Uma expedição científica realizada em Alto Mayo, bacia alta do rio Mayo, no norte da região de San Martín, no Peru, fez uma descoberta surpreendente: a descoberta de 27 novas espécies de fauna no coração da floresta amazônica, o que confirma que é um ecossistema de grande riqueza biológica. A descoberta causou surpresa e admiração no mundo.
Entre as descobertas mais surpreendentes feitas pela equipe, composta por cientistas da organização sem fins lucrativos Conservação Internacional e membros de grupos indígenas locais, estava um rato anfíbio com pés palmados e um peixe com cabeça redonda. O estudo foi desenvolvido em Alto Mayo, área que se estende dos Andes à Amazônia, “um mosaico complexo e diversificado de ecossistemas e comunidades locais”, segundo os pesquisadores.
A expedição científica, que faz parte do Programa de Avaliação Rápida da CI, durou 38 dias. Segundo a instituição, outras 48 novas espécies também podem ter sido encontradas, mas serão necessários mais estudos para determinar isso.
“Descobrir tantas novas espécies de mamíferos e vertebrados é verdadeiramente incrível, especialmente numa paisagem com tanta influência humana”, disse Trond Larsen, diretor sénior da Conservação Internacional.
Em relação ao rato anfíbio, a Conservação Internacional destaca que esta espécie semi-aquática vive num ecossistema conhecido como aguajeles, áreas pantanosas dominadas por palmeiras aguaje. O desmatamento para o cultivo de arroz, detectado em uma área designada como zona de recuperação de ecossistemas, ameaça o habitat único do rato.
Foto: Reprodução/Agência Andina
Larsen afirmou que esta espécie, que provavelmente só vive em Alto Mayo, pertence a um grupo de roedores semi-aquáticos para os quais a maioria das espécies conhecidas são extremamente raras. Documentar até mesmo um único indivíduo “é uma grande conquista”, segundo o diretor.
Outra descoberta notável foi um sapo marrom escuro com um focinho longo pulando nas folhas, revelando brevemente uma barriga rosa brilhante.
Este sapo arlequim (Atelopus seminiferus), que já foi uma visão comum, agora é extremamente raro. Ao que tudo indica, de acordo com Larsen, ele nem deveria estar lá.
“Quase não pude acreditar”, acrescentou. “Este sapo não só está em perigo, mas esta espécie nunca foi encontrada tão abaixo na encosta da montanha. Foi a nossa primeira descoberta importante e um prenúncio de mais por vir”, disse ele.
Da mesma forma, foi descoberto um peixe com cabeça arredondada. Embora seja uma descoberta nova para a ciência, os indígenas Awajún que ajudaram na expedição já sabiam de sua existência.
Os cientistas que estudam peixes ficaram especialmente surpresos com sua cabeça alargada, algo que nunca tinham visto antes.
Os investigadores da Conservação Internacional dizem que as descobertas da expedição são a prova de que a natureza e as pessoas podem prosperar juntas, mas devem ser tomadas medidas agora para preservá-las.
“Sabemos muito pouco sobre a biodiversidade do planeta e estes ecossistemas guardam muitos mistérios”, disse Wily Palomino, biólogo da Conservação Internacional que fez parte da expedição. “Levaria 10 vidas para realmente entendê-los. Expedições como esta são apenas o começo”.
Um tesouro de descobertas
Foto: Divulgação/Conservação Internacional
Durante a expedição, os pesquisadores cruzaram pântanos, lagoas e rios, escalaram montanhas até florestas nubladas e campos agrícolas. Enquanto isso, a equipe de 20 pessoas, incluindo guias indígenas e cientistas, coletou amostras, montou armadilhas fotográficas e redes e ficou atenta aos movimentos e sinais dos animais.
A equipe, formada por 13 cientistas e sete assistentes Awajún, registrou mais de 2.000 espécies de plantas e animais, incluindo 27 novas para a ciência e 49 que estão em perigo de extinção. Em particular, quatro das novas descobertas eram espécies de mamíferos.
Equipados com armadilhas fotográficas, sensores bioacústicos e outras tecnologias, eles exploraram até sete tipos de florestas em Alto Mayo, que vão de 570 a 2.230 metros acima do nível do mar, em busca de plantas, peixes, répteis, anfíbios, aves, mamíferos, borboletas e besouros.
No total, foram registradas 2.046 espécies, entre elas o camundongo anfíbio do gênero Daptomys, com dedos adaptados à água, e três novos anfíbios: um sapo-de-boca-estreita, outro do gênero Pristimantis e uma salamandra arbórea. Eles também encontraram oito peixes, 10 borboletas e dois escaravelhos. Outras 48 espécies aguardam análises que também possam confirmar sua novidade para a ciência.
Um besouro rola-bosta também foi encontrado. Esta espécie é normalmente encontrada apenas em florestas que não foram danificadas pela atividade humana, são indicadores de um habitat saudável. No entanto, lá estavam eles, no meio de uma floresta com cicatrizes claras onde os humanos haviam derrubado árvores, bem como plantações de café.
Da mesma forma, foi identificado um esquilo anão medindo apenas 14 cm, metade do comprimento do esquilo cinzento médio no Reino Unido. “Cabe facilmente na palma da sua mão. É adorável, tem uma linda cor marrom e é muito rápido”, disse Larsen.
O Brasil oferece ambientes bastante propícios para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor de doenças como dengue, Zika e chikungunya. Antes endêmico de regiões mais quentes e litorâneas, hoje ele está amplamente distribuído por todo o território nacional, tendo sido registrado em mais de 90% dos municípios, segundo o Ministério da Saúde. Essa disseminação é resultado de uma combinação de fatores climáticos, geográficos e sociais, como temperatura e umidade do ar elevadas durante boa parte do ano, urbanização desordenada e falta de saneamento básico adequado.
O resultado é que, até o início de novembro deste ano, a dengue já superava os 6,6 milhões de casos prováveis no Brasil, recorde histórico da doença, e a chikungunya acumulava mais de 265 mil registros – cerca de 100 mil a mais quando comparado a 2023. A forma mais efetiva de reduzir tais índices, e prevenir a disseminação das chamadas arboviroses, continua sendo combater a cadeia de reprodução do mosquito, conhecido por se desenvolver em ambientes de água parada. De acordo com o Ministério da Saúde, 75% dos focos de criadouros do inseto estão localizados dentro dos domicílios, e dez minutos semanais de dedicação seriam suficientes para eliminá-los e interromper o ciclo de reprodução do vetor.
Confira 11 dicas para colocar em prática já e deixar sua residência livre do A. aegypti:
Mantenha a caixa d’água totalmente vedada e avalie a possibilidade de colocar uma tela na saída do ladrão. O mesmo cuidado é válido para cisternas e tonéis que servem como reservatório de água.
Feche bem os sacos de lixo e procure colocá-los em locais mais altos, fora do alcance de animais. Já as lixeiras devem permanecer sempre muito bem tampadas.
Avalie quais pratinhos de plantas podem ser eliminados e preencha com areia até a borda aqueles que forem mantidos.
Dispense corretamente no lixo qualquer tipo de objeto que não seja utilizado e tenha potencial para acumular água. Garrafas, potes e vasos devem estar vazios e, se possível, tampados.
Retire folhas, galhos e sujeiras que impeçam o livre escoamento da água da chuva pelas calhas.
Instale telas nos ralos e mantenha-os sempre limpos. Caso estejam fora de uso, deixe-os muito bem tampados – o mesmo é válido para sanitários que são utilizados eventualmente.
Limpe e seque as bandejas de ar-condicionado e geladeira – modelos mais antigos do eletrodoméstico podem ter o reservatório na parte de trás.
Utilizando a parte mais áspera da bucha, esfregue muito bem o fundo e as laterais de potes de água oferecidos a animais, assim como qualquer outro apetrecho usado para guardar água.
Na área de serviço, mantenha baldes e outros utensílios virados com a boca para baixo.
Estique ao máximo as lonas usadas para cobrir objetos, evitando a formação de poças d’água em caso de chuva.
Mantenha em dia a manutenção de piscinas. Os cuidados semanais incluem sanitização da água com cloro e a limpeza das bordas.
Dicas extras para reforçar o cuidado com a sua família:
Instale barreiras físicas, como telas nas janelas e portas, além de mosquiteiros em cima de camas e berços.
Caso seja possível, use roupas claras e que cubram boa parte do corpo.
Aplique repelente na parte da pele que ficar exposta e, também, por cima da própria roupa. Grávidas estão liberadas para usar o produto, desde que esteja registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Já os menores de 2 anos não podem usar repelentes à base de DEET; para crianças entre 2 e 12 anos, a concentração da substância não pode ultrapassar os 10% e a aplicação deve se restringir a três vezes por dia.
Foto: Divulgação
O ciclo reprodutivo do mosquito e a transmissão da dengue
A cada postura, as fêmeas do Aedes aegypti depositam centenas de ovos na parede de criadouros em potencial, geralmente localizados próximos a uma superfície de água. Escuros e menores do que um grão de areia, os ovos podem durar mais de um ano caso permaneçam em ambiente seco, mas eclodem rapidamente assim que entram em contato com a água. Em apenas sete dias, as larvas completam seu ciclo de transformação.
Na fase adulta, o mosquito apresenta coloração marrom e listras brancas bastante características nas regiões das pernas e do tórax. Capaz de viver por mais de 45 dias, o Aedes aegypti possui hábitos diurnos, geralmente se alimentando e se reproduzindo à luz do dia. As fêmeas são as únicas capazes de picar humanos, uma vez que precisam de uma fonte de proteína (sangue) para a maturação dos ovos – se ela estiver infectada, é nesse momento que ocorre a transmissão do vírus da dengue.
Entenda como os vírus podem se adaptar a diferentes mosquitos
Os primeiros sintomas da doença aparecem, em média, cinco dias após a picada do mosquito transmissor e o quadro costuma incluir febre repentina, dor de cabeça, muscular e atrás dos olhos, e prostração. Vômitos persistentes, dor abdominal intensa e sangramento de mucosa são sinais de alerta. Diante de qualquer um desses sinais, a pessoa deve procurar o serviço de saúde imediatamente.
Vacina contra dengue
Em 2024, o Ministério da Saúde deu início à estratégia inédita de vacinação contra o vírus da dengue. Ao lado das medidas de combate ao vetor, a imunização é uma das formas mais eficientes de prevenir a doença. Em um primeiro momento, o produto foi indicado às crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos de idade que residem em municípios com mais de 100 mil habitantes e registraram alta transmissão do vírus nos últimos dez anos. A vacina é recomendada independentemente de infecção prévia e o esquema é composto por duas doses com intervalo de três meses.
Desde 2009, o Instituto Butantan trabalha no desenvolvimento de um imunizante contra a dengue, que se encontra em fase final de regulação junto à Anvisa. Capaz de proteger contra os quatro tipos circulantes do vírus e aplicada em dose única, a expectativa é que a vacina esteja disponível em breve para toda a população brasileira.
Instalação do artivista Shaq Koyok, da Malásia, durante COP29. Foto: Climate Heritage Network
A COP29 foi concluída em Baku, no Azerbaijão, após duas semanas de negociações tensas. Ao longo de 30 horas, o encontro foi marcado por desentendimentos sobre a questão principal da COP: o financiamento da emergência climática. O resultado levou representantes de países em desenvolvimento a protestarem e contestarem o acordo.
Apesar dos enormes esforços dos defensores da cultura, os negociadores da COP, infelizmente, perderam a oportunidade de uma negociação favorável para o planeta e os seus povos, não conseguindo nem mesmo dar um pequeno passo em direção ao objetivo central do Apelo Global de abordar a falta de preocupação com os aspectos culturais dentro das políticas e planejamento climáticos internacionais.
No final, os delegados conseguiram garantir uma única referência à cultura nas decisões da COP. Esta referência pode ser encontrada na polêmica decisão do Programa de Trabalho de Mitigação, onde a discussão sobre “cidades: edifícios e sistemas urbanos” salienta a “necessidade de adaptar soluções aos contextos socioculturais e econômicos”. Esta inclusão baseia-se no amplo envolvimento do Grupo de Trabalho 3, encabeçado pela Cultural Heritage. Este esforço será ampliado em 2025 através da nova iniciativa “Imaginando futuros descarbonizados”.
Outro ponto alto para os delegados de cultura na COP tratou-se do reconhecimento que a cultura tem potencial para ser aliada na ação climática. O destaque foi feito na reunião ministerial sobre cultura e clima. Como resultado, ficou o compromisso de conquistar um plano de trabalho específico na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC.)
Uma uma série de eventos paralelos valiosos aconteceu, incluindo o Fórum Cultura e Clima, diversos eventos no Azerbaijão, como o ICESCO, instituições climáticas regionais, o Hub da Resiliência, além de ações em países como o Emirados Árabes Unidos, a Itália e a Grécia. Também houve forte presença de advocacy coordenado e energizado por defensores das artes, da cultura e do património que alcançaram os mais altos níveis da COP.
Foto: Divulgação/COP29
Nosso objetivo político central: solicitação de uma oficina cultural
A dimensão sociocultural é reconhecida, ao mesmo tempo, como uma barreira fundamental e como facilitadora da ação climática – mas a cultura recebe pouca atenção em comparação com outras condições facilitadoras, como o financiamento e a inovação tecnológica. A única referência da COP29 à cultura na decisão do Programa de Trabalho de Mitigação é uma exceção que provou mais uma vez a regra em Baku.
Para finalmente mudar este paradigma, antes da COP28 em 2023, milhares de organizações e líderes apoiaram o Apelo Global para Colocar o Patrimônio Cultural, as Artes e os Setores Criativos no Centro da Ação Climática, que apelam aos negociadores climáticos na COP para permitirem que a cultura contribui plenamente para soluções climáticas. A COP28, em Dubai, deu, então, um passo importante nesta direção com o lançamento do Grupo de Amigos da Ação Climática Baseada na Cultura, uma coligação internacional de membros da UNFCCC (o órgão das Nações Unidas responsável pelo clima e cuja sede fica em Bona, na Alemanha) que defende uma ação climática baseada na cultura.
Este ano, a campanha Apelo Global buscava unir entidades não-estatais e países membros do Grupo de Amigos em torno de uma proposta para incluir algumas palavras no documento final da COP29, expressando um pedido da COP para que os Órgãos Subsidiários da UNFCCC realizassem um ou mais workshops sobre questões relacionadas com a cultura e o patrimônio em 2025. Porém, a proposta não foi para frente.
Este passo aparentemente pequeno teria sido fundamental para uma decisão cultural mais signifcativa na COP30, levando a um Joint Work (JW) sobre cultura e ação climática em 2026. Os poucos avanços em Baku impediram que, em 2026, houvesse o primeiro plano de trabalho para a cultura.
A apresentação e adoção de uma Joint Work (JW) é um objetivo fundamental da campanha de Apelo Global. O fracasso da COP29 em proporcionar workshops culturais durante o evento torna mais difícil garantir que esta vitória da cultura ocorrerá na COP30 em Belém, Brasil. Também perde-se a oportunidade de entender o poder da cultura para impulsionar metas mais ambiciosas para as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs do inglês Nationally determined contributions), compromissos que os países assumem para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa.
2ª Reunião Ministerial de Alto Nível sobre Ação Climática Baseada na Cultura
O Grupo de Amigos da Acção Climática Baseada na Cultura reuniu-se em Baku na 2ª Reunião Ministerial de Alto Nível na COP29, que teve lugar em 15 de Novembro de 2024. Esta reunião foi co-patrocinada pelo Ministério da Cultura do Azerbaijão e os copresidentes do Grupo de Amigos, Brasil e Emirados Árabes Unidos.
Num passo positivo, a Reunião Ministerial adotou Termos de Referência para o Grupo de Amigos que declararam que o objetivo do Grupo é o lançamento do primeiro Programa de Trabalho sobre Ação Climática Baseada na Cultura. A campanha Apelo Global instou os ministros a transformarem estas palavras em ações, decidindo trabalhar coletivamente para a inclusão de um pedido de workshop cultural nas decisões finais da COP29. A necessidade urgente desta ação foi fortemente expressada por Sua Alteza Real, da Jordânia, Enviada Especial da Rede do Patrimônio Climático para o Diálogo Ministerial.
O pedido do workshop cultural também atraiu o apoio de países membros do Grupo de Amigos, como Malta e Espanha. No final, porém, a Reunião Ministerial terminou sem decidir apoiar a cultura na decisão final da COP29.
A atenção agora se volta para a COP30 no Brasil
Foto: Divulgação Apex Brasil
A COP29 foi uma oportunidade crítica para lançar as bases para a adoção, na COP30, de uma decisão de trabalho conjunto destinada a reforçar as ligações entre o clima e a cultura. O fracasso em fazê-lo deixa um caminho incerto para garantir uma vitória política para a cultura na COP30, criando o risco de que aquela que se espera ser a COP mais cultural da história não consiga, no entanto, preencher a lacuna cultural na política climática.
Uma lição da COP29 é que concretizar o potencial do Grupo de Amigos requer uma estratégia mais sofisticada. Para atingir nosso objetivo comum, um Plano de Trabalho para a Cultura precisaremos de um apoio robusto nas capitais nacionais e em todo o mundo. Por esta razão, o Apelo Global, sob a liderança de Alison Tickell da organização Julie’s Bicycle, reiniciará a sua campanha dirigida ao público em 2025, com o objetivo de criar um movimento público para colocar a cultura no centro da ação climática, para que os governos nacionais não possam ignorar.
Um primeiro teste ocorrerá em junho de 2025, quando os órgãos subsidiários se reunirem em Bonn, na Alemanha, para reuniões semestrais denominadas “SB62”. No SB62 será crucial garantir um sinal de que a cultura estará na agenda da COP30. Os intervenientes não estatais estão prontos para ajudar os governos nacionais a alcançarem este objetivo. Esforços como estes poderiam ajudar a garantir que o Brasil será lembrado como o lugar onde a lacuna cultural sistêmica da política climática foi finalmente preenchida.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Andrew Potts, membro do Comitê Diretor da Climate Heritage Network
A Escola Nacional de Turismo, inaugurada recentemente em Belém (PA), realiza uma parceria com a Secretaria de Estado de Turismo para ampliar a oferta de cursos no setor. Por meio da cooperação, o Ministério do Turismo (MTur) vai garantir a liberação de R$ 1 milhão para disponibilização de vagas do seu Programa “Capacita COP30”.
Serão 15 turmas em diferentes cursos, como “Protocolo e Cerimonial” e “Agente Comunitário para o Turismo”. Também haverá qualificações focadas no setor de bares e restaurantes, totalizando 450 vagas ainda no primeiro semestre de 2025.
“Nosso objetivo é preparar ao máximo a mão de obra turística da cidade de Belém para a COP30, mas também para o legado que será deixado. Isso certamente fortalecerá o setor de turismo, onde esse pessoal qualificado fará toda a diferença no receptivo turístico da capital paraense”, enfatizou Ana Carla, secretária executiva do MTur.
O secretário de Estado de Turismo, Eduardo Costa, celebrou a parceria entre o MTur e o Governo do Pará. “O Ministério do Turismo, que já tomou uma iniciativa superimportante para a qualificação no Pará, com a inauguração da Escola Nacional de Turismo, agora reforça essa parceria com o Governo do Pará, com essa transferência de recursos que vão incrementar a oferta de cursos dentro do programa ‘Capacita COP30’. Com isso, sem dúvida, daremos mais um salto na qualificação para o mercado de turismo no Pará”, afirmou Costa.
Cooperação
A Escola Nacional de Turismo foi inaugurada em Belém no último dia 29 de novembro pelo ministro do Turismo, Celso Sabino; o governador do Pará, Helder Barbalho; e autoridades locais. O espaço ocupa instalações do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), por meio de um Acordo de Cooperação Técnica pelo qual a instituição executa cursos presenciais e a distância, contemplando a capital paraense e o interior do estado.
No primeiro ciclo de cursos, a Escola está ofertando 4,7 mil vagas nas cidades de Belém, Santarém, Vigia e Bragança e, também, de forma online, em todo o Pará. A lista de cursos inclui disciplinas a exemplo de “Gestão de Negócios para o Turismo”, “Educação Ambiental e Sustentabilidade”, “Governança para a Hospedagem Familiar” e “Condutor de Atrativos Turísticos”, entre outros, além de idiomas como inglês e espanhol.
O objetivo da unidade é fortalecer a atividade turística na capital paraense com foco na realização da COP30. Além de Belém, o Rio de Janeiro (RJ), uma das principais portas de entrada de visitantes estrangeiros no Brasil, também ganhará uma Escola Nacional de Turismo, no próximo ano.
Utilizando armadilhas fotográficas, instaladas em conjunto com os moradores da comunidade nativa de Kusumtak, na região amazônica do Amazonas, no Peru, foi feito o primeiro registro em imagens do urso de óculos na Reserva Comunal Tuntanain, destacando o grande valor das áreas naturais protegidas para a conservação da biodiversidade no país.
De acordo com o Serviço Nacional de Áreas Naturais do Estado (Sernanp), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, esse cadastro complementa as informações coletadas durante as patrulhas realizadas pelos guardas florestais dessa área protegida e entrevistas com moradores locais nas quais foram obtidas evidências indiretas sobre a presença desta espécie em diferentes setores desta reserva.
As imagens captadas mostram um urso adulto na bacia alta do rio Domingusa, na província de Condorcanqui, a uma altitude de aproximadamente 900 metros. Com este registro, são fornecidas informações fundamentais para melhor compreender a distribuição atual do urso de óculos no Peru e fortalecer as estratégias de conservação da espécie.
Através destas imagens, corrobora-se a presença do urso de óculos na Reserva Comunal de Tuntanain, área que, segundo o mapa de distribuição elaborado por especialistas, anteriormente não era considerada parte do seu habitat conhecido, embora os residentes locais de Awajún tenham relatado avistamentos desta espécie em reuniões e workshops desde a criação da área protegida em 2007.
Este importante registo foi realizado graças à instalação de 14 armadilhas fotográficas, com o objetivo de documentar a diversidade de espécies terrestres de médio e grande porte, bem como determinar a sua distribuição e estado populacional na Reserva Comunal de Tuntanain.
O urso de óculos, também conhecido como urso andino, é a única espécie de urso que vive no sul do continente americano e está listado como Vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Caiarara (Cebus kaapori), um dos primatas mais ameaçados de extinção no mundo. Foto: Ricardo Ferreira Esteves via Wikimedia Commons CC BY-SA 4.0)
Em meio a campos de milho e pastagens, quilômetros de arame farpado cercam uma ilha de floresta tropical intocada, provavelmente a próxima a ser arrasada. Logo adiante, na Reserva Biológica do Gurupi, uma rede de estradas empoeiradas corta a copa das árvores, levando às profundezas de um dos últimos trechos de floresta protegida nessa parte da Amazônia e sinalizando que ela também está sob ataque.
A Reserva Biológica do Gurupi se estende por 341.650 hectares no canto sudoeste do estado do Maranhão. Sob proteção federal desde 1988, essa região de grande biodiversidade oferece habitat para inúmeras espécies, como o veado-mateiro (Mazama americana), a ararajuba (Guaruba guarouba) e o caiarara (Cebus kaapori), um dos primatas mais criticamente ameaçados de extinção no mundo. Foi aqui, em 2017, que os pesquisadores redescobriram o mutum-pinima (Crax fasciolata pinima), ave considerada extinta por 40 anos.
Os pesquisadores acreditam que menos de 50 mutuns-pinima (Crax fasciolata pinima) ainda existam na natureza. Foto: Huub Veldhuijzen van Zanten/Naturalis Biodiversity Center via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
A reserva também faz parte de um corredor ecológico composto por sete áreas protegidas, algumas das quais abrigam povos indígenas que vivem em isolamento voluntário do mundo exterior. A reserva do Gurupi tem o objetivo de proteger regiões especialmente vulneráveis de invasões e exploração ilícita.
“O que restou da floresta amazônica no Maranhão está nessa região”, diz Caroline Yoshida, consultora técnica do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), uma organização sem fins lucrativos que trabalha com grupos indígenas em uma área composta por um conjunto de áreas protegidas chamado Mosaico do Gurupi. “O restante já foi transformado em fazendas.”
No entanto, desde sua criação, a reserva do Gurupi vem sofrendo pressão. Dentro de seus limites, os colonos construíram vilas, os criadores de gado transformaram a floresta em pasto e os madeireiros ilegais destruíram variedades de árvores valiosas. Mais recentemente, os traficantes de drogas também se mudaram para lá, arrasando áreas de terra para dar lugar a plantações de maconha. Os pesquisadores estimam que a reserva já perdeu cerca de um terço de sua cobertura florestal, enquanto 70-80% sofreram corte seletivo por madeireiros.
E, apesar dos esforços das autoridades para reprimir as atividades ilegais ao longo dos anos, a destruição continuou. Dados de satélite da Universidade de Maryland visualizados no Global Forest Watch mostram a proliferação de clareiras na reserva do Gurupi nos últimos 12 meses.
“O processo de ocupação está em andamento; ele ainda está vivo”, diz Yoshida. “As pessoas estão invadindo. E, se houver uma oportunidade, elas vão ficar.”
Degradadas pela destruição, partes da reserva do Gurupi tornaram-se propensas a incêndios florestais, alguns dos quais se espalharam para terras vizinhas sob proteção. Os incêndios, geralmente provocados por fazendeiros que usam métodos de corte e queima para renovar pastagens ou plantações improdutivas, podem facilmente sair do controle durante a estação seca, espalhando-se muito além da área que foi inicialmente incendiada.
No Maranhão, assim como no resto do Brasil, a temporada anual de incêndios teve um início dramático este ano, alimentando as preocupações com o que pode vir pela frente. O estado registrou 3.484 focos de incêndio no primeiro semestre deste ano, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Embora esse número seja apenas um pouco maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, ele representa um salto de 20% em relação ao número de incêndios registrados em 2022.
Com a reserva do Gurupi ressequida por meses de seca e chuvas irregulares, os incêndios podem ser especialmente graves este ano, diz Eloísa Mendonça, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão da área.
“A chuva veio mais tarde e houve muito menos chuva este ano”, diz Mendonça, que trabalha na reserva do Gurupi. “Portanto, estamos muito preocupados com o que pode acontecer nos próximos meses.”
O Mosaico do Gurupi abriga algumas das últimas florestas tropicais remanescentes no Maranhão, mas está recuando à medida que a soja, o milho, o gado e o eucalipto avançam ao redor. Foto: Ana Ionova/Mongabay
Décadas de ocupação
As primeiras tentativas de proteger essa fatia da Amazônia da destruição remontam a 1961, quando o governo brasileiro colocou 1,6 milhão de hectares da região sob proteção federal. O objetivo era proteger essa faixa remota de floresta tropical e os povos indígenas que dependiam dela para sua sobrevivência.
Mas manter os invasores afastados logo se mostrou um desafio, pois a região foi dominada por iniciativas desenvolvimentistas, em grande parte estimuladas pela ditadura militar. Migrantes de outros estados chegaram em massa, atraídos pelas promessas de trabalho abundante e de terras para chamar de suas, nas quais poderiam derrubar e plantar. Na década de 1980, a construção da Estrada de Ferro Carajás, que se estende por 891 quilômetros de São Luís do Maranhão até o Pará, intensificou ainda mais a onda de migração e criou uma nova fronteira de desmatamento na região.
E, com a floresta tropical fragmentada, os madeireiros ilegais puderam avançar para áreas mais intocadas, em busca de variedades de árvores com alto valor de mercado. Em pouco tempo, a madeira extraída ilegalmente de áreas sob proteção tornou-se o motor econômico de cidades próximas, como Buriticupu.
“Naquela época, era como se fosse o Velho Oeste”, diz o tenente Daniel Holanda dos Santos, que faz parte do Batalhão de Polícia Ambiental do Maranhão e participou de operações no Mosaico do Gurupi no início dos anos 2000. “Costumávamos pegá-los, os madeireiros, tentando levar caminhões cheios de madeira para fora da floresta tropical.”
Em 1986, cerca de 47,1% da área sob proteção federal já estava povoada por madeireiros, agricultores, colonos e pecuaristas.
Em uma tentativa de fortalecer as proteções, o governo demarcou seis reservas indígenas na década de 1980, expulsando dessas áreas as pessoas de fora. O restante da floresta tropical também foi colocado sob proteção federal com a criação da Reserva Biológica do Gurupi, onde todas as atividades humanas, exceto pesquisa científica e trabalho de conservação, foram proibidas.
Ao longo dos anos, as autoridades conseguiram expulsar alguns grandes proprietários de terras da parte norte do Gurupi. No entanto, outros pequenos agricultores, muitos dos quais haviam recebido lotes de terra indevidamente de agências estaduais de reforma agrária mesmo após a criação da reserva, nunca foram removidos. Hoje, ainda há cerca de 6.300 pessoas vivendo dentro dos limites do Gurupi.
“Em teoria, deveria ser apenas floresta e biodiversidade”, diz Mendonça. “Mas a realidade é que há ocupação.”
Ananias Pereira da Silva fundou o assentamento Vila Aeroporto em meados da década de 1990, em uma época em que havia apenas “mato e madeireiros” na reserva do Gurupi. “Não havia nada lá”, disse o pastor de 81 anos em uma entrevista à Mongabay. “Então, começamos a trabalhar na terra. Carregávamos água nas costas, plantávamos arroz para podermos nos alimentar.”
Ananias Pereira da Silva, fundador da Vila Aeroporto, dentro da Reserva Biológica do Gurupi. Foto: Ana Ionova/Mongabay
A comunidade, composta por 331 famílias, foi assentada pelo Instituto de Colonização e Terras do Maranhão, órgão estadual responsável pela redistribuição de terras públicas a famílias pobres para a agricultura de subsistência. Com recursos do estado, a comunidade construiu estradas, linhas de transmissão de energia e poços, erguendo sua aldeia nas profundezas da reserva do Gurupi.
“Aquela área não pertencia a ninguém”, diz Silva, cuja família vive em 100 hectares dentro da reserva do Gurupi. “Na época, não se falava em nenhuma reserva.”
Uma disputa de terras de longa data
Por quase duas décadas, os órgãos federais exigiram que aldeias como a de Silva fossem realocadas para áreas fora da reserva. Mas as autoridades estaduais têm rejeitado esses pedidos, argumentando que o Maranhão não tem terras públicas suficientes para reassentar essas comunidades.
Enquanto isso, as comunidades dentro da reserva permanecem no limbo, vivendo com medo constante de serem despejadas, diz Adriana Marques dos Santos, presidente da associação de moradores da Vila Aeroporto.
“A maioria das pessoas que vivem nessa área nasceu e foi criada aqui”, diz Adriana, que chegou à reserva do Gurupi como recém-nascida em 1992. “Tudo o que você tem está dentro deste lugar. Temos raízes aqui. Não temos para onde ir.”
Alguns, como José Duerta Alves, um fazendeiro de 61 anos que cria 200 cabeças de gado em um terreno de 145 hectares dentro da reserva, dizem que só abririam mão de seus lotes de terra se fossem indenizados de forma justa pelas autoridades.
“Essa reserva foi criada ilegalmente em cima das pessoas que já estavam aqui”, disse Alves, que comprou seu lote de terra de outro colono em 2000. “Nós só queremos o que é justo.”
A legalidade da reserva foi examinada em 2013, quando um legislador propôs um projeto de lei que teria eliminado a reserva, argumentando que as autoridades federais não seguiram o devido processo e não compensaram os grandes proprietários de terras no momento da criação da reserva. No entanto, a legislação proposta não conseguiu obter votos suficientes no Congresso e acabou sendo arquivada.
A Reserva Biológica do Gurupi está localizada em uma região que passou por um boom de desenvolvimento e migração entre as décadas de 1960 e 1990. Dezenas de trabalhadores foram para a região para construir uma ferrovia e uma série de estradas. Foto: Ana Ionova/Mongabay
Agora, alguns dos colonos estão exigindo uma revisão dos limites da reserva do Gurupi, que deixaria suas comunidades fora da região sob proteção. Mas Mendonça diz que a ideia de redesenhar os limites da reserva foi “descartada”, pois abriria um precedente arriscado. “É um risco enorme para a reserva e para a biodiversidade da Amazônia no Maranhão”, disse ela. “Portanto, não é uma solução simples e fácil.”
À medida que o agronegócio brasileiro ganha mais influência nas casas legislativas do país, as tentativas de reduzir o tamanho das áreas de conservação, ou eliminá-las completamente, têm se tornado cada vez mais comuns. Defensores do meio ambiente disseram à Mongabay que uma revisão dos limites da reserva do Gurupi poderia abrir a porta para uma redução drástica da área sob proteção, com legisladores favoráveis aos interesses agrícolas provavelmente pressionando para que as terras anteriormente degradadas, onde a floresta está se recuperando agora, também sejam excluídas.
Em vez disso, o ICMBio está empenhado em trabalhar com as autoridades estaduais para realocar as famílias que foram assentadas indevidamente “dentro do devido processo legal e respeitando seus direitos constitucionais”, diz Mendonça. “Entendemos que muitas dessas pessoas são vulneráveis e têm medo do futuro”, diz ela. “Mas temos que trabalhar para removê-las. Porque é isso que a lei exige que façamos.”
Mas alguns colonos, como Silva, dizem que não abrirão mão de suas terras a qualquer custo. “Eles querem nos transformar em refugiados”, diz ele, com a voz trêmula. “Mas nós não vamos embora; de jeito nenhum vamos abrir mão desta terra.”
O pasto para gado substituiu grande parte da floresta tropical nessa parte do Maranhão. Foto: Ana Ionova/Mongabay
Clima em mudança
À medida que a floresta diminui, tanto dentro da reserva quanto ao redor dela, aqueles que vivem aqui há décadas estão testemunhando a mudança climática.
Elizabeth da Silva chegou à Vila Varig, um vilarejo nos arredores da reserva, em 2000. Naquela época, as chuvas eram torrenciais durante a estação úmida, encharcando a terra. Plantados no solo fértil, o açaí e a mandioca cresciam em abundância. No rio próximo, os peixes também eram abundantes.
“Costumávamos ver veados, pacas, macacos todos estavam bem ali”, diz ela, apontando para um trecho de floresta em declínio do outro lado da estrada. “Aqui era selvagem; naquela época era tudo floresta.”
Mas a vida selvagem desapareceu em sua maior parte nos últimos anos, pois os campos de soja e as fazendas de gado substituíram grande parte da floresta tropical ao redor de sua aldeia. O solo também endureceu, prejudicado pela seca.
Rio e floresta remanescente na Reserva Biológica do Gurupi. Foto: Ana Ionova/Mongabay
“O desmatamento fez tudo desaparecer”, diz ela. “Agora, não podemos plantar nada. Eles borrifam veneno com seus aviões e todas as nossas plantas morrem. Os pássaros desapareceram, eles não têm onde se esconder. Isso parte meu coração.”
Estudos mostram que, nessa parte da Floresta Amazônica, a estação seca anual se tornou cerca de um mês mais longa no último meio século. Quando as chuvas finalmente chegam, é mais provável que sejam escassas e irregulares, proporcionando pouco alívio para a seca.
Embora as florestas tropicais não peguem fogo naturalmente, uma combinação de desmatamento e clima mais seco tornou a vegetação mais propensa a queimadas. Enquanto há algumas décadas os incêndios provocados por fazendeiros eram apagados pela umidade, agora eles podem se espalhar com facilidade pelo dossel ressecado e atingir áreas protegidas vizinhas.
Na aldeia de Maçaranduba, na Terra Indígena Caru, ainda estão frescas as lembranças de um incêndio especialmente grave que invadiu a reserva em 2015. As chamas engoliram a floresta intocada que os indígenas lutaram arduamente durante décadas para proteger de invasores, madeireiros e fazendeiros.
“Passamos mais de um mês tentando apagar o fogo”, diz Paula Guajajara, parte de um grupo de mulheres guerreiras da floresta. “Estávamos quase perdendo as esperanças quando, de repente, começou a chover torrencialmente.”
Na Terra Indígena Caru, um grupo de bombeiros tem trabalhado para prevenir e combater as chamas que ameaçam a floresta tropical. Foto: Ana Ionova/Mongabay
Após o incêndio, a comunidade formou uma brigada de incêndio indígena composta por 15 homens. O grupo tem trabalhado arduamente para reduzir o risco de incêndios florestais e educar os parentes das nove aldeias espalhadas pelo território de 173 mil hectares sobre como a mudança climática está alterando o comportamento das chamas, muitas vezes usadas pelos povos indígenas para o plantio de subsistência e rituais tradicionais.
Ainda assim, os incêndios vindos de áreas vizinhas, como a reserva do Gurupi, continuam sendo uma ameaça constante, diz Antônio Barbosa Guajajara, que trabalha como bombeiro na brigada há quase uma década. Em 2018, o grupo foi obrigado a combater um grande incêndio que invadiu a TI Caru a partir da reserva do Gurupi.
“Os incêndios começam nessas áreas onde há pasto, onde as pessoas invadem”, diz ele. “O fogo é tão rápido que se espalha muito facilmente em nossa área. E essas áreas são distantes, então leva tempo para chegar lá e combatê-las.”
Antônio Barbosa Guajajara, brigadista na Terra Indígena Caru. Foto: Ana Ionova/Mongabay
Na reserva do Gurupi, o ICMBio vem implantando suas próprias brigadas há anos, recrutando e treinando bombeiros de cidades próximas e das próprias comunidades de colonos. Mas o controle das chamas, cada vez mais alimentadas pelas mudanças climáticas, em uma região vasta como essa, tem sido um desafio.
Ao buscar maneiras de conter os incêndios florestais, a agência começou a pressionar pela criação de uma brigada voluntária composta inteiramente por colonos que ocupam a reserva. A esperança é que a brigada possa ensinar outras pessoas das comunidades sobre o uso responsável do fogo, diz Mendonça.
“Queremos que eles entendam que o fogo é um risco tanto para eles quanto para a floresta”, diz ela. “E se não protegermos a floresta, vamos perdê-la”.
Nota do editor da Mongabay: Esta história é alimentada pelo Places to Watch, uma iniciativa do Global Forest Watch (GFW) projetada para identificar rapidamente a perda florestal preocupante em todo o mundo e catalisar uma investigação mais aprofundada dessas áreas. O Places to Watch baseia-se em uma combinação de alertas de desmatamento quase em tempo real, algoritmos automatizados e inteligência de campo para identificar novas áreas mensalmente. Em parceria com a Mongabay, a GFW está apoiando o jornalismo orientado por dados, fornecendo dados e mapas gerados pelo Places to Watch. A Mongabay mantém total independência editorial sobre as histórias relatadas usando esses dados. Inscreva-se para receber as atualizações mensais por e-mail da GFW com essas histórias.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Ana Ionova, traduzido Thaissa Lamha por e editado porXavier Bartaburu
O combate à monilíase, doença do cacaueiro e do cupuaçuzeiro, segue sendo uma prioridade entre as ações que serão desenvolvidas pela Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) no ano de 2025. A partir de fevereiro, a Agência deve iniciar o projeto “Proteção e fortalecimento da cacauicultura paraense, prevenção e combate à monilíase nas divisas do Estado”, que tem o objetivo de proteger essa cadeia produtiva, impedindo ou retardando a introdução da praga em território paraense.
O projeto da Adepará foi aprovado em dezembro durante a reunião ordinária do Conselho Gestor do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Estado Pará (Funcacau), que já investiu entre R$ 7 a R$ 8 milhões em média, nas ações de prevenção e combate à doença, como a capacitação de técnicos e medidas de erradicação e fiscalização em portos e aeroportos.
O projeto prevê a contratação de mão-de-obra e aquisição de equipamentos para as ações de combate. Serão priorizadas ações de educação fitossanitária e levantamentos para detecção nos municípios produtores de cacau e nas regiões localizadas ao longo das principais rotas de risco de entrada da praga no Estado.
O gerente de Defesa Vegetal Rafael Haber acredita que os recursos vão fortalecer ainda mais as ações de defesa vegetal.
“Se surgir um foco dentro do Estado nós estaremos com equipes treinadas e com os recursos disponíveis, vamos conseguir intensificar as ações de defesa fitossanitária, seja de trânsito, de inspeções, fazer levantamentos de detecção. Identificando rapidamente, vamos conseguir suprimir ou erradicar o foco, evitando o avanço da doença dentro do Estado ou na região de fronteira. Estamos vigilantes, monitorando, e qualquer novo alerta a Adepará vai ter todo o aparato necessário para combater a monilíase”, esclareceu.
O recurso do Funcacau vem somar aos esforços já realizados pela Adepará no combate à monilíase, evitando prejuízos aos produtores do Estado. A monilíase é uma praga ausente no Pará, mas presente no Acre e no Amazonas. A supressão da praga é difícil pois é dispersada pelo vento, além disso há uma cultura entre a população de transportar frutos.
“As fronteiras são muito grandes, as pessoas carregam frutos. O pior é que quem ajudou a disseminar essa praga com mais facilidade foi o próprio homem, carregando fruto, carregando muda, porque ela demoraria muito mais para avançar dentro do território brasileiro se não fosse o ser humano”, explicou Haber.
Defesa vegetal
Em 2024, a Adepará não mediu esforços para garantir a sanidade dos principais cultivos agrícolas do Estado. O programa do cacau inspecionou mais de 3 mil hectares em 34 municípios e atendeu mais de 500 produtores.
As equipes da defesa vegetal realizaram mais de 17 mil ações de prevenção à mosca da carambola em 140 municípios paraenses. As atividades de detecções das pragas dos citros ocorreram em mais de 3.500 hectares. Na cultura da soja, 300 mil hectares de áreas foram inspecionados em 52 municípios e realizados mais de 800 levantamentos de sanidade vegetal. No programa da banana, foram mais de 400 propriedades inspecionadas em 34 municípios.
Para impedir a entrada de pragas no território paraense, a Adepará realizou em 2024, 14 fiscalizações em unidades produtivas que exigem a Certificação Fitossanitária de Origem (CFO), que atesta a origem e garante a sanidade de produtos vegetais. O Pará possui 112 unidades produtivas certificadas e os frutos que exigem o certificado são banana, carambola, manga, goiaba, laranja, limão e tangerina.
As sementes e mudas também mereceram atenção, com mais de 600 fiscalizações realizadas em 84 municípios. A classificação de grãos teve mais de 76 mil toneladas de produtos classificados e 15 municípios supervisionados.
Foto: Divulgação
Palma de óleo
Uma das mais importantes ações realizadas pela defesa vegetal em 2024 foi a a política de rastreabilidade na cadeia produtiva do dendê, que completou um ano e requer atenção redobrada da Agência. Até agora, já foram emitidas 32.107 GTVs e a circulação de cargas do fruto ultrapassou 700 mil toneladas.
“Estamos atuando de forma intensiva com as ações de fiscalização do trânsito de cachos de frutos frescos, fiscalizações junto às 14 empresas que recebem a produção e transformam em óleo de palma. Foi o primeiro ano do programa com resultados expressivos de cadastramentos e emissões de GTV, que possibilita o Serviço da Defesa identificar áreas produtivas, mapear rotas e monitorar o cumprimento da legislação”, informou a diretora de Defesa e Inspeção Vegetal Lucionila Pimentel.
Durante o ano, a Adepará também realizou, de uma ponta a outra do Estado, ações que asseguraram a segurança do consumidor e a sustentabilidade ambiental, como a fiscalização do trânsito agropecuário de produtos vegetais e o controle do uso de agrotóxico nas propriedades rurais, que fiscalizou mais de 500 propriedades e mais de 700 revendas em todo o Estado, verificando a utilização de equipamentos de segurança no manuseio e aplicação desses defensivos e ainda a devolução de embalagens vazias de agrotóxicos pelo produtor rural, cumprindo a legislação que exige que elas sejam devolvidas ao estabelecimento onde foram adquiridas, para que seja dada a destinação final adequada.
“Todas as ações que realizamos, tanto na defesa quanto na inspeção vegetal e animal, reafirmam o nosso papel estratégico no desenvolvimento sustentável do Estado. Ao promover uma agropecuária mais segura, moderna e integrada, a Agência fortalece sua contribuição para o crescimento econômico e social, além de consolidar sua atuação como guardiã da qualidade dos produtos agropecuários do Estado”, pontua Jamir Macedo, diretor-geral da Adepará.
O Governo do Maranhão divulgou que encerra o ano de 2024 com avanços na área da ciência, tecnologia e inovação. Mais de R$ 50 milhões foram investidos em pesquisa, qualificação e divulgação da ciência, um valor recorde na história do estado. A gestão também avançou na promoção da inovação, empreendedorismo e inclusão digital com capacitações, aumento da oferta de cursos e especializações nas instituições de ensino, entre outras ações.
Com mais de R$ 50 milhões foi possível a abertura de 17 editais pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), um marco histórico, beneficiando mais de 3 mil pesquisadores. Em 2024, a Fapema também registrou o maior investimento da sua história para a área da inovação, com R$ 9,6 milhões para o edital Tecnova III e mais R$ 10 milhões no Plano Maranhão 2050: Soluções Inovadoras, com inscrições abertas até o dia 6 de fevereiro de 2025.
A Fapema ainda apoiou 125 projetos nas áreas de tecnologia, saúde e educação. Outros destaques incluem investimentos em divulgação científica, publicação de periódicos, apoio a eventos de inovação e o planejamento da 19ª edição do Prêmio Fapema.
Além disso, foram feitos investimentos para a internacionalização da ciência maranhense com parcerias entre as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) brasileiras e entidades italianas, patrocínio de eventos e apoio a pesquisadores maranhenses em conferências globais.
A Fundação foi premiada com o Prêmio Transformando o Futuro, do SESI, e o Prêmio Confap de Boas Práticas. Além disso, recebeu o título de Empresa Amiga da Ciência pela Academia Maranhense de Ciências, o Prêmio Agilidade Brasil 2024 por sua gestão inovadora e boas práticas ESG, e o Prêmio Iema da Educação, em reconhecimento ao seu impacto na educação e inovação no estado.
O presidente da Fapema, Nordman Wall, ressaltou as conquistas alcançadas pela Fundação neste ano, destacando o crescimento significativo nos investimentos e o fortalecimento de parcerias estratégicas com universidades, institutos de pesquisa e empresas.
“Com o apoio do Governo do Estado, a Fapema tem se destacado na promoção de uma ciência cada vez mais diversa e eficaz, contribuindo para um Maranhão mais inovador, justo e sustentável”, declarou.
Ampliação do ensino superior em todo o Estado
O Governo do Maranhão também tem ampliado as vagas de acesso ao ensino superior. Foram iniciados mais quatro novos cursos presenciais na Universidade Estadual do Maranhão (Uema), além de três doutorados e dois mestrados; na parte de EAD, com o Núcleo de Tecnologias para Educação (UEMAnet), foram abertas mais quatro graduações e outras quatro especializações.
Este ano, a Uema implantou o Bolsa Atleta e aumentou o número de auxílios estudantis, incentivando a permanência dos alunos de graduação; houve um aumento de mais de 40% no número de diplomas emitidos, em 2023 foram 3.073 e agora em 2024 foram 4.530; foi celebrado intercâmbio para receber alunos angolanos para mestrado e doutorado; foram capacitados quase 800 servidores; a instituição alcançou um recorde de público na Mostra de Profissões, com 6 mil participantes; entre outras ações.
A Uema também assumiu a liderança na Câmara de Desenvolvimento Social referente ao Plano Maranhão 2050, com papel de mediação e condução para projetos que impactam no ensino superior, saúde, segurança e na sociedade civil a curto, médio e longo prazo.
“Estou confiante de que 2025 será, sem dúvidas, um ano ainda melhor que 2024. Temos vários indicadores que apontam para isso e que refletem o potencial da Uema em continuar avançando. Estamos no caminho certo para consolidar importantes ações no ensino, na pesquisa, na extensão, na inovação e no desenvolvimento de projetos estratégicos conduzidos pelas pró-reitorias”, declarou o reitor da Uema, Walter Canales.
Os avanços também marcaram o ano de 2024 para a Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul). Foi registrada a maior cota de bolsas aprovadas pela história da instituição junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), um total de 28 bolsas; três novos mestrados foram aprovados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e serão oferecidos já em 2025; houve o credenciamento à rede Bionorte para implantação do primeiro doutorado da Uemasul e que possui conceito 5 na avaliação da Capes.
Letramento Digital e novas Startups
De forma a contribuir com o avanço do ensino no estado, a Uemasul, em parceria com outras instituições de ensino, aprovou, junto ao CNPq, um projeto de grande impacto para a educação básica do estado, intitulado “Inova Parque: rede laboratorial de inovação para uma ciência criativa”. O projeto prevê a implementação de laboratórios makers em 30 escolas municipais e estaduais do estado com o objetivo de promover o letramento digital e a educação científica nas unidades de ensino.
“Em 2024, a Uemasul alcançou avanços significativos em ensino, pesquisa, extensão e inovação. Ampliamos nossa oferta de cursos de pós-graduação stricto sensu com a aprovação do primeiro doutorado da instituição e três novos mestrados. Já na área de pesquisa e inovação, registramos um aumento no número de bolsas de pesquisa concedidas pelo CNPq, realizamos o depósito do primeiro pedido de patente e firmamos nosso primeiro acordo de transferência de tecnologia com a iniciativa privada. Essas conquistas refletem o compromisso da Uemasul, com o apoio do governador Carlos Brandão, em promover o desenvolvimento da região Tocantina”, comentou a reitora da Uemasul, Luciléa Gonçalves.
Com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), o Maranhão tem avançado no desenvolvimento de startups. Entre as ações de destaque está o Programa Trilhas, que consiste em um ciclo de capacitação tecnológica para maranhenses a partir de 16 anos em programação front-end, back-end, jogos, ciência de dados e design e experiência.
O programa apresenta ainda oportunidade para os participantes colocarem em prática os conhecimentos aprendidos com os eventos de encerramento com hackathon, que é caracterizado pela reunião de pessoas de diversas áreas na busca de soluções inovadoras para um problema em um curto prazo.
A Secti também desenvolveu ações voltadas para o fortalecimento de redes de conhecimento, com a realização de oficinas, Maratoninha Maker, ensino de robótica, ações de mobilização e incentivo à pesquisa, além de promover a interação com as instituições de ensino superior, a exemplo da mobilização para a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) e a realização da Conferência Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação.
“Este ano, as ações realizadas pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Maranhão foram fundamentais para o avanço do nosso estado. Investimos em projetos que impulsionam a inovação, capacitam nossa população e incentivam o empreendedorismo local. Estas iniciativas contribuem diretamente para o desenvolvimento sustentável e para a criação de novas oportunidades, não apenas no presente, mas também no futuro do Maranhão. Seguiremos trabalhando para fortalecer a nossa ciência e tecnologia, garantindo que o estado continue a crescer de maneira estratégica e inclusiva”, declarou a secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, Natássia Weba.
Apresentar informações técnicas e econômicas sobre o cultivo do açaí (Euterpe oleracea Mart) cultivar BRS-Pará, conhecido popularmente como açaí de touceira, que se expandiu significativamente na região sul e sudeste do Amazonas, impulsionado pelo mercado nacional e internacional pela polpa da fruta do açaí, foi o principal objetivo de pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
O estudo intitulado ‘Resposta do açaí cultivar BRS-Pará às doses crescentes de nitrogênio, fósforo e potássio com e sem irrigação’ é apoiado pelo Programa de Apoio Estratégico ao Desenvolvimento Econômico-Ambiental do Estado do Amazonas – Amazonas Estratégico, Edital N° 004/2018.
Foto: Vaírton Radmann/Acervo pessoal
O coordenador do estudo e doutor em Manejo e Conservação do Solo e da Água, Vaírton Radmann, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), afirma que as análises iniciaram desde a produção de mudas, seguido pelo plantio e desenvolvimento das plantas no campo. E ainda que esses estudos deverão seguir por vários anos, a fim de observar o ciclo de viabilidade da espécie.
“O açaí faz parte do hábito alimentar da população na Amazônia, alimento com excelentes propriedades nutricionais e medicinais, o que fez ser exportado e consumido em outros países. Além da importância no hábito alimentar, o açaí é uma importante fonte de renda, se não a mais importante para muitos extrativistas e produtores rurais”, afirmou sobre a importância do açaí.
O estudo determinou a circunferência do estipe das plantas, a altura e os teores de nutrientes no tecido, em função das doses de nitrogênio (N), fósforo (P2O5) e potássio (K2O), do número de plantas por cova, com e sem irrigação, no primeiro e no segundo ano de cultivo.
A análise de solo e da folha são duas ferramentas extremamente importantes no momento da recomendação de adubação no açaí do produtor, objetivando diminuição de custos, maior produtividade e qualidade do açaí, ganho ambiental e maior lucratividade.
“Na área experimental de 15 hectares na Agropecuária Rossato, as plantas completaram 4 anos e meio. Paralelamente, são conduzidos mais 4 experimentos de 8,50 hectares em outras 3 propriedades rurais, com plantas de mesma e diferentes idades, que fazem parte da Recomendação de adubação para o açaí”, explicou.
Ele complementou ainda que, para a produção das mudas de açaí, é importante adquirir sementes com registro e seguir o padrão técnico adequado no viveiro, o que vai proporcionar mudas com estipe de maior diâmetro, sadias e altura adequada, permitindo um melhor desenvolvimento inicial no campo.
No momento da recomendação de adubação, é importante o equilíbrio entre as quantidades de nitrogênio, fósforo e potássio a serem aplicadas pelo produtor, para o satisfatório desenvolvimento das plantas. Essa é a importância da análise de solo e sempre que possível, da análise foliar, para a adequada recomendação de adubação.
A cidade de Bragança, na região dos Caetés, no Pará, se encheu de cores, ritmos e fé durante a realização da 226ª Festividade do Glorioso São Benedito, uma celebração que atraiu milhares de devotos para reverenciar o santo conhecido por sua intercessão e proteção. O evento é marcado por uma programação repleta de cerimônias religiosas, danças tradicionais e a presença marcante da comunidade local.
Foto: Marcelo Lelis/Agência Pará
Este ano, a festividade teve a participação do governador do estado, Helder Barbalho, que compareceu vestindo o traje típico dos marujos. Agradecimento pela intercessão divina e amizade bragantina.
“Esta festa é religião e é cultura, preservação da história dos que construíram essa terra. Quero dizer da minha alegria de estar aqui por mais um ano, agradecendo São Benedito. Este ano, há alguns meses, eu tive um acidente aéreo, com meu filho Helder Filho, e os amigos daqui de Bragança fizeram essa promessa em agradecimento”, afirmou Helder Barbalho.
A celebração começou cedo, com a realização do Terço e Novena a São Benedito às 7h, seguidos pela Santa Missa Solene no Largo de São Benedito. Às 9h30, o leilão beneficente atraiu a atenção dos presentes, contribuindo para a arrecadação de recursos destinados à manutenção da festividade. A preparação culminou em um almoço coletivo oferecido pelo Juiz da Festividade, criando um ambiente de confraternização entre os participantes.
A grande procissão com a imagem do Glorioso São Benedito percorreu aproximadamente quatro quilômetros, encerrando-se com uma Missa Campal.
Foto: Roni Moreira/Agência Pará
O ponto alto da festividade foi a apresentação da Marujada, uma dança tradicional que remonta ao final do século XVIII e é considerada um símbolo da resistência e da cultura afro-brasileira. Com trajes brancos e vermelhos, os participantes, sob a liderança da capitoa, desempenharam suas funções com maestria e devoção, encantando todos os presentes. O ritmo vibrante e os movimentos coordenados da dança atraíram olhares admirados, reforçando a importância da Marujada como patrimônio cultural.
Foto: Roni Moreira/Agência Pará
A Marujada de São Benedito não é apenas uma festa religiosa, ela representa a identidade cultural da região, unindo gerações em torno de uma herança rica que inclui a culinária, a música e, especialmente, a dança. A origem da Marujada, vinculada à criação da Irmandade do Glorioso São Benedito em 1798, é de por escravos que buscavam permissão para celebrar e ressalta a resiliência e a busca por dignidade por parte da comunidade afrodescendente.
Com a presença de mais de 100 mil pessoas, a festividade deste ano atraiu um público diversificado, demonstrando a força e a relevância da Marujada na atualidade. A organização do evento envolveu diversas instituições locais, incluindo a Diocese de Bragança do Pará e a Irmandade da Marujada de São Benedito, que garantiram a preservação das tradições e a continuidade desta manifestação cultural.
Gente como seu Valdonilo de Sousa Miranda que trabalha como ajudante de pedreiro e hoje foi ao centro da cidade em devoção ao Glorioso São Benedito.
“Hoje é o dia dele e nós vamos acompanhar andando e cantando. Somos muito gratos a ele”.
Além de ser um momento de fé e devoção, a Marujada se consolidou como um evento turístico importante, atraindo visitantes de diferentes regiões do Brasil. A dança, com seus ritmos contagiantes e expressões artísticas, se tornou um atrativo a mais para quem deseja conhecer a cultura paraense em sua essência.
Foto: Marcelo Lelis/Agência Pará
A Marujada de São Benedito foi reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural do Brasil. A conquista representa não apenas um reconhecimento à importância da festividade, mas também um compromisso com a preservação das tradições que moldam a identidade local.
Foto: Marcelo Lelis/Agência Pará
“É patrimônio cultural”, afirmou dona Maria Pereira de Sousa, a Turismóloga reforçou que “o Pará é muito rico de história e nós temos que preservar a cultura, a história e a natureza, inclusive nesse ano de COP 30″, finalizou.