‘Clima’: projeto promove alfabetização científica por meio de DNA ambiental com estudantes em Santarém

O projeto investiga a percepção das comunidades locais sobre as alterações climáticas e avalia os impactos socioambientais na biodiversidade amazônica, utilizando técnicas de DNA ambiental.

Iniciativa da Ufopa trabalha com técnicas de DNA ambiental. Foto: Divulgação/Projeto Clima

Promover a iniciação e a alfabetização científica de jovens por meio da ciência cidadã. Esse é o objetivo do projeto “Ciência, licenciatura e integração para enfrentar as mudanças climáticas na Amazônia (Clima)”, desenvolvido pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) junto à comunidade escolar da Escola Estadual Professora Terezinha de Jesus Rodrigues, em Santarém.

Ligado ao Programa Integrado de Ensino, Pesquisa e Extensão (PEEx), o projeto investiga a percepção das comunidades locais sobre as alterações climáticas e avalia os impactos socioambientais na biodiversidade amazônica, utilizando técnicas de DNA ambiental.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O DNA é uma molécula encontrada em todos os seres vivos e funciona como o manual de instruções do corpo. Já o DNA ambiental é o rastro genético que esses organismos deixam espalhado na natureza. Ele é uma mistura de DNAs que se soltaram de seres humanos, animais, plantas e até de seres microscópicos, como as bactérias, e que ficam flutuando ou misturados na água, no solo e no ar de um determinado lugar.

O projeto é coordenado pelo professor Gabriel Iketani Coelho, da licenciatura em Biologia do Instituto de Ciências da Educação (Iced) e do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PGRNA), do Instituto de Engenharia e Geociências (IEG). Segundo ele, o DNA ambiental é encontrado em todos os ambientes e pode ser extraído de amostras de água, de solo ou do ar.

“O Projeto Clima busca aproximar os alunos da Biologia molecular moderna. Após aprenderem como a ciência coleta esses rastros genéticos na água, no solo e até no ar, os alunos foram desafiados a construir seus próprios equipamentos de coleta. A proposta é transformar a criação desses coletores em uma atividade lúdica, desenvolvendo ’brinquedos científicos’ capazes de coletar amostras reais para análise”, disse o professor.

Pelo projeto, de acordo com o docente, os alunos fazem ciência e, consequentemente, são alfabetizados cientificamente, sendo inseridos no universo acadêmico da produção do conhecimento.

Leia também: Você sabia que as árvores e plantas também têm DNA?

Clima: projeto promove alfabetização científica por meio de DNA ambiental com estudantes em Santarém
Foto: Divulgação/Projeto Clima

Sobre as atividades do projeto

Desde o ano passado, o projeto vem sendo desenvolvido com atividades de formação da equipe com relação à metodologia aplicada, chamada Course-based Undergraduate Research Experience (CURE).

Essa metodologia foi adaptada pelo grupo e recebeu o nome de CURE2 (Coursebased Undergraduate Reseach and Extension Experiences) que, traduzido, significa “Curso de graduação baseado em experiências de pesquisa e extensão”, envolvendo as seguintes fases:

  • Capacitação e troca de saberes: realização de palestras e oficinas intergeracionais sobre método científico, mudanças climáticas e técnicas de biologia molecular;
  • Formação continuada e pesquisa prática: divisão dos participantes em grupos mistos — integrando alunos do 6.º ano da escola, da graduação (licenciaturas), da pós-graduação e professores da escola e da universidade para o planejamento e execução de experimentos científicos na área de DNA ambiental;
  • Comunicação e devolutiva social: sistematização dos resultados em relatórios unificados para apresentação a tomadores de decisão, feiras de ciências e divulgação científica para a comunidade local.

Fazendo parte da segunda fase do projeto, atividades na Escola Terezinha Rodrigues resultaram em discussões e ideias para elaboração dos coletores de DNA ambiental. Essas ideias foram concretizadas e impressas em 3D pelos alunos do mestrado, da graduação e do ensino médio (bolsistas PEEx) no Laboratório de Educação e Evolução Prof. Horacio Schneider (Ledevo) da Ufopa. No dia 1.º de junho, esses coletores foram testados na escola.

Próxima ação

Após testes e ajustes nos brinquedos coletores, no dia 29 de junho, haverá uma ação de coleta de amostras na Unidade Tapajós da Ufopa, em atividades que devem envolver todos os estudantes do projeto.

Além do coordenador, a equipe do projeto é composta pela vice-coordenadora, professora Priscila Veiga da Silva, da escola Terezinha de Jesus Rodrigues; 4 alunos do PGRNA e dois egressos; 44 alunos da graduação (Licenciatura em Ciências Biológicas); 3 bolsistas do ensino médio; 34 do ensino fundamental (6.º ano).

Professor Gabriel Iketani informou que o projeto pode ser desenvolvido em parceria com unidades de ensino, a depender de contatos prévios, planejamento e orçamento.

*Com informações da Ufopa

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Bioeconomia: a floresta precisa gerar riqueza — mas para quem?

Durante minha travessia pela bacia amazônica, convivendo com indígenas, quilombolas e ribeirinhos, percebi algo que muitas vezes escapa aos grandes centros de decisão: a floresta nunca foi improdutiva.

Leia também

Publicidade