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Cheias e secas extremas ficaram mais intensas no Amazonas a partir de 2005, aponta estudo

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Seca do Rio Amazonas no município de Itacoatiara. Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM

Um estudo publicado na revista científica Environmental Research Letters apontou que o Amazonas vive uma intensificação sem precedentes no ciclo hidrológico do rio Amazonas. A pesquisa analisou dados entre 1970 e 2023 e concluiu que, desde 2005, as cheias e secas passaram a ocorrer de forma mais extrema, aumentando os impactos nas várzeas e nas comunidades ribeirinhas do estado.

O levantamento foi realizado por pesquisadores do Brasil, França e Reino Unido. Para chegar aos resultados, os cientistas combinaram medições históricas do nível e da vazão do rio com imagens de satélite e modelos computacionais que simulam o comportamento da água ao longo de um trecho de 1,1 mil quilômetros do rio Amazonas.

Leia também: Portal Amazônia responde: como funcionam os processos de enchente e vazante dos rios?

Diferente de estudos anteriores, a pesquisa focou no fluxo de água que entra em grandes áreas de várzea, que são regiões alagadas durante o período de cheia. Foram analisadas quatro áreas entre Amazonas e Pará: Jatuarana, em Manaus; Parintins; Curuai, em Santarém; e Monte Alegre.

Confira a conclusão do estudo sobre cada município

Imagem colorida mostra Mercado Municipal de Parintins
Foto: Yuri Pinheiro/ Secom Parintins

Parintins

Em Parintins, os pesquisadores identificaram que as cheias de 2009 e 2021 bateram recordes históricos. Segundo o estudo, a quantidade de água que passou pelas várzeas durante esses eventos foi comparável à vazão de alguns dos maiores rios do mundo.

As enchentes atingiram comunidades ribeirinhas e causaram impactos em casas, plantações e áreas urbanas. O estudo alerta que o aumento da velocidade da água nas várzeas pode acelerar processos de erosão e transporte de sedimentos, provocando mudanças duradouras na região.

Manaus

Na capital amazonense, os dados da estação fluviométrica do Porto de Manaus, que monitora o rio desde 1902, mostram um aumento na diferença entre os níveis mínimos e máximos do rio ao longo do ano.

Segundo os pesquisadores, isso indica que as secas e cheias estão ficando mais severas. O estudo aponta um aumento de 18% nessa variação em comparação com o século passado.

“Dados da estação de Porto de Manaus revelam um aumento de 18% na diferença entre o nível mínimo e máximo do Amazonas em relação ao século anterior”, afirmou o professor Rodrigo de Paiva, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), coautor da pesquisa.

rio negro no porto de manaus
Foto: Reprodução/Porto de Manaus

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) participou das análises sobre os efeitos das mudanças no ciclo dos rios. Segundo o ecólogo Jochen Schöngart, pesquisadores também utilizam anéis de crescimento de árvores da floresta para identificar mudanças históricas nos períodos de cheia e seca.

O estudo destaca ainda a importância da vegetação das várzeas para reduzir os impactos das enchentes. Árvores, gramíneas e plantas aquáticas ajudam a diminuir a força das correntezas e protegem as margens dos rios.

Tefé

Em Tefé, os pesquisadores relacionaram os efeitos da seca histórica de 2023 ao aumento da temperatura da água no lago Tefé, que chegou a 41°C. O fenômeno provocou a morte de mais de 200 botos vermelhos e tucuxis.

Segundo estudos citados na pesquisa, a estiagem também reduziu em até 8% a superfície coberta por água na Amazônia Central, enquanto alguns lagos perderam até 80% da área alagada.

Tefé - seca de 2024 - amazonas amazônia
Foto: Ayan Fleischman

O município abriga o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, que participou de pesquisas sobre os impactos das secas e cheias na biodiversidade amazônica.

Preservação da vegetação

Os pesquisadores alertam que poucas áreas de várzea estão protegidas por unidades de conservação. Por isso, defendem medidas de preservação dessas regiões diante do avanço das mudanças climáticas.

“Vamos fornecer informações relevantes para políticas públicas voltadas à conservação da várzea”, afirmou Schöngart.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Não é piranha, é candiru-açu! Um dos peixes amazônicos mais temidos é flagrado devorando frango inteiro

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Candiru-açu devora frango inteiro em menos de dois minutos em Rondônia. Foto: Reprodução/Instagram-flavioterassini

Um experimento realizado pelo biólogo Flávio Terassini durante uma expedição na última semana ganhou as redes sociais: ele joga um frango cru no rio, amarrado em uma corda, e em menos de dois minutos os temidos candirus (dezenas deles) destroçam a “isca gigante”.

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Existem várias espécies de candiru. O que aparece no vídeo é o candiru-açu, um tipo que se alimenta de carne. Ele é diferente dos candirus hematófagos, que se alimentam de sangue e ficaram “famosos” por entrar na uretra de humanos.

No vídeo registrado por Flávio Terassini, é possível ver que os animais agem de forma voraz e em cardume. Em determinado momento, eles chegam a cortar a corda que segurava o alimento e continuam se alimentando quando o frango é devolvido ao rio.

Leia também: Saiba quais são as diferenças entre os tipos de candirus que vivem na Bacia Amazônica

Apesar da voracidade, o ataque do candiru-açu em humanos vivos é considerado raro.

“Eles se alimentam de qualquer animal morto ou ferido no rio. Pode ser um peixe, um boto ou até um animal de grande porte, como um cavalo. Infelizmente, isso inclui também seres humanos em casos de mortes na água”, disse

O que é o candiru-açu?

O pesquisador e especialista em diversidade e biogeografia de peixes de água doce, Fernando Dagosta, explicou as características da espécie. Segundo ele, o candiru-açu é um tipo de bagre carniceiro, diferente do candiru hematófago, considerados “verdadeiros”.

“O candiru-açu tem dentes bem desenvolvidos, usados para cortar e arrancar pedaços de carne”, afirmou.

Leia também: Candiru: especialista desmitifica ataques do ‘peixe-vampiro’ na Amazônia

Não é piranha, é candiru-açu: peixe amazônico temido devora frango inteiro em menos de dois minutos
Candiru-açu. Foto: Reprodução/Aquatic Republic

O peixe vive principalmente em rios de águas escuras, como o Madeira e seus afluentes. De acordo com o especialista, a espécie forma grandes cardumes e tem o olfato altamente desenvolvido, o que facilita localizar alimento mesmo em ambientes com pouca visibilidade.

“Eles se orientam muito mais pelo cheiro do que pela visão. Por isso conseguem encontrar rapidamente animais mortos ou em decomposição”, explicou.

Embora as piranhas sejam frequentemente associadas à remoção de partes de corpos em rios amazônicos, o especialista afirma que, em muitos casos, o candiru-açu está entre os primeiros a chegar.

*Por Raíssa Fontes, da Rede Amazônica RO

Livro sobre controle natural de pragas é lançado no Tocantins com foco em agricultores familiares

E-book gratuito reúne receitas práticas com extratos naturais utilizados no controle de pragas agrícolas, voltadas especialmente aos agricultores familiares. Foto: Ana Raquel Santana/Governo do Tocantins 

O lançamento do livro ‘Controle Natural de Pragas: Manual Prático de Extratos Botânicos‘ fez parte da 4ª edição do Pavilhão Ciência, Tecnologia e Inovação no Agro (CT&I no Agro), durante a Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins 2026).

A obra, lançada no dia 13 de maio, é resultado de pesquisa desenvolvida por meio do projeto ‘Controle de insetos em sementes armazenadas de feijão-caupi por extratos de plantas’, apoiado pelo Governo do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), no âmbito do edital Fapt/Seagro – Pesquisa Agropecuária Agrotins.

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Praga Caruncho do feijão caupi. Foto: Ater+digital

O livro reúne receitas práticas com extratos naturais utilizados no controle de pragas agrícolas, voltadas especialmente aos agricultores familiares. A publicação é assinada pela pesquisadora Roberta Zani da Silva, juntamente com Eduardo Ribeiro dos Santos, Cibelle Christine Brito Ferreira, Maria Eduarda Coelho Amaral e Myria Katharinne Viana de Oliveira. O livro pode ser acessado de forma gratuita.

Segundo a pesquisadora Roberta Zani da Silva, o projeto surgiu da necessidade de auxiliar agricultores familiares no combate ao caruncho do feijão-caupi, cultura amplamente utilizada para subsistência e comercialização em feiras locais.

“O projeto vem ao encontro das necessidades dos agricultores familiares. O feijão-caupi é uma cultura de subsistência e muitos produtores armazenam os grãos em garrafas PET para venda nas feiras. Então surgiu o primeiro edital de apoio à pesquisa agropecuária do Estado do Tocantins, pela Fapt em parceria com a Seagro, e resolvemos submeter o projeto, que foi aprovado”, destacou.

Alternativas naturais no controle do caruncho

Livro sobre controle natural de pragas é lançado durante Agrotins 2026
Capa do Ebook. Foto: Reprodução/editora Camaleão

Durante os dois anos de pesquisa, foram testados diferentes extratos botânicos e óleos naturais, como barbatimão, angico, copaíba, gergelim e mata-cachorro, buscando alternativas sustentáveis para o controle do inseto Callosobruchus maculatus, conhecido como caruncho do feijão-caupi.

De acordo com Roberta, os resultados mostraram que principalmente o barbatimão e o angico foram eficientes na postura dos insetos. “O adulto desse inseto vive cerca de cinco dias, mas cada fêmea pode colocar aproximadamente 30 ovos. Então o controle da postura é essencial. O barbatimão foi muito eficiente nesse processo”, explicou.

Um dos principais produtos gerados pela pesquisa foi justamente o lançamento do e-book, desenvolvido para orientar produtores rurais sobre o preparo e utilização dos extratos naturais no controle de pragas.

Leia também: Não parece, mas é: conheça 5 pragas que ocorrem na Amazônia

Livro reúne resultados de anos de estudos

A engenheira agrônoma e doutora em Produção Vegetal, Cibelle Ferreira, uma das autoras da obra, ressaltou que o material também representa o resultado de anos de pesquisas desenvolvidas com apoio da Fapt e participação de estudantes bolsistas.

“Esse é o lançamento do nosso livro de receitas de produtos à base de extratos naturais para controle de pragas, resultado de pesquisas desenvolvidas durante a graduação dos nossos alunos, utilizando bolsas de pesquisa fornecidas pela Fapt”, afirmou.

Segundo Cibelle, além dos estudos voltados ao controle de insetos em sementes armazenadas, outras pesquisas paralelas desenvolvidas ao longo dos anos também contribuíram para a construção do material.


Livro é resultado de pesquisa desenvolvida por meio do projeto apoiado pelo Governo do Tocantins. Foto: Ana Raquel Santana/Governo do Tocantins

Leia também: Dicas para evitar as pragas mais comuns do inverno amazônico

“Também tivemos pesquisas com extratos naturais para controles fúngicos, que vão dar base para trabalhos futuros, novos livros e informações que complementam esse uso, expandindo essa fonte natural de controle em substituição ou complementação aos químicos no controle de pragas, plantas daninhas, insetos e doenças”, explicou.

A pesquisadora destacou ainda que o trabalho busca ampliar alternativas sustentáveis para a produção agrícola, especialmente para agricultores familiares. “Essas pesquisas trazem uma viabilidade maior de sustentabilidade na produtividade agrícola, principalmente em suporte ao agricultor familiar”, completou.

O projeto integra as ações de incentivo à inovação e ao fortalecimento da pesquisa agropecuária promovidas pela Fapt, em parceria com a Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro), contribuindo para o desenvolvimento de soluções acessíveis, sustentáveis e voltadas à realidade do agricultor familiar tocantinense.

*Com informações do Governo do Tocantins

Mais de 300 búfalos invasores são abatidos em teste na Amazônia

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Búfalos são abatidos em projeto piloto do ICMBio em Rondônia. Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica RO

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e parceiros concluíram a primeira campanha de abate experimental dos búfalos invasores que vivem em áreas protegidas de Rondônia. Ao todo, mais de 300 animais foram mortos.

A ação é uma forma do ICMBio testar os métodos mais eficientes e seguros de abate, além de avaliar os possíveis impactos ambientais. Os resultados servirão de base para a elaboração de um plano de erradicação. Até o fim do ano, a previsão é eliminar pelo menos 500 animais, o que corresponde a cerca de 10% do rebanho total.

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O projeto foi divido em duas fases, seguindo o cronograma de chuvas. Nesta primeira etapa, período de cheia, os campos da Rebio Guaporé, por exemplo, estão alagados. As lagoas se formam nas áreas mais baixas a partir da água da chuva ou dos rios que atravessam a reserva: uma característica da biodiversidade local.

Analista do ICMBio mostra onde deveria estar o solo compactado por búfalos em Rondônia. Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica
Analista do ICMBio mostra onde deveria estar o solo compactado por búfalos em Rondônia. Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica

Leia também: A vida com os búfalos: a relação dos moradores de Soure e Cachoeira do Arari com o símbolo marajoara

A operação foi conduzida de três maneiras: terrestre, aquática e aérea, cada uma utilizada para testar diferentes estratégias de controle. A erradicação é feita por controladores de fauna, especializados armados com rifles.

As primeiras etapas ocorreram em março, antes de a Justiça Federal determinar a suspensão das atividades. A operação foi retomada em 18 de maio, após nova análise do caso, quando o juiz reconheceu que o projeto piloto possui caráter científico e é essencial para responder a questões técnicas que subsidiarão a elaboração de um plano consistente de erradicação.

Atualmente vivem mais de 4 mil búfalos selvagens na região do Vale do Guaporé. Foto: Reprodução/Acervo NGI Cautário-Guaporé

Atualmente, os animais vivem entre a Reserva Biológica (Rebio) Guaporé, a Reserva Extrativista (Resex) Pedras Negras e a Reserva de Fauna (Refau) Pau D’Óleo, no oeste de Rondônia, uma região de encontro entre três biomas: a Floresta Amazônica, o Pantanal e o Cerrado. As reservas biológicas são a categoria de proteção ambiental mais restritiva em Rondônia.

Segundo o ICMBio, a segunda campanha da pesquisa deve ser realizada no período de seca, entre os meses de agosto e setembro.

Embate judicial

O rebanho de búfalos selvagens invasores está no centro de uma ação judicial milionária. Em uma Ação Civil Pública na Justiça, o Ministério Público Federal (MPF) pede que o governo de Rondônia e o ICMBio garantam a erradicação e o controle desses animais na região.

Para elaborar o plano de erradicação, o instituto desenvolveu uma pesquisa que envolve três frentes:

  • o próprio instituto como gestores da área e responsáveis pela logística;
  • a Universidade Federal de Rondônia com os pesquisadores que vão analisar a sanidade dos animais abatidos;
  • e uma empresa especializada que se voluntariou para fazer o abate.

Os pesquisadores e demais pessoas envolvidas pretendem avaliar a capacidade diária de abate de animais, observar o comportamento dos búfalos e as condições ambientais que interferem na operação e mapear desafios logísticos e operacionais.

Por que os búfalos estão sendo abatidos?

Como não são nativos do Brasil, os búfalos não possuem predadores naturais. Soltos e se reproduzindo sem controle, eles provocam graves impactos ambientais, como a extinção de espécies da fauna e da flora nativas e alteração no curso dos campos naturalmente alagados, que fazem parte da biodiversidade local.

De acordo com o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido, o abate é, no momento, a única alternativa viável para resolver a questão. Como a região é isolada e de difícil acesso, não existe logística possível para retirar os animais vivos ou mortos. Além disso, como se desenvolveram sem controle sanitário, a carne não pode ser aproveitada.

“É um ambiente único, com várias espécies endêmicas [nativas] e a presença do búfalo vai levar à extinção de várias delas. Algumas espécies que a gente só tem registros aqui, sejam elas residentes ou migratórias”, explica o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido.

*Por Jaíne Quele Cruz, da Rede Amazônica RO

Pavonia neuropetala: flor rara sobreviveu à queimadas em Mato Grosso

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A Pavonia neuropetala foi categorizada como ‘criticamente em perigo’, já que vive em uma área que teve mais de 50% de seu total atingido por incêndios em 2024. Foto: Marcos Rondon, Ana Kelly e Thales Coutinho

A identificação de uma nova espécie de flor considerada uma das mais raras da flora brasileira foi realizada por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) durante uma expedição científica em uma área de transição entre biomas no estado. A planta, denominada Pavonia neuropetala, foi encontrada na Estação Ecológica da Serra das Araras, localizada entre os municípios de Porto Estrela e Cáceres, região que apresenta influência tanto do Cerrado quanto da Amazônia.

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Embora o registro da espécie tenha ocorrido em 2024, a divulgação científica foi feita somente após a publicação do estudo na revista internacional Phytotaxa, em março de 2025, responsável pela validação e reconhecimento formal da nova espécie no meio acadêmico.

Descoberta e processo de identificação

A identificação da Pavonia neuropetala começou durante atividades de campo voltadas ao mapeamento da biodiversidade local. O exemplar foi localizado em uma área que havia sido atingida por queimadas, em meio à vegetação parcialmente degradada. Após a coleta realizada pelos pesquisadores Marcos Rondon, Ana Kelly e Thales Coutinho, a planta passou pelo processo de herborização, técnica utilizada para conservação e estudo de espécies botânicas.

O material foi encaminhado ao Herbário da UFMT, em Cuiabá, onde foram realizados estudos detalhados de comparação com outras espécies já catalogadas. A análise envolveu consulta a bibliografias especializadas, bancos de dados nacionais e internacionais e avaliação de características morfológicas.

A partir desse processo, os pesquisadores concluíram que se tratava de uma espécie ainda não descrita pela ciência. O nome Pavonia neuropetala foi atribuído em referência às nervuras marcantes presentes nas pétalas, característica que diferencia a planta de outras espécies do mesmo gênero.

Leia também: Acre: Pesquisadores reencontram planta rara registrada pela primeira vez há mais de 100 anos

A Estação Ecológica da Serra das Araras, onde ocorreu a descoberta, é uma unidade de conservação de grande relevância ambiental localizado no sudoeste do estado do Mato Grosso, estado que faz parte da Amazônia Legal. A área abriga espécies endêmicas e funciona como um importante corredor ecológico, além de ser utilizada para pesquisas científicas voltadas à conservação da biodiversidade.

Os pesquisadores Marcos Rondon, Ana Kelly e Thales Coutinho durante expedição na Serra das Araras quando descobriram a Pavonia neuropetala. Foto: Reprodução

Características e importância científica

A Pavonia neuropetala pertence à família Malvaceae, a mesma do hibisco. O reconhecimento científico contribui diretamente para a atualização de catálogos florísticos e amplia o conhecimento sobre a biodiversidade existente em áreas de transição entre biomas.

A região da Serra das Araras é considerada estratégica para esse tipo de estudo por reunir características ambientais distintas que favorecem a ocorrência de espécies únicas.

Além disso, a descoberta reforça a importância das unidades de conservação como espaços essenciais para pesquisa e preservação ambiental, especialmente em áreas sujeitas a impactos naturais e antrópicos.

Impactos ambientais e risco de extinção

A nova espécie já foi classificada como criticamente ameaçada, devido à limitação de registros e às condições ambientais da área onde foi encontrada. Dados apontam que uma parte significativa da Estação Ecológica da Serra das Araras foi afetada por incêndios florestais, o que comprometeu o habitat natural de diversas espécies.

Com apenas um registro conhecido até o momento, a Pavonia neuropetala passa a integrar a lista de espécies ameaçadas que demandam ações de monitoramento e conservação.

O grupo de pesquisadores segue realizando estudos na região com o objetivo de identificar novas populações da planta e compreender melhor suas condições de sobrevivência.

*Com informações do artigo publicado no Phytotaxa

O que podemos aprender com a Feira de Troca de Livros e Gibis do Amazonas?

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Foto: Acervo da Biblioteca Pública do Amazonas

Por Jan Santos – jan.fne@gmail.com

Quando pensamos em biblioteca, certeza que ainda nos vem à mente aquele lugar silencioso, perdido entre estantes de livros bem antigos, cuja existência sempre parece ameaçada graças à facilidade proporcionada pela internet. Afinal, é um lugar apenas para pesquisas, certo? Apenas para encontrar informações que hoje estão a uma tecla de distância, certo?

Errado.

Com o crescimento do mundo digital e sua presença em nossas vidas, as bibliotecas também evoluem para cumprir seu objetivo maior: garantir o acesso democrático à informação. É natural que sua função seja questionada em um mundo altamente conectado e, supostamente, com acesso irrestrito à informação, mas se tem algo que nossa imersão constante no mundo digital nos ensinou é que quantidade realmente não implica em qualidade.

Isso vale tanto para as informações quanto para nossa competência para transformar essas informações em conhecimento.

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Feira de Troca de Livros e Gibis do Amazonas
O que podemos aprender com a Feira de Troca de Livros e Gibis do Amazonas? Foto: Acervo da Biblioteca Pública do Amazonas

Leia também: Dia Mundial do Livro: qual obra mudou a sua vida?

Eis aí a função máxima de uma instituição como a biblioteca e de seus principais agentes, os bibliotecários: atuarem na mediação entre o público e a informação. No Amazonas, a Biblioteca Pública estadual, localizada na rua Barroso, no Centro de Manaus, é referência nesse quesito.

Em si mesma um ponto histórico e cultural do Estado, a Biblioteca é um daqueles prédios mitológicos que a maioria das pessoas já ouviu falar, até já passaram pela frente, mas que poucas assumiram a aventura de explorá-la. Quem o faz, vai por mim, fica longe de se arrepender.

Um dos motivos para isso é justamente a Feira de Troca de Livros e Gibis, uma ação coordenada pelo bibliotecário David Carvalho e desenvolvida graças ao esforço da equipe do Biblioteca, que se reúne no último domingo de cada bimestre para garantir que leitores de todas as idades tenham uma programação cultural de qualidade durante esses fins de semana pontuais. Em 2026, a iniciativa completou 10 anos de existência, comemorada recentemente durante a Jornada Literária do Amazonas.

A ideia é bem simples: convidar leitores que desejem manter seu acervo pessoal de livros sempre renovado para trocar suas obras favoritas pelos títulos favoritos de outras pessoas, garantindo assim que suas estantes nunca fiquem empoeiradas. A força da iniciativa está justamente nessa simplicidade.

A palavra-chave aqui é movimento: a iniciativa mobiliza uma média de 150 leitores a  cada edição – no total, já houve mais de 50 edições, o que coloca a Feira como uma ação de destaque no calendário cultural da capital. E falo por experiência própria quando digo que a menor das contribuições da Feira são os livros novos que podemos adquirir de forma gratuita.

O que podemos aprender com a Feira de Troca de Livros e Gibis do Amazonas? Foto: Acervo da Biblioteca Pública do Amazonas

Além de consolidar o papel da Biblioteca como um centro cultural de impacto expressivo na capital, a Feira permite a criação de uma verdadeira comunidade de leitores da cidade de Manaus. Por meio do contato com livros, pais passam tempo de qualidade com seus filhos, crianças desenvolvem desde cedo o senso crítico necessário para escolher as obras que desejam trocar, leitores conhecem leitores e, mais importante, as pessoas deixam de lado uma ideia completamente errada que, por vezes, paira sobre nossa cidade: de que não há programação cultural de qualidade disponível ao público.

O que há, de fato, é pouca articulação para que iniciativas como a Feira de Troca de Livros e Gibis tenha seu alcance potencializado, não apenas para fora do Centro de Manaus como para os municípios do interior do Amazonas. Inclusive, a Feira já contou com edições especiais em Iranduba e Autazes, mas depende de logística considerável para que possa estender suas ações para outras localidades.

Pensar sobre a Feira de Troca é pensar também sobre as políticas de acesso à Cultura que permitem à Literatura atuar como a força de transformação que é. Afinal, toda arte é política, e desvincular a atuação (ou não) dos poderes públicos do sucesso dessas iniciativas é impossível.

Desde 2016 – com a pontual interrupção da pandemia -, a Feira de Troca de Livros e Gibis se estabelece como uma das ações mais importantes da Biblioteca Pública do Amazonas, uma vez que se torna uma oportunidade não só para que livros sejam trocados, mas para que crianças explorem seus espaços de leitura e o público em geral aproveite visitas guiadas que discutem a história de um dos marcos físicos da cultura do Estado.

Leia também: Milton Hatoum: dez livros essenciais do escritor amazonense que transformou Manaus em literatura universal

Foto: Acervo da Biblioteca Pública do Amazonas

Gosto de ver o prédio da Biblioteca como um espaço seguro de encontro e de partilha, uma vez que eu e outros agentes da Cultura do Estado somos frequentemente convidados para realizar ações que contribuam para o acesso à arte e à informação em suas mais variadas linguagens. A Feira de Troca é apenas a ponta do iceberg para aqueles que desejam, verdadeiramente, acompanhar o circuito cultural do Estado.

Para que possamos exigir maior compromisso de nossos governantes com as políticas culturais, precisamos primeiro prestigiar as que já existem, conhecendo-as e entendendo de que forma podemos potencializar a sua atuação.

Então, enquanto aguardamos a próxima edição, que tal separar aqueles livros que já te encantaram no passado para que encontrem novos olhos? Que tal se preparar para conhecer novas obras e leitores que amam os mesmos livros que você? Que tal descobrir que, no Amazonas, a Literatura também constrói laços?

Sobre o autor

Jan Santos é autor de contos e novelas, especialmente do gênero Fantasia. Mestre em Literatura pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e com graduações em Língua Portuguesa e Inglesa, é um dos membros fundadores do Coletivo Visagem de Escritores e Ilustradores de Fantasia e Ficção Científica, além de vencedor de duas edições dos prêmios Manaus de Conexões Culturais (2017-2019) e Edital Thiago de Mello (2022).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Povo Puyanawa celebra 26 anos da demarcação do seu território em maio

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Foto: Diego Silva/Secom Acre

O Centro Cultural Baytewawa, na Aldeia Puyanawa, em Mâncio Lima, no Acre, recebeu visitantes de toda a região do Vale do Juruá no dia 17 de maio para comemorar a demarcação de suas terras pelo governo federal, ocorrida no ano 2000.

Na abertura oficial do encontro, foram relembradas as “antigas” lideranças da etnia que enfrentaram muitas adversidades e lutaram para reconhecimento do direito sobre o território ancestral reconhecido pelas autoridades brasileiras. Sobretudo, o trabalho do ex-cacique Mário Puyanawa, falecido em 2021, foi exaltado por ser ele o articulador das ações que culminaram com a criação da Terra Indígena Puyanawa.

Após os pronunciamentos iniciais, a celebração evocou a espiritualidade tradicional por meio de cantos pedindo proteção e prosperidade no idioma da etnia e danças inspiradas nos seres da floresta. Esses “rezos” ancestrais foram retomados pelo povo Puyanawa graças à liberdade conquistada com a demarcação territorial que proporcionou um forte processo de valorização dos costumes, tradições e saberes indígenas dessa nação.

Leia também: Indígenas Puyanawa resgatam cultura e reforçam vínculos na Amazônia

Foto: Diego Silva/Secom AC

O atual cacique Joel, filho de Mário Puyanawa, ressaltou a importância da demarcação territorial para o seu povo:

“Essa é a data histórica mais importante para nós. Celebramos o passado, o presente e o futuro. Muitas pessoas que participaram da luta pela demarcação que já partiram. A minha felicidade é poder dar continuidade à nossa história. Por meio dos nossos cantos e danças recordamos a luta dos nossos antepassados incentivando os nossos jovens a valorizarem nossa cultura e tradições”.

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Segundo o cacique Joel Puyanawa, a demarcação de uma terra indígena representa liberdade e a possibilidade de uma reafirmação cultural, garantindo a continuidade histórica de um povo.

Comemoração com cantos pedindo proteção e prosperidade no idioma da etnia e danças inspiradas nos seres da floresta. Foto: Diego Silva/Secom AC

“Trabalhamos essa terra com consciência, preservando tudo o que temos e respeitando a natureza. Isso significa garantir um futuro promissor para as novas gerações do nosso povo. Nesse território estão nossa história e nossos valores tradicionais, e precisamos seguir nesse caminho aprendendo cada vez mais para mostrar ao mundo que é possível trabalhar e produzir sem devastar o meio ambiente”, afirmou Joel.

Um dos mateiros que atuou no processo de demarcação e ajudou a instalar os marcos da Terra Indígena Puyanawa foi José Lima, atualmente com 82 anos de idade. Ele lembra ainda das lutas para garantir o direito às terras do seu povo.

“Antes da demarcação a gente tinha uma vida de sofrimento. Trabalhávamos para os patrões sem ter direito a nada. Mas depois da demarcação nós passamos a ter liberdade para trabalhar no que é nosso”, explicou o indígena José Lima.

Leia também: Entenda as etapas de demarcação de terras indígenas

“Naquela época, os latifundiários dessa região eram contrários à demarcação e tentaram retomar a terra à força. Mas nossas mulheres formavam um muro vivo nas estradas para impedir a entrada deles no território. Até que, um dia, desistiram e nós passamos a cuidar daquilo que é nosso desde o tempo dos nossos ancestrais”, complementou Lima.

Inspiração para as novas gerações

A professora da Escola Indígena Estadual Ixubay Rabui Puyanawa, Valéria Xinã Yruya revela que a história do seu povo é trabalhada nas salas de aula como forma de fortalecer a identidade cultural dos alunos.

Comemoração com cantos pedindo proteção e prosperidade no idioma da etnia e danças inspiradas nos seres da floresta. Foto: Diego Silva/Secom AC

“A escola não é separada da comunidade. Todo o nosso planejamento educacional reflete a nossa realidade. Nesta data, não celebramos somente a demarcação, mas também quem somos. Festejamos, com alegria, os ensinamentos dos nossos antepassados, que seguem presentes em cada um de nós sempre do nosso lado encarnados em cada um de nós, mantendo vivas as suas histórias e saberes aqui na terra”, revela Xinã.

O domínio territorial do povo Puyanawa é constantemente fortalecido por meio de expedições realizadas até os marcos que delimitam o território em meio à vasta floresta.

“Todos os anos fazemos uma caminhada aos limites do nosso território para reencontrarmos a força da natureza, que é a base da nossa cultura Puyanawa. Alguns professores e professoras também participam dessas expedições para levarem aos alunos os ensinamentos  e os valores do nosso povo,” finalizou a professora Indígena Valéria Xinã Yruya.

*Com informações da Agência Acre

TranspoAmazônia 2026: confira a programação e saiba como se inscrever na maior feira de logística do Norte

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Feira terá três dias de uma programação voltada para o debate, visando o fortalecimento da cadeia logística e o desenvolvimento do transporte na Amazônia. Foto: Divulgação/TranspoAmazônia

Manaus (AM) sediará, entre os dias 27 e 29 de maio, um dos maiores eventos de logística do Brasil: a TranspoAmazônia 2026 – Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística. O encontro reunirá, em sua terceira edição, empresários, especialistas, investidores e representantes do setor de transporte para discutir desafios e soluções para a logística na região Norte.

A programação da TranspoAmazônia 2026 terá palestras, painéis, lançamento de livros, exposições e rodadas de debates sobre logística, navegação, indústria naval, e-commerce e reforma tributária, num espaço estratégico para a promoção e fortalecimento da cadeia logística e ao desenvolvimento do transporte na Amazônia. Para esta edição, são esperados mais de 350 expositores e um público de 15 mil visitantes, além da expectativa de R$ 900 milhões gerados em negócios e cerca de 800 empregos diretos.

Para participar da feira, os interessados devem realizar a inscrição através da plataforma Sympla neste LINK.

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Transpoamazônia
Evento é considerado o maior encontro do setor logístico da região Norte do Brasil e um dos mais importantes do país. Foto: Divulgação/Assessoria

Programação TranspoAmazônia 2026

1º Dia – 27 de maio

  • 14h – Início do credenciamento e abertura oficial da TranspoAmazônia 2026
  • 15h – Cerimônia Oficial de abertura
  • 16h10 – Lançamento do livro “A História do Transporte na Amazônia”, com Antônio Leite, presidente da Fundação Memória do Transporte (Fumtran)
  • 16h30 – Painel: Os desafios da logística na Amazônia, com representantes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e setor comercial.
  • 17h40 – Palestra “A importância da cabotagem para a região amazônica – números e fatos”, com Luis Fernando Resano, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac).
  • 18h20 – Painel “Cenários futuros e desafios para construção naval na Amazônia”, com representantes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Bertolini e Juruá Estaleiros.
  • 21h – Encerramento da feira.

2º Dia – 28 de maio

  • 14h – Início do credenciamento e abertura dos pavilhões da feira.
  • 14h15 – Painel “O e-commerce na região Norte do Brasil”, com representantes da Bemol, TV Lar e Associação Comercial do Amazonas (ACA).
  • 15h15 – Palestra “Segurança das operações de transporte aquaviário”, com Cássio Guimarães, gerente-geral da Transpetro
  • 16h – Palestra “Como usar tecnologia a favor da lucratividade – soluções básicas de empresário para empresário”, com executivos do Urbano Bank e Grupo Braspress.
  • 17h15 – Painel “A multimodalidade e seus impactos no Polo Industrial de Manaus (PIM)”, com representantes do Grupo Chibatão, Sindarma, Braspress e Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam).
  • 21h – Encerramento do segundo dia

3º dia – 29 de maio

  • 14h – Início do credenciamento e abertura dos pavilhões da feira.
  • 14h05 – Lançamento do livro “Os Imigrantes, o Metal e a Indústria”, com Paulo Vicente Caleffi e Irani Bertolini.
  • 14h15 – Palestra “Rotas Bioceânicas”, com Paulo Vicente Caleffi, secretário-geral da Câmara Internacional da Indústria de Transporte (CIT).
  • 15h20 – Palestra “Reforma tributária voltada para as categorias econômicas do transporte e indústria”, com Dr. Diogo Thaler, advogado e contador especialista em tributos e estratégias empresariais.
  • 16h30 – Palestra “A atuação do 9º Distrito Natal para a segurança da navegação na Amazônia Ocidental”, com vice-almirante André Luiz de Andrade Felix, Comandante do 9º Distrito Naval da Marinha do Brasil
  • 17h15 – Palestra “A geopolítica e seus efeitos econômicos no Brasil”, com Luiz Almeida Marins, Antropólogo, professor e consultor de empresas
  • 18h30 – Cerimônia de encerramento da III TranspoAmazônia, com Sr. Irani Bertolini e apresentação musical dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso.
  • 21h – Encerramento da feira

Leia também: TranspoAmazônia 2026 projeta R$ 900 milhões em negócios e Manaus vira centro do mapa logístico das Américas

Sobre a TranspoAmazônia

A TranspoAmazônia é um espaço estratégico para exposição de produtos e serviços para promover negócios, estabelecer conexões, discutir desafios e apresentar inovações, reunindo a cadeia multimodal do transporte, logística, agenciamento de cargas e construção naval, conectando a região amazônica ao Brasil e ao mundo.

A realização da TranspoAmazônia 2026 é essencial para viabilizar soluções dos desafios logísticos na Amazônia, impulsionar investimentos e gerar negócios para a região Norte do país. Mais informações sobre o evento, podem ser obtidas AQUI.

*Com informações da assessoria

Aldo Rebelo questiona situação do saneamento básico na Amazônia

Arte: Reprodução/Amazon Sat

O pré-candidato à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), Aldo Rebelo, comentou sobre os desafios do saneamento básico na Amazônia durante conversa com o jornalista Welliton Lopes, no programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat.

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Ao comentar o tema, Aldo Rebelo afirmou que a falta de investimentos em infraestrutura compromete diretamente a qualidade de vida da população amazônida. Segundo ele, milhões de pessoas ainda convivem sem acesso adequado à água tratada, coleta de esgoto e serviços básicos de saúde pública.

Durante a entrevista, defendeu que a Amazônia precisa receber mais atenção do poder público, com políticas voltadas para desenvolvimento urbano e criticou o não uso para isso dos recursos do Fundo Amazônia, assim também como criticou o papel da Organizações Não-Governamentais (ONGs) nas cidades da Amazônia.

“Os piores indicadores de saneamento básico do Brasil estão na Amazônia. Essas ONG’s ficam dizendo que protegem os índios e boa parte das cidades da Amazônia não tem sequer aterro sanitário. Jogam seus lixos dentro dos rios. E por que o Fundo Amazônia não financia aterro sanitário? Por que o Fundo Amazônia não financia o saneamento básico das cidades da Amazônia? Porque não é pra essa finalidade, eles não estão preocupados com o meio ambiente. Eles estão preocupados em fazer da Amazônia uma fonte de riqueza. Então nós temos que ter prioridade”, afirmou.

Leia também: “Fundo Amazônia foi criado para interditar a Amazônia”, afirma Aldo Rebelo

Aldo Rebelo questiona situação do saneamento básico na Amazônia
Foto: Reprodução/ Amazon Sat

Aldo defende investimento do Fundo Amazônia no Saneamento Básico

No programa, o pré-candidato à Presidência da República afirmou que os recursos do Fundo Amazônia deveriam ser direcionados para investimentos em saneamento básico na região. Segundo ele, a medida ajudaria a proteger o meio ambiente, melhorar a saúde da população e preservar os rios amazônicos.

“Por exemplo, seria uma boa medida dedicar todos os recursos do Fundo Amazônia para o Saneamento Básico. Uma parte vai para o Governo do estado e outro para as prefeituras, para que o saneamento básico na Amazônia proteja o meio ambiente, proteja a saúde da população e proteja os rios”. Assista:

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.

Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

Nova tecnologia fortalece estudos sobre contaminação por mercúrio no Amazonas

Barco-laboratório utilizado nas expedições do ProQAS/AM foi construído e doado pelo Grupo Atem. Foto:

O monitoramento ambiental na Amazônia ganhou um reforço com a implantação da maior plataforma de monitoramento de espécies de mercúrio da Região Norte. A nova estrutura passa a integrar as atividades do Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas (ProQAS/AM) e foi instalada na Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA). 

As expedições científicas do programa são realizadas a bordo do barco-laboratório Roberto dos Santos Vieira, construído e doado pelo Grupo Atem para apoiar as pesquisas ambientais desenvolvidas na região amazônica.

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O novo laboratório permitirá que análises de alta complexidade passem a ser realizadas integralmente no Amazonas, reduzindo a dependência de instituições de outros estados e do exterior.

Equipamento agiliza monitoramento de mercúrio na região

O avanço representa um ganho importante para a autonomia científica regional, além de acelerar significativamente o processamento dos dados obtidos durante as expedições ambientais realizadas pelo programa.

Até recentemente, parte das análises relacionadas à contaminação precisava ser enviada à Universidade Harvard, nos Estados Unidos, parceira científica do projeto desde 2023. Com os novos equipamentos instalados na UEA, a expectativa é reduzir o prazo de entrega dos resultados de até três meses para menos de 30 dias.

Leia também: Impactos do mercúrio mobilizam discussões sobre saúde na Amazônia

nova tecnologia ajuda no monitoramento de mercúrio no amazonas
Foto: Divulgação

Os equipamentos serão utilizados pelo Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia (GP-QAT), responsável pelos estudos sobre a presença e o comportamento do mercúrio em espécies da Amazônia. O trabalho acompanha três formas do metal: mercúrio metálico, mercúrio iônico e metilmercúrio — considerado o mais tóxico devido ao seu potencial de bioacumulação e aos impactos sobre o sistema nervoso humano.

Além de identificar as diferentes espécies de mercúrio presentes nas amostras, a nova plataforma permitirá análises isotópicas capazes de rastrear a origem da contaminação nos rios da região.

*Com informações da assessoria