BR-319, AM-010, RR-205… Quem “pega a estrada” seja para curtir as férias ou até mesmo em dias de trabalho, normalmente se depara com essas nomenclaturas estampadas em placas de trânsito. Elas fazem parte da identificação das rodovias do Brasil.
📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp
Composto de duas letras e três números, as nomenclaturas respeitam os critérios estabelecidos pelo Plano Nacional de Viação (PNV), órgão responsável pela infraestrutura e organização de todo o sistema viário do país: rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.
Mas o que significa a união dessas letras e números? O Portal Amazônia procurou informações sobre como funciona a lógica por trás desses termos que, além de dar nomes às estradas, representam uma orientação importante sobre a localização dentro do território nacional.
Entenda a nomenclatura
De acordo com o PNV, a nomenclatura das rodovias é definida por duas letras que representam o prefixo da Unidade de Federação (estado) de origem responsável por aquela via. As “BRs”, no caso, são as rodovias federais.
Em seguida, vem uma numeração composta por três algarismos: o primeiro indica o tipo de rodovia, enquanto que o segundo e terceiro dígitos representam a posição geográfica em relação ao território brasileiro, tendo como referência os limites Norte, Sul, Leste e Oeste e a capital de origem de determinada estrada.
Geralmente, as rodovias estaduais e municipais reproduzem o mesmo padrão da nomenclatura federal, no entanto, cada Estado ou Município pode adotar o seu próprio sistema de identificação das estradas.
Leia também: Relembre a história da Transamazônica, a utópica rodovia na Amazônia

Tipos de rodovias
Existem cinco tipos de rodovias:
- Radiais,
- Longitudinais,
- Transversais,
- Diagonais
- e Ligação.
Elas são representadas no primeiro algarismo da nomenclatura padrão da PNV. Por exemplo, BR-0xx, BR-1xx…
Rodovias Radiais: São as que partem da capital de origem da rodovia em direção aos extremos do país. O primeiro algarismo é o 0, enquanto que os demais podem variar de 05 a 95, de acordo com a posição geográfica da rodovia no sentido horário.
Exemplo: BR-020, BR-020, BR-040…

Rodovias Longitudinais: São as que cortam o país na direção Norte a Sul. O primeiro algarismo é 1 e os outro dois podem variar de 00, no extremo leste do país, a 50 na Capital, e entre 50 a 99 no extremo oeste.
Exemplo: BR-174, BR-153, BR-101…

Rodovias Transversais: São as que cortam o país na direção Leste-Oeste. O primeiro algarismo é o 2. Os outros dois números podem variar de 00, no extremo norte, a 50 na Capital Federal, e entre 50 a 99 se estiver no sul.
Leia também: BR-319: A história e a realidade da rodovia que liga o Amazonas ao Brasil

Rodovias Diagonais: Cortam o Brasil em dois sentidos transversais: Noroeste-Sudeste ou Nordeste-Sudoeste. O primeiro algarismo dessas rodovias é o 3, e outros dois podem variar de 0 a 99 da seguinte forma:
Nas diagonais orientadas na direção geral NO-SE, a numeração varia, em números pares, de 00, no extremo Nordeste do país, a 50, em Brasília, e de 50 a 98, no extremo Sudoeste. Exemplo: BR-304, BR-324, BR-364.
Já nas Diagonais orientadas na direção geral NE-SO: A numeração varia, segundo números ímpares, de 01, no extremo Noroeste do país, a 51, em Brasília, e de 51 a 99, no extremo Sudeste. Exemplo: BR-319, BR-365, BR-381.

Rodovias de Ligação: São as que vão em qualquer direção e geralmente ligam rodovias federais ou outras “BRs” com demais cidades, pontos e fronteiras importantes. Seu algarismo é o 4.
Exemplos: BR-401 (Boa Vista/RR – Fronteira BRA/GUI), BR-470 (Navegantes/SC – Camaquã/RS) e BR-488 (BR-116/SP – Santuário Nacional de Aparecida/SP).

Como se conta a quilometragem?
A quilometragem das rodovias não é cumulativa de uma Unidade da Federação para a outra. Logo, toda vez que uma rodovia inicia dentro de uma nova Unidade da Federação, sua quilometragem começa novamente a ser contada a partir de zero.
Nas rodovias radiais, o sentido da quilometragem vai do Anel Rodoviário de Brasília em direção aos extremos do país, tendo o quilometro zero de cada estado no ponto da rodovia mais próximo à capital federal.
Já nas longitudinais, o sentido vai do norte ao sul, com as únicas exceções da BR-163 e BR-174 que são do sul para o norte.
Nas transversais, o sentido vai do leste para o oeste, e nas diagonais, o ponto se inicia mais ao norte da rodovia indo em direção ao ponto maiis ao sul, com exceções das BR-307, BR-364 e BR-392.
Por fim, as rodovias de ligação geralmente iniciam a contagem da quilometragem do ponto mais ao norte da rodovia para o ponto mais ao sul. No caso de ligação entre duas BRs, a contagem começa na rodovia de maior importância.
Rodovias na Amazônia Legal
Na Amazônia Legal, área que compreende os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão, seis rodovias federais cortam a região e fazem parte do planejamento de ligação para o restante do país.
São elas:
- BR-010 – Belém-Brasília
- BR-364 – Cuiabá-Porto Velho
- BR-163 – Cuiabá-Santarém
- BR-230 – Pará-Amazonas
- BR-319 – Porto Velho-Manaus
- BR-174 – Manaus-Boa Vista
Veja um infográfico sobre a história dessas estradas AQUI.
