Você conhece a “prima” do açaí? A bacaba é uma fruta nativa da floresta amazônica que possui alto valor nutricional. Consumida há gerações por povos indígenas e comunidades ribeirinhas, ela é considerada uma superfruta amazônica por suas propriedades antioxidantes, potencial alimentício e grande quantidade de óleo saudável, superior até mesmo ao encontrado no açaí.
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De acordo com um estudo feito pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Amazônia Ocidental, a bacaba pertence ao gênero Oenocarpus, grupo de palmeiras amplamente distribuídas na Amazônia brasileira e em outros países da América do Sul e Central.
Na Região Norte, a fruta recebe diferentes nomes populares, como bacaba-açu, bacabão, bacaba-vermelha, bacabi e bacabinha, dependendo da espécie e da região onde é encontrada.

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Segundo a pesquisa, o nome científico Oenocarpus tem origem grega, ‘oeno’, que significa vinho e ‘carpus’, que significa fruto. Já a palavra ‘bacaba’ vem do tupi-guarani ‘ibacaba’, que significa ‘fruta oleosa’.
Onde ela é encontrada e no que ela é utilizada?
As espécies de bacaba possuem forte ocorrência nos estados amazônicos. A Oenocarpus bacaba, por exemplo, é encontrada no Amazonas, Acre, Amapá, Pará e Rondônia, enquanto a Oenocarpus mapora, conhecida como bacabi, é encontrada principalmente no Amazonas e no Acre.

De acordo com o estudo, as palmeiras crescem em diferentes ambientes da floresta amazônica, desde áreas de terra firme até regiões de várzea e locais periodicamente alagados. Além disso, algumas espécies conseguem se desenvolver em solos pobres e argilosos, enquanto outras preferem terrenos ricos em matéria orgânica.
Além de possuir importância ecológica, a bacaba tem um grande valor para as comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, já que praticamente todas as partes da planta são aproveitadas.
Segundo o estudo, a bacaba é utilizada na produção de bebidas, sorvetes, picolés, geleias e licores, além do óleo extraído da polpa e da amêndoa que é empregado tanto na alimentação quanto na medicina popular. Além disso, as folhas servem para cobertura de casas, produção de fibras e artesanato, e os caules usados em construções e na fabricação de utensílios.
Mais óleo que o açaí

Um dos principais diferenciais da bacaba está na composição nutricional. De acordo com o boletim de pesquisa e desenvolvimento – Caracterização Físico-Química da Polpa de Bacabi (Oenocarpus mapora H. Karsten), o bacabi possui elevado teor de lipídeos, superando inclusive o açaí em quantidade de óleo.
A pesquisa com a espécie Oenocarpus mapora mostrou que a polpa pode conter cerca de 58% de lipídeos, responsáveis por mais de 85% das calorias presentes no fruto. Além das gorduras boas, a fruta apresenta fibras, proteínas e minerais importantes para o organismo.
De acordo com o estudo, o óleo da bacaba possui composição semelhante ao azeite de oliva, com predominância do ácido oleico, conhecido pelos benefícios à saúde cardiovascular. Além disso, também estão presentes no fruto ácidos graxos palmítico, mirístico e láurico, que ampliam o potencial de uso da fruta na indústria alimentícia.
Outra característica marcante da Bacaba está na presença de compostos bioativos, como carotenoides, antocianinas e compostos fenólicos, substâncias que possuem ação antioxidante e ajudam a combater os radicais livres, moléculas associadas ao envelhecimento precoce e ao desenvolvimento de doenças.
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Fonte de vitaminas e minerais
Segundo o boletim, além do alto teor energético, a bacaba concentra nutrientes importantes para o funcionamento do corpo, como a vitamina E, reconhecida pela ação antioxidante, que auxilia na proteção das células, e vitaminas do complexo B, essenciais para a produção de energia e funcionamento do sistema nervoso.
A composição mineral do fruto inclui potássio, cálcio, magnésio e ferro, nutrientes que contribuem para o fortalecimento dos ossos, funcionamento muscular e prevenção da anemia. Além disso, segundo os estudos, as antocianinas, responsáveis pela coloração roxa intensa da fruta, ajudam no combate ao envelhecimento celular e possuem potencial anti-inflamatório.
Potencial medicinal estudado pela ciência
De acordo com o estudo realizado pela Embrapa, o óleo da fruta é empregado tradicionalmente em casos de bronquite, infecções pulmonares e até tuberculose.
Entre os indígenas Bora, do Peru, as sementes germinadas da bacaba são usadas no preparo de uma bebida consumida em casos de picadas de cobra.

Além do conhecimento tradicional, a pesquisa indica que a bacaba possui atividade antioxidante, ação antiproliferativa e possível efeito quimiopreventivo relacionado à carcinogênese, processo de formação do câncer.
Além disso, os compostos antioxidantes presentes na fruta podem ajudar a reduzir danos causados pelos radicais livres, associados a doenças cardiovasculares, câncer, catarata e enfermidades neurodegenerativas.
Série Superfrutas da Amazônia




