Home Blog Page 77

Barqueata reúne movimentos sociais em Belém durante a COP30

0

Barqueata teve a presença de indígenas, quilombolas e feministas que reivindicam direitos e justiça climática. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Povos Kayapo, Munduruku, Kayapó Panará, Borari, Tupinambá, Xipaya, Arapiun, quilombolas, sem terra, sem teto, sem direitos, periféricos, agricultores, pescadores, extrativistas, ribeirinhos. Os povos. Aqueles que não ocupam lugares de destaque e espaços de decisão na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) saíram unidos nesta quarta-feira (12), em uma barqueata pelas águas da Baía do Guajará, em Belém (PA).

A manifestação marca o início da Cúpula dos Povos, evento que acontece na sede da Universidade Federal do Pará (UFPA), entre os dias 12 e 16 de novembro, em paralelo à COP30. O ato também conclui a Caravana da Resposta, que saiu de Sinop, no Mato Grosso, em 8 de novembro, e chegou a Belém, no último dia 10.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é a Cúpula dos Povos?

No trajeto pelas terras e rios do país, os diferentes povos percorreram o chamado “corredor da soja” e denunciaram os impactos do agronegócio e das grandes obras de infraestrutura, como a Ferrogrão e as hidrovias do Arco Norte, sobre territórios e vidas tradicionais.

Os povos se encontraram para reunir vozes, demandas e forças. Em comum, trazem o lema “a resposta somos nós”. Uma reivindicação por escuta, respeito e soberania popular.

“Os povos indígenas estão lutando desde o início. Temos que ser respeitados, valorizados, conforme a nossa cultura. Então, a resposta somos nós”, disse o líder indígena Bepmoroi Metuktire, de Mato Grosso, membro da articulação do Instituto Raoni.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Barqueata reúne movimentos sociais em Belém durante a COP30
 Barqueata da Cúpula dos Povos é liderada pela “Caravana da Resposta”. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Durante a Caravana, tivemos essa conexão e união com outros parentes nossos que estão enfrentando vários tipos de ameaças dentro dos territórios deles. E são ameaças iguais às que nós enfrentamos também. Então, precisamos juntar forças para lutar e defender nossos territórios”, complementou.

A manifestação reuniu mais de 200 embarcações, com cerca de 5 mil pessoas, segundo os organizadores. Dentro da barca principal, que reuniu movimentos sociais e jornalistas, povos tradicionais se apresentaram com músicas, poesias e compartilharam as principais bandeiras de luta. Entre um balanço e outro do rio, as vozes foram ganhando mais volume.

Leia também: ‘COP30 da Bicharada’: conheça a manifestação cultural paraense que marcou presença na conferência mundial

Quilombolas

Da comunidade kilombola (grafia com K, conforme uso local) Morada da Paz, território de Mãe Preta, no Rio Grande do Sul, veio Kahamy Ãdetta, que exerce a função religiosa Íyá Ekedi na Nação Muzunguê.

Ela lista uma quantidade grande de ameaças que os quilombolas enfrentam por conta de um pretenso desenvolvimento econômico liderado por empresários e políticos.

“Exigimos o direito à consulta prévia, livre, informada e de boa fé para todas as comunidades tradicionais, para todos os territórios indígenas ameaçados e já atingidos por empreendimentos de infraestrutura, pela mineração e empreendimentos imobiliários, assim como ampliação de estradas, que desrespeitam a soberania dos povos, a soberania da terra, soberania da água”, disse.

Barqueata foi realizada na Baía do Guajará, em Belém. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Kahamy destaca como os quilombolas e comunidades periféricas são especialmente atingidas pelas mudanças climáticas, provocadas pelas emissões de gases do efeito estufa.

“Só reconhecemos a possibilidade da vida, se a água, se a terra, se o ar são puros. E se temos o direito de ser e de viver como queremos. Lá na Figueira Negra, no Rio Grande do Sul, por exemplo, nós estamos em uma área que está sendo ameaçada pela ampliação de uma rodovia federal. E nós estamos cercados pelo plantio de monocultura de acácia e de eucalipto”, disse a líder quilombola.

“Como nós somos uma das únicas áreas de mata nativa e com água pura, todos os animais vêm para o nosso território. Então, em períodos de plantio extenso e de pulverização de agrotóxico, o ar que gente respira e que os animais respiram fica contaminado. Muitos morrem”.

Pescadores e ribeirinhos

Do município de Prainha, no Pará, veio Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP). Rosângela Santos Vieira, coordenadora do movimento e multiplicadora de mulheres, explica que o principal objetivo do grupo é discutir os impactos da crise climática que afetam a atividade com os peixes.

Rosângela conta que lida com um câncer de pele desde 2005 e não pode mais pescar por causa da exposição ao sol. Desde então, ela tem se engajado mais no movimento de pescadores. E destaca como a crise climática tem afetado a saúde de todos.

“Nós, pescadores, estamos vivendo uma crise com a escassez dos peixes por causa da seca e da invasão dos madeireiros em nossos territórios. Os madeireiros têm invadido nossas áreas, desmatando as nascentes e causando secas nos rios, o que mata os peixes e prejudica nossa sobrevivência. Essa situação afetou principalmente o acari, peixe que sempre foi a base da nossa pesca e do nosso sustento”, disse Rosângela.

“A maior parte do povo pescador pescava o acari. Hoje, para sobreviver, estamos pescando camarão, que não era a nossa atividade. Com o nosso movimento, estamos conseguindo envolver mais pessoas no MPP, para que possamos lutar por uma alimentação saudável e rios sem poluição”, complementou.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Ato é pela Amazônia e pela justiça climática, realizado durante a COP 30. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Mulheres agricultoras

De Santarém, no Pará, vieram representantes do Coletivo Muvuca, a Associação de Mulheres da Agroecologia do Tapajós. Elas lutam por uma agricultura ancestral e sem veneno. Há, no movimento, gestoras ambientais, agrônomas e técnicas do meio ambiente.

Ana Karina Barbosa coordena o movimento e presta serviços relacionados à formação sobre ancestralidade, resgate dos saberes dos povos na agricultura e na produção de alimentação saudável. Ela denuncia o avanço da monocultura na região de Santarém, o que prejudica as populações tradicionais ao redor.

“Onde vivemos se tornou um polo especialmente da soja. Isso devastou várias comunidades e expulsou famílias inteiras de seus territórios, além de afetar a saúde dos comunitários e de todos que vivem na região”.

“Quem leva esse modelo de produção para lá não tem relação com o território, não participa da vida comunitária e, por isso, não sente os impactos diretos. Mas quem sofre são justamente os verdadeiros donos da terra”.

“A expansão da soja aconteceu de forma tão intensa que causou impactos sociais e culturais profundos. Muitas populações perderam suas referências culturais e modos de vida, sendo forçadas a migrar para as cidades ou para outros lugares que não são seus territórios de origem”.

Movimentos feministas

Da região dos Pampas, no Rio Grande do Sul, vieram representantes de três organizações que conectam lutas feministas e ambientais: Amigas da Terra Brasil, Marcha Mundial das Mulheres e Periferia Feministas.

Anne Moraes, socióloga, é uma das líderes dessa aliança, que surgiu durante a pandemia da covid-19. Ela vê a COP30 como uma oportunidade especial de compartilhar com outros movimentos sociais as dificuldades e soluções vindas dos territórios que ocupam.

“Os movimentos que represento lutam por justiça climática, soberania alimentar e uma transição justa. Nosso trabalho inclui hortas comunitárias e cozinhas solidárias nas periferias, conectando o cuidado com as pessoas e com o meio ambiente”, disse Anne.

“Sofremos muito com as enchentes no Rio Grande do Sul. A ação dos movimentos sociais foi fundamental para acolher a população, porque os governos não apresentaram planos de mitigação ou proteção naquele momento. Conectar o debate sobre emergência climática com uma perspectiva feminista e popular é essencial, pois as mulheres estão na linha de frente tanto das crises quanto das soluções”, complementou.

*Com informações da Agência Brasil

Por que Belém? Entenda como a capital paraense se tornou sede da COP30

0

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Belém (PA) recebe a 30ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP30) entre os dias 10 e 21 de novembro este ano. Muito tem se falado sobre a estrutura, quais são as discussões em foco, objetivos, etc, mas você lembra por que Belém foi escolhida como sede desta edição do maior evento que debate as questões climáticas?

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A “campanha” que tornaria a capital paraense sede da COP30 começou em 2022, ainda na COP27, realizada em em novembro daquele ano em Sharm El Sheikh, no Egito. 

À época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pedido à ONU: uma vez que a Amazônia era um dos focos de discussão sobre preservação para um futuro melhor, o presidente brasileiro alegou que os que defendem a pauta climática deveriam a conhecer de perto, instigando a reflexão das lideranças globais.

“Uma coisa é discutir a Amazônia no Egito; outra coisa é discutir a Amazônia em Berlim; outra coisa é discutir a Amazônia em Paris. Agora, não. Agora nós vamos discutir a importância da Amazônia dentro da Amazônia. Nós vamos discutir a questão indígenas, vendo os indígenas. Nós vamos discutir a questão dos povos ribeirinhos, vendo os povos ribeirinhos e vendo como eles vivem”, afirmou o presidente.

Belém, sede da COP30

Com o primeiro passo dado, em janeiro de 2023, o governo, por meio do Itamaraty, formalizou o pedido à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), tornando Belém oficialmente candidata a receber uma edição da COP.

Belém é candidata a sediar COP30, em 2025.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Mas para que Belém se tornasse, oficialmente, a primeira cidade na Amazônia a sediar a Conferência, os países latino-americanos precisavam apoiar unanimemente a candidatura da cidade brasileira, uma exigência da ONU para oficializar a indicação. Feito que foi alcançado.

E, ainda em 2023, no mês de maio, veio a primeira carta de aceitação, assinada pela ONU:

Foto: Reprodução/Agência Pará

A confirmação oficial foi feita durante a COP28, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, também em 2023, tornando Belém a cidade amazônica pioneira da região como anfitriã de uma edição da Conferência.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

COP30

A COP30 é a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes), um encontro global anual onde líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil discutem ações para combater as mudanças do clima.

De acordo com o governo brasileiro, “a COP30 representa uma oportunidade histórica para o Brasil reafirmar seu papel de liderança nas negociações sobre mudanças climáticas e sustentabilidade global. O evento permitirá ao país demonstrar seus esforços em áreas como energias renováveis, biocombustíveis e agricultura de baixo carbono, além de reforçar sua atuação histórica em processos multilaterais, como na Eco-92 e na Rio+20”.

Os principais temas em discussão nesta edição incluem:

  • Redução de emissões de gases de efeito estufa;
  • Adaptação às mudanças climáticas;
  • Financiamento climático para países em desenvolvimento;
  • Tecnologias de energia renovável e soluções de baixo carbono;
  • Preservação de florestas e biodiversidade;
  • Justiça climática e os impactos sociais das mudanças climáticas.

Transformação

Após a aprovação e confirmação, Belém precisou ser transformada para receber, de fato, a Conferências. Além da ter apenas metade dos 50 mil leitos necessários para receber os visitantes, outros problemas precisaram de atenção. Assim, a cidade foi sendo adaptada para se tornar anfitriã.

Entre as dificuldades de hospedagem, o choque cultural e divergências, Belém cumpre seu papel de cidade sede até o dia 21 de novembro, quando se espera ter novas metas globais para a Amazônia construídas com a ajuda dos povos originários e comunidades locais.

O que é a COP?

COP é uma conferência global, realizada desde 1995, com representantes de centenas de países que ocorre todos os anos e que tem como principal objetivo conter as consequências da crise climática causada pela humanidade.

Na cúpula, entre outros temas, os países participantes revisam seus compromissos de manter o aquecimento global bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais, buscam esforços globais para limitá-lo a 1,5°C e discutem como ajudar nações vulneráveis às mudanças climáticas.

Amapá tem o menor índice de desmatamento entre estados da Amazônia Legal, diz INPE

0

Área desmatada no Amapá em 2020. Foto: Reprodução/Arquivo/Polícia Civil

Amapá registrou uma queda de 48,15% no desmatamento entre agosto de 2024 e julho de 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O estado teve a segunda maior redução percentual da Amazônia Legal, atrás apenas do Tocantins, que liderou com 62,5%.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

As informações são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes). O levantamento aponta uma redução de 11,8% na taxa de desmatamento da Amazônia em 2025, em comparação com o ano anterior.

Segundo o Prodes, a área desmatada na Amazônia foi estimada em 5.796 km² — o menor índice registrado nos últimos 11 anos.

Entre agosto de 2024 e julho de 2025, os dados do INPE mostram que vários estados da Amazônia Legal registraram quedas expressivas no desmatamento. Tocantins liderou em redução percentual, seguido por Amapá, Roraima e Rondônia.

“Amapá mostra que é possível”

“O Amapá mostra que é possível conciliar desenvolvimento com conservação. É um exemplo para o país”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Ranking de estados com maior queda de desmatamento

PosiçãoEstadoRedução (%)
Tocantins62,5%
Amapá48,15%
Roraima37,39%
Rondônia33,61%
Acre27,62%
Maranhão26,06%
Amazonas16,93%
Pará12,4%

Fonte: INPE

O resultado é atribuído a ações conjuntas entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), forças de segurança e outros parceiros. As operações priorizaram a proteção de florestas intactas e terras indígenas.

Segundo o ICMbio, no Amapá, a área desmatada caiu de cerca de 2.500 para 1.300 campos de futebol entre 2024 e 2025. A maior parte dessa redução ocorreu dentro de áreas protegidas, como parques, reservas biológicas, estações ecológicas e reservas extrativistas.

Leia também: Mais de 90% do desmatamento da Amazônia é para abertura de pastagem, informa MapBiomas

Desmatamento zero

A analista ambiental do ICMBio, Érica Martins, destacou que o Brasil tem chances reais de atingir a meta de desmatamento zero até 2030 se mantiver o ritmo atual de fiscalização e políticas de incentivo

“O país teve uma tendência de queda entre 2014 e 2018, mas entre 2018 e 2022 os números explodiram. Agora, voltamos a uma redução drástica. Só nas áreas protegidas, a queda acumulada desde 2022 é de cerca de 72%”, afirmou.

Floresta Nacional do Amapá. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP
Floresta Nacional do Amapá. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP

Segundo Érica, a combinação de fiscalização rigorosa com apoio à agricultura familiar e à sociobiodiversidade pode garantir o cumprimento da meta.

Além disso, o Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), também do INPE, fornece alertas em tempo real.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Estados da Amazônia Legal apresentam projetos na COP30; confira algumas propostas

0

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os estados que compõem a Amazônia Legal estão reunindo esforços para levar à COP30 uma série de projetos voltados à conservação ambiental, à bioeconomia e à governança territorial. A conferência, marcada para ocorrer em Belém, no Pará, até o dia 21, assume protagonismo na agenda climática global.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Diferentes iniciativas regionais visam mostrar como a floresta amazônica pode contribuir para os objetivos globais de mitigação e adaptação às mudanças do clima.

Esses projetos fazem parte de um esforço de articulação entre governos estaduais, sociedade civil e instituições de pesquisa, com foco em soluções de base territorial.

As propostas estão programadas para serem apresentadas formalmente no decorrer da COP30, no âmbito da chamada “Action Agenda” (Agenda de Ação) do Brasil, com vistas à captação de financiamento internacional e reconhecimento global.

Estratégia articulada dos estados amazônicos

O Consórcio Interestadual da Amazônia Legal lançou sua estratégia unificada para a COP30, definindo eixos prioritários como uso da terra, sistemas alimentares, mineração sustentável, adaptação climática, financiamento verde, transição energética, conservação ambiental e justiça climática.

Os estados participantes — Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins — assumem que a floresta amazônica cumpre uma função ecológica global essencial, mas também pode se tornar um vetor de desenvolvimento local sustentável.

Leia também: Mudanças climáticas ameaçam biomas brasileiros e destacam papel do ecoturismo na COP 30

A mobilização inclui fóruns de participação social em cada estado, além da integração com órgãos federais e municipais, para sistematizar contribuições de comunidades tradicionais, indígenas e setor privado.

Entre os instrumentos preparados está um documento de prioridades, que busca traduzir as demandas regionais em compromissos concretos a serem discutidos na COP 30, destacando as particularidades e potencialidades de cada território amazônico.

Projetos de uso da terra e regularização fundiária

Um dos principais projetos que estará no centro da agenda amazônica é o programa Caminhos Verdes, voltado à regularização fundiária na Amazônia Legal. O investimento previsto é de aproximadamente R$ 146 milhões, destinado à titulação de cerca de 13 mil famílias.

Outra iniciativa de destaque envolve a recuperação de áreas degradadas e a criação de florestas produtivas em assentamentos de reforma agrária. Estima-se que 80 assentamentos estejam envolvidos, beneficiando 6 mil famílias e promovendo a restauração de mais de 4 mil hectares.

Essas ações buscam compatibilizar a produção econômica com a conservação da floresta, fortalecendo atividades sustentáveis e diminuindo a pressão sobre áreas de desmatamento.

Na COP30, os estados pretendem apresentar esses projetos como exemplos de políticas públicas que conciliam desenvolvimento rural, regularização territorial e combate ao desmatamento ilegal.

Carbono, bioeconomia e mercados sustentáveis

Outro foco importante das apresentações é o desenvolvimento de projetos de carbono e bioeconomia. Nos estados do Acre e Rondônia, técnicos estão estruturando um guia de boas práticas para orientar a criação de projetos de carbono com transparência e qualidade, voltados ao mercado internacional.

Além disso, o Fundo de Bioeconomia da Amazônia, operado em parceria com organismos multilaterais, deve ser um dos destaques na COP30. Esse fundo busca canalizar investimentos privados para cadeias de valor sustentáveis, apoiando produtos da sociobiodiversidade e cadeias extrativistas.

Os projetos também visam valorizar o conhecimento tradicional das populações indígenas e ribeirinhas, integrando saberes locais com ciência e tecnologia. A expectativa é que as propostas contribuam para gerar emprego e renda sem comprometer os ecossistemas amazônicos.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Ciência, adaptação e monitoramento climático

A região amazônica também será palco de apresentações científicas sobre projetos de monitoramento climático e adaptação. Um dos exemplos é o AmazonFACE, instalado nas proximidades de Manaus (AM), que simula as condições atmosféricas futuras da floresta para compreender como o ecossistema responderá ao aumento da concentração de gás carbônico.

Além da pesquisa científica, ações ligadas à adaptação, governança territorial e fortalecimento comunitário fazem parte da agenda amazônica. Essas iniciativas incluem programas de capacitação para comunidades locais, incentivo à agricultura de baixo impacto e sistemas de alerta contra eventos climáticos extremos.

Na COP30, os estados pretendem demonstrar que a Amazônia é também um espaço de inovação e aprendizado climático, oferecendo dados e experiências práticas para o enfrentamento das mudanças do clima.

Os resultados científicos desses programas darão suporte técnico aos projetos que serão apresentados, fortalecendo a posição da Amazônia Legal nas negociações internacionais.

COP30 EM BELÉM
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Expectativas para a COP30

Os estados da Amazônia Legal chegam à COP30 com três grandes objetivos:

  • ampliar a visibilidade internacional das suas iniciativas,
  • captar recursos para financiar projetos sustentáveis
  • e integrar suas ações à agenda global de conservação e adaptação climática.

A “Action Agenda” brasileira para a COP30 destaca eixos como transição energética, florestas, biodiversidade, agricultura sustentável e sistemas alimentares. Os projetos da Amazônia Legal serão apresentados dentro desses eixos, reforçando o papel da região como protagonista das soluções climáticas.

Além da captação de recursos, os governos estaduais esperam firmar parcerias internacionais com agências multilaterais e investidores privados, para garantir a continuidade das ações.

Com isso, a Amazônia Legal se prepara para ocupar um papel central na COP 30, apresentando uma carteira de projetos que une governança ambiental, inovação científica e economia sustentável, contribuindo diretamente para as metas climáticas globais.

Bioinstrumentos da Amazônia: conheça 12 instrumentos criados com insumos amazônicos

0

60 bioinstrumentos já foram catalogados. Foto: Reprodução/Site oficial Grupo Imbaúba

O músico, cantor, escritor e poeta amazonense Celdo Braga é um multiartista reconhecido por sua contribuição cultural na Amazônia levando a arte regional para o mundo. E muito mais que isso: Celdo contribui também com a criação de bioinstrumentos, instrumentos musicais produzidos com material amazônico e inspirados na floresta e a musicalidade da mesma.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Ele reuniu as criações no livro ‘Bioinstrumentos amazônicos’, em conjunto com outros músicos da região, totalizando 60 bioinstrumentos originais e adaptados.

O trabalho une a literatura- no livro que explica a trajetória do poeta e a criação dos bioinstrumentos – com a tecnologia – usando QR Codes que levam o leitor direto para o canal no Youtube onde é possível ouvir cada instrumento.

Bioinstrumentos da Amazônia: Celdo Braga
Celdo Braga. Foto: Reprodução/Site oficial Grupo Imbaúba

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Elementos como a cuia, usualmente vista apenas como um utensílio diário, conforme pontua o autor na obra, são transformados em ferramentas musicais após pesquisas relacionadas à sonoridade e aperfeiçoamento dos sons. Celdo inclusive participa da iniciativa que leva a arte amazônica para a COP30, em Belém.

No total, são 60 bioinstrumentos catalogados, mas confira aqui 12 dos bioinstrumentos amazônicos:

Canção de fogo

Cuia com varetas de churrasco, fixadas no tampo de meia cuia, atadas em barbante.

Autor: Celdo Braga.

Buzina de barco

Lâmina de látex para ser soprada num ângulo especial sobre a borda da cuia.

Autor: Celdo Braga.

Chuva de cuia

Meia cuia xom tampo de papel e, na parte interna, um mecanismo de talas e missangas.

Autor: Celdo Braga.

Iaçá

Três espetos de churrasco com caroços de manga nas extremidades, fincados em rolhas de cortiça sobre meia cuia.

Autor: Celdo Braga.

Saporeca

Cuia inteira com quatro ou cinco aberturas circulares com diâmetros diferentes ao longo da cuia, para ser tocada em um balão inflado internamente. Ao seco, imita o canto do papagaio, da curica; molhado, imita os vários coaxares de sapos e pererecas.

Autor: Celdo Braga.

Tricó

Três cuias ao meio fixas num cabo de vassoura, com buracos no fundo empapelados, servindo como pele de vibração.

Autor: Celdo Braga.

Cigarra

Pedaço de palmeira jupati escavado, com abertura lateral e as extremidades cobertas por papel madeira. O mecanismo sonoro acontece a partir da fricção de um cordão de tucum girando em um pedaço de madeira roliça.

Autor: João Paulo.

Tucuaci

Caroços de tucumã cravados no interior da estipe de açaizeiro.

Autor: João Paulo.

Macaco-prego

Confeccionado com sementes de cumaru, dispostas em duas varetas metálicas, fixadas sobre uma base de madeira, com suporte de cuia que potencializa sua projeção acústica.

Autor: Eduardo Mendes Gomes.

Tambor d’água

Instrumento de origem africana, adaptado pelo Grupo Gaponga para ser tocado com duas bandas de cuia, cujas bordas são revestidas com emborrachados para garantir a flutuação na água. É montado no interior de uma capemba (curuatá) de palmeira inajá, apoiada sobre uma banqueta de madeira.

Autor: adaptado pelo Grupo Gaponga.

Trivo

Instrumento de três cordas, afinado na escala natural. Suas cordas são ‘dó’, ‘sol’ e ‘mi’ (da grave à aguda). O seu corpo e braço são feitos de madeira e as suas tarrachas são de metal. Suas cordas são de náilon, porém possui uma variante em cordas duplas de aço, chamado trivo duplo. O desenho de seu corpo é em forma de remo, o que representa a cultura da Amazônia.

Autor: produzido por Bero Vidal.

Pata de onça

Produzido com um mecanismo em molas e sementes de cumaru fixadas em uma estrutura de madeira, que sugere o formato da pata da onça-pintada.

Autor: Eduardo Mendes Gomes.

Leia também: Bioinstrumentos: oficina ensina confecção de instrumentos que reproduzem sons da Amazônia

Música da Amazônia: bioinstrumentos são usados para defender floresta na COP30

0

Celdo Braga participa da expedição levando declamações, apresentações e também os chamados bioinstrumentos. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

A arte e a música se tornaram uma das principais formas de expressão da Amazônia na COP30, mostrando a riqueza cultural e a importância da preservação da floresta. Poesia, canções e ilustrações conectaram histórias, identidades e vozes da região à discussão global sobre mudanças climáticas e proteção ambiental.

Entre os artistas que deram voz e forma à Amazônia estiveram o poeta e músico Celdo Braga, o acordeonista Éder do Acordeon e o cartunista Rogério Mascarenhas, o Romas, que marcaram a participação da região com poesia, música e desenho.

Leia também: Voz da experiência: sete veteranos da música amazônica que seguem firmes nos palcos

Poesia e bioinstrumentos que reverberam a floresta

Com 43 anos dedicados à poesia, à música e à valorização da identidade amazônida, Celdo Braga participou levando declamações, performances musicais e os bioinstrumentos, criados a partir de sementes, cascas e materiais naturais da floresta.

“Eu estava bastante à vontade, porque venho, há muitos anos, desenvolvendo um trabalho voltado para que a natureza seja preservada e a vida seja respeitada. Então, em um evento como este, meu trabalho encontrou ressonância”, afirmou.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O projeto de bioinstrumentos já contava com 60 instrumentos catalogados, feitos com frutos e fibras amazônicas, como caroço de tucumã e casca de cupuaçu, e integrou a plataforma internacional The Amazonic, considerada a primeira biblioteca de sons amazônicos do mundo.

“O projeto tinha oito anos e já havia frutificado em muitos lugares. No final de novembro, lancei um livro reunindo esses 60 instrumentos, como referência simbólica para o estado e para a narrativa de que a floresta vive, soa e respira”, explicou Celdo.

Amazônia: bioinstrumentos
Celdo explica que o projeto dos bioinstrumentos já conta com 60 instrumentos catalogados, todos feitos a partir de frutos e fibras amazônicas, como caroço de tucumã e casca de cupuaçu. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Música que chama a Amazônia pelo nome

Natural do Juruá, Éder do Acordeon usou a música para chamar atenção para a preservação, com apresentações que envolveram o público e transformaram perguntas em refrão:

  • “Vocês vão sujar a água? Vocês vão fazer queimada?”
  • “Eu não!” — respondeu a delegação.
  • “Se você fizer queimada, vai aumentar a poluição”, disse o músico iniciando a canção.

“Cantei pela Amazônia, mas também para o mundo inteiro. O que acontece aqui muda o clima do planeta. A música ajudou a tocar o coração de quem ainda não entendeu isso”, finalizou.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM

Atlas do SGB indica mais de 1,4 milhão de pessoas em áreas de risco na Amazônia Legal 

Foto: Divulgação/SGB

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) já identificou mais de 2,6 mil setores de risco alto e muito alto em 354 municípios amazônicos, que representam quase metade das cidades da região (45,7%). De acordo com os dados, mais de 1,4 milhão de pessoas vivem nas áreas mapeadas – 5,2% da população regional. As informações são apresentadas no Atlas de Risco Geológico da Amazônia lançado pela diretora-presidente do SGB, Sabrina Góis, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém

A publicação inédita consolida 13 anos de mapeamento de áreas de risco geológico e hidrológico em nove estados da região: Amazonas, Acre, Amapá, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão, onde 181 municípios integram a Amazônia Legal.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Sabrina Góis enfatizou a importância dessa entrega durante o lançamento: “O Atlas de Risco da Amazônia é um documento estratégico que contribui diretamente para o planejamento territorial e para a redução de desastres. Esse trabalho mostra o compromisso do SGB com o governo federal em produzir conhecimento que apoie políticas públicas voltadas à adaptação climática, à segurança das populações e à proteção do bioma amazônico”.

Os estados do Amazonas, Acre e Rondônia tiveram 100% dos municípios mapeados, seguidos por Pará (66,7%), Amapá (50%), Maranhão (41,4%), Roraima (33,3%), Mato Grosso (15,6%) e Tocantins (10,7%).

Leia também: Voçorocas: as crateras que se formam na região urbana de Manaus

Áreas de risco identificadas na Amazônia Legal

O Pará e o Amazonas concentram a maior parte da população em risco na Amazônia, com cerca de 567 mil pessoas e o maior número de setores de risco mapeados, que somam 1,9 mil, indica o SGB. Em contraste, o estado do Tocantins aparece com apenas nove áreas de risco mapeadas. Esses resultados são influenciados por diversos fatores, como a solicitação de mapeamento por parte dos municípios, as condições de acesso logístico das equipes técnicas e a disponibilidade de recursos para a realização dos levantamentos. 

Dos municípios mapeados entre os anos de 2012 e 2024, um total de 284 apresentaram alguma tipologia de risco classificada como de grau alto ou muito alto, enquanto 70 municípios não registraram áreas com esse nível de risco. Dos setores mapeados, 61% correspondem a áreas de risco alto e 39% a áreas de risco muito alto.

Imagem: Divulgação/SGB

A inundação é o risco mais recorrente e de maior impacto, que lidera o número de ocorrências (1.348 ocorrências) e afeta o maior número de pessoas, com 691.989 indivíduos em risco (47,75% do total). Há outras ocorrências relacionadas a erosão, movimentos de massa e fenômenos únicos da região amazônica, como as “ilhas flutuantes” e as “terras caídas”, que afetam comunidades ribeirinhas e alteram o equilíbrio natural dos rios. Os impactos são potencializados por vulnerabilidades sociais e urbanísticas, como a ocupação desordenada de planícies de inundação e encostas. 

O atlas aborda as tipologias de risco, incluindo erosão costeira, fluviomarinha, pluvial, movimento de massa, terras caídas, inundações e fenômenos peculiares da Amazônia, como ilhas flutuantes, terras crescidas, acúmulo de sedimentos e colapsos de aterros. Cada processo é apresentado com explicações objetivas, mapas e imagens que ilustram a dinâmica e severidade.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Atlas do SGB indica mais de 1,4 milhão de pessoas em áreas de risco na Amazônia Legal 
Imagem: Divulgação/SGB

Recomendações

Diante desse cenário, o SGB apresenta recomendações, como: mapeamento e monitoramento contínuos; definição de zonas de não edificação em margens fluviais e no topo de falésias; ampliação da drenagem urbana; educação ambiental; e reassentamento de famílias em risco alto e muito alto. 

“A resposta mais eficaz combina soluções de engenharia, estabilização de taludes, contenções e sistemas de drenagem, com estratégias baseadas na natureza, revegetação, restauração de Áreas de Preservação Permanente ciliares e de manguezais, articuladas ao fortalecimento da Defesa Civil e a um planejamento territorial integrado e de longo prazo”, indica o documento.

O Atlas de Risco da Amazônia está disponível no Repositório Institucional de Geociências do SGB. A publicação é de autoria dos pesquisadores: Sheila Gatinho Teixeira, Raimundo Almir Costa da Conceição, Claudio Fabian Szlafsztein, Íris Celeste Nascimento Bandeira, Dianne Danielle Farias Fonseca, Gisele Corrêa dos Anjos, Elton Rodrigo Andretta e Hugo de Souza Ferreira. 

*Com informações do SGB

Mercúrio usado em garimpos ilegais na Amazônia entra por fronteiras com a Guiana e Bolívia

Mercúrio usado por garimpeiros na Terra Yanomami é apreendido em operação do Ibama. Foto: Reprodução

mercúrio usado em garimpos ilegais da Amazônia entra no Brasil por rotas de contrabando que passam, principalmente, pelas fronteiras com a Bolívia e a Guiana, segundo um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

O estudo aponta ainda que o Brasil é um dos principais destinos do mercúrio contrabandeado na América do Sul, usado principalmente em garimpos ilegais.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A Guiana é a principal origem do mercúrio encontrado em Roraima, segundo o estudo. O país faz fronteira com o Brasil pelo município roraimense de Bonfim, ao Norte. O metal é usado em garimpos ilegais nas terras indígenas Yanomami e Raposa Serra do Sol, os maiores territórios indígenas do país e que vivem as consequências da atividade ilegal.

O mercúrio contrabandeado da Bolívia é usado com mais frequência em balsas no rio Madeira, em Rondônia, alvo do garimpo ilegal. Além de áreas de exploração em Mato Grosso, como na Terra Indígena Sararé.

Usado por garimpeiros para separar o ouro de outros sedimentos e, assim, deixá-lo “limpo”, o mercúrio é um metal altamente tóxico ao ser humano. Após ser usado pelos garimpeiros, o mercúrio é jogado nos rios, causando poluição ambiental. Assim, entra na cadeia alimentar dos animais e afeta diretamente a saúde da população, principalmente os povos tradicionais.

Como consequência, o mercúrio no organismo pode causar graves problemas de saúde que afetam o sistema nervoso. O metal líquido fica retido no organismo devido à capacidade de bioacumulação.

Leia também: Amazonas é rota de mercúrio ilegal e tem áreas com alto risco de contaminação, aponta estudo

Rota pela Guiana

O relatório aponta que a rede de distribuição de mercúrio se espalha pela Guiana e por Roraima, com diversos pontos de venda e transporte.

Em Georgetown, capital da Guiana, o mercúrio é vendido tanto no atacado quanto no varejo. Entre a cidade e Boa Vista, capital de Roraima, empresas e pessoas transportam o produto pelos dois lados da fronteira.

“Atualmente, trata-se de comércio discreto, que pressupõe relação de confiança entre comprador e vendedor, os quais geralmente se conhecem ou são postos em contato por conhecido em comum. Diante de pessoas desconhecidas, revendedores do produto negam possuí-lo”, diz o estudo.

O mercúrio é transportado em dois tipos de recipientes: de aço, com cerca de 34 kg, e garrafas de plástico com 1 kg, chamadas de “pitchulas”.

De Georgetown, o produto segue para Lethem, cidade da Guiana na fronteira com Bonfim, município ao Norte de Roraima. As duas são consideradas cidades-gêmeas, por estarem ligadas pela divisa.

Leia também: Saiba quais cidades-gêmeas são encontradas na Amazônia Internacional

Georgetown, a capital da Guiana. Foto: Amanda Mclean/Rede Amazônica

Segundo o relatório, a fiscalização policial e alfandegária é frágil nos dois lados da fronteira, “não havendo presença efetiva que dissuada o cometimento de ilícitos fronteiriços”.

O transporte dentro da Guiana ocorre com vans de turismo, que escondem o mercúrio entre eletrônicos e alimentos. Também há envio por avião, em aeronaves fretadas ou de empresas que levam materiais de mineração.

A entrada do mercúrio no Brasil ocorre principalmente pela ponte sobre o rio Tacutu, com apoio de olheiros e veículos batedores que aproveitam horários sem vigilância da Receita Federal ou da Polícia Federal. Também há casos de transporte por barcos e aviões clandestinos em áreas próximas à divisa.

Após cruzar a fronteira, o mercúrio é levado para Boa Vista em carros particulares ou táxis, escondido em fundos falsos, sob bancos ou perto do estepe. O estudo apontou que no trajeto entre Bonfim e Boa Vista, olheiros e motoristas trocam sinais de farol para avisar sobre fiscalizações.

Em Boa Vista, há vários revendedores que vendem o mercúrio a consumidores finais, de acordo com o estudo. De lá, o produto segue para os garimpos da Terra Indígena Yanomami, em Roraima e no Amazonas.

Cercado pela densa floresta amazônica, o território Yanomami é de difícil acesso. O envio do mercúrio para os garimpos ilegais é feito por avião ou barco, junto com combustível e alimentos.

O metal é levado em garrafas plásticas para reduzir o peso, facilitar o transporte e permitir o uso por várias semanas. O relatório aponta que a operação de retirada dos garimpeiros, iniciada em 2023, alterou a dinâmica com bloqueios em rios e estradas e redução da atividade ilegal na região.

Ele também mostra que o mercúrio vindo da Guiana também abastece a mineração no sul da Venezuela. Ele entra por Bonfim, é armazenado em Boa Vista e depois levado até Pacaraima, cidade roraimense na fronteira com o país venezuelano, em táxis legais ou clandestinos.

Leia também: Mercúrio é detectado em peixes do rio Madeira; estudo alerta ribeirinhos para riscos à saúde

Rota pela Bolívia

O mercúrio vindo da Bolívia entra no Brasil principalmente por terra, passando por cidades de fronteira em Rondônia Mato Grosso. Nas cidades bolivianas, o mercúrio é de fácil acesso.

De acordo com o relatório, as rotas usadas para levar mercúrio em Rondônia também servem para contrabando de cigarros e drogas. O principal fluxo de mercúrio para estado começa em Riberalta, na Bolívia. De lá, o produto segue para Guayaramerín, cidade-gêmea e Guajará-Mirim (RO).

“Para evitar a polícia e embaraços alfandegários, os contrabandistas que atuam na região de Guajará-Mirim se valem da existência de diversos portos clandestinos. O mercúrio, transportado em garrafas PET e frascos pequenos, atravessa o Rio Mamoré em pequenas embarcações até a margem brasileira”, explicou.

buraco deixado na terra yanomami por garimpo de mercúrio
Buracos deixados pelo garimpo ilegal na Terra Yanomami. Foto: Samantha Rufino/Rede Amazônica RR

De Guajará-Mirim, o mercúrio segue para Porto Velho, capital rondoniense, e depois pode ser levado até Itaituba (PA), o sul do Amazonas e outras áreas de garimpo no país. Outras rotas passam pelo município de Nova Mamoré e os distritos Vila Iata e Murtinho, em Rondônia.

Em Mato Grosso, o mercúrio entra pela fronteira em dois principais pontos: as cidades bolivianas San Matias e San Ignacio de Velasco, e os municípios de Cáceres (MT) e Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), a rota mais usada pelos contrabandistas.

O transporte é feito por terra e rios. Por terra, os contrabandistas usam estradas de chão, conhecidas como “cabriteiras”, e rodovias pavimentadas. O metal segue pelos rios Paraguai e Guaporé.

O relatório também aponta indica entradas pontuais de mercúrio vindas da Colômbia, do Peru e da Guiana Francesa, que abastecem garimpos próximos às fronteiras com esses países.

*Por Yara Ramalho, da Rede Amazônica RR

‘COP30 da Bicharada’: conheça a manifestação cultural paraense que marcou presença na conferência mundial

0

Cordão da Bicharada em apresentação no primeiro dia de programação da COP30. Foto: Reprodução/Ministério do Turismo

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que acontece em Belém, no Pará, foi palco de uma manifestação que destaca a força da cultura amazônica e a importância da preservação ambiental.

No primeiro dia do evento que reúne lideranças mundiais (10), uma apresentação do Cordão da Bicharada, tradicional desfile de foliões fantasiados de animais que acontece há mais de 50 anos no município paraense de Cametá, foi realizada.

A participação da Bicharada na maior conferência anual do planeta foi considerada um marco para a história da tradição carnavalesca, porém, parte do público no local recebeu com estranheza e até sarcasmo o desfile das representações animais.

Leia também: ‘Cordão da Bicharada’: tradição une carnaval, crianças e meio ambiente no Pará

“Animais” percorreram o trajeto até o Green Zone, espaço reservado para sociedade civil, instituições e líderes globais. Foto: Reprodução/Ministério do Turismo

O Cordão da Bicharada começou lá na década de 1970 e hoje é uma das principais manifestações culturais do Pará que acende o alerta à preservação da fauna amazônica.

O que é o Cordão da Bicharada?

O Cordão da Bicharada é uma expressão cultural que surgiu em 1975, no distrito de Juaba, localizado na região do Baixo-Tocantins, no município de Cametá, interior do Pará. O idealizador foi o mestre Zenóbio Ferreira, ex-morador da cidade, que decidiu criar o bloco carnavalesco para conscientizar a população sobre a preservação do meio ambiente.

Segundo historiadores, a brincadeira saiu do imaginário de Zenóbio através das histórias que seu pai contava sobre os animais amazônicos. A partir daí, o tema virou uma preocupação sobre os prejuízos ao meio ambiente causados por queimadas e desmatamentos, surgindo em Zenóbio a ideia de dar voz aos animais.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Mestre Zenóbio Ferreira foi o grande idealizador do Cordão da Bicharada. Foto: Reprodução/Instagram-Museu Juabense

Durante o carnaval de 1976, um grupo de moradores fantasiados de animais foram às ruas de Cametá para soltar o “grito” dos bichanos. Nascia ali o Cordão da Bicharada.

Araras, jacarés, cobras, macacos, jabutis, tucanos, botos e outros animais típicos da Amazônia eram representados através de danças e marchinhas, no propósito claro de unir a diversão do carnaval com a urgência de preservar o meio ambiente.

O primeiro Cordão da Bicharada deu origem a 22 bichos feitos de materiais como lona, juta e demais materiais recicláveis.

Tradição de gerações

Os historiadores contam que o Cordão da Bicharada, no início, só permitia que adultos pudessem se fantasiar. As crianças apenas admiravam seus pais e vizinhos imitando as espécies durante a manifestação cultural, algumas até ficavam assustadas com tanto realismo dos brincantes.

Mas, desde 1993, Zenóbio decidiu incluir meninos e meninas no Cordão da Bicharada, passando a tradição de geração em geração. De acordo com o mestre, as crianças começaram a pedir para brincar com as fantasias dos animais feitas para os próprios pais, o que acabou se transformando numa grande brincadeira para todos, sem distinção de idade.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Há 30 anos, tradição do Cordão da Bicharada é passada de geração em geração na cidade de Cametá, no Pará. Foto: Raimundo Paccó

Porque o nome Cordão?

De acordo com registros históricos, o termo Cordão diferencia a brincadeira dos blocos de carnaval, porque os “animais” costumavam entrar na casa das pessoas, num trajeto que imitava o formato de um cordão.

Hoje, os “cordões” pouco entram nas casas dos ribeirinhos, mas são levados de barco para o Carnaval oficial da cidade de Cametá, o chamado Carnaval das Águas, quando se apresentam para o grande público.

Cordão da Bicharada, em Cametá, no Pará, chegando para se apresentar em comunidades ribeirinhas. Foto: Acervo Zenóbio Ferreira

COP30

No primeiro dia de programação da COP30, o tradicional Cordão da Bicharada se apresentou no espaço Green Zone, espaço reservado para a participação da sociedade civil, instituições públicas e privadas e líderes globais, em conjunto com o mascote da cúpula, o Curupira.

A apresentação contou com a presença do ministro do Turismo, Celso Sabino, que prestigiou de perto a manifestação cultural criada nos anos 1970.

“A Amazônia é símbolo da força do nosso povo e do compromisso do Brasil com a preservação ambiental. Queremos que cada visitante da COP30 sinta a energia desse bioma e entenda que o turismo sustentável é um caminho eficaz para garantir desenvolvimento e proteção da floresta”, afirmou o ministro.

Cordão da Bicharada na COP30
Ministro do Turismo, Celso Sabino (de azul, no centro) acompanhou o desfile do Cordão da Bicharada. Foto: Reprodução/Ministério do Turismo

Desconhecimento

Apesar de ser um dos grandes patrimônios culturais do Pará, sede da COP30, a apresentação do Cordão da Bicharada foi alvo de críticas. Num exemplo de desconhecimento da história dessa expressão cultural, parte do público que prestigiou a apresentação demonstrou estranhamento.

Alguns veículos de imprensa também descreveram a manifestação cultural como constrangedora e denominou os brincantes como “pessoas trajadas de animais rastejando no pavilhão”, num grande exemplo de desconhecimento de uma das maiores expressões culturais e artísticas do estado paraense.

Fundação Rede Amazônica realiza painel sobre resíduos sólidos em Belém

0

Foto: Lucas Bonny

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) promove nesta terça-feira (12), em Belém (PA), uma nova edição do Painel Amazônia Que Eu Quero, com o tema “Gestão de Resíduos Sólidos”. O encontro acontece em um cenário diferente: dentro da embarcação Banzeiro da Esperança, projeto da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), parceira da Fundação.

O evento reúne especialistas e gestores públicos para discutir soluções sustentáveis voltadas à destinação correta dos resíduos na região amazônica. Entre os convidados confirmados estão o ex-ministro do Meio Ambiente e conselheiro da FAS, José Carlos Carvalho, o diretor de negócios da Guamá Tratamento de Resíduos, Reginaldo Bezerra, e a secretária executiva de Inclusão Produtiva da Prefeitura de Belém, Pâmela Massoud.

A edição será transmitida ao vivo pelo G1 Amazonas, Amazon Sat e Portal Amazônia, das 8h30 às 9h30 (horário de Manaus).

Leia também: Fundação Rede Amazônica participa do Banzeiro da Esperança com painel sobre gestão de resíduos sólidos em Belém

Foto: Lucas Bonny

A iniciativa integra a série de painéis realizados pela Fundação Rede Amazônica para promover o diálogo sobre o futuro da região e reforçar o papel da Amazônia nas discussões climáticas globais, ja inserido no âmbito da COP 30, que está sendo realizada em Belém.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A Fundação Rede Amazônica no centro do diálogo

A Fundação Rede Amazônica tem se consolidado como uma ponte entre diferentes setores da sociedade, promovendo debates que vão além da superfície das discussões políticas. O painel sobre Reforma Tributária reforçou esse papel de mediação — conectando poder público, empresários e especialistas em um mesmo espaço de reflexão.