Árvore da campinarana amazônica resiste à seca, mas sofre com alagamento prolongado, revela estudo

A pesquisa descobriu que na seca, todas as mudas de Aldina heterophylla sobreviveram. A estratégia foi “economizar água”, pois a planta derrubou as folhas para reduzir a perda e manteve o acúmulo de biomassa estável.

Foto: Lyon Oreste Demarchi

Mudas de Aldina heterophylla, árvore dominante das campinaranas amazônicas e classificada como vulnerável à extinção, sobrevivem bem a longos períodos de seca, mas morrem quando ficam muito tempo alagadas. É o que mostra um estudo publicado na revista Environments por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e parceiros.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O trabalho, liderado pela doutoranda Sthefanie Gomes Paes, investigou como a espécie responde a dois extremos que estão ficando mais frequentes na Amazônia: seca intensa e alagamento prolongado. Os frutos foram coletados na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã e os experimentos com as mudas foram realizados em casa de vegetação durante a germinação e o crescimento inicial, consideradas as fases mais críticas do ciclo da planta.

A pesquisa descobriu que na seca, todas as mudas sobreviveram. A estratégia foi “economizar água”, pois a planta derrubou as folhas para reduzir a perda e manteve o acúmulo de biomassa estável. Foi constatado que a Aldina heterophylla também investiu mais nas raízes, usando reservas de amido e proteína armazenadas nas sementes.

Árvore da campinarana amazônica resiste à seca, mas sofre com alagamento prolongado, revela estudo
Foto: Lyon Oreste Demarchi

No alagamento, a reação foi diferente. As mudas amarelaram, perderam folhas e formaram lenticelas no caule – pequenas estruturas que ajudam a captar oxigênio quando o solo fica encharcado. Houve um ganho temporário de biomassa nas raízes, mas o alagamento longo diminuiu drasticamente a biomassa do caule e elevou à mortalidade.

“A Aldina heterophylla mostrou maior tolerância à seca do que ao alagamento prolongado. O excesso de água também pode representar uma ameaça para espécies típicas das campinaranas”, resume a pesquisadora.

Leia também: Conheça as vegetações não florestais do bioma Amazônia

Campinaranas são importante para o clima

De acordo com o estudo, as campinaranas são florestas sobre areia branca, com solo pobre e lençol freático que sobe e desce ao longo do ano. Com as mudanças climáticas alterando o regime de chuvas na Amazônia, esses ciclos podem ficar mais extremos.

“Compreender como espécies como a Aldina respondem à seca e ao alagamento é fundamental para prever impactos sobre a biodiversidade e o funcionamento ecológico das campinaranas”, explica a doutoranda.

Fotos: Sthefanie Gomes

A árvore é considerada chave para o ecossistema: estrutura a floresta, abriga orquídeas e outras epífitas e cria microambientes para diversos organismos. Tem distribuição restrita, sofre pressão da exploração madeireira e está na lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

“As espécies amazônicas respondem de maneira muito particular aos extremos climáticos. Para Aldina heterophylla, a falta de oxigênio nas raízes durante o alagamento foi mais prejudicial que a seca. Cada espécie carrega adaptações moldadas pelo seu habitat”, conclui Sthefanie.

A pesquisa foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração Peld-Maua e contou com apoio do grupo de Ecologia, monitoramento e uso sustentável de áreas úmidas (Maua/Inpa), Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação e  Universidade Cesumar (Iceti/UniCesumar), Laboratório de Anatomia Vegetal da Universidade federal do Amazonas (LAV/Ufam) e Laboratório de Fisiologia Vegetal da UnB. Sthefanie recebeu bolsa PIBIC/CNPq-Inpa. 

*Com informações do Inpa

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Quais lendas inspiraram as toadas dos bois no Festival de Parintins 2026?

Conheça as lendas do Curupira e do pajé Pindova'úmi'ga que os bois da estrela e do coração, respectivamente, irão apresentar no Bumbódromo de Parintins neste ano.

Leia também

Publicidade