Você conhece o buriti, o fruto da “árvore da vida”? Conhecido como buriti, miriti ou muriti, o fruto da espécie é considerado uma verdadeira superfruta amazônica por reunir alto valor nutricional. Tido como uma das palmeiras mais importantes da floresta amazônica, o buritizeiro é chamado pelos povos indígenas de ‘árvore da vida’, sendo aproveitada pelas comunidades tradicionais desde os frutos até as folhas e fibras.
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De acordo com informações reunidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o fruto se destaca principalmente pela grande quantidade de vitaminas, antioxidantes e óleo vegetal.
A palmeira cresce em áreas alagadas, margens de rios e terrenos brejosos, áreas com umidade excessiva e drenagem inadequada, formando extensos buritizais. Por conta disso é essencial que o solo seja ácido.
Uma palmeira gigante da Amazônia
Segundo o estudo, a espécie pode alcançar entre 20 e 35 metros de altura, e apesar de apresentar crescimento lento, possui grande longevidade, já que algumas árvores com mais de 10 metros podem viver entre 100 e 400 anos. Além disso, as folhas em formato de leque chegam a medir até cinco metros de comprimento e são tradicionalmente utilizadas na cobertura de casas e na produção de artesanato.
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O buriti possui uma casca coberta por escamas castanho-avermelhadas que esconde uma polpa amarelo-alaranjada, de sabor agridoce e textura oleosa. De acordo com o estudo, cada planta feminina pode produzir de cinco a sete cachos, com até 500 frutos em cada um, podendo chegar até três toneladas por palmeira.
Rico em vitaminas e nutrientes
O buriti é considerado uma superfruta amazônica devido seu alto valor nutricional. De acordo com o livro ‘Buritizeiro (Mauritia flexuosa L .) e seu Potencial de Utilização’, da Embrapa, a fruta é rica em vitaminas A e C, além de conter cálcio, ferro, fibras, óleos e antioxidantes importantes para o organismo.

Segundo o estudo, a vitamina A presente no fruto ajuda na saúde da visão e no crescimento, enquanto a vitamina C fortalece o sistema imunológico e auxilia na formação das células sanguíneas. Além disso, a pesquisa aponta que pequenas quantidades da polpa já são suficientes para suprir necessidades diárias dessas vitaminas.
Óleo com potencial econômico
Outra característica marcante do fruto é o óleo extraído tanto da polpa quanto da semente. Rico em ácidos oleicos e láuricos, o óleo é utilizado na alimentação, na indústria cosmética e também em produtos farmacêuticos.
Tradicionalmente, nas comunidades amazônicas o óleo é utilizado para aliviar queimaduras e auxiliar na cicatrização, devido suas propriedades cicatrizantes e hidratantes. Além disso, a pesquisa da Embrapa mostra que o buriti apresenta potencial para a produção de biodiesel, superando culturas como soja, girassol e amendoim, com produtividade que pode chegar a 3,6 toneladas por hectare.
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De acordo com o livro, as fibras das folhas também possuem grande importância econômica, sendo utilizadas na fabricação de cordas, redes, esteiras e peças artesanais. Além disso, os troncos servem para construções rústicas, pontes e canoas.
Colheita e aproveitamento
A colheita do buriti deve acontecer quando eles começam a cair naturalmente dos cachos e apresentam coloração mais escura, evitando a derrubada das árvores. A Embrapa alerta que a derrubada das árvores para retirada dos frutos não é recomendada, já que isso ameaça os buritizais e compromete a preservação da espécie.
Além do consumo ‘in natura’, o buriti é usado na produção de doces, sorvetes, vinhos, licores e sucos.

Combate à deficiência nutricional
Além do valor alimentar, o buriti também possui importância social, já que em regiões marcadas pela insegurança alimentar, o fruto aparece como uma alternativa nutritiva e acessível. De acordo com o livro, o doce de buriti já foi utilizado no Nordeste brasileiro como suplemento vitamínico para crianças com deficiência de vitamina A, e que em cerca de 20 dias, houve uma melhora significativa nos sintomas causados pela falta da vitamina.
Na Amazônia, onde muitas comunidades vivem em áreas isoladas, o fruto ajuda a complementar a alimentação e reforça a segurança nutricional das famílias.
Série Superfrutas da Amazônia



