Estudo aponta que pandemia reduziu quase 6 anos da expectativa de vida dos amazonenses

Levantamento sobre a pandemia avaliou impactos das doenças e fatores de risco em mais de 200 países. Queda representa a segunda maior redução do país.

Durante pandemia, Brasil já registrou 191 mil mortes por covid-19 em 2020. Foto: Alex Pazuello/Semcom Manaus

Uma análise do Estudo Carga Global de Doenças, publicada na revista científica The Lancet, apontou que a expectativa de vida no Amazonas caiu 5,84 anos durante a pandemia de covid-19. A queda representa a segunda maior redução do país, atrás apenas de Rondônia, com redução de 6,01 anos.

O estudo mostra ainda que os três estados mais afetados do país ficam na Região Norte: além de Rondônia e Amazonas, Roraima registrou queda de 5,67 anos na expectativa de vida. De acordo com os pesquisadores, a mortalidade no Brasil aumentou 27,6% durante a pandemia, o que levou a uma redução média de 3,4 anos na expectativa de vida da população brasileira.

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Para os autores do levantamento, o cenário foi agravado pela condução do governo federal na época, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“As autoridades enfraqueceram as orientações científicas – rejeitando o distanciamento social, disseminando desinformação, promovendo medicamentos sem eficácia comprovada, atrasando a aquisição de vacinas, sob a justificativa de isso protegeria o país de um colapso econômico”, diz o trecho do estudo.

Em imagem de abril de 2020, cemitério do Tarumã recebia enterros em valas coletivas. Dezenas de covas tiveram de ser abertas para atender a demanda provocada pelas mortes na pandemia — Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Cemitério do Tarumã recebia enterros em valas coletivas. Dezenas de covas tiveram de ser abertas para atender a demanda provocada pelas mortes na pandemia. Imagem de abril de 2020. Foto: Alex Pazuello/Semcom Manaus

Números e impactos da pandemia

O estudo avalia o impacto de doenças e fatores de risco em mais de 200 países e aponta diferenças significativas entre os estados brasileiros. Enquanto a Região Norte concentrou as maiores perdas, estados do Nordeste tiveram os menores recuos na expectativa de vida: Maranhão com 1,86 anos; Alagoas com 2,01; e Rio Grande do Norte com 2,11 anos.

    Segundo os pesquisadores, a diferença está relacionada às medidas adotadas pelos governos estaduais durante a crise sanitária. “Na ausência de coordenação nacional, os governos estaduais do Nordeste formaram um consórcio com um comitê científico independente que implementou estratégias”.

    O documento cita ações como distanciamento social, fechamento de escolas e comércios, obrigatoriedade do uso de máscaras, proteção a trabalhadores e monitoramento de dados em tempo real.

    Leia também: Manaus, capital nacional do covid-19

    Os pesquisadores também afirmam que o impacto da pandemia poderia ter sido menor no país caso houvesse coordenação nacional alinhada às recomendações científicas.

    O levantamento mostra ainda que o Brasil teve desempenho pior do que outros países do Mercosul, como Argentina e Uruguai, além de integrantes do Brics, como China e Índia.

    “Um país com histórico bem-sucedido de cobertura vacinal como o Brasil ficou atrás na vacinação contra a COVID-19 devido à falta de organização, à demora na aquisição de vacinas e ao foco em medicamentos para ‘tratamento precoce’ sem evidências científicas de benefício”.

    Avanços

    Apesar do impacto da pandemia, o estudo aponta melhora nos indicadores de saúde brasileiros nas últimas décadas. Entre 1990 e 2023, a expectativa de vida no país aumentou 7,18 anos. No mesmo período, a mortalidade padronizada por idade caiu 34,5%, enquanto o índice que mede anos saudáveis perdidos por morte ou doença teve redução de 29,5%.

    Os pesquisadores relacionam os avanços a melhorias no saneamento básico, crescimento econômico e expansão de políticas públicas de saúde, como o Sistema Único de Saúde e o Programa Saúde da Família.

    O levantamento também mostra que quase todas as principais causas de morte tiveram redução nas últimas décadas. As exceções foram Alzheimer e outras demências, com aumento de 1%, e doença renal crônica, que cresceu 9,6% entre 1990 e 2023.

    Em 2023, a principal causa de morte no Brasil foi a doença isquêmica do coração, seguida pelo AVC e pelas infecções do trato respiratório inferior. Já a principal causa de mortes prematuras foi a violência interpessoal.

    *Com informações da Rede Amazônica AM e da Agência Brasil

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