Capital de Rondônia, a cidade de Porto Velho ganhou um novo status. Agora, o município foi reconhecido como a Capital Nacional da Pesca Esportiva, após a aprovação do Projeto de Lei nº 4959/2025. O reconhecimento marca um avanço para o turismo e reforça o potencial econômico e ambiental da região.
Segundo o prefeito Léo Moraes, o reconhecimento destaca a vocação natural do município para o turismo sustentável, especialmente na região do rio Madeira, um dos principais ecossistemas aquáticos do país, com mais de 800 espécies de peixes catalogadas.
Secretário municipal de Turismo, Esporte e Lazer, Paulo Moraes Júnior. Foto: Semtel
Para o secretário municipal de Turismo, Esporte e Lazer (Semtel), Paulo Moraes Júnior, a medida fortalece as políticas públicas voltadas ao turismo de pesca e ao desenvolvimento sustentável.
“O reconhecimento amplia oportunidades de geração de emprego e renda, a partir da valorização das riquezas naturais, como o rio Madeira, e também fortalece a imagem do município como destino estratégico para o ecoturismo, com equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental”, destacou.
Com o novo status, Porto Velho amplia a capacidade de atrair turistas do Brasil e do exterior, especialmente para a prática da modalidade esportiva. O segmento movimenta setores como hotelaria, gastronomia, transporte e serviços especializados.
A proposta também incentiva a prática do “pesque e solte”, que contribui para a preservação dos ecossistemas aquáticos e garante a continuidade da atividade.
Foto: Junior Costa/ Arquivo Secom PVH
O projeto também impacta a pesca artesanal, atividade essencial para as comunidades ribeirinhas. A medida contribui para a valorização cultural, geração de renda e segurança alimentar dessas populações. A atividade é reconhecida como patrimônio cultural e mantém práticas tradicionais associadas à conservação ambiental.
O reconhecimento de Porto Velho como a capital da pesca esportiva traz diversos benefícios à população, como:
Reconhecimento nacional da pesca esportiva
Incentivo à prática sustentável (pesque e solte)
Atração de turistas e investimentos
Geração de emprego e renda
Promoção do destino turístico
Preservação ambiental
Valorização das comunidades locais
*Com informações da SEMIAS e da Prefeitura de Porto Veho
Ovo de Páscoa em fatias. Foto: Reprodução/CAKES SAVARIS
Os ovos de Páscoa em fatias são a nova tendência nas confeitarias do Brasil. Em Rondônia, o doce, além da nova releitura, ganhou um toque regional, com sabores de cupuaçu e maracujá, aliados ao talento do chef confeiteiro Ronaldo Savaris de Porto Velho.
Ronaldo contou que sua confeitaria foi a primeira a perceber o potencial econômico do ovo de Páscoa em fatias e decidiu apostar no doce, até então inédito no estado.
Mas o que é o ovo de Páscoa em fatias?A novidade tem chamado atenção e conquistado espaço entre os consumidores, competindo com os tradicionais ovos e os trufados. O doce é dividido em seis pedaços, cada um com recheios e cores diferentes.
Ronaldo Savaris explica que a técnica de produção é a mesma do ovo tradicional. O processo inclui a têmpera do chocolate, a pré-cristalização e a cristalização final. A diferença está no molde, que tem um formato mais complexo, o que dificulta a produção em larga escala.
A montagem exige cuidado para manter a estrutura, já que as fatias têm formato triangular ovalado. Todas as partes precisam sair perfeitas para que se encaixem corretamente na montagem final.
O ovo é dividido em seis pedaços, cada um com uma casca que passa pelo processo de temperagem, garantindo o aspecto uniforme. Entre os sabores deste ano estão: chocolate belga ao leite com caramelo, pistache, Snickers, coco, cupuaçu e maracujá.
Ovo de Páscoa em fatias vira tendência e ganha sabores regionais em Rondônia. Foto: Reprodução/CAKES SAVARIS
O custo é mais alto, reflexo do trabalho artesanal e da dificuldade de produção em larga escala. Enquanto o ovo tradicional pode ser feito por duas pessoas, o modelo em fatias envolve até seis profissionais na produção de uma única unidade.
“A diferença nos valores está ligada ao processo. Enquanto o ovo tradicional envolve cerca de dois processos, o ovo em fatias pode chegar a pelo menos 12”, afirma.
O confeiteiro também contou que já recebeu pedidos de outros estados, como São Paulo e Minas Gerais. No entanto, questões logísticas dificultam a entrega, já que o chocolate precisa ser mantido em baixa temperatura durante o transporte.
Serviços da SMO garantem mais segurança, mobilidade e qualidade de vida à população. Foto: Francisco Sena/PMBV
Antes da chegada do período chuvoso, a zona urbana de Boa Vista avança com obras estratégicas de infraestrutura para garantir o escoamento adequado da água da chuva e prevenir alagamentos. A implantação do sistema de drenagem já está em andamento em diversos pontos da cidade, chegando agora aos bairros Monte Cristo e Said Salomão. Os serviços são executados pela Secretaria Municipal de Obras (SMO), levando mais segurança, mobilidade e qualidade de vida à população.
No bairro Monte Cristo, as obras contemplam importantes vias, a principal via central avenida Berto Sabino de Oliveira, a rua Aldrin Diogo Rodrigues de Melo, rua Dr. Airton Rocha de Souza e trecho da rua Abel Camurça Neto. Inicialmente, são implantados 1,8 km de rede de drenagem iniciando pela rua Village. Em seguida, o bairro será beneficiado com 2,6 km de pavimento asfáltico, além de 3,4 km de urbanização com calçadas e sarjeta e mais 5 km de meio-fio.
O morador Emanoel Gentil está acompanhando o trabalho de perto. Foto: Francisco Sena/PMBV
Já no Said Salomão, os trabalhos já ocorrem nas ruas Jardim das Piranhas e Timbaúba dos Batistas, com a implantação de mais de 340 metros de drenagem. Após essa etapa, as vias também receberão asfalto e serviços de urbanização.
Em breve, o bairro Said Salomão receberá implantação de mais 1,1 km de drenagem, pavimentação, com 2,1 km de urbanização, meio fio e sarjetas em trechos das ruas Jurucutu, São José do Seridó e Santana do Seridó, juntamente com a Av. São Fernando.
“Nossa prioridade é antecipar essas obras para reduzir os impactos do período chuvoso na cidade. Começamos pela drenagem justamente por ser uma etapa fundamental para evitar alagamentos e garantir mais segurança para os moradores. Em seguida, virá o asfalto e a urbanização, completando um conjunto de melhorias que transforma a realidade dessas comunidades”, destacou o secretário.
Fernando Adriel Paixão e Marcelo Melo também aprovaram o serviço. Foto: Francisco Sena/PMBV
Moradores destacam importância das obras para qualidade de vida
Quem tem aprovado as benfeitorias são os moradores do Monte Cristo. É o caso do analista de sistemas Emanoel Gentil, de 24 anos, que se casou recentemente e está há um mês morando no bairro.
“Essa obra vem para melhorar a qualidade de vida de quem mora no Monte Cristo. Vejo esse trabalho de drenagem com bons olhos, tendo em vista que, em vários pontos da cidade, durante as chuvas, ocorrem muitos alagamentos. E esse serviço, antes do inverno, chega na hora certa”, afirmou.
Quem também aprovou o serviço foram seus vizinhos: o analista de sistemas Fernando Adriel Paixão, de 27 anos, e Marcelo Melo, de 56 anos, músico. “Moramos em um bairro tranquilo e familiar. É uma obra importante, e vejo que estão olhando para essas áreas mais distantes da cidade, como o nosso bairro”, ressaltou Fernando.
Na Comunidade da Missão, em Tefé (AM), 22 mulheres mantêm viva a tradição da produção orgânica de cacau. A prática garante a produção de barras de chocolate e ovos de Páscoa de forma sustentável, valorizando saberes tradicionais e o manejo adequado da floresta.
Em uma área extensa de floresta protegida pelas próprias mulheres, o cultivo ocorre em sistemas agroflorestais, sem o uso de insumos sintéticos, integrados aos quintais produtivos — um modelo que imita a dinâmica natural da floresta.
Trata-se de uma produção orgânica e agroecológica, baseada em técnicas e práticas tradicionais sustentáveis que vem sendo fortalecidas e incentivadas pelo Instituto Mamirauá na comunidade desde 2020.
“Através do assessoramento técnico, temos contribuído com o fortalecimento da produção orgânica, com cursos que envolvem a prática do manejo agroecológico de diversas espécies frutíferas naquela região, incluindo o cacau, como também acompanhamos as etapas de certificação e acesso às políticas públicas voltadas a essas iniciativas”, destacou Fernanda Viana, coordenadora do Programa de Manejo de Agroecossistemas do Instituto Mamirauá.
A partir de 2019, as mulheres passaram a buscar o reconhecimento de seus produtos orgânicos e, em 2021, conquistaram a certificação, tornando-se o primeiro grupo da região de Tefé a alcançar a certificação orgânica. O grupo inicialmente se consolidou como Organização de Controle Social (OCS) e pouco tempo depois como Sistema Participativo de Garantia (SPG).
A conquista foi resultado de um processo que incluiu visitas de verificação da conformidade orgânica, visitas de pares e o preenchimento do Plano de Manejo Orgânico (PMO), etapa exigida para a certificação junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O acesso às políticas públicas de alimentação conta com o apoio do Instituto Mamirauá, do IFAM e com contribuições de instituições como o SEBRAE, SEMPA, Prefeitura Municipal de Tefé, a Rede Maniva de Agroecologia (REMA) e a empresa Na’Kau que seguem fortalecendo e ampliando o acesso das mulheres a oportunidades e serviços.
Foto: Tácio Melo
Produção do cacau na comunidade: chocolate sustentável
A produção segue um processo cuidadoso que envolve todas as etapas do manejo do cacau, desde a poda e seleção dos frutos até a fermentação, secagem, torra e moagem das amêndoas. Na comunidade, cada produtora realiza o processamento em sua própria casa, utilizando fornos artesanais e moinhos manuais.
Um método de trabalho que mantém a qualidade e a identidade do produto, com técnicas que combinam conhecimentos tradicionais e formações técnicas adquiridas ao longo dos anos.
“Esse trabalho vem das nossas mães, dos nossos antepassados. A gente aprendeu com elas a cuidar da terra, a produzir sem destruir e a valorizar o que é nosso. Hoje, com ajuda de parceiros e instituições, a gente continua fazendo com muito orgulho, porque sabe que é daqui que sai o alimento das nossas famílias e a nossa força”, afirma Bernadete Araújo, coordenadora do Grupo de Produção Orgânica da Comunidade.
Atualmente, as mulheres produzem a barra de cacau, uma pasta obtida a partir da amêndoa do cacau torrado, que também serve de base para outros produtos derivados.
Além disso, elaboram diversas preparações a partir do chocolate, como bombons de castanha com chocolate, barras de chocolate e ovos de Páscoa. Tanto a barra de cacau quanto esses produtos são comercializados na própria comunidade e na cidade de Tefé, localizada a cerca de 8 quilômetros.
Para o período da Páscoa, as produtoras adentram a floresta para colher o fruto no mês de dezembro e, a depender do clima, iniciam o processo de retirada das amêndoas para colocá-las para secagem no período do verão amazônico. É a partir dessa etapa que as mulheres avaliam a quantidade de produtos, barra de cacau e chocolates que serão destinados à venda.
Para este ano, as mulheres apostam na grande venda de seus produtos, que têm ganhado vantagem sobre os produtos industrializados. Além de serem produtos orgânicos e totalmente artesanais, há uma grande diferença em relação aos chocolates industrializados — são ainda mais baratos e carregam carinho, história e o sabor da floresta.
Foto: Tácio Melo
Além da comercialização, o chocolate na comunidade também passou a inspirar iniciativas culturais e lúdicas. Na ocasião, as mulheres irão realizar, junto a parcerias, a 1ª Caça aos Ovos de Páscoa da Comunidade da Missão, para crianças da comunidade, prevista para o dia 4 de abril, além da instalação de um estande para a venda de ovos de Páscoa.
O navio MS Marina chegou ao Porto de Manaus (AM), na região central da capital, na última sexta-feira (27), fortalecendo a temporada de cruzeiros marítimos 2025/2026 e a atividade turística no Amazonas. A embarcação recepcionada pelo Governo do Amazonas, por meio da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur), trouxe 1.125 passageiros e 720 tripulantes, totalizando 1.845 visitantes.
Antes de chegar à capital amazonense, o cruzeiro parou na comunidade Boca da Valéria, no município de Parintins. O navio saiu de Buenos Aires, na Argentina, no dia 7 de março.
A recepção aos turistas contou com apresentação de músicas regionais, dançarinos com indumentárias indígenas e entrega de colares de sementes e mapas da cidade. No Porto de Manaus, o Centro de Atendimento ao Turista (CAT) funcionou em regime especial, com atendentes bilíngues, oferecendo orientações e informações sobre atrativos turísticos, serviços e programação cultural.
Segundo o presidente da Amazonastur, Marcel Alexandre, a chegada de cruzeiros internacionais amplia a visibilidade do Amazonas e fortalece a economia nos municípios que integram as rotas turísticas.
“A presença de grandes cruzeiros no Amazonas reforça o interesse do mercado internacional pelo nosso destino e gera impactos positivos diretos na economia local. São visitantes que movimentam o comércio, utilizam serviços turísticos e contribuem para geração de emprego e renda, e isso faz com que a gente continue colocando o Amazonas no ranking em alta do turismo internacional”, destacou.
A turista Irina, da Austrália, está pela primeira vez no Brasil e destacou as expectativas para a visita ao Amazonas. “Estamos muito interessados na história do Brasil. Queremos conhecer sítios arqueológicos, visitar o Teatro Amazonas, o Centro Histórico e ter a experiência de nadar com os botos”, afirmou.
A programação da temporada prevê ainda a chegada de mais uma embarcação dia 8 de abril. Ao longo do calendário, 4.043 passageiros e 2.353 tripulantes devem passar por Manaus e Parintins, totalizando 6.396 visitantes.
Após a estadia na capital, o navio MS Marina segue viagem com destino a Parintins, dando continuidade ao roteiro turístico da temporada, que se encerra no dia 7 de abril, em Miami, nos Estados Unidos.
Estimativas da Amazonastur apontam que a temporada de cruzeiros marítimos 2025/2026 deve gerar receita direta de aproximadamente 260 mil dólares, o equivalente a cerca de R$ 1,38 milhão. A receita indireta está estimada em R$ 6,93 milhões, resultando em movimentação econômica total prevista de R$ 8,31 milhões no Amazonas.
Os impactos econômicos alcançam setores como turismo, comércio, transporte, artesanato e serviços. A atividade contribui para geração de renda, fortalecimento do mercado local e desenvolvimento dos municípios inseridos nas rotas de cruzeiros.
No mês em que se celebra o Dia da Preservação do Peixe-Boi da Amazônia, instituído pela Lei Estadual nº 10.322/2024, o esforço para proteger o mamífero aquático mais ameaçado da bacia amazônica ganhou um novo capítulo em Santarém, na região Oeste do Pará.
Em cerimônia realizada no Zoológico do Centro Universitário da Amazônia (ZooUNAMA), no final de março, foi anunciado o início da construção de uma nova base flutuante na Comunidade Igarapé do Costa, ampliando a infraestrutura de reabilitação da espécie, que agora é patrimônio do Estado.
A iniciativa faz parte de um pacote de investimento da Alcoa para proteger o peixe-boi, anunciado em setembro do ano passado, totalizando um aporte de mais de R$ 860 mil reais. A empresa também realizou a entrega de um veículo 4×4 para realização de atividades logísticas.
Presente no evento, o governador do Pará, Helder Barbalho, destacou a importância da união entre diferentes setores para a causa ambiental.
“Estou feliz de poder cumprir a missão de preservar espécies e de garantir a reprodução de espécies naturais do bioma amazônico. Por isso, é fundamental a parceria com a pesquisa, com a ciência e com o conhecimento, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, junto com a Alcoa e com a UNAMA. Temos a certeza de que estas ações fortalecem as iniciativas de preservação do meio ambiente, das espécies e dos nossos rios, conjugando com a estratégia de proteção da floresta”, afirmou.
O evento também marcou a inauguração do Memorial Peixe-Boi da Amazônia, um espaço físico com uma linha do tempo detalhada que narra a trajetória do projeto iniciado em 2008. O memorial funcionará como um ponto de conscientização para visitantes e acadêmicos, destacando os mais de 150 animais que já passaram pelo processo de atendimento e cuidado na instituição.
O diretor regional do Grupo Ser Educacional, Eden Ferreira, reforçou que a parceria consolida a missão da universidade:
“Isso mostra que a UNAMA desenvolve suas atividades sempre compromissada com as pautas socioambientais. Entendemos que uma formação de qualidade precisa ter um impacto direto na sociedade”, comentou. O Reitor da UNAMA Santarém, Elzo Vieira, finalizou destacando o envolvimento local: “O projeto é humano. Esse sucesso só é possível pela parceria com a comunidade do Igarapé do Costa, que possui uma consciência ambiental admirável”.
Investimento em tecnologia e campo para conservação do peixe-boi
O investimento estratégico foi dividido em duas frentes fundamentais. A primeira é a entrega imediata de uma caminhonete 4×4 para suporte logístico e manejo dos animais. A segunda frente é a construção de uma base flutuante moderna no Igarapé do Costa, que contará com tanques de reabilitação aquática aprimorados, permitindo que o ciclo de aclimatação ocorra em condições ainda mais próximas ao ambiente natural.
De acordo com o biólogo Hipócrates Chalkidis, gestor do ZooUNAMA, a parceria representa um salto na capacidade operacional.
“Isso significa um incremento substancial em todo o processo do manejo de peixe-boi aqui na nossa instituição. A doação desta caminhonete vai suprir nossa necessidade logística junto com a nossa base avançada, que agora estará melhor estruturada para receber muito mais”, destacou.
Patrimônio paraense
O Secretário Adjunto da SEMAS, Rodolpho Zahluth Bastos, enfatizou o peso simbólico da data. “O governador instituiu o Dia Estadual de Preservação do Peixe-Boi e editou a lei que instituiu a espécie como patrimônio cultural e ambiental imaterial do Pará. A SEMAS busca fortalecer essa rede de conservação já existente, apoiando iniciativas como a do ZooUNAMA”, pontuou.
Para a diretora de Relações Governamentais e Comunicação da Alcoa, Lucila Ribeiro, a iniciativa reforça o compromisso da companhia.
“A Alcoa entende que proteger espécies como o peixe-boi é proteger o equilíbrio dos ecossistemas e o futuro da Amazônia. Temos o compromisso de atuar de forma sustentável, conciliando a mineração responsável, a conservação ambiental e o desenvolvimento das comunidades onde atuamos, visando deixar um legado de excelência para as gerações futuras”, afirmou.
O pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Lucas Manoel da Silva Cabral, foi selecionado para compor a Lista de Consultores de Controle de Tabaco da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), vinculado à Rede de Centros Colaboradores da OPAS/OMS. Pelos próximos dois anos, Lucas integrará o banco de especialistas de referência para o tema no Brasil e na América Latina.
A lista foi criada para apoiar a implementação de atividades regionais de controle do tabaco em todos os países da América Latina e do Caribe.
Pesquisador já atuou com o consultor
Doutor e mestre em Saúde Coletiva, com ênfase em Política, Planejamento e Administração, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Lucas já atuou como consultor em políticas públicas em controle do tabaco no SUS, junto à Divisão de Controle do Tabagismo (DITAB), do Instituto Nacional do Câncer (INCA).
O pesquisador integra há oito meses o Laboratório de História e Políticas Públicas de Saúde na Amazônia (Lahpsa), do ILMD/Fiocruz Amazônia, e possui formação complementar internacional nas áreas de monitoramento da indústria do tabaco, desenvolvimento de lideranças e tributação de produtos relacionados ao tabagismo, tendo participado de cursos oferecidos por instituições de referência no tema.
Atualmente, Lucas coordena o projeto de pesquisa “Integration and Innovation in Tobacco Control” (‘Integração e inovação no controle do tabaco’, em tradução livre), financiado pela organização internacional Vital Strategies.
Foto: Michell Mello/Fiocruz Amazônia
Para Lucas, a oportunidade de contribuir junto à Rede de Centros Colaboradores representa a possibilidade de introduzir a Fiocruz Amazônia na discussão acerca do controle do tabagismo em cenário nacional e internacional.
“O aumento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes no Brasil, evidenciado por dados recentes da IBGE, acende um alerta importante para a saúde pública. Estar nessa rede nos permite contribuir ativamente com evidências e estratégias para enfrentar esse desafio de forma qualificada, tanto no cenário nacional quanto regional”, destacou.
A vice-diretora de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Michele Rocha El Kadri, ressaltou que a indicação representa um reconhecimento relevante para a trajetória do pesquisador. “Trata-se de um reconhecimento importante que fortalece a visibilidade institucional e reafirma a excelência técnica do nosso ILMD/Fiocruz Amazônia”, enfatizou El Kadri.
Além de sua atuação na Fiocruz Amazônia, Lucas participa de iniciativas nacionais como a Secretaria Técnica da Rede Brasileira de Escolas de Saúde Pública (STE RedEscola) e o Grupo de Pesquisa Atenção Primária à Saúde (APS) em Territórios Rurais Remotos (Fiocruz).
O município de Igarapé-Miri, no nordeste do Pará, consolidou sua posição como o maior produtor de açaí do mundo, de acordo com dados recentes divulgados pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). A cidade se mantém na liderança nacional e internacional, com participação expressiva na produção do fruto, que é um dos principais produtos da economia amazônica.
Segundo levantamento da Fapespa, Igarapé-Miri responde por cerca de 21,7% da produção brasileira do fruto, com volume superior a 420 mil toneladas em um único ano. O desempenho coloca o município à frente de outras regiões produtoras e reforça sua importância dentro da cadeia produtiva do fruto.
Além de Igarapé-Miri, outros municípios paraenses também aparecem entre os maiores produtores do país, como Cametá e Abaetetuba, consolidando o estado como principal polo de produção de açaí no Brasil.
Produção de açaí concentrada no Pará
Os dados apontam que o Pará concentra a maior parte da produção nacional de açaí. Em alguns levantamentos, o estado chega a representar mais de 90% do volume produzido no país, com cerca de 1,7 milhão de toneladas anuais.
Além de Igarapé-Miri no Pará, as cidades de Cametá tem 7,9% da produção nacional e Anajás, também no Pará, responde a 6,2% dessa produção. Cametá e Anajás ocupam o segundo e terceiro lugares no campo de produção de todo o país, respectivamente.
A nota técnica mostra que a consolidação dessas cidades paraenses é resultado da forte presença do fruto em áreas de várzea e do trabalho de produtores locais, especialmente em municípios da região do Baixo Tocantins. Igarapé-Miri se destaca nesse cenário como principal referência, sendo reconhecido oficialmente como a ‘Capital Mundial do Açaí’.
A cadeia produtiva envolve diferentes etapas, desde a coleta do fruto até o processamento e distribuição, movimentando a economia local e gerando emprego e renda para milhares de famílias. Confira a nota técnica:
A obra é resultado do Acordo de Cooperação Técnica celebrado entre Ministério Público do Trabalho, Procuradoria Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ), Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec).
O livro foi utilizado como material didático do Curso de Capacitação Profissional em Vigilância e Monitoramento da Exposição Mercurial em Populações Indígenas, oferecido pela Fiocruz Amazônia, com a finalidade de instrumentalizar trabalhadores da saúde atuantes na Atenção Primária à Saúde (APS) nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) Porto Velho e Vilhena (RO), responsáveis por cuidados em saúde e socioambientais junto a indígenas dos estados do Amazonas, Rondônia e Mato Grosso, historicamente atingidos pela contaminação mercurial.
A autoria do livro é do pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, com coautoria da pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Lihsieh Marrero, e do supervisor do Centro de Formação do Museu das Culturas Indígenas de São Paulo, Aly David Arturo Yamall Orellana.
Orellana explica que o livro se propõe a discutir alguns aspectos introdutórios sobre a vigilância do mercúrio em terras indígenas na Amazônia, destacando que a poluição ambiental por contaminantes químicos se constitui, cada vez mais, como uma séria ameaça à saúde humana.
“O mercúrio, em particular, está entre os três contaminantes mais importantes, sendo que a maior fonte de exposição na Amazônia a esse metal é o garimpo de ouro. Há mais de 50 anos, diferentes gerações de amazônidas têm testemunhado e sido fortemente impactadas pela extração predatória do ouro na região, especialmente ribeirinhos e povos indígenas”, relata.
De acordo com o pesquisador, nas últimas três décadas, as estratégias e maquinário usado para a extração ilegal de ouro têm amplificado os danos ambientais, especialmente em solos e corpos d ́água o que, consequentemente, agrava ainda mais a exposição de populações reconhecidamente vulneráveis aos efeitos negativos da poluição ambiental.
“Exposições em quantidades acima do tolerável, segundo critérios da Organização Mundial da Saúde, podem resultar em danos aos sistemas nervoso central e periférico, renal, cardiovascular, digestivo, pulmonar, imunológico, endócrino e, até mesmo, à morte”, alerta.
Estudos sugerem que a exposição pré-natal ao metilmercúrio pode estar relacionada com atrasos cognitivos, quadros de retardo mental leve e até mesmo danos na audição e visão, após o nascimento.
Com 68 páginas, o livro está dividido em cinco capítulos/seções:
“Introdução à toxicologia do mercúrio e aspectos históricos”;
“Ciclo do mercúrio no ambiente e atividades antrópicas”;
“Exposição aguda e crônica ao mercúrio na Amazônia”;
“Principais ameaças e riscos do mercúrio à saúde humana”,
e “Desafios da vigilância do mercúrio em indígenas da Amazônia”.
Jesem Orellana observa que o preocupante cenário põe em evidência a importância não apenas de monitorar os efeitos da contaminação mercurial em indivíduos expostos ou potencialmente expostos, como também de prevenir ou manejar da melhor maneira possível a exposição humana ao mercúrio, em particular no segmento materno-infantil indígena.
“De um lado, pouco se sabe sobre o assunto e, de outro, permanecem substanciais desafios na atenção qualificada à saúde, o que inclui a formação profissional focada na contaminação/exposição ao mercúrio”, destaca.
Segundo Orellana, a produção do livro esteve articulada ao planejamento e oferta de um curso de capacitação profissional, alinhado às prioridades do Ministério da Saúde, contribuindo à exploração do tema na região.
Capa do livro. Foto: Divulgação/Fiocruz Amazônia
Cursos nos DSEIs
Entre os últimos dias 17 e 25 de março, sob coordenação de Orellana, com o apoio da UEA, e dos docentes da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Cristiano Lucas de Menezes Alves e Maurício Viana Gomes de Oliveira, bem como o apoio direto de técnicos designados pelos DSEIs Porto Velho e Vilhena, foi conduzido um curso de capacitação profissional nos municípios de Cacoal (RO) e Humaitá (AM) sobre os riscos associados à exposição mercurial, estratégias de vigilância, monitoramento e mitigação dos dados nas populações potencialmente expostas e expostas a contaminação mercurial. O curso, com duração de 20 horas, foi preparado para trabalhadores de saúde atuantes na APS dos dois DSEIs.
“Foi uma experiência que utilizou estratégias de ensino e aprendizagem, centradas em metodologias participativas, que potencializam a fixação de novos conhecimentos, a partir da articulação com os saberes e vivências dos profissionais participantes”, destaca Lihsieh Marrero.
Para Orellana, a pauta da exposição mercurial em populações indígenas ainda é pouco valorizada ou inexistente no processo formativo de trabalhadores de saúde, não apenas na região Amazônica, mas no Brasil como um todo.
“O uso indiscriminado do mercúrio existe, há pelo menos 40 anos, em garimpos ilegais, acarreta não apenas a destruição e contaminação dos nossos solos e águas, como também gera uma variedade de efeitos negativos à saúde humana, deixando populações historicamente vulneráveis como os indígenas da Amazônia Legal, em risco ou ameaça ainda maior”, enfatizou o pesquisador.
A Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) tem avançado na construção de uma estratégia integrada de conservação e uso sustentável da Uncaria tomentosa, conhecida como unha-de-gato. A espécie medicinal é amplamente utilizada na Amazônia e vem sendo associada a riscos de erosão genética em função da exploração extrativista e da fragmentação ambiental. Essa erosão pode resultar em menor capacidade de adaptação, maior vulnerabilidade a doenças e risco de extinção da unha-de-gato.
A iniciativa integra ações de pesquisa, extensão e inovação em saúde desenvolvidas no âmbito do projeto FarmaFittos, que envolve a Ufopa, a Arquidiocese de Santarém, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) de Santarém e instituições parceiras, como a Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), responsável por parte do desenvolvimento científico associado à conservação genética da unha-de-gato.
Estudos científicos, como os conduzidos pela professora Dra. Ana Maria Soares (Unaerp), apontam que a variabilidade genética da unha-de-gato se encontra distribuída de forma desigual entre populações naturais, muitas vezes isoladas, o que pode comprometer a capacidade adaptativa da espécie e sua sobrevivência a longo prazo. Esse cenário reforça a necessidade de estratégias que integrem conservação, cultivo e uso racional da planta, visando diminuir o processo de erosão genética.
A Uncaria tomentosa é uma planta medicinal valiosa e de grande interesse do Sistema Único de Saúde (SUS). É conhecida por suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e imunomoduladoras.
Planta medicinal vem sendo associada a riscos de erosão genética em função da exploração extrativista e da fragmentação ambiental. Foto: Acervo FarmaFittos
Ciência aplicada à conservação da biodiversidade
Na Ufopa, esse trabalho com a unha-de-gato vem sendo desenvolvido desde meados de 2024, a partir da implantação de um banco de germoplasma, uma estrutura para conservação da espécie, e de técnicas de multiplicação de plantas em ambiente controlado, no Laboratório do Núcleo de Bioativos do projeto de pesquisa e extensão Maniva Tapajós.
Parte desse material genético foi introduzido por meio de cooperação com a Unaerp e vem sendo reproduzido localmente, garantindo a preservação de diferentes genótipos da espécie.
Ufopa articula saberes e políticas públicas para o cultivo da unha-de-gato. Foto: Divulgação/Ufopa
Segundo os pesquisadores envolvidos, o objetivo não é apenas conservar a planta, mas também criar condições para seu uso sustentável da unha-de-gato, evitando a pressão sobre populações naturais.
“O trabalho tem sido desenvolvido com foco na conservação da diversidade genética associada ao cultivo orientado, o que permite reduzir a coleta predatória e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso seguro à planta para uso medicinal”, afirma o professor Dr. Wilson Sabino, docente do Instituto de Saúde Coletiva (Isco) da Ufopa e coordenador do Grupo de Extensão FarmaFittos.
Produção em escala e fortalecimento comunitário
Atualmente, o projeto entra em uma nova fase, com a meta de produção de aproximadamente 1.000 mudas de Uncaria tomentosa até o final de 2026. Essa etapa será realizada em parceria com o Projeto Saúde e Alegria e com agricultores familiares de comunidades ribeirinhas do Alto Tapajós.
Além da produção, a iniciativa envolve processos de capacitação comunitária, com foco no cultivo sustentável da espécie e na valorização dos sistemas produtivos locais.
A proposta é que as mudas da unha-de-gato produzidas a partir de material geneticamente conservado sejam incorporadas aos territórios, promovendo uma alternativa ao extrativismo predatório e contribuindo para a geração de renda e o fortalecimento da autonomia das comunidades.
Integração com o SUS e institucionalização da política
As ações do FarmaFittos passaram a integrar uma estratégia institucional vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de um termo de cooperação técnica firmado entre a Prefeitura de Santarém, a Ufopa e a Arquidiocese de Santarém.
O acordo prevê a implementação da primeira fase do programa Farmácia Viva, incluindo a produção de insumos vegetais, elaboração de protocolos clínicos, mobilização comunitária e fornecimento de mudas, em conformidade com as diretrizes nacionais de fitoterapia no SUS.
Essa articulação estabelece uma governança compartilhada, na qual a universidade atua na base científica, a gestão pública na coordenação e financiamento das ações, e a Arquidiocese na mobilização social e territorial.
Atualmente, o projeto trabalha com as plantas erva-baleeira, chambá, erva-penicilina, folha-da-fortuna, açafrão, e outras espécies, que estão sendo cultivadas em um espaço da Arquidiocese de Santarém, o Centro de Formação Emaús, localizado à rodovia Curuá-Una.