Sabores invisíveis? Saberes alimentares de Mosqueiro são reunidos em e-book

E-book desenvolvido por professores e estudantes de Gastronomia da Uepa destaca Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC).

Foto: Cauê Moreno/Ascom Uepa

A diversidade alimentar da Amazônia ganha destaque no e-book ‘Sabores invisíveis: PANC, histórias e receitas da Ilha de Mosqueiro’, uma obra que reúne receitas com ingredientes pouco comuns no cotidiano, mas profundamente enraizados na cultura e na biodiversidade regional.

e-book foi desenvolvido por professores e estudantes do curso de Gastronomia da Universidade do Estado do Pará (Uepa), ofertado pelo programa Forma Pará, em Mosqueiro, na Região Metropolitana de Belém, e publicado pela Editora da Uepa (Eduepa).

Leia também: Conheça as PANC, plantas alimentícias não convencionais da Amazônia

Resultado de um Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), o e-book evidencia a riqueza das chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), reunindo espécies nativas da região amazônica. A organização é de Diego Aires da Silva, Rafael Vitti Mota e Ivonete Quaresma da Silva de Aguiar.

“O intuito dessa pesquisa, que fala sobre as PANCs, é que as pessoas possam utilizá-las no seu cotidiano, no seu dia a dia. Os restaurantes também, para que seja uma forma de atração ao público, ao turista, que chega naquela região e se depara com novidades. Onde as pessoas plantam, colhem e colocam no prato não só o arroz e o feijão, mas também outras possibilidades criativas. E isso também pode se tornar uma fonte de renda, já que é possível produzir e fornecer esses ingredientes para os restaurantes”, explica Adriana Lima, egressa da turma de Gastronomia em Mosqueiro e uma das participantes da pesquisa.

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E-book reúne informações sobre PANC de Mosqueiro, no Pará. Foto: Divulgação

PANC listadas no e-book revelam potência local

Entre as espécies destacadas no e-book estão erva-de-jabuti, taioba, cipó-d’alho, vinagreira, ora-pro-nóbis, begônia, clitória azul, jaca e camapu, que se articulam a ingredientes tradicionais da culinária paraense, como queijo do Marajó, camarão regional e gurijuba, ampliando os horizontes da gastronomia amazônica.

Adriana Uchoa, que também participou da pesquisa como voluntária, relembra o processo de construção do trabalho: “a gente começou coletando os insumos, depois se reunia para preparar as receitas e fazer os registros fotográficos”.

Ela destaca ainda sua identificação com as produções à base de pães, área em que já atua, e reforça o impacto da formação: “a formação pela Uepa contribuiu muito para o meu desenvolvimento profissional. Eu já gostava de cozinhar, era a chef da família, então, amei fazer o curso. Os professores são maravilhosos e agregou muito na minha vida”.

Ao longo das páginas, o livro combina pesquisa, memória e criatividade gastronômica. Receitas como pudim de bougainvillea e pão de marimari revelam possibilidades inovadoras a partir de ingredientes pouco explorados, enquanto histórias associadas às plantas reforçam sua conexão com os territórios e modos de vida locais. Folhas, flores, frutos e sementes deixam de ser apenas elementos decorativos e passam a protagonizar preparações como geleias, saladas e pratos autorais.

‘Sabores Invisíveis’ se consolida como um registro do potencial alimentar da biodiversidade amazônica e um convite à valorização de saberes tradicionais.

*Com informações da UEPA

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