Serviços avançam no canteiro central da Marechal Hermes, onde será implantado o maior Jardim de Chuva da capital. Foto: Paula Loirinho/Agência Pará
Com o objetivo de ampliar áreas verdes e fortalecer a infraestrutura ambiental urbana, a Prefeitura de Belém lançou o projeto ‘Jardim de chuva‘, que faz parte de um conjunto de ações voltadas à adaptação climática e à melhoria da qualidade de vida da população. O intuito da medida é a criação de espaços verdes capazes de captar, reter e filtrar a água da chuva de forma natural, evitando assim episódios de alagamemtos na capital paraense.
O novo e maior ‘Jardim de Chuva’ de Belém (PA) será implantado ao longo de toda a extensão do meio-fio da avenida Marechal Hermes, uma área de 576,633 metros quadrados. A iniciativa do programa Belém Mais Verde representa uma das principais estratégias da atual gestão para enfrentar alagamentos urbanos por meio de soluções sustentáveis.
Durante o lançamento, o prefeito Igor Normando destacou que o projeto une adaptação climática e participação da iniciativa privada na construção de soluções para a crise do clima na cidade.
“Esse projeto reúne dois aspectos fundamentais para o futuro de Belém: a adaptação às mudanças climáticas e a parceria entre o poder público e a iniciativa privada. Estamos mostrando que é possível unir esforços para construir soluções modernas, sustentáveis e eficientes para problemas históricos da cidade. Os Jardins de Chuva são uma alternativa inteligente, de custo acessível, que ajuda a absorver a água das chuvas e a reduzir os impactos dos alagamentos”, afirmou o prefeito.
Jardim de chuva, uma solução inspirada na natureza
Os Jardins de Chuva são espaços verdes projetados para captar, reter e filtrar a água da chuva no solo de forma natural. A medida reduz o escoamento superficial e ajuda a minimizar alagamentos em áreas urbanas. O primeiro Jardim de Chuva implantado pela atual gestão municipal foi instalado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente na travessa Quintino Bocaiúva, esquina com a avenida Conselheiro Furtado.
A iniciativa segue o conceito internacional de cidade-esponja, modelo urbanístico que usa soluções naturais para aumentar a absorção da água da chuva e reduzir os impactos das enchentes. Países como China, Dinamarca e Nova Zelândia já adotam estratégias semelhantes para tornar suas cidades mais resilientes aos eventos climáticos extremos.
Plantio de mudas marca início da construção do Jardim de Chuva na avenida Marechal Hermes. Foto: Paula Loirinho/Agência Pará
Programa Belém Mais Verde
O programa Belém Mais Verde foi criado para adaptar a cidade ao cenário das mudanças climáticas e minimizar impactos sobre a população. As ações são orientadas pelas chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SbN), metodologia que usa processos naturais para enfrentar desafios ambientais, sociais e climáticos.
Entre os subprojetos previstos estão a implantação de microflorestas urbanas, corredores verdes, escolas agroflorestais, jardins de chuva, sistemas sustentáveis de drenagem, restauração ambiental e ampliação da arborização urbana. A iniciativa integra uma política pública voltada para a adaptação climática de Belém e para a melhoria da qualidade de vida da população, com a natureza como principal ferramenta de transformação urbana.
Foto: Reprodução/Youtube – Memorias Indígenas em Rondônia e Noroeste de MT
A Universidade Federal de Rondônia (UNIR) divulgou o lançamento do documentário ‘Ki Mõyen – Nossa Língua Makurap‘, que busca fortalecer, valorizar e dar visibilidade à língua e à cultura do povo indígena Makurap. Com 23 minutos de duração, o curta-metragem registra memórias, narrativas e experiências territoriais, evidenciando a importância da língua Makurap como elemento central da ancestralidade e da identidade cultural desse povo.
A produção foi construída de forma colaborativa por lideranças, professores, anciãos, jovens e crianças das Terras Indígenas Rio Branco e Rio Guaporé, em Rondônia.
O trabalho é resultado da parceria entre o povo Makurap, o Coletivo Lakapoy, a Eldorado Filmes, a Associação Indígena Awanda, a Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
As gravações ocorreram em maio de 2025, durante o Encontro do Povo Makurap, realizado na Aldeia Barranco Alto, localizada na Terra Indígena Rio Branco, reunindo famílias e representantes das Terras Indígenas Rio Branco e Rio Guaporé. O documentário foi lançado entre abril e maio de 2026 e integra as ações da Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032), iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) voltada à valorização e revitalização dos idiomas indígenas em todo o mundo.
Produzido a partir de uma metodologia participativa, o documentário garantiu o protagonismo indígena em todas as etapas do processo, desde a construção do roteiro até a definição das narrativas e imagens. A direção de fotografia ficou a cargo de Ubiratan Gamalodtaba Suruí, responsável por registrar o cotidiano das aldeias, os momentos de compartilhamento de saberes e a relação entre língua, território e ancestralidade.
De acordo com a coordenadora do projeto na UNIR, professora Roseline Mezacasa (DEINTER), a obra representa uma importante ferramenta de fortalecimento ultural e linguístico. O filme apresenta as iniciativas desenvolvidas pelas comunidades Makurap para manter viva sua língua materna, promovendo a transmissão de conhecimentos entre diferentes gerações e reforçando os vínculos com o território e a memória coletiva.
“O documentário surge em um contexto de resistência cultural diante dos impactos históricos sofridos pelo povo Makurap, especialmente durante o período dos seringais, quando diversas línguas indígenas foram proibidas. Ao destacar as narrativas e experiências do povo Makurap, a produção contribui para a valorização da diversidade linguística e dos povos originários”, pontua a docente.
A iniciativa também integra o projeto de pesquisa ‘Histórias da castanheira (Bertholletia excelsa), cacau (Theobroma cacao) e tucum (Astrocaryum sp.): plantas, narrativas indígenas e histórias profundas’, além do projeto de extensão ‘História(s) Indígena(s) e redes de memórias ancestrais: a floresta, as epistemologias indígenas e a Lei 11.645’, ambos coordenados pela professora Roseline.
Selecionado pelo Edital Bolsas para Arte e Vídeo – Lei Paulo Gustavo, da Secretaria da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer de Rondônia (SEJUCEL), o filme está disponível gratuitamente ao público no canal do youtube.
O Amapá passa a contar com o maior acervo digitalizado de jornais históricos da região, lançado durante a inauguração do Parque Residência, com um novo acesso ao público, voltado à preservação da memória administrativa, política e social do estado.
Agora, décadas de histórias registradas nos jornais Amapá e Novo Amapá, publicados entre 1945 a 1974, podem ser consultadas de forma digital através do Portal da Imprensa Oficial.
O link desenvolvido pela Secretaria de Estado da Administração (Sead) dá acesso as edições dos periódicos que estão organizadas cronologicamente e podem ser consultadas de forma simples, clara e acessível pelo público. O secretário Adjunto de Logística, Diego Lima, destacou a importância da iniciativa para a preservação da história e a modernização dos serviços públicos.
“Estamos unindo tecnologia e memória institucional para garantir que a história do Amapá esteja acessível a todos. Esse portal não apenas preserva documentos valiosos, mas também fortalece a transparência e amplia o acesso da população aos serviços da Imprensa Oficial. É um avanço importante na modernização da gestão pública”, ressaltou Diego.
Além dos jornais, portal oferece mais recursos
Além da consulta aos jornais históricos, o portal também disponibiliza serviços da Imprensa Oficial de maneira remota. No caso do Diário Oficial, por exemplo, é possível solicitar pesquisas de publicações e encaminhar conteúdos para novas edições, que são publicadas diariamente.
As edições organizadas pelo Núcleo de Imprensa Oficial (NIO), trazem conteúdos que vão além dos atos oficiais, e reúne também notícias sobre política, esportes, obras públicas, ocorrências policiais e anúncios da época. Até então, esse material permanecia inacessível ao grande público.
Foto: Kit Nascimento/Sead AP
“Esse acervo não possuía digitalização, diferente dos Diários Oficiais, que já haviam passado por esse processo. Trata-se de um conteúdo pouco conhecido, mas de enorme valor histórico e administrativo, sendo uma rica fonte de pesquisa sobre o Amapá”, destaca Caio Semblano, do Núcleo de Imprensa Oficial.
A digitalização atende a uma demanda histórica e ocorre cerca de 80 anos após a publicação do primeiro exemplar.
Ao todo, são 28 anos de edições semanais agora disponíveis on-line, que retrata um período marcante da história do estado, logo após sua criação como território federal.
Expedição científica avaliará impacto nas águas do trecho do Igarapé Gurupá, no Território Quilombola de Gurupá. Foto: Daisy Feio/Imazon
Localizado no município de Cachoeira do Arari, no arquipélago do Marajó, no Pará, o Território Quilombola de Gurupá abriga aproximadamente 310 famílias remanescentes de quilombos. Grande parte da população tem no açaí a base da alimentação e como principal fonte de renda. Além disso, é por meio dos rios, lagos e igarapés da região, como o rio Arari e o igarapé Gurupá, que os moradores se locomovem e pescam para a venda e a subsistência.
No entanto, essas atividades essenciais para a comunidade já vêm sendo afetadas pelas mudanças climáticas.
“As populações e a biodiversidade já sofreram impactos negativos das mudanças climáticas, com as secas extremas de 2023 e 2024, mas ainda não foram caracterizados nem medidos”, comenta Carlos Souza Jr., coordenador científico do projeto Áreas Úmidas da Amazônia, conduzido pela RAISG.
Com foco em medir esses impactos e criar um plano de adaptação climática com base nos dados coletados, um grupo de 13 pesquisadores e dois jornalistas do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), do Instituto Socioambiental (ISA), da startup Bioflore, além de um apoiador quilombola e uma pesquisadora da Fiocruz, esteve na região entre os dias 12 e 16 de maio de 2026. A iniciativa integra os projetos Áreas Úmidas e Vulnerabilidade Hídrica, liderados pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), da qual fazem parte o Imazon e o ISA.
Em parceria com a Associação de Remanescentes de Quilombo do Rio Gurupá (ARQUIG), a equipe realizou um mapeamento florestal de alta precisão na vegetação nativa e em áreas de açaizais para avaliar seus estados. Também foram feitas análises da qualidade da água dos rios e igarapés da região, bem como dos poços rasos e artesianos utilizados pela comunidade.
Os habitantes relatam a diminuição do nível dos lagos, rios e igarapés, a morte de peixes e a queda na produtividade do açaí, que apresenta frutos “queimados”, como descrevem, ainda nos cachos. Eles também mencionam o aumento da salinidade dos rios, fenômeno agravado pela instabilidade climática que altera os regimes de seca e cheia na Amazônia. Com isso, a água do oceano adentra com maior força o estuário do Marajó entre julho e dezembro, período mais seco, tornando os corpos hídricos mais salgados do que o normal.
“O que tem afetado diretamente a produção do açaí, de forma notória, são as mudanças nos ciclos do período chuvoso e do período de seca. Se já tá quente e o cacho do açaí tá maduro e cai uma chuva (às vezes tem chuvas torrenciais), há um choque térmico, o açaí na árvore amolece e posteriormente ele seca”, descreve o professor Rosivaldo Correa, residente da comunidade e presidente da ARQUIG.
Produtor de açaí quilombola mostra frutos “queimados” na mão esquerda e frutos saudáveis na mão direita. Foto: Daisy Feio/ Imazon
“Nosso trabalho é diretamente com a comunidade. A gente quer entender os desafios para a gestão desse território, onde a principal atividade está relacionada ao açaí. Nós sabemos, com base nos dados históricos de monitoramento do MapBiomas Água, que há uma tendência de perda de superfície hídrica na escala da bacia amazônica. Essa comunidade foi afetada pelas secas extremas, o que levou a um estresse hídrico na vegetação local, impactando diretamente a produção do fruto, e o bem-estar das populações e a biodiversidade”, explica Carlos.
Áreas de açaizais são mapeadas em 3D com o uso de drones
Durante três dias de campo, foram utilizados drones equipados com sensores LiDAR e câmeras RGB de alta resolução em 12 pontos ao longo do rio Arari e dos Igarapés Murucutu, Gurupá e Baixo Gurupá, para realizar o mapeamento preciso da densidade, da distribuição e das características de reprodução e mortalidade das palmeiras de açaí. A pesquisa ocorreu tanto em áreas de açaí nativo, onde as palmeiras não passam por modificações humanas, quanto em áreas manejadas, onde a vegetação é aberta e o açaí é plantado para otimizar a produção e facilitar a extração do fruto. O levantamento também incluiu extensões de açaizais nativos ainda não explorados.
A atividade foi desenvolvida com o apoio técnico da Bioflore, uma startup especializada em monitoramento ambiental por meio do sensoriamento remoto, associado ao uso da Inteligência Artificial.
“Trabalhamos com o LiDAR, um tipo de sensor capaz de penetrar a copa da vegetação e gerar imagens tridimensionais da floresta. Com essas informações em 3D, conseguimos calcular a altura da vegetação e o estoque de carbono que as árvores armazenam. Outra tecnologia utilizada é a câmera RGB, que captura imagens em altíssima resolução para que a gente possa identificar as espécies existentes aqui, a quantidade delas e conhecer melhor a biodiversidade da região”, explica Heitor Filpi, CEO da Bioflore.
Alex Maciel e Manuel Silva, quilombolas de Gurupá, e Leonardo Gonçalves, da Bioflore, durante o mapeamento com drone próximo ao lago Carobas. Foto: Daisy Feio/ Imazon
O levantamento com drones permitiu mapear uma área de cerca de 300 hectares. A partir do diagnóstico detalhado dos açaizais, que ainda está em andamento, os quilombolas que se alimentam e trabalham diretamente com o fruto, poderão utilizar as informações tanto para criar um plano de adaptação climática para a comunidade, juntamente com o Imazon e o ISA, quanto para aprimorar o manejo do açaí.
Além disso, os dados podem apontar demandas de políticas públicas para a região e abrir novas oportunidades, como comenta Rosivaldo: “Com esse levantamento, a gente vai ter dados mais precisos e poderá elaborar projetos, participar de editais, e isso vai ser um ganho muito grande para nós. É muito importante ter esses dados para buscar melhorias para o nosso povo”.
Rosivaldo Correa, presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombo do Rio Gurupá (ARQUIG). Foto: Daisy Feio/ Imazon
Qualidade da água de rios, igarapés e poços do quilombo é analisada
As mudanças climáticas também podem estar alterando a quantidade de sais minerais presentes nos rios e igarapés que banham o quilombo Gurupá. Isso ocorre porque os rios desaguam no mar e, durante os períodos de estiagem, cada vez mais intensos e frequentes devido à instabilidade do clima, o volume de água doce diminui. Com isso, o mar avança sobre o leito dos rios, deixando-os com níveis de salinidade inadequados à região.
A análise dos sais minerais, assim como a de outras características que definem a qualidade hídrica, como o teor de oxigênio e o pH, dentre outros parâmetros, foi realizada pela pesquisadora da Fiocruz, Gina Boemer. Ela recolheu duas amostras de água em pontos diferentes do rio Arari, duas no igarapé Gurupá, uma no igarapé Murutucu e duas no igarapé Aracaju, totalizando sete amostras entre o rio e os igarapés mais importantes para os quilombolas.
Pesquisadora Gina Boemer colhendo amostras de água no rio Arari, próximo a comunidade Quilombola de Gurupá. Foto: Daisy Feio/ Imazon
“O desejável é que a água esteja mais próxima das condições originais e que não haja grandes impactos humanos interferindo nessa qualidade hídrica. Esse equilíbrio ambiental é necessário para a manutenção da vida nesse ecossistema”, detalha a cientista.
As comunidades também vêm enfrentando dificuldades com a água destinada ao consumo, oriunda de poços mais profundos, chamados de artesianos, e de poços rasos, denominados localmente como “poços de boca aberta”.
Segundo relatos, não há tratamento adequado na comunidade, e cada família é responsável por tratar sua própria água, seja fervendo ou utilizando hipoclorito de sódio distribuído pelos agentes comunitários de saúde. Com base nas informações locais, a pesquisadora da Fiocruz analisou dois poços e duas torneiras utilizados pela população.
Miriam Santos, coordenadora escolar e moradora do Quilombo de Gurupá. Foto: Daisy Feio/ Imazon
A ausência de diagnóstico da qualidade da água, e as dificuldades no tratamento vêm causando doenças na população, principalmente nas crianças, que em alguns casos apresentam diarreia e vômito.
“Na minha casa, eu fervo a água para tomar, porque há muito tempo já sofri com algumas doenças causadas pela contaminação. Então, eu tenho certeza de que essa pesquisa vai gerar bons frutos, principalmente em relação à saúde das pessoas”, relata a coordenadora escolar e moradora Miriam Santos.
Equipe de campo e quilombolas que atuaram na expedição. Foto: Daisy Feio/ Imazon
O planejamento da iniciativa prevê o retorno da equipe ao local ainda em 2026, com o objetivo de apresentar a análise detalhada dos dados sobre o açaí e a água do Quilombo Gurupá. A partir daí, serão discutidas, com a comunidade, soluções práticas que contribuam para o enfrentamento das mudanças climáticas pelos quilombolas, que tem a floresta e as águas dos rios como território de vida.
“Em breve, vamos ter um dossiê detalhado sobre o que está acontecendo na comunidade. Existem algumas tendências sobre o que pode estar acontecendo, mas esse conjunto de dados pode nos dar perspectivas para compreender melhor essas mudanças e construir um plano de adaptação climática para o quilombo”, comenta Cícero Augusto, pesquisador do ISA.
Celebrado no dia 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, como forma de influenciar a reflexão sobre a importância da conscientização e da preservação dos recursos naturais do planeta.
Por conta disso, a literatura infantil atua como uma importante aliada na formação de crianças, ajudando a torná-las mais conscientes por meio de histórias de aventuras, personagens que cativam e cenários inspirados na biodiversidade.
Os livros podem abordar temas como a conservação das florestas, a proteção dos animais, a sustentabilidade e o respeito aos povos originários.
Em comemoração a essa data importante, o Portal Amazônia buscou por novos livros que ensinam as crianças a compreender a importância de cuidar da Amazônia, do meio ambiente e do planeta. Confira:
Foto: Reprodução/ Livrinhos do Brasil
1. ‘Tapajós’, de Fernando Vilela
Inspirado em uma viagem de Fernando à Amazônia, o livro acompanha os irmãos Cauã e Inaê, que vivem às margens do rio Tapajós, mas que com a chegada do período das cheias, precisam deixar a casa de palafitas e se mudar para a floresta. Durante a mudança, Inaê percebe que seu jabuti de estimação, Titi, ficou para trás, e, acompanhada do irmão, embarcam em uma jornada repleta de desafios para encontrá-lo.
O livro é narrado por Cauã e se passa na região amazônica, caracterizada pelo inverno, quando chove muito, e pelo verão, período de seca, mudanças que interferem no nível da água, obrigando a população às margens do rio Tapajós se mudar de acordo com a estação.
2. ‘Diário de Pilar na Amazônia’, de Flávia Lins e Silva e Joana Penna
Pilar, Breno e o gato Samba chegam ao rio Amazonas por meio de um giro em uma rede mágica. Juntos eles montaram a Sociedade dos Espiões Invisíveis (SEI) e estão dispostos a desvendar os mistérios do passado, enquanto procuram pistas sobre o paradeiro do pai da menina.
Durante a aventura, eles conhecem lendas amazônicas, como a lenda da Iara e a da Cobra-Grande, além de se dar conta de que as árvores da floresta encantada estão sendo destruídas e que é preciso fazer alguma coisa para preservá-las.
Ao longo da viagem, Pilar aprende sobre os costumes da região, como comer pupunha cozida, navegar em canoas e viver em palafitas, além de compreender a importância da preservação ambiental.
3. ‘A Última Árvore da Amazônia’, de Maristela Lima de Araujo Silva
A obra retrata uma Floresta Amazônica devastada por queimadas e desmatamento. Na história, todas as árvores foram derrubadas, exceto uma árvore que foi escolhida para a preservação: o Angelim-Pedra, de madeira nobre.
Solitário, ele sonha com o retorno dos animais amigos que antes ajudavam a espalhar suas sementes. O livro ensina as crianças a refletirem sobre as consequências da destruição ambiental e da importância da recuperação das florestas.
Foto: Reprodução/Amazon
4. ‘A Árvore Generosa’, de Shel Silverstein
Considerado um clássico da literatura infantil, o livro narra a relação especial entre um menino e uma árvore que, ao longo da vida, oferece tudo que possui para ajudá-lo.
No entanto, à medida que vai crescendo, o menino vai ficando cada vez mais exigente nos pedidos, fazendo com que a árvore, mesmo com poucos recursos, continue a fazer tudo o que quer.
O livro estimula reflexões sobre a generosidade, o consumo e a forma como os seres humanos se relacionam com os recursos naturais, já que, disposta a qualquer coisa para vê-lo feliz, a árvore vai se desfazendo aos poucos, mostrando que, pelo amor do menino, pode abrir mão de sua própria vida.
Foto: Reprodução/Amazon
5. ‘Azul e Lindo – Planeta Terra, Nossa Casa’, de Otávio Roth e Ruth Rocha
A obra apresenta, de forma acessível às crianças, questões relacionadas à preservação ambiental, como o que fazer para impedir que os solos se tornem desertos, que as águas fiquem envenenadas e que as florestas sejam devastadas.
6. ‘Vivene e Florine e suas aventuras na Amazônia’, de Isa Colli
Depois de alcançar sucesso com a fábrica da aldeia Moinho, as abelhas Vivene e Florine, durante um passeio pela floresta, descobrem uma área devastada pela ação humana, com animais doentes e em situação de sofrimento.
Determinadas a ajudar, elas partem para a Amazônia em busca de especialistas em reflorestamento.
Durante a jornada, as personagens descobrem que a própria espécie está ameaçada de extinção e aprendem a importância desses polinizadores para a manutenção da vida.
Foto: Reprodução/Amazon
7. ‘Um Passeio na Floresta Amazônica’, de Laurie Krebs
O livro acompanha três crianças curiosas que exploram a maior floresta tropical do mundo. Durante o passeio, elas se deparam com animais como botos-cor-de-rosa, bichos-preguiça, onças-pintadas, jacarés e diversas espécies de aves.
Além de apresentar a riqueza da fauna e da flora amazônicas, a obra destaca a a importância de conservar a fauna e a flora, bem como respeitar e preservar a cultura dos povos da floresta.
Foto: Reprodução/Amazon
8. ‘Abaré’, de Graça Lima
Abaré, que significa ‘amigo’ em tupi-guarani, é um menino indígena curioso que percorre diferentes caminhos da floresta em busca de conhecimento sobre os animais e a diversidade da natureza.
Todas essas aventuras ajudam o menino a amadurecer, mas de todas as descobertas, a maior delas será a amizade.
A obra também apresenta elementos da cultura indígena e reforça a conexão dos povos originários com o meio ambiente.
9. ‘Antes que a Terra Fuja: Uma história pela limpeza do Meio Ambiente’, de Julieta de Godoy Ladeira
A história, cheia de fantasia e poesia, narra uma terra poluída e queimada que decide fugir por não suportar mais. Ao lado da lua, elas embarcam em uma aventura que leva os leitores a refletirem sobre a importância de preservar o planeta.
De forma lúdica, o livro aborda temas ambientais e desperta a consciência ecológica nas crianças.
Foto: Divulgação
10. ‘As oncinhas guardiãs da Amazônia’, de Wellington Modesto De Souza
A obra apresenta seis oncinhas escolhidas pelos espíritos ancestrais para proteger a natureza de uma força sombria.
Na história, cada personagem possui um dom especial ligado à coragem, à cura, à sabedoria, à esperança e também proteção da floresta.
Inspirada no folclore brasileiro, a narrativa valoriza a biodiversidade amazônica e transmite mensagens sobre conservação ambiental e responsabilidade coletiva.
Literatura como ferramenta de conscientização
Mais do que entretenimento, os livros infantis podem ajudar a despertar desde cedo o interesse pela preservação da natureza. Ao apresentar temas ambientais por meio de histórias criativas, essas obras ensinam as crianças a compreenderem a importância das florestas, dos rios, dos animais e dos povos que vivem em harmonia com o meio ambiente.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, a leitura pode ser uma excelente oportunidade para incentivar novas gerações a conhecer, valorizar e proteger o planeta.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, discursos sobre preservação, mudanças climáticas e sustentabilidade ocupam espaço nos meios de comunicação, nas redes sociais e nos fóruns internacionais. Todos importantes. Mas talvez exista uma pergunta que mereça mais atenção:
Quem protege a Amazônia?
Ao longo dos últimos anos, a floresta passou a ser vista como peça estratégica para o equilíbrio climático do planeta. Governos, empresas, universidades e organizações ambientais voltaram seus olhos para a maior floresta tropical do mundo. No entanto, muitas vezes esquecemos de olhar para aqueles que vivem dentro dela.
Como amazônida, jornalista, economista e alguém que navegou por dois anos os rios da Amazônia, desde a foz do Amazonas até o rio Napo, na Amazônia equatoriana, aprendi uma lição simples: a floresta não se preserva sozinha.
Ela é protegida por pessoas.
São indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores e agricultores familiares que convivem diariamente com os rios, as matas e a biodiversidade. São eles que conhecem os ciclos da natureza, os períodos da pesca, os tempos da floresta e os limites que precisam ser respeitados para garantir que os recursos continuem existindo para as próximas gerações.
Isso não significa idealizar ou romantizar a vida na floresta. Essas populações enfrentam desafios enormes relacionados ao acesso à saúde, educação, transporte, comunicação e oportunidades econômicas. Ainda assim, continuam desempenhando um papel fundamental na conservação de um patrimônio que pertence ao Brasil e interessa ao mundo inteiro.
Durante minha travessia pela Amazônia, encontrei inúmeras comunidades onde o conhecimento sobre o ambiente não estava nos livros, mas na prática cotidiana. Homens e mulheres capazes de identificar mudanças nos rios, prever comportamentos da natureza e manejar recursos florestais de forma sustentável muito antes de o termo sustentabilidade se tornar conhecido globalmente.
Por isso, quando falamos em meio ambiente, não podemos limitar o debate apenas às árvores, aos rios ou à biodiversidade. Precisamos falar também de pessoas.
A Amazônia precisa de conservação, mas precisa igualmente de inclusão. Precisa de proteção ambiental, mas também de desenvolvimento. Precisa manter a floresta em pé, mas garantir dignidade para quem vive nela.
Essa talvez seja uma das maiores lições amazônicas para o século XXI: não existe contradição entre preservar e gerar oportunidades quando os povos da floresta são reconhecidos como protagonistas.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, vale lembrar que proteger a Amazônia não é apenas uma questão ecológica. É também uma questão humana.
Porque não haverá floresta em pé sem povos da floresta de pé.
Sobre o autor
Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). A expedição deu origem ao livro ‘A Nova Conquista da Amazônia’. Atualmente é apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.
Vilacy (ao centro) recebe o troféu na companhia do bolsista Arthur Ribeiro, do professor Mário Purubora e Diana Rodrigues (à esq.). Foto: Reprodução/Fundação BB
O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) é um dos sete vencedores do 13º Prêmio da Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social com o projeto Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas, coordenado pela pesquisadora Ana Vilacy Galúcio e com a participação de povos da Amazônia Legal e da University of New Mexico. Ao lado de Mário Purubora, ela recebeu o prêmio durante a cerimônia realizada no dia 29 de maio em Brasília.
“Estou muito emocionada. Agradeço a todos os povos indígenas do Brasil, que confiaram no nosso trabalho. Agradeço ao Museu Paraense Emílio Goeldi; ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, que apoia e dá suporte ao trabalho com os povos indígenas; e à Fundação Banco do Brasil, por essa iniciativa maravilhosa. Nesta década, na Década Internacional das Línguas Indígenas [2022-2032], esse trabalho é fundamental para a gente continuar apoiando a revitalização das línguas dos povos originários nesse país que hoje se chama Brasil. Nós queremos todas as línguas vivas”, declarou Vilacy.
Mário Purubora, da Aldeia Aperoi, localizada no município de Seringueiras (RO), atuou como pesquisador e sabedor indígena durante a elaboração do Dicionário Multimídia da Língua Purubora. Ele já utiliza os dicionários na escola Iwara Purubora, onde estão reunidos cerca de 20 estudantes, entre crianças, adolescentes e adultos.
Foto: Divulgação/MPEG
Mário participou, junto com a pesquisadora Ana Vilacy, da última etapa de escolha de projetos a serem premiados, dias antes do anúncio dos vencedores, e alertou, na ocasião de entrega da premiação, para a responsabilidade do Estado brasileiro em garantir os direitos dos povos indígenas pela demarcação de seus territórios.
Fizeram parte da comitiva à capital do país, Artur Ribeiro, bolsista do Museu Goeldi, e Diana Rodrigues, pesquisadora do Museu Goeldi e representante da Associação Brasileira de Ensino, Pesquisa e Extensão em Tecnologia Social (Abepets).
Em nome do Banco do Brasil, o vice-presidente de Governo e Sustentabilidade da instituição, José Ricardo Sasseron, assegurou que os inscritos “trouxeram os saberes da população brasileira, trouxeram a diversidade do Brasil para o prêmio, trouxeram tecnologias que transformam a vida das pessoas. Vocês são o retrato do Brasil”.
Reaplicação e participação comunitária para criação dos dicionários
Os dicionários são aplicativos bilíngues que combinam áudio, vídeo, imagens e textos para apoiar a documentação, o ensino e a revitalização de línguas indígenas. Funcionam sem internet e já são utilizados por comunidades de oito povos indígenas da Amazônia.
A elaboração da tecnologia é feita a partir da demanda dos povos aos pesquisadores, no intuito de garantir a sobrevivência de sua língua materna, e com a participação estreita das comunidades e de quem ainda domina o conhecimento em alguma medida.
Sobretudo, a tecnologia tem a capacidade de se adaptar às necessidades particulares de cada língua. Estas são também as qualidades que garantiram que o projeto se tornasse um dos 40 finalistas entre os 1.107 inscritos no edital da premiação.
Floresta intacta no Amazonas. Foto: Cássio Alencar Nunes/Lancaster University
Florestas primárias, que nunca foram desmatadas, são as principais guardiãs da biodiversidade amazônica, mesmo que já tenham sido afetadas por queimadas ou corte seletivo de árvores, segundo um estudo conduzido por pesquisadores do Brasil e do Reino Unido. Os cientistas compararam o impacto de atividades humanas sobre a diversidade de plantas de diferentes composições florestais ao longo do tempo na Amazônia e concluíram que as florestas primárias sempre abrigam uma quantidade maior de espécies do que aquelas que se regeneraram depois de terem sido derrubadas no passado.
O estudo reforça a importância de se frear o avanço do desmatamento na Amazônia – ao mesmo tempo em que se incentiva a regeneração de áreas anteriormente desmatadas –, já que as florestas secundárias não chegam a repor por completo a biodiversidade das matas originais que foram perdidas, segundo os pesquisadores. Os resultados foram divulgados na revista Global Change Biology.
Os pesquisadores catalogaram cerca de 55 mil árvores em duas regiões do Pará, situadas nos municípios de Paragominas e Santarém, representando quatro tipos de florestas:
primárias que não sofreram distúrbios;
primárias que tiveram corte seletivo de árvores (quando são retiradas apenas espécies de maior valor comercial);
primárias que sofreram corte seletivo e queimadas;
florestas secundárias, resultantes da regeneração natural de uma área que sofreu corte raso – ou seja, que foi totalmente desmatada anteriormente.
Os cientistas mediram a diversidade das árvores de três formas diferentes: focando nas espécies, nos grupos funcionais – mensurando características como espessura da casca, densidade da madeira e tamanho da folha – e nas linhagens evolutivas. Além disso, avaliaram a diversidade separando as árvores em grandes e pequenas.
Quando comparados os dados entre as áreas, conclui-se que as modificações humanas explicam 55% da variação na diversidade de espécies e 42% da diferença na composição das comunidades de árvores. A forma como se mede a diversidade (espécies, grupos funcionais ou linhagens evolutivas) e o tamanho das árvores explicam apenas cerca de 5% das diferenças entre florestas.
“Por mais que as florestas primárias degradadas sejam menos diversas e tenham um apanhado de espécies diferentes daquelas que não sofreram impactos, elas são muito mais diversas do que as florestas secundárias. Estas vão demorar séculos para ter árvores de grande porte e os serviços ecossistêmicos fornecidos por essas espécies”, explica Cássio Alencar Nunes, pesquisador da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e da Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Foto: Divulgação/Rede Amazônica AP
A Amazônia abriga até 16 mil espécies de árvores. Um único hectare frequentemente contém mais de 300. Em comparação, toda a Europa tem cerca de 450 espécies nativas de árvores.
Nunes coordenou o trabalho com outra cientista brasileira no Reino Unido, Erika Berenguer, pesquisadora das universidades de Lancaster e de Oxford. Berenguer monitora as áreas analisadas no estudo desde 2010.
“Nossos resultados mostram que, quando se trata de compreender as influências humanas sobre as florestas tropicais, não importa se a abordagem é para medir perda de espécies, de funções ecológicas ou linhagens evolutivas. As influências humanas são tão profundas que todas essas medidas estão mudando”, explica Berenguer em um comunicado da Universidade de Lancaster.
“O estudo demonstra que é preciso continuar investindo em restauração e na proteção das florestas secundárias, uma vez que qualquer área com remanescentes florestais contribui muito mais com os serviços ecossistêmicos do que áreas sem floresta. No entanto, os resultados mostram com bastante clareza que as florestas primárias são imprescindíveis e precisam ser conservadas, mesmo que já tenham sofrido distúrbios”, avalia Carlos Joly, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador do projeto e coautor do estudo.
Florestas para sempre
Durante a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP30) ocorrida em Belém, em novembro de 2025, estabeleceu-se o TFFF, um fundo global para o financiamento da conservação das florestas tropicais. Para os autores do estudo, mecanismos do tipo são essenciais para oferecer condições para que as florestas sejam conservadas em vez de derrubadas para a exploração de atividades econômicas que contribuem para o agravamento das crises climática e da biodiversidade.
A comparação entre florestas intocadas e que sofreram distúrbios realizada no estudo aponta que mesmo a exploração seletiva de madeira, tida como uma forma de manejo sustentável, tem impactos profundos na diversidade das árvores.
Assim, mecanismos como o TFFF são importantes para garantir a conservação, independentemente de ganhos econômicos possíveis nessas áreas, ainda que ditos sustentáveis, segundo Berenguer.
“Embora o foco da COP30 tenha sido principalmente o carbono, é essencial vincular as discussões climáticas à biodiversidade se quisermos superar as crises climática e de biodiversidade. Em última instância, é a biodiversidade que garante a provisão de serviços ecossistêmicos, inclusive o sequestro e o armazenamento de carbono”, afirma a pesquisadora.
O artigo Multifaceted assessment of amazonian tree diversity reveals pervasive impacts of human modification pode ser lido AQUI.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por André Julião
A substituição de corantes sintéticos é alternativa para menor impacto ambiental. Foto: Divulgação
Pesquisadoras da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em colaboração com o Instituto Superior de Engenharia do Instituto Politécnico de Coimbra, em Portugal, publicaram um estudo que apresenta uma alternativa ecológica, utilizando as cascas de andiroba (Carapa guianensis) como fonte sustentável de corantes naturais para o tingimento de tecidos.
A motivação principal do estudo foi a busca de alternativas sustentáveis para a indústria têxtil, substituindo corantes sintéticos, de alto impacto ambiental, por corantes naturais obtidos a partir de resíduos vegetais, como as cascas de andiroba, normalmente descartadas após a extração do óleo.
O objetivo da pesquisa foi transformar um resíduo abundante em um produto de maior valor, contribuindo para a bioeconomia amazônica e para o uso sustentável dos recursos da região. Para isso, foram feitas coleta de cascas de andiroba, produção de extratos, análises químicas, testes de aplicação em tecidos e avaliação da durabilidade das cores obtidas.
A extração do óleo gera uma grande quantidade de cascas, antes descartadas como resíduo. O estudo identificou que esse material, rico em taninos (compostos naturais com forte capacidade de pigmentação), tem potencial para ser utilizado como alternativa aos corantes sintéticos.
Sustentabilidade e bioeconomia
A indicação de que as cascas do fruto da andiroba têm potencial como fonte sustentável de corantes naturais significa que um resíduo abundante e sem valor comercial pode ser transformado em um corante eficiente para tingir fibras naturais e potencializar a economia local.
Com isso, parte dos corantes sintéticos, conhecidos pelo elevado impacto ambiental e toxicidade devido à dependência de derivados do petróleo, podem ser substituídos por uma alternativa de menor impacto ambiental, em um processo que também pode criar oportunidades econômicas para comunidades extrativistas, valorizar saberes tradicionais sobre pigmentos vegetais e fortalecer a bioeconomia amazônica.
Para a indústria têxtil, isso representa a possibilidade de desenvolver produtos com identidade regional e maior apelo sustentável.
A pesquisa tem relação direta com o conhecimento popular, pois a andiroba é uma planta tradicionalmente utilizada por populações amazônicas há gerações, tanto na medicina tradicional quanto na produção artesanal de pigmentos naturais.
O estudo reconhece e valoriza esse saber ancestral, buscando compreender cientificamente os compostos responsáveis pela coloração e validar, em laboratório, práticas já presentes na cultura local.
As cascas de andiroba utilizadas na pesquisa foram coletadas na comunidade de Samaúma (PA), onde o agroflorestor Adamor Santos, ex-garimpeiro, desenvolveu, com apoio de professores e estudantes da Ufopa, uma agroindústria comunitária dedicada à extração de óleos florestais, incluindo o óleo de andiroba.
A comunidade Samaúma está localizada no Assentamento Tapera Velha, na região do planalto de Santarém, município no Oeste do estado do Pará, próximo da Floresta Nacional do Tapajós, onde o conhecimento sobre espécies amazônicas, como a andiroba, faz parte do cotidiano das famílias.
Assim, a pesquisa atua como uma ponte entre saberes tradicionais e tecnologia moderna, fortalecendo a valorização da biodiversidade e do conhecimento amazônico.
Colaboração científica internacional
O estudo foi desenvolvido durante o doutorado sanduíche de Kellyane Cesar, acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal – Bionorte/Ufopa, no Instituto Superior de Engenharia, em Coimbra (Portugal).
Participaram da pesquisa as professoras Rosa Mourão e Sandra Sarrazin, da Ufopa, e as pesquisadoras Nazaré Pinheiro e Filipa Fonseca, da instituição portuguesa, tendo havido ainda colaboração de alunos do curso de Farmácia do Instituto de Saúde Coletiva (Isco) da Ufopa.
A Ufopa coordena a pesquisa, sendo responsável pela coleta de cascas de andiroba, pelo desenvolvimento dos métodos de extração, pelas análises químicas iniciais e pelos testes de tingimento em fibras naturais, onde ocorrem a parte central do trabalho científico e a interação com as comunidades locais. O Instituto de Coimbra atua como parceiro internacional, contribuindo com expertise em tecnologia têxtil para a avaliação da solidez e da fixação das cores, além de fortalecer as discussões sobre escalonamento e padrões industriais.
Foto: Divulgação
O trabalho também está associado ao projeto institucional voltado ao fortalecimento da infraestrutura científica e tecnológica da Amazônia Legal, financiado pelo edital MCTI/FINEP/FNDCT – Pró-Amazônia, envolvendo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Financiadora de Estudos e Projetos e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, bem como a bolsa de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) da pesquisadora Rosa Mourão.
Essa articulação entre o grupo de pesquisa, o curso e o projeto institucional permite que o estudo tenha impacto científico, formativo e social, ampliando a capacidade da universidade de gerar conhecimento aplicado sobre a biodiversidade amazônica.
Inovação limpa e de qualidade
Buscando uma abordagem totalmente ecológica, a equipe de pesquisa extraiu o corante do pó de cascas, utilizando solventes verdes, como a água, sem recorrer a solventes químicos agressivos.
O extrato natural foi aplicado no tingimento de fibras como algodão, linho, lã e seda, resultando em uma paleta elegante de tons bege e cinza acastanhados. Os testes demonstraram boa fixação e resistência ao desbotamento, tanto sob exposição prolongada à luz solar quanto após lavagens com água fria e quente.
Os resultados da pesquisa evidenciam o potencial da ciência para desenvolver soluções concretas diante dos desafios ambientais contemporâneos. Ao transformar um resíduo florestal em um produto de valor agregado, o estudo contribui para reduzir os impactos ambientais da indústria têxtil, ampliar o uso de alternativas sustentáveis aos corantes sintéticos e fortalecer as cadeias produtivas de base comunitária. Além disso, cria oportunidades de geração de renda para populações amazônicas que atuam na conservação da floresta.
Mais do que propor uma nova aplicação para resíduos vegetais, a pesquisa demonstra que ciência, biodiversidade e saberes tradicionais podem atuar de forma integrada na construção de uma economia mais sustentável, inclusiva e alinhada às potencialidades da Amazônia.
A pesquisa foi publicada na edição de 2026 dos anais científicos da 7.ª Conferência Internacional WASTES: Solutions, Treatments and Opportunities pela editora Springer. Título do trabalho: “Valorization of Carapa guianensis Fruit Waste as a Sustainable Source of Natural Textile Dyes” (disponível AQUI).
Tecnologia é usada no tratamento de água. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá
Apresentado no Equador entre os dias 27 e 28 de maio, durante a Oficina de Capacitação de Multiplicadores em Água e Saneamento na Amazônia Rural, o projeto “Água de Beber” despertou o interesse de instituições locais e deverá subsidiar ações voltadas à ampliação do acesso à água potável em comunidades ribeirinhas da Amazônia equatoriana. A metodologia de tratamento emergencial de água foi desenvolvida pelo Instituto Mamirauá em resposta à seca extrema que atingiu a Amazônia entre 2023 e 2024.
Durante as oficinas realizadas na cidade de Coca e na comunidade Guiyero, os pesquisadores do Instituto Mamirauá e da Universidade San Francisco de Quito utilizaram o kit “Tratamento Emergencial de Água” para demonstrar métodos de tratamento e purificação da água em situações emergenciais.
Ao final das atividades, foram entregues 80 kits de tratamento aos participantes. Além dos kits, também foram apresentados o tratamento domiciliar da água por meio do Guia Prático para o Tratamento Emergencial de Água Barrenta para Comunidades Ribeirinhas da Amazônia, disponibilizado em versão traduzida para o espanhol. A oficina também demonstrou métodos sobre a desinfecção solar da água, e os métodos seguros para captação e tratamento de água de chuva.
No Equador, a ação integra uma das iniciativas da Aliança Águas Amazônicas que, assim como a Universidade San Francisco de Quito, reúne instituições e pesquisadores voltados à conservação ambiental e ao fortalecimento de soluções comunitárias para água e saneamento na Amazônia. Nesse contexto, o Instituto Mamirauá participa de diversas articulações por meio de diferentes frentes relacionadas à gestão da água, às tecnologias sociais e ao monitoramento socioambiental.
A implementação da iniciativa no Equador surgiu a partir do interesse de instituições locais em fortalecer o acesso à água potável para comunidades ribeirinhas. A região apresenta características semelhantes às do Médio Solimões, no Amazonas, como a ocorrência de águas barrentas, desafios socioambientais, e a vulnerabilidade aos impactos das mudanças climáticas.
Foto: Cleimison Fernandes/Instituto Mamirauá
Para o líder do Grupo de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento de Tecnologias Sustentáveis da Amazônia (GPIDTS), João Paulo Borges, apresentar e realizar as oficinas vai além do compartilhamento de conhecimento. “Essa experiência de trabalhar em diferentes regiões da Amazônia e junto a comunidades tradicionais representa um intercâmbio que fortalece as parcerias institucionais e, ao mesmo tempo, contribui para outros territórios. Isso é muito importante diante dos desafios ambientais enfrentados pela região amazônica”, afirma o pesquisador.
O evento também contou com diálogos entre lideranças locais e profissionais ligados à gestão da água na Amazônia equatoriana. Entre os participantes estiveram representantes de comunidades indígenas e ribeirinhas, universidades, rede jovens, juntas de gestão de água, associações locais e órgãos ambientais.
Com o objetivo de disseminar as técnicas de tratamento de água entre os participantes das oficinas e torná-los multiplicadores desse conhecimento, a expectativa é que o intercâmbio alcance outras comunidades, contribuindo para ampliar soluções de baixo custo voltadas ao acesso à água segura em diferentes territórios.
A parceria entre o Instituto Mamirauá, a Aliança Águas Amazônicas e a Universidade San Francisco de Quito envolveu nove pesquisadores das instituições participantes. Entre eles estão: Paulina Rosero, Daniela Rosero-Lopez, Daniel Escobar-Camacho, Melani Valencia, Pamela Moreno, Andrea Encalada, João Paulo Borges Pedro, Cleimison Fernandes Carioca e Ayan Fleischmann.
Além do Instituto Mamirauá e da Universidade San Francisco de Quito, que compõem a rede Aliança Águas Amazônicas, o evento contou com o apoio da Escuela Superior Politécnica de Chimborazo (ESPOCH), da Pontificia Universidad Católica del Ecuador (PUCE), da Alianza Ceibo, da Amazon Frontlines, da Dirección de Salud de Orellana (DSO) e do Ministerio del Ambiente, Agua y Transición Ecológica (MAATE), por meio do Parque Nacional Yasuní.
A iniciativa também fortaleceu a articulação entre organizações da sociedade civil, universidades, instituições de pesquisa e órgãos governamentais da Amazônia equatoriana.
Foto: João Paulo Borges/Instituto Mamirauá
Projeto Água de Beber: tecnologia à favor das comunidades
O projeto “Água de Beber” conta com a criação de um guia prático e um kit de tratamento de água em situações de emergência, desenvolvidos pelo Instituto Mamirauá em resposta à seca extrema que atingiu a região do Médio Solimões (AM) nos anos de 2023 e 2024. Nesse contexto, o Grupo de Pesquisa em Inovação, Desenvolvimento e Adaptação de Tecnologias Sustentáveis e o Programa de Qualidade de Vida do Instituto criaram a solução de baixo custo para o tratamento emergencial de água para alcançar as comunidades ribeirinhas.
Desde então, a iniciativa vem sendo aplicada em ações de preparação e resposta às estiagens, por meio de oficinas com profissionais da saúde e agentes locais. As atividades atendem milhares de famílias ribeirinhas, incluindo as Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, além da Floresta Nacional de Tefé.
Além de ampliar o acesso à água potável durante eventos climáticos extremos, a tecnologia pode ser adotada por instituições parceiras e órgãos públicos, que podem adquirir os kits e promover sua distribuição às comunidades, acompanhada das capacitações e do suporte oferecidos pelo Instituto Mamirauá.
O kit foi desenvolvido para que o tratamento da água possa ser realizado de forma simples e segura pelas próprias famílias, utilizando materiais de fácil manuseio e orientações práticas. A solução adapta, à realidade das comunidades ribeirinhas, usa processos amplamente utilizados em sistemas convencionais de abastecimento, tornando possível a produção de água própria para consumo mesmo em situações de emergências.
Com formato compacto e de fácil transporte, o kit reúne os insumos necessários para o tratamento da água e pode atender uma família por vários meses, dependendo da demanda de consumo. Além de ampliar a capacidade de resposta das comunidades diante de eventos climáticos extremos.
Com uma equipe consolidada e reconhecimento nacional e internacional, o projeto “Água de Beber” tornou-se possível com o apoio da Cáritas Suíça, do Servizio Protezione Internazionale (SPI), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da União Europeia, por meio de sua iniciativa de Ajuda Humanitária. A iniciativa também contou com a parceria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Prefeitura de Tefé e da Prefeitura de Uarini. O desenvolvimento da tecnologia foi realizado pelo Instituto Mamirauá, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá, escrito por Tácio Melo