#Série l Superfrutas da Amazônia: camu-camu, a campeã da vitamina C

O camu-camu chama a atenção pela grande concentração de vitamina C, potencial antioxidante e benefícios relacionados à saúde.

Você conhece o camu-camu? Considerada uma das frutas com maior concentração de vitamina C do mundo, o camu-camu é uma fruta pequena e ácida, encontrada nas áreas alagadas da Amazônia, e que chama a atenção por seu potencial antioxidante e pelos benefícios relacionados à saúde. Pensando em seu potencial, como uma “superfruta”, o Portal Amazônia criou nova série de reportagens, incluindo outras frutas da região amazônica.

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De acordo com o livro ‘Receitas de camu-camu: pitadas de vitamina C e antioxidantes’, publicado na Embrapa, o fruto, também conhecido como caçari em Roraima, pertence à biodiversidade amazônica e possui compostos que ajudam na preservação da saúde da população contra inúmeras doenças e contra o envelhecimento.  

Plantas de Myrciaria dubia. Foto: Walnice Nascimento

A fruta é originária do camucamuzeiro (Myrciaria dubia), espécie nativa da Amazônia que cresce principalmente em margens de rios e lagos. Segundo o estudo da Embrapa, ‘A cultura do camu-camu’, a planta se desenvolve em locais de pleno sol e ainda está em processo inicial de domesticação e cultivo racional.

Além do Brasil, o fruto também é encontrado em países vizinhos da Amazônia. Atualmente, o Peru é considerado o maior produtor e exportador de camu-camu do mundo. 

Fruta campeã em vitamina C

O Camu-camu é considerado uma superfruta por conta da grande quantidade de vitamina C presente em sua polpa. O estudo, ‘A cultura do camu-camu’, aponta que o fruto pode apresentar concentração aproximadamente 13 vezes maior que a encontrada no caju, 20 vezes superior à acerola e até 100 vezes maior que no limão, ou seja, pode conter cerca de 5 gramas de vitamina C a cada 100 gramas da polpa. 

Leia também: Comunidades amazônicas no Peru conservam florestas usando camu camu de forma sustentável

camu-camu
Foto: Pedro Guimarães/Embrapa

O livro de receitas mostrou que os frutos provenientes da região leste de Roraima apresentaram concentrações de ácido ascórbico entre 3.571 mg e 6.112 mg por 100 g de polpa, números considerados extremamente elevados quando comparados a outras frutas populares no consumo diário.

Mesmo com toda essa concentração, o estudo alerta que o organismo humano não consegue absorver grandes quantidades de vitamina C de uma única vez, e parte dela acaba sendo eliminada naturalmente pelo corpo. Por isso, o consumo distribuído ao longo do dia, seja da fruta ou de produtos derivados, pode ser uma alternativa mais eficiente para aproveitar os nutrientes.

Antioxidantes e nutrientes

Além da vitamina C, o camu-camu possui flavonoides, compostos fenólicos e antocianinas, substâncias associadas à ação antioxidante. De acordo com a Embrapa, esses compostos auxiliam no combate aos radicais livres, moléculas relacionadas ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de algumas doenças.

alimentos amazônicos: camu-camu
Foto: Walnice Nascimento/Embrapa

Leia também: Camu-camu é usado para enriquecer farinha de mandioca

Além disso, comparado à laranja, o camu-camu também apresenta cerca de 10 vezes mais ferro e 50% mais fósforo. No entanto, a maior concentração de vitamina C e compostos fenólicos está presente no ‘epicarpo’, ou seja, a casca da fruta. 

Apesar da grande concentração de vitamina C, a fruta possui baixo valor energético e pequenas quantidades de proteínas e lipídios. 

O camu-camu na culinária

Apesar do sabor bastante ácido, o camu-camu é utilizado em diferentes preparações alimentícias. De acordo com o livro de receitas da Embrapa, a polpa pode ser consumida na forma de refrescos, sorvetes, vinhos, licores, geleias, doces e coquetéis, sendo utilizado como fixador de sabor em sobremesas e tortas.

Muitos nomes na Amazônia

Embora o nome camu-camu seja o mais popular no Brasil e no Peru, a fruta também recebe outras denominações regionais, como camocamo, caçari, araçá-d’água, araçá-de-igapó e crista de galo. Além disso, na Amazônia Venezuelana, os nomes mais utilizados são guayabo e guayabito.

Desafios do cultivo 

De acordo com o estudo da Embrapa, mesmo sendo uma espécie resistente em populações naturais, o cultivo racional do camucamuzeiro ainda enfrenta desafios relacionados ao ataque de pragas. O estudo aponta que mais de 69 tipos de insetos já foram associados à planta, principalmente das ordens Homoptera, Lepidoptera e Coleoptera. 

Apesar disso, apenas uma pequena parcela dessas pragas é considerada economicamente prejudicial ao cultivo.

Série Superfrutas da Amazônia

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