Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal
Se você nasceu nos anos 70, com certeza conheceu e se lembra dos tradicionais orelhões brasileiros que eram indispensáveis no cotidiano da população. Atualmente, apesar desse tipo de telefone público ter sido essencial, são equipamentos que caminham para a extinção no país, principalmente com o acesso aos smartphones.
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A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a retirada gradual dos telefones públicos até o fim de 2028, colocando fim a uma parte importante da história da comunicação no Brasil. A decisão reflete a queda no uso desses aparelhos com a popularização dos celulares e da internet, fazendo com que muitos orelhões passassem a ser vistos apenas como peças históricas espalhadas pelas cidades.
Além disso, o fim das concessões de telefonia fixa das empresas responsáveis, encerradas em 2025, também contribuíram para a retirada definitiva do serviço.
Número de orelhões em funcionamento na Amazônia
Porém, um levantamento divulgado em 2026, com base em dados da Anatel, mostra que nos nove estados da Amazônia Legal, 13.518 orelhões ainda estão ativos e outros cerca de 10 mil aparelhos se encontram inativos ou em manutenção.
Outro dado mostra que municípios dos interiores dos estados concentram mais aparelhos em funcionamento do que as próprias capitais, evidenciando as dificuldades de acesso à comunicação em áreas isoladas da região.
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Os municípios amazonenses com maior número de telefones públicos em funcionamento, por exemplo, são:
- Lábrea, com 71 aparelhos;
- São Gabriel da Cachoeira, com 63;
- Manicoré, com 43;
- e Jutaí, com 31, operados pelas empresas Claro e Oi.
No Acre, os municípios que se destacam são:
- Feijó, com 27 orelhões;
- Sena Madureira, com 24;
- e Tarauacá, com 22 aparelhos ainda em funcionamento, e também operados pelas empresas Claro e Oi.
Em Roraima, os números são menores, já que o municipio com maior número de aparelhos em funcionamento é Amajari, que possui apenas 10 orelhões ativos, enquanto Caracaraí conta apenas com sete.
Já no Pará, a presença desses equipamentos ainda é significativa:
- Santarém lidera com 93 orelhões em funcionamento,
- seguida por Altamira, com 38,
- e Monte Alegre, com 33, também operados pelas empresas Claro e Oi.
Nos estados de Rondônia, Amapá e Tocantins, nenhum município ultrapassa dez aparelhos ativos.
Em Mato Grosso, Vila Bela da Santíssima Trindade possui 14 orelhões, enquanto Nossa Senhora do Livramento registra 11. No Maranhão, os municípios com maior quantidade de telefones públicos são Santa Luzia, com 38 aparelhos; Amarante do Maranhão, com 26; e Barra do Corda, com 22.
Contraste tecnológico na Amazônia

De acordo com as informações, os orelhões só devem ser mantidos nas cidades onde não há rede de celular disponível, e a sua forte concentração no interior da Amazônia evidencia um forte contraste brasileiro.
Já que enquanto as grandes capitais avançam com tecnologia 5G e serviços digitais cada vez mais integrados, o interior desses estados ainda enfrenta dificuldades básicas de cobertura telefônica e acesso à internet.
Dados do IBGE, mostram que a Amazônia Legal ocupa 58,9% do território brasileiro e reúne áreas de difícil acesso, como comunidades ribeirinhas e regiões isoladas que ainda dependem de meios de comunicação tradicionais. Em muitos lugares onde o sinal de celular desaparece durante viagens pelos rios ou a internet chega de forma limitada, o orelhão continua sendo uma ponte de contato com hospitais, familiares e serviços essenciais.
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A história do Orelhão
De acordo com o site Orelhão, o aparelho foi criado em 1971, e rapidamente se transformou em um dos maiores símbolos da comunicação pública brasileira. O projeto foi desenvolvido pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, que criou tanto o modelo maior, conhecido popularmente como ‘Orelhão’, quanto a versão menor, chamada ‘Orelhinha’, feita para ambientes internos.
A inauguração oficial para o público aconteceu no dia 20 de janeiro de 1972, no Rio de Janeiro e, cinco dias depois, em São Paulo. Os primeiros aparelhos foram instalados na sede da antiga Companhia Telefônica Brasileira (CTB), no centro de São Paulo.

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De acordo com o site, em 1975, surgiram os modelos azuis, destinados às chamadas interurbanas, e em 1992, as tradicionais fichas telefônicas deram lugar aos cartões telefônicos. Em 1998, os aparelhos ganharam a cor verde-limão após a privatização da Telebrás e a aquisição da Telesp pela espanhola Telefónica.
Além disso, o aparelho participou de exposições de design no Brasil, homenagens em museus e até de uma intervenção urbana em 2012, quando cem orelhões customizados por artistas foram espalhados pelas ruas de São Paulo na ‘Call Parade’.
Mesmo próximos da despedida definitiva, os orelhões seguem vivos na memória afetiva dos brasileiros e, em algumas regiões da Amazônia, ainda cumprem um papel essencial no dia a dia da população.
