Home Blog Page 86

Leguminosas da Amazônia colonizaram montanhas antes da formação de savanas

0

A leguminosa Chamaecrista hispidula que vive em áreas abertas no Cerrado, em restingas e dunas, e até em outros países da América do Sul. Foto: Henrique Moreira/ Fapesp

O amarelo das flores de Chamaecrista, um gênero de plantas da família das leguminosas, marca as paisagens abertas do Brasil, sobretudo nos campos rupestres, ambientes montanhosos de altitude associados a afloramentos rochosos antigos e solos pobres em nutrientes. O que não se sabia é que essas plantas descendem de uma linhagem amazônica, mesmo estando atualmente a 2 mil quilômetros de distância.

“Muito antes da expansão do Cerrado, no final do Eoceno e início do Oligoceno, entre 40 milhões e 35 milhões de anos atrás, essas plantas se dispersaram da Amazônia e colonizaram as áreas montanhosas”, explica a taxonomista Juliana Rando, da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob) e primeira autora de um artigo publicado em janeiro na revista científica Journal of Biogeography. “Até então existia uma dúvida sobre a origem das plantas dos campos rupestres, que poderiam ter vindo do Cerrado e da Caatinga.”

Com quase 370 espécies descritas no mundo, Chamaecrista é um dos gêneros mais diversos de leguminosas das regiões abertas da América do Sul. No Brasil, essas plantas assumem formas variadas, indo de arbustos a árvores de grande porte, especialmente na Amazônia, onde ainda existem com menor diversidade.

Nos campos rupestres – em regiões de Minas Gerais e da Bahia, por exemplo – e no Cerrado, predominam espécies de pequeno porte adaptadas a solos pobres, ao fogo e às condições climáticas mais extremas, características que ajudam a explicar o sucesso do grupo nesses ambientes.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Embora não sejam plantas cultivadas para alimentação, muitas espécies do gênero mantêm associação com bactérias fixadoras de nitrogênio, um processo que melhora a fertilidade do solo. Por essa característica, o estudo do grupo também é relevante como fonte de conhecimento para leguminosas de interesse agrícola.

Para entender como essas plantas colonizaram as áreas montanhosas, os pesquisadores analisaram dados genéticos de 231 espécies de Chamaecrista, o equivalente a quase dois terços de todas as espécies conhecidas do gênero e mais de 70% das que ocorrem nos Neotrópicos (a região tropical do continente americano).

“O que a gente consegue ver atualmente é o DNA das plantas. Então partimos daí para inferir qual teria sido o caminho de relações ocorrido no passado”, explica o biólogo Eduardo Nery, pesquisador em estágio pós-doutoral na Universidade Federal do ABC (UFABC) e um dos autores da publicação.

Imagem colorida mostra leguminosas olesiphyllacrommyotricha
Espécies leguminosas C. olesiphylla, endêmica dos campos rupestres de Minas Gerais, na Serra Talhada em Congonhas do Norte (à esq.), e C. crommyotricha, específica do Cerrado brasileiro. Foto: Juliana Rando/Ufob e Henrique Moreira

Leia também: Revolução no conhecimento sobre a antiga Amazônia pode ajudar a proteger a floresta atual

O trabalho também incluiu dados de distribuição geográfica dessas espécies, reunidos a partir de bases de dados globais de coleções botânicas. Com esse conjunto de informações, os autores reconstruíram a filogenia – uma espécie de árvore genealógica das espécies – do grupo e testaram diferentes cenários para entender onde essas plantas se originaram e como se dispersaram pelo território brasileiro ao longo de milhões de anos.

A análise biogeográfica comparou nove modelos diferentes, que testavam hipóteses alternativas sobre quando os campos rupestres se tornaram disponíveis para colonização e se essas áreas foram ocupadas antes ou depois da expansão do Cerrado e da Caatinga, sempre considerando intervalos geológicos distintos e mudanças climáticas ao longo de dezenas de milhões de anos.

Os resultados indicam que os campos rupestres não funcionaram apenas como destinos para plantas vindas de outros biomas, mas são capazes de produzir e sustentar uma grande diversidade ao longo de muito tempo. “Esses ambientes até então eram vistos como um dreno de espécies, mas o que mostramos é que talvez eles sejam uma fonte”, afirma Rando.

Espécies leguminosas expandiram localização

Segundo a pesquisadora, essa mudança de perspectiva ajuda a explicar por que os campos rupestres concentram tantos grupos endêmicos e reforça o papel dessas áreas montanhosas como elementos centrais na evolução da flora brasileira.

Para a ecóloga evolutiva brasileira Cibele Cássia Silva, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, o estudo chama a atenção por abordar a biogeografia das plantas a partir da montagem dos ecossistemas ao longo do tempo.

“Nos campos que ocorrem em altitude há uma diversidade imensa não só de espécies, mas também de história evolutiva”, comenta ela, que não participou do estudo.

Por muito tempo tratados como uma simples variação do Cerrado, ela ressalta que os campos rupestres vêm sendo reconhecidos mais recentemente como ambientes singulares com estratégias ecológicas próprias, o que exige mais estudos e políticas públicas de conservação.

Além do Brasil, as leguminosas do grupo Chamaecrista também ocorrem em países africanos, asiáticos e na Austrália. Rando iniciou a pesquisa que resultou no artigo de janeiro ainda durante o doutorado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) há cerca de 12 anos, e agora busca entender como esse gênero se dispersou para fora do continente americano.

“Essa filogenia que fizemos no artigo é a mais abrangente hoje para o gênero, mas ainda existe uma lacuna, principalmente em relação aos outros continentes.” Atualmente, ela realiza estágio pós-doutoral no Kew Gardens, os jardins botânicos reais da Inglaterra, em Londres, onde aprofunda o estudo dessas conexões globais. “O foco agora é justamente entender essas dispersões, usando mais dados e comparando com outros grupos que também fizeram esse caminho”, diz ela.

A reportagem acima foi publicada com o título “Da Amazônia para as montanhas” na edição impressa nº 361 de março de 2026.

Projetos
1.
 Biogeografia de Chamaecrista Moench. e filogenia e revisão de Ch. sect. Chamaecrista ser. Coriaceae (Benth.) H.S. Irwin & Barneby (Leguminosae-Caesalpinioideae) (nº 09/16434-4); Modalidade Bolsa de doutorado; Pesquisador responsável José Rubens Pirani (USP); Beneficiária Juliana Gastaldello Rando; Investimento R$ 198.061,22.
2.
 Efeitos sinérgicos de múltiplos mutualistas nas plantas: como bactérias, formigas e abelhas contribuem para a evolução de um grupo de leguminosas (nº 19/19544-7); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Programa Biota; Pesquisador responsável Anselmo Nogueira (UFABC); Investimento R$ 3.264.584,53.
3.
 Quais são as características das plantas e os fatores ambientais que impulsionam a evolução das leguminosas superfixadoras de nitrogênio? (nº 2024/16735-4); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Cooperação Instituto Serrapilheira; Pesquisador responsável Anselmo Nogueira (UFABC); Investimento R$ 307.140,56.

Artigo científico
RANDO, J. G. From rainforests to open-vegetation: The biogeographic history of Chamaecrista (Leguminosae) in the NeotropicsJournal of Biogeography. v. 53, n. 1, e70137. 14 jan. 2026.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por Guilherme Costa

Escola de Boa Vista conquista Selo ODS Educação 2025

0

A rede municipal de ensino desenvolve projetos alinhados à sustentabilidade e inovação. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

A Escola Municipal do Campo Balduíno Wottrich, localizada no Monte Cristo, em Boa Vista, conquistou a certificação do Selo ODS Educação 2025, reconhecimento nacional concedido a instituições que desenvolvem práticas pedagógicas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

O reconhecimento é resultado do projeto pedagógico “Ciências em Campo: Conectando Saberes por Meio de Projetos”, desenvolvido pela escola, através de ações de formação continuada de professores, parcerias institucionais e a realização da Feira de Iniciação Científica Escolar, onde os alunos apresentaram projetos relacionados à sustentabilidade e à preservação ambiental.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A vice-gestora, Leidymar Cunha, vai participar da cerimônia de certificação em Recife. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

A vice-gestora da escola, Leidymar Cunha, destacou que a conquista é fruto de um trabalho construído ao longo de todo o ano letivo. “Desde o início do projeto, todo o nosso planejamento foi voltado para esse reconhecimento, com formações para professores, parcerias e atividades que incentivaram os alunos a desenvolver projetos ligados à realidade do campo e à sustentabilidade”, explicou.

Para a coordenadora pedagógica, Jéssica Fernandes, a certificação reconhece práticas que já fazem parte do cotidiano da unidade.

“Receber esse prêmio é muito satisfatório. Somos uma escola do campo, nós trabalhamos muito com desenvolvimento sustentável, de forma natural. Então o selo só traz a certificação de que o nosso trabalho está sendo executado com excelência”, disse.

A escola participará do Evento Nacional de Certificação do Selo ODS Educação, que ocorrerá nos dias 17 e 18 de março, em Recife (PE), onde será realizada a cerimônia oficial de entrega do reconhecimento às instituições certificadas.

Alunos da Escola do Campo fazem atividades pedagógicas ao ar livre. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Rede municipal incentiva projetos ligados a sustentabilidade

O reconhecimento conquistado pela escola é resultado do trabalho desenvolvido pela rede municipal com projetos educacionais alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Entre as iniciativas está o projeto “Meu Primeiro Código”, voltado para os mais de 14 mil alunos do 1º e 2º ano do ensino fundamental.

A proposta trabalha o pensamento computacional de forma lúdica, com programação em blocos e uso de robôs educacionais, sem necessidade de telas, conforme destacou o assessor pedagógico da Gerência de Programas e Projetos Educacionais (GPPE), da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), Paulo Santos.

Leia também: Boa Vista amplia qualidade nutricional da merenda escolar

O projeto “Meu Primeiro Código” atende toda a rede municipal de ensino. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

“O material didático da rede municipal de ensino sempre traz um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como tema central, como o ODS 4, que trata da educação de qualidade. Esse selo nacional mostra que estamos alinhados à Agenda 2030 e às metas de desenvolvimento sustentável, promovendo uma educação de qualidade para os alunos”, destacou.

Alimentos negligenciados possuem potencial para fortalecer segurança alimentar no Brasil

0

Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

Você já parou para pensar na diversidade de plantas, animais e fungos que poderiam fazer parte da alimentação da população brasileira? Enquanto nossa alimentação diária se restringe a poucas espécies, como arroz, feijão, frango e alguns legumes, o Brasil abriga uma imensa variedade de alimentos pouco conhecidos pela ciência e pelo mercado.

São as espécies alimentares negligenciadas: algas, cogumelos, insetos comestíveis, peixes, frutos nativos e animais silvestres que fazem parte da cultura alimentar de comunidades tradicionais, mas permanecem sub-representados nos debates sobre nutrição e segurança alimentar.

Leia também: Conheça as PANC, plantas alimentícias não convencionais da Amazônia

Um estudo inédito publicado na revista Scientific Reports, conduzido por uma rede nacional de pesquisadores, com participação do Instituto Mamirauá, compilou um inventário com 369 espécies alimentares nativas ou subutilizadas no Brasil.

O levantamento inclui desde plantas como o baru e o camu-camu, até cogumelos silvestres, insetos como a tanajura, peixes de água doce e carne de caça consumida por populações ribeirinhas e indígenas.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

alimentos amazônicos: camu-camu
Camu-camu. Foto: Walnice Nascimento/Embrapa

Alimentos surpreendentes

Os pesquisadores combinaram o conhecimento de especialistas em nutrição e ciências ambientais com ferramentas de inteligência artificial explicável – um tipo de tecnologia que permite não apenas fazer previsões, mas entender como os modelos chegam a determinadas conclusões. Dessa forma, foi possível identificar os fatores que mais influenciam a priorização de espécies para estudos de composição nutricional e consumo alimentar.

O fator mais determinante para que uma espécie seja priorizada é a quantidade de receitas em que ela aparece, seguido pela sua distribuição geográfica pelo país. Ou seja: quanto mais presente na culinária local e em diferentes regiões, maior a chance de ser estudada. Por outro lado, critérios como risco de extinção ou categoria alimentar tiveram pouca influência na decisão. Isso revela um viés importante: a pesquisa em nutrição ainda é fortemente guiada pelo uso cultural e pela acessibilidade imediata das espécies, deixando em segundo plano questões ecológicas e de conservação.

Leia também: Instituto Mamirauá apresenta tecnologia para monitorar biodiversidade da Amazônia

Essa abordagem revelou também lacunas de conhecimento. Embora as plantas correspondam a quase 30% das espécies listadas e concentrem a maior parte dos dados nutricionais disponíveis, grupos como algas, insetos e cogumelos permanecem praticamente inexplorados. Nenhuma espécie de alga ou inseto do inventário possui informação nutricional publicada. Entre os cogumelos, apenas 12,6% têm algum dado e, apesar de representarem 24% da lista, os animais silvestres também carecem de análises mais aprofundadas.

Como parte da rede de pesquisa, o Instituto Mamirauá tem atuado justamente para reduzir as lacunas de conhecimento sobre a biodiversidade alimentar amazônica. Isso envolve tanto análises laboratoriais da composição nutricional de espécies consumidas localmente, como peixes, vertebrados terrestres e frutos nativos, quanto esforços de tradução e disseminação desses dados. A ideia é que a informação gerada na Amazônia retorne para as comunidades locais de forma acessível, fortalecendo a segurança e valorizando o conhecimento tradicional.

“Na Amazônia, onde o aumento do consumo de produtos ultraprocessados no lugar de alimentos tradicionais tem sido acompanhado de um aumento nos índices de anemia, diabetes e hipertensão, a rica biodiversidade local poderia ser uma aliada importante no combate à desnutrição. Este estudo mostra que é preciso aprofundar as pesquisas sobre aquilo que as comunidades tradicionais já sabem há gerações: a floresta é fonte de alimentos nutritivos, e diversificar o prato pode ser também uma estratégia de saúde e de conservação”, comenta Daniel Tregidgo, pesquisador do Instituto Mamirauá e coautor da pesquisa.

Os autores do estudo defendem que é preciso avançar em várias frentes. Primeiro, investir em pesquisas colaborativas e interdisciplinares para preencher as lacunas de dados nutricionais, especialmente dos grupos mais negligenciados. Segundo, ampliar os levantamentos de consumo em comunidades com menor integração ao mercado, onde a diversidade alimentar tende a ser maior.

Além disso, é importante criar e fortalecer bancos de dados nacionais que integrem informações sobre usos culinários e composição de alimentos da sociobiodiversidade. E, por fim, incluir esses alimentos em políticas públicas e na formação de profissionais de nutrição, sempre atentos à necessidade de manejo sustentável e à conservação das espécies.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá

Solo do delta do rio Amazonas está afundando 0,5 mm por ano, aponta estudo

0

Litoral paraense. Foto: Jader Paes/Agência Pará

A superfície terrestre do delta do rio Amazonas, que se espraia pelo litoral do Pará e do Amapá, está afundando. A taxa de rebaixamento dos terrenos entre os quais correm um emaranhado de rios é maior do que a taxa de elevação do nível do mar.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Há outros 17 deltas na mesma situação – incluindo os do Nilo, no Egito; do Ganges, na Índia; do Amarelo, na China; e do Vermelho e do Mekong, ambos no Vietnã –, de acordo com um estudo liderado pela Universidade da Califórnia em Irvine, nos Estados Unidos.

Leia também: A foz do rio Amazonas é um delta ou estuário?

Foz do rio Amazonas, vista do satélite da Agência Espacial Americana NASA - delta do rio amazonas
Foto: Reprodução/NASA

Delta do rio Amazonas afunda anualmente

Entre os 40 maiores do mundo entre 2014 e 2023, os mais afetados foram os dos rios Chao Phraya, na Tailândia, Brantas, na Indonésia, e Amarelo, com taxas médias de afundamento de cerca de 8 milímetros (mm) por ano, o dobro da taxa de elevação global do nível do mar. O delta do Amazonas está afundando 0,5 mm por ano.

A exploração intensa dos reservatórios de água subterrânea e o peso das construções urbanas comprimem o solo, somados à erosão e à diminuição da deposição de sedimentos, fazem a superfície afundar lenta e gradualmente, aumentando o risco de inundações mais frequentes e o recuo da linha de costa.

Essas áreas abrigam 10 das 34 megacidades do mundo e uma população de aproximadamente 500 milhões de pessoas. O estudo foi publicado na Nature, em 14 de janeiro.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp

Estúdio Inspiração transforma podcast em estratégia de posicionamento em Manaus

0

Estúdio Inspiração – espaço 1. Foto: Divulgação

Luz, câmera e ação. Assim é o movimento nos bastidores do Estúdio Inspiração, no Vieiralves, em Manaus, que tem atraído diversas personalidades interessadas em desenvolver podcasts e se tornarem autoridades em seus nichos.

Com uma conversa mais intimista, no formato “olho no olho”, o podcast tem se consolidado como uma poderosa ferramenta de posicionamento. Em constante crescimento no Brasil, o formato se tornou uma das principais estratégias de autoridade para profissionais liberais e empresários.

Estúdio Inspiração transforma podcast em estratégia de posicionamento em Manaus
Estúdio Inspiração – espaço 2. Foto: Divulgação

A procura por esse tipo de conteúdo também tem se ampliado significativamente em Manaus, transformando o podcast em vitrine de negócios no ambiente digital. Médicos, empresários, advogados, influencers e outros profissionais que desejam fortalecer sua presença no mercado têm investido na estratégia para alcançar um público que se identifica com o formato e com a proposta de conteúdo.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A empresária Hélida Tavares destaca que a ideia de estruturar um estúdio para gravação de vídeos surgiu a partir de um projeto desenvolvido em uma escola de negócios, onde buscou capacitação e foi desafiada a criar um produto que ampliasse o faturamento de sua empresa, que atua nos segmentos de comunicação, marketing digital e treinamentos comportamentais.

Estúdio Inspiração – podcasts. Foto: Divulgação

“Pessoas que entendem que o posicionamento por meio de vídeos é fundamental para sua imagem no mundo empresarial saem na frente. Hoje somos referência na gravação de vídeos e podcasts. Somos procurados diariamente por pessoas que querem começar a produzir conteúdo ou por empresários que já gravam e desejam profissionalizar ainda mais seu material. Esse posicionamento é essencial dentro do marketing digital”, destacou Tavares.

Estúdio Inspiração HUB transforma podcast em posicionamento. Vídeo: Divulgação

Um dos empreendedores que utiliza o espaço do Estúdio Inspiração há seis meses é o médico Flávio Oliva, CRM/AM 6113, que ressalta a importância de ter seu próprio podcast como ferramenta estratégica de comunicação e expansão do negócio.

“O podcast surgiu com a proposta de ampliar minha presença nas redes sociais, divulgar meu trabalho e levar à população o tema saúde de maneira acessível. Conseguimos promover prevenção de doenças e incentivar hábitos saudáveis. O grande objetivo é conversar de forma simples e levar informação de qualidade a quem consome esse formato”, afirmou.

Hélida Tavares recebe o Dr. Flávio Oliva no estúdio. Foto: Divulgação

Sobre o estúdio

O Estúdio Inspiração conta com equipamentos de alta tecnologia, teleprompter para facilitar as gravações, mais de três ambientes cenográficos, equipe técnica responsável pela captação e edição das imagens e roteiristas que orientam os apresentadores para garantir alta performance.

Mais de dois mil episódios já foram gravados no espaço, atendendo profissionais de diversos nichos e consolidando o estúdio como referência regional na produção de podcasts.

Hélida Tavares – Estúdio Inspiração. Foto: Divulgação

Comissão aprova suspensão de norma sobre identificação de indígenas na navegação de interior

0

A deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG). Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados aprovou projeto que suspende a exigência de documentos da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para o embarque de indígenas em barcos da navegação de interior.

O Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 300/22, da ex-deputada Joenia Wapichana, suspende trecho da Resolução 81/22, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A resolução estabelece que, em caso de percurso nacional, a identificação do indígena será feita por documento de identidade ou por autorização expedida pela Funai; em percurso internacional, por passaporte ou, dentro do Mercosul, por carteira de identidade.

A relatora, deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), recomendou a aprovação do projeto e disse que a norma da Antaq cria um regime jurídico diferenciado que prejudica o direito de ir e vir dos povos originários.

EMBARCAÇÃO - INDÍGENAS - AMAZÔNIA
Foto: Reprodução/Acervo Secom AM

Direito constitucional

Ela argumenta que a Constituição garante a todos os cidadãos a liberdade de locomoção e que não cabe a uma agência reguladora criar requisitos discriminatórios para o acesso ao transporte.

Leia também: Povos indígenas ganham manual de orientação para situações de conflitos fundiários

“Ao condicionar o embarque de pessoas indígenas a documento ‘autorizativo’ da Funai, a Resolução cria requisito discricionário e discriminatório, fora dos limites legais de sua atuação regulatória”, afirmou a relatora Célia Xakriabá em seu parecer.

Para a autora, a norma da Antaq reforça o racismo estrutural ao tratar indígenas de forma segregada em relação aos demais brasileiros.

Próximas etapas

A proposta será ainda analisada pelas comissões de Viação e Transportes, e de Constituição e Justiça e de Cidadania, para em seguida ser votada pelo Plenário. Para virar lei, o texto deve ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

*Com informações da Agência Câmara

Grupo de 40 mulheres transforma pasto em floresta produtiva no Pará

0

Foto: Divulgação/Imaflora

No município de São Félix do Xingu, no Pará, um grupo de 43 mulheres está mostrando que é possível garantir fonte de renda na floresta mesmo mantendo ela em pé. É o resultado da marca ‘Delícia do Quintal’, criada por uma associação de mulheres que mudou uma área de capim em floresta produtiva através do beneficiamento de frutas e verduras.

Com suporte técnico do programa Florestas de Valor do Imaflora, apoiado pela Petrobras, a Associação das Mulheres de Polpa de Fruta (AMPPF) implantou Sistemas Agroflorestais que combinam espécies nativas, frutíferas e cultivos da agricultura familiar no município, que é historicamente marcado pelos altos índices de desmatamento associados à pecuária.

Leia também: Estimulando uma transição florestal produtiva na Amazônia

A transformação produtiva, que completa 13 anos em 2026, opera com infraestrutura própria, incluindo usina de processamento e câmaras frias, voltada ao beneficiamento de frutas que antes se perdiam nos quintais das famílias. A produção, inclusive, chega diretamente à mesa de crianças e adolescentes por meio de políticas públicas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Ao gerar demanda estável para produtos da sociobiodiversidade, essas políticas reduzem a pressão por abertura de novas áreas e valorizam a produção local.

“Garantimos que a associação tenha segurança jurídica e técnica para gerir recursos públicos com transparência. O PNAE e o PAA funcionam como ferramentas de conservação ambiental ao criarem um mercado institucional para a agricultura familiar sustentável”, comenta Celma de Oliveira, coordenadora do Florestas de Valor do Imaflora em São Félix do Xingu.

Com apoio do PNAE, a associação movimentou aproximadamente R$ 375 mil em um único ano, consolidando-se como referência local de empreendedorismo feminino.

Formada por mulheres, Associação das Mulheres Produtoras de Polpa de Fruta (AMPPF) transforma pasto em floresta produtiva no Pará
Associação das Mulheres de Polpa de Fruta (AMPPF), no município de São Félix do Xingu, no Pará. Foto: Divulgação/Imaflora

Saiba mais: Da floresta ao mercado: desafios e oportunidades para os sistemas produtivos locais na Amazônia

Impactos da floresta produtiva

Maria Josefa Machado Neves, presidente da AMPPF. Foto: Divulgação/Imaflora

Além da geração de renda, a transformação produtiva representar algumas mudanças positivas nos aspectos ambiental e social. De acordo com a presidente da AMPPF, Maria Josefa Machado Neves, as mudanças representam um ganho significativo na paisagem natural.

“Hoje a gente olha pela janela e não vê mais o amarelado do capim. Com os novos plantios, passamos a morar no meio da floresta”, relata Maria Josefa.

O modelo baseado nos SAFs demonstra como inclusão produtiva, governança participativa e acesso a mercados institucionais podem reduzir conflitos ambientais e fortalecer a economia local. A autonomia econômica feminina impacta diretamente na qualidade de vida das famílias, ampliando investimentos em saúde, educação e segurança alimentar.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Em fevereiro deste ano, a AMPPF assinou novo contrato com o PNAE para fornecimento alimentos à rede municipal de ensino. A iniciativa conecta a produção sustentável da Amazônia diretamente à alimentação escolar.

Mais do que um contrato comercial, trata-se do reconhecimento do trabalho dessas mulheres, que transformam saberes tradicionais e manejo responsável da floresta em oportunidades concretas de desenvolvimento local. 

Ao incentivar cadeias produtivas sustentáveis e o acesso ao mercado institucional, o apoio do Florestas de Valor fortalece a agricultura familiar, promove a conservação da floresta e contribui para um modelo de desenvolvimento que alia inclusão social, segurança alimentar e respeito aos modos de vida amazônicos.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imaflora

Pesquisadores criam índice para avaliar saúde do solo em manguezais

0

Manguezais na Amazônia. Foto: Reprodução/Observatório da Costa Amazônica

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um índice capaz de medir a saúde do solo de manguezais em diferentes estágios. Aplicado em áreas degradadas, restauradas e preservadas, o índice revelou que manguezais saudáveis, incluindo os recuperados, provêm serviços ecossistêmicos próximos de sua capacidade máxima, enquanto os desmatados mantêm apenas uma pequena parte desse potencial.

O Índice de Saúde do Solo (ISS) varia em uma escala de 0 (pior) a 1 (melhor) e está descrito em artigo publicado na revista Scientific Reports. Ao traduzir processos complexos em uma métrica simples, a ferramenta pode apoiar gestores na definição de prioridades de conservação e restauração.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O ISS foi construído a partir de um conjunto de variáveis que, de forma integrada, representam os principais processos físicos, químicos e biológicos responsáveis pelo funcionamento do solo no contexto em que ele está inserido.

O índice incorpora atributos ligados à dinâmica do carbono (como textura do solo, teor de carbono orgânico e ferro pseudototal), à fixação de substâncias contaminantes (especialmente diferentes formas de minerais de ferro) e à ciclagem de nutrientes (incluindo indicadores biológicos baseados nas atividades enzimáticas de microrganismos do solo). Em conjunto, essas variáveis viabilizam o estado funcional do solo e sua capacidade de sustentar serviços ecossistêmicos.

Com a busca por soluções baseadas na natureza para enfrentar a crise climática, os manguezais são uma alternativa para gerar ganhos ambientais e sociais. Além de importantes sumidouros e estocadores de carbono, sustentam a pesca e ajudam a conter a erosão costeira, entre outros serviços.

Ainda assim, estimativas indicam que entre 30% e 50% dos manguezais do mundo tenham sido perdidos nos últimos 50 anos, processo que pode ser acelerado pelas mudanças climáticas, com o aumento do nível do mar e maior frequência de eventos extremos, além de desmatamento e expansão urbana.

O Brasil tem a segunda maior área de mangue do planeta – cerca de 1,4 milhão de hectares ao longo da faixa costeira, ficando atrás apenas da Indonésia – e o mais extenso trecho contínuo, localizado entre o Amapá e o Maranhão. Uma ampla biodiversidade, com mais de 770 espécies de fauna e flora, confere a essas áreas destaque para a pesca.

Leia também: Conheça os manguezais da Amazônia, o maior cinturão de manguezais do mundo

Resultados nos manguezais

Ao ser aplicado no estuário do rio Cocó, no Estado do Ceará, o ISS mostrou condições contrastantes do local, com recuperação em áreas restauradas e suas implicações para os serviços ecossistêmicos. De acordo com os resultados, os manguezais maduros apresentaram os maiores valores de ISS (0,99 ± 0,03), enquanto os locais degradados, os menores (0,25 ± 0,01).

As regiões replantadas há nove e 13 anos tiveram valores intermediários (0,37 ± 0,01 e 0,52 ± 0,02, respectivamente), com um melhor desempenho das mais antigas, indicando assim uma recuperação gradual.

“A pesquisa buscou traduzir em números alguns aspectos importantes relacionados à saúde de solos dos manguezais e à provisão de seus serviços ecossistêmicos, tais como sequestro de carbono, imobilização de contaminantes e ciclagem de nutrientes. Montamos a escala de 0 a 1 para acompanhar o restabelecimento ecossistêmico frente ao processo de recuperação”, explica à Agência FAPESP a gestora ambiental Laís Coutinho Zayas Jimenez.

“Meu sonho agora é usar o índice de saúde do solo em uma aplicação prática. Mostrar aos meus pares, os gestores, que é possível analisar se o manguezal que passou por recuperação está produzindo plenamente ou não os serviços ecossistêmicos e em quanto tempo isso acontece.”

O artigo é resultado de sua tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Solos e Nutrição de Plantas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), desenvolvida sob a orientação de Tiago Osório Ferreira, e com o apoio da FAPESP.

Atualmente, Jimenez é chefe do setor de manguezais na Diretoria de Biodiversidade da Fundação Florestal e lidera um projeto inédito cujo objetivo é medir o estoque de carbono dos manguezais paulistas e detectar a presença de elementos tóxicos, como metais pesados, em seus solos.

O trabalho está sendo desenvolvido em parceria com o Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado na Esalq-USP.

A Fundação Florestal é um órgão da Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil) responsável pelas Unidades de Conservação do Estado. Das mais de cem unidades, pelo menos 16 delas têm manguezal.

“Mesmo que o restabelecimento das funções do manguezal seja rápido, isso não pode ser usado como argumento para não proteger esse ambiente da degradação. Observada a retomada de alguns serviços ecossistêmicos, entre eles sequestro de carbono e ciclagem de nutrientes, outros, como a contenção de erosão costeira, demoram mais”, ressalta Jimenez.

Manguezais na Amazônia.
Manguezais na Amazônia. Foto: Reprodução/Greenpeace

“Carbono azul”

Os mangues são chamados de “florestas de carbono azul” por sua característica de absorver grandes quantidades de CO da atmosfera e armazenar carbono orgânico no solo por décadas, mais eficientes do que florestas tropicais (leia mais em: agencia.fapesp.br/55382). No entanto, as mudanças no uso da terra e a poluição ameaçam cada vez mais os solos de manguezais, comprometendo sua funcionalidade.

Segundo a iniciativa global Mangrove Breakthrough, que tem o objetivo de restaurar e conservar 15 milhões de hectares de manguezais em escala global até 2030, esses ecossistemas armazenam o equivalente a mais de 22 gigatoneladas de CO2. A perda de apenas 1% dos manguezais remanescentes poderia levar ao correspondente a emissões anuais de 50 milhões de automóveis.

Leia também: Pesquisadores usam genética de ponta para reflorestar a maior faixa contínua de manguezal da Amazônia

“Como o estudo foi desenvolvido em uma área de recuperação, os resultados desmistificam a ideia de que o ecossistema é resiliente frente a intervenções antrópicas. Mostramos que pode ser degradado em uma velocidade muito rápida. Mas a boa notícia é que o sistema também se recupera rapidamente, desde que a restauração seja feita de maneira assistida e elaborada, respeitando as condições locais do ambiente em que ele está inserido. Assim é possível obter novamente as funções do ecossistema e sua capacidade de prover serviços”, avalia o professor Hermano Melo Queiroz, do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Queiroz é um dos autores correspondentes do artigo, juntamente com Ferreira, que também é diretor de disseminação e pesquisador do CCARBON. Participam ainda do grupo o professor Maurício Roberto Cherubin, diretor de pesquisa do centro e especialista em saúde dos solos, e Francisco Ruiz.

“Nessa pesquisa, um dos objetivos era traduzir a informação de processos biogeoquímicos muito específicos para uso de gestores ambientais. O índice, ao mostrar que os estoques de carbono retornam para áreas de mangue restauradas, traz uma mensagem muito importante no cenário de combate às mudanças climáticas”, diz Ferreira, que pesquisa há mais de 25 anos áreas de manguezais e contribuiu para a criação de um banco de dados com informações de toda a costa brasileira.

Ferreira coordena o projeto “BlueShore – Florestas de Carbono Azul para mitigação de mudanças climáticas offshore”, desenvolvido no âmbito do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), um Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) constituído com apoio da FAPESP, da Shell e participação de outras empresas, com sede na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

Aberto e mutável

Os pesquisadores destacam que entre os diferenciais do ISS está a possibilidade de incluir informações específicas de cada ecossistema e do ambiente em que está inserido para diferentes regiões do país. É possível, por exemplo, inserir dados de serviços ecossistêmicos – sequestro de carbono e imobilização de contaminantes – e geoquímicos, como a quantidade de fósforo.

“Quanto maior a quantidade de fósforo, mais benéfico é para o ecossistema. Só que, no caso dos manguezais, dependendo do contexto em que ele está inserido, o excesso de fósforo pode representar um problema de contaminação ou de eutrofização”, afirma Queiroz.

A eutrofização provoca a proliferação exagerada de algas e cianobactérias na área de mangue, que causam o bloqueio da luz solar e o consumo do oxigênio, resultando em mau odor e morte de peixes, com perda da biodiversidade aquática e deterioração da qualidade da água.

Agora, os cientistas dizem que o próximo passo é entender que tipo de carbono está “retornando” para esses solos, se é mais ou menos estável, com maior ou menor duração.

Além disso, o estudo inspirou um novo projeto – “Desvendando a saúde do solo de manguezais brasileiros”, financiado pela FAPESP, que aplicará uma metodologia semelhante em diferentes regiões do país.

Combinando análises de solo, sensoriamento remoto e modelagem espacial, a proposta é mapear a saúde dos solos de manguezais e seu potencial de sequestro de carbono. A iniciativa pretende gerar o primeiro mapa em larga escala da saúde do solo de manguezais no Brasil.

O artigo Tracking mangrove restoration using a biogeochemical soil health index and ecosystem service indicators pode ser lido em: nature.com/articles/s41598-025-30909-2.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Luciana Constantino

Streaming gratuito dedicado à produção audiovisual amazônica é lançado no Amapá

Plataforma de streaming é gratuira e voltada para produções audiovisuais do Amapá e da Amazônia. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Amazônia Play: a nova plataforma gratuita de streaming voltada para produções audiovisuais do Amapá e da Amazônia foi lançada no dia 7 de março em Santana (AP). O serviço pretende ser vitrine da indústria criativa nortista, levando obras locais para o público da região, do Brasil e também para o exterior.

O catálogo reúne produções gratuitas e abertas para todas as idades, incluindo filmes de ficção, documentários, animações e clipes musicais.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O idealizador e coordenador do projeto de streaming, Abel Neto, explica que a iniciativa nasceu da necessidade de reunir em um só espaço os trabalhos produzidos na região.

“A plataforma surgiu da necessidade de reunir em um só espaço as produções locais, que antes eram divulgadas de forma dispersa. Agora, com o Amazônia Play, conseguimos valorizar o audiovisual do Amapá e dar visibilidade para outros estados e para o mundo”, afirmou.

Leia também: Produções cinematográficas revelam o potencial dos estados da Amazônia no cinema 

Lançamento do streaming

Amazônia Play
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

O evento de lançamento do streaming aconteceu no Senac, em Santana, com programação cultural aberta ao público, incluindo homenagens, apresentações musicais. Para o cineasta Rosivan Santos, a novidade chega em um momento importante para o setor.

“Nós não tínhamos um espaço específico para divulgar nossas produções. Geralmente colocávamos no YouTube ou Instagram, mas era difícil alcançar público fora da região. Agora nossos filmes e documentários poderão ser acessados em qualquer lugar do mundo”, destacou.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Caracol africano é pesquisado na grande Ilha de São Luís pela UEMA: “praga urbana”

0

Foto: Ferdinan Melo/Acervo pessoal

Uma pesquisa do professor doutor e pesquisador Ferdinan Melo, do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), que tem a participação de estudantes, professores e colaboração de instituições fora do Estado, dá conta de que é necessário fazer um alerta à sociedade sobre os riscos à saúde humana quanto ao consumo do Caracol Africano (Achatina fulica) nos municípios da grande São Luís.

A pesquisa esclarece que este animal é um molusco nativo da África Oriental, introduzido no Brasil com o propósito de ser utilizado na alimentação, como uma alternativa na substituição do Cornu aspersum, conhecido como Escargot. Informa, ainda, que, devido ao rápido crescimento populacional desordenado é considerada uma espécie invasora em vários países.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Segundo explica o professor Ferdinan, coordenador do estudo, o Caracol Africano, classificado como praga urbana e agrícola, constitui uma ameaça à biodiversidade e à saúde pública, por ser hospedeiro intermediário de nematódeos, como o Angiostrongylus cantonensis, agente da Meningite Eosinofílica.

“A nossa intenção é investigar as ocorrências do Caracol Africano e de nematódeos com relação à saúde da população na Região Metropolitana da Ilha de São Luís. Para isso, realizamos coletas em 12 parcelas fixas nos municípios de Paço do Lumiar, Raposa, São José de Ribamar e São Luís, em finais de períodos chuvosos e secos nos anos de 2024 e 2025”, disse Ferdinan.

O pesquisador acrescenta que amostras foram avaliadas no Laboratório Central do Maranhão (LACEN-MA) e encaminhadas para o Laboratório de Malacologia (LRNEM-IOC), Fiocruz, Rio de Janeiro, onde foram submetidas ao processo de digestão artificial, com HCl a 0,7%.

Nas unidades, os moluscos foram pesados e mensurados para realizar a relação massa-comprimento e identificar o fator de condição relativa. Foram coletados 473 espécimes em 2024, 348 (73,57%) no período chuvoso e 125 (26,42%) no período seco.

Leia também: Espécies amazônicas invasoras causam prejuízo mundo afora

Caracol africano teve aumento e representa risco

Durante os trabalhos, descobriu-se que nas últimas duas décadas, houve um aumento significativo da presença do molusco em toda Ilha de São Luís,  e o risco potencial de doenças (zoonoses) se tornou uma preocupação. A equipe ouviu, ainda, relatos constantes da população sobre as dificuldades de controle malacológico pelos agentes de endemias, somado a desinformação e cuidados inadequados com os terrenos baldios, quintais e jardins, que podem estar ligadas direta ou indiretamente à presença desses moluscos.

ferdinan melo  uema
Foto: Ferdinan Melo/Acervo pessoal

Observou-se, também, que, esses animais tanto adultos como jovens, mostraram-se ter grande capacidade de adaptação em situações ambientais adversas, possibilitando sua reprodução e, que, as condições antrópicas promovem a manutenção e proliferação desses caracóis, principalmente em locais com saneamento básico precário.  

“Esperamos que os resultados deste estudo forneçam medidas de controle eficazes, contribuindo para a promoção da saúde dentro do contexto de ‘Uma Só Saúde’, alerta o professor Ferdinan.

Leia também: Caracol africano: especialista explica quais riscos o animal oferece à saúde pública

O professor esclarece que o ciclo de vida do nematódeo tem como hospedeiros definitivos os roedores. Mas os humanos, por sua vez, atuam como hospedeiros acidentais, sendo infectados da mesma forma que os ratos, por meio da ingestão desses caracóis, caramujos ou lesmas contaminados no terceiro estágio de desenvolvimento.

Ferdinan conclui ressaltando que, uma vez, esses animais no organismo humano, desenvolvem larvas, que atingem o estágio subadulto, e, a maioria desses vermes, após migrarem pelo tecido cerebral, acabam matando seus portadores. O comprometimento neurológico observado nos indivíduos infectados resulta um processo inflamatório desencadeado pelo sistema imunológico.

caracol africano medidas de segurança
Imagem: Divulgação/UEMA

Equipe de colaboradores na pesquisa:

Prof. Dr. Guilherme Mota da Silva Laboratório de Malacologia-LMALAC IOC- FIOCRUZ; Daniel Soares Saraiva – Doutorando PPGCA UEMA; Nathália Medeiros Guimarães – Doutoranda PPG BIONORTE; Rivaldo Costa Almeida – Doutorando PPGCA UEMA; Anna Maria Fonseca Roma – Bolsista Iniciação Científica UEMA; Sarah Jéssica Morais Brandão – Bolsista de Extensão UEMA; e Thaynara Kênia Garcez Pinheiro – Bolsista de Extensão UEMA.

*Com informações da UEMA