uarini, o tucumã ou até mesmo mesmo peixes como o tambaqui (e não deixar a saudade de casa aumentar).
O Brasil possui uma tradição de homenagear personalidades históricas por meio dos nomes de suas cidades. Essa prática, tão comum no país, contribui para a construção da identidade cultural e a preservação histórica de diversas localidades do território brasileiro, além de reconhecer os feitos dessas figuras.
Na região Norte do país, por exemplo, dezenas de 450 municípios espalhados pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins carregam o nome de figuras históricas e culturais em suas identificações e que ajudam a entender o processo de construção daquela cidade.
Mais do que simples denominações, essas homenagens também criam uma conexão simbólica entre o espaço geográfico e a memória coletiva desses municípios.
Com base no Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Portal Amazônia buscou e separou por estado todos os municípios da região Norte que possuem nomes ligados à figuras e personalidades históricas e culturais. Confira:
Acre
Dos 22 municípios que compõem o estado acreano, 11 deles carregam nomes de pessoas. São eles:
Assis Brasil – homenagem à Francisco de Assis Brasil, político e diplomata que negociou juntamente com o Ministro de Estado das Relações Exteriores, Barão de Rio Branco, a compra do Acre do governo boliviano.
Epitaciolândia – homenagem ao presidência da República, Epitácio Pessoa, que governou o país de 1919 a 1922.
Feijó – Homenagem ao padre, filósofo, sacerdote, estadista e regente do Império Brasileiro, Diogo Antônio Feijó, que teve forte influência política imperial do Brasil.
Manoel Urbano – homenagem ao explorador Manoel Urbano da Encarnação, pioneiro e sertanista da região amazônica no século XIX que ficou famoso por desbravar o Rio Purus e seus afluentes.
Marechal Thaumaturgo – Homenagem ao militar e seringalista Gregório Thaumaturgo de Azevedo, que atuou como prefeito do Alto Juruá e liderou forças brasileiras na região durante a Questão do Acre, conflito diplomático que ocorreu entre Brasil e Bolívia pelo controle do território acreano.
Mâncio Lima – homenagem a Mâncio Agostinho Rodrigues de Lima, seringalista cearense que chegou à região em 1899 e chegou a liderar um grupo de nordestino até fundar o povoado original chamado Vila Jardim, às margens do Rio Moa.
Plácido de Castro – homenagem ao militar e seringalista gaúcho José Plácido de Castro, principal líder da Revolução Acreana (1899-1903) e teve papel fundamental na incorporação do território ao Brasil.
Porto Walter – homenagem ao senhor Walter de Carvalho, um dos primeiros moradores da região localizada no Vale do Juruá, no Acre.
Rodrigues Alves – alusão ao ex-presidente da República, Francisco de Paula Rodrigues Alves, que foi fundamental no Tratado de Petrópolis que ajudou na anexação do território ao Brasil, encerrando a disputa entre o país e a Bolívia.
Sena Madureira – recebeu esse nome em homenagem ao Coronel Antônio Sena Madureira, em reconhecimento e admiração pela atuação do militar que lutou na Guerra do Paraguai.
Senador Guiomard – homenagem à José Guiomard dos Santos, político responsável pelo projeto de lei que elevou o antigo Território do Acre à categoria de Estado.
★ Rio Branco (capital)
AMAPÁ
Com 16 municípios, o estado amapaense possui apenas uma cidade com nome de personalidade: Ferreira Gomes. O município carrega o nome do Major João Ferreira Gomes, militar responsável por implantar a Colônia Militar Pedro II em 1840, região em que surgiu a atual sede da cidade.
★ Macapá (capital)
AMAZONAS
O maior estado da região Norte conta com quatro municípios, de um total de 62, com nomes ligados à pessoas. São eles:
Benjamin Constant – homenagem ao general e político brasileiro Benjamin Constant Botelho de Magalhães, um dos principais líderes e articuladores da Proclamação da República, ocorrido em 1889.
Borba – homenagem feita a Francisco Xavier de Mendonça Furtado, que foi governador da capitania do Grão-Pará e Maranhão e que tinha até título nobiliárquico (título de nobreza) de Conde de Borba.
Lábrea – nome dado em homenagem ao Coronel Antônio Rodrigues Pereira Labre, que liderou uma expedição às margens do Rio Purus até fundar o povoado de Terra Firme do Amaciary, em 1871. O local passou a se chamar Labria, sendo posteriormente elevado à categoria de vila com o nome de Lábrea dez anos depois.
Presidente Figueiredo – homenagem a João Baptista de Figueiredo Tenreiro Aranha, primeiro presidente da Província do Amazonas após a sua criação, no século XIX.
★ Manaus (capital)
PARÁ
Estado com maior número de municípios da região, 144, o Pará dispõe de 15 cidades com nomes de personalidades:
Abel Figueiredo – nome dado em homenagem ao ex-político que foi deputado de São João de Araguaia, região que detinha o território de Abel Figueiredo até 1968. O local chegou a ser distrito de Bom Jesus do Tocantins até se emancipar município em 1991.
Augusto Corrêa – homenagem ao político paraense Augusto Corrêa da Rocha, figura influente e líder na região.
Baião – homenagem ao português Antônio Baião, que em 1694 recebeu uma vasta sesmaria (principal sistema oficial de doação de terras da Coroa) para fundar um povoado às margens do rio Tocantins.
Bannach – homenagem à família pioneira que era dona da fazenda onde o povoado começou. A região iniciou seu desenvolvimento com a instalação de uma serraria na propriedade da família, a área foi elevada a município e herdou o sobrenome “Bannach”.
Benevides – recebeu esse nome em homenagem ao governador da província do Pará na época, Francisco de Sá e Benevides. Ele foi o responsável por incentivar o desenvolvimento e a fundação do núcleo agrícola primitivo (criado em 1875) que deu origem à cidade.
Breves – é uma homenagem aos irmãos e colonizadores portugueses Manoel Maria Fernandes Breves e Ângelo Fernandes Breves. Eles se estabeleceram na região no século XVIII e fundaram um engenho às margens do rio Parauaú, fazendo com que o local ficasse conhecido como “Engenho dos Breves”.
Capanema – homenagem ao engenheiro, naturalista e físico mineiro Guilherme Schüch, conhecido como o Barão de Capanema. A denominação foi dada na época da construção da rede telegráfica no local, região onde o barão e sua equipe costumavam descansar às margens do rio.
Capitão Poço – Nome dado para homenagear o explorador Capitão Possolo, que integrou a primeira caravana de pioneiros a chegar à região na década de 1950. Devido à dificuldade de pronúncia popular, o sobrenome “Possolo” acabou sendo adaptado e transformado em “Poço”.
Chaves – homenagem a Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador da capitania do Grão-Pará e Maranhão. O nome é uma referência ao sobrenome “Xavier”
Curionópolis – nome alusivo ao militar Sebastião Rodrigues de Moura, conhecido como Major Curió, que foi responsável por coordenar e impor forte liderança no Garimpo de Serra Pelada entre 1981 e 1982.
Dom Eliseu – homenagem ao bispo italiano Dom Eliseu Corolli, da Diocese de Bragança, e um dos missionários do catolicismo em terras amazônicas.
Magalhães Barata – homenagem a Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, líder político e ex-governador paraense do período republicano.
Medicilândia – referência ao ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, que governou o Brasil na época da criação do Programa de Integração Nacional (PIN) e da Rodovia Transamazônica nos anos 1970.
Senador José Porfírio – homenagem ao político José Porfírio de Miranda Júnior, militar paraense na época da República Velha.
Ulianópolis – homenagem feita à família Uliana, uma das pioneiras a se estabelecer na região na década de 1960, durante os projetos de colonização.
★ Belém (capital)
RONDÔNIA
De seus 52 municípios, Rondônia possui oito cidades que carregam nomes de ex-autoridades políticas:
Costa Marques – homenagem ao engenheiro e militar mato-grossense Manoel Esperidião da Costa Marques, que se destacou como político e participou da redação da Lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil.
Governador Jorge Teixeira – Em homenagem ao Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, conhecido como “Teixeirão”, o último governador do antigo Território Federal e o primeiro do estado de Rondônia, sendo fundamental pela criação e elevação a estado em 1981.
Ministro Andreazza – homenagem ao coronel e ex-ministro Mário Andreazza, além do reconhecimento dado por sua participação direta nos investimentos de infraestrutura que viabilizaram a elevação de Rondônia da categoria de Território Federal para Estado.
Pimenta Bueno – a homenagem, segundo registros históricos, possui duas versões: a mais aceita é o reconhecimento à José Antônio Pimenta Bueno, jurista e estadista do Brasil Imperial. A segunda versão aponta para o cabo Francisco Pimenta Bueno, comandante do posto telegráfico instalado na região por Marechal Rondon, em 1912.
Presidente Médici – homenagem ao ex-político Emílio Garrastazu Médici, que governou a presidência do Brasil entre 1969 e 1974.
Rolim de Moura – homenageia Dom Antônio Rolim de Moura Tavares, segundo governador da Capitania de Mato Grosso no século XVIII e teve papel fundamental na defesa e ocupação da região amazônica.
Teixeirópolis – à exemplo do município Governador Jorge Teixeira, é uma homenagem ao Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, responsável por preparar o então Território Federal para sua elevação à categoria de estado em 1981. ‘Teixeirão’, como era conhecido, também foi o primeiro governador do Estado de Rondônia.
Vilhena – homenagem ao engenheiro maranhense Álvaro Coutinho de Melo Vilhena, que chefiava a Organização da Carta Telegráfica e a Diretoria Geral dos Telégrafos na época.
★ Porto Velho (capital)
RORAIMA
Com 15 municípios, o estado de Roraima tem apenas uma cidade com nome de personalidade. É o município de Iracema, localizado no sul do território roraimense, que é uma homenagem a Iracema Machado Costa, esposa do pioneiro Militão Pereira da Costa, um dos primeiros colonizadores e fundadores da região que deu origem à cidade.
O segundo maior estado em números de cidades, com 139 municípios, Tocantins conta com 25 cidades com nomes de personalidades históricas e locais. São eles:
Abreulândia – homenagem à família Abreu, em referência ao pioneiro João Francisco de Abreu, responsável pela construção da primeira casa comercial da região e representante do povoado.
Augustinópolis – homenageia o pioneiro e fundador do local, Augusto Pereira Costa, que inicialmente era chamado de “Centro do Augusto”.
Barrolândia – homenagem ao seu fundador, Elvécio Cabral Barros, responsável pela criação do povoado, em julho de 1958.
Bernardo Sayão – homenagem em alusão à Bernando Sayão, engenheiro agrônomo que liderou o projeto de colonização na região da rodovia Belém-Brasília, obra que ajudou no surgimento da cidade.
Cariri do Tocantins – homanagem à Sebastião Rodrigues Nepomuceno, mais conhecido como “Cariri”, responsável por fundar a cidade.
Carmolândia – homenagem ao seu fundador, Carmo Pedro de Oliveira, responsável pela origem da cidade.
Caseara – homenagem à Raimundo Nonato Casé, fundador e primeiro morador da cidade.
Couto de Magalhães – homenagem ao General José Vieira Couto de Magalhães, em referência às contribuições do militar, escritor, folclorista e político brasileiro que foi pioneiro na navegação do Rio Araguaia e grande desbravador da região.
Darcinópolis – homenagem a Darcy Gomes Marinho, político e pioneiro da região de Tocantinópolis.
Dianópolis – homenagem às “Dianas”, apelido carinhoso das tradicionais irmãs Custodianas, que eram membros das famílias influentes da região na época da elevação do povoado.
Divinópolis do Tocantins – referência ao comerciante Divino Luiz Costa, o primeiro habitante da região, onde se instalou na década de 1950.
Figueirópolis – homenagem ao seu fundador, Cândido dos Santos Figueira, que adquiriu terras na região em meados de 1959 e deu início ao desenvolvimento da cidade às margens da rodovia BR-153.
Filadélfia – homenagem ao seu fundador, o senhor Filadélfio Antônio de Noronha, um dos primeiros fazendeiros a se estabelecer na região às margens do Rio Tocantins.
Lizarda – Referência comemorativa ao nome de uma antiga moradora da região, dona Lizarda, que se destacou na comunidade e batizou o local que futuramente se tornaria a cidade.
Luzinópolis – homenagem a Luiz do Alho, um líder comunitário que teve papel fundamental no desenvolvimento da cidade.
Marianópolis do Tocantins – homenagem ao fundador do povoado original, Mariano Cavalcante.
Maurilândia do Tocantins – homenagem ao ex-vereador e pioneiro da cidade, Maurílio Alves Bandeira.
Nova Rosalândia – homenagem à “Rosalândia Velha”, antiga vila batizada em referência ao senhor Otacílio Marques Rosal, que era prefeito de Cristalândia na época da criação do povoado.
Oliveira de Fátima – o nome “Oliveira” foi adotado em homenagem ao então prefeito de Porto Nacional na década de 1970, Olegário José de Oliveira, que negociou a compra de terras da antiga Fazenda Oliveira para criar o povoado.
Pedro Afonso – homenagem ao príncipe Pedro Afonso de Orleans e Bragança, o filho caçula e herdeiro presuntivo do Imperador Dom Pedro II.
Presidente Kennedy – homenagem ao ex-presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, em reconhecimento ao líder norte-americano e seu histórico ideal de progresso, inspirado pelo período de otimismo e abertura gerado pela construção da rodovia BR-153.
Sampaio – homenagem ao seu primeiro morador e fundador, um pioneiro conhecido como José Sampaio.
Sandolândia – homenagem a Sandoval Lopes Nogueira, que chegou ao local em 1963 e foi o fundador do povoado.
Silvanópolis – referência à família Silva Guimarães, que fundou a região a partir do povoado “Extrema”, hoje município de Porto Nacional, de propriedade do patriarca Januário da Silva Guimarães e seus familiares.
Wanderlândia – homenagem à família Wanderley, um dos primeiros grupos de moradores a se estabelecer na região.
★ Palmas (capital)
Toponímia, a ciência que estuda nomes de lugares
A Toponímia ou Toponomástica, ramo da Onomástica, ocupa-se do estudo dos nomes próprios de lugares, enquanto signos linguísticos, e pode desempenhar um papel importante na compreensão da história, da cultura, do modo de vida de grupos humanos de uma região.
Por isso, nomes de lugares não são apenas denominações, mas testemunhos vivos do passado e, com frequência, carregados de significado e simbolismo. E aí? Já conhecia?
Das 52 universidades brasileiras avaliadas, 45 perderam posições em relação à 2025. Universidade de São Paulo (USP) manteve a liderança nacional, ocupando a 119ª posição. Foto: Reprodução-Cecília Bastos/USP Imagens
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
O ranking CWUR 2026 (Center for World University Rankings), organização focada em consultoria de políticas públicas e estratégias educacionais para governos e instituições de ensino ao redor do mundo, avaliou mais de 21 mil instituições globalmente. No topo mundial, Harvard (1ª), MIT (2ª) e Stanford (3ª) dominam o pódio. No Brasil, a USP manteve a liderança nacional, ocupando a 119ª posição global, seguida da UFRJ (346ª posição) e Unicamp (361ª posição).
De acordo com estudos divulgados em junho pelo Centro, das 52 universidades brasileiras examinadas, 45 perderam posições em relação ao ano anterior, o equivalente a 87% das instituições do país presentes na lista. Apenas cinco avançaram e duas permaneceram estáveis. Os orçamentos das principais universidades líderes mundiais, movimentados por fundos patrimoniais (endowments) e receitas operacionais complexas, a Universidade Harvard (1º lugar) dispõe de fundo patrimonial avaliado em US$ 56,9 bilhões e um orçamento operacional de aproximadamente US$ 6,7 bilhões/ano.
Seguem a Universidade Yale (orçamento de receitas na faixa de US$ 6,37 bilhões/ano e um fundo patrimonial de US$ 44,1 bilhões), Universidade Stanford (receita operacional de US$ 10,3 bilhões e um fundo patrimonial de US$ 40,8 bilhões) e o MIT (Massachusetts Institute of Technology) com um fundo patrimonial de US$ 27,3 bilhões.
Universidades de Harvard, nos EUA, segue na liderança global do ranking CWUR 2026. Foto: Reprodução/Harvard.edu
Para uma breve ideia comparativa, a USP tem um orçamento previsto para 2026 de R$ 9,41 bilhões, em torno de US$ 1,8 bilhão (cota-parte do ICMS paulista + recursos próprios). UFRJ: o orçamento/2026 total é de aproximadamente R$ 4,6 bilhões. A Universidade Federal do Amazonas – UFAM conta com um orçamento discricionário projetado para custeio no exercício 2026 de cerca de R$ 32,1 milhões.
O Brasil registrou um dos piores desempenhos entre os grandes sistemas de ensino superior do mundo. A deterioração ocorre em um momento de forte competição internacional por pesquisa, inovação e formação de talentos. Enquanto universidades brasileiras recuam, países como a China, a Coreia do Sul e Singapura ampliam investimentos em ciência, tecnologia e desenvolvimento acadêmico, consolidando posições cada vez mais relevantes nos rankings globais.
Nesse contexto, chama a atenção a pobreza do orçamento anual da EMBRAPA (Central), previsto para 2026 em R$ 4,84 bilhões (mais ou menos 0,38% do PIB brasileiro) para custeio geral, com cerca de R$ 600 milhões destinados à pesquisa. A dotação orçamentária do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) para custeio, cobertos com recursos diretos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), gira em torno de R$ 38 milhões a R$ 41 milhões (valor sem representatividade em relação ao PIB Brasil).
Universidades de Harvard, nos EUA, segue na liderança global do ranking CWUR 2026. Foto: Reprodução/Fundação estudar
Os investimentos do Brasil em C,T&I gira em torno de R$ 160 bilhões (US$ 800 milhões), próximo a 1,25% do PIB e aproximadamente 11,9% do orçamento anual de Harvard. Enquanto isso a China ultrapassou US$ 569 bilhões, cerca de 2,8% do PIB (chegou a 4% na fase inicial do arranque econômico do país) investidos em pesquisa e desenvolvimento.
Em Inteligência Artificial (IA), tem gatos programados entre US$ 84 a US$ 98 bilhões/ano, consolidando-se entre as 10 economias mais inovadoras do mundo, destacadamente como maior polo global de pesquisa científica e patentes nos setores de nanotecnologia e biomedicina. O Japão manteve-se no topo dos investimentos globais em P&D da ordem de US$ 186 bilhões/ano. O país continua liderando investimentos corporativos voltados para a robótica, materiais avançados e inteligência artificial. A Coreia do Sul mantém investimentos em P&D da ordem de US$ 139 bilhões/ano. Anunciou recentemente um um super-pacote tecnológico que prevê investimentos em mega-projetos estatais de curto/médio prazo estimados em US$ 570 bilhões destinados a dobrar a produção nacional de semicondutores e expandir data centers voltados para inteligência artificial.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Estudo publicado no grupo Nature aponta que alta emissão de gases do efeito estuda pode levar a Amazônia ao processo de ‘morte lenta’ até o fim do século XXI. Foto: Reprodução/Getty Images
Considerado o bioma de maior biodiversidade do mundo, a Amazônia pode enfrentar um processo de degradação irreversível até o fim do século XXI, caso o mundo mantenha a alta emissão de gases de efeito estufa. É o que alerta um estudo publicado pela revista científica Communications Earth & Environment, do grupo Nature, que analisou projeções sobre o cenário climático que assola a floresta amazônica.
A pesquisa, realizada de forma conjunta por oito cientistas, mostra que nove de 12 Modelos do Sistema Terrestre (ESMs) apontam para o início do processo chamado ‘dieback‘ da Amazônia, que é o termo utilizado para descrever a perda progressiva da capacidade da floresta de se manter como um ecossistema tropical. Alem disso, o estudo frisa que o colapso tende a ocorrer de forma lenta e não repentina, podendo levar décadas ou até séculos.
Os ESMs são ferramentas computacionais que integram dados de diferentes áreas científicas, como física, química e biologia, para simular processos ambientais complexos.
A pesquisa investigou o impacto do aumento contínuo da temperatura global e da exploração desmedida do solo sobre a floresta amazônica.
As análises realizadas revelaram que, em nove dos doze cenários modelados, a Amazônia poderá enfrentar um colapso acentuado (superior a 80% na produtividade) antes do ano 2100. Essa transformação desencadeará efeitos em cadeia, como secas prolongadas e incêndios florestais, exacerbando a situação climática.
Nove dos 12 Modelos do Sistema Terrestre (ESMs) projetaram indídios do processo ‘dieback’ da Amazônia. Fonte: Reprodução do artigo
Temperatura e seca são os principais fatores
O estudo pontua que o aumento da temperatura é o principal gatilho para a degradação da floresta na maioria dos modelos climáticos. A redução das chuvas também exerce papel importante, principalmente em regiões já afetadas pelo desmatamento.
Os pesquisadores identificaram que, em média, o processo começa quando determinadas áreas da Amazônia passam a registrar temperaturas superiores a aproximadamente 32°C e precipitação anual inferior a 1.394 milímetros. Esses valores variam entre os diferentes modelos climáticos, mas servem como referência para identificar condições críticas para a floresta.
Desmatamento na Amazônia também pode contribuir para a degradação lenta do ecossistema. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace
Além das mudanças climáticas, o estudo mostra que o desmatamento acelera a perda de resiliência da Amazônia. A substituição da floresta por áreas de pastagem e agricultura reduz a reciclagem de umidade responsável por grande parte das chuvas da própria região. Com isso, a diminuição da formação de nuvens favorece reduz a evapotranspiração, aumentando o aquecimento local e criando um ciclo que possibilita secas mais intensas.
Os pesquisadores destacam que, em alguns modelos, mesmo áreas sem desmatamento podem sofrer degradação apenas pelo efeito das mudanças climáticas. Em outros, a combinação entre aquecimento global e mudanças no uso da terra acelera significativamente esse processo.
Outro resultado importante é que a degradação da Amazônia não afetaria apenas a floresta. Os modelos indicam alterações na circulação atmosférica, redução das chuvas em parte da bacia amazônica e mudanças na distribuição das precipitações em outras regiões do continente sul-americano.
Durante parte do processo, a Amazônia também deixaria de atuar como um importante sumidouro de carbono e passaria temporariamente a emitir mais carbono para a atmosfera, contribuindo para intensificar o aquecimento global.
Ainda há tempo para evitar esse cenário
Apesar do alerta, os autores do estudo afirmam que o quadro apresentado corresponde aos chamados cenários de altas emissões, considerados os mais pessimistas utilizados pela comunidade científica. Portanto, o grupo frisa que existem políticas governamentais que são capazes de reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa, conter o desmatamento e preservar a floresta, contribuindo significativamente para que a Amazônia não atinja o risco do ‘ponto de não retorno’, que é o limite crítico que as mudanças climáticas desencadeiam um colapso irreversível no ecossistema.
Os pesquisadores também defendem o aprimoramento dos modelos climáticos e afirmam que proteger a Amazônia é fundamental não apenas para conservar sua biodiversidade, mas também para manter o equilíbrio climático e o ciclo global do carbono.
“O estudo destaca a maior vulnerabilidade da Amazônia às mudanças climáticas, especialmente em cenários de aquecimento que elevam as condições climáticas locais além da tolerância fisiológica dos ecossistemas das florestas tropicais. Diante dos resultados do ESM, é necessária uma ação política urgente para limitar o aquecimento e o desmatamento, reduzindo o risco de pontos de inflexão e colapsos em larga escala. Proteger a Amazônia não é apenas crucial para preservar a biodiversidade, mas também para estabilizar o sistema climático global e garantir o equilíbrio global de carbono”, diz um trecho do estudo.
Depois de 129 anos, a bandeira do Amazonas está prestes a ganhar uma nova identidade. Um projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) visa alterar de 25 para 62 o número de estrelas estampadas na bandeira. A proposta, de autoria do governo estadual, visa atualizar o símbolo oficial para representar o quantidade de municípios amazonenses existentes atualmente.
A emenda propõe a atualização da Lei nº 1.513/1982, que dispõe sobre a forma da Bandeira Estadual, com a inclusão de mais 37 estrelas, para representarem as cidades do Amazonas que ainda não existiam quando foi criada – até então a bandeira possui 25 estrelas, número de municípios existentes em 1897.
A mudança também atende a um modelo semelhante ao da bandeira do Brasil, que é atualizada conforme alterações na organização territorial brasileira. Com isso, ao entrar em vigor, a emenda permitirá que a bandeira do Amazonas passe a ser atualizada sempre que houver criação, extinção ou fusão de municípios ao longo da história.
Aprovada pelo parlamento estadual, a proposta aguarda pela sanção governamental para começar a vigorar. Confira a proposta de como deve ficar a nova bandeira do Amazonas:
Nova bandeira do Amazonas terá a inclusão de 37 novas estrelas, totalizando o número de 62 para representar a quantidade de municípios existentes no Estado. Foto: Reprodução
Críticas, elogios e sugestões
Jornal do Commercio. Manaus, 25 setembro 1970. Foto: Reprodução/Blog do Coronel Roberto
A decisão de mudança na bandeira do Amazonas repercutiu nas redes sociais. Vários internautas reagiram à Proposta de Emenda Parlamentar (PEC) e opinaram sobre o pedido de alteração histórica no símbolo oficial do estado.
Entre críticas e elogios, muitos usuários deram outras sugestões de mudanças da bandeira amazonense e uma delas relembrou uma indicação do poeta amazonense Luiz Bacellar durante a gestão do governador Danilo Areosa (1967-1971).
Segundo a página Blog do Coronel Roberto, baseado em registros do Jornal do Commercio à época, o então governador Areosa encomendou ao Conselho de Cultura um estudo sobre a Bandeira do Amazonas, já que a existente era alvo de chacota pela semelhança com a bandeira americana.
De acordo com a página, “Bacellar – poeta e heraldista – estudioso do assunto, apresentou uma nova bandeira na mesma dimensão da anterior, porém, em fundo verde com uma faixa ondulada branca no meio, ladeada por 44 estrelas, representando os municípios”.
Porém, segundo o blog, uma ala conservadora preferia o modelo em referência à Batalha de Canudos, com as cores em alusão ao batalhão militar amazonense que se integrou às forças dos demais Estados no conflito.
História da bandeira do Amazonas
Atual bandeira do Amazonas contém 25 estrelas, que simboliza os municípios existentes em 1897. Foto: Reprodução
A bandeira amazonense apresenta as cores branca, azul e vermelha (que pode ser interpretado em relação à época de preparação da bandeira), exatamente para que fosse levada aos campos de combate em Canudos, no ano de 1897, pelo batalhão militar amazonense, que se integrou às forças dos demais estados naquela luta.
No retângulo azul da bandeira do Amazonas são aplicadas 25 estrelas em prata, simbolizando o número de municípios existentes em 4 de agosto de 1897 e indicando o momento histórico do embarque das tropas para Canudos, tal como se recolhe das pesquisas históricas, e foi depois lançado no artigo 7.º, inciso VI da lei respectiva. No centro do retângulo azul há uma estrela de primeira grandeza, representando Manaus.
Da esquerda para a direita as estrelas simbolizam os municípios de Borba, Silves, Barcelos, Maués, Tefé, Parintins, Itacoatiara, Coari, Codajás, Manicoré, Barreirinha, São Paulo de Olivença, Urucará, Humaitá, Boa Vista (atual capital de Roraima), Moura, Fonte Boa, Lábrea, São Gabriel da Cachoeira, Canutama, Manacapuru, Urucurituba, Carauari e São Felipe do Juruá. A bandeira do Estado do Amazonas foi consolidada pela Lei n.º 1.513, de 14 de janeiro de 1982 e seu uso foi regulamentada pelo Decreto n.º 6.189, de 10 de março de 1982.
Confira este vídeo produzido pela TV Senado sobre a história da bandeira amazonense:
Na mesma prateleira da frase “Quem come jaraqui, não sai mais daqui!”, quem visita Parintins para prestigiar o Festival Folclórico da ilha tupinambarana escolhe um caminho sem volta. Vivenciar a grande festa protagonizada pelos bois Caprichoso e Garantido acaba se tornando uma parada quase obrigatória na cidade localizada no interior do Amazonas.
Seja no próprio estado ou em qualquer região do Brasil, a paixão dos torcedores dos bois, as ‘galeras’, é colocada à prova desde o início da temporada bovina, com os eventos tradicionais dos bois da estrela e do coração. É nesse período que é comum encontrar azulados e encarnados realizando atos de amor para ter a oportunidade de apoiar o boi favorito dentro do Bumbódromo.
É o caso do amazonense Giuliano Dino, mais conhecido como Giu Maué, que pisou pela quarta vez em Parintins para torcer pelo Garantido na arena do Bumbódromo. O artista saiu do Rio de Janeiro, onde mora atualmente, para retornar à Ilha depois de 17 anos desde a sua última visita, em 2009. Agora em terras parintinenses, o dançarino espera comemorar pela terceira vez a vitória do boi da Baixa.
Giu Maué com Maria do Carmo Monteverde, única filha viva de Lindolfo Monteverde, criador do Garantido. Foto: Giu Maué/Arquivo pessoal
Relação umbilical com Garantido
Giu Maué conta que a relação dele com o Boi Garantido é umbilical. O artista de 41 anos afirma que se tornou torcedor encarnado ‘antes’ pelo seu finado pai.
“A paixão pelo garantido começou no ventre da minha mãe. Meu finado pai, Geraldo Adolfo Monteiro, era torcedor fanático, e minha mãe era pelo contrário. E desde quando eu ainda estava na barriga da minha mãe, ele já ficava perto de mim cantando as toadas. A minha mãe ali torcia pelo boi dela, mas o meu pai que me fez ser apaixonado pelo Garantido antes de chegar no mundo”, relembra Maué.
A ligação entre Giu e o Garantido foi tão verdadeira que o destino reservou uma oportunidade especial para essa relação de amor entre o torcedor e o seu boi. Em 1995, em seu segundo ano na Ilha da Magia, Maué agarrou a chance de dançar no Bumbódromo integrando o corpo de dança do Garantido.
Depois de 17 anos, Giu Maué revive experiência de voltar a assistir o boi Garantido no Bumbódromo. Foto: Giu Maué/Arquivo pessoal
“Naquele ano, realizei o sonho encarnado de me apresentar no festival pelo meu boi. No entanto, na segunda noite, caiu uma tempestade e o nosso boi foi impedido de se apresentar por completo. Entraram debaixo de muita chuva apenas o Amo, o Apresentador e o Levantador. Eu e o meu amigo, que estava responsável por mim, subimos para a arquibancada embaixo de muita chuva, frio, tudo isso para torcer pelo meu boi. Foi inesquecível, foi uma das minhas maiores loucuras. O Garantido permite o torcedor apaixonado a vivenciar episódios marcantes na vida como esse”, afirmou o artista.
Pela quarta vez em Parintins, Giu conta que viveu experiências diferentes em todas as oportunidades, mas sempre movido pela paixão vermelha e branca. Além de 1995, quando também atuou como dançarino, o artista amazonense relembra que já foi sem nenhum centavo para Ilha da Magia.
“Em 1993, fui pela primeira vez e aos 13 anos de idade tive a experiência maravilhosa de ver de perto o Garantido. A minha memória afetiva de quando eu era criança é indescritível, ali só confirmou e aumentou a minha paixão pelo boi vermelho. Já em 2009, foi uma das minhas maiores loucuras, eu estava desempregado e era dançarino num grupo. Fui convidado e eu e um amigo fomos para Parintins sem nada no bolso, a gente se virou vendendo macaquinhas para arrecadar dinheiro. No fim, a experiência foi maravilhosa, até porque o Garantido foi campeão na ocasião, então valeu muito a pena”, recorda Giuliano.
Conexão Perreché MAO-RJ
Morando há 14 anos no Rio de Janeiro, Maué não deixou de ser Garantido na Cidade Maravilhosa e tampouco de brincar de boi bumbá. Há dois anos, o artista criou o RJ Encarnado, torcida organizada do Garantido na capital fluminense, em que divulga e expande a cultura popular do boi bumbá e, claro, a história do Boi de São José.
No Rio de Janeiro, Giu Maué criou o RJ Encarnado, torcida organizada do Garantido na cidade fluminense. Foto: Giu Maué/Arquivo pessoal
“O RJ Encarnado é a torcida do Garantido no Rio de Janeiro, com intuito de divulgar a cultura do nosso boi e é um sucesso. Recentemente, fizemos um evento e não esperávamos tanta gente, mais de 200 pessoas estiveram presentes, isso mostra a força de Parintins e também do Garantido pelo Brasil afora”, frisa.
Longe da terra natal, o dançarino amazonense afirma que o Festival de Parintins é uma experiência única e reforça para quem ainda não conhece a grande festa da Ilha, que visite pelo menos uma vez.
“É algo indescritível, não existe em nenhum lugar do mundo. Eu moro no sudeste do Brasil desde 2012 e não tem nada igual, quem não conhece e escuta sobre o festival fica curioso, e quem vai pela primeira vez fica deslumbrado. Então, quem ainda não foi, vá, é algo único”, finalizou.
Conhecida por ser o palco da grande festa protagonizada pelos bois Caprichoso e Garantido, a cidade de Parintins reúne arte, cultura e talento com as alegorias e composições artísticas dentro do bumbódromo, durante o maior espetáculo folclórico à céu aberto do planeta. No entanto, o município do interior do Amazonas detém um celeiro de talentos e revela, todos os anos, dezenas de artistas e produtores culturais que levam a força da cultura amazônida para o restante do Brasil e do Mundo.
Grande parte desses talentos são revelados durante o projeto ‘Parintins, Galeria Cidade Aberta‘, iniciativa que transforma muros e fachadas da Ilha Tupinambarana em obras de artistas parintinenses. Com intuito de descentralizar a arte e ampliar o acesso à cultura local, o projeto chegou à quinta edição este ano e já revelou mais de 400 artistas locais, o que reforça Parintins como um grande produtor nacional de artistas internacionais.
Em 2026, foram produzidos 16 novos murais na cidade, totalizando 60 espaços de arte em toda a cidade de Parintins. Além disso, o projeto ‘Parintins, Galeria Cidade Aberta’ já contempla mais de 9 mil metros cúbicos de muros pintados, o que consolida a importância do projeto tanto para a geração de novos artistas parintinenses quanto para a arte urbana.
“O Parintins, Galeria Cidade Aberta hoje é visto como um dos principais portfólios da arte parintinense da nova geração para o Brasil e o mundo. É a oportunidade de mostrar o talento dos nossos artistas visuais locais que retratam, através da arte, o nosso cotidiano, a realidade dos ribeirinhos, a cultura dos povos originários e, principalmente, o nosso boi bumbá e as lendas amazônicas. Os números deste ano comprovam que nossa cidade é um celeiro de talentos que inspiraram de geração em geração”, explica Tiago Costa, um dos diretores responsáveis do projeto.
Talento de geração para geração
Homenageado deste ano no projeto foi o artista Evanil Maciel, um dos maiores nomes da arte local. Foto: Gabi Vitim
Para este ano, o projeto celebrou a trajetória de Evanil Maciel, artista plástico parintinense e um dos maiores nomes das artes visuais da Amazônia. Aos 72 anos, Maciel é referências para artistas de diferentes gerações e acumula mais de mil obras produzidas e participações em exposições nacionais e internacionais.
Um dos talentos revelados pelo projeto, o artista Pito Silva destaca que o projeto valoriza a carreira de quem trabalha em prol da arte local.
“É um projeto que fomenta e dá visibilidade para aquilo que já existe e tem força em Parintins, que é a arte. Muita gente acha que Parintins se resume apenas à arena, mas tem muitos talentos das mais diversas linguagens artísticas na cidade. Eu sou um deles, artista parintinense que ultrapassei as fronteiras da Ilha e já fiz e faço coleções para várias empresas multinacionais e internacionais. Então, o projeto Parintins Galeria Cidade Aberta permite que o talento daqui seja visto, projetado e valorizado para o mundo todo”, afirmou o artista de 38 anos, que neste ano assinou o Mural Matriarcas da Floresta.
Pito Silva, artista parintinense. Foto: Gabi Vitim
Nova geração da arte parintinense
Uma das artistas da nova geração, Day Cruz participou do projeto neste ano e teve a oportunidade de assinar um mural pela primeira vez. Ela e a artista Kamy Wará, produziram a obra ‘Yube e o Ventre da Sabedoria: a trama da mulher’, que retrata a força da ancestralidade feminina. O novo talento artístico aproveitou para enaltecer a força do projeto.
“Foi um prazer muito grande assinar o mural pela primeira vez, o projeto da galeria eu acompanho como assistente de muralista desde 2023, criamos o mural com intuito de reforçar sobre a ancestralidade feminina e mostrar todos os saberes que nós carregamos a partir dos conhecimentos ancestrais que herdamos das nossas mães e avós. Jamais deixaremos de falar sobre a arte parintinense, é sobre pertencimento, identidade cultural e memória. Para nós, como artistas jovens, é fundamental poder deixar um pouco de nossos traços para quem mora aqui e também para quem pretende conhecer a ilha”, finalizou.
‘Obra ‘Yube e o Ventre da Sabedoria: a trama da mulher’, mural assinado por Kamy Wará e Day Cruz. Foto: Tayrá Sateré
A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.
Considerada uma das três cores primárias, o azul está associado à vários significados e é amplamente utilizado em diversas áreas, dependendo do contexto. Na psicologia, por exemplo, o azul representa tranquilidade, serenidade e confiança, enquanto que na saúde a cor indica prevenção e tratamento de doenças e até diagnóstico da situação hospitalar de um determinado paciente.
Quando se fala em cultura, o azul faz parte de uma das maiores celebrações culturais do Brasil: o Festival Folclórico de Parintins. O boi Caprichoso, feito na cor azul e branco, e o boi Garantido, de cor vermelha e branca, ditam as cores da rivalidade bovina que protagoniza a festa na Ilha da Magia.
E foi assim, encantada pela cor azul que Andreia Nunes justifica a escolha de torcer pelo Caprichoso no festival. A manauara de 41 anos desembarcou em Parintins nesta semana para prestigiar as apresentações do boi da estrela na 59º edição do maior espetáculo à céu aberto do planeta.
Apaixonado pelo azul, Andreia conta que sua admiração pela cor começou desde a infância. Na ocasião, ela relembra que isso ajudou a tomar gosto pelo boi Caprichoso, que detém as cores azul, preto e branco. A preferência, somado ao álbum Luz e Mistérios da Floresta, lançado pelo Boi Caprichoso em 1995, que ajudou Andreia e escolher o seu boi.
“Eu sempre achei o azul lindo, desde criança eu gostei da cor, que dali se tornou uma forma natural de expressão dos meus gostos. Aí em 1995, quando foi lançado o álbum do Caprichoso, foram toadas que mexeu com todo mundo, mexeu comigo e com toda a nação azulada. Aos 10 anos, gostando do azul e já entendendo o que era boi bumbá comecei a admirar o boi Caprichoso, começou daí a minha paixão pelo Touro Negro”, recorda Nunes.
Já com o boi escolhido, Andreia relembra que começou a frequentar o tradicional Bar do Boi, evento tradicional do Caprichoso que conta com ensaios técnicos, apresentações dos itens oficiais, show da Marujada de Guerra e performances de dançarinos, além de marcar a contagem regressiva do festival, que acontece anualmente na última semana de junho.
Paixão pela cor azul e álbum nostálgico motivaram Andreia Nunes a escolher torcer pelo Boi Caprichoso. Foto: Andreia Nunes/Arquivo pessoal
Foi nessa ocasião, inclusive, que Andreia teve a oportunidade de presenciar o Touro Negro pela primeira vez na vida.
Andreia na galera do Bumbódrom. Foto: Andreia Nunes/Arquivo pessoal
“O Bar do Boi acontecia geralmente no antigo TV Lândia Mall, lá nos anos 1990. Foi lá que eu comecei a frequentar os currais, a minha adolescência toda eu aproveitava indo aos finais de semana para brincar de boi. Foi lá que eu conheci o boi pela primeira vez, as pessoas falam que o boi escolhe a gente, mas eu que escolhi o meu boi Caprichoso”.
Pela décima quinta vez em Parintins, Andreia afirma que todas as vezes que decide vir para a Ilha da Magia representa uma loucura para assistir de perto o seu boi favorito.
“A maior loucura que eu fiz e faço pelo Caprichoso é ter a oportunidade de vir para Parintins e torcer para ele ser campeão. A gente sai de Manaus, larga tudo, emprego, trabalho, família, enfrenta horas de barco, rede, tudo para chegar em Parintins e aproveitar o momento do festival, o que acontece uma vez por ano. Mas viver isso é magnífico, lindo e inesquecível”, pontua a amazonense.
Por fim, a manauara afirma que viajar para a Ilha tupinambarana e aproveitar o festival torcendo pelo seu boi favorito é algo inesquecível.
Vir para Parintins é deixar você se permitir viver uma das maiores experiências da vida. Você conhece a cultura da cidade, a festa de Parintins, conhece pessoas e o melhor, você vai deixar o boi te escolher. Tudo isso vale muito a pena, então se você pretender conhecer mesmo a Ilha da Magia, então venha, você não vai se arrepender”, finalizou.