Arroz paraense do chef Edielson Souza no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
A temporada 2026 do programa Sabores da Amazônia, do canal Amazon Sat, explora muito mais que ingredientes e receitas. Agora, o programa se aprofunda na trajetória dos chefs e ensina, com mais detalhes e alguns segredos, as receitas selecionadas.
O chef Edielson Sousa é um dos convidados que encontrou na cozinha não apenas uma profissão, mas um propósito. Natural de Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso, ele chegou ainda bebê a Roraima e foi lá que construiu sua trajetória.
Antes de vestir o avental profissionalmente, o chef trabalhou como garçom e motorista. No entanto, o interesse pela cozinha surgiu muito antes, dentro de casa, ao lado da avó, que foi uma das primeiras pessoas a reconhecer seu talento.
“Minha avó já era uma senhora de idade, e hoje já não está mais entre nós. Mas ela sempre pedia pra que eu fizesse comida para ela e ela sempre falava assim: ‘ah, vai fazer curso, faz culinária, que você tem a mão boa, você tem um tempero muito bom, um tempero muito legal, gostoso’”, comentou o chef.
Chef Edielson Sousa no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Durante a adolescência, o contato com a cozinha acontecia nos encontros com amigos, nos churrascos e nas refeições que preparava. O caminho profissional começou a tomar forma quando uma amiga o incentivou a se inscrever em um curso de auxiliar de cozinha.
“Tinha uma amiga que trabalhava numa instituição e ela sabia, né? O que acontecia, os cursos e tudo mais. E aí nessa época eu trabalhava de motorista. É surreal. A história é muito louca. Daí ela pegou e me mandou uma mensagem: ‘ó, não quer se inscrever aqui no curso de auxiliar de cozinha que vai ter e tal?’. Eu, pô, quero toda hora. O que precisa?”, contou o chef.
A oportunidade abriu portas para uma sequência de capacitações e, mesmo enfrentando dificuldades financeiras, Edielson não desistiu. ”Tinha dia que eu não tinha nem como ir pro curso. Eu ia caminhando, era até um pouco longe de casa, mas consegui concluir todos os cursos”.
Chef Edielson Sousa no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Foi nesse período que ele decidiu se aprofundar na gastronomia. Hoje, o chef define a profissão como uma extensão da própria vida.
“É o que eu amo fazer. É de onde tiro meu sustento, mas não sinto que estou trabalhando. Isso significa que eu não trabalho. Significa que eu faço as minhas coisas com amor”, declarou o chef.
A receita apresentada por Edielson é ‘Arroz paraense’. De acordo com o chef, o prato é exótico, cheio de aromas amazônicos e perfeito para reunir a família. Confira:
Ingredientes do arroz paraense
2 xícaras de arroz;
1/2 xícara de camarão seco salgado (dessalgado);
2 dentes de alho;
1/2 cebola picada;
1 xícara de jambú higienizado;
2 xícaras de tucupi;
Sal a gosto;
Castanha-do-pará;
2 colheres de sopa de azeite
Modo de preparo do arroz paraense
Comece picando a cebola e amassando os dentes de alho. O chef utiliza uma técnica diferente para o alho, pressionando-o com as costas da faca até obter uma textura mais triturada.
Em uma panela, aqueça um fio de azeite e refogue a cebola, o alho e metade do jambu. Em seguida, acrescente o tucupi e misture bem.
Chef Edielson Souza e o arroz paraense no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Adicione o arroz e parte do camarão seco para que o sabor seja incorporado durante o cozimento. Complete com água suficiente para cozinhar o arroz e deixe em fogo médio por cerca de dez minutos, com a panela tampada.
Quando o arroz estiver cozido, retire do fogo e acrescente o restante do camarão e algumas folhas de jambu para finalizar.
“Eu chamei de arroz paraense porque leva castanha-do-pará, camarão e jambu. Como tenho muitos clientes do Pará, acabou virando uma receita muito ligada a essa identidade”, afirmou o chef.
Apresentação do arroz paraense
De acordo com Edielson, um prato saboroso também precisa ser visualmente atraente. Por isso, a finalização recebe atenção especial.
Arroz paraense do chef Edielson Souza no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Utilizando um cortador como moldante, o chef molda o arroz e acrescenta camarões inteiros, castanha-do-pará laminada e uma pimenta dedo-de-moça para decorar. “Eu gosto de pratos bonitos, bem montados. A comida primeiro conquista pelos olhos”.
Bioeconomia envolve produção sustentável amazônica. Foto: Ronaldo Rosa/VALE
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Bioeconomia, a palavra mágica que vem mexendo com a cabeça de muita gente. Não apenas de leigos, iniciantes, estranhos ao meio, mas de técnicos e setores empresariais que não conseguem entender exatamente do que se trata. Afinal, o que é mesmo bioeconomia? A palavra, usualmente é associada à uma nova economia capaz de desenvolver e introduzir nos processos produtivos nova lógica interligando uso dos recursos naturais e conhecimento na exploração dos recursos da biodiversidade. Muito além do apelo comercial, a pesquisa reforça o potencial da biodiversidade brasileira na descoberta de novas moléculas com aplicações farmacêuticas e no desenvolvimento de terapias para doenças virais.
De acordo com o Global Bioeconomy Summit 2018, bioeconomia é “a produção, utilização e conservação de recursos biológicos, incluindo conhecimentos, ciência, tecnologia e inovação relacionados, para fornecer informações, produtos, processos e serviços em todos os setores econômicos, visando a uma economia sustentável”. Hoje, vários países do mundo têm incorporado a bioeconomia em suas estratégias de desenvolvimento dado seu potencial econômico sustentável. Trabalho publicado pela OCDE indica que até 2030, a contribuição global da biotecnologia alcançará mais de US$ 1 trilhão distribuídos entre os setores de saúde, produção primária e industrial.
Ingredientes amazônicos usados em cosméticos mostram como bioeconomia, tecnologia e conhecimento local transformam sementes, resinas e frutos em produtos de alto valor agregado. Antes de chegar às prateleiras dos grandes centros urbanos em forma de cremes, shampoos ou perfumes, muitos cosméticos começam sua trajetória na Floresta Amazônica. Nos últimos anos, a busca por ativos naturais e cadeias produtivas mais sustentáveis ampliou o interesse por ingredientes amazônicos usados em cosméticos, como andiroba, copaíba e murumuru, hoje presentes em formulações para pele, cabelo e cuidados corporais.
Estudos da Embrapa e das mais importantes escolas agrícolas do Brasil concluem não haver dúvidas de que um dos maiores desafios da humanidade no século XXI consiste em compatibilizar a oferta de alimentos e energia destinada à população planetária com preservação dos recursos naturais. Nesse intrincado desafio, cabe ao agronegócio, sedimentado na bioeconomia, posição de destaque.
Dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), concluem que até 2050, quando a população global ultrapassará 9,3 bilhões de pessoas, a produção de alimentos deverá aumentar em mais de 50%. Para o USDA, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, fundado por Abraham Lincoln em 1862, o Brasil, onde a produção do agronegócio vem se expandindo de forma mais consistente, deverá responder por 41% desse esforço mundial.
Estudos especializados indicam também ser possível o alcance da meta levando em conta três pilares principais: tecnologia, disponibilidade de terra e pessoal capacitado em todos os elos das cadeias produtivas. O primeiro tem a ver com a tecnologia tropical sustentável de nossos órgãos de pesquisa e desenvolvimento, liderados pela Embrapa, Inpa, a universidade, instituições públicas e privadas, muito distanciadas entre si e dos interesses da região. Aqui no Amazonas, a exemplo da Epamig, em Minas, Iapar, no Paraná, do centenário Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e outros disseminados por todos estados brasileiros.
Visando promover revolução no setor agropecuário do Amazonas, este esforço deve fundamentar-se na criação de um instituto comprometido com a governança do setor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I) objetivando tornar-se o principal instrumento de transferência de resultados de pesquisas locais, nacionais e internacionais relacionadas direta e indiretamente ao setor produtivo privado, priorizando segmentos estratégicos como produção de alimentos, de madeiras via manejo florestal sustentável, de mineração e o turismo ecológico.
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Cristiano Chiessi colhe amostra de coluna de sedimento marinho. Foto: Dana Pittauerova
O principal sistema que transporta calor de uma ponta a outra do oceano Atlântico pode sofrer alterações bruscas de intensidade, motivadas por mudanças climáticas semelhantes às que estamos vivenciando agora – inclusive quando já enfraquecida –, segundo um novo estudo liderado por pesquisadores do Brasil e da Alemanha.
A Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico, mais conhecida pela sigla em inglês AMOC (Atlantic Meridional Overturning Circulation), é um enorme sistema de correntes oceânicas que funciona como uma esteira transportadora de calor pelo oceano Atlântico. Ao levar águas quentes das regiões equatoriais e tropicais para altas latitudes do Atlântico Norte, ela ajuda a regular o clima em ambos os hemisférios, amenizando temperaturas na Europa e em partes da América do Norte, além de influenciar os regimes de chuva nas regiões intertropicais da África e da América do Sul.
O aquecimento global vem enfraquecendo gradualmente a AMOC, mas pesquisadores alertam há décadas para o risco de a circulação atingir um limiar crítico que desencadearia uma desaceleração abrupta, alterando radicalmente o clima em várias regiões do planeta. Até agora, as pesquisas indicavam que a circulação poderia permanecer nesse estado enfraquecido e relativamente estável por milhares de anos. Um novo estudo, porém, mostra que a AMOC pode ser muito mais dinâmica do que se imaginava e que a sociedade precisa se preparar não apenas para uma mudança climática abrupta, mas para uma série delas.
Liderado pelos pesquisadores Cristiano Mazur Chiessi, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), e Stefan Mulitza, da Universidade de Bremen, Alemanha, o estudo encontrou sinais de dois episódios de grande intensificação da AMOC entre 17,8 e 14,8 mil anos atrás.
Durante esse intervalo, conhecido como “Heinrich Stadial 1”, a circulação era, na maior parte do tempo, muito mais fraca do que atualmente. No entanto, a análise de sedimentos marinhos da equipe alemã-brasileira concluiu que a AMOC teve dois pulsos abruptos de fortalecimento ao longo do período: um entre 16,5 e 15,8 mil anos atrás, e outro, mais curto, com cerca de cem anos de duração, em torno de 15,4 mil anos atrás. Durante o último episódio, a circulação chegou a superar sua intensidade atual.
Esses resultados foram publicados em maio na revista Nature Communications.
“É a primeira vez que se mostra que a AMOC pode sofrer pulsos de fortalecimento em períodos em que está enfraquecida”, afirma Chiessi, especialista em paleoceanografia e paleoclimatologia (ciências que estudam o passado do oceano e do clima). “Como escreveu um dos revisores do artigo, isso muda completamente a forma como compreendemos a Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico.”
O principal motor da AMOC é o afundamento de águas frias e salinas nas proximidades da Groenlândia. Essas águas profundas seguem para o sul e voltam à superfície principalmente no oceano Circumpolar Antártico, onde fortes ventos favorecem sua ressurgência. Correntes superficiais transportam então parte dessa água de volta para o norte, fechando o circuito.
Atualmente, o aquecimento global provocado pela emissão de gases de efeito estufa está enfraquecendo essa circulação. O derretimento das geleiras da Groenlândia, o aquecimento do oceano Ártico e o aumento das chuvas na região estão reduzindo a salinidade e a densidade das águas superficiais, dificultando seu afundamento.
Apesar de preverem que esse processo pode levar a um grande enfraquecimento súbito da AMOC, os pesquisadores ainda não sabem quando e com que intensidade isso poderá ocorrer. Até pouco tempo atrás, mesmo os melhores modelos climáticos avaliados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas não conseguiam prever a evolução da AMOC com precisão suficiente.
Em abril deste ano, porém, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Bordeaux, na França, publicou na revista Science Advances uma versão melhorada dessas previsões, baseada em novos dados observacionais. De acordo com eles, a AMOC pode enfraquecer entre 43% e 59% até 2100, mesmo que todos os países cumpram seus compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa.
Um enfraquecimento da AMOC dessa magnitude não acontece desde o final da última Era do Gelo. Durante o último máximo glacial (o período mais frio da última Era do Gelo), entre 23 mil e 19 mil anos atrás, grande parte da Eurásia e da América do Norte estava coberta por gigantescas geleiras com mais de 3 mil metros de altura, que alcançavam a latitude da cidade de Chicago, nos Estados Unidos. O enorme volume de água retido em gelo fez o nível do mar descer 120 metros abaixo do atual. Mesmo durante esse período, a AMOC tinha uma força semelhante à de hoje.
Mas um longo período de deglaciação começou quando mudanças climáticas, desencadeadas por uma variação natural na órbita da Terra, aumentaram a temperatura global. Após cerca de mil anos de derretimento das geleiras, a AMOC sofreu uma queda abrupta de intensidade, da qual só voltaria a se recuperar 3 mil anos depois, no final do evento Heinrich Stadial 1 (HS1).
Chiessi ressalta que o fato de a AMOC ter demorado mil anos para enfraquecer subitamente no passado não significa que ela demorará o mesmo tempo agora. “As condições climáticas eram totalmente distintas”, explica. “Nesse período, a concentração de gás carbônico na atmosfera era mais baixa do que a da era humana pré-industrial. Podemos aprender com os eventos do passado, mas eles não são análogos perfeitos.”
Conchas de foraminíferos vistas ao microscópio. Diferenças de idade entre bentônicos (à esquerda) e planctônicos (direita) revelaram mudanças na AMOC. Imagem: Cristiano Chiessi
Pesquisa revela reconstrução do passado
O estudo analisou uma coluna de sedimentos marinhos coletada no Atlântico equatorial, a uma profundidade de 1.367 metros, a cerca de 189 quilômetros da costa do Maranhão, durante um cruzeiro do navio oceanográfico alemão RV Maria S. Merian, em 2012. Durante o evento HS1, assim como em outros períodos de AMOC enfraquecida, a precipitação no Nordeste brasileiro aumentou muito, enquanto diminuiu drasticamente no norte da Amazônia e em outras regiões mais ao norte.
“A taxa de sedimentação onde coletamos foi alta, porque choveu, erodiu e depositou muito lá”, explica Chiessi. “Isso nos permitiu fazer muitas análises. É como ter um filme com muitos quadros por segundo, de altíssima resolução.”
Para estimar a força de correntes oceânicas do passado, a equipe de Chiessi e Mulitza decidiu utilizar um método sofisticado e custoso, mas muito preciso, chamado de datação de ventilação por radiocarbono. A técnica calcula há quanto tempo a água profunda do oceano está isolada da atmosfera, permitindo medir a velocidade das correntes.
Em cada camada de sedimento, os pesquisadores identificaram e dataram conchas de dois tipos de microrganismos (ambos denominados foraminíferos) usando carbono 14 (radiocarbono). Como esse isótopo é produzido na atmosfera e absorvido por microalgas apenas na superfície do mar, a “idade” aparente dessas conchas reflete a profundidade em que se formaram.
As conchas de foraminíferos planctônicos (nativos da superfície) apresentam uma idade mais recente do que as de foraminíferos bentônicos (que vivem no fundo do oceano). Essa diferença de idade ocorre porque o carbono 14 só chega às profundezas transportado pelas águas superficiais que afundam na região da Groenlândia.
Atualmente, o tempo que essa água leva para circular – a chamada “idade de ventilação” da AMOC – é de 350 anos no Atlântico equatorial. Por isso, como conclui Chiessi: “A diferença de idade entre a concha formada na superfície e a formada no fundo é um indicador direto de quão intensa é a AMOC”.
As análises realizadas pelos pesquisadores Partha Sarathi Jena, durante seu pós-doutorado na EACH-USP, e Ines Beese, em seu pós-doutorado na Universidade de Bremen, concluíram que, logo antes do evento HS1, a diferença de idade aparente entre foraminíferos planctônicos e bentônicos era de 325 anos. Durante a maior parte do evento, a diferença aumentou para 960 anos, em função do enfraquecimento da AMOC. No primeiro episódio de intensificação, porém, ela diminuiu para 450 anos; e no segundo, para 200 anos.
A equipe comparou seus resultados com os de outros estudos paleoclimáticos, especialmente com as estimativas de precipitação durante o HS1, obtidas pela análise de estalagmites coletadas na Caverna Jaraguá, em Bonito, Mato Grosso do Sul, e na Gruta da Paixão, em Andaraí, na Bahia. Os dois picos de intensificação da AMOC encontrados coincidem com dois períodos em que chuvas intensas deram lugar a um clima mais seco no continente, reduzindo o volume de água doce que chegava ao oceano.
Os picos também coincidem com aumentos na concentração de gás carbônico na atmosfera, registrados por estudos de bolhas de ar presas no gelo da Antártica durante o HS1. Chiessi e seus colegas sugerem que as duas intensificações da AMOC podem ter transportado para o oceano Circumpolar Antártico águas profundas ricas em gás carbônico, que se encontravam relativamente paradas no Atlântico quando a AMOC estava fraca. Uma vez lá, o gás carbônico foi liberado para a atmosfera.
Chiessi espera que seu trabalho ajude a melhorar as previsões sobre a AMOC, com o objetivo de desenvolver sistemas de identificação de sinais do clima que antecipem mudanças abruptas, permitindo que a sociedade consiga tomar medidas precoces de adaptação.
“Precisaremos de muita resiliência, mas ainda podemos evitar que o pior aconteça se atuarmos na redução maciça das emissões de gases estufa”, considera.
O trabalho foi conduzido no âmbito do Centro de Pesquisa em Resiliência a Crises e Desastres Climáticos (CLIMARES), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP. Também recebeu apoio por meio de outros três projetos financiados pela Fundação (18/15123-4, 23/00355-5 e 25/05117-0).
O artigo Centennial-scale intensifications of the Atlantic Meridional Overturning Circulation during Heinrich Stadial 1 pode ser lido em: nature.com/articles/s41467-026-73364-x.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Igor Zolnerkevic
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e o Museu da Amazônia (Musa) abriram a exposição “Cogumelos da Amazônia: Sob as Lentes de Michael Dantas” e lançaram o livro “Série Mycelia: Álbum de cogumelos para Micoturismo – Volume 7 – Museu da Amazônia”. A programação foi realizada neste domingo (21), no Musa, em Manaus (AM).
A iniciativa integra ciência, arte e educação ambiental para aproximar o público da micodiversidade amazônica. A exposição traz registros fotográficos do biólogo e fotógrafo Michael Dantas, com curadoria científica do Grupo de Pesquisa Cogumelos da Amazônia – GP-CA/Inpa. As imagens revelam formas, cores e texturas de fungos que costumam passar despercebidos nas trilhas.
Para o diretor do Inpa, Henrique Pereira, a iniciativa revela “uma nova forma de olhar para a Amazônia”. Ele ressalta o papel dos fungos como pilares dos ecossistemas florestais, responsáveis pela decomposição e reciclagem de nutrientes, e celebra a trajetória do Grupo de Pesquisa Cogumelos da Amazônia, liderado pela pesquisadora do Inpa, Noemia Ishikawa, o trabalho da pesquisadora Ruby Vargas-Isla e do fotógrafo Michael Dantas.
Pereira destaca, ainda, que, para o Inpa, a exposição e o livro são instrumentos estratégicos de educação, conservação e micoturismo, construídos de forma colaborativa com pesquisadores, estudantes, comunidades e parceiros.
“Ninguém protege aquilo que não conhece. E ninguém valoriza aquilo que permanece invisível. Que cada visitante à exposição saia com um novo olhar sobre a floresta e compreenda que, muitas vezes, os maiores tesouros da Amazônia estão justamente naquilo que quase nunca vemos”, observa o diretor.
Em paralelo, será lançado pela Editora Inpa o Volume 7 da Série Mycelia, organizado pela micóloga e gestora do projeto CNPq, Ruby Vargas-Isla, e colaboradores. O livro reúne registros feitos nas trilhas do Musa e foi elaborado como um convite ao micoturismo – turismo voltado à observação de cogumelos.
“A Série Mycelia nasceu do desejo de revelar, em imagens, a diversidade de cogumelos da Amazônia. O volume 7 é um agradecimento ao professor Ennio Candotti e apresenta a micologia que se encontra nas trilhas do Musa e no Fungário, espaço criado para os fungos no museu”, diz Vargas-Isla.
Para o Inpa e o Musa, a programação reforça o compromisso com a divulgação científica e a valorização da biodiversidade amazônica, conectando pesquisa, arte e educação ambiental. A exposição está prevista para permanecer por vários meses no Musa, sem data de encerramento divulgada até o momento.
Lendas do curupira e pindova’úmi’ga serão retratadas por Caprichoso e Garantido no Festival de Parintins 2026. Arte: Bruna Azevedo/Rede Amazônica AM
O Bumbódromo de Parintins (AM) será palco de um mergulho profundo nas raízes místicas e na ancestralidade da Amazônia. Isso porque os bois Caprichoso e Garantido prometem levar, para as três noites do Festival Folclórico de Parintins, duas narrativas que serão destaque absoluto nas toadas deste ano: no lado azul, a lenda do Curupira, guardião supremo da floresta, e pelo lado vermelho, a odisseia de Pindova’úmi’ga, a saga mitológica do xamã e guerreiro ancestral do povo indígena Parintintin.
Além do espetáculo visual, as composições deste ano se apoiam em densas pesquisas antropológicas e históricas, transformando o folclore em um manifesto de preservação ambiental e exaltação aos povos originários.
Confira a história das lendas:
Boi Caprichoso – Trilha do Curupira
Lenda do Curupira será apresentada pelo Caprichoso durante o Festival de Parintins 2026. Arte: Bruna Azevedo/Rede Amazônica AM
“Teus pés em remoinho formarão a assombração, assombração, assombração”. A nova toada do Boi Caprichoso constrói uma narrativa envolvente que mistura suspense e crítica social, ambientada nas profundezas da Floresta Amazônica. A inspiração é lenda do Curupira.
Descrito como um menino de cabelos vermelhos e pés virados para trás, o Curupira é considerado o guardião das florestas e dos animais. Segundo a lenda, os pés invertidos servem para confundir caçadores e invasores, deixando rastros que indicam a direção oposta à que ele realmente segue.
De acordo com a tradição popular, o Curupira protege a natureza castigando quem caça por diversão, derruba árvores de forma ilegal ou desrespeita a floresta. Embora no imaginário popular o Curupira seja frequentemente reduzido a uma “história para assustar crianças”, a antropologia e a história enxergam a narrativa sob outra perspectiva.
A primeira menção escrita à entidade foi feita pelo padre jesuíta José de Anchieta, em 1560. Na época, sob o olhar colonizador e católico, os jesuítas o descreviam como um “demônio” que aterrorizava os indígenas. A toada é repleta de versos que fazem referência direta ao personagem clássico do folclore brasileiro, como no trecho “De onde vem o assovio?”, que se refere à tática do Curupira para confundir caçadores e invasores com sons agudos e imprevisíveis. O refrão explosivo “Fogo de Curupira! Bota pra correr!” marca a obra como um grito de resistência.
A composição do Boi Caprichoso reinterpreta o guardião da mata por meio de símbolos da cosmologia indígena. Os pés invertidos, descritos no verso “Teus pés em remoinho formarão a assombração”, representam o poder de despistar quem tenta seguir seus rastros. Na segunda metade, a toada se transforma em um manifesto ecológico. O trecho “Rasga a mata viva o monstro correntão” denuncia o uso da corrente de aço arrastada por tratores — uma das práticas mais destrutivas do desmatamento ilegal.
Odisséia de Pindova’úmi’ga será apresentada pelo Garantido durante o Festival de Parintins 2026. Arte: Bruna Azevedo/Rede Amazônica AM
“No segundo céu, se tornará Yvá’gan’ga… o povo que veio do céu é Parintintin”. A nova toada do Boi Garantido mergulha nas origens místicas da Amazônia e celebra a espiritualidade indígena. Na crença dos indígenas Parintintin, Pindova’úmi’ga é um grande chefe xamã.
A lenda conta que o guerreiro indígena viajou entre o céu e as profundezas das águas para criar os Yvága’nga, o povo do céu, que se manifestam através da fumaça, caminham pelas águas, transformam-se em animais sagrados como a onça-pintada e atuam como protetores das matas e das águas da Amazônia.
Segundo o Instituto Socioambiental (ISA) a lenda foi difundida em povos originários dos rios Madeira, Maicí e Ipixuna, no Amazonas. A toda mergulha na jornada xamânica do guerreiro que atravessa os três mundos — o céu, o rio subterrâneo e a terra — em busca do local ideal para erguer sua okara, a praça central que simboliza o coração da aldeia.
A narrativa poética descreve suas metamorfoses espirituais: revestido de uma armadura feita de pele de arraia e escamas afiadas, o herói mergulha nas águas amazônicas para desvendar os segredos dos peixes encantados. Ao retornar à superfície, transforma-se em onça-pintada, enfrentando visagens e espíritos da floresta.
Mas, como lembra a letra, “em todos os cantos da terra já tinham donos e guardiões”, e o pajé precisa buscar outro destino. Guiado por Kawnadu, a harpia divina, ele atravessa a barreira entre mundos, alcança o “segundo céu”, onde ergue sua aldeia.
Mudas de Aldina heterophylla, árvore dominante das campinaranas amazônicas e classificada como vulnerável à extinção, sobrevivem bem a longos períodos de seca, mas morrem quando ficam muito tempo alagadas. É o que mostra um estudo publicado na revista Environments por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e parceiros.
O trabalho, liderado pela doutoranda Sthefanie Gomes Paes, investigou como a espécie responde a dois extremos que estão ficando mais frequentes na Amazônia: seca intensa e alagamento prolongado. Os frutos foram coletados na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã e os experimentos com as mudas foram realizados em casa de vegetação durante a germinação e o crescimento inicial, consideradas as fases mais críticas do ciclo da planta.
A pesquisa descobriu que na seca, todas as mudas sobreviveram. A estratégia foi “economizar água”, pois a planta derrubou as folhas para reduzir a perda e manteve o acúmulo de biomassa estável. Foi constatado que a Aldina heterophylla também investiu mais nas raízes, usando reservas de amido e proteína armazenadas nas sementes.
Foto: Lyon Oreste Demarchi
No alagamento, a reação foi diferente. As mudas amarelaram, perderam folhas e formaram lenticelas no caule – pequenas estruturas que ajudam a captar oxigênio quando o solo fica encharcado. Houve um ganho temporário de biomassa nas raízes, mas o alagamento longo diminuiu drasticamente a biomassa do caule e elevou à mortalidade.
“A Aldina heterophylla mostrou maior tolerância à seca do que ao alagamento prolongado. O excesso de água também pode representar uma ameaça para espécies típicas das campinaranas”, resume a pesquisadora.
De acordo com o estudo, as campinaranas são florestas sobre areia branca, com solo pobre e lençol freático que sobe e desce ao longo do ano. Com as mudanças climáticas alterando o regime de chuvas na Amazônia, esses ciclos podem ficar mais extremos.
“Compreender como espécies como a Aldina respondem à seca e ao alagamento é fundamental para prever impactos sobre a biodiversidade e o funcionamento ecológico das campinaranas”, explica a doutoranda.
Fotos: Sthefanie Gomes
A árvore é considerada chave para o ecossistema: estrutura a floresta, abriga orquídeas e outras epífitas e cria microambientes para diversos organismos. Tem distribuição restrita, sofre pressão da exploração madeireira e está na lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).
“As espécies amazônicas respondem de maneira muito particular aos extremos climáticos. Para Aldina heterophylla, a falta de oxigênio nas raízes durante o alagamento foi mais prejudicial que a seca. Cada espécie carrega adaptações moldadas pelo seu habitat”, conclui Sthefanie.
A pesquisa foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração Peld-Maua e contou com apoio do grupo de Ecologia, monitoramento e uso sustentável de áreas úmidas (Maua/Inpa), Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação e Universidade Cesumar (Iceti/UniCesumar), Laboratório de Anatomia Vegetal da Universidade federal do Amazonas (LAV/Ufam) e Laboratório de Fisiologia Vegetal da UnB. Sthefanie recebeu bolsa PIBIC/CNPq-Inpa.
O ministro também aproveitou a entrevista para fazer um apelo direto à sociedade, destacando que a maioria das queimadas começa por ação humana. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro” de 11 de junho, o titular do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, detalhou a estratégia do Governo do Brasil para combater os efeitos de um novo fenômeno El Niño, previsto para ainda este ano. Uma das ações em andamento é a implementação de um modelo de monitoramento contínuo e consultas periódicas com especialistas climáticos do Brasil e do exterior.
“O El Niño é um fenômeno natural, ele sempre ocorreu. O problema é que agora ele se associa à mudança do clima. Então ele tem potencial de ser mais intenso. O que temos hoje é uma indicação de que há aproximadamente 80% de chance de probabilidade de ser um El Niño muito intenso. Então, o que deveríamos fazer? Aguardar 100% de certeza? Claro que não. O Brasil nunca trabalhou assim. E agora estamos muito melhor preparados do que nos anos anteriores”, afirmou João Paulo Capobianco.
Segundo o ministro, atualmente, o governo trabalha com a projeção de 80% de probabilidade de um El Niño muito intenso. Para não esperar o cenário se consolidar, foi instalada uma sala de situação permanente coordenada pela Casa Civil, envolvendo 13 ministérios e órgãos públicos. Essa estrutura aciona o planejamento de recursos extraordinários para preparar as Forças Armadas, Polícia Federal, Ibama e ICMBio, além de articular ações diretas com estados e municípios.
Por ser um fenômeno potencializado pelas mudanças climáticas, o El Niño acaba gerando um desbalanço severo no clima do Brasil, dividindo os impactos do país em duas realidades extremas: redução de chuvas e secas intensas, com suscetibilidade a incêndios florestais, nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste; e aumento expressivo de chuvas que potencializa inundações e deslizamentos nas regiões Sul e Sudeste.
El Niño acende alerta para enfrentamento a incêndios
Capobianco detalhou os esforços na antecipação e planejamento contra as queimadas na Amazônia, Cerrado e Pantanal, impulsionado pela aprovação da Lei do Manejo Integrado do Fogo.
“A nova legislação estabelece o princípio da corresponsabilidade, dividindo atribuições claras entre a União, estados, municípios e proprietários rurais. Na prática, isso quer dizer que, pela lei, os estados e municípios precisam elaborar os seus planos de manejo integrado do fogo para cada área do seu estado e municípios. E os proprietários rurais também passam a ter responsabilidade na prevenção”, disse o ministro.
Além do reforço de monitoramento, outras respostas já foram adotadas diante desse cenário, como o aumento do número de aeronaves e equipamentos de prevenção e combate. O Governo do Brasil também já destinou mais de meio bilhão de reais aos corpos de Bombeiros dos estados onde há mais riscos de incêndios florestais.
Foto: Christian Braga/Greenpeace
Responsabilidade da população
O ministro aproveitou a entrevista para fazer um apelo direto à sociedade, destacando que a maioria das queimadas começa por ação humana.
“Mesmo quando o fogo se inicia por um acidente corriqueiro, como a queima de lixo ou a limpeza de um pequeno pasto, a atual situação climática faz com que as chamas saiam de controle facilmente. Nada substitui a ação da sociedade. Faço aqui o apelo, cada cidadão agora se torna corresponsável pelo manejo integrado do fogo. Ou seja, não use fogo a partir de julho agora, porque a situação climática vai tornar isso uma situação muito perigosa”, alertou.
Incêndios criminosos
Para os casos em que o fogo é utilizado de forma deliberada e ilegal, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima afirmou que o governo já intensificou as ações de repressão.
“Hoje, o Governo do Brasil, por meio da Polícia Federal, estabeleceu um procedimento muito rigoroso de monitoramento e acompanhamento que está permitindo identificar, pela primeira vez, quem causou o início do incêndio. Isso está permitindo o estabelecimento de processos de investigação e de punição daqueles que fizeram isso criminosamente”, destacou.
Supremo de frango ao vinagrete de banana e velouté de tucupi no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
A temporada 2026 do programa Sabores da Amazônia, do canal Amazon Sat, explora muito mais que ingredientes e receitas. Agora, o programa se aprofunda na trajetória dos chefs e ensina, com mais detalhes e alguns segredos, as receitas selecionadas.
O chef Manoel Brelaz é um dos convidados que mostra que a gastronomia além de contar histórias também traz recompensas pela dedicação e esforço.
“Já fui homenageado na Assembleia Legislativa, onde vou ser homenageado de novo. A gente não precisa pular etapas, faça a etapa correta, que a gratificação e a conquista vêm muito melhor. Então, busco sempre estar em contato com a gastronomia, estudando e me capacitando, não só me capacitando, mas também as pessoas que estão junto de mim”, declarou o chef.
Manoel Brelaz já participou do programa na temporada 2026, e para conferir a história completa do chef é só clicar aqui.
Chef Manoel Brelaz no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
A receita do episódio é um supremo de frango ao vinagrete de banana e velouté de tucupi. De acordo com o chef, o prato é regionalidade pura, por conter tucupi, um alimento mais amazônico impossível. Confira:
Ingredientes
Proteína:
200 g de frango
Vinagrete de banana:
1 unidade de banana pacovã
sal a gosto
100 g de mel
limão a gosto
30 g de pimentão amarelo
30 g de pimentão verde
30 g de pimentão vermelho
azeite a gosto
Base aromática:
100 g de cebola
50 g de alho
50 g de pimenta-do-reino
50 g de chicória
30 g de pimenta de cheiro
30 g de cebolinha
30 g de cheiro-verde
Molho (velouté de tucupi):
cheiro verde
pimenta de cheiro
alho
ajinomoto
5 ml de tucupi
30 g de amido de milho
100 g de margarina
Supremo de frango ao vinagrete de banana e velouté de tucupi no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Faça cortes superficiais em formato de xadrez na superfície dos filés de peito de frango, primeiro em um sentido e depois na diagonal. Tempere com sal e pimenta-do-reino a gosto.
Em uma frigideira, derreta a manteiga e acomode os filés. Grelhe em fogo baixo, virando de tempos em tempos, até ficarem dourados e cozidos por completo ou entre 20 e 30 minutos.
Vinagrete de banana pacovã
Pique em cubos pequenos a banana pacovã, a cebola roxa, o cheiro-verde e a cebolinha. Misture todos os ingredientes em uma tigela.
Tempere com sal, suco de limão e um fio de azeite. Mexa bem e reserve.
Prepare o tucupi
Em uma panela, coloque o tucupi e acrescente alho, chicória, cheiro-verde, pimenta-de-cheiro, uma pequena quantidade de ajinomoto e sal para corrigir o tempero.
Deixe ferver até apurar os sabores. Se o tucupi já estiver previamente preparado, cerca de 30 minutos são suficientes. Caso esteja começando do zero, cozinhe por aproximadamente uma hora.
Velouté de tucupi
Após o tucupi estar bem apurado, prepare a redução até obter um molho mais encorpado, formando o velouté de tucupi. Reserve para a montagem.
Montagem do supremo de frango ao vinagrete de banana e velouté de tucupi:
Disponha o velouté de tucupi no prato, formando um espelho de molho. Coloque o supremo de frango grelhado sobre o molho.
Supremo de frango ao vinagrete de banana e velouté de tucupi no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Acrescente o vinagrete de banana pacovã ao lado. Finalize com crisps de couve para dar textura e acabamento.
“A Amazônia, gente, está na veia, está para a gente, está no mundo, está no foco e é uma honra e uma satisfação levar isso para fora de Manaus e para vocês”, finalizou o chef.
O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Adalberto Luis Val, é o primeiro brasileiro a receber a Le Cren Medal, honraria máxima da Fisheries Society of the British Isles – FSBI. A cerimônia será no dia 30 de julho, na Universidade de Southampton, Inglaterra. A medalha Le Cren reconhece pesquisadores e equipes com contribuição destacada para a biologia, conservação e divulgação pública da ciência dos peixes.
A distinção é concedida em homenagem à carreira, vida e trabalho dedicados à pesquisa. Para a Fisheries Society of the British Isles, a trajetória de Val deu visibilidade global à ciência produzida na Amazônia e ampliou a compreensão de como peixes tropicais respondem a extremos ambientais.
“É um momento super especial na minha carreira. Coroa um trabalho conjunto de mais de 40 anos na região. Esse prêmio é compartilhado com o pessoal do laboratório, estudantes de mestrado, doutorado, pós-doutorandos e colegas de outras instituições, do Inpa e do Brasil. A ciência é uma atividade social, e todos os nossos estudos são desenhados olhando para a sociedade onde estamos inseridos”, afirma Val.
O pesquisador Adalberto Val também é o primeiro latino-americano a receber a Le Cren Medal, prêmio que faz referência a de David Le Cren, um dos nomes clássicos da ecologia de peixes.
Pesquisador está há 40 anos desvendando os peixes da Amazônia
Com quase cinco décadas de atuação, Val construiu uma trajetória dedicada às adaptações fisiológicas de peixes amazônicos a oxigênio baixo, acidez, temperatura, cheias e secas. Ao investigar os limites biológicos dessas espécies, sua pesquisa ajuda a prever os impactos das mudanças climáticas em ecossistemas aquáticos tropicais.
“Em um mundo de aquecimento e eventos extremos, a Amazônia funciona como um laboratório natural para entender o futuro dos rios tropicais”, explica o pesquisador.
Foto: Divulgação
Quem é Adalberto Val
Natural de Campinas, no interior de São Paulo, chegou a Manaus em 1981 com sua esposa, a também pesquisadora, Vera Maria Fonseca de Almeida-Val, para o mestrado e doutorado no Inpa. Em 1982 tornou-se servidor do Instituto. Juntos fundaram o Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM), referência em fisiologia e evolução de peixes amazônicos.
Números: O pesquisador possui 44 anos no Inpa, mais de 280 artigos científicos, 22 livros, sua produção acumula mais de 10 mil citações e já foi reconhecida com importantes prêmios nacionais e internacionais, incluindo a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico e o Award of Excellence da American Fisheries Society. Atualmente coordena projetos sobre efeitos das mudanças climáticas na maior bacia hidrográfica do mundo.
Criado oficialmente em 2001, o tradicional cortejo do Boi Caprichoso foi inspirado no brincar de boi pelas ruas da cidade amazonense. Foto: Lucas Silva/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas
Considerada uma das principais celebrações que antecedem o Festival Folclórico de Parintins, o tradicional Boi de Rua do Caprichoso permanece com a missão de manter a essência de brincar de boi no lado azul da Ilha da Magia. O evento, que integra o calendário oficial da temporada bovina na cidade, reúne anualmente milhares de torcedores apaixonados pelo Touro Negro para a popular caminhada pelas ruas do bairro do Palmares.
Em 2026, o tradicional cortejo acontece neste sábado (20) e terá como novidade o retorno do formato em trajeto único. A concentração inicia na Avenida Senador José Esteves e o encerramento na Avenida Nações Unidas, com percurso entre a rua Sá Peixoto, Avenida Amazonas e rua Cordovil.
A caminhada conta com o som da Marujada de Guerra e a presença de itens oficiais e artistas do Caprichoso, reforçando a tradição cultural de acompanhar o boi pelas ruas parintinenses.
Criado oficialmente em 2001, o Boi de Rua foi inspirado em antigas manifestações que eram comuns em Parintins nos anos 1980: levar o boi às ruas para o contato direto com seus torcedores. Tais manifestações, inclusive, fazem parte do surgimento da brincadeira de boi bumbá no início do século XIX.
Com essa proposta de resgatar a tradição popular e aproximar o boi Caprichoso de sua torcida, o então presidente do Conselho de Artes do Touro Negro, João do Carmo, idealizou o Boi de Rua. Desde então, o cortejo virou símbolo da relação afetiva entre o boi e os fãs, até se tornar uma das principais celebrações culturais da cidade, com tambores, alegria e muita emoção.
Boi de Rua leva milhares de torcedores do Boi Caprichoso para as ruas de Parintins. Foto: Marcely Gomes/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas
Tradição reforça resgate cultural
De lá para cá, o que era uma celebração popular se consolidou como um dos momentos mais aguardados da temporada bovina. Num show de enfeites, bandeiras e adereços nas cores azul e branco, o Boi de Rua traz o resgate da brincadeira de boi bumbá, em que o boi Caprichoso saía às ruas para dançar em frente às casas das famílias.
Casas são enfeitadas para receber o Boi de Rua há poucos dias do início do festival. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Além de relembrar à história, o Boi de Rua também se tornou um “pré-show” antes do Festival, reunindo personagens típicos, cavalinhos da vaqueirada, itens alegóricos e a tão esperada Marujada de Guerra. Itens oficiais e artistas do Caprichoso também compõem a festa.
Tripa Alexandre Azevedo é o responsável por dar vida ao Boi Caprichoso. Foto: Sabrina Rocha/Rede Amazônica AM
O tripa do Touro Negro, Alexandre Azevedo, reforça a importância do Boi de Rua para a preservação cultural e histórica da brincadeira de boi bumbá, além de relembrar a origem do boi Caprichoso.
“O Boi Caprichoso começou fazendo só esse percurso na rua, depois se transformou nessa magnitude que tem. O Caprichoso preserva a tradição e todo ano sai e passa na frente da casa dos seus torcedores, que não podem ir até o curral.”, disse o artista, que possui “sangue azul”, já que toda sua família carrega um legado de atuações artísticas no Boi da Francesa.