Mineração ilegal ameaça atividades sustentáveis de famílias na região Madre de Dios, na Amazônia peruana

Atividade irregular de mineração tem colocado em risco o desenvolvimento e segurança do turismo, bionegócio e produção da castanha-do-brasil na 'Capital da Biodiversidade' do Peru.

Além do desmatamento e poluição do mercúrio nas águas, prática da mineração ilegal também coloca em risco a produção sustentável das famílias residentes na região Madre de Dios. Foto: Divulgação/Agência Andina

Dona da maior biodiversidade da Amazônia peruana, a região Madre de Dios, localizada no sudeste do Peru, tem sofrido com a mineração ilegal. A atividade irregular, além de causar desmatamento e poluição por mercúrio, tem colocado em risco as atividades econômicas sustentáveis de milhares de famílias que moram no local, afetando diretamente o desenvolvimento e a segurança da região.

A informação é do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado (Sernanp), agência vinculada ao Ministério do Meio Ambiente peruano, que publicou uma nota informativa sobre as ações do órgão contra mineração ilegal implantadas na região de Madre de Dios.

Segundo o Sernanp, até agora, em 2026, o Estado realizou 75 ações de interdição terrestre e fluvial contra mineração ilegal na região, com resultados importantes e avanços no controle territorial e na luta contra organizações criminosas.

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Produtores de castanha-do-brasil da região Madre de Dios, na Amazônia Peruana. Foto: Divulgação/Agência Andina

As medidas incluíram a destruição de 370 acampamentos de mineração ilegal, 16.000 galões de diesel, 211 botes, 202 motores, 130 bombas de sucção, 71 triargueros, 170 motocicletas, 33 geradores elétricos e 40 motores.

Da mesma forma, 30 barcos, 10 motores de popa, 95 funis, 24 bombas motoras e 40 motosserras, além de outros equipamentos e suprimentos usados em atividades relacionadas à mineração ilegal, foram destruídos pela agência.

Essas ações são realizadas no âmbito da ‘Estratégia Nacional para a Redução e Proibição da Mineração Ilegal no Peru até 2030’, aprovada pelo DS nº 003-2025-IN.

A Polícia Nacional, o Exército Peruano, a Diretoria Geral de Capitanias e Guardas Costeiras (Dicapi) e o Procurador Especializado para Assuntos Ambientais atuam de maneira articulada, com o apoio técnico e logístico do Sernanp e do Alto Comissariado para a ‘Luta contra a Mineração Ilegal’.

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Sernanp contribui com apoio logístico

Como parte da estratégia, o Sernanp fornece suporte logístico permanente nos postos de vigilância e controle (PVC) Otorongo, Azul, Malinoswki e Yarinal, “onde policiais, pessoal da Dicapi e guardas florestais especializados trabalham continuamente”.

Atualmente, mais de 70 guardas florestais e técnicos monitoram e vigiam 10 PVC dentro da Reserva Nacional de Tambopata, gerando informações em tempo real sobre o progresso de atividades ilícitas e permitindo uma rápida capacidade de resposta operacional.

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Mineração ilegal na região de Madre de Dios, no Peru
Ações do Estado buscam proteger a biodiversidade e segurança ambiental da Amazônia e reduzir as atividades ilegais de garimpo na região Madre de Dios. Foto: Divulgação/Agência Andina

Combate à mineração ilegal

Além disso, o Estado reforçou as ações de intervenção com monitoramento por satélite e sobrevoo por drones, ferramentas que permitem identificar novas fontes de invasão de mineração, antecipar deslocamentos de atividades ilegais e proteger setores vulneráveis dessa área natural protegida. As operações foram realizadas em áreas chave como Correntada, Isla Córdova, Playa Vilma, Rio Malinowski, Filadelfia, Valle Dorado, La Cumbre e Aguas Negras.

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“As ações do Estado buscam conter permanentemente a pressão sobre ecossistemas altamente vulneráveis e reafirmar o compromisso com a proteção da Amazônia, a biodiversidade e a segurança ambiental”, cita o Sernanp, em nota.

Entre 2024 e 2026, o Sernanp forneceu apoio logístico para 256 ações de interdição realizadas em coordenação com a PNP, o Exército, Dicapi e o Ministério Público Especializado para Assuntos Ambientais, “consolidando uma resposta articulada à mineração ilegal em Madre de Dios”.

*Com informações da Agência Andina

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