Pesquisa da Unifap investiga a Praga do Coqueiro. Foto: Divulgação/Unifap
Pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap) investigam o risco de chegada da praga conhecida como Lethal Yellowing, capaz de destruir plantações inteiras de coqueiros e deixar os frutos impróprios para consumo.
O estudo é conduzido por alunos do curso de Educação do Campo. Eles explicam que a doença nunca foi registrada no Brasil, mas já preocupa países da América Central. O alerta é para os possíveis vetores que podem trazer a praga.
A suspeita é que cigarrinhas possam transmitir a doença, que não tem cura. Os insetos são capturados em armadilhas e levados para o laboratório, onde passam por análises.
“No laboratório retiramos as cigarrinhas com cuidado para preservar sua estrutura e depois fazemos a análise molecular”, explicou a pesquisadora Ana Kássia de Oliveira.
Pesquisa da Unifap investiga a Praga do Coqueiro. Foto: Divulgação/Unifap
O professor Janivan Suassuna afirma que ainda não se sabe o causador direto da doença. Ele destaca que o monitoramento é essencial na Amazônia, já que a bactéria pode atingir também os açaízeiros.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Macapá
“Nos países onde a doença já foi registrada, os sintomas aparecem em coqueiros e outras palmeiras. No caso do açaí, como não há registros no Brasil, os sinais podem se manifestar de forma diferente”, explicou Suassuna.
Como identificar a praga do coqueiro
Queda de frutos: cocos caem antes do tempo, em qualquer tamanho
Escurecimento das flores: botões ainda fechados ficam pretos
Amarelamento progressivo: folhas começam a amarelar de baixo para cima
Estágio “poste”: em 3 a 6 meses, a copa cai e sobra apenas o tronco nu.
A educação ambiental é uma das ferramentas pedagógicas mais valiosas para o incentivo de práticas e atitudes voltadas para a preservação do meio ambiente e sustentabilidade. No estado do Acre, algumas leis vigentes norteiam a sociedade para a importância da conservação e uso sustentável da biodiversidade, visando garantir qualidade de vida para futuras gerações.
A legislação ambiental acreana dispõe de algumas normas importantes que visam a proteção e conservação do meio ambiente, bem como a adoção de medidas e ações para a sociedade. Tais regulamentações traduzem alguns feitos na região como, por exemplo, a preservação de 85% da cobertura original da floresta nativa.
Confira algumas das principais leis voltadas à educação ambiental e sustentabilidade no Acre:
Política Estadual de Meio Ambiente
Considerada a base da legislação ambiental do Acre, a Lei nº 1.117/1994 estabelece diretrizes para a proteção dos recursos naturais e orienta ações que garantem o uso sustentável da biodiversidade, sem comprometer as futuras gerações. A norma também incentiva a participação da sociedade e o fortalecimento da educação ambiental.
Outro marco importante é a Lei nº 1.426 de 2001, que trata da preservação das florestas acreanas. A medida reforça o controle sobre o uso dos recursos naturais e amplia a proteção da cobertura vegetal, considerada um dos maiores patrimônios do estado. O Acre, inclusive, mantém altos índices de áreas preservadas, resultado direto dessas políticas.
Acre possui cerca de 85% de sua cobertura vegetal nativa preservada. Foto: Pedro Devani/Secom Acre
Regulamentado em 2007, a Lei nº 1.904 visa a organização do planejamento territorial através da definição de quais áreas podem ser destinadas à produção, conservação ou recuperação ambiental. A norma é considerada um instrumento para o planejamento sustentável no estado.
Planejamento ZEE territorial e ambiental do Acre. Foto: Divulgação/Embrapa
Sistema de Meio Ambiente do Acre
Com intuito de integrar órgãos e fortalecer a fiscalização ambiental do Acre, o governo estadual criou em 2019 o SISMAF, por meio da Lei nº 3.595. A norma trouxe avanços na gestão, controle das políticas ambientais sobre as atividades que impactam o meio ambiente.
Para isso, foi criado o Conselho Estadual de Meio Ambiente e Floresta (Cemaf), órgão colegiado que reúne representantes do poder público e da sociedade civil para deliberar sobre políticas, diretrizes e regulamentações ambientais no Acre.
Programa Câmbio Verde
Criada recentemente, a Lei nº 4.622/2025 tem finalidade de promover a sustentabilidade ambiental por meio da troca de resíduos recicláveis por alimentos no estado. O programa prevê estimular pessoas em situação de vulnerabilidade social, a participar da coleta seletiva de resíduos, além de contribuir para a segurança alimentar da população.
Normais federais
Além das leis estaduais, o Acre também segue legislações nacionais como:
Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) – visa a organização da gestão de resíduos no Brasil;
Código Florestal Brasileiro (Lei nº 12.651/2012) – Rege a proteção da vegetação nativa, Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reserva Legal (RL);
Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) – que estabelece critérios e normas para a criação, implantação e gestão das Unidades de Conservação no país.
Professores e pesquisadores de instituições parceiras estiveram presentes no lançamento da plataforma que foca em créditos de carbono. Foto: Reprodução/Green Forest
A Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e as empresas Green Forest e Amazon Connection Carbon celebraram no dia 10 de março a assinatura simbólica do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para o lançamento oficial da plataforma digital Forestia.
A ferramenta integra dados públicos de biomas e informações georreferenciadas dos últimos 10 anos, estruturando uma base territorial continuamente atualizada.
Ao longo do processo, as empresas parceiras participaram de uma chamada de edital do CNPq, integrando o setor público/privado e a pesquisa científica produzida na Amazônia, base fundamental para a criação da plataforma. Na cerimônia, estiveram presentes pró-reitores, coordenadores de curso, investidores, pesquisadores da UFRA e de outras instituições, assim como alunos.
Com o apoio da inteligência artificial, a plataforma Forestia identifica áreas com alto potencial de restauração, transformando-as em projetos de carbono rastreáveis e de alto impacto socioambiental. O aplicativo é gratuito e pode ser baixado AQUI.
A proposta da Forestia é fruto da pesquisa científica conduzida pela doutoranda da UFRA e engenheira florestal Milena Peper, que também é CEO da Green Forest e da Amazon Connection Carbon. Após um período de investigação, campo e construção metodológica, o objetivo foi transformar dados ambientais em decisões de alto valor para o mercado de carbono.
“Nesta fase inicial, a Forestia foi desenvolvida para oferecer respostas rápidas, precisas e tecnicamente qualificadas sobre a elegibilidade e a viabilidade de áreas destinadas ao desenvolvimento de projetos de créditos de carbono. A plataforma analisa se um território apresenta as condições ambientais, legais e técnicas necessárias para a implementação de projetos de restauração florestal com foco na geração de créditos de alto padrão”, explica.
Empresas parceiras participaram de uma chamada de edital do CNPq, integrando o setor público/privado e a pesquisa científica produzida na Amazônia. Foto: Reprodução/Green Forest
Ela explica que o sistema consolida um conjunto de informações estratégicas, como tipo de solo, potencial produtivo, histórico de uso e cobertura da terra, presença de pastagens ou formações florestais, “integrando dados científicos e geoespaciais que orientam a tomada de decisão com velocidade, rigor e transparência”, destaca a pesquisadora.
Todo o processo segue os requisitos técnicos da metodologia VM0047, da Verra, a certificadora internacional mais reconhecida do mercado voluntário de carbono. Milena, que fez a graduação, mestrado e agora está finalizando o doutorado na Ufra, acredita que é importante ter a formação científica para liderar projetos como esse no mercado privado.
“É extremamente importante unir os dois setores, pois sem essa ligação e organização, a gente não consegue ter um produto assertivo que traga credibilidade, rastreabilidade e que traga para o mercado a transparência que o produto exige”, disse.
Segundo o professor Marcus Braga, vice-coordenador do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a Amazon Connection Carbon e a UFRA, uma das principais preocupações da universidade é a sustentabilidade digital.
Pesquisador na área de Ciência da Computação e líder do Núcleo de Pesquisas em Computação Aplicada (NPCA/CNPq), o professor destaca que a UFRA busca se diferenciar das grandes corporações globais de tecnologia ao priorizar o desenvolvimento de IAs locais.
Lançamento da plataforma Forestia. Foto: Reprodução/Green Forest
“Enquanto as chamadas Big Techs operam data centers que demandam um consumo excessivo de água e energia para resfriamento, as iniciativas da universidade utilizam computadores de alto desempenho instalados dentro do estado do Pará, o que torna o impacto ambiental praticamente nulo”, afirmou.
Segundo ele, essa estratégia de descentralização tecnológica é fundamental para o desenvolvimento de soluções voltadas a problemas regionais, aliando inovação, eficiência computacional e responsabilidade ecológica.
O que é o Crédito de Carbono?
O crédito de carbono pode ser entendido como uma espécie de “conta bancária” ambiental, como explica a professora Gracialda Ferreira, doutora em Botânica e coordenadora do Acordo de Cooperação Técnica entre a Green Forest e a Ufra. “O carbono está presente na atmosfera, principalmente na forma de gás carbônico (CO₂). As árvores, durante seu crescimento, absorvem esse gás do ar e armazenam o carbono em seus troncos, galhos, folhas e raízes”, diz.
Segundo ela, cerca de 50% da biomassa de uma árvore é formada por carbono. Assim, o carbono estocado em várias árvores quando somam uma tonelada de carbono, equivale a um crédito de carbono.
“Os estoques de carbono agregam valor às florestas e podem ser usados, tanto por empresas quanto por comunidades a gerirem este créditos no mercado de Carbono. Outra alternativa de geração de crédito é a partir do carbono estocado pelo processo de recuperação de áreas degradadas, durante o crescimento das árvores, fase em que a absorção de CO₂ ocorre de forma mais intensa gerando oportunidades de mercado e geração de renda”, diz.
A professora também destaca que florestas preservadas funcionam como grandes reservas de carbono. Quando essas áreas são desmatadas ou degradadas, o carbono que estava armazenado pode ser liberado novamente para a atmosfera, contribuindo para o aquecimento global e podendo intensificar os impactos das mudanças climáticas.
Salão de espetáculos do Teatro Amazonas, um dos projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei Rouanet. Foto: Victor Vec/MinC
O Ministério da Cultura (MinC) realizou, no dia 6 de março, visitas técnicas a projetos culturais do Amazonas apoiados pela Lei Rouanet. A atividade, que encerra a 368ª reunião ordinária da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), visa aproximar a diversidade cultural da região aos comissários por meio das iniciativas beneficiadas pela lei de incentivo.
Para o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Thiago Rocha, a realização da itinerância no estado amazonense reforça a estratégia de nacionalização do fomento cultural no país.
“Trazer a CNIC para o Amazonas reafirma o compromisso do Ministério da Cultura com a nacionalização das linhas de incentivo à cultura por meio do fomento. É trazer informação e conhecimento sobre a Lei Rouanet e a Política Nacional Aldir Blanc, mas também é se aproximar daqueles que fazem a cultura acontecer e conferir de perto”, afirmou.
A atividade iniciou com a visita do colegiado ao Museu da Amazônia (Musa). Situado em um recorte de 100 hectares da Reserva Florestal Adolpho Ducke, ele opera como uma instituição de pesquisa e difusão científica da natureza.
A visitação ao espaço museal foi guiada pelo diretor-geral, Filippo Stampanoni, que apresentou à comissão espaços como a torre de observação em aço, com 42 metros de altura e que oferece acesso ao dossel das árvores da reserva, além de laboratórios de exposição de serpentes, borboletário, orquidário e trilhas interpretativas sobre solo e a flora local.
“O Musa funciona como um museu vivo dentro desta reserva. Nossa prioridade é a pesquisa e o contato direto com a natureza. Nossa missão central é a pesquisa científica e a observação da natureza em seu estado mais puro. Aqui, o visitante sobe na torre ou percorre as trilhas para entender a complexidade do bioma amazônico na prática. A Lei Rouanet entra como uma ferramenta muito importante nesse processo. É o recurso que nos permite traduzir os dados da ciência e os vestígios da arqueologia em uma linguagem que o público compreenda e valorize”, destacou Stampanoni.
Ao todo, o Musa já captou mais de R$ 3,79 milhões por meio da Lei Rouanet.
Museu da Amazônia, um dos projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei Rouanet. Foto: Victor Vec/MinC
Na seção de arqueologia, o Museu exibe vestígios cerâmicos de ocupações pré-colombianas. Já a exposição permanente Peixe e Gente utiliza artefatos e narrativas para descrever os métodos de pesca e a cosmologia dos povos indígenas do Alto Rio Negro.
Centro Cultural Casarão de Ideias
A comitiva visitou também as obras da nova sede do Centro Cultural Casarão de Ideias. O espaço, com 15 anos de existência, é dedicado à promoção da cultura e à defesa do patrimônio histórico e artístico da cultura amazonense. Com uma programação diversa, o Casarão abriga um cinema, uma cafeteria, áreas para exposições e um salão cênico para apresentações culturais.
Além disso, o espaço físico também é amplamente utilizado para ações transitórias, como ensaios de outros grupos, exibições de fotografia, concertos, debates, reuniões, oficinas e espetáculos de teatro e dança.
“Este dia é de grande importância para a trajetória do Casarão de Ideias. Tivemos a honra de recepcionar a CNIC, instância responsável pela gestão da Lei Rouanet. Como executamos diversos projetos por meio deste mecanismo de fomento, a visita dos comissários e pareceristas de todo o país possui um valor estratégico. Eles puderam testemunhar a seriedade com que aplicamos os recursos e a solidez do nosso trabalho em Manaus. Reafirmo que o Casarão de Ideias mantém sua crença inabalável no poder transformador da cultura brasileira”, destacou o diretor-geral do Centro Cultural Casarão de Ideias, João Fernandes Neto.
Casarão de ideias, um dos projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei Rouanet Foto: Victor Vec/MinC
Atualmente, o Casarão já captou mais de R$ 855, 2 mil via Lei Rouanet.
A coordenadora-geral de Fomento da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e membro da comissão, Luísa Hardman, celebrou a oportunidade de conhecer a iniciativa e reafirmou a relevância para a cidade de Manaus e para o território amazônico.
“Sinto imensa satisfação ao conhecer esta iniciativa vital para a cidade de Manaus e para todo o território amazônico. O Casarão estabelece uma relação direta com o cotidiano das ruas, com o comércio e com os agentes locais, fato que impulsiona o desenvolvimento da região de forma sustentável. É um privilégio observar o impacto positivo de um projeto que une arte e cidadania de maneira tão integrada”, afirmou.
As obras da nova sede, que estão previstas para serem concluídas em abril. O complexo da Saldanha Marinho ainda terá uma livraria, duas lojas colaborativas de parceiros, café, sala multiuso e galerias para exposições culturais.
A comissão itinerante encerrou as visitas técnicas em um dos mais icônicos símbolos culturais da região Norte: o teatro Amazonas. Localizado no Largo de São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus, o edifício foi construído durante o ciclo da borracha, no final do século 19, período de expansão econômica da região amazonense. A inauguração ocorreu em 31 de dezembro de 1896, e o teatro recebeu o tombamento como Patrimônio Histórico Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1966.
A arquitetura do edifício apresenta elementos renascentistas no exterior e interiores ecléticos, com influência dos estilos Louis 15 e art nouveau.
“A cúpula é revestida por 36 mil escamas de cerâmica esmaltada nas cores verde, amarelo e azul. Materiais como mármore de Carrara, lustres de Murano e ferro de Glasgow foram importados do continente europeu para a construção”, explicou a guia do museu, Letícia Fraga.
O Salão Nobre possui pintura no teto do italiano Domenico de Angelis, intitulada A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia. A sala de espetáculos tem capacidade para 701 pessoas e exibe quatro telas que homenageiam a música, a dança, a tragédia e o compositor Carlos Gomes.
Teatro Amazonas, um dos projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei RouanetFoto: Victor Vec/MinC
Atualmente, o Teatro Amazonas abriga corpos artísticos estáveis, como a Amazonas Filarmônica e o Balé Folclórico do Amazonas. Desde 1997, sedia o Festival Amazonas de Ópera, um dos principais eventos de música erudita do país. A programação do espaço inclui espetáculos de dança, teatro e mostras culturais.
“O Teatro Amazonas é um patrimônio que pertence ao povo brasileiro. Para a equipe do Ministério da Cultura, é muito importante estar aqui e ver de perto como esse espaço funciona na prática. A gente percebe que não se trata apenas de preservar a construção histórica, mas de manter uma programação cultural durante o ano inteiro. Isso faz diferença para quem mora em Manaus e também para os turistas que visitam a cidade”, afirmou a coordenadora-geral de Articulação e Gestão do Pronac, Érika Freddi.
O Teatro Amazonas é administrado pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas.
Pico da Neblina tem exatos 2.995,30 metros de altitude e está localizado no estado do Amazonas, na Serra do Imeri, fronteira com a Venezuela – Foto: Cassiano Gatto/ICMBio
Servidores do Parque Nacional do Pico da Neblina, a montanha mais alta do país com 2.995,30 metros de altitude, realizaram de 26 de janeiro a 6 de fevereiro, uma expedição técnica para avaliar melhorias na trilha e nas estruturas de acesso à montanha, localizada no Amazonas.
A iniciativa foi conduzida por servidores do Parque Nacional, com o apoio da Frente de Proteção e da Força-Tarefa Yanomami, ambas vinculadas à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além do Instituto Socioambiental (ISA), com o objetivo de identificar melhorias na trilha e nas infraestruturas de acesso ao Yaripo.
A equipe que escalou os 2,9 mil metros de altitude da montanha mais alta do país foi composta por 11 napë (os brancos) e 22 Yanomami, divididos entre condutores, carregadores e cozinheiros, conforme é estruturado no Plano de Visitação Yaripo Ecoturismo Yanomami, elaborado com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para ordenar a visitação à unidade de conservação federal.
A subida envolve aproximadamente seis a oito dias de trilha pela floresta até alcançar o cume. Foto: Leandro Eiró/ICMBio
Durante os 12 dias de jornada, entre 26 de janeiro e 6 de fevereiro, os participantes da expedição enfrentaram o desafio de atingir o cume da montanha, lidando com condições de calor, frio, chuva, lama, fome, sede, desgaste físico e mental.
O trabalho, portanto, consistiu em fazer uma leitura técnica do percurso para que sejam propostas soluções que amenizem parte das dificuldades, com destaque para a infraestrutura dos acampamentos e para os pontos de maior risco de acidentes — concentrados sobretudo no trecho de ataque ao cume.
“Desta expedição, reunimos o conhecimento necessário para promover melhorias ao Plano de Visitação ao Pico da Neblina, relativo à nossa gestão da unidade e à melhoria das condições de trabalho dos profissionais Yanomami. É naturalmente um avanço difícil, dadas as condições geográficas de isolamento da localidade, mas esta iniciativa é um primeiro passo para a busca de soluções”, destacou o chefe do parque, Cassiano Gatto.
Após a conclusão da expedição técnica, a equipe de especialistas definiu os seguintes encaminhamentos:
Propostas para o acampamento Base: elaboração de três alternativas de estrutura para o acampamento “Base”, localizado no sopé do Pico da Neblina, contemplando diferentes níveis de recursos e infraestrutura.
Melhorias no trecho final da trilha: está prevista, para agosto de 2026, a instalação de 50 degraus no segmento de ataque ao cume, bem como a reestruturação do sistema de apoio — incluindo cordas e correntes — com o objetivo de elevar os níveis de segurança durante a subida.
Mapeamento ambiental: realização de mapeamento prévio, por meio de drone, das cicatrizes do garimpo e de seus efeitos sobre a vegetação endêmica da Bacia do Gelo – o platô situado a cerca de 2.000 metros de altitude que abriga o acampamento Base.
Validação de protocolos operacionais: atualização e validação de procedimentos segundo o Plano de Visitação Yaripo, incluindo a pesagem e a distribuição de cargas entre os profissionais Yanomami, a organização da estrutura de coordenação geral, o acompanhamento dos visitantes ao longo da trilha e a realização de visitas técnicas dos responsáveis pelo projeto no ICMBio e no ISA.
Pico da Neblina
No coração da Amazônia, onde a floresta encontra as nuvens, ergue-se o Yaripo — a Montanha dos Ventos, como os Yanomami chamam o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil.
Entre paredões cobertos por floresta e neblina quase permanente, esse lugar é mais do que um marco geográfico: guarda significados espirituais, histórias ancestrais e um dos cenários naturais mais preservados do país, sagrado para os povos indígenas e desafiador para montanhistas.
Ações devem contribuir para ampliar a recuperação da vegetação nativa na Amazônia Legal. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O Governo Federal anunciou no dia 11 de mrço, a seleção de 11 projetos voltados à restauração ecológica e ao fortalecimento da cadeia produtiva da recuperação florestal na Amazônia Legal. As iniciativas selecionadas somam R$ 69,5 milhões em investimentos e devem restaurar 2.877 hectares em Unidades de Conservação prioritárias da região.
Os projetos fazem parte do 4º ciclo de editais da iniciativa Restaura Amazônia, conduzida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). As iniciativas serão implementadas nos estados do Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Maranhão. O edital contou com recursos adicionais da Petrobras.
O quarto ciclo de editais teve como foco Unidades de Conservação prioritárias e contou com três chamadas públicas organizadas pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM), Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e Conservation International Brasil (CI-Brasil), que coordenaram as seleções em três macrorregiões da Amazônia Legal.
Foram escolhidas iniciativas apresentadas por organizações da sociedade civil, institutos de pesquisa e cooperativas:
SOS Amazônia
Itaipu Parquetec
Coopfish
Cooperxapuri
Associação Humana Povo para Povo Brasil
Instituto Perene
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
Fundação Rio Verde
Wildlife Conservation Society Brasil (WCS)
Instituto Socioambiental (ISA)
Instituto Ibramar
Foto: Edson Vidal/Esalq-USP
Restauração
As ações devem contribuir para ampliar a recuperação da vegetação nativa na Amazônia Legal, fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e gerar oportunidades de trabalho e renda para comunidades locais envolvidas na restauração florestal.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância de mecanismos como o Fundo Amazônia para a criação de um novo ciclo de prosperidade baseado em uma dinâmica econômica que preserve a floresta.
Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Foto: Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
“Meio ambiente e desenvolvimento fazem parte da mesma equação. Quando temos políticas públicas bem desenhadas e com continuidade, conseguimos resultados como transformar o antigo arco do desmatamento no arco da restauração. Municípios que param de desmatar precisam de meios para restaurar e manter suas florestas em pé, gerando emprego e renda. Mas nada disso é possível sem combater o ilegal, porque tudo que queremos é que o desenvolvimento sustentável aconteça em todas as suas dimensões: econômica, social, ambiental, cultural, política, ética e estética. Um mundo mais preservado é também um mundo mais bonito”, afirmou a ministra.
“O Brasil tem uma oportunidade histórica de liderar o mercado global de restauração florestal. Ao apoiar iniciativas como o Restaura Amazônia, o governo do Brasil, por meio do BNDES, contribui para transformar áreas degradadas em novas florestas produtivas, gerando renda, empregos e soluções climáticas baseadas na natureza”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Apoio
A Petrobras vem apoiando iniciativas como o Restaura Amazônia, programa que estimula a utilização de soluções baseadas na natureza. São soluções que promovem a conservação da biodiversidade ao mesmo tempo que promovem transformações sociais positivas nas comunidades envolvidas, com geração de renda e oportunidades de mitigação das mudanças do clima, adaptação e aumento da resiliência climática.
Ao lado de ações como descarbonização da produção e novas fontes de energia, esses investimentos socioambientais fazem parte da estratégia da Petrobras no processo de transição energética justa, em linha com os desafios globais de sustentabilidade.
Com o anúncio do quarto ciclo, o Restaura Amazônia consolida um conjunto de 12 chamadas públicas voltadas a diferentes territórios prioritários da Amazônia. Os três primeiros contemplaram projetos em Unidades de Conservação, assentamentos da reforma agrária e terras indígenas, fortalecendo estratégias de restauração florestal com participação de comunidades locais e organizações socioambientais.
Com o 4º ciclo, o Restaura Amazônia alcança 17 Unidades de Conservação, 77 assentamentos, 35 Terras Indígenas por meio do apoio a 58 projetos de restauração ecológica e produtiva no chamado Arco do Desmatamento, onde serão recuperados quase 15 mil hectares pela iniciativa.
As chamadas fazem parte de uma estratégia mais ampla de mobilização de investimentos para restaurar áreas degradadas na Amazônia e desenvolver uma cadeia produtiva estruturada para a recuperação da vegetação nativa.
Com o objetivo de fortalecer a proteção das comunidades indígenas do povo Yanomami, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) inaugurou a Base de Proteção Etnoambiental (Bape) Pakilapi, instalada na comunidade Palimiú, às margens do rio Uraricoera, em Roraima.
A ação reforça a presença permanente do Estado brasileiro na Terra Indígena Yanomami, com uma estrutura que amplia a capacidade de monitoramento territorial. A cerimônia de inauguração ocorreu no dia 8 de março.
A base passa a integrar a rede de pontos estratégicos de vigilância territorial mantidos pela Funai e deverá apoiar operações realizadas em conjunto com órgãos de segurança pública e instituições federais.
O evento contou com a presença de representantes da Funai, Casa de Governo, Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI-Yanomami), Exército Brasileiro, além de organizações indígenas como Hutukara Associação Yanomami, Associação Wanasseduume Ye’kwana (Seduume) e Urihi Associação Yanomami.
A presidenta da Funai, Joenia Wapichana, destacou que a Base irá fortalecer as ações de monitoramento e proteção territorial do povo Yanomami e reforça a importância do estado brasileiro dentro do território indígena, que já passou por diversas crises humanitárias.
“A estrutura reforça a segurança para que a Terra Indígena Yanomami se mantenha protegida, livre de invasões e com a presença permanente das equipes de fiscalização. É mais uma atividade de fortalecimento institucional da Funai”, enfatizou a presidenta.
O presidente da Hutukara Associação Yanomami, Davi Kopenawa Yanomami, destacou que a estrutura fortalece a vigilância territorial realizada pelas próprias comunidades.
“Essa casa é muito importante para a proteção da nossa terra. Sem presença permanente, não há como vigiar e proteger o território. Este lugar é histórico e será lembrado. Nossos jovens terão aqui um espaço para continuar defendendo o nosso território”, ressaltou.
A base também atuará como ponto permanente de controle logístico fluvial, e irá contribuir para bloquear rotas utilizadas no abastecimento de estruturas ilegais de mineração. Além disso, funcionará como plataforma de apoio às aeronaves de asa rotativa utilizadas em operações interinstitucionais de fiscalização e desintrusão.
Para a diretora de Proteção Territorial da Funai, Janete Carvalho, a localização da base é estratégica para impedir o avanço de atividades ilegais na região.
“Desde 2023, com a retomada das ações de proteção na Terra Indígena Yanomami, a Funai tem investido em estratégias para combater o garimpo e a proteção territorial. A Bape Pakilapi se torna um ponto central para proteger a entrada do garimpo pelo rio Uraricoera. Essa iniciativa, em conjunto com as forças de segurança e demais órgãos governamentais, demonstra o esforço coletivo do governo brasileiro na proteção das terras indígenas”, acrescentou.
Base
A base possui capacidade de alojamento para até 32 pessoas, entre servidores da Funai, equipes técnicas e agentes de órgãos parceiros, permitindo atuação contínua no território. A unidade também foi projetada para atender às necessidades operacionais em áreas remotas, com infraestrutura adequada para atividades de monitoramento, fiscalização e apoio logístico.
A base recebeu investimento de cerca de R$ 1,7 milhão e deverá abrigar equipes da Funai e de órgãos parceiros, como Polícia Federal, Força Nacional, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outras instituições que atuam nas ações de fiscalização e monitoramento da Terra Indígena Yanomami.
O diretor da Casa de Governo em Roraima, Nilton Tubino, ressaltou que a base fortalece a estratégia de controle territorial e já contribui para a redução das atividades garimpeiras na região.
“A inauguração aqui da base Pakilapi na Funai tem um papel importante na estratégia de proteção do território Yanomami, além dela ter um lugar estratégico no rio Uraricoera ela vai permitir ações terrestres e também ações aéreas porque a gente vai trazer combustível aqui para utilizar aqui no local para fazer não só ação de repressão ao garimpo mas também ação de monitoramento e controle da região. Hoje já temos mais de 98% de redução do garimpo nas terras Yanomami”, pontuou.
O presidente da Urihi Associação Yanomami, Junior Hekurari, afirmou que a base representa um passo importante para garantir a presença do Estado no território.
“Essa inauguração é muito importante para a Terra Indígena Yanomami. Essa casa representa a presença do Estado brasileiro dentro do nosso território, garantindo segurança e bem-estar para o nosso povo. Hoje vemos a água do rio mais limpa e as comunidades retomando suas atividades. Isso é resultado do trabalho conjunto entre os órgãos do governo e os povos indígenas”, afirmou.
ADPFs 709 e 991
A implantação da Base de Proteção Etnoambiental Pakilapi também integra as ações adotadas pelo Governo Federal para cumprimento de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) voltadas à proteção de territórios indígenas, determinadas nas Arguições de Descumprimentos de Preceitos Fundamentais (ADPFs) nº 709 e nº 991.
A primeira, nº 709, ressalta o atendimento a população Yanomami, fortemente impactada pela atividade garimpeira nos anos anteriores, além de intensificar ações de desintrusão de garimpos ilegais em terras indígenas como Yanomami, Karipuna, Uru-Eu-Wau-Wau, Kayapó, Arariboia, Munduruku e Trincheira Bacajá.
Já a ADPF nº 991, prevê a adoção de medidas para garantir a proteção integral de territórios com presença de povos indígenas isolados e de recente contato, incluindo os Yanomami, por meio da implementação de um Plano de Ação específico.
Fotos: Diego Peres, Mauro Neto, Alex Pazuello e Thiago Corrêa/SECOM AM
Começa oficialmente a temporada do maior espetáculo folclórico à céu aberto do mundo. Nesta sexta-feira (13), o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), foi palco do lançamento oficial do 59º Festival Folclórico de Parintins, a grande festa dos bois Caprichoso e Garantido.
A cerimônia marca a contagem regressiva de 105 dias para o evento bovino, que acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho em Parintins, a Ilha da Magia.
O evento contou com a participação dos itens oficiais e torcedores dos dois bois-bumbás, autoridades políticas e representantes do patrocinadores do festival.
Na ocasião, foi celebrado o contrato de patrocínio da festa tupinambarana, assinado pelo governador do Amazonas, Wilson Lima; o secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa, Caio André; o diretor de relações governamentais da Coca-Cola, Eduardo Dias; e os presidentes dos bois Caprichoso e Garantido, Rossy Amoêdo e Fred Góes, respectivamente.
O governador do Amazonas destacou que o festival deste ano será “o maior de todos os tempos” e enalteceu os números alcançados em 2025.
“Ano passado, foram 120 mil visitantes. Movimentamos algo em torno de R$ 185 milhões na Ilha. Isso representa quase 40% do orçamento anual da prefeitura de Parintins. Foram 30 mil empregos gerados no município, mas Parintins não se mede só pelos números, e sim pela emoção, pela importância que o festival tem, não só na economia, mas na vida de cada parintinense”, afirmou.
Uma das novidades anunciadas foi o patrocínio da marca de bebidas Coca-Cola aos bois, que a partir deste ano será bianual, em homenagem aos 30 anos da parceria envolvendo a empresa internacional e o Festival de Parintins. Até 2025, o contrato era anual.
No fim, a cerimônia foi encerrada com a apresentação dos bois-bumbás, protagonizado pelos principais itens das agremiações no palco do teatro.
Em Parintins, a festa de lançamento do festival será no dia 20 de março e contará as atrações nacionais Simone Mendes e Klessinha, conforme anunciado pelo governo estadual.
Temas do Festival 2026
Em 2026, o Boi Caprichoso vai defender o tema ‘Caprichoso: brinquedo que canta seu chão’. A proposta transforma o amor pelo Caprichoso em arte e cultura, além de celebrar o boi como símbolo da identidade amazônica e do orgulho de Parintins.
O Boi Garantido escolheu o tema ‘Parintins: Portal do Encantamento’. A agremiação promete levar o público em uma viagem mágica pela Ilha Encantada, celebrando ancestralidade, batuques e encantarias.
O lançamento foi transmitido pelo Governo do Amazonas. Assista:
Jovens estudantes acessando a página do Museu Goeldi no Google Arts & Culture. Foto: Woltaire Masaki/MPEG
O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) ganhou um espaço virtual no Google Arts & Culture. Apresentada como “centro pioneiro nos estudos científicos dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia” e como “um dos mais antigos, maiores e populares museus brasileiros”, a instituição estreou na plataforma com uma exposição virtual que reúne fotografias históricas do Parque Zoobotânico, em comemoração aos seus 130 anos.
Segundo o Museu, a página é mais uma ferramenta de divulgação da ciência e da cultura produzidas no local, agregando imagens e textos explicativos sobre seus acervos.
O coordenador de Museologia, Emanoel de Oliveira Junior, destaca a importância da inclusão do Museu Goeldi na plataforma que conta, segundo o próprio site, com mais de 3 mil museus de várias partes do mundo. Segundo ele, as tratativas para o ingresso da instituição no Google Arts & Culture começaram em 2023 e foram concretizadas ano passado.
“A instituição é um museu de história natural, mas também uma instituição cultural que salvaguarda objetos associados a diversas sociedades amazônicas. Nessa percepção, aderimos à plataforma”, relata.
O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), órgão ao qual o Museu está vinculado, já possuía um acordo com o Google, e isso contribuiu para viabilizar essa adesão.
De acordo com Emanoel Junior, inicialmente, a seção no Google Arts se concentrava nas florestas tropicais, mas como a instituição também atua em outras perspectivas, e tem como uma de suas bases o Parque Zoobotânico, localizado na área urbana central de Belém, optou-se por estrear com a exposição sobre “essa mostra viva da Amazônia”.
Para ele, o Parque do Museu representa uma memória viva da Amazônia e de Belém, e, com isso, traz às pessoas um pouco mais das florestas tropicais.
“Ele é esse espaço polissêmico, a base da instituição mais visitada, o local para onde as pessoas levam as suas famílias e, ao mesmo tempo, é uma área de preservação. Então, esse espaço tem muita história para contar e mexe muito com a imaginação das pessoas, com a memória delas”.
O site do Google destaca as três bases físicas do Museu (o Parque é a mais antiga e a mais conhecida): “Instituição de pesquisa fundada em 1866 na cidade de Belém (PA), onde mantém seu campus de pesquisa e o primeiro parque zoobotânico do país, o Museu Goeldi também conta com uma estação científica localizada na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Marajó (PA), que funciona como um laboratório avançado sobre o funcionamento das florestas tropicais”.
Foto: Reprodução/Google Arts
Criação e curadoria do Museu
A tecnologista Karol Gillet, coordenadora adjunta da Museologia, também traz sua perspectiva sobre o processo de criação do espaço virtual. Segundo ela, a curadoria das fotos que compõem a exposição foi feita de forma rigorosa. Foram disponibilizadas por curadores da exposição e também por meio do Serviço de Arquivo e Memória e da Coordenação de Museologia (Comus), com apoio do Arquivo Guilherme de La Penha.
As fotos mais recentes são dos arquivos da Comus e do Serviço de Comunicação Social (Secos). “O conteúdo passou pelas etapas de organização, seleção e revisão técnica para garantir a integridade das informações apresentadas na plataforma”, afirma.
O Google Arts & Culture é um projeto que utiliza a tecnologia como opção para tornar lugares e espaços acessíveis a pessoas em qualquer parte do mundo, mas, para Karol Gillet, também é uma ferramenta importante de divulgação da ciência.
“A plataforma amplia significativamente o acesso às informações e aos acervos da instituição, promovendo a democratização do conhecimento produzido pelo Museu. Ela também possibilita a criação de exposições digitais integradas a diferentes acervos, promovendo conexões entre museus de diversas partes do mundo. É uma ferramenta estratégica para fortalecer a presença institucional no ambiente digital e ampliar o alcance das ações de divulgação científica”, observa a tecnologista.
Memória e futuro
A primeira exposição do Museu Goeldi traz a história do seu Parque Zoobotânico, como ele se modificou ao longo dos últimos 130 anos.
“É interessante, inclusive, porque muita gente acaba acreditando que é um pedaço, um vestígio de floresta nativa. Na verdade, é um espaço totalmente antropizado, plantado e organizado como uma espécie de microcosmos, desde a sua criação. Então, podemos mostrar às pessoas que ele vai se transformando também, que é um espaço dinâmico, que não é o mesmo de quando foi inaugurado, que seu desenho foi se modificando, ao longo das décadas”, complementa Emanoel Fernandes.
Para ele, a exposição em homenagem aos 130 anos do Parque marca o início de um espaço que será utilizado para manter diversos acervos vivos.
“A ideia foi justamente convidar as pessoas a perceber como a própria instituição conta a sua história por meio de um acervo que ela salvaguarda. Nós estamos conversando e alinhando como é que a gente vai agora se apropriar cada vez mais desse espaço. Estamos estruturando duas novas exposições para constarem na plataforma, tentando dar um outro passo que é promover a digitalização de alguns acervos”.
No espaço do Museu Goeldi no Google Arts & Culture, o usuário pode acompanhar história e símbolos do Parque Zoobotânico, por meio de fotografias históricas e atuais, com legendas explicativas. O acesso pode ser feito diretamente neste link, ou a partir da página inicial artsandculture.google.com,buscando pelo nome ou ativando a localização do usuário.
Quem está em Belém ou na região, pode selecionar a opção “Por perto”, que está em uma das abas do menu horizontal. O resultado mostra cerca de 20 locais e exposições, entre os quais o Museu Goeldi. Ainda a partir da página inicial, outra forma de localizar o espaço é clicar na opção de lupa no menu “Explorar”, pesquisando pelo nome “Museu Goeldi”.
Trilhas interpretativas implementadas envolvem 14 comunidades e mais de 160 participantes
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) implementou um conjunto de trilhas interpretativas em unidades de conservação (UCs) do Amazonas, com apoio da LVMH – Moët Hennessy Louis Vuitton, grupo internacional líder no setor de moda.
A iniciativa promove experiências de educação ambiental, valoriza a biodiversidade amazônica e fortalece oportunidades de turismo sustentável conduzido pelas próprias comunidades da floresta.
O projeto foi realizado entre junho de 2024 e dezembro de 2025 e envolveu 14 comunidades em três unidades de conservação do estado:
a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uatumã,
a Área de Proteção Ambiental (APA) Rio Negro
e a RDS Rio Negro, cuja gestão é da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema).
Ao todo, mais de 160 pessoas participaram das atividades, incluindo jovens, comunitários, empreendedores locais e guias comunitários.
As trilhas interpretativas são percursos educativos realizados na floresta, nos quais visitantes e moradores percorrem caminhos guiados que apresentam espécies da fauna e da flora, além de conhecimentos tradicionais das comunidades locais. A metodologia utiliza a própria natureza como espaço de aprendizagem, estimulando a sensibilização ambiental e o entendimento sobre a importância da conservação da Amazônia.
Segundo Aldenor Sirico dos Santos, morador da comunidade Saracá, as trilhas possibilitam agregar valor econômico à comunidade:
“Para nós vai estar agregando muito valor, porque o jovem vai conseguir tirar o sustento da família deles numa trilha. Possibilita acima de tudo a oportunidade de melhorar a qualidade do turismo local, a qualidade da educação ambiental”.
Entre as comunidades participantes estão São Francisco do Caribi, Três Unidos, Tumbira, Saracá e comunidade do Inglês, que receberam atividades de capacitação e participaram da implantação das trilhas, incluindo mapeamento dos percursos, instalação de sinalização e atividades de educação ambiental.
Trilhas são educativas
Uma das trilhas implantadas na RDS Uatumã, por exemplo, possui aproximadamente 838 metros de extensão, com percurso de cerca de uma hora de duração, permitindo aos visitantes conhecer diferentes espécies da floresta e compreender aspectos ecológicos e culturais do território.
Além de promover educação ambiental, a iniciativa também contribui para fortalecer o turismo de base comunitária, criando oportunidades para que moradores atuem como guias locais e compartilhem seus conhecimentos sobre a floresta.
Foto: Rodolfo Pongelupe/FAS
Para Rafael Sales, coordenador de projetos da FAS, a iniciativa superou as expectativas e demonstrou o interesse das comunidades em fortalecer o turismo sustentável.
“No planejamento inicial, estavam previstas trilhas interpretativas nas comunidades Três Unidos, Tumbira e São Francisco do Caribi. No entanto, a pedido das próprias comunidades, ampliamos a iniciativa para Saracá e Inglês, na RDS Rio Negro. Como esses territórios já desenvolvem atividades ligadas ao turismo comunitário, as trilhas surgem como um novo atrativo e uma oportunidade de geração de renda para as famílias, além de fortalecer a escola e a comunidade como espaços de aprendizado sobre a floresta e seus conhecimentos tradicionais”.
Para os participantes, a experiência trouxe novos aprendizados e perspectivas. Um dos comunitários envolvidos no projeto destaca que a iniciativa fortalece o orgulho pelo território e abre novas oportunidades de trabalho.
“O curso, associado às trilhas, proporcionou estudos sobre legislação, bioeconomia, biodiversidade e abriu esse espaço para que pessoas como eu e outros alunos que têm a idade maior do que os jovens tivessem a possibilidade de partilhar o nosso conhecimento”, relata Izolena Garrido, da Comunidade do Tumbira.
As trilhas interpretativas contribuem para fortalecer a conexão entre pessoas e natureza, ao mesmo tempo em que incentivam a conservação da biodiversidade e valorizam os conhecimentos tradicionais das comunidades amazônicas. A parceria com a LVMH e a Sema reforça o papel de alianças entre organizações da sociedade civil, governos e o setor privado para apoiar iniciativas que conciliam conservação da floresta, geração de renda e valorização cultural na Amazônia.